0 notas0% acharam este documento útil (0 voto) 182 visualizações16 páginasZOJA - O Dependente de Drogas e A Análise - Do Livro Nascer Não Basta PDF
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ZOJA, Luigi. Nascer nao basta. So Paulo: Axis Mundi, 1992.
REFLEXOES SOBRE 0 PROBLEMA
Andi: “tne 0 pls
‘no om her
cate “Nine do
qe preci de her
(fe tec Vila de Cates)
Porte pare ode
res ar dacs
ogi s mn fra et
‘Seine poe a gues mre
“ve ter pga
(FN, Asin aa ate)
(0 dependente de dragas ¢ a andlise
Para ressaltar os aspectos da moderna dependéncia de
drogas que se prestam a ser compreendidos através do mode-
To iniciatco, gostaria de it por partes, tornando a percorer
‘0 pontas que me levaram a refletir sobre o problema,
‘Como se pode imaginar, a primeira vez que me depa-
rei com dependentes de drogas foi na aividade psicoterapeu-
tica, O fato de que a anilise com tas pacientes seja particu
Jarmente trabalhosa e frustrante me impts algumas reflexes
sobre o modo de ver e de enquadrar conceitualmente esse
trabalbo.
‘Quando nos deparamos com pacientes dependentes de
de perfodos longos de tempo (nestes casos, as remissbes bre
ves sdo freqientes e enganadoras), a curas Sio muito pou
cas, relativamente ao nimero de pessoas que recorteram a0
terapeuta
Mas ser correta essa avaiacio?
Em primeiro lugar, € preciso examinar 0 conceito de
cura que, nfo raro, € impropriamente trnsferido da medici-
‘na 3s terapias analfticas sem ser oportunamente reformula-
do. De fato, a medicina age com base em outros valores €
com outros objetivo.
Por exemplo, no caso de uma dependéncia de drogas,
‘a medicina freqientemente teré como objetivo a superacio
{de um estado de intoxieacio, acura de um pobre figado aor
rmentado. Por sua vez, o bom funcionamento do figado néo
estd entre 0s valores da psicologia profunda, e esta ultima,
de sua parte, tem como meta vista a superagao de determina
das contradigdes e de determinados sofrimentes psiquicos in-
cconscjntes
E dbbvio que muitos dessessofrimentos psiquicos podem
ser aliviados ou superados sem que 20 mesmo tempo se te-
nha conseguido quebrar 0 circulo vicioso da intoxicacio,
que teré envolvido toda a. vida da pessoa, Em outras pa
Tavras, 0 recurso & substincia tGxica para a medicina
lum mal em si, 20 passo que para a psicologia profunda &
lum sintoma, ndo raro de desenvolvimento crdmico e indepen-
dente em reiagio a0 verdadeiro mal que pode t8-1o causido:
mal psiquico cuja qualidade, evolucio ¢ subsisténeia, até,
so dificeis de se veriticar.
O segundo elemento que toma quase impossivel a avaia-
‘gio dos resultados da andlise dos depenentes de drogas esti
ligado & motivagao. De fat, ao contririo do tratamento mé-
ico omginico, que pode ser efetuado mesmo num paciente
refratano, afirmamos que, por definicao, uma verdadeirate-
rapia analtica $6 & possivel na presenca de uma motivagio
pessoal e profunda.""
‘A este respeito, deparamo-nos nas toxicomanias. com
uma complicagio. A’ motivacio para a anilise muitas vezes
no € psicol6gica e interior, mas exterior, vinda da socieda-
de, Com freqigncia o tatamento & imposto pelos familiares
fu pelos colegas do interesado, no auige de uma fase agu-
da que cvidencia o seu comportamento anti-social. Passed
a tempestade — e obtidos talvez os primeiros resultados da
{erapia —, as presses diminuem e o interessado retoma a
vida que levava antes, mesmo porque pds em ordem por cer-
{o tempo a sua consciéne
Durante certo tempo, embriaga-se de boas intengdes &
de bons sentimentos, a0 invés de se embriagar, digamos,
com vinho. Na verdad, o Ego do dependente de drogas pi
rece ser facilmente devorado nao s6 pelos efeitos da subs
cia como também por todo tipo de emogoes intensas e primi
tivas, ndo por acaso andlogas aquelas que a propria substin-
cia Ihe proporciona. Ele sente como algo importante encon-
trarno analista um aldo, alguém que acredite em suas boas
itengdes. De tas intengOes a sua familia geralmente descon-
fia, e muitas vezes ele mesmo desconfia delas. Assim, esse
liad se apresenta como um substituto parcial e extemo da-
4quela solidez de que o Ego sente falta € como uma tela ex-
tema sobre a qual pode projetar,e através da qual pode reeu-
perar, a auto-estima e a confianga em si mesmo que Ihe fal-
tam. O toxicdmano muitas vezes néo apenas nao € psicopa-
ta, com poderia dara entender o seu comportamento violen-
{o, mas sim alguém oprimido por instancias ineriores de or-
dem panicularmente opressiva (opeessio a que Freud cha-
‘ma sadismo do superego). E natural a busca de uma autori-dace externa boo, que poss servi de altematva para essa
melas ss de cobra depend
Nas fases de colaborao, eizonranos no dependent
de drogas tna berevoléncaincondcoral, un a dere
‘engine uma proclemads dispombiidade muta ves ex
pis co andr te peso au 9
Emego nip esémutopersadis dos seus pepros prop
to, seaba convenoendo 8 mesa
‘Nest allemarse de humors constamos que em cer
to sentido o paren no € motvado pe um veda de
‘ej de enfentar as sun contaligSes intros, c im pla
nesesidade de conseguir um sal ¢ de alvat Su pr
prio seaimento de eps, coneltivo ites do oral
Einiene que o obsiga ase cur 6, no mak das ves, th
cestéril quanto ele, porque se preocupa s6 com o sintoma, E
‘eft evden gu exe sentiment de calpu no € un mal
to estado pur, esi elo de oto ma
‘Assim, oF ses fies so com fojnenlevados
2 inervr priniplmente em raz dos aborecments qe
tim. Acesconese& iso que no rar aos dears com
famas de ear nerd, que preisam da pesega
do toicdmano par mane o sca propo equi
"A chamadasntplgit, uamente, aponou a fan
ta como a. casa de mts toxicomanas. Sees dada
co perdu aps nos limos anos, em no ean ome
to de ter sublnhao 0 fo de que mts vere fanfia
tbe 0 pripio mem dependents de digas pam desea
aroun rpnabilins: Dogs forme Sone fae
enrol vce, Mas do aa agen pre
ta, fala parece deserpenbar un papel asa perp
fo. Por excplo, no caw de alguém que bebe, poems
tesumi dizendo que o ambiente se ops sa enbraguce,
tis no neessaramente 20 stu alouismo.
Em reso, avalos os resins das anises
de dependeats de drop, deveramos leas nom
tase em quantos dls se apresenun 4 aalita,mas sim
im quanto comegamn,sfevamene, 2 andi. Agile gue
‘i poss uma verdad motvagSo ni cons, porque nu
Ca inicio anise. Extn slegio o € pose ma pr,
Noentanio,s la ose possve, nad nos impede de imag
rar reslaos psivs em igl matin ar qc si pro
porconados por ote tps de paces,
Parasia a mitha hips, gosta de visu
ta com uma compancio.
Meso um eng tum pregadr poem apse
se a0 ania snceramenteinpacentes pas llr om ee
Mas nes inluremos ests conversa ete os Sus tabs:
Ths profision. A inopecgo, se exist, € n0 maximo
casino rims visa resultado muir, 0 seu
do aeomsegi um alia. Assim, mus dogs dessa
desinoricrs ou busca a compreensio ca nga do sar
lisa sem estrem realest dispose colocar ci
$$0. Ey goroament fad so nao € asic.
Volindo& metfora, dimes que mus dependentes
de drogas que formalmene5espesentam a0 anal como
Pleats im, no ena, 2 posta substancal dos new
E05 ou dos progadores, Ness esos, podknos no mR
Fratcar um pooco dessin soi" fade resulta
ts teapeutos dradouros no se deve ao facso de una
anal que nina ocore, em 3 fala de reonhecmento
do uvoco sobre sma,
Natualmeat, exe € um esqvemetinite para nos aie
dr clr os cones. Na prea, a pssblidae dees
slareer a metvazo gerament 6 exits quando $e come.
6.0 tbat com o paces Em sega, ua taps
Sind come ura simples busca de um aad com que des
Camegar a conscicn pode também dar lgar ue fre
wansetéaia poss, ho nrior da qual © pation pode
omesar clocarse rent em dts.
pragmuti no ala da mola & também de
prticulrimpotinca, porque, com os dependents cet
is, mula Yes um bao analtico 26 sconce
hum anbieweclnicopragdo. ©
Nessa situates, a hopalizaio mut vezes 6 im-
posta como condi pra ane, de qualquer era,
56 se pode ecolher o amas ete os pouos igontes
todos ess clement que os satan muta da psi
Iiade de una motvago el. Mas ess Inconvenienes
sao contallancatos po una vantage potas. Poo
lado Tao induct no muito dopa ¢ pronto para se
ésforgar prs desinuear, oben os um est co
Initio como tanberagiee neces cima Be Bromistico que exaa e reforga rexipocamente a tentative de
ada um. Este recurso € bastante conecio: nao 38 os A
asices Andnimos, mas também cents que orientam die
ts colts een dele Poses a omar as
especiicamente a hipées nici segundo a qual os grupos
4 poco asilaos pela comtitmiaeremeldads Sob
oma de ida onsen que depos pede oct a+
‘Goma e pesoal origina.
‘Come sbemos, agus ds ang dvds, a
és da asologia,vmaranse naa menos do gue sibs
Aeseritvs (marca, jovi strnino, ee, gio, ln
coe asim po dat)
ads pasar por una evo
ia ermal, po fn,
E mais adiante prossegt
"Nts cwopeasseedsmos poder not conta
or terns i slang ta lle de tae, ipalo que deamon muito para sos aque vidas
fants,
"Maso que dexamos pra s b espectos vei,
loos sees ptqicos que ea espnsvels pelo st
‘mento do deuce. Cntnismosa sr pion po res
siqucos autnonos, com ese tata de dvds li
es,
Hoje classi chamadas de foia,obsesses © asin
por ame; em poucas pals, de sto euros.
filer ja no preside 0 Olimp, es o plex solr po
fz eseanhos etemplaespara‘0 antultiio Jo mshi)
‘ou esata confsio na mene dos plo dos jeralias
{us inadverdamente seria epdemis pes po
oe
‘Tratase de um esvaziamento dos e&us, 20 qual no cor-
responde um desaparecimento de fatores arquetipicos, e im
‘uma impossbildade de projeté-los do modo antigo” Como
6 instintbs, eles nao podem ser anulados, mas apenas repri-
‘midos. Tornados inconscientes e interiorzados pela pessoa,
podem ser novamente projetados exteriormente naguilo que
Se apresenta como superior, que ata a nossa necessidades
de cre.
Hoje clas serdofilosofia, visdes do mundo, mais do
que novas divindades ou religides no sentido tradicional
Meso observando que & dada uma tesposta & necessidade
de fundo, Jung exprimiu cert desconfianca para com essas
solugies moderna, afirmando que a naureza dels é geral-
‘mente conceitual e racional demas: elas acabam por funcio-
nar como subsltutos das antgas religides, mas mais do que
clas estao condenadas a uma via neudtica e efémera, New
rética, porque servem de substiuss para os credosreligio-
sos ei se darem conta disso, declaando se racionaiseentran-
do em confit consigo mesmas. Efémera, porque sem a ade
(quada expressividade simbdlica. Recorrendo 0 lermo ust
do pouco acima, eu dirs: porque pobres de ressonancas a
‘quetipicas i
PPor causa dessa posigfo, alguns disseram que Jung era
reacionério. Na reaidade, Jung foi sobretudo antipositvista,
€ anticadémicn. Sem ilusbes Sobre as visdes do mundo que
propuntam solugbes gerais, aredtava porém na possbilida-
de de aprofundar a compreensio psicoldgia e a responsabil-
dade do individuo. Mais do que uma negacio reacionria dos
movment losicos oltcos modemos, pot de vis
{2 jnguano me pase una importante tpn Sc
Comin cota nao psiclpe dese ovine
Sung ciica™ a almonere resets, conceualizaa ©
‘ent tendente de fund, paraalém de suas variagbes cultura.
a0 elo ene 0 consumo de dogs » tua de uma
req mor pei sms contra ple
Ae a8 Tinga chris tea pare deserve © fen
teno epsterormente as exanarmosretorando un poco
no ten.
Cnsiteremos primeira cm qe aap ious
dos os tenon depends dogs tna cultura bien
de hoje: Em sui tetremo eableer uma separagio
neo: abate coningents¢sstneas do pba
Ames de tudo, observemos que por dese enone
hoje uma subncaque ao 6 age soe a pues ame
tem cu so encoaimiagtes sco cultura reste se
one mas das vers nao ms een a slol como
na’ ros. Ent, tim alot €conieado
tim depen de dogs
‘Regn print Hgts ats Gano, Hae,
«span ptgut) adm paar dies de aun
ale clara. Pers ver, linus gma postin te
bem temos (0 isles’ alco, nei 0 ale
Sich) qe inc com mut mi ia So ue pl
wea dopendéca a velag em rine pare aetipia qve
se ing ene a psoae-sbstincin 1 que se aplica
interessante tar qe a sti des plas nos os
mega tic a en
nt penne sata vt com o ten Se
do desinatn modo cad vez nas ees,
© greg ofns olin vin msc da mesa rie
¢ se diner em tos as lings, Trae quae sempre
de palms deserts, que no implica valores ics”
‘ino reba com franca nt tna Gin anbuto
etd” ales qi, como sabemos indeave ty
Agente quer posto, qt negtv. Dero eros a
adiame gue, pa indaro pit, dives fingus doy I
io da Amézea una mean plas para expimir
© onesto de“ remelio"= Reno pve So pata els
nogbes equivalents.
‘0 temo ico! nos vio do abe a no inco da
era mem tres da ngage dn ans
fea "ps Tino sora” (Paraceho:alobo in, esac do
Vinho) a ausnca de contaGes nats nesta planes
Surprecndeaina mh qui ver eo Te nos Velo
Pn
‘de uma cultura que, a0 contro da europa, sempre conde-
nou o uso dessa substineia. Observemas, pos, como o alco.
‘a inca droga ndo-exotica,recobe hi Sécuis uma deno.
minagdo exdtica (e esotérica), (Proporemos dag a pouco
‘uma interpetagio do motivo pelo qual se unem guase ine
fayelmente droga elementos tanto exstcos quanto esotricos).
Mas tampouco droza tem conotagées negativas, Trt
se de um velo tenmo que vem dos primeitos comércios de
cespeciaras com as Indias, através do rancds, do original
holandés droog (mercadoria seca,
(© mesmo se pode dizer dos nomes de drogas especiti=
cas, como dpio, que vem simplesmente do grego open (st
co de uma plana). Uma excegdo parece sero term haxixe,
‘que para alguns tem uma raz comum com a palavta assess
No: aproximagéo pouco justificads para uns droga menor,
(que nao provoce apressvidade. Encontareris as races des”
Sa pretensa unidade etimol6gica na célebeelenda de Alam,
{que ser examinadla mais adiante,™
Por sua vez, os termos que indicam a dependéneia tem
jonotagdes negativas, mas s6 como tempo foram sendo as
sociados cada vex mais & substncia
Nao é 0 caso de nos determos no termo “'6xico", E
de uso recente © sabemos do seu sentido claramente nezat-
Vo: toxicum & em latim 0 veneno e toxicon em grego €
lava de fechas e tamibgm o veneno para as Mecha.
‘Sucht vem do alemdo antigo e do gotico,e sempre sig
nificou doenea: hoje se refere a dependéncia de drogas etn
eral. Addict aparece na Inglaterra do séeulo XVI, mas vein
do ltim addicts (entregue a alguém como escravo). Assi,
addiction € inicialmente uma deicagio total, cujo significa:
‘do aos poucos foi se volando para a droga. Evolugao seme
Ahante se pode supor para o verbo fo crave, que vem do teu-
‘nico e significa sobretdo pedir intensament,Ainda mais
cexplicta, porém, € a evolugio da palavea alema Rausch,
{que a partir do século XVI significa emibriaguez e 86 atal-
‘mente forma 0 composto Rausch-gift (sift ~ veneno) com
‘© significado de estupefaiente, Este tillimo termo encont
se nas linguas neoatinas(e, de modo limitado, no inglés)
‘como adjetivo e, 86 recenterente, como substanivo, Orig
nariamente, porém, ndo evoca necessariamente algo nega
vo, pois 0 verbo latino stypeo pode reeri-se tanto.a umestado de passividade néo-intligente quanto 0 sentir admira-
gio & maravitha
“Assim, comecamos a vislumbrar ceto esboco de um.
inconsciente paradigma coltivo, de um possfvel quadro ar
‘quetipico. A dependéncia de drogas podetia sec um fentme-
fo afomaticamente ligado ndo a droga, e sim & comrupcao
Final no uso de substincias para as quats nos voltamos com
expectativasarquetipicas, mageas, ritais ¢esotricas. Subs
tneias que vinham de Jonge e que, naquels expectativa, de
‘yam levar longe. Nao por acaso, elas vinham de pases ex6-
tioos, que conservaram por mais tempo do gue ms 0 rio ©
(0 folclore;¢ tinkam nomes exéticos, mesmo quando de or
‘bem européia (alcool), ov nomes que se associam a gram
des mavens que deram ine # mani copa pls
mistrios das outros continenes
‘Na introdagio aos Cocaine Papers de S. Freud, J. Hill-
rah eserevia,referindo-se as novas drogas e a0 ineresse
fue elas estavam provocando, principalmente nos Estados
Unidos:
“mor esa asta eam em sea aia om
posto nvoy as epeancs que rare cosgo so ani,
Coa pecs hit cad clue apesersa un cosimo
te subtneas ones que vin ters percepcio c= cme
‘fo. Osco no Oden nso ew hatte no Orient i-
‘ito so exemplos deta. Mas quindo a sbtiss id
So indies, quando em de ees dss e de povos
ion com a esecias(M. JO Aa Sos) ds
Incas Ovens abo do Novo Md, anol da
Indi, et prom chess eum sianifcado epi
‘Tambem aeoet do Par cu nest xe
‘Noss tradicional, xa eaepna€ represent
«dasobsrubriea do el qe cua, da “evn da ino
Aes tals de un pats longings, prtadres de homes
Estangeio, obi sravés de proce prcalrs, di
tribidos de mado rival e fies a et doses minis
Froqlentemene, seit ees negatvos slo de mova,
Sobredo quand gerd por quem no ett mado ©
stant at ee, Se fet outs nln cua
‘etescimeno beri. Ests Es, pois pel lo
Jogi e poo cesmonia io tn unvenss qu chames po
‘vel que esjaroe dite de un endive argu."
Hillman no se estende no assunto, Mas, uma vez. que
40
justment ete autor se dedioou a exter da psicologiajun-
uiana uma pscologiaarqueupca, € ineressane assialar
ese tech, qu contim observagdes que cofimam ahi
pote de una relaci arqetpica entre as nossasnecesia-
{hese o fascinioinconsciemte pela droga
Eu gostrin de partir das afirmagdes dle Hillman para
propor uma outra hipStese: a de que justamente a “erva da
Imortalidade’", a droga exotica, seja aquela que a nossa in-
cconsciento fantasia arquetipica associa espontaneamente a
processos inicistions ¢ & formagio de comunidades esotéri-
‘cas, Porque esti envola em mistéri, como 0 grupo de elei-
tos eo rile inicstica, Porgue, como a incisgio,alude& imor
talidade (lo esprito) e « uma sabedoria mais ampla © mais
antiga, anloga & do fabuloso Oriente de que provém. Ao
Contririo do vinho, profano, ji conhecido em todos os seus
pormenores quimicos, bebido em toda parte e acessivel ato
os, a droga esotrica € metifora de-uma sabedoria € de
‘uma experigncia interior que se revela apenas 20s elites.
No proximo capitulo veremos melhor esta contraposi
«go, através de um conffonto ent 0 dlcoole os alucinége-
fnos. Poderemos, ao mesmo tempo, dar um outro passo €
prceurar os elementos de psicologia arquetipica telativos 20
‘consumidor da substincia aos rituals de consumo. E vere-
mos como tais elementos arqueipicos se ligam a situayao,
ambiental, Mas antes de passar do problema da substincia
fem si a0 da dependéncia, eu gostara de evocar uma divi
So, uma anise dos elementos consttutivos da dependéncia
‘de drogas que propus em outro lugar."
Esta decompasigio poderia analisar tts elementos:
=a formagio de uma folerincia orgnica no individuo
cconsumidor;
— um hébito psicoligico — sempre no individuo —
“que tende a assumi'a forma de um condicionamento(sobre-
tudo quando os comportamentos indviduais se reforgam wns
806 outros num grupo);
—um elemento para-religioso (mas, redefinindo-o, eu
hoje © chamaria talvez de elemento sacro), que, diferente
mente dos outros dois, nio 6 nem adquirido, nem condicio-
nado culturalmente, mas constiui uma tendéncia anquei
ca, Bate elemento seria responsivel pela formacio espontnea de rtuais, pela rendéncia & ieologizagdo © a0 esoteris-
‘mo tos atos de consumo.
"Todos nés vemos claramente a distncio entre o primei-
0. o segundo elemento: hoje, até, esta distingio se tormow
‘muito relevanic, ji que sabemos que no passado o aumento
dda tolerdncia orgénica foi superestimado © que, do pont de
vista biolégico, a desintoricagéo & quase sempre possivel,
mesmo no caso de “drogas pesadss”
‘Menos imediata é a distingio entre o segundo elemen-
to (condicionamento)e o terceito (exigeneia sacra), mesmo
Porque em geral a pesoa & consciente do condicionamento,
‘mas no do outro componente. O fato de a tereirainstnc
ser a mais inconsciente explica que tenbam prevalecido as
imterpretagbes redativa, voltadas $6 para o primeitoe sepun-
do elementos. Mas, como mostra a pouca elieiéncia Jos r=
‘médios individais, © fendmeno multas vezes nao se deixa
reduzir.
Por vezes vemos um dependente de drogss que se liber-
ta do primeiro ¢ do segundo elemento (aproximadamente
de uma intoxicagio ¢ de uma patlogia obsess), a0 mes
mmo tempo que passi a encontrar em si mesmno novos valo-
res, cosas que antes procurava fora. Ele parece mudar a sua
visio do mundo; no entanto, se esta nao estver suficiente-
mente renovada, vemo-lo volar a “'epender” ou de novas
substincias ou de certs circunstincias de vids. Por exemplo,
da participagio numa seita. Mesmo a adesdo aos Alcoslicos
‘Anfnimos, que quase certamente constitu a mais eficazin-
“tervengio que combate oalcoolismo, age sob diversosaspec:
{os justamente promovendo uma patcipagao aeiia, incon
dicionada, como um rto sacro.
O analista (ou pelo menos o analista de formagao jun
‘guiana) nao pode prescindir do terceiro fator, porque 0 seu
trabalho ni se baseia tanto na eliminagio das patologias
{quanto na apreciagio de uma perspectiva mais ampla, que
aura a incnsiene flict do nal Ete re
1 falor no parece set umm anitiiointerpreatvo, ¢ sim uma
realidade que se pode apreender claramentc. Em alguns ci
‘08 podemos af perceber um recurso & droga que 0 evider-
cia, sem que no enlanto © mesmo aconleca com os prime
ros dois elementos. Um exemplo claro €, justamente, 0 1e-
curso de Freud & cocaina, acerea do qual Hillman comenta
2
r
‘Freud munca foi presa da droga enquanto droga, mas pare-
ce ter sido subjugido naquela época ao encanto do falar ar-
ico esparso-na droga".
‘A evoligdo dos fatos demonstrou em seguida que Freud
no procurava exprimir pares inconscientes de si mesmo ara-
és das sensagées partculares proporcionadas pela coca,
e sim através da sua pesquisa psicoldgica, qualificada como
cienifica. 4 verdade cientifica era de fato 0 sucedineo
soso que Freud andava procurando. Para usar um exemplo
bastaria perguntar quantos jovens, na crise
imas duas décadas, recrteram a lucin6
.genos na explicita busca nao de uma sats hedonista, ©
Sim de experiéncias para-eligiosas: para sorte dels, just-
‘mente as substincias que oferecem experincias mais carace-
Tizadas neste sentido (ou seja, que parecem propiciar uma
experiéncia metalsica, mais do que uma distorge da exper
ncia fsica) sd0 aquelss que levam mais difciimente 2 de-
pendéncia.®
Para examinar na prética este teceiro fat, diseutie-
mos mais adiante 0 caso de um paciente que construiv uma
toxicomania propria sobre un stual migioo-eligioso, para
melhor retomar contacto com um mundo que ji aparecera
em sua imaginagao durante a infanca,
A peculiaridade da sua histitia esti no fato de que ele
escobriu de modo totalmente espontineo a possbilidade
de se drogar, sem nenfuma ajuda ou sugestio do ambiente.
‘Aos povcos ele consti ao redor disso rituals que mostrar
‘analogies com certs aspectos de cultura "primitiva™ desco-
hecidos dele. Isto nos leva a aventar a hipétese de uma ten-
déneia_20 uso de drogas completamente desvinculada das
cespecificidades ambientais e explicavel apenas como novessi-
‘dade arquetipica, iso é,proveniente daquela zona do incons-
‘iente de onde podem surgi instincias aurdnomas, no con:
diconadas pela concn, pla su hist invial ou
cultural
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