Fichamento “História concisa dos Estados Unidos da América” - Capítulo 2
Páginas 61-66
No contexto da colonização britânica, a mão de obra africana tornou-se o alicerce econômico das
colônias inglesas livres. A chegada dos primeiros africanos também salientou o fato de que as
colônias norte-americanas faziam parte de um mundo atlântico econômico e social emergente.
Por mais que as potências, incluindo a Inglaterra, participassem como produtoras de finais de
mercadorias que o Novo Mundo oferecia (açúcar, cacau, tabaco, etc.), os processos efetivos e custos
pessoais de produção recaíam sobre as colônias.
Companhia da Virgínia: empresa de comércio; sua existência assinala a ascensão de uma poderosa
classe mercantil que reconhecia as oportunidades do Novo Mundo. Essa companhia patrocinou, ou
seja, financiou a criação do primeiro assentamento inglês da América do norte, o assentamento de
Jamestown, fundado em 1607, na Virgínia.
Dois objetivos importantes da colonização: achar depósitos de ouro e de outros metais preciosos e
também fundar uma colônia inglesa de religião cristã; um reflexo autossuficiente da sociedade da
Inglaterra.
Em 1620, a Companhia se via otimista com o futuro. Embora eles não houvessem encontrado ouro
na Virgínia, essa região se apresentava como uma oportunidade para a Inglaterra obter diversas
mercadorias em um mesmo lugar.
Entretanto, com exceção de uma cultura, a do tabaco, a produtividade não era muito alta nos
primórdios de Chesapeake. Em 1621, a Companhia da Virgínia dá instruções aos colonos dizendo
que estes devem buscar “produzir e preservar as mercadorias de base necessárias para a subsistência
e incremento da plantação”.
A produção de tabaco representava uma via de enriquecimento, visto que este produto encontrava
mercado crescente na Europa. Em 1620, o tabaco é tão importante na Virgínia que se torna a unidade
monetária padrão, e assim permanece por muitos anos. Isso se exemplifica no uso desse produto para
a “venda de esposas”, transação comercial que consistia basicamente na compra de mulheres através
do tabaco. A chegada dessas mulheres na Virgínia a partir de 1619 foi pensada, de um lado, para
garantir a estabilidade a longo prazo da colônia; para fazer com que ela se parecesse com a
Inglaterra. Por outro lado, para além dos objetivos domésticos, havia claras intenções econômicas
por parte da Companhia da Virgínia, que também buscava enriquecer através desse empreendimento
= a Companhia escolhia as esposas e os colonos pagavam em tabaco.
Nos seus primeiros anos, a colônia era muito dependente da Companhia da Virgínia para se
sustentar; também dependia do influxo de mão de obra inglesa, cuja maior parte era empregada na
plantação de tabaco. Não havia alcançado imensa prosperidade econômica; Jamestown continuou
sendo apenas um posto de fronteira por anos.
Dentro desse mesmo contexto, as relações entre colonizadores e nativos se deterioram, resultando em
um massacre em 1622, no qual mais de 300 colonos morreram. Em 1623, a Virgínia quase não
produzia nenhuma outra mercadoria além do tabaco.
No ano seguinte, em 1624, a Companhia da Virgínia vai a falência e a colônia passa a pertencer ao
rei da Inglaterra.
Páginas 67-71
Contudo, o fim da Companhia da Virgínia não significou o término do assentamento inglês nem o da
produção de tabaco. Isso porque o rei inglês concede, para a Virgínia, o direito de monopólio sobre o
comércio do tabaco com a metrópole inglesa. Dessa forma, apenas a colônia passa a poder vender
tabaco para a Inglaterra, o que era benéfico para o rei, que ganhava receita, e também para
Jamestown, que vendia seu principal produto. Portanto, para a colônia, a extinção da companhia que
a inaugurou significou pouco em termos práticos.
Porém, no que dizia respeito às populações nativas, a atitude dos colonos muda após 1622. Nos
primeiros anos da criação do assentamento, A Companhia da Virgínia deu instruções aos colonos
para estes doutrinarem nativos segundo normas inglesas, revelando uma preocupação com a
conversão e a subjugação dos indígenas algonquinos. Essa ideia de conversão, entretanto, é logo
substituída por imperativos da conquista após a extinção da Companhia.
Isso porque o massacre de 1622 e outros ataques posteriores contribuem para a disseminação de uma
visão do indígena como selvagem e traiçoeiro, perspectiva que era extremamente conveniente para
justificar a colonização = “o caminho da conquista das populações nativas é muito mais fácil do que
civilizá-las por meios justos”.
A conquista violenta = queimavam as plantações nativas, destruíam e queimavam seus barcos,
canoas e casas, quebravam seu equipamento de pesca, atacavam-nos durante as caçadas, perseguiam-
nos com cavalos. Também os empurravam na direção de povos nativos inimigos e incentivavam seus
inimigos contra eles.
Mesmo após sua subjugação, os nativos não se mostraram como uma força de trabalho confiável,
mas, em Chesapeake, isso não era problema grave, visto que havia uma alternativa: a mão de obra
africana.
Muitos dos problemas que assolavam o empreendimento na Virgínia foram reproduzidos em outros
locais da América. Entre eles, está o problema das doenças, que causaram danos irreparáveis entre as
populações do Novo Mundo.
As Reformas religiosas e a colonização europeia: os colonos vinham para a América não só devido
às promessas de enriquecimento e o suposto dever de evangelização; alguns deles também buscavam
refúgio da perseguição religiosa que sofriam nos seus países de origem. No século XVI, com as
Reformas religiosas, a Europa mergulha em intensas disputas religiosas e políticas, o que não só
levou muitos europeus à América, mas também influenciou as sociedades que eles fundaram lá.
Nova França: a França também tinha ambições para a América do Norte no século XVII, fundando a
Nova França, que se estendia desde o Quebec até a Luisiana. Entretanto, como sugere o mapeamento
das rotas fluviais, os franceses estavam mais interessados em comércio do que em povoamento.
Problemas demográficos: embora, em 1700, a população branca de Chesapeake alcançasse cerca de
90 mil, as colônias fundadas pelos britânicos acumulavam complicações. A maior parte dos
imigrantes que chegavam eram trabalhadores que tinham de trabalhar para pagar sua passagem. 30 a
40% deles morriam de morte precoce; os mais afortunados viviam até os 35 anos. Por conseguinte, a
população branca da Virgínia comportava grande número de viúvas e crianças órfãs. Condições
semelhantes prevaleceram na segunda colônia britânica fundada em Chesapeake, a colônia de
Maryland.
A colônia de Maryland: A terra que depois se tornou a colônia de Maryland foi concedida a George
Calvert pelo rei Carlos I. Calvert manda uma carta para o rei pedindo a permissão para colonizar o
local, e a área recebe o nome da rainha de Carlos I, Henrietta. Ele funda a colônia em 1632, mas
morre no mesmo ano, e seu filho, Cecil Calvert, assume o cargo de fundador da nova colônia.
Cecil era católico e pretendia que Maryland fosse uma colônia onde católicos e protestantes
pudessem coexistir pacificamente. Naturalmente, não foi o que ocorreu. Embora ele e seus
governantes fossem católicos, a maior parte dos imigrantes que chegavam, muitos, como na Virgínia,
na condição de trabalhadores servis, era composta de protestantes, e a luta entre eles pelo controle
quase destruiu a colônia em 1641.
Páginas 72-77
Dúvidas para a aula que vem
- Qual era a mão de obra predominante utilizada nos primeiros anos da colônia (até 1622)? Era
assalariada? Eles usavam mão de obra indígena e inglesa?
- Colônia de Chesapeake, da Virgínia e de Jamestown são a mesma coisa?
-