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Estudo Dirigido - 3° Ano - 3° Bimestre - Sociologia

O documento apresenta um resumo sobre o conceito de necropolítica desenvolvido pelo filósofo camaronês Achille Mbembe. Ele parte das ideias de Michel Foucault sobre biopoder para propor que alguns regimes utilizam o poder do Estado para legitimar políticas que colocam certos grupos em constante risco de morte, como ocorreu no nazismo. Mbembe argumenta que o discurso estatal pode normalizar a rejeição e aniquilação de determinadas pessoas.

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Estudo Dirigido - 3° Ano - 3° Bimestre - Sociologia

O documento apresenta um resumo sobre o conceito de necropolítica desenvolvido pelo filósofo camaronês Achille Mbembe. Ele parte das ideias de Michel Foucault sobre biopoder para propor que alguns regimes utilizam o poder do Estado para legitimar políticas que colocam certos grupos em constante risco de morte, como ocorreu no nazismo. Mbembe argumenta que o discurso estatal pode normalizar a rejeição e aniquilação de determinadas pessoas.

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Centro de Ensino Médio 01 do Gama.

Disciplina: Sociologia.
Professora: Paloma Maroni.
Data de entrega: 21/09/21.
3° Ano. Turma: P.
Nomes completos dos estudantes: Bruno das Chagas Temote
Erik Ryan Pinho Lira
Ester Bezerra Ribeiro
Kamille Thaynara da Silva Ferreira
Leonardo Severo Rocha
Manoel Henrique Medeiros de Sousa

Orientações: É responsabilidade do grupo se organizar adequadamente para dividir as tarefas


e responder às questões do estudo dirigido de forma conjunta. É um trabalho por grupo!
Agora, leia o texto abaixo para responder às questões do estudo dirigido:

Entendendo o que é Necropolítica


A origem da termo parte da obra do filósofo, teórico político, historiador e intelectual
camaronês Achille Mbembe. Mbembe nasceu na República dos Camarões, país da região
ocidental da África Central, no ano de 1957. Atualmente é professor de História e de Ciências
Políticas do Instituto Witwatersrand, em Joanesburgo, África do Sul e na Duke University, nos
Estados Unidos.

Ele é reconhecido como estudioso da escravidão, da descolonização, da negritude e,


também, como um grande leitor do também filósofo Michael Foucault, em quem se baseou
para propor o livro “Necropolítica”, de 2011. Dessa forma, para entendermos melhor a obra
de Mbembe, vale também conhecermos um pouco de Foucault.

Quem foi Foucault?

Michael Foucault (1926-1984) foi um filósofo francês que pensou de forma crítica a
história da modernidade. O trabalho de Foucault se tornou conhecido por suas reflexões
sobre poder e sobre as estruturas políticas das sociedades ocidentais, desde a antiguidade
até a contemporaneidade.

O poder, seja de um indivíduo, seja de uma instituição, pode ser definido como a
capacidade de obter ou conseguir algo por influência, controle ou direito; ele implica, no caso
do poder social, uma relação de domínio entre as pessoas. O poder não é algo que se tem,
mas que se exerce entre indivíduos ou grupos, e daí decorre o estreito vínculo entre poder e
política.

Para o filósofo francês Michel Foucault, as teorias políticas modernas e


contemporâneas partem da concepção de que o poder é uma realidade única, centralizada,
que emana do rei, do soberano ou do Estado, cabendo à sociedade apenas reproduzir as
formas de domínio determinadas por esse poder. Tal generalização, ainda que contenha algo
de verdadeiro – pois o Estado, suas leis e instituições podem ser entendidos como
instrumentos de dominação -, não é suficiente para compreendermos as relações de domínio
presentes na sociedade. Foucault investigou a prática dessas relações, estabelecidas social
e historicamente, e concluiu que, em vez de reduzidas a um poder central, elas seriam
disseminadas e se multiplicariam em numerosos micropoderes, alguns dos quais
incorporados pelas instituições do Estado. Haveria, então, muitos poderes locais e
específicos espalhados na sociedade.
O filósofo francês partiu de poderes periféricos e concretos para, depois, articulá-los
com o poder institucional e jurídico do Estado. Investigou o funcionamento da rede de
poderes da sociedade, a dominação entre indivíduos – seus mecanismos e discursos, suas
técnicas e táticas – e o modo como as pessoas, seus comportamentos e seus corpos seriam
subjugados, controlados e determinados.
Foucault estudou sobre as relações de poder desenvolvidas nas prisões, nas escolas
e nos hospitais psiquiátricos, investigou os saberes envolvidos nelas e abordou os
mecanismos de exclusão da loucura, de controle da sexualidade e da vigilância de
prisioneiros. Em suas pesquisas, destacou dois aspectos que fogem completamente às
análises tradicionais de poder: a existência de uma relação intrínseca entre poder e saber e
o aspecto produtivo, realizador, do poder.
Toda prática disciplinar ou de dominação relaciona-se a uma série de saberes. Em
uma prisão, por exemplo, desenvolve-se a organização espacial dos presos, o controle dos
detentos, um regime de vigilância constante: criam-se métodos de observação, formas de
registro, técnicas de inquérito etc. Nesse regime, há um saber inerente aos mecanismos de
poder criados ali.
De maneira original, o filósofo francês entendeu que o poder não é só elemento de
repressão; antes de tudo, ele elabora saberes, cria discursos, inventa aparelhos, induz ao
prazer. O poder cria técnicas que tornam possíveis seu desenvolvimento, circulação e
manutenção da sociedade.
As investigações de Foucault ressaltam que o poder não se restringe ao Estado e que
existem diversos poderes disciplinares, cujas técnicas e saberes próprios induzem ou
determinam comportamentos na família, na escola, na empresa ou indústria, no hospital, na
prisão etc.

O biopoder e a sociedade de controle para Foucault

Foucault detectou outro mecanismo de dominação interligado às técnicas


disciplinadoras, o qual denominou biopolítica ou biopoder, algo que teria emergido em
meados do século XVIII, somando-se à característica disciplinar da sociedade. O âmbito
disciplinar estaria relacionado ao ato de subjugar o corpo dos indivíduos, tornando-os dóceis
e determinando seu comportamento. A tecnologia do biopoder, por sua vez, estaria voltada
para o controle da população em um nível mais amplo, abarcando, por exemplo, o nascimento
e a mortalidade, a saúde, a doença, a duração da vida, a velhice e o urbanismo.
Enquanto as técnicas de disciplina teriam como objetivo fazer com que os indivíduos
se submetessem às normas de conduta, os mecanismos do biopoder seriam utilizados para
gerenciar populações inteiras de indivíduos já disciplinados. Como exemplo, podemos citar
campanhas de vacinação, políticas de natalidade e de combate à mortalidade infantil, planos
de seguridade social, programas voltados para a terceira idade, programas de combate à
degradação do meio ambiente etc.
As tecnologias políticas da disciplina e do biopoder se inter-relacionam e formariam
uma unidade capaz de organizar a vida, disciplinando-a do ponto de vista individual e
normatizando-a coletivamente. A sujeição do corpo (individualismo) e o controle das
populações (massificação) seriam as duas faces características da organização do poder no
século XXI.

Retornando à Achille Mbembe e à necropolítica

O historiador e filósofo camaronês Joseph-Achille Mbembe parte do conceito de


biopoder para desenvolver uma nova abordagem sobre o poder e a política contemporânea.
Ele cunhou os termos necropolítica e necropoder para designar os regimes, sistemas ou
técnicas de poder baseados em políticas relacionadas à morte, os quais vigoram
especialmente no Estado de exceção ou Estado de sítio.

Foucault havia refletido sobre o uso do biopoder para justificar as políticas


relacionadas à morte, como as praticadas nos regimes totalitários, nas guerras, nas ações
de extermínio dos inimigos externos e internos, nas colonizações etc. Como um Estado, que
tem o objetivo central de fazer viver, poderia utilizar a morte como um aparato desse poder?
Foucault encontra essa justificação no racismo.

“[...] o racismo vai permitir estabelecer, entre minha vida e a morte do outro, uma
relação que não é uma relação militar e guerreira de enfrentamento, mas uma relação do tipo
biológico [...] a morte do outro, a morte da raça ruim, da raça inferior (ou do degenerado, ou
do anormal), é o que vai deixar a vida em geral mais sadia; mais sadia e mais pura. [...] A raça,
o racismo, é a condição de aceitabilidade de tirar uma vida numa sociedade de normalização.”
(FOUCAULT, Michel. Em defesa da sociedade. São Paulo: WMF Martins Fontes, 2010. p.215).

Mbembe concorda com o filósofo francês: o racismo é também uma tecnologia


destinada a permitir a morte de uns supostamente para a continuidade de outros. No entanto,
a noção de biopoder não é suficiente para compreendermos as diversas formas de
submissão da vida ao poder da morte nas sociedades contemporâneas.

Massacres, extermínios e regimes totalitários modernos, como o stalinismo e o nazi-


fascismo, radicalizaram os mecanismos políticos de morte já existentes.Ideias de controle
dos corpos, purificação da população, supremacia de um determinado grupo sob outro não
surgiram no século XX, mas nesse momento foram amplamente aceitas com base no poder
exercido por governos e estruturas administrativas. Por meio do discurso do Estado tais
práticas tornaram-se aceitáveis, mesmo visando a rejeição, expulsão e aniquilação de
determinados grupos. Para Mbembe o discurso é o instrumento de poder que determina
condutas e valida políticas, inclusive as que sustentaram massacres, extermínios e regimes
totalitários modernos, como demonstrou a história. Por isso é preciso cautela ao lidar com
tal instrumento.

Mbembe utiliza inúmeros exemplos de Estados necropolíticos, como o nazista e o


fascista, mas também eventos e sistemas que teriam prenunciado o necropoder, como as
plantations e a situação dos indígenas e africanos escravizados nas colônias, nas quais era
permitido o estado de violência permanente em nome da “civilização”. Nesses contextos, o
corpo ”matável” é aquele que está em risco de morte a todo instante devido ao parâmetro
definidor primordial da raça.

Sabemos que em cada sociedade existem normas gerais para o povo – homens e
mulheres livres e iguais. A política é o nosso projeto de autonomia por meio de um acordo
coletivo nos diferenciando de um estado de conflito. Nesse sentido, Mbembe afirma que cabe
ao Estado estabelecer o limite entre os direitos, a violência e a morte. Mas, ao invés disso,
por vezes os Estados utilizam seu poder e discurso para criar zonas de morte. O filósofo
levanta exemplos modernos: a Palestina, alguns locais da África e o Kosovo. Nessas zonas,
a morte se torna o último exercício de dominação.

O autor afirma que quem morre em zonas como estas são grupos biológicos
geralmente selecionados com base no racismo. Funciona assim: é apresentado o discurso
de que determinados grupos encarnam um inimigo (por vezes fictício). A resposta é que, com
suas mortes, não haveria mais violência. Assim, matar as pessoas desse grupo pode ser
aceito como um mecanismo de segurança, segundo a ideologia disseminada com essa
finalidade de justificação.

Mbembe também utiliza os conceitos de estado de exceção para mostrar como a


relação de inimizade torna-se a base de uma licença para matar e como o poder apela a uma
exceção (emergência fictícia da existência inimigo) para justificar um extermínio.

Para Mbembe, a forma mais bem-sucedida de necropoder contemporâneo seria a


ocupação colonial da Palestina, onde, além das mortes, houve a fragmentação territorial, para
facilitar a vigilância, a reclusão e o controle. Isso incluiu técnicas de inabilitação do inimigo –
sabotagem sistemática da rede de infraestrutura social e urbana, apropriação dos recursos
de terra, água e espaço; demolição de casas, estruturas de transmissão de energia elétrica,
estradas; destruição de hospitais, equipamentos médicos e símbolos culturais.

A ocupação da Palestina evidencia que a necropolítica não está sozinha, mas ligada a
um processo em que diversas formas de poder se misturam: o disciplinar (divisão e
confinamento), o biopolítico (controle sobre a vida) e o necropoder (controle sobre a morte).

Como observado por Foucault e Mbembe, alguns discursos podem promover


inimizades entre grupos, ao instaurar regimes de medo, insegurança e precariedade.
Geralmente, esses movimentos descrevem situações como “desordens”, “situações de
emergência”, “conflitos armados” ou “crises humanitárias”.

A utilização de tais nomenclaturas não está incorreta em muitos casos. Diariamente


percebemos diversas situações caóticas em nossa sociedade. No entanto, a preocupação
acerca de tais discursos está relacionada ao limite que pode-se chegar para “resolver” tais
situações. Pois, como vimos, os discursos podem ter o poder de estabelecer parâmetros de
aceitabilidade para tirar vidas.

O Estado não é para operar a morte, é para cuidar da vida de todos. Quando a política
de morte é oficializada, significa dizer que o Estado também faliu na sua função. É o papel do
Estado prover as vidas, não matar os seus cidadãos.
Necropolítica no contexto brasileiro

Como Mbembe defende, a escravidão foi uma expressão necropolítica fundamentada


pelo pensamento hegemônico eurocêntrico que negou por muitos anos aos negros o status
de seres humanos. Esse pensamento resultou em milhares de mortes e, mesmo que
aparentemente “superado” pela humanidade devido à abolição da escravidão, ainda tem
reflexos enormes. Encontramos, na atualidade, estratégias de captura, aprisionamento,
exploração, dominação e extermínio do corpo negro que segue ainda a cartilha do
colonialismo.

Mas não só os negros. Quanto mais frágil for determinado grupo (em classe, raça,
gênero, etc.) – sejam mulheres, indígenas ou outras minorias – maior o desequilíbrio entre o
poder da vida e da morte sobre esse grupo. Por isso existem inúmeras discussões sobre
estruturas racistas e patriarcais na sociedade que, direta ou indiretamente, produziram
práticas e relações sociais desiguais, cujos efeitos ainda são sentidos.

As noções de “necropolítica” desenvolvidas pelo autor ajudam a compreender as


formas pelos quais, no mundo contemporâneo, os Estados, por vezes, adotam em suas
estruturas a política da morte – o uso ilegítimo da força por meio de seu aparato policial ou
a política de inimizade em relação aos determinados grupos – como um discurso necessário
para a política de segurança da maioria.

No Brasil, ao longo de nossa história, alguns discursos tiveram o poder de retirar a


humanidade de certos grupos através da desclassificação da pessoa, ou seja, da ideia de que
ela merecia ser punida ou que as políticas são para a maioria e não para minorias. Para
Mbembe, quando se nega a humanidade do outro qualquer violência torna-se possível, de
agressões até morte.

A ditadura no Brasil foi um destes momentos. Os 21 anos do regime autoritário


resultaram em mortes e corpos desaparecidos. À época, quando um opositor ao regime era
preso, torturado ou assassinado, este corpo era considerado um inimigo visível e
determinado que merecia um fim. O discurso promovido tinha o poder de estabelecer
parâmetros aceitáveis para tirar vidas e controlar as pessoas.

A escravidão também foi um destes momentos. Os 300 anos da precarização de


inúmeras vidas foram a base da construção e formação da sociedade brasileira. Mesmo
assegurados atualmente a todos os direitos que nos igualam de forma jurídica, os dados
mostram que nem todos têm as mesmas oportunidades. Estamos lidando com um processo
histórico que se iniciou na colonização e que ocorre ainda nos dias atuais, tendo passado por
mudanças significativas, porém mantendo as desigualdades que contribuem para o
extermínio ou a desvalorização das populações negras e indígenas.

Nesse mesmo sentido de marginalização de pessoas, existem discursos que


fortalecem a ideia de que existem lugares subalternizados com alta criminalidade em que
vidas podem ser tiradas em prol do bem comum. A guerra ao tráfico e à criminalidade no
Brasil é um exemplo.
Atualmente, cresce o debate acerca da violência sobre a população negra no Brasil,
particularmente da juventude. Dados mostram que, além de ser mais atingida pela violência
urbana, ela é a que mais sofre pelo encarceramento e pela letalidade policial. Em outras
palavras, o tema nos remete à conjugação entre racismo e desigualdades socioeconômicas,
quando direitos sociais – como acesso à educação, trabalho, renda e saúde – são
dificultados ou mesmo negados à população negra. Como reflexos dessas múltiplas
desigualdades étnicas e raciais no Brasil, observe alguns indicadores nos infográficos abaixo,
que fazem parte do Atlas da Violência 2021, publicado pelo IPEA:

Referências bibliográficas

APOLINÁRIO, M. R.; JUNQUEIRA, S. M.; MELANI, R.; ROMEIRO, J. Diálogo: Ciências Humanas
e Sociais Aplicadas. Relações de poder: território, Estado e nação. São Paulo: Moderna, 2020,
p.15-18.

MBEMBE, Achille. Necropolítica. Arte & Ensaios, [S.l.], n. 32, mar. 2017. ISSN 2448-3338.
Disponível em: <https://revistas.ufrj.br/index.php/ae/article/view/8993>. Acesso em: 1 set.
2021.

POLITIZE. “Necropolítica: o que esse termo significa?”. 30 jul. 2020. Disponível em:
<https://www.politize.com.br/necropolitica-o-que-e/>. Acesso em: 23 ago. 2021.

ESTUDO DIRIGIDO EM GRUPO

Depois de estudar o artigo “Necropolítica”, de Achille Mbembe, e ler o texto de apoio


acima, que visa facilitar o entendimento das ideias centrais propostas pelo autor, respondam
as seguintes questões:
1) Depois de definir o conceito de poder, responda se o Estado e suas instituições oficiais
são os únicos a exercerem o poder e a dominação na sociedade. Justifique sua resposta.

Resposta: O poder é exercer a sua vontade e autoridade em relação ao outro. O Estado e as


instituições oficiais não são as únicas a exercerem o poder, o poder ocorre a todo momento
quando alguém te pede algo que você não queira fazer e faz apenas por que a pessoa pediu.
Quando a mãe pede para o filho lavar a louça, isso é uma relação de poder, no qual a mãe
manda e o filho cumpre o pedido.

2) Na visão de Mbembe - e de Foucault, que o influenciou - como o poder se relaciona com o


saber (discursos)? Dê um exemplo do passado histórico ou da atualidade.

Resposta: Ao afirmar a relação poder e saber, Foucault cria uma definição nova que garante
que o poder do discurso pode funcionar negativamente, distorcendo a verdade e garantindo
a dominação do poder opressor. Essa forma de “ameaça” se dá através do saber. Mas, qual
o perigo que a liberdade do discurso pode trazer? É nessa dúvida que a teoria do filósofo
aposta e vai se desenvolver. Para começarmos uma compreensão faz-se necessário um olhar
sobre a questão do saber e o conceito de vontade de verdade: Mas, numa outra escala, se
nos pusermos a questão de saber, no interior dos nossos discursos, qual foi, qual é,
constantemente, essa vontade de verdade que atravessou tantos séculos da nossa história,
ou, na sua forma muito geral, qual o tipo de partilha que rege a nossa vontade de saber, então
talvez vejamos desenhar-se qualquer coisa como um sistema de exclusão sistema histórico,
modificável, institucionalmente constrangedor.
A sociedade se disciplina através da linguagem das ideias que se proliferam indefinidamente
caracterizando a sociedade do discurso. Por causa desse modo de disseminação, rápida e
indiscriminada, o poder torna-se mascarado e não sabemos, na verdade, onde ele está. Ao
mesmo tempo em que se camuflam, os discursos se perpetuam e influenciam em grande
escala o comportamento do homem em sociedade. Os indivíduos apreendem desde crianças
ideias e valores ditados pelas instituições valorizadas por sua sociedade, tais como a família,
assim como pelas instituições principalmente as escolares. Esses discursos, principalmente,
intentam dizer ao homem qual o papel que ele precisa desempenhar na sociedade.

3) O que é poder disciplinar para Michel Foucault? Dê um exemplo do passado histórico ou


da atualidade.

Resposta: O poder disciplinar não é algo que está restrito a proibição e exclusão, o poder
disciplinar cria verdades, te guiando como deve ou não agir. Um caso do poder disciplinar é
a operação lava jato, que é responsável por investigar os crimes de corrupção e lavagem de
dinheiro no Brasil.

4) O que é biopoder? Dê a definição proposta por Michel Foucault, que depois foi adotada por
Achille Mbembe, e em seguida apresente um exemplo concreto de aplicação desse
instrumento de dominação no passado histórico ou na atualidade.

Resposta: Um formato de governo que busca otimizar um estado de vida na população para
criar corpos economicamente ativos. A tecnologia do biopoder, por sua vez, estaria voltada
para o controle da população em um nível mais amplo, abarcando, por exemplo, o nascimento
e a mortalidade, a saúde, a doença, a duração da vida, a velhice e o urbanismo. Enquanto as
técnicas de disciplina teriam como objetivo fazer com que os indivíduos se submetessem às
normas de conduta, os mecanismos do biopoder seriam utilizados para gerenciar populações
inteiras de indivíduos já disciplinados. Como exemplo do uso do biopoder, podemos destacar:
a organização do Estado. Neste caso, temos um governo que é responsável por criar leis para
regular comportamento dos cidadãos e zelar pela ordem social, bem-estar e segurança das
pessoas.

5) Segundo Mbembe, qual é a função desempenhada pelo racismo no exercício da política de


morte, também chamada de necropoder? Dê um exemplo do passado histórico ou da
atualidade.

Resposta: Ele concordava com o Foucault, ele também acreditava que o racismo também é
uma tecnologia destinada a permitir a morte de uns supostamente para a continuidade de
outros. No entanto, a noção de biopoder não é suficiente para compreender as diversas
formas de submissão da vida ao poder da morte nas sociedades contemporâneas. Pode-se
concluir, que as ações do presidente do Brasil e dos seguidores dele diante da pandemia da
COVID-19 escancaram a perversidade da necropolítica, que coloca a economia em uma
posição de maior importância do que a vida da população brasileira, o que implícita que a
população é considerada como sendo formada por pessoas descartáveis.

6) Nas sociedades coloniais, como o Brasil Colônia, a soberania do Estado era exercida de
que maneira? Lembre-se de abordar a condição das populações indígenas e
afrodescendentes escravizadas em sua resposta e de explicar como o Estado e a sociedade
justificavam o exercício contínuo da violência (o terror e o direito de matar) enquanto norma.

Resposta: Era um exemplo claro de Necropolítica, os bens materiais eram a maior prioridade,
e não importava quem viria a falecer ou não, absolutamente ninguém se implicava a isso, a
menos que aquilo rendesse algo para tal. E não só morte mas como torturas que escravos
eram colocados por motivos diversos, em sua maioria imbecis. De dinheiro a um cargo, o que
importava era ser do alto e não a vida de alguém, com isso incontáveis pessoas morreram
que foram apagadas da história, existe uma estimativa de quantas pessoas se foram na
época da escravidão, porém, sempre será um número desconhecido.

7) Achille Mbembe afirma que as guerras estabelecidas entre os Estados soberanos


modernos (europeus) e as guerras coloniais (aquelas entre metrópoles europeias e colônias)
foram diferentemente percebidas no imaginário europeu. Que diferenças são essas? Em
outras palavras, como cada um desses tipos de guerra era retratado?

Resposta: Para Mbembe, as guerras entre os Estados soberanos modernos eram justificadas
pela relação de inimizade entre as nações. Sob a perspectiva de uma possível existência
inimiga os detentores de poder instauravam medo e insegurança na população, para que ela
os apoiasse no confronto iminente. Já nas guerras coloniais, a principal motivação era o
racismo científico que permitia a execução e exploração de uma raça para manutenção do
povo europeu.
8) Como Achille Mbembe caracteriza as guerras contemporâneas, da era da globalização?
Descreva a forma como os poderes disciplinar, biopolítico e necropolítico estão associados
nesses contextos.

Resposta: Ele as caracteriza como uma guerra de informação, na qual o uso de mídias e
propagandas cumprem o papel de alienar a população como forma de exercer poder sobre
ela. Além da utilização de violência ilegítima e discursos totalitários com a prerrogativa de
proteger a comunidade. Essas formas de influência estão ligadas aos conceitos produzidos
por Mbembe, sendo eles o poder disciplinar, que atua na divisão das pessoas, o poder
biopolítico, responsável pelo controle de quem "deve" viver, e por fim o necropoder que utiliza
a morte como aparato de controle sobre os grupos considerados inferiores.

9) Considere o texto abaixo:

“O Estado brasileiro sempre foi um necroestado. É um Estado de organização da morte, do


extermínio, da espoliação [...] que é a maneira que o Estado tem de lembrar a uma parcela
fundamental da população que ela não tem nenhuma condição de sujeito, que ela não existe
como sujeito. Por isso falar [...] que estamos perdendo direitos, que nossa democracia está
em perigo... Há uma contradição na colocação, porque não é possível que algo que nunca
existiu esteja em perigo.” (Intervenção oral do filósofo brasileiro Wladimir Safatle no debate
Trabalho e os limites da democracia no Brasil. TV Boitempo. Disponível em
<https://www.youtube.com/watch?v=D8HaJXn6Zbs>. Acesso em 16 jun. 2020.)

Você concorda com a posição do filósofo, que afirma que o Estado brasileiro é necropolítico?
Por quê? Quais seriam os alvos do necropoder? Apresente dados estatísticos oficiais para
justificar sua resposta.

Resposta: Sim, o Brasil deve ser considerado um país necropolítico pois adota em suas
estruturas a política da morte – o uso ilegítimo da força por meio de seu aparato policial ou
a política de inimizade em relação aos determinados grupos – como um discurso necessário
para a política de segurança da maioria. Pode-se afirmar que o principal alvo desta política
são as minorias, como mulheres, negros, indígenas, homossexuais, que sofrem com
discursos que tentam retirar a humanidade deles.
De acordo com a Revista Exame: Em 2017, a Anistia Internacional divulgou um relatório em
que o Estado brasileiro foi apontado como país que mais matou minorias. Pois, além de
liderar o assassinato de jovens negros e pessoas LGBTQI+, o país também lidera na categoria
de homicídios de membros de grupos de defesa da terra e policiais.

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