Psicologia: Teoria e Prática – 2009, 11(2):182-195
Atenção concentrada e memória:
evidências de validade entre instrumentos
no contexto da psicologia do trânsito
Fabián Javier Marín Rueda
Universidade São Francisco
Resumo: O objetivo da pesquisa foi verificar evidências de validade para o Teste de Atenção
Concentrada (Teaco-FF) em relação ao Teste Pictórico de Memória (Tepic-M). Participa-
ram 207 pessoas da cidade de Aracaju, sendo 118 estudantes de uma universidade particular
e 89 pessoas que passaram pelo processo de renovação, mudança ou adição da Carteira
Nacional de Habilitação (CNH). A idade variou de 18 a 58 anos, e, em relação ao sexo, 66
foram homens e 141 mulheres. Os instrumentos foram aplicados de forma coletiva nos es-
tudantes universitários, e individualmente no caso da avaliação psicológica pericial. Os resul-
tados mostraram correlações positivas e significativas entre as pontuações de ambos os
testes, o que forneceu a evidência de validade para o Teaco-FF. Sugerem-se outros estudos
dentro do contexto do trânsito, como uma forma de aprimorar e aprofundar as informações
da área.
Palavras-chave: psicologia do trânsito; atenção; memória; evidências de validade; avaliação
psicológica.
CONCENTRATED ATTENTION AND MEMORY: VALIDITY EVIDENCES BETWEEN
INSTRUMENTS IN THE PSYCHOLOGIST TRAFFIC CONTEXT
Abstract: This research aimed at verifying validity evidences to Teste de Atenção Concentrada
(Teaco-FF), related to Teste Pictórico de Memória (Tepic-M). 207 people from Aracaju par-
ticipated, so that 118 were students from a private university and 89 went through a renova-
tion process, changed or first obtained their driver’s license. Age ranged from 18 to 58 years
old, and as to sex, 66 were men and 141 were women. The instruments were collectively
applied to undergraduates, and individually applied to the participants going through special-
ized psychological assessment. Results have revealed significant positive correlations be-
tween punctuations on both tests, which provided validity evidences to Teaco-FF. Further
studies are suggested on traffic context, as a way to improve and examine the information
on the area carefully.
Keywords: traffic psychology; attention; memory; validity evidences; psychological assess-
ment.
ATENCIÓN CONCENTRADA Y MEMORIA: EVIDENCIAS DE VALIDEZ ENTRE
INSTRUMENTOS EN EL CONTEXTO DE LA PSICOLOGÍA DEL TRÁNSITO
Resumen: El objetivo de esta investigación fue verificar evidencias de validez para el Teste de
Atenção Concentrada (Teaco-FF) en relación al Teste Pictórico de Memória (Tepic-M). Partici-
paron 207 personas de la ciudad de Aracaju, siendo 118 estudiantes de una universidad
particular y 89 personas que pasaron por el proceso de renovación, cambio o adhesión de la
Libreta de Chofer. La edad varió de 18 a 58 años, y en relación al sexo, 66 fueron hombres
y 141 fueron mujeres. Los instrumentos fueron aplicados de forma colectiva en los estudian-
tes universitarios, e individualmente en el caso de la evaluación psicológica para la Libreta de
Chofer. Los resultados mostraron correlaciones positivas y significativas entre las puntuacio-
nes de los dos testes, lo que forneció evidencia de validez para el Teaco-FF. Se sugieren
otros estudios dentro del contexto del tránsito, como una forma de mejorar y profundizar
las informaciones del área.
Palabras clave: psicología del tránsito; atención; memoria; evidencias de validez; evaluación
psicológica.
Atenção concentrada e memória: evidências de validade entre instrumentos no contexto da psicologia do trânsito
Introdução
O trânsito pode ser definido como “o conjunto de deslocamentos de pessoas e veícu-
los nas vias públicas, dentro de um sistema convencional de normas, que têm por fim
assegurar a integridade de seus participantes” (ROZESTRATEN, 1988, p. 4). Duas décadas
antes de Rozestraten (1988), Arrudão (1996) já tinha definido o trânsito como o desloca-
mento de pessoas pelas vias de circulação. Segundo essa definição, tráfego é diferente de
trânsito, pois o deslocamento é realizado em missão de transporte. Pode-se ainda fazer
referência à definição de Vasconcelos (1998), que afirmou que o trânsito seria uma dispu-
ta pelo espaço físico resultante, na realidade, da disputa pelo tempo e pelo acesso aos
equipamentos urbanos. Seria uma “negociação” constante, coletiva e conflitiva, pelo
espaço. Por fim, segundo o Código de Trânsito Brasileiro (1997), capítulo I, artigo 1o, § 1o:
“Considera-se trânsito a utilização das vias por pessoas, veículos e animais, isolados ou
em grupos, conduzidos ou não, para fins de circulação, parada, estacionamento e opera-
ção de carga ou descarga”. Dessa forma, quando se fala em trânsito, deve-se considerar
a grande quantidade de fatores e variáveis intervenientes nesse sistema.
Nesse contexto, a psicologia do trânsito apresenta-se como uma forma de estudar de
uma maneira concreta as variáveis psicológicas que poderiam influenciar o modo de os
motoristas se comportarem e de que forma esse comportamento poderia levá-los a en-
volver-se em acidentes de trânsito (AT) ou colocar-se em situações de risco. Para Shinar
(1978), a psicologia do trânsito teria como objetivo a busca de referências mais concretas
sobre as variáveis psicológicas que influenciariam a maneira como o motorista se compor-
ta no ambiente do trânsito e de que forma isso poderia levá-lo a se envolver em situações
de risco e/ou em AT. Segundo Rozestraten (1988, p. 9), a psicologia aplicada ao trânsito
poderia ser definida como
[...] uma área da psicologia que estuda, através de métodos científicos válidos, os comportamentos huma-
nos no trânsito e os fatores e processos externos e internos, conscientes e inconscientes que os provocam
ou os alteram.
Ainda, o autor coloca que seria “o estudo dos comportamentos-deslocamentos no
trânsito e de suas causas” (ROZESTRATEN, 1988, p. 9).
Para Lim, Sayed e Navin (2004), o ambiente do motorista seria muito complexo, e o
fato de cometer ações e tomar decisões contraditórias poderia, muitas vezes, trazer pre-
juízos muito sérios e, em muitos casos, até fatais. Para os autores, o papel principal do
psicólogo do trânsito seria minimizar a ocorrência de tais eventos contraditórios, promo-
vendo e facilitando ações para a segurança e eficiência dos motoristas e pedestres inseri-
dos no ambiente do trânsito. Eles acrescentam que, em razão do grande número de fa-
tores que influenciam o comportamento do motorista, promover essas ações se torna
muito difícil, e existiria uma necessidade de aumentar a compreensão da população de
uma forma geral sobre a relação existente entre o motorista e o comportamento motriz,
para, dessa forma utilizar, essa compreensão na prática. Quanto a esse aspecto, Pachini e
Wagner (2006) apontaram que o conhecimento produzido no Brasil sobre o trânsito foi
Psicologia: Teoria e Prática – 2009, 11(2):182-195 183
Fabián Javier Marín Rueda
muito pouco explorado pela comunidade científica e que os estudos existentes apresen-
tam bases teóricas e metodológicas múltiplas e pouco definidas, tornando difícil a com-
preensão da população sobre o que seria a psicologia do trânsito e qual o papel do psi-
cólogo nesse contexto.
Já para Blasco (1994), a avaliação psicológica no trânsito permitiria viabilizar essa pro-
posta, realizando a perícia nos candidatos a motorista que preencheriam os requisitos
necessários para obtenção da Carteira Nacional de Habilitação (CNH). Nesse sentido,
Wahlberg (2003) aponta que, durante décadas, pesquisadores do trânsito veem tentado
identificar os fatores psicológicos que poderiam ser causa dos AT. Porém, até o momento
parece não haver um consenso em relação a essa questão, o que, segundo o autor, muitas
vezes levaria a certo individualismo nos métodos escolhidos para avaliar o candidato a
condutor.
No Brasil, algumas das críticas feitas à avaliação psicológica realizada no contexto do
trânsito devem ser destacadas. Dentre elas, encontra-se a falta de padronização de ins-
trumentos utilizados (MÉA; ILHA, 2003). Ainda, outra crítica comumente feita refere-se à
falta de continuidade da avaliação, uma vez que ela é realizada apenas uma vez (quando
a pessoa vai tentar obter a sua primeira CNH), sem levar em conta as mudanças ocorridas
nas pessoas com o passar do tempo.
Nesse contexto, Lamounier e Rueda (2005a) realizaram um levantamento com 783
pessoas, das quais 401 pleiteavam a CNH pela primeira vez e 382 realizavam a renovação
da carteira de habilitação. Os participantes foram questionados em relação a três aspec-
tos: se consideravam a avaliação psicológica importante para o contexto do trânsito, se
entendiam que tal processo auxiliaria a diminuir o índice de AT e se seria importante que
a avaliação psicológica fosse realizada com maior periodicidade. Os resultados dessa pes-
quisa revelaram que a maior parte da amostra se mostrou a favor da avaliação psicológi-
ca no trânsito, e todas as questões pesquisadas apresentaram altas porcentagens de res-
postas afirmativas.
Segundo Lamounier e Rueda (2005a), a avaliação pericial, seja para obtenção seja
para renovação da CNH, tem como premissa atuar de forma preventiva, com o objetivo
de diminuir a probabilidade de os motoristas e/ou terceiros se envolverem em situações de
risco. Ainda, Lamounier e Rueda (2005b) ressaltaram que os profissionais dessa área não
têm como objetivo diminuir, de fato, os acidentes de trânsito, assim como também não se
pode afirmar que a pessoa aprovada na avaliação psicológica pericial não irá se envol-
ver em tais acidentes. O que pode ser afirmado é que os psicólogos do trânsito visam
avaliar se a pessoa que quer dirigir um veículo automotor apresenta quesitos adequa-
dos para isso.
A Resolução no 12/2000 do Conselho Federal de Psicologia (2000) estabeleceu que,
para avaliar o perfil psicológico do candidato à CNH e do condutor de veículos automo-
tores, deveriam ser considerados os níveis intelectual, de atenção, psicomotor e psicofísi-
co, e a personalidade. Nesse sentido, de acordo com Brickenkamp (2004), a investigação
dos processos básicos se faz necessária, entendendo por processos básicos a atenção, a
concentração, a memória e o controle emocional. Dessa forma, como não existe, nem no
184 Psicologia: Teoria e Prática – 2009, 11(2):182-195
Atenção concentrada e memória: evidências de validade entre instrumentos no contexto da psicologia do trânsito
Brasil nem no exterior, uma definição clara sobre o perfil necessário para exercer a função
de motorista, os construtos atenção e memória seriam importantes para tal atividade.
Nesse sentido, Treat et al. (1977) assinalaram a importância das capacidades intelec-
tuais, tais como atenção, memória e inteligência, como condições essenciais que pode-
riam afetar as fases dos processos psicológicos envolvidos no comportamento do trânsito.
Esses autores acrescentam que outras condições constituídas por estados emocionais de
diversos tipos poderiam estar presentes, como raiva, estresse, ansiedade, agressividade,
pressa, angústia etc.
Para Lim, Sayed e Navin (2004), os dois processos mais importantes da atenção visual
seriam a seleção do estímulo e o tempo de reconhecimento e processamento da informa-
ção. Ainda para os autores, a relevância desses dois processos no trânsito poderia ser re-
sumida em duas perguntas:
• Que fator faria um motorista olhar um objeto em particular ou prestar atenção nele?
• Que fator determinaria a duração do tempo de visão do motorista para um objeto
determinado?
Para tentar responder às questões referentes a como avaliar esses aspectos no contex-
to do trânsito, muitos autores se preocuparam em estudar possíveis baterias de testes.
Nesse sentido, para Szlyk et al. (2002), alguns testes neuropsicológicos, como o Mini-
Mental State Examination (MMSE), poderiam ser úteis para predizer o desempenho dos
motoristas em simuladores de trânsito. Segundo tais autores, uma prova de direção num
simulador de Atari apresentou correlações significativas com o desempenho na direção
em estrada. Sugeriram ainda que testes neuropsicológicos poderiam ser aplicados na
hora de decidir se uma pessoa estaria habilitada ou não a dirigir um veículo automotor.
Segundo Adler, Rottunda e Dysken (2005), não há um consenso em relação a uma ba-
teria de testes psicológicos específica para predizer a capacidade para dirigir. Os autores
salientaram que pesquisas mostraram que alguns domínios cognitivos específicos apre-
sentariam uma maior correlação com a atividade de dirigir do que outros. Ainda, Reger
et al. (2004) realizaram uma metanálise das baterias psicológicas relacionadas à habilidade
de dirigir em pessoas com demência. Os pesquisadores concluíram que, quando conside-
rada a bateria psicológica como um todo, ela não apresenta correlação com a habilidade.
Porém, quando áreas específicas são avaliadas de forma separada, como a percepção visual
e a atenção, as correlações com habilidade e desempenho motriz aumentariam. Adler, Rot-
tunda e Dysken (2005), Fitten et al. (1995), Reger et al. (2004) e Bieliauskas et al. (1998)
recomendaram que qualquer avaliação para dirigir veículos automotores incluísse medi-
das que fornecessem informações sobre habilidade visoespacial, atenção, tempo de rea-
ção e memória.
Por sua vez, Stradling et al. (1998) também afirmaram que o ato de dirigir estaria di-
retamente relacionado às habilidades motoras, ao conhecimento de normas e regras e,
principalmente, às habilidades cognitivas. Os autores salientaram que a falta de atenção
seria uma das causas principais dos acidentes de trânsito. Ainda, afirmaram que, quando
Psicologia: Teoria e Prática – 2009, 11(2):182-195 185
Fabián Javier Marín Rueda
essa desatenção encontra-se aliada a fatores como velocidade excessiva ou falta de habi-
lidade na direção, os riscos para o ambiente do trânsito seriam incalculáveis. Nesse senti-
do, autores como Elander, West e French (1993) apontaram que um desempenho ruim
em testes que avaliam percepção do perigo, atenção e memória estaria relacionado sig-
nificativamente aos índices de acidente em estrada.
Ainda, para Van Zomeren, Brouwer e Minderhoud (1987), Rothke (1989) e Schanke e
Sundet (2000), os testes psicológicos que envolvam a atenção concentrada e a dividida, a
velocidade de processamento de informações, a memória e a habilidade percepto-moto-
ra seriam ferramentas extremamente úteis na avaliação psicológica para obtenção da
carteira de habilitação.
Se, por um lado, verifica-se que a literatura aponta a atenção e a memória como pos-
síveis determinantes para o envolvimento em AT, por outro, os estudos que procuram
relacionar ambos os construtos no ambiente do trânsito são escassos. Nesse sentido, nes-
ta pesquisa serão estudados dois instrumentos, um que se propõe a avaliar a atenção
concentrada e outro que pretende mensurar a memória de curto prazo – o Teste de Aten-
ção Concentrada (Teaco-FF) (RUEDA; SISTO, 2008) e o Teste Pictórico de Memória (Te-
pic-M) (RUEDA; SISTO, 2007) –, com o objetivo de verificar evidências de validade para
instrumentos que avaliam construtos utilizados no contexto da avaliação psicológica pe-
ricial para obtenção da CNH.
Método
Participantes
Participaram da pesquisa 207 pessoas do Estado de Sergipe, sendo 118 (57%) estudan-
tes de uma universidade particular e 89 (43%) indivíduos que passaram pelo processo de
renovação, mudança ou adição da CNH, com escolaridade variando de ensino fundamen-
tal incompleto até ensino superior completo. A idade variou de 18 a 58 anos (M = 23,08,
DP = 5,41). Quanto ao sexo, 66 (31,9%) eram homens e 141 (68,1%) mulheres.
Instrumentos
Teste de Atenção Concentrada (Teaco-FF)
O Teaco-FF (RUEDA; SISTO, 2008) foi desenvolvido com o objetivo de avaliar a capaci-
dade de atenção concentrada em pessoas que procuraram a avaliação psicológica pericial
para obtenção da CNH, e fornece uma medida da atenção concentrada da pessoa que
pode ser obtida pelo resultado dos estímulos que a pessoa deveria marcar e marcou sub-
traído dos erros mais as omissões. O instrumento possui 500 estímulos distribuídos em 20
colunas com 25 estímulos cada. Do total, 180 são estímulos-alvo, e cada coluna contém 9
alvos e 16 estímulos distratores. O tempo de aplicação é de 4 minutos.
Quanto às evidências de validade do instrumento, foi estudada evidência de validade
desenvolvimental, pelo funcionamento diferencial do item, com o Teste de Atenção Con-
centrada (AC) (CAMBRAIA, 2003), com os Testes de Atenção Sustentada e Dividida (AS e
AD) (SISTO et al., 2006), com o Teste Conciso de Raciocínio (TCR) (SISTO, 2006) e com a
186 Psicologia: Teoria e Prática – 2009, 11(2):182-195
Atenção concentrada e memória: evidências de validade entre instrumentos no contexto da psicologia do trânsito
Escala de Vulnerabilidade ao Estresse no Trabalho (Event) (SISTO et al., 2007). Os índices
de precisão do instrumento foram considerados excelentes pelos autores, variando de
0,89 a 0,99.
Teste Pictórico de Memória (Tepic-M)
O Tepic-M (RUEDA; SISTO, 2007) avalia a capacidade do indivíduo em recuperar uma
informação num curto período de tempo. É composto por uma figura com vários dese-
nhos e detalhes que podem ser agrupados em três categorias: itens que pertencem e
podem ser encontrados na categoria Água (como peixe e jet-ski), itens referentes à cate-
goria Céu (pássaro, sol, balão, entre outros) e itens que podem ser localizados na catego-
ria Terra (barraca, casa, árvore, por exemplo). Para responder ao teste, a pessoa deve vi-
sualizar a figura durante um minuto e, em seguida, lembrar a maior quantidade de
desenhos e detalhes possíveis, e escrevê-los na folha de resposta do teste, num tempo
de dois minutos.
Quanto às propriedades psicométricas do teste, no manual são relatados estudos de
evidências de validade pelo processo de resposta, funcionamento diferencial do item,
evidência de validade relativa ao desenvolvimento, com o Teste Conciso de Raciocínio
(SISTO, 2006), assim como análise dos itens pelo modelo Rasch. Quanto aos índices de
precisão, eles foram considerados satisfatórios, variando de 0,63 a 0,74.
Procedimentos
Após assinatura do termo de Consentimento Livre e Esclarecido por parte dos respon-
dentes, os instrumentos foram aplicados de forma coletiva no caso dos estudantes uni-
versitários, e de forma individual nos casos em que a aplicação ocorreu na avaliação psi-
cológica pericial para CNH. A aplicação não excedeu a 25 pessoas por grupo.
Em ambos os instrumentos, a aplicação ocorreu seguindo as orientações dos seus res-
pectivos manuais. No caso do Teaco-FF, a instrução dada foi:
Este é um teste de atenção. No verso desta folha há várias linhas com desenhos. Vocês deverão assinalar
com uma linha todos os desenhos que forem iguais ao modelo abaixo, ou seja, uma cruz com quatro pon-
tos em sua volta. Comece de cima para baixo e volte de baixo para cima de forma contínua. Caso erre,
circule e assinale o item correto. Você terá 4 minutos para realizar o teste. Lembre-se de que este é um
teste de atenção. Portanto, concentre-se e procure manter seu ritmo de trabalho. Evite se distrair com
outras coisas e fique calmo, pois será avaliada a sua concentração.
No Tepic-M, esta foi a instrução:
Este é um teste de memória.
Será projetado na lousa quadro com vários desenhos e detalhes. Vocês terão um minuto para olhar e me-
morizá-los. Vou pedir para vocês não falarem nem escreverem nada. Apenas olhem o quadro e tentem
memorizar a maior quantidade de desenhos e detalhes que conseguirem.
Psicologia: Teoria e Prática – 2009, 11(2):182-195 187
Fabián Javier Marín Rueda
Dada a instrução, projetou-se a transparência. As pessoas poderiam fazer nenhuma
anotação. Após 1 minuto, desligou-se o retroprojetor. Feito isso, foi dito:
Agora quero que peguem a folha e escrevam a maior quantidade de desenhos e detalhes que conseguirem.
Vocês terão dois minutos para isso.
Destaca-se que o tempo total de aplicação foi de aproximadamente 15 minutos por
sala.
Resultados
As estatísticas descritivas de ambos os instrumentos mostraram que, no caso do Tea-
co-FF, a pontuação média foi 105,91, com um desvio padrão de 34,91. A pontuação míni-
ma foi 12 e a máxima 178. Esses dados podem ser observados no Gráfico 1.
50
40
30
frequência
20
10
0
12 31 49 67 86 104 123 141 159 178
TEACO-FF
Gráfico 1. Frequência das pontuações no Teaco-FF
Ainda, pode ser verificado que a concentração de pontos ficou entre 80 e 145 (68,5%).
Quanto às estatísticas descritivas do Tepic-M, a pontuação geral do teste variou de 6 a 25
pontos, com uma média de 15,08 (DP = 3,72). A informação de cada agrupamento e do
teste como um todo pode ser observada no Gráfico 2.
Assim como na pontuação total do teste, verificou-se que em nenhuma das categorias
foi alcançada a pontuação máxima possível, qual seja, 16 pontos na Água, 17 no Céu e 22
na Terra. No caso da Água, a pontuação variou de 0 a 9 (M = 3,14, DP = 1,89), enquanto no
Céu variou de 1 a 10 (M = 5,57, DP = 1,685). Por fim, na categoria Terra, a média de pontos
foi 6,36, com um desvio padrão de 2,24, sendo a pontuação mínima 1 e a máxima 15.
188 Psicologia: Teoria e Prática – 2009, 11(2):182-195
Atenção concentrada e memória: evidências de validade entre instrumentos no contexto da psicologia do trânsito
60 50
50
40
40
30
frequência
frequência
30
20
20
10
10
0 0
0 1 2 3 4 5 6 7 8 9 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10
categoria Água categoria Céu
50 70
60
40
50
30
frequência
frequência
40
30
20
20
10
10
0 0
0 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 6 8 11 13 16 18 20 23 25
categoria Terra TEPIC-M total
Gráfico 2. Frequência das pontuações nas categorias
e na pontuação total do Tepic-M
Psicologia: Teoria e Prática – 2009, 11(2):182-195 189
Fabián Javier Marín Rueda
Em seguida, foi realizada uma correlação de Pearson, adotando como nível de signifi-
cância 0,05, para verificar possíveis relações entre ambos os instrumentos. Para isso, cal-
cularam-se tais coeficientes em função do sexo das pessoas, de forma geral, assim como
também levando em consideração se elas possuíam ou não CNH. Os resultados dessa aná-
lise podem ser observados na Tabela 1.
Tabela 1. Coeficientes de correlação de Pearson (r) e níveis de significância (p) entre
Teaco-FF e Tepic-M
Tepic-M
Água Terra Céu Total
r p r p r p r p
Masculino 0,24 0,050 0,30 0,014 0,40 0,001 0,49 0,000
Feminino 0,27 0,001 0,15 0,071 0,26 0,002 0,34 0,000
Teaco-FF Com CNH 0,30 0,004 0,37 0,000 0,42 0,000 0,53 0,000
Sem CNH 0,22 0,018 0,07 0,429 0,22 0,015 0,26 0,004
Total 0,27 0,000 0,16 0,021 0,29 0,000 0,36 0,000
Pela Tabela 1, verifica-se que, das 20 correlações possíveis, 18 apresentaram resultados
estatisticamente significativos. Apenas o agrupamento Terra do Tepic-M no sexo femini-
no e nos sujeitos que não possuíam CNH não se correlacionou com o Teaco-FF. Ainda,
pode ser observado que, no agrupamento Água, as cinco correlações foram de magnitu-
de baixa. Das três correlações com dados significativos no agrupamento Terra, uma apre-
sentou magnitude considerada nula (amostra geral) e duas magnitudes baixas. Já no caso
do Céu, quatro correlações foram de magnitude baixa e uma apresentou uma magnitude
moderada, qual seja, para os possuidores de CNH. Por fim, no caso das pontuações totais
de ambos os testes, três correlações foram de magnitude baixa e duas moderadas (no
caso do sexo masculino e das pessoas com CNH). Deve ser destacado que as maiores cor-
relações foram observadas nas pessoas que possuíam CNH, ou seja, na população de
motoristas. Todas as correlações que apresentaram resultados significativos foram positi-
vas, o que indica que ao aumento da atenção concentrada corresponde um aumento da
memória de curto prazo.
A continuação foi realizada com a mesma análise, mas controlando o efeito da idade.
Os resultados estão na Tabela 2.
190 Psicologia: Teoria e Prática – 2009, 11(2):182-195
Atenção concentrada e memória: evidências de validade entre instrumentos no contexto da psicologia do trânsito
Tabela 2. Coeficientes de correlação parcial (r) e níveis de significância (p) entre
Teaco-FF e Tepic-M, com controle de idade
Tepic-M
Água Terra Céu Total
r p r p r p r p
Masculino 0,24 0,055 0,30 0,016 0,41 0,001 0,49 0,000
Feminino 0,27 0,001 0,17 0,045 0,26 0,002 0,35 0,000
Teaco-FF Com CNH 0,30 0,004 0,37 0,000 0,43 0,000 0,53 0,000
Sem CNH 0,20 0,029 0,10 0,283 0,21 0,021 0,26 0,004
Total 0,27 0,000 0,17 0,014 0,30 0,000 0,37 0,000
Quando controlado o efeito da idade por meio da correlação parcial, percebeu-se que,
de forma geral, os resultados não sofreram grandes modificações, uma vez que a tendên-
cia e a magnitude das correlações mantiveram-se praticamente estáveis. Dessa forma, in-
terpretou-se que a relação existente entre a memória de curto prazo avaliada pelo Te-
pic-M e a atenção concentrada avaliada pelo Teaco-FF não sofreria a influência da idade.
Por fim, com o intuito de verificar qual seria a correlação entre o Teaco-FF e cada agru-
pamento do Tepic-M, caso cada um deles tivesse a extensão do teste como um todo (55
itens), foi utilizada a fórmula de profecia Spearman-Brown, considerando cada sexo e se
as pessoas possuíam CNH ou não, de forma separada. Os resultados podem ser visualiza-
dos na Tabela 3.
Tabela 3. Coeficientes de correlação da profecia Spearman-Brown em cada agrupa-
mento do Tepic-M
Tepic-M
Água Terra Céu
Masculino 0,52 0,52 0,69
Feminino 0,56 0,34 0,53
Teaco-FF Com CNH 0,60 0,59 0,71
Sem CNH 0,46 0,22 0,46
Total 0,56 0,34 0,58
Como pode ser observado na Tabela 3, quando se corrigiram os valores pela fórmula
Spearman-Brown, a correlação média para o sexo masculino foi de 0,61. Já para o sexo
feminino, a correlação média foi de 0,48. Por sua vez, para as pessoas com CNH, a corre-
Psicologia: Teoria e Prática – 2009, 11(2):182-195 191
Fabián Javier Marín Rueda
lação média foi de 0,63, e, para as pessoas sem CNH, de 0,34. Por fim, para a amostra
total, a correlação média foi de 0,49. Esses dados poderiam estar indicando que a soma
das partes (Água, Terra e Céu) é diferente do todo (Tepic-M), o que vai ao encontro do
proposto por Rueda e Sisto (2007) ao verificarem que o processo de resposta no TEPIC-M
é diferente em função de cada um dos seus agrupamentos. Pela análise da profecia Spe-
arman-Brown, verificou-se um aumento considerável dos coeficientes, o que indicaria a
existência de uma maior relação entre atenção concentrada e a memória de curto prazo
da que foi verificada pela análise das tabelas 1 e 2.
Discussão
A proposta deste estudo teve como base alguns aspectos assinalados na literatura,
como a Resolução nº 12/2000 do Conselho Federal de Psicologia (2000) que estabelece
que deve ser avaliado, dentre outros construtos, a atenção, como uma forma de determi-
nar o perfil psicológico das pessoas que pretendem dirigir veículos automotores. Ainda,
há autores como Brickenkamp (2004) e Treat et al. (1977) que apontam a importância de
se avaliarem as capacidades intelectuais, como atenção, memória e inteligência.
Nesse sentido, o objetivo foi verificar a relação existente entre o construto da atenção
concentrada, avaliado pelo Teaco-FF (RUEDA; SISTO, 2008), e o construto da memória
de curto prazo, mensurado por meio do Tepic-M (RUEDA; SISTO, 2007), numa população de
estudantes universitários e de motoristas. Dessa forma, poderiam ser fornecidas evidên-
cias de validade para que esses instrumentos possam ser utilizados como uma ferramenta
a mais quando se realiza a avaliação psicológica pericial no contexto do trânsito.
Os resultados da pesquisa evidenciaram a existência de correlações positivas e de mag-
nitudes nulas, baixas e moderadas quando comparado o Teaco-FF com os agrupamentos
Água, Céu e Terra do Tepic-M. Por sua vez, nas pontuações totais de ambos os testes, as
magnitudes das correlações foram baixas e moderadas, variando de 0,26 a 0,53. Ao con-
trolar o efeito da idade, tanto a tendência quanto a magnitude das correlações se man-
tiveram praticamente estáveis, evidenciando, dessa forma, que a relação entre os cons-
trutos existiria independentemente da variável em questão.
Com base nisso, concluiu-se que evidência de validade entre ambos os testes foi veri-
ficada. Além disso, se fosse considerado que parte dos participantes eram candidatos à
CNH e que algumas pessoas já possuíam a carteira, essas evidências poderiam ser relacio-
nadas ao contexto do trânsito.
Vale ressaltar que, quando se aprofundaram as análises com o intuito de verificar qual
a correlação entre o Teaco-FF e os agrupamentos do Tepic-M, foi utilizada a fórmula de
profecia Spearman-Brown, tendo como pressuposto que cada agrupamento teria a ex-
tensão do teste como um todo (55 itens). Esse estudo mostrou comunalidades de aproxi-
madamente 20%, o que, de fato, parece indicar a existência de uma relação considerável
entre atenção concentrada e memória de curto prazo.
Deve-se destacar ainda a afirmação de Adler, Rottunda e Dysken (2005) referente à
falta de consenso quanto a uma possível bateria de testes para predizer uma boa capaci-
dade para dirigir veículos automotores. Além disso, Adler, Rottunda e Dysken (2005),
192 Psicologia: Teoria e Prática – 2009, 11(2):182-195
Atenção concentrada e memória: evidências de validade entre instrumentos no contexto da psicologia do trânsito
Fitten et al. (1995), Reger et al. (2004) e Bieliauskas et al. (1998) afirmam que qualquer
avaliação com essa finalidade deveria incluir informações sobre atenção e memória. Com
base nisso, pode-se dizer que estudos que objetivem aprofundar essa temática deveriam
ser realizados com maior frequência. Isso vai ao encontro do apontamento de autores
como Stradling et al. (1998) que salientam a importância e a necessidade desses estudos,
com vistas a uma melhor e mais adequada mensuração das habilidades cognitivas para o
correto e seguro ato de dirigir.
Por fim, quando se consideram a falta de padronização dos instrumentos utilizados no
contexto do trânsito no Brasil, conforme apontado por Méa e Ilha (2003), e a grande
importância atribuída pela população à atividade do psicólogo nesse contexto, como
apontado por Lamounier e Rueda (2005a), este estudo pode ser compreendido como uma
contribuição para tentar criar as ferramentas para que uma uniformidade nessa avalia-
ção comece a ser estabelecida.
Conclusão
Com base no que foi apresentado ao longo da pesquisa, é necessário ressaltar a neces-
sidade de estudos que aprofundem e complementem esse tipo de investigação. De fato,
investigações que forneçam dados referentes a instrumentos de medida em contextos
específicos, como o trânsito, são bem-vindas e só contribuirão para o compromisso do
psicólogo com a avaliação psicológica realizada no Brasil.
Por fim, algumas limitações referentes ao estudo devem ser apontadas. A maior parte
da amostra era de estudantes universitários, e a quantidade de indivíduos que estavam
passando pelo processo de avaliação para CNH era menor, o que não permitiu que a
amostra pudesse ser considerada homogênea. Esse tipo de variável deveria ser mais bem
controlado em futuros estudos. Ainda, a amostra em questão pode ser considerada res-
trita, e estudos que trabalhem com amostras representativas de populações maiores tam-
bém devem ser realizados.
Referências
ADLER, G.; ROTTUNDA, S.; DYSKEN, M. The older driver with dementia: an updated
literature review. Journal of Safety Research, v. 36, n. 1, p. 399-407, 2005.
ARRUDÃO, M. Manual de direito automobilístico. Novo código nacional de trânsito
(comentado). São Paulo: Fulgor, 1996.
BIELIAUSKAS, L. A. et al. Cognitive measures, driving safety, and Alzheimer disease.
Clinical Neuropsychology, v. 12, n. 2, p. 206-212, 1998.
BLASCO, R. D. Psychology and Road Safety. Applied Psychology: An International
Review, v. 43, n. 2, p. 313-322, 1994.
BRICKENKAMP, R. d2: test de atención. 2. ed. Madrid: TEA Ediciones, 2004.
CAMBRAIA, S. V. Teste de atenção concentrada. Manual. São Paulo: Vetor, 2003.
CÓDIGO DE TRÂNSITO BRASILEIRO. São Paulo: Novo Século, 1997.
Psicologia: Teoria e Prática – 2009, 11(2):182-195 193
Fabián Javier Marín Rueda
CONSELHO FEDERAL DE PSICOLOGIA. Resolução nº 012/2000. 2000. Disponível em:
<www.pol.org.br>. Acesso em: 14 dez. 2005.
ELANDER, J.; WEST, R.; FRENCH, D. Behavioral correlates of individual differences in
road-traffic crash risk: an examination of methods and findings. Psychological Bulle-
tin, v. 113, n. 1, p. 279-294, 1993.
FITTEN, L. J. et al. Alzheimer and vascular dementias and driving. Jama, v. 273,
p. 1360-1365, 1995.
LAMOUNIER, R.; RUEDA, F. J. M. Avaliação psicológica no trânsito: perspectiva dos
motoristas. Psic – Revista de Psicologia da Vetor Editora, v. 6, n. 1, p. 35-42, 2005a.
______. Avaliação psicológica com o PMK no contexto do trânsito. Psicologia: Pesquisa
& Trânsito, v. 1, n. 1, p. 25-32, 2005b.
LIM, C.; SAYED, T.; NAVIN, F. A driver visual attention model. Part 1. Conceptual fra-
mework. Canadian Journal of Civil Engeneering, v. 31, p. 463-472, 2004.
MÉA, C. P. D.; ILHA, V. D. Percepção de psicólogos do trânsito sobre a avaliação de
condutores. In: HOFFMANN, M. H.; CRUZ, R. M.; ALCHIERI, J. C. (Org.). Comportamen-
to humano no trânsito. São Paulo: Casa do Psicólogo, 2003. p. 265-288.
PACHINI, R. M. D.; WAGNER, A. Comportamento de risco no trânsito: revisando a lite-
ratura sobre as variáveis preditoras da condução perigosa na população juvenis. Re-
vista Interamericana de Psicología, v. 40, n. 2, p. 159-166, 2006.
REGER, M. A. et al. The relationship between neuropsychological functioning and dri-
ving ability in dementia: a meta-analysis. Neuropsychology, v. 18, n. 2, p. 85-93, 2004.
ROTHKE, S. The relationship between neuropsychological test scores and performance
on driving evaluation. International Journal of Clinical Neuropsychology, v. 11, n. 2,
p. 134-136, 1989.
ROZESTRATEN, R. J. A. Psicologia do trânsito: conceitos e processos básicos. São Paulo:
EPU, 1988.
RUEDA, F. J. M.; SISTO, F. F. Teste Pictórico de Memória (Tepic-M). Manual. São Paulo:
Vetor, 2007.
______. Teste de Atenção Concentrada (Teaco-FF). Manual. São Paulo: Casa do Psicó-
logo, 2008.
SCHANKE, A. K.; SUNDET, K. Comprehensive driving assessment: neuropsychological
testing and on-road evaluation for brain injured patients. Scandinavian Journal of
Psychology, v. 41, p. 113-121, 2000.
SHINAR, D. Psychology on the road: the human factor in traffic safety. New York:
Wiley & Sons, 1978.
SISTO, F. F. Teste Conciso de Raciocínio (TCR). Manual. São Paulo: Vetor, 2006.
SISTO, F. F. et al. Testes de Atenção Dividida e Sustentada (AD e AS). Manual. São
Paulo: Vetor, 2006.
194 Psicologia: Teoria e Prática – 2009, 11(2):182-195
Atenção concentrada e memória: evidências de validade entre instrumentos no contexto da psicologia do trânsito
SISTO, F. F. et al. Escala de Vulnerabilidade ao Estresse no Trabalho (Event). Manual.
São Paulo: Vetor, 2007.
STRADLING, S. et al. Driver’s violations, errors, lapses and crash involvement: interna-
tional comparisons. In: INTERNATIONAL CONFERENCE OF “ROAD SAFETY IN EURO-
PE”, 9., 1998, Bergisch Gladbach. Germany, 1998.
SZLYK, J. P. et al. Development and assessment of a neuropsychological battery to aid
in predicting driving performance. Journal of Rehabilitation Research and Develop-
ment, v. 3, n. 4, p. 483-496, 2002.
TREAT, J. R. et al. Tri-level study of the causes of traffic accident. Ergonomics, v. 34, n. 3,
p. 535-577, 1977.
VASCONCELOS, E. O que é trânsito? São Paulo: Brasiliense, 1998.
WAHLBERG, A. E. Some methodological deficiencies in studies on traffic accident pre-
dictors. Accident Analysis and Prevention, v. 35, n. 1, p. 473-486, 2003.
ZOMEREN, A. van; BROUWER, W.; MINDERHOUD, J. Acquired brain damage and dri-
ving: a review. Archives of Physical Medicine and Rehabilitation, v. 68, p. 607-705,
1987.
Contato
Fabián Javier Marín Rueda
Rua Benedito da Silveira Chrispin, 190
Jardim Ipê – Itatiba – SP
CEP 13256-510
e-mail: [email protected]
Tramitação
Recebido em abril de 2009
Aceito em setembro de 2009
Psicologia: Teoria e Prática – 2009, 11(2):182-195 195