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Índice
Introdução........................................................................................................................................2
Filosofia Politica em Africa.............................................................................................................3
Génese dos nacionalismos...............................................................................................................3
Pan-africanismo versus Negritude...............................................................................................4
Renascimento Africano................................................................................................................4
Integração politico-regional da União Africana..............................................................................5
Conclusão........................................................................................................................................6
Bibliografia......................................................................................................................................7
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Introdução
No presente trabalho, pretendemos falar sobre a génese da filosofia política africana, onde por
sua vez vamos caracterizar vários movimentos que foram surgindo para a emancipação do povo
africano.
O mesmo, apresenta-se sob método hermenêutico, ou seja, baseia-se numa consulta bibliográfica
para a realização do mesmo. Nesta senda, este debate outrora debruçado, visa conciliar a tomada
da consciência do africano face aos desafios impostos e sobretudo o alcance da igualdade entre
os outros povos.
Doravante, importa realçar que anteriormente o povo africano foi visto como um povo sem
história e acima de tudo como um povo inferior, razão pela qual muitos esforços foram
enaltecidos para resgatar a integridade do africano e ao decorrer do trabalho vários enfoques
foram desenvolvidos. Desta feita, para contrariar o pessimismo sobre africa, alguns filosos deram
seu contributo para a valorização do povo africano através de vários movimentos e organizações.
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Filosofia Politica em Africa
Em africa, a filosofia política surge como um conjunto de ideias que contribuíram para a
libertação dos africanos e para a melhoria das suas condições de vida. Estas concepçöes
enquadram-se contexto da colonização, associada à escravatura e ao racismo, fenómenos que
Africa experimentou na sua história.
A ideia de libertar o negro está estreitamente ligada ao pan-africanismo e à negritude, dois
movimentos que contribuíram para a mudança da situação existencial dos africanos.
Génese dos nacionalismos
A filosofia politica africana esta estreitamente ligada ao pan-africanismo. O pan-africanismo,
alem de lutar pelo reconhecimento dos negros no mundo, traçou, principalmente com Du Bois,
linhas para uma filosofia política africana. Todavia, a filosofia política africana contem o
pensamento de vários autores e tem como objectivo a libertação física e psíquica do jugo
colonial do continente africano.
Entretanto, no 5º congresso pan-africano, que teve lugar em Manchester, em Inglaterra, em 1945,
Du Bois passou o testemunho politico a Nkrumah. Daquele momento em diante, as principais
figuras da filosofia africana seriam Nrumah e Senghor. Estes dois homens se forcaram-se por
lançar as bases da política dos estados africanos.
Kwame Nkrumah e Leopold Sedar Senghor lideram dois grupos e dois pontos de vistas que não
chegaram a conciliar-se: Nkruman defendia a independência imediata dos Estados africanos,
enquanto Senghor acreditava que uma independência gradual dos Estados seria o ideal.
Assim, em 1960 surgem dois grupos: o da Moróvia (California, EUA) defendendo o ponto de
vista de Nkrumah de criar Estados unidos de Africa, e o da Casablanca (Marrocos), advogando a
visão de Senghor de criar a Organização da Unidade Africana 1 (OUA). Este grupo encontrou eco
por parte dos líderes africanos, ao ponto de a 25 de Maio de 1963, em Addis Abeba, capital da
Etíopa, ser assinada a constituição da OUA, por representantes de 32 países africanos
independentes. A OUA, como uma organização africana, teve a missão de dinamizar a conquista
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A OUA tinha os seguintes objectivos: promover a unidade e a solidariedade entre os Estados africanos; coordenar e
intensificar a cooperação entre os Estados africanos, no sentido de proporcionar uma vida melhor aos povos de
Africa; defender a soberania, integridade territorial e independência dos Estados Africanos; erradicar todas as
formas de colonialismo em Africa, e outros.
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da independência por parte de todos os países colonizados, missão concretizada ate 1990, com a
independência da Namíbia.
Foi no sentido de eliminar qualquer forma de colonialismo em Africa que surgiram os
movimentos de libertação nos países africanos, tendo sido a independência pacífica em alguns,
sobretudo nas colonias inglesas e francesas, e sangrenta ou armada nas colonias portuguesas.
Pan-africanismo versus Negritude
O pan-africanismo2 e a negritude3 foram dois movimentos que estiveram na base da filosofia
politica em africa, isto é, contribuíram para emancipação política e cultural do africano na
medida em que o primeiro (pan-africanismo) defendeu a necessidade da conquista da
independência política de todos os africanos e o segundo (negritude) defendeu a emancipação
cultural do homem negro.
Renascimento Africano
O debate do renascimento africano surge perante a humilhação que o povo africano
experimentou durante a colonização. A colonização, ao lado do racismo, significou a negação de
igualdade em direitos entre os brancos e negros. Assim, o negro sentia-se inferior em relação ao
branco.
Nesta perspectiva, para além de se pretender a independência politica e a emancipação cultural
por parte do homem africano, houve necessidade de desenvolver uma ideologia que
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O pan-africanismo, contribuiu para a construção da ideia de nação entre os africanos. Dentre os muitos líderes pela
independência dos países africanos, parte significativa eram de intelectuais que sofreram a influência do pan-
africanismo, a exemplo de Jomo Kenyatta (Quênia), Peter Abrahams (África do Sul), Hailé Selassié (Etiópia),
Namdi Azikiwe (Nigéria), Julius Nyerere (Tanzânia), Kenneth Kaunda (Zâmbia), Kwame Nkrumah (Gana),
Amilcar Cabral (Cabo Verde e Guiné Bissau), Agostinho Neto, Mário Pinto de Andrade e Viriato Cruz (Angola) e
Samora Machel (Moçambique). Grande parte destes homens, a exemplo do líder da emancipação de Costa do Ouro
(atual Gana), Kwame Nkrumah, estudou nas universidades dos negros norte-americanos. Trata-se, portanto, de um
movimento de idéias que cobre um longo período, desde a primeira metade do século XIX até os anos 1960 do
século XX, momento em que o pan-africanismo não consegue sofrer solução de continuidade e de implementação,
sobretudo após o golpe em Gana, e a derrubada de Nkrumah da presidência deste país.
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A negritude surge nas Américas, sobretudo nos EUA e nas Caraíbas, como corolário da revolução francesa e do
romantismo, que contribuíram para a abolição da escravatura e para a dinamização da identidade diversificada no
campo cultural de raiz popular, e, logo, nacional, e, finamente, para a possibilidade de os povos que antes tinham
perdido a sua liberdade e igualdade de se pronunciarem (ganharam voz), na sequência do surgimento dos
movimentos de independência ou no reconhecimento dos direitos de igualdade cultural e social de todos os povos
sociais.
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possibilitasse ao africano renascer e sentir-se igual aos outros homens, valorizar a sua raça e a
sua personalidade. Renascer significar “portanto tornar a nascer em termos psicológicos”.
Portanto, o renascimento africano4 comporta a recuperação da autoestima, da autovalorização,
depois da eliminação de qualquer forma de colonização em áfrica.
Integração politico-regional da União Africana
Os líderes africanos cedo tiveram consciência da necessidade de implementar acções combinadas
com a finalidade de proporcionar melhores condições aos novos Estados africanos. Assim,
concentraram-se na promoção de instituições capazes de promover o desenvolvimento
económico e de criar condições de vida mais humanas aos indígenas (povos nativos). Este
projecto foi animado por uma serie de mudanças institucionais, como a criação da ONU a
conferência de Bandung, entre outras. Foi neste contexto que se criou a OUA, com objectivos já
referidos, a UA, a SADC5 e a NEPAD.
Um dos projectos da UA era a NEPAD6- a Nova Parceria para o Desenvolvimento da África-,
que pretendia por em prática a visão pan-africanista dos líderes africanos, com o objectivo de
promover o desenvolvimento sustentável de áfrica. Era uma visão a longo prazo, baseada na
parceria dos países africanos, que estrategicamente mobilizaria os recursos africanos para a
criação de riquezas e em que as funções de planificação e organização seriam desenvolvidas de
uma forma sincronizada com a integração de recursos, implementação, avaliação e controlo de
programas pelos próprios africanos.
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A importância do renascimento negro reside no facto de ela procurar oferecer ao negro uma nova postura perante a
humilhação que experimentou durante a escravatura, através de uma ideologia que lhe possibilita renascer e sentir-se
igual aos outros homens e a sua raça e a sua personalidade, numa primeira fase, e proporcionar a recuperação da
auto-estima e da sua Auto valorização, numa segunda fase.
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SADC- Comunidade para Desenvolvimento da África Austral
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A NEPAD- constitui uma forma africana de integração mundial e é sinónimo de recuperação da agenda africana,
tendo como princípios: primeiro, boa governação como requisito básico para a paz, segurança e desenvolvimento
político e socioeconómico sustentável; segundo, o estabelecimento de uma parceria internacional que reequilibre as
relações em África e o mundo desenvolvido.
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Conclusão
No presente trabalho, podemos inferir que A filosofia politica africana esta estreitamente ligada
ao pan-africanismo na qual, o pan-africanismo, alem de lutar pelo reconhecimento dos negros no
mundo, traçou. Todavia, a filosofia política africana contem o pensamento de vários autores e
tem como objectivo a libertação física e psíquica do jugo colonial do continente africano.
Doravante, O pan-africanismo constituiu um importante movimento político em que negros e
negras da diáspora trocassem informações e experiências diversas com diferentes homens e
mulheres do continente africano. Medir estas trocas, contextualizá-las e historicizar este processo
é o próximo passo que pretendo seguir, sobretudo para mostrar os liames deste movimento e suas
ressonâncias na contemporaneidade.
Portanto, essa libertação deveu-se ao processo da colonização que se fez sentir em africa, e ao
mesmo tempo, a integridade, os valores africanos, a cultura foram esquecidos. Neste sentido,
com a presença de OUA a NEPAD, os povos de africa viram enaltecidos os seus interesses em
serem reconhecidos como iguais aos brancos.
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Bibliografia
GEQUE, Eduardo e BIRIATE, Manuel, filosofia 12, pré-universitário, ed Logman, Maputo,
2010.
BORGES, José Ferreira, et all. Introdução à Filosofia 12ª classe, Plural editores, Maputo, 2015.