Fbio Pinato Sato
Validao da verso em portugus
de um questionrio para avaliao de autismo infantil
Dissertao apresentada Faculdade de
Medicina da Universidade de So Paulo para
obteno do Ttulo de Mestre em Cincias
rea de concentrao: Psiquiatria
Orientador: Prof. Dr. Marcos Tomanik Mercadante
So Paulo
2008
ii
DEDICATRIA
Aos meus pacientes, que me permitem aprender com a experincia durante
todos os dias da minha prtica profissional.
Aos pais das crianas com Autismo Infantil, Sndrome de Down e outros
transtornos psiquitricos, que possibilitaram a realizao deste trabalho.
iii
AGRADECIMENTOS
Aos meus pais, Srgio e Izaura, que me mostraram a importncia do estudo
por meio da dedicao e da seriedade com que sempre exerceram as suas
profisses.
Aos
meus
irmos,
Guilherme
Ana
Paula,
por
me
apoiarem
incondicionalmente.
Ao Prof. Dr. Marcos Tomanik Mercadante, pela orientao clnica e
acadmica, sempre segura e generosa, e por reconhecer e valorizar a minha
capacidade para o trabalho durante todos estes anos.
A Daniela Kurcgant pela amizade, apoio e incentivo sempre.
Ao amigo Alessandro Ferrari Jacinto, pelo apoio e incentivo com que sempre
pude contar.
A Euthymia Brando de Almeida Prado, pela amizade e generosidade
sempre disponveis durante todo este percurso.
Ao estatstico Eduardo Yoshio Nakano, que me ajudou na elaborao de
todo o trabalho. Sem sua colaborao, no teria sido possvel realiz-lo.
amiga Ana Soledade Graeff Martins, pelo exemplo de determinao,
seriedade e tica com que exerce suas atividades acadmicas.
Ao amigo Leandro Andr de Souza, que me ajudou no que foi preciso na
elaborao deste trabalho.
Sra. Eliza Fukushima, pelo apoio e pela pacincia a mim dedicados.
iv
A Lavnia Fvero, pela ajuda imprescindvel na finalizao deste trabalho.
Aos meus colegas docentes Ana Lcia Gatti, Lucilena Vagostello e Lus
Antnio Gomes Lima, pelo companheirismo e amizade com que sempre
pude contar.
s colaboradoras interinas deste trabalho, Rosane Lowenthal e Cristiane
Silvestre de Paula, pela incansvel disponibilidade.
s psiclogas Fernanda Orsati e Sabrina Ribeiro pelos ensinamentos
iniciais, pela disponibilidade e pela generosidade.
Ao grupo de alunos de Psicologia da Universidade Presbiteriana Mackenzie,
pela ajuda em todo o processo de coleta de dados para o estudo.
Ao grupo de profissionais que participou do processo de traduo e retrotraduo deste questionrio para avaliao de autismo infantil.
Aos Profs. Drs. Dcio Brunoni e Jos Salomo Schwartzman, por terem
dividido comigo a possibilidade de fazer deste trabalho a minha dissertao
de mestrado.
s Dras. Maria Conceio do Rosrio e Ivete Gianfaldoni Gatts, pela
colaborao no processo de traduo, retro-traduo e adaptao cultural do
questionrio.
Ao Prof. Dr. Wang Yuan Pang, pelos preciosos ensinamentos a mim
ministrados durante o perodo final deste trabalho.
Fundao de Apoio e Desenvolvimento do Autista (FADA), pela
disponibilidade e importncia que teve na realizao deste trabalho.
A Rosely Ribeiro, pelo exemplo de determinao, seriedade e amor com que
realiza o seu trabalho junto s crianas com Autismo Infantil.
s mes D. Maria Lcia Ges, D. Viviane Atuati, D. Mrcia Tamogami, D.
Joana Leovirglio, D. Silvana Centurione, D. Cleonice e D. Rosana, com
quem tive o privilgio de aprender e compartilhar sobre a dura jornada do
trabalho com as crianas com Autismo Infantil.
Aos meus pacientes Lal, Felipe, Motian, Luciano, Pedro, Rafael, Bruno,
Guilherme e tantos outros que me permitiram aprender com a experincia.
vi
SUMRIO
LISTA DE FIGURAS ........................................................................
ix
LISTA DE TABELAS .......................................................................
LISTA DE QUADROS ......................................................................
xiv
LISTA DE ABREVIATURAS ............................................................
xv
RESUMO ..........................................................................................
xvi
SUMMARY .......................................................................................
xviii
1 INTRODUO ...............................................................................
2 REVISO DA LITERATURA .........................................................
2.1 DEFINIO E DADOS EPIDEMIOLGICOS SOBRE O
AUTISMO.. ........................................................................................
2.2 EVOLUO HISTRICA DO CONCEITO DE AUTISMO ..........
2.3 CRITRIOS DE DIAGNSTICO ................................................
2.4 INSTRUMENTOS DIAGNSTICOS ..........................................
2.4.1 Estudo das propriedades psicomtricas de um instrumento
diagnstico: confiabilidade e validade .....................................
2.4.2 Aspectos envolvidos na traduo de instrumentos .................
2.4.2.1 Traduo ...............................................................................
2.4.2.2 Retro-traduo ......................................................................
2.4.2.3 Anlise por um comit ..........................................................
2.4.3 Principais instrumentos diagnsticos de TID Autismo
Infantil ......................................................................................
4
4
8
13
16
16
21
22
22
22
23
3 OBJETIVOS ..................................................................................
3.1 OBJETIVOS GERAIS .................................................................
26
26
4 CASUSTICA E MTODOS ..........................................................
4.1 DELINEAMENTO DO ESTUDO .................................................
4.2 CASUSTICA ..............................................................................
4.2.1 Seleo da amostra .................................................................
4.2.1.1 Perfil dos pacientes ...............................................................
4.2.2 Critrios de incluso para os grupos de pacientes ..................
4.2.3 Critrios de excluso para os grupos de pacientes .................
4.3 PROCEDIMENTOS ....................................................................
4.3.1 O ASQ Autism Screening Questionnaire ..............................
4.3.2 Traduo, retro-traduo e reviso por um comit ..................
27
27
27
27
29
30
30
31
31
31
vii
4.3.3 Pr-teste ..................................................................................
4.3.4 Teste ........................................................................................
4.3.5 Re-teste ...................................................................................
4.4 ASPECTOS TICOS ..................................................................
4.5 ANLISE ESTATSTICA .............................................................
32
32
34
34
35
5 RESULTADOS ..............................................................................
5.1 PERFIL DOS ESCORES MDIOS POR GRUPOS ...................
5.2 ESTIMATIVAS DOS ESCORES DE CORTE POR MODELO
NO-PARAMTRICO ................................................................
5.2.1 Curva ROC ..............................................................................
5.3 ESTIMATIVAS DOS ESCORES DE CORTE POR MODELO
PARAMTRICO .........................................................................
5.3.1 Regresso Logstica ................................................................
5.4 AGRUPANDO O DIAGNSTICO DE DOWN E O GRUPO
CONTROLE ...............................................................................
5.4.1 Perfil dos pacientes ..................................................................
5.4.2 Perfil dos escores mdios por grupos ......................................
5.5 ESTIMATIVAS DOS ESCORES DE CORTE POR MODELO
NO-PARAMTRICO ................................................................
5.5.1 Curva ROC ..............................................................................
5.6 ESTIMATIVAS DOS ESCORES POR MODELO
PARAMTRICO .........................................................................
5.6.1 Regresso Logstica ................................................................
5.7 SEPARANDO AS QUESTES POR CATEGORIA ....................
5.7.1 Linguagem e Comunicao .....................................................
5.7.2 Comportamento .......................................................................
5.7.3 Sociabilidade ............................................................................
5.8 ANALISANDO AS QUESTES SEPARADAMENTE .................
5.9 COMPARAO ENTRE AS QUESTES DE LINGUAGEM,
COMPORTAMENTO E SOCIABILIDADE ..................................
5.9.1 Sndrome de Down ..................................................................
5.9.2 Transtorno Invasivo do Desenvolvimento ................................
5.9.3 Grupo Controle 2 .....................................................................
5.10 ALPHA DE CRONBACH E KUDER-RICHARDSON-20 ...........
5.11 KAPPA DE COHEN ..................................................................
5.11.1 Grupo Controle 1 (Sndrome de Down) .................................
5 .11.2 Grupo Experimental (TID) .....................................................
5.11.3 Grupo Controle 2 ...................................................................
5.12 ANLISE FATORIAL ................................................................
5.12.1 Anlise fatorial com 3 fatores .................................................
5.12.2 Anlise fatorial com 4 fatores .................................................
37
37
64
64
65
65
66
66
68
70
71
72
73
74
6 DISCUSSO ..................................................................................
77
7 CONCLUSES ..............................................................................
90
38
38
45
45
50
51
52
52
52
56
56
60
60
61
62
63
viii
8 ANEXOS ........................................................................................
8.1 ANEXO A QUESTIONRIO DE AVALIAO DE AUTISMO ..
8.2 ANEXO B TERMO DE CONSENTIMENTO LIVRE E
ESCLARECIDO .........................................................................
91
91
9 REFERNCIAS BIBLIOGRFICAS .............................................
98
96
ix
LISTA DE FIGURAS
FIGURA 1 Curva ROC do escore do teste (Grupo Controle 2
o grupo de referncia) .................................................
40
FIGURA 2 Curva ROC do escore do teste (diagnstico TID
o grupo de referncia) ...............................................
42
FIGURA 3 Probabilidades de classificao segundo escore .........
48
FIGURA 4 Curva ROC do escore do teste (Grupo TID
o grupo de referncia) .................................................
54
FIGURA 5 Probabilidade de classificao segundo escore .............
58
LISTA DE TABELAS
TABELA 1 Critrios diagnsticos do DSM-IV para
Transtorno Autista .......................................................
14
TABELA 2 Sexo por diagnstico (freqncia e %) .......................
29
TABELA 3 Idade por diagnstico ..................................................
29
TABELA 4 Teste das mdias dos escores segundo o
diagnstico ..................................................................
37
TABELA 5 Coordenadas da Curva ROC para o Grupo
Controle 2 ....................................................................
39
TABELA 6 Coordenadas da Curva ROC para diagnstico do
Grupo Experimental ....................................................
41
ANLISE A Anlise dos dados baseada na Curva ROC ..............
43
TABULAO CRUZADA A .............................................................
43
TABELA 7 Estimativa dos parmetros do Modelo de Regresso
Logstica ......................................................................
45
TABELA 8 Classificao ...............................................................
46
xi
TABELA 9 Probabilidades de classificao segundo o escore
do teste obtidas por meio do Modelo de Regresso
Logstica Mltiplo ..........................................................
47
ANLISE B Anlise dos dados baseada na Regresso Logstica
49
TABULAO CRUZADA B ..............................................................
49
TABELA 10 Sexo por diagnstico (freqncia e %) .......................
51
TABELA 11 Idade por diagnstico ..................................................
51
TABELA 12 Teste das mdias dos escores do teste segundo
o diagnstico ..............................................................
52
TABELA 13 Coordenadas da curva ROC para diagnstico TID ....
53
ANLISE C Anlise dos dados baseada na Curva ROC ...............
55
TABULAO CRUZADA C ..............................................................
55
TABELA 14 Estimativa dos parmetros do modelo de Regresso
Logstica .....................................................................
56
TABELA 15 Classificao ...............................................................
56
xii
TABELA 16 Probabilidades de classificao segundo os escores
do teste obtidas por meio do Modelo de Regresso
Logstica ......................................................................
57
ANLISE D Anlise dos dados baseada na Regresso Logstica
59
TABULAO CRUZADA D ..............................................................
59
TABELA 17 Teste das mdias dos escores em questes de
Linguagem e Comunicao (13 questes)
segundo o diagnstico ...............................................
60
TABELA 18 Testes das mdias dos escores em questes de
Comportamento (8 questes) segundo o diagnstico
61
TABELA 19 Teste das mdias dos escores das questes de
Sociabilidade (21 questes) segundo o diagnstico
62
TABELA 20 Freqncia de respostas positivas (resposta 1)
em cada questo, de acordo com o diagnstico .........
63
TABELA 21 Teste das mdias dos percentuais das questes
do teste para indivduos com Sndrome de Down
segundo a categoria da questo ................................
64
TABELA 22 Teste das mdias dos percentuais das questes
do teste para indivduos com Transtorno Invasivo
do Desenvolvimento segundo a categoria
da questo .................................................................
65
xiii
TABELA 23 Teste das mdias dos percentuais das questes
do teste para indivduos do Grupo Controle 2
segundo a categoria da questo ................................
65
TABELA 24 Valores do Alpha de Cronbach e do KR-20 ................
66
TABELA 25 Valores de Kappa .......................................................
67
TABELA 26 Valores de Kappa para o Grupo Down no re-teste .....
69
TABELA 27 Valores de Kappa para o Grupo Experimental (TID)
no re-teste ..................................................................
70
TABELA 28 Valores de Kappa para o Grupo Controle 2
no re-teste ..................................................................
71
TABELA 29 Total da varincia explicada pelos fatores ..................
72
TABELA 30 Cargas fatoriais para uma soluo com
3 fatores......................................................................
73
TABELA 31 Cargas fatoriais para uma soluo com 4 fatores ......
74
xiv
LISTA DE QUADROS
QUADRO 1 - Principais instrumentos diagnsticos de TID-Autismo Infantil ........ 28
xv
LISTA DE ABREVIATURAS
ABC
AUTISM BEHAVIOR CHECKLIST
ADI
AUTISM DIAGNOSTIC INTERVIEW
ADI-R
AUTISM DIAGNOSTIC INTEVIEW-REVISED
ADOS
AUTISM DIAGNOSTIC OBSERVATION SCHEDULE
ASQ
AUTISM SCREENING QUESTIONNAIRE
ATA
ESCALA DE AVALIAO DE TRAOS AUTISTAS
CARS
CHILDHOOD AUTISM RATING SCALE
CID 10
CLASSIFICAO INTERNACIONAL DE DOENAS
DSM-IV
MANUAL DIAGNSTICO E ESTATSTICO DE
TRANSTORNOS MENTAIS
ROC
RECEIVER OPERATING CHARACTERISTICS
SCQ
SOCIAL COMMUNICATION QUESTIONNAIRE
TA
TRANSTORNO DE ASPERGER
TID
TRANSTORNO INVASIVO DO DESENVOLVIMENTO
TID-SOE
TRANSTORNO INVASIVO DO DESENVOLVIMENTO SEM
OUTRA ESPECIFICAO
TEA
TRANSTORNO DO ESPECTRO DO AUTISMO
xvi
RESUMO
Sato FP. Validao da verso em portugus de um questionrio para
avaliao de autismo infantil [dissertao]. So Paulo: Faculdade de
Medicina, Universidade de So Paulo; 2008. 111p.
Introduo: A prevalncia dos Transtornos Globais do Desenvolvimento
(TGD) ou Transtornos Invasivos do Desenvolvimento (TID) tem sido descrita
em 1% da populao. A maioria dos estudos no sugere diferenas
epidemiolgicas entre as diversas culturas, entretanto, esses estudos tm
sido realizados apenas na Amrica do Norte e Europa. Para a realizao de
estimativas epidemiolgicas sobre os TGD/TID, importante que existam
instrumentos
devidamente
validados
em
outras
culturas.
Objetivo:
Traduo, retro-verso, adaptao cultural e validao da Autism Screening
Questionnaire ou Social Communication Questionnaire, verso Lifetime, para
a lngua portuguesa e uso no Brasil. Mtodo: Foi selecionada uma amostra
inicial de 120 indivduos, dividida em 3 grupos de 40 pacientes cada:
pacientes com diagnstico clnico de TGD/TID, com diagnstico clnico de
Sndrome de Down e com outros transtornos psiquitricos. O questionrio foi
aplicado aos responsveis legais dos indivduos. Padres de um
questionrio auto-aplicvel foram seguidos. As medidas psicomtricas do
questionrio, na sua verso final, foram testadas. Resultados: Valores de
sensibilidade de 92,5% e especificidade de 95,5% foram encontrados para
uma pontuao de 15. Esse escore teve valor discriminativo para os sujeitos
xvii
com caractersticas de TGD/TID. A validade interna para o total de questes
foi de 0,895 para o Alpha de Cronbach, e de 0,896 para o KR-20. Houve
uma variao de 0,6 a 0,8 para ambos os coeficientes. Os valores de
confiabilidade (Kappa) obtidos pelo teste e re-teste demonstraram que a
maioria das questes obteve alta concordncia. A anlise fatorial com 3
fatores explicou 33,801% do total de varincia. Concluses: A verso final
do instrumento de pesquisa traduzido e adaptado cultura brasileira
apresentou propriedades de medida satisfatrias, demonstrando ser de fcil
aplicao, alm de ser uma ferramenta til para a realizao de
rastreamento diagnstico em indivduos com TGD/TID.
Descritores: 1.Transtornos globais do desenvolvimento infantil/diagnstico
2. Transtorno autstico 3. Estudos de validao 4. Questionrios
xviii
SUMMARY
Sato FP. Validation of a version in Portuguese questionnaire for evaluation of
autism in childhood [Dissertation]. So Paulo: Faculdade de Medicina,
Universidade de So Paulo; 2008. 111p.
Introduction: The prevalence of pervasive developmental disorders (PDD)
in world population is around 1%. Although studies do not suggest any
modification of this prevalence in relation to ethnical differences, there are no
studies describing the prevalence of PDD in other cultures but the northern
hemisphere. It might be
important to get efficient and validated diagnostic
instruments in order to have that yet unknown prevalence. Objective: To
translate into Portuguese, back-translate, culturally adapt and validate the
Social Communication Questionnaire (Lifetime version), which is a screening
instrument for pervasive developmental disorder (PDD), for use in Brazil.
Method: A sample of 120 patients was selected and then divided in three
different groups of 40. These groups were: patients with a clinical diagnosis
of PDD, with Down Syndrome and with other psychiatric disorders. The selfreport questionnaire was applied to the patients legal guardians.
Psychometric measures of the translated questionnaire final version were
tested. Results: The score of 15 had a sensitivity of 92.5% and specificity of
95.0%. This same score was a cut-off point for the diagnosis of PDD. Internal
validity for all 40 questions was 0.895 for Alpha, and 0.896 for KR-20, both
coefficients ranging from 0.6 to 0.8. Test and retest reliability values (Kappa)
showed that strong agreement in most of the questions. Conclusions: The
xix
final version of this instrument, which was translated into Portuguese and
also adapted to Brazilian culture, had satisfactory measurement properties. It
was an easy-to-apply and useful tool for the diagnostic screening of
individuals with PDD.
Descriptors: 1. Child development disorder, pervasive/diagnosis 2. Autistic
disorder 3. validation studies 4. Questionnaires
1 INTRODUO
O Autismo Infantil foi descrito oficialmente na primeira metade do
sculo XX por Leo Kanner, mdico austraco que observou as diferenas
clnicas entre as crianas com psicose infantil e as com algumas
caractersticas no descritas at ento. Dessas caractersticas, Kanner
destacou comportamentos disfuncionais e permanentes ao longo do tempo,
isolamento estrutural, rotinas estabelecidas e uma aparente falta de
interesse nos pais ou em qualquer figura humana (Kanner, 1943).
Atualmente, a prevalncia do Autismo Infantil no mundo de at 60 casos
para 10.000 crianas (Fombonne, 2003). As discusses sobre o crescente
nmero de casos so corroboradas por vrios fatores, como a normatizao
de critrios diagnsticos mais precisos nas dcadas de 70 e 80 e sua
posterior ampliao (noo dos Transtornos do Espectro Autista - TEA); o
maior esclarecimento profissional e o melhor preparo nos centros de estudo
e pesquisa dos Transtornos Globais do Desenvolvimento (TGD) ou
Transtornos Invasivos do Desenvolvimento (TID) (Wing et al., 1979).
A avaliao das caractersticas autsticas em uma criana continua
essencialmente clnica, no existindo exames comprobatrios que orientem
o diagnstico. A tendncia dos ltimos anos na Psiquiatria como um todo a
criao de instrumentos (questionrios ou escalas) que, por meio da
observao direta ou de perguntas direcionadas, possam estabelecer
parmetros mensurveis e sirvam como ferramentas para orientar o
diagnstico clnico.
Introduo______________________________________________________________
No Brasil, h apenas duas escalas submetidas ao processo de
validao que auxiliam o diagnstico clnico de Autismo Infantil: a Escala de
Avaliao de Traos Autistas (ATA) (Assumpo et al., 1999) e o Inventrio
de Comportamentos Autsticos (ICA) (Marteleto et al., 2005). Faz-se
necessria a busca por outros instrumentos que possam, de maneira
objetiva, fcil e precisa, ampliar as opes de atividade clnica em pesquisa.
O Questionrio de Avaliao de Autismo, originalmente Social
Comunnication Questionnaire (SCQ) (Rutter et al., 2003), um questionrio
auto-aplicvel, devendo ser preenchido pelos pais ou responsveis pelo
paciente. Dividido em 40 questes que percorrem todo o desenvolvimento e
hbitos de vida dos pacientes da infncia at os dias atuais, engloba os trs
domnios bsicos de prejuzo no Autismo Infantil: sociabilidade, linguagem e
comportamento. As respostas so de SIM ou NO, contando com
pontuaes totais para o status final do questionrio. Trata-se de um
questionrio screening, ou seja, de rastreamento, que orienta e auxilia na
realizao do diagnstico.
A escolha do Questionrio de Avaliao de Autismo foi baseada,
primeiramente, na sua estrutura. O questionrio foi elaborado a partir da
escala standard para o diagnstico do Autismo Infantil e TEA, a Autism
Diagnostic Interview-Revised (ADI-R) (Lord et al., 1994), obtendo bons
resultados estatsticos. Alm disso, o questionrio de fcil e rpida
aplicao.
O estudo de validao do Questionrio de Avaliao de Autismo, na
sua verso para a lngua portuguesa, foi constitudo pela traduo e retro-
Introduo______________________________________________________________
traduo, posterior aplicao e reaplicao em 120 crianas divididas em
trs grupos distintos: crianas com diagnstico de TID, com diagnstico de
Sndrome de Down e com diagnstico de outros transtornos psiquitricos. O
questionrio foi aplicado pelo telefone, mantendo os parmetros de autoaplicao determinados.
A importncia deste estudo fornecer um instrumento devidamente
adaptado
cultura
brasileira,
validado
seguindo
os
parmetros
internacionais, que possa servir no screening diagnstico para pesquisas
futuras sobre o Autismo Infantil ou TEA no Brasil.
No presente estudo, optou-se pela nomenclatura Transtorno Invasivo
do Desenvolvimento (TID) em detrimento das outras duas tradues que tm
sido utilizadas em portugus para o termo Pervasive Developmental
Disorder: Transtorno Global do Desenvolvimento e Transtorno Abrangente
do Desenvolvimento. A Edusp, na traduo do CID-10, utilizou o termo
global como traduo para pervasive. Porm, a Artmed, que produziu o
CID-10 e o DSM-IV, optou pelo termo invasivo. Apenas por estar presente
nas tradues dos dois manuais, preferiu-se utilizar essa ltima opo (Lippi,
2003, apud Mercadante, MT, Klin A., 2006).
2 REVISO DA LITERATURA
2.1 DEFINIO E DADOS EPIDEMIOLGICOS SOBRE O AUTISMO
autismo
desenvolvimento
infantil
caracteriza-se
qualitativamente
graves,
por
anormalidades
invasivas
no
abrangentes,
expressas por comprometimentos que se manifestam em trs reas do
desenvolvimento:
1.
interao social recproca;
2.
linguagem e comunicao;
3.
presena ou repertrio de comportamentos e interesses
restritos, repetitivos e estereotipados.
Na maioria dos casos, os sintomas se manifestam nos primeiros 5
anos de vida da criana - mais precisamente, no final do segundo ano de
vida -, ocasionando um desvio em relao ao nvel de desenvolvimento
esperado para a idade, podendo estar associado com algum grau de retardo
mental. A etiologia ainda no est estabelecida, mas h fortes evidncias de
que o autismo e os TEA esto ligados a bases genticas. Tambm so
associados a acidentes pr ou peri-natais, infeces e outras sndromes
neurolgicas (CID-10, 1993; DSM-IV, 1994).
A primeira pesquisa epidemiolgica sobre autismo foi realizada por
Victor Lotter, em 1966, na Inglaterra. Desde ento, mais de 30 estudos j
foram realizados, na tentativa de estimar a incidncia ou prevalncia deste
TID. O ndice de prevalncia de autismo infantil obtido pela maioria dos
Reviso da literatura____________________________________________________________
estudos at o final da dcada de 1990 foi de 0,4/1000. Os TEA
apresentaram um ndice de 2/1000 (Charman, 2002; Fombonne, 2003).
Fombonne et al. (2003) agruparam em 2 perodos os 32 estudos
epidemiolgicos realizados. Entre os anos de 1966 e 1991, foram agrupados
16 estudos, e o ndice mdio foi de 4,4/10000 para autismo. No perodo de
1992 a 2001, foram agrupados outros 16 estudos, e o ndice foi de
12,7/10000. Esses dados indicam um aumento na prevalncia estimada de
autismo nos ltimos 15 anos.
Para a estimativa da prevalncia atual de autismo, este autor
selecionou as pesquisas publicadas aps 1987, com amostras superiores a
10.000 crianas, perfazendo 19 estudos, com ndice mdio de 1/1000. A
estimativa global derivada de uma anlise moderada dos dados presentes
nos estudos foi de 27,5/10000 para os Transtornos Invasivos do
Desenvolvimento (TID), de 15/10000 para os Transtornos Invasivos do
Desenvolvimento Sem Outra Especificao (TID-SOE), e de 2,5/10000 para
o Transtorno de Asperger (TA).
Segundo Fombonne, as comparaes entre tais pesquisas so
dificultadas por diferenas metodolgicas e de critrios diagnsticos
adotados. De qualquer modo, podem ser apontados alguns dados comuns
entre essas pesquisas: 70% dos casos de autismo so associados com
retardo mental; a razo de 4 casos de autismo do sexo masculino para um
do sexo feminino (Fombonne, 2003).
Os resultados de trs pesquisas recentes - Baird et al. (2000),
Bertrand et al. (2001) e Chakrabarti e Fombonne (2001) -
sugerem um
Reviso da literatura____________________________________________________________
aumento desses ndices de prevalncia, com ndice mdio de 6/1000 para o
espectro autista. Esse aumento resultado de diversas variveis, dentre as
quais se destacam:
as diferenas metodolgicas adotadas nos diversos estudos;
maior conhecimento dos nveis cognitivos associados aos TID;
ampliao do conceito ao longo do tempo TEA;
ampliao
do
conhecimento
das
condies
mdicas
associadas aos TID;
desenvolvimento
de
centros
especializados
para
diagnstico (Charman, 2002; Wing et al., 2002).
Considerando o ndice de 27,5/10000, aplicado populao dos
Estados Unidos no ano de 2000, estima-se que a populao de TID de
221.000 indivduos abaixo dos 20 anos e de 53.000 com idade inferior aos 5
anos. Por outro lado, aplicando o ndice de 60/10000, esse nmero seria de
483.000 sujeitos com TID abaixo dos 20 anos, e 114.000 crianas com idade
inferior a 5 anos, o que representa uma populao estatisticamente
expressiva (Fombonne, 2003).
Os valores populacionais estimados tm implicaes financeiras nos
servios de sade e de educao e nos programas de interveno precoce:
a assistncia a essa populao se torna imprescindvel, motivando ainda
mais o empreendimento em pesquisas relacionadas aos TID.
Atualmente, existem instrumentos especficos que orientam a
realizao do diagnstico clnico, ferramentas interessantes, principalmente,
Reviso da literatura____________________________________________________________
porque permitem uma quantificao objetiva de informaes em pesquisas
epidemiolgicas. Esses instrumentos so divididos em trs grupos principais:
1.
listas de verificao ou questionrios, por exemplo, a Autism
Behavior Checklist - ABC - (Inventrio de Comportamentos Autsticos)
e o Social Communication Questionnaire - SCQ - (Questionrio de
Comunicao Social);
2.
escalas de observao, como a Childhood Autism Rating Scale
- CARS - (Escala de Avaliao de Autismo Infantil) e o Autism
Diagnostic Observation Schedule - ADOS - (Roteiro de Observao
Diagnstica de Autismo);
3.
entrevistas com informantes, como a Autism Diagnostic
Interview, ADI, (Entrevista Diagnstica de Autismo), como tambm a
sua forma revisada, a ADI-R, (Entrevista Diagnstica de AutismoRevisada) (Le Couteur et al., 1989).
Le Couteur et al. (1989) observaram que cada tipo de instrumento
diagnstico tem sua importncia: tanto as observaes diretas quanto as
entrevistas so essenciais no processo de avaliao. No entanto, as
observaes exploram apenas os comportamentos manifestados em breves
perodos
de tempo, mas
so
incapazes
de
avaliar o
curso
do
desenvolvimento das anormalidades - as entrevistas so fundamentais para
esse tipo de avaliao.
No existem testes diagnsticos especficos para a confirmao dos
TID, principalmente no que diz respeito ao Autismo Infantil. Os instrumentos
servem apenas para orientar, esclarecer e ajudar no raciocnio clnico-
Reviso da literatura____________________________________________________________
investigativo. Portanto, a avaliao clnica (anamnese e observao de
padres de comportamento em diversas situaes) so fundamentais para a
realizao diagnstica final.
2.2 EVOLUO HISTRICA DO CONCEITO DE AUTISMO
Em 1906, Eugen Bleuler introduziu o termo Autismo para designar a
perda do contato com a realidade que implicaria uma impossibilidade ou
uma grande dificuldade para se comunicar com os demais.
Em 1943, Leo Kanner, o primeiro catedrtico de psiquiatra infantil da
Amrica, professor da Johns Hopkins University (USA), descreveu um grupo
de crianas gravemente enfermas que tinham certas caractersticas em
comum. A mais notvel era a incapacidade de se relacionar com as outras
pessoas. Kanner (1943) utilizou o termo criado por Bleuler e intitulou o seu
trabalho Autistic Disturbance of Affective Contact Distrbio Autstico do
Contato Afetivo.
Kanner observou as 11 crianas por 5 anos e descreveu alteraes
comportamentais que se repetiam e permaneciam inalteradas ao longo do
tempo: apego completo s rotinas do dia-a-dia, isolamento extremo e
preferncia por objetos inanimados em detrimento das pessoas. Descreveu,
ainda, alteraes complexas da linguagem, como a ecolalia imediata e tardia
e a inverso pronominal. Todas as caractersticas descritas, associadas
muitas vezes a um retardo mental evidente, criavam uma barreira ao
Reviso da literatura____________________________________________________________
relacionamento humano. A esse conjunto de sinais e sintomas, Kanner
(1944) deu o nome de Autismo Infantil Precoce.
Nas dcadas seguintes, diversos autores descreveram as mesmas
crianas, baseados em suas vises terico-profissionais, privilegiando, em
seus relatos, os aspectos da doena que lhes pareciam mais marcantes.
Assim, em 1947, Lauretta Bender usou o termo Esquizofrenia Infantil, pois
considerava o autismo como uma forma mais precoce da esquizofrenia,
apenas uma manifestao dessa doena na infncia que, no futuro, seria a
mesma do adulto (Bender, 1947).
J Margaret Mahler, em 1952, utilizou o termo Psicose Simbitica,
atribuindo a causa da doena ao relacionamento entre me e filho, sua rea
de maior interesse. Na Psicose Simbitica, as crianas tendem a se grudar
ferozmente na me, em vez de se relacionar com ela de maneira distante e
remota. O mesmo ocorre com uma criana com autismo infantil, que pode
mostrar um comportamento de simbiose ou grude e, em outros
momentos, lhe ser totalmente indiferente (Mahler, 1965).
Originalmente, Kanner considerou a nova sndrome como um
distrbio autista inato de contato afetivo, sem atribu-la s questes
estabelecidas nos primeiros contatos entre pai e filho. Mas, nas dcadas de
1940 e 1950, influenciado pelas teorias vigentes na poca, passou a ver o
autismo como um problema emocional, o resultado de influncias parentais
patognicas. Para ele, mes-geladeira, no afetuosas, distantes e
obsessivas, que forneciam cuidados mecanizados, causavam autismo em
Reviso da literatura____________________________________________________________
10
seus filhos. Por essa opinio, Kanner (1943) foi obrigado a se retratar
publicamente com os pais de crianas autistas alguns anos mais tarde.
Em 1964, Rimland publicou o livro Autismo, criticando a teoria
psicognica do autismo e citando evidncias sugestivas de uma etiologia
orgnica. Esse trabalho ajudou a mudar o conceito de autismo de um
distrbio psicognico para um transtorno neurobiolgico a ser compreendido
por estudos sistematizados. Entretanto, foi prejudicado pela falta de
consenso sobre a classificao de transtornos severos da infncia.
As discusses sobre o diagnstico dos transtornos da infncia se
estenderam durante mais de 20 anos. Em 1961, em um congresso realizado
na Inglaterra (British Working Party) presidido por M. Creak, foram definidos
critrios para estabelecer um quadro de psicose infantil. So os chamados
Nove Pontos, listados a seguir:
1.
alterao marcante e constante das relaes emocionais com
os demais;
2.
desconhecimento manifesto de sua prpria identidade, levando
em conta a idade do indivduo. A isso poderiam ser acrescentados,
conforme a opinio de Ruttenberg (1971), problemas relacionados
imagem, ao domnio e conscincia corporal;
3.
preocupaes patolgicas com objetos particulares ou com
algumas de suas caractersticas, sem nenhuma relao com o uso
convencional dos mesmos;
4.
forte resistncia a qualquer mudana do ambiente e luta para
mant-lo permanente;
Reviso da literatura____________________________________________________________
5.
11
experincia perceptiva normal (apesar da ausncia de qualquer
anormalidade orgnica detectvel);
6.
ansiedade freqente, aguda, excessiva e aparentemente
ilgica;
7.
perda do domnio ou no-desenvolvimento da linguagem ou,
ainda, um desenvolvimento aqum de certo nvel, que corresponde
sempre a uma idade inferior cronolgica;
8.
deformao dos comportamentos motores;
9.
retardamento estrutural, sobre o qual podem aparecer zonas
de funes intelectuais ou de habilidade manual prximas da
normalidade ou mesmo excepcionais.
Em 1965, Rutter props uma distino maior entre as psicoses
infantis: a sndrome de Kanner - que comea entre os 2 primeiros anos de
vida - e os distrbios que surgem mais tardiamente, ainda na infncia,
similares a esquizofrenia do adulto (Campbell, 1999). As principais
diferenas, alm da idade de incio dos sintomas, so:
Baixo percentual de esquizofrenia na famlia das crianas com
psicose precoce em comparao com a elevada incidncia nas
famlias de crianas esquizofrnicas cuja doena apareceu mais
tardiamente;
Elevado nvel scio-econmico dos pais de crianas cuja
doena apareceu precocemente em comparao com o nvel mais
modesto dos pais de crianas esquizofrnicas cuja doena se iniciou
mais tarde;
Reviso da literatura____________________________________________________________
12
Diferenas nos padres das funes cognitivas;
Diferenas na evoluo: na criana esquizofrnica, podem-se
desenvolver alucinaes e idias delirantes, algo muito raro naquelas
em que a psicose se manifestou precocemente (Rutter, 1970).
Os estudos sobre o autismo tiveram um grande desenvolvimento a
partir dos estudos de Rutter, assim como as pesquisas de Kolvin (1971), que
ajudaram a compreender melhor a esquizofrenia da infncia, principalmente
a distino entre os dois quadros.
O Autismo Infantil como uma condio mdica vinculada ao
desenvolvimento anormal com incio na infncia foi incorporado e
reconhecido como tal apenas 20 anos aps a descrio clssica de Leo
Kanner. Sua primeira meno na Classificao Internacional de Doenas
(CID) foi na 8 Reviso, em 1967, como um subgrupo da esquizofrenia.
Em
meados
da
dcada
de
1980,
autismo
recebeu
um
reconhecimento oficial, como patologia diferente da esquizofrenia e que
apresenta seu prprio contexto evolutivo, quando foi includo na terceira
edio do DSM (DSM-III) como um tipo de TID. Nesse perodo, o autismo foi
subdividido em dois subgrupos diagnsticos: o primeiro, denominado
Autismo Infantil, tinha como critrio fundamental o incio dos sintomas antes
dos 30 meses de idade; o segundo, denominado Transtorno Invasivo do
Desenvolvimento da Infncia, prescrevia o incio dos sintomas aps os 30
meses de idade, mas antes dos 12 anos.
Em 1979, Wing e Gould desenvolveram o conceito de Transtornos do
Espectro do Autismo (TEA), estabelecendo a trade de prejuzos centrais dos
Reviso da literatura____________________________________________________________
13
TID: sociabilidade, comunicao e linguagem e padro alterado de
comportamento. O objetivo desse conceito foi introduzir a idia de que os
sintomas relacionados a qualquer um dos trs domnios citados podem
ocorrer em variados graus de intensidade e com diferentes manifestaes.
O conceito de TEA foi registrado pela primeira vez em 1987, na
edio revisada do DSM-III-R, mas os subgrupos dos TID, como existem
hoje, somente foram incorporados na 4 Reviso do DSM (DSM-IV), de
1994. Nessa reviso, os TID passaram a ser compostos por quatro grupos
de doenas e uma categoria de excluso, dita SOE, sem regras especficas
para a sua aplicao.
2.3 CRITRIOS DE DIAGNSTICO
O DSM-IV foi publicado nos Estados Unidos em 1994 e, alm de
acrescentar novos transtornos aos TID - dentre os quais o Transtorno de
Asperger e o Transtorno de Rett -, ampliou o perodo obrigatrio para o
aparecimento dos primeiros sintomas das doenas de 30 meses para 36
meses. No DSM-IV, os TID esto estruturados da seguinte maneira:
Transtorno Autista (299.00), ver Tabela 1;
Transtorno de Rett (299.80);
Transtorno Desintegrativo da Infncia (299.10);
Transtorno de Asperger (299.80);
Transtorno
Invasivo
do
Desenvolvimento
especificao, que inclui Autismo Atpico (299.80).
Sem
Outra
Reviso da literatura____________________________________________________________
14
Tabela 1 Critrios diagnsticos do DSM-IV para Transtorno Autista
A um total de pelo menos 6 itens de ( 1 ), ( 2 ) e ( 3 ), com pelo menos 2
de ( 1 ), um de ( 2 ) e um de ( 3 ).
a) comprometimento acentuado no uso de
mltiplos comportamentos no-verbais, tais
como contato visual direto, expresso facial,
( 1 ) Comprometimento posturas corporais e gestos para regular a
qualitativo na interao interao social;
social, manifestado por b) fracasso em desenvolver relacionamentos
pelo menos dois dos
apropriados com seus pares prprios do nvel
seguintes aspectos:
de desenvolvimento;
c) ausncia de tentativas espontneas de
compartilhar prazer, interesses ou realizaes
com outras pessoas (p. ex., no mostrar, trazer
ou apontar objetos de interesse);
d) ausncia de reciprocidade social ou
emocional.
a) atraso ou ausncia total de desenvolvimento
da linguagem falada (sem tentativa de
compensar por meio de gestos ou mmica);
( 2 ) Comprometimento b) em indivduos com fala adequada, observaqualitativo na
se acentuado comprometimento na capacidade
comunicao,
de iniciar ou manter uma relao;
manifestados por pelo c) uso estereotipado e repetitivo da linguagem
menos um dos
ou linguagem idiossincrtica;
seguintes aspectos:
d) ausncia de jogos ou brincadeiras de
imitao social variados e espontneos
apropriados ao nvel de desenvolvimento.
a) preocupao persistente com um ou mais
padres estereotipados e restritos de interesse
( 3 ) Padres restritos anormais em intensidade ou foco;
repetitivos de
b) adeso aparentemente inflexvel a rotinas ou
comportamento,
rituais especficos e no-funcionais;
interesses e
c) maneirismos motores estereotipados e
atividades,
repetitivos (p. ex., agitar ou torcer mos ou
manifestados por pelo dedos ou movimentos complexos de todo o
menos um dos
corpo);
seguintes aspectos:
d) preocupao persistente com partes de
objetos.
B Atrasos ou funcionamento anormal em pelo menos uma das
seguintes reas, com incio antes dos 3 anos de idade:
( 1 ) interao social;
( 2 ) linguagem para fins de comunicao social;
( 3 ) jogos imaginativos ou simblicos.
C A perturbao no mais bem explicada por Transtorno de Rett ou
Transtorno Desintegrativo da Infncia.
Reviso da literatura____________________________________________________________
15
Na CID-10, o nmero de transtornos agrupados neste bloco difere do
DSM-IV. Alm disso, o termo infantil mantido ao conceito de autismo. A
reviso do captulo 5 da CID-10, sobre os Transtornos Mentais e de
Comportamento, fruto da colaborao de inmeras pessoas e organismos
de diversos pases e representa um avano em termos de classificao e de
diagnstico psiquitrico. Os Transtornos Invasivos do Desenvolvimento
(F84) esto inseridos no bloco dos Transtornos do Desenvolvimento
Psicolgico (F80-89) e esto assim caracterizados:
Autismo Infantil (F84.0);
Autismo Atpico (F84.1);
Sndrome de Rett (F84.2);
Outro Transtorno Desintegrativo da Infncia (F84.3);
Transtorno de Hiperatividade Associado ao Retardo Mental e
Movimentos Estereotipados (F84.4);
Sndrome de Asperger (F84.5);
Outros Transtornos Invasivos do Desenvolvimento (F84.8);
Transtorno Invasivo do Desenvolvimento, no-especificado
(F84.9).
Reviso da literatura____________________________________________________________
16
2.4 INSTRUMENTOS DIAGNSTICOS
2.4.1 Estudo das propriedades psicomtricas de um instrumento
diagnstico: confiabilidade e validade
O diagnstico possibilita a orientao clnica a respeito da patologia e
sua delimitao, facilita a comunicao entre os profissionais e tambm
fornece orientao quanto ao tratamento, preveno e investigao de sua
etiologia. O diagnstico elaborado de acordo com a presena de um
conjunto de sinais e sintomas, constituindo, assim, as sndromes e,
posteriormente, as entidades nosolgicas. Em 1970, Robins e Guze,
estabeleceram cinco critrios para realizaco do diagnstico psiquitrico:
1.
Descrio clnica do transtorno: anamnese completa e a
psicopatologia descritiva;
2.
Associao entre o diagnstico e eventuais exames clnicos;
3.
Histria psiquitrica familiar;
4.
Evoluo clnica, prognstico e conduta teraputica;
5.
Diagnstico diferencial.
As variaes nos diagnsticos clnicos so ocasionadas pela
utilizao
de
diferentes
sistemas
de
critrios
de
diagnstico
e,
principalmente, pela forma como as informaes desejadas so obtidas
(Cohen, 2000).
Entre as causas de variao nos diagnsticos clnicos, esto os
diferentes sistemas de critrios diagnsticos utilizados pelos profissionais da
sade e a origem das informaes obtidas. Para padronizar os diagnsticos
Reviso da literatura____________________________________________________________
17
e uniformizar pesquisas, visando a estudos comparativos, foi necessria a
criao de instrumentos baseados em determinados sistemas de diagnstico
(Menezes, 1998; Costello, 1995).
O desempenho dos instrumentos de diagnstico avaliado de acordo
com dois parmetros bsicos: a confiabilidade e a validade. O termo
confiabilidade geralmente utilizado para referir reprodutibilidade de uma
medida, ou seja, ao grau de concordncia entre mltiplas medidas de um
mesmo objeto. importante salientar que a reprodutibilidade no deve ser
confundida com uma mera replicao das medidas sem qualquer
discriminao, j que um clnico que d sempre os mesmos diagnsticos
no confivel em termos psicomtricos, pois no consegue fazer
distines entre seus pacientes (Menezes e Nascimento, 2000).
A avaliao da confiabilidade de um instrumento feita por meio da
comparao de diversas aplicaes do instrumento ao mesmo sujeito. Dois
aspectos
da
confiabilidade
so
mais
freqentemente
avaliados:
confiabilidade entre diferentes avaliadores e a confiabilidade teste-reteste.
Na confiabilidade entre avaliadores, os mesmos sujeitos so avaliados por
dois ou mais avaliadores, com o objetivo de investigar a concordncia de
aplicao ou da interpretao entre os avaliadores. Na confiabilidade testereteste, um grupo de sujeitos avaliado em dois momentos diferentes,
visando a estabelecer o grau com que o instrumento pode reproduzir os
resultados. Nesse tipo de estudo, mudanas biolgicas, psicolgicas ou
sociais que aconteam com o entrevistado ou mudanas na situao da
Reviso da literatura____________________________________________________________
18
entrevista ou na maneira de entrevistar ocorridas entre as avaliaes tendem
a diminuir a estimativa de confiabilidade (Menezes e Nascimento, 2000).
As medidas de confiabilidade so determinadas pelos coeficientes de
confiabilidade, nos quais o grau de concordncia entre as avaliaes
quantificado, podendo ser calculado de vrias formas.
A porcentagem de concordncia, o qui-quadrado e o coeficiente de
correlao de Pearson ainda aparecem na literatura como medidas de
confiabilidade mas, devido ao fato de no levarem em considerao a
probabilidade de concordncia decorrente do acaso, no so mais
considerados coeficientes vlidos para esse fim. Medidas de confiabilidade
como o Kappa (Cohen, 1960), o Kappa ponderado (Cohen, 1968) e o
coeficiente de correlao intraclasse (Bartko, 1966), que controlam o efeito
do acaso, so muito mais adequadas.
A escolha de um desses coeficientes depender da natureza do
instrumento que se deseja avaliar. Se o instrumento produz medidas
categricas, como diagnstico segundo determinado critrio ou uma medida
binria (como ser um provvel caso ou no-caso), o coeficiente de
confiabilidade utilizado deve ser o Kappa (K). Se o instrumento mede
categorias ordenadas (como o nvel de ajustamento social classificado como
excelente, bom, regular, ruim ou pssimo), o Kappa ponderado fornece uma
estimativa adequada. Quando o instrumento produz valores numricos
discretos ou contnuos (como escores totais de psicopatologia), utiliza-se o
coeficiente de correlao intraclasse (Menezes e Nascimento, 2000).
Reviso da literatura____________________________________________________________
19
Outro item importante para a confiabilidade de um instrumento
diagnstico ou psicomtrico a consistncia interna. Sua anlise permite
calcular a correlao entre cada item do teste e o restante ou o total dos
itens. Para isso, utiliza-se mais comumente o coeficiente Alpha de Cronbach,
tendo como casos particulares uma srie de outros coeficientes, tais como o
Rulon, o Guttman-Flanagan e o Kuder-Richardson (Pasquale, 2003). O
coeficiente Alpha varia de zero a 1, onde o zero significa a ausncia total de
consistncia interna dos itens, e o 1 significa a presena de 100% de
consistncia interna. Assim, o coeficiente alpha mostra a congruncia que os
itens tm dentro do mesmo instrumento (Myers e Winters, 2002).
A validade de um instrumento pode ser definida como a sua
capacidade de medir aquilo que ele se prope a medir (Menezes e
Nascimento, 2000) e envolve dois componentes, um conceitual e um
operacional. O primeiro refere-se ao julgamento por parte do pesquisador
sobre a capacidade de o instrumento medir o que deveria ser medido. Esse
julgamento subjetivo, no sendo possvel aferir esse aspecto com mtodos
estatsticos.
A validade operacional envolve uma avaliao sistemtica do
instrumento, geralmente comparando-o com um critrio externo j existente
considerado como padro ouro, freqentemente utilizando mtodos
estatsticos (Almeida Filho et al., 1989).
Segundo Menezes e Nascimento (2000), trs aspectos de validade
podem ser avaliados operacionalmente, constituindo assim, o modelo
trinitrio de validade descrito por Cronbach e Neehl, em 1955:
Reviso da literatura____________________________________________________________
20
Validade de contedo: avalia de forma subjetiva se os
componentes de um instrumento determinam ou representam o
domnio (universo finito de comportamentos) que pretende medir;
Validade de critrio: comparao do resultado obtido pelo novo
instrumento com o de um padro ouro j existente. Costuma-se
distinguir dois tipos de validade de critrio: a preditiva e a concorrente
(diferenciadas, basicamente, por uma questo de tempo entre a
coleta da informao pelo teste a ser avaliado e a coleta da
informao sobre o critrio);
Validade de construo ou construto: ausncia de um padro
ouro estabelecido e reconhecido, havendo a necessidade, portanto,
de comparar os resultados do instrumento em processo de validao
com
parmetros
clnicos
e/ou
laboratoriais
conhecidos,
demonstrando que o instrumento est medindo de forma semelhante
aos parmetros habitualmente usados o que ele se prope a medir.
De um modo geral, a histria do parmetro de validade dividida em
trs perodos, de acordo com a predominncia de um dos tipos de validade:
1 perodo (1900 a 1950): predomnio da Validade de
Contedo;
2 perodo (1950 a 1970): predomnio da Validade de Critrio;
3 perodo (1970 ao presente): predomnio da Validade de
Construto.
Agora, a preocupao com a validao dos instrumentos psicolgicos
se concentra na validade de construto ou dos traos latentes. Ainda mais
Reviso da literatura____________________________________________________________
21
que, atualmente, a tendncia de reduzir o conceito de validade dos testes
psicolgicos validade de construto, sendo o contedo e o critrio apenas
aspectos deste tipo de validade (Pasquali, 2003).
A validade de construto de um teste pode ser trabalhada sob vrios
ngulos: a anlise da representao comportamental do construto (anlise
fatorial e anlise da consistncia interna), a anlise por hiptese (validao
convergente-discriminante), a curva de informao da Teoria de Resposta
ao Item (funes de informao e de eficincia), alm do falsete estatstico
do erro de estimao da Teoria Clssica dos Testes (Pasquali, 2003).
2.4.2 Aspectos envolvidos na traduo de instrumentos
Os instrumentos usados para orientar o diagnstico nos TID so
formulados em outras lnguas que no a portuguesa (ingls, na sua maioria),
direcionados para uso em populaes que falem este idioma. A adaptao
de um instrumento para outra populao muito mais do que um simples
trabalho de traduo e deve seguir alguns passos para que a sua medida
continue sendo validada. Deve ser feita uma avaliao rigorosa de sua
traduo e adaptao transcultural, bem como de suas propriedades de
medidas aps a traduo.
As etapas envolvidas na validao de um instrumento estrangeiro
podem ser resumidas em traduo, avaliao da traduo inicial (backtranslation) e reviso por um comit (Guillemin et al., 1993; Van de Vijver et
al., 1996; Ciconelli et al., 1998).
Reviso da literatura____________________________________________________________
22
2.4.2.1 Traduo
O processo de traduo deve ser realizado por, pelo menos, dois
tradutores ou grupo de tradutores independentes, qualificados e cientes dos
objetivos da traduo.
2.4.2.2 Retro-traduo
A avaliao da traduo inicial (back-translation) realizada pela
retro-verso do instrumento original traduzido para o idioma desejado e,
posteriormente, comparado com a verso original do instrumento. Essa
etapa deve ser realizada por tradutor experiente e, se possvel, da prpria
ascendncia do idioma original.
2.4.2.3 Reviso por um comit
O comit revisor deve ser formado por profissionais especializados na
medida a ser pesquisada pelo instrumento. Nessa etapa, participantes
bilnges so de especial valor. O comit tem por finalidade produzir uma
verso final do instrumento, baseada na traduo e retro-traduo,
comparando os resultados entre si. Essas verses devem ser repetidas
quantas vezes necessrias para obter uma verso final ideal. Durante a
traduo dos instrumentos, alguns aspectos devem ser avaliados:
Reviso da literatura____________________________________________________________
23
equivalncia semntica: avaliao da equivalncia gramatical e
de vocabulrio. Muitas palavras de um idioma podem no possuir
uma traduo adequada para outros idiomas;
equivalncia idiomtica: a traduo de algumas expresses
idiomticas pode se tornar muito complexa e, por isso, muito
importante a ateno para essa situao;
equivalncia cultural: a traduo transcultural eficiente
baseada na escolha de termos na lngua traduzida que sejam
coerentes com as experincias vividas por essa populao,
adequando o mximo possvel o sentido das frases e sentenas.
2.4.3 Principais instrumentos diagnsticos de TID Autismo Infantil
Os instrumentos de diagnstico para autismo consideram duas fontes
principais de informao: as descries dos pais sobre o curso de
desenvolvimento e os padres de comportamento atuais do indivduo e as
informaes da observao direta do comportamento do indivduo pelo
profissional da sade (Saemundsen et al., 2003).
Os instrumentos diagnsticos mais utilizados no perodo entre 1993 e
1997 foram, respectivamente, as observaes diretas, as entrevistas
estruturadas e os questionrios (Waller et al., 1999). De acordo com esta
reviso, dentre os instrumentos diagnsticos mais utilizados esto:
Childhood Autism Rating Scale - CARS (Schopler et al., 1988);
Autism Behavior Checklist - ABC (Krug et al., 1980);
Reviso da literatura____________________________________________________________
24
Autism Diagnostic Interview - ADI (Le Couteur et al., 1989);
Autism Diagnostic Interview-Revised - ADI-R (Lord et al., 1994);
Autism Diagnostic Observation Schedule - ADOS (Lord et al.,
1989).
No Brasil, existem dois instrumentos traduzidos e validados para uso
pela populao brasileira: a Escala DAvaluaci Dels Trets Autistes - ATA (Ballabriga et al., 1994), traduzida e validada por Assumpo et al. (1999), e
o Inventrio de Comportamentos Autsticos - ICA - (Marteleto et al., 2005). O
Quadro 1, na pgina seguinte, resume esses instrumentos diagnsticos.
Reviso da literatura____________________________________________________________
25
Quadro 1 Principais instrumentos diagnsticos de TID Autismo Infantil
Autores
Mtodo
Estrutura
Idade
para uso
Tempo
mdio de
avaliao
Caractersticas
Childhood
Autism
Rating
Scale
(CARS)
Schopler et
al. (1980).
Escala de
avaliao
para
observaes
do
comportamento.
-15 itens;
-Pontuao:
normal a
gravemente
anormal.
Autism
Behavior
Checklist
(ABC)
Krug et al.
(1980).
Escala de
comportamentos noadaptativos.
Observao.
direta/entrevista com
pais ou
cuidadores.
-57 itens;
-Pontuao:
1a4
(normal a
mxima
gravidade).
Acima 18
meses.
De 20 a 30
minutos.
Acima de 18
meses.
At 1 hora.
-> 30
pontos: AI;
-Verso
revisada
associada
ao mtodo
TEACCH;
-Altos graus
de
consistncia
interna e
confiabilidade entre
entrevistadores.
-Avaliao
de
comportamentos
autsticos
em
populao
com retardo
mental;
-Traduzida e
parcialmente
validada
para uso no
Brasil
-Identifica AI
(ponto de
corte 49),
tanto na
clnica
quanto em
contextos
educacionais.
Autism
Diagnostic
Interview
(ADI/ADI-R)
Le Couter et
al. (1989);
Lord et al.
(1994).
Entrevista
semiestruturada
com pais ou
responsveis.
-111 itens;
-Pontuao:
0 a 9 ou
padro
numrico
estabelecido.
Acima de 5
anos.
Mnimo de
1hora e 30
minutos.
-Diagnstico
diferencial
dos TID,
principalmente AI;
-Instrumento
vlido e
confivel
para
diagnosticar
AI em idade
pr-escolar;
-H apenas
verso para
a lngua
portuguesa,
sem
validao.
Autism
Diagnostic
Observation
Schedule
(ADOS)
Lord et al.
(1989).
Escala
Davaluaci
Dels Trets
Autistes
(ATA)
Ballabriga et
al. (1994).
Protocolo
padronizado
de observao
de comportamentos.
Escala de
avaliao
padronizada
fundamentada
na
observao.
-Roteiro com 8
tarefas
apresentadas
pelo
examinador;
-Pontuao:
0 a 2 (normal a
anormalidade
clara).
De 5 a 12
anos.
De 20 a 30
minutos.
-23 subescalas;
-Pontuao:
0 a 2 para
itens positivos.
-Proposto
como
instrumento
complementar
a ADI-R;
-Observao
interativa;
-Observador
avalia a
qualidade do
comportamento social;
- Boas
medidas
psicomtricas
avaliadas.
-Fcil e rpida
aplicao;
Rastreamento
de suspeitos
de AI;
-Fornece o
perfil de
conduta;
-Favorece o
acompanhamento da
evoluo do
quadro;
-Boas medidas
psicomtricas
avaliadas;
-Traduzida e
validada para
o uso no
Brasil.
Acima de 2
anos.
De 20 a 30
minutos.
AI - Autismo Infantil
TEACCH - (Treatment and Education of Autistic and Related Communication Handicapped
Children) -Tratamento e Educao para Autistas e Crianas com Dficits Relacionados
Comunicao (Lewis e Costa de Leon, 1995).
3 OBJETIVOS
3.1 OBJETIVOS GERAIS
Os objetivos gerais deste trabalho so:
1.
Traduo, retro-traduo e adaptao cultural;
2.
Anlise da confiabilidade: reprodutibilidade e consistncia
interna;
3.
Validao
discriminante.
do
contedo,
do
critrio,
do
construto
4 CASUSTICA E MTODOS
4.1 DELINEAMENTO DO ESTUDO
Foi realizado um estudo de validao com 3 grupos de 40 crianas
cada, usando o ASQ (Autism Screenning Questionnaire) ou o SCQ (Social
Communication Questionnaire - verso Lifetime) traduzidos para a lngua
portuguesa.
4.2 CASUSTICA
4.2.1 Seleo da amostra
O perodo de captao dos pacientes durou cerca de 2 meses. No
final dessa etapa, foram selecionados 120 pacientes. Os potenciais
pacientes para o estudo foram encaminhados por 3 clnicas diferentes:
1.
Clnica mdica psiquitrica privada do Prof. Dr. Marcos
Tomanik Mercadante;
2.
Clnica odontolgica privada da Dra. Rosane Lowenthal (os
pacientes foram previamente triados por instituio especializada);
3.
Fundao Amigos dos Autistas (FADA).
Os pacientes foram selecionados pela avaliao clnica realizada por
profissionais experientes nesta rea, sendo esse o padro ouro utilizado
para a confirmao diagnstica dos grupos mencionados. Os diagnsticos
Casustica e mtodos____________________________________________
28
de TID (Autismo Infantil, Transtorno de Asperger e Autismo Atpico),
Sndrome de Down e de Transtornos Psiquitricos (Transtorno de Dficit de
Ateno e Hiperatividade, Transtornos de Ansiedade e Transtorno
Depressivo) tiveram como referncia o DSM-IV-TR.
O Grupo Experimental foi constitudo por 40 pacientes com
diagnstico de TID, incluindo apenas o Transtorno Autstico, os TID sem
outra especificao e o Transtorno do Espectro Autista. Os diagnsticos
foram baseados no DSM-IV e realizados por profissionais com expertise nos
transtornos. No entanto, como no existe validao para a lngua portuguesa
de um instrumento diagnstico confivel, como o ADI-R, no foi realizada
uma avaliao diagnstica standard desses 40 pacientes, com separao
fidedigna por categorias.
O Grupo Controle 1, visando a controlar o desempenho cognitivo,
habitualmente prejudicado nos TID, foi composto por 40 crianas com
diagnstico de Sndrome de Down avaliados pelo ASQ que faziam parte de
um banco de dados existente h 2 anos. Escolheu-se um grupo com essas
caractersticas
em
razo
da uniformidade
de
diagnstico bastante
especfico, com uma caracterstica comum a todos os sujeitos: o retardo
mental. No entanto, no foi realizado um teste para avaliao do coeficiente
de inteligncia para a melhor discriminao e quantificao do retardo
mental.
Mesmo
assim,
constituiu-se
um
grupo
controle
bastante
diferenciado.
O Grupo Controle 2, visando a controlar a possvel interferncia das
comorbidades psiquitricas to freqentes nos TID, foi constitudo por 40
Casustica e mtodos____________________________________________
29
pacientes com o diagnstico de outras patologias psiquitricas que no os
TID e que no apresentassem retardo mental associado. Sendo assim,
foram includos sujeitos com diagnsticos de Transtorno Depressivo,
Transtorno de Dficit de Ateno e Hiperatividade e Transtorno de
Ansiedade.
Foram constitudos, assim, 3 grupos distintos para possibilitar a
distino clara e objetiva dos escores sugeridos ao final do processo de
validao.
4.2.1.1 Perfil dos pacientes
Tabela 2 Sexo por diagnstico (freqncia e %)
DIAGNSTICO
SEXO
TOTAL
Sndrome de
Down
TID
Controle 2
Masculino
22 (55%)
34 (85%)
27 (68%)
83 (69%)
Feminino
18 (45%)
6 (15%)
13 (32%)
37 (31%)
Total
40 (100%)
40 (100%)
40 (100%)
120 (100%)
Tabela 3 Idade por diagnstico
DIAGNSTICO
IDADE
TOTAL
Sndrome de
Down
TID
Controle 2
21 (52%)
22 (55%)
16 (40%)
59 (49%)
17 (43%)
13 (32%)
14 (35%)
44 (37%)
2 (5%)
5 (13%)
10 (25%)
17 (14%)
Total
40 (100%)
40 (100%)
40 (100%)
120 (100%)
Mdia
9,9
9,8
11,1
DP
3,6
4,9
3,6
At 9 anos
De 10 a 14
anos
15 anos ou
mais
Casustica e mtodos____________________________________________
30
4.2.2 Critrios de incluso para os grupos de pacientes
Foram selecionados pacientes de ambos os sexos com idades entre 3
e 30 anos. Para cada um dos grupos, os critrios foram os seguintes:
Grupo Experimental (Grupo TID):
Transtorno Invasivo do Desenvolvimento, incluindo apenas o
Transtorno Autstico, o Transtorno Invasivo do Desenvolvimento SOE
e o Transtorno do Espectro Autista;
Assinatura do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido.
Grupo Controle 1 (Grupo Down):
Retardo Mental em decorrncia da Sndrome de Down;
Assinatura do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido.
Grupo Controle 2:
Transtornos Psiquitricos Primrios (Transtornos Depressivos,
Transtornos de Dficit de Ateno e Hiperatividade e Transtornos de
Ansiedade), sendo o diagnstico realizado seguindo os critrios do
DSM-IV-TR;
Assinatura do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido.
4.2.3 Critrios de excluso para os grupos de pacientes
Os pacientes que no preencheram os critrios acima relacionados
ou que no assinaram o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido foram
excludos do estudo.
Casustica e mtodos____________________________________________
31
4.3 PROCEDIMENTOS
4.3.1 O ASQ - Autism Screening Questionnaire1
Foi utilizado um protocolo para a traduo e validao do ASQ de
acordo com algumas etapas propostas pelo pesquisador executante,
baseado em trabalhos da literatura (Guillemin et al., 1993; Van de Vijver et
al., 1996; Ciconelli et al., 1998) que abordam a metodologia de traduo de
questionrios para outras lnguas que no a original.
4.3.2 Traduo, retro-traduo e reviso por um comit
O Autism Screening Questionnaire (ASQ, Questionrio de Avaliao
de Autismo) ou Social Communication Questionnaire, (SQC, Questionrio de
Comunicao Social), verso Lifetime, foi traduzido de modo sistemtico,
reconstruindo as frases buscando obter coerncia semntica e de contedo.
Depois dessa primeira traduo, a entrevista foi dividida e distribuda entre
profissionais com experincia na rea para reviso da traduo proposta.
Aps a traduo, o instrumento foi submetido a um profissional habilitado
(native speaker) para trabalho de retro-verso lngua inglesa. Depois de
realizada a retro-verso, profissionais com expertise na rea fizeram as
comparaes e os ajustes necessrios nas verses obtidas.
Questionrio de Avaliao de Autismo, verso para o portugus e validao para a
populao brasileira.
Casustica e mtodos____________________________________________
32
Aps a realizao dessas etapas, foi pedida a avaliao do
questionrio nas trs verses apresentadas Lifetime original, traduzida e
retro-traduzida para um Comit Revisor composto por trs psiquiatras
infantis atuantes e com experincia suficiente para sugerir ajustes
necessrios ao processo de traduo e validao do questionrio. A verso
traduzida final, o Questionrio de Avaliao de Autismo, foi aplicada em
todos os responsveis legais pelos pacientes.
4.3.3 Pr-teste
A verso final do instrumento escolhido, traduzido e retro-traduzido,
foi usada em dois estudos iniciais, de caractersticas epidemiolgicas,
durante o processo de validao, considerados como avaliaes pr-testes
(Lowenthal, 2005; Ribeiro, 2007).
4.3.4 Teste
Esta pesquisa foi realizada por contato telefnico com os pais ou
responsveis pelo paciente, pelo pesquisador executante e seus assistentes
aos pacientes dos Grupos Controle 2 e Experimental (TID).
O primeiro contato telefnico ocorreu aps a indicao do
profissional responsvel pelas clnicas acima citadas. O pesquisador
executante e seus assistentes entraram em contato com os responsveis
legais e explicaram que se tratava de uma pesquisa na qual seriam feitas
Casustica e mtodos____________________________________________
33
algumas perguntas sobre o paciente em questo, e que as respostas seriam
do tipo SIM ou NO. Seriam ao total 40 perguntas, envolvendo a histria
pregressa da molstia atual e a situao de vida atual do paciente, e foi
explicado que esse procedimento fazia parte de um questionrio americano
que estava sendo traduzido para a lngua portuguesa, a fim de ser utilizado
no Brasil.
Por fim, era lido o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido,
propondo envi-lo pelo correio para ser devidamente assinado e reenviado
ao pesquisador (a cpia era enviada ao participante j selada). Se o
responsvel concordasse em participar da pesquisa, o questionrio j era
aplicado no momento ou, ento, combinava-se um outro horrio mais
propcio para o responsvel. O tempo mdio para a aplicao do
questionrio, por contato telefnico, foi de 20 minutos.
Os pacientes que compuseram o Grupo Controle 1 (Down) faziam
parte de um banco de dados j existente h dois anos. O questionrio fora
aplicado em forma de auto-preenchimento, no tendo sido lido pelo
entrevistador, mas pelos prprios pais ou responsveis legais pelos
pacientes. As instrues para o preenchimento foram dadas pelo
entrevistador, e cada questionrio levou um tempo mdio de 20 minutos
para ser preenchido.
Foi considerado auto-preenchimento qualquer tcnica, direta ou
indireta, de aplicao do questionrio em que no houvesse a interpretao
ou qualquer explicao sobre o significado das questes do mesmo.
Casustica e mtodos____________________________________________
34
4.3.5 Re-teste
Aps um perodo de 240 dias para os Grupos Controle 2 e
Experimental (TID), e de 730 dias para o Grupo Controle 1 (Down), o
questionrio foi reaplicado numa amostra selecionada ao acaso, pelo
mesmo avaliador, em dez sujeitos de cada grupo.
Nos Grupos Controle 2 e Experimental (TID), o questionrio foi
novamente lido pelo avaliador por contato telefnico, aps a explicao do
procedimento e o consentimento dos responsveis. O procedimento, em
mdia, teve uma durao de 20 minutos.
No Grupo Controle 1 (Down), o questionrio foi aplicado nos pais pelo
avaliador, no compreendendo explicaes sobre as perguntas em sua
dimenso, estabelecendo o padro de auto-preenchimento.
4.4 ASPECTOS TICOS
Esta pesquisa foi aprovada pela Comisso de tica para Anlise de
Projetos de Pesquisa do Hospital das Clnicas da Faculdade de Medicina da
Universidade de So Paulo Protocolo de Pesquisa n 0358/07.
Casustica e mtodos____________________________________________
35
4.5 ANLISE ESTATSTICA
Para a anlise estatstica, foi utilizado o programa computacional
Statistical Package for the Social Science (SPSS), verso 11.5 for
Windows.
Foram feitas as anlises descritivas para as variveis em estudo. Os
dados quantitativos (escore do teste) so apresentados na forma de mdia
Desvio Padro (dp).
Foi calculado o escore mdio de cada diagnstico, e essas mdias
foram comparadas pelo teste ANOVA (Anlise de Varincia) e pelo POSTHOC de Tukey para verificar as diferenas significativas.
O teste ANOVA e o POST-HOC de Tukey foram novamente aplicados
separando as questes pelos trs domnios (comunicao e linguagem,
comportamento e sociabilidade) e individualmente.
O teste ANOVA e o POST-HOC de Tukey tambm foram usados
novamente para comparar os domnios em cada diagnstico.
Todos os testes foram realizados considerando o nvel de
significncia =0.05 ou 5%. Foram utilizadas a Curva ROC e a Regresso
Logstica Multivariada para obter o ponto de corte.
Os coeficientes Alpha de Cronbach (Cronbach, 1951) e KuderRichardson, na sua frmula de nmero 20 (Kuder et al., 1937), foram obtidos
para verificar a consistncia interna do questionrio (total e separado pelos
trs domnios). Como em McKinley (1997), consideraremos Alpha maior ou
igual a 0,6 como uma validade interna satisfatria.
Casustica e mtodos____________________________________________
36
Uma medida de confiabilidade (ou reprodutibilidade) do questionrio
foi dada pelo coeficiente Kappa de Cohen (Cohen, 1960). Rietveld e Hout
(1993) consideram valores entre 0,20 e 0,40 como baixa concordncia,
valores compreendidos entre 0,4 a 0,6 como concordncia moderada e
Kappa maior que 0,6 como concordncia alta.
Foi realizada uma anlise fatorial exploratria utilizando o mtodo de
componentes principais e a rotao Varimax.
5 RESULTADOS
Para facilitar a nomenclatura e a interpretao dos dados obtidos,
optou-se por chamar o Grupo Controle 1 de Grupo Down, o Grupo 2, de
Grupo Controle 2, e o Grupo Experimental, de Grupo TID.
5.1 PERFIL DOS ESCORES MDIOS POR GRUPOS
Tabela 4 Teste das mdias dos escores do teste segundo o diagnstico
DIAGNSTICO
Down
TID
Controle 2
N
40
40
40
CRUZAMENTOS
(a)x(b)
Down - TID
Down - Controle 2
TID - Controle 2
MDIA
DP
9
4,2
21,7
5,4
7,2
4,1
POST-HOC
DIFERENA DAS
MDIAS
(a-b)
-12,7
1,8
14,5
p*
116,71
< 0,00
p**
< 0,001
0,203
< 0,001
O escore mdio do teste foi diferente segundo o diagnstico. Nos
indivduos do Grupo Controle 2, o escore mdio foi de 7,2 (dp 4,1); 9 (dp 4,2)
para o diagnstico de Sndrome de Down; e 21,7 (dp 5,4) no diagnstico de
TID. O teste ANOVA confirma que existe diferena significativa entre essas
mdias (F=116,707; p < 0,001).
Realizando o teste Post-Hoc, observou-se que somente o Grupo
Experimental (TID) apresentou um escore mdio significativamente maior
Resultados____________________________________________________________________
38
que os demais (p <0,001). O Grupo Controle 1, de Sndrome de Down,
apresentou um escore mdio um pouco maior que o Grupo Controle 2,
porm essa diferena no significativa (p=0,203).
5.2 ESTIMATIVAS DOS ESCORES DE CORTE POR MODELO
NO-PARAMTRICO
5.2.1 Curva ROC
A curva ROC (Receiver Operating Characteristics) uma tcnica
indicada para escolher pontos de corte mais adequados de um determinado
teste. Essa curva indica os diferentes pontos de corte do teste ou escore,
segundo seus nveis de sensibilidade (eixo Y) e especificidade (eixo X).
Anteriormente, foi visto que o grupo Controle 2 apresentou o menor escore
mdio. Assim, obteve-se, a partir da curva ROC, um corte inferior nos
escores para classificar indivduos neste grupo, explicitados na Tabela 5, na
prxima pgina.
Resultados____________________________________________________________________
Tabela 5 Coordenadas da Curva ROC para o Grupo Controle 2
CONTROLE OU ESCORE
MENOR OU IGUAL A
1
2,5
3,5
4,5
5,5
6,5
7,5
8,5
9,5
10,5
11,5
12,5
13,5
14,5
15,6
16,5
17,5
18,5
19,5
20,5
21,5
22,5
23,5
24,5
26
27,5
28,5
29,5
31
33,5
36
SENSIBILIDADE
ESPECIFICIDADE
0
0,075
0,15
0,35
0,45
0,5
0,575
0,65
0,7
0,825
0,875
0,9
0,925
0,95
0,95
0,95
0,975
0,975
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
0,988
0,975
0,938
0,875
0,863
0,8
0,763
0,713
0,675
0,638
0,588
0,513
0,488
0,463
0,438
0,413
0,387
0,3
0,238
0,225
0,188
0,162
0,15
0,137
0,1
0,075
0,037
0,025
0,012
0
39
Resultados____________________________________________________________________
40
Figura 1 Curva ROC do escore do teste
Grupo Controle 2 o grupo de referncia (rea sob a curva = 0,812; p<0,001).
Podemos ver que no possvel, neste caso, definir um ponto de
corte inferior que tenha um bom nvel de sensibilidade e especificidade. Isso
se deve ao fato de os diagnsticos de Sndrome de Down e do grupo
Controle 2 apresentarem escores mdios no significativamente diferentes,
dificultando, assim, a discriminao entre esses dois diagnsticos por meio
do escore do teste.
No entanto, na Tabela 5, ao ser definido, por exemplo, o ponto de
corte 7,5 (isto , classificamos o indivduo como Controle 2 se ele obtm um
escore menor ou igual a 7) tem-se uma sensibilidade de 57,5%, e uma
especificidade de 80%.
Resultados____________________________________________________________________
41
Para a definio de um ponto de corte superior, foi realizado o mesmo
procedimento com o grupo TID. Assim temos, para o Grupo Experimental,
as coordenadas da Curva ROC explicitadas na Tabela 6.
Tabela 6 Coordenadas da Curva ROC para diagnstico do Grupo
Experimental
TID SE ESCORE MAIOR
OU IGUAL A
1
2,5
3,5
4,5
5,5
6,5
7,5
8,5
9,5
10,5
11,5
12,5
13,5
14,5
15,5
16,5
17,5
18,5
19,5
20,5
21,5
22,5
23,5
24,5
26,0
27,5
28,5
29,5
31
33,5
36
SENSIBILIDADE
ESPECIFICIDADE
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
0,975
0,925
0,875
0,825
0,800
0,750
0,575
0,450
0,425
0,350
0,300
0,300
0,275
0,200
0,150
0,075
0,050
0,025
0
0
0,050
0,100
0,238
0,350
0,388
0,488
0,563
0,638
0,738
0,800
0,863
0,938
0,950
0,950
0,950
0,975
0,975
0,988
0,988
0,988
0,988
0,988
1
1
1
1
1
1
1
1
Resultados____________________________________________________________________
42
Figura 2 Curva ROC do escore do teste
Diagnstico TID o grupo de referncia (rea sob a curva = 0,981; p<0,001).
Na Tabela 6, ao ser definido, por exemplo, o ponto de corte 14,5 (isto
, classificamos o indivduo como TID se ele obtm um escore maior ou
igual a 15) tem-se uma sensibilidade de 92,5% e uma especificidade de
95,0%.
Logo, pela curva ROC, verificou-se que o teste eficaz, com altos
ndices de sensibilidade e especificidade para identificar indivduos suspeitos
de TID. No entanto, ele no capaz de discriminar entre os grupos Controle
e Down.
Resultados____________________________________________________________________
43
A anlise dos dados baseada na curva ROC sugere as possveis
notas de corte:
Anlise A Anlise dos dados baseada na Curva ROC
ESCORE
DIAGNSTICO
SENSIBILIDADE
ESPECIFICIDADE
At 7
Controle
57,5%
80,0%
8 a 14
Down
55,0%
77,5%
15 ou mais
TID
92,5%
95,0%
Tabulao cruzada A
DIAGNSTICO
ESCORE
DOWN
TID
23
15
2
40
16
22
2
40
0
3
37
40
<=7
8 - 14
> = 15
TOTAL
P ( score 7 | Controle) =
23
= 0,575
40
P ( score > 7 | No Controle) =
P (8 score 14 | Down) =
(22 + 2) + (3 + 37)
= 0,8000
40 + 40
22
= 0,5500
40
P ( score < 8 ou > 14 | No Down) =
P ( score 15 | TID) =
39
40
41
120
SENSIBILIDADE
ESPECIFICIDADE
SENSIBILIDADE
(23 + 2) + (0 + 37)
= 0,7750 ESPECIFICIDADE
40 + 40
37
= 0,925
40
P ( score < 15 | No TID) =
TOTAL
CONTROLE
(23 + 15) + (16 + 22)
= 0,9500
40 + 40
SENSIBILIDADE
ESPECIFICIDADE
Resultados____________________________________________________________________
44
VALOR PREDITIVO POSITIVO: probabilidade de um indivduo, caso
identificado com determinado instrumento, ser de fato positivo (verdadeiro
positivo). Por ex: probabilidade de um indivduo realmente ter TID, dado
que o teste o classificou como TID.
VALOR PREDITIVO NEGATIVO: probabilidade de um resultado negativo
obtido com um determinado instrumento ser de fato negativo (verdadeiro
negativo). Por exemplo: probabilidade de um indivduo no ter TID, dado
que o teste o classificou como no TID.
Assim, para as notas de cortes sugeridas acima, temos:
Controle
P (Controle | score 7) =
23
= 0,5897
39
P ( No Controle | score > 7) =
(22 + 2) + (3 + 37)
= 0,7901
40 + 41
V. PRED. POSITIVO
V. PRED. NEGATIVO
Down
P ( Down | 8 score 14) =
22
= 0,5500
40
P ( No Down | score < 8 ou > 14) =
V. PRED. POSITIVO
(23 + 2) + (0 + 37)
= 0,7750 V.PRED.NEGATIVO
39 + 41
Resultados____________________________________________________________________
45
TID
P (TID | score 15) =
37
= 0,920
41
P ( No TID | score < 15) =
V. PRED. POSITIVO
(23 + 15) + (16 + 22)
= 0,9620
39 + 40
V. PRED. NEGATIVO
5.3 ESTIMATIVAS DOS ESCORES DE CORTE POR MODELO
PARAMTRICO
5.3.1 Regresso Logstica
A tcnica da regresso logstica permite predizer o diagnstico por
meio dos escores do teste. Como este estudo optou por 3 diagnsticos,
realizou-se o uso da Regresso Logstica Multivariada (Hosmer e
Lemeshow, 2000).
Tabela 7 Estimativa dos parmetros do Modelo de Regresso Logstica
ESTIMATIVA
ERRO
PADRO
INTERCEPTO
-0,018
0,527
0,081
ESCORE
0,114
0,059
0,055
INTERCEPTO
-8,962
1,826
< 0,001*
ESCORE
0,655
0,126
< 0,001*
DOWN
TID
*Significativo ao nvel de 5%
Grupo controle 2 o nvel de referncia
Resultados____________________________________________________________________
46
Percebe-se que o modelo logstico tambm no foi capaz de
discriminar entre os grupos Controle 2 e Down, pois os parmetros de
regresso do grupo Down resultaram no significativos (intercepto: p=0,081;
escore: p=0,055).
Tabela 8 Classificao
PREDITO
DOWN
TID
CONTROLE
CLASSIFICAO
CORRETA
DOWN
19
19
47,50%
TID
37
92,50%
26
65,00%
41
45
68,30%
CONTROLE
TOTAL
12
34
Como era esperado, o modelo no conseguiu classificar corretamente
os grupos Controle 2 e Down.
Resultados____________________________________________________________________
47
Tabela 9 Probabilidades de classificao segundo o escore do teste obtidas
por meio do Modelo de Regresso Logstica Mltiplo
ESCORE
0
1
2
3
4
5
6
7
8
9
10
11
12
13
14
15
16
17
18
19
20
21
22
23
24
25
26
27
28
29
30
31
32
33
34
35
36
37
38
39
40
POSSIBILIDADE DE CLASSIFICAO
DOWN
TID
CONTROLE
0,285
0,309
0,334
0,36
0,386
0,413
0,44
0,467
0,493
0,516
0,534
0,544
0,541
0,517
0,469
0,396
0,308
0,221
0,148
0,094
0,058
0,035
0,021
0,012
0,007
0,004
0,002
0,001
0,001
0
0
0
0
0
0
0
0
0
0
0
0
0
0
0
0,001
0,001
0,002
0,004
0,007
0,012
0,022
0,038
0,067
0,115
0,188
0,293
0,425
0,568
0,7
0,805
0,879
0,927
0,957
0,975
0,986
0,992
0,995
0,997
0,998
0,999
0,999
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
0,715
0,691
0,666
0,64
0,613
0,585
0,556
0,526
0,495
0,463
0,428
0,389
0,345
0,294
0,238
0,179
0,124
0,08
0,048
0,027
0,015
0,008
0,004
0,002
0,001
0,001
0
0
0
0
0
0
0
0
0
0
0
0
0
0
0
Resultados____________________________________________________________________
48
Figura 3 Probabilidades de classificao segundo escore
Logo, pela regresso logstica mltipla, verifica-se que o teste eficaz
(com alto ndice de classificao correta) na identificao de indivduos
suspeitos de TID. No entanto, ele no foi capaz de discriminar entre o
diagnstico de Down e o grupo Controle.
A anlise dos dados baseada na Regresso Logstica sugere as
possveis notas de corte:
Resultados____________________________________________________________________
49
Anlise B Anlise dos dados baseada na Regresso Logstica
ESCORE
DIAGNSTICO
At 8
Controle 2
9 a 14
15 ou +
CLASSIFICAO
SENSIBILIDADE
ESPECIFICIDADE
47,5%
65,0%
76,3%
Down
92,5%
47,5%
81,3%
TID
65,0%
92,5%
95,0%
CORRETA
Tabulao cruzada B
DIAGNSTICO
ESCORE
DOWN
TID
26
12
2
40
19
19
2
40
0
3
37
40
<=8
8 14
> = 15
TOTAL
P ( score 8 | Controle) =
26
= 0,6500
40
P ( score > 8 | No Controle) =
P (9 score 14 | Down) =
(19 + 2) + (3 + 37)
= 0,7625
40 + 40
19
= 0,4750
40
P ( score < 9 ou > 14 | No Down) =
P ( score 15 | TID) =
45
34
41
120
SENSIBILIDADE
ESPECIFICIDADE
SENSIBILIDADE
(26 + 2) + (0 + 37)
= 0,8125 ESPECIFICIDADE
40 + 40
37
= 0,925
40
P ( score < 15 | No TID) =
TOTAL
CONTROLE
(23 + 15) + (16 + 22)
= 0,9500
40 + 40
SENSIBILIDADE
ESPECIFICIDADE
Resultados____________________________________________________________________
50
Controle
P (Controle | score 8) =
26
= 0,5778
45
P ( No Controle | score > 8) =
(19 + 2) + (3 + 37)
= 0,8133
34 + 41
V. PRED. POSITIVO
V. PRED. NEGATIVO
Down
P ( Down | 9 score 14) =
19
= 0,5588
34
P ( No Down | score < 8 ou > 14) =
V. PRED. POSITIVO
(26 + 2) + (0 + 37)
= 0,7558 V. PRED. NEGATIVO
45 + 41
TID
P (TID | score 15) =
37
= 0,920
41
P ( No TID | score < 15) =
(23 + 15) + (16 + 22)
= 0,9620
39 + 40
V. PRED POSITIVO
V. PRED. NEGATIVO
5.4 AGRUPANDO O DIAGNSTICO DE DOWN E O GRUPO CONTROLE
Considerando que o instrumento no foi capaz de discriminar o grupo
Controle 2 do grupo Down, os dados foram re-analisados com esses dois
grupos colapsados como TID.
Resultados____________________________________________________________________
5.4.1 Perfil dos pacientes
Tabela 10 Sexo por diagnstico (freqncia e %)
DIAGNSTICO
SEXO
TOTAL
TID
TID
Masculino
34 (85%)
27 (68%)
83 (69%)
Feminino
6 (15%)
13 (32%)
37 (31%)
Total
40 (100%)
40 (100%)
120 (100%)
Tabela 11 Idade por diagnstico
DIAGNSTICO
IDADE
TOTAL
TID
TID
37 (46%)
22 (55%)
59 (49%)
31 (39%)
13 (32%)
44 (37%)
12 (15%)
5 (13%)
17 (14%)
Total
80 (100%)
40 (100%)
120 (100%)
Mdia
10,5
9,8
DP
3,6
4,9
At 9 anos
De 10 a 14
anos
15 anos ou
mais
51
Resultados____________________________________________________________________
52
5.4.2 Perfil dos escores mdios por grupos
Tabela 12 Teste das mdias dos escores do teste segundo o diagnstico
DIAGNSTICO
MDIA
DP
TID
80
8,1
4,2
TID
40
21,7
5,4
p*
-13,848
< 0,001
* Teste t para diferena de mdias assumindo varincias diferentes (teste de igualdade de
varincia de Levene; p=0,038).
Nos indivduos com TID, o escore mdio foi de 21,7 (dp 5,4), e para
o grupo TID, 8,1 (dp 4,2). O teste t confirmou que existe diferena
significativa entre essas mdias (t = 13,848; p < 0,001).
5.5 ESTIMATIVAS DOS ESCORES POR MODELO NO-PARAMTRICO
5.5.1 Curva ROC
Como descrito anteriormente, o diagnstico TID apresentou a maior
pontuao mdia. Assim, esse grupo foi utilizado, a partir da curva ROC,
para obteno de um corte superior nos escores para classificar indivduos
neste grupo.
Resultados____________________________________________________________________
53
Tabela 13 Coordenadas da Curva ROC para diagnstico TID
TID SE ESCORE MAIOR
OU IGUAL A
1
2,5
3,5
4,5
5,5
6,5
7,5
8,5
9,5
10,5
11,5
12,5
13,5
14,5
15,5
16,5
17,5
18,5
19,5
20,5
21,5
22,5
23,5
24,5
26
27,5
28,5
29,5
31
33,5
36
SENSIBILIDADE
ESPECIFICIDADE
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
0,975
0
0,05
0,1
0,238
0,35
0,388
0,488
0,563
0,638
0,738
0,8
0,863
0,938
0,925
0,875
0,825
0,8
0,75
0,575
0,45
0,425
0,35
0,3
0,3
0,375
0,2
0,15
0,075
0,05
0,025
0,95
0,95
0,95
0,975
0,975
0,988
0,988
0,988
0,988
0,988
1
1
1
1
1
1
1
Resultados____________________________________________________________________
54
Figura 4 Curva ROC do escore do teste
Diagnstico TID o grupo de referncia (rea sob a curva = 0,981; p <0,001).
A Tabela 13 mostra que, ao definir, por exemplo, o ponto de corte
14,5 (isto , classifica-se o indivduo com TID se ele obtm um escore maior
ou igual a 15) tem-se uma sensibilidade de 92,5% e uma especificidade de
95,0%.
Resultados____________________________________________________________________
55
Dessa maneira, a curva ROC mostra que o questionrio foi eficaz,
com altos ndices de sensibilidade e especificidade, para identificar
indivduos suspeitos de TID.
Anlise C Anlise dos dados baseada na Curva ROC
ESCORE
DIAGNSTICO
SENSIBILIDADE
ESPECIFICIDADE
At 14
TID
65,0%
76,3%
15 ou +
TID
92,5%
95,0%
Tabulao cruzada C
DIAGNSTICO
ESCORE
TID
76
4
3
37
79
41
80
40
120
At 14
> = 15
TOTAL
P ( score 15 | TID) =
37
= 0,925
40
P ( score < 15 | No TID) =
P (TID | score 15) =
76
= 0,9500
80
37
= 0,920
41
P ( No TID | score < 15) =
TOTAL
TID
76
= 0,9620
79
SENSIBILIDADE
ESPECIFICIDADE
V. PRED. POSITIVO
V. PRED. NEGATIVO
Resultados____________________________________________________________________
56
5.6 ESTIMATIVAS DOS ESCORES POR MODELO PARAMTRICO
5.6.1 Regresso Logstica
Com o agrupamento dos 2 Grupos Controle em 1, a Regresso
Logstica Binria foi aplicada (Hosmer e Lemeshow, 2000).
Tabela 14 Estimativa dos parmetros do Modelo de Regresso Logstica
ERRO
ESTIMATIVA
p
PADRO
INTERCEPTO
-8,975
1,761
< 0,001*
ESCORE
0,578
0,115
<0,001*
TID
* Significativo ao nvel de 5%. Grupo Controle TID o nvel de referncia.
Pode-se perceber que o modelo logstico discriminou adequadamente
os indivduos com TID.
Tabela 15 Classificao
PREDITO
TID
TID
CONTROLE
76
CLASSIFICAO
CORRETA
95,00%
TID
35
87,50%
TOTAL
81
39
92,50%
Resultados____________________________________________________________________
57
Tabela 16 Probabilidades de classificao segundo os escores do teste
obtidas por meio do Modelo de Regresso Logstica
POSSIBILIDADE DE CLASSIFICAO
ESCORE
0
1
2
3
4
5
6
7
8
9
10
11
12
13
14
15
16
17
18
19
20
21
22
23
24
25
26
27
28
29
30
31
32
33
34
35
36
37
38
39
40
TID
TID
1
1
1
0,999
0,999
0,998
0,996
0,993
0,987
0,978
0,961
0,932
0,885
0,812
0,707
0,576
0,432
0,299
0,193
0,118
0,070
0,041
0,023
0,013
0,007
0,004
0,002
0,001
0,001
0
0
0
0
0
0
0
0
0
0
0
0
0
0
0
0,001
0,001
0,002
0,004
0,007
0,013
0,022
0,039
0,068
0,115
0,188
0,293
0,424
0,568
0,701
0,807
0,882
0,930
0,959
0,977
0,987
0,993
0,996
0,998
0,999
0,999
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
Resultados____________________________________________________________________
58
Figura 5 Probabilidade de classificao segundo escore
Pela Regresso Logstica, verificou-se que o questionrio foi eficaz,
com alto ndice de classificao correta, na identificao de indivduos
suspeitos de TID. Os seguintes pontos de corte ficam sugeridos:
Resultados____________________________________________________________________
59
Anlise D Anlise dos dados baseada na Regresso Logstica
ESCORE
DIAGNSTICO
CLASSIFICAO
At 15
Controle 2
95,0%
16 ou +
TID
87,5%
Tabulao cruzada D
DIAGNSTICO
TOTAL
TID
TID
At 14
76
79
> = 15
37
41
80
40
120
ESCORE
TOTAL
P ( score 16 | TID ) =
35
= 0,8750
40
P ( score < 16 | No TID) =
P (TID | score 16) =
76
= 0,9500
80
35
= 0,8974
39
P ( No TID | score < 16) =
76
= 0,9383
81
SENSIBILIDADE
ESPECIFICIDADE
V. PRED. POSITIVO
V. PRED. NEGATIVO
Resultados____________________________________________________________________
60
5.7 SEPARANDO AS QUESTES POR CATEGORIA
5.7.1 Linguagem e Comunicao
O questionrio apresenta 13 questes direcionadas comunicao. A
anlise dessas questes, comparando os grupos, apresentada a seguir.
Tabela 17 Teste das mdias dos escores das questes de Linguagem e
Comunicao (13 questes) segundo o diagnstico
DIAGNSTICO
Down
TID
Controle 2
N
40
40
40
MDIA
4,7
7,9
3,6
DP
2
2,3
2,1
p*
42,827
< 0,001
POST-HOC
CRUZAMENTOS
(a)x(b)
Down - TID
Down - Controle 2
TID - Controle 2
DIFERENA DAS
MDIAS
(a-b)
-3,2
1,1
4,3
p**
< 0,001
0,065
< 0,001
* Teste ANOVA para diferena de mdias
** Teste de Tukey
O escore mdio das questes de Linguagem e Comunicao foi
diferente segundo o diagnstico. Nos indivduos do grupo Controle 2, o
escore mdio foi de 3,6 (dp 2,1); 4,7 (dp 2,0) para o diagnstico de
Sndrome de Down; e 7,9 (dp 2,3) no diagnstico de TID. O teste ANOVA
confirma que existe diferena significativa entre essas mdias (F = 42,827; p
< 0,001). Realizando o teste Post-Hoc, foi observado que o grupo TID
Resultados____________________________________________________________________
61
apresentou um escore mdio nessas questes significativamente maior do
que os grupos Down e Controle 2 (p <0,001 e p <0,001, respectivamente).
5.7.2 Comportamento
questionrio
apresenta
questes
direcionadas
ao
Comportamento. A anlise dessas questes comparando os grupos
apresentada a seguir.
Tabela 18 Teste das mdias dos escores das questes de Comportamento
(8 questes) segundo o diagnstico
DIAGNSTICO
Down
TID
Controle 2
N
40
40
40
MDIA
1,8
3,9
1
DP
1,8
1,4
0,9
p*
42,224
< 0,001
POST-HOC
CRUZAMENTOS
(a)x(b)
Down - TID
Down - Controle 2
TID - Controle 2
DIFERENA DAS
MDIAS
(a-b)
-2,1
0,8
2,9
p**
< 0,001
0,036
< 0,001
* Teste ANOVA para diferena de mdias
** Teste de Tukey
O escore mdio das questes de Comportamento foi diferente
segundo o diagnstico. Nos indivduos do grupo Controle 2, o escore mdio
foi de 1,0 (dp 0,9); 1,8 (dp 1,8) para o diagnstico de Sndrome de Down; e
3,9 (dp 1,4) no diagnstico de TID. O teste ANOVA confirma que existe
diferena significativa entre essas mdias (F = 42,224; p < 0,001).
Realizando o teste Post-Hoc, pode-se observar que somente o grupo
TID apresentou um escore mdio significativamente maior do que os demais
Resultados____________________________________________________________________
62
(p < 0,001 para o grupo Controle 2, e p < 0,001 para o grupo Down). O
diagnstico de Sndrome de Down apresentou um escore mdio
significativamente maior que o grupo Controle 2 ( p = 0,036 ).
5.7.3 Sociabilidade
O questionrio apresenta 15 questes direcionadas Sociabilidade. A
anlise dessas questes comparando os grupos apresentada a seguir.
Tabela 19 Teste das mdias dos escores das questes de Sociabilidade (21
questes) segundo o diagnstico
DIAGNSTICO
Down
TID
Controle 2
N
40
40
40
MDIA
2,2
8,3
2,2
DP
1,9
2,9
2
p*
93,088
< 0,001
POST-HOC
CRUZAMENTOS
(a)x(b)
Down - TID
Down - Controle 2
TID - Controle 2
DIFERENA DAS
MDIAS
(a-b)
-6,1
0
6,1
p**
< 0,001
0,999
< 0,001
* Teste ANOVA para diferena de mdias
** Teste de Tukey
O escore mdio das questes de Sociabilidade foi diferente segundo
o diagnstico. Nos indivduos do grupo Controle 2, o escore mdio foi de 2,2
(dp 2,0); 2,2 (dp 1,9) para o diagnstico de Sndrome de Down; e 8,3 (dp
2,9) no diagnstico de TID. O teste ANOVA confirma que existe diferena
significativa entre essas mdias (F = 93,088; p < 0,001). Realizando o teste
Post-Hoc, foi observado que somente o grupo TID apresentou um escore
mdio significativamente maior do que os grupos Controle 2 e Down
Resultados____________________________________________________________________
63
(p<0,001 e p<0,001, respectivamente). O diagnstico de Sndrome de Down
e o grupo Controle 2 apresentaram escores mdios iguais (p = 0,999).
5.8 ANALISANDO AS QUESTES SEPARADAMENTE
Tabela 20 - Freqncia de respostas positivas (resposta 1) em cada questo,
de acordo com o diagnstico
QUESTO
2
3
4
5
6
7
8
9
10
11
12
13
14
15
16
17
18
19
20
21
22
23
24
25
26
27
28
29
30
31
32
33
34
35
36
37
38
39
40
DOWN (n = 40)
27 b
2b
16
13
8c
8
18 c
19 c
1b
11 b,c
7b
7
4 b,c
5b
12 b,c
5b
2b
3b
16 b
16 b
25 c
15
9b
14 b
4b
1b
8b
13 b
4b
6b
3b
1b
11 b
14 b
7b
3b
5b
10 b
5b
DIAGNSTICO
TID (n = 40)
CONTROLE 2 (n = 40)
23 b
2 a,c
4b
17 a,c
9b
20 c
16
16
0 a,b
15 c
6
12
8a
15
5 a,b
20 c
4b
13 a,c
1 a,b
23 a,c
4b
23 a,c
4
12
13 a
19 a
1b
25 a,c
3 a, b
25 a,c
4b
23 a,c
6b
19 a,c
2b
15 a,c
12 b
30 a,c
19 b
30 a,c
14 a,b
32 c
11
18
7b
26 a,c
7b
27 a, c
8b
22 a,c
4b
21 a,c
8b
18 a,c
9b
27 a,c
5b
21 a,c
9b
23 a,c
9
14 a
1b
8 a,c
8b
32 a,c
13 b
32 a, c
9b
33 a,c
3b
24 a,c
7b
23 a,c
7b
37 a,c
6b
34 a,c
p
< 0,001
< 0,001
0,037
0,726
< 0,001
0,253
0,054
0,001
< 0,001
< 0,001
< 0,001
0,072
< 0,001
< 0,001
< 0,001
< 0,001
< 0,001
< 0,001
< 0,001
0,004
< 0,001
0,265
< 0,001
< 0,001
< 0,001
< 0,001
0,017
< 0,001
< 0,001
< 0,001
0,011
0,005
< 0,001
< 0,001
< 0,001
< 0,001
< 0,001
< 0,001
< 0,001
a: significativamente diferente do Grupo Down; b: significativamente diferente do grupo TID; c:
significativamente diferente do grupo Controle 2.
Resultados____________________________________________________________________
64
As questes 5 ,7, 13 e 23 no apresentaram prevalncia (ou
ausncia) significativa da resposta 1 em algum diagnstico (p > 0,05),
sendo, portanto, as questes com menor poder de classificao. Foi
utilizado o teste Qui-Quadrado para realizar as comparaes de freqncias.
5.9 COMPARAO ENTRE AS QUESTES DE LINGUAGEM,
COMPORTAMENTO E SOCIABILIDADE
A seguir, so apresentadas as comparaes entre os trs domnios
intra-grupo.
5.9.1 Sndrome de Down
Tabela 21 Teste das mdias dos percentuais das questes do teste para
indivduos com Sndrome de Down segundo a categoria da questo
CATEGORIA DA
QUESTO
Linguagem
(13 questes)
Comportamento
(8 questes)
Sociabilidade
(15 questes)
NMERO DE
INDIVDUOS
PERCENTUAL
MDIO
DP
40
35,96
15,72
40
22,5
22,32
40
14,67
12,47
p*
14,454
< 0,001
POST-HOC
CRUZAMENTOS
DIFERENA DOS
(a)x(b)
PERCENTUAIS (a-b)
Linguagem - Comportamento
13,46
Linguagem - Sociabilidade
21,29
Comportamento - Sociabilidade
7,83
* Teste ANOVA para diferena de mdias
** Teste de Tukey
p**
0,002
< 0,001
0,112
Resultados____________________________________________________________________
65
5.9.2 Transtorno Invasivo do Desenvolvimento
Tabela 22 Teste das mdias dos percentuais das questes do teste para
indivduos com Transtorno Invasivo do Desenvolvimento segundo a categoria
da questo
CATEGORIA DA
QUESTO
Linguagem
(13 questes)
Comportamento
(8 questes)
Sociabilidade
(15 questes)
NMERO DE
INDIVDUOS
PERCENTUAL
MDIO
DP
40
60,77
18
40
48,13
18,03
40
55
19,02
p*
4,757
0,010
POST-HOC
CRUZAMENTOS
DIFERENA DOS
(a)x(b)
PERCENTUAIS (a-b)
Linguagem - Comportamento
12,64
Linguagem - Sociabilidade
5,77
Comportamento - Sociabilidade
-6,88
* Teste ANOVA para diferena de mdias
** Teste de Tukey
p**
0,007
0,341
0,219
5.9.3 Grupo Controle 2
Tabela 23 Teste das mdias dos percentuais das questes do teste para
indivduos do Grupo Controle 2 segundo a categoria da questo
CATEGORIA DA
QUESTO
Linguagem
(13 questes)
Comportamento
(8 questes)
Sociabilidade
(15 questes)
NMERO DE
INDIVDUOS
PERCENTUAL
MDIO
DP
40
27,5
16,33
40
12,5
11,67
40
14,83
13,37
p*
13,437
< 0,001
POST-HOC
CRUZAMENTOS
DIFERENA DOS
(a)x(b)
PERCENTUAIS (a-b)
Linguagem - Comportamento
15
Linguagem - Sociabilidade
12,67
Comportamento - Sociabilidade
-2,33
* Teste ANOVA para diferena de mdias
** Teste de Tukey
p**
< 0,001
< 0,001
0,735
Resultados____________________________________________________________________
66
5.10 ALPHA DE CRONBACH E KUDER-RICHARDSON-20
A seguir, so apresentados os resultados da consistncia interna do
instrumento por meio dos testes dos coeficientes de alfa de Cronbach e de
Kuder-Richardson (Kuder et al., 1937), frmula de nmero 20 KR-20.
Tabela 24 - Valores do Alpha de Cronbach e do KR-20
TIPOS DAS
NMEROS DAS
ALPHA DE
QUESTES
QUESTES
CRONBACH
KR-20
Linguagem
13
0,682
0,685
Comportamento
0,621
0,625
Sociabilizao
15
0,838
0,84
TOTAL
39
0,895
0,896
Com base em Bland et al. (1997), consideraremos Alpha maior ou
igual a 0,6 como uma consistncia interna satisfatria. O questionrio
apresentou consistncia interna satisfatria com valor Alpha igual a 0,895
(KR-20 = 0,896) para o questionrio total, e valores entre 0,621 e 0,838
(0,625 a 0,840 no caso do KR-20) para as questes separadas por
domnios.
5.11 KAPPA DE COHEN
A seguir, so apresentados os resultados da confiabilidade do
instrumento por meio do teste Kappa (Cohen, 1950). O Grupo Down e o
Grupo Experimental (TID) foram submetidos ao re-teste aps 240 dias, e o
Grupo Controle 2, aos 730 dias do teste, aproximadamente.
Resultados____________________________________________________________________
Tabela 25 Valores de Kappa
QUESTO
N
2
3
4
5
6
7
8
9
10
11
12
13
14
15
16
17
18
19
20
21
22
23
24
25
26
27
28
29
30
31
32
33
34
35
36
37
38
39
40
29
29
29
29
29
29
29
30
30
30
30
30
30
30
30
30
30
30
30
30
30
30
30
30
30
30
30
30
30
30
30
30
30
30
30
30
30
30
30
KAPPA
0,644
0,657
0,707
0,374
0,758
0,485
0,696
0,426
0,889
0,561
0,830
0,630
0,083
0,089
0,927
0,830
0,792
0,706
0,675
0,583
0,426
0,661
0,598
0,533
0,923
0,706
0,831
0,729
0,814
0,571
0,627
0,630
0,634
0,722
0,791
0,902
0,918
0,923
0,851
< 0,001
< 0,001
< 0,001
0,045
< 0,001
0,008
< 0,001
0,019
< 0,001
0,001
< 0,001
0,001
< 0,001
< 0,001
< 0,001
< 0,001
< 0,001
< 0,001
< 0,001
0,001
0,02
< 0,001
0,001
0,003
< 0,001
< 0,001
< 0,001
< 0,001
< 0,001
0,001
0,001
0,001
< 0,001
< 0,001
< 0,001
< 0,001
< 0,001
< 0,001
< 0,001
67
Resultados____________________________________________________________________
68
Di Eugenio et al. (2004) consideram um valor entre 0,20 a 0,40 como
uma baixa concordncia; 0,4 a 0,6, como uma concordncia moderada, e
Kappa maior que 0,6 como uma concordncia alta.
Questo com concordncia baixa: 5;
Questes com concordncia moderada: 7, 9, 11, 21, 22, 24, 25
e 31;
Questes com concordncia alta: as demais.
5.11.1 Grupo Controle 1 (Sndrome de Down)
importante observar que o Kappa no pde ser calculado nos casos
em que todas as respostas foram iguais (0 ou 1) no teste ou re-teste. Um
valor negativo do Kappa representa um grau de discordncia entre o teste e
re-teste (resultado ruim). Na pgina seguinte, a Tabela 26 so apresentados
os resultados da confiabilidade do instrumento.
Resultados____________________________________________________________________
Tabela 26 Valores de Kappa para o Grupo Down no re-teste
QUESTO
N
KAPPA
2
3
4
5
6
7
8
9
10
11
12
13
14
15
16
17
18
19
20
21
22
23
24
25
26
27
28
29
30
31
32
33
34
35
36
37
38
39
40
9
9
9
9
9
9
9
10
10
10
10
10
10
10
10
10
10
10
10
10
10
10
10
10
10
10
10
10
10
10
10
10
10
10
10
10
10
10
10
0,609
0,609
-0,174
0,609
0,550
0,737
0,412
1.000
-0,111
-0,111
0,615
0,615
1.000
0,615
0,400
0,348
0,583
0,783
0,800
1.000
0,783
0,615
1.000
-
p
0,047
0,047
0,571
0,047
0,099
0,016
0,107
0,002
0,725
0,725
0,035
0,035
0,002
0,035
0,197
0,260
0,065
0,011
0,010
0,002
0,011
0,035
0,002
-
69
Resultados____________________________________________________________________
5.11.2 Grupo Experimental (TID)
Tabela 27 - Valores de Kappa para o Grupo Experimental (TID) no re-teste
QUESTO
N
KAPPA
p
2
3
4
5
6
7
8
9
10
11
12
13
14
15
16
17
18
19
20
21
22
23
24
25
26
27
28
29
30
31
32
33
34
35
36
37
38
39
40
10
10
10
10
10
10
10
10
10
10
10
10
10
10
10
10
10
10
10
10
10
10
10
10
10
10
10
10
10
10
10
10
10
10
10
10
10
10
10
0,737
0,545
1,000
0,524
0,800
0,783
1.000
0,783
1,000
0,800
1,000
1,000
0,800
1,000
1,000
1,000
0,800
0,800
0,800
0,737
0,737
1,000
0,600
1,000
0,737
0,783
0,800
1,000
1,000
1,000
0,737
1,000
0,737
1,000
-
0,016
0,053
0,002
0,098
0,010
0,011
0,002
0,011
0,002
0,010
0,002
0,002
0,010
0,002
0,002
0,002
0,010
0,010
0,010
0,016
0,016
0,002
0,038
0,002
0,016
0,011
0,010
0,002
0,002
0,002
0,016
0,002
0,016
0,002
-
70
Resultados____________________________________________________________________
5.11.3 Grupo Controle 2
Tabela 28 Valores de Kappa para o Grupo Controle 2 no re-teste
QUESTO
N
KAPPA
2
3
4
5
6
7
8
9
10
11
12
13
14
15
16
17
18
19
20
21
22
23
24
25
26
27
28
29
30
31
32
33
34
35
36
37
38
39
40
10
10
10
10
10
10
10
10
10
10
10
10
10
10
10
10
10
10
10
10
10
10
10
10
10
10
10
10
10
10
10
10
10
10
10
10
10
10
10
0,286
-0,111
0,211
0,545
0,091
-0,316
-0,111
-0,111
0,737
1,000
0,615
0,583
0,091
0,412
0,048
0,000
0,615
1,000
0,412
0,412
-0,154
-0,154
0,524
1,000
-
p
0,197
0,725
0,490
0,053
0,747
0,301
0,725
0,725
0,016
0,002
0,035
0,065
0,747
0,107
0,880
1.000
0,035
0,002
0,107
0,107
0,598
0,598
0,098
0,002
-
71
Resultados____________________________________________________________________
72
5.12 ANLISE FATORIAL
Tabela 29 Total da varincia explicada pelos fatores
COMPONENTE
AUTO-VALOR
% VARINCIA
% VARINCIA
ACUMULADA
8,562
21,314
21,314
2,761
6,902
28,216
2,234
5,585
33,801
1,94
4,85
38,651
Questes:
Sociabilidade: 9, 10, 19, 26, 27, 28, 29, 30, 31, 32, 33, 36, 37,
39 e 40;
Linguagem: 2, 3, 4, 5, 6, 20, 21, 22, 23, 24, 25, 34 e 35;
Comportamento: 7, 8, 11, 12, 13, 14, 15 e 16.
Resultados____________________________________________________________________
5.12.1 Anlise fatorial com 3 fatores
Tabela 30 Cargas fatoriais para uma soluo com 3 fatores
FATORES
QUESTO
1
2
Q 40
Q 36
Q 37
Q 15
Q 39
Q 27
Q 34
Q 38
Q 16
Q 31
Q 29
Q 17
Q 26
Q 30
Q 18
Q3
Q 28
Q 19
Q 24
Q 20
Q 10
Q 13
Q 22
Q 33
Q 35
Q 12
Q 32
Q8
Q7
Q 25
Q4
Q 23
Q6
Q 21
Q9
Q5
Q1
Q 11
Q 14
Q 2
0,748
0,687
0,671
0,663
0,648
0,624
0,590
0,585
0,583
0,553
0,536
0,533
0,530
0,529
0,503
0,489
0,471
0,460
0,452
0,424
0,401
0,389
0,382
0,336
0,318
0,305
0,295
0,195
0,270
0,481
0,389
0,229
0,387
0,292
0,263
0,084
0,157
0,510
0,152
0,022
-0,041
0,118
0,359
0,071
-0,072
-0,059
0,053
0,055
0,052
-0,019
-0,139
0,079
-0,008
-0,178
0,043
0,190
-0,228
0,335
-0,446
-0,044
-0,228
-0,146
-0,257
-0,051
0,153
-0,075
-0,268
0,676
0,492
-0,489
0,429
-0,396
0,394
-0,384
0,383
0,325
-0,160
-0,142
-0,069
0,081
3
-0,112
0,135
0,028
-0,148
-0,187
0,262
-0,266
-0,143
-0,171
-0,145
0,146
-0,300
0,364
0,173
0,011
0,335
0,014
0,072
0,053
0,018
0,024
-0,229
0,061
0,298
-0,016
-0,108
0,270
-0,011
0,015
0,075
0,228
0,061
0,137
0,263
-0,351
0,218
-0,564
-0,523
0,449
0,445
73
Resultados____________________________________________________________________
5.12.2 Anlise fatorial com 4 fatores
Tabela 31 - Cargas fatoriais para uma soluo com 4 fatores
FATORES
QUESTES
1
2
3
0,748
Q40
-0,041
-0,112
0,687
Q36
0,118
0,135
0,671
Q37
0,359
0,028
0,663
Q15
0,071
-0,148
0,648
Q39
-0,072
-0,187
0,624
Q27
-0,059
0,262
0,590
Q34
0,053
-0,266
0,585
Q38
0,055
-0,143
0,583
Q16
0,052
-0,171
0,553
Q31
-0,019
-0,145
0,536
Q29
-0,139
0,146
0,533
Q17
0,079
-0,300
0,530
Q26
-0,008
0,364
0,529
Q30
-0,178
0,173
0,503
Q18
0,043
0,011
0,489
Q3
0,190
0,335
0,471
Q28
-0,228
0,014
0,460
Q19
0,335
0,072
0,452
Q24
-0,446
0,053
0,424
Q20
-0,044
0,018
Q33
0,336
-0,051
0,298
Q35
0,318
0,153
-0,016
Q12
0,305
-0,075
-0,108
0,676
Q8
0,195
-0,011
0,492
Q7
0,270
0,015
-0,489
Q25
0,481
0,075
0,429
Q4
0,389
0,228
-0,396
Q23
0,229
0,061
0,394
Q6
0,387
0,137
-0,384
Q21
0,292
0,263
0,383
Q9
0,263
-0,351
Q5
0,084
0,325
0,218
-0,564
Q1
0,157
-0,160
-0,523
Q11
0,510
-0,142
0,449
Q14
0,152
-0,069
0,445
Q2
0,022
0,081
Q32
0,295
-0,268
0,270
Q10
0,401
-0,228
0,024
Q22
0,382
-0,257
0,061
Q13
0,389
-0,146
-0,229
4
-0,097
-0,211
-0,082
0,065
0,218
-0,127
0,076
-0,258
-0,040
-0,288
-0,000
0,041
-0,271
0,053
-0,049
0,187
0,221
0,187
0,408
0,208
-0,251
0,004
-0,010
0,145
0,130
0,325
0,162
0,097
0,131
0,196
0,122
-0,233
-0,054
0,028
0,053
0,161
-0,572
-0,419
0,417
-0,411
74
Resultados____________________________________________________________________
75
Na Tabela 30, considerando uma carga fatorial acima de 0,35, os 3
fatores convergiram da seguinte forma sobre as questes do questionrio e
sobre os domnios estabelecidos:
Fator 1: questes 40, 36, 37, 15, 39, 27, 34, 38, 16, 31, 29, 17,
26, 30, 18, 3, 28, 19, 24, 20, 10, 13 e 22;
Fator 2: questes 8, 7, 25, 4, 23, 6, 21 e 9;
Fator 3: questes 1, 11, 14, 2.
Na Tabela 31, considerando uma carga fatorial acima de 0,35, os 4
fatores convergiram da seguinte forma sobre as questes do questionrio e
sobre os domnios estabelecidos:
Fator 1: questes 40, 36, 37, 15, 39, 27, 34, 38, 16, 31, 29, 17,
26, 30, 18, 3, 28, 19, 24 e 20;
Fator 2: questes 8, 7, 25, 4, 23, 6, 21 e 29;
Fator 3: questes 1, 11, 14 e 2;
Fator 4: questes 32, 10, 22 e 13.
6 DISCUSSO
Bordin e Duarte (2000) afirmaram que, no Brasil, era notvel a
escassez de instrumentos padronizados e atualizados na rea de sade
mental infantil que tenham sido devidamente traduzidos, adaptados e
testados para a nossa realidade. Essa situao poderia ser atribuda a
muitos fatores. A existncia futura de tais instrumentos, alm do impacto na
prtica clnica e na pesquisa, constituiria um passo fundamental para a
identificao dos problemas de sade mental infantil e de seus fatores de
risco mais freqentes em nosso meio, permitindo o melhor planejamento das
polticas de sade mental na infncia e a avaliao das intervenes e
tratamentos oferecidos.
Passados 7 anos, ainda h poucos instrumentos de avaliao
devidamente traduzidos, adaptados culturalmente e validados para uso na
populao brasileira, e os instrumentos especficos para o screening dos
TEA so quase inexistentes. H apenas 2 instrumentos parcialmente
validados para uso em pesquisa dos TIDS: a ATA (Assumpo et al., 1999)
e o ICA (ABC) (Marteleto et al., 2005).
Os instrumentos screening ou rastreadores so de fundamental
importncia para iniciar um levantamento epidemiolgico das patologias
existentes na populao em geral. Questionrios desse tipo devem ter
caractersticas como fcil aplicao, perguntas diretas e objetivas,
possibilidade de respostas simples, abordagem correta do tema escolhido e
capacidade de fazer um rastreamento eficiente da patologia em questo.
Discusso_____________________________________________________________________
78
Outra caracterstica desejvel em um instrumento de rastreamento
poder ser auto-preenchido. No presente estudo, considerou-se autopreenchimento o ato de os pais ou responsveis pelo sujeito de pesquisa ler
o questionrio e respond-lo sozinho - ou do questionrio ser lido pelo
entrevistador que anotou as respostas dadas pelo entrevistado. importante
ressaltar que os entrevistadores foram treinados para no fornecer
interpretaes sobre as questes ou discutir as respostas fornecidas pelos
pais ou responsveis legais.
O ASQ - Autism Screenning Questionnaire - foi formalmente validado
na lngua inglesa por Berument et al., (1999), em duas verses: a Lifetime e
a Current, que envolvem tempos diferentes na avaliao. O objetivo principal
de sua criao foi fornecer um instrumento de fcil aplicao (inclusive autoaplicvel), rpido, com questes claras de pontuao simples e que
abarcasse o 3 domnios principais de prejuzos no desenvolvimento de
crianas do espectro autista.
No se trata, no entanto, de um instrumento para diagnstico, como o
seu derivado ADI-R, mas de um instrumento para screening diagnstico,
uma peneira para que crianas que obtivessem uma pontuao acima ou
prxima do escore proposto, fossem mais bem avaliadas. Aps esse estudo
inicial, o ASQ passou a ser comercializado pela editora americana WPS
(Western Psychological Services) em 2003, com o nome de Social
Communication Questionnaire (SCQ),tendo como autores responsveis
Michael Rutter, Anthony Bailey e Catherine Lord.
Discusso_____________________________________________________________________
79
O ASQ/SCQ foi utilizado como pr-teste em dois estudos especficos
de rastreamento epidemiolgico no Brasil. O primeiro deles foi realizado por
Lowenthal (2007) na cidade de Curitiba (PR), com o objetivo de identificar a
prevalncia de crianas e adolescentes de 5 a 19 anos de idade com TID na
Sndrome de Down.
A amostra total foi de 205 pacientes, selecionados nas instituies
pblicas e privadas especializadas no acompanhamento de crianas e
adolescentes com caractersticas especiais. A freqncia de TID em
pacientes com Sndrome de Down foi de 15,6%, associada a 5,58% com
autismo infantil propriamente dito, e 10,05% com TID sem outra
especificao. Os dados preliminares desse estudo coincidem com os
dados-padro das freqncias observadas mundialmente: de 1% a 10%
(Capone et al., 2005; Kent et al., 1999; Lund et al., 1998).
O segundo estudo foi realizado por Ribeiro (2007) no municpio de
Atibaia (SP), tendo como objetivo a verificao da prevalncia dos TID
naquele local. Foi selecionado um bairro especfico para a coleta amostral,
que contou com 76 crianas entre 7 e 12 anos. Dessas 76 crianas, 13
obtiveram uma pontuao maior ou igual a 15, sendo identificada, assim,
uma prevalncia de 0,88% para TID nessa amostra total.
O uso do ASQ nesses dois estudos pr-testes se mostrou adequado
quanto ao entendimento das perguntas e ao padro das respostas, um
instrumento de fcil e rpida aplicao, no havendo dvidas quanto ao
procedimento-padro de preenchimento do questionrio. Tambm se pde
observar o efeito do rastreamento desejado, identificando possveis casos de
Discusso_____________________________________________________________________
80
sujeitos com caractersticas de TID, que posteriormente foram avaliados
clinicamente para a realizao do diagnstico especfico.
O presente estudo traduziu, retro-traduziu e adaptou culturalmente o
ASQ/SCQ para a populao brasileira, seguindo o protocolo internacional
para a validao de um instrumento estrangeiro (Guillemin et al., 1993; Van
de Vijver et al., 1996) em uma amostra de 120 pacientes dividida em 3
grupos. A equipe de traduo e o native speaker, que retro-traduziu o
questionrio, assim como o comit formado pelos mdicos psiquiatras
infantis para avaliar sua verso final no fizeram alteraes significativas na
construo gramatical ou na adaptao cultural das questes: o questionrio
se manteve praticamente inalterado desde a primeira traduo.
A diviso em dois grupos-controle, com caractersticas to distintas, e
um grupo experimental, visou a um maior controle para o processo de
validao e confiabilidade do instrumento na verso em lngua portuguesa
para uso no Brasil. Vale ressaltar, mais uma vez, que o Grupo Controle 1,
com pacientes com Sndrome de Down, cujo retardo mental no foi
mensurado por meio de testes de quociente de inteligncia (QI), forneceu
controle sobre a varivel relacionada ao desempenho cognitivo. Neste
estudo, o instrumento mostrou-se capaz de identificar os casos de TID,
distinguindo-os dos casos com retardo mental. Assim, os escores entre os
grupos TID e Down foram bastante distintos.
Todo instrumento de avaliao deve reproduzir, ao longo do tempo,
os mesmos resultados em duas ou mais administraes no mesmo paciente,
considerando que seu estado clnico geral no tenha sido alterado
Discusso_____________________________________________________________________
81
(Jenkinson, 1995). A capacidade de reprodutibilidade uma medida de
confiabilidade de todo instrumento diagnstico e pode ser expressa
estatisticamente de diversas formas. Neste estudo, como se trata de um
instrumento diagnstico segundo determinados critrios, com um padro de
resposta SIM ou NO que leva a um escore total (significando a
possibilidade de ser um caso ou no-caso) o coeficiente de confiabilidade
escolhido foi o Kappa (Cohen, 1960; Di Eugenio et al., 2004).
Rietveld e Hout (1993) consideram um valor de Kappa entre 0,20 e
0,40 como uma baixa concordncia, de 0,4 a 0,6 como uma concordncia
moderada, e maior do que 0,6 como uma concordncia alta. Apenas a
questo nmero 5 obteve um valor considerado baixo (Kappa = 0,374). As
questes 7, 9, 11, 21, 22, 24, 25, 31 obtiveram uma concordncia moderada,
com valores de Kappa variando entre 0,4 e 0,6. As demais questes
obtiveram valores de Kappa considerados altos, caracterizando uma alta
concordncia.
O Grupo Controle 1 e o Grupo Experimental foram submetidos ao reteste aps 240 dias do teste, aproximadamente, e o Grupo Controle 2, aos
730
dias
do
teste,
aproximadamente.
Pode-se
observar
que
reprodutibilidade foi importante, principalmente se os tempos estabelecidos
para o pr-teste forem levados em considerao.
A consistncia interna do questionrio foi calculada pelos coeficientes
de Alpha de Cronbach e de Kuder-Richardson, frmula 20 (KR-20).
Considerou-se os valores de Alpha e KR-20 maiores ou iguais a 0,6 como
uma validade interna satisfatria (Bland et al., 1997).
Discusso_____________________________________________________________________
82
Os valores de Alpha de Cronbach e de KR-20, respectivamente,
foram de 0,895 e 0,896 no total, caracterizando uma consistncia interna
tima. Os valores separados por grupamento de questes foram: Linguagem
e Comunicao (0,682/0,685), Padres de Comportamento (0,621/0,625) e
Sociabilidade (0,838/0,840). Sempre foram encontrados valores acima dos
considerados satisfatrios.
interessante considerar que comportamento foi o domnio que
apresentou menor consistncia interna, sugerindo que essas questes
sejam menos discriminantes para o padro cultural da populao estudada.
A validade de contedo procura obter uma descrio detalhada do
contedo do domnio (universo finito de comportamento) avaliando a sua
representabilidade em relao ao fenmeno pesquisado, no existindo,
porm, critrios estatsticos para avali-lo.
O questionrio ASQ/SCQ foi avaliado durante todo o processo de
validao do instrumento, sendo demonstrado que constitudo por
questes que contemplam, de forma relevante, clara e objetiva, todos os
critrios diagnsticos (sintomas por domnios) propostos pelo DSM-IV-TR e
pela CID-10.
As questes do ASQ/SCQ foram divididas em 3 grandes grupos,
investigando, assim, os dficits centrais no processo de desenvolvimento de
um paciente com TEA:
15 questes sobre reciprocidade e interao social/
sociabilidade: 9, 10, 19, 26, 27, 28, 29, 30, 31, 32, 33, 36, 37, 39, 40;
Discusso_____________________________________________________________________
83
13 questes sobre a comunicao e linguagem: 2, 3, 4, 5, 6,
20, 21, 22, 23, 24, 25, 34, 35;
8 questes sobre os padres de comportamento: 7, 8, 11,
12, 13, 14, 15, 16.
Existem, ainda, 4 questes que no foram encaixadas pelo autor do
questionrio em nenhum dos 3 domnios: 1, 17, 18 e 38.
A questo de nmero 1, Ele capaz de conversar usando frases
curtas ou sentenas? no foi contabilizada, seguindo as instrues do
manual original de preenchimento e aplicao do questionrio. De acordo
com as instrues, esta questo direciona, antecipando ou no, as demais.
As questes de nmero 17 Ele costuma fazer movimentos
complexos (e esquisitos) com o corpo inteiro, tal como girar, pular ou
balanar repetidamente para frente e para trs?; 18, Ele costuma
machucar-se de propsito, por exemplo, mordendo o brao ou batendo
a cabea?, e 38, Quando ele estava com 4 ou 5 anos, se voc entrasse
no quarto e iniciasse uma conversa com ele sem chamar seu nome, ele
habitualmente te olhava e prestava ateno em voc?, so questes
sem domnios especficos e que, nas suas tradues para a lngua
portuguesa, poderiam ser associadas tanto s questes de sociabilidade,
quanto s de comportamento.
A validade de critrio procura estabelecer uma correspondncia entre
o instrumento e o critrio utilizado, por meio de sua comparao com um
padro ouro. A estimativa estatstica da validade de critrio realizada pela
determinao dos valores de sensibilidade e especificidade e por sua
Discusso_____________________________________________________________________
84
comparao com um padro ouro estabelecido. No presente estudo foi
utilizado o diagnstico clnico como padro ouro, em razo da ausncia de
instrumentos devidamente traduzidos e validados para uso no Brasil, como a
ADI-R. H apenas 2 escalas parcialmente traduzidas e validadas para uso
pela populao brasileira: a ATA (Assumpo et al., 1999) e o ICA (Marteleto
et al., 2005). Esses instrumentos no foram escolhidos como padro ouro
porque seus processos de validao foram parciais e tambm porque no
so gold standards internacionalmente reconhecidos para o diagnstico e o
rastreamento de casos de TID.
De acordo com o ponto de corte estabelecido pelo estudo original
(Berument et al., 1999), o escore acima ou igual a 15 seria o valor
discriminativo para o diagnstico de TID, com ndices de sensibilidade de
0,85, especificidade de 0,75, valor preditivo positivo de 0,93 e valor preditivo
negativo de 0,55. O estudo original ainda indicou valores comparativos
discriminantes do escore 15 entre autismo e outros diagnsticos (sem
retardo mental), com uma sensibilidade de 0,96 e especificidade de 0,80 e,
entre autismo e outros diagnsticos com associao de retardo mental, com
uma sensibilidade de 0,96 e especificidade de 0,67. O escore acima ou igual
a 22 foi sugerido para identificar e separar o autismo infantil dos outros
diagnsticos de TID, com uma sensibilidade de 0,96 e especificidade de
0,60.
O presente estudo de validao apontou o escore maior ou igual a 15
como um escore discriminativo para indivduos com TID. Isso pode ser
observado na Tabela 9, pela Regresso Logstica Multivariada. A
Discusso_____________________________________________________________________
85
especificidade foi de 0,92, a sensibilidade de 0,95, o valor preditivo positivo
de 0,92, e o valor preditivo negativo de 0,96 - valores superiores queles
encontrados no estudo da verso inglesa. Os escores acima de 15 indicam
nveis cada vez mais altos de sensibilidade e especificidade para os TID.
Porm, neste estudo, no foi possvel estabelecer uma pontuao que
discriminasse os indivduos com autismo infantil. Os pacientes deste estudo
com o diagnstico de TID no foram quantificados por categorias, como
Autismo
Infantil,
Transtorno
de
Asperger
ou
simplesmente
TEA.
Conseqentemente, a disposio estatstica dessas patologias no foi
calculada. Portanto, pode-se supor, apenas, que escores muito elevados
sejam sugestivos de crianas com grandes prejuzos nos domnios
observados, e que essa pontuao se aproximaria a de crianas com
Autismo Infantil.
O poder discriminativo do ASQ/SCQ foi demonstrado por meio de
uma srie de anlises dos escores obtidos pelas Curvas ROC (Hanley et al.,
1982; Fombonne, 1991). A rea sob a curva foi usada como um ndice de
referncia discriminativa para os diagnsticos dos grupos. Isso foi
demonstrado nas figuras 2 e 4, com reas de 0,981 (p < 0,001) em ambas
as curvas, seguidas de alta sensibilidade e especificidade para o escore 15
para discriminar os indivduos com TID. A Figura 3 apresenta uma
probabilidade final de classificao segundo o escore.
No entanto, ressalta-se que a falta de um confronto com um padro
ouro anteriormente validado limitou as possibilidades de este estudo
estabelecer uma validao do critrio fidedigna. Por isso, a validao
Discusso_____________________________________________________________________
86
concorrente foi precria. indiscutvel que a avaliao clnica soberana
mas, quando se tratam de instrumentos diagnsticos, necessrio que haja
um outro parmetro para anlise e comparao dos resultados.
A validade de construo ou de construto procura estabelecer uma
relao entre os escores do teste e o conceito avaliado, mostrando se o
instrumento realmente mede aquilo que se prope a medir. Construto vem
de construe: um construto uma maneira de construir organizar o que foi
observado.
A validade de construto foi analisada tendo como ponto de referncia
as
questes
orientadas
pelos
trs
domnios
do
Autismo
Infantil:
sociabilidade, comunicao e linguagem e comportamento.
A anlise fatorial no foi capaz de classificar completamente as
questes por seus domnios, mas se pode considerar que a traduo de um
instrumento para uma lngua estrangeira pudesse alterar minimamente a
organizao e, conseqentemente, a distribuio dos fatores. Portanto,
algumas questes poderiam permanecer ambivalentes quanto a sua
permanncia neste ou naquele domnio.
A anlise com 3 fatores explicou 33,801% da varincia total e indicou
que o primeiro fator poderia estar relacionado sociabilidade; o segundo,
comunicao e linguagem, e o terceiro, s questes de comportamento.
Por sua vez, a anlise com 4 fatores explicou 38,651% da varincia total e
indicou o primeiro fator com uma maioria de questes de sociabilidade; o
segundo, com uma maioria de questes de comunicao e linguagem; o
Discusso_____________________________________________________________________
87
terceiro, com questes de comunicao, linguagem e comportamento; e o
quarto, com questes dos 3 domnios.
Uma limitao da anlise fatorial realizada neste estudo foi o tamanho
da amostra. Uma amostra de 120 indivduos insuficiente, ainda mais
considerando o grande nmero de variveis (40 questes). Alguns autores
sugerem um tamanho amostral at 20 vezes maior do que o nmero de
variveis envolvidas ou de, no mnimo, 5 vezes esse nmero (Hair et al.,
1995; Reis et al., 1997). Provavelmente, isso se refletiu nos resultados da
anlise e na interpretao dos fatores.
No estudo original, a anlise fatorial foi realizada e se mostrou mais
eficaz com 4 fatores, explicando 42,4% da varincia total. O primeiro fator foi
relacionado s questes de sociabilidade; o segundo, com questes de
comunicao; o terceiro, com questes de linguagem anormal; e o quarto, a
questes de comportamentos estereotipados. No entanto, vale ressaltar que
a amostra do estudo original foi de 200 indivduos.
A Tabela 17 inicia um processo de comparaes entre os 3 domnios
de questes e os 3 grupos de pacientes. Nessa tabela e nas duas
subseqentes (18 e 19), a mdia dos escores positivos nas 3 categorias de
questes sempre significativamente diferente (p < 0,001) entre os
pacientes com TID. Essa razo se mantm quando o grupo com TID
comparado com os Grupos Controle 1 e 2. A comparao entre os Grupos
Controle 1 e 2 no significativamente relevante (p > 0,001) em todos os
domnios, discriminando, assim, corretamente os indivduos com TID. No
Discusso_____________________________________________________________________
88
entanto, a anlise das questes separadas por categoria no prova cabal
da validade de construto.
A comparao entre as questes isoladamente, demonstrada na
Tabela 20, indicou que apenas 5 questes no foram estatisticamente
diferentes ou classificatrias, nas respostas 1, 5, 7, 13 e 23.
Portanto,
possuem baixo padro classificatrio, e fazem parte dos domnios de
Linguagem e Comunicao e Padres de Comportamento. A questo 1
uma questo no-quantificada, apenas organizadora, e no faz parte de
nenhum dos 3 domnios. A partir dessa observao, fica sugerido que essas
questes possam ser retiradas do questionrio, j que no tm poder
discriminativo.
Alm disso, interessante considerar a diferena de performance
dessas questes segundo as caractersticas culturais das populaes
estudadas. Principalmente a questo de nmero 5, Ele costuma usar
socialmente perguntas inapropriadas ou declaraes? Por exemplo, ele
costuma fazer perguntas pessoais ou comentrios em momentos
inadequados?, que foi positiva nos 3 grupos com quase os mesmos
valores, sugerindo uma certa expectativa social de nossa populao quanto
ao ser adequado ou socialmente correto.
Enfim, o presente estudo mostra que o ASQ/SCQ um instrumento
de rastreamento para TID com boas propriedades psicomtricas, fcil de ser
aplicado, que poder contribuir com o desenvolvimento de estudos
epidemiolgicos em nosso meio.
Discusso_____________________________________________________________________
89
Apenas como exemplo, o estudo-piloto realizado em Atibaia (Ribeiro,
2007) encontrou uma prevalncia preliminar de 0,88% de TID. A prevalncia
final foi de 0,3%, sugerindo que a populao estudada apresentou uma das
mais baixas freqncias j descritas na literatura recente, o que exige um
esforo para o entendimento desse resultado. Entre as hipteses que podem
ser levantadas, uma seria que populaes latinas, com alto grau de
miscigenao e padres de muita demanda para o relacionamento social,
poderiam significar uma menor vulnerabilidade para os transtornos
relacionados sociabilidade. Esse tipo de especulao terica, embora
carea de evidncias atuais, refora a necessidade de contar com
instrumentos confiveis para o estudo da populao brasileira.
7 CONCLUSES
1. A verso para a lngua portuguesa do ASQ/SCQ, traduzida, retrotraduzida e adaptada cultura brasileira, de fcil e rpida auto-aplicao.
2. A verso em portugus foi administrada por auto-preenchimento e
suas propriedades de medida (confiabilidade, reprodutibilidade e consistncia
interna) mostraram-se satisfatrias.
3. O ASQ/SCQ foi submetido :
validade do contedo e mostrou-se adequado ao rastreamento
de sintomas dos TID;
validade do critrio e apresentou, pelo critrio adotado, altos
ndices de sensibilidade e especificidade no escore para os TID;
validade de construto e, na anlise fatorial com 3 fatores,
explicou 33.801% da varincia total;
validade discriminante e apresentou poder discriminativo
satisfatrio para indivduos com TID.
4. O ASQ/SCQ em portugus um instrumento til para fazer um
rastreamento inicial dos sintomas de Autismo Infantil e/ou do TEA em
grandes populaes, discriminando os indivduos suspeitos para uma
avaliao mais pormenorizada por outros instrumentos mais especficos.
8 ANEXOS
8. 1 ANEXO A
Questionrio de Avaliao de Autismo1
Para citao: Paula, CS; Santos AV; Mercadante MCP; Aguiar CC; DAntino
MEB; Schwartzman JS; Brunoni D; Mercadante MT.
Por favor, responda cada questo e assinale o quadrado com a resposta. Se
voc no estiver seguro, escolha a melhor resposta. [Os pronomes ele/o
esto sendo usados aqui apenas para facilitar o questionrio].
Ele capaz de conversar usando frases curtas
ou sentenas?
Sim
No
Se no, prossiga para questo 9.
2
Ele fala com voc s para ser simptico (mais
do que para obter algo)?
Voc pode ter um dilogo (por exemplo, ter
uma conversa com ele que envolva
alternncia, isto , um de cada vez) a partir do
que voc disse?
Ele usa frases estranhas ou diz algumas
coisas repetidamente da mesma maneira? Isto
, ele copia ou repete qualquer frase que ele
ouve outra pessoa dizer, ou ainda, ele constri
frases estranhas?
Ele costuma usar socialmente perguntas
inapropriadas ou declaraes? Por exemplo,
ele costuma fazer perguntas pessoais ou
comentrios em momentos inadequados?
Ele costuma usar os pronomes de forma
invertida, dizendo voc ou ele quando deveria
usar eu?
Instrumento em fase de validao. USO RESTRITO EM PESQUISA.
** Traduo para o portugus Cristiane Silvestre Paula, Amanda Viviam dos Santos, Maria Clara
Pacifico Mercadante, Clizeide da Costa Aguiar, Maria Eloisa B. DAntino, Jos S. Schwartzman,
Decio Brunoni, Marcos Tomanik Mercadante
92
10
11
12
13
14
15
Sim
No
Ele costuma usar palavras que parece ter
inventado ou criado sozinho, ou usa maneiras
estranhas, indiretas, ou metafricas para dizer
coisas? Por exemplo, diz chuva quente ao
invs de vapor.
Ele costuma dizer a mesma coisa
repetidamente,
exatamente
da
mesma
maneira, ou insiste para voc dizer as
mesmas coisas muitas vezes?
Existem coisas que so feitas por ele de
maneira muito particular ou em determinada
ordem, ou seguindo rituais que ele te obriga
fazer?
At onde voc percebe, a expresso facial
dele geralmente parece apropriada situao
particular?
Ele alguma vez usou a tua mo como uma
ferramenta, ou como se fosse parte do prprio
corpo dele (por exemplo, apontando com seu
dedo, pondo a sua mo numa maaneta para
abrir a porta)?
Ele costuma ter interesses especiais que
parecem esquisitos a outras pessoas (e.g.,
semforos, ralos de pia, ou itinerrios de
nibus)?
Ele costuma se interessar mais por partes de
um objeto ou brinquedo (e.g., girar as rodas de
um carro), mais do que us-lo com sua funo
original?
Ele costuma ter interesses especficos,
apropriados para sua idade e para seu grupo
de colegas, porm estranhos pela intensidade
do interesse (por exemplo, conhecer todos os
tipos de trens, conhecer muitos detalhes sobre
dinossauros)?
Ele costuma de maneira estranha olhar,
sentir/examinar, escutar, provar ou cheirar
coisas ou pessoas?
93
Sim
No
Ele costuma ter maneirismos ou jeitos
estranhos de mover suas mos ou dedos, tal
como um bater de asas (flapping), ou mover
seus dedos na frente dos seus olhos?
Ele costuma fazer movimentos complexos (e
esquisitos) com o corpo inteiro, tal como girar,
pular ou balanar repetidamente para frente e
para trs?
Ele costuma machucar-se de propsito, por
exemplo, mordendo o brao ou batendo a
cabea?
Ele tem algum objeto (que no um brinquedo
macio ou cobertor) que ele carrega por toda
parte?
20
Ele tem algum amigo em particular ou um
melhor amigo?
21
Quando ele tinha 4-5 anos ele repetia ou
imitava espontaneamente o que voc fazia (ou
a outras pessoas) (tal como passar o
aspirador no cho, cuidar da casa, lavar
pratos, jardinagem, consertar coisas)?
Quando ele tinha 4-5 anos ele apontava as
coisas ao redor espontaneamente apenas
para mostrar coisas a voc (e no porque ele
as desejava)?
Quando ele tinha 4-5 anos ele costumava usar
gestos para mostrar o que ele queria (no
considere se ele usava tua mo para apontar
o que queria)?
24
Quando ele tinha 4-5 anos usava a cabea pra
dizer sim?
25
Quando ele tinha 4-5 anos sacudia a sua
cabea para dizer no?
16
17
18
19
22
23
94
Sim
No
Quando ele tinha 4-5 anos ele habitualmente
olhava voc diretamente no rosto quando fazia
coisas com voc ou conversava com voc?
27
Quando ele tinha 4-5 anos sorria de volta se
algum sorrisse para ele?
28
Quando ele tinha 4-5 anos ele costumava
mostrar coisas de seu interesse para chamar a
sua ateno?
29
Quando ele tinha 4-5 anos ele costumava
dividir coisas com voc, alm de alimentos?
30
Quando ele tinha 4-5 anos ele costumava
querer que voc participasse de algo que o
estava divertindo?
Quando ele tinha 4-5 anos ele costumava
tentar confort-lo se voc ficasse triste ou
magoado?
Entre as idades de 4 a 5 anos, quando queria
algo ou alguma ajuda, costumava olhar para
voc e fazia uso de sons ou palavras para
receber sua ateno?
Entre as idades de 4 a 5 anos tinha
expresses
faciais
normais,
isto
,
demonstrava suas emoes por expresses
faciais?
Quando ele estava com 4 ou 5 anos ele
costumava participar espontaneamente e/ou
tentava imitar aes em jogos sociais tais
como Polcia e Ladro ou Pega-Pega?
Quando ele estava com 4 ou 5 anos jogava
jogos imaginrios ou brincava de faz de
conta?
Quando ele estava com 4 ou 5 anos parecia
interessado em outras crianas da mesma
idade que ele no conhecia?
26
31
32
33
34
35
36
95
37
38
39
40
Sim
No
Quando ele estava com 4 ou 5 anos reagia
positivamente
quando
outra
criana
aproximava-se dele?
Quando ele estava com 4 ou 5 anos, se voc
entrasse no quarto e iniciasse uma conversa
com ele sem chamar seu nome, ele
habitualmente te olhava e prestava ateno
em voc?
Quando ele estava com 4 ou 5 anos ele
costumava brincar de faz de conta com outra
criana, de forma que voc percebia que eles
estavam entendendo ser uma brincadeira?
Quando ele estava com 4 ou 5 anos ele
brincava cooperativamente em jogos de grupo,
tal como esconde-esconde e jogos com bola?
# 14: In order to make sense in Portuguese, we decide to explain using more detailed
examples.
# 21 In order to make clear, we include Brazilian habits.
# 33 in order to make clear, we include a more detailed example.
8. 2 ANEXO B
TERMO DE CONSENTIMENTO LIVRE E ESCLARECIDO
Eu,__________________________________________________________,
portador do RG n__________________________, residente em
_____________________________,
bairro_______________________,
CEP _____________, telefone ( )_______________, e-mail: (se houver)
_________________________
abaixo
assinado,
responsvel
por________________________________________________ dou meu
consentimento livre e esclarecido para participar do projeto de pesquisa
intitulado ASQ - Autism Screening Questionnaire (Questionrio de
Avaliao de Autismo) (Berument et al., 1999): verso para o portugus
e validao para a populao brasileira, tendo como responsvel o
mdico psiquiatra Fbio Pinato Sato CRM 99678.
Assinando este Termo de Consentimento, estou ciente de que:
1-O projeto de pesquisa proposto foi elaborado tendo em vista a ausncia
quase completa, em nosso pas, de instrumentos que possam orientar o
diagnstico e posteriormente, o tratamento, de crianas com Transtornos
Invasivos do Desenvolvimento. O Questionrio de Avaliao de Autismo
ser traduzido, re-traduzido e aplicado em pais de 120 crianas brasileiras
para a sua posterior validao para o uso geral em nossos servios de
sade.
2-O Questionrio de Avaliao de Autismo um instrumento, uma escala,
composta por 40 questes diretivas, com respostas SIM e NO, que
aplicado aos pais das crianas selecionadas. As questes tm como objetivo
avaliar, de forma simples e direta, a linguagem, o comportamento e a
sociabilizao das crianas em duas idades: atual e quando tinham 4 ou 5
anos.
3-O objetivo do projeto de pesquisa validar, para o uso formal em nosso
meio, um questionrio de fcil aplicao, que envolvam os pais, e que seja
uma ferramenta a mais no diagnstico precoce de crianas com autismo
infantil e seus derivados e cujos dados possam ser usados corretamente em
pesquisas nacionais.
4-O Questionrio de Avaliao de Autismo ser aplicado aos pais de 120
crianas divididas em 3 grupos de 40 crianas cada: um grupo com crianas
j previamente diagnosticadas com Autismo Infantil e/ou suas doenas
derivadas (o que chamamos de Transtornos Invasivos do Desenvolvimento);
um grupo com crianas diagnosticadas com Sndrome de Down; e um grupo
com crianas diagnosticadas com outras doenas psiquitricas. Estes
grupos foram assim pensados, seguindo um raciocnio de pesquisa, para a
viabilizao da validao desta escala em nosso pas. O preenchimento do
questionrio ser realizado em aproximadamente 20 minutos, por contato
telefnico, em acordo com a disponibilidade dos pais. O Termo de
Consentimento Livre e Esclarecido e o Questionrio de Avaliao de
97
Autismo sero previamente enviados pelo correio com a postagem de volta
j paga.
5-Apesar de no existir nenhum risco sade das crianas participantes,
pois se trata apenas de perguntas padronizadas com respostas diretivas aos
pais ou responsveis legais, o mdico pesquisador permanecer
absolutamente disponvel, em todo o tempo da pesquisa, por meio de
telefones celular (11-83262123) e comercial (11-30641278), para quaisquer
dvidas ou outros acontecimentos por parte das crianas e familiares
envolvidos no projeto de pesquisa.
6-As crianas e seus responsveis legais que participarem da pesquisa
estaro livres para se retirarem do procedimento em qualquer momento, em
que assim o desejarem; sem nenhuma conseqncia em relao ao
atendimento em outras instituies que possuam vnculos.
7-No haver custos financeiros aos familiares responsveis pelas crianas
durante a realizao da pesquisa.
8-A pesquisa proposta faz parte da dissertao de mestrado do mdico
pesquisador, Fbio Pinato Sato, sendo, portanto, de cunho pessoal, para fins
estritamente acadmicos (de pesquisa), resguardando assim todo o sigilo
das informaes pessoais colhidas.
8-Este Termo de Consentimento feito em duas vias sendo que uma
permanecer em poder do responsvel pela criana e a outra com o mdico
pesquisador.
So Paulo,
de
de
__________________________________________
assinatura dos pais ou responsvel legal
__________________________________________
Fbio Pinato Sato
Mdico pesquisador responsvel
CRM 99678
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