CENTRO UNIVERSITÁRIO - UNIESP
BACHARELADO EM NUTRIÇÃO
EUDMA THAÍS SARAIVA DE SOUZA
DIETA E CÂNCER DE MAMA
CABEDELO – PB
2021
EUDMA THAÍS SARAIVA DE SOUZA
DIETA E CÂNCER DE MAMA
Trabalho de Conclusão de Curso – TCC
apresentado à Coordenação do Curso de
Nutrição do Centro Universitário – UNIESP,
como exigência complementar para obtenção
do título de Bacharel em Nutrição.
Orientadora: Profª. Drª. Priscilla Maria Pereira
Maciel
CABEDELO – PB
2021
Trabalho de Conclusão de Curso – TCC
apresentado à Coordenação do Curso de
Nutrição do Centro Universitário – UNIESP,
como exigência complementar para obtenção
do título de Bacharel em Nutrição.
Data da Aprovação: Cabedelo, 27 de maio de 2021.
BANCA EXAMINADORA
Profª. Drª. Priscilla Maria Pereira Maciel
(Orientadora)
Prof. Dr. José Caetano da Silva Filho
(Examinador)
_
Prof. Dr. Carlos Eduardo Vasconcelos de Oliveira
(Examinador)
Eudma Thaís Saraiva de Souza ([email protected]), Priscilla Maria Pereira Maciel
([email protected])
RESUMO
O câncer ocorre devido ao crescimento desordenado de células no organismo; classifica-se
como doença crônica não transmissível e atinge milhares de pessoas todos os anos. Suas
causas primárias ainda não estão totalmente esclarecidas, porém, sabe-se que as neoplasias
malignas surgem devido às mutações genéticas espontâneas ou induzidas por agentes
patogênicos. Os hábitos alimentares também contribuem para a prevalência desta doença na
população. O papel da nutrição no cuidado dos pacientes portadores de neoplasia mamária é
relevante durante todo o processo da doença, desde seu diagnóstico até a recuperação do
paciente. Este artigo objetivou transmitir os benefícios do consumo dos alimentos funcionais,
com ênfase na importância da boa alimentação, para prevenção do câncer de mama e
qualidade de vida. Foi realizada uma pesquisa de artigos publicados no período de 2010 a
2021 nas seguintes bases: PUBMED, Google Acadêmico e SciELO, com as palavras-chave
“Câncer de mama”, “Alimentação”, “Tratamento” e “Prevenção”, obtendo-se um total de 30
artigos. Com base nos artigos e estudos consultados, é possível concluir que a alimentação é
um fator de grande potencial, seja ela como um fator de risco ou de prevenção, para mulheres
com câncer de mama em qualquer momento da vida, visto que um paciente com estado
nutricional adequado responde melhor ao tratamento atenuando os sintomas causados pelo
mesmo. Por isso, é imprescindível a informação e o conhecimento sobre o consumo adequado
dos alimentos, como também a inserção de uma boa alimentação e hábitos saudáveis diários,
voltado para prevenção do câncer de mama.
Palavras-chave: Câncer de mama. Alimentação. Tratamento. Prevenção.
ABSTRACT
Cancer occurs due to the disorderly growth of cells in the body. It’s classified as a chronic
non-transmissible disease and affects numbers of people every year. Its primary causes are not
yet fully understood, however it is known that malignant neoplasms arise due to spontaneous
genetic mutations, or induced by pathogens. Eating habits also contribute to the prevalence of
this disease in the population. The role of nutrition in the care of patients with breast cancer is
relevant throughout the disease process, from diagnosis to patient recovery. This article aimed
to convey the benefits of consuming the food provided, with an emphasis on the importance of
good nutrition for breast cancer prevention and quality of life . A search was carried out for
articles published from 2010 to 2021 in the following databases: PUBMED, Academic Google
and SciELO, with the keywords "Breast cancer", "Food", "Treatment" and "Prevention",
obtaining a total of 30 articles. Based on the articles and studies consulted, it is possible to
observe that nutrition is a factor of great potential for women with breast cancer at any time in
life, since a patient with an adequate nutritional status responds better to treatment. Therefore,
it is essential to have information and knowledge about the proper consumption of food, as
well as the inclusion of good nutrition and healty daily habits, aimed at preventing breast
cancer.
Keywords: Breast cancer. Nutrition. Treatment. Prevention.
5
1 INTRODUÇÃO
O câncer constitui um problema de saúde pública em todo o mundo. No Brasil milhares
de pessoas são acometidas pela doença todos os anos, segundo as estimativas no ano de 2020
66.280 milhões de mulheres são acometidas de câncer de mama. O câncer é classificado como
uma doença crônica não transmissível, que surge pelo crescimento celular desordenado,
atingir vários tecidos do corpo, caracterizando a metástase. Essa doença surge devido a fatores
biológicos e ambientais, que ao serem associados há maior chance de desenvolvimento do
câncer (INCA, 2021).
Dentre os diversos tipos de cânceres, o de mama é compreendido por um grupo de
doenças com diversas manifestações clínicas, derivadas de variações genéticas e
morfológicas, ocasionadas pelo crescimento de células anormais na mama, gerando
anormalidades proliferativas nos lóbulos e ductos da mama que incluem hiperplasia,
hiperplasia atípica, carcinoma in situ e carcinoma invasivo (MARTINS et al., 2013).
O câncer de mama é o mais incidente em mulheres no mundo, com aproximadamente
2,3 milhões de casos novos estimados em 2020, o que representa 24,5% dos casos novos por
câncer em mulheres. É também a causa mais frequente de morte por câncer nessa população,
com 684.996 óbitos estimados para esse ano (15,5% dos óbitos por câncer em mulheres)
(IARC, 2020). As modalidades convencionais de tratamento antineoplásico são quimioterapia,
radioterapia, iodoterapia, cirurgia e transplante de medula óssea. O tratamento, devido a sua
toxicidade, causa efeitos adversos aos pacientes como náuseas, vômitos, mucosite,
constipação, diarreia, alteração no paladar, xerostomia e alteração na absorção dos nutrientes
(ALVES; ESCOTT-STUMP, 2010). Devido aos efeitos adversos, muitos pacientes deixam de
se alimentar, pois apresentam incômodo ao mastigar e deglutir, inapetência ou saciedade
precoce, acarretando em anorexia e desnutrição, podendo evoluir a caquexia, interferindo na
qualidade de vida (GUIMARÃES; ANJOS, 2012). Esse processo de desnutrição pode causar
complicações no tratamento do câncer e este estado que é, por vezes, negligenciado, afeta o
sistema imunológico e diminui as chances de melhoria do paciente, podendo ocasionar o óbito
(TOLEDO et al., 2018). O tratamento oncológico pode ser realizado através de quimioterapia,
utilizada para combater as células cancerosas, presentes no organismo. Porém, os
medicamentos utilizados agridem também os tecidos saudáveis do corpo, pois são tóxicos e
causam efeitos colaterais, que refletem em mudanças do estado nutricional do paciente
(VALE et al., 2015).
O tratamento contra o câncer, na maioria das vezes, provoca consequências
nutricionais, físicas e até mesmo psicológicas, sendo, indispensável. Nesse contexto, o
acompanhamento nutricional é fundamental para minimizar a perda de peso e o déficit
6
nutricional, mediante a aplicação da terapia nutricional individualizada, levando em
consideração a que tratamento foi submetido e a história médica do paciente. A intervenção
nutricional adequada melhora a resposta clínica e pode ser feita por via oral, enteral e
parenteral (AZEVEDO; BOSCO, 2011).
Hábitos de vida saudáveis, como uma alimentação equilibrada e a prática regular de
atividade física, são importantes em todas as fases da vida. Eles podem prevenir diversas
doenças, como hipertensão, diabetes e câncer. Manter um estilo de vida saudável durante e
também após o tratamento do câncer pode evitar o ressurgimento da doença e contribuir para
sua melhor qualidade de vida (INCA, 2017).
O acompanhamento é realizado por meio de triagens nutricionais, que identificam os
sintomas presentes no paciente. A avaliação é feita a partir de fatores, como: a perda de peso,
a ingestão alimentar diária; os sintomas gastrointestinais que afetam diretamente o estado
nutricional, entre outros, como exame físico e alterações funcionais (GONZALEZ et al.,
2018). Essa avaliação é fundamental e deve ser feita em pacientes oncológicos, de forma
simples e de fácil entendimento. É importante também o correto diagnóstico, para que se
tenha uma abordagem nutricional adequada, que contribua positivamente com o tratamento.
2 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA
2.1 O câncer de mama
Nas mulheres, o câncer de mama é o mais frequente e responde por 22% dos novos
casos, representando a principal causa de morte por câncer entre as mulheres brasileiras desde
1980. A etiologia do câncer de mama ainda é pouco conhecida e os fatores de risco explicam
apenas uma pequena proporção de casos (QUEIROZ et al., 2018). Os fatores de risco para o
desenvolvimento do câncer de mama não possuem causa única. Entre eles, destacam-se fatores
endócrinos como a história de menarca precoce (menor que 12 anos), menopausa tardia (após os
55 anos), primeira gravidez após os 30 anos, nuliparidade e uso de contraceptivos orais e de
terapia de reposição hormonal pós-menopausa, especialmente por tempo prolongado segundo a
Agência Internacional de Pesquisa em Câncer (IARC) da Organização Mundial da Saúde
(OMS) (INCA, 2017).
Para o Brasil, estimam-se que 66.280 casos novos de câncer de mama, para cada ano do
triênio 2020-2022. Esse valor corresponde a um risco estimado de 61,61 casos novos a cada 100
mil mulheres. Sem considerar os tumores de pele não melanoma, o câncer de mama feminino
ocupa a primeira posição frequente em todas as Regiões brasileiras, com um risco estimado de
81,06 por 100 mil na Região Sudeste; de 71,16 por 100 mil na Região Sul; de 45,24 por 100 mil
na Região Centro-Oeste; de 44,29 por 100 mil na Região Nordeste; e de 21,34 por 100 mil na
Região Norte (INCA, 2020).
O INCA/MS (2018) define o câncer de mama como um grupo heterogêneo de doenças,
com comportamentos distintos. A heterogeneidade deste câncer pode ser observada pelas variadas
manifestações clínicas e morfológicas, diferentes assinaturas genéticas e consequentes diferenças
nas respostas terapêuticas. As anormalidades da mama são hiperplasia, hiperplasia atípica,
carcinoma in sito e carcinoma invasivo. O carcinoma ductal infiltrante é citado como o tipo
histológico, mais comum, sendo 80 a 90% dos casos totais.
O autoexame de mama tem sido incentivado pelas campanhas realizadas pelos
profissionais da saúde, apresentam objetivo de educar e conscientizar as mulheres sobre a
importância de realizarem o autoexame das mamas afim de detectarem sinais e sintomas que
possam diagnosticar precocemente o câncer de mama (ENDRIGO J e TRALDI MC,2017).
8
Não existe nenhuma etiologia específica isolada do câncer de mama; em vez disso, uma
combinação de eventos hormonais, genéticos e, possivelmente, ambientais pode contribuir para
seu desenvolvimento. Os hormônios produzidos pelos ovários possuem importante função no
câncer de mama. Dois hormônios ovarianos principais (estradiol e progesterona) são alterados no
ambiente celular por vários fatores, e estes podem alterar os fatores de crescimento para o câncer
de mama (BRUNNER; SUDDARTH,2011).
As alterações genéticas dos sistemas reguladores celulares são a base primária da
carcinogênese (desenvolvimento do câncer). Em animais modelo, geralmente ratos, podemos criar
câncer danificando genes específicos. Nos sistemas de cultura de células, pode-se reverter um
fenótipo de câncer introduzindo cópias normais dos genes danificados, na célula. A maioria dos
eventos genéticos causadores de câncer, ocorre nos tecidos somáticos durante a vida. A freqüência
desses eventos pode ser alterado pela exposição a mutagênos, ligando-se a carcinógenos
ambientais (JORDE et al., 2011).
Um dos fatores que levam a esse tipo de câncer são mutações genéticas familiares, história
de casos de câncer de mama em parentes próximos, principalmente em idade jovem; histórico na
família de câncer de ovário ou câncer de mama em homem, outro fator é a exposição prolongada
ao hormônio estrogênio produzido pelo próprio organismo; reposição hormonal por longo
período; menarca precoce (menos de 12 anos); menopausa tardia (após 55 anos); mulheres que
não tiveram filhos ou tiveram o primeiro após os 35 anos; mulheres que não amamentaram
(INCA,2018).A exposição a determinados fatores ambientais podem estar associados ao
desenvolvimento de câncer. Tais fatores podem ser agrotóxicos, benzeno, campos
eletromagnéticos de baixa frequência, campos magnéticos, compostos orgânicos voláteis
(componentes químicos presentes em diversos tipos de materiais sintéticos ou naturais, hormônios
e dioxinas (poluentes orgânicos persistentes altamente tóxicos ao ambiente. (INCA, 2021).
A maioria dos estudos dividem o câncer de mama em quatro subtipos moleculares
principais: Luminal A, Luminal B, triplo-negativo e HER2+.
- Luminal A: tumores que apresentam receptores de estrogênio e progesterona positivos (ou
seja, há muitos receptores hormonais presentes), não apresentam a expressão da proteína
HER2 (HER2 negativo) e possuem crescimento mais lento das células.
- Luminal B: também possuem receptores estrogênio e/ou progesterona positivos, não
expressam a proteína HER2 (HER2 negativo) e apresentam um nível mais acelerado de
proliferação celular.
- HER2: não apresentam expressão dos receptores hormonais (receptores hormonais
negativos), mas têm a expressão da proteína HER2 (HER2 positivo).
- Triplo Negativo: não possuem nem expressão hormonal, nem a proteína HER2, sendo
9
negativo, portanto para estrogênio, progesterona e HER2. Ocorrem com mais frequência em
mulheres jovens e em mulheres negras.
A evolução das técnicas diagnósticas e da efetividade dos tratamentos existentes tem
levado à detecção mais precoce do câncer de mama, resultando em índices maiores de cura, e
reduzindo a mortalidade por esse tipo de câncer. Nesse contexto, o desenvolvimento de
novasformas de tratamento é fundamental, e tende a contribuir para a melhora clínica e de
qualidade de vida das pacientes afetadas. (SAMPAIO; ROCHA; SABRY; PINHEIRO, 2012).
2.2 Alimentação
O câncer provoca alterações no estado metabólico do indivíduo, levando-o a um estado
de risco nutricional, uma vez que o tumor pode competir por nutrientes e levar a anormalidades
no metabolismo de carboidratos, lipídios e proteínas. A desnutrição é comum em pacientes
oncológicos, a qual é resultado dos quadros de anorexia, náuseas, obstrução do trato
gastrointestinal, perdas sanguíneas crônicas, proteinúria e perda gastroduodenal de albumina, os
quais costumam acometer esses pacientes. Além disso, fatores psicológicos, emocionais, e
relacionados com o tratamento e a doença em si também afetam o consumo alimentar
(POLTRONIER; TUSSET, 2016, p.328).
Em pacientes oncológicos adultos, a taxa de desnutrição varia de 40-80%, salienta-se
que essa porcentagem independe do tipo de neoplasia apresentada, e mantém relação direta com
o decréscimo na qualidade de vida e baixa imunidade humoral e celular. Sabe-se que a
desnutrição é um fato frequente entre pacientes oncológicos. Essa condição se faz presente em
15-20% dos pacientes, sendo que a incidência aumenta durante o curso da doença em 40- 80%
dos enfermos portadores de câncer, e tende a piorar quando o tumor encontra-se em estágios
avançados de desenvolvimento (80-90%).
A localização do tumor pode favorecer ainda mais a presença de desnutrição, visto que
pacientes com tumores na região da cabeça e pescoço, pulmão, esôfago, estômago, cólon, reto,
fígado e pâncreas apresentam uma maior prevalência, se comparados aos pacientes com câncer
de mama, leucemia, sarcoma e linfomas, os quais apresentam menor risco de perda de peso.
Fatores como idade, tamanho do tumor, tipo histológico, grau de estadiamento, presença de
metástase e o tipo de tratamento oncológico aplicado, também influenciam para o surgimento
desta condição nutricional (POLTRONIER; TUSSET, 2016, p.330).
De acordo com a literatura, a quimioterapia, o tratamento cirúrgico e a radioterapia,
apresentam como efeitos colaterais náuseas, vômitos, significativa redução na quantia de
alimentos ingeridos, anormalidades no paladar, alterações de preferências alimentares, mucosite,
estomatite, diarreia e constipação, resultando em baixa da ingestão alimentar e consequente
piora do estado nutricional, elevando assim os índices de morbimortalidade. O agravo do quadro
de desnutrição pode ainda levar ao estado de caquexia oncológica, ou seja, “uma síndrome
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multifatorial caracterizada por uma contínua perda de massa muscular esquelética”, podendo, ou
não ser acompanhada por perda de tecido adiposo, e que resulta em dano funcional ao paciente
(POLTRONIER; TUSSET, 2016, p. 330).
A dieta é considerada um fator de risco modificável e representa 35% de todas as
causas de câncer (KIM et al, 2017). Sabe-se que o sedentarismo associado à obesidade e aos
hábitos alimentares inadequados podem aumentar em 40% a probabilidade de desencadear o
câncer. (LIMA et al., 2010).
Com melhora no estilo de vida através da prática de atividade física regular e
alimentação balanceada, com ênfase na ingestão de frutas, verduras e legumes, evitando o
consumo de alimentos ditos como fatores de risco, como alimentos contaminados por
aflatoxinas (que podem estar presentes em grãos e cereais mofados), alimentos salgados (carne
de sol, charque e peixes salgados) e embutidos (salsichas, salames), é possível reduzir em até 28
% a formação do câncer de mama. Tendo como alimentação saudável, a ingestão de alguns
componentes alimentares capazes de auxiliar nessa prevenção, como fibras; vitaminas e
minerais (presentes em frutas, verdura e legumes); alimentos fitoquímicos (isoflavonas,
lignanas); ácidos graxos poli-insaturados (ômega 3) e ácido linoleico conjugado (CLA)
(Oliveira et al. 2014).
Nenhum alimento isolado possui efeito protetor, porém há relação entre o
desenvolvimento da doença e a inadequação alimentar. Avaliando a transição nutricional que o
Brasil enfrenta, passando a consumir muitos produtos alimentícios e tendo uma baixa ingestão
de frutas, hortaliças e grãos integrais, bem como os altos índices de obesidade na população
mundial, observa-se que a alimentação possui um papel importante, não só para saciar a fome,
mas para prevenir doenças crônicas não transmissíveis que contribuem para o aparecimento do
câncer (MUNHOZ et al., 2016).
Acredita-se que o tema seja de grande relevância para a área da oncologia, tendo em
vista o interesse de poder atuar na prevenção do câncer de mama através de estratégias
alimentares. Diante desse assunto, objetiva-se transmitir os benefícios do consumo dos
alimentos de origem vegetal como verduras, frutas, legumes, cereais integrais, feijões, dentre
outros alimentos, com ênfase na importância da boa alimentação, para prevenção do câncer de
mama e qualidade de vida.
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2 METODOLOGIA
Para alcançar os objetivos propostos, o presente estudo propôs elaborar uma revisão
bibliográfica narrativa de natureza qualitativa sobre a relação entre dieta e o câncer de mama,
além de refletir se algumas modificações na alimentação podem prevenir e auxiliar no câncer de
mama. Para tanto, foram analisados artigos científicos publicados no período de 2010 a 2021
utilizando às seguintes bases: Google acadêmico, Scielo e PubMed, com as palavras chaves,
Câncer de mama, Alimentação, Tratamento, Prevenção, obtendo-se um total de 30 artigos
pesquisados.
3 RESULTADOS E DISCUSSÃO
Para elaboração desse trabalho foram selecionados 30 artigos nas bases de dados
citadas anteriormente, dentre eles foram selecionados 8 artigos publicados entre os anos de 2010
a 2021 para compor o quadro 1, no qual está disposto os autores e ano, o objetivo geral e
principais resultados.
Quadro 1 – Resultados dos estudos sobre a dieta e câncer de mama.
Autor / Objetivo Resultados
Ano
AZEVEDO; Apresentar as consequências do O tratamento contra o câncer, na
BOSCO tratamento do câncer e apresentar maioria das vezes, provoca
(2011) a importância do acompanhamento consequências nutricionais, físicas
nutricional. e até mesmo psicológicas, por
exemplo a desnutrição, sendo,
indispensável, a presença de uma
equipe multidisciplinar. O
acompanhamento nutricional é
fundamental para minimizar a
perda de peso e o déficit
nutricional, mediante a aplicação
da terapia nutricional
individualizada. A intervenção
nutricional adequada melhora a
resposta clínica.
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GONZALE Apresentar como é realizado o O acompanhamento é realizado por
Z et al. acompanhamento e a avaliação do meio de triagens nutricionais que
(2018) nutricionista para com os pacientes identificam os sintomas presentes
oncológicos, bem como sua no paciente e a avaliação é feita a
importância na equipe partir de fatores como a perda de
multidisciplinar. peso, a ingestão alimentar diária, os
sintomas gastrointestinais que
afetam diretamente o estado
nutricional, entre outros como
exame físico e alterações
funcionais.
INCA/MS Apresentar dicas que tenham como Observaram-se principais dicas
(2018) principal objetivo enfatizar a para prevenção do câncer de mama,
prevenção primária, que é impedir por exemplo a ingestão rica em
que o câncer se desenvolva. Isso alimentos de origem vegetal como
inclui evitar a exposição aos frutas, legumes, verduras, cereais
fatores de risco de câncer e a integrais, feijões e outras
adoção de um modo de vida leguminosas, e pobre em alimentos
saudável. ultraprocessados, como aqueles
prontos para consumo ou prontos
para aquecer e bebidas adoçadas.
KIM et al. Avaliar a dieta com um fator de Observou-se que há evidências
(2017) risco para a cauda de câncer de
mama. epidemiológicas para uma
associação entre dieta e risco de
câncer de mama. As ingestões de
gordura, fibras, vegetais, frutas,
carne vermelha e processada têm
sido extensivamente estudadas em
relação ao câncer de mama.
MUNHOZ, Investigar alguns fatores de risco e Os fatores de risco que estão mais
M. de proteção para o câncer. vinculados ao desenvolvimento do
P. et al. câncer de mama são a idade
(2016) avançada as características
reprodutivas, histórico familiar e
pessoal, os hábitos de vida e as
influências ambientais e o fator de
risco mais importante é o gênero,
já que no sexo feminino a doença
tem uma maior frequência
chegando à incidência de 100 a
150 vezes superior quando
comparado com o sexo masculino.
11
BRANCO et Apresentar fatores de riscos para o Observou-se que uma alimentação
al. (2012) desenvolvimento do câncer de considerada de risco para o câncer,
mama. rica em carboidratos simples, além
do risco de doenças crônicas
também está o risco de cânceres,
mesmo que sua ocorrência seja
multifatorial, ou seja, por fatores
ambientais, genético, tabagismo,
álcool, entre outros fatores
associados.
ALVES;
Apresentar modalidades As modalidades convencionais de
ESCOTT- convencionais de tratamento tratamento antineoplásico são
STUMP, antineoplásico e avaliar a absorção quimioterapia, radioterapia,
dos nutrientes. iodoterapia, cirurgia e transplante de
(2011) medula óssea e no tratamento,
devido a sua toxicidade, causa
efeitos
adversos aos pacientes como
náuseas, vômitos, mucosite,
constipação, diarreia, alteração no
paladar,
xerostomia,com isso ocorre alteração
na absorção dos nutrientes, por
exemplo os ácidos graxos.
Fonte: Próprio autor.
De acordo com Azevedo; Bosco (2011) o tratamento contra o câncer, na maioria das
vezes, provoca consequências nutricionais, físicas e até mesmo psicológicas, sendo,
indispensável, a presença de uma equipe multidisciplinar. Nesse contexto, o acompanhamento
nutricional é fundamental para minimizar a perda de peso e o déficit nutricional, mediante a
aplicação da terapia nutricional individualizada, levando em consideração a que tratamento foi
submetido e a história médica do paciente. A intervenção nutricional adequada melhora a
resposta clínica e pode ser feita por via oral, enteral e parenteral.
Gonzalez et al. (2018) avalia o estado nutricional a partir da combinação de fatores como
perda de peso, alterações na ingestão alimentar, sintomas gastrintestinais, alterações funcionais e
exame físico. O acompanhamento é realizado por meio de triagens nutricionais, que identificam os
sintomas presentes no paciente, foi observado que os pacientes em acompanhamento nutricional
visto que possui uma alimentação rica em vitaminas e minerais possuem o estado nutricional
adequado, prevenindo a desnutrição e mantendo o sistema imunológico trabalhando corretamente.
O Inca/MS (2018) afirma que a prevenção do câncer engloba ações realizadas para
reduzir os riscos de ter a doença, tendo como objetivo a prevenção primária, que implica em
impedir que o câncer se desenvolva. Isso inclui a adoção de um modo de vida saudável e evitar a
exposição a substâncias causadoras de câncer. Os fatores de risco podem ser encontrados no
ambiente físico, herdados ou resultado de hábitos ou costumes próprios de um determinado
ambiente social e cultural.
14
Kim et al. (2017) sugere que o consumo de um padrão alimentar saudável, que é caracterizado
predominantemente pela ingestão de vegetais, pode estar associado à diminuição do risco de
câncer de mama, assim como o consumo de um padrão alimentar caracterizado por carne vermelha
e batatas fritas ou assadas foi associado ao aumento do risco de câncer de mama apenas em
mulheres pós-menopausas.
De acordo com Munhoz, M. P. et al. (2016) acredita-se que o câncer seja desenvolvido
primeiramente por modificações genéticas se aliados a fatores externos, o que não o classifica
como uma doença genética passada de geração em geração, estatisticamente somente de 5% a 10%
das neoplasias são resultantes diretas e relacionadas com a genética. Dentre os fatores de risco, a
alimentação tem papel importante tanto benéfico como maléfico. Nenhum alimento por si só tem a
capacidade de proteger, ou de cura do câncer, o que se pode afirmar é que determinados alimentos
podem ajudar sinergicamente com o organismo em respostas positivas do sistema imunológico a
lutar contra o câncer.
De acordo com Branco et al. (2012) mesmo que a cura do câncer metastático ainda não exista,
acredita-se que através da alimentação há possibilidade de diminuir a incidência e prevalência do câncer,
independentemente do tipo, devido a ingestão de alimentos benéficos que propiciam na diminuição ou
inibição do crescimento tumoral.
Alves; Escott- Stump (2011) afirmam que, faz-se necessário, desde o diagnóstico e
durante todo o tratamento, a presença de uma equipe multidisciplinar, em especial o nutricionista
para estimular uma alimentação adequada. Então propõe-se que a assistência nutricional ao
paciente oncológico seja individualizada e compreenda desde a avaliação nutricional, o cálculo das
necessidades nutricionais até a aplicação da terapia nutricional, com o objetivo de prevenir ou
corrigir deficiências nutricionais e minimizar a perda de peso, mediante a alimentação oral, enteral
e parenteral.
Por fim, de maneira geral os guias alimentares sugerem a adoção de uma dieta saudável e
variada, rica em vegetais, frutas, grãos integrais, e sem excesso de gordura saturada, que ofereçam
componentes alimentares com possível efeito benéfico na prevenção e na redução do risco de
recorrência da neoplasia mamária.
4 CONSIDERAÇÕES FINAIS
Com base nos resultados encontrados, após análise dos artigos conclui-se que, as
mudanças dietéticas saudáveis podem causar resultados benéficos, na qual uma boa
alimentação deve conter variedades de nutrientes que satisfaçam a necessidade do nosso
organismo, por isso, manter uma alimentação equilibrada é um dos fatores importantes para a
promoção da saúde, garantindo assim longevidade e uma melhor qualidade de vida.
Diante do exposto, é possível observar o quanto é importante ao indivíduo adotar em
sua rotina diária alimentos de todos os grupos, cada qual com suas funcionalidades específicas
de acordo com suas necessidades nutricionais e prescritas por um profissional capacitado,
para que o organismo possa estar prevenido contra patologias, onde a ingestão de alimentos
adequados seja só mais uma estratégia para prevenção e controle a alguns tipos de doenças.
Contudo, é fundamental a presença do profissional nutricionista na equipe
multiprofissional durante o diagnóstico e tratamento do paciente oncológico, pois devem
receber um acompanhamento nutricional cauteloso com avaliações clínicas e antropométricas,
cálculo das necessidades energéticas, aplicação da terapia nutricional e controle dos sintomas
e efeitos colaterais que afetam gravemente o estado nutricional.
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