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A Demografia No Antigo Regime

O documento discute a demografia no Antigo Regime, cobrindo tópicos como natalidade, mortalidade e estrutura familiar. A demografia surgiu ligada à economia no século 20 e estudava movimentos populacionais através de registros. A sociedade passou por períodos de expansão, crise e nova explosão demográfica. A mortalidade foi alta devido à fome, peste e guerra.

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Mário Montes
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A Demografia No Antigo Regime

O documento discute a demografia no Antigo Regime, cobrindo tópicos como natalidade, mortalidade e estrutura familiar. A demografia surgiu ligada à economia no século 20 e estudava movimentos populacionais através de registros. A sociedade passou por períodos de expansão, crise e nova explosão demográfica. A mortalidade foi alta devido à fome, peste e guerra.

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A Demografia no Antigo Regime

 A demografia é fundamentalmente uma ciência auxiliar de outras ciências, não


só da história, mas também da geografia e inclusivamente da própria
economia.
 È uma ciência que se desenvolveu no século XX, e sobretudo no período entre
as duas guerras mundiais.
 A demografia surge ligada à economia como ciência. Esta ligação surge porque
a demografia estuda fundamentalmente os movimentos de uma população e
como é óbvio tem um enorme interesse para as actividades económicas (pq
nos apresenta dados da evolução da população rural ou urbana).
 Uma das vertentes da demografia é o estudo dos movimentos de uma
população. Eles podem ser migratórios ou fisiológicos. Os movimentos
fisiológicos dividem-se no estudo da taxa de natalidade, mortalidade,
mortalidade infantil e na taxa de crescimento natural. Os movimentos
migratórios relacionam-se com a deslocação da população. Estas deslocações
podem ser no interior de um estado (migrações sazonais, periódicas ou
definitivas). Qd as deslocações se realizam para o exterior tem a designação
de emigrações.
 Durante o Antigo Regime o estudo da demografia teve como objectivos o
estudo da natalidade, da mortalidade, a fecundidade, a reprodutividade, os
casamentos, os divórcios, as pessoas solteiras e o celibato.
 A demografia pode ser estática (recorre ao Instituto Nacional de Estatística –
onde se encontram os censos e recenseamentos da população), ou dinâmica,
onde vai recorrer aos registos paroquiais de casamentos, óbitos e
nascimentos, ou então aos registos civis.
 A sociedade do Antigo Regime passou por 3 períodos fundamentais:
- 1º Período entre 1450 -1580: é um período de expansão demográfica,
grande crescimento demográfico na Europa que correspondeu em grande parte
à expansão Europeia e aos progressos económicos daí resultantes. As zonas
onde este crescimento é mais acentuado foram onde houve um maior
desenvolvimento económico – Inglaterra, Flandres e Norte da Alemanha). Em
Portugal e Espanha houve tb crescimento, no entanto houve alguns obstáculos,
como foi o caso da inquisição e a sua politica de expulsão dos judeus da
Península Ibérica. A inquisição serviu tb para uma elevada taxa de mortalidade.
Por outro lado este crescimento ficou tb a dever-se por uma melhoria da dieta
alimentar, ou seja as pessoas alimentavam-se com novos alimentos, vindos da
descoberta de novas terras.
- 2º Período entre 1580 – 1730/40: correspondeu a um período de crise e de
estagnação, derivado à guerra dos 30 anos e da crise do século XVII. Não
esquecer que entre 1580-1640 Portugal esteve sob domínio filipino. Essa crise
do século XVII será a principal causadora da estagnação demográfica e
obviamente através de uma série de guerras, a mais importante foi a guerra
dos 30 anos.
Neste período aparecem tb as situações de peste e algumas situações de fome
, o que em alguns estados conduziu à estagnação demográfica, ou seja, não
aumentando nem diminuindo. Em outros estados verificou-se mesmo um recuo
demográfico.
- 3º Período a partir de 1730 até aos últimos 70 anos do século XVIII. Este
último período será marcado por uma grande explosão demográfica. Durante
este 3º período não houve guerras, pestes e existia mais comida, portanto não
havia fome. Não nos podemos esquecer que durante este período ocorreu a
revolução agrícola na Inglaterra. Na Europa em 1º lugar e actualmente essa
explosão demográfica passou para os países do 3º mundo.
Para os 2 primeiros períodos os dados disponíveis resultam de alguns censos
e dos registos paroquiais (nascimentos, óbitos, casamentos).

A mortalidade no Antigo Regime

“A morte estava no centro da vida como o cemitério no centro da aldeia (…)


neste mundo de sofrimento abate-se abundante e fortemente”

 A fome, a peste e a guerra, vindas por si só, ou em cadeia, são as principais


causas da elevada mortalidade do Antigo Regime.
 È o período chamado de trilogia negra – fome, pestes e guerra.
 Principais causas da trilogia: a falta de higiene publica e privada, a
subalimentação; a miséria, as más condições de vida e habitação e a um
atraso na medicina.
- Pestes: os lugares suspeitos de pestes, eram rapidamente isolados e
fechados, com os doentes lá dentro. Os médicos são totalmente impotentes
para curar esta doença. Uma vez instalada a peste, todos os grupos da
sociedade, nobres e povo são tragicamente afectados. A peste vai afectar
essencialmente crianças, adolescentes e adultos jovens, com forte proporção
de mulheres grávidas.
- As Fomes: Com a peste morre muita gente, gente essa que era os braços
para o trabalho da terra. Para alem disso não nos podemos esquecer que os
factores climáticos tb vão influenciar as colheitas. Ora se essas colheitas são
fracas, leva ao aparecimento de carências de alimentos. Aqui os ricos
aguentam melhor as fomes, o pobre agricultor é que não tem dinheiro para
comprar alimentos. O número de crianças abandonadas e de vadios aumenta.
- As Guerras: A guerra pode estar na origem de certas crises demográficas,
não pela mortalidade entre os combatentes, mas pelas consequências directas
ou indirectas da guerra sobre os não combatentes. Os soldados vivem
brutalizando as populações, ou mesmo matando, sobretudo os que não
puderam fugir a tempo; queimando e arruinando tudo o que não podem usar ou
levar consigo. Quando os camponeses voltam aos campos, é para encontrar
as suas searas queimadas, as arvores de fruto abatidas, as vinhas arrancadas,
os animais mortos, os celeiros vazios. Tudo isto significa, de imediato e para os
anos seguintes, a miséria, a fome, a doença e… a morte, muito vezes!
 A morte no Antigo Regime: Toda a gente conhece a imagem típica da morte
no Antigo regime, em que ela aparece representada na imagem de uma velha,
quase bruxa, que aparece com uma foice na mão. Simboliza o que a morte
representa, para entender que a morte deveria ocorrer na velhice. O que nem
sempre acontecia, e por outro lado o instrumento, a foice, de acabar com a
vida, que copiosamente para a mentalidade popular era um simbolismo. È o
como se afastar da mentalidade religiosa, que defendia uma vida para alem da
morte. Posteriormente esta imagem é modificada, agora a morte é
representada com a imagem de uma velha, mas em esqueleto. Representa a
fome. A morte chegava a todas as classes e a todas as idades. No entanto as
crianças eram as mais lesadas uma vez que não resistiam facilmente às más
condições de vida da época (falta de higiene, falta de comida). As estações do
ano em que se morria mais eram no Verão e no Inverno (aqui os idosos são o
grande numero). Por outro lado também se morre mais na cidade que no
campo. A cidade é insalubre, mal arejada, propicia À disseminação de doenças
de toda a ordem, sobretudo no Verão.
 A ideia de morte provoca na população em geral 2 sentimentos: o de
insegurança e o de medo. A igreja tenta esbater esses medos, prometendo o
paraíso aos seus crentes. No entanto havia ainda o julgamento final, onde
todos eram julgados. Nas camadas mais pobres o confessionário era a única
forma de redenção dos seus pecados, ou seja possibilitava que a alma fosse
para o céu. Nas camadas mais ricas a formula para obter a sua salvação era
através dos testamentos que deixavam à Igreja legados fabulosos, tanto em
dinheiro como em terras.

A natalidade no Antigo Regime

 “Crescei e multiplicai-vos” – Bíblia


 A natalidade sem restrições que não fossem as fisiológicas é, na prática,
limitada por outras circunstâncias:
- a idade tardia do casamento, sobretudo nas mulheres, o que reduz o período
de fertilidade para cerca de apenas 14 anos.
- a deficiente alimentação e as suas sequelas: saúde precária, frequência de
abortos “acidentais” e fome.
- as más condições de vida e de trabalho das mulheres, o que lhes rouba
disposição e tempo para os cuidados maternais.
- o aleitamento prolongado dos recém-nascidos – o que provoca atraso na
ovulação e diminuição da fecundidade.
- a fragilidade das uniões, muitas vezes ceifadas pela morte de um dos
cônjuges – ocasionalmente elevado número de viúvos e principalmente viúvas
e , consequentemente, redução da fertilidade.
- e, possivelmente, pelo uso, ainda que diminuto, de praticas contraceptivas
primitivas.

A família/casamento no Antigo Regime

 Na sociedade do Antigo Regime havia três círculos de sociedade: a família, a


comunidade e o Estado.
 O círculo familiar é, de longe, o mais importante tanto a nível social, como
económico.
 O casamento é o acto jurídico pelo qual se funda ou se forma um novo núcleo
familiar. Representa assim um papel fundamental na estrutura social.
 Até ao século XVI o casamento era um sacramento e a Igreja a única entidade
que sobre ele legislava.
 Características do casamento católico: requeria o consentimento mútuo dos
esposos; obrigava à fidelidade recíproca e era indissolúvel. Perpetuavam
também os laços de sangue e de linhagem, bem como, o património
económico das famílias.
 Nos séculos XVII e XVIII o casamento adquiriu uma nova feição: a de um
contrato em que os pais e as autoridades civis cada vez mais interferem.
 Casava-se tarde no Antigo Regime. Este casamento tardio consolidou-se como
única resposta da população às dificuldades económicas dos tempos em que
viviam e à crise demográfica.
 Critérios de escolha do cônjuge: o interesse comum das partes; a igualdade de
condição social.
 Tanto na aristocracia como na burguesia letrada e mercantil, são os pais que
regulamentam, pelo melhor, o casamento dos filhos. Era um casamento
imposto, para salvaguardar a linhagem
 Entre as classes populares a escolha pessoal, sobretudo do noivo, influencia
mais frequentemente a decisão dos pais. No entanto era um casamento livre,
estabelecido por afinidades entre os cônjuges, mas tardio.
 Em relação à família – os cônjuges – dois corpos, uma só vontade – a do
homem. O homem é a cabeça, isto é, o ser pensante, o organizador, o chefe! A
mulher é o corpo; executa as ordens da cabeça, obedecendo-lhe, respondendo
em uníssono aos seus estímulos como se de um único organismo se tratasse.
 Só a partir do século XVII é que se começa a notar uma lenta suavização da
autoridade da mulher, no casamento.
 Nas famílias rurais o número de filhos era superior. Era necessário não de
obra para trabalhar no campo. As meninas ficavam em casa aprendendo as
lides domesticas, ao passo que os rapazes iam para o campo trabalhar. Por
volta dos 18-19 anos eram normalmente recrutados para o serviço militar. Eram
analfabetos.
 Nas cidades ou nos meios rurais e na alta sociedade os rapazes aprendiam a
ler e escrever, ou em casa com um professor ou num mosteiro ou convento.
Aprendiam para alem da educação normal, aprendiam também actividades
específicas para a nobreza, como era o caso de montar a cavalo, a caça e o
serviço militar .No entanto as raparigas eram educadas em casa para serem
futuras esposas e a saber organizar festas. Aprendiam também a ler e a
escrever, e normalmente uma língua estrangeira, o francês. Aprendiam
também a tocar piano.

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