Introdução ao Estudo da Bíblia
Aula 4: Multiplicação dos Pães e Peixes
Dedicada à memória de meus avós
Alfredo Henrique Beust e Hibrahyma de Moura Martins Beust
Luis Henrique Beust, 2011
“Ó meu Deus! Ó Tu que perdoas os pecados, Tu
que concedes dádivas e afastas aflições! Suplico-
Te, verdadeiramente, que perdoes os pecados
dos que abandonaram as vestes físicas e
ascenderam ao mundo espiritual. [...]
“[...] Ó meu Senhor! Purifica-os das
transgressões; as tristezas, desvanece-lhes; e
transforma sua escuridão em luz. [...]
“[...] Permite que entrem no Jardim da
felicidade, se purifiquem com a água mais
límpida e no mais sublime monte, contemplem
Teus esplendores.” Bahá’u’lláh
City Temple,
Holborn,
Londres, antes
da destruição da
AT: Antigo Testamento
nave, na
Segunda Guerra
Mundial. Local
da primeira
palestra pública
de ‘Abdu’l-
Bahá, em 10 de
setembro de
1911.
AT: Antigo Testamento
O City Temple acomodava três mil pessoas sentadas.
AT: Antigo Testamento
City Temple, Holborn, Londres, a fachada não foi destruída nos bombardeios na Segunda Guerra Mundial.
“Este livro é o
Sagrado Livro de
Deus, de inspiração
celestial. É a Bíblia
da Salvação, o
AT: Antigo Testamento
Nobre Evangelho. É
o Mistério do Reino
e sua luz. É a Graça
divina, o sinal da
guia de Deus.”
‘Abdu’l-Bahá ‘Abbás. Escrito na Bíblia do
púlpito do City Temple depois de Sua primeira
palestra pública no Ocidente, em 10 de
setembro de 1911.
In: Earl Redman, ‘Abdu’l-Bahá in Their Midst,
p. 31-32,34.
4 Evangelhos
Atos dos Apóstolos
13 epístolas
8 epístolas
Apocalipse
(43)
Livro Cap. Vers.
MATEUS 28 1071
Mateus
MARCOS 16 666
Marcos
LUCAS 24 1151
Lucas
JOÃO 21 867 João
ATOS 28 966 Atos
ROMANOS 16 433 Romanos
I CORÍNTIOS 16 437 I Coríntios
II CORÍNTIOS 13 256 II Coríntios
O Novo Testamento:
GÁLATAS 6 149 Gálatas
tamanho dos livros
EFÉSIOS 6 155
Efésios
Filipenses
FILIPENSES 4 104
Colossenses
COLOSSENSES 4 95
I Tessalonicenses
I TESSALONICENSES 5 89
II Tessalonicenses
II TESSALONICENSES 3 47
I Timóteo
I TIMÓTEO 6 113
II Timóteo
II TIMÓTEO 4 83
Tito
TITO 3 46
Filemon
FILEMON 1 25 Hebreus
HEBREUS 13 303 Tiago
TIAGO 5 108 I Pedro
I PEDRO 5 105 II Pedro
II PEDRO 3 61 I João
I JOÃO 5 105 II João
II JOÃO 1 13
III João
Judas
III JOÃO 1 25
JUDAS 1 25
APOCALIPSE 22 404
Os quatro Evangelhos
Mateus Marcos Lucas João
Evangelhos Sinóticos: semelhantes
entre si (Grego: “Syn” = Igual +
“Opticos” = Visão)
Lucas, assim como Lucas
Marcos, não conheceu
Jesus. O terceiro
evangelho é “o
primeiro volume” (At.
1:1) de um trabalho de
dois tomos, o
Evangelho de Lucas e
o Atos dos Apóstolos,
elaborados pelo
mesmo autor e
dedicados a Teófilo
(Amigo de Deus, em
grego, cuja identidade
é desconhecida).
Evangelho de Lucas,
como todos os
demais, é anônimo. A
tradição o atribui a
Lucas, que aparece na
Epístola de Paulo a
Filemon como um dos
“colaboradores” de
Paulo, e é menciona-
do como o “médico
amado” (Col. 4:14).
Ele era um não-judeu
de Antioquia, na Síria.
The Oxford Companion to the
Bible Vladimir Lukich Borovikovsky (1757-1825). São Lucas Evangelista
(1804-1809). Catedral de Kazan, São Petersburgo.
O prólogo do evangelho
revela que Lucas se apóia
em outras narrativas
evangélicas e em
informações reunidas de
“testemunhas oculares e
ministros da Palavra” (Lc.
1:2). Muitos estudiosos
argumentam que Lucas não
pode ter sido companheiro
frequente de Paulo, pois o
Paulo de Lucas (Atos) é
distinto do Paulo de Paulo
(Epístolas Paulinas, estas de
autoria não questionada).
A composição e a
amplitude de
vocabulário indicam que
o autor do terceiro
evangelho era uma
pessoa educada.
Lucas também é tido
pela tradição cristã
como o primeiro pintor
de ícones. Diz-se que
pintou imagens de
Maria, de Pedro e de
Paulo. Por isso é
considerado o patrono Lucas pintando a primeira imagem
da arte cristã. de Maria com Jesus menino.
O ícone de Nossa Senhora
de Vladimir é um dos
mais venerados pelo
cristianismo ortodoxo, e
é aceito pela tradição
ortodoxa como tendo sido
pintado por Lucas sobre
uma tábua da mesa usada
por Jesus, Maria e José.
Em 1131 ele foi enviado
como um presente de
Constantinopla para Kiev,
na Rússia.
O Theotokos de Vladimir, ou Nossa Senhora de
Vladimir, ou Virgem de Vladimir.
Na cristandade ortodoxa
desenvolveu-se uma grande
tradição de pintura de
ícones chamados de
“theotokos”, que,
literalmente, significa
“aquela que dá a luz a
Deus”. O Concílio de Éfeso
permitiu que Maria tivesse
este título, e não apenas
“Christokos” porque seu
filho Jesus é tanto Deus
quanto homem, divino e
humano. O Theotokos de Kazan.
João, o autor tradicional do João
quarto evangelho, foi, como
Mateus, um dos doze
apóstolos de Jesus, o único a
viver até a velhice (95 anos).
A tradição também atribui a
ele o texto de três Epístolas
e o do Apocalipse, também
conhecido como Revelação
de São João.
Ele é conhecido como o
“discípulo amado”, assim
mencionado no corpo do seu
evangelho.
João nasceu em Bethsaida,
filho de Zebedeu e Salomé e
irmão de Tiago, o velho. No
evangelho ambos os irmãos
são chamados “os filhos de
Zebedeu”. Segundo a
tradição, ele e seu irmão,
assim como Pedro e André,
haviam sido seguidores de
João Batista. Eram
pescadores, e Jesus os
chamou para serem seus
discípulos quando
remendavam suas redes,
São João Evangelista. Livro de
junto ao mar da Galiléia. Evangelhos do Abade Wedricus, 1147.
Zampieri
(Domenichino). São
João Evangelista,
1624-29. National
Gallery, Londres.
João está
tradicionalmente
relacionado à Igreja
de Éfeso, na atual
Turquia. Seu nome
também é ligado à
Ilha de Patmos, na
Grécia, para onde
foi exilado em 95
dC., no décimo ano
do reinado de
Domiciano (81-96
dC.), e onde teria
escrito o Apocalipse.
Francois Andre Vincent. São João Evangelista, 1773. The Detroit
Institute of Arts.
Turquia
Mar Egeu
Grécia
Éfeso
Patmos
Mar de Creta
Mar Mediterrâneo
Ilha de Patmos, Grécia
Ilha de Patmos, Grécia. Monastério de São João Divino. Iniciado em 1088. Contém uma das mais
importantes bibliotecas do mundo cristão.
Ilha de Patmos, Grécia. Monastério de São João Divino. Iniciado em 1088. Contém uma das mais
importantes bibliotecas do mundo cristão.
Ilha de Patmos, Grécia. Gruta da Revelação.
Ilha de Patmos, Grécia. Gruta da Revelação. João recebe a Revelação de Deus e a dita a Prócoro.
Ilha de Patmos, Grécia. Gruta da Revelação.
Ilha de Patmos, Grécia. Gruta da Revelação.
Éfeso, Turquia.
Éfeso, Turquia. Tinha uma
população de 250.000
habitantes no século I a.C., o
que também fazia dela a
segunda maior cidade do
mundo na época.
Biblioteca de Celso (Tibério Júlio Celso Polemeno), Éfeso, Turquia. Celso havia sido
cônsul em 92 d.C., governador da província romana da Ásia em 115
Éfeso,
Turquia.
Éfeso, Turquia.
Éfeso, Turquia.
Éfeso, Turquia.
Os quatro
Evangelhos
• Relatam as
palavras e atos de
Jesus
Os quatro
Evangelhos
• Relatam as
palavras e atos de
Jesus
PALESTINA
Topografia vista do sudoeste
Os quatro
Evangelhos
Jesus se retira para Efraim, para
evitar planos contra sua vida.
Jesus cura o mendigo cego
Bartimeu e chama o coletor de
impostos Zaqueu a arrepender-se.
Jesus ressuscita Lázaro e fica na
casa de Simão, o leproso. Velha estrada entre
Jericó e Jerusalém
Em Jerusalém, Jesus cura
um paralítico, um cego e
frequenta o templo.
• Relatam as palavras e atos
de Jesus
Os quatro
Evangelhos
• Relatam as
palavras e atos de Local para onde os cristãos de
Jesus Jesus visita a Samaria, mas é
Jerusalém fugiram pouco antes da
destruição de Jerusalém por Roma,
rejeitado. em 70 dC.
Jesus fala com a samaritana na
fonte de Jacó.
Local onde João
Estrada onde se passa Batista foi decapitado.
a história do Bom
Samaritano.
Os quatro Evangelhos
Mateus Marcos Lucas João
Evangelhos Sinóticos: semelhantes
entre si (Grego: “Syn” = Igual +
“Opticos” = Visão)
Mateus
Marcos
Lucas
João
Correlação dos milagres de Jesus nos Evangelhos
Evento Mateus Marcos Lucas João
1 Bodas em Caná 2:1-11
2 Exorcismo na sinagoga em 1:21-28 4:31-37
Cafarnaum
3 Pesca milagrosa 5:1-11
4 Ressurreição do filho da viúva de 7:11-17
Nain
5 Cura de um leproso 8:1-4 1:40-45 5:12-16
6 O criado do centurião 8:5-13 7:1-10 4:46-54
7 Cura da sogra de Pedro 8:14-17 1:29-34 4:38-41
8 Exorcismo ao pôr-do-sol 8:16-17 1:32-34 4:40-41
9 Apazigua a tempestade 8:23-27 4:35-41 8:22-25
10 Os endemoninhados gergesenos 8:28-34 5:1-20 8:26-39
Evento Mateus Marcos Lucas João
11 O paralítico de Cafarnaum 9:1-8 2:1-12 5:17-26
12 Ressurreição da filha de Jairo 9:18-26 5:21-43 8:40-56
13 A mulher com fluxo de sangue 9:20-22 5:24-34 8:43-48
14 Dois cegos na Galileia 9:27-31
15 Exorcismo de um mudo 9:32-24
16 Cura do paralítico de Betesda 5:1-18
17 Cura do homem com a mão mirrada 12:9-13 3:1-6 6:6-11
18 Exorcismo do cego e mudo 12:22-28 3:20-30 11:14-23
19 Cura da mulher paralítica 13:10-17
20 Cinco pães para cinco mil homens 14:13-21 6:31-34 9:10-17 6:5-15
21 Anda sobre as águas 14:22-33 6:45-52 6:16-21
22 Cura em Genezaré 14:34-36 6:53-56
23 Exorcismo da filha da mulher 15:21-28 7:24-30
cananeia
24 Cura do surdo-mudo de Decápolis 7:31-37
25 Sete pães para quatro mil homens 15:32-39 8:1-9
Evento Mateus Marcos Lucas João
26 Cura do cego de Betsaida 8:22-26
27 A transfiguração de Jesus 17:1-13 9:2-13 9:28-36
28 Exorcismo do menino 17:14-21 9:14-29 9:37-49
endemoninhado
29 A moeda na boca do peixe 17:24-27
30 Cura do homem hidrópico 14:1-6
31 Cura de dez leprosos 17:11-19
32 Cura do cego de nascença 9:1-12
33 Cura do cego perto de Jericó 20:29-34 10:46-52 18:35-43
34 Ressurreição de Lázaro 11:1-44
35 Amaldiçoa a figueira 21:18-22 11:12-14
36 Cura a orelha de um criado 22:49-51
37 Pesca dos 153 grandes peixes 21:1-24
http://www.openbible.info/blog/
Bíblia: Exegese de milagres
1. imaculada concepção
2. a multiplicação dos pães e peixes
Milagre: de “mirus” (latim), que significa “espantoso,
estranho, maravilhoso”. Daí vem “mirari” (espantar-
se, olhar com espanto, mirar, olhar) e “miraculus”:
“causa de espanto, de admiração”.
Há milagres em todas as religiões
“Os milagres são uma
característica comum da
literatura e da tradição
religiosa de todas as
culturas, desde as mais
simples até às mais
sofisticadas sociedades,
desde os mais remotos
tempos históricos até o
presente.”
Howard Clark Lee, Miracles. In: Metger, Bruce M.
And Coogan, Michael D., Eds. The Oxford
Companion to the Bible. Oxford University Press,
New York, Oxford, 1993. p. 519. A tradução é nossa.
Os Profetas podem fazer milagres
“Os Santos
Manifestantes de Deus
são fontes de milagres
e neles se originam
maravilhosos sinais.
Para eles, qualquer
coisa difícil e
impraticável é
possível e fácil. Pois
através de um poder
sobrenatural
maravilhas surgem
dEles; [...]
“[...] e através deste poder, que está além da
natureza, Eles influenciam o mundo da natureza. De
todos os Manifestantes coisas espantosas foram
manifestas.” ‘Abdu’l-Bahá. SAQ., p.100. A tradução é nossa.
“Mas nos Livros Sagrados, uma terminologia especial é
empregada, e, para os Manifestantes, estes milagres e
sinais maravilhosos não têm qualquer importância.
Eles nem mesmo querem fazer menção deles.”
‘Abdu’l-Bahá. Some Answered Questions, p.100. A tradução é nossa.
Os Profetas não valorizam milagres
Jesus Cristo: “ ...um leproso se aproximou e se prostrou
diante dele dizendo: ‘Senhor, se queres, tens poder para
purificar-me. Ele estendeu a mão e, tocando-o, disse: “Eu
quero, sê purificado.” E imediatamente ele ficou livre de
sua lepra. Jesus lhe disse: Cuidado, não digas nada a
ninguém...’” Mateus 8: 2-4
Os Profetas não valorizam milagres
Jesus Cristo: “Quando entraram em casa os dois cegos
aproximaram-se dele. Jesus lhes perguntou: ‘credes vós
que tenho poder para fazer isso?’ Eles responderam: ‘Sim,
Senhor.’ Então tocou-lhes os olhos e disse: ‘Seja feito
segundo a vossa fé.’ E os seus olhos se abriram. Jesus,
porém, os admoestou com energia: ‘Cuidado, para que
ninguém o saiba.’” Mateus 9: 28-30
Jesus Cristo: “Ele disse:[...] ‘Ó criança, levanta-te!’
O espírito dela voltou e, no mesmo instante, ela
ficou de pé. E ele mandou que lhe dessem de comer.
Seus pais ficaram espantados. Ele, porém, ordenou-
lhes que a ninguém contassem o que acontecera.”
Lucas 8: 52-6
Bahá’u’lláh:
“Exortamos Nossos
bem-amados a não
macularem a fímbria de
Nossa veste com a poeira
da falsidade nem a
permitirem que referências
àquilo que consideram
como milagres rebaixem
Nossa posição e estado, ou
maculem a pureza e
santidade de Nosso nome.”
Bahá’u’lláh. Epistle to the Son of the Wolf,
p. 33. A tradução é nossa.
Os Profetas podem fazer milagres
“O significado não é que os Manifestantes não sejam
capazes de realizar milagres, pois Eles têm todo o
poder. Mas para Eles a visão interior, a cura
espiritual e a vida eterna são as coisas valiosas e
importantes.”
‘Abdu’l-Bahá. Some Answered Questions, p.102. A tradução é nossa.
“Consequentemente, quando está registrado nos
Livros Sagrados que uma pessoa que era cega
recuperou a visão, o significado é que ela era
interiormente cega e que recuperou visão espiritual,
ou que era ignorante e se tornou sábia, ou que era
negligente e se tornou atenta, ou que era mundana e
se tornou celestial.”
‘Abdu’l-Bahá. Some Answered Questions, p.102. A tradução é nossa.
Três tipos de narrativa de milagres
1. A narrativa foi mal-interpretada (há evidência
na Bíblia de que nenhum milagre que foi
realizado).
2. A narrativa tem um sentido espiritual,
simbólico (e nenhum milagre que foi realizado).
3. A narrativa descreve um milagre que foi
realizado no mundo físico, material.
Tipo 3: milagre no mundo físico
A Anunciação, Fra
Angelico. Museu do
Prado, Madri.
A concepção imaculada: a fecundação de uma mulher
sem a interveniência dos espermatozoides de um
homem, por um ato divino.
Concepção imaculada: Cristo
“À luz do que
Bahá’u’lláh e ‘Abdu’l-
Bahá afirmaram a
respeito deste
assunto [a concepção
de Jesus], é evidente
que Jesus veio a este
mundo através da
direta intervenção do
Espírito Santo e que,
consequentemente,
seu nascimento foi
assaz milagroso. [...] Bartolomé Esteban Murillo, 1678, now in Museo del
Prado, Spain.
“[...] Este é um fato
estabelecido, e os
amigos não devem
de modo algum ficar
surpresos pois a
crença na
possibilidade de
milagres jamais foi
rejeitada nos
Ensinamentos. Sua
importância,
entretanto, foi
minimizada.”
Shoghi Effendi. Lights of
Guidance, p.490. A tradução é
nossa.
Bartolomé Esteban Murillo, 1678,
now in Museo del Prado, Spain.
Concepção imaculada: Cristo
“A origem de Jesus
Cristo foi assim:
Maria, sua mãe,
comprometida em
casamento com
José, antes que
coabitassem achou-
se grávida pelo
Espírito Santo.”
Mt. 1:18. A Bíblia de Jerusalém
Imaculada Concepção, de Zubaran
Concepção imaculada: Cristo
“O anjo
respondeu: ‘O
Espírito Santo virá
sobre ti, e o poder
do Altíssimo vai te
cobrir com a sua
sombra; por isso o
Santo que nascer
será chamado
Filho de Deus.”
Lc. 1:35. A Bíblia de Jerusalém
(Nem Marcos nem João
mencionam o nascimento
virgem de Jesus)
Concepção imaculada: Cristo
“Vede! os anjos
disseram: ó Maria! Alá te
escolheu e te purificou –
escolheu-te acima das
mulheres de todas as
nações. [...]
“Ó Maria, Alá te dá
Boas Novas de Sua parte:
seu nome será Cristo Jesus.
O filho de Maria, honrado
neste mundo e no Além e
(na companhia) daqueles
mais próximos de Alá. [...]
Maria e Jesus. Iluminura persa, séc. XV
[...] “Ela disse:
‘Ó meu Senhor! Como
poderei ter um filho se
nenhum homem jamais
me tocou?’ Ele disse:
‘Ainda assim. Deus cria
aquilo que deseja.
Quando Ele estabelece
um plano Ele
simplesmente lhe diz:
“Sê tu”, e ele é!’”
Alcorão, Surata 3:42-51
The Immaculate Conception Maria e Jesus. Iluminura persa, séc. XV
by Martino Altomonte (1719)
Bahá’u’lláh, sobre
Jesus Cristo
“Damos testemunho
de que Ele, quando
veio ao mundo,
irradiou o esplendor
de Sua glória sobre
todas as coisas
criadas. Por Seu
intermédio, o leproso
recuperou-se da lepra
da perversidade e
ignorância. [...]
Cristo com hóstia. Juan de Juanes
“[...] Por Ele os
lascivos e refratários
foram curados.
Através de Seu poder,
nascido de Deus
Todo-Poderoso, os
olhos dos cegos se
abriram e a alma do
pecador foi
santificada.”
Bahá’u’lláh. Seleção dos Escritos
de Bahá’u’lláh, XXXVI, p.62
Immaculate Conception
Jusepe de Ribera
Concepção
imaculada: Krishna
Hinduísmo:
“O próprio divino Vishnu1
desceu ao ventre de Devaki
e nasceu como seu filho.”
“[Ninguém] suportava
deitar os olhos em Devaki,
pela luz que habitava nela,
e aqueles que
contemplavam sua
radiância sentiam suas
mentes perturbadas.”
Apud. Boslooper, Thomas. The Virgin
Birth. The Westminster Press. Library of
the Congress Catalog Card No. 62-7941
Concepção
imaculada: Buda
Budismo:
“Então, irmãos,
ocorreu que Vipassi [O
Iluminado], como
Bodhisat1, deixou de
estar entre as hostes
do céu de Deleite, e
desceu ao ventre de
sua mãe, alerta e
senhor de si.”2
Mahapadana-sutta, Digha ii: 12
1. Aquele que alcançou o mais
elevado grau de santidade.
Concepção imaculada:
Melquisedec
Cristianismo:
“Este Melquisedec
é, de fato, rei de
Salém, sacerdote de
Deus Altíssimo. Ele
saiu ao encontro de
Abraão quando esse
regressava do combate
contra os reis, e o
abençoou. Foi a ele
que Abraão entregou o
dízimo e tudo. [...] Encontro entre Abraão e Melquisedec, de Dieric Bouts
o velho, 1464–67
“[...] E o seu nome
significa, em primeiro
lugar, ‘Rei de
Justiça’; e, depois,
‘Rei de Salém’, o que
quer dizer ‘Rei da
Paz’. Sem pai, sem
mãe, sem genealogia,
nem princípio de dias
nem fim de vida! É
assim que se
assemelha ao Filho de
Deus, e permanece
sacerdote
eternamente.”
Hebreus, 7:1-3
Milagres não são
prova de um
Manifestante
Cristianismo:
“Pois hão de surgir
falsos Messias e falsos
profetas, que
apresentarão grandes
sinais e prodígios de
modo a enganar, se
possível, até mesmo os
eleitos.”
Mateus, 24:24
Fé Bahá’í:
“A honra e grandeza de
Cristo não são devido
ao fato de Ele não ter
tido um pai humano,
mas às Suas perfeições,
graças e glória divina.
Se a grandeza de Cristo
é o fato de Ele não ter
pai, então Adão é
maior do que Cristo,
pois Ele não teve nem
pai nem mãe.”
‘Abdu’l-Bahá. S.A.Q., p. 89-90.
A tradução é nossa.
Tipo 1: narrativa mal-interpretada
A multiplicação dos pães e peixes
Cristo: multiplicação dos pães
Dois Milagres:
1. Cinco pães e dois
peixes para cinco mil
a) Mt 14:13-21
b) Mc 6:31-44
c) Lc 9:10-17
d) Jo 6:5-15
2. Sete pães e alguns
peixes para quatro mil
a) Mt 15:32-39
b) Mc 8:1-9
Mar da Galiléia (Lago de Tiberíades, Lago Kineret), norte de Israel
Planícies costeiras,
vale de Jezrael,
Galileia e Basã.
Jesus faz Jesus chama Levi, Simão,
Local do vários milagres
sermão da André, João e Tiago
montanha
Jesus prega
e cura
Multiplicação dos
pães e peixes
Jesus anda
sobre as
águas
Jesus cura um
endemoninhado
Jesus acalma
Casa de Maria
a tempestade
Madalena
Mar da Galiléia (Lago de Tiberíades, Lago Kineret), norte de Israel
Mar da Galiléia (Lago de Tiberíades, Lago Kineret), norte de Israel
Mar da Galiléia (Lago de Tiberíades, Lago Kineret), norte de Israel
Mar da Galiléia (Lago de Tiberíades, Lago Kineret), norte de Israel
Mar da Galiléia (Lago de Tiberíades, Lago Kineret), norte de Israel
Cristo: 1ª
multiplicação dos pães
Jesus, ouvindo isso,
partiu dali, de barco,
para um lugar deserto,
afastado. Assim que as
multidões o souberam,
saíram das cidades,
seguindo-o a pé. Assim
que desembarcou, viu
uma grande multidão e,
tomado de compaixão,
curou os seus doentes.
[...]
[...] Chegada a tarde, aproximaram-se dele os seus
discípulos, dizendo: “O lugar é deserto e a hora já está
avançada. Despede as multidões para que vão às
aldeias comprar alimento para si. [...]
Mas Jesus lhes
disse: “Não é
preciso que vão
embora. Dai-lhes
vós mesmos de
comer.” Ao que os
discípulos
responderam: “Só
temos aqui cinco
pães e dois
peixes”. Disse
Jesus: “Trazei-os
aqui.” [...]
[...] E, tendo
mandado que as
multidões se
acomodassem na
relva, tomou os cinco
pães e os dois peixes,
elevou os olhos ao céu
e abençoou. Em
seguida, partindo os
pães, deu-os aos
discípulos, e os
discípulos às
multidões. [...]
[...] Todos
comeram e
ficaram saciados,
e ainda
recolheram doze
cestos cheios dos
pedaços que
sobraram.
Ora, os que
comeram eram
cerca de cinco mil
homens, sem
contar mulheres e
crianças.
Mateus, 14:13-21
Cristo: 2ª multiplicação
dos pães
Jesus, partindo
dali, foi para as
cercanias do mar da
Galileia e, subindo a
um monte, sentou-
se. Logo vieram até
ele numerosas
multidões trazendo
coxos, cegos,
aleijados, mudos e
muitos outros, [...]
Cristo: 2ª multiplicação
dos pães
[...] e os puseram aos
seus pés e ele os
curou, de sorte que as
multidões ficaram
espantadas ao ver os
mudos falando, os
aleijados sãos, os
coxos andando e os
cegos a ver. E
renderam glória ao
Deus de Israel. [...]
L. Lombard
[...] Jesus,
chamando os
discípulos, disse:
“Tenho
compaixão da
multidão,
porque já faz
três dias que
está comigo e
não tem o que
comer. [...]
[...] Não quero
despedi-la em
jejum, de medo
que possa
desfalecer pelo
caminho.” Os
discípulos lhe
disseram: “De onde
tiraríamos, num
deserto, tantos
pães para saciar
uma tal
multidão?” [...]
Jesus lhes disse:
“Quantos pães
tendes?”
Responderam: “Sete
e alguns peixinhos.”
Então, mandando
que a multidão se
assentasse pelo chão,
tomou os sete pães e
os peixes e, depois de
dar graças, partiu-os
e dava-os aos
discípulos, e os
discípulos às
multidões.
Todos comeram e ficaram saciados, e ainda
recolheram sete cestos cheios dos pedaços que
sobraram. Ora, os que comeram eram quatro mil
homens, sem contar mulheres e crianças. Mateus, 15:29-38
Tabgah, Igreja da Multiplicação dos Pães e Peixes, Mar da Galiléia
Tabgah, Igreja da Multiplicação dos Pães e Peixes, Mar da Galiléia
Tabgah, Igreja da Multiplicação dos Pães e Peixes, Mar da Galiléia
Tabgah, Igreja da Multiplicação dos Pães e Peixes, Mar da Galiléia
Tabgah, Igreja da Multiplicação dos Pães e Peixes, Mar da Galiléia
Tabgah, Igreja da Multiplicação dos Pães e Peixes, Mar da Galiléia
Tabgah, Igreja da Multiplicação dos Pães e Peixes, Mar da Galiléia
Tabgah, Igreja da Multiplicação dos Pães e Peixes, Mar da Galiléia
Multiplicação dos pães: chave
Ao passarem para a outra margem do lago, os
discípulos esqueceram-se de levar pão. Como Jesus
lhes dissesse: “Cuidado, acautelai-vos do fermento
dos fariseus e dos saduceus!”, puseram-se a refletir
entre si: “Ele disse isso porque não trouxemos pão”.
[...] Jesus,
percebendo
isso, disse:
“Homens
fracos na fé!
Por que
refletir entre
vós por não
terdes pão?
“Ainda não
entendeis?
[...]
“[...] nem vos lembrais dos cinco pães para cinco mil
homens e de quantos cestos recolhestes? Nem dos
sete pães para quatro mil homens e de quantos cestos
recolhestes? [...]
“[...] Como não entendeis que eu não estava falando
de pão, quando vos disse: Acautelai-vos do fermento
dos fariseus e dos saduceus?” [...]
“[...] Então compreenderam que não dissera:
Acautelai-vos do fermento do pão, mas sim do ensino
dos fariseus e dos saduceus.” Mateus 16:5-12
Pão =
ensinamento
Segundo o próprio
texto bíblico,
conforme Mateus
16:5-12, o que
ocorreu foi a
multiplicação dos
ensinamentos de
Jesus, que
alimentaram
(espiritualmente)
multidões.
Pão = ensinamento
“Porque o pão de
Deus é aquele que
desce do céu e dá
vida ao mundo.”
João 6:33
“Eu sou o pão da
vida; aquele que
vem a mim, de
modo algum terá
fome, e quem crê
em mim jamais
terá sede.”
João 6:35
El Greco. O Salvador do Mundo, 1600 (detalhe).
“Eu sou o pão da vida.
Vossos pais comeram o
maná no deserto e
morreram. Este é o pão
que desce do céu, para
que o que dele comer
não morra. Eu sou o pão
vivo que desceu do céu;
se alguém comer deste
pão, viverá para sempre;
e o pão que eu darei
pela vida do mundo é a
minha carne.”
João 6:48-51
“O espírito é o que
vivifica, a carne para
nada aproveita; as
palavras que eu vos
tenho dito são
espírito e são vida.”
João 6:48-51
Pão e peixe = ensinamento
Jesus diz que os
discípulos devem
alimentar
espiritualmente a
multidão.
Eles dizem não ter
conhecimento (pães e
peixes) suficiente para
isso.
Jesus pergunta o que
eles sabem (quantos
pães e peixes têm).
Pão e peixe = ensinamento
Então abençoa este
conhecimento e os
discípulos o
compartilham com as
multidões.
E o conhecimento se
mostra suficiente para
alimentar
espiritualmente as
milhares de pessoas, e
ainda sobram
conhecimentos (os
cestos que restam).
OBRIGADO!