LEONARDO DE LIMA CEZIMBRA – ATM 26/1 - UFRGS 1
BIOQUÍMICA
CICLO ALIMENTADO
ESTADO ABSORTIVO OU PÓS PRANDIAL
o Período de duas a quatro horas após uma refeição normal. Durante esse intervalo, há um
AUMENTO no plasma de AMINOÁCIDOS, GLICOSE e TRIALCILGLICEROIS (TAG) (estão dentro dos
QUILOMÍCRONS)
o Células endócrinas do pâncreas = ilhotas de langerhans → respondem a esse aumento de glicose
e de AA com aumento na secreção de INSULINA e redução na liberação de GLUCAGON
o A elevada razão INSULINA/GLUCAGON → estimula a LIPOGÊNESE (síntese de TAG), síntese de
GLICOGÊNIO (repor os estoques de combustíveis) e síntese proteica (DNA, RNA,
neurotransmissores e etc)
o Durante o período absortivo, praticamente todos os tecidos utilizam glicose como combustível
FÍGADO
o Pós-refeição = é banhado pelo sangue contendo os nutrientes absorvidos e elevados níveis de
insulina, secretada pelo pâncreas
o Durante o estado absortivo, o fígado capta carboidratos, lipídios e a maioria dos aminoácidos
→ são metabolizados, armazenados ou encaminhados para outros tecidos
METABOLISMO DE CARBOIDRATOS NO FÍGADO
o Após uma refeição contendo carboidratos, o fígado se torna consumidor de glicose, retendo
cerca de 60 de cada 100g trazidos pelo sistema porta-hepático
o AUMENTO DA FOSFORILAÇÃO DA GLICOSE → níveis elevados de glicose no hepatócito
(resultante de níveis extracelulares elevados) permitem a fosforilação da glicose pela enzima
glicocinase.
GLICOSE → FOSFORILAÇÃO → GLICOSE-6-FOSFATO
o AUMENTO DA SÍNTESE DE GLICOGÊNIO = GLICOSE-6-FOSFATO → GLICOGÊNIO
o AUMENTO DA ATIVIDADE DA VIA DAS PENTOSES-FOSFATO: o aumento da concentração de
glicose-6-fosfato no estado alimentado, combinado com o uso aumento de NADPH na
lipogênese hepática estimula a via das pentoses-fosfato.
o AUMENTO DA GLICÓLISE = a conversão de glicose em acetil-CoA é estimulada pela razão
insulina/glucagon elevada. A acetil-CoA é utilizada para síntese de ácidos graxos ou pode ser
oxidada para fornecer energia no Ciclo de Krebs
o REDUÇÃO DA GLICONEOGÊNESE = enquanto a glicólise é estimulada em estado absortivo, a
gliconeogênese é inibida
LEONARDO DE LIMA CEZIMBRA – ATM 26/1 - UFRGS 2
METABOLISMO DE LIPÍDIOS NO FÍGADO
o ORIGEM DOS ÁCIDOS GRAXOS NO FÍGADO:
➢ Mobilização dos TAGs do tecido adiposo, destinando ácidos graxos ao fígado
➢ Entrada de ácidos graxos através da ingestão
o AUMENTO NA SÍNTESE DE ÁCIDOS GRAXOS
➢ O fígado é o principal tecido para a síntese de ácidos graxos → beta-oxidação de ácidos
graxos > acetil-CoA > no ciclo de Krebs, gera CO2 e H20 > ATP
➢ Ocorre no período absortivo → aporte energético da dieta excede os gastos energéticos
do corpo
➢ É favorecida pela disponibilidade acetil-CoA e NADPH derivados do metabolismo da
glicose e pela ativação da acetil-CoA-carboxilase, que transforma o acetil-CoA em
malonil-CoA para a formação de ácidos graxos
o AUMENTO NA SÍNTESE DE TAG
➢ O fígado empacote os TAG, produzindo lipoproteínas de densidade muito baixa (VLDL),
que são liberadas no sangue e enviadas para tecidos periféricos, especialmente o tecido
adiposo e muscular
➢ O fígado armazena pouco TAG
METABOLISMO DE AMINOÁCIDOS NO FÍGADO
o ORIGEM DOS AA no FÍGADO
➢ Degradação de proteínas endógenas
➢ Entrada de AA através da ingestão de proteínas
o AUMENTO NA DEGRADAÇÃO DE AMINOÁCIDOS
➢ A quantidade de AA que chega ao fígado no estado absortivo supera a quantidade de
AA necessários para a síntese proteica. Esses AA excedentes ou são liberados para o
sangue e usados por todos os tecidos na síntese proteica ou são desaminados,
produzindo piruvato, acetil-CoA ou intermediários do ciclo de Krebs, podendo ser
oxidados para obtenção de energia ou para obtenção de ácidos graxos
o AUMENTO DA SÍNTESE PROTEICA
LEONARDO DE LIMA CEZIMBRA – ATM 26/1 - UFRGS 3
TECIDO ADIPOSO
o Responsável pelo armazenamento de ácidos graxos na forma de TAG
o Há mobilização dos TAG armazenados do tecido adiposo, liberando
para o sangue ácidos graxos e glicerol. Os ácidos graxos são
transportados através da albumina para diversos tecidos,
especialmente para o fígado e músculos, onde sofre a beta-oxidação
mitocondrial, formando acetil-CoA, que por sua vez se oxida no Ciclo
de Krebs, gerando MUITO ATP
METABOLISMO DE CARBOIDRATOS NO TECIDO ADIPOSO
o Aumento no transporte de glicose = os níveis de insulina se elevam no
estado absortivo, resultando em uma entrada de glicose para dentro
dos adipócitos (transportadores de glicose GLUT 4 para dentro dos
adipócitos são sensíveis à insulina)
o Aumento da glicólise = aumento da glicose intracelular → estimula
atividade glicolítica → fornece glicerol-fosfato para síntese de TAGs
o Aumento da atividade da via das pentoses-fosfato
METABOLISMO DE LIPÍDIOS NO TECIDO ADIPOSO
o Aumento na síntese de ácidos graxos = a síntese de ácidos graxos a partir de acetil-CoA em
humanos é baixa. A maioria dos ácidos graxos estocados nos adipócitos vem a partir da gordura
da dieta (na forma de quilomicra), ou, em menor quantidade, pelo fígado, na forma de VLDL
o Aumento na síntese de TAG = após uma refeição rica em lipídios, a hidrólise dos TAGs dos
quilomicra (oriundos do intestino) e do VLDL (originárias do fígado) fornece os ácidos graxos ao
tecido adiposo. Como o tecido adiposo não apresenta a enzima glicerol-cinase, o glicerol-
fosfato usado na síntese de TAG vem do metabolismo da glicose. Portanto, no estado
alimentado, níveis elevados de glicose e de insulina favorecem o armazenamento de TAGs
o Decréscimo da degradação de TAGs = no estado alimentado, a degradação das TAG’s está
inibida
CÉREBRO
o Normalmente, a glicose serve como principal combustível para o
cérebro
o HIPOGLICEMIA = LESÃO CEREBRAL
o Em jejum, porém, CORPOS CETÔNICOS podem ser utilizados como uma
forma de economia de glicose
o O SNC não utiliza ácidos graxos como fonte de combustível
METABOLISMO DE CARBOIDRATOS NO ENCÉFALO
o Em estado alimentado, o cérebro utiliza EXCLUSIVAMENTE glicose como
fonte de combustível
o A glicose é completamente oxidada até CO2 e ÁGUA → ATP
LEONARDO DE LIMA CEZIMBRA – ATM 26/1 - UFRGS 4
o Depende completamente da disponibilidade de glicose no sangue
METABOLISMO DE LIPÍDIOS NO ENCÉFALO
o São pouco ou nada utilizados. Os ácidos graxos, associados a albumina, não atravessam a
barreira hematencefálica.
TECIDO MUSCULAR
o Em repouso, é responsável por 30% do oxigênio consumido
pelo corpo e em exercícios vigorosos, alcança quase 90%
o É um tecido altamente oxidativo
o Fontes de energia = ácidos graxos, glicose e corpos cetônicos –
depende da atividade
o Em repouso, utilizam basicamente ácidos graxos
METABOLISMO DE CARBOIDRATOS
o Aumento no transporte de glicose → aumento de glicose e de
insulina nas células faz com que o transportador de glicose
GLUT 4 leve a glicose para dentro das células musculares. A
glicose é FOSFORILADA em glicose-6-fosfato > piruvato > acetil-
CoA > precursor de ÁCIDOS GRAXOS > fornece energia
necessária às células
OBS = EM ESTADO DE JEJUM, CORPOS CETÔNICOS E ÁCIDOS GRAXOS SÃO AS PRINCIPAIS
FORMAS DE COMBUSTÍVEL PARA MÚSCULOS EM REPOUSO
o AUMENTO DA SÍNTESE DE GLICOGÊNIO = o aumento da relação insulina/glucagon a
disponibilidade de glicose-6-fosfato favorece a síntese de glicogênio (GLICOGÊNESE)
METABOLISMO DE LIPÍDIOS
o Os ácidos graxos são liberados dos quilomicra e das VLDL pela lipase lipoproteica
o OBS = os ácidos graxos são combustíveis secundários para os músculos EM ESTADO ALIMENTADO
> a glicose é a principal fonte energética em estado alimentado
METABOLISMO DE AMINOÁCIDOS
o AUMENTO DA SÍNTESE PROTEICA → Após uma refeição rica em proteínas – repõe as proteínas
degradas desde a refeição anterior
o AUMENTO NA CAPTAÇÃO DE AMINOÁCIDOS RAMIFICADOS
LEONARDO DE LIMA CEZIMBRA – ATM 26/1 - UFRGS 5
JEJUM
o Inicia-se quando não há ingestão de alimentos após o período absortivo
o Redução nos níveis de glicose, aminoácidos e triglicerídeos no sangue → redução da relação
insulina/glucagon
o Predomínio do glucagon → período catabólico = LIPÓLISE, GLICONEOGÊNESE e GLICOGENÓLISE
o Degradação de estoques de glicogênio, TAGs e proteínas
o No jejum, tem duas prioridades:
1. Manter níveis adequados de glicose no plasma para suprir a necessidade energética do
cérebro
2. Mobilizar ácidos graxos do tecido adiposo e sintetizar corpos cetônicos do fígado parar suprir
energeticamente outros tecidos.
ESTOQUES ENERGÉTICOS
LEONARDO DE LIMA CEZIMBRA – ATM 26/1 - UFRGS 6
FÍGADO
o Objetivos principais = MANUTENÇÃO DA
GLICOSE SANGUÍNEA e DISTRIBUIÇÃO DE
MOLÉCULAS COMBUSTÍVEIS (ÁCIDOS
GRAXOS, CORPOS CETÔNICOS), para outros
tecidos.
METABOLISMO DE CARBOIDRATOS NO FÍGADO
o O fígado usa inicialmente a degradação do glicogênio em glicose (glicogenólise) e então a
gliconeogênese para manter os níveis de glicose no sangue adequados e suprir
energeticamente tecidos dependentes de glicose, como o cérebro.
LEONARDO DE LIMA CEZIMBRA – ATM 26/1 - UFRGS 7
o AUMENTO DA GLICOGENÓLISE = é a quebra do glicogênio hepático em glicose. Em jejum, a
redução da relação insulina/glucagon estimula a degradação dos estoques de glicogênio
hepático.
❖ Os estoques de glicogênio no fígado praticamente acabam depois de 10 a 18 horas de
jejum. Por isso, o GLICOGÊNIO HEPÁTICO é uma resposta transitória ao início do jejum.
o AUMENTO DA GLICONEOGÊNESE = se torna plenamente ativa após o esgotamento da reserva de
glicogênio hepático.
❖ Tem papel fundamental na manutenção da glicemia durante o jejum noturno ou o jejum
mais prolongado
METABOLISMO DE LIPÍDIOS NO FÍGADO
o AUMENTO DA OXIDAÇÃO DE ÁCIDOS GRAXOS: a oxidação de ácidos graxos derivados da
hidrólise de TAG do tecido adiposo é a maior fonte energética para o fígado no estado pós-
absortivo. Gera acetil-CoA, que pode ser oxidado no Ciclo de Krebs, gerando energia.
o AUMENTO DA CETOGÊNESE: o fígado é responsável pela produção e liberação de corpos
cetônicos para o sangue para serem utilizados como fontes combustíveis de energia em casos
de necessidade por tecidos periféricos.
❖ OBS = o fígado não pode utilizar esses corpos cetônicos como combustível
❖ Uma produção de corpos cetônicos inicia-se durante os primeiros dias de jejum
❖ Os corpos cetônicos são importantes no jejum, pois são combustíveis alternativos para
muitos tecidos, como o CÉREBRO → economia de glicose → reduz a necessidade de
gliconeogênese a partir das proteínas musculares (vai poupar os músculos, perda de
proteínas acaba sendo mais lenta).
❖ OBS = a produção de corpos cetônicos pode se dar a partir da não realização do ciclo
de Krebs, pois o OOA e acetil-CoA não vão reagir (OOA é desviado para a
gliconeogênese)
TECIDO ADIPOSO
METABOLISMO DE CARBOIDRATOS NO TECIDO ADIPOSO
o Baixa relação insulina/glucagon → reduz o transporte de glicose
para dentro das células (GLUT-4 é sensível à insulina) → reduz
efeitos metabólicos da glicose (glicólise, via pentose-fosfato) →
reduz síntese de TAG e ácidos graxos
METABOLISMO DE LIPÍDIOS NO TECIDO ADIPOSO
o AUMENTO NA DEGRADAÇÃO DE TAG = aumento glucagon e da
adrenalina → ativação da LHS (lipase sensível) → ativa
mobilização de TAG do tecido adiposo → ácidos graxos →
podem se oxidar
LEONARDO DE LIMA CEZIMBRA – ATM 26/1 - UFRGS 8
o AUMENTO NA LIBERAÇÃO DE ÁCIDOS GRAXOS = a maior parte da mobilização dos TAG é liberada
no sangue → ligados à albumina → vão para vários tecidos suprir a necessidade energética.
❖ O glicerol resultante da mobilização dos TAGs é utilizado como precursor da
gliconeogênese no fígado
o REDUZ A CAPTAÇÃO DE ÁCIDOS GRAXOS = a atividade da lipase lipoproteica no jejum é baixa →
TAGs de lipoproteínas circulantes não estão disponíveis para o tecido adiposo.
TECIDO MUSCULAR ESQUELÉTICO
o Músculo Esquelético em repouso usa ácidos graxos como
principal fonte energética
o Em exercício, o músculo usa, inicialmente, como fonte de
energia o glicogênio muscular
o Durante exercícios intensos, glicogênio → glicose-6-fosfato →
lactato (glicólise anaeróbia)
o À medida que a reserva de glicogênio muscular se esgota,
os ácidos graxos livres tornam-se a principal fonte de energia.
METABOLISMO DE CARBOIDRATOS NO MÚSCULO ESQUELÉTICO
o Redução da relação insulina/glucagon → reduz o transporte de glicose para dentro das células
→ reduz a GLICOGÊNESE
METABOLISMO DE LIPÍDIOS NO MÚSCULO ESQUELÉTICO
o Durante as 2 primeiras semanas de jejum, os músculos usam ÁCIDOS GRAXOS e CORPOS
CETÔNICOS como fonte combustível.
o Com cerca de 3 semanas → redução de consumo dos corpos cetônicos pelos músculos → ácidos
graxos como fonte de energia → oxidação → aumentam os níveis circulantes de corpos
cetônicos
❖ OBS = o aumento da utilização de corpos cetônicos pelo cérebro funciona como uma
economia de glicose → poupa a proteólise
METABOLISMO DE PROTEÍNAS NO MÚSCULO ESQUELÉTICO
o Durante os primeiros dias de jejum → RÁPIDA QUEBRA DE PROTEÍNAS MUSCULARES (PROTEÓLISE) →
liberação de AA para o sangue → no fígado → GLICONEOGÊNESE → glicose
o A proteólise é provocada pela redução da INSULINA e pelo aumento de CORTISOL
o Os principais aminoácidos glicogênicos são a ALANINA e a GLUTAMINA
LEONARDO DE LIMA CEZIMBRA – ATM 26/1 - UFRGS 9
CÉREBRO
o Nos primeiros dias de jejum, o cérebro utiliza exclusivamente a
glicose como fonte energética
o A glicemia é mantida pela GLICONEOGÊNESE HEPÁTICA
o Jejum prolongado (duas a três semanas) → os corpos cetônicos
aumentam em quantidade no sangue e são utilizados como
combustível pelo cérebro junto com a glicose
o A utilização de corpos cetônicos → reduz o CATABOLISMO
PROTEICO para a gliconeogênese
o Corpos cetônicos > POUPAM A GLICOSE > POUPAM A PROTEÍNA
MUSCULAR
RINS NO JEJUM PROLONGADO
o Em jejum prolongado, os rins expressam enzimas da gliconeogênese → em fases mais avançadas
de jejum, representam 50% da gliconeogênese (OBS = PARTE DA GLICOSE É CONSUMIDA PELOS
RINS)
o Compensam a acidose gerada pelo aumento circulante de corpos cetônicos
o A glutamina (AA glicogênico) liberado pelos músculos para a gliconeogênese hepática é
captada pelos rins → produz NH3 e alfa-cetoglutarato (substrato para a gliconeogênese)
o O NH3 capta H+ dissociados dos corpos cetônicos e é excretada na forma de NH4+ → diminui
acidez corporal
❖ Em jejum prolongado, há uma troca no tipo de descarte de nitrogênio (UREIA →
AMÔNIA)