ISCED
Instituto Superior de Ciências e Educação a Distancia
Curso: Administração Publica
Cadeira: Introdução a Administração Publica
Regime a Distancia
Nome do Estudante: Merito Manuel Luis Alfandega
Evolução, Conceito e Principais etapas da administração Pública
Ιº Ano
2º Semestre
Quelimane, Setembro de 2020
Indice
Indice ............................................................................................................................................. 1
1.Introducao .................................................................................................................................. 2
2.Objectivos Do Estudo ................................................................................................................. 3
2.1.Objectivos Específicos ............................................................................................................. 3
3.Metodologia De Trabalho .......................................................................................................... 3
4.Conceitos Básicos ...................................................................................................................... 4
4.1.Administração Pública ............................................................................................................ 4
4.2.Reforma ................................................................................................................................... 5
5.Evolução histórica da Administração Pública em Moçambique ................................................ 6
5.1.A Administração Pública Pós Independência Nacional ......................................................... 6
5.2.A Administração Pública moçambicana a Luz da Constituição de 90 .................................... 8
5.3.Administração Pública em Moçambique à luz da Constituição de 2004 ................................ 8
5.4.Traços da Constituição da República de Moçambique de 2004.............................................. 9
6.Órgãos Locais do Estado ............................................................................................................ 9
7.Profissionalização dos Funcionários do Sector Público ........................................................... 10
8.Boa Governação e Combate à Corrupção ................................................................................ 11
9.A Administração Pública Do Amanha ..................................................................................... 11
10.Principais etapas da administração Pública ............................................................................ 12
10.1.Modelo patrimonialista ....................................................................................................... 12
10.2.Modelo burocrático ............................................................................................................. 13
10.3.Modelo gerencial ................................................................................................................. 14
11.Conclusao ............................................................................................................................... 16
12.Referências Bibliográficas ..................................................................................................... 17
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1. Introducao
A Administração Pública de qualquer país e de qualquer época tem como finalidade
fundamental satisfazer, através dos seus órgãos e serviços, as necessidades colectivas das
respectivas populações.
Vários são os estudiosos que se têm dedicado a concepção de um modelo de administração que
possibilita a prossecução daquele desiderato com o emprego de menos recursos possíveis e com
dispêndio de menor tempo possível, ou seja a satisfação das necessidades colectivas com
eficiência e eficácia.
O presente Trabalho insere-se no âmbito dos do curso de licenciatura em Administração
Pública instituto Superior de Ciências e Educação a Distância - ISCED– Extensão de
Quelimane e tem como finalidade abortdar a e evolução, Conceito e Principais etapas da
administração Pública , especificamente a mesma pretende diagnosticar a função pública
moçambicana, analisar as disfunções funcional a partir da Estratégia Global da Reforma
do Sector Público e perspectivar uma administração pública que busca os seus
fundamento no modelo gerêncial
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2. Objectivos Do Estudo
✓ Debrucaor sobre a Evolução, Conceito e Principais etapas da administração
Pública
2.1.Objectivos Específicos
✓ Analizar a evolucaon Evoluçãoda Administraco publica em varios periodos;
✓ Mencionar as Principais etapas da administração Pública;
3. Metodologia De Trabalho
Em relação aos procedimentos técnicos adoptados neste trabalho, usamos a
metodologia da Pesquisa Bibliográfica e Documental, devido à utilização de material
já elaborado; bem como a utilização de leis, normas, decretos, resoluções, para a
obtenção de conceitos e conhecimento da área pesquisada. De acordo com Marconi e
Lakatos (2001, p.43-44), pesquisa bibliográfica Trata-se de levantamento de toda a
bibliografia já publicada, em forma de livros, revistas, publicações avulsas e imprensa
escrita. Sua finalidade é colocar o pesquisador em contacto directo com tudo aquilo que
foi escrito sobre determinado assunto.
De acordo com Souza, Fialho e Otani (2007, p. 41) a pesquisa documental “assemelha-
se à pesquisa bibliográfica, diferenciando-se apenas na natureza das fontes”.
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4. Conceitos Básicos
4.1.Administração Pública
Fazendo uma incursão sobre a literatura existente sobre a matéria, nota-se que não
existe uma definição única deste conceito, embora existindo convergência em alguns
aspectos que formam a base do conceito. Para sustentar esta afirmação, são trazidas
neste trabalho algumas definições que foram sendo produzidas por vários autores desta
área da ciência e de conhecimento.
Freitas do Amaral (2006), define a Administração Pública em sentido orgânico como
sendo “um sistema de órgãos, serviços e agentes do Estado bem como das demais
pessoas colectivas públicas, que asseguram em nome da colectividade a satisfação
regular e continua das necessidades colectivas de segurança, cultura e bem-estar”
Segundo o mesmo autor, Administração Pública é a actividade típica dos serviços
públicos e agentes administrativos no interesse geral da colectividade, com vista a
satisfação regular e continua das necessidades colectivas de segurança, cultura e bem-
estar, obtendo para o efeito os recursos mais adequados e utilizando as formas mais
convenientes”.
No entendimento do Governo de Moçambique e como definido no seu Plano
Estratégico de Desenvolvimento da Administração (PEDAP, também conhecido por
ERDAP, 2011-2025 a Administração Pública é “um conjunto de órgãos, serviços e
funcionários e agentes do Estado, bem como das demais pessoas colectivas públicas que
asseguram a prestação de serviços públicos ao cidadão” (MAE, 2011).
A Administração Pública é entendida num duplo sentido: sentido orgânico e sentido
material. No sentido orgânico, a administração pública é o sistema de órgãos, serviços e
agentes do Estado e de outras entidades públicas que visam a satisfação contínua das
necessidades colectivas.
No sentido material, a Administração Pública é a própria actividade desenvolvida por
aqueles órgãos, serviços e agentes do Estado. Em outras palavras, a Administração
Pública é dotada de poderes que se constituem em instrumentos de trabalho.
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Em Moçambique, a administração pública, através dos respectivos serviços públicos é o
instrumento através do qual o estado materializa a vontade dos cidadãos. Com efeito, os
artigos 249 e 250 da CRM, e respectivos números, estabelecem que a administração
pública serve o interesse público e na sua actuação respeita os direitos e liberdades
fundamentais dos cidadãos. Os seus órgãos obedecem à Constituição e à lei, e actuam
com respeito pelos princípios da igualdade, da imparcialidade, da ética e da justiça.
Ainda, a administração pública estrutura-se com base no princípio de descentralização e
desconcentração, promovendo a modernização e a eficiência dos seus serviços sem
prejuízo da unidade de acção e dos poderes de direcção do Governo.
Por seu turno, o Decreto no. 30/2001, de 15 de Outubro, define no seu artigos 5 e 6os
princípios de actuação dos serviços da administração pública, dos quais se pode destacar
o princípio da prossecução do interesse público e protecção dos direitos e interesses dos
cidadãos; e o princípio de justiça e de imparcialidade.
4.2.Reforma
O tema da reforma administrativa em Moçambique adquiriu centralidade crescente no
debate sobre as condições para o enfrentamento dos problemas estruturais e das
fragilidades institucionais da gestão pública, caracterizada por uma burocracia excessiva
e inoperante, pouco flexível e dinâmica, e, sobretudo, pela necessidade de ampliação da
presença e representação do Estado ao nível das comunidades locais.
As reformas do século XIX, assentaram fundamentalmente na abolição do patrocínio e
na substituição do recrutamento pelo exame competitivo sob supervisão de um conselho
de examinador central; na reorganização do pessoal do gabinete central dos
departamentos em uma ampla classe para lidar com trabalho mecânico e intelectual
respectivamente.
Reforma é o nome que se dá a uma mudança de forma (esta entendida no sentido
amplo), uma modificação na forma, na natureza ou no tamanho de algo, a fim de
aprimorá-lo.
Reforma (construção): acção, ato ou efeito de reformar, mudar a forma (em sentido
amplo) de uma construção ou edificação.
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Reforma, é um conjunto de acções de carácter transversal ou horizontal e processos de
mudanças que devem ser empreendidos para que os serviços públicos prestados nos
diferentes sectores sejam melhorados e a sua implementação é da responsabilidade dos
próprios sectores. (EGRSP, 2001 - 2011).
5. Evolução histórica da Administração Pública em Moçambique
O processo evolutivo da Administração Pública moçambicana, busca os seus alicerces
nas várias fases da presença Portuguesa e do jugo colonial iniciada nos finais de seculo
XV (1498). Importa destacar a descoberta de Vasco da Gama e a sua posterior fixação
no litoral de Moçambique, inicialmente como mercadores (efectuando trocas
comerciais) e mais tarde como efectivos colonizadores.
Segundo Nyakada (2008) a lógica da Administração Pública apresenta-se disposta da
seguinte forma:
✓ No periodo colonial assistia-se a um sistema de administração com marcas
iminentemente patrimoniais,
✓ No período após independência e antes da assinatura do Acordo Geral da Paz, a
Administração Publica era marcadamente burocrática,
✓ Nos nossos dias, tem se visto o desencadear de uma série de reformas convindo
tornar a Administracao Pública menos onerosa e mais eficiente, reformas estas
que são uma marca da Nova Gestão Pública ou Administração Gerencial.
5.1.A Administração Pública Pós Independência Nacional
Com a proclamação da Independência Nacional a 25 de Junho de 1975, nasceu a
República Popular de Moçambique, e entrou em vigor a nova Constituição da República
Popular de Moçambique definindo como um Estado de Democracia Popular, onde o
Poder passou a pertencer aos operários e camponeses.
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Para atingir novos objectivos, era necessário empreender uma profunda transformação
dos métodos de trabalho e de estruturação do aparelho do Estado, a fim de proporcionar
a criação de novos esquemas mentais e regras de funcionamento. A administração
pública devia ser um instrumento para a destruição de todos os vestígios do
colonialismo e do imperialismo, para a eliminação do sistema de “exploração do
homem pelo homem”, tanto para a edificação da base política, material, ideológica,
cultural e social da nova sociedade”.
Para isso, foi aprovado o primeiro instrumento normativo para organizar a
Administração Pública, o Decreto nº. 1/75 de 27 de Julho, que definia as principais
funções e tarefas do Aparelho de Estado Central.
Com base no Centralismo Democrático, os Órgãos Centrais do Aparelho de Estado
deveriam aplicar os seguintes princípios:
✓ Unidade e concentração da direcção política, económica, técnica e
✓ Administrativa;
✓ Desenvolvimento, protecção e plena utilização da propriedade estatal;
✓ Observância permanente da legalidade;
✓ Participação nas tarefas de defesa, segurança e vigilância popular; e
✓ Participação organizada das massas nas tarefas estatais;
Com a proclamação da Independência Nacional em Moçambique, a Administração
Pública associou-se ao modelo socialista, para suprir a necessidade da máquina
administrativa, com a escassez de mão-de-obra qualificada e neste contexto foram
recrutados muitos moçambicanos para integrarem o Aparelho do Estado, outros para
gerirem empresas que haviam sido abandonadas pelos respectivos proprietários.
Um movimento similar de transformações seguiu-se nos anos 80, que culminou com a
realização do IV Congresso da Frelimo, em Abril de 1983, dando um marco importante
para a mudança do sistema político de governação e a substituição do modelo de
desenvolvimento com base na economia planificada para a economia de mercado em
Moçambique.
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5.2.A Administração Pública moçambicana a Luz da Constituição de 90
A revisão da Constituição teve um marco importante, com a sua aprovação em 30 de
Novembro de 1990 o que terá trazido várias modificações no seio da Administração
Pública, porque foi nesse período em que o sistema de economia centralmente
planificado conheceu os seus últimos momentos, marcando nova era do pluralismo
político e da economia do mercado em Moçambique.
Após as primeiras eleições gerais e multipartidárias em 1994, o Governo saído vencedor
(Frelimo) deu iniciam ao processo de reconstrução nacional, face as consequências
funestas trazidas pela guerra civil que durou dezasseis anos, daí que as eleições
multipartidárias trouxeram uma mudança política significativa no contexto da
democratização em Moçambique, dando uma efectiva implantação de um Estado de
Direito.
5.3.Administração Pública em Moçambique à luz da Constituição de 2004
A Constituição da República de Moçambique de 2004, passou a ser constituído pelo
Conselho de Ministros, da qual o Presidente da República é quem preside, seguido do
Primeiro-Ministro e outros Ministros. No entanto podem ser convocados para participar
em reuniões do Conselho de Ministros os Vice-Ministros e os Secretários de Estado e
que na sua actuação, o Conselho de Ministros observa as decisões do Presidente da
República e as deliberações da Assembleia da República.
Das tarefas encarregues ao conselho de Ministros destacam-se:
✓ Assegurar a Administração do País;
✓ Garantir a integridade territorial;
✓ Velar pela Ordem Pública, Segurança e estabilidade dos cidadãos;
✓ Promover o desenvolvimento económico e social;
✓ Desenvolver e consolidar a legalidade e realizar a política externa do país.
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Em suma a Administração Pública a luz da Constituição de 2004, tem em primazia
servir os interesses públicos e na sua actuação respeita os direitos e liberdades
fundamentais dos cidadãos. Igualmente os órgãos da Administração Pública obedecem à
Constituição e à lei, baseando pelos princípios de igualdade, imparcialidade, ética e
justiça patente no art. 249 da Constituição da Republica de Moçambique.
5.4. Traços da Constituição da República de Moçambique de 2004
✓ A Administração Pública estrutura-se com base no princípio de descentralização
e desconcentração, promovendo a modernização e a eficiência dos serviços;
✓ Promove a simplificação de procedimentos administrativos e a aproximação dos
serviços públicos aos cidadãos, art. 250 da CRM, coadjuvado com o Decreto nº
30/2001 de 15 de Outubro que aprova as Normas de Funcionamento dos
Serviços da Administração Pública estabelecendo os princípios da actuação da
Administração Pública, Principio da legalidade, Principio da prossecução do
interesse público e protecção dos direitos e interesses dos cidadãos. Órgãos
Locais do Estado
6. Órgãos Locais do Estado
Os órgãos locais do Estado conforme citam artigos 262, 263 e 264 da Constituição da
República de Moçambique, têm como função à representação do Estado ao nível local
para a Administração e o Desenvolvimento do respectivo Território e contribuem para a
integração e unidade nacional. No seu funcionamento, os órgãos locais do Estado,
promovem a utilização dos recursos disponíveis e garantem a participação activa dos
cidadãos e incentivam a iniciativa local na solução dos problemas das comunidades,
respeitando na sua actuação as atribuições, competências e autonomia das autarquias
locais e a realização de tarefas e programas económicos, culturais e sociais de interesse
local e nacional, observando o estabelecido na Constituição, deliberações da Assembleia
da República, do Conselho de Ministros e dos órgãos do Estado do escalão superior.
Para assegurar a participação das comunidades na definição das prioridades das Acções
de Desenvolvimento Económico Local, foi instituído um fundo de investimento de
iniciativa local, que é gerido pelos Governos Distritais, cuja utilização é concertada pelo
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Governo Distrital com os Conselhos Consultivos Locais, que estão em funcionamento
nos Distritos, Postos Administrativos e Localidades.
7. Profissionalização dos Funcionários do Sector Público
A melhoria da qualificação dos recursos humanos é fundamental para o sucesso da
Análise Funcional, porque é o garante de que as novas estruturas a serem criadas serão
competente e adequadamente geridas. Por outro lado, no âmbito do desenvolvimento
dos recursos humanos está prevista a adopção de uma nova política salarial, que ligará a
remuneração ao desempenho e/ou gestão por resultados. Este elemento irá introduzir
uma maior competitividade pelos recursos humanos qualificados entre o sector público
e o sector privado, e reduzirá, em certa medida, a crónica fuga de quadros do primeiro
para o segundo. Como resultado global, o país tenderá a ter um padrão comum de
qualificação dos recursos humanos tanto no sector público como no privado, que pelos
incentivos existentes tenderão a ser, pelos menos nas funções estratégicas, de um nível
alto. A economia poderá se beneficiar disso com a tendência a uma busca constante de
maior qualificação pelos que pretendem entrar no mercado de trabalho. Este aspecto de
formação e desenvolvimento de recursos humanos nacionais tecnicamente qualificados
é que reduzirá drasticamente o eterno argumento de contratação de mão-de-obra
estrangeira preterindo-se a nacional. Por isso é que a nossa primeira aposta para o
sucesso da reforma está na formação e treinamento profissional porque é um dado
adquirido que “a qualidade e riqueza de um País depende dos seus recursos humanos”.
Um instrumento importante aprovado pelo Governo e em processo de implementação é
o Sistema de Formação em Administração Pública (SIFAP), que já é uma realidade no
País. Trata-se de um programa compreensivo de treinamento e formação profissional
incorporando métodos formais e não formais de educação, incluindo o ensino modular e
à distância. No presente o SIFAP é implementado e coordenado através de três
Institutos de Formação Pública e Autárquica (IFAPAs) existentes em Lichinga (para
servir as províncias da zona norte), na Beira (para as províncias da zona centro), e na
Matola (para as províncias da zona sul. Também se encontra já em actividade o Instituto
Superior de Administração (ISAP), uma instituição de cariz vocacional de ensino
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superior destinado a coordenar cursos formais, cursos de pequena duração e
investigação aplicada sobre a administração pública em Moçambique.
8. Boa Governação e Combate à Corrupção
O fenómeno da corrupção é outra face da moeda que assola o sector público e tem
custos económicos elevados, porque contribui para a retracção dos investimentos, pois,
consiste no uso ilícito dos recursos públicos para fins particulares. No âmbito do sector
público ela floresce com a falta de transparência, burocracia excessiva, procedimentos
de estruturas demasiadas e complexas.
No entanto, no âmbito do sector público ela floresce onde há falta de transparência,
excessiva burocracia, procedimentos e estruturas demasiado complexas. Por essa razão,
o combate à corrupção decorre naturalmente das mudanças positivas que forem
operadas nas estruturas e procedimentos de prestação de serviços, na profissionalização
da Administração Pública, e modernização na gestão e desenvolvimento de recursos
humanos, na gestão de políticas públicas e na gestão financeira e melhoria de
mecanismos de prestação de contas.
Portanto, o combate à corrupção, é parte integrante da Reforma porque cada
componente da Estratégia Global da Reforma do Sector Público contribui na redução de
oportunidades de acesso ilícito aos recursos públicos. Ao se melhorar o funcionamento
dos elementos acima indicados, reduz-se o espaço para práticas ilícitas. Desta forma, o
combate à corrupção estimula o desenvolvimento económico porque reduz os custos de
transacção dos agentes económicos e promove o ambiente para uma efectiva boa
governação.
9. A Administração Pública Do Amanha
✓ Melhorar a qualidade da prestação de serviços aos cidadãos, divulgando os seus
direitos e melhorando as condições do seu atendimento;
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✓ Reforçar o papel da Administração Pública enquanto agente de transformação da
sociedade, criando condições técnicas e organizacionais para a instituição de uma
administração para o desenvolvimento;
✓ Alterar a imagem da Administração Pública, através da melhoria do ambiente de
trabalho, da formação contínua dos seus funcionários e da dignificação do seu
papel;
✓ Reduzir os custos administrativos, através da elevação dos níveis de eficiência e
qualidade de serviços;
✓ Promover a coordenação da construção e reabilitação de infraestruturas da
administração dos distritos e postos administrativos;
✓ Consolidar o processo da reforma dos órgãos locais, através da formação e/ou
capacitação dos funcionários das autarquias locais.
10. Principais etapas da administração Pública
10.1. Modelo patrimonialista
O patrimonialismo é uma herança da época feudal, vigente nas sociedades pré
democráticas. De acordo com esse modelo, a Administração Pública deve atender os
interesses do governante, que faz uso do poder que emana do povo em seu favor.
O aparelho de Estado é uma espécie de extensão do poder do soberano, não havendo
distinção entre a res publica e a res principis, ou seja, a coisa pública se confunde com a
coisa do governante.
Dessa forma, a Administração Pública deixa de atender à função de defesa da coisa
pública e dos interesses da sociedade, dando-se mais atenção aos assuntos que
privilegiam a vontade de uma minoria.
São características marcantes desse modelo de administração a corrupção e o
nepotismo. Tal forma de governar passa a ser contestada e a se tornar insustentável com
o advento do capitalismo e da democracia
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10.2. Modelo burocrático
Surgimento do modelo burocrático
A revolução industrial e o surgimento do Estado Liberal contribuíram para uma nova
ótica sobre o papel do Estado, dando espaço ao surgimento do modelo burocrático,
baseado na impessoalidade, no profissionalismo e na racionalidade (OSBORNE;
GAEBLER, 1995).
Tal modelo foi analisado e sintetizado por Max Weber, inicialmente, no livro A Ética
Protestante e o Espírito do Capitalismo (1904), e teve suas bases mais bem definidas
somente em 1922, com a publicação do livro Economia e Sociedade, desse mesmo
autor.
O modelo burocrático foi uma resposta aos abusos e demais vícios experimentados pela
Administração Pública. Disseminava-se uma ideia de desconfiança prévia dos
administradores públicos por parte da sociedade, como uma reação ao modelo
patrimonialista.
Em suma, destacam-se dentre os princípios básicos que norteiam o modelo de
Administração Pública burocrático:
✓ impessoalidade;
✓ formalismo;
✓ profissionalização e ideia de carreira pública, em que a promoção ocorre
✓ com base na meritocracia;
✓ divisão funcional hierárquica clara;
✓ mínimo de discricionariedade nas decisões, sempre fundamentadas em normas.
Conforme o exposto, o modelo burocrático caracteriza-se por uma ideia de
Administração submissa à lei, a ser exercida levando-se em conta elevados padrões de
conduta moral. O objetivo que norteia esse pensamento é o de defesa do interesse
público, através de um conceito de integridade, com a redução da corrupção e
maximização da democracia (LONGO, 2008).
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10.3. Modelo gerencial
Surgimento do modelo gerencial
Conforme conclusão do tópico anterior, a crise do modelo burocrático, juntamente com
outros fatores, como a globalização da economia, uma nova dinâmica de mercado, uma
crise fiscal do Estado e um cada vez maior distanciamento entre as decisões da
Administração e os interesses dos administrados,
passou a evidenciar a necessidade de um modelo que propusesse a estruturação e a
gestão da administração pública, baseado em valores de eficiência, eficácia e
competitividade.
Na segunda metade do século XX, como resposta à ampliação das funções econômicas
e sociais do Estado, ao desenvolvimento tecnológico e à globalização, foi emergindo
um novo modelo de Administração Pública, a gerencial (BRESSER PEREIRA; SPINK,
2001), ou nova gestão pública (new public management). Há doutrinadores que,
paralelamente ao conceito de Administração Pública gerencial, apresentam o conceito
de Estado Empreendedor que, em conjunto com aquela, compõe o gerencialismo
(managerialism) (SECCHI, 2009).
Esse modelo tem como base as seguintes prioridades: eficiência e a qualidade na
prestação de serviços públicos, além da redução de custos. Nenhum modelo de
administração rompe totalmente com os preceitos do anterior, havendo sempre uma
continuidade, sem que o modelo precedente seja integralmente abandonado. No caso da
transição do modelo burocrático para o gerencial, houve um certo rompimento, mas
foram conservados, de forma flexibilizada, alguns princípios, como admissão por
critérios de mérito, sistema estruturado e universal de remuneração, as carreiras,
avaliação de desempenho, o treinamento (BRASIL, 1995). Contudo, a principal
mudança refere-se à forma de controle, que antes era realizado a priori e focava-se nos
processos, passando a concentrar-se nos resultados e a ser feita a posteriori. Ainda, há
uma evolução no sentido de interesse público.
Enquanto no modelo burocrático o interesse público acabava-se misturando ao próprio
interesse do aparato do Estado, no modelo gerencial o interesse público passa a ter
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como foco o atendimento das necessidades do cidadão, contribuinte de impostos e
destinatário de serviços.
A nova gestão pública é baseada nos critérios de eficiência, eficácia, qualidade e
desempenho.
Parte-se do pressuposto de que todo desempenho pode ser medido focando- se os
resultados – que devem ser mensurados em comparação com as expectativas – e o
cidadão beneficiário, ou cidadão cliente. A ideia de avaliação de desempenho, entre
outros princípios norteadoras da Administração Pública gerencial, teve como inspiração
o uso de práticas de gestão provenientes
da administração privada. Contudo, deve-se levar em conta certas diferenças, como o
objetivo (de lucro, no caso das organizações privadas, e da realização do interesse
público, no caso da Administração Pública) e a origem das receitas.
Quanto à organização administrativa, há também uma flexibilização em relação ao
modelo burocrático. Enquanto naquele modelo a estrutura administrativa configurava-se
de forma mais rígida, sempre pautada na observância de regulamentos, procedimentos e
normas legais, o modelo gerencial propõe uma maior descentralização político-
administrativa, com transferência de funções para administrações locais, dotadas de
maior autonomia (e, também, responsabilidade). Dessa forma, a proposta é de uma
organização administrativa com menos níveis hierárquicos, com controle de resultados e
voltada para o atendimento das necessidades dos administrados (BRESSER
Ainda no que diz respeito à autonomia (gerencial, orçamentária e financeira) dos órgãos
e entidades públicas, esta é maior no gerencialismo em virtude de um acordo firmado
entre o Poder Executivo e seus dirigentes, através do qual ficam estabelecidos metas e
objetivos claros para o alcance de resultados (OLIVEIRA, 2009).
Dessa forma, na Administração Pública gerencial definem-se os objetivos que devem
ser atingidos através de uma ação pública, atribuindo ao administrador autonomia na
gestão dos recursos e propondo um controle a posteriori do alcance dos resultados
propostos.
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11. Conclusao
Desta elaboração pode-se concluir que apesar de esforços e vontade política do Governo
de Moçambique, ainda persistem muitos problemas de organização e do funcionamento
da Administração Pública que constituem autênticos desafios de momento e para os
próximos 14 anos. Estes podem ser agrupados em problemas estruturais e funcionais.
Para fazer face a esta situação o Governo aprovou uma estratégia de longo prazo, a
Estratégia de Reforma e Desenvolvimento da Administração Pública 2012-2025
(ERDAP), com objectivo fundamental de continuar com as reformas, de forma mais
integrada nas actividades do sector público
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12. Referências Bibliográficas
Amaral, DF. (2006). Curso de Direito administrativo. Volume I.3ª Ed. Coimbra,
Portugal.
República de Moçambique. 2001. Estratégia Global da Reforma do Sector Público
2001-2011. Comissão Interministerial da reforma do Sector Público (CIRESP). 2001.
Maputo, Moçambique.
República de Moçambique. 2006. Programa da Reforma do Sector Público -II Fase
(2006-2011). Autoridade nacional da Função Pública. Maputo, Moçambique.
Estratégia de Reforma e Desenvolvimento da Administração Pública 2012-2025
(ERDAP). Ministério da Função Pública. 2012. Ma
Decreto no. 30/2001, de 15 de Outubro
CRM, 1990
CRM, 1994
CRM, 2004
Nyakada (2008)
1 CHICHAVA, José António da Conceição, “Nota Introdutória” in ABC do SIFAP: O
SIFAP na Formação e
Desenvolvimento dos Funcionários Públicos, Maputo, Ministério da Administração
Estatal, 2002.
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