Meeting de Negociação 2020
Rounds 2a e 2b
Caso B
Divisão de Antiguidades do Governo Grego e a Equipe de Expedição
INFORMAÇÕES GERAIS PARA AMBAS AS PARTES
Para fins desta negociação, assuma que os seguintes fatos são verdadeiros e não são
contraditos em face a outros fatos reais ou informações fictícias de qualquer outra fonte.
A Divisão de Antiguidades do Governo Grego ("Divisão") é responsável por localizar,
adquirir, proteger, preservar e promover a localização, aquisição e preservação de locais e
propriedades históricas, edifícios, artefatos, tesouros e objetos de antiguidade que tenham valor
científico, histórico ou que sejam de interesse do público, incluindo, entre outros, monumentos,
memoriais, depósitos fósseis, habitações pré-históricas, locais cerimoniais, assentamentos
abandonados, cavernas, navios afundados ou abandonados ou qualquer parte deles.
A "Cidade Perdida" ou "Continente Perdido" da Atlântida tem atraído interesse desde que
Platão se referiu a ela em dois de seus diálogos, Timeu e Crítias. Nessas obras, Platão indicou
que Atlântida foi construída em uma colina e cercada por anéis de água, os quais se interligavam
por canais grandes o suficiente para um navio navegar. Um enorme canal fazia a ligação dos
anéis de água às águas do oceano. Platão descreveu os cidadãos da Atlântida como grandes
engenheiros e arquitetos. A cidade era composta por palácios, portos, templos e docas. Platão
descreveu detalhadamente os prédios incríveis - com fontes quentes e frias, refeitórios
compartilhados, estátuas de ouro, artes decorativas e paredes de pedra cobertas de metais
preciosos.
Existem muitos mitos populares sobre Atlântida, mas sem comprovações. Um desses
mitos sustenta que os atlantes viviam em serenidade e felicidade perpétua e possuíam uma
tecnologia mais avançada do que a do século XXI, mesmo se tratando de 5000 anos atrás. Os
atlantes foram supostamente abordados por misteriosos seres com chifres, que lhes ensinaram a
tecnologia e lhes deram o segredo do orichalcum antes de desaparecerem tão repentinamente
quanto vieram. (Orichalcum é um metal mencionado em vários escritos antigos, incluindo uma
história de Atlântida no diálogo de Critias, relatado por Platão. O povo da Atlântida
supostamente usava pastilhas de orichalcum do tamanho de pérolas para fazer suas máquinas
funcionarem. As pequenas bolas de orichalcum seriam produzidas por uma enorme máquina que
funcionava com lava.). Os atlantes, então cheios de orgulho, começaram a se sentir como deuses
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e como se pudessem conquistar o mundo conhecido. No entanto, presenciaram as ondas
crescerem ao seu redor e sua nação ser destruída por desastres. Para se proteger, eles
desenvolveram uma tecnologia de câmara de ar ao seu redor e decidiram "reviver" os seres com
chifres por meio da criação de uma máquina. Usando ladrões, escravos e prisioneiros como
experimentos, eles tentaram criar criaturas divinas que pudessem proteger Atlântida. Entretanto,
infelizmente, todos os experimentos falharam e acabaram sendo criados sub-humanos com
chifres mutilados. Ao final, os experimentos fracassados foram tantos que se rebelaram e
massacraram toda a população em um único dia. Como Platão descreveu em seus diálogos Timeu
e Crítias, Atlântida desapareceu "em um único dia de infortúnio". No entanto, se isso é verdade,
é claro, permanece uma incógnita.
As informações a seguir foram divulgadas à Divisão de maneira estritamente confidencial
pela Equipe de Expedição, formada pelo Sr. Klaus Kerner Smith ("Smith"). Smith encontrou
pistas intrigantes para a localização de Atlântida. Entre outras coisas, Smith encontrou uma cópia
de um terceiro suposto diálogo de Platão, o Hermócrates. O "Diálogo Perdido de Platão" parece
ser a terceira parte de sua trilogia (os outros dois sendo Timeu e Crítias). Smith acredita que
Platão registrou nesses diálogos informações sobre Atlântida que fornecem pistas importantes
sobre a sua localização, mas uma tradução incorreta mudou a distância da Grécia para Atlântida
em um fator de dez e disseminou uma crença de que Atlântida seria um continente fictício. No
entanto, Platão também se referia à localização de Atlântida como sendo a sudeste da "colônia
menor". A antiga civilização minóica tinha uma colônia em Thera, enquanto seu continente era a
ilha de Creta, ao sul. Thera (agora chamada de Santorini) é uma ilha grega no grupo de ilhas
Cíclades no Mar Egeu, entre a principal ilha da Grécia e Creta. Thera foi o local da erupção
vulcânica por volta de 1600-1500 a.C que (segundo o arqueólogo grego Spyridon Marinatos)
contribuiu para o colapso da civilização minóica. Smith agora acredita que o verdadeiro local de
Atlântida deve estar muito perto de Thera, talvez acessado através de uma entrada de caverna em
Thera.
Smith reuniu uma equipe de pesquisa altamente qualificada de quatro pessoas com o
objetivo de localizar Atlântida e recuperar seus artefatos. Essas pessoas são: (1) Dr. Henry
Walton Jones, Jr. ("Indiana"), um professor de arqueologia que leciona civilizações antigas no
Barnett College; (2) Dr. Marcus Brody ("Brody"), um arqueólogo, historiador, curador e
professor de origem britânica que atualmente é o Reitor de Estudantes do Barnett College, onde
o Dr. Jones ensina; (3) Dr. Henry Walton Jones, Sr. (“Jones Sr.”), pai de Indiana Jones e
professor aposentado de literatura antiga e medieval; e (4) Dra. Sophia Hapgood ("Hapgood"),
uma ex-professora de arqueologia da Universidade de Barnett que agora se apresenta como
psíquica/mediúnica - realizando seminários sobre Atlântida.
Essa negociação é entre os representantes legais da Divisão e da Equipe de Expedição.
Tendo em vista o carinho que seus membros possuem pelo país, a Equipe de Expedição está
legalmente organizada no Brasil. A Divisão contratou advogados externos para representar seus
interesses nessa negociação. A Equipe de Expedição abordou a Divisão com o objetivo de
garantir o direito de explorar a Cidade Perdida da Atlântida em território de soberania grega. A
Divisão considerou que seria melhor contratar advogados familiarizados com o direito
internacional. Você pode supor que os únicos princípios legais de controle estão contidos na
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Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar, frequentemente referida pelo acrónimo
em inglês UNCLOS. O objetivo da UNCLOS foi de estabelecer um conjunto abrangente de
regras que governassem os oceanos e substituíssem as convenções anteriores da ONU. Para fins
desta negociação, suponha que, entre outras coisas, a UNCLOS estabelece limites jurisdicionais
específicos para a área oceânica que os países podem reivindicar, incluindo um limite marítimo
territorial de 12 milhas náuticas (22,2 km e 13,8 milhas terrestres). A UNCLOS mede essa
distância de uma linha de base costeira, que geralmente é a marca d'água baixa. A UNCLOS
considera o mar territorial como o território soberano do estado (embora navios estrangeiros
tenham permissão de passagem por ele). Essa soberania se estende ao espaço aéreo e ao fundo do
mar. A UNCLOS também estabelece uma zona econômica exclusiva de 200 milhas náuticas para
recursos naturais. Assim, uma nação costeira como a Grécia tem controle de todos os recursos
econômicos dentro de sua zona econômica exclusiva, incluindo a pesca, mineração e exploração
de petróleo, além de qualquer poluição desses recursos.
Você pode assumir que ambas as partes e seus respectivos advogados têm total
autoridade para negociar um contrato e que as partes concordaram em usar dólares americanos
para quaisquer quantias a serem pagas. Você também pode assumir que essa negociação está
ocorrendo em um local neutro, conveniente para todas as partes. As partes concordaram que a
próxima negociação abrangerá os seguintes tópicos:
1. Taxas a serem pagas à Divisão pela Equipe de Expedição
A Divisão nunca teve uma situação envolvendo algo como a descoberta de Atlântida. A
Divisão propôs que as partes iniciem a negociação com o contrato de resgate padrão da Divisão,
usado para naufrágios dentro de seus limites territoriais marítimos, e o modifiquem conforme
necessidade. No que diz respeito à taxa a ser paga à Divisão, esse contrato prevê, em parte
relevante, o seguinte:
A Divisão concede ao Salvador um contrato para realizar buscas e salvamentos
subaquáticos e sobre terras submersas soberanas e pertencentes ao Governo da
Grécia, mediante pagamento de uma taxa no valor de _______________.
2. Propriedade dos artefatos e compensação contínua a ser fornecida à Divisão em
termos de pagamentos ou sob a divisão de artefatos recuperados
O contrato de resgate padrão da Divisão prevê o seguinte:
Em pagamento pelo desempenho satisfatório do Salvador e pela conformidade
com este contrato, a Divisão concederá ao Salvador ________ por cento do valor
total avaliado de todos os materiais recuperados, incluindo, entre outros, relíquias,
tesouros e outros materiais relacionados que, como propriedade abandonada,
pertencem ao governo da Grécia. Esse pagamento pode ser feito tanto por
material recuperado como em valor justo de mercado, ou em uma combinação de
ambos, conforme acordado mutuamente pela Divisão e pelo Salvador. A hora e
local do pagamento devem ser acordados mutuamente entre as partes.
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A Divisão propõe novamente usar a disposição acima como ponto de partida para
negociar o acordo entre a Divisão e a Equipe de Expedição.
3. Resolução de controvérsias
O contrato padrão da Divisão fornece a seguinte maneira de lidar com disputas quanto ao
valor e à divisão de qualquer material recuperado:
No caso de as partes não conseguirem acordar no valor do material recuperado sob
este contrato, cada parte deverá nomear um avaliador profissional e os dois
avaliadores selecionados nomearão um terceiro. Os três avaliadores devem
determinar o valor e a divisão apropriada do material recuperado. O pagamento
pelos serviços dos avaliadores deve ser feito em conjunto e igualmente pelas
partes.
4. Outras disposições
As partes esperam que outras disposições sejam necessárias para efetivar este acordo e
que possam ser discutidas durante o curso das negociações.
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Caso B
Divisão de Antiguidades do Governo Grego e a Equipe de Expedição
INFORMAÇÕES CONFIDENCIAIS PARA OS(AS) ADVOGADOS(AS) QUE
REPRESENTAM A EQUIPE DE EXPEDIÇÃO
A Equipe de Expedição teve cuidado em fornecer informações à Divisão de Antiguidades
do Governo Grego ("Divisão"). Foi confirmado ser verdade que o diálogo “o Hermócrates”
parece indicar corretamente que Atlântida pode ser alcançada a partir de uma entrada do túnel
localizada em uma caverna escondida em algum lugar de Thera (hoje conhecida como Santorini).
Acontece que a entrada é do outro lado da ilha de Thirassia, a “irmãzinha” da ilha mais
conhecida Thera. A entrada está escondida no interior da vila abandonada de Akrilia. Esta é uma
foto da vila da "caverna". É uma propriedade do próprio governo grego. Você pode permitir que
os outros negociadores conheçam essas informações em termos gerais, mas tenha cuidado ao ser
específico.
Nos últimos meses, a Equipe de Expedição também adquiriu com sucesso as três
“pedras” (a Pedra do Sol, a Pedra da Lua e a Pedra do Mundo) necessárias para destravar a
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entrada do túnel na caverna escondida. No que diz respeito à divulgação dessas informações, seu
cliente as deixou a seu critério.
Após esses memoráveis sucessos, os membros da Equipe de Expedição tiveram uma séria
discordância sobre se deveriam tentar entrar no túnel que acreditam levar a Atlântida sem
consultar a Divisão ou chegar a um acordo. A pessoa que mais apoiou não envolver a Divisão foi
Smith. No entanto, no final, todos os membros da Equipe de Expedição, incluindo Smith,
concordaram que chegar a um acordo com a Divisão seria melhor. Não apenas evitaria levantar
questões legais, mas também agregaria à proveniência de quaisquer artefatos recuperados. Como
resultado desse consenso, a Equipe de Expedição abordou a Divisão e agendou uma próxima
negociação. A Equipe de Expedição deu a você as seguintes instruções e autoridade para a
negociação:
1. Taxas a serem pagas à Divisão pela Equipe de Expedição
Nesse momento, Smith basicamente lhe deu um "cheque em branco" para obter
aprovação para a Equipe de Expedição prosseguir com sua busca por Atlântida. Smith acredita
que já investiu tanto, que o projeto chegou tão longe e que a Equipe de Expedição está tão
próxima do sucesso que seria "intolerável parar agora". Portanto, você está autorizado a pagar "o
que for preciso" para fazer com que a Divisão concorde - "assumindo que não seja algo
astronômico". Quando pressionado por algum tipo de limite específico, Smith disse que
precisaria ser consultado caso a Equipe de Expedição tivesse que pagar mais em taxas do que o
que gastou até agora em salário, viagens e outras "despesas" - US $ 6,5 milhões.
2. Propriedade dos artefatos e compensação contínua a ser fornecida à Divisão em
termos de pagamentos ou divisão de artefatos recuperados
É provável que a Divisão espere alguma porcentagem de quaisquer artefatos recuperados
ou outros itens de Atlântida. Idealmente, a Equipe de Expedição acredita que deve receber pelo
menos 75% do valor dos itens recuperados - com a Divisão recebendo no máximo 25%.
Obviamente, uma porcentagem maior para a Equipe de Expedição seria preferível. Neste sentido,
a Equipe de Expedição está disposta a dobrar a taxa inicial para aumentar a porcentagem que a
Equipe de Expedição receberá.
3. Resolução de disputas
A Equipe de Expedição está disposta a concordar com a cláusula de resolução de disputas
no contrato padrão da Divisão. No entanto, considera que seria melhor se nenhum dos
avaliadores fossem cidadãos ou residentes da Grécia ou de nenhum dos países envolvidos nessa
negociação. Por sinal, a Equipe de Expedição considera que essa cláusula poderia ser expandida
para lidar com qualquer disputa que surgir entre as partes. Se o assunto em disputa não estiver
centrado na avaliação, as partes poderiam nomear árbitros que não tenham sido avaliadores.
4. Outras disposições
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Existem três disposições que a Equipe de Expedição gostaria de incluir no contrato, se
possível. Primeiro, gostaria de controlar toda a publicidade relacionada a este projeto. Segundo,
quer garantir que terá direitos exclusivos para o local, especificamente a entrada da caverna.
Terceiro, gostaria de ter o direito futuro de explorar o local de Atlântida como uma possível
atração turística / de aventura.
Além disso, a Equipe de Expedição quer evitar a burocracia do governo (i.e., o excesso
de regulamentação ou conformidade rígida com as regras e procedimentos burocráticos que
dificultem ou impeçam a ação ou tomadas de decisão). Em particular, a Equipe de Expedição
está preocupada com o fato de a Divisão querer muita supervisão para aprovar esse projeto.
Portanto, deseja que você seja especialmente cauteloso com as disposições "burocráticas" que a
Divisão pode procurar incluir no contrato. A Equipe de Expedição está disposta a tolerar
algumas disposições razoáveis, mas seria melhor se conseguisse "comprar essa saída" da parte
deles.
Você pode fornecer informações adicionais que não sejam de benefício próprio, bem
como detalhes consistentes com os fatos conforme declarados acima e nas Informações Gerais.
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