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ZOJA - O Dependente de Drogas e A Análise - Do Livro Nascer Não Basta PDF

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Matheus Faskomy
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ZOJA, Luigi. Nascer nao basta. So Paulo: Axis Mundi, 1992. REFLEXOES SOBRE 0 PROBLEMA Andi: “tne 0 pls ‘no om her cate “Nine do qe preci de her (fe tec Vila de Cates) Porte pare ode res ar dacs ogi s mn fra et ‘Seine poe a gues mre “ve ter pga (FN, Asin aa ate) (0 dependente de dragas ¢ a andlise Para ressaltar os aspectos da moderna dependéncia de drogas que se prestam a ser compreendidos através do mode- To iniciatco, gostaria de it por partes, tornando a percorer ‘0 pontas que me levaram a refletir sobre o problema, ‘Como se pode imaginar, a primeira vez que me depa- rei com dependentes de drogas foi na aividade psicoterapeu- tica, O fato de que a anilise com tas pacientes seja particu Jarmente trabalhosa e frustrante me impts algumas reflexes sobre o modo de ver e de enquadrar conceitualmente esse trabalbo. ‘Quando nos deparamos com pacientes dependentes de de perfodos longos de tempo (nestes casos, as remissbes bre ves sdo freqientes e enganadoras), a curas Sio muito pou cas, relativamente ao nimero de pessoas que recorteram a0 terapeuta Mas ser correta essa avaiacio? Em primeiro lugar, € preciso examinar 0 conceito de cura que, nfo raro, € impropriamente trnsferido da medici- ‘na 3s terapias analfticas sem ser oportunamente reformula- do. De fato, a medicina age com base em outros valores € com outros objetivo. Por exemplo, no caso de uma dependéncia de drogas, ‘a medicina freqientemente teré como objetivo a superacio {de um estado de intoxieacio, acura de um pobre figado aor rmentado. Por sua vez, o bom funcionamento do figado néo estd entre 0s valores da psicologia profunda, e esta ultima, de sua parte, tem como meta vista a superagao de determina das contradigdes e de determinados sofrimentes psiquicos in- cconscjntes E dbbvio que muitos dessessofrimentos psiquicos podem ser aliviados ou superados sem que 20 mesmo tempo se te- nha conseguido quebrar 0 circulo vicioso da intoxicacio, que teré envolvido toda a. vida da pessoa, Em outras pa Tavras, 0 recurso & substincia tGxica para a medicina lum mal em si, 20 passo que para a psicologia profunda & lum sintoma, ndo raro de desenvolvimento crdmico e indepen- dente em reiagio a0 verdadeiro mal que pode t8-1o causido: mal psiquico cuja qualidade, evolucio ¢ subsisténeia, até, so dificeis de se veriticar. O segundo elemento que toma quase impossivel a avaia- ‘gio dos resultados da andlise dos depenentes de drogas esti ligado & motivagao. De fat, ao contririo do tratamento mé- ico omginico, que pode ser efetuado mesmo num paciente refratano, afirmamos que, por definicao, uma verdadeirate- rapia analtica $6 & possivel na presenca de uma motivagio pessoal e profunda."" ‘A este respeito, deparamo-nos nas toxicomanias. com uma complicagio. A’ motivacio para a anilise muitas vezes no € psicol6gica e interior, mas exterior, vinda da socieda- de, Com freqigncia o tatamento & imposto pelos familiares fu pelos colegas do interesado, no auige de uma fase agu- da que cvidencia o seu comportamento anti-social. Passed a tempestade — e obtidos talvez os primeiros resultados da {erapia —, as presses diminuem e o interessado retoma a vida que levava antes, mesmo porque pds em ordem por cer- {o tempo a sua consciéne Durante certo tempo, embriaga-se de boas intengdes & de bons sentimentos, a0 invés de se embriagar, digamos, com vinho. Na verdad, o Ego do dependente de drogas pi rece ser facilmente devorado nao s6 pelos efeitos da subs cia como também por todo tipo de emogoes intensas e primi tivas, ndo por acaso andlogas aquelas que a propria substin- cia Ihe proporciona. Ele sente como algo importante encon- trarno analista um aldo, alguém que acredite em suas boas itengdes. De tas intengOes a sua familia geralmente descon- fia, e muitas vezes ele mesmo desconfia delas. Assim, esse liad se apresenta como um substituto parcial e extemo da- 4quela solidez de que o Ego sente falta € como uma tela ex- tema sobre a qual pode projetar,e através da qual pode reeu- perar, a auto-estima e a confianga em si mesmo que Ihe fal- tam. O toxicdmano muitas vezes néo apenas nao € psicopa- ta, com poderia dara entender o seu comportamento violen- {o, mas sim alguém oprimido por instancias ineriores de or- dem panicularmente opressiva (opeessio a que Freud cha- ‘ma sadismo do superego). E natural a busca de uma autori- dace externa boo, que poss servi de altematva para essa melas ss de cobra depend Nas fases de colaborao, eizonranos no dependent de drogas tna berevoléncaincondcoral, un a dere ‘engine uma proclemads dispombiidade muta ves ex pis co andr te peso au 9 Emego nip esémutopersadis dos seus pepros prop to, seaba convenoendo 8 mesa ‘Nest allemarse de humors constamos que em cer to sentido o paren no € motvado pe um veda de ‘ej de enfentar as sun contaligSes intros, c im pla nesesidade de conseguir um sal ¢ de alvat Su pr prio seaimento de eps, coneltivo ites do oral Einiene que o obsiga ase cur 6, no mak das ves, th cestéril quanto ele, porque se preocupa s6 com o sintoma, E ‘eft evden gu exe sentiment de calpu no € un mal to estado pur, esi elo de oto ma ‘Assim, oF ses fies so com fojnenlevados 2 inervr priniplmente em raz dos aborecments qe tim. Acesconese& iso que no rar aos dears com famas de ear nerd, que preisam da pesega do toicdmano par mane o sca propo equi "A chamadasntplgit, uamente, aponou a fan ta como a. casa de mts toxicomanas. Sees dada co perdu aps nos limos anos, em no ean ome to de ter sublnhao 0 fo de que mts vere fanfia tbe 0 pripio mem dependents de digas pam desea aroun rpnabilins: Dogs forme Sone fae enrol vce, Mas do aa agen pre ta, fala parece deserpenbar un papel asa perp fo. Por excplo, no caw de alguém que bebe, poems tesumi dizendo que o ambiente se ops sa enbraguce, tis no neessaramente 20 stu alouismo. Em reso, avalos os resins das anises de dependeats de drop, deveramos leas nom tase em quantos dls se apresenun 4 aalita,mas sim im quanto comegamn,sfevamene, 2 andi. Agile gue ‘i poss uma verdad motvagSo ni cons, porque nu Ca inicio anise. Extn slegio o € pose ma pr, Noentanio,s la ose possve, nad nos impede de imag rar reslaos psivs em igl matin ar qc si pro porconados por ote tps de paces, Parasia a mitha hips, gosta de visu ta com uma compancio. Meso um eng tum pregadr poem apse se a0 ania snceramenteinpacentes pas llr om ee Mas nes inluremos ests conversa ete os Sus tabs: Ths profision. A inopecgo, se exist, € n0 maximo casino rims visa resultado muir, 0 seu do aeomsegi um alia. Assim, mus dogs dessa desinoricrs ou busca a compreensio ca nga do sar lisa sem estrem realest dispose colocar ci $$0. Ey goroament fad so nao € asic. Volindo& metfora, dimes que mus dependentes de drogas que formalmene5espesentam a0 anal como Pleats im, no ena, 2 posta substancal dos new E05 ou dos progadores, Ness esos, podknos no mR Fratcar um pooco dessin soi" fade resulta ts teapeutos dradouros no se deve ao facso de una anal que nina ocore, em 3 fala de reonhecmento do uvoco sobre sma, Natualmeat, exe € um esqvemetinite para nos aie dr clr os cones. Na prea, a pssblidae dees slareer a metvazo gerament 6 exits quando $e come. 6.0 tbat com o paces Em sega, ua taps Sind come ura simples busca de um aad com que des Camegar a conscicn pode também dar lgar ue fre wansetéaia poss, ho nrior da qual © pation pode omesar clocarse rent em dts. pragmuti no ala da mola & também de prticulrimpotinca, porque, com os dependents cet is, mula Yes um bao analtico 26 sconce hum anbieweclnicopragdo. © Nessa situates, a hopalizaio mut vezes 6 im- posta como condi pra ane, de qualquer era, 56 se pode ecolher o amas ete os pouos igontes todos ess clement que os satan muta da psi Iiade de una motvago el. Mas ess Inconvenienes sao contallancatos po una vantage potas. Poo lado Tao induct no muito dopa ¢ pronto para se ésforgar prs desinuear, oben os um est co Initio como tanberagiee neces cima Be Bro mistico que exaa e reforga rexipocamente a tentative de ada um. Este recurso € bastante conecio: nao 38 os A asices Andnimos, mas também cents que orientam die ts colts een dele Poses a omar as especiicamente a hipées nici segundo a qual os grupos 4 poco asilaos pela comtitmiaeremeldads Sob oma de ida onsen que depos pede oct a+ ‘Goma e pesoal origina. ‘Come sbemos, agus ds ang dvds, a és da asologia,vmaranse naa menos do gue sibs Aeseritvs (marca, jovi strnino, ee, gio, ln coe asim po dat) ads pasar por una evo ia ermal, po fn, E mais adiante prossegt "Nts cwopeasseedsmos poder not conta or terns i slang ta lle de tae, ipa lo que deamon muito para sos aque vidas fants, "Maso que dexamos pra s b espectos vei, loos sees ptqicos que ea espnsvels pelo st ‘mento do deuce. Cntnismosa sr pion po res siqucos autnonos, com ese tata de dvds li es, Hoje classi chamadas de foia,obsesses © asin por ame; em poucas pals, de sto euros. filer ja no preside 0 Olimp, es o plex solr po fz eseanhos etemplaespara‘0 antultiio Jo mshi) ‘ou esata confsio na mene dos plo dos jeralias {us inadverdamente seria epdemis pes po oe ‘Tratase de um esvaziamento dos e&us, 20 qual no cor- responde um desaparecimento de fatores arquetipicos, e im ‘uma impossbildade de projeté-los do modo antigo” Como 6 instintbs, eles nao podem ser anulados, mas apenas repri- ‘midos. Tornados inconscientes e interiorzados pela pessoa, podem ser novamente projetados exteriormente naguilo que Se apresenta como superior, que ata a nossa necessidades de cre. Hoje clas serdofilosofia, visdes do mundo, mais do que novas divindades ou religides no sentido tradicional Meso observando que & dada uma tesposta & necessidade de fundo, Jung exprimiu cert desconfianca para com essas solugies moderna, afirmando que a naureza dels é geral- ‘mente conceitual e racional demas: elas acabam por funcio- nar como subsltutos das antgas religides, mas mais do que clas estao condenadas a uma via neudtica e efémera, New rética, porque servem de substiuss para os credosreligio- sos ei se darem conta disso, declaando se racionaiseentran- do em confit consigo mesmas. Efémera, porque sem a ade (quada expressividade simbdlica. Recorrendo 0 lermo ust do pouco acima, eu dirs: porque pobres de ressonancas a ‘quetipicas i PPor causa dessa posigfo, alguns disseram que Jung era reacionério. Na reaidade, Jung foi sobretudo antipositvista, € anticadémicn. Sem ilusbes Sobre as visdes do mundo que propuntam solugbes gerais, aredtava porém na possbilida- de de aprofundar a compreensio psicoldgia e a responsabil- dade do individuo. Mais do que uma negacio reacionria dos movment losicos oltcos modemos, pot de vis {2 jnguano me pase una importante tpn Sc Comin cota nao psiclpe dese ovine Sung ciica™ a almonere resets, conceualizaa © ‘ent tendente de fund, paraalém de suas variagbes cultura. a 0 elo ene 0 consumo de dogs » tua de uma req mor pei sms contra ple Ae a8 Tinga chris tea pare deserve © fen teno epsterormente as exanarmosretorando un poco no ten. Cnsiteremos primeira cm qe aap ious dos os tenon depends dogs tna cultura bien de hoje: Em sui tetremo eableer uma separagio neo: abate coningents¢sstneas do pba Ames de tudo, observemos que por dese enone hoje uma subncaque ao 6 age soe a pues ame tem cu so encoaimiagtes sco cultura reste se one mas das vers nao ms een a slol como na’ ros. Ent, tim alot €conieado tim depen de dogs ‘Regn print Hgts ats Gano, Hae, «span ptgut) adm paar dies de aun ale clara. Pers ver, linus gma postin te bem temos (0 isles’ alco, nei 0 ale Sich) qe inc com mut mi ia So ue pl wea dopendéca a velag em rine pare aetipia qve se ing ene a psoae-sbstincin 1 que se aplica interessante tar qe a sti des plas nos os mega tic a en nt penne sata vt com o ten Se do desinatn modo cad vez nas ees, © greg ofns olin vin msc da mesa rie ¢ se diner em tos as lings, Trae quae sempre de palms deserts, que no implica valores ics” ‘ino reba com franca nt tna Gin anbuto etd” ales qi, como sabemos indeave ty Agente quer posto, qt negtv. Dero eros a adiame gue, pa indaro pit, dives fingus doy I io da Amézea una mean plas para expimir © onesto de“ remelio"= Reno pve So pata els nogbes equivalents. ‘0 temo ico! nos vio do abe a no inco da era mem tres da ngage dn ans fea "ps Tino sora” (Paraceho:alobo in, esac do Vinho) a ausnca de contaGes nats nesta planes Surprecndeaina mh qui ver eo Te nos Velo Pn ‘de uma cultura que, a0 contro da europa, sempre conde- nou o uso dessa substineia. Observemas, pos, como o alco. ‘a inca droga ndo-exotica,recobe hi Sécuis uma deno. minagdo exdtica (e esotérica), (Proporemos dag a pouco ‘uma interpetagio do motivo pelo qual se unem guase ine fayelmente droga elementos tanto exstcos quanto esotricos). Mas tampouco droza tem conotagées negativas, Trt se de um velo tenmo que vem dos primeitos comércios de cespeciaras com as Indias, através do rancds, do original holandés droog (mercadoria seca, (© mesmo se pode dizer dos nomes de drogas especiti= cas, como dpio, que vem simplesmente do grego open (st co de uma plana). Uma excegdo parece sero term haxixe, ‘que para alguns tem uma raz comum com a palavta assess No: aproximagéo pouco justificads para uns droga menor, (que nao provoce apressvidade. Encontareris as races des” Sa pretensa unidade etimol6gica na célebeelenda de Alam, {que ser examinadla mais adiante,™ Por sua vez, os termos que indicam a dependéneia tem jonotagdes negativas, mas s6 como tempo foram sendo as sociados cada vex mais & substncia Nao é 0 caso de nos determos no termo “'6xico", E de uso recente © sabemos do seu sentido claramente nezat- Vo: toxicum & em latim 0 veneno e toxicon em grego € lava de fechas e tamibgm o veneno para as Mecha. ‘Sucht vem do alemdo antigo e do gotico,e sempre sig nificou doenea: hoje se refere a dependéncia de drogas etn eral. Addict aparece na Inglaterra do séeulo XVI, mas vein do ltim addicts (entregue a alguém como escravo). Assi, addiction € inicialmente uma deicagio total, cujo significa: ‘do aos poucos foi se volando para a droga. Evolugao seme Ahante se pode supor para o verbo fo crave, que vem do teu- ‘nico e significa sobretdo pedir intensament,Ainda mais cexplicta, porém, € a evolugio da palavea alema Rausch, {que a partir do século XVI significa emibriaguez e 86 atal- ‘mente forma 0 composto Rausch-gift (sift ~ veneno) com ‘© significado de estupefaiente, Este tillimo termo encont se nas linguas neoatinas(e, de modo limitado, no inglés) ‘como adjetivo e, 86 recenterente, como substanivo, Orig nariamente, porém, ndo evoca necessariamente algo nega vo, pois 0 verbo latino stypeo pode reeri-se tanto.a umes tado de passividade néo-intligente quanto 0 sentir admira- gio & maravitha “Assim, comecamos a vislumbrar ceto esboco de um. inconsciente paradigma coltivo, de um possfvel quadro ar ‘quetipico. A dependéncia de drogas podetia sec um fentme- fo afomaticamente ligado ndo a droga, e sim & comrupcao Final no uso de substincias para as quats nos voltamos com expectativasarquetipicas, mageas, ritais ¢esotricas. Subs tneias que vinham de Jonge e que, naquels expectativa, de ‘yam levar longe. Nao por acaso, elas vinham de pases ex6- tioos, que conservaram por mais tempo do gue ms 0 rio © (0 folclore;¢ tinkam nomes exéticos, mesmo quando de or ‘bem européia (alcool), ov nomes que se associam a gram des mavens que deram ine # mani copa pls mistrios das outros continenes ‘Na introdagio aos Cocaine Papers de S. Freud, J. Hill- rah eserevia,referindo-se as novas drogas e a0 ineresse fue elas estavam provocando, principalmente nos Estados Unidos: “mor esa asta eam em sea aia om posto nvoy as epeancs que rare cosgo so ani, Coa pecs hit cad clue apesersa un cosimo te subtneas ones que vin ters percepcio c= cme ‘fo. Osco no Oden nso ew hatte no Orient i- ‘ito so exemplos deta. Mas quindo a sbtiss id So indies, quando em de ees dss e de povos ion com a esecias(M. JO Aa Sos) ds Incas Ovens abo do Novo Md, anol da Indi, et prom chess eum sianifcado epi ‘Tambem aeoet do Par cu nest xe ‘Noss tradicional, xa eaepna€ represent «dasobsrubriea do el qe cua, da “evn da ino Aes tals de un pats longings, prtadres de homes Estangeio, obi sravés de proce prcalrs, di tribidos de mado rival e fies a et doses minis Froqlentemene, seit ees negatvos slo de mova, Sobredo quand gerd por quem no ett mado © stant at ee, Se fet outs nln cua ‘etescimeno beri. Ests Es, pois pel lo Jogi e poo cesmonia io tn unvenss qu chames po ‘vel que esjaroe dite de un endive argu." Hillman no se estende no assunto, Mas, uma vez. que 40 justment ete autor se dedioou a exter da psicologiajun- uiana uma pscologiaarqueupca, € ineressane assialar ese tech, qu contim observagdes que cofimam ahi pote de una relaci arqetpica entre as nossasnecesia- {hese o fascinioinconsciemte pela droga Eu gostrin de partir das afirmagdes dle Hillman para propor uma outra hipStese: a de que justamente a “erva da Imortalidade’", a droga exotica, seja aquela que a nossa in- cconsciento fantasia arquetipica associa espontaneamente a processos inicistions ¢ & formagio de comunidades esotéri- ‘cas, Porque esti envola em mistéri, como 0 grupo de elei- tos eo rile inicstica, Porgue, como a incisgio,alude& imor talidade (lo esprito) e « uma sabedoria mais ampla © mais antiga, anloga & do fabuloso Oriente de que provém. Ao Contririo do vinho, profano, ji conhecido em todos os seus pormenores quimicos, bebido em toda parte e acessivel ato os, a droga esotrica € metifora de-uma sabedoria € de ‘uma experigncia interior que se revela apenas 20s elites. No proximo capitulo veremos melhor esta contraposi «go, através de um conffonto ent 0 dlcoole os alucinége- fnos. Poderemos, ao mesmo tempo, dar um outro passo € prceurar os elementos de psicologia arquetipica telativos 20 ‘consumidor da substincia aos rituals de consumo. E vere- mos como tais elementos arqueipicos se ligam a situayao, ambiental, Mas antes de passar do problema da substincia fem si a0 da dependéncia, eu gostara de evocar uma divi So, uma anise dos elementos consttutivos da dependéncia ‘de drogas que propus em outro lugar." Esta decompasigio poderia analisar tts elementos: =a formagio de uma folerincia orgnica no individuo cconsumidor; — um hébito psicoligico — sempre no individuo — “que tende a assumi'a forma de um condicionamento(sobre- tudo quando os comportamentos indviduais se reforgam wns 806 outros num grupo); —um elemento para-religioso (mas, redefinindo-o, eu hoje © chamaria talvez de elemento sacro), que, diferente mente dos outros dois, nio 6 nem adquirido, nem condicio- nado culturalmente, mas constiui uma tendéncia anquei ca, Bate elemento seria responsivel pela formacio espont nea de rtuais, pela rendéncia & ieologizagdo © a0 esoteris- ‘mo tos atos de consumo. "Todos nés vemos claramente a distncio entre o primei- 0. o segundo elemento: hoje, até, esta distingio se tormow ‘muito relevanic, ji que sabemos que no passado o aumento dda tolerdncia orgénica foi superestimado © que, do pont de vista biolégico, a desintoricagéo & quase sempre possivel, mesmo no caso de “drogas pesadss” ‘Menos imediata é a distingio entre o segundo elemen- to (condicionamento)e o terceito (exigeneia sacra), mesmo Porque em geral a pesoa & consciente do condicionamento, ‘mas no do outro componente. O fato de a tereirainstnc ser a mais inconsciente explica que tenbam prevalecido as imterpretagbes redativa, voltadas $6 para o primeitoe sepun- do elementos. Mas, como mostra a pouca elieiéncia Jos r= ‘médios individais, © fendmeno multas vezes nao se deixa reduzir. Por vezes vemos um dependente de drogss que se liber- ta do primeiro ¢ do segundo elemento (aproximadamente de uma intoxicagio ¢ de uma patlogia obsess), a0 mes mmo tempo que passi a encontrar em si mesmno novos valo- res, cosas que antes procurava fora. Ele parece mudar a sua visio do mundo; no entanto, se esta nao estver suficiente- mente renovada, vemo-lo volar a “'epender” ou de novas substincias ou de certs circunstincias de vids. Por exemplo, da participagio numa seita. Mesmo a adesdo aos Alcoslicos ‘Anfnimos, que quase certamente constitu a mais eficazin- “tervengio que combate oalcoolismo, age sob diversosaspec: {os justamente promovendo uma patcipagao aeiia, incon dicionada, como um rto sacro. O analista (ou pelo menos o analista de formagao jun ‘guiana) nao pode prescindir do terceiro fator, porque 0 seu trabalho ni se baseia tanto na eliminagio das patologias {quanto na apreciagio de uma perspectiva mais ampla, que aura a incnsiene flict do nal Ete re 1 falor no parece set umm anitiiointerpreatvo, ¢ sim uma realidade que se pode apreender claramentc. Em alguns ci ‘08 podemos af perceber um recurso & droga que 0 evider- cia, sem que no enlanto © mesmo aconleca com os prime ros dois elementos. Um exemplo claro €, justamente, 0 1e- curso de Freud & cocaina, acerea do qual Hillman comenta 2 r ‘Freud munca foi presa da droga enquanto droga, mas pare- ce ter sido subjugido naquela época ao encanto do falar ar- ico esparso-na droga". ‘A evoligdo dos fatos demonstrou em seguida que Freud no procurava exprimir pares inconscientes de si mesmo ara- és das sensagées partculares proporcionadas pela coca, e sim através da sua pesquisa psicoldgica, qualificada como cienifica. 4 verdade cientifica era de fato 0 sucedineo soso que Freud andava procurando. Para usar um exemplo bastaria perguntar quantos jovens, na crise imas duas décadas, recrteram a lucin6 .genos na explicita busca nao de uma sats hedonista, © Sim de experiéncias para-eligiosas: para sorte dels, just- ‘mente as substincias que oferecem experincias mais carace- Tizadas neste sentido (ou seja, que parecem propiciar uma experiéncia metalsica, mais do que uma distorge da exper ncia fsica) sd0 aquelss que levam mais difciimente 2 de- pendéncia.® Para examinar na prética este teceiro fat, diseutie- mos mais adiante 0 caso de um paciente que construiv uma toxicomania propria sobre un stual migioo-eligioso, para melhor retomar contacto com um mundo que ji aparecera em sua imaginagao durante a infanca, A peculiaridade da sua histitia esti no fato de que ele escobriu de modo totalmente espontineo a possbilidade de se drogar, sem nenfuma ajuda ou sugestio do ambiente. ‘Aos povcos ele consti ao redor disso rituals que mostrar ‘analogies com certs aspectos de cultura "primitiva™ desco- hecidos dele. Isto nos leva a aventar a hipétese de uma ten- déneia_20 uso de drogas completamente desvinculada das cespecificidades ambientais e explicavel apenas como novessi- ‘dade arquetipica, iso é,proveniente daquela zona do incons- ‘iente de onde podem surgi instincias aurdnomas, no con: diconadas pela concn, pla su hist invial ou cultural Noras 1A ia nage ip fn se DENOTO. 6 Aint 1s Bip nas net Mn, 19 By By: Maas i tps nin Main. HS Oud Ee Dama Uses) ‘he xl i The ete Mas ay th Eg Las “

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