Paixao de Cristo Roteiro
Paixao de Cristo Roteiro
Esta apresentação da Paixão de Cristo em três partes foi planejada para durar de 20 a 30 minutos e
ser apresentada repetidas vezes em ambiente fechado, para grupos de em média 40 pessoas, sentadas em
duas arquibancadas, uma de frente para a outra, com as principais ações acontecendo no meio, e outras
cenas acontecendo à direita e à esquerda, sendo essas alternações controladas pelo acionamento e
desligamento das luzes no meio, na direita e na esquerda, conforme a figura abaixo:
Para o roteiro da peça foi feito um trabalho cuidadoso de leitura dos quatro evangelhos para
escolha das cenas; todo o texto do roteiro é baseado exclusivamente na Bíblia, com indicações do trecho
de onde a parte foi retirada na cor cinza. Há apenas uma exceção quanto à cronologia de duas cenas, na
parte que fala do Cego de Nascença, que no texto original acontece em dois momentos diferentes, mas no
roteiro foram condensadas em um momento só (o cego e os fariseus saem do templo e já se deparam com
Jesus), mas sem ofender o sentido de forma alguma. Foram usadas as traduções de João Ferreira de
Almeida e a da bíblia católica Ave-Maria. As partes do texto que estão entre colchetes podem ser usadas
ou não na apresentação; as frases sublinhadas nas falas de Jesus são as que se devem dar maior ênfase, e
serem proclamadas com paixão, fervor e fé.
A peça começa com uma rápida apresentação, proclamada por jovens, de alguns dos ensinamentos
de Jesus que estão na Sagrada Escritura. Depois são encenados alguns dos sinais que o Salvador operou
aqui na Terra. Ao final deste roteiro, na parte chamada Apêndice, estão algumas cenas preparadas que
também podem ser colocadas nessa primeira parte. As partes 2 e 3 seguem a tradicional divisão da morte
e ressurreição de Jesus.
Esta apresentação foi pensada acima de tudo como uma forma de evangelizar, e planejada na
intenção de tornar a encenação a mais natural possível, querendo evitar uma gestualidade ampla demais e
um tom de voz exagerado muitas vezes encontrado em formas maiores de teatro de palco, para públicos
maiores. Nessa peça o público está próximo dos atores, de modo que os diálogos possam ser encenados
com o tom de voz normal, e os gestos possam ser normais, corriqueiros, como se o público estivesse
tendo o privilégio de estar vendo a cena no momento como ela aconteceu, sem serem vistos.
1. Apresentação
(Luz da esquerda acende. Dois jovens)
Jovem 1: Se trouxeres a tua oferta ao altar, e aí te lembrares de que teu irmão tem alguma coisa contra ti,
deixa ali diante do altar a tua oferta, e vai reconciliar-te primeiro com teu irmão, e depois, vem e
apresenta a tua oferta. (Mt 5,23-24)
Jovem 2: E, quando estiverdes orando, perdoai, se tendes alguma coisa contra alguém, para que Vosso
Pai, que está nos céus, vos perdoe as vossas ofensas. Mas, se vós não perdoardes, também vosso Pai, que
está nos céus, vos não perdoará as vossas ofensas. (Mc 11,25-26)
Jovem 3: Não julgueis, para que não sejais julgados. Porque com o juízo com que julgardes sereis
julgados, e com a medida com que medirdes vos tornarão a medir. (Mt 7,1-2)
Jovem 4: Dois homens subiram ao templo para orar; um, fariseu, e o outro, publicano. O fariseu, estando
em pé, orava consigo desta maneira: “Ó Deus, graças te dou porque não sou como os demais homens,
roubadores, injustos e adúlteros, nem ainda como este publicano que está ali. Jejuo duas vezes na semana
e pago o dízimo de todos os meus lucros.” O publicano, porém, estando em pé, de longe, não ousava
sequer levantar os olhos ao céu, mas batia no peito, dizendo: “Ó Deus, tem piedade de mim, que sou
pecador!” Digo-vos que este desceu justificado para sua casa, e não o outro, pois quem se exaltar será
humilhado, e quem se humilhar será exaltado. (Lc 18,10-14)
Jovem: Entrai pela porta estreita, porque larga é a porta, e espaçoso o caminho que conduz à perdição, e
muitos são os que entram por ela; e, porque estreita é a porta, e apertado o caminho que leva à vida, e
poucos há que a encontram. Todo aquele que vem a mim, e escuta as minhas palavras, e as pratica, eu
mostrarei a quem é semelhante: é semelhante ao homem prudente, que edificou a sua casa sobre a rocha;
e desceu a chuva, e correram rios, e assopraram ventos, e combateram aquela casa, e não caiu, porque
estava edificada sobre a rocha. Mas o que ouve e não pratica é semelhante ao homem insensato, que
edificou a sua casa sobre a areia; e desceu a chuva, e correram rios, e assopraram ventos, e combateram
aquela casa, e caiu, e foi grande a sua queda. (Mt 7,13-14.24-27; Mc 6,47-49)
Jovem: Se alguém quiser vir após mim, renuncie a si mesmo, tome a sua cruz, e siga-me; Porque aquele
que quiser salvar a sua vida, perdê-la-á, e quem perder a sua vida por amor de mim, acha-la-á. Pois, que
aproveita ao homem ganhar o mundo inteiro, se perder a sua alma? Ou que dará o homem em recompensa
da sua alma? Porque o Filho do homem virá na glória de seu Pai, com os seus anjos, e então dará a cada
um segundo as suas obras. (Mt 16,24-27)
Jovem: Não vos preocupeis por vossa vida, pelo que haveis de comer; nem por vosso corpo, pelo que
haveis de vestir. Não é a vida mais do que o alimento, e o corpo mais do que as vestes? Olhai os lírios do
campo, como eles crescem; não trabalham nem fiam; E eu vos digo que nem mesmo Salomão, em toda a
sua glória, se vestiu como qualquer deles. Pois, se Deus veste assim a erva do campo, que hoje existe e
amanhã é lançada no forno, não vos vestirá muito mais a vós, homens de pequena fé? (Mt 6,25.28b-30)
Jovem (com um menino no colo ou nos braços): Em verdade vos digo que se não vos converterdes e não
vos fizerdes como meninos, de modo algum entrareis no reino dos céus. Portanto, aquele que se tornar
humilde como esse menino, esse é o maior no reino dos céus. E qualquer que receber em meu nome um
menino, tal como este, a mim me recebe. (Mt 18,3-5)
Jovem: Bem-aventurados os pobres, porque deles é o reino dos céus. Bem-aventurados os que têm fome,
porque serão saciados. Bem-aventurados os que choram, porque serão consolados (Lc 6,20-21). Vinde a
mim, todos que estais cansados e oprimidos, e eu vos aliviarei. Tomai sobre vós o meu jugo, e aprendei
de mim, que sou manso e humilde de coração; e encontrareis descanso para as vossas almas. Porque o
meu jugo é suave, e o meu fardo é leve. (Mt 11,28-30)
Jesus: Um certo homem tinha uma figueira plantada em sua vinha. Veio a ela procurar frutos, mas não
encontrou. Então disse ao vinhateiro: “Há três anos que venho buscar frutos nesta figueira e não encontro.
Corta-a; por que ocupa a terra inutilmente?” Ele, porém, respondeu: “Senhor, deixe-a ainda este ano para
que eu cave ao redor e coloque adubo. E, se der fruto, ficará e, senão, depois a mandarás cortar.” (Lc
16,6-9)
O reino dos céus é semelhante ao grão de mostarda, que o homem semeou no seu campo. É esta a
menor de todas as sementes; mas, crescendo, é a maior de todas as hortaliças, e torna-se uma árvore, e
cria grandes ramos, e as aves fazem ninhos em seus ramos (Mt 13,31-32; Mc 4,31-32). O reino dos céus é
semelhante também a um tesouro escondido num campo, que um homem achou e escondeu. E, cheio de
alegria, vai, vende tudo o que tem para comprar aquele campo. É semelhante também a um negociante
que procura pérolas preciosas; e, encontrando uma pérola de grande valor, foi, vendeu tudo quanto tinha e
a comprou. O reino dos céus é semelhante a uma rede lançada ao mar, e que apanha toda a qualidade de
peixes. E, estando cheia, a puxam para praia, sentam-se e separam nos cestos o que é bom, e jogam fora o
que não presta. Assim será no fim do mundo; os anjos virão separar os maus do meio dos justos, e os
lançarão na fornalha de fogo; ali haverá choro e ranger de dentes. (Mt 13,44-50)
Filha de Jairo
(Mc 5,21-43; Mt 9,18-26; Lc 8,40-56)
Jairo: Senhor, minha filha está morrendo. Vem e impõe-lhe as mãos para que se salve e viva.
(Jesus, Jairo, Pedro, Tiago e João saem. Luz da direita se apaga e a do meio acende. Há uma cama com a
menina e a mãe, chorando. Os cinco homens entram pela direita e são interpelados por outro)
(Jairo se vira para Jesus, desesperado. Jesus o segura e o olha nos olhos)
Jesus (ainda andando, fala para a mãe): Não chore; não está morta, apenas dorme.
(A mãe se afasta e Jesus toma seu lugar. Segura a mão da menina e levanta o braço. Momento de
expectativa. Todos esperam ansiosamente)
(Menina toma fôlego. Todos se impressionam, outros se ajoelham e dão glória a Deus. Luz se apaga)
A Mulher Adúltera
(Jo 8,1-11)
(Som da mulher gritando, chorando, passos; como se alguém a segurasse pelos cabelos. Luz do meio
acende. Jesus está agachado, escrevendo com o dedo na areia. Grupo chega e Jesus se vira. Jogam a
mulher no chão; cada um tem uma pedra)
Homem: Mestre, esta mulher foi apanhada no próprio ato, adulterando. E na Lei nos mandou Moisés que
apedrejássemos tais mulheres. Que dizes tu sobre isso?
(Jesus se vira)
Jesus: Quem dentre vós estiver sem pecado, seja o primeiro a lhe atirar uma pedra.
(Jesus se inclina novamente, desinteressado. Os homens olham uns para os outros e, aos poucos, vão
saindo. Agora só resta Jesus e a mulher. Jesus termina de escrever e se levanta. Olha para a mulher)
O Cego de Nascença
(Jo 9,26-41)
Cego: Já vos disse, e não me ouvistes, para que queres tornar a ouvir? Quereis porventura também tornar-
vos seus discípulos?
Fariseus: Discípulo dele sejas tu; nós, porém, somos discípulos de Moisés. Nós bem sabemos que Deus
falou a Moisés, mas este não sabemos de onde é.
Cego: Nisto é que está a maravilha, que não sabeis de onde ele é, e contudo me abriu os olhos. Ora, nós
sabemos que Deus não ouve a pecadores; mas, se alguém é temente a Deus, e faz a sua vontade, a esse
ouve. Desde o princípio do mundo nunca se ouviu que alguém abrisse os olhos a um cego de nascença. Se
esse homem não fosse de Deus, não poderia fazer nada.
(Fariseus pegam o homem e o expulsam. Jesus chega pelo outro lado e observa. O homem vem e Jesus o
pega pelo braço; o homem o olha)
Cego (nervoso, vacilante, assustado, olhando para Jesus): Q-quem é ele, Senhor, para que nele creia?
Jesus: Eu vim a este mundo para juízo, a fim de que os que não veem vejam, e os que veem sejam cegos.
Jesus: Se fôsseis cegos, não teríeis pecado; mas como agora dizeis: “Vemos”, vosso pecado permanece.
Não está escrito: A minha casa será chamada, por todas as nações, casa de oração? Mas vós a
tendes feito covil de ladrões (Mc 11,17). Na cadeira de Moisés estão sentados os escribas e fariseus.
Todas as coisas que vos disserem que observeis, observai-as e fazei-as, mas não procedais em
conformidade com suas obras, porque dizem e não fazem. E fazem todas as obras a fim de serem vistos
pelos homens, e amam os primeiros lugares nas ceias e as primeiras cadeiras nas sinagogas, e as
saudações nas praças, e o serem chamados pelos homens: “Rabi, Rabi.” Vós, porém, não sejais chamados
Rabi, porque um só é o vosso Mestre, que é o Cristo, e todos vós sois irmãos. O maior dentre vós será
vosso servo. E o que a si mesmo se exaltar será humilhado, e o que a si mesmo se humilhar será exaltado.
Mas ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas! Pois que fechais aos homens o reino dos céus, e nem
vós entrais nem deixais entrar os que estão entrando. Ai de vós, condutores cegos, pois dais o dízimo da
hortelã, do endro e do colminho, e desprezais o mais importante da Lei: o juízo, a misericórdia e a fé. (Mt
23,1-3.5-8.11-13.23)
2. Paixão de Cristo
Lava-pés
(Jo 13,1-20)
Narrador: Antes da festa da Páscoa, sabendo Jesus que chegara a sua hora de passar deste mundo ao Pai,
como amasse os seus que estavam no mundo, amou-os até o fim. Durante a ceia, quando o demônio já
tinha lançado no coração de Judas, filho de Simão Iscariotes, o propósito de traí-lo, sabendo Jesus que o
Pai tudo lhe dera nas mãos, e que saíra para Deus, e para Deus voltava...
(Luz do meio acesa. Mesa redonda. Jesus, com uma toalha e uma bacia de metal, lava os pés dos
discípulos, um por um, sem pressa. Lavar os pés do público? Finalmente, chega a Pedro)
Pedro (se curvando e pegando no braço de Jesus): Senhor, queres lavar-me os pés!...
Jesus: Pedro, o que faço não compreendes agora, mas irás compreendê-lo em breve.
Pedro (mais aliviado): Senhor, então não somente os pés, mas também as mãos e a cabeça.
Jesus: Aquele que tomou banho não tem necessidade de lavar-se; está inteiramente puro. Ora, vós estais
puros, mas nem todos (termina desviando o rosto, sem olhar para nenhum)
(Saindo de cena, guardando a bacia e colocando as roupas normais, volta e senta-se na mesa)
Jesus: Sabeis o que vos fiz? Vós me chamais Mestre e Senhor, e dizeis bem, porque eu o sou. Logo, se
eu, vosso Senhor e mestre, vos laveis os pés, também vós deveis lavar-vos os pés uns dos outros. Dei-vos
o exemplo para que, como eu vos fiz, assim façais também vós.
[Em verdade, em verdade vos digo: o servo não e maior do que o seu Senhor, nem o enviado é maior do
que aquele que o enviou. Se compreenderdes essas coisas, sereis felizes, sob a condição de as praticardes.
Não digo isso de vós todos; conheço os que escolhi, mas é preciso que se cumpra essa palavra da
Escritura: “Aquele que come o pão comigo, levantou contra mim o seu calcanhar” (Sl 40,10). Desde já
vo-lo digo, antes que aconteça para que, quando acontecer, creiais e reconheçais quem sou eu. Em
verdade, em verdade vos digo: quem recebe aquele que eu enviei recebe a mim; e quem recebe a mim,
recebe aquele que me enviou.]
Santa Ceia
Jesus: Tenho desejado ardentemente comer convosco esta Páscoa, antes de sofrer. Pois vos digo: não
tornarei a comê-la até que ela se cumpra no Reino de Deus (Lc 22,14-16). (um breve silêncio; tomando o
pão) Este é o meu corpo, que é dado por vós; fazei isto em memória de mim. (partem o pão e começam a
comer; tomando o cálice) Este é o meu sangue, o sangue da Nova Aliança, que é derramado por vós para
a remissão dos pecados. (Lc 22,17-20; Mt 26,28)
Jesus: Aquele que come o pão comigo, levantou contra mim o seu calcanhar (Sl 40,10). (os que comem
olham para ele, sem entender) Em verdade, em verdade vos digo que um de vós há de me trair.
(Confusão. Os discípulos se perguntam: “Senhor, serei eu?” Enquanto conversam entre si, João, que está
ao lado de Jesus, pergunta ao seu ouvido. Jesus faz um sinal de silêncio e atenção, molha o pedaço de pão
e o entrega a Judas. Judas come e se levanta.
Jesus: Judas! (Judas o olha) O que queres fazer, faze-o depressa. (Jo 13,21-30)
Despedidas
(Jo 13,31-36.14-17)
Jesus (erguendo a voz): Agora é glorificado o Filho do Homem, e Deus é glorificado nele. Filhinhos, por
um pouco ainda estou convosco. Vós me haveis de procurar, mas, como disse aos judeus, também vos
digo agora a vós: para onde eu vou, vós não podeis ir.
Dou-vos um mandamento: Amai-vos uns aos outros. Como eu vos tenho amado, assim também
vós deveis amar-vos uns aos outros. Nisto todos conhecerão que sois meus discípulos, se vos amardes uns
aos outros.
Não se perturbe o vosso coração. Credes em Deus, crede também em mim. Na casa de meu Pai há
muitas moradas. Se não fosse assim, eu vos teria dito; vou preparar-vos lugar. E quando eu for, e vos
preparar lugar, virei outra vez e vos levarei para mim mesmo, para que onde eu estiver estejais vós
também. E vós sabeis para onde vou, e conheceis o caminho.
Tomé: Senhor, não sabemos para onde vais. Como podemos conhecer o caminho?
Jesus: Eu sou o caminho, a verdade e a vida; ninguém vem ao Pai, senão por mim.
[Se me amais, guardareis os meus mandamentos. E eu rogarei ao Pai, e ele vos dará outro
Auxiliador, para que fique eternamente convosco. É o Espírito da Verdade, que o mundo não pode
receber, por não o vê, nem o conhece, mas vós o conhecereis, porque habitará convosco e estará em vós.
Eu sou a videira verdadeira, e meu Pai é o lavrador. Todo ramo que em mim não der fruto, ele o
cortará; e poda todo aquele que dá fruto, para que dê mais fruto. Vós já estais limpos, pela palavra que
vos tenho anunciado. Permanecei em mim e eu permanecerei em vós. O ramo não pode dar fruto por si
mesmo, se não permanecer na videira, assim também vós, se não estiverdes em mim. Eu sou a videira;
vós, os ramos. Quem permanecer em mim e eu nele, esse dá muito fruto; porque sem mim nada podeis
fazer. Se alguém não estiver em mim, será lançado fora, como o ramo, e secará; e os colhem e lançam no
fogo, e ardem.
Como o pai me ama, assim também eu vos amo. Perseverai no meu amor. Se guardardes os meus
mandamentos, permanecereis no meu amor, como também eu guardei os mandamentos de meu Pai e
persisto no seu amor. Disse-vos essas coisas para que a minha alegria esteja em vós, e a vossa alegria seja
completa.
Se o mundo vos odeia, sabei que me odiou a mim antes que a vós. Se vós fôsseis do mundo, o
mundo amaria o que era seu, mas porque não sois do mundo, mas do mundo vos escolhi, por isso o
mundo vos odeia.
Tenho-vos dito estas coisas para vos preservar de alguma queda. Vos expulsarão das sinagogas.
Vem mesmo a hora em que qualquer que vos matar cuidará fazer um serviço a Deus. E isto vos farão
porque não conheceram ao Pai nem a mim.
Na verdade, na verdade vos digo que vós chorareis e lamentareis, e o mundo se alegrará, e vós
estareis tristes, mas a vossa tristeza se converterá em alegria. A mulher, quando está para dar à luz, sente
tristeza, porque é chegada a sua hora; mas, depois de ter dado à luz a criança, já não se lembra da aflição,
pelo prazer de haver nascido um homem no mundo. Assim também vós agora, na verdade, tendes tristeza;
mas outra vez vos verei, e o vosso coração se alegrará, e a vossa alegria ninguém vo-la tirará. E naquele
dia nada me perguntareis.]
Eis que vem a hora, e agora é, em que sereis espalhados, cada um para o seu lado, e me deixareis
sozinho. Mas não estou só, porque o Pai está comigo; Tenho-vos dito isto para que em mim tenhais paz;
no mundo tereis aflição, mas tende bom ânimo! Eu venci o mundo.
(levanta os olhos ao céu)
Pai, é chegada a hora; glorifica o teu filho, para que teu Filho glorifique a ti. Assim como lhe deste
poder sobre toda a carne, para que dê a vida eterna a todos quantos lhe deste. E a vida eterna é esta: que
conheçam a ti por único Deus verdadeiro, e a Jesus Cristo, que enviaste. Eu te glorifiquei na terra e
terminei a obra que me deste para fazer. Agora, pois, Pai, glorifica-me junto de ti, com aquela glória que
tinha contigo antes que o mundo fosse criado.
Conservei os que me deste, e nenhum deles se perdeu, exceto o filho da perdição, para que se
cumprisse a Escritura. Mas agora vou para junto de ti. Dirijo-te esta oração enquanto estou no mundo,
para que eles tenham a plenitude da minha alegria. Dei-lhes a tua palavra, e o mundo os odiou, porque
não são do mundo, assim como eu não sou do mundo. Não peço que os tires do mundo, mas que os livres
do mal. Não são do mundo, como eu não sou do mundo. Santifica-os na tua verdade; a tua palavra é a
verdade.
Não rogo somente por eles, mas também por aqueles que por sua palavra hão de crer em mim.
Para que sejam um, assim como tu, Pai, está em mim e eu em ti, para que também eles estejam em vós e o
mundo creia que tu me enviaste.
(Mt 26,30-33)
Jesus: Esta noite será para todos vós uma ocasião de queda; porque está escrito: “Ferirei o pastor, e as
ovelhas do rebanho serão dispersas” (Zc 13,7), mas depois da minha ressurreição, eu vos esperarei na
Galileia.
Pedro: Mesmo que seja para todos uma ocasião de queda, para mim jamais será!
Jesus: Simão, Simão, eis que Satanás vos pediu para vos peneirar como o trigo; mas eu roguei por ti, para
que a tua fé não desfaleça; e tu, quando te converteres, confirma os teus irmãos.
(Jesus saindo)
Jesus: Para onde vou, não podes seguir-me agora, mas tu seguirás mais tarde.
Pedro: Senhor, por que não posso te seguir agora? Darei minha vida por ti!
Jesus: Darás a tua vida por mim? Digo-te, Pedro, não cantará hoje o galo, até que três vezes hajas negado
que me conheces! (Lc 22,31-34)
Pedro: Ainda que seja preciso morrer contigo morrer contigo, não te renegarei!
(todos confirmam)
Jesus: Ficai e vigiai, pois vou orar. Minha alma está angustiada até a morte.
(se retira)
Angústia
(“Adiantando-se alguns passos, prostrou-se com a face por terra e orava que, se possível, passasse dele
aquela hora” (Mc 14,35))
Jesus: Pai! Tudo te é possível; afasta de mim este cálice! Contudo, não se faça o que eu quero, mas o que
tu queres. (Mc 14,36)
(ora mais um pouco, depois vai ao encontro dos discípulos e os encontra dormindo; diz a Pedro)
Jesus: Então não pudestes vigiar uma hora comigo... Vigiai e orai, para que não entreis em tentação. Pois
o espírito está pronto, mas a carne é fraca. (Mc 14,37-38; Mt 26,40-41)
Jesus: Meu pai, se não é possível que este cálice passe sem que eu o beba, seja feita a tua vontade! (Mt
26,42)
(ora mais um pouco, volta e encontra-os dormindo; se afasta uma terceira vez)
Jesus: Pai, se não é possível que este cálice passe sem que eu o beba, seja feita a tua vontade!
(permanece mais um tempo. “Apareceu-lhe então um anjo do céu para confortá-lo” (Lc 22,43))
(depois de um tempo, as luzes se apagam e ele retorna, mais calmo, e os encontra dormindo)
Jesus: Dormi e descansai... (um momento) Basta! Chegou a hora! O Filho do Homem vai ser entregue
nas mãos dos pecadores. Levantai-vos, vamos! Aproxima-se aquele que há de me entregar. (Mc 14,41-42)
Prisão
(Judas chega a frente do grupo armado com espadas, paus e uma tocha; se aproxima, com falsidade)
(um se adianta para prender Jesus; Pedro desembainha a espada e golpeia a orelha, que sangra; Jesus
intervém rapidamente)
Jesus: Basta! (cura o soldado) Guarda tua espada, porque todos aqueles que usarem da espada, pela
espada morrerão! Não hei de beber o cálice que meu Pai me deu? (Mt 26,52-54; Mc 14,47; Lc 22,48.51;
Jo 18,11) Ou pensas tu que eu não poderia agora orar a meu Pai, e ele não me daria mais de doze legiões
de anjos? Mas como se cumpririam as Escrituras, segundo as quais é preciso que seja assim? (Mt 26,53-
54)
(começam a atar Jesus)
Jesus: Saístes armados com espadas e paus para prender-me, como se eu fosse um ladrão. Todos os dias
estava convosco ensinando no templo, e não estendestes as mãos contra mim; mas esta é a vossa hora e
do poder das trevas. (Lc 22,52-53) Se é, pois, a mim que buscais, deixai ir estes. (Jo 18,8b)
(os que vieram ameaçam atacar e os discípulos fogem; Jesus é levado atado, mas está sereno; Pedro
depois aparece, seguindo-os. Apagam-se as luzes)
Casa de Caifás
(Jesus entra acompanhado e atado, atravessa o pátio, os guardas tomam o outro lado. Enquanto os guardas
vão para o outro lado, Pedro entra furtivamente e se aproxima da fogueira, onde os outros estão se
aquecendo. A luz do meio se apaga e a da direita se acende; Jesus leva um soco no estômago. Caifás está
sentado)
Jesus (com as mãos atadas atrás, curvado do soco): Falei publicamente ao mundo. Ensinei na sinagoga e
no templo, onde se reúnem os judeus, e nada falei às ocultas. Por que me perguntas? Pergunta àqueles que
ouviram o que lhes disse. Estes sabem o que ensinei.
Jesus: Se falei mal, prova-o, mas se falei bem, por que me bates? (Jo 18,19-22)
Testemunhas: Este homem disse: “Posso destruir o Templo de Deus e reedificá-lo em três dias.” (Mt
26,61)
Caifás: Não respondes nada? O que é isto que dizem contra ti? (Mc 14,60)
(Jesus fica calado, o olhar baixo e sereno; Caifás se aproxima mais ainda)
Caifás: Por Deus vivo, conjuro-te que nos diga se és o Cristo, o Filho de Deus? (Mt 26,63)
Jesus (levantando o olhar e a voz): Eu sou, e vos declaro que vereis o Filho do Homem sentado à direita
do poder de Deus, vindo sobre as nuvens do céu. (Mt 26,64; Mc 14,62)
Caifás: Que necessidade temos ainda de testemunha? Nós mesmos ouvimos a blasfêmia da sua boca.
Merece a morte! (Mt 26,65-66)
(cospem em Jesus, dão socos e tapas. Mais um momento e cobrem o seu rosto e lhe batem)
(luz da direita se apaga, luz do centro acende. Pedro na fogueira com os servos do sumo sacerdote. Sons
de Jesus sendo espancado)
Negações de Pedro
(Pedro nervoso, olhando para o lado. Uma criada chega e fica encarando Pedro. Pedro fica incomodado)
Criada (os outros se aproximam): Este faz parte do grupo deles. (Mc 14,69)
Pedro: Não!
(na mesma hora, o galo canta. Luz da direita acende; Jesus olha para Pedro (Lc 22,61). Luz da direita se
apaga. Pedro lembra das palavras de Jesus, se desespera e sai correndo. Luz do meio se apaga. Um
momento e luz da esquerda se acende. Pedro chora amargamente em uma rocha. Luz se apaga
vagarosamente)
Suicídio de Judas
(Mt 27,1-10)
(Luz do centro acende. Judas chega ao sumo sacerdote e mais alguns; parece perturbado)
(Judas fica inconformado, joga o saco de moedas e sai. Luz do centro apaga. Luz escura da esquerda
acende. Judas aparece como que num precipício com uma árvore, com um choro preso, de remorso. Faz o
nó da forca, parece mais perturbado, pula e solta um grito. Aqui talvez uma cadeira ou mesa escura ou um
jogo de apagar e acender as luzes, e no intervalo jogar um boneco.)
(na direita, cadeira de Pilatos virada para fora, com dois guardas atrás, como que numa porta)
Povo: Se não fosse malfeitor, não o teríamos entregue a ti (Jo 18,29-30). Temos encontrado esse homem
excitando o povo à revolta, proibindo pagar imposto ao imperador e dizendo-se Messias e Rei (Lc 23,2).
(Pilatos se levanta e entra no pretório primeiro; o guarda conduz Jesus. Pilatos observa Jesus)
Pilatos: Não ouves todos os testemunhos que levantam contra ti? (Mt 27,13)
Pilatos: Acaso sou eu judeu? A tua nação e os sumos sacerdotes entregam-te a mim. Que fizeste?
Jesus: O meu reino não é deste mundo. Se o meu reino fosse deste mundo, os meus súditos certamente
teriam pelejado para que eu não fosse entregue aos judeus. Mas o meu reino não é deste mundo.
Jesus: Sim, eu sou rei. É para dar testemunho da verdade que nasci e vim ao mundo. Todo o que é da
verdade ouve a minha voz.
Pilatos (se aproximando e pegando-o pelo braço): Que é a verdade? (Jo 18,33-38)
(Pilatos sai e se senta; Jesus é levado para fora. Mulher de Pilatos aparece e o chama. Ele se levanta e vai
até ela, dentro do pretório)
Esposa de Pilatos (aflita): Nada faça a esse justo. Hoje fui atormentada por um sonho que lhe diz
respeito. (Mt 27,19)
Pilatos: Apresentaste-me este homem como agitador do povo, mas interrogando-o eu diante de vós, não o
achei culpado de nenhum dos crimes de que o acusais. (Lc 23,14)
Povo: Crucifiquem-no!
(Todo o povo: “Cruci-fique o! Cruci-fique o!...”)
Pilatos (acalmando a multidão): Não acho nele crime algum. Mas é costume entre vós que pela Páscoa
vos solte um preso. Quereis que vos solte o rei dos judeus? (Jo 18,38b-39) (apontando para Jesus)
Pilatos: Qual queres que eu vos solte: Barrabás ou Jesus, que se chama Cristo?
(“Barra-bás! Barra-bás!)
(Pilatos faz sinal para soltarem Barrabás e levarem Jesus, e vira as costas. Luz se apaga)
Cena de Ultrajes
(Luz da direita acende. Jesus é rodeado e suas vestes são arrancadas. É amarrado num tronco e é
flagelado. Depois o levantam e, rindo dele, colocam um manto púrpura, a coroa e uma vara. Começam a
rodeá-lo, Jesus fica parado e tenta aguentar firme. Começam a escarnecê-lo, dão bofetadas, se ajoelham
diante dele e fazem reverências (“Salve, rei dos judeus”), cospem nele, tiram a vara da sua mão e batem
na sua cabeça. Luz da direita se apaga.)
Pilatos: Eis que vo-lo trago fora, para que saibais que não acho nele nenhum motivo de acusação.
(Jesus é trazido novamente a Pilatos, vestindo púrpura e coroa de espinhos (Jo 19,4), pela esquerda)
Povo: Crucifiquem-no!
Pilatos: Tomai-o vós e crucificai-o, pois eu não acho nele culpa alguma.
Povo: Nós temos uma lei, e segundo essa lei deve morrer, porque se declarou Filho de Deus.
(Pilatos fica visivelmente impressionado e se vira para Jesus, que permanece como está. Desta vez não
manda um guarda o conduzir; pega Jesus pelo braço e o leva para dentro novamente)
Pilatos: De onde és tu?
Pilatos: Tu não me respondes? Não sabes que tenho poder para te soltar e para te crucificar?
Jesus: Não terias poder algum sobre mim, se de cima não te fora dado. Mas aquele que me entregou a ti,
maior pecado tem.
Povo: Se o soltares, não és amigo do imperador, porque todo o que se faz rei se declara contra o
imperador.
(Pilatos pega Jesus pelo braço e sai. Coloca Jesus na frente deles)
Pilatos (exaltado, sentando na ponta do assento com a mão nos braços da cadeira): Hei de crucificar o
vosso rei?
Sumo sacerdote: Não temos outro rei senão César! (Jo 19,4-15)
(Pilatos faz sinal para trazerem a bacia de água. Se levanta e lava as mãos na frente de todos)
Povo: O seu sangue caia sobre nós e sobre nossos filhos! (Mt 27,24-25)
(Pilatos dá as costas e os soldados tomam Jesus; o povo comemora. Tiram o manto púrpura e vestem a
roupa anterior)
Via Crucis
(Ao redor do palco, tudo escuro. Talvez cai alguma vez, geme de dor)
(Luz do meio acende. Jesus entra pela esquerda; mulheres o seguem chorando. Guardas aparecem com
Simão Cirineu, constrangendo-o, e o obrigam a levar a cruz COM JESUS)
Jesus (olhando para as mulheres chorando): Filhas de Jerusalém, não choreis sobre mim, mas chorai
sobre vós mesmas e sobre vossos filhos. Porque virão dias em que se dirá: “Felizes as estéreis, e os
ventres que não geraram e os peitos que não amamentaram!” Então dirão aos montes: “Caí sobre nós!” E
aos outeiros: “Cobri-nos!” Porque, se eles fazem isso ao lenho verde, que acontecerá ao seco? (Lc 23,28-
31)
(Chegando ao Calvário – no lado direito – ainda escarnecem Jesus; dão-lhe vinho com mirra, que ele se
recusa a beber. Tiram as vestes de Jesus e repartem entre si; tiram sorte para ver quem fica com a túnica.
Os dois ladrões já estão. Aí estão também Maria (mãe de Jesus), Maria Madalena e João. Jesus é levado
para a cruz)
Jesus: Pai, perdoa-lhes, porque não sabem o que fazem. (Lc 23,34)
(a luz se apaga; pregam Jesus na cruz. Luz acende novamente; Cristo na cruz)
Povo: Tu que destróis o templo e o reedificas em três dias, salva-te a ti mesmo! Desce da cruz!
Sumo sacerdote: Salvou os outros e não pode salvar a si mesmo! Que o Cristo, rei de Israel, desça agora
da cruz, para que vejamos e creiamos! (Mc 15, 29-32)
Ladrão 2 (repreendendo o outro): Nem sequer temes a Deus, tu que sofres o mesmo suplício? Para nós
isto é justo: recebemos o que mereceram os nossos crimes, mas este não fez mal algum. (vira o olhar para
Jesus) Jesus, lembra-te de mim, quando tiveres entrado no teu Reino!
(Jesus olha para sua mãe e João, que estão aos pés da cruz (aqui também está Maria Madalena). Olha por
um momento)
Jesus (chorando e olhando para o céu): Meu Deus, meu Deus, por que me abandonaste?!
(Soldados, rindo, se apressam em trazer um vaso com vinagre. Molham uma esponja e colocam numa
lança e o dão para beber; Jesus tenta recusar. Jesus grita)
Jesus: Tudo está consumado. (Jo 19,30) Pai, nas tuas mãos entrego o meu espírito. (Lc 23,46)
(Jesus agoniza e desfalece. Mulheres choram. Soldados quebram as pernas dos ladrões e outro fere Jesus
com a lança (Jo 16,32-34). Tal cena deve ser rápida, para aumentar a sensação de desamparo. Logo a luz
se apaga; os ladrões são tirados. Mais um momento o escuro, o silêncio, e o luto)
3. Ressurreição
Sepultura
(Luz da esquerda se acende: Pilatos, José de Arimateia e um centurião)
José de Arimateia: Governador, rogo-lhe que me permita sepultar o corpo de Jesus de Nazaré.
Pilatos: Mas já morreu? (olha para o centurião) Já faz tempo que ele morreu?
Sumo sacerdote: Senhor, nós nos lembramos do que aquele impostor, vivendo ainda, disse: “Depois de
três dias ressuscitarei.” Ordena, pois, que seu sepulcro seja guardado até o terceiro dia. Os seus discípulos
poderiam vir roubar o corpo e dizer ao povo: “Ressuscitou dos mortos”. E esta última impostura seria pior
que a primeira.
Pilatos (concordando): Tendes uma guarda. Ide e guardai-o como entendeis. (Mt 27,62-64)
(Fazem reverência; luz da esquerda se apaga. Luz do meio acende; José de Arimateia, acompanhado das
mulheres, tira Jesus da cruz e o enrola num pano. Luz se apaga. Luz da direita se acende; Jesus é colocado
em cima da cama de pedra. Muito silêncio. Sepulcro é fechado. Luzes se apagam e passa um tempo em
silêncio)
(Luzes fracas acesas à direita. Os guardas guardam o sepulcro. Um som e o anjo surge, ágil, e move a
pedra com uma só mão. Os guardas correm (Mt 28,2)) OU (Tudo escuro e apenas barulhos indicando que
o sepulcro foi aberto por uma força maior)
Sepulcro Vazio
(O sepulcro é à direita; Mesa dos discípulos fica no centro ou na esquerda (nesse caso, para que os atores
corram mais. Se ficar na esquerda vai ter que trazer para o meio depois). Três mulheres chegam com os
aromas. Encontram a pedra movida e hesitam. Entram vagarosamente. O anjo surge por trás delas.)
Anjo: Por que (aqui elas se assustam) Por que buscais entre os mortos aquele que está vivo? (Lc 24,5)
Não tenhais medo. Buscais Jesus de Nazaré, que foi crucificado. Ele ressuscitou, já não está aqui. Eis o
lugar onde o depositaram. Mas ide, dizei a seus discípulos e a Pedro que ele vos espera na Galileia. Lá o
vereis, como vos disse. (Mc 16,6-7)
(Elas confirmam e saem correndo para os discípulos; luz do sepulcro se apaga; luz dos discípulos acende;
elas chegam)
Mulheres: O Senhor ressuscitou, não está mais lá! Vimos um anjo e ele nos falou (ou “e ele disse que
ressuscitou”)
(Os homens se olham com desconfiança. Depois de um breve tempo, João, que está mais na ponta, sai
correndo. Pedro sai logo depois. Luz dos discípulos se apaga. Luz do sepulcro acende. Nesse momento, se
foi decidido que a mesa dos discípulos deve ficar à esquerda, é a hora de trazê-la para o centro. No
sepulcro, João chega; Pedro chega logo depois, mas entra mais, vê os panos (Jo 20,3-8). Voltam andando
em silêncio, a cabeça baixa. Luz da esquerda se apaga. Pedro e João dão a volta para entrar pela esquerda.
Luz do centro já acende, a mesa no centro com os discípulos)
(Luz do centro acesa, a mesa com os discípulos. Pedro e João entram pela esquerda; parecem assustados,
mas ficam calados. Todos olham para eles; se sentam na mesa; Tomé, que está à direita, se levanta)
Tomé: Se não vir nas suas mãos o sinal dos pregos, e não puser o meu dedo no lugar dos pregos, e não
introduzir a minha mão no seu lado, não acreditarei! (Jo 20,25)
(Mal termina de falar, Jesus entra)
(Ninguém fala. Nessa parte não se pode ter pressa. Jesus passa por eles, se aproxima lentamente de Tomé,
todos seguem Jesus com o olhar. Jesus para diante de Tomé, pega Tomé pela mão e a traz às chagas)
Jesus: Põe aqui o teu dedo, e vê as minhas mãos. (sem pressa; o silêncio. Pega a mão de Tomé e coloca
no lado ferido). Põe a tua mão no meu lado. (mais um momento, e a lição) Não sejas incrédulo, mas
homem de fé.
Jesus: Creste, porque me viste. (olhando para todos) Felizes aqueles que não viram e creram! (Jo 20,25-
29)
Jesus: Isto é o que vos disse quando ainda estava convosco: era necessário que se cumprisse tudo o que
de mim estava escrito na Lei de Moisés, nos profetas e nos Salmos. (sopra sobre os discípulos, que
parecem se impressionar com algo que mudou dentro deles, e depois se olham espantados) Assim é que
está escrito, e assim era necessário que Cristo padecesse, mas que ressurgisse dos mortos ao terceiro dia.
E que em seu nome se pregasse a penitência e a remissão dos pecados por todas as nações, começando
por Jerusalém. Vós sois as testemunhas de tudo isso. Eu vos mandarei o Prometido de meu Pai.
Entretanto, permanecei na cidade, até que sejais revestidos da força do alto. (Lc 24,44-49) (levantando
gradualmente a voz) Toda autoridade me foi dada no céu e na terra. Ide, pois, e ensinai a todas as nações;
batizai-as em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Ensinai-as a observar tudo o que vos tenho
mandado. (a partir daqui um tom mais alto, levantando os braços, abençoando e encerrando) Eis que estou
convosco todos os dias, até o fim do mundo.
(Luzes se apagam. Aqui deve haver uma sensação de falso final, quando na verdade a última cena está
sendo preparada)
(Luz da esquerda acende. Barco à esquerda com os discípulos, pano grande azul no chão, lembrando o
mar, balançando. Discípulos jogam as redes e puxam vazias, rapidamente, dos dois lados, procurando os
peixes nas redes. Luz do meio acende, Jesus está sentado perto da fogueira. Os observa por um tempo e se
levanta, e como que se aproxima da beira da praia.)
(Lançam a rede do outro lado e não conseguem puxar. Os outros tentam ajudar; olham para trás)
(Pedro pula na água – por baixo do pano – discípulos levam o barco. Todos chegam. A partir daqui não
pode haver pressa)
Jesus: Trazei aqui alguns dos peixes que agora apanhastes. (trazem os peixes) Vinde, comei.
(Se sentam ao redor da fogueira. Jesus ergue o pão e o divide. Comem. Após um tempo, Jesus olha para
Pedro)
(outra pausa)
Jesus: Apascenta as minhas ovelhas. Em verdade, em verdade te digo: quando eras mais moço, te cingias
a ti mesmo, e andavas por onde querias. Mas, quando fores velho, estenderá as tuas mãos, e outro te
cingirá, e te levará para onde não queres.
Jesus: Segue-me.
(A Parte 1. Apresentação, tem como objetivo introduzir e apresentar ao público a figura de Jesus, seus
ensinamentos e os sinais que apresentou aqui na terra, antes de contar a história da sua morte e
ressurreição. As cenas apresentadas abaixo podem ser colocadas nessa parte.)
Jovem: Ou fazei a árvore boa, e o seu fruto bom, ou fazei a árvore má, e o seu fruto mau; porque pelo
fruto se conhece a árvore. (Mt 12,33)
Mulher: Como, sendo tu judeu, me pedes de beber a mim, que sou mulher samaritana?
Jesus: Se tu conheceras o dom de Deus, e quem é que te diz: “Dá-me de beber”, tu lhe pedirias, e ele te
daria água viva.
Mulher: Senhor, tu não tens com que a tirar, e o poço é fundo; onde, pois, tens a água viva? És tu maior
do que o nosso pai Jacó, que nos deu o poço, bebendo ele próprio dele, e os seus filhos, e o seu gado?
Jesus: Qualquer que beber desta água tornará a ter sede; mas aquele que beber da água que eu lhe der
nunca terá sede, porque a água que eu lhe der se fará nele uma fonte de água que jorrará para a vida
eterna.
Viúva de Naim
(Lc 7,11-15)
(Luzes apagadas. Som das sandálias arrastando e da mãe chorando. A luz acende e o cortejo entra
lentamente. Talvez aqui outra mulher consolando a mãe. Jesus a observa e parece sofrer. Chega perto da
mulher e a toca; ela levanta a vista)
Menino: Mãe?
(Jesus o pega no braço e o entrega à mãe, enquanto os que carregavam o esquife o colocam no chão e
ficam de joelhos, dando glória a Deus. Luz se apaga)
(Tudo escuro, som do menino gritando. Luz do meio acende. Menino sujo, se debatendo e grunhindo,
dois homens o seguram pelos braços)
Pai do menino (desesperado, implorando): Se podes fazer alguma coisa, tem compaixão de nós, e ajuda-
nos.
Jesus (pegando no homem e olhando-o nos olhos): Se tu podes crer, tudo é possível ao que crê.
Jesus: Espírito mudo e surdo (dêmonio fica mais agitado), eu te ordeno: Sai, e não tornes a entrar nele.
(Demônio grita e sai; menino se cala. Parece morto. Um momento, Jesus se aproxima. Aqui é bom deixar
o tempo passar para criar a expectativa. Se curva para o menino e pega na sua mão, ele toma fôlego e abre
os olhos, rapidamente a luz se apaga)