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O documento descreve as sete igrejas do Apocalipse segundo a interpretação do Pe. Holzhauser como representando os sete períodos da Igreja Católica. O primeiro período é a Idade Apostólica, representada pela Igreja de Éfeso. O segundo período é a era dos mártires, representada pela Igreja de Smirna. O terceiro período será a era da corrupção e perseguição, representada pela Igreja de Pérgamo.

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O documento descreve as sete igrejas do Apocalipse segundo a interpretação do Pe. Holzhauser como representando os sete períodos da Igreja Católica. O primeiro período é a Idade Apostólica, representada pela Igreja de Éfeso. O segundo período é a era dos mártires, representada pela Igreja de Smirna. O terceiro período será a era da corrupção e perseguição, representada pela Igreja de Pérgamo.

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AS SETE IGREJAS DO APOCALIPSE

SEGUNDO PE. HOLZHAUSER

* O Pe. Bartolomeu Holzhauser:


Nasceu em 1613, em Langnau, perto da Augsbourg. Seu pai era sapateiro. Estudou
filosofia no colégio dos Jesuítas de Ingolstadt. Foi pároco de Titmoningen, onde fundou
um seminário para formação de padres. Ele tem na Alemanha a fama de reformador do
clero. Faleceu em 1658 (45 anos). Tornouse célebre por seus comentários do Apocalipse.
Explica ele: “Eu pude escrever meus comentários como um menino cuja mão
alguém dirige. Eu não posso mais continuálos, porque não tenho mais o espírito com o
qual eu os havia começado”.
As linhas proféticas e místicas que são citadas neste texto são extraídas do
conjunto de suas obras e mais particularmente de sua “Interpretação do Apocalipse”.
Seus comentários têm por fundamento a divisão da História da Igreja em sete
períodos que não se confundem com as as sete idades do mundo de que fala santa
Hildegarda.
Do livro:
(“Bénédictions et malédictions Prophéties de la révelation privée”; De Jean
Vaquié Paris, 1987 3ª Edição revista e ampliada, págs. 47 a 76.)
No juízo de Fillion, entre os propugnadores da “Escola Histórica” de
interpretação do Apocalipse, merece particular menção, Holzhauzer, segundo o qual o
Apocalipse profetiza o que se deve passar durante as sete idades da Igreja, representadas
já pelas sete cartas dos caps. II e III.
Também o Pe. Drach admite como preferível este sistema “histórico” por ser mais
abrangente de toda a História da Igreja, até a segunda vinda de Cristo, “em pompa e
majestade”, (no fim do mundo).
Sobre o valor das revelações privadas, diz Pio XII: “Nós Nos sentimops impelidos
a elevar de novo Nossa Voz para lembrar a nossos filhos do mundo católico, a
advertência que o divino Salvador não tem cessado de inculcar através dos séculos por
meio das revelações às almas privilegiadas que Ele tem se dignado escolher por seus
Mensagenros: Desarmai a justiça punitiva do Senhor por uma cruzada de orações e de
penitência no mundo inteiro” (Discours au SacréCollége, 1 de junho de 1946 cfr. Jean
Vaquié Bénédictions et Malédictions, Prophéties de la révélation privée”, Paris, 1947).

* Introdução
As sete Igrejas, às quais São João se dirige na primeira parte do Apocalipse são,
como já disse, o símbolo sob o qual são descritos os sete períodos futuros da Igreja
Católica.
É, com efeito, o desígnio que São João acrescenta: “E eu me voltando (para o que
me falava) vi sete candelabros de ouro (que eram as sete Igrejas)”.
Quer dizer, sete estados (ou situações) futuras da Igreja. É a esses períodos que se
referem os sete dias do Senhor quando Ele criou o mundo.
Esses sete períodos se referem também aos sete espíritos ou dons do Senhor,
enviados no dia de Pentecostes, sobre toda toda a carne. Pois, do mesmo modo que o
Senhor nosso Deus consumou o curso de todas as gerações e das coisas naturais em sete
dias e sete épocas; do mesmo modo, Ele consumará a regeneração em sete períodos da
Igreja, em cada um dos quais Ele espargirá, fará germinar e florir novos gêneros de graça
com o fim principal de mostrar as riquezas da Sua glória.
Com efeito, se bem que a Igreja de Jesus Cristo seja uma, nós a dividimos,
entretanto, em sete períodos em virtude dos grandes acontecimentos que se darão nEla,
com permissão divina, nos diferentes tempos, até a consumação dos séculos.

* PRIMEIRO PERÍODO DA IGREJA: ÉFESO OU IDADE APOSTÓLICA


“Escreve ao anjo da Igreja de Éfeso: isto diz Aquele que tem as sete estrelas na sua
mão direita, Aquele que anda no meio dos sete candelabros de ouro: conheço as tuas
obras... sofreste pelo Meu Nome e não desanimaste.
“Mas tenho contra ti que deixaste a tua primeira caridade...”
Comentário do Venerável Holzhauser:
“O primeiro período é aquele da semeadura: é aquele durante o qual a direita de
Deus planta sua vinha através do Filho do Homem, Jesus Cristo.
“Mon Père est Vigneron” (Meu Pai é vinhateiro Jo.15.1)
“Este período compreende os tempos que transcorrem desde Jesus Cristo e os
Apóstolos até Nero (54 a 68 d.C.), o primeiro perseguidor da Igreja, e São Lino, seu
Soberano Pontífice.
“É nesse primeiro período que o demônio foi vencido em seus ídolos e que os
homens passaram das trevas do paganismo à luz e à verdade da Fé. Pois a luz da
sabedoria eterna vinda ao mundo esclarece os espíritos dos homens por meio do seu Filho
Jesus Cristo e pelos Apóstolos que ele preparou para este fim.
“O primeiro dia da criação foi o símbolo deste primeiro período da Igreja, quando o
espírito do Senhor repousava sobre as águas, e que Deus cria a luz e a separa das trevas.
“Um outro símbolo deste primeiro período foi também a primeira época do mundo,
desde Adão até Noé. (2.256 anos). Pois é nesta época que Abel foi morto por Cain e que
Set substituiu a Abel; e desta forma a geração fratricida de Cain foi separada da geração
dos filhos de Deus.
“Esta primeira época do mundo foi, ademais, o tempo de geração e propagação da
raça humana, segundo a carne. Ora, nós temos neste primeiro período da Igreja a
realização destas figuras: pois Cristo foi morto pela Sinagoga, e a Sinagoga foi assim
separada dos filhos de Deus, e em seu lugar, substituiu a Santa Igreja, segundo a promessa
de Jesus Cristo.
“Por outro lado, este primeiro período foi também o tempo em que se fez a
regeneração e a propagação do gênero humano, segundo o Espírito, por Jesus Cristo, o pai
comum de todos e do qual Adão foi prefigura.
“Enfim o símbolo deste período foi a Igreja de Éfeso, pois a palavra Éfeso quer
dizer, por sua vez:”Conselho”,”minha vontade” e “grande queda”. Ora, estas três
interpretações diferentes convêm ao primeiro período da Igreja. Pois os Apóstolos e os
primeiros cristãos eram muito santos, não havia mais que um coração e uma alma,
cumprindo a vontade do Pai e de Cristo. Esses grandes santos se põem logo a observar os
conselhos evangélicos de pobreza, de humildade, de obediência, de continência e de
desprezo de todas as coisas mundanas. A disseminação do Evangelho foi assim a ocasião
de um grande pecado e da ruína desta Sinagoga, que foi rejeitada da face de Deus para as
trevas exteriores; e é assim que o nascimento da Igreja foi a morte da Sinagoga...

* SEGUNDO PERÍODO DA IGREJA: SMIRNA


“Escreve também ao anjo da Igreja de Smirna: eis que diz Aquele que é o primeiro
e o último, que foi morto e que está vivo: “Conheço a tua tribulação e a tua pobreza, mas
és rico e caluniado por aqueles que se dizem judeus e não o são; antes são a sinagoga de
Satanás. Não temas nada do que terás que sofrer. O demônio fará meter na prisão alguns
de vós, a fim de serdes provados e sofrereis tribulação durante dez dias. Sê fiel até à
morte, e eu te darei a coroa da vida.
“Aquele que tem ouvidos ouça o que o Espírito diz às Igrejas: O que sair vencedor,
ficará ileso da segunda morte.” (Apoc.2,811)
Comentário do venerável Holzhauser:
“O segundo período da Igreja é chamado período de irrigação. Pois a Igreja do
Senhor é uma vinha que se nutre dos ramos que ela produz, que são os santos.
“Esta vinha, plantada no primeiro período por Jesus Cristo e os Apóstolos, foi
irrigada, no segundo período, pela torrente de sangue dos mártires, que é como uma fonte
que sai da terra irrigando toda a superfície da Igreja.
“Esta efusão de sangue dos cristãos dura dez dias; quer dizer, durante os dez
reinados dos principais tiranos da terra, que o demônio suscita contra a cristandade (até
305 com Diocleciano), se esforçando por fazer desaparecer e apagar por esse meio, a fé de
Jesus Cristo, que ele não pôde impedir pela inveja dos judeus.
“É a este período da Igreja que se reporta a palavra de São João: “Se o grão de trigo
que cai na terra não morrer, fica infecundo; mas se morrer produzirá fruto. (Jo.12,24)
“É a este período que se aplica o segundo espírito ou dom do Senhor: o Espírito de
força e de paciência invencível nas dificuldades e adversidades.
“Este segundo período é também figurado pelo segundo dia da criação, quando
Deus estabeleceu o firmamento em meio às águas. O firmamento representa a firmeza e a
força dos mártires, que Deus coloca no meio das águas de todas as tribulações que não
podem atingir sua caridade.
“Em seguida, como no segundo dia da criação, o firmamento foi colocado no céu,
do mesmo modo, no segundo período, a Igreja, que é representada pelo céu, foi
solidamente estabelecida sobre o testemunho dos mártires, testemunho que é como o
fundamento.
“É ainda a este segundo período da Igreja que se reporta a segunda época do
mundo, de Noé até Abraão (292 anos), pois do mesmo modo que Noé e sua posteridade
começaram nesta segunda época a oferecer vítimas a Deus, assim o segundo período da
Igreja, os cristãos eram indistintamente imolados.
“Este período de tribulação e de martírios é descrito sobre o estado da Igreja de
Smirna. Pois a palavra Smirna significa cântico e mirra. Ora, esta palavra numa e noutra
de suas acepções convém a este período: como cântico, pois os cristãos de um e outro
sexo corriam, por assim dizer, ao martírio, saltando de alegria como se vê pela História da
Igreja e nos atos dos Apóstolos: “Eles caminhavam (para o martírio) cheios de alegria, por
terem sido julgados dignos de sofrer opróbrios pelo nomo de Jesus Cristo” (AA.5.14)
“A palavra mirra convém também a este período da Igreja, pois como a mirra é
amarga e preserva da putrefação, assim as tribulações e as perseguições são amargas, e
preservam a Igreja e seus membros da putrefação dos vícios, da volúpia e do pecado; e
eles tornam seus corpos robustos pela paciência, a pobreza, a humildade, o desprezo deste
mundo, a caridade para com Deus e o amor dos bens eternos. Ademais, a mirra esparge
um suave odor, que se insere nos sacrifícios que se oferece a Deus; e é assim que o sangue
dos mártires e sua morte têm um odor muito suave, e são um sacrifício do qual o bom
odor se eleva continuamente à presença de Deus...

* TERCEIRO PERÍODO DA IGREJA: PÉRGAMO (DOS PADRES DA IGREJA)


“E ao anjo da Igreja de Pérgamo escreve: isto diz Aquele que tem a espada afiada
de dois gumes: sei onde habitas, onde satanás tem o trono; sei que conservas o meu nome,
e não negaste a minha fé, mesmo naqueles dias em que Antipas, minha fiel testemunha,
foi martirizado entre vós, onde satanás habita. Mas tenho contra ti alguma coisa, porque
tens aí sequazes da doutrina de Balaão, o qual ensinava Balac a pôr tropeços diante dos
filhos de Israel, para que comessem e fornicassem; assim tens tu também sequazes da
doutrinas dos nicolaítas.
“Faze igualmente penitência; do contrário virei a ti brevemente, e pelejarei contra
eles com a espada da minha boca.
“Aquele que tem ouvidos, ouça o que o Espírito diz às Igrejas: eu darei ao vencedor
o maná escondido, darlheei uma pedrinha branca e um nome escrito no pedrinha, o qual
ninguém conhece, senão quem recebe. (Apoc.2.1217)”
Comentário do venerável Holzhauser:
“O terceiro período da Igreja foi aquele dos doutores. Começa com o Papa São
Silvestre e Constantino, e dura até Carlos Magno (742814) e São Leão III.
“Neste período as heresias foram extirpadas e a religião católica se estabeleceu
solidamente em quase todo o universo. Este período é chamado iluminativo por causa da
depuração que se fez dos principais mistérios da Fé católica, da Santíssima Trindade, da
Divindade de Jesus Cristo, de Sua humanidade, de Sua filiação, da processão do Espírito
Santo, etc. E como as coisa contrárias que se expõe em face uma da outra se esclarecem
mais, Deus, para esclarecer sua Igreja, lhe dá os doutores, os mais ilustres, tais como
Santo Ambrósio, Santo Agostinho, São Jerônimo, São João Crisóstomo, São Leão, São
Beda e muitos outros Padres da Igreja grega e latina.
“Em revanche, Deus permite que se levantem contra esses doutores os piores
hereges, tais como Ario, Donato, Macedônio, Pelágio, Eutiques, Nestório, etc.
“É a este terceiro período que se refere o terceiro espírito do Senhor: O Espírito de
Inteligência, que ilumina a Igreja e lhe permite depurar os mistérios, os mais elevados,
como o da Santíssima Trindade, o da Encarnação e outras numerosas verdades sobre as
quais a Igreja se pronuncia após ter condenado, expulsado e feito dispersar as trevas dos
hereges.
“O terceiro dia da criação do mundo é também considerado, com razão, neste
capítulo, como verdadeiro símbolo deste terceiro período. Pois do mesmo modo que no
terceiro dia da criação, as águas, pela vontade de Deus, foram separadas da terra e
reunidas em um mesmo lugar, assim as tribulações, das quais as águas são figura, e que a
Igreja teve que suportar da parte dos tiranos do paganismo, têm que ceder ante o poder de
Constantino, que relega seus autores ao fogo do inferno. E do mesmo modo ainda no
terceiro dia da criação a terra produziu as plantas verdejantes com suas sementes, e as
árvores com frutos, cada uma segundo sua espécie, assim no terceiro período a Igreja, a
água do batismo fez germinar as ervas verdejantes (as crianças e os adultos fizeramse
cristãos) e as árvores (os doutores).
“Encontramos mais um símbolo deste terceiro período da Igreja na terceira época
do mundo que vai de Abraão a Moisés e Aarão. Pois do mesmo modo que nesta época os
sodomitas foram submersos no mar morto e os egípcios no mar vermelho; do mesmo
modo que Coré, Dathan e Abiron, e outros cismáticos da casa de Israel foram aniquilados
e foi dada ao povo uma lei que declarava e explicava melhor a lei natural; assim, no
terceiro período da Igreja, o povo cristão passa do martírio para a terra da paz. A luxúria
do mundo e a idolatria das nações foram submersas no sangue de Jesus Cristo e de seus
mártires.
“Enfim, o último símbolo deste terceiro período foi a Igreja de Pérgamo, pois a
palavra Pérgamo se interpreta por “dividindo os chifres”: os chifres crescem na Igreja
neste período, sob Constantino, e estes chifres foram os poderes temporal e espiritual dos
quais Ela desfruta. Este duplo poder é metaforicamente significado pelos chifres, nos
quais repousa a força do carneiro e de outros animais. Pérgamo significa então “dividindo
os chifres”, porque pouco tempo após, esta força e este poder da Igreja foi dividido e
cindido por Ario e os outros hereges. Os chifres combateram entre si: à esquerda (o dos
hereges) contra a direita (dos católicos)...

* QUARTO PERÍODO DA IGREJA: TIATIRA (IDADE MÉDIA).


“Escreva ainda ao anjo da Igreja de Tiatira: Isto diz o Filho de Deus, aquele que
tem os olhos como uma chama de fogo, e cujos pés são semelhantes ao bronze fino.
“Conheço as tuas obras e a tua fé e a tua caridade, e serviços, e a tua paciência, e as
tuas últimas obras mais numerosas que as primeiras.
“Porém, tenho alguma coisa contra ti, permites a a JESABEL, que se diz
profetisa, ensinar e seduzir os meus servos, para fornicarem e comerem das coisa
sacrificadas aos ídolos; deilhe tempo para fazer penitência, e ela não quer arrependerse da
sua prostituição. Eis que a reduzirei a um leito (de dor), numa grandíssima tribulação, se
não fizer penitência das suas obras. E ferirei de morte os seus filhos, e todas as Igrejas
conhecerão que eu sou Aquele que sonda os rins e os corações; e darei a cada um de vós
segundo as suas obras.
“A vós porém, digo, e aos outros fiéis de Tiatira, que não seguem esta doutrina, e
que conheceram as profundidades, como eles lhes chamam, de Satanás: Eu não porei
sobre vós outro peso; todavia guardai bem aquilo que tendes, até que eu venha.
“E aquele que vencer e praticar as minhas obras até o fim, eu lhe darei poder sobre
as nações, e as regerá com vara de ferro, e serão quebradas como vaso de oleiro, como
também eu recebi de meu Pai; e darlheei a estrela da manhã. Aquele que tem ouvidos
ouça o que o Espírito diz às Igrejas.”
Comentário do venerável Holzhauser:
“O quarto período da Igreja começa com o Papa São Leão e Carlos Magno e vai até
Carlos V e Leão X (por volta do ano 1520). Neste período floresceram muitos grandes
santos entre os reis e imperadores, e também eclesiásticos sábios e piedosos, e a Igreja
não foi manchada por nenhuma heresia durante mais de duzentos anos. É pois, a justo
titulo, que este é chamado período pacífico e iluminativo.
“O símbolo deste período nós encontramos na descrição da Igreja de Tiatira: pois a
palavra Tiatira se interpreta no sentido de iluminada e de Hóstia viva, como foi
perfeitamente o quarto período da Igreja.
“É a este quarto período que se reporta o quarto dia da criação, quando Deus fez os
corpos luminosos e as estrelas que Ele colocou no céu.
“É também a este período que convém o quarto Espírito do Senhor: O Espírito de
Piedade que Deus difundiu abundantemente sobre sua Igreja.
“Do mesmo modo, podese ainda aplicar a este período da Igreja, a quarta época do
mundo, que vai de Moisés até o acabamento do Templo de Salomão. Pois, como David
compôs os Salmos e aumentou o culto divino; e Salomão construiu um templo muito
vasto e ordenou vasos, os mais preciosos, para o serviço dos altares e do templo,
estabelecendo uma ordem admirável nas coisas sagradas e elevando a majestade dos
sacrifícios pela boa disciplina dos ministros; enfim, reina pacificamente sem qualquer
inimigo, do mesmo modo neste quarto período, foram celebrados os Concílios, os mais
úteis para reedificar a Igreja decaída.
“A religião católica floriu por toda parte e a Igreja viveu em paz, livre de todos os
inimigos e de todas heresias. O canto, os salmos, o breviário, os rituais, as cerimônias e o
ministério do altar foi estabelecido numa ordem melhor e mesmo numa certa perfeição.
Pela expressão: “Os olhos como uma chama de fogo”, se entende o conhecimento perfeito
da verdade. E “os pés semelhantes ao bronze”, designa a estabilidade e a firmeza do
Corpo de Cristo, que é a Igreja. Pois os tiranos do paganismo haviam sido vencidos, e as
trevas das heresias estavam dispersadas, a Igreja gozava do repouso, no conhecimento
perfeito da verdade da fé católica, muito solidamente estabelecida e protegida pelo poder
dos príncipes e dos reis...”
(Tempo houve em que... Leão XIII).

* QUINTO PEÍODO DA IGREJA: SARDES (ATUAL)


“E ao anjo da Igreja de Sardes escreve: Isto diz Aquele que tem os sete Espíritos de
Deus e as sete estrelas: Conheço as tuas obras, e que tens a reputação de que vives e estás
morto. Sê vigilante e confirma os restos que estão para morrer. Porque não acho as tuas
obras perfeitas diante do meu Deus. Lembrate, pois, do que recebeste e ouviste, e
observao e faz penitência. Porque, se não vigiares, virei a ti como um ladrão, e não
saberás a que hora virei a ti. Tens, porém algumas pessoas em Sardes, que não
contaminaram os seus vestidos, e irão comigo vestidas de branco, porque são dignas
disso.
“Aquele que vencer será assim revestido de vestiduras brancas, e eu não apagarei o
seu nome do livro da vida, e confessarei o seu nome diante de meu Pai e diante dos seus
anjos. Aquele que tem ouvidos ouça o que o Espírito diz às Igrejas.” (Apoc.3.16)
Comentário do venerável Holzhauser:
O quinto período da Igreja começa sob o Papa Leão X e Carlos V, por volta do ano
1520. E vai até o Pontífice Santo e o Poderoso Monarca que virá neste período e será
chamado SOCORRO DE DEUS, quer dizer, restabelecerseão todas coisas.
“Este é o período de aflição, de desolação, de humilhação e de pobreza para a
Igreja e pode ser chamado com razão um período purgativo. Pois é neste período que
Jesus Cristo terá depurado e depurará seu trigo por meio de guerras cruéis, por rendições,
pela fome e pela peste, e por outras calamidades horríveis, afligindo e empobrecendo a
Igreja latina por meio de muitas heresias e também pelos maus cristãos, que lhe
arrancarão um grande número, quase inumerável, de bispos e mosteiros. A Igreja se verá
oprimida e empobrecida pelas imposições e exações dos príncipes católicos, de tal sorte
que é com razão que podemos gemer então e dizer com o profeta Jeremias em suas
lamentações: “A Rainha das cidades é tributária”. (Lam.1.1).
“Enfim, este quinto período da igreja é um período de aflição e de exterminação,
um período de defecção repleto de calamidades. Pois restarão poucos cristãos sobre a
Terra que terão sido poupados pelo ferro, a fome ou a peste. Reinos combaterão contra
reinos e todos os Estados serão desolados por dissenções intestinas. Os principados e as
monarquias serão agitados violentamente, e haverá um empobrecimento quase geral e
uma grande desolação no mundo. Estes males já se cumprem, em grande parte, e se
cumprirão ainda.
“Deus lhes permitirá por um muito justo julgamento por causa da imensidade e
auge dos nossos pecados, que nós e nossos pais cometeram nos tempos de Sua
liberalidade.
“A Igreja de Sardes é o símbolo deste quinto período. Pois a palavra Sarde significa
“principe de beauté” (começo de beleza), quer dizer, princípio da perfeição que virá no
sexto período.
“Com efeito, as tribulações, a pobreza e as outras adversidades são o começo e a
causa da conversão dos homens, como o temor do Senhor é o começo da Sabedoria.
Então, nós temeremos a Deus e abriremos os olhos, enquanto as águas e as ondas de
tribulações nos assaltam. Ao contrário, durante o tempo em que estamos na felicidade,
cada um sob sua figueira, em sua vinha, à sombra das honras, na riqueza e no repouso,
nós nos esquecemos de Deus Nosso Criador, e pecamos com toda segurança!
“Eis porque a divina Providência ordenou com sabedoria que sua Igreja, que Ela
vai conservar até a consumação dos séculos, fosse sempre irrigada pelas águas das
tribulações, à maneira do jardineiro que irriga suas plantas no tempo da seca.
“A este período se reporta também o quinto espírito do Senhor, que é o Espírito do
Conselho. Pois ele se serve deste espírito para debelar as calamidades ou para impedir
enormes males. Ele se serve também do Espírito de Conselho para conservar o bem e para
procurar um bem ainda maior.
“Ora, a divina sabedoria comunica o espírito de conselho à sua Igreja
principalmente neste quinto período.
1. AfligindoA para que ela não se corrompa inteiramente pelas riquezas.
2. Interpondo o Concílio de Trento como uma luz em meio às trevas, a fim de que
os católicos que vejam sustentem o que devem crer em meio à confusão de tantas seitas
que o heresiarca Lutero espalhou pelo mundo.
3. Opondose diametralmente a este heresiarca e à massa dos ímpios deste período,
Santo Inácio e sua companhia que, por seu zelo, sua santidade e sua doutrina, impedem
que a fé católica se apague inteiramente na Europa.
4. Por seu sábio conselho, Deus fez então com que a fé católica e a Igreja, que
tinham sido banidas da maior parte da Europa, fosse transportada para as Índias, China,
Japão e outros países longínquos.
“Este quinto período é ainda simbolizado pela quinta época do mundo, que vai da
morte de Salomão até o cativeiro de Babilônia, inclusive. Com efeito, do mesmo modo
que nesta quinta época do mundo, Israel cai na idolatria pelo conselho de Jeroboão, e que
não resta mais que Judá e Benjamim fiéis ao culto do verdadeiro Deus, assim também no
quinto período, uma grande parte da Igreja latina abandona a verdadeira fé e cai nas
heresias, não deixando, na Europa, mais que um pequeno número de bons católicos.
“Como por causa de sua conduta, a sinagoga e toda a nação judaica foi atormentada
pelos gentios e frequentemente entregue à rapina, também agora de qual calamidade não
são atormentados os cristãos, o SacroImpério e os outros reinos?
“Do mesmo modo que Assuero, vindo de Babilônia com os caldeus para se
apoderar de Jerusalém, destruir seu templo, incendiar a cidade, despojar o santuário e
conduzir cativo o povo de Deus; assim, neste quinto período, não temos nós que temer
que os turcos façam em pouco irrupção, e que eles urdiram planos contra a Igreja latina, e
isto por causa de estar completa a medida dos nossos crimes e das nossas maiores
abominações!
“Enfim, a este quinto período se reporta também o quinto dia da criação, quando
Deus disse que as águas produzissem toda sorte de peixes e répteis, e que ele cria os
pássaros do céu.
“Ora, estas duas espécies de animais simboliza a maior liberdade; pois o que há de
mais livre que o peixe na água e o pássaro no ar? Assim temos metaforicamente, neste
quinto período, a terra e a água plenos de répteis e de pássaros. Pois são abundantes os
homens carnais que vão abusar da liberdade de consciência e não se contentarão com as
concessões que lhes forem feitas recentemente no tratado de paz, “rampent a
volent”(arrastamse e roubam) depois os objetos de suas volúpias e de suas
concupicências. É a eles que se referem as palavras do Apóstolo São Judas em sua
epístola quando diz:
“Estes blasfemam de todas as coisas que ignoram e pervertemse como animais sem
razão em todas aquelas coisas que conhecem naturalmente. A desordem reina nos seus
festins, banqueteiamse sem respeito, apascentandose a si mesmos; verdadeiras nuvens
sem água que o vento transporta de cá para lá, árvores do outono, sem fruto, duas vezes
mortas, desarraigadas, ondas furiosas do mar que arrojam as espumas das suas torpezas;
estrelas errantes para os quais está reservada uma tempestade de trevas por toda
eternidade ... Murmuradores inquietos que andam segundo as suas paixões, e a sua boca
profere o orgulho, os quais mostram admiração pelas pessoas segundo convém ao seu
próprio interesse...Impostores cheios de impiedade, que provocam divisões; homens
sensuais que não têm o espírito de Deus”(J.110)
“Ora, é assim que neste miserável período da Igreja, se relaxa sobre os preceitos
divinos e humanos, e que a disciplina é enervada, os santos cânones são tidos por nada e
as leis da Igreja não são melhor observadas pelo clero do que as leis civis permitem ao
povo. Daí sermos como os répteis sobre a terra e no mar, e como pássaros no ar: cada um
é arrastado a crer e a fazer o que lhe apraz, segundo o instinto da carne.
“Eu conheço tuas obras: tens a reputação de estar viva mas tu és morta!...” A
humildade é quase desconhecida neste século, e ela há de dar lugar ao fausto e a
vanglória, sob pretexto de conveniência e de posição social. Tornase ridícula a
simplicidade cristã, que se trata de loucura e asneira, enquanto se vê como sabedoria o
saber elevado, e o talento de obscurecer por questões insensatas e pelos argumentos
complicados, todos os axiomas do direito, os preceitos de moral, os santos cânones e os
dogmas da religião; de tal sorte que não há mais nenhum princípio por mais santo, por
mais autêntico, por mais antigo e por mais certo que possa ser, que seja isento de
censuras, de críticas, de interpretações, de modificações, de delimitações e de
questionamentos da parte dos homens.
“Frequentase, na verdade, as Igrejas, mas não se mostra respeito à presença do
Deus Todo Poderoso, rise, falase, olhase de cá pára lá, brincase, provocase pelos olhares,
etc.
“A palavra de Deus é negligenciada, menosprezada, posta em ridículo. Não há mais
amor pela Sagrada Escritura; é Maquiavel, Dodin e todos os seus semelhantes, somente,
que se estima e se aprecia.
“Se vigilante e confirma os restos que estão prestes a morrer, porque não acho as
tuas obras perfeitas diante do meu Deus. Lembrate, pois, do ensinamento que recebeste e
ouviste, guardao e faz penitência. Porque se não vigiares, virei a ti como um ladrão, e não
saberás que hora virei a ti.”(Apoc.323).
“Aqui, novamente, Jesus Cristo nos intima e faz ressoar a nossos ouvidos, pela voz
do profeta, a necessidade de vigiar, porque nós nos encontramos em tempos maus, e num
século pleno de perigos e calamidades.
“A heresia se espalha por toda parte, por cima de tudo, e levanta a cabeça; suas
hostes se fortificam mais do que nunca, e seus adeptos detêm o poder quase por toda
parte. Eis o que faz com que muitos católicos tornamse tíbios; que os tíbios se
deflexionem e que um grande número conceba o escândalo em seus corações.
“A guerra é também uma das causa da ignorância, mesmo das coisa essenciais da
Fé. A corrupção dos costumes vai crescendo nos campos (de batalha) e entre os soldados
que são raramente concedidos bons pastores, bons pregadores e bons catequistas. Daí, a
geração se tornar rude, grosseira e inflexível; ignorando tudo ou quase tudo, não se
preocupando nem de Deus, nem do céu, nem daquilo que é honesto. Não conhecem senão
a rapina, o roubo, a blasfêmia e a mentira; não se estuda senão como enganar o próximo.
“Dentro da fé católica, a maior parte são tíbios, ignorantes, enganados pelos
hereges, que se gabam de sua felicidade, se rejubilam, e ridicularizam os verdadeiros fiéis,
que se verão atormentados, empobrecidos e desolados.
“Pois eu não acho perfeitas as tuas obras diante de meu Deus”. Aqui Nosso Senhor
Jesus Cristo fala como homem e como chefe invisível da Igreja. A divindade, no abismo
infinito de sua préeciência eterna, LHE revela os defeitos e os pecados dos pastores e dos
outros membros futuros da Igreja, e lhes confere, ao mesmo tempo, a missão de os
corrigir. Jesus Cristo fundamenta então sua censura sobre a ausência de solicitude pastoral
que Deus exige, entretanto, dos bispos e dos prelados da Igreja.
“Lembrate pois do que recebeste e ouviste; observao e faz penitência”... Entre os
católicos encontramse poucos que reconhecem seus defeitos e sus pecados. Todos os
bispos, os prelados e os pastores de almas dizem que cumprem sempre seus deveres, que
velam e vivem como convém a seu estado.
“O mesmo acontece com os imperadores, os reis, os príncipes, os conselheiros e os
juízes, se gloriam de terem agido bem e de continuarem a bem agir. Todas as ordens
sagradas pretendem se inocentes. Enfim, o povo mesmo, do primeiro ao último tem o
costume de dizer: “Que tenho eu feito de mal e que mal tenho feito?”. É desta maneira
que todos se escusam.
“Assim pois, para que a Divina Sabedoria e Bondade pudesse reconduzir à
penitência esta geração perversa e corrompida no mais alto grau, ela lhe envia quase
continuamente a guerra, a peste, a fome e outras calamidades. Mas tornamonos ainda
piores e não quisemos crer que fomos lançados nestes males por causa dos nossos
pecados, enquanto a Sagrada Escritura diz, entretanto: “Não há mal em Israel que o
Senhor não tenha enviado”. De onde é de temer que o Senhor se exaspere ainda mais em
sua cólera, e nos ameace por essas palavras que seguem: “Por que se tu não vigias eu virei
a ti como um ladrão e tu não saberás a que horas virei”.
“Depois desta prescrição do remédio segue uma ameaça terrível contra a Igreja de
Deus: “Eu virei a ti suscitando males.”
“Ele se exprimiu no futuro porque, como se disse frequentemente, a cólera de Deus
na longanimidade de sua #bindade, nos ameaça muitas vezes de longe e longamente. Mas
pelo receio de que por causa de sua lentidão nós pensemos em estar ao abrigo de seus
golpes, ela diz: “Eu virei a ti, de uma maneira certa e infalível.
“A Escritura nos adverte da mesma maneira no livro de Habacuc: “EsperaiO, Ele
virá e Ele não tardará”. Ele compara aqui sua visita e o envio de seus males à chegada de
um ladrão. Pois o ladrão tem o costume de chegar de repente, de improviso. Ele vem
durante o sono. Ele faz a devastação em sua casa, enfim ele pilha e rouba tudo. Ora, será o
caráter do mal que Deus suscitará contra sua Igreja. Este mal são os hereges e os tiranos
que virão de repente, de improviso, durante o sono dos bispos, dos prelados, dos pastores,
que tomarão de cima e revirarão os bispos e pilharão as prelaturas e os bens eclesiásticos,
como nós vemos com nossos próprios olhos o que eles fizeram na Alemanha e no resto da
Europa.
“Eu virei a ti como um ladrão, suscitando contra ti as nações bárbaras e os tiranos
que virão repentinamente, enquanto vós dormireis acostumados a vossas volúpias,
impurezas e abominações. Eles o atacarão, penetrarão até em suas fortalezas, em sua
guarnições. Eles entrarão na Itália, devastarão Roma, queimarão os templos e minarão
tudo, se vós não fizerdes penitência e não vos despertardes, enfim, do sono e do torpor de
vossos pecados. “E tu não saberás a que horas virei.”
“Jesus Cristo faz aqui assinalar, como de passagem, a cegueira da qual Deus
costuma fulminar os príncipes do povo, a fim de que não possam nem prever nem
prevenir os males que os ameaça. Porque Ele esconde a seus olhos entorpecidos pelo sono
das volúpias os males que devem assaltálos. É por isso que Ele diz “E tu não saberás a
que horas eu virei”. Quer dizer que o tempo de sua visita será escondido a seus olhos e tu
não poderás mais prevenir o mal, nem ti prepararás mais para o combate, porque o
inimigo virá rapidamente e inundará tudo como águas de uma torrente impetuosa, como
uma flecha lançada no ar, como a funda, como um cão rápido.
“Tu tens um pequeno número de homens em SARDES que de nenhum modo
sujaram suas vestimentas”.
“Segue agora o elogio de um pequeno número de homens, relativamente pequeno,
sobre uma tão grande quantidade de estados diversos. Não há senão um pequeno número
que faz exceção e que crêem ainda de todo o seu coração no Senhor Deus que está nos
céus. E são poucos que esperam na Providência, que servem a Jesus Cristo segundo seu
estado e vocação e que amam a Deus e ao próximo...

* Sexto período da Igreja: FILADÉLFIA


Período do Grande Monarca e do Grande Pontífice
“E ao anjo da Igreja de Filadélfia escreve: “Isto diz o Santo e o Verdadeiro, que
tem a chave de David, que abre e ninguém fecha, que fecha e ninguém abre: Conheço as
tuas obras. Eis que eu pus diante de ti uma porta aberta que ninguém pode fechar; porque
tens pouca força e guardaste a minha palavra, e não negaste o meu nome. Eis que Eu te
darei da sinagoga de Satanás os que dizem que são judeus e não o são, mas mentem; eis
que farei com que eles venham e se prostrem a teus pés; e conhecerão que eu te amei.
Porque guardaste a palavra da minha paciência, também eu te guardarei da hora da
tentação que virá a todo mundo para provar os habitantes da terra. Eis que venho
brevemente; guarda (o tesouro da fé) que tens para que ninguém tome a tua coroa.
“Ao que vencer, faloei uma coluna no templo de meu Deus, e não sairá jamais
fora; e escreverei sobre ele o nome de meu Deus, e o nome da cidade de meu Deus, a
nova Jerusalém que desce do céu, vinda do meu Deus, e o meu novo nome. Aquele
que tem ouvidos, ouça o que o Espírito diz às Igrejas. (Apoc. 37).
“O sexto período da Igreja começará com um Monarca Poderoso e um Pontífice
Santo do qual já falei. E durará até a aparição do Anticristo. Este período será o da grande
consolação no qual Deus consolará sua Igreja santa da aflição e das grandes tribulações
que Ela terá suportado no quinto período. Todas as nações serão conduzidas à unidade da
fé católica. O sacerdócio florescerá mais do que nunca e os homens procurarão o reino de
Deus e sua justiça com toda solicitude. O Senhor dará à sua Igreja bons pastores. Os
homens viverão em paz, cada um em sua via e em seu campo. Esta paz lhe será concedida
porque eles terão se reconciliado com o próprio Deus. Eles viverão à sombra do Monarca
poderoso e de seus sucessores.
“Nós encontramos o símbolo deste período na sexta época do mundo que começa
com a emancipação do povo de Israel até a vinda de Jesus Cristo. Porque da mesma forma
como nesta época o povo de Israel foi consolado no mais alto grau pelo Senhor seu Deus
e pela libertação de seu cativeiro, que Jerusalém e seu templo foram restaurados, que os
reinos, as nações e os povos submetidos ao Império romano foram vencidos e subjugados
por César Augusto, monarca poderosíssimo e distinguido que os governou durante
cinquenta e seis anos, concedeu a paz ao universo e reina unicamente até a vinda de
Nosso Senhor Jesus Cristo, e mesmo depois. Assim, neste sexto período Deus alegrará
sua Igreja pela maior prosperidade.
“Se bem que no quinto período não vimos em todos os lugares senão calamidades,
as mais deploráveis, enquanto que tudo estava devastado pela guerra, que os católicos são
oprimidos pelos hereges e os maus cristãos, que a Igreja e seus ministros, e os principados
foram subvertidos, que os monarcas foram mortos, que todos os homens conspiraram em
erigir repúblicas, e isto se fez uma transformação espantosa pela mão de Deus todo
poderoso, tal que nenhuma pessoa pode humanamente imaginar. Porque este Monarca
poderoso que virá como enviado de Deus, destruirá as repúblicas por completo. Ele
submeterá tudo a seu poder (sibi subjugabit omnia) e empregará seu zelo para a
verdadeira Igreja de Jesus Cristo. Todas as heresias serão relegadas ao inferno. O
Império do Turcos será destruído e este Monarca reinará no Oriente e no Ocidente.
Todas as nações virão e adorarão o Senhor seu Deus na verdadeira fé católica
romana. Muitos santos doutores florescerão sobre a terra toda. Os homens amarão o
julgamento e a justiça. A paz reinará em todo o universo porque a potência Divina
prenderá Satã por muitos anos até que venha o filho da perdição que o libertará de
novo.
“É também neste sexto período que em virtude da similitude da sua perfeição, se
relaciona ao sexto dia da criação, quando Deus fez o homem à sua semelhança e a ele
submeteu todas as criaturas, para ser o homem o senhor e o mestre. Ora, é assim que
dominará este Monarca sobre todos os animais da terra, quer dizer, sobre as nações
bárbaras, sobre os povos rebeldes, sobre as repúblicas heréticas e sobre todos os homens
que serão dominados por suas más paixões.
“É ainda a este sexto período que se relaciona o sexto espírito do Senhor, a saber:
O Espírito de Sabedoria, que Deus espalhará abundantemente sobre toda a superfície da
terra neste tempo. Porque os homens temerão o Senhor seu Deus, observarão sua lei e o
servirão de todo seu coração. As ciências serão multiplicadas e perfeitas sobre a terra. A
Sagrada Escritura será compreendida unanimemente, sem controvérsias e sem o erro das
heresias. Os homens serão esclarecidos tanto nas ciências naturais quanto nas ciências
celestes.
“Enfim, a Igreja de Filadélfia é o símbolo deste sexto período, porque Filadélfia
significa “amour du frère” (amor do irmão); e ainda: “guardai a herança na união com o
Senhor”. Ora, todas estas características convém perfeitamente a este sexto período, no
qual haverá amor, concórdia e paz perfeita e o qual o Monarca poderoso poderá
considerar quase o mundo inteiro como sua herança. Ele libertará a terra com a ajuda do
Senhor seu Deus de todos seus inimigos e todos os seus males.
“Eis aqui o que diz o Santo e o Verdadeiro, que tem a chave de David que abre e
ninguém fecha, que fecha e ninguém abre”. Como é de costume fazer na descrição de
cada período, São João designa então aqui, por estas primeiras palavras algumas insígnias
de Nosso Senhor Jesus Cristo; insígnias que ele leva não só em si mesmo, mas que ele faz
também brilhar exteriormente em seus membros, em seu corpo, que é a Igreja, de uma
maneira toda particular, neste sexto período.
“Eis aqui o que diz o Santo dos Santos e o verdadeiro HomemDeus. É por causa
destas insígnias infinitas que são a santidade e a verdade e que pertencem a Nosso Senhor
Jesus Cristo pela união hipostática divina, que todo joelho deve curvarse diante dele no
céu, sobre a terra e nos infernos.
“Ele é chamado assim Santo e Verdadeiro, na qualidade de chefe de seus membros
e de seu corpo, que é a Igreja, e também porque sua Igreja será particularmente Santa e
verdadeira neste sexto período.
“Ela será santa porque os homens caminharão então de todo o seu coração nas vias
do Senhor e procurarão o reino de Deus com toda solicitude. A Igreja será verdadeira,
porque depois que todas as seitas forem relegadas ao inferno, Ela será reconhecida por
verdadeira sobre toda a superfície da terra.
“Que tem a chave de David”. Entendese por isto o poder real e universal que
possuíra Cristo sobre sua Igreja, poder que Ele conservará até a consumação dos séculos,
em execução da vontade e conselhos da Deus Pai: “Todo poder me foi dado no céu e na
terra”. Mais ainda está dito aqui que Cristo tem a chave de David, porque David e seu
reino foram a figura de Cristo e de seu reino, como se lê nos livros dos profetas.
“Que abre e ninguém fecha, que fecha e ninguém abre”. Estas palavras exprimem
qual é o poder desta chave de Cristo. É um poder ilimitado e constituído sobre uma única
potência, podendo distribuir os bens e os males segundo sua vontade. Os maus não podem
impedir o bem e os bons não saberão impedir os males. Porque está dito dos maus em São
Mateus: “As portas do inferno não prevalecerão contra Ela”. Esta dito dos justos em
Ezequiel: “Que se estes três homens, Noé, Daniel e Jó, se encontrassem no meio de uma
nação que houvesse pecado contra o Senhor, eles libertarão suas almas por sua própria
justiça”.
“Que fecha e ninguém abre”, quer dizer que, por outro lado, faz desaparecer em seu
tempo os males de sua Igreja e os transforma em bens. E em seguida permite novamente
os castigos, e ninguém pode escapar de sua mão ou impedilos, segundo está escrito:
“Quando vós abrireis as mãos e eles serão cheios de vossos bens. Mas se vós afastardes
deles vossa face, eles serão perturbados. Vós lhes obliterareis o espírito e eles cairão em
fraqueza e retornarão para o pó. Vós enviareis o vosso espírito e eles serão criados e vós
renovareis a face da terra” (Ps.10328 sq)
“Eu abri uma porta diante de ti que ninguém pode fechar, porque tendes pouca
força, e entretanto guardaste minhas palavras e em nada renunciaste a meu nome”. Estas
palavras são cheias de consolação; elas descrevem a felicidade futura deste sexto período
da Igreja, felicidade que consistirá em várias particularidades.
“1. A interpretação clara e unânime da Sagrada Escritura. Porque, então, as trevas
dos erros e as falsas doutrinas dos hereges, que não são outra coisa senão doutrinas de
demônios, serão dissipadas e desaparecerão. Os fiéis de Cristo, espalhados sobre a toda a
superfície do globo, estarão aderidos à Igreja de coração e de espírito, na unidade da fé e
na observância dos bons costumes. Eis porque está dito: “Eu abri uma porta diante de ti”,
quer dizer a inteligência clara e profunda da Sagrada Escritura. “Que nenhuma pessoa
pode fechar”, querendo dizer que nenhum herege poderá mais perverter o sentido da
palavra de Deus, porque neste sexto período haverá um concílio ecumênico, o maior que
jamais teve lugar, no qual, por favor particular de Deus, pelo poder do Monarca
anunciado, pela autoridade do Santo Pontífice e pela unidade dos príncipes os mais
piedosos, todas as heresias e o ateísmo serão proscritos e banidos da terra. Declararseá aí
o sentido legítimo da Sagrada Escritura, que será acreditada e admitida por todo o mundo,
porque Deus terá aberto a porta de sua graça.
“2. Esta facilidade consistirá em um número imenso de fiéis, porque nesses tempos
todos os povos e nações afluirão para um único pastoreio, e aí entrarão pela única porta da
verdadeira fé. É aí que se cumprirá a profecia de São João: “Haverá um só rebanho e um
só pastor”. E também esta outra de São Mateus: “Este Evangelho do reino será pregado
em todo o universo, como testemunho para todas as nações, e então o fim chegará”
(Mt.3414). Ora, é também nesse sentido que está dito: “Eu abrirei uma porta diante de ti”,
a porta da fé e da salvação das almas, porta que estava fechada a uma quantidade
inumerável de homens durante o quinto período, por causa das heresias e das
abominações dos pecadores. É por isto que então, naquela época o rebanho estava restrito,
aviltado, humilhado e desprezado no mais alto grau. Mas agora: “A porta está aberta
diante de ti”, ela está aberta a todos como o grande portal de um palácio real, quando não
há nenhum inimigo nem sedição a ameaçálo.
“ 3. Esta felicidade consistirá na multidão dos predestinados. Com efeito um grande
número de fiéis serão salvos naquele tempo, porque a verdadeira fé iluminará de
esplendor e a justiça será mais abundante. “Eu porei uma porta aberta diante de ti”, a
porta do céu, que pessoa alguma poderá fechar até o tempo fixado. O texto latino começa
pela partícula “ecce” (eis), porque a palavra excita nosso espírito a conceber algo de
grande e de admirável nesta obra que Deus operará para nossa consolação, nossa
felicidade e nossa alegria espiritual...

* SOBRE O GRANDE MONARCA


Aqui Holzhauser abandona o comentário sobre a sexta Igreja da Dedicação e se
reporta, sempre no Apocalipse, mais algumas páginas adiante ao texto consagrado por
São João à sexta trombeta. Ele prova assim que no seu espírito a sexta Igreja e a sexta
Trombeta se correspondem e descrevem sob aspectos, sem dúvidas diversos, o mesmo
período da vida da Igreja.
“Queira Deus que venha o mais cedo possível este poderoso Monarca que deve
eliminar as repúblicas, abater as brechas das cidades imperiais e marítimas que não são
outra coisa senão ninhos de víboras, sufocar os gritos e os sopros desses pregadores e
dessas serpentes, e que depois de serem humilhados os hereges e os cismáticos, fará
cessar todo erro.
“Depois vi outro anjo forte, que descia do céu, vestido de uma nuvem, e com o
arcoíris sobre a cabeça, e o seu rosto era como um sol, e os seus pés eram como
colunas de fogo; e tinha na sua mão um livrinho aberto; e pôs o pé direito sobre o
mar, e o esquerdo sobre a terra, e gritou em alta voz, como um leão que ruge: e
depois que gritou, sete trovões fizeram ouvir as vozes. (Apoc.1013).
Este anjo representa o Grande Monarca que está por vir.
Ele não admite senão uma única e pura doutrina, e será zelosíssimo pela fé católica,
única e ortodoxa, sobretudo após haver rebaixado e dispersado os hereges sobre a terra e
sobre o mar. Seus costumes serão santos e bem regrados. Ele contribuirá poderosamente
para a propagação da fé e a restauração da disciplina eclesiástica que o anjo, seu
predecessor, quer dizer, o heresiarca Lutero, com seus ímpios adeptos, haviam tão
consideravelmente arruinado e enfraquecido.
“São João atribui a este anjo a qualidade especial de ser forte e poderoso: “Eu vi
um outro anjo pleno de força”. Ele será poderoso na guerra e quebrará tudo como um
leão. Ele se tornará grandíssimo por suas vitórias e não haverá nada que esteja mais
solidamente estabelecido do que o que está baseado sob o trono do seu império. Ele
reinará muitos anos, e durante o curso do seu reinado, ele humilhará os hereges e as
repúblicas e submeterá todas as nações a seu império e o da Igreja latina. Mais ainda, após
ter relegado ao inferno a seita de Maomé, ele destruirá o império Turco, e não deixará
subsistir senão um pequeno estado sem poder e sem força o qual se manterá, entretanto,
até a vinda do filho da perdição, que não temerá o Deus de seus pais, e não dará satisfação
a nenhum deus. (Dan. 1137)
“E eu vi um outro anjo cheio de força e descendo do céu”. O profeta diz que
esse anjo descerá do céu porque ele nascerá no seio da Igreja católica, tomada aqui
no sentido do céu, e ele será especialmente enviado de Deus, segundo os decretos da
Divina Providência que terá escolhido para consolação e exaltação da Igreja latina,
no meio mesmo de sua grande aflição e sua humilhação profunda.
“Eu vi um outro anjo... vestido de uma nuvem”. O profeta designa este Monarca
como revestido de uma nuvem para nos ensinar que ele será humilíssimo, e que ele
caminhará desde sua infância na simplicidade do seu coração. Porque a nuvem que o
cobre o brilho do esplendor significa a humildade. E a humildade atrai a proteção de
Deus, que é também significada pela nuvem que cobrirá este Monarca.
“Com efeito, é tão protegido de Deus como o que anda pelas vias da humildade,
segundo diz São Lucas: “Ele derrubará os poderosos e elevará os humildes” (Luc.1.32).
Eis porque ninguém poderá arruinálo nem resistirlhe; porque ele será revestido da
proteção do Deus do céu.
“Eu vi um outro anjo... revestido de uma nuvem e com um arcoiris sobre a cabeça”.
Por arcoíris se compreende a paz que Deus fará com a terra, segundo o Gêneses: “Eu
colocarei meu arco na nuvem como sinal de aliança entre Mim e a terra”. Ora uma aliança
supõe a paz e é esta paz que este Monarca concederá ao Universo. Porque após ter
extirpado as heresias e as superstições dos gentios e dos Turcos, não haverá senão um só
rebanho e um só pastor.
Todos os príncipes se unirão a ele pelos liames mais fortes, pelos liames da fé
católica e da amizade, porque aquele que sem abusar do seu poder e sem ofender a
ninguém por injustiças, dará a cada um aquilo que lhe é devido. Eis porque o
profeta diz que terá sobre a cabeça, por ornamento um arcoíris.
“E seu rosto é como um sol”, por causa do esplendor de sua justiça e de sua glória
imperial, e também por causa de sua alta inteligência e profunda sabedoria que o
distinguirão; da mesma forma ainda, por causa do ardor de sua caridade e seu zelo pela
religião; enfim porque ele será como o sol no meio dos astros, quer dizer que ele andará
em seu império no meio dos príncipes seus aliados, que executarão suas vontades e
andarão sobre seus passos.
“E seus pés eram como colunas de fogo”. Os pés significam a extensão do poder de
um império, segundo o salmista: “Moad é como um vaso que alimenta minhas esperanças.
Eu avançarei na Induméia e a pisarei sob meus pés”. (Ps. 598). Os estrangeiros estarão
submetidos. Entretanto, como muitos tiranos tiveram impérios vastíssimos e poderosos, o
profeta atribui a este Monarca propriedades particulares para o distinguir: “E seus pés
eram como colunas de fogo”. As colunas são o sustentáculo e o apoio de um edifício e o
fogo indica o zelo da religião e o ardor da caridade em relação a Deus e ao próximo. Da
mesma forma como o fogo é um elemento que consome tudo. Ora, tal é precisamente o
poder deste Monarca; seu reino será assegurado para a posteridade, até que a apostasia
tenha chegado, e que se veja aparecer o filho da perdição. O poder do Monarca brilhará
sobretudo por seu zelo pela religião, e pelo fogo de sua caridade para com Deus e o
próximo; e da mesma forma que o fogo domina tudo, assim também este soberano
dominará tudo e domesticará.
“Ele terá na mão um pequeno livro aberto”. Este pequeno livro simboliza um
concílio geral, que será o maior e mais célebre de todos. O profeta diz: “Este anjo tem este
pequeno livro na mão, porque é pela obra e poder deste Monarca que este concílio será
reunido, protegido e chegará a bom termo; e também porque ele empregará todo o seu
poder para fazer executar as sentenças e os decretos (deste concílio). O Deus do céu o
abençoará e colocará todas as coisas em suas mãos e sob o seu poder. E está dito que este
pequeno livro será aberto, por causa da clareza com a qual este concílio explicará o
sentido da Sagrada Escritura e por causa da pureza dos dogmas da fé que então se
proclamará.
“E ele colocará o pé direito sobre o mar e o esquerdo sobre a terra”. Quer dizer que
este Monarca estenderá seu império sobre a terra e sobre o mar, porque ele submeterá a
terra e as ilhas do mar a seu domínio.
“A grandeza e a extensão do seu poder serão imensos, como nós já explicamos
mais acima, dizendo o que significam seus pés.
“E ele gritará em alta voz como um leão que ruge”. Este estrondo da voz
comparado com o rugido do leão, nos faz compreender o terror imenso que ele inspirará a
todos os povos da terra e aos habitantes das ilhas. Pois, quando o leão ruge ele manifesta
sua força e todos os outros animais ficam tomados de terror. É por isto que está dito nos
provérbios: “Como o rugido do leão, assim o terror do rei” (Pr. 202).
“Os grandes gritos de sua voz serão também seus editos imperiais, pelos quais ele
ordenará de executar em todo o rigor em favor da fé ortodoxa as ordens do concílio; e
seus editos chegarão a todas as nações da terra e às ilhas.
“E após ter gritado, sete trovões fizeram ecoar suas vozes”. Esses trovões que se
farão ouvir a voz deste anjo, serão os murmúrios e os gritos de todos aqueles que quererão
resistir à vontade deste Monarca e quererão fulminálo, pois levantarseá neste tempo uma
grande tempestade. Mas porque eles não poderão resistirlhe e ainda menos fazerlhe mal,
está ordenado a São João de não escrever aquilo que ele viu nesta circunstância; porque
toda esta tempestade será sem efeito. Jesus Cristo quer unicamente prevenir São João em
sua qualidade de representante da Igreja, para nos fazer saber que o império deste
Monarca e a propagação da verdadeira fé sobre a terra, não se obterão sem muito barulho
e sem muita tempestade. Por isso porque está dito: “E depois que ele gritou, sete trovões
ecoaram suas vozes”. Somente quando o trovão faz ouvir sua voz, é que a faísca não
ferirá mais porque a nuvem terá iluminado o ar. Mas a tempestade produzirá um efeito,
algumas vezes tão nocivo, segundo as faíscas caiam sobre os homens, sobre os animais,
sobre as árvores ou sobre os edifícios. Ora, a tempestade que foi mostrada a São João sob
a figura de uma trovoada, era uma tempestade sem outro efeito senão aquele da voz do
trovão.
“Sete trovões farão estalar suas vozes”. Quer dizer que os príncipes e os grandes se
insurgirão contra este Monarca e murmurarão. Eles farão ouvir suas vozes na ocasião
deste concílio, para lhe resistir e para fulminar seus decretos; mas porque este Monarca
estará sob a proteção de Deus, todos os seus esforços serão vãos e inúteis.
“E as sete vozes dos trovões tendo estalado, eu ia escrever”. Quer dizer que depois
que os segredos dos conselhos destes príncipes recalcitrantes me foram revelados eu os
irei escrever, em virtude do mandamento que recebi. “E eu ouvi uma voz do céu que me
dizia: sele o que dizem os sete trovões e não escrevas nada”.
Há duas razões pelas quais não se não deve saber ou não se pode escrever algo. A
primeira é quando este conhecimento poderá ser nocivo causando mal ou impedindo o
bem, seja no presente, seja no futuro. A segunda é quando a importância, utilidade ou
necessidade da coisa que não exige que se escreva. É assim que a Divina Providência
esconde aos seus fiéis amigos, nesta vida os perigos e tribulações da alma, cujo número é
quase infinito, porque não seria nada útil aos homens de conhecêlos antecipadamente; e
Deus, em sua bondade, vai nos preservando ou nos defendendo, em tempo oportuno, de
grandes e iminentes que sejam os males desta vida. É por essas mesmas razões que não
foi permitido a São João escrever as vozes destes sete trovões na ocasião deste Monarca,
porque Deus o livrará de todo o perigo e o fará abortar os desígnios de seus inimigos.
“Sele e não escreva nada”. Quer dizer escreva que os sete trovões farão estalar suas vozes,
mas não escreva nada daquilo que eles dizem.
“...Eu tomei o livro da mão do anjo e o devorei: ele estava em minha boca doce
como o mel, mas em minhas entranhas ele se tornou amargo”. (Apoc. 1010)
“Distinguemse portanto várias qualidades deste livro. Ele contém uma doutrina sã,
unânime e santa em matéria de fé e de bons costumes. Ora, como este livro será a obra
do Espírito Santo, é por isto que São João diz que será doce como o mel na boca de toda
a Igreja, da qual ele é o representante. Quer dizer que ele será recebido com a aclamação e
o consentimento unânime, mas ele produzirá uma grande comoção, porque esta obra de
Deus não se realizará sem grandes dificuldades, nem sem resistências; ela será mesmo
regada pelo sangue dos mártires, porque o mundo, a carne e o demônio têm sempre
resistido e resistirão sempre às obras de Deus. E é a sabedoria divina que permite para
fazer resplandecer este pensamento do sábio (Prov. 21,30): “Não há sabedoria, não há
prudência, não há conselho contra o Senhor”. Esta tempestade será antes de tudo
levantada pelos poderes seculares que resistirão pelas armas ao grande Monarca, e
perseguirão todos aqueles que empreenderão a tarefa de converter todos os povos à fé
católica que o Monarca ordenará de pregar sobre a terra e sobre o mar.
`De novo o exegeta abandona o texto da sexta trombeta para passar, no capítulo
quatorze, àquela do sexto sinal, a qual corresponde, segundo ele, a sexta Igreja e
descreve ainda um aspecto deste sexto período de Igreja'.
“Isto que acaba de ser dito de Jesus Cristo, nesta profecia, podese aplicar, de algum
modo, por analogia, a este Monarca poderoso do qual São João diz que será semelhante
ao Filho do Homem, tendo sobre a cabeça uma coroa de ouro” (Apoc. 1414).
“Quer dizer que ele será um Grande Monarca, rico e poderoso, e o dominador dos
dominadores. Ele vencerá os reis das nações e será cheio da caridade de Deus.
“E tinha em sua mão uma foice cortante” (Apoc. 1414). Esta foice que o Grande
Monarca terá em sua mão é o grande e forte exército com o qual ele atravessará os reinos
e as nações, e as repúblicas e as praças fortes, que ele perpassará de ponta a ponta. Está
dito que sua foice é cortante porque ele não empreenderá nenhum combate que não
resulte em vitória pelas suas armas, ou de grandes perdas e grandes carnificinas para o
inimigo.
“Jamais a flecha de Jônatas voltará do combate sem estar banhada no sangue; e
jamais a espada sairá ociosa dos combates” (Reis 122). Ora, tal será perfeitamente o
exército deste poderoso Monarca. Está dito que ele terá sua foice em sua mão, porque seu
exército não empreenderá nada sem seus avisos, e é ele mesmo que o dirigirá por seus
conselhos, como está narrado na história de Alexandre Magno.
“Está dito também que ele terá sua foice em sua mão, porque seu exército lhe
obedecerá com perfeição, que lhe será aderido de coração e o amará de tal sorte, que ele o
manuseará como um bastão, e operará, por este exército, coisas grandes, espantosas e
admiráveis.
“E um outro anjo saído do templo, gritava em alta voz àquele que estava sentado
sobre a nuvem: Lançai vossa foice e segai, porque é chegada a hora de segar”. (Apoc.
1415). Esta voz é aquela de alguém que exorta com a guerra, veementemente, à colheita
da cizânia dos hereges e dos Turcos. Este anjo que sairá do templo e dirá assim, é o
Grande e Santo Pontífice do qual já falei, que Deus suscitará nestes dias. E este Pontífice
exortará e engajará este Monarca de empreender esta guerra sagrada. “Jetez votre faulx”
(lançai a vossa foice), lhe dirá ele, quer dizer: vosso exército poderoso e cortai, arrasai,
erradicai os hereges e os bárbaros.
“Este Pontífice terá esta linguagem por revelação, e é por estas palavras que ele
excitará os corações dos príncipes e os engajará a uniremse para empreender esta guerra.
E Deus disporá os corações dos soldados de maneira que eles adiram de
espírito e de coração à empresa de seu Monarca poderoso. “Porque está no tempo da
colheita”, quer dizer: chegou o momento de cortar a cizânia para lançar ao fogo.
“Esta é uma metáfora que significa o aniquilamento e a ruína dos hereges e da
barbárie.
“E aquele que estava sentado sobre a nuvem lançou sua foice sobre a terra e foi
feita a colheita”. (Apoc. 1416). Todas estas palavras exprimem o feliz sucesso obtido
segundo as palavras do Santo Pontífice. “E a terra foi ceifada” porque o Grande Monarca
exterminará e submeterá a seu poder as nações dos Turcos e dos hereges, e ocupará suas
terras.
“E um outro anjo saído do templo que está no céu, tendo também ele mesmo uma
aguda foice” (Apoc. 1417).
“Esta foice é um outro exército que os Estados da Igreja e seus aliados, estreita e
fortemente unidos reunirão em torno do Grande Monarca. Por isso está dito que este outro
anjo sairá de dentro do templo, quer dizer, dos estados da Igreja, cujo templo é a figura:
“Que está no céu”, quer dizer na Igreja militante, representada aqui pela palavra céu.
Aquilo do qual está escrito: “E um outro anjo sairá do templo”, será um grande general
em chefe que este Santo Pontífice, do qual já falei, constituirá e designará para comandar
este forte exército que empregará em arruinar e aniquilar o poderio dos Turcos e dos
hereges...

* SÉTIMO PERÍODO DA IGREJA: LAUDICÉIA (Tempo do Anticristo)


Aqui Holzhauser retoma a trama inicial de sua exegese. Ele passa ao sétimo
período da “dedicatória ou sétima Igreja”.
Este sétimo período é o do Anticristo. É o último.
“E ao anjo da Igreja de Laudicéia escreve: Isto diz Aquele que é a própria verdade,
a testemunha fiel e verdadeira, o que é o princípio das criaturas de Deus. (Apoc.3,14)
“Conheço as tuas obras, porque não és nem frio nem quente; oxalá foras frio ou
quente, mas porque és morno, e nem frio e nem quente, começo por vomitarte da minha
boca, porque dizes: Sou rico e cheio de bens, de nada tenho falta; e não sabes que és um
infeliz e miserável, e pobre, e cego, e nu. Aconselhote, que compres ouro provado no
fogo, para te fazeres rico, e te vestires de roupas brancas e não descubra a vergonha da tua
nudez, e unge os teus olhos com um colírio, para que vejas. Eu, aos que amo, repreendo e
castigo. Tem, pois, zelo, e faz penitência. Eis que estou à porta e bato. Se alguém ouvir a
minha voz, e me abrir a porta entrarei nele, e cearei com ele e ele comigo.
“Aquele que vencer, eu o farei sentar comigo no meu trono, assim como eu mesmo
também venci, e me sentei com meu Pai no seu trono. Aquele que tem ouvidos ouça o que
o Espírito diz às Igrejas” (Apoc. 3,1421).
Comentário do venerável Holzhauser
“O sétimo período é o último da Igreja. Começará com a aparição do Anticristo e
durará até o final do mundo. Este será o período da desolação, no qual haverá uma
defecção total da fé.
“É durante este período que se cumprirá a abominação da desolação, descrito por
São Mateus. (Mat.cap. 24 e Daniel 1112). É então que terminarão os séculos, (quer dizer
o tempo) e que se cumprirá a palavra da vontade divina.
“A este período corresponde o sétimo dia da criação, quando Deus, depois de ter
acabado sua obra, descansou no sétimo dia. Ora, é assim também que, no sétimo período
da Igreja, Deus acabará sua obra espiritual, que Ele havia decretado cumprir por seu Filho
Jesus Cristo.
“Este período é também figurado pelo sétimo espírito do Senhor: O Espírito de
Ciência. Porque neste tempo se saberá claramente, depois que o Anticristo for destruído e
precipitado no inferno, que Jesus Cristo veio sobre a terra como homem. E então aqueles
que sobraram dentre os judeus, farão penitência.
“Ademais, este sétimo período está representado pela sétima época do mundo.
Porque do mesmo modo, em que terminará o tempo, assim também o sétimo período será
o último da Igreja.
“Enfim, o símbolo deste período da Igreja é Laodicéia, que se explica pelo
vômito. Ora, esta palavra convém à última época, durante a qual esperando que o
Anticristo tenha chegado ao poder, a caridade se resfriará, a fé se perderá, todos
os reinos serão entregues à perturbação e na agitação e se cindirão entre si;
levantarseá uma raça de homens egoístas, displicentes e tíbios.
“Os pastores, os prelados e os príncipes serão velhacos, semelhantes às
árvores de outono, sem folhas e sem frutos de boas obras; eles serão como astros
errantes, nuvens sem água. E então Cristo começará a “vomitar” a Igreja de sua
boca e permitirá que Satanás seja solto e estenda seu poder por todas as partes; e
o filho da perdição penetre no seu reino, que é a Igreja. (R. 4)

Regina Apostolorum, ora pro nobis!

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