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Casos Praticos Resolvidos Direito Das Obrigacoes

Este documento apresenta a resolução de três casos práticos relacionados com o Direito das Obrigações. O primeiro caso trata de enriquecimento sem causa devido ao pagamento pela metade de uma casa. O segundo caso analisa a aplicação do enriquecimento sem causa a um empréstimo nulo. O terceiro caso examina a figura jurídica da gestão de negócios relacionada com obras realizadas numa casa sem consentimento.

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Casos Praticos Resolvidos Direito Das Obrigacoes

Este documento apresenta a resolução de três casos práticos relacionados com o Direito das Obrigações. O primeiro caso trata de enriquecimento sem causa devido ao pagamento pela metade de uma casa. O segundo caso analisa a aplicação do enriquecimento sem causa a um empréstimo nulo. O terceiro caso examina a figura jurídica da gestão de negócios relacionada com obras realizadas numa casa sem consentimento.

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Casos práticos resolvidos - Direito das Obrigações

Direito das Obrigações A/B/C/D (Universidade Catolica Portuguesa)

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Casos práticos resolvidos.

Tema: enriquecimento sem causa.

1.º Caso prático

António e Berta vivem em união de facto. O António adquiriu uma casa, cujo
valor foi pago com metade do preço dessa casa com o dinheiro de Berta.
António registou a casa em seu nome, e mais tarde doou-a ao filho de ambos,
garantindo para si um direito de usufruto. Posteriormente verificou-se uma
ruptura da união de facto, e António expulsou Berta da casa, continuando
aquele a viver sozinho no apartamento. Berta intentou uma acção, exigindo que
o réu lhe devolvesse a quantia inteira (€ 150.000,00), acrescido dos juros
legais, alegando como fundamento da causa o enriquecimento sem causa
legítima que sustentasse esse enriquecimento.
Quid júris?

Resolução:

Para falarmos de enriquecimento sem causa temos que ter em consideração


três pressupostos (art.º 473.º do CC).
Existência de um enriquecimento;
Obtenção desse enriquecimento à custa de outrem;
Ausência de causa justificativa.
Devemos ter em atenção que este instituto é de natureza subsidiária (art.º
474.º). Por exemplo, se o regime das nulidades do art.º 289.º fosse aplicável, o
instituto do enriquecimento sem causa não seria utilizado.

Modalidades de enriquecimento sem causa:


1. Enriquecimento por prestação. Ex. Paguei a um trabalhador salários futuros;
mas ele não veio trabalhar. Critério de indemnização: o montante entregue.
2. Enriquecimento por intervenção.
ü Gestão de bens de terceiros; ü Exige uma actuação do agente;
ü Apropriação de frutos.

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Critério de indemnização:
ü Triplo limite: – Valor concreto; – Valor real; – Enriquecimento abstracto.
ü Critério simples: é o valor real, o valor efectivo (art.º 473.º, n.º 1; art.º 468.º).
3. Despesas realizadas em beneficio de outrem e despesas com a coisa.
Resultam com frequência em casos de gestão de negócios. São restituídos
todos os direitos obtidos. Não entram ganhos potenciais.

Voltemos ao caso prático.


1. Analise dos pressupostos do enriquecimento sem causa.
1.1. Há existência de enriquecimento sem causa? Há. Aqui existe uma
atribuição patrimonial. O resultado dessa atribuição não é aqui relevante (ou
seja, o elemento doação não interessa).
1.2. Houve um aumento do património de António às custas de Berta.
1.3. Não há causa que justifique este enriquecimento. Nota: o conceito de
justiça no enriquecimento sem causa é um conceito normativo.
Ex. O enriquecimento seria justo se a entrega do dinheiro, que Berta cedeu a
António, se tratasse de uma doação.
Os pressupostos, neste caso 1, estão devidamente preenchidos. O Tribunal
considerou haver um enriquecimento sem causa, por prestação. A Sr.ª Berta
podia pedir juros? Para responder a essa questão temos que ter em conta os
limites à aplicação deste instituto (n.º 1 do art.º 479.º). Ele enriqueceu 150.000.
Ela empobreceu 150.000 mais juros. No caso de haver enriquecimento sem
causa por prestação, deve valer o valor de mercado.

Ao resolver um caso prático.


1. Justificar a aplicação de um determinado instituto.
2. Propor soluções.

2.º Caso prático.


Alberto Almocreve Almoço intentou uma acção contra Belchior Bolacha Maria,
alegando ter mutuado (emprestado dinheiro) a quantia de € 15.000,00. Esse
contrato foi declarado, em 1.ª Instância, nulo, por falta de forma. Alberto vem
agora exigir a devolução dessa quantia, com base no pressuposto do

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enriquecimento sem causa de Belchior, à luz do art.º 473.º do CC.


Quid júris?

- -

1.º Caso prático.

A empresa Amoreiras Parque intentou uma acção judicial contra a empresa

Amoreiras Imobiliário, SA, responsável pela construção de um empreendimento

residencial na zona limítrofe ao Centro Comercial Amoreiras, em Lisboa. Na

acção a Amoreiras Parque exigiu o pagamento de €500.000,00, pelo facto do

valor do empreendimento realizado pela Amoreiras Imobiliário, SA ter

beneficiado da publicidade da firma Amoreiras Parque, responsável pela

gestão das denominadas Torres das Amoreiras e do Centro Comercial. A

causa de pedir reporta-se à aplicação do instituto do enriquecimento sem

causa, dado que para a utilização dessa denominação não foi dada qualquer

autorização.

Quid Júris?

Resolução.

Os requisitos do enriquecimento sem causa estão preenchidos?


A. Existência de um enriquecimento. Este enriquecimento não tem que ter
correlação com um empobrecimento efectivo da outra parte. É o caso. Aqui há
uma apropriação de uma utilidade que neste caso é o nome da firma. Ler bem i
n.º 1 do art.º 473.º “…enriquecer à custa de outrem.”
B. Obtenção desse enriquecimento à custa de outrem.

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C. Ausência de causa justificativa. (Neste caso prático estamos em presença


de enriquecimento por intervenção. ) Ver o art.º 474.º, sobre a natureza
subsidiária da aplicação deste instituto.

Há responsabilidade civil? Na questão não estão descritos os requisitos para a


aplicação deste instituto. Critérios:
ü Violação de uma regra jurídica (um facto de natureza ilícita);
ü Elemento volitivo (com dolo ou mera culpa).
ü Produzir danos efectivos.
ü Existência de nexo entre os danos e a acção. Neste caso concreto não foi
descrito nenhum dano concreto à Amoreiras Parque. Assim, excluímos o
instituto de responsabilidade civil. O art.º 474.º não é accionado.

——–//——–

 Enriquecimento sem causa por intervenção. Dá-se através da ingerência em


bens alheios, sem o consentimento do seu titular. Não é necessário que haja
dano no património do lesado.
 Pretensão da autora: € 500.000,00. Este valor tem a ver com a marca (nome
da empresa). O titular de uma marca tem o direito de actuar contra o uso
ilegítimo da marca, por parte de terceiros. O enriquecimento sem causa aplica-
se muito a estes casos de apropriação de marcas. E agora em que medida a
Amoreiras Imobiliária SA vai devolver à Amoreiras Parque? Critérios: art.º 479.º
do CC. Nos termos deste artigo, temos que saber qual é o valor de mercado da
marca. Quanto pagaria uma empresa para poder utilizar esta marca? Neste
caso, não havendo empobrecimento da Amoreiras Parque, o valor da
indemnização vai ser o valor objectivo que a empresa Amoreiras Imobiliários
SA usufruiu por utilizar o nome. Se o valor de mercado for de €500.00,00, este
será o montante da indemnização.

2.º Caso prático.

Em Agosto, António, amigo de Belmiro, que se encontrava em França, vendo o


estado e degradação da casa deste, decide tomar por sua conta, uma iniciativa

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para por cobro à situação. Contratou em nome de Belmiro a empresa


Caramelos Construções, Lda, para efectuar as obras de reparação. O preço da
obra foi de € 250.000,00, em virtude de António ter optado por um projecto de
arquitectura assinado, pretendendo reformar o gosto tradicional de Belmiro (!).
Regressado de França, Belmiro teve conhecimento dos actos de António. Após
recuperar de um desmaio, não aprovou a restauração da casa, que considerou
de péssimo gosto. Decide pô-la à venda. Até ao momento não foi pago o valor
da dívida à empresa Caramelos Construções, Lda, imputando António e
Belmiro reciprocamente essa responsabilidade. Quid júris?

Resolução. Figura jurídica: gestão de negócios (art.º 464.º e ss).


Requisitos da gestão de negócios (art.º 464.º).
 Direcção de um negócio alheio (em regra são os actos de administração; às
vezes podem ser os actos de disposição).
 O gestor age no interesse e por conta de interesse alheio.
 Falta de autorização. Quais os deveres do gestor? (art.º 465.º)  Não pode
interromper a gestão. Â Tem que conformar-se com a vontade do dono do
negócio (ver bem a alínea a).
 Deve fazer a entrega de valores e prestar contas.  Obrigação de aviso e
informação do dono do negócio. (completar). Tive que sair antes do fim da
aula.

- -

1.º Caso prático.


António contraiu uma dívida no valor de 10.000 €, na aquisição de um conjunto
de electrodomésticos. Posteriormente separou-se de Teresa, com quem vivia
maritalmente, ficando esta a residir na referida morada. António, que entretanto
já iniciara o pagamento da dívida, já tendo entregue ao credor 2.000 €,
pretende desvincular-se do referido encargo. Para o efeito acorda com Teresa
que esta ficaria com a obrigação de pagar as 4 prestações restantes, no valor
de 2.000 € cada. A prestação seguinte vence a 1 de Dezembro e as seguintes
no primeiro dia de cada mês. António comunicou o acordo ao estabelecimento
no dia 1 de Outubro, não tendo recebido até agora qualquer resposta.

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Quid Júris?

António que transmitir a dívida a um terceiro. Figura jurídica em causa: cessão


de obrigações (art.º 577.º e ss). A cessão aqui prevista não é um negócio
jurídico, mas é o efeito de um negócio jurídico, que pode revestir várias
naturezas. O efeito da cessão depende do negócio jurídico que lhe esta
subjacente. A cessão aqui é uma mera transferência (ver art.º 578.º). Na
transmissão de dívidas aplica-se o regime previsto. Aqui estamos a falar da
transferência de um encargo. A origem deste encargo é um contrato de compra
e venda. 1. Temos que analisar o acordo. O acordo é válido? A lei exige que o
credor ratifique (art.º 595, n.º 1, alínea a) e n.º 2). Ou seja, o acordo não é
válido enquanto o credor não ratificar. (nota: ratificação: é uma declaração
negocial unilateral de aceitação). Até ao momento da ratificação pelo credor, o
responsável pela divida é ainda o António (art.º 596.º, n.º 1). António
comunicou ao estabelecimento. Ele pode fixar um prazo para o credor se
pronunciar (art.º 596.º, n.º 2). A 1-11-2008 António terá que pagar a prestação
(a empresa ainda não se pronunciou nesta data. No dia 29-11-2008 o
estabelecimento ratifica o acordo; a partir dessa data a dívida passou para a
responsabilidade de Teresa.

2.º Caso prático. (continuação) Considere que a 29-11-2008 o estabelecimento


comunica a António que aceita o acordo estabelecido entre este e Teresa.
Imagine que Teresa posteriormente alega a invalidade do contrato celebrado
com António, invocando o vicio da coacção, ou que após a aceitação do
referido acordo pelo estabelecimento ela é declarada insolvente.
Quid Júris?
a) Mas Teresa veio alegar que foi sujeita a coacção. Ou seja, o acordo tem um
vicio que comporta a anulabilidade do contrato. Agora o que está em causa é a
invocação de um vício no contrato entre os dois devedores. Mas aqui não há
declaração judicial que declare a nulidade do contrato. No caso desta hipótese,
como não há declaração judicial de nulidade, a Teresa é devedora.
b) Insolvência de Teresa. Ver art.º 595.º, n.º 2 e art.º 600.º. Se o credor não
exonerou o antigo devedor, a questão não é importante; António responde pela

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dívida. Se o credor exonerou o antigo devedor, aquele fica impedido de exercer


contra este o seu direito de crédito.

- -

1.º Caso prático.


Fernando, comerciante de automóveis, importou um carro de colecção do
Reino Unido, para o vender a Joaquim (seu irmão), a António e a Bento,
coleccionador de automóveis. Joaquim, António e Bento ficaram a dever a
Fernando 150.000 €, tendo ficado acordado que qualquer um deles assumiria o
pagamento integral da dívida. Posteriormente Fernando veio a falecer, sendo
Joaquim o seu único herdeiro. Joaquim exige agora a António que proceda ao
pagamento da dívida.
Quid Júris?
Este caso tem a ver com as obrigações solidárias 8art.º 512.º e ss). Temos
aqui uma relação jurídica de carácter obrigacional. O lado activo é o credor, e o
lado passivo é o devedor. Estamos a tratar de uma obrigação plural, neste caso
pelo lado de devedor. A pluralidade passiva está, em regra, sujeita ao regime
da conjunção. São obrigações conjuntas, não geminadas (art.º 513.º). O art.º
513.º reduz o âmbito da solidariedade a casos típicos (a professora fez várias
remissões do art.º 513.º para os art.º 507.º, 467.º, 649.º, 997.º e 1169.º). Nesta
hipótese prevalece a vontade das partes, ou seja, as partes escolheram a
responsabilidade solidária. O Joaquim passou de devedor de 50.000 € a credor
de 100.000 €. Aqui não h´s direito de regresso (art.º 524.º), mas sim lugar ao
regime de confusão (art.º 868.º). Nas obrigações plurais, em caso de
pluralidade passiva, a regra é a de obrigação conjunta, havendo lugar a
obrigação solidária quando a lei ou a vontade das partes estipular. Assim,
aplica-se o art.º 512.º. Porém, ainda restava um remanescente, que deve ser
pago pelos devedores (ver art.º 516.º; 519.º e 524.º). O Joaquim poderá exigir o
montante total (100.000 € a um dos devedores. Este devedor é que pode exigir
o regresso.
Há meios de defesa? Art.º 514.º.
• Meios de defesa comum;
• Meios de defesa pessoais.

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Nota:
1. Meios de defesa comuns: são os meios que têm a ver com a natureza
obrigacional. Ex. Se um credor entrar em mora, e um dos devedores aproveita,
essa defesa também aproveita aos outros devedores.
2. Meios de defesa pessoal. Confusão e compensação. Ex. A emprestou a B. A
pode usar o empréstimo como meio de defesa pessoal contra B.

2.º Caso prático. (continuação) Suponha que António tinha emprestado a


Fernando o montante de 250.000 €. Quem pode invocar a Joaquim tal facto?
Aqui entra o art.º 514.º, n.º 2. Há uma dívida na herança. Pela dívida responde
a herança. Podemos fazer uma compensação (art.º 847.º) e isto porque os
requisitos estão preenchidos. António alega, como meio de defesa pessoal, se
Joaquim lhe exigir o pagamento integral da dívida, que quer fazer a
compensação e, deste modo, exime-se do pagamento da dívida. Tem ainda o
direito de regresso sobre Bento.

- -

1.º Caso prático.


Arturius, Lda, empresa do ramo têxtil, comprou à empresa Borbulha, SA, 500
Kg de pigmentos destinados à tintagem de tecidos, no valor de 25.000 €. Ao
aplicar o produto em alguns tecidos, estes ficaram com uma cor diferente
daquela que era prevista nos rótulos das embalagens. Apurou-se
posteriormente que tal facto ficou a dever-se a uma troca de rótulos em
algumas embalagens. Arturius, Lda vem reclamar de Borbulhas SA uma
reparação dos danos causados, fundamentando a sua pretensão em
incumprimento contratual e recusa, em simultâneo, o pagamento do preço das
tintas.
Quid Júris?
Classificação do contrato celebrado: contrato de compra e venda (figura que
vem regulada no art.º 874.º e ss). Os efeitos deste contrato vêm descritos no
art.º 879.º.
É um contrato com eficácia real. O que é a entrega da coisa? É uma prestação
de facto positivo. Nesta hipótese estamos perante uma situação atípica: houve

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cumprimento do contrato. A mercadoria foi entregue. Mas a coisa entregue


estava viciada (defeito no âmbito das prestações).
Efeitos do contrato celebrado.
ü Art.º 406.º (eficácia do contrato). ü Muito importante. Ver ainda o art.º 762.º-
cumprimento (principio geral).
No caso da hipótese houve cumprimento, e houve boa-fé da parte da empresa
B. A obrigação foi cumprida, mas houve uma inexecução da obrigação. O
devedor efectua a prestação, mas o cumprimento é defeituoso. Ou seja, o
cumprimento não tem o resultado contratado pelas partes. Art.º 799.º O
cumprimento defeituoso remete-nos para o regime de mora e da falta de
cumprimento. A compra e venda tem um regime especifico (venda de coisas
defeituosas; art.º 913.º) Há coisa defeituosa quando as qualidades
asseguradas pelo vendedor não correspondem às características do produto. O
regime da venda de coisa defeituosa à aplicável à hipótese. O comprador tem a
obrigação de denúncia do defeito (art.º 916.º). No n.º 2 deste art.º vêm os
prazos para denúncia: 30 dias; 6 meses. O vendedor foi confrontado com o
vício da mercadoria. Os requisitos do art.º 916.º estão preenchidos.
Presumimos que o prazo para a denúncia foi respeitado. Efeitos jurídicos: art.º
914.º E se os tecidos ficaram estragados? Responsabilidade contratual (art.º
798.º e ss). A empresa B teria que substituir a mercadoria. E em principio não
conseguia ilidir a presunção (art.º 799.º e 800.º).

2.º Caso prático. (continuação) Considere que a entrega da mercadoria foi


conforme ao acordado entre as partes, e a recusa do preço se deveu a falta de
liquidez da empresa Arturius.
Quid júris?

Artigos 874.º e 879.º. Art.º 406.º Obrigação de entrega do preço. Mora do


devedor: art.º 804.º. Art.º 806.º Obrigação pecuniária ( a empresa A fica
obrigada ao pagamento do preço e ainda de juros de mora).

Caso prático

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No dia 1 de Outubro Belmiro Belchior Bolacha fez com Alperce Marado um


contrato, em que acordaram o seguinte: 1. B vendia a A um quadro de um
pintor de renome, pelo valor de 12.000 €, no prazo de um mês. 2. A
comprometia-se a ceder o quadro a B, sempre que ele realizasse determinados
tipos de eventos sociais em sua casa. 3. Após a celebração do contrato,
sucedem se os seguintes facto:
a) O atelier de Belmiro, aonde este guardava o famoso quadro, incendiou-se,
ficando o quadro reduzido a um patético monte de cinzas. ou
b) Após a entrega do quadro, A anuncia a B que não iria o ceder, dado que o
mesmo era de dimensões avultadas (3×5 metros) e essa cedência lhe causava
transtorno. Resolução

1. A e B celebrem um contrato. Para identificarmos a obrigação, temos que


definir o tipo de contrato. É um contrato de compra e venda (art.º 874.º e ss). É
um contrato sinalagmático. Este contrato foi, à partida, cumprido. Produz-se os
efeitos do art.º 879.º. Há um efeito oo legis (que se traduz na transferência da
propriedade). 2. Quais são os regimes que se aplicam aqui, face às cláusulas
introduzidas?
A) Temos uma compra e venda, com uma cláusula atípica, mas que não
afecta esta compra e venda. Ou seja, temos aqui uma nova cláusula que criou
uma nova obrigação. O devedor B tinha a obrigação de emprestar o quadro a
A, em determinadas condições. B veio a recusar o cumprimento desta cláusula.
Afinal, a que tipo de obrigação estava B adstrito? É uma obrigação de
prestação de coisa. Ver art.º 827.º- entrega de coisa determinada. O devedor
falta culposamente ao cumprimento da obrigação. Agora passamos ao art.º
801.º. B não cumpre e entra em mora, no dia em que há um evento e não
entrega o quadro. É uma obrigação pura (sem prazo determinado).
Na hipótese não havia impossibilidade de cumprimento. No dia em que A pede
o quadro a B, e este recusa, entra em mora (art.º 825.º, n.º 1). O credor pode
exigir judicialmente o cumprimento da obrigação (art.º 827.º). B) O quadro foi
destruído por um incêndio. A obrigação extingue-se (art.º 790.º, n.º 1). A culpa
não é do devedor.

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1.º Caso prático.


António comprou a Joaquim um barco a motor, no valor de 20.000 €, tendo
ficado acordado que lhe seria entregue em 25-11-2008. Ficou ainda
estabelecido que a embarcação seria fornecida com os equipamentos
suplementares, nomeadamente com um depósito de água. Na data acordada,
a embarcação não foi entregue, pelo facto do depósito não estar ainda
instalado, tendo A ainda solicitado a J mais uns apetrechos para a mesma. Em
1-12-2008, J comunica a A que a embarcação se encontrava pronta para
entrega. Considere os seguintes aspectos.
A) A, ao utilizar a embarcação, numa viagem para o Algarve, verificou que a
mesma tinha a direcção afectada pela colocação do depósito de água.
B) A devolveu a embarcação, tendo exigido que lhe fosse entregue quando
estivesse totalmente reparada, estabelecendo a data limite 8-12-2008. No
passado dia 8, J tendo a embarcação pronta para entrega, solicitou a A que
procedesse ao pagamento em dívida, e que fosse buscar a embarcação. Até
ao momento A nada disse.
C) Suponha que no dia 9-12-2008 o armazém onde J guardava o barco
incendiou-se.
Quid Juris?

ü Temos um contrato de compra e venda,


ü Não houve logo a entrega da coisa, nem o pagamento foi efectuado.
ü A). Há um prazo fixado para a entrega da coisa. E J incorreu em mora,
porque não entregou a embarcação no dia acordado. Este incumprimento não
é definitivo.
ü Aplicamos o art.º 798.º? Não. O devedor não agiu culposamente. E o credor
não sofreu prejuízo. Este até aproveita a mora para pedir mais equipamentos.

A) Venda de coisa defeituosa (art.º 913.º). Cumprimento defeituoso da


obrigação. O vendedor incorre numa responsabilidade de indemnizar o credor,
pelos danos sofridos. O comprador quer tornar o incumprimento temporário,
para poder adquirir a coisa; exige ao vendedor a reparação da embarcação. O
devedor cumpre a sua obrigação e exige-lhe o pagamento.

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B) O credor, após ter sido notificado para efectuar o pagamento, não procede
ao solicitado. Assim, este entra em mora, porque não aceita atempadamente a
prestação de J (art.º 813.º). O credor entra em mora, e isso tem efeitos
jurídicos (art.º 813.º e 814.º). O devedor tem o direito do credor aceitar a
embarcação.
C) O barco ardeu. Art.º 815.º: o risco corre pelo credor. Este tem que pagar o
barco.

- -

1.º Caso prático.


Natália, proprietária de uma empresa de floricultura, comprometeu-se com
Helena a fornecer 3.000 rosas para a decoração de um evento, a realizar no
dia 23-12-2008. Considere as seguintes hipóteses.
A. No dia da entrega, 23-12-2008, Natália verificou que as rosas destinadas ao
evento se encontravam estragadas, devido a uma inundação, que ocorreu na
estufa onde as guardava.
B. Devido a um atraso, Helena não conseguiu comparecer no local à hora
combinada com Natália, para receber a encomenda. Por esse facto Natália
teve que regressar à sua exploração de floricultura com as roas, tendo estas
ficado inutilizadas em consequência do transporte.
C. Conforme o combinado, Natália entregou a encomenda a uma empresa
transportadora no local combinado, tendo a carrinha que procedia ao transporte
dessas flores sofrido uma colisão, o que provocou a perda total da mercadoria
transportada.
Quid júris?

Tipo de contrato: contrato de compra e venda (art.º 874.º e ss).

A) Resolução 1.º Identificamos o contrato em questão – contrato de compra e


venda. O que é um contrato de compra e venda? È o contrato pelo qual se
transmite a propriedade de uma coisa, ou outro direito, mediante um preço.
Agora atenção aos efeitos deste contrato. Que tipo de obrigação se
estabeleceu? Obrigação genérica (art.º 539.º). É um contrato com eficácia real

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(art.º 408.º, n.º 2). Art.º 408.º, n.º 2 – a transferência respeita a coisa futura.
Quando a coisa futura se constituir, a transferência dá-se. Ou seja, quando a
coisa se autonomizar. Art.º 790.- (impossibilidade objectiva) Será aplicável? “…
se torne impossível…” Este preceito quer se referir a qualquer pessoa. Ou seja,
se a prestação ainda é realizável, mesmo por outra pessoa, este regime não é
aplicável. Esta prestação é uma prestação fungível (art.º 540.º). A devedora
tem que encontrar as rosas, senão entra em incumprimento da obrigação. Por
outras palavras, a Natália continua obrigada à prestação. Aplicamos o art.º
807.º? Não. Aqui ainda não houve concentração, logo a transferência de
propriedade ainda não se deu. O onús do perecimento dos bens corre pelo
proprietário. A Natália deve indemnizar a outra parte se não cumprir.

B) Aqui já houve concentração; já houve transferência de propriedade para


Helena. A escolha ficou a cargo do devedor (art.º 539.º). A regra geral é que a
escolha é feita pelo devedor (art.º 542.º). A excepção será o art.º 542.º, n.º 2.
Como nada foi dito no contrato, é ao devedor que incumbe fazer a
autonomização dos bens. A Natália fez a concentração da obrigação. Ao fazer
a concentração, transfere-se a propriedade. O credor incorreu em mora (art.º
813.º). O risco corre pelo credor (art.º 815.º). E poderá ter que pagar uma
indemnização 8art.º 816.º). Natália fica desonerada.

C) A concentração ocorre quando o transportador recebe as flores (art.º 541.º).


Responsabilidade de terceiros (art.º 797.º) Desonera o devedor, mas não
especifica quem fica responsável. Em regra o risco corre por conta do
transportador. Ou seja, Natália fica desonerada, mas este art.º 797.º não
especifica quem fica obrigado.

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