0 notas0% acharam este documento útil (0 voto) 128 visualizações9 páginasMartino - de Qual Comunicacao Estamos Falando
Teorias da Comunicação - De qual comunicacao estamos falando
Direitos autorais
© © All Rights Reserved
Levamos muito a sério os direitos de conteúdo. Se você suspeita que este conteúdo é seu,
reivindique-o aqui.
Formatos disponíveis
Baixe no formato PDF ou leia on-line no Scribd
Dados Internacionais de Catalogagio na Publieagao (CIP)
(Cimara Brasileira do Livro, SP, Brasil)
Teorias da comunicagdo : conesitos, escolase tend
(organizadores) Antonio Hohlfeldt, Luiz C. Martino,
Vera Veiga Franca. 10. ed. Petropolis, RI: Vozes, 2010
ISBN 978.-85-326-2615-8
1. Comunicagio I, Hoblfeldt, Antonio Il. Martino,
Luiz.C. IIL Franga, Vera Veiga,
01.3139 epp-302.2
indices para catilogo sistematico
1, Comunicagio : Teoria: Sociologia 302.2
2, Teoria da comunicagio : Sociologia 302.2
Antonio Hohlfeldt, Luiz C. Martino e Vera Veiga Franga
(orgonizadores)
TEORIAS DA COMUNICACAO
Conceitos, escolas e tendéncias
y EDITORA
vOzES
Potrépotis|1. DE QUAL COMUNICACAO
ESTAMOS FALANDO?
oie Montng?
‘Antes de entrarmos nos problemas relativos a definiga0
da comunicagio & importante destacar que nio se trata de
achar a verdade ou eleger um Ginico sentido em detrimento
dos varios usos do termo. Afinal no temos nenhuma razo
para negar outras tantas acepgdes validas. Ao tentarmos de-
finir um uso para o termo comunicagdo, o que esti em ques-
to & nos colocarmos de acordo sobre o que falamos, e que
por conseguinte nos interessa estudar. Trata-se entio de falar
douma mesma coisa endo de se estabelecera verdade derra-
deira sobre o que é comunicagiio. Neste sentido, estando de
acordo com este ponto inicial, coloquemos a questo:
0 que ¢ comunicagdo? Fis af uma pergunta embaragosa,
E por muitas razdes, Primeiramente porque nio se pode ig-
norar ou reivindicar o desconhecimento do que vem a ser a
comunicagio sem deixar de comprometer a cocténcia de
‘nossa insergdio como profissionais ou pesquisadores do cam-
oda comunicagio. Afinal, se nfo sabemos 0 que é comuni-
cagio, © que fazemos entdo?
Admitir um tal desconhecimento seria embaragoso tam-
bem no que se refered finalidade is quais nos propomos en-
‘quanto escrito e leitor, mestre ¢ aluno. Como nao saber 0
"Poked Utwe. at
que € comunicacdo, se é através dela, pelo seu exercicio, que
se desenvolvem atividades como o ensino ou 0 confronto le
idcias. 0 que nos coloca em uma situagio delicada, ja que &
somente através da comunicagao, e com a finalidade de
{ransmitit € submeté-a a outros, que se apresenta aqui para
nds a tarefa de definir a comunicagio.
De outra parte, a resposta que espontaneamente ver a
nosso espirito a situago de didlogo, onde dus pessoas (emis-
sor-eceptor) conversam, isto 6, trocam ideias, informagées
‘ou mensagens, isto que, sem dtivida, mais prontamente en-
tendemos como comunicagio. Enretanto, se solictados, esta
mos prontos a admitr que o fenémeno no se restringe ex-
lusivamente ao envolvimento entre duas pessoas. Sem mai
res problemas, accitamos a ide de que os animals se comun
im, bem como a comunicago ralizada entre aparolhos ti
nicos (dois computadores ligaios por modem, por exemplo};
‘mas também outros sentidos slo igualmente admitidos como
legitimos, tis como a comunicagio visual ov por gestos,
ainda a comunicagio de masa... Dversidade que certamente
nos leva para muito longe daquela situagdo inicial, descrita
pelo didlogo. Com efeito, a comunicacto visual e por gestos
dlispensam as palavras.E, de outra parte, a eomunicagio ani-
‘mal, assim como aquela éfetuada polas mxiquinas,dispensam
& intervengio de pessoas; inversamente a0 que acontece na
comunicagio de massa onde elas abundam e extrapolam o
«quaaro de uma relagdo bipolar direta imediata que caracteri-
7210 tipo de comunicagao do diflogo.
Diante disso, podemos dizer que define a comunicaglo &
uma tarefa muito fel, que se complica bastante se nos afas-
tarmos de nossa idea intuitiva, © que parece inevitivel a par-
tir da momento em que voltamos nossa atengio para o tema,
1. Etimologia do termo
termo comunicago vem do latim communicatio, do
qual distinguimos irés elementos: uma raiz munis, que sign
”
Oe qulemans mans?
fica “estar encarregado de”, que acrescido do prefixo co, 0
‘qual expressa simultaneidade, reunifo, temos a ideia de uma
“atividade realizada conjuntamente”, completada pela ter-
rminagdo tio, que por sua vez reforca a ideia de atividade. E,
cefetivamente, foi este o seu primeiro significado no vocabu-
lirio religioso aonde o termo aparece pela primeira vez
No universo do cristianismo antigo, onde a vida eclesids-
-a era marcada pela contemplagao e isolamento, considera
dana época como uma condigio para conhecer Deus, duas
tendéncias interpretavam este isolamento de maneira dife~
rente: 0§ “anacoretas” e os “cenobitas”. Os primeitos culti-
vavam a solidio mais radical e viviam de forma completa~
mente individual; ao contririo destes dltimos, que optaram.
por uma vida em comunidade, os conventos ou mosteiros,
também conhecidos por cendbios (do grego koendbion),
“jugar onde se vive em comum”. No mosteiro apareeeri
‘uma prifica que recebeu o nome de communicatio, que & 0
ato de “tomar a refeigdo da noite em comum”, cuja peculia-
ridade evidentemente nfio recai
de “comer”, mas de fazé-lo
nindo entio aqueles que se encontravam isolados. A origi-
nalidade dessa pritica fiea por conta dessa ideia de “romper
© isolamento”, e nisto reside a diferenca entre a communi-
catio eclesidstica ¢ o simples jantar da eomunidade prim
va, Nao se trata pois de relagdes sociais que naturalmente os
homens desenvolvem, mas de uma certa pritica, cuja novi-
dade & dada pelo pano de fundo do isolamento. Dai a necess
dade de se forjar uma nova palavra, para exprimiranovidade
dessa nova pratica,
Alguns sentidos importantes se encontram implicados
nesse sentido original: 1) o (ermo comunicago nao designa
todo e qualquer tipo de relagio, mas aquela onde haja ele-
‘mentos que se destacam de um fundo de isolamento; 2) a in-
tengo de romper o isolamento; 3) a ideia de uma realizagao
em comum,