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Jantar No Hotel Central Trabalho Cópia

Este resumo descreve um jantar no Hotel Central em Lisboa no qual estiveram presentes várias personagens principais do livro. Durante o jantar, discutiram-se diversos assuntos como literatura, finanças e política em Portugal. Ega e Alencar desentenderam-se sobre os seus movimentos literários preferidos, o naturalismo e o romantismo. Cohen e Ega também discordaram sobre a situação financeira do país. A história política foi mencionada quando Ega propôs uma revolução ou invasão espanhola para resolver a bancarrota portug

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Jantar No Hotel Central Trabalho Cópia

Este resumo descreve um jantar no Hotel Central em Lisboa no qual estiveram presentes várias personagens principais do livro. Durante o jantar, discutiram-se diversos assuntos como literatura, finanças e política em Portugal. Ega e Alencar desentenderam-se sobre os seus movimentos literários preferidos, o naturalismo e o romantismo. Cohen e Ega também discordaram sobre a situação financeira do país. A história política foi mencionada quando Ega propôs uma revolução ou invasão espanhola para resolver a bancarrota portug

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Jantar no Hotel Central

Contextualizao do excerto na estrutura da


obra
Posteriormente ao sero no Ramalhete, a popularidade de
Carlos como mdico cresceu devido mulher do padeiro, Marcelina,
que estivera s portas da morte e fora salva por Carlos.
Este finalmente encontra Ega e descobre o porqu do seu
sbito desaparecimento: apaixonara-se por uma mulher casada,
Raquel Cohen.
Ega apresenta a Carlos a famlia Gouvarinho e Carlos pressente que
a condessa se tenha interessado por ele.
O captulo VI inicia-se com a visita de Carlos vila Balzac,
casa que Ega alugara nos subrbios da cidade para viver mais
tranquilamente a sua relao amorosa com a mulher de Cohen.
Todo o interior da casa descrito pelo olhar de Carlos. Os dois
amigos conversavam sobre o amor e Ega afirma que o desinteresse
frequente que Carlos sente pelas mulheres, no futuro cair em
tragdia infernal, um pressgio.
De volta a Lisboa, Ega reconhece o Craft na rua e apresenta-o
a Carlos que tem em comum com o ingls o gosto pelo bricabraque.
Ega propem fazer um jantar em homenagem ao banqueiro Jacob
Cohen, marido de Raquel Cohen.
O jantar no Hotel Central insere-se na ao principal e deste modo
identifica-se como um episdio da crnica de costumes,
apresentando a viso crtica de alguns problemas. Este jantar
marcado numa tentativa no s de homenagear o banqueiro Cohen
mas de proporcionar a Carlos um primeiro contacto com a alta
aristocracia lisboeta.
Carlos e Craft encontram-se no peristilo do Hotel, antes do
jantar, e aqui que Carlos v Maria Eduarda pela primeira vez.

Resumo do episdio
Neste jantar estiveram presentes Carlos da Maia, Craft,
Dmaso Salcede, Jacob Cohen, Joo da Ega e Toms de Alencar.
Ao longo do jantar, discutiram-se diversos assuntos: finanas,
literatura e histria poltica.
Ao longo do jantar, Ega e Alencar desentendem-se pois
defendem movimentos literrios diferentes.
Ega e Cohen tambm se desentendem devido ao estado de
bancarrota em que Portugal se encontra.
A histria poltica mencionada por Ega quando este conta a
sua ideia para solucionar a bancarrota.

PERSONAGENS
Carlos da Maia:
- alto, bem constitudo, de ombros largos, olhos negros, pele branca,
cabelos negros e ondulados. Barba fina, castanha escura, pequena e
aguada no queixo. O bigode era arqueado no canto da boca.
- culto, bem-educado (educao inglesa, que inclua a prtica de
exerccio fsico, o contacto direto com a Natureza, procurar formar
jovens que tenham um corpo forte, bem como o seu esprito), de
gostos requintados. Corajoso e frontal.
- da famlia Maia, descendente de Pedro da Maia, que se suicidou
aps a fuga da sua mulher com outro homem, e de Maria Monforte,
e era neto de Afonso da Maia e de Maria Eduarda Runa.
- estudou Medicina em Coimbra, e acabou por viajar bastante,
ficando sem ver o seu av durante 14 meses.
- a pouco e pouco foi desistindo dos seus projetos de vida devido a
aspetos hereditrios e tambm por influncia da sociedade lisboeta.
Toms de Alencar:
- alto, de face escaveirada, olhos encovados e longos, espessos e
romnticos bigodes grisalhos.
- poeta e defensor do Romantismo.
- bondoso, sentimental, um idealista sincero
- antiquado, simboliza o romantismo piegas
- no tem defeitos e possui um corao grande e generoso.
- o informador do destino de Maria Monforte.
- Representa o Ultrarromantismo, opondo-se assim ao Naturalismo.
Jacob Cohen:
- homem de estatura baixa, apurado, de olhos verdes e suas tao
pretas e luzidias e com bonitos dentes.
- judeu banqueiro, diretor do Banco Nacional, casado com Raquel
Cohen.
- calculista e cnico, considerava que Portugal caminhava para a
bancarrota, mas no hesita em aproveitar a situao econmica do
pas para seu proveito prprio.
- Representa a alta finana
Joo da Ega:
- Aspeto bizarro (fisicamente): figura esgrouviada e seca, os pelos
do bigode arrebitados sob o nariz adunco, usava monculo.
- bomio estudantil de Coimbra
- amigo e confidente de Carlos

- caricatural
- anarquista atesta, e sem valores, que era a favor das invases
espanholas.
- Romntico e sentimental
- personagem contraditrio
- Progressista e crtico
- concebe grandes projetos literrios, que nunca chega a executar
(paralelismo com Carlos da Maia)
- revela-se uma pessoa romntica, amorosa
- apaixona-se por Raquel Cohen
- Representa o Realismo
Craft:
- homem baixo, louro, de pele rosada e fresca e aparncia fresca.
Sobre o fraque correto percebia-se uma musculatura de atleta
- um gentleman de boa raa inglesa (rico, bomio, culto,
colecionador do bricabraque)
- cultivado, forte e de hbitos rijos.
- defende a arte e pensa com retido
- Afonso da Maia considera-o um autntico homem
- Representa a Aristocracia Inglesa
Dmaso Salcedo:
- baixo e gordo
- imita Carlos em tudo, de modo a subir socialmente, ou seja, quer
todas as caractersticas de algum com classe, mas apenas
demonstra vaidade e futilidade ao falar das suas viagens.
- tem em sim inmeros defeitos: calnia, cobardia, falta de
identidade, culto do chic a valer. mesquinho e convencido
- Representa todos os vcios da burguesia e a corrupo

Contextualizacao histrico-social/ Cronicas de


costumes
Os aspetos criticados no jantar foram a literatura, o
naturalismo/realismo defendido por Ega contra o romantismo
defendido por Alencar e as finanas dos pas.
A critica literria e feita sobretudo por Alencar que considera o
realismo uma literatura latrinria ; excremento ;pustula,pus.
Culpibliza o naturalismo de publicar rudes anlises que se
apoderam da Igreja, da Burocracia, da Finana, de todas as coisas
santas dissecando-as brutalmente e mostrando-lhes a leso, e
deste modo destruir a velhice de romnticos com ele. Carlos da
Maia considera que o mais intolervel no realismo era os seus
grandes ares cientficos e Ega apesar de defender o realismo
concordava com esta crtica.

Craft desaprova o realismo.


Ega, reagindo s criticas efetuadas por Alencar, classifica o
romantismo como piegas, retrica oca e considera o naturalismo
uma cincia.
Aborda-se tambm o tema das finanas, espelha a crise
financeira que se passava na poca. Cohen, o representante das
Finanas, afirma que os emprstimos em Portugal constituam uma
das fontes de receita, to regular, to indispensvel, to sabida
como o imposto e que cobrar o imposto e fazer o emprstimo
eram a nica ocupao dos ministrios, sendo as colnias de
Portugal muitas vezes a salvao do pais. Retratando assim um pais
que vive de emprstimos e que no investe nos talentos e nos
recursos nacionais.
O prprio Cohen afirma que a bancarrota inevitvel e Ega protesta
vivamente, defendendo que tudo se resolveria com uma revoluo
ou com uma invaso espanhola, levando o tema da conversa para a
histria poltica. A invaso espanhola leva Ega a criticar os
portugueses, afirmando que este o pais mais cobarde e miservel
da Europa, Lisboa Portugal! Fora de Lisboa no h nada
Alencar teme a invaso espanhola pois era um perigo para a
independncia nacional, defende o romantismo poltico: uma
repblica governada por gnios com uma fraternizao dos povos.
Dmaso diz que se acontecesse invaso espanhola, ele
raspava-se para Paris e toda a gente fugiria como uma lebre.
Ao longo de todo o episdio, as referencias mentalidade
portuguesa so bastante negativas, retratando um pas fascinado
por tudo o que estrangeiro. Durante a discusso entre Ega e
Alencar, Craft representa o smbolo do carter e do bom gosto
britnico, considera que os argumentos utilizados por Alencar para
defender a sua literatura so de baixo nvel, mas isso fazia parte
dos costumes de crtica em Portugal.
As opinies das personagens no jantar revelam que os
portugueses pouco acreditam no pas e na sua capacidade de
melhorar.

Linguagem queirosiana
A Linguagem de Ea de Queirs pe de lado os lugares
comuns e cria novas associaes vocabulares. O uso expressivo do
adjetivo uma marca do estilo do autor.
O uso do adjetivo nomeadamente da dupla adjetivao
muito expressivo da caracterizao dos objetos, exprimindo as duas
faces da realidade: a objetiva e a subjetiva. Quase todos os nomes
so acompanhados de adjetivos. Do cor, forma,
- Ergueu, com um gesto rasgado, um reposteiro de repes verde, de
um verde feio e triste

- um esplndido preto, j grisalho () um rapaz muito magro, de


barba muito negra, passou-lhe para os braos uma deliciosa
cadelinha escocesa, de pelos esguedelhados, finos como seda
- Sovados, humilhados, arrasados, escalavrados, tnhamos de fazer
um esforo desesperado para viver.
O diminutivo usado para aproximar o discurso do modo
oral, o gosto pelo diminutivo tipicamente portugus; s vezes,
irnico e pejorativo.
Duas perdizezinhas bem assadas e bem coradinhas.
a maravilhazinha estava ali ao lado
O uso do advrbio muitas vezes um uso inesperado,
correspondendo a um comentrio ou desencadeando um efeito
humorstico.
Carlos, no entanto, fumando preguiosamente
estais ambos insensivelmente, irresistivelmente,
fatalmente, marchando um para o outro!
Carlos achava-a bonita, mas horrivelmente suja. (a filha do
Abrao)
o pas ia alegremente e lindamente para a bancarrota.
Os estrangeirismos traduzem a pretenso das personagens
em exibir um requinte e uma modernidade artificiais. o jogo das
aparncias em que a sociedade vive.
tenha amanh para o meu lunch duas formosas perdizes.
Carlos contou a soire.
do seu prodigioso robe-de-chambre eu no tolero o
bibelot
aquele ar imperturbvel de gentleman
Ega teve uma conferncia com o matre dhotel () exigiu que
um dos pratos do menu, qualquer deles, fosse la Cohen ()
tomates farcies la Cohen.
A linguagem coloquial, prxima da oralidade,
principalmente no discurso direto:
-Que diabo!
- Que ferro!
- Passa fora, pedante!
Cos diabos, d c outro abrao!
Hipalage
caracterizada pela transferncia das qualidades de um
sujeito para um objeto.
Neste episdio existem vrias hiplages:
Toms de Alencar era "muito alto, e com uma face escaveirada,
olhos encovados, e sob o nariz aquilino, longos, espessos,
romnticos bigodes grisalhos" - quando se diz romnticos bigodes,

est se a falar do sujeito, que este era romntico ( no sentido de


romantismo(corrente).
"fora um dia de inverno suave"
Uso do Gerndio
Indica uma ao durativa, ou seja, que est a decorrer.
"Estava mostrando a Craft"
"a famosa Vila Balzac; que esse fantasista andara meditando e
dispondo"
Discurso indireto livre
O discurso indireto livre permite que os acontecimentos sejam
narrados em simultneo. Neste tipo de discurso, as falas diretas das
personagens inserem-se dentro do discurso do narrador.
Exemplo: "Dez tostezinhos! Se o quadrinho tivesse por baixo
o nomezinho de Fortuny, valia dez continhos de ris. Mas no tinha
esse nomezinho bendito... Ainda assim valia dez notazinhas de vinte
mil ris".

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