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4 - SOBRINHO, José Dias. Avaliação Da Educação Superior - Avanços e Riscos.

1) A avaliação e acreditação da educação superior estão se tornando cada vez mais importantes em todo o mundo, especialmente nas últimas décadas na América Latina e no Caribe. 2) Muitos fatores globais como a globalização e a sociedade do conhecimento estão levando a demandas por novas formas de avaliar a qualidade da educação superior. 3) Existem visões contraditórias sobre qualidade educacional - algumas focam no desenvolvimento humano enquanto outras priorizam os interesses do mercado.

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1) A avaliação e acreditação da educação superior estão se tornando cada vez mais importantes em todo o mundo, especialmente nas últimas décadas na América Latina e no Caribe. 2) Muitos fatores globais como a globalização e a sociedade do conhecimento estão levando a demandas por novas formas de avaliar a qualidade da educação superior. 3) Existem visões contraditórias sobre qualidade educacional - algumas focam no desenvolvimento humano enquanto outras priorizam os interesses do mercado.

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Avaliao da educao

superior: avanos e riscos


Jos Dias Sobrinho

Professor do Programa de
Ps-Graduao em Educao
Uniso. Sorocaba SP [Brasil]
[email protected]

Avaliao e acreditao1 constituem ncleos centrais da agenda da


educao superior no mundo todo e, especialmente nestas duas ltimas dcadas, na Amrica Latina e no Caribe. A crescente fora instrumental e poltica desses processos se deve, em grande parte, questo da qualidade, que
vem adquirindo novos significados em conseqncia dos fenmenos interligados do que se convencionou chamar de globalizao e de sociedade do
conhecimento. No cenrio das discusses sobre educao superior, o tema
da qualidade muitas vezes vem associado a pertinncia, responsabilidade
social, acreditao, sociedade do conhecimento, desenvolvimento sustentvel e outros semelhantes. Todos esses termos carregam mltiplas acepes,
no s distintas, mas tambm muitas vezes, contraditrias, dependendo das
posies relativas que os diferentes grupos de interesse que as sustentam
ocupam no campo social. De algum modo, a palavra qualidade, agora banhada de significados prprios do mundo dos negcios, que est no
centro das referncias de todas as outras, e essa mais uma constatao da
grande influncia do mercado, particularmente da indstria e da gesto
empresarial, sobre a educao.

1 O par avaliao-acreditao
quase sempre anda junto. Embora a palavra acreditao esteja
adquirindo maior centralidade
na maioria dos pases, em razo
de seu poder regulatrio, este
texto versar mais detidamente
sobre a avaliao, que, no Brasil, a expresso mais correntemente utilizada.

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bem verdade que a qualidade educativa tambm associada, por


muitos acadmicos2, cincia socialmente relevante e formao humana
integral. Essa concepo constitui valioso argumento para a implementao
de processos de avaliao, de acordo com os princpios da educao e do conhecimento como bens sociais para benefcio de todas as pessoas e em prol da
humanidade. Nessa perspectiva que prioriza o social, a educao reconhecida como fator central do desenvolvimento humano integral e sustentvel, isto
, de todas as dimenses humanas, de todas as mulheres e de todos os homens
e ao longo de toda a vida.
No entanto, os argumentos mais eficientes que apresentam hoje em
dia, especialmente por parte dos governos, em estreita combinao com o
mercado, ligam-se massificao da educao superior e aos novos papis
que lhe so atribudos no desenvolvimento da economia global. Nesse caso,
tendem a predominar a concepo e a prtica de avaliao instrumentalizada
educao vinculada aos interesses do mercado.
Mesmo admitindo a grande diversidade de entendimentos e expectativas sobre os papis da educao superior, no h como deixar de reconhecer
que ela ocupa lugar destacado nestes tempos conhecidos como da informao
e da sociedade de economia global, seja na capacitao de profissionais para os
mais diferentes postos de trabalho e para a vida social, seja no desenvolvimento das comunidades nacionais e regionais. Em outras palavras, a educao
superior tambm recebe demandas de tipo novo que a obrigam a transformarse para poder cumprir os papis que lhe conferem grande centralidade nas
realidades nacionais e na sociedade global. A capacitao profissional, embora
no seja a nica e exclusiva funo da educao superior, uma das importantes e legtimas demandas da sociedade, cujo cumprimento, com qualidade, as
instituies, os educadores e pesquisadores no podem recusar.
As necessidades de crescimento de cada pas e dos blocos continentais
ante o ou diante do aumento da competitividade internacional, o protagonismo do conhecimento til como base da acumulao econmica, o fantstico

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2 Essa a perspectiva defendida


neste texto.

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desenvolvimento das novas tecnologias e de seus mltiplos impactos na vida


das pessoas e no mundo dos negcios, o esfacelamento das fronteiras nacionais, notadamente no que se refere oferta de servios educacionais transnacionais, a crescente mobilidade laboral para alm dos limites fsicos dos pases,
o estabelecimento dos acordos polticos e econmicos sub-regionais, a criao
de redes de intercmbios e cooperao solidria, a expanso do mercado da
educao; enfim, as complexas transformaes que, em todos os nveis da vida
humana, a globalizao econmica e a famigerada sociedade do conhecimento
e da informao vm produzindo exigem constituir organismos, mecanismos
e normas para avaliar e controlar, com mais rigor, a qualidade dos sistemas,
das instituies e dos programas de educao superior. A grande questo que
a se instala derivada dos mltiplos e contraditrios conceitos de qualidade.
H um amplo entendimento de que, em razo das mltiplas e rpidas
mudanas que ocorrem na sociedade, no trabalho e na prpria educao, deve
haver tambm mais freqentes e mais abrangentes avaliaes da educao
superior, sobretudo para verificar se ela se adapta aos novos papis que lhe so
impostos no mundo da economia globalizada e da sociedade do conhecimento e da informao.
Nos tempos de economia globalizada, os sistemas de educao superior
evoluram de modelos institucionais razoavelmente homogneos, constitudos basicamente pelas universidades tradicionais, em sua maioria pblicas,
para organizaes complexas, que comportam vrios tipos de instituio, que
vo desde as macrouniversidades ramificadas ao longo de um pas, podendo
mesmo plantar suas filiais no estrangeiro, a pequenssimas instituies locais;
as instituies se ampliaram nos grandes centros urbanos e tambm se deslocaram s pequenas cidades do interior; aos currculos orientados aos perfis
profissionais tradicionais, acrescentam-se, agora, as novas escolas tcnicas e
vocacionais para atendimento de demandas especficas trazidas pelas mudanas no mundo da produo e do trabalho; da predominncia de instituies
pblicas se est passando para uma avassaladora onda de privatizao e, mais

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3 Importante entender que o


problema no consiste necessariamente na oferta privada
como totalidade. No Brasil,
esta um direito constitucional
e uma necessidade, desde que
essa educao cumpra as normativas do Estado e as determinaes de sentido pblico, ou
seja, tenha qualidade tcnicocientfica e relevncia social. O
que deve ser criticado a mercantilizao, isto , a transformao da educao em mercadoria, com o nico objetivo de
lucro sem fim, como qualquer
outra empresa comercial.

que isso, de comercializao da educao superior e mercantilizao da formao e do conhecimento; depois de sculos de predomnio dos homens, a
matrcula feminina j majoritria em muitos pases
As relaes das instituies educativas com o saber e com a formao
se esto alterando ampla e rapidamente, sob o impacto das novas tecnologias,
que redefinem os meios e as condies de produo, aprendizagem, socializao, apropriao e usos do conhecimento. Os tradicionais contedos disciplinares se redefinem e, especialmente em algumas reas das cincias duras e
tecnolgicas, muitos deles, em brevssimo tempo, vo-se tornando obsoletos,
sendo rapidamente substitudos por outros, que ainda mais velozmente tambm sero superados. As exigncias de mercado impem educao superior
a capacitao de profissionais que tenham um desempenho competente num
mundo que est mudando de modo acelerado, produzindo grandes alteraes
no campo laboral e social.
A grande dificuldade ter alguma certeza sobre como formar, em um
presente de grandes incertezas, para um futuro ainda mais imprevisvel. Esse
um dos grandes desafios que a educao, em geral, e a avaliao da educao,
em especial, enfrentam tanto na esfera terica e filosfica quanto na prtica.
Com o crescente valor atribudo ao conhecimento como motor da economia globalizada, o fenmeno da internacionalizao da educao superior
assume alta relevncia. A internacionalizao introduz, de modo cada vez
mais pronunciado na agenda da educao, superior os temas da cooperao
solidria, redes, associaes, intercmbios acadmicos, mobilidade estudantil,
reconhecimento de estudos e homologao de ttulos estrangeiros, servios
educativos transnacionais, educao a distncia, transferncia de tecnologias.
Por outro lado, aumentam a competitividade e a rivalidade sem escrpulos da
mercantilizao num cenrio de histricas e agora agravadas assimetrias sociais3. A educao superior no consegue acompanhar a velocidade das transformaes no mundo dos saberes nem tampouco atualizar seus currculos,

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formas de aprender, socializar, transferir e utilizar as aquisies dos conhecimentos e tcnicas.


Tudo isso remete questo da importncia da pertinncia e da relevncia social, que se relaciona com o papel tico-poltico da educao superior no
desenvolvimento humano sustentvel, na gerao de riquezas eqitativamente
distribudas, no fortalecimento das identidades nacionais, na construo de
sociedades mais justas, na superao das desigualdades sociais, na construo de uma cultura de paz. Entretanto, essa concepo tico-poltica tem de
enfrentar os fortes interesses voltados acumulao econmica e ao fortalecimento do individualismo possessivo e competitivo.
Assim se vislumbram claramente objetivos distintos que acabam impondo modelos diferenciados avaliao. Seja do ponto de vista de quem privilegia a educao como um bem pblico e social orientado formao humana
integral e construo de sociedades fundadas nos princpios da eqidade, da
solidariedade e da responsabilidade coletiva, seja para aqueles que vem a educao exclusivamente como base para a mera acumulao econmica e para o
sucesso individual, para mencionar apenas os dois plos opostos, no h como
abrir mo de processos de avaliao. No entanto, essa no uma tarefa fcil
para ningum, pois avaliar no se reduz a solues tcnicas, por evoludas que
sejam e produzam tranqilos consensos. Com a crescente complexificao da
sociedade, sobretudo com o fenmeno da grande exploso epistmica e das
transformaes no mundo da produo e do trabalho, os papis da educao
superior relativamente formao de indivduos, ao avano da cincia e ao
desenvolvimento da sociedade se esto tornando cada vez mais complexos e,
obviamente, mais complexa tambm a sua avaliao.
As novas realidades da economia e da sociedade, tendencialmente mais
e mais globalizadas, interferem vigorosamente nos sistemas e nas concepes
de educao superior e, ento, nos conceitos de qualidade. Uma das funes
irrecusveis da educao superior, repito, a formao de profissionais, ainda
que essa funo no possa ser absolutizada a ponto de restringir-se a isso a

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funo principal das instituies educativas. Alm disso, a grande questo


saber de quais sentidos de formao se est falando. Trata-se de adaptao
tcnica s exigncias pontuais do mercado? Trata-se da formao profissional
de alto nvel? Formao geral ou especializada? Aprendizagem ao longo da
vida? Qual aprendizagem? Em verdade, todas essas questes no podem elidir
a idia de que o que se deve requerer da educao superior a formao integral do ser humano, a compreendidas as dimenses tcnicas, ticas, estticas,
polticas e outras que constituem, de modo complexo, a realidade de mulheres
e homens em seus processos de vida pessoal e social.
Ento, a avaliao precisa pr em questo tambm a formao profissional, aspecto importante do desenvolvimento pessoal, do fortalecimento da
economia nacional e da maior competitividade internacional. A educao superior no pode escapar de sua obrigao de formar profissionais competentes
para o atendimento das mais diferentes reas de necessidades da sociedade.
Cabe aos poderes pblicos e sociedade civil avaliar, entre muitas outras coisas, se as instituies educativas, em geral, e cada uma delas, em particular, esto cumprindo essa determinao social de bem formar os profissionais para
os mais diferentes setores e campos de atividade. Em seus prprios mbitos,
as instituies tm o dever de promover processos que avaliem como esto
desempenhando essa e outras incumbncias sociais.
Indiscutivelmente, os perfis profissionais hoje requeridos no so os
mesmos de anos atrs. Ento, importante insistir: os conceitos de qualidade
profissional, da mesma forma que os leques de atividades laborais, tambm
esto em processo de aceleradas mudanas e impem educao superior demandas de tipo novo, que precisam ser constantemente avaliadas. No entanto, isso no pode resumir-se a meras vises tcnicas e formais, destitudas de
significaes sociais e de interesse pblico. Com certeza, a formao humana
ultrapassa largamente a capacitao tcnica, e toda formao profissional est
carregada de valores, ideologias, interesses.

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No se pode avaliar a educao superior (ou de outro nvel) sem discutir minimamente o conceito de formao, pois precisamente a formao
que constitui o eixo central dos objetivos de uma instituio dessa natureza. No fundo, mesmo que seja importante tematizar perfil dos docentes,
resultados dos estudantes, bibliotecas, laboratrios, tempos, utilizao dos
recursos, currculos, relaes com a sociedade etc., a questo que resta e
mais importa : qual o significado essencial da formao que a instituio
educativa (ou um de seus cursos) est realmente promovendo a seus estudantes? Em outras palavras, o que primordial e essencialmente significa
para a comunidade educativa mais diretamente envolvida (estudantes, professores, funcionrios e respectivas famlias) e para a sociedade mais ampla
(a compreendidas as dimenses da cincia, da poltica, da economia etc.)
o conjunto de atividades pedaggicas e de relaes interpessoais que se desenvolve numa determinada instituio educativa? Obviamente, essas questes no se satisfazem com o visvel e palpvel do cotidiano institucional;
atingem dimenses qualitativas e vitais de valores, ideologias, interesses,
modos de ser, de ver e de pretender a vida.
Tenho insistido em vrios outros textos4 que a formao humana, especialmente por meio da produo e da socializao de conhecimentos e da
reflexo sobre os valores, o escopo central da dimenso educativa de uma
instituio de educao superior. Ento, o objeto central da avaliao deve ser
tambm a formao, e isso lhe acrescenta camadas e camadas de questes e
possibilidades.
Dadas as dimenses valorativas, o conjunto complexo de atividades
de formao constitudo de processos interminveis que concernem vida
de indivduos e sociedades em permanente transformao e cujos sentidos
fundamentais vo muito alm dos produtos visveis, medveis, quantificveis.
Muitos dos significados desses processos, vistos do ponto de vista da construo dos sujeitos e da sociedade, dificilmente podem ser demonstrados e
reduzidos a indicadores, a ndices e a frmulas estatsticas. Entretanto, ainda

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4 As referncias completas dos


textos mencionados esto no final. Ver, especialmente, nas Referncias: DIAS SOBRINHO,
2002; 2003a, 2003b; 2005a,
2005b; 2007 e 2008.

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que no sejam mais do que ndices, indicadores e estatsticas, esses recursos


so imprescindveis para dar uma certa direo objetiva avaliao.
No atual estgio da civilizao, a partir de diferentes perspectivas
tericas e ideolgicas e de distintos objetivos dos mais diferentes e contraditrios grupos de interesses, no resta dvida de que produzir conhecimentos
um aspecto importantssimo do desenvolvimento econmico, da construo das sociedades e da identidade das naes, fundamental para assegurar
as boas condies de vida atual e futura da humanidade. Os conhecimentos
so importante fator de fortalecimento das empresas e dos pases. Porm,
em termos de desenvolvimento humano sustentvel, necessrio atribuir
produo, apropriao e ao uso social desses conhecimentos outros significados distintos dos meramente produtivistas e economicistas. Os conhecimentos precisam ser produzidos e apropriados em benefcio da maior
dignidade humana universal.
Muitos tm sido produzidos e utilizados sem respeito vida e aos valores de eqidade e bem-estar social. preciso compreender que os conhecimentos e o progresso no tm um significado unvoco, como se fossem
sempre irremediavelmente ligados a uma evoluo positiva e irrefrevel da
civilizao humana, pois so fenmenos histricos e datados que se produzem
em contextos sociais eivados de ideologias e interesses. Por isso, so contraditrios, polissmicos e no podem reduzir-se a esquemas objetivos e neutros.
Portanto, no adequado simplesmente quantificar os produtos cientficos,
em cega obedincia a parmetros hegemonizados pela cpula da comunidade
cientfica internacional, que engendrou o darwinismo acadmico do publish
or perish nos pases industrialmente avanados e o imps a contextos nacionais
menos desenvolvidos e portadores de realidades, necessidades e prioridades
distintas daquelas do mundo rico.
A avaliao precisa pr em questo e produzir significados sobre a pertinncia e a relevncia social dos conhecimentos no apenas relativamente aos
interesses das empresas, mas, sobretudo, com referncia aos valores primor-

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diais e s prioridades da sociedade na qual e para a qual so produzidos. Dessa


forma, no basta catalogar os produtos; fundamental avaliar seu significado
social e, nessa perspectiva de sentido pblico, tematizar os processos de produo da cincia e de formao de novos pesquisadores.
Todos os processos de ensino e aprendizagem so, por essncia, pedaggicos, pois geram a socializao, ou seja, desenvolvem-se como relao entre
os sujeitos e entre o sujeito e o mundo. So, portanto, formativos, ainda que
disso nem sempre haja conscincia no cotidiano escolar, pois constroem a subjetividade ao integrar significativamente as atitudes gerais dos indivduos ante
a vida. No plano da promoo dos valores e das atitudes sociais, os processos
de ensino e aprendizagem tm impactos mais duradouros e decisivos para a
histria individual e social que a mera aquisio de contedos organizados nas
formas das disciplinas, quando estes so neutralizados, ou seja, apresentados
como se no portassem ideologias, conflitos e interesses dos contextos sociais
em que foram e so produzidos.
As universidades e todas as demais instituies de educao superior
ainda que muitas delas se orientem por interesses e lgicas de mercado e
exercitem uma gesto explicitamente mercantilista so histricas, sociais e
devem cumprir um papel educativo. Mesmo que mergulhada no caldo ideolgico do comrcio, uma instituio educativa no pode negar sua natureza
educativa. Nesse sentido, cada uma, a seu modo e de acordo com suas possibilidades, no pode eximir-se da responsabilidade coletiva e solidria de desenvolver os objetivos pblicos da educao, tampouco abdicar das estratgias
nacionais de elevao dos patamares de conhecimento da populao e de fortalecimento da cidadania crtica e construtiva. Em outras palavras, nenhuma
instituio educativa, independentemente de quem a mantenha e de sua natureza jurdica, pblica ou privada, pode abrir mo de sua funo fundamental
de formar profissionais competentes e cidados crticos e criativos.
Para alm das respostas ao mercado, a principal funo da educao
superior cumprir com qualidade, tanto do ponto de vista tcnico-cientfico

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quanto tico-poltico, as principais determinaes da populao, isto , o conjunto de incumbncias que uma sociedade concreta lhe atribui com respeito
formao dos cidados-profissionais com as competncias necessrias para
o desenvolvimento humano integral e sustentvel. Fundamentalmente, tratase de formar cidados com elevadas capacidades ticas e cientficas, ou seja,
contribuir para o desenvolvimento social e humano mediante as atividades de
formao, no sentido mais profundo e pleno, e de produo de conhecimentos
e tecnologias com relevncia cientfica e grande valor para a populao.
No caso de pases ainda em desenvolvimento, com profundas carncias
e injustias sociais e de frgil democracia, imprescindvel que a formao
e a produo e socializao de conhecimentos tenham forte sentido de pertinncia social, ou seja, de enraizamento em uma realidade social concreta.
Dimenses pedaggicas, cientficas, tcnicas, ticas, polticas etc. constituem
a totalidade complexa e inseparvel da formao humana e construo do
conhecimento. Tudo isso deve estar coerente com as estratgias nacionais de
desenvolvimento da sociedade. A educao superior precisa formar cidados
com competncias cvicas, morais e tcnicas para o fortalecimento da democracia e de seus valores, tais como a justia social, a solidariedade (entendida
como responsabilidade coletiva) e o respeito s diferenas. Para alm das exigncias da formao profissional e das competncias para o desenvolvimento
da economia, as instituies de educao superior tm a responsabilidade de
ser referncias crticas, ticas e epistmicas para a sociedade.
Nessa tarefa, a formao e o conhecimento so os eixos estruturantes
de todo o fenmeno educativo, e preciso insistir que se distinguem radicalmente os objetivos finais das instituies de educao dos de outras organizaes de carter meramente econmico. As atividades que constituem o
fenmeno educativo se multiplicam e se desdobram em uma variada gama
de procedimentos, tematizados ou no no cotidiano institucional, mescla de
carter volitivo, tcnico, cientfico, artstico, poltico, axiolgico; enfim, do
todo complexo que constitui a vida de indivduos e de grupos organizados no

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interior de cada instituio e nas relaes desta com o mundo social e econmico. A multiplicidade de formas e contedos que caracteriza a produo
e a disseminao de conhecimentos, tcnicas e mtodos e pe em confronto
as relaes humanas cheias de ideologias e valores, constitui um fenmeno
cujo significado essencialmente tico e poltico de formao de pessoas e
construo de uma sociedade desenvolvida e justa em todos os seus aspectos.
Compreender os significados e mritos desse fenmeno formativo, eis o que
um processo avaliativo deveria pr-se como desafio central.
Para tanto, uma instituio educativa deveria se pr em questo de
modo radical, amplo e de conjunto. Pr-se em questo buscar compreender,
articuladamente, os significados mais profundos de suas atividades, estruturas e relaes, por meio de anlises, reflexes, dilogos, interpretaes e
crticas protagonizados pelos atores internos e externos. Esse mergulho crtico
e reflexivo na realidade institucional visa a oferecer bases mais confiveis para
o estabelecimento de aes que possam sistematicamente revigorar a institucionalizao dos princpios e valores que fundam cada instituio e orientam
seus compromissos cientficos e sociais.
Os procedimentos avaliativos mais freqentes buscam a objetividade
e a facilidade, acreditando que, por exemplo, o desempenho de estudantes
em provas/exames, a quantificao da produo cientfica ou a aplicao de
uma frmula predeterminada, isoladamente, possam assegurar neutralidade e
fidedignidade, alm da presuno de que ndices e frmulas estatsticas so
a qualidade educativa de uma instituio ou programa. Esses requisitos, assim neutralizados e supostamente descontaminados de ideologias, interesses
e vcios acientficos da subjetividade, seriam importantes para eliminar discusses a respeito dos resultados e permitir as comparaes objetivas, que
constituem as bases dos rankings e dos ndices de qualidade.
Ainda que possam fazer parte de processos mais complexos, as microavaliaes e a mera justaposio de aes restritas a um dado momento ou aspecto limitado, quando executadas isoladamente, so insuficientes para pro-

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piciar uma viso integrada do conjunto institucional. A avaliao no termina


quando estabelece ndices e esquemas comparativos. Ela se completa quando
cavouca fundo, buscando os sentidos da realidade objetivamente constatada,
questiona, pergunta pelas causas e pelas possibilidades de superao, estabelece metas e estratgias, investe em programas e projeta futuros desejveis. A
avaliao examina o passado, o realizado, mas o que mais importa o futuro
e o que est por se cumprir.
No mundo dos negcios, por motivos pragmticos, as organizaes
comerciais, inclusive as educacionais, precisam avaliar-se constantemente
para saber se esto atingindo seus objetivos de eficincia e lucro. de sua
natureza. No mbito da educao como bem pblico a servio da sociedade,
a avaliao tambm uma exigncia tico-poltica. Uma instituio pblica
precisa ser eficiente e cuidar para no desviar-se das funes que o interesse
geral lhe determina.
Esse tipo de exigncia social que se faz educao como bem pblico
tambm impe avaliao seu carter pblico e social. Em nome da avaliao, no basta listar produtos, inventariar quantidades de servios, organizar bancos de dados, classificar alunos de acordo com seu desempenho em
instrumentos de supostas medies de aprendizagem. certo que tudo isso
importante, mas somente constitui parcela de um fenmeno muito mais
amplo e complexo. O fenmeno educativo deve suscitar avaliao questes
filosficas, ticas, polticas etc., no apenas os dados catalogveis que uma
instituio pode demonstrar objetivamente. Ento, a avaliao no pode denegar o questionamento a respeito de quais so os valores sociais do conhecimento que uma instituio educativa produz, seleciona e transmite, quais os
significados pblicos da formao dos estudantes, que tipo de sociedade ela
projeta e ajuda a construir.
Essa concepo, acima esboada claramente, enfrenta a contra-correnteza daquilo que os Estados, a partir das duas ltimas dcadas do sculo XX
e de modo cada vez mais intenso neste terceiro milnio, esperam da avaliao:

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que desempenhe um papel central na administrao, na transformao e na


justificao de importantes programas pblicos. Dizendo de um modo mais
claro: espera-se que a avaliao exera a funo de organizador central das reformas do Estado. O setor mais agudo das avaliaes estatais o da educao,
de acordo com a seguinte lgica: a educao o motor da economia; para o
desenvolvimento econmico, fundamental que seja funcional economia, e
isto significa que a noo de qualidade se submeta aos ditames do mercado;
h problemas no mundo econmico e poltico, em grande parte porque a
educao no cumpre, com qualidade, os objetivos funcionais e instrumentais
que lhe so impostos; necessrio, ento, promover reformas na educao; a
avaliao deve ser o eixo estruturante dessas reformas.
Com isso se produz um desvio importante da natureza propriamente
educativa da avaliao, que se afasta das questes mais atinentes formao e
ao sentido social do conhecimento para cumprir papis relacionados a metas
econmicas do setor produtivo e de controle da eficincia e da produtividade
das instituies por parte dos governos. A avaliao se tornou, sobretudo, um
instrumento de averiguao de quanto as instituies e o prprio sistema so
capazes de demonstrar objetivamente no que se refere s suas responsabilidades de bem usar os recursos de que dispem e de como cumprem as demandas
da sociedade, notadamente da produo e do trabalho.
Um ncleo central do conceito dessa avaliao a accountability. Por
meio de indicadores, critrios e instrumentos nacionais, internacionais e supranacionais, a avaliao vem ganhando corpo em quase todos os pases como
um importante sistema de responsabilizao da educao superior por meio
do controle sobre os produtos e rendimentos das instituies e do desempenho dos estudantes e professores, coletiva e individualmente. Olhando especificamente a questo da produo cientfica, importante mencionar que a
accountablity representa tambm a assuno de responsabilidade dos efeitos
sociais do trabalho e dos produtos por parte dos pesquisadores mais comprometidos com o sentido pblico de sua atividade investigativa. Diferente dessa

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atitude a daqueles que pensam e fazem a cincia sem se preocupar com suas
implicaes, como se essa fosse neutra, descontextualizada e s sua prpria
normatividade tivesse de prestar contas.
Como tendncia geral, observa-se que aumenta a fora fiscalizadora
sobre os resultados finais da educao superior num cenrio de flexibilizao
dos meios. Em outras palavras, a avaliao se tornou mais dura em relao
cobrana dos fins, isto , dos produtos que as instituies so obrigadas a demonstrar objetivamente: nmero de titulaes estudantis, relao professoraluno-funcionrio, produo cientfica de acordo com critrios e indicadores
objetivos e externamente fixados, quantidade de livros e computadores, professores em tempo integral e com titulao de ps-graduao, desempenho de
estudantes em exames nacionais, ndices de qualidade etc.
Entretanto, ao maior rigor com os resultados e produtos tem correspondido uma crescente flexibilizao e liberalizao dos meios e processos, que
consiste na ampliao das facilidades de criao e de organizao de instituies de diversos tipos, tamanhos e natureza, e maior liberdade de gesto, sobretudo para facilitar a obteno de recursos financeiros alternativos. Ocorre
uma aparente expanso da autonomia; entretanto, essa maior autonomia se
restringe ao sentido operacional: maior liberdade de organizao e gesto para
obteno de maior eficincia nas respostas a um complicado cenrio de reduo de recursos pblicos, aumento de competitividade, grande expanso
quantitativa das matrculas, demandas variadas e muitas vezes contraditrias
da sociedade, transformaes vertiginosas da cincia e mais ainda da tecnologia e uma espcie de perda de referncias valorativas.
Assim, a autonomia processual e operativa se expande e a autonomia
dos fins e objetivos limitada pela avaliao. E os fins esto cada vez mais determinados e controlados por foras externas universidade, seja pelos organismos multilaterais ou governamentais, parcela da comunidade acadmicocientfica ligada a instncias da administrao central, seja pelas imposies
do mercado. O critrio de utilidade vai substituindo o de busca da verdade

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na cincia e dos valores socialmente reconhecidos. O conceito de autonomia


passa por um processo de ressignificao e a universidade perde parte de sua
legitimidade social quando no se adapta exigncia de capacitar profissionais e produzir conhecimentos financeiramente rentveis.
A perda da autonomia da universidade em relao aos fins atinge diretamente o conceito de formao. Se o critrio de utilidade mercadolgica
prevalece sobre o valor social e o bem comum, ento o conhecimento a ser
produzido/difundido/apropriado deve ser aquele que interessa produo e
competitividade individual e, portanto, sociedade dominada pelos interesses
da economia global; a ser esse o critrio, a formao, em vez de integral e plena, vai-se reduzir capacitao tcnica em nveis variveis de aprofundamento
e rigor, conforme necessidades especficas dos diversificados tipos de postos
de trabalho, privilegiando como valor mais importante a rivalidade/competitividade, e no a solidariedade/responsabilidade coletiva.
Como afirmei em texto recentemente publicado (DIAS SOBRINHO,
2008, p.197), a avaliao no somente um processo de conhecimento e juzo
de valor auto-suficiente ou encerrado em si mesmo. tambm, e nisso consiste sua fora poltica, um processo de interveno direta sobre as decises, tanto nos nveis mais restritos e internos quanto em termos de polticas pblicas
e de sistema. A avaliao da educao superior cada vez menos pertence aos
educadores; faz parte do universo dos valores pblicos, do controle do Estado
e dos interesses diversificados da sociedade. Sendo uma prtica social de interesse e sentido pblicos, para alm de sua dimenso meramente tcnica, tem
um profundo significado tico e poltico.
Quando se realiza como mero instrumento de fiscalizao e controle, a
avaliao tende a priorizar as frmulas estereotipadas e no admitir discusses
e interpretaes subjetivas. Quando se realiza como processo participativo e
social de reflexo e comunicao, no encerra, no fecha as significaes, no
conclui, no explica definitivamente. Se tambm explica, ela mais implica,
isto , abre os sentidos para questes sempre renovadas.

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Os processos e instrumentos de avaliao costumam focar principalmente duas perspectivas: a metacognitiva, que trata dos processos de conhecimento, ao qual seria necessrio agregar as relaes do ensino e da aprendizagem com os valores; a metaorganizacional, que analisa os temas relativos
organizao, estrutura e funcionamento de uma instituio, curso, programa
ou sistema. Essas perspectivas, se vistas separadamente ou exclusivamente,
acarretam um empobrecimento dos processos avaliativos. o que ocorre,
por exemplo, quando se aplicam provas ou exames para constatar ou verificar o desempenho estudantil, confundido, em geral, com aprendizagem.
A aplicao desses instrumentos sustentada pela crena de que avaliao
verificao da coerncia/incoerncia entre o ser (isto , o realizado; no caso,
o desempenho) e o dever ser (a norma, o ideal). A avaliao, a, tomada por
alguns instrumentos (prova, teste, exame, verificao de aprendizagem) e por
sua expresso matemtica (notas, ndices). O mais comum que esses instrumentos produzam explicaes, que, se no vm acompanhadas de anlises e
reflexes por parte dos sujeitos educativos, paralisam os questionamentos e
aes conseqentes. Em 1988, j dizia Helen Simons:
Ao focar a ateno exclusivamente na aquisio por parte do aluno de
objetivos de aprendizagem predefinidos, o governo conserva uma viso de
avaliao que j se encontrava ultrapassada nos anos 60 quando se reconhecia
a necessidade de anlises mais sofisticadas, que permitissem uma utilizao
da avaliao como instrumento de inovao curricular. (SIMONS, 1993, p. 158,
grifos do autor).
Ocorre tambm um empobrecimento e uma despolitizao do conceito
de avaliao quando se tomam aspectos isolados de uma instituio (gesto,
biblioteca, currculo, corpo docente, boa apresentao estrutural etc.), desenraizando-os dos processos relacionais, das misses e objetivos institucionais,
dos sentidos de pertinncia e relevncia sociais. por meio das relaes entre
os sujeitos que uma organizao pode ir alm de sua forma auto-suficiente
e auto-referenciada e se torna uma instituio, isto , incorpora sua exis-

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tncia a construo de valores e objetivos sociais e pblicos, que dimenso


essencial da educao. Em outras palavras, no basta averiguar o desempenho
estudantil sem levar em conta os processos relacionais da aprendizagem e o
que significam em termos de formao humana, nem se h de considerar
as relaes entre sujeitos e objetos e entre sujeitos e sujeitos sem relig-las s
condies estruturais, da mesma forma que estas s adquirem sentido se relacionadas com a misso institucional e os objetivos sociais. Por se tratar da
questo humana, a educao sempre plurvoca, e plurirreferencial h de ser
sua avaliao. (DIAS SOBRINHO, 2008, p. 204).
Tudo isso se relaciona tambm com duas faces da avaliao: autonomia
e heteronomia. Isto pode ser dito de outra maneira: a autonomia, o exerccio
e a promoo da liberdade, dentro dos horizontes possveis, respondem pela
auto-regulao; a heteronomia produz a regulao externa, entendida como
controle necessrio para o estabelecimento dos horizontes de possibilidades,
garantia pblica e legitimao social. A questo que a se levanta dos limites
e papis de uma e outra. H um grande risco de incorrer-se no burocratismo
e autoritarismo da avaliao, quando esta se processa como instrumento da
regulao formal, que se impe unilateralmente como norma a ser cumprida
acriticamente, sem margem a qualquer exerccio criativo da autonomia e da
auto-regulao. Outro problema grave entender, falsamente, que a instituio educativa s interioridade, que no precisa prestar contas a nada que lhe
seja exterior.
A avaliao pode ser, e freqentemente o , um instrumento de poder
do professor, do administrador e dos atores ministeriais, mas tambm pode
ser instrumento valioso que ajuda a compreender e melhorar as instituies e
os sistemas, fundando as possibilidades para os processos reflexivos que produzam sentidos a respeito das aes, relaes e produes educativas.
Este texto no tem a pretenso de analisar os modelos e, muito menos,
os instrumentos de avaliao da educao superior praticados atualmente no
Brasil. Entretanto, quero fazer muito rapidamente dois registros relativamente

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s experincias brasileiras de avaliao da graduao e da ps-graduao: em


primeiro lugar, houve muitos avanos na teoria e na prtica; em segundo, apesar de importantes conquistas, h tambm srios problemas e riscos.
O Sistema Nacional de Avaliao da Educao Superior (Sinaes), em
sua formulao original (2003), insistia muito na perspectiva da totalidade.
Defendia enfaticamente que a avaliao precisaria instaurar-se como um sistema que articula e produz significados sobre o conjunto das dimenses do
fenmeno educativo por meio de questionamentos e reflexes coletivas. A
articulao dar-se-ia no mbito das prprias instituies e entre estas e os
organismos do Estado, o que poderia assegurar um adequado funcionamento da relao necessria entre auto-regulao e regulao externa. Por razes
que no cabe discutir neste espao, a idia de sistema, princpio central do
Sinaes, pouco a pouco se vai perdendo, aps os seus quatro anos iniciais de
difcil implantao, em favor do protagonismo agora concedido a um nico
instrumento o Exame Nacional do Desempenho dos Estudantes (Enade),
presumindo-se que, como nos tempos ainda recentes do Provo, os resultados
do Enade poderiam ser os mais importantes e visveis elementos indicadores
da qualidade e as bases de legitimao tcnica da aplicao de algumas polticas do Ministrio da Educao (MEC).
A avaliao da ps-graduao brasileira, j bastante consolidada aps
quatro dcadas de existncia, est centrada no princpio do reconhecimento
da qualidade dos programas, mediante, em grande parte, a prtica conhecida
como reviso por pares (peer review), sendo a qualidade entendida, sobretudo,
como produtividade cientfica, medida pela quantidade de publicaes em
peridicos de boa reputao na rea.
A produo de conhecimentos sempre histrica e deve estar associada aos objetivos de acrescentar dignidade humana aos indivduos, a uma
dada sociedade e humanidade universal. Conhecimentos se produzem em
contextos de diferenas ideolgicas e interesses muitas vezes discrepantes nos
grupos sociais. Por serem polissmicos do ponto de vista dos valores e das

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concepes de mundo e poderem estar a servio de diferentes grupos de interesses, eles no podem ser neutralizados em esquemas meramente numricos.
No h dvida de que a quantificao medida importante da produtividade
e de que no h qualidade sem quantidade. No entanto, preciso ir alm da
mera quantificao de produtos cientficos, em geral, induzida pelos grupos
hegemnicos da comunidade cientfica internacional. Afinal de contas, a qualidade no se reduz a representaes objetivas e obedincia formal a normas
e padres estereotipados.
Naes com histrias diferentes e que se encontram em estgios desiguais de desenvolvimento tm necessidades e prioridades distintas e muito
prprias, que no necessariamente coincidem com as dos pases industrialmente avanados. O publish or perish da cincia mainstream nem sempre leva
em conta as demandas prioritrias de conhecimentos e tecnologias dos pases
em desenvolvimento, da mesma forma que o mero enquadramento em esteretipos formais no assegura, por si, a relevncia social.
A avaliao da produo cientfica, alm dos critrios quantitativos e
de cientificidade internacionalmente sedimentados, tambm precisa provocar
reflexes sobre a pertinncia e a relevncia social dos conhecimentos, isto ,
tematizar se so importantes para a sociedade, se democrticas as suas apropriaes e se relevantes os efeitos que produzem em termos do desenvolvimento social e econmico das populaes para as quais so produzidos. No basta
quantificar os produtos e classificar os produtores da cincia; preciso ir alm
e tematizar os significados sociais dos conhecimentos e tcnicas, os processos
de produo da cincia e de formao de novos pesquisadores.
A avaliao, quando excessivamente produtivista e classificatria, gera
nos meios acadmicos um clima de permanente competitividade entre indivduos e instituies, que tm de lutar por todos os meios por maior visibilidade,
melhor reputao, mais prestgio e influncia, aumento do poder individual,
o que redunda em conceitos mais altos e mais recursos e apoios financeiros,
em detrimento da autonomia. Essa prtica cria um crculo de influncia: os

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cientistas competem por maior poder, reconhecimento e recursos, investem


em sua participao nos crculos que determinam os critrios, regras, procedimentos e classificaes, reforando a idia de que somente os cientistas, de
preferncia os de maior visibilidade e reconhecimento no meio, tm legitimidade para decidir sobre as prioridades da pesquisa, avaliar a cincia e orientar
a distribuio dos incentivos e financiamentos. Alm da excluso de outros
importantes atores polticos, administradores, destinatrios em geral , esse
modelo de avaliao apresenta ainda outros problemas. Entre as crticas mais
recorrentes, destacam-se as seguintes tendncias: produz a idia de que no h
diferenas entre as reas cientficas e, portanto, todas podem receber o mesmo tratamento; refora o corporativismo, o isolamento e a sacralizao da
cincia; ao privilegiar a excelncia (justa adequao s normas), aumenta o
dirigismo, alimenta os mais fortes, mas dificulta o crescimento dos emergentes, aumenta a competitividade individual e institucional, no questiona
as prprias regras e procedimentos; tende a isolar a ps-graduao dos demais
subsistemas educativos e de contextos no-acadmicos.
Esse modelo de avaliao da ps-graduao e, associadamente, da pesquisa e da cincia, reconhecidamente bastante consolidado e com muitos
aspectos elogiveis, inspirado em prticas dos pases hegemnicos, o que
assegura boas possibilidades de consistncia e solidez. Entretanto, e essa
uma questo importante, nem todos os critrios e prioridades daqueles pases
correspondem s realidades e necessidades dos pases pobres ou emergentes
em matria de formao de alto nvel e de produo de conhecimentos e muito freqentemente no consideram relevantes as dimenses sociais, cvicas e
ticas da cincia.
So bastante recorrentes nas avaliaes da educao superior algumas
lgicas e procedimentos praticados na indstria, identificando a qualidade
educativa com termos e conceitos de natureza mercantil, como ndices de
desenvolvimento, rentabilidade, clculos de custos-benefcios, rendimentos
econmicos dos investimentos, taxas de aumento de matrculas, diminuio

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de tempos, proporo professores-estudantes, quantidade de produtos cientficos e de programas de extenso, capacidade de captao de recursos, empregabilidade etc.5. Tudo isso tem l sua importncia, especialmente para os
responsveis pelas polticas pblicas setoriais. O problema que a avaliao
no pode limitar-se a isso, especialmente em pases como o nosso, que arrasta
tantos e tamanhos problemas sociais.
Em outras palavras, a avaliao precisa levar em conta os papis sociais
que a educao deve cumprir no apenas para o desenvolvimento econmico,
mas, muito mais amplamente, para o desenvolvimento humano sustentvel,
que, entre tantas outras coisas, significa processo jamais acabado de construo de conhecimentos cientfica e socialmente relevantes e de formao de
sujeitos tica e tecnicamente competentes para participar nas estratgias de
consolidao de sociedades justas e democrticas. Por tudo isso, importante
valorizar as polticas de pertinncia social, de democratizao do acesso e de
permanncia.
A avaliao da educao superior precisa pr em questo a pertinncia
social de cada instituio, em particular, e de todo o sistema. Isso implica
avaliar como as expectativas da sociedade esto sendo cumpridas, como se
realizam as relaes entre educao superior e o resto dos sistemas educativo e
cientfico-tecnolgico, os setores produtivos e, de modo especial, as categorias
sociais tradicionalmente desfavorecidas. Num paradigma de desenvolvimento
humano integral e sustentvel, fundamental a formao de homens e mulheres dotados no s de conhecimentos e tcnicas, mas tambm de valores
essenciais ao exerccio crtico e criativo da cidadania e de todas as atitudes que
fortaleam a cultura da paz e da responsabilidade coletiva. Isso implica reconhecer que o conceito de qualidade pluridimensional e est estreitamente
vinculado com a pertinncia e a responsabilidade social, isto , com os papis
e objetivos que a sociedade atribui educao superior. Ensino, pesquisa, currculos acadmicos, programas de extenso, bolsas, equipamentos, recursos
financeiros, bibliotecas so meios para a realizao da finalidade essencial

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5 A OCDE (Organizao para


a Cooperao e o Desenvolvimento Econmico) tem grande
influncia na adoo dos indicadores basicamente quantitativos e com propsitos de
estabelecer comparaes sobre
financiamentos e custos. Seus
principais indicadores so: gastos da educao com relao ao
PIB, parcela do ensino nos gastos pblicos, distribuio dos
recursos por nvel de ensino,
fontes de financiamento, custos
por aluno e nvel de ensino,
custos por aluno em relao ao
Produto Interno Bruto (PIB),
pessoal empregado, quantidade
de alunos por professor, fluxo
de alunos por nvel, nmero
de diplomas, taxas de acesso,
dados do mercado de trabalho,
contextos demogrficos etc.
(DIAS SOBRINHO, 2003c,
p. 139).

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da educao, que a formao de sujeitos socialmente responsveis, que, ao


mesmo tempo, desenvolvimento sustentvel da sociedade e expanso das
liberdades humanas.
Se a mais importante funo da educao superior de qualidade a
construo da cidadania e de sujeitos socialmente responsveis como dimenses fundamentais para a formao da democracia, ento lhe esto sendo atribudos um sentido pblico e um papel social, independentemente da natureza
jurdica das instituies.
A cidadania, que confere a todo membro de um grupo social as condies e prerrogativas de interferir conscientemente nos valores e processos
constitutivos de uma sociedade, , por princpio, pblica. A responsabilidade
social uma dimenso essencial da cidadania e da vida democrtica republicana. Ao Estado, em grande parte por meio de suas instituies sociais, como
o caso das instituies educativas, compete assegurar que a construo dos
sujeitos sociais e da sociedade democrtica se realize, em contextos de valores
e princpios de paz, solidariedade, justia, eqidade, garantias jurdicas, respeito diversidade e vida.
La igualdad democrtica republicana asegura a todos el derecho de
acceder al saber, es propio de la ciudadana el derecho y el deber de
todos para integrarse constructivamente a una sociedad regida por
leyes y orientada por proyectos democrticos. As, dialcticamente, la
institucin educativa se integra a la vida democrtica republicana, y
la Repblica ha de ser garante de la existencia de la institucin pblica
de calidad. (DIAS SOBRINHO, 2004, p. 24-25).

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Aos meios acadmicos mais comprometidos com os valores propriamente formativos, ticos e sociais da educao e dos conhecimentos, causa
inquietao a interveno quase exclusiva de atores externos e ligados s
esferas do poder, bem como de modelos estrangeiros e estranhos ao campo

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das instituies educativas nacionais. No que ao Estado no caiba a responsabilidade de propor e realizar avaliaes. O que reclama boa parte da
comunidade acadmica e cientfica a possibilidade de dialogar e ter alguma voz e presena em todos os estgios de discusso, elaborao e execuo
desses processos.
A educao sempre relacional, psicossocial, pois se realiza na interao interpessoal e dos sujeitos com o mundo. Da mesma forma, se a avaliao
tem como foco central os processos educativos de enriquecimento da humanidade, na perspectiva da formao de cidados-profissionais e de desenvolvimento de toda a sociedade, ento deve concitar a participao de todos os
atores implicados: estudantes, professores, pesquisadores, tcnicos e membros
da sociedade mais diretamente concernidos. No propriamente o lucro,
como natural nas empresas, o que mais importa a uma instituio educativa,
e sim o qu e como ela est fazendo para cumprir sua finalidade essencial de
formao humana no sentido amplo da capacitao profissional e do aprofundamento social, tico e poltico. Para tanto, a avaliao da educao deve ser
participativa e inclusiva.
A avaliao participativa mais propcia s reflexes, ao dilogo e
responsabilidade coletiva; portanto, mais eficaz para a compreenso global
de uma instituio e para a melhoria do ensino e da pesquisa. Ela ajuda a
criar e promover os espaos pblicos dos debates e crticas, que so elementos
importantes da dimenso profissional e poltica dos docentes. A avaliao
participativa tambm contribui para o reforo da autonomia profissional e
institucional e do cumprimento das responsabilidades sociais da universidade, especialmente no que se refere ao exerccio da crtica e produo do
conhecimento de interesse social.
Assim, a avaliao deve levar em conta os contextos histricos, os objetivos gerais e as estratgias sociopolticas das sociedades a que servem as
instituies educativas. Portanto, no s os responsveis pela administrao
central, instalados nos organismos do Estado, mas tambm os atores sociais,

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especialmente aqueles mais diretamente envolvidos com o trabalho educativo


(professores, estudantes, funcionrios, membros ativos da comunidade de entorno), precisam ser reconhecidos como protagonistas da avaliao.
A educao um feixe de relaes abertas. Da que necessita, para ser
compreendida mais amplamente, de um conjunto de procedimentos avaliativos coerentes, articulados entre si e fundamentados em princpios e intencionalidades comuns. Um sistema de avaliao precisa constituir-se num conjunto integrado de princpios, objetivos, agentes e aes, buscando, por meio
de diversos procedimentos e instrumentos articulados entre si, conhecer, interpretar, valorar em sua complexidade as instituies e o sistema de educao
superior, como estratgia de transformao e melhoramento.
A avaliao educativa tem tambm funo de controle e regulao, mas
no se pode esquecer que sua principal razo de ser melhorar a educao
e, para tanto, preciso ir alm do controle isolado e da cultura burocrtica.
O sentido pedaggico-formativo primordial; a ele, o controle e a regulao devem estar submetidos. Portanto, a avaliao no h de restringir-se
fiscalizao e ao cumprimento burocrtico de normas, tampouco h de ser
funcional s demandas de mercado. No se confunde com seus instrumentos
nem existe, primordialmente, para produzir hierarquizaes (rankings) de instituies e pessoas.
J visando sntese, transcrevo aqui algumas idias que expus em outro
texto (DIAS SOBRINHO, 2003, p. 40):

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A avaliao institucional deve ser um amplo e democrtico processo de busca de compreenso das dimenses essenciais de uma
instituio e de organizao das possibilidades de transformaes.
Portanto, deve estar orientada claramente para as finalidades essenciais da instituio, sob os seguintes aspectos: compreenso,
redefinio, valorao e construo das transformaes desejadas.
Estando voltada para a melhoria do funcionamento institucional e

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sua responsabilidade social, e no atrelada s necessidades de momento dos governos e do mercado, a avaliao uma resposta exigncia tica da melhoria do funcionamento institucional, elevao
da efetividade cientfica e poltica, aumento da conscientizao da
comunidade acadmica e responsabilidade social [] Como a educao comprometida com as necessidades e interesses pblicos so
de responsabilidade coletiva da comunidade educativa e do Estado,
a avaliao h de ser democrtica e participativa (grifos do autor).

E termino citando umas poucas linhas de outro texto meu, que ajudam a resumir algumas das mais importantes idias que pretendi trazer
reflexo:
A educao tem como funo essencial a formao de sujeitos autnomos entendida como ncleo da vida social. Da que a avaliao
da educao tambm deve ser um patrimnio pblico a ser apropriado e exercido como instrumento de consolidao da educao
como bem comum, seja ela provida pelo Estado ou por iniciativas
privadas. Ento, deve ser uma prtica participativa e um empreendimento tico a servio do fortalecimento da responsabilidade
social da educao, entendida esta principalmente como o cumprimento cientfica e socialmente relevante dos processos de produo
de conhecimentos e de formao de sujeitos com autonomia epistmica, moral, social e poltica. [] a avaliao deve estar focada
na questo dos sentidos do cumprimento por parte da educao
superior, seja nos nveis internos de cada curso e instituio ou nas
escalas mais amplas dos sistemas, daquilo que essencialmente lhe
determina a sociedade: a formao de cidados, o aprofundamento
dos valores democrticos da vida social, a elevao material e espiritual da sociedade. (DIAS SOBRINHO, 2005, p. 236).

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Para referenciar este texto


SOBRINHO, J. D. Avaliao da educao superior: avanos e riscos. EccoS, So Paulo,
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