Jurisprudência em Teses
do STJ, Ed. 144.
(Versão Integrada)
FALTA GRAVE EM
EXECUÇÃO PENAL - II
PROFESSOR BRUNO VALENTE
[email protected] @bruno_fvalente
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PROFESSOR BRUNO VALENTE
[email protected] Legislação
@bruno_fvalente
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Bruno Valente é Mestre em Ordem Jurídica Cons tucional pela Universidade
Federal do Ceará (2018) e Bacharel em Direito pelo Centro Universitário 7 de
Setembro (2014). Possui publicações na área de Direito Processual Civil, Direito
Cons tucional e Polí cas Públicas. Atualmente, é Advogado, Professor e idealizador
do Projeto Legislação Integrada.
Currículo La es: h p://la es.cnpq.br/3035355973845453
APRESENTAÇÃO
O ‘‘Jurisprudência em Teses do STJ’’ é uma ferramenta que apresenta diversos entendimentos do STJ
sobre temas específicos, escolhidos de acordo com sua relevância no âmbito jurídico. Cada edição
reúne teses iden ficadas pela Secretaria de Jurisprudência do STJ, após cuidadosa pesquisa nos
precedentes do tribunal.
A sua leitura não pode ser negligenciada, sendo uma fonte jurisprudencial de importância ímpar.
Além disso, quem estuda para concursos públicos deve estar ciente que tais teses são repe damente
cobradas nos mais diversos pleitos, sendo fonte de estudo inescapável.
A Versão Integrada do Jurisprudência em Teses do STJ, por sua vez, é uma ferramenta que busca
facilitar o estudo do informa vo divulgado pelo Superior Tribunal de Jus ça. Para tanto, de forma
bastante obje va, integra-se as teses divulgadas com a legislação e a jurisprudência per nente ao
tema, de forma a possibilitar ao estudante uma melhor compreensão sobre os temas.
O material é indicado para a advogados, estudantes universitários e para concursos públicos
estaduais ou federais.
JURISPRUDÊNCIA EM TESES DO STJ
EDIÇÃO N. 144: FALTA GRAVE EM EXECUÇÃO PENAL. II
Tese 1: Faltas graves cometidas em período longínquo e já reabilitadas não configuram fundamento idôneo
para indeferir o pedido de progressão de regime, para que os princípios da razoabilidade e da
ressocialização da pena e o direito ao esquecimento sejam respeitados.
A avaliação da progressão de regime se gunda em fatos ocorridos na própria execução penal.
Fatores relacionados ao crime praticado são determinantes da pena aplicada, mas não justificam
diferenciado tratamento para a progressão de regime, de modo que a avaliação do cumprimento do
requisito subjetivo somente poderá fundar-se em fatos ocorridos no curso da própria execução penal.
Faltas antigas, já reabilitadas, não interferem na progressão.
Por outro lado, consolidou-se neste Tribunal diretriz jurisprudencial no sentido de que faltas graves
antigas, já reabilitadas pelo decurso do tempo, não justificam o indeferimento da progressão de regime
prisional. HC 544.368/SP, Rel. Ministro REYNALDO SOARES DA FONSECA, QUINTA TURMA, julgado em
05/12/2019, DJe 17/12/2019.
Em um caso julgado em 2019, o STJ entendeu que uma falta grave cometida em 2017 era antiga.
(…) NOTÍCIA DE FALTA GRAVE PRATICADA EM 2017. FALTA ANTIGA. REABILITAÇÃO DO APENADO. (…) 1.
Não há falar em desconsideração total do histórico carcerário do preso, mas sim em sua análise em
consonância com os princípios da razoabilidade, proporcionalidade e individualização da pena, que regem
não só a condenação, como a execução criminal. 2. Considerando-se a data da última falta praticada,
imperioso notar que há decurso considerável de tempo a se concluir pela reabilitação do apenado, dada a
natureza progressiva do cumprimento de pena. (…). AgRg no HC 513.650/SP, Rel. Ministro NEFI CORDEIRO,
SEXTA TURMA, julgado em 05/09/2019, DJe 12/09/2019.
Em outro caso, foram consideradas antigas as faltas graves cometidas há mais de 10 anos.
A instância a quo não logrou fundamentar o não preenchimento do requisito subjetivo para a progressão
ao regime semiaberto, haja vista que, havendo atestado de bom comportamento e exame criminológico
favorável, os fatores relacionados aos crimes praticados e que já são objeto da execução penal em curso
não justificam diferenciado tratamento para a progressão de regime, ressaltando-se que as faltas graves
mencionadas são antigas, visto que foram cometidas há mais de 10 anos, não constituindo fundamento
idôneo para afastar o requisito subjetivo. AgRg no HC 504.294/SP, Rel. Ministro NEFI CORDEIRO, SEXTA
TURMA, julgado em 03/09/2019, DJe 12/09/2019.
A lei nº13.964/2019 previa no Art. 112, §7º que após o ano da ocorrência do fato o indivíduo voltava a
ter “bom comportamento”. Tal texto, entretanto, foi vetado.
Texto vetado: § 7º O bom comportamento é readquirido após 1 (um) ano da ocorrência do fato, ou antes,
após o cumprimento do requisito temporal exigível para a obtenção do direito.
Mensagem de veto: A propositura legislativa, ao dispor que o bom comportamento, para fins de
progressão de regime, é readquirido após um ano da ocorrência do fato, ou antes, após o cumprimento do
requisito temporal exigível para a obtenção do direito, contraria o interesse público, tendo em vista que a
concessão da progressão de regime depende da satisfação de requisitos não apenas objetivos, mas,
sobretudo de aspectos subjetivos, consistindo este em bom comportamento carcerário, a ser comprovado,
a partir da análise de todo o período da execução da pena, pelo diretor do estabelecimento prisional.
Assim, eventual pretensão de objetivação do requisito vai de encontro à própria natureza do instituto, já
pré-concebida pela Lei nº 7.210, de 1984, além de poder gerar a percepção de impunidade com relação às
faltas e ocasionar, em alguns casos, o cometimento de injustiças em relação à concessão de benesses aos
custodiados.
Tese 2: O cometimento de falta de natureza especialmente grave constitui fundamento idôneo para
decretação de perda dos dias remidos na fração legal máxima de 1/3.
Art. 127. Em caso de falta grave, o juiz poderá revogar até 1/3 (um terço) do tempo remido, observado o
disposto no art. 57, recomeçando a contagem a partir da data da infração disciplinar. (Redação dada pela
Lei nº 12.433, de 2011)
Art. 127 da LEP
Antes da Lei nº 12.433/2011 Depois da Lei nº 12.433/2011
A falta grave acarretava a perda de todos os dias A falta grave acarreta a perda de, no máximo, 1/3
remidos. dos dias remidos.
Poder-dever do magistrado de decretar a perda de dias remidos.
A prática de falta grave impõe a decretação da perda de até 1/3 dos dias remidos, devendo a expressão
“poderá”, contida no art. 127 da LEP, ser interpretada como verdadeiro PODER-DEVER do magistrado,
ficando no juízo de discricionariedade do julgador apenas a fração da perda, que terá como limite máximo
1/3 dos dias remidos. STJ. 5ª Turma. AgRg no REsp 1430097-PR, Rel. Min. Felix Fischer, julgado em
19/3/2015 (Info 559).
A fração da perda dos dias remidos aplicadas deve ser concretamente motivada.
Reconhecida falta grave no decorrer da execução penal, não pode ser determinada a perda dos dias
remidos na fração máxima de 1/3 sem que haja fundamentação concreta para justificá-la. STJ. 6ª Turma.
HC 282265-RS, Rel. Min. Rogerio Shietti Cruz, julgado em 22/4/2014 (Info 539).
Perda dos dias remidos e fuga.
Em um caso concreto, o STJ decidiu que a fuga, por ser uma falta disciplinar de natureza especialmente
grave, justifica a adoção do percentual máximo de perda dos dias remidos. STJ. 5ª Turma. HC 465565/RS,
Rel. Min. Reynaldo Soares da Fonseca, julgado em 25/09/2018.
Jurisprudência em Teses STF, Ed. 144:
2) O cometimento de falta de natureza especialmente grave constitui fundamento idôneo para decretação
de perda dos dias remidos na fração legal máxima de 1/3 (art. 127 da Lei N. 7.210/1984. Lei de Execução
Penal).
Reconhecida falta grave, a perda de até 1/3 do tempo remido (art. 127 da LEP):
• Pode alcançar: os dias de trabalho ou de estudo anteriores à infração disciplinar e que ainda não
tenham sido declarados pelo juízo da execução no cômputo da remição.
• Não pode alcançar: os dias de trabalho ou de estudo após o cometimento da falta grave.
Nesse sentido: STJ. 6ª Turma. REsp 1517936-RS, Rel. Min. Maria Thereza de Assis Moura, julgado em
1º/10/2015 (Info 571).
A prática de crime no curso do livramento condicional não pode ser considerada como falta grave e não
gera, por isso, a perda de 1/3 dos dias remidos (art. 127 da LEP).
O cometimento de novo delito durante a vigência do livramento condicional já traz graves consequências
que são previstas no art. 88 do Código Penal. Esse dispositivo não menciona a perda dos dias remidos.
Desse modo, não há a possibilidade de imposição de faltas disciplinares ao beneficiado com o livramento
condicional. STJ. 6ª Turma. HC 271.907-SP, Rel. Min. Rogerio Schietti Cruz, julgado em 27/3/2014 (Info
539).
Tese 3: O cometimento de falta grave durante a execução penal autoriza a regressão do regime de
cumprimento de pena, mesmo que seja estabelecido de forma mais gravosa do que a fixada na sentença
condenatória (art. 118, I, da Lei de Execução Penal. LEP), não havendo falar em ofensa à coisa julgada.
Art. 118. A execução da pena privativa de liberdade ficará sujeita à forma regressiva, com a transferência
para qualquer dos regimes mais rigorosos, quando o condenado: I. praticar fato definido como crime
doloso ou falta grave;
Súmula 526-STJ: O reconhecimento de falta grave decorrente do cometimento de fato definido como
crime doloso no cumprimento da pena prescinde do trânsito em julgado de sentença penal condenatória
no processo penal instaurado para apuração do fato. (prescinde = dispensa)
Desnecessidade de trânsito em julgado.
A regressão de regime pela prática de fato definido como crime doloso, durante a execução da pena, não
depende do trânsito em julgado da condenação. STJ. 5ª Turma. HC 333615/SC, Rel. Min. Reynaldo Soares
da Fonseca, julgado em 15/10/2015.
Súmula 534-STJ: A prática de falta grave interrompe a contagem do prazo para a progressão de regime de
cumprimento de pena, o qual se reinicia a partir do cometimento dessa infração.
Súmula 535-STJ: A prática de falta grave não interrompe o prazo para fim de comutação de pena ou
indulto.
Tese 4: Quando não houver regressão de regime prisional, é dispensável a realização de audiência de
justificação no procedimento administrativo disciplinar para apuração de falta grave.
Súmula 533-STJ: Para o reconhecimento da prática de falta disciplinar no âmbito da execução penal, é
imprescindível a instauração de procedimento administrativo pelo diretor do estabelecimento prisional,
assegurado o direito de defesa, a ser realizado por advogado constituído ou defensor público nomeado.
Entretanto, atenção para uma peculiaridade.
É imprescindível a realização de audiência de justificação apenas quando o Juízo da execução penal
proceder à regressão definitiva do apenado a regime mais gravoso, de modo que a regressão cautelar
prescinde de prévia oitiva judicial. STJ. 6ª Turma. AgRg no HC 423.979/RS, Rel. Min. Maria Thereza De Assis
Moura, julgado em 06/03/2018.
Portanto:
• Na regressão definitiva: É imprescindível a oitiva prévia do condenado;
• Na regressão cautelar: Não é imprescindível a oitiva prévia do condenado;
Tese 5: A prática de falta grave durante o cumprimento da pena não acarreta a alteração da data-base para
fins de saída temporária e trabalho externo.
LEP, Art. 125. O benefício será automaticamente revogado quando o condenado praticar fato definido
como crime doloso, for punido por falta grave, desatender as condições impostas na autorização ou
revelar baixo grau de aproveitamento do curso.
A prática de falta grave não altera a pena-base para fins de saída temporária e trabalho externo.
A prática de falta grave durante o cumprimento da pena não acarreta a alteração da data-base para fins de
saída temporária e trabalho externo. STJ. 5ª Turma. AgRg no REsp 1755701/RS, Rel. Min. Ribeiro Dantas,
julgado em 06/11/2018.
Muito cuidado!
• A prática de falta grave acarreta a revogação da autorização para trabalho externo e da saída
temporária;
• A prática de falta grave não altera a pena-base para a obtenção dos benefícios da autorização para
trabalho externo e da saída temporária
Tese 6: A posse de fones de ouvido no interior do presídio é conduta formal e materialmente típica,
configurando falta de natureza grave, uma vez que viabiliza a comunicação intra e extramuros.
LEP, Art. 50. Comete falta grave o condenado à pena privativa de liberdade que: VII. tiver em sua posse,
utilizar ou fornecer aparelho telefônico, de rádio ou similar, que permita a comunicação com outros presos
ou com o ambiente externo. (Incluído pela Lei nº 11.466, de 2007)
Perceba, ainda, que não é necessária a posse do aparelho celular completo. A posse da qualquer
componente (mesmo um chip) já caracteriza a falta grave.
Após a edição da Lei nº 11.466/2007, a posse de aparelho telefônico ou dos componentes essenciais ao
seu efetivo funcionamento, a exemplo do chip, passou a ser considerada falta grave. STJ. 5ª Turma. REsp
1457292/RS, Rel. Min. Jorge Mussi, julgado em 04/11/2014.
A falta grave abrange a posse de aparelhos essenciais ao funcionamento do celular.
Configura falta grave não apenas a posse de aparelho celular, mas também a de seus componentes
essenciais, como é o caso do carregador, do chip ou da placa eletrônica, considerados indispensáveis ao
funcionamento do aparelho. STJ. 5ª Turma. HC 260122-RS, Rel. Min. Marco Aurélio Bellizze, julgado em
21/3/2013. (Info 517)
Em sentido contrário a tese 6: A Posse de um cabo USB e um fone de ouvido / microfone por parte de
visitante de preso não configura falta grave.
No âmbito da execução penal, não configura falta grave a posse, em estabelecimento prisional, de um
cabo USB, um fone de ouvido e um microfone por visitante de preso. O cabo USB, fone de ouvido e
microfone não são acessórios essenciais ao funcionamento de aparelho de telefonia celular ou rádio de
comunicação e, portanto, não se amoldam à finalidade da norma prevista no art. 50, VII, da Lei nº
7.210/84. STJ. 5ª Turma. HC 255569-SP, Rel. Min. Marco Aurélio Bellizze, julgado em 21/3/2013 (Info 519).
Preso não pode ser responsabilizado pelo envio por sua mãe de aparelho celular via correio.
V. Esta Corte Superior de Justiça firmou entendimento no sentido de que, em razão do princípio da
intranscendência penal, a imposição de falta grave ao executado, por transgressão realizada por terceiro,
deve ser afastada quando não comprovada a autoria do reeducando, através de elementos concretos. VI.
No caso dos autos, o reeducando sequer chegou a ter contato com as peças de celular que lhe foram
enviadas por Sedex, impedindo-se a entrada dos objetos na unidade prisional. VII. O fato de as peças de
celular terem sido encaminhados pela genitora do paciente não indicam com a certeza necessária que ele
as encomendou. (...) STJ. 5ª Turma. HC 399047/SP, Rel. Min. Felix Fischer, julgado em 08/08/2017.
Tese 7: É prescindível a perícia de aparelho celular apreendido para a configuração da falta disciplinar de
natureza grave do art. 50, VII, da Lei n. 7.210/1984.
A posse de aparelho telefônico só caracteriza falta grave se cometido após a Lei nº 11.466/2007.
Além disso, atenção ao fato de que antes da Lei nº 11.466/2007, a conduta do art. 50, VII da LEP não podia
ser considerada como falta grave porque não constava do rol taxativo previsto artigo. STJ. 5ª Turma. HC
395878/PR, Rel. Min. Felix Fischer, julgado em 27/06/2017.
Não é necessário periciar o aparelho para caracterizar falta.
Não é necessária, para a configuração da falta grave, a realização de perícia no aparelho telefônico ou nos
componentes essenciais, dentre os quais o “chip”, a fim de demonstrar o funcionamento. STJ. 5ª Turma.
HC 155372/SP, Rel. Min. Marco Aurélio Bellizze, julgado em 02/08/2012.
Tese 8: O reconhecimento de falta grave prevista no art. 50, III, da Lei n. 7.210/1984 dispensa a realização
de perícia no objeto apreendido para verificação da potencialidade lesiva, por falta de previsão legal.
LEP, Art. 50. Comete falta grave o condenado à pena privativa de liberdade que: III. possuir,
indevidamente, instrumento capaz de ofender a integridade física de outrem.
Tese 9: É imprescindível a confecção do laudo toxicológico para comprovar a materialidade da infração
disciplinar e a natureza da substância encontrada com o apenado no interior de estabelecimento prisional.
É necessária a realização de laudo toxicológico para o reconhecimento da falta grave.
A jurisprudência desta Corte Superior firmou-se no sentido de que é imprescindível a elaboração de laudo
toxicológico para o reconhecimento da falta grave decorrente da prática de tráfico de drogas ou de posse
de substância entorpecente, não podendo o exame pericial ser suprido por outros meios de prova, nem
mesmo pela confissão do apenado. HC 546.287/SP, Rel. Ministro LEOPOLDO DE ARRUDA RAPOSO
(DESEMBARGADOR CONVOCADO DO TJ/PE), QUINTA TURMA, julgado em 17/12/2019, DJe 19/12/2019.
Tese 10: A posse de drogas no curso da execução penal, ainda que para uso próprio, constitui falta grave.
LEP, Art. 52. A prática de fato previsto como crime doloso constitui falta grave e, quando ocasionar
subversão da ordem ou disciplina internas, sujeitará o preso provisório, ou condenado, nacional ou
estrangeiro, sem prejuízo da sanção penal, ao regime disciplinar diferenciado, com as seguintes
características: (…).
Lei nº 11.343/06, Art. 28. Quem adquirir, guardar, tiver em depósito, transportar ou trouxer consigo, para
consumo pessoal, drogas sem autorização ou em desacordo com determinação legal ou regulamentar será
submetido às seguintes penas: (…).
O cometimento do crime do art. 28 da Lei de Drogas configura falta grave.
A posse de drogas no curso da execução, ainda que para uso próprio, constitui falta grave, nos moldes do
art. 52 da LEP, pois o preso que pratica fato previsto como crime doloso durante o resgate das penas não
demonstra comportamento adequado, apto a atrair os benefícios do sistema progressivo. AgRg no HC
547.354/DF, Rel. Ministro REYNALDO SOARES DA FONSECA, QUINTA TURMA, julgado em 06/02/2020, DJe
13/02/2020.
Tabelinha Extra.
Já que se trata de um assunto relevante ao tema “falta grave”, aproveita para dar uma olhada na tabela a
seguir, que traz o texto do art. 112 da LEP antes e depois da Lei nº13.964/2019.
Art. 112 da LEP
Antes da Lei nº13.964/2019 Depois da Lei nº13.964/2019
Art. 112. A pena privativa de liberdade será
executada em forma progressiva com a transferência
Art. 112. A pena privativa de liberdade será
para regime menos rigoroso, a ser determinada pelo
executada em forma progressiva com a transferência
juiz, quando o preso tiver cumprido ao menos um
para regime menos rigoroso, a ser determinada pelo
sexto da pena no regime anterior e ostentar bom
juiz, quando o preso tiver cumprido ao menos:
comportamento carcerário, comprovado pelo
diretor do estabelecimento, respeitadas as normas
que vedam a progressão.
Sem correspondente I. 16% (dezesseis por cento) da pena, se o apenado
for primário e o crime tiver sido cometido sem
violência à pessoa ou grave ameaça;
II. 20% (vinte por cento) da pena, se o apenado for
reincidente em crime cometido sem violência à
pessoa ou grave ameaça;
III. 25% (vinte e cinco por cento) da pena, se o
apenado for primário e o crime tiver sido cometido
com violência à pessoa ou grave ameaça;
IV. 30% (trinta por cento) da pena, se o apenado for
reincidente em crime cometido com violência à
pessoa ou grave ameaça;
V. 40% (quarenta por cento) da pena, se o apenado
for condenado pela prática de crime hediondo ou
equiparado, se for primário;
VI. 50% (cinquenta por cento) da pena, se o
apenado for:
a) condenado pela prática de crime hediondo ou
equiparado, com resultado morte, se for primário,
vedado o livramento condicional;
b) condenado por exercer o comando, individual ou
coletivo, de organização criminosa estruturada para
a prática de crime hediondo ou equiparado; ou
c) condenado pela prática do crime de constituição
de milícia privada;
VII. 60% (sessenta por cento) da pena, se o apenado
for reincidente na prática de crime hediondo ou
equiparado;
VIII. 70% (setenta por cento) da pena, se o apenado
for reincidente em crime hediondo ou equiparado
com resultado morte, vedado o livramento
condicional.
§ 1º Em todos os casos, o apenado só terá direito à
§ 1 A decisão será sempre motivada e precedida de progressão de regime se ostentar boa conduta
o
manifestação do Ministério Público e do defensor. carcerária, comprovada pelo diretor do
(Redação dada pela Lei nº 10.792, de 2003) estabelecimento, respeitadas as normas que vedam
a progressão.
§ 2º A decisão do juiz que determinar a progressão
de regime será sempre motivada e precedida de
§2o Idêntico procedimento será adotado na
manifestação do Ministério Público e do defensor,
concessão de livramento condicional, indulto e
procedimento que também será adotado na
comutação de penas, respeitados os prazos
concessão de livramento condicional, indulto e
previstos nas normas vigentes.
comutação de penas, respeitados os prazos
previstos nas normas vigentes.
§ 3º No caso de mulher gestante ou que for mãe ou responsável por crianças ou pessoas com deficiência,
os requisitos para progressão de regime são, cumulativamente:
I. não ter cometido crime com violência ou grave ameaça a pessoa;
II. não ter cometido o crime contra seu filho ou dependente;
III. ter cumprido ao menos 1/8 (um oitavo) da pena no regime anterior;
IV. ser primária e ter bom comportamento carcerário, comprovado pelo diretor do estabelecimento;
V. não ter integrado organização criminosa.
§ 4º O cometimento de novo crime doloso ou falta grave implicará a revogação do benefício previsto no §
3º deste artigo.
§ 5º Não se considera hediondo ou equiparado, para
os fins deste artigo, o crime de tráfico de drogas
Sem correspondente
previsto no § 4º do art. 33 da Lei nº 11.343, de 23 de
agosto de 2006.
§ 6º O cometimento de falta grave durante a
execução da pena privativa de liberdade interrompe
o prazo para a obtenção da progressão no regime de
Sem correspondente
cumprimento da pena, caso em que o reinício da
contagem do requisito objetivo terá como base a
pena remanescente.
Sem correspondente § 7º (VETADO).