100%(4)100% acharam este documento útil (4 votos) 2K visualizações199 páginasTopografia Aplicada A Engenharia Civil Vol.1
LIVRO DE TOPOGRAFIA APLICADO A ENGENHARIA CIVIL
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| APLICADA AO
ENGENHARIA
CIVIL
VOLUME 1ee
528.4251 644
$395k
Cx. d
Engenheiro ALBERTO DE CAMPOS BORGES
Professor Titular de Topografia e Fotometria da Universidade Mackenzie,
Ex-Professor Titular de Construgées Civis da Universidade Mackenzie,
Professor Pleno de Topogratfia na Escola de Engenharia Maus,
Professor Pleno de Construcic de Edificios na Escola de Engenharia Mau,
Professor Titular de Topografia da Faculdade de Engenharia da Fundacéo Armando Alvares Penteado
TOPOGRAFIA
VOLUME 1
2.* edigfo revista e ampliada
Ce
EDITORA EDGARD BLUCHER
www.blucher.com.br
mo CEFETIMA
BIBLIOTECA TEBYRECADE OLVERA |Apresentacao
Este trabalho se divide em dois volumes. O Vol. 1, que agora é lancado,
compée-se da Topografia Basica, ou Elementar. As aplicagdes especificas da
Topografia estardio no segundo volume, ainda em preparo. Essa subdivisiio
corresponde ao curso de Topografia que o autor vem ministrando aos alunos
do Curso Civil de trés escolas de Engenharia da cidade de Sio Paulo: Faculdade
de Engenharia da Fundagdo Armando Alvares Penteado (FAAP), Escola de
Engenharia da Universidade Mackenzie ¢ Escola de Engenharia Maua do
Instituto Maua de Tecnologia. Assim, 0 primeiro volume corresponde aos
assuntos lecionados no primeiro semestre e 0 segundo volume aos temas do
segundo semestre.
Pela ordem dos capitulos, os assuntos tratados neste primeiro volume sao:
1, Definigdo, objetivos, divisdes e unidades usuais da Topografia
2. Equipamentos auxiliares da Topografia: balizas, fichas, trenas, cader-
netas de campo
3. Medidas de distancias horizontais: métodos de medigiio
4, Levantamentos empregando apenas medidas lincares
5. Diregdes norte-sul magnética e norte-sul verdadeira, ou geogrificas
6. Rumos ¢ azimutes, magnéticos ¢ verdadeiros; transformagdes ¢ atua-
lizagdes de rumos ¢ azimutes
7. Bissolas
8. Desvios da agulha; corregdes de rumos ¢ azimutes
9. Poligonaso; levantamentos utilizando poligonais como linhas bsicas
10. CAlculo de coordenadas parciais; determinagdo do erro de fechamento
linear das poligonais
LL Ponto mais a oeste ¢ cAlculo de coordenadas totais
12, CAlculo da 4rea do poligono; métodos das duplas distincias meridianas
e das coordenadas totais
13. Ajuste de poligonais secundarias
14, Cilculo das areas extrapoligonais
15. Descrig&io do teodolito; diversos tipos; teoria dos nénios
16. Métodos de medigdo de Angulos horizontais: direto e por deflexdo
17. Retificagdes do “transito” (teodolito)
18. Altimetria; nivelamentos geométricos; niveis ¢ miras19. Retificagées de niveis
20. Taqucometria; taquedmetros normais e auto-redutores
21, Retificagdes de taquedmetros
22. Medida de distancias horizontais ¢ verticais pelo método das rampas
e com a mira de base (subtense bar)
23. Alidade-prancheta auto-redutora
Resumindo, vé-se que este primeiro yolume estuda os métodos basicos de
Ievantamento: medidas lineares, poligonaco, nivelamento geométrico, taqueo-
metria, irradiac&o; e os instrumentos topograficos fundamentais: buissolas, niveis,
teodolitos ¢ taqueémetros.
Como o segundo volume ainda se encontra em preparo, os capitulos nao
estfio numerados, porém faremos um resumo de seus temas:
@Curvas de nivel; métodos de obtencto topogrificos e por aerofotogra-
metria
@Locagio de obras; edificios, pontes, viadutos, tineis, bueiros, galerias
@Medicao de distancias por métodos trigonométricos; distancia entre
pontos inacessiveis
eTerraplenagem em plataformas horizontais e inclinadas
Arruamentos e loteamentos; levantamento da rea, projeto e locagio
¢Levantamentos subterrdineos; galeria de minas; equipamentos especiais
eTopografia aplicada a hidrometria; medigées de vazo, curvas batimé-
tricas; uso do sextante; problema das trés pontos (Pothenot)
‘@ Topografia para estradas; reconhecimento e linha de ensaio (linha basica)
@Projeto planimétrico; tragado geométrico
Curvas horizontais; circulares, espiral de transigéo, superelevacio e su-
perlargura
Projeto altimétrico; rampas e curvas verticais de concordancia;
parabélicas simétricas ¢ assimétricas
Locagao da linha projetada (alinhamento); locagao dos taludes
Cilculo dos volumes de terraplenagem: formula prismoidal; corresdo dos
volumes nas curvas horizontais
‘eEstudo do transporte de terra: diagrama de massas (Bruckner)
@ Divisio de terras; partithas
Triangulasao topografica; medidas da linha de base ¢ dos angulos; tri-
lateragao
eEmprego da eletronica na Topografia; telurémetros e distanciémetros;
emprego do raio laser
@ Poligonagiio eletrénica; trilateragdo eletrénica; mudangas nos métodos
de Jevantamento:
‘© Métodos de determinagao do meridiano local; diregao norte-sul ver-
dadeira
‘@Breves nogdes de Astronomia de campo
‘eBreves nogdes de Geodésia
Fundamentos e possibilidades da Fotogrametria
as
Pela quantidade e variedade de assuntos do segundo volume, seu preparo
se atrasou. Resolvemcs langar 0 primeiro yolume, antes da conclusio do se-
gundo porque fazic ita falta para o acompanhamento dos cursos que minis-
tramos. Talvez por scum os temas do primeiro volume elementares, os autores
geralmente néio os abordam em seus trabalhos.Introdugao
Qual a posigdo da Topografia na Engenharia? A resposta é rélativamente
simples: a Topografia existe em todas as atividades da Engenharia que neces-
sitam dela, como um “meio” e nfo como um “fim”. Ninguém cursa Topografia
apenas por cursar, e sim porque ela serve de meio para outras finalidades. Pode-se
afirmar que ela é aplicada em todos os trabalhos de Engenharia Civil, em menor
‘ou maior escala. E utilizada em varias atividades das Engenharias Mecanica,
Eletrotécnica, de Minas, e raramente em algumas atividades das Engenharias
Quimica, Metalirgica e Eletrénica.
Para entendermos 0 porqué dessas afirmagbes € necessirio saber o que a
Topografia consegue fazer e as outras Ciéncias nao: medir ou calcular distancias
horizontais e verticais, calcular Angulos horizontais e verticais com alta ou altis-
sima preciso. Quem mais pode medir distancias horizontais com erro provavel
de 1 para 100000? Quem mais pode calcular altitudes (cotas) com precisio de
um décimo de milimetro? Quem mais pode medir Angulos horizontais e verticais
com precisio de um segundo sexagesimal? Por isso os métodos e equipamentos
topogrdficos constituem um recurso para as atividades de Engenharia.
Citamos a seguir alguns exemplos, dentro dos trabalhos de Engenharia
Civil, que usam da Topografia.
a) Edificagdo. A Topografia faz o levantamento plano-altimétrico do ter-
reno, como dado fundamental ao projeto; apés o projeto estar pronto, faz sua
locagaio e, durante a execugo da obra, controla as prumadas, os niveis e ali-
nhamentos.
b) Estradas (rodovias ¢ ferrovias). A Topografia participa do “reconhe-
cimento”; ajuda no “antiprojeto”; executa a “linha de ensaio” ou “linha basica”;
faz 0 projeto do tragado geométrico; loca-o; projeta a terraplenagem; resolve
© problema de transporte de terra; controla a execugiio e pavimentagdo (a infra-
-estrutura, no caso das ferrovias); colabora na sinalizagao, corrige falhas, tais
como curvas maltragadas, etc.
¢) Barragens. A Topografia faz os levantamentos plano-altimétricos para
© projeto, loca-o, determina o contorno-da area inundada; controla a execugdo
sempre nos problemas de prumadas, niveis e alinhamentos.
A Topografia é utilizada também em trabalhos de saneamento, agua, esgoto;
construgio de pontes, viadutos, tineis, portos, canais, itrigagdo, arruamentose loteamentos, porém sempre como um “meio” para atingir uma outra finalidade,
Na Engenharia Mecanica ela é indispensAvel na “locagiio de bases de maquinas
€ nas montagens mecAnicas de alta precisfio”. Na Engenharia Eletrotécnica é
utilizada nas hidrelétricas, subestagdes e linhas de transmissio. E comum tam-
bém a aplicagio de Coordenadas U.T.M. para arquivo de dados dos sistemas
de distribuigdo primario e secundario
‘A Topografia procede aos levantamentos das galerias de mineragdo, ajuda
nas partilhas de propriedades e, na Agricultura, nas curvas de niyel ou de desnivel.
Por tudo isso, é lamentavel que a Engenharia atualmente praticada em nosso
pais coloque a Topografia em posicao secundaria, com tristes conseqiiéncias:
vias urbanas expressas com curvas maltragadas que ocasionam muitos acidentes,
complexos viarios com espirais de transic&io ao contrario, viadutos e “elevados”
com tertiveis sinuosidades, imprevistio nos locais de’ colocagao indispensivel
de guard-rail (defensas), colocacao imprépria de sinalizago. Em apoio ao que
foi afirmado; podem testemunhar os engenheiros responsaveis pela execugaio
de projetos que constatam incoeréncias de medidas entre 0 projeto e a obra,
sempre como conseqiiéncia de levantamentos malfeitos.
Toda atividade pratica contém erro, e a Topografia ndo pode ser exceco.
© que pretendemos, portanto, € que a Topografia seja praticada com erros
aceitaveis e, para isso, € necessario que a tomemos como uma atividade impor-
tante dentro da Engenharia. E sera, pondo seu estudo em nivel realmente univer-
sitario, que se conseguir aplicé-la dentro dos limites de erro aceitaveis.capitulo
Hl
eIAH AWN
Contetdo
Topografia: definigao, objetivos, divisbes e unidades usuais 1
Equipamentos auxiliares da Topografia 7
Métodos de medigao de distancias horizontais 13
Levantamento de pequenas propriedades somente com medidas lineares. 24
Diregées norte-sul magnética ¢ norte-sul verdadeira 31
Rumose azimutes 35
Bussolas 44
Corregdo de rumos e azimutes 48
Levantamento utilizando poligonais como linhas bésicas 62
Célculo de coordenadas parciais, de abscissas parciais e de ordenadas parciais 66
0 ponto mais a oeste e célculo de coordenadas totais 77
Caloulo de area de poligono 82
Poligonais secundérias, célculo analitico de lados de poligonais 95
Areas extrapoligonais 102
Teodolito 113
Métodos de medigao de Angulos 118
Retificagdes de transito 126
Altimetria-nivelamento geométrico 136
Retificagao de niveis. 145
Taqueometria 155
Célculo das distancias horizontal e vertical entre dois pontos pelo método das rampas
pela mira de base 179
Alidade prancheta 183
Equipamento cletronico 188capitulo 1
Topografia: definigdo, objetivos,
divisées e unidades usuais
A Topografia [do grego topos (lugar) ¢ graphein (descrever)] € a ciéncia
aplicada cujo objetivo é representar, no papel, a configuragio de uma porgdo
de terreno com as benfeitorias que estfio em sua superficie. Ela permite a repre-
sentaco, em planta, dos limites de uma propriedade, dos detalhes que estiio
em seu interior (cercas, construgSes, campos cultivados ¢ benfeitorias em geral,
cérregos, vales, espigdes, etc.).
Ea Topografia que, através de plantas com curvas de nivel, representa o
relevo do solo com todas as suas elevagdes e depressdes. Também nos permite
conhecer a diferenga de nivel entre dois pontos, seja qual for a distancia que os
separe; faz-nos conhecer o volume de terra que deverA ser retirado (corte) ou
colocado (aterro) para que um terreno, originalmente irregular, torne-se plano,
para nele se edificar ou para quaisquer outras finalidades. A Topografia pos-
sibilita-nos, ainda, iniciar a perfuragdo de um tinel simultaneamente de ambos
os lados da montanha com a certeza de perfurar apenas um ténel e ndo dois,
por um erro de direc&o, uma vez que fornece as diregdes exatas a seguir.
Quando se deseja represar um curso d’4gua para explorar a energia hidrau-
lica para produgdo de energia elétrica, sera a Topografia que, através de estudos
prévios da bacia hidrografica, determinara as areas do terreno que serao sub-
mersas, procedendo-se & evacuagio e 4 desapropriagdo dessas terras.
Podemos afirmar, sem medo de exageros, que a Topografia encaixa-se
dentro de qualquer atividade do engenheiro, pois, de uma forma ou de outra,
6 basica para os estudos necessrios quando da construgdo de uma estrada,
uma ponte, uma barragem, um ttinel, uma linha de transmissio de forca, uma
grande indtstria, uma edificacdo ou, ainda, na perfurac4o de minas, na distri-
buic&o de 4gua numa cidade, etc. Seria muito longo, neste capitulo inicial, citar
todas as aplicagdes da Topografia; elas irio aparecendo a medida que o assunto
estiver sendo exposto.
DIVISOES DA TOPOGRAFIA
A Topografia comporta duas divisdes principais, a planimetria ea altimetria,
Na planimetria so medidas as grandezas sobre um plano horizontal. Essas
grandezas so as distincias e os angulos, portanto, as distancias horizontais2 TOPOGRAFIA
os dngulos horizontais. Para representi-las teremos de fazé-lo através de uma
vista de cima, ¢ elas aparecerao projetadas sobre um mesmo plano horizontal.
Essa representagdo chama-se planta, portanto a planimetria sera representada
na planta.
Pela altimetria fazemos as medigées das distancias e dos angulos verticais
que, na planta, nfio podem ser representados (excegao feita as curvas de nivel,
que sero vistas mais adiante), Por essa razo, a altimetria usa como representagdo
a vista lateral, ou perfil, ou corte, ou elevacdo; os detalhes da altimetria sio re-
presentados sobre um plano vertical. A iinica excegao é constituida pelas curvas
de nivel, que, embora sendo um detalhe da altimetria, aparecem nas plantas;
porém € cedo para abordar esse assunto e, para ele, existem longos capitulos
adiante,
‘As aplicacdes diversas da Topografia fazem com que surjam outras sub-
divisées para essa ci€ncia: usos em Hidrografia, Topografia para galeria de
minas, Topografia de preciso, Topografia para estradas, etc: porém todas
clas se baseiam sempre nas duas divisées principais planimetria e altimetria.
Nas plantas, para a planimetria, e nos perfis, para a altimetria, necessitamos
usar uma escala para reduzir as medidas reais a valores que caibam no papel
para a representagiio. Essa escala é a relagdo entre dois valores, o real e 0 do
desenho. Assim, quando usamos a escala 1:100 (fala-se um para cem), cada
cem unidades reais serfio representados, no papel, por uma unidade, ou seja,
100m yalerdio, no desenho, apenas 1m.
As escalas mais comuns usadas na topografia sfio citadas a seguir. Para a
planimetria:
a) representago em plantas, de pequenos lotes urbanos, escalas 1:100 ou
1:200;
b) plantas de arruamentos ¢ loteamentos urbanos, escalas 1:1 000;
©) plantas de propriedades rurais, dependendo de suas dimensdes, escalas
11.000, 1:2000, 1:5.000;
d) escalas inferiores a essas so aplicadas em geral nas representagdes de
grandes regides, encaixando-se no campo dos mapas geograficos.
Para a altimetria:
Geralmente as escalas so diferentes para representar os valores horizontais
© os valores verticais; para realar as diferengas de nivel, a escala vertical cos-
tuma ser maior que a horizontal; por exemplo, escala horizontal 1:1000 e es-
cala vertical 1:10.
Para sabermos com que valor se representa uma medida no desenho, bas-
tara dividi-la pela escala. ;
Exemplo 1.1 Reptesentar,no desenho, 0 comprimento de 324m em es-
cala 1:500:
324m y
d= = 0.648 m, ou seja, 64,8.cm.
Para a operac&o contraria, deve-se multiplicar pela escala.Topogrefia: definicéo, objetivos, divisées e unidades usuais 3
Exemplo 1.2. Numa planta em escala 1:250, dois pontos, A e B, estio
afastados de 43,2cm. Qual a distancia real entre eles?
d = 0,432m x 250 = 108 m.
Quando se trata de Areas, os valores obtidos na planta devem ser multi-
plicados pelo quadrado da escala, para se obter a grandeza real.
Exemplo 1.3 Medindo-se uma figura retangular sobre uma planta em
escala 1:200, obtiveram-se lados de 12 e Scm. Qual a superficie do terreno que
© retangulo representa?
Area na planta =a m? = 0,12 m x 0,05 m = 0,006 m?.
Area real = A = 0,006 m? x 200? = 240 m?,
Fazendo-se as operagées parceladamente, facilmente se compreende por que
se deve multiplicar pela escala ao quadrado: o lado de 0,12m representa, na
realidade,
0,12m x 200 = 24m;
© lado de 0,05m representa
0,05 x 200 = 10m;
portanto,
A= 24 x 10m = 240m?
ou, ainda,
A =0,12m x 200 x 0,05 m x 200 = 0,12m x 0,05m x 200? = 240 m2.
Para facilidade de representagdo no desenho ¢, depois, para simplificar
sua interpretacao, € habito usar escalas cujos valores sejam de multiplicagao
€ divisdo faceis, ou seja,
1:5, 1:10, 1:20, 1:50, 1:100, 1:200, 1:500, 1:1 000, etc.
Algumas vezes, podem ser empregadas, ainda, escalas 1:250, 1:300 ou 1:
Nunca, porém, se emprega 1:372 ou valores semelhantes, pois haveria muita
dificuldade em realizar 0 desenho e, depois, em converter as distancias graficas
em valores reais.
As vezes ocorre que um desenho, ao ser copiado em clichés para impressiio
em livros ow revistas, sofre redugdes fraciondrias que tornam suas escalas
indeterminadas. Se, no desenho, aparecerem valores marcados (cotados), pode-
remos determinar a escala da impressio dividindo a dist4ncia indicada pela
distancia obtida graficamente no desenho.
Exemplo 1.4 Numa planta, verificamos que os pontos 1 e 2 tém uma dis-
tancia indicada de 820m ¢ que aparecem, no desenho, afastados 37cm. Qual
a escala?
820m
nn oo
portanto a escala é 1:2216,2. Dessa forma, qualquer outra distancia, ndo-cotada
na planta, poder ser calculada desde que se obtenha a distancia no desenho
e se multiplique por 2216,2.4 TOPOGRAFIA
LIMITES DA TOPOGRAFIA
‘Na Topografia, para as representagSes e cAlculos, supde-se a Terra como
sendo plana, quando, na realidade, esta é um elipsdide de revolug&o, achatado.
Esse elipséide, na maioria dos casos, pode ser interpretado como uma esfera.
Pode-se afirmar que, quando as distancias forem muito pequenas, seus valores,
medidos sobre a superficie esférica, resultado sensivelmente iguais aqueles
medidos sobre um plano. E necessario, porém, que se fixem os limites para que
isso acontega. Acima desses limites, 0 erro sera exagerado, e os métodos topo-
graficos deverdo ser substituidos pelos geodésicos, pois estes j levam em con-
sideragado a curvatura da Terra.
Segundo W. Jordan, o limite para se considerar uma superficie terrestre
como plana ¢ 55km?, ou seja, $5000000 m?; ou, ainda, numa unidade muito
usada no Brasil (alqueire paulista = 24200 m2), cerca de 2272,7 alqueires pau-
listas. Ainda assim, trata-se de um limite para um trabalho de grande preciso.
Para medigdes aproximadas, de propriedades rurais, os métodos topograficos
podem satisfazer até 0 dobro da 4rea citada, ou seja, cerca de 5000 alqueires.
Acima desses limites, a curvatura da Terra produzira erros que no poderdio
ser evitados nem por cuidados do operador, nem pela perfeigdo dos aparelhos.
Num levantamento dos limites, de uma propriedade excessivamente grande,
por processo poligonal, mesmo supondo-se a medida de todos os angulos e
distancias sem qualquer erro, ainda assim, no calculo, o poligono nao fechara,
pois esta suposto sobre um plano, quando, na realidade, esta sobre uma esfera.
UNIDADES EMPREGADAS NA TOPOGRAFIA
As grandezas mais freqiientes na Topografia so distancias e angulos;
além destas aparecem Areas ¢ volumes. Para distancias, a unidade universal-
mente empregada € 0 metro com seus submiltiplos: decimetro, centimetro &
milimetro. Excepcionalmente pode-se empregar 0 quilémetro, porém, raramente,
pois a Topografia no se destina a grandes distdncias, Para a expresso de reas,
usa-se © metro quadrado, salvo em propriedades de zonas rurais, onde ainda
se fala em alqueire paulista ou mineiro; para volumes usa-se 0 metro ctibico.
Adiante daremos uma relago de valores comparativos de unidades lineares,
de Area ¢ de volumes. Para ngulos, a Topografia s6 emprega os graus sexage-
simais ou grados centésimos; para fins militares existe 0 milésimo.
O grau sexagesimal é 1/360 da circunferéncia, sendo cada grau dividido
em 60 min e cada minuto em 60s. Portanto, jé que a circunferéncia tem 360
graus eo grau tem 60 min, a circunferéncia tem 360 x 60 = 21600 min; e tem
21.600 x 60 = 1296 000s.
grado centesimal € 1/400 da circunferéncia, sendo cada grado dividido
em 100 min de grado, e cada minuto dividido em 100s de grado; portanto, a
circunferéncia tem 40000 min ou 4000 000s. Esta unidade é bem mais pratica
para uso, pois, sendo decimal, no exige os cansativos trabalhos de transfor-
mag&io que o grau sexagesimal implica.
Os célculos militares empregam o milésimo. O milésimo é a abertura an-
gular resultante da paralaxe de 1 a 1000 m de distancia (Fig. 1.1).Topogratia: defini¢éo, objetivos, divisies e unidades usuats 5
ej /
i a tlic cw |
Figura 1.1
1.000 m
Uma circunferéncia com raio 1000m tem como comprimento C = 27R =
= 6 283,185308m; um metro representa pois uma fragdo da circunferéncia
igual a 1/6 283,185308. Significa que a citcunferéncia tem 6 283,185308 milésimos.
Este € 0 valor exato do milésimo. Acontece que 0 grande emprego do milésimo
esta no setor militar por razées de rapidez de calculos.
Vejamos um exemplo: um binéculo apresenta gravagéio de reticulos de
milésimo em milésimo nas duas diregdes, horizontal e vertical. Observando
uma torre que sabemos ter 40m de altura, vemos que ela se encaixa em 5 milé-
simos. Qual a distancia entre nés ¢ a torre?
Solugiio. Se 40m correspondem a 5 milésimos, quantos metros de altura
corresponderao a 1 milésimo?
Ja que 1 milésimo corresponde a 1m para a distancia de 1000m, 0 mesmo mi-
Ksimo corresponderé a 8m a uma distancia de 8 000m.
Resposta. Estamos a cerca de 8 000 m da torre. Nota: todo o cdlculo é apenas
aproximado.
Comparando 0 milésimo com o radiano (unidade mais usada para fins
matematicos) vemos que 0 milésimo corresponde a uma milésima parte do
radiano, dai o seu nome.
A circunferéncia tem 2x x 1000 milésimos enquanto que tem 2xR/R =
= 2n x 1 rad, portanto o radiano é mil vezes maior do que o milésimo.
Para uso pratico o nimero de milésimos da circunferéncia completa é
aumentado ¢ arredondado para 6 400 (0 numero 6 400 foi adotado por ser mal-
tiplo de 2, 4, 5, 8, etc.). Assim cada quadrante correspondera a 1600 milésimos;
45° correspondem a 800 milésimos, etc. E natural que esta aproximagao torna
os calculos ainda menos corretos, porém facilitam e aceleram.
Quanto as medidas de distancias, os poucos paises, como os Estados Unidos
¢ Inglaterra que nao utilizavam 0 metro como unidade, ja oficializaram o seu
uso. Logicamente levaré algum tempo para que o uso pelo povo se generalize.
Assim os livros técnicos ainda falarao de polegadas, pés, jardas e milhas durante
algum tempo mais.
1 polegada = 2,54cm,
1 pé = 12 polegadas = 30,48 cm,
1 jarda = 3 pés = 91,44 cm = 0,9144 m,
1 milha = 1760 jardas = 1 609,34 m.6 TOPOGRAFIA
Para avaliag&o de reas de pequenas e médias propriedades usa-se o metro
quadrado. Para grandes Areas pode-se usar 0 quilémetro quadrado, corres-
pondente a um milhdo de metros quadrados. No Brasil ainda se emptega o
are, correspondente a 100m, e o hectare, valendo 10000m?, O hectare € em-
pregado para Areas de propriedades rurais. No ehtanto, o habito faz com que
ainda se utilize 0 alqueire como medida.
O alqueire paulista corresponde a um retangulo de 110 x 220m = 24200 m?.
© alqueire mineiro ou goiano corresponde a umn quadrado de 220 x 220 m =
= 48 400 m?, O alqueire paulista é aproximadamente 2,5 vezes 0 hectare, o que
facilita as transformagées; uma propriedade com 40 alqueires paulistas cor-
responde aproximadamente a 40 x 2,5 = 100 hectares.
A medida americana antiga para Areas & o acre que corresponde a 4840
jardas quadradas ou 0,9144? x 4840 = 4 046,86 m?. Para calculos aproximados
pode-se considerar o acre valendo 4000 m?.
Para volumes usa-se 0 metro ciibico e, excepcionalmente, para pequenos
volumes de gua (medidas de vaz4o), 0 litro. Um metro ciibico contém 1 000 litros.capitulo 2
Equipamentos auxiliares da Topografia
Entre os equipamentos auxiliares para se efetuar os levantamentos topo-
graficos incluem-se: balizas, fichas, trenas de ago, de lona, de fibra sintética e
correntes de agrimensor. Sao esses equipamentos que estardo presentes em
todos os trabalhos topograficos.
BALIZAS.
Sto peas, geralmente de madeira, com 2m de altura, de seo octogonal,
pintadas, a cada 50 cm, em duas cores contrastantes (vermelho e branco) e tendo
na extremidade inferior um ponteiro de ferro, para facilitar sua fixagdo no ter-
reno (Fig, 2.1). Podera também ser de ferro e, nesse caso, de canos galvanizados
ou condutos elétricos; terdo maior peso, o que representa uma inconveniéncia;
no entanto poderao ser compostas de duas metades, de um metro cada, conec-
tadas por uma luva com rosca, o que facilita seu transporte em veiculos pequenos.
A baliza é um auxiliar indispensavel para quaisquer trabalhos topograficos,
pois possibilita 2 medida de distdncias, os alinhamentos de pontos e serve ainda
para destacar um ponto sobre o terreno, tornando-o visivel de locais muito
afastados. As balizas séo chamadas também bandeirolas, porém essa deno-
minago € quase desconhecida em nosso pais, sendo usada apenas em Portugal.
FICHAS
Sao pecas de ferro, de segGo circular, com um diametro de 1/4” ou 3/16”,
com cerca de 40.cm de altura; so ponteagudas na extremidade inferior, para
cravacao no solo ¢, na extremidade superior, poderemos ter uma cabega cir-
cular ou triangular (Fig. 2.2); deve-se dar preferéncia as formas triangulares,
pois estas dao, ao serem cravadas no solo, maior apoio para as mfios. Devem
ser pintadas em cor viva para maior visibilidade, o que evita também perdas
no meio da vegetagdo. As fichas destinam-se 4 marcacdo de um ponto sobre o
solo, por curto perfodo, porque sua forma permite facil e répida cravagio e
retirada do solo. As fichas compéem grupos de 5 ou 10, em argola de ferro, onde
so enfiadas pela extremidade superior. Suas diversas aplicacdes iro apare-
cendo durante os capitulos seguintes.250m
050m
TOPOGRAFIA
0,50m
2.50m
——BRANco
|— FERRO 1/4"
§
—— veRMELHO 2
A
| pov
pronase ere
chi
|——aranco — (oitavada)
Figura 2.2
-—vERMELHo
Figura 2.1
<— PONTEIRO DE FERRO
CORRENTE DE AGRIMENSOR
Trata-se de uma pega, para medida de distancias, que, conforme seu nome,
assemelha-se a uma corrente, Tem grande facilidade de articulagao e rusticidade,
qualidades que a fazem muito pratica para ser usada no campo. E composta
de barras de ferro ligadas por elos, dois em cada extremidade, para facilitar a
articulagao (Fig. 2.3); cada barra, com um elo de cada lado, mede 20 cm; cinco
Figura 2.3
\ 020m i
re CL ere
1
U l
|
BARRA
V \
2ELOS
2ELOS BARRAEquipamentos auxiliares da Topogratia 9
barras com os respectivos elos completam um metro; de metro em metro, en-
contra-se presa uma medalha onde se acha gravado o ntimero de metros desde
© inicio da corrente. A primeira ¢ a ultima barras sao diferentes, pois contém
as manoplas (Fig. 2.4), as quais permitem a extenso com a forca suficiente para
climinar a curvatura que o peso da propria corrente ocasiona (esta curva é cha-
mada catenaria). A manopla fixa-se num pedago da barra, munida de rosca
com porca € contraporca que permitem pequenas corregdes no comprimento
total da corrente, As correntes ttm 20m de comprimento. Seu emprego atual
é limitado, com o aparecimento das fitas (trenas) de fibra sintética, muito mais
praticas e precisas.
PEDACOS DE BARRA BARRA coMUM
MANOPLA
Figura 2.4
1
1
1
1
PORCA E CONTRA-PORCA !
1
1
20m
I ATE A FACE EXTERNA DA MANOPLA I
TRENA DE PANO OU LONA
E uma fita de lona graduada em centimetros enrolada no interior de uma
caixa circular através de uma manivela; scus comprimentos variam de 10, 15,
20, 25, 30 até 50m. Algumas, para maior precisio, possuem um fio metalico
flexivel no interior da fita de lona, fio este que tem a fungao de reduzir a elon-
gagdio daquelas, quando solicitadas por um esforgo muito grande ou de diminuir
sua contragio quando do encolhimento da lona; ainda assim, a trena de pano
no oferece condigdes de confianca para ser usada em medidas de responsa-
bilidade. A grande facilidade de manuseio a torna, porém, muito aconselhavel
para medidas secundarias de pouca responsabilidade, principalmente na medida
de detalhes.
E indispensdvel que se esteja prevenido sobre a grande facilidade que a
trena de pano tem em aumentar o seu comprimento quando puxada com forga
superior 4 que se destina; aumentos de 5 a 10 cm sao comuns em trenas de 20 m,
apés algum tempo de uso.
Como material basico na construgdo das trenas de pano, a lona vem
sendo substituida por produto sintético (fibra de vidro), com sensiveis melhoras
na durabilidade e na precisio.
TRENA DE ACO
A trena de ago € uma pega idéntica a trena de pano, porém tem a fita em
ago. Geralmente 0 inicio (primeiro decimetro) € milimetrado para medidas de10 TOPOGRAFIA
maior preciso. Nesta pega, os erros ocasionados por uma extensio, através
de um esforgo superior ao indicado, so muito reduzidos, e isto sé é levado em
consideragéo cm operagées especiais; pode sofrer influéncia da variagdo de
temperatura (dilatago e contrago do aco), existindo formulas para a sua cor-
rego, © que ocorre também s6 em casos especiais, quando ainda se corrigem
‘os erros resultantes da catendria. Adiante, essas corregées serdo tratadas. As
trenas de ago aparecem em comprimentos varidveis de 10, 15, 20, 25, 30, 40 até
50m. As mais comuns so de 20 ou 30m. Os esforgos que devem ser aplicados
nas trenas de ago sao de 8 kg para as trenas de 20m, de 10kg para as de 30m
e de 15 kg para as de 50 m; as forgas poderiio ser medidas por um dinamémetro
colocado numa das extremidades, porém tal providéncia ser tomada apenas
nas medidas de precisio. Apesar de ser a peca de maior exatidio na medida
de distancias, nio é sempre usada porque exige uma série de cuidados que a
tornam pouco pratica nos trabalhos corriqueiros.
Pelo fato de ser guardada sempre enrolada nas caixas circulares, a fita de
ago tem a tendéncia de formar voltas que escondidas na vegetacao ficam invi-
siveis; ao se esticar a trena, a volta se aperta (Fig. 2.5) e acaba por partir-se.
3
(ACIDENTE MUITO COMUM COM TRENAS DE AGO)
Figura 2.5
Outro inconveniente é que ela pode enferrujar-se rapidamente; ao final
de cada dia de trabalho, ha necessidade de limpa-la com querosene ¢, a seguir,
besunta-la com vaselina; guarda-la sem esses cuidados na caixa, é certo que
ser& atacada pela ferrugem.
Nao pode ser arrastada pelo solo, pois gastara a gravagdo dos niimeros ¢
dos tragos que constituem sua marcagdo.
Todos estes fatores tornam a trena de aco muito pouco pratica no uso
comum, ficando reservada para as medidas de grande responsabilidade.
FITAS DE AGO
Sao também trenas de ago, porém no lugar de estarem em caixas circulares
fechadas, so enroladas em circulos descobertos munidos de im cabo de madeira.
Outra diferenga esté no fato de nao serem gravadas de ponta a ponta, apenas 0
primeiro ¢ o iltimo decimetro € que sfo milimetrados; a parte intermedidria
é marcada apenas de 50 a 50cm,os metros inteiros com chapinhas rebitadas
na fita e com 0 namero em baixo-relevo, ¢ os meio-metros com pequeninos
orificios na fita, sem qualquer outra indicagéo; é uma forma de tornd-la maisEquipamentos auxiliares da Topoarefia 1
riistica, permitindo mesmo que seja arrastada pelo solo sem ser prejudicada
(Fig. 2.6).
Nas duas extremidades, pequenas argolas permitem a passagem de uma
correia de couro para permitir o seu esticamento em condigdes praticas (Fig. 2.7).
cIRCULO METALICO ONDE SE ENROLA A FITA
|
Figura 2.6 Dispositivo para guardar
a fita, quando nao estiver em uso
CABO DE MADEIRA
MANIVELA
CORREIA DE COURO PARA
FITA DE aco SER PUXADA PELO PULSO
7 Figura 2.7 Extremidade da fita de ago
FITAS PLASTICAS
Sao extremamente praticas « mais precisas do que as trenas de pano e as
correntes de agrimensor. Naturalmente sdo menos durdveis, porém com uso
cuidadoso duram muitos anos. Vém sendo encontradas, nas lojas especiali-
zadas, fitas com comprimentos de 20, 25 ou 30 m, sem envoltdrio e com correias,
também plasticas, nas pontas.Vém graduadas de 5 em Scm, com fundo em
branco ¢ as graduagdes em preto e vermelho, o que dé boa visibilidade. Ao
experimentar-se sua resisténcia a tragdo, verifica-se que uma fita de 20 m neces-
sita de uma forga de 5 a 7k para ficar razoavelmente bem estendida. Aumen-12 TOPOGRAFIA
tando-se para cerca de 12k constata-se uma extensdo de 1cm em 20m; resulta,
portanto, muito melhor do que as trenas de lona onde esses erros chegam a
cerca de Scm.
CADERNETAS DE CAMPO.
As anotagées de campo devem ser feitas em cadernetas apropriadas, As
condigées de trabalho so ruisticas e Arduas obrigando o emprego de uma cader-
neta com encadernagao especial, de capa dura, impermeabilizada e com papel
resistente nas folhas internas. Algumas sdo vendidas j4 prontas com titulos
impressos para as tabelas de anotagio,0 que no nos parece bom por restringir
© seu emprego. E verdade que economiza tempo, no campo; por isso as firmas
que usam métodos padronizados podem mandar edita-las especialmente para
© seu uso.
A caderneta de campo, em certos trabalhos, principalmente oficiais, ¢ uma
peca de extrema importéncia ¢ deve set mantida inalterada. Nao podemos es-
quecer que, ao calcular, sempre podem ser cometidos enganos, Ora, se alte-
rarmos os dados originais, fica impossivel nova verificagao. Em alguns con-
tratos de servico, as cadernetas de campo devem ser entregues, juntamente com
as planilhas de calculo, desenhos e demais documentos.capitulo 3
Métodos de medig&o de
distancias horizontais
percorrendo alinha: uso de diastimetros [trena de ago, tre-
na de pano, corrente de agrimensor, fi-
tas de plistico (PVC), fio de invar]
taqueometria
mira de base (subtense bar)
método das rampas
telemetria
equipamentos eletrnicos
indireto: _ emprego de trigonometria
direto
Métodos com aparelhos
especiais
Dizemos que se emprega 0 método direto quando, para se conhecer a dis-
tancia AB, mede-se a prépria distancia AB. E método indireto quando, para
determinar AB, medem-se qualquer outra reta e determinados angulos que
permitem o clculo por trigonometria. O método direto pode ser utilizado
percorrendo-se a linha com qualquer tipo de diastimetro, aplicando-o suces-
sivamente até o final; por exemplo, se a0 medirmos uma distancia com uma
trena de 20 m, conseguirmos aplica-la quatro vezes e, no final, restar a distancia fra-
cionaria de 12,73 m, a distancia total sera 4 x 20m + 12,73 m = 92,73 m. Neste
mesmo capitulo fazemos uma descri¢ao detalhada para aplicarmos este método
com o minimo de erro possivel.
Quanto a aplicagdo de aparelhos especiais, os assuntos serdio tratados em
capitulos posteriores, porém ja damos uma nogio neste capitulo.
TAQUEOMETRIA
E 0 emprego do taquedmetro, ou seja, um teodolito que possui linhas de
vista divergentes (Fig. 3.1). As linhas de vista FA ¢ FB (divergentes) atingem uma
régua graduada (mira), permitindo a leitura da distancia I; conhecida a cons-
tante do aparelho (ffi); pode-se assim calcular
Sees
i
sendo S a distancia entre o aparelho no ponto F ea mira no ponto M.14 TOPOGRAFIA
Figura 3.1. Principio da taqueometria; REGUA GRADUADA = MIRA
© desenho € vista lateral
MIRA DE BASE (subtense bar)
Esse equipamento emprega o mesmo principio da taqueometria, porém
com uma inversao: aqui o valor J torna-se constante, e a yaridvel é a abertura
angular das duas linhas de vista. Uma barra de 2 m (de invar) é assentada, sobre
um tripé, no ponto B, de modo a ficar horizontal, e perpendicular a linha de
yista que vem de A. O teodolito de alta preciso, colocado em A, mede 0 Angulo
visando para a esquerda e depois para a dircita; a distincia AB é a co-tangente
de /2, ja que EB = BD = 1m (Fig. 3.2).
Figura 3.2 (em planta)
METODO DAS RAMPAS
O teodolito colocado em A visa para uma régua graduada (mira), colqcada
em B com duas inclinagdes da luneta, 2, e «.; estes Angulos so medidos, jun-
tamente com as leituras /, ¢ [,, na mira (Fig. 3.3).
Figura 3.3 Método das rampas, vista lateralMétodos de medigio de disténcias horizontais 15
A distancia horizontal (H) & obtida pela seguinte formula:
“tea,—tea,
TELEMETRIA
Os telémetros mecAnicos ou 6pticos so aparelhos que aplicam o principio
da mira de base ao contrario, isto é, o telémetro que constitui a base esté no
ponto A ¢ 0 ponto B é apenas um ponto visado; em fungio da regulagem para
se visar B com as objetivas E ¢ D do telémetro, mede-se a distancia AB (Fig. 3.4).
&
Figura 3.4 atl 8
oO
Nas maquinas fotograficas existe também num telémetro éptico, portanto,
ao se localizar a imagem para a foto, pode-se saber a distncia em que cla se
encontra da maquina, lendo-se na escala das distancias, porém com baixa pre-
ciso, pois, além dos 15m, normalmente as méquinas consideram como infinito.
Qualquer tipo de telémetro é sempre de preciso muito baixa, mas tem impor-
tncia para fins militares porque € 0 processo que nao necesita enviar ninguém
ao ponto B.
EQUIPAMENTOS ELETRONICOS
A aplicacao de raios infravermelhos ou do laser, ou ainda, 0 emprego de
aparelhos de emissio de ondas de radio de alta-freqiiéncia (microondas) per-
mitem 0 calculo de distancias que vao desde 10 m até cerca de 120 km com rapidez
€ preciso. A importancia desses equipamentos na Topografia e Geodésia mo-
dernas merecera capitulo especial, posteriormente.
DIASTIMETROS
Supdem-se dois pontos A e¢ B, fixados no terreno por meio de estacas, que
s&éio pegas de madeira, geralmente de tamanho reduzido de segio 3 x 3cm e
comprimento de 15cm, com a fungéo de marcar, no solo, um determinado
ponto; para marcago por periodos mais longos, podem-se empregar estacas
maiores, chegando-se até o emprego de marcos de concreto, quando a demar-
cago for de grande importancia e responsabilidade.
Quer-se conhecer a distancia horizontal entre A e B, usando-se para isso
a corrente, As pegas auxiliares serdo quatro balizas e um mago de fichas, Sio
ainda indispensAveis dois operadores; um terceiro poderd ser util, porém niio
indispensayel.16 TOPOGRAFIA
@ Inicialmente, crava-se uma baliza junto e atras da estaca B.
0 primeiro operador, chamado homem de ré, segura uma baliza sobre
aestaca A ¢, junto a ela, uma das manoplas da corrente.
© segundo operador, homem de vante, tem nas mios outra baliza, o
mago de fichas ¢ a outra manopla da corrente; segurando a baliza a cerca de 20 m
(comprimento da corrente) do ponto A, solicita do operador de ré que lhe fornega
alinhamento.
‘© homem de ré, colocando-se atras de sua baliza e olhando para a baliza
colocada no ponto B, por meio de gestos procura orientar a baliza do homem
de vante, de modo a ficar na mesma linha das outras duas; em seguida segura
a manopla exatamente no eixo de sua baliza (Fig. 3.5).
| MANOPLA EXATAMENTE NO
if Elxo Da BaLiza
&
ae
Figura 3.5
BALIZA EXATAMENTE NO
a ENTRO DA ESTACA A
<—ESTACA A
@O homem de vante estica a corrente até conseguir que ela fique com uma
catenaria relativamente pequena. Considera-se normal que uma corrente de
20m tenha uma catenaria, cuja flecha central tenha cerca de 30 ou 40cm, nao
havendo necessidade de fazé-la uma reta perfeita (seria necessario um esforco
acima do normal), Esticando a corrente, o operador de vante traz sua baliza,
sempre acompanhando 0 alinhamento, para a posi¢do da manopla. A corrente
devera estar horizontal; para isso, nos terrenos inclinados, 0 operador queMétodos de medi¢go de disténcias horizontais 7
estiver na parte mais baixa levanta a manopla, enquanto que 0 operador que
est no ponto mais elevado segura a manopla o mais perto possivel do solo
(Fig. 3.6). O operador que segura a manopla muito acima do solo devera colo-
car-se lateralmente 4 ditegio da linha, para poder controlar a verticalidade da
baliza no sentido que mais interessa (Fig. 3.7). Quando as balizas se inclinam
para os lados, e ndo para frente ou para tras, os erros resultantes so relativa-
mente pequenos.
@ Terminada a medida desse setor de 20m, o operador de vante crava uma
ficha no lugar da baliza ¢ carrega esta, juntamente com a corrente, para medir
Figura 3.6
Altura necesséria para
manter o corrente horizontal
TERRENO INCLINADO
POSIGOES INCORRETAS DA BALIZA RESULTANDO EM ERRO GROSSEIRO
Figura 3.7
[EROS NA BALIZA QUE PRODUZEM GRANDES DIFERENGAS
VISTA EM PLANTA18 TOPOGRAFIA
outra parcela. O homem de ré, carrega sua baliza até o ponto onde se acha cra-
vada a ficha, substituindo uma pela outra; tera em suas mos uma ficha, 0 que
significa ja ter sido medida uma correntada.
© Quando o terreno tiver grande inclinagdo, para estabelecer a correntada
horizontal, sera necessario que uma das manoplas seja colocada no topo da
baliza ou até fora dela; isso tornara a medida impossivel; nesse caso, deve-se
parcelar a correntada, medindo-se 10 m e depois os outros 10 m. Quando houver
ainda maior inclinagiio, poder-se-A medir de 5 em 5m e assim sucessivamente;
porém existem duas regras que devem ser obedecidas: a correntada sempre
devera ser concluida completando-se a corrente, isto é, os primeiros 10 m devem
ser medidos com a primeira parte da corrente e os restantes 10 m com o testo
da corrente; a segunda regra determina que, somente quando a correntada se
completar, 0 homem de vante cravard a ficha.
@ As fichas, assim, terio também o papel de servir para contar 0 nimero
de correntadas. Em linhas longas, pode-se esquecer 0 ntimero de vezes em que
se completou a corrente, pois a medida total seré igual ao niimero de fichas
vezes 20 m, mais a Ultima distancia fracionaria obtida.
Erros. Considera-se razoavel a distancia obtida com a corrente quando
seu erro esta na relagdo menor ou igual a 1/1000, ou seja, 1m em cada quilé-
metro medido; isso € 0 mesmo que dizer 10 cm em cada 100m ou 2cm em cada
20m (uma correntada). Por essa razdo, é necessdrio 0 maximo cuidado para
que se enquadre dentro desse limite. Citamos a seguir os principais motivos
de erros, para que os principiantes estejam prevenidos contra eles:
a) colocar-se atras das balizas, ¢ nao lateralmente; em posigio errada,
© observador nfo podera notar a inclinagao das balizas para frente e para tras,
provocando 0 maior de todos os erros;
b) segurar as manoplas fora do eixo da baliza;
¢) esticar pouco a corrente;
d) esticar a corrente fora da linha horizontal; esse erro aparece crescendo
em progressio geométrica e, por isso, pequenas diferengas de nivel nao afetam
(Fig. 3.8).
Vejamos os valores do erro (a—c) quando b varia de 0a 1 m, de 10 em 10 cm.
b (em m)
01
02
03
04
0,5
06
07 0.01200
08 0,01600
09 0,02030
10 0,02500Métodos de medicao de dist3ncias horizontais 19
Ja?=b? Ero na medida = a-c
Por esses valores de erro, vé-se que um erro de 10cm no nivel acarreta um
erro desprezivel de 0,2 mm; apenas, ao chegar o erro de nivel a 0,6m, é que o
erro na distancia atinge cerca de 1cm.
e) erro provocado por catendria. Em virtude do peso elevado da corrente,
devemos prever que, mesmo quando esticada com forga, ela apresentara uma
curvatura, Essa curvatura € denominada catendria, cujo comportamento devi-
damente estudado apresenta a formula
8p?
Ca 3
(desenvolvimento em série onde apenas o primeiro termo tem valor signifi-
cativo), onde
C, = erro provocado pela catenaria, em metros:
flecha central, em metros;
1 = vao livre (entre os extremos) = comprimento da corrente.
Por sua vez a flecha f pode ser calculada por
la
ae
onde .
peso por metro linear de corrente,
‘orca de tensio, em quilogramas,
portanto ot
645?
f?
Substituindo, temos
_8prtt
31- 64F?
portanto pe
24F?°
Para uma peca pesada como a corrente ¢ mais pratico aferi-la com uma
flecha razoavel, eliminando a necessidade de aplicarmos posteriormente a cor-
regdo. Uma corrente de 20m tera uma flecha (/') razoavel de 0,30 m. Entdo ao
aferi-la, comparando-a com uma trena de ago precisa, devemos fazé-lo deixando
esta flecha. No uso comum, procuraremos entao esticd-la deixando aproxima-
damente a mesma flecha, Esse assunto sera comentado logo adiante.
Ressaltamos que a falta de comodidade no uso da corrente faz com que,
atualmente, prefira-se 0 emprego das fitas de plastico (PVC), que so leves, mais
Precisas do que as correntes apresentam a mesma rusticidade destas, isto 6,
no necessitam de cuidados especiais para nao se estragarem ou partirem.20 TOPOGRAFIA
Medigdes com a trena de aco, com a fita de ago ou com a fita de plastico (PVC)
As medigdes com essas pecas obedecem As mesmas regras das executadas
com a corrente; excetuam-se as medidas de linhas de base para triangulagées
que exigem cuidados especiais e serdo tratadas adiante. Nas medidas comuns
a trena de ago apenas aumenta a preciso da operagio.
Aferigdo da corrente — corregdo das medidas obtidas com uma corrente errada.
Além dos erros abordados, resultantes das falhas de medigo, existem
aqueles que se originam de erro da corrente; esta poder ter um comprimento
superior ou inferior ao fixado, Uma corrente de 20 m. por diversas razées, podera
medir 19.95 ou 20,04 etc. Para a constatagdo desse erro, deve-se aferir a corrente,
comparando-a com uma trena de aco de confianga; no entanto essa aferigdo
devera ser feita com a corrente nas mesmas condigdes em que sera usada. Sabe-
mos que € praticamente impossivel esticd-la entre duas balizas, eliminando
completamente a catenaria, por isso, aferi-la esticada sobre um solo perfeitamente
plano é errado, a nfio ser que se acrescente 0 erro que sera cometido ao usa-la
com uma determinada flecha.
Sabemos que uma flecha de 0.3m reduz o comprimento da corrente em
12mm:
gabe Pix
3 ax
2 8 x 009 _ 0,72
03m?
fom: 480 eo
Portanto, comparando a corrente sobre um solo plano, com uma trena de ago
¢ encontrando-se | = 20,04, 0 comprimento real seré
20,04 — 0,012 = 20,028
quando for usada com a flecha de 30cm
Outro modo de aferigo, porém menos exato, seria estender a corrente
entre duas balizas, sem tocar o solo, permitindo uma flecha normal. Para isso
sera necessario cravar as balizas no solo para que fiquem fixas; a seguir, mede-se
a mesma distancia com a trena de ago. Esse sistema é mais dificil menos prd-
tico, pois € problemAtico conseguir as duas balizas na posigdo exata sem toca-las,
¢ também pouco provavel a extensio da corrente.
Tendo-se aferido a corrente ¢ constatando-se determinado erro, surgem
dois caminhos, a correg4o mecAnica ou a corregio analitica. A corrego me-
cAnica € feita na propria corrente: usa-se a barra inicial anexa 4 manopla, e que,
possuindo rosca, porea e contraporca, permite pequenas retificagdes. Em geral
se prefere a correo analitica, por ser mais rapida e exata. Consiste em usar
normalmente a corrente, cortigindo os valores obtidos. Essa corregiio ¢ feita
usando-se uma simples regra de trés inversa:
comprimento real da corrente x | medido
comprimento nominal de correnteMétodos de medigéo de distancias horizontais 21
sendo ~
|, 0 comprimento real da linha, |, 0 comprimento medido com a corrente
errada. e ¢ 0 comprimento da corrente.
A regra de trés é inversa porque. quanto maior for a corrente, menor numero
de vezes caber dentro da linha
Exemplo 3.1 As linhas dadas neste exemplo (Tab. 3.1) foram medidas
com uma corrente que, apés aferida, media 19.96 m. Determinar os compri-
mentos corrigidos.
Tabela 3.1
Comprimento Comprimento
corrigido
113,07
142,56
70,96
42,66
89,87
56,29
66,17
Constante = 5
10-11
Os valores da coluna dos comprimentos corrigidos foram obtides pelo produto dos com-
Primentos medidos por 0.998.
Exemplo 3.2 A linha A-B foi medida com uma corrente que media 20.06 m,
obtendo-se 92,12 m. Qual o comprimento real da linha?
c 20,06
L= In 9g = 9212 “Stooyaas 92,40 m.
Medidas de distéincia, com trena de aco, para alta preciso
Quando for necessaria alta precisio na medida de uma distancia, devemos
aplicar métodos especiais. Naturalmente, esses métodos exigirdio dispéndio de
muito tempo, porém o tempo gasto torna-se pouco importante com tais casos,
pois « precisdo é fundamental. E o caso de uma distancia que sera utilizada como
linha de base para triangulagdes, isto é baseados na medida de apenas uma linha
iremos calcular (trigonometricamente) muitas outras.
Devemos escolher um terreno apropriado, relativamente plano e 0 menos
inclinado possivel. Apés a escolha das extremidadés da linha, devemos limpar
© terreno e estaquea-lo, de forma que, de estaca em estaca, a distncia seja alguns
centimetros (de 2. a 5 cm) menor que o comprimento da trena (Fig. 3.9). Os pontos
Ae B sao os extremos da linha a ser medida. As estacas 1, 2, 3 e 4 deverio estar
colocadas de tal forma que a trena possa ser esticada diretamente entre elas
com a inclinagéo necessaria, assim as distancias diretas (inclinadas) A-1, 1-2,
2.3 e 3-4 serio de 2a Scm menores do que o comprimento da trena. Em cada
CEFETINA
BIBLIOTECA TEBYRECA DE OLIVEIRA22 TOPOGRAFIA
Figura 3.9
estaca sera colocado um pequeno prego para definir exatamente um ponto. A
distancia 4-B sera a que sobrar. As trenas apresentam os primeiros 10 cm, mili-
metrados; por isso, poderemos medir as distancias esticando diretamente a
trena, lendo até os milimetros. Supondo que. ao colocarmos a divisio de 30 m
da trena no prego em 1, lemos 0,023 m em A, a distancia sera 30,000 — 0,023 =
= 29.977 m. Ao proceder as diversas medidas devemos anotar as temperaturas
ambientais e a tenso com que a trena esta sendo esticada; para isso aplica-se
um dinamémetro numa das extremidades da trena. Devemos proceder a um
numero clevado de repetigSes das medidas (minimo de quatro vezes) para ser
aplicada a teoria dos erros.
Serio aplicadas corregdes correspondentes 4 temperatura, 4 tensdo e a
catenaria. Com. isso teremos as distancias inclinadas corrigidas entre A-1, 1-2,
23, 34 © 4B (ry, ry, hy, Ty © Fs)
Procedendo a um nivelamento geométrico de precisdo saberemos as dis-
tancias verticais (diferengas de cotas: v, , v,, 05, D4 ¢ v5) entre A-L, 1-2, 2-3, 3-4
e 4-B. Por Pitagoras calcularemos as distancias horizontais parciais (h, , hy ,
hy, h, © hg). Somando-as, teremos a distAncia horizontal total 4-B.
Corregéo correspondente a temperatura. Uma trena de aco de preciso
tera o comprimento exato na temperatura-padrao. Seu comprimento sera leve-
mente diferente se for utilizada numa temperatura diferente. Por isso, 0 fabri-
cante deveri fornecer a temperatura-padriio ¢ o coeficiente de dilatacdo do
tipo de ago utilizado — a temperatura-padrdo em graus centigrados e 0 coe-
ficiente de dilatago por metro linear e por grau centigrado.
Exemplo 3.3 Corregao da distancia medida de A-1 (29,977 m), sendo
comprimento da trena = L = 30m,
temperatura-padrao = T, = 20°C,
coeficiente para a temperatura = C,
centigrado),
temperatura-ambiente = T = 32°C.
Calculando a correcdo total para a temperatura-ambiente, temos
C, x 1x (T-T),
000012 x 30(32-20) = 0,00432 m.
0.000012 (por metro ¢ por grau
Uma vez que a elevagdo da temperatura aumentou o comprimento da
trena, a distancia medida apresentou um erro para menos. Portanto a corregado
sera para mais:
distancia corrigida sera 29.977 + 0,00432 = 29,98132 m.Métodos de medi¢ao de disténcias horizontais 23
Corregdo correspondente 4 tensio. A trena tem o comprimento exato para
uma tensiio-padrao. Caso seja aplicada numa forga superior, ela se estenderd.
O fabricante deveré fornecer a tensiio-padrio € 0 coeficiente de dilatago por
metro linear e por quilograma-forga de variacio.
Exemplo 3.4 A mesma trena do exemplo anterior tem como tensio-pa-
dro = Fy = 8 kgfe como coeficiente de dilatagdo = ¢, = 0,000010m por metro
e por quilograma; a forga aplicada (F) é 11 kgf.
Como corregio total de forga aplicada, temos:
Cy =e; x 1 x (F-Fy),
C,, = 0,000010 x 30(11-8) = 0,0009 m.
Como a tens&o foi maior do que 0 padrao, 0 comprimento da trena au-
mentou, ¢ a distdincia medida apresentou um erro para menos. Portanto a cor-
regio também sera para mais: distancia corrigida = 29,977 + 0,0009 =
= 29.9779 m.
Corregao para a catendvia, Para aplicarmos a formula de corregao da ca-
tenaria, devemos conhecer o peso (p) em quilogramas por metro linear da trena,
No mesmo exemplo anterior, supondo p = 0,052kgf por metro linear,
teremos:
pe _ 0,052? x 30° _
S ras? apeeoa 12m
A catendria encurta o comprimento da trena, portanto, o erro € para mais e a
corregiio sera para menos: distancia corrigida = 29,977 -0,02514 = 29,95186 m.
‘Aplicando, agora, as trés corregdes, vamos ter a distdncia final corrigida =
= 29.977 + 0,00432 + 0,0009-0,02514 = 29,95708 m = 29,957 m.
25
2514.
Ainda no mesmo exemplo, supondo que, no trabalho de nivelamento geo-
métrico, tenha resultado
cota de A= 100,000m e cota de 1 = 98,874m,
ee cae a distancia horizontal h, (v, = 100,000—98,874 = 1,126 m):
hy = foe = / 299571, 126? = 299358 ~ 29,936 m,
hy = 29,936 m.
Como podemos obseryar, todos 0s cuidados empregados tornam demorada
a operacdo, por isso; s6 devemos emprega-los quando a preciso for necessiria.capitulo 4
Levantamento de pequenas propriedades
somente com medidas lineares
Para proceder a um levantamento somente com medidas lineares, abor-
daremos 0 conceito de triangulacio para a montagem da rede de linhas onde
seréo amarrados os detalhes. Em seguida usaremos os métodos de amarracgao
destes detalhes nas linhas que estfio sendo medidas ¢ finalmente o processo de
anotagao na “caderneta de campo”.
Sabe-se que o triangulo é uma figura geométrica que se torna totalmente
determinada quando se conhecem seus trés lados; nao ha necessidade de conhecer
os Angulos. Por essa razdo, nos levantamentos exclusivamente com medidas
lineares, os triangulos constituiréo a armagdo do levantamento. Assim, dentro
da gleba que se pretende levantar, escolhem-se pontos que formem, entre eles,
triangulos encostados uns aos outros, de modo a abranger toda a regio; porém,
para atender a necessidade de exatidao, torna-se necessario que tenhamos tridn-
gulos principais cobrindo toda a Area c, a seguir, tringulos secundarios sub-
dividindo os principais, para permitir a amarragdo dos detalhes.
Para esclarecer, vamos imaginar uma certa gleba e indicar, na Fig. 4.1, a
solugio certa da disposigao dos triangulos e, na Fig. 4.2, a solugdo errada. A
diferenga esta no seguinte:
a) na Fig. 4.1, houve preocupagao em estabelecer dois tridngulos principais
(ABC e¢ ACD), ¢ todos os outros triangulos so secundarios:
b) na Fig. 4.2, no existem tridngulos principais, sendo todos secundarios;
nesse caso, havera acumulagao de erro; os erros iraéo passando e somando-se
de um para outro tridngulo, serdo, portanto, muito maior a possibilidade de
deformagio.
A formagao dos triangulos secundarios ¢ menores (ABE, BEH, AES, AGI,
GEF, EFH, DFG, CFH e CDF) é necessaria para que se possa atingir, com a
triangulagdo, todos os detalhes que se queira levantar.
Um detalhe, por exemplo, como a construgdo M (Fig. 4.1), esté muito
distante das linhas principais AC, AD e CD; no entanto, a linha secundaria
GF, passando perto, facilita a sua localizagao.
Desde que se escolham os pontos que formam os triangulos constantes
da Fig. 4.1, deve-se medir cada uma das retas que constituem os lados de todos
0s tridingulos. Essas medidas deverio ser feitas de preferéncia com trena de aco;
no caso de usar-se a corrente de agrimensor, deve-se aferi-la diariamente comLevantemento de pequenas propriedades somente com medidas lineares 25
Figura 4.1. Triangulago para
levantamento, s6 com medidas
lineares; processo certo
Figura 4.2 Triangulacio errada para
levantamento com medidas lineares: 0
erro esté em néo ter havido a preocupa-
Ao de formar triéngulos principais,como
na Fig. 4.126 TOPOGRAFIA
a trena para se proceder a corregao analitica. As linhas poderao ser medidas
sem qualquer ordem obrigatéria, pois a seqiiéncia em que forem feitas nao
afetara o resultado.
‘Ao medir-se uma linha, os detalhes que a marginam serao nela amarrados.
Para a amarragdo de um detalhe sobre uma linha que se mede, existem dois
processos basicos: o da perpendicular e o do triangulo.
© processo da perpendicular consiste em projetar 0 ponto que se quer
amartar, sobre a linha, medindo o valor x ao longo da linha e o valor y
(perpendicular) entre a linha e 0 ponto em questio.
Na Fig. 4.3, ao medir-se a linha AB, para localizagao do ponto P, deter-
mina-se a distancia AP’ = x e P’P ortogonal 4 reta AB. A perpendicular
PP sobre AB é obtida a olho, sem qualquer aparelho e, por isso, sua precisiio
nio € rigorosa. Por essa razdo, tal sistema s6 deve ser usado no levantamento
de detalhes muito préximos da linha, 5a 10m ou, no maximo, 20m, 0 que ja
6 muito. Para detalhes mais distantes, ou mesmo quando se quer maior exatidao,
© segundo proceso, o da triangulagio, é bem mais adequado. A Fig, 44 indica
a amarragao do ponto Q a reta CD por triangulagio. Medem-se as distancias
QE ¢ QF; os pontos E e F séo também conhecidos, isto é conhecem-se as
distancias CE e CF. Este processo é bem mais exato, portanto ideal para
amarragio de pontos mais afastados da reta medida. Estes so os dois métodos
basicos e que deverao ser usados de acordo com a conveniéncia.
eS O primeiro processo pode ser empregado para levantamento
/ de um detalhe (um muro, por exemplo) que acompanha a
/ linha. Quando se deseja amarrar um ponto determinado, de-
i vve-se usar o triangulo.
i
/
ih
/,
Figura 4.3
a
\
\
\
\
Figura 4.4 Ve
\7
Vy8 somente com medidas lineares 27
Levantamento de pequenas proprie
ANOTAGAO NA CADERNETA DE CAMPO.
Quando medimos uma linha, nela prendendo detalhes existentes em ambos
08 lados, existe um processo especial de anotagdo na caderneta de campo.
Para exemplificar, vé-se na Fig. 4.5, em planta, a linha 3-4 que ira ser
medida. Ela atravessa um passeio cimentado e tem @ sua esquerda uma cons-
trugio ABB’. Na Fig. 4.6, tem-se a correspondente anotagdo na caderneta. A
linha 3-4 aparece na caderneta como uma faixa; trata-se de um artificio para
se poder escrever dentro dela. Representa-se a estaca como um tridngulo e
dentro dele o seu numero correspondente. Dentro da faixa anota-se a disténcia
ao longo da linha e sempre acumultda desde a estaca a ré (3). E por esta razio
que o ponto D, que se encontra 2,40m além dos 20m, aparece anotado na
faixa com 22,40m; quando um detalhe atravessa a linha, como acontece na
margem esquerda do mesmo, no ponto D, na anotag&o da caderneta a travessia
aparece como uma linha perpendicular «i faixa, pois ndo se deve esquecer que
a sua largura nao existe, ela é artificial, para que se possa anotar no seu interior.
Outra regra é a que diz nao haver necessidade de escala na anotagao da cader-
neta, pois valem os valores numéricos anotados.
Figura 4.5 Figura 4.6238 TOPOGRAFIA
Analisando-se a planta (Fig. 4.5) e a anotag&o da caderneta (Fig. 4.6), vé-se
que 0 caminho foi levantado por perpendiculares a linha tiradas a cada 20m
além dos pontos C e D onde as margens, direita e esquerda, cortaram a linha
3-4. A construg&o existente ABB'A’ foi levantada pelos pontos A e B amar-
rando-os por triangulagdo no comeco da linha (0,00 m), nos 20 e nos 40 m.
No final da faixa, vé-se um triangulo que reptesenta a estaca 4 e o numero
63,10 m, que é distfincia total da estaca 3 até a 4,
Quando se aplicar o processo do triangulo para a anotagdo de detalhes,
sera necessario lembrar que a base do tridngulo dever estar na linha tendo
como vértice 0 ponto do detalhe; o inverso estara errado (Fig. 4.7); se se quiser
amartar a reta MN ao ponto A da linha 5-6, ver-se-a que medindo apenas
5-A = 31,10,
A 20,70
A-N = 28,20,
M-N = 16.40,
© detalhe (construsiio) nfo ficaré fixado porque poderé girar em torno de A.
A solugio do triangulo, por usar apenas medidas lineares, pode ser apli-
cada com sucesso em grande quantidade de pequenos problemas, alias, muito
comuns. Por exemplo, para medigdo de um pequeno lote urbano irregular.
quando nao se pode contar com um aparelho para obtengao de angulos.
Usando-se trena de ago, medem-se os quatro lados do trapézio e a diagonal
BD ou AC; a figura ficaré determinada sem qualquer medida angular.
2 c
o
ALINNAMENTO DA
Figura 4.7 Figura 4.8 tN
No caso do lote possuir muito fundo e pouca largura, a diagonal ficara
quase coincidente com os lados e a precisiio seria prejudicada; neste caso,
devera se proceder como na Fig. 4.9: subdivide-se o trapézio total em dois
menores, medindo-se AE, EB, BC, CF, FD, AD, EF e as diagonais DE ¢ CE.
Finalizando o capitulo, aparece um exemplo de maior vulto, onde aparece
inicialmente a planta detalhada de uma propriedade, que foi possivel gracas
a medidas apenas lineares.Levantamento de pequenas propriedades somente com medidas lineares 29
8
Figura 4.9 | Fo
Figura 4.10
A Fig. 4.11 corresponde as anotagdes de caderneta da linha AB da Fig. 4.10.
Caso o leitor se interessar, podera, usando os dados e medidas da Fig. 4.11,
reconstruir a parte correspondente 4 Fig. 4.10.30 TOPOGRAFIA
6
a Ne
8 a
2 fe
pe
sige. Lergura do posse constonte
= fem Todo cantor = 4:59m
we
a
Figura 4.11 Anotagao de cadereta da linha ABcapitulo 5
Diregdes norte-sul magnética e
norte-sul verdadeira
Em virtude da existéncia das duas diregdes N-S, verdadeira e magnética.
surgem os conceitos de declinagdio magnética e sua variag&o anual, linhas iso-
gOnicas e isopéricas.
Sabe-se que uma agulha imantada tende sempre a indicar a mesma diregiio:
para isso, basta que seja eliminado, tanto quanto possivel, o atrito entre cla ¢
© apoio sobre o qual esté. Desde que a agulha possua na sua parte central uma
haste fina e esta esteja apoiada num orificio esférico, o atrito sera pequeno e o
giro sera livre (Fig. 5.1); resta ainda a necessidade do equilibrio perfeito da
agulha, para que ela nao se incline, aumentando o atrito. Uma das extremidades
da agulha aponta para um ponto do globo terrestre chamado pélo norte magné-
tico; a outra extremidade aponta para o pélo sul magnético, Esses polos nao
coincidem exatamente com os pédlos norte e sul verdadeiros. A Terra, na sua
rotacao difria, gira em torno de um eixo virtual; os pontos de encontro desse
eixo com a superficie terrestre chamam-se pélo norie e pélo sul verdadeiros
ou geograficos. Quando nos encontramos num certo ponto da terra, a diregao
que nos liga ao pdlo norte ¢ ao pélo sul chama-se diregao norte-sul verdadeira
ou geografica; a direc&io dada pela agulha imantada chama-se norte-sul magné-
tica. Como vimos, estas duas diregdes ndo coincidem, a nao ser acidentalmente
em certos pontos do globo, e o angulo entre elas chama-se declinagio magnética
local.
AGULHA, HASTE VIDRO
Figura 5.1
ORIFICIO ESFERICO PARA APOIO
Repetindo, para se firmar bem a definigo: a declinagio magnética local
€ 0 Angulo que a diregao norte-sul magnética faz com a norte-sul verdadeira
naquele ponto. Para cada ponto do globo havera uma declinagdo magnética,
jf que ela varia com a posig&io em que se encontra o ponto. A Fig. 5.2 representa
a esfera terrestre, vista por um observador colocado no pélo norte celeste (plo
norte celeste € 0 ponto localizado no infinito, prolongando-se o eixo terrestre32 TOPOGRAFIA
Figura 5.2
na diregfio norte). Na figura, vemos, no centro da circunferéncia, o pélo norte
verdadeiro (PNV) e, um pouco a esquerda, o pélo norte magnético (PNM).
Para o observador colocado em A, a declinagio magnética seré a; para Ba
declinagao sera B (menor do que a) e para C ser nula porque C esta no prolonga-
mento do PNM ¢ do PNY, ou seja, no mesmo meridiano. Para 0 ponto D,
simétrico a A, a declinagio voltara a ser a, porém com uma diferenga, enquanto
em Ao PNM esti a leste do PNY, para D da-se 0 contrario, isto 6, 0 PNM esta
a oeste do PNV; diz-se que em A, a declinacao a € para leste, enquanto que em
D, a declinacao & para oeste.
A declinag&io magnética nfo é constante para 0 mesmo local, pois softe
variagdes de diferentes causas e efeitos
© pélo norte magnético desloca-se em torno do pélo norte verdadeiro
(também chamado de pélo norte geogrifico) seguindo aproximadamente um
circulo (0 fenémeno ainda é desconhecido em vista de nfo se terem medidas
precisas sendo recentemente). Esses deslocamentos so aproximadamente cons-
tantes num certo tempo e séo chamados de variagées seculares; o valor destas
variagdes num mesmo ano é diferente para os diversos pontos da Terra. Atual-
mente, no Brasil a variagio anual é de 7 min sexagesimais para oeste, na quase
totalidade do seu territério.
Quando se unem os pontos do globo que tém a mesma declinacio magné-
tica, formam-se as linhas isogénicas. Essas linhas caminham aproximadamente
na direco norte-sul, porém nfo exatamente; por esta razio, a declinagdo
magnética se modifica, principalmente em fungao da longitude local. Como o
Brasil € um pais de grande extensdo na diregio leste-oeste (cerca de 35°W em
Natal e de 74°W no Acre), as declinagdes sio bem diferentes. Em 1955, em
Natal, Rio Grande do Norte, a declinacio era de 21° para oeste; a declinagéo
decrescia 4 medida que se caminhava para oeste, chegando a zero préximo a
Rio Branco, capital do Estado do Acre; a seguir, a declinagdo passava a ser
para leste, alcangando 4° para leste, no extremo oeste do Estado do Acre. Na
época atual, a linha de declinagdo zero, chamada linha agénica, atravessa nosso
pais.
Existem outras variagdes que afetam a declinagio, todas elas, porém, de
valor numérico muito mais reduzido.Diregdes norte-sul magnétice ¢ norte-sul verdadeira 33
‘As variagdes diurnas s6 sfio levadas em conta em trabalhos de grande
preciso. Hé declinagées magnéticas diferentes para diferentes horas do dia.
Essas diferencas sio muito reduzidas sendo que as maiores atingem cerca de
3’, porém, na maior parte dos casos, nfo alcangam um minuto.
Grandes massas minerais locais no subsolo podem ter agéo magnética
sobre as agulhas imantadas, provocando variacées locais. Sao as grandes jazidas
de rochas magnéticas que produzem perturbagdes na agulha.
Nossa atmosfera € atingida, as vezes, por tempestades magnéticas, com
origem ora no nosso proprio planeta, ora provocada pelas manchas solares
ou de origem extraterrestre. Essas tempestades produzem variagées acidentais
na declinagado, mas sao geralmente de curta duracao.
As linhas isogénicas de uma certa regio, quando est&o representadas
sobre uma carta, constituem o mapa isogdénico. Nos mapas onde sao repre-
sentadas as linhas isogénicas, so em geral também representadas as linhas iso-
poricas formadas pela ligagio dos pontos de mesma variagio da declinagéo
magnética
No Brasil imprimem-se os Anuarios do Observatério Nacional ¢ neles
habitualmente existe 0 mapa de linhas isogdnicas do nosso pais.
A carta isogénica (veja encarte) que anexamos é do ano de 1965,0, isto
6 de primeiro de janeiro de 1966. O sinal negativo significa que a declinago
magnética é para oeste (W) e o sinal positivo para leste (E). Nosso pais, em
virtude de sua grande extens&o na diregao leste-oeste, apresenta também grande
diferenga de declinagdes entre seus extremos. A linha isogénica 21°,5 W corta
os estados do nordeste e a linha isogénica 3°E passa pelo Estado do Acre.
Nota-se assim uma diferenga de 24°,5 no total. Para utilizagao dessa carta
devemos identificar a latitude e a longitude do local requerido, trazendo-as
para a carta, localizando assim 0 ponto e interpolando para calcular, por
aproximagao, a declinagdo magnética local em 1965,0. Posteriormente se calcula
a declinago local, em qualquer outra data, usando a carta de isopéricas (veja
encarte), que so as curvas de igual variagdo anual da declinagdo. Vamos dar
a seguir um exemplo.
Determinar a declinacio magnética. num local perto de Santarém. em
primeiro de julho de 1977.
Solugdo.
1. Determinagdo da longitude e da latitude de Santarém (cAlculo aproxi-
mado). Usando-se um mapa politico qualquer, por interpolagdo, calculou-se:
longitude 54.83 W.
latitude 2°47.
2. Colocago de Santarém na carta de isogdnicas. Essa carta apresenta
os meridianos e paralelos de quatro em quatro graus. A distancia entre os meri-
dianos 54° ¢ 0 58° constata-se ser de 2,83 cm. Temos a seguinte proporcao:
4° — 283 cm,
ogee
x = 0,59 cm.34 TOPOGRAFIA
Para a latitude interpolamos entre 0° e 4° de latitude sul. A distancia entre
esses dois paralelos é de 2,85 cm,
4° — 285m,
247 — y,
y= 176 em.
3. Com as duas coordenadas (x = 0.59cm ¢ y = 1,76 cm) localizamos
Santarém entre os meridianos 54° e 58° W e entre os paralelos 0° ¢ 4° S.
4, Determinagao da declinagdo magnética de Santarém na data da carta,
isto é, em primeiro de janeiro de 1966 (1965,0). Vé-se que Santarém fica entre
as curvas 11° W e 12° W. Fica a 0.8 m distancia da curva 11°. A distancia entre
as duas curvas, no local, é de 1,04cm, entdo
104.em — 1°,
0,8 cm — x,
x = 0°77 ou 462.
Logo, a declinagio é de 11° 46,2 para W.
5. Locando Santarém na outra carta (de isopéricas) e interpolando da
mesma forma, encontramos como variagio anual da declinagGo magnética
Iocal 0 valor de 882 para W:
primeiro de julho de 1977 — 19765
primeiro de janeiro de 1966 > 1965,0
115 anos
11,5 x 8'82=101'4 ou 1°41',4 Ww,
11° 46,2 + 1° 41,4 = 13° 27,6 W.
Resposta. A declinagdo magnética em Santarém, em primeiro de julho
de 1977, é de 13° 27,6 para W. (Observacao importante: as distancias nas cartas
de linhas isogénicas e isopéricas anexas aparecem modificadas, quando com-
paradas com o texto, em virtude da redugao que sofreram os mapas para efeito
de impressio; os resultados, porém, estdo corretos.)
Ressaltamos que se trata de um valor aproximado.
No capitulo seguinte, apés a explicacao do que sejam rumos e azimutes,
pretende-se resolver alguns problemas onde se aplicam as declinagdes magné-
ticas e suas variagdes anuais — sao os problemas chamados de reaviventagdo
de rumos e azimutes.capitulo 6
Rumos e azimutes
Sero assuntos abordados neste capitulo: definigées, exemplos e conversoes
de rumos em azimutes ¢ vice-versa, a transformacio de rumos e azimutes
magnéticos em verdadeiros e os problemas de alteragdo de datas dos rumos
© azimutes magnéticos, chamados problemas de reaviventagdo.
RUMOS
Rumo de uma linha € 0 Angulo horizontal entre a diregao norte-sul e a
linha, medido a partir do norte ou do sul na direco da linha, porém, nao
ultrapassando 90° ou 100 grd (Fig. 6.1).
Figura 6.1
Diz-se que os rumos das linhas:
A-L =N70°E,
A-2 = $ 45°,
4-3 = $ 30° W,
A-4 = N 60° W.36 TOPOGRAFIA
Seri errado dizer que 0 rumo de CD (Fig. 6.2) & N 110° E. O certo &
$ 70° E, pois quando o nimero atinge os 90°, passa a decrescer alterando as
suas letras, isto é em lugar de medi-lo a partir do norte, passa-se a faze-lo a
partir do sul.
AZIMUTES
Azimute de uma linha é 0 Angulo que essa linha faz com a diregio norte-sul,
medido a partir do norte ou do sul, para a direita ou para a esquerda, e
yariando de 0° a 360° ou 400 grd (Fig. 6.3).
N
AZIMUTE fh ESOUERDA
50 NORTE [
AZIMUTE A ESQUERDA
\ Do'SuL
y RF,
ee
fs.) szimure a
AEA SiReA 0
Note
a >
=
ae
naimure
- Sine ITA. OO SUL
Figura 6.2 Figura 6.3
$ $
Chama-se sentido a direita aquele que gira como os ponteiros do relégio
e sentido 4 esquerda, o contrario. Observando a Fig. 6.3, a linha 1-2 tem:
a) azimute, a direita do norte = 240°;
b) azimute, a esquerda do norte = 120°:
¢) azimute, a direita do sul = 60°;
d) azimute, 4 esquerda do sul = 300°
No hemisfério sul, e portanto no Brasil, usa-se sempre medir o azimute
a partir do norte, sendo ainda mais comum no sentido horArio, ou seja, A direita.
No hemisfério norte, em alguns paises, usa-se medi-los a partir do sul. Como
so muito raras as ocasides em que usaremos outro tipo de azimute, quando
ndo for expressamente afirmado 0 contrario, azimute seré sempre é direita do
norte.
Quanto a aplicagdo de graus ou grados, depende do aparelho utilizado
pata medir os rumos ou os azimutes. Quando a graduag&o do aparelho é em
grados, a leitura é sempre nesta unidade, havendo posteriormente a alternativa
de transformé-los ou ndo em graus, dependendo ainda das tabelas a serem
empregadas. O uso do grado é bem mais simples que o do grau, porém ha certa
dificuldade em se mudar um hébito. Esta € a nica razo porque se emprega 0
grau, apesar de sua maior complexidade.Rumos @ azimutes 37
E interessante notar que, estamos habituados a criticar os povos que ainda
empregam unidades complexas como a polegada, o pé, a jarda, etc, esque-
cendo-nos de que aqui ainda se usa o grau, que também apresenta a mesma
complexidade.
Exercicios de transformagao de rumos em azimutes a direita do norte
(Tab. 6.1). NS
Tabela 6.1
Linha Rumo Azimute a direita
N42°15'W 317948" ‘
S$ 0°15'W 180° 15
$.89°40' E 90°20'
$10°15'E 169° 45°
89°40 E 89°40"
N 0°10'E 0°10"
N12°00' W 348°00"
Exercicios de transformacio de rumos em azimutes 4 esquerda do norte
(Tab. 6.2).
Tabela 6.2
Azimute A esquerda
Linha Rumo
12 $15°0S' W 164° 55’
23 N 0°50 W 0°50"
34 89°50 W 89°50"
45 $1235 E 192° 35°
5-6 S 7S0E 187° 50°
67 N89°00 E 271°00°
18 N 0106 359° 50°
Sentidos a vante e a ré na medida dos rumos e azimutes
O sentido a vante numa linha é aquele que obedece ao sentido em que se
esti percorrendo 0 caminhamento ¢ 0 sentido a ré, 0 contrario a este sentido:
assim, quando se esté medindo uma sucessio de linhas cujas estacas estao
numeradas como 1, 2, 3, 4, 5, 6 etc., o sentido a vante da linha que liga 0 ponto
2 ao ponto 3 é de 2 para 3, e 0 sentido a ré, 0 de 3 para 2,
O rumo a ré de uma linha deve ser numericamente igual ao rumo a vante,
porém com as letras trocadas. Se o rumo vante 3-4 € N 32° E, o ré, isto & 4-3,
sera $ 32° W (Fig. 6.4). Vemos que sendo as linhas N, S em 3 e 4 paralclas,
08 angulos de 3-4 com elas sao iguais: 32°. As letras no entanto passam de N-E
para S-W. Os azimutes vante ¢ ré da mesma linha guardam entre si uma dife-
renga de 180° ou 200 grados. Se o azimute vante de 4B é 110°, 0 ré serd 290°;
se 0 vante de CD for 320°, o ré sera 320-180 = 140° (Fig. 6.5). O Angulo NBA38 TOPOGRAFIA
Figura 6.4
€ 0 suplemento de 110°, portanto 70°; o azimute a direita de BA € 0 replemento
de 70°:
360-70 = 290°. ou seja, 110° + 180° = 290°.
Na Fig, 6.6 0 azimute vante de CD é 320°: seu replemento ¢ NCD = 40°:
em D o Angulo CDS também 40°; portanto, o azimute a direita de DC sera
© seu suplemento, NDC ou seja, 180- 40° = 140°. ou ainda, 320-180 = 140°
N
Figura 6.6Rumos e azimutes 39
Exercicio 6.1 Dados os rumos vante das linhas da Tab. 6.3, encontrar
os azimutes a vante e a ré, a direita.
Inicialmente, calcularam-se os azimutes a vante e a seguir os azimutes a
16. Aconselha-se aos principiantes a feitura de graficos para cada linha para
melhor compreensao.
Tabela 6.3
aa /—— Azimute a dircita
Linha Rumo a vante
Vante Re
AB. 31°00 W 329° 00" 149° 00:
BC $ 12°50" W 192° 507 12°50°
cD S$ 0 1SE 179°45" 359° 45°
DE N88°50'E 88° 507 268° 50°
EF N 0°10 E 0°10" 180° 10°
Exereicio 6.2 © azimute a diteita de CD € 189° 30 ¢ o rumo de ED é
S$ 8° 10 E. Calcular o Angulo CDE, medido com sentido a direita, isto é, no
sentido horario (Fig. 6.7).
Valor procurado: Angulo a direita CDE = 360° -(8° 10° + 9° 30’) = 342° 20°.
MUTE
DIREITA
DE cD
arto"
RUMO DE £D
Figura 6.7
Exercicio 6.3 O rumo de 6-7 & S$ 88°05’ W, o rumo de 7-8 é N 86° 55’ W.
Calcular o Angulo a-direita na estaca 7 (Fig. 6.8).
Valor procurado: 360° —(88° 05' + 86° 55’) = 185° 00’.40 _ TOPOGRAFIA
4
93.03 s
eR Ee,
DT SIF
T?5% 09" es
Figura 6.8
Transformagdo de graus em grados e vice-versa
Apesar de excessivamente simples e elementar, a transformagio de graus
em grados e a operagdo inversa causam alguma confusto aos iniciantes. Por
esta razio, 0 assunto sera abordado rapidamente. Apesar das calculadoras
fornecerem esta operagio, sempre é bom praticar.
A circunferéncia € dividida em 360° e em 400 grd, por isso a relagdo €
360_ 9
400 ~ 10
Para se passarem graus para grados deve-se multiplicar 0 mimero de graus
por 10/9, e para se passarem grados para graus, multiplicar o numero de grados
por 9/10.
Exercicio 6.4 Transformar 132° 32' 15” em grados.
portanto 132° 32’ 15” = 132° 32’, 25;
32', 25
eo = 0°,5375;
portanto 132° 32’, 25 = 132°,5375,
132°,5375 x 10 erd _
5 147,2639 grd.
Exercicio 6.5 Transformar 83,4224 grd em graus, minutos e segundos.
83,4224 ard x 9°
10 ard = 75°,08016,
0,08016 x 60’ = 4,8096,
0.8096 x 60" = 48".576,
83.4224 = 75° 04' 48,576
Exercicio 6.6 Converter 172° 12’ 36" em grados.Rumos e azimutes 41
Passando 36” para minutos, temos
16
oor
172° 12 36” = 172 12,6;
passando 12,6 para fragdo de grau,
176
oO
= 06;
fica
= 0,21,
172° 12' 36" = 172° 12/6 = 172,21;
© por fim passando 172°,21 para grados, temos
172,21 x g vet = 191,344 (dizima).
Exercicio 6.7 Converter 212,2864 grd em graus.
212,2864 x 3 = 191°,05776.
Passando 0°,05776 para minutos: 0°.05776 x 60 = 3',4656; passando 0/4656
para segundos: 0',4656 x 60 = 27°.936; assim 212,2864 grd = 191°,05776 =
= 191° 03,4656 = 191° 03' 27”,936.
Rumos e azimutes, magnéticos e verdadeiros
Até 0 momento, quando falamos em rumos ou azimutes nao especificamos
a sua referéncia, a partir do norte verdadeiro ou magnético. Quando 0 rumo
é medido a partir da linha norte-sul verdadeira ou geografica, o rumo é verda-
deiro; quando é medido a partir da norte-sul magnética, o rumo € magnético;
© mesmo se da para os azimutes.
A diferenga entre os dois rumos € a declinagao magnética local (Fig. 6.9).
E muito importante respeitar o sentido dos Angulos: a declinag&o magnética
€ sempre medida na ponta norte e sempre do norte verdadeiro para 0 magnético
€ os rumos so medidos sempre da reta NS para a linha. Inverter qualquer
S50
Figura 6.9 A42 TOPOGRAFIA
sentido é errado! O rumo verdadeiro de AB =N 45° E. A declinagdo magnética
@ de 10° para W. O rumo magnético é N 55° E.
As agulhas imantadas colocadas nas bissolas fornecem os rumos ou os
azimutes magnéticos; para transformé-los em verdadeiros, € necessirio que se
conhega a declinacio magnética local e fazer a operacio aritmética adequada.
A posig&o do norte verdadeiro pode ser conhecida, diretamente, através
de observagSes aos astros (sol e estrelas) e obterem-se, assim, os rumos e os
azimutes verdadeiros. Estas possibilidades serio abordadas mais adiante.
Uma planta de uma determinada propriedade, executada anos atras repre-
senta diversas linhas, especificando o seu rumo magnético. Quando se torna
necessaria a recolocagdo destas linhas no terreno, passados diversos anos,
devem-se reajustar os rumos magnéticos para a época atual, jd que se sabe
que a declinagdo magnética varia anualmente, Estes problemas, relativamente
comuns na pratica, sio chamados de reaviventagdo de rumos e azimut
A seguir, sfio propostos diversos destes problemas e a sua resolucio.
Exercicio 6.8 © rumo magnético de AB, medido em primeiro de janeiro
de 1950, era de § 32° 30’ W. Calcular o mesmo rumo em primeiro de julho de
1954.
Os anuarios do Observatério Nacional acusam a variago anual da de-
clinagdo magnética de 6 min para oeste.
A transformagdo da data de primeiro de janeiro de 1950 em valor decimal
& 1949,0. Desde a contagem dos tempos depois de Cristo, passaram-se 1949
anos inteiros, Nao devemos esquecer que niio tendo havido 0 ano zero, o pri-
meiro ano s6 se completou no dia 31 de dezembro do ano I, portanto sé se
completaram 1949 anos em 31 de dezembro de 1949.
Temos pois:
primeiro de julho de 1954 = 1953,5
primeiro de janeiro de 1950 = 1949,0
intervalo de tempo 45 anos,
a variag&o total de declinagiio magnética é 4,5 x 6 = 27’ para W (Fig. 6.10),
© rumo magnético em 1953,5 32° 30' + 27’ = S 32° 57 W.
Resposta. O rumo magnético de AB, em primeiro de julho de 1954,
$ 32° 57’ para W.
Exercicio 6.9 © rumo magnético de 1-2, em primeiro de abril de 1960
era N 72° 10’ W. Calcular o rumo verdadeiro da linha. Pelos anuatios, a declina-
ao magnética em primeiro de janeiro de 1956 era 12° 12’ para W, a variagao
anual da declinagio magnética 7’ para W: assim
primeiro de abril de 1960 = 1959,25
primeiro de janeiro de 1956 = 1955,00
intervalo de tempo 4,25 anos,
29,75 min para W:
12° 41,75 para W
a variago total da declinagdo magnética € 4,25 x 7
a declinagio magnética em 1959.25 € 12° 12’ + 297!Rumos azimutes 43
@ werm942° nm NV
é
ee
ww ot
A
é |
RUMO MAGNETICO EM 19535
= 8 82°57 W
(Fig. 6.11). Para solugdo do problema, procura-se obter ambos os valores na
mesma data: 0 rumo magnético e a declinagéo magnética.
Resposta. O rumo verdadeiro de 1-2 & N 84° 51',75 para W.
Figura 6.10 Figura 6.11
Exercicio 6.10 Deseja-se representar a linha CD numa planta elaborada
em primeiro de outubro de 1944, Sabe-se que o rumo verdadeiro da linha é
S 86° 50’ W. Na planta, a diregio marcada é a do norte magnético na data de
sua confecgao pelos anuarios: a declinagio magnética em primeiro de janeiro
de 1951 € de 8° 14’ W e a variacao anual da declinagio magnética ¢ 5’ W;
primeiro de janeiro de 1951 = 1950.00
primeiro de outubro de 1944 = 1943,75
intervalo de tempo 6,25 anos,
a variagio total em 6,25 anos € 6,25 x 5’ = 31’,25; esta variagao se fosse con-
tada de 1943,75 para 1950,00 seria 31.25 para W; porém se contarmos em sentido
contrario, isto é, de 1950,0 para 1943.75 sera 31,25 para E.
A declinagio em 1943.75 & 8° 14~31',25 = 7° 42,75 para W, portanto o
rumo magnético de CD, em 1943,75 € 86° 50’ + 7° 42,75 = $ 94° 32,75 W.
Passando para 0 quadrante NW = N 85° 27',25 W (Figs. 6.12 ¢ 6.13).
Resposta. O rumo magnético de CD, em 1943.75, é N 85° 27,25 para W
€ poderd ser representado na planta
na
yw 37s
{S500 | NV
325 \eh,
7a3%9—
Figura 6.12 Figura 6.13capitulo 7
Bussolas
Sao assuntos deste capitulo: bissolas de circulo fixo e de circulo moével.
O desvio da agulha imantada provocado por atragdes diversas leva a neces-
sidade dos problemas de corregdo de rumos ¢ azimutes.
As bussolas séo aparelhos destinados 4 medida de rumos ou azimutes,
com preciso relativamente pequena. Normalmente a menor fragéo que se
pode avaliar, nas suas leituras, é cerca de 10 a 15 min.
Compéem-se, basicamente, de um circulo graduado em cujo centro se
apéia a agulha imantada. A graduacdo nas bissolas destinadas leitura de
tumos 6 subdividida em quadrantes, isto é, a numeragSo inicia no norte com
zero, crescendo para a direita e para a esquerda até 90°, passando a decrescer
até zero ao chegar ao sul (Fig. 7.1). Nas bussolas destinadas a Ieitura de azimutes,
a graduagdo é continua, isto é, vai de zero no norte até 360° no mesmo ponto
(Fig. 7.2).
‘No centro do circulo graduado, apéia-se uma agulha imantada cujo com-
primento € sensivelmente igual ao diametro do circulo, para que suas pontas
se superponham 4 graduagdo, permitindo assim a leitura. As extremidades da
agulha devem ser suficientemente finas para permitir leituras mais precisas.
Figura 7.1. Graduagao do circulo em
bussolas destinadas a leitura dos rumosBussolas 45
Figura 7.2 Graduacdo do circulo nas
bissolas para azimutes a esquerda
O apoio da agulha deve ser de forma a diminuir, ao minimo, o atrito, aumen-
tando a sensibilidade do aparelho (Fig. 7.3). A agulha deve estar perfeitamente
equilibrada para se manter horizontal apenas com o apoio central. Conforme
a latitude em que for usada, as atragoes que sofrem a ponta norte e a ponta
sul serdo diferentes; por isso, para se cquilibrar a agulha ha necessidade de se
empregar um contrapeso, No hemisfério sul, 0 contrapeso deve ser colocado
na ponta sul, porque a tendéncia é hayer um desequilibrio caindo para a ponta
norte. No hemisfério norte, as agulhas equilibradas tendem a cair para o sul,
poitanto Os contrapesos aparecem na ponta norte. Sdo ainda desconhecidas
as causas deste fendmeno. Para a Topografitt s6 interessa saber que ele é real.
AGULHA PERFEITAMENTE EQUILIBRADA
vioRO
Figura 7.3
APOIO PARA EVITAR 0 ATRITO CIRCULO DA BUSSOLA
Para que se possa fazer a visada numa determinada diregao, existem as
pinulas presas ao circulo horizontal, Sao chamadas de pinulas duas pecas que
formam um conjunto composto de uma fresta onde se encosta a vista ¢ de um
reticulo através do qual se orienta a linha de vista para determinado ponto
(Fig. 7.4). A Fig. 7.5 mostra que as pinulas esto adaptadas ao circulo da bissola,
de modo a fazer com que giremos 0 conjunto todo quando queremos visar para
uma determinada diregdo. O conjunto do circulo e das pinulas esta ligado a
um tripé que ficara sobre o solo. A ligagdo € feita através de uma haste vertical
que permite dois tipos de movimentos, 0 de rotagdo e o de nivelamento; assim,
0 circulo pode ser colocado horizontalmente com o movimento de nivelamento.
a visada pode ser orientada numa diregao pelo movimento de rotagdo. Sabe-se
que © circulo estara horizontal quando existir nele um conjunto de dois tubos46 TOPOGRAFIA
PINULAS
FRESTA. RETICULO.
Figura 7.4
PECA QUE CONTEM PEGA QUE CONTEM
‘A FRESTA (0 RETICULO.
NESTA PECA SE
ENCOSTA A VISTA
Figura 7.5
FRESTA
ou
ANELA
de bolha ou uma bolha circular. Quando existirem dois tubos de bolha, eles
estarao colocados a 90° um do outro; quando os dois estiverem com as bolhas
centradas, 0 plano estaré horizontal. Quando se empregar a bolha circular,
uma pega s6 serd suficiente, porque a sua centragem ja determina o plano
horizontal, Tratar-se-4 especialmente da descriggo das bolhas em capitulo
apropriado.
Inversdo das letras E e W
Quem observa a Fig, 7.1, imagina que houve engano na troca das letras
Ee W.A troca é proposital e necessiria. Por qué? Basta lembrar que o sentido
em que o rumo deve set medido é do norte ou do sul para a linha. Como as
pinulas é que visam para a linha, levando para lé a origem da graduagio (zero)
© a agulha, que fica na direcio NS, é que indica a leitura, ha, portanto, uma
invers&io, O rumo é lido da linha para o norte ou para o sul; para compensar
essa inversio, as letras sio trocadas.
Na Fig. 7.6 vemos que levando a direg4o das pinulas (janela e reticulo)
para a reta AB, também carregamos a graduagio zero, enquanto que a agulha,
naturalmente apontando o norte, indica a leitura 50. Vé-se que o rumo passou
a ser medido da linha para o norte, o que € uma inversdo; trocando-se as letras
E © W compensa-se esta inversio, e podemos ler diretamente as letras NE ja
que a agulha esta entre elas.Bassolas a7
NORTE
PONTO
we
PONTA NORTE |
DA AGULHA
RETICULO
JANELA
SUL
Figura 7.6capitulo 8
Corregdo de rumos e azimutes
Quando obtemos os rumos ou os azimutes por intermédio das bussolas,
os valores podem vir alterados por efeito de atragdes locais, que deslocando
a posigo da agulha imantada produzem erro nas leituras. As atragdes locais
podem ser ocasionadas por motivos diversos, seja por grandes massas de ferro.
seja por correntes elétricas nas proximidades. As massas de ferro podem ser
representadas, no campo, por jazidas de minérios que exergam atragéo sobre
a agulha imantada.
A Fig. 8.1 mostra a conseqiiéncia da atragdo, deslocando a agulha e alte-
rando 0 rumo magnético. O rumo magnético da linha AB deveria ser represen-
RUMO. May
SNE Ti
. N ALTERADO TCO ig
yw arnacke ou 8
Figura 8.1Correcdo de rumos e azimutes 49
tado pelo angulo NAB, passara a ser N’AB, portanto. alterando o valor N'AN
que € 0 deslocamento da agulha. Sendo esse deslocamento de efeito loc
légico: imaginar-se que todos os outros rumos lidos, naquela mesma estaca ¢
no mesmo momento, sofrem iguais diferengas. Na Fig. 8.2, imagina-se um
exemplo.
Figura 8.2
O aparelho estacionado na estaca 3 ira ler 0 rumo ré 3-2 e o vante 3-4. A
linha NS é a diregao norte-sul magnética e a linha N’S' a mesma diregio alterada
de 2° em virtude de atragdo local no ponto 3. O rumo 3-2, que deveria ser
N 30° W, sera obtido com o erro de 2" a mais, N 32° W; da mesma forma, o
rumo yante 3-4 que deveria ser N 40° E, scra lido N 38° E.
Vemos neste exemplo que, quando os rumos medidos na estaca tém sentidos
opostos € o erro é para mais num sentido, sera para menos no sentido oposto.
O rumo NW, anti-horario ou a esquerda. tem o erro de 2° adicionado, enquanto
que o rumo NE, sendo horario ou a direita, tem o mesmo erro subtraido.
Para os azimutes, o erro sempre no mesmo sentido, ou seja, quando
somado para um sera somado para o outro também, e quando subtraido no
azimute a ré, também o sera no azimute a vante (Fig, 8.3), porque os azimutes
tém sempre o mesmo sentido, Vé-se na Fig. 8.3 que o azimute a ré (8-7) que
deveria ser de 310°, em virtude do deslocamento da linha NS para N’S' (erro
de 2°), passa para 308°. Também o vante (8-9) passa de 60° para 58° (também
2° a menos).
Quando se medem sucessivamente os rumos ou os azimutes de diversas
linhas, pertencentes a um poligono, pode-se estabelecer, por cAlculo, uma sé
posigao para a linha NS em todas as estacas. Um exemplo facilitara a explicacio.
Na Tab. 8.1, aparecem os rumos lidos a vante ¢ a ré, em diversas estacas de
um poligono.50 TOPOGRAFIA
Figura 8.3
sls
A colocacao dos valores na tabela obedece as seguintes explicagées
a) 0 rumo N 50° 30’ E € o vante da linha 1-2, portanto o aparelho estava
estacionado na estaca 1 visando para a baliza colocada em 2;
b) 0 rumo S 50° 00' W é o ré da mesma linha, portanto o aparelho estava
em 2 visando para a baliza em 1;
©) 0 rumo N 82° 10 E € 0 vante da linha 2-3, portanto 0 aparelho continua
na estaca 2, porém agora visando para a baliza 3;
d) portanto, em cada estaca sfo lidos sempre dois rumos, um a ré e um
a vante, ligados na tabela por setas que indicam os rumos que, sendo lidos na
mesma estaca devem, entdo, ter sofrido a mesma atragao.
Tabela 8.1
Rumo lido
a vante
50°30 E 50°00 W
2 ae
ae)
3
$35°00'E 1N 34°30 W
4
S$ 1°50 W N 1°20 E
\\
873° 40° W:Correcéo de rumos e azimutes 51
A Tab. 8.2 j& tem os rumos corrigidos. Supde-se 0 rumo vante de 1-2 seja
N 50° 30’ E como correto e adota-se-o como corrigido. O rumo ré $ 50° 00 W
para corresponder ao vante N 50° 30’ E deve ser aumentado 30’, por isso, 0 rumo
vante de 2-3 também deverd ser alterado de 30", sendo necessirio, porém, veri-
ficar se a corregdo de 30’ sera pata mais ou para menos. As letras do rumo 2-3
sio NE, portanto estio no mesmo sentido do rumo 2-1 (SW), sendo entio a
corrego também no mesmo sentido. Uma vez que foi necessario acrescentar
30 no ré, da mesma forma se acrescenta 30’ no vante, passando de N 82° 10’ E
para N 82° 40’ E
Tabela 8.2
Rumo ido Reta
Estaca,©§ ————— __ i
a vante aré eee
N50°30'E $.50° 00" W N50°30' E
N82°10 B S83°00 W N 82°40 E,
° 835°00 E N34°30 W $35°20'E
" S 1°s0.W N (205 S 1°00 W
: 873° 40° W $73° 20° W
Repetindo 0 raciocinio, ao rumo ré de 3-2 (S 83° 00’ W) deverdo ser dimi-
nuidos 20' para corresponder ao vante corrigido (N 82° 40’ E). No vante de
3-4, ja que o sentido € oposto (SE & oposto a SW) os 20 serio acrescentados,
passando o rumo de S 35° 00’ E para $ 35° 20’ E. Continuando sempre no mesmo
processo, ao rumo ré de 4-3 deverio ser acrescidos 50’ para passar de N 34° 30° W
para N 35° 20’ W, ¢ assim corresponder ao vante corrigido $ 35° 20’ E. No
vante da estaca 4 (de 4-5) 0s 50’ deverdo ser subtraidos porque o sentido oposto
(SW € oposto a NW) (Fig. 8.4). Vimos que NE e SW tém sentidos iguais e opostos
a NW e SE, portanto o rumo passari de S 1° 50’ W para S 1° 00' W.
Ao rumo ré de 5-4 para combinar com o vante corrigido, deverio ser
subtraidos 20’, passando de N 1° 20’ E para N 1° 00’ E, portanto ao vante de
ANTI-HORARIO
‘Ou ESQUERDA
HORARIO OU DIREITA
Figura 8.4 w
ANTI-HORARIO
HORARIO OU DIREITA ‘OU ESQUERDA52 TOPOGRAFIA
5-6 também deverdo ser subtraidos 20’, j4 que o sentido € 0 mesmo (NE e SW
tem o mesmo sentido), passando de S 73° 40’ W para S 73° 20’ W.
A Tab. 8.3 constitui um outro exemplo, porém agora sem comentarios,
sabendo-se apenas que o valor adotado como rumo corrigido inicial é 0 da
linha AB. Propositadamente nao se faz comentarios para que os leitores possam
praticar, resolvendo o exercicio.
Tabela 8.3
‘Rumo tido Rune
corrigido
a vante aré
AB $.40° 20° E N 40°00’ W $40° 20’ E.
B-C N8I°40'E S 81°20 W N8I°20'E
cD S89° 50° E S89" 50 W 889° 50 E,
D-E S 0°20 E N 0°40'E S 0°00"
EF $42°00 W N44°20'E S41°20 W
FG S84° 40 W NS1°00' E 81°40 W
GH S89°30' W $89°50' E N89°50°W
Hl N 70° 208W S$ 68°00'E 70°20 W
Ld N 040 E S 0°40 F N 1°40 W
JK N 38°20 W $.40°00'E N39°20' W
K-L N27°00E S27°10 W N27°40'E
L-M N 89°30 E 89°00 W 90° 00"
M-N $62°00 E S.63° 00°
Observacées.
1. O valor S 0° 00' aparece sem a indicagio E ou W por motivos claros:
seo rumo € 0° ao sul, no podera ser nem para leste nem para oeste.
2. O valor 90° 00’ E aparece sem a letra N ou $ também por motivo dbvio,
pois se o rumo € 90° para leste, nfo pertence nem ao norte, nem ao sul.
3. Na linha CD ha uma aparente incoeréncia entre as letras do rumo vante
S 89° 50’ E € 0 rumo ré $ 89° 50’ W, porém o que realmente acontece & que
sendo o rumo vante de quase 90°, bastara uma pequena corregio para mais ¢
N
E95
in E Figura 8.5
>Correcio de rumos @ azimutes 53
ele, excedendo aos 90°, passara para o quadrante NE. A diferenca entre o ré
€ 0 vante corrigido sera de apenas 20’, pois $ 89° 50’ W + 20’ = $ 90° 10’ W,
ou seja, N 89° 50’ W (Fig. 8.5).
Correedo de azimutes: exemplificagdo na Tab. 8.4.
Tabela 8.4
— Azimute A direita.
Linha oo
avante aré
1-2 322°00' 142° 30°
23 307° 50'« 126" 00"
3-4 180° 20'<~ > 1°20"
45 104° 00" =~ __,285° 00"
5-6 42° 20° 221° 40"
67 118° 40". 298" 40"
78 1819¢—
A colocagao dos valores na Tab. 8.4 obedece ao mesmo critério das ante-
riores para rumos:
a) 0 azimute vante de 1-2, 322° 00’, foi obtido com o aparelho na estaca
lea baliza na 2;
b) os azimutes a ré de 2-1 € 0 vante de 2-3 foram obtidos com o aparelho
a mesma estaca 2 e, portanto, devem conter os mesmos erros de atragao local.
As setas indicam os azimutes medidos na mesma estaca,
A Tab. 8.5 jA aparece com os azimutes corrigidos. O primeizo azimute
yante, 322° 00’, foi adotado como corrigido. A esse azimute corresponde o ré
(2-1): 322° 00’— 180° = 142° 007, portanto o ré, lido 142° 30, devera ser dimi.
auido de 30’ e, entao, também o vante 2-3 deverd ser diminuido de 30’: 307° 50’ —
=30' = 307° 20.
O 16 de 307° 20' & 307° 20’— 180° = 127° 207; portanto 0 r6, lido 126° 00’
devera ser aumentado de 1° 20' para haver coincidéncia; entdo o vante 3-4
Tabela 8.5
Azimute a direita Azimute
Linha We eorrigido
a vante are 5
1-2 32°00" 142°30' 32°00
2-3 307° 50° 126° 00° 307° 20
3-4 180° 20" 1°20" 181°40'
4s 104° 00" 285°00' 104° 20"
5-6 42°20" 21°40" 41°40
67 118° 40" 298°40" 118° 40
78 178° 10° 178° 10°54 TOPOGRAFIA
também devera ser acrescido do mesmo valor (1° 20%; .°. 180° 20’ + 1° 20° =
= 181° 40.
O ré de 181° 40’ € 1° 40’; portanto ao ré, lido de 4-3 (1° 20), devera ser
somado 20’; por isso, o vante 4-5 passara de 104° 00’ para 104° 20’.
O ré do valor 104° 20’ € 104° 20' + 180° = 284° 20’, por essa razao, o ré,
lido 285° 00’, esta maior 40’, que deverao ser subtraidos; também ao vante de
5-6 havera a subtracdo de 40’: 42° 20’-40' = 41° 40’.
Ja que o ré de 41° 40’ é 41° 40° + 180° 21° 40' e o ré lido tém idéntico
valor, néo havera corregaio e também o vante 6-7 nao sera corrigido: 118° 40’.
Finalmente, 0 ré de 118° 40’ € 298° 40’, que, coincidindo com o lido, nao
Pprovocara corregao no vante de 7-8: 178° 10.
CORREGAO DE RUMOS OU AZIMUTES EM POLIGONAIS FECHADAS
Quando as linhas de uma poligonal fizerem um circuito fechado, surgiré
uma particularidade na correo de seus rumos. Sera mais facil analisarmos
num exemplo. Dez estacas, numeradas de 1a 10, formam um poligono fechado
com os rumos vantes e a ré registrados na Tab. 8.6. Deve-se escolher uma das
linhas como rumo inicial corrigido, sendo o mais natural escolher aquela que
Tabela 8.6
Rumo lido
Linha | ————____— 7
a vante aré
12 N 8°10 W S POE
23 80°20 W S 80°00 E
3-4 $72°00' W N71°30 E
45 879° 30° W N 79°30 E
5-6 8 P50'E N 8°30 W
67 $15°00' W N 15°30 E
7-8 $ 69°30 E N 69° 40’ W
8-9 N81°00 E Ssi°40 Ww
9-10 N 0°10'E S O10E
10-1 N 10°00 E S$ 10°10 W
tiver menor diferenga entre 0 rumo vante e o rumo ré, Por um exame da tabela,
verificamos que a linha 4-5 apresenta rumos perfeitamente concordantes: vante
S 79° 30’ W e ré N 79° 30 E; deve-se, portanto, de preferéneia, partir desta
linha. Na Tab. 8.7 tém-se os rumos corrigidos pelo processo j conhecido.
Supondo que féssemos recorrigir 0 rumo 4-5 no fechamento, usando-se
© mesmo processo das linhas anteriores:
a) para se corrigir 0 rumo ré de 3-4 devem-se diminuir 50’;
b) corrigindo os mesmos 50’ no vante de 4-5, devem-se, também, diminuir
50° resultando 79° 30'—50' = $ 78° 40’ W.
Comparando-se 0 rumo de 4-5 inicial S 79° 30’W com o final da mesma
linha S 78° 40 W nota-se a diferenga de 50’ que constitui o erro angular de
fechamento do poligono.Corregdo de rumos ¢ azimutes 55
Tabela 8.7
Rumo lido Rumo
ee peat sal corrigido
45 $79° 30 W N79°30'E 79°30 W
56 S TS0'E N 8°30 W S 750 E
6-7 $ 15°00 W N 15°30 E $15°40° W
18 869° 30 E N69" 40" W $.69°20' E
89 N81°00'E S81°40 W N81°20'E
9-10 N 0°10 E S$ 0°10E N 0°10 W
10-1 N 10°00'E S 10°10 W N 10°00 E
12 N 810 W S T20E N 8°20'W
23 N 80°20 W $80°00'E N81°20' W
34. $72°00' W N71°30'E S70° 40" W
De onde surge esse erro? Quando se coloca o aparelho numa determinada
estaca, diga-se estaca 5, medem-se dois rumos: o ré, de 5 para 4 = N 79° 30’ E
© o vante, de 5 para 6 = $ 7° 50’E; esses rumos formam entre si um Angulo
que poder ser facilmente calculado (Fig. 8.6).
Pelo mesmo processo, vamos agora calcular o Angulo na estaca 6, usando
inicialmente os rumos lidos (Fig. 8.7):
8° 30
15° 00"
+ 180° 00°
203° 30’ = Angulo 5-6-7 (hordrio).
Quando usarmos os rumos corrigidos teremos SE 7° 50° no lugar de
8° 30’, SW 15° 40’ no lugar de 15° 00, portanto o Angulo é:
T° 50°
15° 40
+ 180° 00°
203° 30’ = Angulo 5-6-7 (horario).
Figura 8.6 Figura 8.756 TOPOGRAFIA
Tal fato mostra que, ao corrigirmos os rumos lidos, os Angulos resultantes
ficam inalterados; portanto, quando corrigidos todos os rumos de um poli-
gono fechado, inclusive recorrigindo 0 primeiro, encontramos diferenga entre
© rumo na partida e 0 mesmo na chegada, a diferenga € 0 erro de fechamento
angular do perimetro.
Devemos encontrar esse mesmo erro, se calcularmos todos os Angulos
internos do poligono e os somarmos; a somatéria deveria ser igual: © angs
internos = (N-2) 180°, onde N é o numero de lados ou de vértices. A diferenga
entre a soma encontrada e o valor dado pela formula € também 0 erro de fecha-
mento angular do poligono.
Vejamos no mesmo poligono. Para facilitar 0 calculo dos angulos internos
do poligono (Tab. 8.8), faremos um desenho aproximado, baseado nos rumos
dos lados (claro que as distancias foram assumidas arbitrariamente, porque,
no momento, nao nos interessam) (Fig. 8.8).
Tabela 8.8
& Angulos internos: (N-2)180° = (10-2)180° = 1 440°.
Erro de fechamento angular: 1440°- 1 439° 10° =
= 0°50.
ed Caleulo dos angulos
190° 10" internos (Fig. 8.9): aaa
ee we
8°10"
152°00° aon
188° 00" a
+ 179° 60"
1.436° 190" T6140
Seni 1.439° 10"
pene ones estaca 2
3 estaca 8
69° 40"
acy
150°40"
B ; estaca 9
179°60'
= 81°40"
98°20
+ 0°10"
98° 30 estaca 4
estaca 10 179° 60
7 0°10 = 71°30
180° 00° 108° 30
Fa ay
188° 00°
Figura 8.8 8Correcéo de rumos @ azimutes 57
15030"
69°30"
= Angulo na estaca 7
Figura 8.9 Calculo do angulo na estaca 7
Como podemos ver,o erro de fechamento angular (0° 50’) é igual ao encontrado nos
rumos corrigidos.
Para firmar bem, faremos outro exemplo.
No poligono, cujos rumos esto na Tab. 89, iniciou-se a corregiio dos
rumos pelo lado 6-7, que na partida se adotou como SW 62°, resultando na
volta SW 63° 30’; portanto, o erro é de 1° 30, no sentido hordrio.
Tabela 8.9
ee
ate oe ee s
a vante are icorrigido)
12 N15°00'E $ 14°00 W N14°00'E
23 N37°30'E $37°00 W N37°30'E
3-4 N72°00° W $73°30'E N71°30' W
45 $33°30 W N34°30'E 835°30' W
N1°30 W $12°00' E, N 10°30 W
$63°30 W.
$62°00'W
— ——____ erro 1°30.
18 $45°00 E N 45°30 W $45°00'E
8-9 S13°30 W N13°00 E S14°00 W
9-10 N8l°00 E S81°00 W N82°00 E
10-11 S 8°00 W N 830E Ss 9°00 W
11-12 $78° 00 E N77°00 W STP 30 E
12-1 N 13°00 W S12°30E N13°30 W
Calculando-se os Angulos internos pelos rumos vante e a ré lidos, a soma-
toria resultou 1801° 30', quando deveriamos obter 1800°. O erro € de 1° 30°
pata mais (Tab. 8.10).58 TOPOGRAFIA
Tabela 8.10
Angulo
207° 30"
203° 30)
71°00
107° 00"
314°00"
74°00"
73°00'
239°00)
68°00"
287° 00
93° 30"
64°00"
1.800" 90"
1 801° 30°
Angulos internos (12~2)180° = —1 800° 00"
erro angular = 1°30"
LIMITE DE ERRO DE FECHAMENTO ANGULAR EM POL{[GONOS
PERCORRIDOS COM BUSSOLA
A bissola é um instrumento de baixa precisio; como tal, devemos evitar
© seu uso em trabalhos de certa importdncia. Podemos dizer que nao deve-
riamos percorrer um poligono com tal aparelho; no entanto, certas vezes, na
falta de outro instrumento e sendo o levantamento de importincia secundaria,
poderemos usé-la.
Considerando que a menor parcela de Angulo que se pode avaliar no
circulo graduado da bissola seja 30 min, admitiremos como limite de erro de
fechamento angular: \/n x 30’; assim, num poligono de 12 lados (n = 12)
teremos
{12 x 30 +4 x 30 = 120 = 2;
portanto, o poligono do exemplo da Tab. 8.9 seria aceitavel, porque houve
um erro de 1° 30,
Distribuigdo do erro
O erro, desde que razoavel, poderd ser distribuido diretamente nos rumos,
obtendo-se assim os rumos definitivos. Essa distribuig&o podera ser feita em
parcelas iguais em cada linha, ou seja, 90'; 12 = 7,5, em cada linha; porém,
se tal for feito, resultara uma falsa idéia de precisio, pois o rumo de 2-3 ficara
sendo N 37° 30' E—7' 30” = N 37° 22' 30” E; 0 rumo corrigido resultara com
fragio de até 30s, quando sabemos que a biissola s6 pode ler até 30 min.Correpio de rumos e azimutes 59
Mais razoavel sera distribuir 0 erro em parcelas iguais 4 menor leitura:
neste caso, o erro de 90 min deveré ser distribuido em 3 linhas com 30 min
em cada uma.
Tomando como exemplo o exercicio anterior (Tab. 8.9), poderiamos es-
colher, sob qualquer critério, trés linhas para receber a corregio de 30 min
em cada uma. Digamos as linhas 1-2, 3-4 e 11-12. A corregaio devera ser feita
de forma acumulativa, pois na verdade o que sc deseja corrigir é 0 Angulo; ora,
se desejamos corrigir 0 Angulo 3 de 30 min e se o lado 2-3 jé foi modificado de
30 min, 0 lado vante 3-4 devera ser modificado de 60 min para que haja cor-
rego de 30 min no Angulo.
Por outro lado, a correo deve ser em sentido oposto ao erro. Vimos,
no exemplo, que 0 erro foi cometido no sentido horario, portanto a correo
serd feita no sentido anti-horario; por isso, nos rumos NE e SW a correcdo
sera diminuida no rumo, enquanto que nos rumos NW e SE ser somada.
Na Tab. 8.11 fazemos a corregio dos rumos do poligono (Fig. 8.10).
Tabela 8.11
' pope iee Rumo Rumo
ca ~ corrigido definitivo
avante are
67 Ser ov W N62°00 B '$.62°00 W 0 62°00 W
78 S45°00E N4S"30' W 845° 00 E 0 S45°00'E
89 $13°30 WN 13°00 E $14°00 W 0 S14°00 W
9-10 NSI°00E S8I°00 WN82°00'E 0 N82°00'E
10-11 S 8°00 W N 8°30E Ss 9°00 W 0 S 9°00 W
1-12 S78°00'B N77°00 W S77°30 E 30°(+) S78°00'E
124 N13°00W $12°30E N 13°30 W 30(+4) N 14°00 W
1-2 NISOOE $14°00W = N14°00'E 60'(-) N13 00E
23 N37°30E S370 W N37°30E 60'(-) N36°30'E
34 N72°00'W $73°30'E N7I°30 W 90'(+) N73°00 W
45 S33°30 W N34°30E $35°30 W 90'(-) S34°00" W
56 N1°30.W $ 12°00 E N 10°30 W 90+) NIZ 00 W
Da maneira como foi distribuido o erro, houve corregdo de 30’ nas linhas
11-12 (quando se passou de 0 a 30’), 1-2 (quando se passou de 30’ para 60) ¢
3-4 (quando se passou de 60’ para 90’). Para os que ainda nao compreenderam,
recalcularemos a seguir os Angulos internos em cada uma das estacas: s6 que
agora, usando os rumos definitivos, veremos que foram realmente alterados
(em 30’ cada) os angulos nas estacas 11, 1 e 3 (sempre em 30’ para menos)
(Tab. 8.12).
Vejamos mais um exemplo (Tab. 8.13), porém agora com a diregao das
linhas medidas em azimutes a direita.
Para recorrigir 0 azimute de 1-2 subtraimos 1° 20’ de 329° 20’ para combinar
com o ré de 148° 00' (328° 00), portanto subtraimos também 1° 20’ de 132° 00’,
dando o rumo de chegada de 1-2 :130° 40’; portanto, com um erro de 1° 20°
no sentido anti-horario. Corrigimos 1° 20’ no sentido hordrio em 4 parcelas
de 20° que foi a melhor avaliac&o lida na bussola. Supomos escolher as linhas60 TOPOGRAFIA
2-3, 3-4, 5-6 ¢ 10-1. As corregGes, nos xizimutes, foram feitas sempre para mais
porque devemos corrigir no sentido horario € todos os azimutes so horarios
(a direita); portanto, as corregdes somam-se aos azimutes.
Podemos ver, portanto, que trabalhar com azimutes € menos complicado
do que com rumos. Os azimutes quando sio a direita, sio sempre a direita,
quando sio a esquerda, so sempre i esquerda, enquanto que 9s rumos sio
ora a direita (NE ¢ SW), ora a esquerda (SE. NW).
Figura 8.10Correcao de rumos e azimutes
Tabela 8.12
61
estacal estaca2_—estaca3—estaca
ane ae 13°00" 13°00 73°00 73°00"
- i + 14°00° — {67900° + 36°30' + 34°00"
207° 00 TPO + 36°30° 109930 «107° 007
203° 30° + 180°00° ~~393°30° 70°30"
70° 30°* 207° 00"
orale estacaS —estacaé—estaca7~—estaca8
74°00" 34°00" 12°00 62°00 45°00"
aad + 12°00 + 62°00 + 45°00' + 14°00
239°00" 48°00 74°00 «10700 «59° 00"
68°00" a4 09 73°00’ + 180°00
287° 00" 239° 00)
93°00" estaca9 —estaca10_—estaca1l_—_estaca 12
une 00 82°00° 82°00 78°00’ 78°00"
1800° 00" = 14°00 - 9°00 + 9°00 - 14°00
*Angulos corrigidos em —30' [ver 68°00 73°00 «87°00 64°00
comparar com a tabela de an- 287° 00" 93°00"
gulos anterior (Tab. 8.10)]
Tabela 8.13
ae Azimute lido (d direita) Azimute Distribuicdo Azimute
Es nae corrigido do erro definitivo
132°00' 311° 40° 132°00" o 132°00°
47°20 228° 00" 47° 40" 20(+) 48°00"
89°00' 270° 20° 88°40" 40(+) 89°20
353°40° 173° 20° 352° 00 40(+) 352° 40
307°00' 126° 007 305° 40 60(+) 306°40"
202°20° 23°00" 202° 00" 60(+) 203° 00"
265°00' 85° 00" 264° 00" 60(+) 265° 00"
213° 00° 32°20 212° 00" 60(+) 213° 00"
175°20 355° 00" 175° 00" 60(+) 176° 00"
148° 00° 329° 207 148° 00" 80(+) 149° 20°capitulo 9
Levantamento utilizando poligonais
como linhas basicas
Topograficamente chamamos poligonal a uma seqtiéneia de retas. Natural-
mente haverd uma estaca no comego e outra no final de cada reta, Temos.
assim, estacas ou vértices € lados (ou linhas). Para o levantamento da poligonal
devem ser medidos os Angulos que as linhas fazem entre si, nas estacas, ¢ os
comprimentos das linhas. A poligonal pode ser aberta, fechada ou amarrada
Poligonal aberta (Fig. 9.1) é aquela que além de no fechar, isto 6, de nao
voltar ao ponto de partida, também nao parte e nem chega em pontos ja conhe-
cidos (que tenham coordenadas ja determinadas).
Figura 9.1 Poligonal aberta: 0s pontos 1 e 9 somente esto ligados pela propria
poligonal
Poligonal fechada (Fig. 9.2) € aquela que retorna ao ponto inicial, pos-
sibilitando verificagdo.
Poligonal amarrada (Fig. 9.3) é a que parte ¢ chega em pontos de coorde-
nadas jé conhecidas, possibilitando também verificacdo, tal como a poligonal
fechada.
Em todas as medigdes efetuadas sempre existiréo os erros, e portanto
também nas poligonais, teremos, pois, os eros angulares ao serem medidos os
Angulos, e os erros lineares ao serem medidos os comprimentos dos lados.
Ambos produzirao, como conseqiiéncia, as distorgdes da poligonal. A respeito
das conseqiiéncias dos erros angulares ¢ lineares existem interessantes trabalhos
que constituiram teses de concurso dos engenheiros agrénomos Antonio Petta
e Reynaldo Godoi, da Escola Superior Agricola Luiz de Queiroz (Piracicaba).
Nesses trabalhos, de inicio, foi montada, em escritério, uma poligonal fechada63
Levantamento utilizando poligonais como linhas basicas
POLIGONAL
‘SECUNDARIA
Figura 9.2 Poligonal fechada: a estaca 1 ¢ a0 mesmo tempo o ponto inicial e final
da poligonal
NORTE
VERDADEIRO|
A’ [\azimute vERDADEIRO DE 4-1
a
8% Me)
Figura 9.3 Poligonal amarrada porque séo conhecidas as coordenadas dos pontos
A(X, e Y,) e B(X,e ¥,) além do norte vertladeiro em qualquer estaca
te6rica, para que no houvesse erro; em seguida foram introduzidos erros nos
comprimentos e nos Angulos, analisando-se a conseqiiéncia nas deformagdes
do poligono. Tais trabalhos levaram a conclusdes que ja eram ésperadas, con-
firmando-as:
a) erros de fechamentos (linear e angular) menores nao significam que o
Ievantamento do poligono seja melhor do que outro levantamento com erros
maiores; tal acontece porque pode ter havido somente maior compensagio
dos erros.64 TOPOGRAFIA
b) um levantamento com erros de fechamento acima dos limites permis-
siveis nao deve ser aceito, porque est4 fatalmente com erros intolerdveis; porém,
um outro levantamento com erros menores do que o limite de aceitagéo nao
nos da a certeza da qualidade. Tal fato ndo devemos esquecer nunca para que
ndo se exagere na confianga que possamos ter no trabalho; desta forma, sempre
que possivel devemos aplicar outros meios de verificagdo, tais como visadas
diretas para estacas ndo-consecutivas, desde que haja visibilidade, medindo
Angulos ou até distancias (modernamente com os distanciémetros cletrénicos).
Uma poligonal aberta menor confianga ainda deve merecer, pois neste
caso os erros nunca ficaro identificados. De uma certa forma os erros angulares
(erros de diregéo) podem ser conhecidos quando determinamos os rumos ou
os azimutes verdadeiros dos primeiro e dltimo lados com visadas aos astros,
porém os ettos lineares petmanecerio desconhecidos.
A poligonal amarrada tem as mesmas possibilidades de verificagdo da
poligonal fechada, desde que se parta da suposigdo de que as coordenadas dos
pontos de saida e chegada estejam com erros minimos.
Apesar dos inconvenientes apontados, 0 método de levantamento por
poligonal é 0 mais empregado na Topografia atual. As razdes que levam a tao
grande emprego sao:
1) a relativa rapidez com que se atingem grandes distdncias (exemplo
poligonais para a linha basica, em levantamentos para projeto de estradas);
2) a possibilidade de amarragiio de detalhes nos lados da poligonal (exemplo:
poligonal principal para levantamento dos limites de uma propriedade e poli-
gonais secundarias para levantamento de detalhes internos tais como cérregos,
caminhos, etc.).
As poligonais, dentro de um mesmo trabalho, sdo classificadas em principal
e secundarias.
Chamamos poligonal principal aquela que é fechada e que deve ser cal-
culada e ajustada antes das demais; gerilmente a poligonal principal acompanha,
to prdximo quanto possivel, os limites da propriedade.
As poligonais secundarias (Fig. 9.1) sio aquelas que iniciam e terminam
em estacas da poligonal principal; o seu calculo ¢ seu ajuste sé podem ser feitos
aps os da principal, pois as coordenadas das estacas 13 e 7 jA devem estar
determinadas.
Quando os comprimentos dos lados forem obtidos por distanciémetros
eletronicos (por economia de palavras podemos chamar de poligonal eletrénica),
a preciso sera substancialmente maior. Sabe-se que os teodolitos, ja de longa
data, vém fornecendo acuidade para medidas angulares de até 1s, 0 que pode
ser considerado como altamente satisfatério. O erro angular de um segundo
produz um deslocamento de 1.cm 4 distancia de 2km, portanto um erro de
1:200 000, porém, as medidas lineares com trena ou taquedmetros, em trabalhos
normais, apresentam um erro médio de 1:1000 ou 1:2000. Vé-se que ha com-
pleta discordancia entre as duas medidas angulares e lineares.
Os distanciémetros eletronicos trouxeram maior grau de precisio nas
medidas lineares; dependendo do tipo, 0 erro médio poder ser de 1:10000Levantamento utilizando poligonais como linhas basicas 65
‘ou de até 1:50000. Tal possibilidade veio ampliar 0 campo de aplicacao das
poligonais, no transporte de coordenadas, na verificagdo de poligonais levan-
tadas com teodolito e trena, nas trilateragdes etc. Em capitulos posteriores
abordaremos tais assuntos.
Quando as medidas de distancia forem obtidas com trena, as estacas
deverdo ser escolhidas de tal forma que o percurso possa ser facilmente per-
corrido. Nas medidas diretas com taquedmetros ou distanciémetros eletrénicos
nao importam as dificuldades do percurso, basta haver intervisibilidade.
SEQUENCIA DE CALCULO E DE AJUSTE DA POLIGONAL FECHADA
1. Correg&o dos comprimentos.
2. Determinagdo do erro de fechamento angular pelos rumos ou pelos
azimutes calculados.
3. Determinagao do erro de fechamento angular pela somatéria dos angulos
internos (os itens 2 e 3 devem chegar ao mesmo resultado).
4, Distribuigao do erro de fechamento angular obtendo-se os rumos defi-
nitivos.
5, CAleulo das coordenadas parciais (x, y).
6. Determinagao dos erros de fechamento linear:
e, = erro nas abscissas,
erro nas ordenadas,
erro de fechamento linear absoluto,
1; M = erro de fechamento linear relativo, onde
M = P/E,, sendo P o perimetro.
7. Distribuigdo dos erros e, € e, ¢ assim fechando-se o poligono.
8. Procura do ponto mais a oeste.
9. Caleulo das coordenadas totais (X, ¥).
10. CAlculo da Area do poligono.
Sera justamente essa seqiiéncia que sera estudada nos capitulos seguintes.capitulo 10
Calculo de coordenadas parciais, de
abscissas parciais e de ordenadas parciais
So chamadas de coordenadas parciais as projegdes de um lado do poli-
gono, nos eixos norte-sul ¢ leste-oeste (Fig. 10.1).
s Figura 10.1
Seja o lado AB de um poligono. Fazemos passar as linhas norte-sul (NS)
¢ leste-oeste (EW) pela estaca A. © Angulo NAB é 0 rumo de AB e no caso em
questo trata-se de um rumo NE. O comprimento 4B chamamos de |, Temos,
nesse caso,
abscissa de AB = x4, =! sen rumo, a
ordenada de AB = y,, =I cos rumo. Q)
Dizemos entio que x,y ¢ a abscissa parcial de AB e y,, € a ordenada parcial
de AB e os dois valores em conjunto constituem as coordenadas parciais do
lado AB,
O emprego das coordenadas parciais é indispensavel para a seqiiéncia do
cdlculo de uma poligonal, pois, através delas, 6 que conseguiremos apurar 0
erro de fechamento linear, a distribuigo deste erro e, finalmente, 0 calculo
da area do poligono.
Para o emprego das formulas (1) ¢ (2), podemos usar uma tabela de fungdes
naturais ou uma tabua de logaritmos (Tab. 10.1 e Tab. 10.2), ou ainda, tabelas
especiais previamente elaboradas como a do Eng. Nelson Fernandes da Silva
que estudaremos mais adiante. assim como as calculadoras eletronicas.Célculo de coordenadas parciais, de abscissas parciais @ de ordenadas parciais
67
Tabela 10.1 Planilha de célculo para obtengdo de coordenadas por fungées
naturais
Oe Male Coordenadas parciais
Compri- Senodo —_Co-seno
oe ar mento rumo do rumo wf
E N 8
12 S720 W 02530 0—~=~O(S6,19 lant
23 S49°50 W 51,54 0,76417 0.64501 39,39 3324
34 S210 4895 035837093358 «17,54 45.70
45 $6030 E S175 093667 0.35021 48,48 18,2
56 -NAISMYE, 8261 0,66480 «0.74703 54.92 ont
G1 N26°30W 56,20 —_0,44620 0.89493 2508 5030
3 = 349,13 soma: 12094 12066 11201 ‘111,77
diferensa: e, = 0,28 «, = 024
*Observagio: os valores de x ¢ y $80 colocados nas cohinas E ou We N oti S em fungio das letras do rumo
Tabela 10.2 Planilha de célculo para obtengéo de coordenadas por logaritmos
Linba, ‘Chleale Cileulo
comprimento ae de
erumo y
~ B
5,73 m
log cos rumo = 1.96429
rumo = N22°55'W Tog y = 178105"
y= 6040 2559 60.40
2 Tog = 1.92609 Tog l= 1,92609 _
T= 8435 m Jog sen rumo = Ti Jog cos rumo 86763
rumo = N42°30 W log x = 175577 log y = L79372
x= $699 y= 6219 $699 6249
Toa = 1.70260 jog P= 1.70260
tog sen rumo = 189050 og cos rumo = 1.79887
log x = E59310 log y = 150147
59,18 ye 3173 39,8 an
Tog = 163949 Tog = 163949
Jog sen rurno = 1195052. log cos rumo = 1,65456
log x = 1.59001 log y = 1.29405
x= 3891 ya 1968 3891 1968
Tog! =7,02492 Tog P= 202492
1=10592m tog sen rumo = 141535 tog cos rumo = 1.98477
rumo = $15) log x = 144027 fog y = 200065
xo 2155 yo 10226 2755 10226
ei Tog = 179525 Toa l=
[= 241m log sen rumo = 1.93898 log cos remo
rumo = N 60° 20'E Jog 1,73623, logy
= Sas y s4ae 3090
Foam 12094 12176 1534915367
P= perimeiro e, = 082 6, = 08
CEFE
A
SIBLIOTECA TEBYRECA DE OLIVEIRA68 TOPOGRAFIA
CALCULO GRAFICO DE COORDENADAS PARCIAIS
Usamos papel comum ou papel milimetrado (Fig. 10.2). Partindo de uma
mesma origem G e considerando a vertical como direcio NS, marcamos a
partir do norte os angulos que representam os rumos (esta marcagao é feita
com transferidor). Depois de tragados os raios a partir de ©, marcamos, com
uma escala, os comprimentos, obtendo-se os pontos 1, 2, 3, 4, 5 e 6 finais, res-
&
2i
y
18,00
Ss
e 8 8g § 3
e 8 8 $ BS ESCALA DAS
x x x x xx DISTANCIAS :1:500
Figura 10.2 Proceso grafico para a-obtengao de coordenadas parciaisCéleulo de coordenadas parciais, de abscissas parciais e de ordenadas parciais 69
, P22:
Pectivamente das retas 6: 3-4, 4-5 © 5-6. As verticais destes pontos
até o eixo leste-oeste representam, lidos na mesma escala, os valores Vy Tes-
pectivos. As horizontais até o eixo norte-sul so os valores x, respectivamente.
Na Tab. 10.3, colocamos os valores de x ¢ y, calculados analitica e grafica-
mente, para comparac&o (usamos dados da Tab. 10.1, ja feitos analiticamente).
Naturalmente sabemos que o valor obtido analiticamente 6 0 certo, sendo o
grdfico apenas aproximado. No entanto, é um étimo meio de verificagio porque
€ muito rapido ¢ aponta os erros grosseiros que por ventura vicrem a ser come-
tidos no cAlculo analitico.
Tabela 10.3
ue ss —s 5 :
Valor ‘Valor Valor Valor
Linha obtido obtido obtido obtido
analiticamente graficamente _—analiiticamente __graficamente
12 56,19 56,00 14,71 14,75
23 39,39 39.50 33,24 33.25
34 1754 17.70 45,70 45,75
4.5 48,48 18,12 18,00
56 54,92 6171 61,75
1 2508 50,30 50,25
Por vezes acontece que, tendo-se colocado todas as coordenadas analitica-
mente, 0 poligono nao fecha; convém, antes de repetir todos os célculos, fazer
uma verificago pelo método grafico; no caso de este apontar um etto grosseiro
em alguma das coordenadas, devemos refazer os calculos analiticos apenas
desta, para ganhar tempo.
EMPREGO DE TABELAS
Certos autores ja prepararam tabelas para calculo de coordenadas, fazendo
68 comprimentos variarem de centimetro em centimetro e os Angulos dos rumos,
de minuto em minuto. Uma destas tabelas é a do Eng. Nelson Fernandes da
Silva, que descreveremos em capitulos adiante, pois ela serve também para
calculos de taqueometria ¢ este assunto s6 sera abordado adiante.
CALCULADORAS ELETRONICAS
As calculadoras, mesmo as portateis, tém transformagao direta de coorde-
nadas polares em cartesianas ¢ vice-versa. Como rumo e comprimento de linhas
siio coordenadas polares e x ¢ y sio coordenadas cartesianas, fica extrema-
mente facil 0 emprego destas calculadoras. Como exemplo, a HP 25 possui
esta transformacdo com muita rapidez e simplicidade. Este € o melhor método,
porém néo devemos desprezar outros, pois nem sempre temos a calculadora
ao nosso lado.70 TOPOGRAFIA
Erro de fechamento linear
Tomemos como demonstragdo a Tab. 10.1, Vemos que a soma dos valores
x para leste resultou 120,94 m, enquanto que a soma dos valores x para oeste
deu 120,66 m. Isto significa que, partindo da estaca 1, andando 120,94 m para
leste e voltando (para oeste) apenas 120,66 m, nfo voltamos até um, mas paramos
a uma distancia de 0,28 m deste ponto.
Vejamos um grafico (Fig. 10.3) onde s6 nos preocupamos com os valores x.
© mesmo raciocinio fazemos para a direc&o norte-sul e vemos que a somatéria
dos valores y para o norte deu 112,01 m, enquanto que a somatéria dos valores
y para sul deu 111,77 m, portanto houve uma diferenga de 0,24 m, aquela maior
do que esta.
‘Na Fig. 104 representamos os erros em x € y e vemos que o erro de fecha-
mento (E,) € a hipotenusa do triangulo retangulo.
2
3
a
Figura 1
Figura 10.4
48,48.
5
Nesta figura, 0 ponto 1 representa a estaca na saida, ¢ 0 ponto 1’, a mesma
estaca na volta. O erro de fechamento (E,) é no entanto absoluto, isto é, nao
se relaciona comparativamente a outro valor. Por esta razdo se indagarmos:
um poligono com erro de 0,37 m (E,) esta bom? E aceitavel ou nfo? A resposta
seria: no sei. E necessaria uma comparacado com a dimensao do trabalho exe-
cutado, Ora, ja que E, € uma medida linear, nada melhor como termo de
comparagdo a somatéria dos comprimentos dos lados, isto ¢, 0 perimetro (P);
regra de trés:
E,>P
ba Mi ent
onde P € o perimetro (Zl) © M servira para expresso do erro telativo 1:M
(um para M) ou 1/M, entdo erro relativo: 1/M, ou seja,foi cometido o erro de
1m em M metros de perimetro.
No exemplo em questio (Tab. 10.1) temos EI = P = 349,13, entao
349,13
M =a = 9436.
© erro relativo foi de 1 para 943.6, ou seja, o erro foi de 1m para cada
943.6 m de perimetro.CSlculo de coordenadas parciais, de abscissas parciais ¢ de ordenadas parciais 71
No segundo exemplo dado (Tab. 10.2) temos e, = 0,82, ¢, = 0,18 ¢ P=
= X/ = 412,43, assim:
E, = ,/ 0.82? + 0,18? = 0,839 = 084,
412,43 :
M = yey = 4915
entiio, 0 erro relative € 1/491, ou seja, o erro foi de 1m para cada 491 m de
perimetro.
Quando se fazem levantamentos de poligonais com medidas obtidas com
diastimetros (trena de ago ou corrente) ¢ medidas de angulos com transito
(aparelhos capazes de ler até um minuto sexagesimal), a tolerdncia de etto de
fechamento linear relativo é de 1 para 1000; portanto, para este critério, nenhum.
dos dois exemplos (Tabs. 10.1 e 10.2) seria aceitivel, pois tanto 1/943,6 como
1/491 representam erro superior a 1/1000: porém, para poligonais levantadas,
com a bissola, com a corrente ou com a trena, a tolerancia é em geral maior,
1/500, e neste caso o primeiro exemplo (Tab. 10.1) estaria muito bom e o segundo
(Tab. 10.2), quase bom.
DISTRIBUICAO DO ERRO DE FECHAMENTO LINEAR
Quando o erro € superior ao limite aceitavel, s6 resta 0 recurso de refazér
© trabalho total ou parcialmente. Quando, porém, 0 erro é aceitavel, ainda
assim, é necessirio distribuir este erro, pois ndo podemos prosseguir no calculo
do poligono enquanto ele nio fechar (€ impossivel calcular a drea de uma figura
aberta), Nao sabemos onde 0 erro foi cometido; se assim fosse iriamos corrigir
neste lugar. Por isto deveremos procurar uma maneira racional de distribuic%o.
Na pratica, usam-se dois sistemas, ambos distribuindo o erro diretamente nas
coordenadas parciais, isto 6, corrigindo-as diretamente em vez de alterar com-
primentos e diregdes de lados.
Vejamos 0 primeiro sistema, usando a seguinte regra de trés:
‘orreg&io na abscissa do lado 1-2 também o erro nesta abscissa),
ro. em x = Ex,—Zxy em modulo (nio interessa o sinal),
1, =comprimento do lado 1-2,
P = perimetro (somatéria dos comprimentos dos lados)
ex
Coy a = Bp hia
Apliquemos esta formula para o lado 1-2 do primeiro exemplo (Tab. 10.1)
0,28
*1-2 349,12
portanto, x,_, corrigido ser 56,19 + 0,05 = 56,24, A corregao foi somada ao
valor de x porque a abscissa 1-2 € We a somatéria de xy € menor do que a
somatéria de xp.
58,08 = 0,000802 x 58,08 = 0,04658 m ~ 0,05 m;72 TOPOGRAFIA
Fagamos mais um exemplo, agora com a abscissa do lado 3-4:
e, 0.28
Coa = Bp hs = 3093
portanto, x;_, corrigido = 17,54—0,04 = 17,50 m. O valor da corregio foi
subtraido porque a abscissa do lado 3-4 é E e a somatéria de x, € maior do
que a somatéria de xy
Vemos também que o valor c,/P ¢ constante, Essa constante (e,/P) é a
constante de corresao para as abscissas que deve ser multiplicada por cada
um dos comprimentos dos lados para se ter a correo em cada uma das
abscissas.
A distribuigao nas ordenadas ¢ semelhante:
48.95 = 0.000802 x 48,95 = 0.39258 ~ 0,04;
portanto
Ge" iary
yaa =p lina
onde ¢,/P € a constante de corregdo para as ordenadas que deve ser multiplicada
por cada um dos comprimentos dos lados para se ter a corregdo em cada uma
das ordenadas.
Exemplificando para o lado 1-2, vamos ter
’ 0,24
yaa =p 12 = aqq 73 58.08 = 0.000690 x 58,08 = 0.04007 ~ 004:
V;~2 corrigido = 14,71 + 0,04 = 14,75 m. O valor da corregao (0,04) foi somado
a0 y,_, porque ele é sul e a somatéria de y, € menor do que a somatéria de yy.
As restantes corregdes da Tab. 10.1 estdo na tabela abaixo.
Tabela 10.4 Planilha com a coordenadas parciais corrigidas
Coordenadas parci
Coordenadas parciais corrigidas
| N ew
12 > 144 56.24
23 3324 4 39.83
34 4570 3° 1750
4s 18124 4844
56 om 5 5485
61 2508 43080 4 2512
0 W177 12079 1207911192 11192
120.94 120,66 11201
© segundo sistema muda os termos da proporcao:Célculo de coordenadas parciais, de abscissas parciais e de ordenadas parciais 73
onde C,,_, 6 0 erro ¢, portanto, a corregdo deve ser feita na abscissa do lado
1-2; xy) € a abscissa do lado 1-2; e, € 0 erro em x, ou seja, Exp—Exy,; e,
finalmente, Ex é a soma de todas as abscissas, quer sejam para leste ou para
oeste:
e
Bs = Stet hg Fn
Vemos ent&o que, agora, a corre¢ao para os valores de x € 0 produto da cons-
tante e,/2x por cada uma das abscissas x.
Apliquemos este sistema para os mesmos exemplos anteriores:
Ex = 120,94 + 120,66 = 241,60,
0,28
Cu. = 747 g9 55:19 = 0.06518 ~ 0,07,
onde a constante de correg&o para as abscissas = x = ¢,/Ex:
0,28 .
sar go = 015s
portanto,
X 1-2 cotrigido = 56,19 + 0,07 = 56,26;
X54 cortigido = 17,54—0,02 = 17,52.
Da mesma forma para corrigir as ordenadas, temos:
C, e 2,
Sige Pe Ce hy
Vig Ey) Corea = By Mt-ae
onde
Ly = Zyy + Eys-
No nosso exemplo, temos Ey = 112,01 + 111,77= 223,78, ¢, = 0,24/223,78 =
= 0,00107, assim:
cae
23,78 71+
Cy... = 0,00107 x 14,71 = 0.01574 ~ 002;
portanto,
Y1-2 corrigido = 14,71 + 0,02 = 14.73.
Tabela 10. As restantes correcées aparecem feitas diretamente na Tab. 10.4
~ Coordenadlas parciais ~ Coordenadas parciais corrigidas
4 x x y
5
E Ww N s BGOULWs aN s74 TOPOGRAFIA
© primeito sistema denomina-se método de corregdo proporcional aos com-
primentos dos lados © 0 segundo sistema, método de corregdo proporcional as
proprias coordenadas.
Comparando agora os dois sistemas (Tab, 10.6) e tomando 0 lado 3-4 para
discuss, vemos que, no primeiro sistema o valor x foi corrigido em 4 cm,
sendo de 17m, enquanto que y, sendo de 45m foi corrigido apenas em 3m.
Ja no segundo sistema, x foi corrigido em apenas 2 em, enquanto que y foi em
Sem (Fig. 10.5).
Tabela 10.6
Correcdo Correcio
Linha Abscissa x —— Ordenada y° — —
sistema 2.” sistema L* sistema 2. sistema
cm
-2 = 56,19 5
~ 39,39 4
417,54 4
$48.48 4 5
+5492 7 6
= 2508 4 3 +50,30 4
Figura 10.5
Tal fato mostra que, enquanto no primeiro sistema, a diregdo do lado foi
Substancialmente alterada porque as corregdes nao foram proporcionais a
coordenadas, no segundo sistema, a diregio foi quase totalmente mantida.
A seguir, vamos verificar as afirmagdes anteriores com um exemplo. As
afirmagdes que tentaremos provar sio:
a) quando se distribui o erro de fechamento linear pelo primeiro sistema,
isto ¢ proporcionalmente aos comprimentos dos lados, as corregdes altcram
tanto 0s comprimentos quanto os rumos dos lados, em proporgdes quase igual
b) quando se distribui o erro de fechamento linear pelo segundo sistema
isto € proporcionalmente as préprias coordenadas, as corregdes alteram mais
‘0s comprimentos dos lados e muito menos os rumos.
© exemplo que escothemos (Tab. 10.7) esta com erros exagerados, porém propo-
sitais para tornar mais visivel a variagao.
Aplicando primeiro sistema, isto é
o76
Céleula de coordenadas parciats, de abscissas parciais ede ordenadas parciais
Tabela 10.7
Linha Comprimento Rumo
12 100.00 = N&0°00E 98,481 17,365
as 8600 = NI2°00E 17,880 84,121
3-4 13200 N86" 30° W 131,753 8,059
41 99.80 30 W 7 7807 99.194
. 417,50 116361 139,560 109545 99.194
6, = 23,199 e, = 10351
Ex = 255921 Ey = 208,739
teremos as coordenadas parciais corrigidas conforme nos mostra a Tab. 10.8.
Tabela 10.8
Coordenadas parciais Coordenadas parciais corrigidas
s
12 98481 5.556 17365 2,479 104.037 14.886
23° 17880. 4.779 sai 2122 22.639 S1L989
34 1317337835 $050 3273, laais 4786
41 7807. 5: 99,194 2.467 101.661
LaL.661 1016
126,596 126.69
1162361 139,560
Aplicando agora o segundo si- ma,
Cc.
teremos as coordenadas parciais corrigidas, como sao mostradas na Tab. 10.9.
Tabela 10.9
Coordenadas pat
12 98481 8927 107408 16504
23° 17880 1,621 19.501 79950
4 131,753 7335 119810 7.659
41 7807 _ 5,529 99.194 4919 7.099 104,113
T6367 139,560 T0954 9,194 126909 126,909 104,113 104,11376 TOPOGRAFIA
Em seguida, iremos recalcular comprimentos ¢ rumos dos quatro lados,
bascados nas coordenadas corrigidas, pois sabemos que:
l=J/xety’,
x
rumo = arco tg ~
7
Baseado nos valores x ¢ y, corrigidos do primeiro sistema, ¢ no segundo
sistema, temos na Tab. 10.10 0s comprimentos ¢ os rumos recalculados
Tabela 10.10
eu aseado™ Galea basado
em xe y do 1. sistema em xe y do 2. sistema
Linh Dados originais
Comprimento _- Rumo — Comprimento_—— Rumo__—Comprimento. ——- Rumo
ie 100,00 N80" 00° E 105.097 NSI°S2E 108,889 NSei2E,
23 86,00 N 12"00'E 85062 NIs‘27E 82,293 N42 E
34 132.00 N86" 30° W 124.429 NET? 48°W i00ss = N86"21 W
41 99,50 S430 W 101.686 sri7w 103,358 S sdW
Esto, portanto confirmados as afirmages, pois podemos ver que no pri-
meiro sistema as variagdes angulares foram maiores do que no segundo sistema,
acontecendo o contrario com as variacdes lineares. Ressalte-se que, neste exemplo,
houve para o segundo sistema variagdes angulares em virtude da grande ampli-
tude dos erros. Quando os erros forem pequenos, as variagSes angulares so
despreziveis.
Usando 0 exemplo da Tab. 10.1, jé feito anteriormente, podemos constatar
© que foi dito, conforme nos mostra a Tab. 10.11.
Tabela 10.11
Coordenadas parciais Rumos
corrigidas 2.° sistema calculados
eee i
Linha — Rumo original x y coordenadas
a = parciais
E N s corrigidos Diferenga
12 875° 20 W 56.26 75°20’ 13" W 13
23 849° 50" W 39,44 8 49°50’ 31" W Bis
34 S21°00E 17,52 20°57’ 16" E 244"
45 S630 E 48,43 S 69° 27' 58" E 702"
56 N4iv4yE 54,86 N41? 39°53" E 07"
N26°3305"W = -¥05"
61 26°30 W 25,11
Como conclusao, devemos aplicar cada sistema, em fungdo da maior ou
menor preciso possivel esperada em cada uma das unidades medidas; assim,
quando trabalharmos com boa preciso angular e baixa precisio linear, sera
preferivel o segundo sistema, isto ¢, a proporcionalidade as proprias coordenadas;
€ 0 caso em que se medem Angulos com o transito ¢ as distancias com trena ou
corrente. Quando 0 poligono € Ievantado com igual preciso em distancias ¢
Angulos, empregar-se-4 0 primeiro sistema, pois ndo ha razio para querermos
manter, preferencialmente, nenhum dos dois valores.capitulo 11
O ponto mais a oeste e célculo de
coordenadas totais
Tanto para o calculo da Area de um poligono como para desenhé-lo, €
vantajoso que conhegamos qual de suas estacas é a que esta mais a oeste. Quando
formos desenhar 0 poligono, sabendo-se 0 ponto mais a oeste e colocando-o
a esquerda do papel, néo correremos 0 risco de que parte do poligono que,
sendo ainda mais a esquerda, caia fora do papel.
Para o cdlculo de reas, veremos em capitulo posterior, que certos valores
indispensaveis para o cémputo da Area serio somente positivos quando cal-
culados a partir do ponto mais a oeste, evitando complicagdes de sinal.
Para encontrar o ponto mais a oeste, partindo das coordenadas parciais
Ja corrigidas, devemos adotar uma das estacas como origem proviséria e, a
partir dela, acumularmos algebricamente ‘bscissas. A estaca que, nessa acumu-
lagdo, apresentar o maior valor negativo sera o ponto procurado. Em virlude
da simplicidade da operagao, passemos imediatamente para um exemplo.
Para acumular algebricamente, consideramos os valores de E ¢ N como
positivos e de We S$ como negatives
Tabela 11.1
Coordenadas parciais78 TOPOGRAFIA
Exemplo 11.1 Dado o poligono, pelas suas coordenadas parciais cor-
rigidas Tab. 11.1 achar o ponto mais a oeste.
Constata-se que o poligono realmente fecha pela igualdade das somas de
Xp com Xy € de yy com ye.
Procura do ponto mais a oeste, tendo como origem proviséria, o ponto 1:
estaca x
(*ponto mais a oeste, porque
€0 de maior valor negativo)
© ponto mais a oeste € a estaca 7, porque apresentou, nessa acumulagdo
algébrica, 0 maior valor negativo (33). Trabalhamos apenas com as abscissas
e n&o com as ordenadas (5), porque ndo nos interessa a diregao norte-sul,
quando se cogita de ponto mais a oeste.
A escolha da origem proviséria nao afeta o encontro do ponto mais a
oeste? Evidentemente nao, pois apenas altera os valores dos x, acumulados,
mantendo, porém, sempre 0 mesmo ponto com maior valor negativo. Mesmo
nao sendo necessario, faremos uma outra procura, usando agora, como origem
provisoria 0 ponto 3, e novamente se verifica que o ponto mais a oeste é a
estaca 7 com o maior valor negativo (~10):© ponto mais 2 oeste e célculo de coordenadas totais
estaca x
3
(*ponto mais a oeste, porque
€ 0 de maior valor negativo)
CALCULO DAS COORDENADAS TOTAIS
ae
As coordenadas totais so as acumulagdes algébricas das coordenadas
parciais, tomando-se um ponto qualquer como origem, porém usa-se 0 ponto
mais a oeste como tal. As ordenadas totais séo as acumulagées algébricas das
ordenadas parciais, a partir da origem. As abscissas totais sfio as: acumulagées
algébricas das abscissas parciais, a partir da origem.
Desenhamos 0 poligono (Fig. 11.1) representado pelas coordenadas da
Tab. 11.2, antes porém, procuramos o ponto mais a oeste, assumindo como
origem proviséria um ponto qualquer (digamos estaca C):80 TOPOGRAFIA
Tabela 11.2
Coordenadas parciais
Tabela 11.3
Coordenadas totais
Estaca — — — —
x y
oO o-
+4 5
iG +4 -5
+3 +2
D +7 3
+7 3
E +14 6
-8 +9
A +6 +3
- 6 =A
B 0 a
estaca x
*ponto mais a oeste é B
(maior valor negativo) Figura 11.1O ponto mais a oeste & cdiculo de coordenadas totais 81
Passamos eixos definitivos pelo ponto B, que é o ponto mais a oeste,
usiindo a estaca B como origem para acumulagio das coordenadas parciais
e calculamos as coordenadas totais (Tab. 11.3).
Ja podemos ver ent&o, com mais clareza, olhando a Fig, 11.1 ea Tab. 11.3,
que as coordenadas totais so as distancias do ponto aos cixos das coordenadas
que passam pelo ponto mais a este. Assim, no ponto D a abscissa total é igual
a7 ea ordenada é —3. Vemos na figura que estas sdo as distincias do ponto D
aos cixos referidos.capitulo 12
Calculo de area de poligono
Entre diversos processos geométricos e trigonométricos de cAlculo de area
de poligonos. selecionamos os dois mais empregados nas atividades priticas:
1) processo das duplas distanciss meridianas (ddm); 2) processo das coorde-
nadis totais. tambem chamade de coordenadas dos vertices.
DUPLAS DISTANCIAS MERIDIANAS (ddm)
Célculo de area de poligonal fechada pelo método das duplas disténcias
meridianas
Dedugao da formula
-l~area
Area do poligono ea |-2-3-4-5-1 = area 2+ area 2-2
3-3-d—area 4-5-5'—area 5'-5-1-1
Vemos na Fig. 12.1 que cada uma destas Areas. sejam trapézios ou triangulos,
€ sempre o produto da dm pelo y respectivo, onde dm é a distancia meridiana
do lado, ou seja, a distancia do meio do lado até a origem no ponto mais a
este (ponto 4); portanto,
area do poligono = dm,_,y,_, + dm,_,y,_,-dm,_4y,_4-
—dmy_5¥4~5—dMms_,Vs_,
| Ss
q
Figura 12.1
| Ss
xCéleulo de érea de poligono 83
ou seja,
(dm, _5,-» + dm,_3Vy_
(dmy_sy3_4 + ding_syq_5 + dims _ vy,
a)
Regra pratica para caleulo das distancia meridianas: a distancia meridiana
de um lado é igual a disténcia meridiana do lado anterior mais a metade da abscissa
do lado anterior, mais a metade da abscissa do préprio lado, por exemplo,
(x,_, € negativo porque é para oeste).
Na pratica, fica menos trabalhoso calculur a dupla distancia meridiana,
para néo trabalharmos com as metades das abscissas; assim,
ddm,_, = ddms_, + X5_; +%,_,
(dupla distancia meridiana = ddm);
ddm,_, = ddm,_, + x,_, +(Ex;_,).
Empregando na formula (1) a dupla distancia meridiana, iremos obter 0 dobro
da area A 2A;
2A =(ddm, 94 2+ ddm,_y¥y_s)-Udmy V5.4 ddim, 404 5 + dmg.)
Vemos que todos os produtos entre os primeiros parénteses siio com ys norte,
enquanto que nos segundos, so com ys sul, podemos, pois, chamar respectiva-
mente de produtos norte (PN) ¢ produtos sul (PS); portanto,
2A = EPN-ZPS,
ee NEES
2
porém como nao existe sentido topografico para area negativa, devemos con-
siderar a diferenca EPN-EPS em modulo, assim
A (ZPN-ZPS)_
Exemplo numérico 12.1 Consideremos o poligono, representado na Tab.
12.1 com suas coordenadas.parciais ja corrigidas.
Nota. Empregaremos, genericamente, unidades ao quadrado, pois nao
foi especificado 0 tipo de unidade das coordenadas parciais.
Procuramos o ponto mais a oeste tomando a estaca 1 como origem pro-
visOria:84 TOPOGRAFIA
Tabela 12.1
eae nan Produtos Produtos
Linha _ parciais corrigidas distancias : i
y meridianas a ol
s
1-2 2 6 26 x 6 = 156
23 4 § 32x 5 = 160
34 6 3 30x3= 90
45 2 3 22x 3=66
346 ty 19 x 7 = 133
o7 9 6 9x 6=54
783 3 3x3= 9
89 2 6 4x6=24
9-10 3 1 Sxl= 5
10-11 1 7 7x7=49
11-12 IL 3 17x3=51
121 2 6 26 x 6 = 156
2323 «28 «28 IPN = 700 EPS = 253
estaca at x ~
1
ae)
petted
oF he
ee
“12
ae)
~ = il
+3
10 = 8
ee
ui a
pase < a.
ON
PRODUTOS POSITIVOS
Arrumam-se os valores X e Y em forma de fragdo pela ordem das estacas; no
iltimo termo, repete-se 0 primeiro; efetuam-se os produtos em diagonal: num
dos sentidos os produtos nao terao sinal alterado, enquanto que no outro sentido
sim, por exemplo, o produto X,Y, permanece com o sinal que tem, enquanto
que 0 produto X,Y, tera sinal trocado. ou seja, dando positivo ficara negativo,
dando negatiyo ficara positivo. A 4rea ser a soma total (soma algébrica) divi-
dida por 2.
Tabela 12.3
P
:
i
=|
7 0
3
8 3
-2
9 1
3
10 4
-1
1 3
1
12 14
=2
1 12
2
2 14
4
3 18
6
4 12
Eas:
5 10
=i
6 a
==
a 0Célculo de area de poligono 89
Exercicio 12.3 Vamos aplicar este método para encontrar a area do
mesmo poligono da Fig. 12.1.
Sabendo-se que 0 ponto mais a oeste € a estaca 7, calculamos as coorde-
nadas totais a partir dela (Tab. 12.3)
Aplicando a regra pratica, temos:
0314 3 14 12 141812 0 9 O
0 -3 -9 -8 -15 -18 -12 -6 -1 +2 -1 +6 0
Produtos que nfio mudam de sinal:
0x63
3x(-9)
Ix R=
4x (-15)
3 x C18) Positivos Negativos
14 x (-12) = 36 27
12 x © 6) 60. 8
14x(-1 3 60,
18 x 7 36 54
12x 1) 24 168
10x 6 210 2
9x 0 216 14
Produtos que mudam de sinal: 168 2
3x 0= 0+ 0 108 20
es es 12 435
4x-9=- 364+ 36 9
3x-8=-24>+ 24 82
14 x -15 =-210 + +210
12 x -18 = -216 + +216 Am 822495 = 203.5 u?
14 x -12 =-168 + +168
18 x — 6 = 108 + +108
Wx ~ 1244 12
10 x 20+ - 20
9x- - 934+ 9
Ox 0+ 0
Poderemos aplicar este método em planilha.
Na planilha, representada pela Tab. 12.4, chamamos de produto mesmo
sinal aqueles que nio mudam de sinal e de produtos sinal trocado aqueles que
devem mudar de sinal. As setas indicam 0 caminho seguido pelos valores, 0
valor X, = 12 foi multiplicado por Y, =—6 sendo 0 produto (72) colocado
na coluna mesmo sinal etc.90 TOPOGRAFIA
Tabela 12.4
7° essa Tr la =
ae Coorés
g Fie Produtos Produtos Produtos
i = min hee
1 ——
2 ga eS To
a
2 ns Mo
e 6 Ce ee eee
: 4
‘ tax2= 436 s
4 bo
z k
23 ease ioaers 8
: o 4
Lo foest ®
‘ 2 46
2 6 gxo-0 ox6=0
: : cree ume)
: s 3
> 6 Pee eee 2
9 1
0 +4
boa ee
a as
u ; Deiat tects nos
2 woos
1 2
Sona
Faremos a seguir, como segundo exemplo da aplicagéio do método das
coordenadas dos vertices, o mesmo Exemplo 12.2, feito pelo método das duplas
distancias meridianas.
Calculamos as coordenadas totais a partir da estaca 14 (ponto mais a
este):Célculo de érea de poligono
estaca x ¥ estaca
14 6
15 7
16 8
7 9
1 10
z un
3 12
4 13
s 14
6
Com a aplicagio da regra pratica, temos
trocar sinal
3 52 3 rie 16 0
96 120 110 91 7. 6 oO
SS Fi “36 =38 -34 55 0
‘mesmo sinul
Produtos mesmo sinal Produtos trocar sinal
0x 65= 0 a) 0
15 x 24 360 26 x 65= 1690
26 x 13 338 Aix 24 984
779 58x 13= 754
16x 19= 1444
Bx 37= 3626
96x 15= 1440
120x S= 600
110 x -41 = 4510
91 x -57 = -5 187
73 x -47 = 3.431
52 x -33 = -2756
38 x -72 = 2736
46 x -56 = -2576
21x 38= 798
21 x -55 = -1155 16 x -34 =~ 544
16x O= 0 Ox-55= 092 TOPOGRAFIA
Tabela 12.5
Coords.
totais Produtos Produtos Positivos Negatives
re ‘mesmo sina trocar sinal aw) oO
a pe cy:
1 58
18 18 37 = 2146 76x 19= 1444 2146 1s
2 16
2 2 Tox 1S= 1140 98x 37= 366 1140 3626
3 9815
2 10 98 x 490 96x 15— 1440 4901440
4 96S 3936
4 46 96 x 41 = 3936 120% S— 600 600)
5 120-41
10 16 120 x -57 10 x-41=-4510 5106840
6 0-57
19 10 MO x 47= S170 91 x-57=-5187 5187 S:170
7 a -47
18 6 91 x 53 x47 341 34 4823
8 73-53
a 19 Bx W2= S256 52x-53=-2756 2756 5256
9 52-2
14 16 52 x5 38x-72=-2736 2736 2912
10 B56
8 18 38x B= 144 46x 50-2576 2576 dad
im 46 38
4 46 x 1564 21x -38=- 798 7981564
2 a 4
5 2 WK-SS=-ISS 16x =- S44 S44 ISS
B 16-35
16 55 16x 0= 0 Ox 55m 0 0 o
14 o 0
15 65 0 sx O= 0 0 °
1s 16 65
n at 1Sx 24= 360 360 1.690
16 2% 4
15 i 2x i= MB Aix = 94 18 984
0 a3
a 6 41x 19= 7) SBx B= 154 79 154
1 58
130 130 192 192 27791430
7923.5 w’
© fato de tomarmos como origem das coordenadas totais 0 ponto mais a
oeste (estaca 14), facilita os célculos evitando também enganos, porque todos
0s valores X sfo positivos (evita-se assim mais uma complicago de sinal, entre
as outras jd existentes).
Temos, entéio, 0 calculo da area:
16421-574
pee Ost eae 2.
A= 2 7923,5 u*,Célculo de drea de poligono 93
Outro modo de aplicar o método das coordenadas dos vértices em planilha
de céleulo é 0 que mostramos a seguir. Toda ordenada Y é multiplicada pelo
X da estaca anterior, com sinal positivo, e com o X da estaca posterior, com
sinal negativo:
portanto temos
“YA, -YXy t,
L$ Y\(X,-X,).
Assim num poligono de 6 vértices teremos
2A = YX ,-X,) + ¥y(X.—X,) + Ys(Ky-X5) + ¥e(Xa-Xo) +
+ Y(Xs—X,) + X{(X%e-X,)-
Com base nisto, aplicamos na planilha, representada pela Tab. 12.6, 0
mesmo cxemplo anterior.
A coluna X Seguinte~X Anterior € preparada antes de efetuarmos os
produtos, para facilitar e para evitar enganos.
Repetimos, no comeso, a ultima estaca (17) , no fim, a primeira estaca (1)
para facilitar 0 cdlculo de X,,-X, ¢ de X,,-X,.
Positivos Negativos
360 3936
338 6840
719 5170
2146 4823
1140 5.256
490 2912
4510 14a4
5187 1564
3431 1155
2756 1690
2736 984
2576 754
798 1444
344 3.626
27791 1440
600
BR
Arca = Sesh co = 7923,5 u?.
Estes mesmos cAlculos anteriores aparecem agora feitos na planilha, con-
forme nos mostra a Tab. 12.5.94 TOPOGRAFIA
Tabela 12.6
aaa X Seguinte Produtos Produtos
Estaca ee ~ positivos negativos
X Anterior ) oi
x ¥ X) wD ¥(X,-X) ¥(X,-X.)
7 41 13
1 3819 76-41 19 x 35 665
2 7% 37 98-58 37x40 1480
3 81S 96- 76 15 x 20 300
4 96 5 120- 98 5x2 110
5 120 lL 110-96 4lx 14574
6 10-57 120 57x29 1653
7 1 7 0 47x37 1739
8 3-83 1 53x39 2067
9 S272 B x35 2520
10 38-56 52 56x 6 336
i 46 38 38 38 x 17 646
2 a 34 46 34x30 1020
13 16-35 2 55x21 1155
4 0 0 16
15 1s 65 0 65x26 © 1690
16 6 15 24 x 26 624
7 40 13 26 13 x 32 416
1 819
zi 1641S S74
eee a2e cis eeecapitulo 13
Poligonais secundarias, calculo
analitico de lados de poligonais
POLIGONAIS SECUNDARIAS
Constatamos, em capitulo anterior, a necessidade do emprego de poli-
gonais secundarias, além da principal, no levantamento de areas relativamente
grandes. Ja que a poligonal principal deve acompanhar os limites da gleba,
os detalhes internos necessitam das poligonais secundaria para serem amar-
rados. Este capitulo abordaré o cAlculo e ajuste das poligonais secundarias.
PROCEDIMENTO NO CAMPO.
Depois de escolhidas as estacas 4,, A, (Fig. 13.1), etc., que formam a poli-
gonal A, ligando a estaca 19 até 7, ambas da poligonal principal, os valores a
serem medidos sao angulos e distancias; deve-se observar, porém, que é indis-
pensavel a medida dos angulos na estaca 19 e na estaca 7 para ser feita a veri-
ficagio do erro de fechamento angular (ou seja os Angulos 18-19-A, © Ag-7-8)
Para nao criar complicagdes que comumente levam a enganos, devemos medir
08 Angulos da poligonal secundaria do mesmo sentido (hordrio ou anti-horario)
dos que foram medidos na poligonal principal
CALCULO E AJUSTE DA POLIGONAL
Nao devemos esquecer que o calculo ¢ ajuste da poligonal principal deve
estar completo antes de iniciarmos 0 célculo da secundaria. Por isso, lembramos
que todas as linhas da principal j4 tm o seu rumo definitivo e todas as estacas
J tém coordenadas totais (X,Y) também definitivas.
1. Caileulo do erro de fechamento angular pelos rumos calculados
Partindo do rumo definitivo do lado 18-19, com os ngulos medidos, deve-
mos calcular sucessivamente os rumos de 19-A,, A,-Ay, AA, etc... até cal-
cularmos 0 rumo de 7-8. Compara-se este rumo calculado com o tumo definitive
(ja conhecido) da mesma linha. A diferenga entre os dois € 0 erro de fechamento
angular.96 TOPOGRAFIA
Figura 13.1
2. Caileulo do mesmo erro de fechamento angular pela somatéria dos dngulos
internos
Verificando-se que a poligonal secundaria juntamente com o trecho da
principal que vai da estaca 7 até a 19 constitui um poligono, basta somar todos
0s Angulos internos e comparar esta soma com o valor (n—2)180°; a diferenga
sera o mesmo erro de fechamento angular jé calculado no item 1. No caso em
exemplo, n= 19, portanto (n—2)180 = 3060° (n € 0 mimero de vértices ou
de lados do poligono).
3. Distribuigdo do erro de fechamento angular
Levando-se em conta que todos os Angulos da poligonal principal jé foram
ajustados, 0 erro de fechamento angular deve ser distribuido unicamente nos
Angulos da poligonal secundaria, 19, A,, A>, Ay, 44, Ay, Ag € 7. Assim teremos
os rumos definitivos de seus lados
4. Céilculo das coordenadas parciais (x. y) dos lados da poligonal secundéria
Aplicando as formulas jé conhecidas:
x=Isenrumo e y=! cos rumo
(onde 1 € 0 comprimento do lado), calcularemos todos os valores x € y dos lados.
5. Caileulo do erro de fechamento linear
Para discusso deste item sera melhor usar-se exemplo numérico. Basean-
do-se na figura 1, supdem-se que os valores de x, y (coordenadas parciais) sejam
08 valores constantes na Tab. 13.1. A poligonal principal tem como origem aPoliganais secundarias, cdiculo analitico de lados de poligonais 97
estaca 4 (ponto mais a oeste). As coordenadas totais (X, Y) das estacas 19 e 7
jé sfo conhecidas; supdem-se:
Xo = 109, X, = 36,
Y,o = 38, Y, =-43,
Tabela 13.1
Coordenadas parciais
Linha x
E Ww
19-4, 7 9
Calculam-se as coordenadas parciais do lado imaginario 7-19:
Xq-19 = X;o-X, = 109-36 = 73 (B),
Ya-19 = Yi 38-(-43) = +81 (N).
A abscissa parcial de um lado é igual a abscissa total da estaca final menos
a abscissa total da estaca inicial; a mesma formula é aplicada para a ordenada
parcial.
No exemplo, o lado 7-19 substitui os lados da poligonal principal 7-8, 8-9
etc. até 18-19, simplificando os calculos.
e, =2 € 0 erro nas abscissas,
e, = 1 € 0 erro nas ordenadas.
© erro de fechamento
E,= Jere,
B= J5
E, € 0 erro de fechamento linear absoluto. Para se calcular o erro de fecha-
mento linear relativo devemos comparar o valor E, com a somatéria dos com-
primentos dos lados, porém somente dos lados da poligonal secundaria, ja98 TOPOGRAFIA
que a poligonal principal € imutavel.
Maa:
Ey
onde
M =o eto de fechamento linear relativo,
2] = somatéria dos comprimentos dos lados somente da poligonal secundaria.
Geralmente a toler’incia € maior para os erros de fechamento das poli-
gonais secundaria, dobrando-se os seus limites: por exemplo,
limite do erro linear na poligonal principal : 1 : 1 000
limite do erro linear nas poligonais secundarias : 1 : 500.
Desde que 0 erro esteja dentro de limite aceitavel sera distribuido nas proprias
coordenadas parciais por processo igual ao da poligonal principal.
6. Distribuigdo do erro de fechamento linear das poligonais secundérias
Seguindo-se 0 mesmo esquema da poligonal principal, usa-se um dos dois
processos de distribuigiio: a) proporcional ao comprimento dos lados: b) propor-
cional as préprias coordenadas parciais.
e
OMe nen Cee tee
Ce — Fie Guy By 0
Pela facilidade dos dados a disposigao (Tab. 13.1), exemplificamos com as
formulas b.
A somatéria de x(x) ndo inclui o lado 7-19 (73) porque este nao sera alterado.
© mesmo raciocinio para a somatéria de y(Zy) que também nao inclui o valor
do lado 7-19 (81) porque este valor também ndo seré alterado.
O valor corrigido de x,5_ 4, = 17 + 0,42 = 17,42.
© valor corrigido de y,5_ 4, = 9 + 0,10 = 9.10.
As corregdes, em ambos os valores, foram positivas porque o que se objetiva €
a igualdade na soma total (78-76) ¢ (87-86), ¢ os valores corrigidos estavam
nas colunas menores (76 € 86).
CALCULO ANALITICO DE LADOS DE POLIGONAIS
(rumos € comprimento)
1." hipotese. Calculo do rumo e comprimento do mesmo ladoPoligonais secundérias, célculo analitica de lados de poligonais 99
Quando se quer calcular o comprimento e 0 rumo do lado 9-10 (Fig. 13.2)
em fungdo de valores conhecidos dos demais lados do poligono, o procedimento
sera o seguinte:
a) com os rumos e os comprimentos de todos os demais lados calcularemos
as coordenadas parciais x e y;
b) conhecidas as coordenadas parciais x ¢ y de todos os lados, exceto do
lado 9-10, calcularemos as coordenadas totais X e Y de todos os vértices
incluindo 9 e 10:
©) a abscissa parcial x do lado 9-10 seri
10 Xo,
*9-10
e a ordenada parcial y sera
Yo-10 = Vig Yo;
d) a seguir teremos, por Pitagoras,
ieee
bo-10 = V ¥9-10-Y3-103
©) 0 tumo do lado 9-10 sera caleulado por
are tg rumo 9-10 =
determinando-se assim o rumo de 9-10. Verifica-se que com esse procedimento,
© lado 9-10 absorve a totalidade dos erros angulares e lineares do poligono.
Portanto esse proceso tem valor reduzido na pratica, sendo aplicado apenas
como solugio de emergéncia.
Considerando que os calculos de coordenadas parciais totais j4 foram
vistos em outros capitulos, mostraremos um exemplo, a partir das coordenadas
totais ja calculadas.
Figura 13.2
onteey | ¥
+
Exemplo 13.1 Calcular 0 rumo ¢ 0 comprimento do lado 20-21 (Fig. 133)
sabendo:
Xyq = 422, Xz, = 346. Yoo = -12. Y,, = + 34:
= X21 —X aq = 346-422 =-76 ou xy9_5, = 76 W:
= Voi Yao = 34-12) = + 46 ou yy5_3, = 46N.100 TOPOGRAFIA
2
Figura 13.3 |
20
Assim:
loa) = o/ 16? + 46° = 88,84 m,
= 1,6521733;
portanto a = 58°49"
Resposta: 0 comprimento do lado é 88,84 m, o rumo do lado é N 58° 49’ W.
2 hipdtese. Calculo do comprimento de um lado e 0 rumo do lado adjacente,
supondo os demais comprimentos e rumos conhecidos.
Queremos calcular 0 rumo do lado 4-5 (Fig. 13.4), do qual j4 sabemos 0
comprimento, e calcular 0 comprimento do lado 5-6, do qual ja temos o rumo:
© procedimento sera entdo:
a) depois de termos calculado as coordenadas totais X ¢ Y de todos os
vértices, exceto do 5, calculamos as coordenadas parciais xe y do lado ficticio 4-6;
b) em seguida, calculamos seu comprimento e seu rumo;
©) ja que os rumos de 4-6 e também de 5-6 so conhecidos, calculamos
© Angulo (4-6-5) com vértice em 6;
d) verifica-se, agora, que 0 triangulo 4-5-6 est determinado porque dele
séio conhecidos dois lados (4-6 e 4-5) ¢ um Angulo (8). Por resolugdo de triangulos,
calculamos 0 lado 5-6 ¢ 0 Angulo y com vértice em 4;
e) conhecido 0 Angulo 7 e 0 rumo de 4-6, calcula-se 0 rumo de 4-5,
Figura 13.4
<— COMPRIMENTO ?
ruMo? =
3.* hipdtese. CAlculo do comprimento de um lado e 0 rumo de outro lado ndo
adjacente, supondo os demais comprimentos e rumos conhecidos.
Sao desconhecidos 0 comprimento de 13-14 e o rumo de 15-16 (Fig. 13.5).Poligonais secundérias, célcule analitico de lados de poligonais 101
© procedimento sera:
a) Transportamos 0 lado 14-15, totalmente conhecido, para o lado 13-A;
© lado 13-4 teré, portanto, 0 mesmo comprimento e 0 mesmo rumo do lado
14-15; logicamente, 0 lado 4-15 tera 0 mesmo comprimento ¢ 0 mesmo rumo
do lado 13-14.
b) Desta forma, esta terceira hipétese foi transformada na 2 hipdtese,
cuja solucdo foi apontada anteriormente.
10,
COMPRIMENTO ? Figura 13.5
Concluséo. Nao devemos esquecer que estas solugdes, se bem que enge-
nhosas, tém reduzido valor pratico, porque se as us4ssemos em calculo de poli-
gonais, ficariamos sem saber as dimensdes dos erros angulares e dos erros
lineares de fechamento. Estes erros seriam langados nos valores dos rumos ¢
dos comprimentos calculados.capitulo 14
Areas extrapoligonais
Quando escolhemos os pontos de uma poligonal para levantamento de
uma propriedade, procuramos acompanhar seus limites com a maior proximi-
dade possivel: no entanto, nao podemos estabelecer a poligonal exatamente no
limite, pois as divisas podero ser cercas de arame, corregos, estradas etc.
Podemos ver pela Fig. 14.1 que a area final da propriedade sera a area da
poligonal acrescida da somatéria das areas extrapoligonais positivas e diminuida
da somatoria das Areas extrapoligonais negativas,
LEGENDA =
— ovisa
POLIGONAL
[od AREAS ExTRAPOLIGONAIS NEGATIVAS |
[Ea] Areas exrraPouisoNals POsiTIVAS Figura 14.1
Lembramos que © processo usual de amarragdo da linha limitrofe na reta
da poligonal é o de medirmos 0 afastamento perpendicularmente; de 20 em 20m
ou de 10 em 10 m; podemos completar 0 levantamento, triangulando os pontos
importantes da divisa
A Fig. 14.2 mostra 0 levantamento da divisa amarrada a linha 1-2 da po-
ligonal. De 1 para 2, a linha foi medida de 20 em 20 m, sendo que na extremidade
de cada medida foram levantadas perpendiculares e medidas as distncias y,,
Ys, ¥y até Ye. AS perpendiculares foram obtidas por avaliagéo sem instrumento
pois. caso contrario, gastariamos muito tempo. O erro resultante pode ser con-Areas extrapoligonais 103
siderado de pouco valor. © ponto A da divisa é um ponto importante porque
nele © limite mudou de diregde e, por isso, foi levantado por triangulacao. ©
procedimento foi: no prolongamento de 2-1 marcou-se o ponto B e mediram-se
as distancias m,n ¢ p, amarrando assim com precisio 0 ponto 4.
Figura 14.2
processo de medida por perpendiculares sem instrumento n&o pode ser
aplicado nos casos em que a poligonal foge muito da divisa, pois os erros pas-
sariam a ser grosseiros. Nestes casos, deyemos usar 0 taquedmetro para obter,
por irradiagdo taqueométrica, os pontos importantes da divisa.
CALCULO DAS AREAS EXTRAPOLIGONAIS
Os métodos mais usados para avaliacdo das Areas extrapoligonais podem
set divididos em analiticos, graficos ¢ mecAnicos.
Entre os métodos analiticos, temos as formulas dos trapézios (Bezout), de
Simpson e de Poncelet. Entre os grificos, temos 0 método da subdivisio das
reas em figuras geométricas de facil aplicagdo de formula, para cdleulo de area;
0 de maior importancia, a nosso ver. que ¢ a aplicag&o grafica da formula dos
trapézios (Bezout) com auxilio de papel milimetrado.
O emprego do planimetro é a solugdio mecanica.
METODOS ANALITICOS
a) Formula dos trapézios ou de Bezout.
Supomos uma sucesso de trapézios, todos com a mesma altura d (Fi;
A a ce o E iS c
Figura 14.3 |, Ys Wr
ow |
1 1 t i 1
@ I gj @ g | od qt
i a
A area calculada pela formula de Bezout (S,) ou dos trapézios serd:
Yat Va
a
pondo em evidéncia d/2,
a
Vit 2yy + Bys +o + 2p, + Ye)104 TOPOGRAFIA
Resumindo:
5, =+(E + 2M)
nla
ou seja, a Area total é igual a d/2 multiplicada pela somatéria dos y,, sendo que
os dos extremos (E), primeiro e iltimo, somados uma vez e os y, do meio (M)
somados duas vezes. A aproximagao pratica esta no fato de supormos que os
pontos 4, B, C, D, etc., so ligados por retas, 0 que nao é rigorosamente exato.
Esta formula é de facil aplicagao e por esta razo tem largo emprego prin-
cipalmente quando se usa graficamente o papel milimetrado, como veremos
mais adiante,
b) Formula de Simpson.
Seja um nimero par de trapézios de mesma altura d (Fig. 14.4).
QD & =
Figura 14.4
i 2 S 4 5 6 7
A idéia foi de considerarmos cada trecho de dois trapézios como um seg-
mento de parabola, ou seja, ABC seria o segmento de uma parabola, CDE o
de outra, assim por diante. Na Fig. 14.5 fazemos uma ampliacdo do trecho ABC:
sendo arco de parabola, temos: AHC é uma corda, MBN é a tangente pelo
ponto médio B e, portanto, paralela, a AHC: logo. MACN ¢ um paralelogramo
€, portanto, a area compreendida entre a curva e a corda é igual a 2/3 da area
do paralelogramo.
A fea ABCHA = 2/3 da area AMBNCHA, portanto, a Area que nos inte-
ressa da Fig, 14.5 6:
ay
Vit V3
5 5
pondo d/3 em evidéncia,
a,
d d
= Gv1 + 3ys) + > Ay, -2y; -295),
d
= 34 + + yy)
Analogamente, a Area entre 3 5 sera:
a
43_5 = (4¥4 + Y3 + Ys),