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Mapa Geotecnico Manaus - Tese de Mestrado

Este documento apresenta um resumo de três frases da dissertação de mestrado de Wallace Vargas Roque intitulada "Mapeamento Geoambiental da Área Urbana de Manaus - AM". O documento descreve o mapeamento geoambiental realizado na área urbana e periurbana de Manaus utilizando técnicas de sensoriamento remoto, ensaios geotécnicos e análise de relatórios de sondagens. Como resultado, foram produzidos mapas temáticos com informações geotécnicas da região.

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Mapa Geotecnico Manaus - Tese de Mestrado

Este documento apresenta um resumo de três frases da dissertação de mestrado de Wallace Vargas Roque intitulada "Mapeamento Geoambiental da Área Urbana de Manaus - AM". O documento descreve o mapeamento geoambiental realizado na área urbana e periurbana de Manaus utilizando técnicas de sensoriamento remoto, ensaios geotécnicos e análise de relatórios de sondagens. Como resultado, foram produzidos mapas temáticos com informações geotécnicas da região.

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UNIVERSIDADE DE BRASÍLIA

FACULDADE DE TECNOLOGIA

DEPARTAMENTO DE ENGENHARIA CIVIL E AMBIENTAL

MAPEAMENTO GEOAMBIENTAL DA ÁREA URBANA DE


MANAUS - AM

WALLACE VARGAS ROQUE

ORIENTADOR: NEWTON MOREIRA DE SOUZA

CO-ORIENTADORA: NORIS DA COSTA DINIZ

DISSERTAÇÃO DE MESTRADO EM GEOTECNIA

PUBLICAÇÃO: G.DM-145/06

BRASÍLIA - DF: MARÇO / 2006


UNIVERSIDADE DE BRASÍLIA
FACULDADE DE TECNOLOGIA
DEPARTAMENTO DE ENGENHARIA CIVIL E AMBIENTAL

MAPEAMENTO GEOAMBIENTAL DA ÁREA URBANA DE


MANAUS - AM

WALLACE VARGAS ROQUE

DISSERTAÇÃO DE MESTRADO SUBMETIDA AO DEPARTAMENTO DE ENGENHARIA CIVIL


DA UNIVERSIDADE DE BRASÍLIA COMO PARTE DOS REQUISITOS NECESSÁRIOS PARA A
OBTENÇÃO DO GRAU DE MESTRE.

APROVADA POR:

_________________________________________
NEWTON MOREIRA DE SOUZA, DSc (UnB)
(ORIENTADOR)

_________________________________________
MÁRCIO MUNIZ DE FARIAS, PhD (UnB)
(EXAMINADOR INTERNO)

_________________________________________
FREDERICO GARCIA SOBREIRA, PhD (UFOP)
(EXAMINADOR EXTERNO)

DATA: BRASÍLIA/DF, 28 DE MARÇO de 2006.


i
FICHA CATALOGRÁFICA
ROQUE, WALLACE VARGAS
Mapeamento Geoambiental da Área Urbana de Manaus – AM. [Distrito Federal]
2006. xvi, 162 p., 297 mm (ENC/FT/UnB, Mestre, Geotecnia, 2006). Dissertação de
Mestrado - Universidade de Brasília. Faculdade de Tecnologia. Departamento de
Engenharia Civil
1. Mapeamento Geoambiental 2. Região Amazônica
3. Avaliação de Terreno 4. Cartografia Geotécnica
I. ENC/FT/UnB II. Título (série)

REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA
ROQUE, W.V. (2006). Mapeamento Geoambiental da Área Urbana de Manaus - AM.
Dissertação de Mestrado, publicação nº G.DM-145/06, Departamento de Engenharia Civil,
Universidade de Brasília, Brasília, DF, 162 p.

CESSÃO DE DIREITOS
NOME DO AUTOR: Wallace Vargas Roque
TÍTULO DA DISSERTAÇÃO DE MESTRADO: Mapeamento Geoambiental da Área
Urbana de Manaus – AM.
GRAU / ANO: Mestre / 2006

É concedida à Universidade de Brasília a permissão para reproduzir cópias desta dissertação


de mestrado e para emprestar ou vender tais cópias somente para propósitos acadêmicos e
científicos. O autor reserva outros direitos de publicação e nenhuma parte desta dissertação de
mestrado pode ser reproduzida sem a autorização por escrito do autor.

_____________________________
Wallace Vargas Roque
SQN 405, BL. N, Ap. 100 Térreo.
Asa Norte - 70846-140
Brasília/DF - Brasil
[email protected]

ii
Dedico,
a Deus, pela saúde e perseverança a mim concedidos.
A minha esposa, Priscila, pelos momentos de amor e
companheirismo. Aos meus pais, Osmar e Serrat, por
uma vida inteira de dedicação e amor. A minha irmã,
Magda, pelo amor e carinho dados a minha pessoa.

iii
AGRADECIMENTOS

Venho aqui expressar meu profundo agradecimento a todos aqueles cujas sugestões, críticas e
apoios tornaram de alguma forma, possível o desenvolvimento desta pesquisa. Cabe dentre
eles destacar:
Ao CNPq pelo apoio financeiro.
Á Prefeitura Municipal de Manaus, na pessoa do Dr. René Levy Aguiar, que acreditou em
mim e concedeu parte do material necessário ao desenvolvimento da pesquisa.
Á empresa SONDAPT Ltda., na pessoa do Engenheiro Geólogo Eduardo Teles de Barros,
pela cessão dos relatórios técnicos de sondagens das empresas Consulgeo Fundações LTDA.
Á Companhia de Pesquisa de Recursos Minerais-CPRM, pela cessão dos relatórios técnicos
de poços tubulares profundos executados na região urbana de Manaus.
Á todos os professores do curso de pós-graduação em geotecnia da Universidade de Brasília,
em especial ao professor Newton Moreira de Souza e a professora Noris da Costa Diniz, pela
orientação e pelos conhecimentos transmitidos não apenas para a pesquisa.
Á todos os colegas e amigos da geotecnia, com especial destaque Isabella, James, Mariana,
Sandra, Jenny, Joice e Élder, pela convivência, profunda amizade e apoio tanto nos momentos
de dificuldades quanto nos de alegria, compartilhados muitas vezes nas inúmeras madrugadas
de estudo.
Aos meus pais Osmar e Serrat, pelo amor, carinho e dedicação a minha pessoa, sem os quais
não conseguiria alcançar os meus objetivos. A minha irmã Magda, pela amizade e confiança
no meu sucesso.
Aos meus sogros Antonio e Cidinha, pelo apoio e confiança depositados sobre minha pessoa
ao longo dessa jornada. Ao primo Wilcelio Roque e sua família, pelo carinho e ajuda prestada
no momento em que mais precisei.
Finalmente desejo expressar minha profunda gratidão à minha esposa Priscila, por estar
sempre ao meu lado compartilhando os momentos difíceis e de intensa alegria, os quais não
haveria sentindo sem a sua presença.

iv
RESUMO

O presente trabalho apresenta um conjunto de procedimentos metodológicos voltados ao


reconhecimento do meio físico, com o objetivo de sintetizar as informações de interesse
geotécnico em mapas na escala 1:25.000. Essa metodologia contempla a realização de um
banco de dados georeferenciado com informações geológico-geotécnicas da área de estudo. A
pesquisa foi desenvolvida no município de Manaus/AM, mais precisamente entre os paralelos
2°55’00” e 3°10’00” sul e os meridianos 59°52’30” e 60°07’30” oeste, ocupando uma área
total de 354 km², correspondente a área urbana e periurbana da cidade. Utilizaram-se técnicas
de interpretação de imagens de sensoriamento remoto, ensaios de caracterização geotécnica,
bem como a análise de 241 relatórios técnicos referentes à execução de sondagens de simples
reconhecimento (SPT) e poços tubulares profundos, resultando nos seguintes documentos
cartográficos: mapa de documentação, carta imagem da área de trabalho, mapa hipsométrico,
mapa de declividades, mapa de cobertura e uso do solo, mapa de unidades de terreno. Como
forma de aplicação da base de dados gerada, foram elaboradas as seguintes cartas de
zoneamento geotécnico: carta de áreas para a disposição de resíduos e carta orientativa para a
exploração de materiais de construção. Por fim, apresenta-se aqui uma base de dados com
informações geotécnicas, que tem como objetivo geral subsidiar o planejamento urbano e
ambiental do município e o aproveitamento sustentável dos seus recursos naturais.

v
ABSTRACT

This thesis presents a set of sistematics procedures directed to the recognition of the
environment, with the objective to synthecize information of geotechnical interest in a
georeferenced database, being produced, parallel, maps of specific purposes in scale 1:25.000.
The research was developed in the city of Manaus/AM, more necessarily between the
parallels 2°55'00 "and 3°10'00" south and the meridians 59°52'30 "and 60°07'30" west,
occupying a total area of 354km², relative the urban area of the city. Techniques of
interpretation of remote sensing images, assays of geotechnical characterization had been
used, as well as the analysis of 241 referring reports technician to the execution of soundings
of simple recognition and deep tubular wells, resulting in following cartographic documents:
map of documentation, letter image of the work area, hypsometric map, map of declivities,
map of covering and use of the land, map of geotechnical units. As form of application of the
database generated, the following letters of geothecnical zoning had been elaborated: chart of
areas for the disposal of residues and chart for the exploration of construction materials.
Finally, a database with geotechnical information is presented here, that has as objective
generality to subsidize the urban and ambient planning of the city and the sustainable
exploitation of its natural resources.

vi
ÍNDICE

1 - APRESENTAÇÃO ............................................................................................................. 1
1.1 - INTRODUÇÃO ......................................................................................................................................... 1
1.2 - OBJETIVOS .............................................................................................................................................. 2
1.3 - JUSTIFICATIVA ...................................................................................................................................... 3

2 - MAPEAMENTO GEOTÉCNICO E SUA APLICAÇÃO .............................................. 4


2.1 - MAPEAMENTO GEOTÉCNICO E O PLANEJAMENTO ..................................................................... 5
2.2 - MÉTODOS DE INVESTIGAÇÃO UTILIZADOS EM MAPEAMENTOS............................................. 6
2.3 - ABORDAGENS METODOLÓGICAS PARA O MAPEAMENTO......................................................... 9
2.3.1 - ABORDAGEM ANALÍTICA ........................................................................................................... 9
2.3.2 - ABORDAGEM SINTÉTICA........................................................................................................... 11
2.4 - METODOLOGIAS PARA O MAPEAMENTO ..................................................................................... 13
2.4.1 - METODOLOGIA PUCE ................................................................................................................. 14
2.4.2 - METODOLOGIA MEXE ................................................................................................................ 16
2.4.3 - METODOLOGIA DA IAEG ........................................................................................................... 18
2.5 - MAPEAMENTO GEOTÉCNICO COM BASE NA GEOMORFOLOGIA............................................ 21
2.6 - COMPARTIMENTAÇÃO FISIOGRÁFICA PARA FINS DE MAPEAMENTO.................................. 22
2.7 - O USO DOS SISTEMAS DE INFORMAÇÃO GEOGRÁFICA PARA FINS DE MAPEAMENTO ... 23
2.7.1 - REPRESENTAÇÃO COMPUTACIONAL..................................................................................... 24
2.7.2 - BANCO DE DADOS....................................................................................................................... 25

3 - PERFIS TÍPICOS DE ALTERAÇÃO EM SOLOS TROPICAIS.............................. 27


3.1 - SOLO RESIDUAL TROPICAL .............................................................................................................. 28
3.1.1 - GÊNESE .......................................................................................................................................... 29
3.2 - PERFIL TÍPICO DE ALTERAÇÃO ....................................................................................................... 29
3.2.1 - SOLO LATERÍTICO....................................................................................................................... 30
3.2.2 - SOLO SAPROLÍTICO .................................................................................................................... 31
3.3 - CARACTERIZAÇÃO GEOTÉCNICA DOS SOLOS RESIDUAIS TROPICAIS ................................. 31
3.3.1 - MAPEAMENTO.............................................................................................................................. 31
3.3.2 - CARACTERIZAÇÃO ..................................................................................................................... 32
3.3.3 - CLASSIFICAÇÃO........................................................................................................................... 32

4 - CARACTERIZAÇÃO DA ÁREA DE ESTUDO........................................................... 34


4.1 – LOCALIZAÇÃO E DIVISÃO POLÍTICA............................................................................................. 34
4.2 – CARACTERIZAÇÃO URBANA........................................................................................................... 35
4.2.1 – HISTÓRICO DA OCUPAÇÃO ...................................................................................................... 35
4.2.2 – CRESCIMENTO DEMOGRÁFICO E O CRESCIMENTO URBANO......................................... 36
vii
4.2.3 – INFRA-ESTRUTURA URBANA E ASPECTOS SÓCIO-ECONÔMICOS.................................. 38
4.3 – ASPECTOS FISIOGRÁFICOS .............................................................................................................. 41
4.3.1 – CLIMA ............................................................................................................................................ 41
4.3.2 – VEGETAÇÃO................................................................................................................................. 43
4.3.3 – HIDROGRAFIA.............................................................................................................................. 43
4.4 – CARACTERÍSTICAS GEOLÓGICAS .................................................................................................. 44
4.4.1 – INTRODUÇÃO............................................................................................................................... 44
4.4.2 – GEOLOGIA .................................................................................................................................... 45
4.4.2.1 – ESTRATIGRAFIA .................................................................................................................. 45
4.4.2.2 – GEOLOGIA ESTRUTURAL .................................................................................................. 47
4.4.3 – GEOMORFOLOGIA ...................................................................................................................... 49
4.4.4 – MATERIAL INCONSOLIDADO................................................................................................... 51

5 – METODOLOGIA UTILIZADA..................................................................................... 53
5.1 – COLETA DE INFORMAÇÕES PRÉ-EXISTENTES ............................................................................ 54
5.2 – CLASSIFICAÇÃO DO TERRENO........................................................................................................ 55
5.2.1 – MAPAS BÁSICOS.......................................................................................................................... 55
5.2.1.1 – CARTA IMAGEM DA ÁREA DE ESTUDO......................................................................... 56
5.2.1.2 – MODELO DIGITAL DE ELEVAÇÃO................................................................................... 56
5.2.1.3 – MAPA DE DECLIVIDADE.................................................................................................... 56
5.2.1.4 – MAPA DE DOCUMENTAÇÃO............................................................................................. 58
5.2.2 – DETERMINAÇÃO DOS LANDFORMS ........................................................................................ 58
5.3 – CARACTERIZAÇÃO GEOTÉCNICA .................................................................................................. 61
5.3.1 – ENSAIOS GEOTÉCNICOS............................................................................................................ 61
5.3.1.1 – COLETA E PREPARAÇÃO DAS AMOSTRAS ................................................................... 62
5.3.1.2 – CARACTERIZAÇÃO EXPEDITA......................................................................................... 62
5.3.1.3 – DISTRIBUIÇÃO GRANULOMÉTRICA ............................................................................... 63
5.3.1.4 – LIMITES DE CONSISTÊNCIA.............................................................................................. 64
5.3.2 – ANÁLISE GEOTÉCNICA DAS SONDAGENS............................................................................ 64
5.4 – MAPEAMENTO GEOTÉCNICO FINAL.............................................................................................. 68
5.4.1 – MAPA DE COBERTURA E USO DO SOLO................................................................................ 71
5.4.2 – CARACTERIZAÇÃO DAS UNIDADES DE TERRENO ............................................................. 71
5.4.2.1 – FORMAS DE RELEVO .......................................................................................................... 72
5.4.2.2 – MATERIAL INCONSOLIDADO........................................................................................... 72
5.4.2.3 – PERFIL TÍPICO DE Nspt ....................................................................................................... 72
5.4.2.4 – AVALIAÇÃO DO TERRENO................................................................................................ 73
5.4.3 – CARTA DE ÁREAS POTENCIAIS PARA DISPOSIÇÃO DE RESÍDUOS ................................ 77
5.4.4 – CARTA ORIENTATIVA PARA A EXPLORAÇÃO DE RECURSOS NATURAIS.................... 79

6 – ANÁLISE DOS RESULTADOS..................................................................................... 81


viii
6.1 – MODELO DIGITAL DE ELEVAÇÃO (MDE) .................................................................................. 81
6.2 – COBERTURA E USO DA TERRA .................................................................................................... 86
6.3 – CARACTERIZAÇÃO GEOTÉCNICA DAS UNIDADES DE TERRENO....................................... 93
6.3.1 – UNIDADE DE TERRENO Pps (Platô com superfície plana)......................................................... 97
6.3.2 – UNIDADE DE TERRENO Plw (Platô com superfície levemente ondulada) ................................. 99
6.3.3 – UNIDADE DE TERRENO Pfr (Fragmento de platô) ................................................................... 101
6.3.4 – UNIDADE DE TERRENO Sp (Superfície de ligação entre platôs).............................................. 102
6.3.5 – UNIDADE DE TERRENO Ta (Terraço aluvionar) ...................................................................... 104
6.3.6 – UNIDADE DE TERRENO Hcx (Encosta convexa) ..................................................................... 105
6.3.7 – UNIDADE DE TERRENO Hp (Encosta plana)............................................................................ 107
6.3.8 – UNIDADE DE TERRENO Hcv (Encosta côncava)...................................................................... 109
6.3.9 – UNIDADE DE TERRENO HcxBcv (Encosta convexa com base côncava) ................................. 110
6.3.10 – UNIDADE DE TERRENO HpTcx (Encosta plana com topo convexo) ..................................... 112
6.3.11 – UNIDADE DE TERRENO HcvBcx (Encosta côncava com base convexa) ............................... 113
6.3.12 – UNIDADE DE TERRENO Hdr (Cabeceiras de drenagens e anfiteatros)................................... 115
6.3.13 – UNIDADE DE TERRENO Pfl (Planície de inundação) ............................................................. 116
6.3.14 – UNIDADE DE TERRENO Dva (Fundo de vale)........................................................................ 118
6.4 – CARTA DE ÁREAS POTENCIAIS PARA A DISPOSIÇÃO DE RESÍDUOS............................... 120
6.5 – CARTA ORIENTATIVA PARA A EXPLORAÇÃO DE RECURSOS NATURAIS...................... 122

7 – CONCLUSÕES E RECOMENDAÇÕES .................................................................... 124


7.1 – CONCLUSÕES ................................................................................................................................. 124
7.2 – RECOMENDAÇÕES........................................................................................................................ 127

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ............................................................................... 128


APÊNDICE A ....................................................................................................................... 133
APÊNDICE B ....................................................................................................................... 148

ix
LISTA DE TABELAS

Tabela 2.1 – Algumas propriedades dos solos pela classificação MCT (modificado de Nogami
& Villibor 1995)......................................................................................................................... 9
Tabela 2.2 – Sistema numérico da metodologia PUCE ........................................................... 15
Tabela 2.3 – Relação entre as categorias de terreno e a escala de trabalho na metodologia
MEXE....................................................................................................................................... 17
Tabela 2.4 – Principais propriedades das formas texturais em imagens de satélite e sua
respectiva caracterização.......................................................................................................... 23
Tabela 5.1 – Principais documentos utilizados para o desenvolvimento da pesquisa. ............ 55
Tabela 5.2 – Tabela com os valores padrões utilizados na pesquisa........................................ 66
Tabela 5.3 – Relação entre as classes de susceptibilidade/adequabilidade/favoralibidade e os
valores de X.............................................................................................................................. 73
Tabela 5.4 – Relação entre os atributos para a determinação da susceptibilidade aos processos
erosivos, à inundação e aos movimentos de massa.................................................................. 74
Tabela 5.5 - Relação entre os atributos para a análise do potencial para loteamentos, estradas e
disposição de resíduos.............................................................................................................. 75
Tabela 5.6 - Relação entre os atributos para a obtenção do potencial a exploração de argila,
areia e cascalho......................................................................................................................... 77
Tabela 5.7 – Atributos utilizados para a elaboração da carta de áreas potenciais para a
disposição de resíduos.............................................................................................................. 78
Tabela 5.8 - Atributos utilizados na elaboração da carta orientativa para a exploração de
recursos naturais....................................................................................................................... 80
Tabela 6.1– Densidade dos dados, na forma de relatórios de sondagens por unidade geoténica
.................................................................................................................................................. 95
Tabela 6.2 – Classificação obtida para os materiais inconsolidados de superfície. ................. 97
Tabela 6.3 – Tabela com os resultados de adequabilidade da unidade Pps. ............................ 98
Tabela 6.4 – Tabela com os resultados de adequabilidade da unidade Plw........................... 100
Tabela 6.5 – Tabela com os resultados de adequabilidade da unidade Pfr ............................ 102
Tabela 6.6 – Tabela com os resultados de adequabilidade da unidade Sp............................. 103
Tabela 6.7 – Tabela com os resultados de adequabilidade da unidade Ta............................. 105
Tabela 6.8 – Tabela com os resultados de adequabilidade da unidade Hcx .......................... 107
Tabela 6.9 – Tabela com os resultados de adequabilidade da unidade Hp ............................ 108
x
Tabela 6.10 – Tabela com os resultados de adequabilidade da unidade Hcv ........................ 110
Tabela 6.11 – Tabela com os resultados de adequabilidade da unidade HcxBcv.................. 111
Tabela 6.12 – Tabela com os resultados de adequabilidade da unidade HpTcx .................... 113
Tabela 6.13 – Tabela com os resultados de adequabilidade da unidade HcvBcx.................. 114
Tabela 6.14 – Tabela com os resultados de adequabilidade da unidade Hdr......................... 116
Tabela 6.15 – Tabela com os resultados de adequabilidade da unidade Pfl .......................... 118
Tabela 6.16 – Tabela com os resultados de adequabilidade da unidade Dva ........................ 119
Tabela 6.17 – Quantificação das áreas obtidas por classes de resíduos................................. 120
Tabela 6.18 – Quantificação das áreas obtidas por material a ser explorado......................... 122

xi
LISTA DE FIGURAS

Figura 2.1 - Aplicação da técnica de avaliação de terreno (modificado de Brink et al., 1966).
.................................................................................................................................................. 12
Figura 2.2 - Formato adotado na metodologia PUCE (Diniz, 1998). ...................................... 16
Figura 2.3 - Formato adotado na metodologia MEXE (modificado de Dearman, 1991). ....... 18
Figura 2.4 – Estrutura geral de um SIG (Câmara, 1995). ........................................................ 26
Figura 4.1 – Localização da área de estudo. ............................................................................ 34
Figura 4.2 – Planta-croquís da cidade de Manaus no ano de 1852 (Monteiro, 1994 citado por
Bento, 1998). ............................................................................................................................ 36
Figura 4.3 – a) Linha de tendência do crescimento populacional de Manaus; b) Incremento
populacional e atividade econômica predominante (IBGE, 2005). ......................................... 37
Figura 4.4 – Evolução urbana de Manaus para o período de 1685 a 1990. ............................. 40
Figura 4.5 – Mapa mostrando Manaus entre as isoietas de 2.000 e 2.200 mm (Sioli, 1991). . 41
Figura 4.6 – a) Precipitações médias anuais para períodos de 10 anos; b) Precipitações médias
para o período de um ano; c) Temperaturas máximas, médias e mínimas para o período de um
ano; d) Umidade relativa do ar para o período de um ano; e) Evaporação média para o período
de um ano; f) Balanço hídrico anual médio para o período entre 1961 a 1990 (INMET, 2006).
.................................................................................................................................................. 42
Figura 4.7 – Esquema da morfologia do leito fluvial do rio Negro (Sioli, 1991). ................... 44
Figura 4.8 – Mapa de Unidades geológicas com a localização da área de trabalho (modificado
BRASIL-MME, 1978). ............................................................................................................ 46
Figura 4.9 – Exposição do Arenito Manaus da Formação Alter do Chão (Bento, 1998). ....... 47
Figura 4.10 – Falhamento normal na Formação Alter do Chão (Prado, 2004)........................ 48
Figura 4.11 – Mapa das unidades morfoestruturais com a localização da área de trabalho
(modificado BRASIL-MME, 1978)......................................................................................... 50
Figura 4.12 – Perfil típico dos platôs na Formação Alter do Chão (Prado, 2004)................... 52
Figura 5.1 – Carta imagem....................................................................................................... 57
Figura 5.2 – Mapa de documentação. ...................................................................................... 59
Figura 5.3 – Imagem referente a condição utilizada para a fotointerpretação, mostrando as
curvas de nível a cada 5m e as drenagens. ............................................................................... 60

xii
Figura 5.4 – Carta de classificação utilizada na descrição dos solos pela metodologia MCT
(Nogami e Villibor, 1995)........................................................................................................ 63
Figura 5.5 – Fluxograma mostrando os procedimentos e suas relações. ................................. 65
Figura 5.6 – (a) Tela principal do software; (b) Tela para cadastro dos relatórios de
sondagens; (c) Tela de pesquisa por relatórios já cadastrados para edição; (d) Tela para a
exportação dos dados. .............................................................................................................. 68
Figura 5.7 – Fluxograma da pesquisa....................................................................................... 70
Figura 6.1 – Gráficos correspondentes aos perfis do terreno no sentido NW-SE, SW-NE, S-N
e E-W da área. .......................................................................................................................... 82
Figura 6.2 – Configuração dos perfis. ...................................................................................... 82
Figura 6.3 – Foto da área próxima ao porto de São Raimundo onde pode ser observada a
formação das falésias. .............................................................................................................. 83
Figura 6.4 – Mapa hipsométrico. ............................................................................................. 84
Figura 6.5 – Mapa de declividade. ........................................................................................... 85
Figura 6.6 – Erosão típica da região ocasionada pela alto índice pluviométrico e alteração da
vegetação natural...................................................................................................................... 86
Figura 6.7 – Segmentação da imagem Quickbird com valores de similaridade igual a 15 e área
mínima igual 25........................................................................................................................ 87
Figura 6.8 – Mapa de uso e cobertura do solo. ........................................................................ 88
Figura 6.9 – a) Foto ilustrativa da unidade (http://www.ambientebrasil.com.br); b) Amostra
retirada da imagem quickbird referente a classe temática floresta ombrófila densa................ 89
Figura 6.10 – Amostra retirada da imagem quickbird representativa da classe temática floresta
ombrófila aberta. ...................................................................................................................... 89
Figura 6.11 – Amostra representativa da classe temática mata de várzea. .............................. 90
Figura 6.12 – Amostra representativa da classe temática capoeira, obtida na imagem
quickbird................................................................................................................................... 90
Figura 6.13 – a) campo limpo, forma irregular, cor verde a marrom e textura lisa; b) campo
úmido, forma irregular a arredondada, cor verde médio a escuro e textura lisa a pouco rugosa;
c) campo sujo, forma irregular, cor verde claro e textura lisa a pouco rugosa. ....................... 91
Figura 6.14 – a) amostra representativa da classe agricultura; b) amostra relativa a classe sede
rural. ......................................................................................................................................... 91
Figura 6.15 – a) Aspecto representado na classe temática ocupação urbana; b) amostra
representativa da classe temática ocupação urbana; c) amostra representativa da classe
temática ocupação periurbana. ................................................................................................. 92
xiii
Figura 6.16 – a) Foto representativa da classe solo exposto; b) amostra representativa da
classe solo exposto. .................................................................................................................. 92
Figura 6.17 – a) Foto representativa da classe loteamento recente; b) amostra da classe obtida
nas imagens quickbird.............................................................................................................. 93
Figura 6.18 – Mapa de unidades do terreno. ............................................................................ 94
Figura 6.19 – Classificação adotada na análise do perfil geotécnico....................................... 96
Figura 6.20 – Caracterização do perfil geotécnico da unidade de terreno Pps. ....................... 98
Figura 6.21 - Caracterização do perfil geotécnico da unidade de terreno Plw....................... 100
Figura 6.22 – Caracterização do perfil geotécnico da unidade de terreno Pfr. ...................... 101
Figura 6.23 - Caracterização do perfil geotécnico da unidade de terreno Sp......................... 103
Figura 6.24 - Caracterização do perfil geotécnico da unidade de terreno Ta......................... 104
Figura 6.25 - Caracterização do perfil geotécnico da unidade de terreno Hcx. ..................... 106
Figura 6.26 - Caracterização do perfil geotécnico da unidade de terreno Hp. ....................... 108
Figura 6.27 - Caracterização do perfil geotécnico da unidade de terreno Hcv. ..................... 109
Figura 6.28 - Caracterização do perfil geotécnico da unidade de terreno HcxBcv................ 111
Figura 6.29 - Caracterização do perfil geotécnico da unidade de terreno HpTcx.................. 112
Figura 6.30 - Caracterização do perfil geotécnico da unidade de terreno HcvBcx................ 114
Figura 6.31 - Caracterização do perfil geotécnico da unidade de terreno Hdr....................... 115
Figura 6.32 - Caracterização do perfil geotécnico da unidade de terreno Pfl. ....................... 117
Figura 6.33 - Caracterização do perfil geotécnico da unidade de terreno Dva. ..................... 119
Figura 6.34 – Carta de áreas potenciais para a disposição de resíduos.................................. 121
Figura 6.35 – Carta orientativa para a exploração de recursos naturais................................. 123

xiv
LISTA DE SÍMBOLOS

% - Por cento
3D – Três Dimensões
AASHO – American Association of State Higway Officials
ABGE - Associação Brasileira de Geologia de Engenharia e Ambiental
ABNT - Associação Brasileira de Normas Técnicas
AM - Amazonas
cm – Centímetros
CNPQ – Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico
COSAMA – Companhia de Saneamento do Estado do Amazonas
CPRM – Companhia de Pesquisa e Recursos Minerais
E – Leste
EESC/USP – Escola de Engenharia de São Carlos/Universidade de São Paulo
ha - Hectares
IAEG – “International Association of Engineering Geology”
IBGE – Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística
IMPLURB - Instituto Municipal de Planejamento Urbano
INPE – Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais
IPT – Instituto de Pesquisas Tecnológicas do Estado de São Paulo
Km - Kilometros
Km2 - Kilometros quadrados
m – Metro
MCT – Miniatura, Compactado, Tropical
MDE – Modelo Digital de Elevação
MEXE – Military Engineering Experimental Establishment
mm – Milímetros
MNT – Modelos Numéricos de Terreno
N – Norte
NBR – Norma Brasileira
NE – Nordeste
Nspt – Número de Standart Penetration Test
NW - Noroeste

xv
LISTA DE SÍMBOLOS (Continuação)

O – Oeste
PUCE – Pattern, Unit, Component, Evaluation
S – Sul
SE – Sudeste
SIG – Sistema de Informações Geográficas
SPRING - Sistema de Processamento de Informações Georeferenciadas
SPT - “Standard Penetration Test” (Sondagem de Simples Reconhecimento)
SW – Sudoeste
UFAM - Universidade Federal do Amazonas
UnB - Universidade de Brasília
UNESCO - Organ. das Nações Unidas para o progresso da Educação, Ciência e Cultura
W – Oeste

xvi
1 - APRESENTAÇÃO
1
1.1 - INTRODUÇÃO

Ao longo de sua história, o mapeamento geotécnico tem se mostrado como uma ferramenta
eficaz no reconhecimento do meio físico. Durante muitos anos a sua aplicação foi realizada de
forma pontual, muita das vezes em função da construção de obras de engenharia ou em
caráter emergencial, como base para a aplicação de medidas mitigadoras. O potencial de
integração entre as características ambientais e informações socioeconômicas transformou-o
em uma das principais ferramentas para a criação de políticas públicas de gestão urbana e
territorial, subsidiando o desenvolvimento sustentável e ambientalmente correto.

A tomada de consciência e a possibilidade de utilização das informações do meio físico para o


planejamento urbano e ambiental incentivaram o desenvolvimento de novas técnicas que
orientassem a coleta, análise, manipulação, apresentação e armazenamento destas
informações. Assim sendo, tornou-se possível a elaboração de documentos cartográficos em
grande escala com informações geológicas-geotécnicas, permitindo a formulação de modelos
de entendimento e previsibilidade do comportamento do terreno assim como o estudo de
soluções para os problemas decorrentes da relação homem e meio ambiente.

Não obstante, o município de Manaus apresenta inúmeros problemas sócio-ambientais


ocasionados pela ocupação humana inadequada induzida pelo crescimento demográfico
acentuado em um período curto de tempo, sem uma política de controle desta intervenção
sobre o meio. A situação ainda é agravada pela falta de conhecimento técnico das
características do meio físico, muito comum às cidades da região amazônica, tornando cada
vez pior o contexto ambiental local face às intervenções humanas.

Na região o desenvolvimento é principalmente voltado ao reconhecimento das características


geológicas e dos fatores intervientes a sua formação. Neste contexto podem-se ressaltar os
trabalhos de Igreja e Franzinelli (1987), Fernandes Filho (1995 e 1996), Oliveira et al. (1995),

1
Franzinelli e Rossi (1996) e Carvalho et al. (2003). A abordagem geotécnica só fora retratada
a partir dos estudos de Frota et al. (1987), Lucas (1989), Bento (1998) e Prado (2004), sendo
que somente os dois últimos estão contextualizados à cartografia geotécnica.

Neste sentido, o presente trabalho visa contribuir ao conhecimento geológio-geotécnico da


região por meio da elaboração de cartas de zoneamento geotécnico. Para isso, utilizou-se a
técnica de avaliação de terreno por meio da fotointerpretação dos produtos de sensoriamento
remoto, assim como a análise de relatórios técnicos de sondagens de simples reconhecimento
e poços tubulares profundos, além de informações obtidas a partir de ensaios de
caracterização geotécnica. De uma forma mais ampla, espera-se ampliar o volume de
informações existentes sobre o meio físico possibilitando a atualização do planejamento
urbano e a implantação de políticas de desenvolvimento sustentável da região.

Esta dissertação compreende sete seções primárias: apresentação, mapeamento geotécnico e


sua aplicação, perfis típicos de alteração, caracterização da área de estudo, metodologia
utilizada, análise dos resultados e conclusões e sugestões.

O capítulo 1 refere-se à introdução onde são descritos os objetivos e as justificativas da


pesquisa; o capítulo 2 trata da revisão bibliográfica, revendo os aspectos que envolvem o
mapeamento geotécnico e a sua aplicação; o capítulo 3 trata das técnicas de investigação e
análise dos perfis típicos de alteração; o capítulo 4 trata das características gerais da região e
da área de trabalho, retratando sua localização geográfica na cartografia internacional, seus
aspectos socioeconômicos e fisiográficos, e por fim as características geológicas; o capítulo 5
disserta sobre a metodologia utilizada, retratando a obtenção das informações, bem como sua
análise e a relação entre os atributos do meio físico para a obtenção das cartas de zoneamento;
o capítulo 6 trata da análise e discussão dos resultados obtidos; o capítulo 7 faz a exposição
das conclusões e das sugestões para pesquisas futuras.

1.2 - OBJETIVOS

O objetivo principal deste trabalho é o desenvolvimento, com base nas metodologias de


avaliação de terreno, das cartas de zoneamento geotécnico na escala 1:25.000, obtendo as
unidades geotécnicas representativas da área urbana do município de Manaus.

2
Paralelamente ao trabalho de zoneamento, teve-se como objetivo secundário a elaboração do
mapa de uso e cobertura do solo atualizado, possibilitando a análise da região em relação a
adequabilidade para a disposição de resíduos e a exploração de recursos naturais.

Ao final, obteve-se um banco de dados georeferenciado num sistema de informação


geográfica (SIG), a fim de auxiliar no processo de tomada de decisão. Estes recursos agilizam
e viabilizam as atividades de levantamento, análise, finalização e posteriores atualizações das
informações espaciais.

1.3 - JUSTIFICATIVA

Os municípios amazônicos possuem inúmeros aspectos que dificultam o desenvolvimento da


ocupação urbana de forma adequada, tais como: a grande extensão, a escassez de recursos, as
características peculiares do meio físico e a falta de informações sobre o mesmo.

De modo geral, o zoneamento geotécnico proporciona o conhecimento das características


básicas do meio físico, subsidiando o desenvolvimento adequado tecnicamente de um
planejamento urbano e ambiental.

Neste contexto, este trabalho fornece um conhecimento mais detalhado da região permitindo
uma visão integrada das informações, onde estas se encontram individualizadas em unidades
que refletem a organização espacial das características do meio físico. Isto permitirá uma
redução substancial nas etapas preliminares do planejamento urbano e ambiental da área
urbana da cidade e no tempo de análise dos riscos ambientais em meio à atividade antrópica.

3
2 - MAPEAMENTO GEOTÉCNICO E SUA APLICAÇÃO
2
O mapeamento geotécnico surgiu no início do século XX, em busca de se conhecer as
características e o comportamento do meio físico, sendo que inicialmente pensava-se na sua
utilização com enfoque voltado às obras de engenharia. Na segunda metade do século surgem
as questões ambientais que passam a ser incorporadas em seus objetivos de atuação, em
decorrência da necessidade de se considerar os limites ambientais no uso e ocupação do meio
físico.

O conhecimento das características do meio físico é de fundamental importância na avaliação


da implantação das obras de engenharia, no planejamento territorial e na exploração dos
recursos naturais, pois permite o conhecimento prévio das limitações e das potencialidades de
uma determinada região.

A abordagem preventiva inerente aos estudos de mapeamento permite a aplicação de soluções


mais adequadas e otimizadas, graças à possibilidade de uma análise integrada entre os
problemas e os recursos que envolvem o meio físico no ato de sua ocupação. De acordo com
Matula (1969), o mapeamento geotécnico tem sido uma ferramenta importante, nos mais
diversos países, na delimitação e fiscalização da ocupação territorial com embasamento
técnico e ambientalmente correto, permitindo que a interação homem e meio ambiente seja
realizada de forma adequada.

Neste contexto, Zuquette (1987) afirma que o mapa ou carta geotécnica é a representação
gráfica na qual são avaliados todos os componentes de um ambiente geológico de particular
interesse para o planejamento, projeto e construção civil. Zuquette (1993) define o
mapeamento geotécnico como sendo um conjunto de procedimentos com a finalidade de se
obter as representações gráficas das características geológicas-geotécnicas, fundamentais ao
planejamento das atividades antrópicas. De uma forma geral estas características são obtidas
de forma bastante variada, sendo função da metodologia utilizada, da escala de trabalho e dos
objetivos da aplicação. Para a IAEG (1976), o mapa geotécnico é um tipo de mapa geológico
4
que fornece uma representação generalizada de todos os componentes do ambiente geológico
de significado no planejamento do uso e ocupação dos terrenos, e em projetos, construção e
manutenção, aplicada a obras civis e de mineração. Na prática conclui-se então, que um dos
objetivos do mapeamento geotécnico é fornecer diretrizes, seja na fase de implantação de
obras de engenharia ou no planejamento urbano e ambiental de uma determinada região.

Segundo Prado (2004), em um mapeamento geotécnico os trabalhos de investigação são os


principais fornecedores de informações. Esses trabalhos são realizados com o objetivo de
caracterizar e permitir a análise dos materiais inconsolidados e de sua distribuição. De uma
forma geral, a escolha dos métodos e dos ensaios de investigação a serem utilizados dentro da
diversidade existente deve ser feita conforme os seus resultados satisfaçam os objetivos do
mapeamento, a metodologia e a escala adotada.

A compartimentação geotécnica também está diretamente ligada à metodologia utilizada, à


escala e aos objetivos do mapeamento. Sua diversidade tem dado um caráter subjetivo aos
limites que encerram as porções do terreno, além de proporcionar um universo de
denominações para os compartimentos mapeados.

Em um mapeamento geotécnico existem dois procedimentos básicos para a espacialização das


informações: a análise integrada, representada pela abordagem de avaliação de terreno, e a
análise multitemática, a qual faz parte de um levantamento individual das informações
temáticas para a sua posterior integração.

Atualmente, os sistemas de informação geográfica (SIG) tornaram-se importantes


instrumentos de apoio na elaboração dos trabalhos de mapeamento, principalmente devido a
sua eficácia no tratamento e manipulação das informações espaciais e a possibilidade de gerar
novos dados a partir da sua integração, organizados em um banco de dados georeferenciado.

2.1 - MAPEAMENTO GEOTÉCNICO E O PLANEJAMENTO

O desenvolvimento equilibrado de uma região deve ser resultado de uma relação harmônica
entre a atividade antrópica e o meio ambiente, de forma a permitir o uso adequado dos
recursos, a fim de suprir as necessidades sócio-econômicas. A elaboração de um planejamento
deve considerar os limites do meio físico quanto ao seu uso e procurar compatibilizá-lo com o
5
crescimento urbano que está se desenvolvendo, bem como considerar a existência de locais
que estejam sujeitos a riscos naturais ou induzidos pela possível ocupação.

Neste contexto, o mapeamento do meio físico subsidia a elaboração correta de um


planejamento urbano e ambiental, no momento em que permite o conhecimento do meio
físico e da variação espacial de suas propriedades. Este tipo de estudo proporciona a adoção
de decisões tecnicamente corretas baseadas nas características do meio ambiente, nas
necessidades da sociedade e nos fatores operacionais para uma dada região.

De uma forma geral, o desenvolvimento do processo de planejamento deve partir de um


conjunto de informações oriundas de diferentes campos de estudos, obtidos de forma
diferenciada e com significados particulares, mas que propiciem um nível mínimo de
conhecimento a fim de que se possam tomar as decisões adequadas.

Segundo Zuquette (1993), um planejamento pode ser desenvolvido para duas situações
básicas:
• Regional – quando a região considerada envolver extensões superiores a 500 km² e
diferentes tipos de ocupação;
• Urbana – quando envolve os centros urbanos e suas áreas de expansão.

Não necessariamente os documentos básicos devem ter suas escalas condicionadas à situação
de planejamento, pois esta é função direta da extensão territorial e dos tipos de ocupação. Mas
em qualquer das situações deve-se salientar a importância da etapa relativa à coleta, produção
e interpretação das informações no desenvolvimento das etapas seguintes, já que estas serão
as principais informações na definição da solução dos processos. Esta decisão deve ser
direcionada à finalidade do planejamento, ou seja, a elaboração de planos diretores, a análises
de áreas de riscos, a investigações locais, fiscalização ou a outros mapeamentos de uso
específico.

2.2 - MÉTODOS DE INVESTIGAÇÃO UTILIZADOS EM MAPEAMENTOS

O mapeamento geotécnico, de uma forma geral, constitui-se em um conjunto de


procedimentos necessários ao conhecimento do meio físico e do seu comportamento frente às
inúmeras formas de ocupação e, desta forma deve ser considerado como uma metodologia
6
científica de investigação. Pejon (1992) considera que o mapeamento geotécnico deve ser um
processo científico de investigação da natureza, que permita a obtenção de um produto que
possa ser utilizado para diversos fins como o planejamento da ocupação de uma região, por
exemplo.

A elaboração de mapeamento geotécnico deve partir de uma esquematização do problema,


seguido pela definição de uma hipótese de trabalho em concordância com a finalidade do
estudo. Em uma primeira fase tem-se o levantamento bibliográfico, onde são analisadas todas
as informações existentes sobre a área de estudo, como mapas, trabalhos de campo e de
laboratório. Em uma segunda fase, dá-se início ao processo classificatório, em geral, a
delimitação dos landforms, buscando a divisão da área em diversas unidades, em função das
propriedades e relações dos atributos previamente escolhidos. Por hipótese, essas unidades
representam zonas homogêneas quanto às características dos componentes do meio físico
analisado.

Com o avanço dos trabalhos, são realizados os estudos experimentais onde a hipótese será
comprovada. Desta forma, são realizadas amostragens dos materiais inconsolidados e das
rochas e, em alguns casos, são realizados ensaios in situ. Os ensaios posteriormente realizados
devem apresentar resultados semelhantes para uma mesma unidade e, quando necessário
deve-se fazer uso de métodos estatísticos.

Em um mapeamento geotécnico, o número de pontos amostrados está diretamente relacionado


com o grau de detalhamento do trabalho, ou seja, da escala. A escolha de uma escala
compatível com o número de informações existentes é imprescindível para se obter a
confiabilidade no produto final (Prado, 2004).

No geral, as principais ferramentas utilizadas na execução de um mapeamento são o


sensoriamento remoto, os ensaios geofísicos, ensaios in situ e laboratoriais e as sondagens
mecânicas.

O sensoriamento remoto tornou-se indispensável à execução dos trabalhos de mapeamento,


graças à possibilidade de integração das informações por meio de dados sensores como as
fotografias aéreas e as imagens de satélite, somado ao baixo custo por unidade de área. Sua
capacidade de estocagem e a possibilidade de constante atualização das informações, além das
7
ferramentas de manipulação, diminuem substancialmente o tempo de trabalho e possibilitam a
redução dos trabalhos de campo.

Segundo Prado (2004), os métodos geofísicos constituem um conjunto de ensaios que


permitem determinar os parâmetros físicos dos maciços, os quais possuem estreitas relações
com algumas das suas características geológico-geotécnicas, como o grau de alteração,
fraturamento e tipo litológico, que são aspectos fundamentais na investigação de uma
determinada área.

As sondagens de simples reconhecimento (SPT) podem ser definidas como sendo um tipo de
prospecção do subsolo, que tem como objetivo determinar as características do perfil
geotécnico, nível d’água e as características de resistência dos solos. Com as sondagens é
possível definir as propriedades dos materiais ao longo da linha de perfuração, descrevendo os
testemunhos, as variações litológicas e as características geotécnicas.

Os ensaios geotécnicos são procedimentos utilizados para a determinação das propriedades


dos materiais, possibilitando a sua classificação em diferentes grupos. Sua execução é de
baixo custo e permite caracterizar os diferentes grupos de materiais inconsolidados e sua
distribuição. Os ensaios mais comuns são: os ensaios de umidade, massa específica dos
sólidos, granulometria, limites de consistência e ensaios de caracterização MCT.

Os ensaios da classificação MCT (Miniatura Compactada Tropical) (Nogami & Villibor,


1995), desenvolvidos para os solos tropicais, dividem os materiais inconsolidados em dois
grandes grupos: solos de comportamento laterítico (L) e de comportamento não laterítico (N).
Essas duas classes são subdivididas conforme a fração granulométrica e textura predominante
(A- areia, A’- arenoso, S’- siltoso, G’- argiloso), possuindo diferentes comportamentos e
propriedades geotécnicas (Tabela 2.1).

8
Tabela 2.1 – Algumas propriedades dos solos pela classificação MCT (modificado de Nogami
& Villibor 1995)

Comportamento N = Não Laterítico L = Laterítico


Grupo NA NA’ NS’ NG’ LA LA’ LG’
Média a
Expansão Baixa Baixa Alta Baixa Baixa Baixa
Alta
Média a Baixa a Baixa a Baixa a
Permeabilidade Baixa Baixa Baixa
Alta Média Média Média
Baixa a Média a Baixa a Média a
Contração Baixa Média Baixa
Média Alta Média Alta
Baixa a Média a
Capacidade de Sorção Alta Alta Baixa Baixa Baixa
Média Alta
NA – areias siltosas com siltes quartzosos e siltes argilosos não-lateríticos / NA’ – areias siltosas e areias argilosas não-lateríticas / NS’ –
siltes caolínicos e micáceos, siltes arenosos e siltes argilosos não-lateríticos / NG’ – argilas, argilas siltosas e argilas arenosas não-lateríticas /
LA – areias com pouco argila laterítica / LA’ – areias argilosas lateríticas / LG’ – argilas lateríticas e argilas lateríticas arenosas.

2.3 - ABORDAGENS METODOLÓGICAS PARA O MAPEAMENTO

As metodologias desenvolvidas para o mapeamento geotécnico podem ser divididas em dois


grandes grupos, em função da forma de espacialização das informações: as multitemáticas e
as integradas.

2.3.1 - ABORDAGEM ANALÍTICA

Na abordagem multitemática os produtos cartográficos são trabalhados separadamente para


posterior integração, de acordo com uma finalidade específica, podendo ter pesos
diferenciados ou não. A técnica mais utilizada é conhecida como álgebra de mapas que pode
ser vista como uma extensão da álgebra tradicional, com um conjunto de operadores onde as
variáveis são campos geográficos. Estes operadores podem manipular inúmeros geocampos,
sendo que cada um descreve um atributo diferente.

A álgebra de mapas pode examinar critérios sociais, físicos, biológicos e outros, para
determinar áreas com o mesmo potencial. Baseia-se no princípio de que a paisagem é
resultante dos múltiplos fatores que constituem o meio ambiente. De uma forma geral, a sua
aplicação se dá pela combinação de diversos temas por meio de mapas representativos dos

9
diversos componentes do meio ambiente. A sobreposição desses mapas, sob determinados
critérios, permite a distinção de áreas mais adequadas segundo uma finalidade.

Os SIG são capazes de realizar as análises multitemáticas de forma ágil e precisa, pois
permitem a partir de algoritmos específicos realizar a combinação de dados de diversas
fontes, tanto no domínio vetorial quanto no matricial. Atualmente a álgebra de mapas é a base
para as operações de análise em diferentes sistemas, tendo como funções mais utilizadas a
proximidade, vizinhança, reclassificação, intersecção de mapas e operações algébricas não
cumulativas e cumulativas.

A análise de proximidade ou operação de buffer consiste em gerar zonas com larguras


especificadas, na forma de faixas, em torno de um ou mais elementos (ponto, linha ou
polígono) de um mapa temático.

A análise de vizinhança trabalha algebricamente os atributos de um determinado pixel em


relação aos seus vizinhos imediatos. É amplamente utilizada na obtenção de superfícies que
aproximem o fenômeno estudado da representação real, levando em consideração sua
variabilidade espacial.

A função de reclassificação é capaz de agrupar classes distintas de um mapa temático sob


novas regras, ou seja, com base no rearranjo de seus atributos. A forma como será realizada a
reclassificação depende do objetivo e da natureza dos dados trabalhados.

As intersecções de mapas consistem na simples sobreposição de planos de informação com o


objetivo de se identificar áreas com características previamente definidas ou não. As análises
de intersecção, devido ao georeferenciamento a qual todos os planos de informação foram
submetidos, podem ser eficazmente implementadas sem um limite máximo de operações.

As análises algébricas cumulativas correspondem às operações de adição, subtração, divisão e


multiplicação entre as matrizes correspondentes ao arranjo dos dados espaciais contidos nos
mapas. Na maioria dos casos fornecem resultados ambíguos, ou seja, valores muito elevados
ou muito baixos.

10
As análises algébricas não cumulativas baseiam-se nas operações condicionais, podendo ter a
atribuição de pesos ou não para os atributos. A lógica booleana é a forma mais simples de
aplicar este tipo de análise, consiste em estabelecer limites baseados em informações
inadequadas, atributo 0 (zero), ou adequadas, atributo 1 (um). A análise booleana faz uso de
operadores condicionais: “não”, “e”, “ou” e “sim”.

2.3.2 - ABORDAGEM SINTÉTICA

Também conhecida como avaliação de terreno, esta abordagem baseia-se na identificação e


análise das feições de relevo (landforms), as quais são resultados dos processos naturais
atuantes sobre a superfície terrestre. Portanto, nesse processo são obtidas unidades de terreno
com base na análise dos padrões fisiográficos do relevo, e a partir do emprego das técnicas de
fotointerpretação aplicados em dados de sensoriamento remoto.

Segundo Grant (1970), o primeiro trabalho em escala regional que fez uso dos landforms foi
realizado por Heberson no início do século XX, mas somente com Bourne (1931), ocorreu a
primeira discussão sobre o uso desta técnica no zoneamento regional. Nos trabalhos de
Belcher (1942 e 1943), são estabelecidas as primeiras relações entre os elementos da
paisagem e as condições dos solos e rochas e suas características.

Com o surgimento dos trabalhos de fotointerpretação, a técnica de avaliação de terreno se


popularizou, passando a ser utilizada em inúmeros trabalhos com diversas finalidades. Essa
técnica influenciou inúmeras metodologias, com destaque para a metodologia PUCE,
desenvolvida na Austrália e a metodologia Oxford-MEXE, desenvolvida na Inglaterra.

Assim, pode-se dizer que a avaliação de terreno é o processo de identificação de áreas


consideradas homogêneas, de acordo com a escala de trabalho e com o objetivo do
mapeamento. Sua capacidade é potencializada e o tempo de execução é reduzido quando se
trabalha com os produtos de sensoriamento remoto, pois esses permitem uma visão integrada,
expondo com clareza a organização espacial do meio físico.

Em um trabalho de fotointerpretação tem-se que a menor superfície contínua e homogênea


distinguível em um dado sensor e passível de repetição é denominada textura ou elemento
textural. Segundo Sausen et al. (1982), as variações texturais do relevo e da drenagem
11
constituem a propriedade fundamental da análise da imagem, pois permitem associar, ou não,
feições segundo suas características.

Segundo Verstappen (1977), a obtenção dos landforms a partir da fotointerpretação não deve
se basear apenas nas características texturais do dado sensor, mas também nas associações
existentes entre essas e os fenômenos não visíveis como os processos, as propriedades
hidrológicas, as características pedológicas, etc.

Segundo Brink et al. (1966), para esta análise são comumente utilizados três níveis
hierárquicos: sistema de terreno (land system), unidade de terreno (land unit) e elemento de
terreno (land element) (Figura 2.1). Estes níveis são escolhidos de acordo com a escala, a
finalidade e o grau de detalhamento do mapeamento.

Figura 2.1 - Aplicação da técnica de avaliação de terreno (modificado de Brink et al., 1966).

O sistema de terreno é o maior nível hierárquico sendo definido por critérios


geomorfológicos, tais como: amplitude do relevo local, modelo e densidade de drenagem.
Normalmente observa-se uma consistência e uniformidade no padrão das formas de relevo.

12
Segundo Dearman (1991), a unidade de terreno é a base para o mapeamento sendo definida
segundo a geologia, o regime hidrológico e a forma de relevo. O elemento de terreno pode ser
considerado com sendo uma parcela da unidade de terreno, tendo como base as características
geomorfológicas como o tipo e a declividades das encostas, tipo de perfil de solo, uso ou
cobertura da terra, vegetação e litologias do substrato rochoso.

Numa etapa posterior os ensaios de campo serão utilizados na verificação da confiabilidade


dos resultados obtidos na fotointerpretação, podendo indicar ou não um possível ajuste da
mesma. Esta etapa consiste no levantamento de seções-tipo dos landforms identificados,
caracterizando os materiais bem como verificando sua variabilidade vertical.

2.4 - METODOLOGIAS PARA O MAPEAMENTO

Atualmente, o mapeamento geotécnico mostra-se uma importante ferramenta para a gestão do


meio físico, fornecendo as informações necessárias para a análise de possíveis riscos e para
um planejamento adequado de uma região. Diversos são os fatores que estimulam o seu uso,
dentre eles pode-se citar a mobilidade da escala de trabalho, o seu desenvolvimento voltado a
uma finalidade e a visão integrada das características do meio físico.

A escala de um mapa geotécnico depende da finalidade a qual o estudo se destina e está


relacionada com o nível de detalhamento do mesmo. Pode abranger um ambiente urbano
(escalas entre 1:50.000 a 1: 5.000), onde se procuram identificar as áreas potenciais para os
riscos geológico-geotécnicos; ou regional (1:100.000 a 1:250.000), que são os estudos
voltados ao planejamento regional.

Os mapas geotécnicos, como já dito anteriormente, possibilitam uma visão integrada do meio
físico, ou seja, fornecem uma análise conjunta das características geológicas,
geomorfológicas, geodinâmicas, hidrogeológicas e do uso e ocupação de uma área específica.
Desta forma, proporcionam o conhecimento local do meio físico e da sua interação com a
atividade antrópica, servindo como ferramenta para o controle e para aplicação de medidas
mitigadoras dos impactos no meio ambiente.

Portanto, conclui-se que o mapeamento geotécnico é um estudo regionalizado e que seu


desenvolvimento deve-se voltar às características da área estudada, adaptado à realidade local.
13
Dentre as inúmeras metodologias existentes podem-se destacar as que influenciaram o
desenvolvimento deste trabalho: a metodologia PUCE, desenvolvida na Austrália; a
metodologia Oxford-MEXE, desenvolvida na Inglaterra; a metodologia da IAEG.

2.4.1 - METODOLOGIA PUCE

A metodologia PUCE tem sua origem na Austrália e foi discutida por Aitchison e Grant, e
posteriormente descrita em detalhes por Grant (1970). Baseia-se no princípio de que qualquer
paisagem pode ser definida segundo critérios geomorfológicos, ou seja, pode ser
compartimentada em áreas com os mesmos padrões típicos de formas de relevo (para cada
unidade de terreno) e adequados à escala de estudo. Esta metodologia trabalha com quatro
níveis hierárquicos: província, padrão de terreno, unidade e componente de terreno.

• Província: pode ser definida como uma área com geologia constante. Muito utilizada
em mapeamentos com escalas inferiores a 1:250.000, em estudos de viabilidade e
planejamento regional;
• Padrão de terreno: pode ser delimitado segundo uma associação de landforms, solos e
vegetação idênticos. Baseia-se em critérios geomorfológicos, tais como: amplitude de
relevo, modelo e densidade de drenagem. Deve ser utilizada em mapeamentos com
escala 1:100.000 ou inferior, aplicada aos estudos de viabilidade e planejamento;
• Unidade de terreno: é uma área com um único landform, com características de solo e
vegetação homogêneas. Utilizada em mapeamentos com escala 1:10.000 ou inferior,
em estudos para projeto básico e planejamento urbano;
• Componente de terreno: É a unidade básica do mapeamento. Pode ser definida como
sendo uma fração topográfica da unidade de terreno e baseia-se em características
geomorfológicas, como tipo e declividade das encostas, perfil de solo, uso e cobertura
da terra, vegetação e litologias do substrato rochoso. Adequada a mapeamentos em
escalas superiores a 1:10.000, ou seja, para projeto básico e executivo.

Essa metodologia surge com o objetivo de racionalizar os procedimentos de coleta e


processamento das informações de engenharia que, a partir da análise qualitativa do meio
físico, possam ser direcionados aos estudos de viabilidade, planejamento e construção.
Segundo Grant (1970), citado por Diniz (1998), a metodologia PUCE é hierárquica no sentido

14
de que cada elemento de um nível é composto por uma associação limitada e constante de
elementos do nível precedente.

O sistema de nomenclatura utilizado para a classificação dos níveis do terreno pela


metodologia é realizado a partir de índices numéricos (Tabela 2.2), sendo complementado
pelas tabelas de classificação e avaliação de terrenos, possibilitando que os dados levantados
sejam tratados de maneira a se tornarem compatíveis com um sistema computacional.

Tabela 2.2 – Sistema numérico da metodologia PUCE

Níveis de Índices
Características Relacionadas
Generalização Numéricos
Tipos de encostas segundo a seção transversal, ou
1 seja, análise de superfícies convexas, côncavas,
planas e suas combinações;
Componentes de 2e3 Declividade máxima ao longo do eixo ortogonal;
terreno
4e5 Horizontes e perfis de solo;
6 Cobertura e uso do solo;
7e8 Vegetação
1e2 Formas de relevo
Unidades de terreno 3 Perfil de solo
4 Formação vegetal
Amplitude máxima do relevo local, utilizando
1
intervalos de classificação
Padrão de terreno
2 Densidade de drenagem
3 Serial, se necessário
1 Era geológica
Província 2 O sistema geológico dentro de cada Era
3, 4 e 5 Serial

Em resumo, o sistema de classificação PUCE baseia-se na delimitação das feições da


paisagem facilmente reconhecíveis, tendo com fundamento os seus componentes (relevo,
substrato rochoso, vegetação e solo), identificados a partir de suas características geomórficas
(declividade, litologia e estruturas). A classificação do terreno é feita por meio de
fotointerpretação e pelos trabalhos de campo. O número de pontos amostrados é reduzido,

15
devido à predeterminação de sítios com características homogêneas, podendo ter os dados
extrapolados e as propriedades estimadas.

Na Figura 2.2 é apresentado um modelo de carta PUCE segundo o seu sistema de


classificação. Nesse exemplo estão representados os diversos níveis hierárquicos, tais como: a
província (33001), o padrão de terreno (36), a unidade de terreno (1-8-31) e os componentes
de terreno (141 052 02) sendo que este último é representado na forma de hachuras na carta.
Deve-se ressaltar que cada código fornece uma descrição dos atributos do terreno.

33001 Província 36 Modelo de Terreno


1-8-31 Unidade de Terreno 141 052 02 Componente de Terreno

Figura 2.2 - Formato adotado na metodologia PUCE (Diniz, 1998).

2.4.2 - METODOLOGIA MEXE

A metodologia MEXE (“Military Engineering Experimental Establishment”) foi elaborada


pelo exército britânico em conjunto com a Universidade de Oxford, pela a necessidade de se
estabelecer o traçado de estradas em países em desenvolvimento, sendo inicialmente aplicada
na África onde a avaliação do terreno era relativamente simples.

Baseia-se na técnica de avaliação de terreno, onde são definidos sete níveis de classificação
com base na relação entre as características climáticas, geológicas e formas de relevo (Tabela

16
2.3). Normalmente, somente as três últimas categorias são comumente usadas em trabalhos de
engenharia.

Tabela 2.3 – Relação entre as categorias de terreno e a escala de trabalho na metodologia


MEXE

Categoria de terreno Escala indicada


Zona de terreno
Menores que 1:15.000.000
Divisão de terreno
Província de terreno 1:15.000.000 até 1:5.000.000
Região de terreno 1:5.0000.000 até 1:1.000.000
Sistema de terreno 1:1.000.000 até 1:250.000
Unidade de terreno 1:50.000 até 1:10.000
Elemento de terreno Maiores 1:10.000

O sistema de terreno corresponde a um padrão de relevo característico, envolvendo o


mapeamento de grandes áreas. Equivale ao padrão de terreno do programa PUCE, sendo
delimitado, normalmente, pela amplitude do relevo e densidade de drenagem. A unidade de
terreno é definida pela geologia, clima e as formas de relevo, correspondendo à delimitação
de um único landform. Tem como principal característica a aparente homogeneidade do solo,
com pequenos intervalos de declividade, sendo a categoria mais utilizada em trabalhos de
engenharia. O elemento de terreno corresponde à unidade básica de mapeamento, sendo
definido pela geologia, regime hidrológico e relevo. Seu mapeamento está diretamente ligado
à escala e ao objetivo do trabalho, sendo indicado aos estudos de estabilidade para
mapeamentos de risco, em escala de detalhe.

A identificação dos compartimentos, tal qual a metodologia PUCE, é realizada por


fotointerpretação e de trabalhos de campo. De uma forma geral, a classificação da
compartimentação é realizada por associação alfabética, com base nas características do
material inconsolidado, da formas de relevo, topografia e drenagem (Figura 2.3).

17
Um dos destaques da metodologia da Oxford-MEXE foi o pioneirismo na sua utilização em
trabalhos regionais com finalidade específica, como as obras lineares e de prospecção de
materiais de construção para rodovias.

Formato:

Material Landform
Topografia Drenagem

p = Turfa, solo orgânico


mole
OT = Terreno orgânico
s = Areia ou arenoso
ED = Dunas de areia
Lp = área plana, com
relevo local baixo
M = sujeita a inundação

Figura 2.3 - Formato adotado na metodologia MEXE (modificado de Dearman, 1991).

2.4.3 - METODOLOGIA DA IAEG

Foi elaborada por uma comissão formada pela IAEG com o objetivo de universalizar os
procedimentos utilizados para a realização do mapeamento geotécnico, tendo como princípio
a sua adequação a maioria dos países, tanto tecnicamente quanto economicamente. Para esta
metodologia um mapa geotécnico deve proporcionar uma análise dos aspectos do meio físico
18
de interesse ao planejamento regional e ao estudo da adequabilidade das áreas para o seu uso
e ocupação, possibilitando a prevenção contra possíveis riscos e sendo de fácil entendimento.

Segundo esta metodologia a elaboração do mapa geotécnico deve considerar as características


das rochas e dos solos, a geomorfologia, a hidrogeologia, além dos fenômenos geodinâmicos,
bem como deve partir da definição dos objetivos e da sua classificação quanto à finalidade,
conteúdo e escala.

I. Quanto à finalidade:
I.a – finalidade especial – analisa determinados aspectos do meio físico ou condições
geotécnicas para um determinado tipo de obra;
I.b - multifinalidade - apresenta informações gerais que podem ser usadas para
diversas finalidades.

II. Quanto ao conteúdo:


II.a – analítico – analisa um aspecto do meio físico, sendo direcionado a uma
finalidade específica;
II.b – sintético – trata os componentes do meio físico de forma integrada,
possibilitando sua expressão em termos de zoneamento geotécnico, ou seja, em áreas
homogêneas geotecnicamente sendo que o grau de homogeneidade depende da escala
e da finalidade do mapa. Este tipo de estudo pode ser voltado a um uso específico ou
geral, podendo ser identificadas as seguintes unidades taxonômicas:
II.b.1 - região – unidade onde há uniformidade entre os elementos estruturais e
geotécnicos;
II.b.2 - área – baseada na semelhança entre as unidades geomorfológicas
regionais;
II.b.3 - zona – unidade onde se verifica uma homogeneidade em termos de
litologia e de arranjo estrutural das rochas e solos;
II.b.4 - distrito – baseada na semelhança entre as condições hidrogeológicas e
os fenômenos geodinâmicos.

III. Quanto à escala:


III.a – grande escala – para escalas iguais ou maiores que 1:10.000, em estudos com
finalidade específica;
19
III.b - intermediária – escalas entre 1:10.000 a 1:100.000, em estudos voltados ao
planejamento regional;
III.c – pequena – escalas de 1:100.000 ou menores, para mapeamentos de caráter
geral.

IV. Quanto a litogênese:


IV.a tipo geologia de engenharia (engineering geological type) – nas escalas 1:5000
ou maiores com uniformidade nas características litológicas quanto ao estado de
alteração;
IV.b tipo litológico (lithological type) – nas escalas entre 1:5000 a 1:10.000, com
homogeneidade em relação a estrutura, textura, composição e heterogeneidadade
quanto à alteração;
IV.c complexo litológico (lithological complex) – nas escalas 1:10.000 a 1:200.000,
compreendendo tipos litológicos relacionados geneticamente, desenvolvidos sob
condições geotectônicas e paleogeográficas específicas;
IV.d suíte litológica (lithological suite) – nas escalas menores que 1:200.000,
associando vários complexos litológicos que se desenvolveram sob condições
tectônicas e paleogeográficas similares;

As principais técnicas para a obtenção dos dados são: a fotogeologia, os métodos geofísicos,
as sondagens, as amostragens, os ensaios in situ e laboratoriais. Existe ainda uma preocupação
com as formas de apresentação dos resultados e como estes devem ser interpretados, desta
forma sugere um sistema de classes para os inúmeros parâmetros assim como os símbolos
para serem usados nos documentos gráficos.

Deve-se observar que a aplicação dessa metodologia passa primeiramente pela escolha da
escala de trabalho, seguida por uma reflexão sobre quais documentos são mais adequados ao
estudo e a forma como será realizado o mapeamento, estabelecendo as condições e
estipulando as classes a serem utilizadas.

20
2.5 - MAPEAMENTO GEOTÉCNICO COM BASE NA GEOMORFOLOGIA

A geomorfologia é a ciência voltada para os estudos do conhecimento das formas da


superfície terrestre, compreendendo a análise histórica evolutiva dos landforms com base nos
processos geodinâmicos e na análise estratigráfica.

De acordo com Prado (2004), a modelagem da superfície terrestre é basicamente resultante da


interação entre variáveis climáticas (exógenas) e geológicas (endógenas), sendo que a análise
das suas relações depende essencialmente da escala de mapeamento. Desta forma, conclui-se
que em um estudo geomorfológico deve-se primeiramente definir a escala de representação
das feições de relevo, pois disso dependerá o nível de abordagem do conjunto de formas do
relevo.

Atualmente, existem diversas metodologias aplicáveis na confecção de um mapa


geomorfológico, mas de uma forma geral possuem como base a ordenação dos fatos
mapeados segundo uma taxonomia que os hierarquiza. Normalmente são usadas quatro
unidades de compartimentos, de acordo com a escala:

I. Domínio morfoestrutural – relaciona os fatos geomorfológicos com os elementos


geotectônicos, os arranjos estruturais e litologia, a partir dos quais são gerados
arranjos regionais de relevos com formas variadas, mas que guardam relações de causa
entre si.
II. Região geomorfológica – a delimitação desse segundo táxon está diretamente
ligada a fatores climáticos passados ou atuais, que proporcionaram, dentro de uma
análise regional, mudanças significativas nos aspectos fitoecológicos e pedológicos.
III. Unidade geomorfológica – esse terceiro táxon equivale aos sistemas de terreno e
podem ser definidos como sendo um arranjo de formas fisionomicamente
semelhantes. É delimitada de acordo com a predominância de determinados tipos de
modelados e dos processos originários, a partir da análise dos comportamentos, dos
padrões e anomalias das drenagens.
IV. Modelado – pode ser definido como sendo uma área com significativa semelhança
entre formas de relevo, em função da gênese comum e da generalização dos processos
morfogenéticos atuantes, proporcionando uma recorrência dos materiais superficiais.

21
2.6 - COMPARTIMENTAÇÃO FISIOGRÁFICA PARA FINS DE MAPEAMENTO

Segundo Vedovello (1993), a compartimentação fisiográfica consiste na divisão de uma


determinada região em áreas que apresentam características internas homogêneas e distintas
das áreas adjacentes. Sua execução é baseada em uma análise dos elementos constituintes do
meio físico e na identificação de suas formas de ocorrência.

Atualmente, os produtos de sensoriamento remoto são amplamente utilizados na realização de


compartimentações, uma vez que refletem o meio físico e sua organização sobre as quais é
possível traçar limites. Sua utilização, por meio da fotointerpretação, exige do profissional o
conhecimento prévio das formas da paisagem a serem individualizadas, assim como das
características texturais associadas a essas formas.

De uma forma geral, a compartimentação realizada em imagens de satélite permite que, por
meio da análise das propriedades dos elementos texturais, sejam delimitadas as feições do
terreno sendo que o grau de detalhamento das superfícies identificadas depende diretamente
da escala do produto utilizado.

Segundo Maia (2003), a avaliação dos limites das unidades fisiográficas deve ser feita com
base nos critérios de homogeneidade e da similaridade. A primeira consiste em uma análise
interna na busca por inconsistências que justifiquem uma redivisão ou junção. Enquanto que a
segunda consiste em se verificar a existência de unidades com características semelhantes que
possam ser agrupadas sob a mesma denominação. Portanto, a identificação das zonas
homogêneas, em imagens de satélite, é feita a partir das diferenças de homogeneidade, tropia,
assimetria dos elementos texturais e de suas estruturas na imagem. A Tabela 2.4 detalha as
principais propriedades texturais da imagem e como as mesmas são caracterizadas.

Na compartimentação fisiográfica com base na análise dos landforms deve-se procurar


caracterizá-los quanto à densidade textural de relevo, alinhamentos e lineações dos elementos
estruturais do relevo, quebras de relevo e assimetria do relevo. A análise dessas quatro
propriedades permite a obtenção de dados relacionados à expressão morfológica das unidades
geológicas ou associações dessas, grau relativo de dissecação em função da densidade textural
de relevo, grau relativo de resistência à erosão em função da forma das encostas e outros.

22
Tabela 2.4 – Principais propriedades das formas texturais em imagens de satélite e sua
respectiva caracterização

Propriedade
Caracterização Exemplo de aplicação
textural
Relacionado ao tipo de elemento
Tipo do elemento textural que está sendo analisado Relevo, drenagem ou tonal
(relevo, drenagem ou tonal)
Refere-se à quantidade de elementos
Densidade de
texturais de um mesmo tipo, por Alta, baixa, moderada, etc.
textura
unidade de área da imagem
Refere-se à forma como os elementos Drenagem de padrão
Arranjo textural
estruturais se dispõem espacialmente dendrítica, anelar, etc.
Refere-se ao nível da organização
Grau de Alto, médio, baixo, mal
espacial dos elementos texturais, em
estruturação definido, etc.
função do seu arranjo
Refere-se à complexibilidade de
organização dos elementos texturais,
Ordem de
sendo sua classificação dada em função Ordem um, ordem dois, etc.
estruturação
da ocorrência ou não de uma ou mais
estruturas sobrepostas

2.7 - O USO DOS SISTEMAS DE INFORMAÇÃO GEOGRÁFICA PARA FINS DE


MAPEAMENTO

O SIG pode ser definido como sendo um sistema de suporte a decisões, capaz de promover a
integração de informações espacialmente referenciadas permitindo a captura, o
gerenciamento, a manipulação, a análise e o armazenamento de dados espaciais ou
alfanuméricos, para a solução de problemas de planejamento e gerenciamento. O suporte à
análise de dados é realizado pelas operações de informações de mapas, permitindo a geração
de cenários em análises de risco, suscetibilidades e potencialidades, a partir de funções que

23
variam de álgebra cumulativa (operações aritméticas) à álgebra não-cumulativa (operações
lógicas).

Segundo Câmara (1995), as principais características de um SIG são:

• Capacidade de integrar, em uma única base de dados, as informações espaciais


provenientes de dados cartográficos, censitários e de cadastramento, imagens de
satélite, redes e modelos numéricos de terreno;

• Oferecer mecanismos para a integração de informações, com uso de algoritmos de


manipulação e análise, além de consultar, recuperar, visualizar e permitir saídas
gráficas para o conteúdo da base de dados geocodificados.

No mapeamento geotécnico, o SIG proporciona a geração de análises a partir do


gerenciamento da base de dados geotécnicos, porém sua validade está condicionada a
consistência das informações e da metodologia utilizada.

2.7.1 - REPRESENTAÇÃO COMPUTACIONAL

Em um SIG o armazenamento dos dados pode ser realizado em dois formatos distintos: o
matricial e o vetorial. O armazenamento no formato matricial consiste basicamente na
decomposição finita do plano, em células disjuntas e discretas também conhecidas como
pixels, onde esses são associados a um valor corresponde a um tema de interesse e a sua
localização espacial.

No caso do formato vetorial, tem-se a representação dos dados na forma de arcos, sendo que
linhas e regiões podem ser definidas a partir de um conjunto de pontos georeferenciados e de
uma seqüência de conectividade.

Segundo Câmara & Medeiros (1998), os principais tipos de dados trabalhados no SIG são: os
temáticos, os cadastrais, as imagens e o MNT (modelo numérico de terreno). Esses são
descritos abaixo:

24
• Temáticos – descrevem de forma qualitativa a distribuição espacial de uma grandeza
geográfica. Seu armazenamento pode ser realizado no formato vetorial, indicado para
as operações que exijam maior precisão, ou no formato matricial, onde as operações
de álgebra de mapas são facilmente realizadas;

• Cadastrais - onde cada elemento é considerado um objeto geográfico possuindo


atributos e podendo estar associado a várias representações gráficas. Normalmente, é
armazenado no formato vetorial, com a topologia associada;

• Imagens - armazenadas como matrizes onde cada elemento está ligado a um valor
proporcional à energia eletromagnética refletida ou emitida pelo elemento da
superfície terrestre. Podem ser obtidas por meio de satélites, fotografias aéreas ou
scanners aerotransportados, sendo uma forma de captura indireta de informações
espaciais.

• MNT - forma de representação quantitativa de uma grandeza que varia continuamente


no espaço. Os MNT podem ser convertidos em mapas temáticos ou imagens, sendo
que em ambos os casos a grandeza numérica é quantizada.

2.7.2 - BANCO DE DADOS

Um banco de dados espacial consiste num conjunto de dados organizados de modo a atender
uma determinada finalidade ou um conjunto de finalidades integradas, sendo que os dados a
serem trabalhados possuem características espaciais, ou seja, possuem informações que
descrevem sua localização no espaço e a sua forma de representação. A organização de um
banco de dados está relacionada a um mecanismo eficiente de armazenamento e manipulação,
cujo gerenciamento é controlado pelo Sistema Gerenciador de Banco de Dados (SGBD).

Segundo Silva (2002), um SGBD é um conjunto de softwares que gerenciam a estrutura do


banco de dados e controlam o acesso aos dados armazenados no mesmo, tendo como meta
básica proporcionar um ambiente conveniente e eficiente para o armazenamento e
recuperação da informação. Na Figura 2.4 está esquematizada a arquitetura de um SIG e a sua
relação com SGBD.

25
Inúmeras são as vantagens da utilização de um SGBD em geologia de engenharia, dentre elas
pode-se destacar:
• O potencial de armazenamento e recuperação das informações geológicas-geotécnicas
de uma determinada área;
• A utilização pública da informação subsidiando o desenvolvimento de projetos e o
desenvolvimento urbano;
• A possibilidade de manuseio da informação a partir de outros aplicativos;
• A possível associação de informações com origens diversas, como por exemplo o
relacionamento de informações de ordem sócio-econômica com os componentes do
meio físico.

Figura 2.4 – Estrutura geral de um SIG (Câmara, 1995).

26
3 - PERFIS TÍPICOS DE ALTERAÇÃO EM SOLOS TROPICAIS
3
Os primeiros trabalhos de mapeamento eram fundamentados na análise das características
físicas dos solos e rochas para o estudo do comportamento dos mesmos. A partir da segunda
metade do século XX, com o desenvolvimento da geologia de engenharia nas regiões
tropicais, foi incorporado o estudo dos processos de formação sendo consideradas as
características relacionadas com a geologia, a pedologia, a geomorfologia e a mecânica dos
solos.

Atualmente, os trabalhos de zoneamento vêm demonstrando a importância da análise dos


materiais inconsolidados, pois esse possibilita de forma simples a caracterização e previsão do
comportamento geotécnico dos perfis de alteração em estudos desenvolvidos em regiões
tropicais.

De uma forma geral, os níveis de alteração nos solos residuais tropicais são profundos e
extensos, desenvolvendo comportamentos particulares de acordo com o tipo do material
inconsolidado encontrado. Desta forma, surge a necessidade de um estudo minucioso das
propriedades e do comportamento do solo considerando a sua mineralogia, textura e estrutura,
antes do seu uso.

Portanto, em estudos desenvolvidos em regiões tropicais deve-se procurar realizar uma


análise geotécnica voltada aos estudos das propriedades relacionadas à gênese do solo.

No mapeamento geoambiental de Manaus, a caracterização geotécnica das unidades de


terreno foi realizada a partir do estudo dos relatórios técnicos de sondagens e poços tubulares
profundos, com base na análise dos perfis de alteração típicos dos materiais inconsolidados.
Segundo Souza (1992), esse tipo de análise proporciona uma melhora na caracterização
qualitativa e reforça a validade dos dados quantitativos a serem obtidos.

27
3.1 - SOLO RESIDUAL TROPICAL

O solo residual tropical é o resultado da decomposição da rocha in situ devido à ação de


processos de alteração pedogenéticos característicos de regiões tropicais úmidas, tais como o
intemperismo químico e físico. Nessas regiões, esses processos se encontram em constante
atividade, e sua ação conjunta ou individual proporciona a deposição de horizontes
diferenciados, aproximadamente paralelos à superfície do terreno, podendo apresentar certa
desconformidade com a estrutura da rocha de origem.

O grau de intemperismo varia com a profundidade em função das características originais da


rocha, tais como: natureza, estrutura e mineralogia. De uma forma geral, esses solos
apresentam comportamentos particulares quando utilizados como material de engenharia,
conseqüência do seu processo genético de formação, pois a decomposição, o transporte e a
deposição proporcionada pela ação intempérica estão diretamente ligados às propriedades
mecânicas desse material.

Segundo a Geological Society (1990), a classificação dos perfis de alteração deve ser baseada
no grau de evolução genética, na mineralogia e na distribuição granulométrica das partículas
ao longo da profundidade. Basicamente, podem-se separar os horizontes de acordo com o
grau de alteração e quanto aos minerais constituintes e sua distribuição, ou seja, nos
horizontes mais superficiais encontram-se os solos com os minerais altamente alterados
(ferralíticos), passando freqüentemente, de cima para baixo, para horizontes com minerais
menos alterados (ferrisialíticos), nos quais os minerais da rocha original se encontram
preservados ou parcialmente alterados. Segundo Fookes (2004), o conteúdo de argila
frequentemente diminui de cima para baixo ao longo do perfil, resultando que argilo-minerais
1:1 (caulinita) podem passar a argilo-minerais 2:1 (esmectitas), dando lugar a características
geotécnicas significativamente diferentes.

O processo de decomposição pode gerar perfis completos de alteração, ou seja, com níveis de
material da rocha até o material totalmente alterado, sendo que qualquer um desses níveis
pode ocorrer como solo superficial tal como ter a exposição da rocha sã, sendo esta
condicionada por sua posição no relevo.

28
3.1.1 - GÊNESE

As regiões tropicais são marcadas por intensos processos de alterações devido aos fatores
climáticos e ambientais inerentes ao local e ao tipo de clima, com destaque para o
intemperismo químico e físico. Dentre estes fatores, pode-se citar: a sazonalidade das chuvas
e da temperatura, a mobilidade e acidez das águas subterrâneas, além da densa cobertura
vegetal. Os principais condicionantes do intemperismo físico seriam: a variação térmica, a
acidez das águas, a erosão, as tensões tectônicas, a vegetação, os animais e os
microrganismos. No caso do intemperismo químico seriam: as soluções, a hidrólise, a
oxidação, a troca iônica e a carbonatação.

De uma forma geral, observa-se que o solo residual tem sua formação influenciada pelo
material de origem, pelas chuvas e pela drenagem, sendo que nas áreas de clima tropical o
tipo de alteração mais freqüente é a laterização. Essa pode ser definida como o processo, que
em condições climáticas favoráveis, promove a rápida decomposição dos feldspatos e dos
minerais de ferro e magnésio, além da remoção da sílica e das bases aumentando a
concentração de óxidos de alumínio e ferro.

Dentre os mecanismos de laterização pode-se destacar a lixiviação, que se dá pela percolação


da água com pH ácido ao longo do perfil, tanto por capilaridade quanto por gravidade,
promovendo a remoção dos materiais solúveis do solo seguido pelo transporte de ferro e
óxidos de alumínio.

3.2 - PERFIL TÍPICO DE ALTERAÇÃO

Diferentemente das regiões temperadas, os solos tropicais têm como característica a


variabilidade das propriedades geotécnicas de acordo com o seu estágio de alteração e ao
longo do perfil de alteração. Desta forma o levantamento dessas propriedades deve partir de
uma caracterização detalhada do perfil, procurando delimitar os horizontes em conformidade
com o grau de alteração e seu comportamento geotécnico.

Segundo Souza (1992), para fins de mapeamento geotécnico, a delimitação de


compartimentos geotecnicamente homogêneos deve considerar o perfil típico de alteração de
cada unidade geotécnica identificada no relevo, individualizando os diversos níveis de
29
alteração que possuam características físicas e comportamentos geotécnicos distintos. De uma
forma geral, a obtenção destes compartimentos está intimamente ligada às formas de relevo
identificadas, à evolução do perfil de alteração quanto à espessura e ao grau de evolução
genética de cada nível.

Vargas (1985) dividiu o perfil de alteração de um solo tropical, em relação à profundidade,


em duas porções distintas: a primeira, mais superficial, com intensa evolução pedogenética e
alto grau de laterização, chamado de solo laterítico; a segunda, mais profunda, que apresenta
características próximas à rocha sã e se constitui saprolito.

3.2.1 - SOLO LATERÍTICO

Os solos lateríticos são típicos de regiões tropicais quentes e úmidas, com grandes volumes de
precipitações anuais e temperaturas elevadas. Segundo Fookes (2004), nesses solos todos os
minerais, exceto o quartzo, se encontram alterados em condições de pH neutro, e a maior
parte da sílica e das bases foram removidas em soluções. Na sua fração argila, a sílica
remanescente se combina com a alumina formando a caulinita ou a gibsita, quando
normalmente se verifica um excesso desse mineral. Secundariamente pode conter ilita e/ou
esmectita, e na fração granular goethita, hematita, magnetita. Normalmente a estrutura desse
solo é micro agregada ou maciço porosa sendo instável e colapsível quando saturado e
exposto a um carregamento.

Na região amazônica, em locais com nível freático alto, com capa superficial contento
abundante matéria orgânica e com baixo valor de pH, observa-se a dissolução da caulinita e a
remoção de ferro e alumínio do solo, promovendo a formação de horizontes residuais de
areias brancas, com espessuras que podem alcançar 3m. Normalmente esse processo ocorre
em terraços aluvionares e fundos de vale, onde se observa uma maior exposição dos depósitos
de areia à precipitação (Lucas et al., 1987).

Nesse tipo de solo é comum, em condições favoráveis, a formação próxima à superfície de


concreções lateríticas, ou também conhecidas como lateritas. Esse material possui boa
resistência normalmente sendo utilizado na engenharia para construção de estradas como
material de base. Atualmente, existem estudos do uso desse material como agregado para a
execução de concreto betuminoso em revestimentos asfálticos.
30
3.2.2 - SOLO SAPROLÍTICO

Os solos saprolíticos são formados a partir da decomposição das rochas por ação do
intemperismo químico, cuja principal característica é apresentar a estrutura reliquiar da rocha
de origem. Nesse tipo de solo também se encontram preservadas as descontinuidades
observadas no maciço rochoso, tais como falhas, fraturas e juntas. Normalmente encontram-se
na porção intermediária do perfil de alteração ficando entre o horizonte mais superficial e
mais alterado (solos lateríticos) e a rocha sã.

De uma forma geral, a espessura e a composição granulométrica desse material são muito
variáveis, pois dependem da rocha de origem e de sua posição no relevo. Podem ser divididos
em dois níveis, sendo um superior, composto por um solo residual jovem onde ocorrem
argilas residuais, areias argilosas e argilas arenosas e o inferior, composto por um saprolito
grosseiro onde ocorrem argilas, areias argilosas e argilas arenosas e/ou pedregulhos e blocos
de rocha.

3.3 - CARACTERIZAÇÃO GEOTÉCNICA DOS SOLOS RESIDUAIS TROPICAIS

3.3.1 - MAPEAMENTO

O estudo do material inconsolidado para fins de mapeamento tem como objetivo a


delimitação de unidades segundo o critério de comportamento geológico-geotécnico
semelhantes. Para isso, faz uso da análise das características químicas, mineralógicas,
morfológicas e de suas variações, sendo por meio do estudo dos produtos de sensoriamento
remoto e/ou por ensaios in situ e de laboratório. Desta forma é possível, por meio de
metodologias que tenham como base o estudo detalhado dos perfis de alteração, estimar com
precisão o comportamento potencial e limitativo desses materiais frente ao seu uso e
ocupação, tais como a sua fragilidade quanto aos riscos geológicos (erosão, inundação,
escorregamentos e outros), sua adequabilidade para fins de engenharia (loteamento, estradas,
disposição de resíduos e outros), além da possibilidade de exploração para uso como material
de construção.

31
3.3.2 - CARACTERIZAÇÃO

A caracterização dos materiais inconsolidados tem como objetivo fornecer informações


capazes de confirmar a veracidade na individualização dos perfis, em relação às propriedades
geotécnicas distintas em superfície e em profundidade. Desta forma, possibilita sua
generalização dentro da unidade geotécnica e estabelece diretrizes para a estimativa do
comportamento geotécnico, direcionando de forma adequada a adoção de critérios durante a
fase de avaliação no mapeamento geotécnico.

Portanto, esse tipo de análise em solos tropicais deve partir do reconhecimento das
características morfológicas prosseguindo até um estudo detalhado das propriedades físicas e
químicas do material em questão. O estudo morfológico deve englobar todos os seus
elementos possibilitando a busca por padrões em uma macro análise do relevo e da drenagem,
e uma caracterização quanto a fatores como o tipo e espessura dos horizontes, a cor, a textura,
a estrutura, a consistência, a porosidade, além da existência de concreções.

Os ensaios de laboratório são comumente utilizados na obtenção das propriedades físicas e


químicas do material inconsolidado. Dentre as propriedades físicas mais comuns estão: a
distribuição granulométrica, umidade, limites de Atterberg, permeabilidade, massa específica,
potencial de expansão e contração, e capacidade de retenção de água. Com relação às
propriedades químicas, pode-se citar: carbono orgânico, soma e subtração de bases, CTC,
concentração de sais e composição elementar.

3.3.3 - CLASSIFICAÇÃO

A classificação dos perfis de alteração em relação aos materiais inconsolidados que o


constituem, tem como objetivo principal organizar os conhecimentos e as informações obtidas
procurando estabelecer relações que tornem possível a subdivisão de classes, de acordo com o
princípio e comportamento do solo, de forma a possibilitar a identificação dos limites e as
aptidões para o uso. De uma forma geral, pode-se dizer que a classificação reúne os solos em
grupos ou classes de elementos com propriedades similares.

A escolha por um determinado sistema de classificação deve ser influenciada pelas


considerações a qual este sistema se baseia e pelas possíveis limitações em relação ao seu
32
emprego em determinadas regiões. As classificações existentes buscam a união da
simplicidade e funcionalidade e, de forma geral, podem sofrer influência da regionalidade.

Dentre as classificações existentes podemos citar a proposta por Casagrande conhecida como
SUCS (Sistema Unificado de Classificação de Solos), que se baseia na distribuição
granulométrica, na plasticidade e presença de matéria orgânica do solo (ASTM, 1989a), a de
Terzaghi conhecida como HRB (Highway Research Board), que acrescentou o estudo da
forma das partículas e sua influência na compressibilidade dos solos (ASTM, 1989b), e a
MCT (Miniatura, Compactado, Tropical), proposta por Nogami e Villibor em 1981, que
considera o comportamento laterítico avaliado em ensaios de mini-MCV e de perda de massa
por imersão (Nogami e Villibor, 1995).

33
4 - CARACTERIZAÇÃO DA ÁREA DE ESTUDO
4
4.1 – LOCALIZAÇÃO E DIVISÃO POLÍTICA

A área de estudo se limita à área urbana do município de Manaus, localizado na porção


nordeste do estado do Amazonas (Figura 4.1). Manaus está situada na margem esquerda da
confluência dos rios Negro e Solimões, formadores do rio Amazonas, fazendo parte da Bacia
Amazônica. Possui uma área de aproximadamente 11.458,50 km², sendo limitado pelos
municípios de Presidente Figueiredo ao norte, Iranduba e Careiro ao sul, Rio Preto da Eva e
Itacoatiara a leste e Novo Airão a oeste.

Figura 4.1 – Localização da área de estudo.


34
A porção do município compreendida por este trabalho é limitada pelo retângulo formado
pelos paralelos 2°55’00” e 3°10’00” sul e os meridianos 59°52’30” e 60°07’30” oeste,
ocupando uma área total de 354 km². De acordo com o sistema cartográfico internacional ao
milionésimo está inserida nas Folhas SA.21 – Santarém e SA.20 – Manaus, cujos meridianos
centrais são os de 57º e 63º W Greenwich, respectivamente.

Manaus pode ser considerada como sendo o centro de irradiação da rede rodoviária existente,
de onde partem as rodovias estaduais e federais:
• BR-174, rumo norte, que liga Manaus ao município de Presidente Figueiredo e a
cidade de Boa Vista no estado de Roraima, com extensão aproximada de 780 km;
• BR-319, rumo sudoeste, em direção à cidade de Porto Velho no estado de Rondônia,
com extensão aproximada de 870 km;
• AM-070, rumo sul, ligando-a ao município de Careiro e Manacapuru, com extensão
aproximada de 85 km;
• AM-010, rumo leste, ligando-a ao município de Rio Preto da Eva e Itacoatiara, com
extensão aproximada de 268 km.

4.2 – CARACTERIZAÇÃO URBANA

4.2.1 – HISTÓRICO DA OCUPAÇÃO

A ocupação da região teve início no século XVII com a construção da Fortaleza de São João
da Barra do Rio Negro no centro geográfico amazônico, com o objetivo de resguardar o Rio
Negro das incursões inimigas. A partir de então, no entorno da Fortaleza, deu-se início a
formação do povoado da Barra e em 1791, graças a sua posição geográfica e da proximidade
das fontes de alimentos, passa a ser a sede do governo da Capitania de São José do Rio Negro.
Em 1799, o então povoado da Barra passou a ser chamado de Lugar da Barra e somente em
1808 assumiu a condição definitiva de capital. Em 1848, esta foi elevada a categoria de
cidade, sob o título de “Cidade da Barra do Rio Negro” (Bento, 1998).

Em 1850, foi criada a Província do Amazonas tendo como capital a Cidade da Barra, sendo
que essa, na data de 4 de setembro de 1856, recebeu a denominação de “Cidade de Manaus”.
Com a criação da Província, Manaus conseguiu atingir o primeiro passo para o

35
desenvolvimento econômico e urbano e sair da condição ruralista a qual se encontrava. Na
Figura 4.2 pode-se observar a configuração da cidade em 1852.

Figura 4.2 – Planta-croquís da cidade de Manaus no ano de 1852 (Monteiro, 1994 citado por
Bento, 1998).

4.2.2 – CRESCIMENTO DEMOGRÁFICO E O CRESCIMENTO URBANO

Desde a sua criação, na data de 4 de setembro de 1856, pela lei nº. 68 da Assembléia
Provincial do Amazonas, a cidade de Manaus viveu dois períodos distintos. O primeiro deles
é marcado pelo início da atividade extrativista na região tendo como o seu principal produto o
látex. A economia prosperou baseada na comercialização da borracha, resultando em grandes
transformações urbanas. Mas após 1920, a cidade enfrentou um período de decadência
econômica e estagnação populacional e somente em 1967, com a instalação da Zona Franca
de Manaus essa situação seria revertida. A partir deste período, Manaus passa a ser um pólo
de intensa atividade industrial e comercial, atraindo um grande número de pessoas que se
originavam principalmente do interior do Estado e da região Nordeste. Observa-se nesse

36
período um intenso crescimento da sua população urbana, que saltaria de 300 mil habitantes,
na década de 1970, para aproximadamente 1645 mil em 2005.

População Residente

1800000

1600000

1400000
Nº de Habitantes

1200000

1000000
800000

600000

400000

200000

0
1872 1890 1900 1920 1940 1950 1960 1970 1980 1991 2000 2005
(a) Ano

(b) Incremento Populacional

8,00%

7,00%
Taxa média geométrica de

6,00%
Incremento anual (%)

5,00%

4,00%

3,00%

2,00%

1,00%

0,00%
1872 a 1890 a 1900 a 1920 a 1940 a 1950 a 1960 a 1970 a 1980 a 1991 a 2000 a
1890 1900 1920 1940 1950 1960 1970 1980 1991 2000 2005

Perí odo Extrativist a Período (anos)


Perí odo Industrial

Figura 4.3 – a) Linha de tendência do crescimento populacional de Manaus; b) Incremento


populacional e atividade econômica predominante (IBGE, 2005).

Na Figura 4.3a, pode-se observar que Manaus a partir de 1967, com a instalação da Zona
Franca, passa por um período de intenso crescimento populacional devido ao aumento de
oportunidades que ocasionaram o movimento migratório vindo principalmente do interior do
estado. Até então, a cidade só tinha passado por pequenos incrementos populacionais, com
37
criações arquitetônicas luxuosas voltadas à classe burguesa da cidade, que se fartava
economicamente com o comércio do látex.

Com o falecimento econômico da economia extrativista surgem os problemas sociais e de


infra-estrutura, ocasionados pelo alto índice de desemprego por conta dos trabalhadores dessa
atividade. Surgem as primeiras ocupações ao longo da margem dos igarapés, resultando na
construção de moradias precárias, alcançando segundo dados do IMPLAN (1996), a 2.200
habitantes no assentamento sobre o Igarapé do Educandos, por exemplo.

Desse período até a instalação da Zona Franca de Manaus, a cidade passou por um período de
estagnação econômica, possuindo como principais atividades o comércio e a indústria de
beneficiamento de produtos regionais. Durante esta fase, ocorrem a formação de inúmeros
bairros com moradias de baixa renda que se desenvolveram ao longo dos igarapés, tais como
o bairro de Educandos e o bairro do São Raimundo.

A definição da Amazônia Legal, no ano de 1953, propiciou o desenvolvimento agrícola da


região e permitiu o melhoramento da infra-estrutura municipal, tais como o sistema de
transporte, comunicação, energia, saúde, e outros. Com a implantação da Zona Franca, no ano
de 1967, surgem os primeiros conjuntos residenciais na tentativa de suprir a demanda por
moradia ocasionada pelo crescimento populacional, resultado da migração de pessoas vindas
do interior e de outras regiões do país.

Conforme a Figura 4.3b, a década de 70 é marcada por um forte incremento populacional


atingindo valores em torno de 7,35% ao ano. No ano de 1980 a população de Manaus já
passava dos 630.000 habitantes, ocasionando um desajuste do crescimento normal da região,
decorrendo no caos da infra-estrutura urbana e na deficiência na prestação de serviços sociais.
Segundo dados do IBGE (2005), a população de Manaus em 1967 era de 242.000 habitantes e
em 2005 estava em torno de 1.644.690 habitantes, um crescimento total de aproximadamente
579% no decorrer de 38 anos, ou seja, desde a implantação do distrito industrial.

4.2.3 – INFRA-ESTRUTURA URBANA E ASPECTOS SÓCIO-ECONÔMICOS

O município de Manaus apresenta uma densidade populacional de 144 habitantes/km²


abrigando aproximadamente 50% da população do estado do Amazonas, sendo que menos de
38
1% da população do município vive na área rural, de acordo com os dados do censo
demográfico de 2000. Hoje, o município apresenta um índice de mortalidade infantil de 23
mortes em cada mil nascidos vivos, segundo dados da PMM (2006), mas já alcançou valores
que variavam de 70 a 100 por mil nascidos vivos, entre os anos de 1970 a 1974, como
conseqüência da precariedade dos serviços de saúde na época.

Na área de Educação, Manaus em 2000 apresentou uma taxa de alfabetização de 94%,


atingindo hoje a marca de 213 matrículas para cada mil habitantes. Em relação aos
indicadores ambientais, a cidade de Manaus, em 2000, tinha somente 75% da sua população
servida pela rede de abastecimento de água, não diferindo muito, da marca de 70% em 1983.
Em relação a coleta de lixo, aproximadamente 10% da população não possui esse serviço,
fazendo uso de outras formas de deposição dos resíduos. Em torno de 95% da população não
possui redes de esgoto, fazendo uso de fossas sépticas e negras, além de sumidouros para a
destinação final das águas servidas.

Atualmente, todo o resíduo sólido urbano coletado é destinado para disposição em um terreno
localizado no km 19 da rodovia AM-010. Seu funcionamento é típico de um aterro
controlado, tendo como característica o recobrimento dos resíduos por uma camada de solo.

No que se refere ao setor produtivo, a agricultura e a pecuária não têm grande significado
econômico, sendo que a maioria dos produtos consumidos são importados de outros estados.
No setor industrial, o distrito industrial de Manaus fornece em torno de 50.000 empregos
diretos, mas não consegue absorver toda a oferta de mão-de-obra que cresce continuadamente.

Com relação ao transporte rodoviário, a malha viária disponível para interligação entre
municípios e outros estados é pequena quando comparada aos estados da região sudeste. De
uma forma geral, o transporte fluvial pode ser considerado o principal meio de comunicação
entre os municípios, apresentando um intenso tráfego tanto de passageiros quanto de carga. O
transporte aéreo é o principal meio de transporte utilizado entre estados.

Segundo Bento (1998), a mancha urbana de Manaus evoluiu no período de 1982 a 1995 em
191,94%, alcançando os 43.000 ha, sendo em torno de 1840% maior que a levantada em
1965, dois anos antes da instalação da Zona Franca de Manaus, que era 2.209 há . Na Figura
4.4 encontra-se mostrado o aspecto da evolução urbana até 1990.
39
Figura 4.4 – Evolução urbana de Manaus para o período de 1685 a 1990.

A intensa expansão urbana em um período curto de tempo permitiu a ocupação do espaço


territorial sem o planejamento adequado, ocorrendo a invasão das encostas e dos vales pelas
construções de madeira (palafitas) em sua maioria, enquanto que os interflúvios são ocupados
por construções de alvenaria.

Em resumo, tem-se que o desenvolvimento urbano de Manaus está diretamente relacionado


com a implantação da Zona Franca, pois esta propiciou o aumento das atividades comerciais e
industriais. Com isso possibilitou a absorção da mão de obra assalariada advinda do interior
do estado e de outras regiões do país, tendo como resultado uma modificação acentuada dos
seus padrões econômicos, sociais e de infra-estrutura urbana.

40
4.3 – ASPECTOS FISIOGRÁFICOS

4.3.1 – CLIMA

Os mecanismos climáticos atuam no sentido de integrar os diferentes níveis de estruturação


do meio físico, sendo que a sazonalidade das chuvas, a duração das estações secas e chuvosas,
além do índice pluviométrico são os principais fatores modificadores do relevo local. Segundo
Lima (1999), mantendo-se constante os demais fatores, é possível associar o alto índice
pluviométrico da região como o principal contribuinte na formação dos processos erosivos.

Quanto à posição, a cidade de Manaus encontra-se na faixa de domínio tropical, característico


de grande parte do Brasil, sendo marcada por duas estações que podem ser diferenciadas
quanto ao nível de precipitação. Assim sendo, segundo a classificação de Köppen, essa região
se insere no grupo A (clima tropical chuvoso), sendo identificados dois tipos climáticos: Af,
sempre úmido com temperatura e precipitação com pouca variação anual; Amw’, quente e
úmido, o qual se caracteriza por apresentar uma estação seca de curta duração.

De acordo com Sioli (1991), Manaus encontra-se compreendida entre as isoietas de 2.000 e
2.200 mm anuais de precipitação. No entanto, por estar contida dentro do contexto
amazônico, é marcada por chuvas abundantes, mas não distribuídas uniformemente (Figura
4.5). Segundo o projeto BRASIL-MME (1978) a precipitação anual mínima já registrada foi
de 1.355 mm em 1911 e a precipitação máxima atingida correspondeu a 2.839 mm no ano de
1968. Na Figura 4.6a encontram-se os valores de precipitações médias anuais referentes à
Manaus.

Figura 4.5 – Mapa mostrando Manaus entre as isoietas de 2.000 e 2.200 mm (Sioli, 1991).
41
Os meses de dezembro a maio são marcados pela maior intensidade das chuvas, enquanto que
no resto dos meses as chuvas são menos freqüentes (Figura 4.6b). Segundo Wagley (1977),
durante a estação seca, as precipitações ocorrem sob a forma de tempestades rápidas e
violentas, que duram em geral de meia a duas horas.

Preciptação Média Anual - 10 anos Precipitação Mensal Média


Média Anual - Mês
2500,0
350
2250,0 300
2000,0
P rec iptação (m m )

Preciptação (mm)
1750,0 250
1500,0 200
1250,0 190
1000,0 150
750,0 100
500,0
250,0 50
0,0 0
1911 a 1921 a 1931 a 1941 a 1951 a 1961 a 1971 a 1981 a 1991 a
1920 1930 1940 1950 1960 1970 1980 1990 1998 Jan Fev Mar Abril Mai Jun Jul Ago Set Out Nov Dez

(a) Décadas*
*Anos variam de 1911 a 1998
(b) Meses
*Valores entre 1961 a 1990

Temperaturas Mensais
Máxima Média Mínima
Umidade Relativa do Ar
100,0
32,0

95,0
Um idade (% )

29,5
Temperaturas (ºC)

90,0

27,0
26,7
85,0
83,0

24,5 80,0

75,0
22,0
Jan Fev Mar Abril Mai Jun Jul Ago Set Out Nov Dez
Jan Fev Mar Abril Mai Jun Jul Ago Set Out Nov Dez

(c) Meses
* Valores entre 1961 a 1990
(d) Meses
*Valores entre 1961 a 1990

Evaporação Mensal Média

120,0

100,0
Evaporação (mm)

80,0

60,0

40,0

20,0

0,0
Jan Fev Mar Abril Mai Jun Jul Ago Set Out Nov Dez

(e) Mese s
*Valores entre 1961 a 1990
(f)

Figura 4.6 – a) Precipitações médias anuais para períodos de 10 anos; b) Precipitações médias
para o período de um ano; c) Temperaturas máximas, médias e mínimas para o período de um
ano; d) Umidade relativa do ar para o período de um ano; e) Evaporação média para o período
de um ano; f) Balanço hídrico anual médio para o período entre 1961 a 1990 (INMET, 2006).

Normalmente, a temperatura média registrada na cidade de Manaus é superior a 26ºC, sendo


os meses de agosto e setembro os mais quentes e com menores índices de nebulosidade
(Figura 4.6c). Esse período também corresponde aos menores índices de umidade relativa do
ar, porém a média anual fica em torno de 83% (Figura 4.6d). A evaporação também é
42
acentuada nesse período, tendo normalmente uma relação inversa com a precipitação (Figura
4.6e).

Em relação ao comportamento das drenagens, em função da precipitação, observa-se que a


partir do mês de outubro o nível de água nos cursos d’água volta a se recuperar atingindo o
nível normal até o fim do ano. O período de “cheia”, como assim é conhecido, corresponde
aos meses entre janeiro e maio, sendo caracterizado pelo aumento excessivo do nível d’água,
atingindo amplitudes superiores a 10m em relação a época de estiagem (Figura 4.6f).

4.3.2 – VEGETAÇÃO

De uma forma geral, a área de estudo é coberta pela floresta densa tropical, sendo
caracterizada por grandes árvores com troncos altos e retilíneos. Nos interflúvios tabulares a
vegetação é exeburante e constitui a mata de terra firme. Entre as espécies arbóreas
características, citam-se a castanheira, a maçaranduba, a sucupira, entre outras (Lima, 1999).

Ao longo das drenagens prevalece o tipo de vegetação conhecido como mata de várzea. Esse
tipo de vegetação está sujeito a alagamentos constantes, apresentando-se em menor porte,
com pequenas concentrações de matas densas e altas. Entre as principais espécies pode-se
citar a seringueira. Outro tipo florestal, também encontrado na região, é a campinarana ou
também conhecida por “caatinga do Rio Negro”, caracterizada pela presença de árvores mais
baixas, de troncos finos e espaçados, ocorrendo em áreas arenosas bastante lixiviadas.

4.3.3 – HIDROGRAFIA

Manaus está situada na bacia hidrográfica do rio Amazonas, na margem esquerda do rio
Negro, próxima a confluência com aquele rio. O sistema fluvial da região caracteriza-se por
ser extenso e de grande volume o que permite a navegabilidade ao longo de todo ano, sendo
esse um fator importante, visto que o transporte fluvial é o único meio de comunicação entre
alguns municípios.

O rio Negro é o principal afluente do Amazonas, sendo também o rio que contorna a cidade.
Percorre por regiões com densa cobertura vegetal e com relevo pouco movimentado,
minimizando os processos erosivos. Possui um percentual de infiltração maior do que o
43
escoamento superficial, resultando em solos pouco férteis devido ao carreamento das
substâncias solúveis durante a percolação da água no seu interior (Bento, 1998).

Morfologicamente, o rio Negro apresenta uma tendência natural para a formação de ilhas de
forma oval e riniforme, resultado da baixa velocidade em razão da extensa seção transversal
em qual esse rio se desenvolve favorecendo a deposição do pouco material em suspensão
formando as zonas de sedimentação (Figura 4.7). Este processo condiciona a formação de um
labirinto de ilhas alongadas como é o caso do Arquipélago de Anavilhanas e do Mariuá (Sioli,
1991).

Inúmeros são os rios que banham o município de Manaus, com destaque para as bacias
formadas pelos rios Tarumã-Açu (1.380 km²) e Cuieiras (3.347 km²). Na área urbana, os vales
são considerados afogados, com superfícies que variam de 25 a 66 km² (Igarapé do Mindu).
Todos eles desembocam no rio Negro, com uma oscilação em torno de 10 metros entre o
período de cheia e o de estiagem.

Figura 4.7 – Esquema da morfologia do leito fluvial do rio Negro (Sioli, 1991).

4.4 – CARACTERÍSTICAS GEOLÓGICAS

4.4.1 – INTRODUÇÃO

Segundo Bento (1998), a Bacia Sedimentar do Amazonas se desenvolveu na forma de


sinéclise intracontinental, a partir de processos atuantes na Plataforma Amazônica
relacionados à formação do supercontinente Gonduana, no decorrer da Era Paleozóica. A
44
mesma ocupa uma área de aproximadamente 500.000 km², limitando-se ao norte com o cráton
das Guianas, ao sul com o cráton Brasil Central, a leste com o arco de Gurupá e a oeste com a
Bacia do Solimões por meio do arco de Purus.

Dentro do aspecto geomorfológico, a Bacia Sedimentar do Amazonas tem seu relevo


caracterizado por planícies e baixos planaltos. As planícies ocorrem, principalmente, na forma
de planícies de inundação e terraços aluvionares, ao longo do baixo e médio curso dos rios
Solimões e Amazonas e afluentes. Os planaltos apresentam topografia suave, com altitudes
inferiores a 200m, talhados por formas de relevo dissecadas em amplos interflúvios tabulares
e colinas.

Nos planaltos, os materiais inconsolidados são representados por solos lateríticos de textura
argilosa, argilo-arenosa ou areno-argilosa e arenosa, altamente intemperizados e com média a
alta resistência à compressão. Nas planícies os sedimentos são recentes e imaturos de textura
argilo-siltosa, silte-arenosa e argilosa.

4.4.2 – GEOLOGIA

4.4.2.1 – ESTRATIGRAFIA

O município de Manaus encontra-se inserido na Bacia Sedimentar do Amazonas, a qual é


constituída principalmente por rochas pelíticas paleozóicas e, secundariamente, por
sedimentos mais recentes, do Cretáceo Superior e Terciário. A unidades geológicas que
compõem o município são os aluviões e as Formações Solimões, Alter do Chão e Nhamundá
(Figura 4.9).

Os aluviões são constituídos de areais, siltes e argilas inconsolidados e de deposição recente.


A Formação Solimões é constituída de argilitos vermelhos mosqueados, síltiticos e raramente
consolidados, de origem flúvio-lacustre. A Formação Alter do Chão é constituída por
sedimentos fluviais de coloração avermelhada e fracamente consolidados, incluindo
essencialmente argilitos, arenitos feldspáticos/cauliníticos, quartzo-arenitos e conglomerados.
A Formação Nhamundá é constituída por quartzo-arenitos com intercalações de folhetos,
predominantemente brancos com granulometria fina a muito fina (BRASIL-MME, 1978).

45
Figura 4.8 – Mapa de Unidades geológicas com a localização da área de trabalho (modificado
BRASIL-MME, 1978).

46
A área de trabalho está situada sobre os sedimentos da Formação Alter do Chão. O Arenito
Manaus, como é conhecido regionalmente, é o principal representante aflorante dessa
formação na região, consistindo em um arenito quartzo silificado com cimentação silicosa ou
ferruginosa, apresentando cores vermelhas ou roxas e algumas partes brancas, ocorrendo na
forma de extratos com até 15 metros de espessura (Figura 4.10). Segundo Mori (1980), a
formação desse arenito ocorre quando a sílica solubilizada pelo fenômeno da laterização
percola através dos materiais subjacentes, encontrando a zona de influência das águas ácidas
do Rio Negro onde ocorre sua precipitação, cimentando os grãos de areia no seu entorno.

Figura 4.9 – Exposição do Arenito Manaus da Formação Alter do Chão (Bento, 1998).

4.4.2.2 – GEOLOGIA ESTRUTURAL

Diversos trabalhos vêm demonstrando que o arranjo estrutural de Manaus foi afetado por
movimentos tectônicos recentes que se estenderam desde o final do Terciário e durante todo o
Quaternário (Sternberg, 1950; Franzinelli e Igreja, 1990; Costa et al., 1994; Fernandes Filho,
1996). Esses autores indicam a existência de falhamentos, representados principalmente por
falhas normais, reversas e de rejeito direcional, e dobras, que afetam tanto a Formação Alter

47
do Chão quanto os perfis lateríticos desenvolvidos sobrejacentes, revelando um regime de
movimentação neotectônica que controla inclusive a rede de drenagem atual (Figura 4.11).

Figura 4.10 – Falhamento normal na Formação Alter do Chão (Prado, 2004).

Com relação à etapa neotectônica, Sternberg (1950), demonstrou a existência de um


condicionamento da padronagem dos vales e dos traçados dos rios da planície Amazônica em
relação aos lineamentos de direções predominantes NE-SW e NW-SE. Segundo Carvalho et
al. (2003), as informações geológico-estruturais extraídas dos produtos de sensores remotos,
tanto do ponto de vista qualitativo quanto quantitativo, demonstram que a região de Manaus
constitui um bloco estrutural arquitetado a partir da interação de falhas nas direções N-S, NW-
SE e NE-SW, as quais controlam os cursos dos igarapés Tarumã-Açu, Puraquequara, Leão,
Mariano e Rio Negro.

Igreja e Franzinelli (1990) defendem um modelo neotectônico em que a região teria sido
afetada por movimentos tectônicos recentes com amplitude regional, representados por falhas
normais, inversas (NW-SE e NE-SW) e direcionais, destrais e sinistrais (E-W e NW-SE) e
dobras, sendo que essas estruturas resultaram em um conjunto de hemigrabens basculados
para nordeste. De acordo com os autores este modelo é consistente com várias feições
hidrográficas e geomorfológicas, principalmente no baixo curso do Rio Negro.

48
Em relação aos produtos do intemperismo e da neotectônica na região, Fernandes Filho
(1996) relata a ocorrência de perfis de natureza laterítica dos tipos imaturos autóctones e
alóctones desenvolvidos sobre os sedimentos da Formação Alter do Chão. O primeiro tipo é
completo, sendo marcado pela presença de uma crosta ferruginosa, enquanto que o segundo é
marcado pela presença da linha de pedra.

4.4.3 – GEOMORFOLOGIA

O município de Manaus engloba três domínios morfoestruturais, denominados: Planície


Amazônica, Planalto da Bacia Sedimentar do Amazonas e Planalto Dissecado Rio Trombetas-
Negro (Figura 4.12). Dentre eles, esse último é onde está inserida a área de trabalho,
caracterizado pela existência de vales amplos, interflúvios tabulares e colinas de relevo
moderadamente ondulado desenvolvidos sobre a Formação Alter do Chão (Prado, 2004).

O relevo desse planalto reflete a intensa atuação dos processos erosivos, resultando em uma
grande faixa de dissecação em interflúvios com encostas ravinadas intercalados em uma
numerosa rede de drenagem com intensidade fraca de aprofundamento. Esses interflúvios
possuem extensões que variam de 1 a 9 km, com altitudes entre 40 e 160m sempre acima do
nível das cheias, sendo conhecidos regionalmente por terras firmes. Segundo Diniz et al.
(2001), o relevo situado às margens dos rios é marcado por alinhamentos de falésias fluviais
de 20 a 50m, com reverso suave e aplainado para o interior e com uma ruptura de declive
brusca em relação à estreita faixa de praias arenosas de estiagem do Rio Negro. Esse relevo é
conhecido regionalmente por terras baixas, das quais fazem parte as restingas, os terraços e as
planícies de inundação, sendo periodicamente afetados pelas cheias dos rios.

De uma forma geral, dentro do contexto geomorfológico, a cidade de Manaus é privilegiada


pelo relevo planificado, favorável à ocupação humana. A formação das falésias com desníveis
que podem alcançar 15m no limite com a unidade morfoestrutural Planície Amazônica,
também favoreceu a cidade em relação ao transporte fluvial, sendo este o principal meio de
transporte utilizado na região.

49
Figura 4.11 – Mapa das unidades morfoestruturais com a localização da área de trabalho
(modificado BRASIL-MME, 1978).

50
4.4.4 – MATERIAL INCONSOLIDADO

Segundo BRASIL-MME (1978), a região é constituída de latossolos amarelos álicos, com


horizonte “A” moderado e textura argilosa, areno-argilosa ou argila-arenosa e arenosa. Em
sua maior parte são ferralíticos com litologias correspondentes aos arenitos, siltitos e
sedimentos argilo-arenosos. Esses solos apresentam o horizonte “B” latossólico bem
intemperizado, normalmente composto por óxidos de ferro e alumínio, sendo a fração de
argila de baixa atividade, constituída principalmente por caulinita bem cristalizada.

Segundo Fernandes Filho et al. (1997), citados por Frota & Gitirana (1998), a região de
Manaus apresenta perfis de natureza laterítica dos tipos imaturos autóctones e alóctones
desenvolvidos sobre os sedimentos da Formação Alter do Chão. O perfil do tipo autóctone é
completo, sendo estruturado, da base para o topo, segundo os horizontes transicional,
argiloso, ferruginoso, esferolítico e solo (latossolo) (Figura 4.13). O perfil alóctone apresenta-
se truncado, na altura do horizonte transicional ou argiloso, com a formação da linha de pedra.
Os minerais que frequentemente constituem esses solos são a caulinita, hematita, goethita,
quartzo, gibbsita, anatásio e rutilo.

Mori (1980), com base em levantamentos geotécnicos voltados a implantação do aeroporto


internacional, dividiu o perfil de solo em quatro camadas, com características distintas:

• 1º Camada – relacionada à cobertura dos platôs, podendo chegar a espessuras de até


22m, sendo constituída principalmente por argilas pouco siltosas, amarelas, de alta
plasticidade e consistência média a rija;
• 2º Camada – pode chegar a espessuras de até 11m, sendo constituída de argilas
siltosas, pouco arenosas, amarela e vermelha de consistência rija a dura;
• 3º Camada – constituída principalmente por argilas silto-arenosas, vermelha e
amarela, e consistência rija;
• 4º Camada – camada mais profunda, mas pode ser encontrada em afloramentos nos
fundo dos vales. São constituídas principalmente por areias argilosas, de cor
variegada, compactas a muito compactas.

51
Figura 4.12 – Perfil típico dos platôs na Formação Alter do Chão (Prado, 2004).

Lima (1999) estudou diversas erosões distribuídas na cidade de Manaus, encontrando


similaridades nas propriedades e características geotécnicas ao longo do perfil ou em cotas
semelhantes. Propôs então um perfil típico único para os solos da área, caracterizado pela
predominância do solo argiloso no topo passando para uma matriz arenosa, conforme se
aproxima da base. Desta forma, também conseguiu relacionar a existência do comportamento
laterítico com a profundidade, verificando que a sua ocorrência normalmente esta associada
aos solos mais superficiais.

52
5 – METODOLOGIA UTILIZADA
5
A concepção do mapeamento geotécnico deve estar apoiada em metodologias capazes de
auxiliar os profissionais na sua execução, possibilitando a adaptação das mesmas de acordo
com as características da área mapeada e dos materiais disponíveis. Desta forma, é de suma
importância que a escolha da metodologia a ser utilizada na região Amazônica passe por uma
análise cuidadosa, considerando as características peculiares dessa região tais como a
grandeza das áreas a serem mapeadas, a escassez de informações básicas e as dificuldades em
se obtê-las.

De acordo com o exposto, o escopo desse trabalho é o zoneamento geotécnico da área urbana
de Manaus, abrangendo aproximadamente 94% desta, que está estimada em 377 km². Para
isso, fez-se uso das técnicas de análise integrada de terreno com base nas metodologias PUCE
e OXFORD-MEXE. Este tipo de análise permite a elaboração de um documento cartográfico
único onde os elementos ambientais são analisados integralmente, acarretando em uma
redução de custos em conseqüência da diminuição dos trabalhos de campo e ensaios de
laboratório.

Assim sendo, neste capítulo apresentam-se os materiais e métodos empregados na execução


do trabalho divididos em quatro itens principais: coleta de informações preexistentes;
classificação do terreno, tendo como base a fotointerpretação de produtos de sensoriamento
remoto; caracterização geotécnica, realizada a partir de amostras obtidas em trabalhos de
campo possibilitando a execução de ensaios de laboratório; mapeamento geotécnico final,
consistindo numa etapa de compilação das informações adquiridas até aqui, resultando na
elaboração de documentos cartográficos voltados ao planejamento urbano e ambiental, tais
como mapa de uso e cobertura da terra, mapa de unidades geotécnicas, mapa para a
exploração de materiais de construção e mapa para a disposição de resíduos.

53
5.1 – COLETA DE INFORMAÇÕES PRÉ-EXISTENTES

Esta etapa consistiu no levantamento preliminar junto aos órgãos públicos municipais,
estaduais e federais, empresas privadas de atividades afins, bem como universidades, visando
à coleta de informações oriundas de trabalhos já realizados ou em realização dentro da área de
estudo. Tais informações compõem o material bibliográfico, no caso de relatórios técnicos, e
os produtos cartográficos, no caso de mapas e produtos de sensoriamento remoto.

A incorporação dessas informações no escopo do trabalho foi realizada em função da


possibilidade do seu aproveitamento na elaboração do banco de dados geográfico e do seu
conseqüente aproveitamento nas análises de caracterização dos perfis de alteração e
compartimentação geotécnica do terreno. Seu uso foi condicionado a assegurar a boa
qualidade do mapa final, levando-se em conta a sua procedência e precisão em relação à
escala de trabalho, bem como a referência cartográfica pela qual a mesma foi obtida.

A utilização dos relatórios técnicos de sondagens e de poços tubulares profundos foi


condicionada à existência de informações suficientes sobre a sua localização exata em base
cartográfica digital, de tal forma que não houvesse prejuízo maior que o suportado pela escala
adotada no produto final. Isto posto, tornou-se impossível a utilização de alguns desses
relatórios, devido principalmente à escassez ou à divergência da informação e/ou dos critérios
para a sua obtenção, fato esse que sugere a inexistência de padrões junto ao seu executante.
Os principais produtos cartográficos obtidos durante esta etapa se encontram listados na
Tabela 5.1.

De uma forma geral, a utilização das informações coletadas seguiu as recomendações feitas
por Aguiar (1997), onde este autor sugere que os documentos sejam utilizados em função da
data de elaboração e do grau de confiança na sua origem.

Dentro desta etapa também estão inclusos os trabalhos referentes à correção geométrica e
registro das imagens de satélite, além da digitalização dos limites, topografia e drenagens
referentes à área de trabalho.

54
Tabela 5.1 – Principais documentos utilizados para o desenvolvimento da pesquisa.

Produtos e
Formato /
Documentos Características Escala Origem / Fonte
Mídia
Utilizados
IBGE /
Mapa geológico 1 : 1.000.000 Digital / CD
RADAMBRASIL
IBGE /
Mapa geomorfológico 1 : 1.000.000 Digital / CD
RADAMBRASIL
Mapa de vegetação de IBGE /
1 : 1.000.000 Digital / CD
parte da área de estudo RADAMBRASIL
Mapa cartográfico da
1 : 10.000 SEMEF / PMM Digital / CD
área de estudo
Imagens correspondente ao
Imagens Quickbirds da vísivel, fusionadas com a
- IMPLURB / PMM Digital / CD
área de estudo (2003) imagem pancromática.
Resolução espacial de 0,61m
Imagens pancromática, e
correspondentes a região do
Imagem Cbers da área
azul, verde, vermelho e - INPE Digital / CD
de estudo (2004)
infravermelho próximo.
Resolução espacial 20m
167 relatórios de sondagens
Relatórios técnicos de CONSULGEO Analógico /
espalhados dentro da área de -
furos de sondagens FUNDAÇÕES LTDA. Papel
trabalho
Relatórios técnicos de 41 relatórios referentes a CPRM – AM /
Analógico /
poços tubulares execução de poços tubulares - CONSULGEO
Papel
profundos profundos FUNDAÇÕES LTDA.
22 amostras referentes a Geotecnia – UnB
Relatórios técnicos de execução de perfis de (Amostras faziam parte
- Digital / CD
ensaios de laboratório amostragens da pesquisa de Prado
(2004) )

5.2 – CLASSIFICAÇÃO DO TERRENO

5.2.1 – MAPAS BÁSICOS

Consistiu na elaboração da carta imagem da área de estudo, do MDE, do mapa hipsométrico,


do mapa de declividade e do mapa de curvatura do terreno. Esta etapa foi realizada a partir de
informações obtidas da base cartográfica na escala 1:10.000, com curvas de nível
eqüidistantes em 5m. Teve como objetivo fornecer o suporte adequado à fotointerpretação das
imagens digitais, permitindo uma melhor definição dos contatos entre os landforms.

55
5.2.1.1 – CARTA IMAGEM DA ÁREA DE ESTUDO

Foi elaborada a partir da correção geométrica e do registro das imagens do satélite Quickbird,
obtida em 17 de outubro de 2003 e superposição no software Spring 4.0 das principais
drenagens, principais avenidas e rodovias, que ligam a cidade de Manaus a outros municípios
do Estado, sobre a composição colorida 1(R), 2(G), 3(B) (Figura 5.1).

Esta carta proporciona uma visão integrada dos componentes da paisagem, tais como relevo e
vegetação, além de permitir a observação de possíveis padrões relacionados à ocupação.

5.2.1.2 – MODELO DIGITAL DE ELEVAÇÃO

Neste trabalho, a área de estudo foi mapeada integralmente na escala 1:25.000 segundo os
dados altimétricos. Para isso foram interpoladas as curvas de nível eqüidistantes em 5m,
constantes da base cartográfica na escala 1:10.000, gerando o TIN (Triangular Irregular
Network) e posteriormente a grade retangular. A partir da grade gerada foi efetuada a
classificação em faixas (fatiamento) para valores acima de 25m e intervalos com amplitude de
20m, obtendo o mapa hipsométrico.

O mapa hipsométrico proporciona uma visão geral do arcabouço geomorfológico da região,


permitindo o estudo mais detalhado da relação entre a rede hidrográfica local e os padrões de
relevo.

5.2.1.3 – MAPA DE DECLIVIDADE

O mapa de declividade da região foi obtido a partir da classificação em faixas (fatiamento)


dos gradientes de declividades obtidos segundo a Equação 5.1, aplicada aos dados
altimétricos do modelo de elevação do terreno. Os intervalos utilizados para a elaboração do
mapa tiveram como objetivo o realce das pequenas declividades, visto que área de trabalho é
relativamente plana: 0 a 2%; 2 a 5%, 5 a 10%, 10 a 20%; e > 20%.

2 2
⎛ ∂z ⎞ ⎛ ∂z ⎞ (5.1)
tan D = ⎜ ⎟ + ⎜⎜ ⎟⎟
⎝ ∂x ⎠ ⎝ ∂y ⎠

Onde z é a altitude e x e y são as coordenadas axiais


56
Figura 5.1 – Carta imagem.
57
Os dados de declividade foram utilizados para a obtenção dos dados de curvatura do terreno, a
partir da qual foi possível obter as quebras de relevo, descriminando o seu posicionamento e o
grupo as quais pertencem. A partir desse mapa também foi possível estabelecer, em conjunto
com a caracterização das unidades geotécnicas, as áreas mais favoráveis ao surgimento de
processos erosivos.

5.2.1.4 – MAPA DE DOCUMENTAÇÃO

O Mapa de Documentação (Figura 5.2) é um documento cartográfico importante em um


mapeamento geotécnico, pois este permite a visualização da densidade e da distribuição dos
pontos amostrados, auxiliando o direcionamento dos trabalhos para áreas rarefeitas.

Consiste em um mapa da área de estudo onde são apresentados todos os pontos de


informações qualitativas e quantitativas utilizadas para a elaboração das demais cartas, bem
como a natureza e a condição da sua obtenção. Os pontos são devidamente identificados por
meio de nomenclaturas alfanuméricas e cores, sendo que essa última, para este trabalho, está
ligada à condição de sua obtenção. Também são incluídos os traçados das principais avenidas
e rodovias que cortam a cidade, procurando assim, fornecer um maior número de atributos
para a localização da informação no espaço.

O mapa apresenta um total de 232 pontos, sendo 167 relatórios de furos de sondagens, 41
relatórios de poços tubulares profundos e 24 pontos amostrados. A densidade de informações
ficou em torno de 6 pontos a cada 10 km², sendo superior ao proposto por Zuquette (1993)
para terrenos sedimentares.

5.2.2 – DETERMINAÇÃO DOS LANDFORMS

Consistiu na interpretação das imagens do satélite Quickbird para a obtenção de áreas


consideradas homologas com base na sua morfologia. A configuração da imagem
multiespectral (3 bandas no visível, 1 no infravermelho e 1 pancromática) correspondente à
área de trabalho é composta por 58 cenas, com resolução espacial de 0,61m, as quais
precisaram ser corrigidas geometricamente a fim de se evitar distorções em relação à base
cartográfica existente. Na Figura 5.3 pode-se vista uma parte da área de trabalho na escala
1:10.000 com as curvas de nível e as drenagens.
58
Figura 5.2 – Mapa de documentação.
59
Figura 5.3 – Imagem referente a condição utilizada para a fotointerpretação, mostrando as curvas de nível a cada 5m e as drenagens.
60
A fotointerpretação teve como finalidade a identificação e delimitação das formas de relevo
que compunham a paisagem correspondente à área de trabalho, tendo como base a análise dos
elementos texturais das imagens e o reconhecimento dos padrões de drenagem, vegetação e
topografia. Assim, identificados os elementos texturais e as organizações que definem os
níveis hierárquicos e suas respectivas compartimentações, traçam-se os seus limites com base
na análise do tipo, da densidade, da anisotropia e da assimetria.

De uma forma geral, as unidades foram definidas de acordo com a forma e posição
topográfica, a freqüência e organização das drenagens, a inclinação das vertentes e a
amplitude do relevo.

5.3 – CARACTERIZAÇÃO GEOTÉCNICA

Com a classificação dos compartimentos do terreno terminada, inicia-se a caracterização


destas áreas em função das propriedades e características geotécnicas, com destaque para as
de interesse aos objetivos dessa pesquisa. Assim sendo, iniciou-se a caracterização dos
materiais inconsolidados por meio de ensaios laboratoriais, análise de relatórios de
investigação geotécnica e interpretação dos dados obtidos de acordo com as características
das unidades do terreno.

Desta forma foi possível estabelecer previsões para os comportamentos hidráulico e mecânico
dos materiais inconsolidados, além de proporcionar o conhecimento acerca das formas de
ocorrência e a distribuição espacial.

5.3.1 – ENSAIOS GEOTÉCNICOS

Nesta etapa foram realizados os ensaios de caracterização geotécnica em 22 amostras


deformadas, sendo submetidas aos ensaios de caracterização da metodologia MCT, limites de
consistência e granulômetro a laser.

Os próximos itens serão destinados à explicação sucinta dos procedimentos utilizados na


coleta e preparação das amostras e na execução dos ensaios.

61
5.3.1.1 – COLETA E PREPARAÇÃO DAS AMOSTRAS

As amostras utilizadas neste trabalho foram obtidas durante a etapa de verificação de campo
realizada para a pesquisa de Prado (2004). O material ensaiado foi obtido, por esse autor, a
partir de furos de amostragens com coleta de material em intervalos de profundidade que
variaram de 0,5 a 1,5m. Esses materiais foram acondicionados em sacos plásticos,
devidamente lacrados e identificados, além de mantidos em locais protegidos das águas das
chuvas e dos raios solares.

Para o desenvolvimento desta pesquisa foram utilizadas 22 amostras escolhidas de acordo


com a sua localização, ou seja, a escolha foi condicionada a sua posição no interior da área de
interesse. Nesta etapa houve uma maior preocupação na caracterização do solo superficial,
visto que a análise dos relatórios de sondagens e poços tubulares profundos permitiu a
verificação completa dos perfis de solo, tendo a sua importância alinhada à verificação da
distribuição espacial do material inconsolidado.

O material utilizado foi homogeneizado e seco ao ar, sendo utilizada a recomendação da NBR
6457 (ABNT, 1986), referente à preparação das amostras de solo para a execução de ensaios
de compactação e caracterização.

5.3.1.2 – CARACTERIZAÇÃO EXPEDITA

Consistiu na execução dos ensaios propostos por Nogami e Villibor (1995) para a
caracterização expedita de solos tropicais. Essa se baseia na análise do comportamento hidro-
mecânico por meio de ensaios padrões que visam a obtenção de atributos relacionados às
medidas de contração, penetração, expansão e resistência. A execução dos ensaios é realizada
a partir da moldagem de três pastilhas com 20mm de diâmetro e 5mm de altura, de três
bolinhas com aproximadamente 3cm de diâmetro e dois bastonetes de 10cm de comprimento
e 3mm de diâmetro. Abaixo estão descritas as formas de obtenção dos atributos:
• Contração (Ct): referente à redução diametral da pastilha, medida em mm, quando
seca ao ar na posição vertical por 24 horas;
• Penetração: é aquela verificada por um cilindro de ponta chata com 10g de massa e φ
1,3mm, expressa em mm, quando aplicada verticalmente sobre a superfície da pastilha
após a reabsorção de água por 2h efetuada sob condições padronizadas.
62
• Resistência: associada à capacidade de esmagamento das bolinhas por meio da pressão
dos dedos, após a secagem de 24 horas;
• Expansão: é aquela representava pelo aumento qualitativo do diâmetro da pastilha
verificado após a reabsorção de água por 2 horas;
• Plasticidade: relacionada à capacidade de moldagem e flexibilização dos bastonetes;

A classificação do material é realizada a partir do cruzamento entre os valores do parâmetro c’


obtido segundo a Equação 5.2 ou 5.3 e da penetração, com o auxílio da carta de classificação
(Figura 5.4).

(log10 Ct + 1)
c' = , para 0,1 ≤ Ct ≤ 0,5mm (5.2)
0,904

(log10 Ct + 0,7 )
c' = , para Ct > 0,5mm (5.3)
0,5

Figura 5.4 – Carta de classificação utilizada na descrição dos solos pela metodologia MCT
(Nogami e Villibor, 1995).

5.3.1.3 – DISTRIBUIÇÃO GRANULOMÉTRICA

O procedimento para a análise granulométrica adotado é o recomendado pela NBR 7181


(ABNT, 1984a). Basicamente consiste num roteiro para a determinação das frações
granulométricas do solo realizado por meio do peneiramento do material segundo uma
63
seqüência padrão de peneiras. De acordo com o procedimento adotado no laboratório de
geotecnica da UnB, o material retido na #40 é analisado via peneiramento mecânico na série
de peneiras definida pela NBR 7181, e o material passante é destinado à análise no
granulômetro a laser. Nesse equipamento são obtidas as curvas granulométricas que depois
são associadas à curva obtida da análise do material mais granular.

5.3.1.4 – LIMITES DE CONSISTÊNCIA

O procedimento adotado para a execução dos ensaios de limites de consistência é o descrito


nas NBR 6459 (ABNT, 1984b) referente à obtenção do limite de liquidez, e NBR 7180
(ABNT, 1984c) referente à obtenção do limite de plasticidade. Sucintamente, pode-se dizer
que o limite de liquidez é adotado como sendo a umidade necessária para se obter a junção ao
longo de 10mm das paredes formadas pelo rasgo no solo aos 25 golpes no aparelho de
Casagrande. Já o limite de plasticidade corresponde a menor umidade necessária à formação
de bastonetes com 10cm de comprimento e 3mm de diâmetro sobre uma superfície plana e
horizontal.

5.3.2 – ANÁLISE GEOTÉCNICA DAS SONDAGENS

Esta etapa consistiu na análise geotécnica de 167 relatórios de sondagens executadas de


acordo com a NBR 6484 (ABNT, 2001) pela empresa Consulgeo Fundações LTDA. Este tipo
de ensaio fornece uma caracterização visual e táctil do perfil de solo perfurado, além do
parâmetro de resistência Nspt (Standart Penetracion Test). O uso destas informações, dentro
do escopo do trabalho, em conjunto com a compartimentação do terreno, permitiu a análise
quantitativa quando vista em relação ao todo, e uma análise qualitativa quando observada
como parte de uma mesma unidade de terreno. Dentro da análise quantitativa foram ainda
estudados 41 relatórios de poços tubulares profundos com o objetivo de se obter um maior
número de informações referentes à profundidade do lençol freático e a descrição do substrato
rochoso.

A utilização destas informações esteve condicionada à adoção de inúmeros procedimentos


voltados a sua padronização, permitindo uma análise coerente em relação a sua distribuição
espacial. Na Figura 5.5 encontra-se representado um fluxograma resumo desta etapa, onde são
mostrados todos os procedimentos utilizados e as suas relações.
64
DADOS
COLETADOS

ANÁLISE
PRELIMINAR

PADRONIZAÇÃO LOCAÇÃO
PRELIMINAR

DESENVOLVIMENTO
DO SOFTWARE REFINAMENTO

PREENCHIMENTO
DO BANCO DE LOCAÇÃO FINAL
DADOS

INFORMAÇÃO
AJUSTADA

Figura 5.5 – Fluxograma mostrando os procedimentos e suas relações.

O trabalho correspondente a cada procedimento está descrito abaixo:

Análise preliminar: é a primeira etapa de todo o processo, correspondendo à


observação do estado dos dados. Teve como objetivo principal a verificação de um
possível padrão existente, obtendo referências quanto às características dos solos e os
limites para os valores de SPT;

Padronização: etapa em que foram estabelecidos os novos critérios a serem adotados


com base nos resultados da análise preliminar. A criação de um padrão teve como
objetivo principal ajustar todos os relatórios dentro de um mesmo formato, no que diz
respeito à caracterização do material e aos limites adotados de SPT. Na Tabela 5.2
encontram-se descritos os valores padrões de textura, cor, origem e consistência, com
a nomenclatura e o valor índice. Vale ressaltar que os intervalos adotados para Nspt
são os sugeridos pela antiga NBR 6484 (ABNT, 2001).
65
Tabela 5.2 – Tabela com os valores padrões utilizados na pesquisa

TEXTURA
Tipo Nomenclatura Índice
Argila C 1
Argila Siltosa Cm 2
Argila Arenosa Cs 3
Silte M 4
Silte Argiloso Mc 5
Silte Arenoso Ms 6
Areia S 7
Areia Siltosa Sm 8
Areia Argilosa Sc 9
Pedregulho G 10
Arenito Argiloso Ar 11
COR
Tipo Índice e Nomenclatura
Amarelo 1
Amarelo Escuro 2
Amarelo-vermelho 3
Amarelo-cinza 4
Amarelo-branco 5
Vermelho 6
Vermelho Escuro 7
Vermelho-amarelo 8
Vermelho-cinza 9
Vermelho-branco 10
Branco 11
Branco-vermelho 12
Branco-amarelo 13
Branco-cinza 14
Cinza 15
Cinza Escuro 16
Cinza-amarelo 17
Cinza-vermelho 18
Cinza-branco 19
Rosado 20
Preto 21

Continua...

66
Continuação.
ORIGEM
Tipo Nomenclatura Índice
Orgânico O 1
Residual Re 2
Retrabalhado Rt 3
Aluvial Av 4
Aterro At 6
COMPACIDADE E CONSISTÊNCIA
Tipo Intervalos de SPT (últimos 30cm)
Fofa 0–4
Pouco Compacta 5–8
COMPACIDADE Medianamente Compacta 9 – 18
Compacta 19 – 40
Muito Compacta > 40
Muito Mole 0-2
Mole 3-5
Média 6 – 10
CONSISTÊNCIA
Rija 11 - 19
Muito Rija 20 – 40
Dura > 40

Desenvolvimento de software: consistiu na criação de um software com interface


amigável (Figura 5.6a), desenvolvido em linguagem Pascal (Borland Delphi). Buscou-
se com esse, os recursos necessários à inserção dos dados obtidos a partir dos
relatórios de sondagens e poços tubulares profundos (Figura 5.6b), de tal forma que
possibilitasse futuras atualizações (Figura 5.6c) e permitisse a exportação dos dados a
um banco de dados geográfico (Figura 5.6d).

Locação preliminar: concomitantemente com a padronização, foi realizada uma


locação preliminar das sondagens em relação à base cartográfica existente. A
execução desse procedimento teve caráter eliminatório, pois a incorporação de um
relatório de sondagem ou poço tubular profundo estava condicionada ao nível mínimo
de informação para a sua localização;

Refinamento e locação final: consistiu no levantamento de informações


complementares daqueles relatórios que não puderam ser incluídos na etapa anterior, e
que pudessem fornecer atributos mínimos para a sua localização. A obtenção destas
informações permitia a incorporação do relatório, sendo a sua localização efetuada ou
em alguns casos ajustada;

67
(b)

(a)

(d)

(c)

Figura 5.6 – (a) Tela principal do software; (b) Tela para cadastro dos relatórios de
sondagens; (c) Tela de pesquisa por relatórios já cadastrados para edição; (d) Tela para a
exportação dos dados.

Preenchimento do banco de dados: envolveu os trabalhos de digitalização dos


dados, adequados ao padrão estabelecido, que em conjunto com a localização final dos
pontos amostrados, resultou no conjunto de informações ajustadas, possibilitando o
desenvolvimento da análise geotécnica coerente dos relatórios de sondagens e poços
tubulares.

5.4 – MAPEAMENTO GEOTÉCNICO FINAL

O procedimento adotado nesta pesquisa para a realização do mapeamento geotécnico


consistiu na caracterização, avaliação e classificação geotécnica das unidades do terreno
obtidas pela fotointerpretação dos produtos de sensoriamento remoto, com base na
68
geomorfologia e de acordo com as propriedades geotécnicas determinadas na etapa de
caracterização. As etapas executadas no desenvolvimento do trabalho estão descritas a seguir
e representadas esquematicamente na Figura 5.7.

A primeira etapa envolveu os trabalhos de fotointerpretação das imagens Quickbirds, em


ambiente SIG, onde esse proporcionou uma maior rapidez na sua execução, além de permitir
o maior controle da compartimentação do terreno. De forma geral, consistiu na identificação
das formas de relevo, de acordo com os elementos estruturais, principalmente a intensidade de
drenagem, topografia, declividade e curvatura do terreno. Desta forma, foi possível classificar
as diversas unidades de terreno de acordo com o padrão de relevo dominante, resultando no
mapa de unidades de terreno.

Nesta primeira etapa também foram realizados os primeiros trabalhos com os relatórios de
sondagens e poços tubulares profundos, visando a sua adequação à pesquisa. Para isso foram
estabelecidos determinados padrões para a descrição dos perfis geotécnicos e atributos de
resistência, os quais por fim tornaram possível a análise geotécnica.

Posteriormente, foram realizados os trabalhos referentes à caracterização geotécnica,


envolvendo os ensaios geotécnicos e a análise dos perfis geotécnicos. Vale ressaltar que o
desenvolvimento desta análise é limitado às unidades de terreno, ou seja, os relatórios de
sondagens, poços tubulares profundos e ensaios de laboratório são separados de acordo com a
sua posição dentro das unidades, sendo cada conjunto analisado individualmente. Ao final
desta etapa teve-se como resultado o mapa de unidades de terreno caracterizado
geotecnicamente, com precisão condizente com a escala 1:25.000.

A etapa seguinte consistiu na obtenção do mapa de cobertura e uso do solo por meio do
processamento e da interpretação visual da imagem de satélite, a partir do qual foi possível a
identificação dos diversos usos e coberturas, estabelecidos de acordo com o interesse da
pesquisa.

E por fim está a elaboração dos mapas específicos, que para esta pesquisa são: carta de áreas
potenciais para a disposição de resíduos e carta orientativa para a exploração de materiais de
construção. Estes foram obtidos a partir do cruzamento dos planos de informação

69
desenvolvidos nesta pesquisa, de acordo com o grau de relevância em relação ao fim
desejado.

IMAGENS QUICKBIRD BASE CARTOGRÁFICA RELATÓRIOS DE RELATÓRIOS DE POÇOS


SONDAGENS TUBULARES

GEOREFERENCIAMENTO MNT TOPOGRÁFICO


(MDE) ADEQUAÇÃO DOS
RELATÓRIOS

ENSAIOS DE
DECLIVIDADES
LABORATÓRIO
CURVATURAS

ESTRUTURAÇÃO DO
FOTOINTERPRETAÇÃO BANCO DE DADOS
DAS IMAGENS GEOREFERENCIADOS

MAPA DE UNIDADES DO TABELA


TERRENO GEORELACIONAL COM
CARACTERÍSTICAS
GEOTÉCNICAS

PROCESSAMENTO DE
IMAGENS AVALIAÇÃO DAS
CARACTERÍSTICAS
GEOTÉCNICAS DAS
UNIDADES DE TERRENO

MAPA DE UNIDADES DE
MAPA DE COBERTURA E TERRENO EM CONJUNTO
USO DA TERRA COM AS FICHAS DE
CARACTERIZAÇÃO

ANÁLISES COM
OBJETIVOS ESPECÍFICOS

CARTAS DE
ZONEAMENTO

Figura 5.7 – Fluxograma da pesquisa.

Nos próximos itens estão descritos os procedimentos para a obtenção do mapa de cobertura e
uso do solo, mapa de unidades geotécnicas e das cartas de zoneamento.

70
5.4.1 – MAPA DE COBERTURA E USO DO SOLO

O mapa de cobertura e uso do solo foi elaborado a partir do processamento das imagens
Quickbird e interpretação visual da mesma, realizados em ambiente SIG no software Spring
versão 4.0 e na composição colorida R (banda 1), G(banda 2), B (banda 3).

A elaboração deste mapa teve como princípio não só a identificação das classes usuais, mas
também procurou incorporar as de interesse para a pesquisa e para a cartografia regional.
Desta forma foram descritas as seguintes classes temáticas: floresta ombrófila densa, floresta
ombrófila aberta, várzea, campo limpo, campo sujo, campo úmido, capoeira, ocupação
periurbana, ocupação urbana, loteamentos recentes, sede rural, agricultura, solo exposto e
rios.

5.4.2 – CARACTERIZAÇÃO DAS UNIDADES DE TERRENO

A caracterização das unidades foi realizada por meio do cruzamento do mapa de landforms
com as informações obtidas na análise dos relatórios de sondagens, poços tubulares profundos
e ensaios de laboratório. Desta forma foi possível relacionar as formas de relevo com os
horizontes do solo, estudando as diversas adequabilidades à atividade antrópica e riscos
naturais e induzidos para cada unidade definida.

Assim sendo, o mapa de unidades de terreno tem como objetivo delimitar, caracterizar e
restringir a área de trabalho de acordo com as características do meio físico e com a
favoralidade às diversas atividades a que pode ser submetida. Portanto, o principal resultado
se traduz no mapa de unidades na escala 1:25.000, delimitadas de acordo com o grau de
homogeneidade geotécnica e com suas informações descritas em fichas desenvolvidas com
base na proposta da metodologia PUCE.

O desenvolvimento das fichas teve como objetivo proporcionar ao usuário do mapa de


unidades de terreno uma completa descrição das características de uma determinada unidade,
onde pudessem ser encontradas informações referentes às formas de relevo, comportamento
geotécnico, descrição do perfil típico, tendência dos valores de Nspt, bem como uma
avaliação quanto à suscetibilidade a riscos geológicos, sua adequabilidade ao uso em obras de
engenharia e sua aptidão para a exploração de materiais de construção.
71
Nos próximos itens serão descritas as principais formas de obtenção e as considerações para o
estabelecimento de cada um dos atributos disponíveis nas fichas.

5.4.2.1 – FORMAS DE RELEVO

Nestes campos estão descritos os dados referentes à caracterização geomorfológica da


unidade geotécnica, com informações sobre o tipo de forma predominante, sua expressão em
área, a amplitude de relevo e a declividade. Essas informações foram adquiridas a partir da
análise combinada das unidades de terreno com o MDE e o mapa de declividade, sendo um
resultado direto do procedimento de fotointerpretação.

Com intuito de fornecer o maior número de informações necessárias ao usuário do mapa, para
a visualização da forma de relevo incorporada em cada unidade, são disponibilizadas figuras
esquemáticas do perfil típico e das áreas de ocorrência dentro da região de trabalho.

5.4.2.2 – MATERIAL INCONSOLIDADO

Neste campo encontram-se informações relacionadas às características dos materiais


inconsolidados. As informações aqui disponibilizadas foram obtidas a partir da análise dos
relatórios de sondagens, poços tubulares profundos e ensaios de laboratório, sendo
representadas por meio de horizontes divididos de acordo com a textura, espessura e
comportamento geotécnico.

5.4.2.3 – PERFIL TÍPICO DE Nspt

Nesta parte existe uma representação gráfica da tendência do Nspt ao longo da profundidade,
obtida a partir da análise dos perfis de sondagem distribuídos dentro de uma mesma unidade.
Os valores de Nspt representativos dos horizontes foram obtidos por análise estatística com
descarte, em função do número de amostras do conjunto analisado, para o maior e menor
valor desse conjunto, eliminando, desta forma, valores discrepantes existentes no mesmo.

72
5.4.2.4 – AVALIAÇÃO DO TERRENO

O conteúdo das fichas também incorpora uma avaliação generalizada do terreno em função da
susceptibilidade de uma determinada unidade aos riscos geológicos, da adequabilidade para a
implantação de obras de engenharia e o potencial para a exploração de recursos naturais. De
uma forma geral, o procedimento metodológico utilizado para a avaliação das unidades
geotécnicas consistiu em uma análise ponderada dos atributos utilizados em uma determinada
avaliação (Equação 5.4). Vale ressaltar que esse procedimento é indicativo e que em alguns
casos fez-se necessário o uso de uma análise subjetiva.

n
X = ∑ (i × P ) ; i ∈ ℜ | 0 ≤ i ≤ 1,0 e ∑ P = 1,0 (5.4)
z =1

Onde:
- X é o valor correspondente a um grau de favorabilidade em uma determinada avaliação.
- i é o índice dado a cada intervalo dos atributos de acordo com o potencial mais favorável à
condição que está sendo analisada;
- P é o peso atribuído ao atributo analisado de acordo com o nível de importância para a
avaliação em questão;
- n é o número de atributos analisados em uma determinada avaliação.

Desta forma, são obtidos valores de X que podem ser associados ao grau de favorabilidade
para uma avaliação desejada. Nesta pesquisa foram utilizados os intervalos de valores de X de
acordo com o descrito na Tabela 5.3.

Tabela 5.3 – Relação entre as classes de susceptibilidade/adequabilidade/favoralibidade e os


valores de X

Grau Valores de X
Não Susceptível < 0,25
Pouco Susceptível 0,25 a 0,50
Susceptível 0,50 a 0,75
Muito Susceptível 0,75 a 1,00

73
Assim sendo, o grau de favorabilidade à ocorrência de processos erosivos foi obtido por meio
da relação entre textura, consistência/compacidade, espessura do material inconsolidado e
declividade. Para a susceptibilidade à inundação foi considerada a relação entre textura,
altitude da forma de relevo, nível do lençol freático e declividade e para os movimentos de
massa foram considerados os aspectos relacionados à textura, consistência/compacidade,
amplitude de relevo e declividade (Tabela 5.4).

Tabela 5.4 – Relação entre os atributos para a determinação da susceptibilidade aos processos
erosivos, à inundação e aos movimentos de massa.

ÍNDICE DAS CLASSES PESO DOS ATRIBUTOS


ATRIBUTOS CLASSES
(a) (b) (c) (a) (b) (c)
Areia 0,70 0,00 0,60
Areia-argilosa 0,50 0,30 0,30
Areia-argilosa c/ pedregulhos 0,40 0,20 0,50
Textura dos Argila laterizada 0,30 0,20 0,50
materiais Argila 0,00 1,00 0,60 0,30 0,15 0,30
inconsolidados Argila-arenosa 0,30 0,80 0,20
Argila-siltosa 0,50 0,60 0,40
Pedregulho-arenoso 0,30 0,20 0,50
Pedregulho-siltoso 0,45 0,35 0,70
Fofa/mole ou inferior 1,00 - 1,00
Fofa/mole a média 0,75 - 0,75
Consistência /
Média 0,50 - 0,50 0,30 - 0,20
Compacidade
Média a compacta/rija 0,25 - 0,25
Compacta/rija ou superior 0,00 - 0,00
Espessura do < 5m 1,00 - -
material 5 a 10m 0,75 - -
inconsolidado 10 a 15m 0,50 - - 0,20 - -
do horizonte 15 a 20m 0,25 - -
mais superficial > 20m 0,00 - -
< 25m - 1,00 -
25 a 40m - 0,75 -
Altitude 40 a 80m - 0,50 - - 0,30 -
80 a 100m - 0,25 -
> 100m - 0,00 -
< 5m - - 0,00
5 a 10m - - 0,25
Amplitude do
10 a 15m - - 0,50 - - 0,20
relevo
15 a 20m - - 0,75
> 20m - - 1,00

Continua...

74
Continuação.
ÍNDICE DAS CLASSES PESO DOS ATRIBUTOS
ATRIBUTOS CLASSES
(a) (b) (c) (a) (b) (c)
< 5m - 1,00 -
5 a 10m - 0,50 -
Nível do lençol
10 a 15m - 0,25 - - 0,25 -
freático
15 a 20m - 0,00 -
> 20m - 0,00 -
< 2% 0,00 1,00 0,00
2 a 5% 0,25 0,75 0,25
Declividade 5 a 10% 0,50 0,50 0,50 0,20 0,30 0,30
10 a 20% 0,75 0,00 0,75
> 20% 1,00 0,00 1,00

(a) – Índice das classes e pesos dos atributos para o estudo da suscetibilidade aos processos
erosivos / (b) – Índice de classes e pesos dos atributos para o estudo da suscetibilidade à inundação
/ (c) – Índice de classes e pesos dos atributos para o estudo da suscetibilidade aos movimentos de
massa.

Outra avaliação realizada nas unidades relaciona-se ao potencial de adequação das mesmas às
obras de engenharia como loteamentos, traçado de estradas e locais para disposição de
resíduos. Para essas análises foram utilizadas as características referentes à textura
predominante, consistência/compacidade, espessura do material inconsolidado, amplitude de
relevo, altitude, profundidade do lençol freático e declividade. Os índices estabelecidos para
as classes e os pesos dos atributos podem ser vistos na Tabela 5.5.

Tabela 5.5 - Relação entre os atributos para a análise do potencial para loteamentos, estradas e
disposição de resíduos.

ÍNDICE DAS CLASSES PESO DOS ATRIBUTOS


ATRIBUTOS CLASSES
(a) (b) (c) (a) (b) (c)
Areia 0,80 0,60 0,30
Areia-argilosa 1,00 0,50 0,40
Areia-argilosa c/ pedregulhos 0,70 0,80 0,30
Textura dos Argila laterizada 0,40 0,80 0,20
materiais Argila 0,40 0,40 0,40 0,20 0,30 0,25
inconsolidados Argila-arenosa 0,60 0,60 1,00
Argila-siltosa 0,20 0,20 0,80
Pedregulho-arenoso 0,40 1,00 0,20
Pedregulho-siltoso 0,30 0,70 0,25
Fofa/mole ou inferior 0,00 0,00 0,00
Fofa/mole a média 0,25 0,25 0,25
Consistência /
Média 0,50 0,50 0,50 0,15 0,25 0,10
Compacidade
Média a compacta/rija 0,75 0,75 0,75
Compacta/rija ou superior 1,00 1,00 1,00

75
ÍNDICE DAS CLASSES PESO DOS ATRIBUTOS
ATRIBUTOS CLASSES
(a) (b) (c) (a) (b) (c)
< 5m 0,00 0,00 0,00
Espessura do 5 a 10m 0,25 0,25 0,25
material 10 a 15m 0,50 0,50 0,50 0,10 0,15 0,25
inconsolidado 15 a 20m 0,75 0,75 0,75
> 20m 1,00 1,00 1,00
< 25m 0,00 - -
25 a 40m 0,25 - -
Altitude 40 a 80m 0,75 - - 0,10 - -
80 a 100m 1,00 - -
> 100m 1,00 - -
< 5m 1,00 - -
5 a 10m 0,75 - -
Amplitude do
10 a 15m 0,50 - - 0,10 - -
relevo
15 a 20m 0,25 - -
> 20m 0,00 - -
< 5m 0,00 0,00 0,00
5 a 10m 0,25 0,25 0,25
Nível do lençol
10 a 15m 0,50 0,50 0,50 0,15 0,15 0,20
freático
15 a 20m 1,00 0,75 0,75
> 20m 0,80 1,00 1,00
< 2% 0,80 0,80 0,80
2 a 5% 1,00 1,00 1,00
Declividade 5 a 10% 0,50 0,50 0,50 0,20 0,15 0,20
10 a 20% 0,25 0,25 0,25
> 20% 0,00 0,00 0,00

(a) – Índice das classes e pesos dos atributos para o estudo de adequabilidade a loteamentos / (b) –
Índice de classes e pesos dos atributos para o estudo de adequabilidade para a implantação de
estradas / (c) – Índice de classes e pesos dos atributos para o estudo da adequabilidade a
disposição de resíduos.

A análise de potencialidade para a exploração de recursos naturais ficou limitada ao


reconhecimento de jazidas para materiais como argila, areia e seixo ou brita. Essa informação
foi obtida a partir do cruzamento entre os dados de textura, espessura dos materiais
inconsolidados e declividade (Tabela 5.6).

Além das análises supracitadas, ainda são encontradas informações referentes à profundidade
do lençol freático e do impenetrável, obtidas a partir da análise dos relatórios de sondagens e
poços tubulares profundos. Também está disponível a caracterização pedológica do solo
superficial de acordo com a classificação MCT e SUCS, oriundas dos ensaios de
caracterização.

76
Tabela 5.6 - Relação entre os atributos para a obtenção do potencial a exploração de argila,
areia e cascalho

ÍNDICE DAS CLASSES PESO DOS ATRIBUTOS


ATRIBUTOS CLASSES
(a) (b) (c) (a) (b) (c)
Areia 0,00 1,00 0,00
Areia-argilosa 0,00 0,60 0,00
Areia-argilosa c/ pedregulhos 0,00 0,50 0,30
Textura dos Argila laterizada 0,10 0,00 0,50
materiais Argila 1,00 0,00 0,00 0,40 0,40 0,50
inconsolidados Argila-arenosa 0,60 0,00 0,00
Argila-siltosa 0,60 0,00 0,00
Pedregulho-arenoso 0,00 0,10 1,00
Pedregulho-siltoso 0,00 0,00 0,70
Fofa/mole ou inferior 0,00 0,00 -
Fofa/mole a média 0,25 0,25 -
Consistência /
Média 0,50 0,50 - 0,15 0,15 -
Compacidade
Média a compacta/rija 0,75 0,75 -
Compacta/rija ou superior 1,00 1,00 -
< 5m 0,00 0,00 0,00
Espessura do 5 a 10m 0,25 0,25 0,25
material 10 a 15m 0,50 0,50 0,50 0,30 0,30 0,35
inconsolidado 15 a 20m 0,75 0,75 0,75
> 20m 1,00 1,00 1,00
< 2% 1,00 1,00 1,00
2 a 5% 0,75 0,75 0,75
Declividade 5 a 10% 0,50 0,50 0,50 0,15 0,15 0,15
10 a 20% 0,25 0,25 0,25
> 20% 0,00 0,00 0,00

(a) – Índice das classes e pesos dos atributos para a exploração de argila / (b) – Índice de classes e
pesos dos atributos para a exploração de areia / (c) – Índice de classes e pesos dos atributos para a
exploração de cascalho.

5.4.3 – CARTA DE ÁREAS POTENCIAIS PARA DISPOSIÇÃO DE RESÍDUOS

A disponibilidade de cartas de áreas potenciais para a disposição de resíduos subsidia estudos


mais detalhados para a localização de locais apropriados ao descarte do lixo urbano,
proporcionando uma redução significativa dos recursos humanos, financeiros e de tempo. Este
tipo de carta incorpora os atributos do meio físico, os aspectos previstos na legislação e os
aspectos relativos a custos, constituindo uma ferramenta indispensável à gestão urbana e
ambiental no que diz respeito ao sistema de coleta e destinação dos resíduos.

77
Neste trabalho, a carta de áreas potenciais para a disposição de resíduos foi obtida a partir do
cruzamento, por meio de um algoritmo de sobreposição indexada, das seguintes informações:
o potencial das unidades geotécnicas, a cobertura e uso da terra, distância da rede de
drenagem, distância das áreas urbanas e distância das principais rodovias. As informações
referentes às distâncias as redes de drenagens, áreas urbanas e rodovias são oriundas de mapas
de distância (buffers), levando-se em conta a proteção do meio ambiente e os aspectos
econômicos, sendo que esses estão diretamente relacionados com o aumento dos trechos
percorridos entre a coleta e a disposição dos resíduos. Foram estabelecidas três classes
variando de acordo com o nível de restrição dos atributos, obtendo as áreas de acordo com o
potencial para a disposição de um determinado tipo de resíduo (perigosos, não-inertes e
inertes). A Tabela 5.7 apresenta os atributos bem como os seus respectivos pesos utilizados na
composição da carta.

Tabela 5.7 – Atributos utilizados para a elaboração da carta de áreas potenciais para a
disposição de resíduos

Índice das Classes Peso dos


Atributos Classes
CLASSE 1 CLASSE 2 CLASSE 3 Atributos
Unidade I – “PPS” 0,40 0,60 1,00
Unidade II – “PLW” 0,40 0,59 0,80
Unidade III – “PBW” 0,25 0,49 0,70
Unidade IV – “SP” 0,25 0,48 0,70
Unidade V – “TA” 0,20 0,45 0,60
Unidade VI – “HCX” 0,20 0,45 0,60
Potencial das Unidade VII – “HP” 0,10 0,34 0,50
0,25
Unidades Unidade VIII – “HCV” 0,00 0,20 0,30
Unidade IX – “HCXBCV” 0,20 0,46 0,60
Unidade X – “HpTCX” 0,20 0,38 0,60
Unidade XI – “HCVBCX” 0,10 0,38 0,40
Unidade XII – “HDR” 0,00 0,00 0,00
Unidade XIII – “PFL” 0,00 0,00 0,00
Unidade XIV – “DVA” 0,00 0,00 0,00
< 1000m 0,00 0,00 0,00
1000 a 2000m 0,00 0,20 0,50
Distância às áreas
2000 a 3000m 0,20 0,40 1,00 0,15
urbanas
3000 a 5000m 0,50 0,80 0,20
> 5000m 1,00 1,00 0,00
< 1000m 1,00 1,00 1,00
1000 a 2500m 0,80 0,80 0,80
Distância as
2500 a 5000m 0,40 0,40 0,40 0,15
principais rodovias
5000 a 10000m 0,20 0,20 0,20
> 10000m 0,00 0,00 0,00

78
Índice das Classes Peso dos
Atributos Classes
CLASSE 1 CLASSE 2 CLASSE 3 Atributos
< 200m 0,00 0,00 0,00
200 a 400m 0,00 0,20 0,20
Distância à rede de
400 a 800m 0,20 0,40 0,40 0,15
drenagem
800 a 1000m 0,50 0,80 0,80
> 1000m 1,00 1,00 1,00
Floresta ombrófila densa 0,00 0,10 0,10
Floresta ombrófila aberta 0,00 0,20 0,20
Mata de várzea 0,00 0,00 0,00
Campo limpo 0,70 0,70 0,80
Campo sujo 0,80 0,80 1,00
Campo alagadiço 0,00 0,10 0,10
Cobertura e Uso da Capoeira 0,40 0,50 0,70
0,25
Terra Ocupação urbana 0,00 0,00 0,00
Ocupação periurbana 0,00 0,00 0,00
Loteamentos recentes 0,00 0,00 0,00
Sede rural 0,00 0,20 0,20
Agricultura 0,30 0,50 0,50
Solo exposto 0,80 0,80 1,00
Rios 0,00 0,00 0,00

5.4.4 – CARTA ORIENTATIVA PARA A EXPLORAÇÃO DE RECURSOS


NATURAIS

A carta orientativa para a exploração de recursos naturais visa contribuir ao uso sustentável
dos recursos naturais da região. Sua disponibilidade reduz o custo e o tempo de trabalho em
estudos mais detalhados, pois orienta as investigações de campo minimizando a mobilização
de equipamentos e pessoal. Como para a análise citada anteriormente, esta carta sintetiza as
informações referentes ao meio físico com os aspectos previstos na legislação, constituindo
uma ferramenta indispensável à gestão dos recursos naturais disponíveis na região. Esta carta
foi obtida a partir da análise pela técnica de sobreposição indexada de informações referentes
ao potencial das unidades geotécnicas, a cobertura e uso da terra, distância da rede de
drenagem, distância das áreas urbanas e distância das principais rodovias. A Tabela 5.8
apresenta os atributos e os respectivos pesos utilizados na composição da carta.

79
Tabela 5.8 - Atributos utilizados na elaboração da carta orientativa para a exploração de
recursos naturais

Índice das Classes Peso dos


Atributos Classes
Argila Areia Cascalho Atributos
< 100m 0,00 0,00 0,00
100 a 400m 0,20 0,20 0,20
Distância à rede de
400 a 800m 0,40 0,40 0,40 0,15
drenagem
800 a 1000m 0,80 0,80 0,80
> 1000m 1,00 1,00 1,00
< 1000m 0,00 0,00 0,00
1000 a 2000m 0,20 0,20 0,20
Distância às áreas
2000 a 3000m 0,60 0,60 0,60 0,15
urbanas
3000 a 5000m 1,00 1,00 1,00
> 5000m 0,60 0,60 0,60
< 1000m 1,00 1,00 1,00
1000 a 2500m 0,80 0,80 0,80
Distância as principais
2500 a 5000m 0,40 0,40 0,40 0,15
rodovias
5000 a 10000m 0,20 0,20 0,20
> 10000m 0,00 0,00 0,00
Unidade I – “PPS” 0,74 0,15 0,40
Unidade II – “PLW” 0,70 0,11 0,36
Unidade III – “PBW” 0,43 0,43 0,00
Unidade IV – “SP” 0,59 0,08 0,33
Unidade V – “TA” 0,50 0,54 0,15
Unidade VI – “HCX” 0,49 0,08 0,24
Potencial das Unidade VII – “HP” 0,63 0,04 0,29
0,30
Unidades Unidade VIII – “HCV” 0,48 0,08 0,25
Unidade IX – “HCXBCV” 0,43 0,43 0,04
Unidade X – “HpTcx” 0,55 0,04 0,29
Unidade XI – “HCVBCX” 0,51 0,19 0,29
Unidade XII – “HDR” 0,32 0,35 0,33
Unidade XIII – “PFL” 0,47 0,47 0,20
Unidade XIV – “DVA” 0,47 0,47 0,40
Floresta Ombrófila Densa 0,00 0,00 0,00
Floresta Ombrófila Aberta 0,20 0,20 0,20
Mata de Várzea 0,00 0,00 0,00
Campo 0,50 0,50 0,50
Campo Sujo 0,60 0,60 0,60
Campo Alagadiço 0,10 0,10 0,10
Cobertura e Uso da Copoeira 0,50 0,50 0,50
0,25
Terra Ocupação Urbana 0,00 0,00 0,00
Ocupação PeriUrbana 0,00 0,00 0,00
Loteamentos Recentes 0,00 0,00 0,00
Sede Rural 0,20 0,20 0,20
Agricultura 0,30 0,30 0,30
Solo Exposto 0,80 0,80 0,80
Rios 0,00 0,00 0,00

80
6 – ANÁLISE DOS RESULTADOS
6
Neste capítulo são detalhados os resultados obtidos de acordo com a metodologia proposta.
Inicialmente são discutidos o modelo digital de elevação e o mapa de declividade, os quais
fazem parte dos documentos cartográficos básicos necessários ao emprego da metodologia
proposta. Em seguida é analisado o mapa de uso e cobertura do solo, sendo avaliadas as
tendências da ocupação urbana desenvolvida na área. Posteriormente são analisados os
resultados obtidos com a carta geotécnica, compreendendo a caracterização das unidades
geotécnicas identificadas na área de trabalho. Por fim são discutidos os resultados obtidos
com as cartas específicas para a disposição de resíduos e orientação para a exploração de
materiais de construção.

6.1 – MODELO DIGITAL DE ELEVAÇÃO (MDE)

A análise das curvas hipsométricas NW-SE, SW-NE, N-S e E-W (Figuras 6.1 e 6.2), traçadas
sobre o MDE, evidenciam a existência das falésias ao longo das margens do Rio Negro,
resultado do basculhamento do terreno no sentido NE, resultando no soerguimento da região
SW (Figura 6.3). De uma forma geral o relevo da área de trabalho possui uma altitude média
variando entre 50 a 70m, sendo que a nordeste encontra-se os interflúvios tabulares mais altos
com altitudes em torno de 100m. O caminhamento NW-SE é marcado pela presença de
grandes vales, visto que as principais drenagens da região estão no sentido NE-SW. Desta
forma o sentido SW-NE é marcado, na sua maior parte, por uma superfície com baixa
amplitude altimétrica sendo influenciado apenas pelos pequenos vales correspondentes as
drenagens secundárias.

O mapa hipsométrico (Figura 6.4) fornece uma boa visão do arcabouço geomorfológico da
área de trabalho, compreendendo em interflúvios tabulares, intensamente dissecados, com
extensões máximas em torno de 7500m e altitudes variando de 70 a 105m, além de vales
amplos e alargados de fundo plano. Com relação à divisão interna da área, pode-se dizer que

81
as regiões mais elevadas são aquelas que estão a nordeste do bairro da Cidade Nova e a norte
do bairro Jorge Teixeira.

Máx

Médio

Min

Máx

Médio

Min

Máx

Médio

Min

Máx

Médio
Min

Figura 6.1 – Gráficos correspondentes aos perfis do terreno no sentido NW-SE, SW-NE, S-N
e E-W da área.

NW
N

NE

E
W

SW SE

S
Figura 6.2 – Configuração dos perfis.
82
Figura 6.3 – Foto da área próxima ao porto de São Raimundo onde pode ser observada a
formação das falésias.

Ainda segundo esse mapa tem-se que 3,1% da área de trabalho é composta por áreas com
altitudes iguais ou menores que 25 metros, correspondendo às áreas de contato com o Rio
Negro e os principais igarapés que cortam a área. Aproximadamente 18,1% é referente às
áreas com altitudes entre 25 e 40m, correspondendo principalmente as áreas formadas pelas
planícies de inundação e fundos de vale. Cerca de 44,7% da área está inserida no intervalo
entre 40 e 60m, englobando em grande parte as altitudes médias da região. Em torno de
23,5% se encontra entre as altitudes de 60 a 80m, correspondendo às regiões de encosta.
Outros 10,4% encontram-se entre os limites de 80 a 100m e apenas 0,2% apresentam altitudes
superiores à 100m, correspondendo ao topo dos interflúvios tabulares.

Para a obtenção do mapa de declividade foram determinados intervalos que variam de 0 a 2%,
2 a 5%, 5 a 10%, 10 a 20% e >20% (Figura 6.5). Em geral a área de trabalho é plana a
levemente ondulada, com declividades que variam de 0 a 10% em sua maior parte. A
declividade predominante é de 0 a 2% cobrindo 28,3% da área mapeada, seguida pela classe 5
a 10% correspondendo a 24,3% da área, 10 a 20% cobrindo 20,1% da área, 2 a 5%
correspondendo a 14,6% da área e por fim as declividades >20% compõem os 12,7%
restantes. As áreas com maiores declividades se situam a sudeste da região, correspondendo
aos bairros Vila Buriti, Mauazinho, Colônia Antônio Aleixo.

83
Figura 6.4 – Mapa hipsométrico.
84
Figura 6.5 – Mapa de declividade.
85
Em geral, a sazonalidade das chuvas e o alto índice pluviométrico são os principais fatores
modificadores do relevo local. A retirada da vegetação natural, descarga inadequada do
material proveniente dos sistemas de drenagens são outros fatores preponderantes a formação
das grandes erosões na região (Figura 6.6).

Figura 6.6 – Erosão típica da região ocasionada pela alto índice pluviométrico e alteração da
vegetação natural.

6.2 – COBERTURA E USO DA TERRA

O mapa de uso e cobertura da terra além de ser uma importante fonte de informação ao
planejamento urbano e ambiental da região, subsidiou nesta pesquisa a elaboração das cartas
específicas de áreas para a disposição de resíduos e de orientação para exploração de
materiais de construção, a partir do momento em que possibilitou a inclusão dos limites
ambientais nessas análises.

Desta forma, a área de trabalho foi totalmente mapeada na escala 1:25.000, a partir da
interpretação visual das imagens Quickbird, realizada por meio do processo de segmentação
com base no método de crescimento de regiões com parâmetros de similaridade igual a 15 e
de área mínima igual a 25 pixels, aplicado a imagem CBERS-2 com resolução de 20m (Figura
6.7).

86
ESC. 1/5.000

Figura 6.7 – Segmentação da imagem Quickbird com valores de similaridade igual a 15 e área
mínima igual 25.

Os resultados obtidos com as classificações automáticas não foram satisfatórios, apresentando


conflitos entre as classes identificadas, sendo que, avalia-se a dificuldade na discriminação
das classes temáticas a heterogeneidade das feições mapeadas. Desta forma, procedeu-se à
interpretação visual da imagem, mesmo diante da subjetividade implícita a esse procedimento.

No mapeamento elaborado no presente trabalho (Figura 6.8), identificou-se as seguintes


classes de cobertura e uso da terra: floresta ombrófila densa, floresta ombrófila aberta,
capoeira (vegetação secundária), mata de várzea, campo sujo, campo limpo, campo úmido,
agricultura, sede rural, solo exposto, loteamentos recentes, ocupação urbana e ocupação
periurbana.

A classe floresta ombrófila densa representa as áreas cobertas por formação vegetal com
predomínios de árvores de médio a grande porte, pouco espaçadas e sempre verdes, ocupando
uma área de 53,48 km², equivalentes a 15,10% da área de estudo. Essa é a vegetação típica da
região, mas que hoje vem sendo alterada pelos efeitos da ocupação urbana, tendo a Reserva
Ducke como sua principal unidade de conservação na região. Pode-se observar na Figura 6.9a
uma foto representativa desta classe temática e na Figura 6.9b uma amostra retirada da
imagem quickbird, onde fica evidenciada a forma irregular, a cor verde médio escuro e a
textura rugosa.

87
Figura 6.8 – Mapa de uso e cobertura do solo.
88
(a) (b)
Figura 6.9 – a) Foto ilustrativa da unidade (http://www.ambientebrasil.com.br); b) Amostra
retirada da imagem quickbird referente a classe temática floresta ombrófila densa.

A classe floresta ombrófila aberta corresponde às áreas com cobertura vegetal constituída por
árvores de médio a grande porte espaçadas, sendo que na área em que ocupam encontram-se
normalmente cercadas por áreas urbanas. Tais áreas ocupam 15,93 km², cerca de 4,50% da
área de trabalho. Observa-se na Figura 6.10 uma amostra dessa classe temática retirada da
imagem quickbird, onde pode ser vista sua forma irregular, a cor verde clara e a textura
rugosa a lisa.

Figura 6.10 – Amostra retirada da imagem quickbird representativa da classe temática floresta
ombrófila aberta.

A mata de várzea corresponde às áreas cobertas por formação vegetal que acompanha os
córregos e os igarapés da área de estudo, sendo sujeitas às oscilações entre os períodos
chuvosos e secos, permanecendo inundadas nas cheias. Essas áreas ocupam 21,35 km²,
aproximadamente 6,02% da área de estudo, sendo apresentadas na imagem quickbird com
formas irregulares, cor verde escuro a clara e textura muito rugosa, conforme o apresentado
na Figura 6.11.

89
Figura 6.11 – Amostra representativa da classe temática mata de várzea.

A classe capoeira representa as áreas com cobertura vegetais secundárias, em suas diversas
fases. Encontram-se distribuídas ao longo de toda a área de estudo, ocupando uma área de
32,77 km², correspondendo a 9,24%. Na Figura 6.12 é apresentada uma amostra obtida na
imagem quickbird, onde se observa a sua forma irregular, a cor verde médio e rugosidade
média a alta.

Figura 6.12 – Amostra representativa da classe temática capoeira, obtida na imagem


quickbird.

As classes campo sujo, campo limpo e campo úmido correspondem, de uma forma geral, às
áreas com cobertura vegetal rasteira e com raras árvores, sendo diferenciados pelo estado em
que se encontram, ocupando 10,15 km², 10,30 km² e 14,93 km², respectivamente.
Correspondem a um total de 9,98% da área de estudo e normalmente estão próximas das áreas
rurais ou de ocupação periurbana. A classe campo limpo é relacionada às áreas com vegetação
rasteira intensa e com a presença de árvores muito espaçadas, utilizadas normalmente como
pastagens. A classe campo sujo envolve as áreas com variações entre cobertura vegetal e solo
exposto, e a classe campo úmido as áreas de campo sujeitas a alagamentos periódicos.

Na Figura 6.13a, 6.13b e 6.13c podem ser vistas as amostras referentes às classes campo sujo,
campo úmido e campo limpo, respectivamente.
90
(a) (b) (c)
Figura 6.13 – a) campo limpo, forma irregular, cor verde a marrom e textura lisa; b) campo
úmido, forma irregular a arredondada, cor verde médio a escuro e textura lisa a pouco rugosa;
c) campo sujo, forma irregular, cor verde claro e textura lisa a pouco rugosa.

As classes agricultura e sede rural estão relacionadas às áreas de cultivo, correspondendo a


1,56 km² aproximadamente 0,44% da área de estudo (Figura 6.14a e 6.14b).

(a) (b)
Figura 6.14 – a) amostra representativa da classe agricultura; b) amostra relativa a classe sede
rural.

As classes ocupação urbana consolidada e ocupação periurbana estão relacionadas às áreas


cobertas predominante de edificações e malha viária, sendo diferenciada pelo tipo e densidade
de ocupação observada de acordo com a infra-estrutura urbana, tais como a existência de ruas
pavimentadas, pouca presença de solo exposto, entre outros. Ocupam 106,54 km² e 67,10
km², respectivamente, um total de 49,01% da área de estudo. Na Figura 6.15a tem-se uma foto
representativa da área urbana e nas Figuras 6.15b e 6.15c estão as amostras dessas classes
obtidas na imagem quickbird.

91
(a)

(b) (c)
Figura 6.15 – a) Aspecto representado na classe temática ocupação urbana; b) amostra
representativa da classe temática ocupação urbana; c) amostra representativa da classe
temática ocupação periurbana.

A classe solo exposto está relacionada às áreas desprovidas de cobertura vegetal para a
atividade mineira ou para a instalação de loteamentos futuros. Ocupa uma área de 9,38 km²
correspondendo a 2,65% da área de estudo. Na Figura 6.16a tem-se a área oblíqua
representativa do solo exposto e na Figura 6.16b está a amostra dessa classe obtida na imagem
quickbird.

(a) (b)
Figura 6.16 – a) Foto representativa da classe solo exposto; b) amostra representativa da
classe solo exposto.

92
A classe loteamentos recentes é caracterizada pela alternância entre solo exposto e ocupação
urbana, com áreas de entorno sem nenhum tipo de cobertura vegetal. Ocupam 8,54 km²,
correspondendo a 2,41% da área de estudo. Grande parte dessa classe representa o bairro
Nova Cidade, voltado à construção de casas populares e ainda em fase final de conclusão. Na
Figura 6.17a tem-se a foto representativa da classe e na Figura 6.17b a amostra obtida na
imagem quickbird.

(a) (b)
Figura 6.17 – a) Foto representativa da classe loteamento recente; b) amostra da classe obtida
nas imagens quickbird.

Por fim, tem-se a classe rios e lagos correspondendo às áreas ocupadas pelos cursos d’água
distribuídos em toda a área de trabalho, assim como lagos encontrados próximos as áreas de
atividades mineiras.

6.3 – CARACTERIZAÇÃO GEOTÉCNICA DAS UNIDADES DE TERRENO

O conhecimento geológico-geotécnico de uma região tem como objetivo subsidiar a


implementação de obras civis, proporcionando uma redução nos custos da investigação
geotécnica e uma otimização no prazo final de execução da mesma. Neste sentido, o mapa de
unidades de terreno apresenta unidades síntese de características de formas de relevo, solos e
comportamento geotécnico potencial comum, sendo a área de estudo totalmente mapeada na
escala 1:25.000 a partir do emprego da metodologia proposta por este trabalho, resultando na
obtenção de 14 classes geotécnicas individualizadas de acordo com a forma de relevo
predominante e o grau de homogeneidade geotécnica. Como resultado tem-se o mapa de
unidades do terreno (Figura 6.18) em conjunto com as tabelas utilizadas para a caracterização
das unidades (Apêndice A). Na Tabela 6.1 encontra-se as informações referentes a densidade
de dados por unidade geotécnica encontrada.

93
Figura 6.18 – Mapa de unidades do terreno.
94
A compartimentação das unidades de terreno estabeleceu as seguintes classes:
1. Unidade Pps – Platô com superfície plana (Plateau plain surface)
2. Unidade Plw – Platô com superfície levemente ondulada (Plateau surface lightly wavy)
3. Unidade Pfr – Fragmento de platô (Plateau fragment)
4. Unidade Sp – Superficie de ligação entre platôs (Surface between plateaus)
5. Unidade Ta – Terraço aluvionar (Alluvial terrace)
6. Unidade Hcx – Encosta Convexa (Convex hillside)
7. Unidade Hp – Encosta Plana (Plain hillside)
8. Unidade Hcv – Encosta Côncava (Concave hillside)
9. Unidade HcxBcv – Encosta convexa com base côncava (Convex hillside with concave base)
10. Unidade HpTcx – Encosta plana com topo convexo (Convex hillside with plain base)
11. Unidade HcvBcx – Encosta côncava com base convexa (Concave hillside with convex base)
12. Unidade Hdr – Cabeceira de drenagem (Drainage head)
13. Unidade Pfl – Planície de Inundação (Flood plain)
14. Unidade Dva – Fundo de vale (Deep valley)

De uma forma geral, os perfis geotécnicos caracterizados nas unidades foram divididos em
horizonte de solo superficial, crosta, horizonte argiloso, horizonte transicional e impenetrável
(Figura 6.19).

Tabela 6.1– Densidade dos dados, na forma de relatórios de sondagens por unidade geoténica
Número de Relatórios de Área da Unidade Densidade dos Dados
Unidades Geotécnicas
Sondagens (km²) (km²/sondagem)
Pps (Platô com superfície plana) 08 5,45 0,68
Plw (Platô com superfície levemente ondulada) 19 50,63 2,66
Pfr (Fragmento de platô) 07 17,86 2,54
Sp (Superfície de ligação entre platôs) 04 3,47 0,85
Ta (Terraço aluvionar) 04 7,93 1,98
Hcx (Encosta convexa) 26 47,18 1,81
Hp (Encosta plana) 15 29,82 1,99
Hcv (Encosta côncava) 06 22,56 3,76
HcxBcv (Encosta convexa e base côncava) 05 22,36 4,47
HpTcx (Encosta plana com topo convexo) 08 36,74 4,59
HcvBcx (Encosta côncava com base convexa) 20 27,95 1,39
Hdr (Cabeceiras de drenagens) 06 9,41 1,56
Pfl (Planície de inundação) 25 56,41 2,25
Dva (Fundo de vale) 14 16,25 1,16
TOTAL 167 354,02 2,12

95
SOLO SUPERFICIAL
Horizonte constituído predominantemente por argilas lateríticas,
com coloração amarela a vermelha, com consistência de mole a rija
e espessura variando entre 5 e 15 metros.

CROSTA
Crosta ferruginosa constituída por argila laterizada, apresentando
contato abrupto com os horizontes adjacentes, com espessuras que
variam de 0,5 a 2,0 metros.

ARGILOSO
Horizonte formado por argilas arenosas, de coloração vermelha a
amarela, com consistências indo de muito mole a rija e espessuras
que podem chegar a 15 metros.

TRANSICIONAL
Horizonte formado por areias argilosas de coloração vermelha a
branca, com compacidade variando de fofa a compacta e espessuras
variando entre 2 e 20 metros.

IMPENETRÁVEL
Horizonte formado por um arenito argiloso de coloração vermelha
e impenetrável pela sondagem à percussão.
Observação:
- Qualquer horizonte de solo pode ocorrer como solo superficial, como quando ocorre a exposição do horizonte impenetrável sem o
horizonte pedológico evoluído, principalmente em encostas íngremes e próximos às drenagens, estando exposto naturalmente em
superfície, condicionado por sua posição no relevo (topo, encosta e vale) e pela unidade de terreno a que pertence.
- Considerou-se solo como todo o material inconsolidado que forma o perfil.

Figura 6.19 – Classificação adotada na análise do perfil geotécnico.

Em sua grande maioria, a caracterização do material inconsolidado de superfície resultou na


classificação segundo a metologia MCT no grupo LG’, composto pelas argilas lateríticas e
argilas arenosas lateríticas, e pela SUCS no grupo CH composto pelas argilas plásticas
(Tabela 6.2). De acordo com Lima (1999), esses solos em geral são compostos por caulinita
sendo o mineral argílico predominante e, em alguns casos, pelo quartzo nas áreas onde há a
exposição dos horizontes mais profundos, sendo que, de uma forma geral, a porcentagem de
argila presente no solo tende a diminuir em relação à profundidade.

96
Tabela 6.2 – Classificação obtida para os materiais inconsolidados de superfície.

Unidade Metodologia Metodologia


Geotécnica MCT SUCS
Pps LG’ CH
Plw LG’ CH
Pfr NG’ CH
Sp LG’ CH
Ta NG’ CH
Hcx LG’ CH
Hp LG’ CH
Hcv LG’ CH
HcxBcv NG’ CH
HcxBp LG’ CH
HcvBcx LG’ CH
Hdr NA’ CL
Pfl LA’ CL
Dva LA’ CL
NA’ – areias siltosas e areias argilosas não-lateríticas / NG’ – argilas, argilas siltosas e argilas arenosas não-lateríticas / LA’ – areias argilosas
lateríticas / LG’ – argilas lateríticas e argilas lateríticas arenosas / CL – argila pouco plástica / CH – argila muito plástica.

6.3.1 – UNIDADE DE TERRENO Pps (Platô com superfície plana)

Esta unidade é representada pelas áreas formadas pelos platôs de topo aplainados,
correspondendo a 5,45 km² aproximadamente 1,54% da área total de estudo, englobando as
regiões com cotas superiores a 80 metros e declividades predominantemente na classe de 0 a
2%. As áreas mais expressivas desta unidade estão localizadas a leste da área estudada.
Normalmente, apresentam-se na forma de espigões ou morros testemunhos inseridos entre os
interflúvios tabulares, delimitados por encostas íngremes.

A análise dos relatórios de sondagens resultou na delimitação de 3 horizontes de solo


correspondendo ao solo superficial, crosta e argiloso, não sendo verificados a existência dos
dois últimos (transicional e impenetrável) devido a escassez de informações em grandes
profundidades. Com base nos horizontes identificados, foi realizada a análise estatística dos
Nspt obtendo o perfil geotécnico com valores típicos de SPT (Figura 6.20).

97
Nspt
0 10 20 30
0,0 0

HORIZONTE 1.A
Horizonte composto por argilas amarelas a
vermelhas, com espessura média de 7m,
impermeável e consistência variando de média a
rija.
5,0

7,0 HORIZONTE 1.B


Horizonte composto por argila laterizada vermelha,
com espessura média de 1,5m, pouco permeável e
8,5 consistência variando de média a rija.

10,0 HORIZONTE 1.C


Horizonte composto por argila arenosa vermelha a
branca, com espessura média maior que 4,5m,
pouco permeável e consistência média.
Z (m)

13
M éd io M ínimo M áximo

Figura 6.20 – Caracterização do perfil geotécnico da unidade de terreno Pps.

A partir da caracterização da unidade foi possível traçar o seu comportamento em relação à


suscetibilidade aos riscos geológicos e a adequabilidade das áreas contidas nestas unidades
para os diversos usos de interesse a engenharia, resultando na Tabela 6.3.

Tabela 6.3 – Tabela com os resultados de adequabilidade da unidade Pps.

Erosão Não Susceptível 0,23


Riscos Geológicos Inundação Susceptível 0,50
Movimentos de Massa Não Susceptível 0,23
Loteamento Média 0,70
Adequabilidade para
Estradas Média 0,62
uso na engenharia
Disposição de Resíduos Média 0,60
Argila Favorável 0,74
Exploração dos
Areia Não Favorável 0,15
Recursos Naturais
Cascalho Pouco Favorável 0,40

98
De uma forma geral, a unidade é susceptível à inundação, fato esse condicionado pela baixa
drenabilidade por escoamento superficial, pela baixa amplitude de relevo e pela superfície
plana que caracteriza o mesmo. Quanto a sua adequabilidade para uso na engenharia, a
unidade apresenta-se favorável à implantação de estradas, loteamento e disposição de
resíduos, graças ao grau de consistência da camada superficial e a grande profundidade em
que se encontra o lençol freático. A unidade também apresenta condições favoráveis à
exploração do material argiloso, condicionada pela presença da argila como camada
superficial, o que reduz substancialmente o custo de exploração.

6.3.2 – UNIDADE DE TERRENO Plw (Platô com superfície levemente ondulada)

A feição geomorfológica dominante na unidade são os platôs com topo levemente ondulado
(Figura 6.18), correspondendo a 50,63 km², aproximadamente 14,3 % da área de trabalho. De
uma forma geral, estas áreas estão inseridas entre as cotas 60 e 80 metros e apresentam
declividades que variam de 2 a 5%. Esta unidade encontra-se distribuída em toda a área de
estudo representando os interflúvios tabulares com comprimentos que podem chegar aos 5000
metros. A análise dos relatórios de sondagem resultou na delimitação de 5 horizontes de solo,
caracterizando um perfil geotécnico completo de acordo com o perfil típico adotado. Desta
forma e a partir da análise estatística dos Nspt obteve-se a tendência do comportamento do
mesmo (Figura 6.21).

A análise geotécnica das informações contidas na tabela de caracterização da unidade


possibilitou o estudo da sua adequabilidade para as obras de engenharia (loteamento e
estradas) e para a disposição de resíduos, e da sua suscetibilidade aos riscos geológicos, tais
como erosão, inundação e movimentos de massa (Tabela 6.4). Isto posto, conclui-se então que
a unidade está pouco sujeita à inundação, ainda que condicionada pelo caráter impermeável
proporcionada pelo solo superficial; alto potencial à implantação de obras civis,
principalmente devido à baixa erodibilidade do solo superficial e pelo grau de consistência do
solo no seu estado natural. Também é favorável a exploração de material argiloso graças à
disponibilidade desse material na camada mais superficial da unidade.

99
Nspt
0 10 20 30 40 50
0 0

HORIZONTE 2.A
Horizonte composto por argilas amarelas a vermelhas,
com espessura média em torno de 7,5 m, impermeável
5 e consistência variando de média a rija.
HORIZONTE 2.B
7,5 Horizonte composto por argila laterizada vermelha,
com espessura média de 1,5 m, pouco permeável e
9,0 consistência rija.
10
HORIZONTE 2.C
Horizonte composto por argila arenosa vermelha a
branca, com espessura média maior que 5,5 m, pouco
permeável e consistência muito mole a média.
14,5
15

HORIZONTE 2.D
Horizonte composto por areia argilosa vermelha a
branca, com espessura média em torno de 9,5m,
20 permeável e compacidade indo de pouco a
medianamente compacta.
Z (m)

24 HORIZONTE 2.E
M édio M inimo M aximo Horizonte composto pelo arenito argiloso vermelho,
impermeável e impenetrável.
Figura 6.21 - Caracterização do perfil geotécnico da unidade de terreno Plw.

Tabela 6.4 – Tabela com os resultados de adequabilidade da unidade Plw

Erosão Pouco Suscept. 0,28


Riscos Geológicos Inundação Pouco Suscept. 0,40
Movimentos de Massa Pouco Suscept. 0,41
Loteamento Média 0,72
Adequabilidade para
Estradas Média 0,61
uso na engenharia
Disposição de Resíduos Média 0,59
Argila Favorável 0,70
Exploração dos
Areia Não Favorável 0,11
Recursos Naturais
Cascalho Pouco Favorável 0,36

100
6.3.3 – UNIDADE DE TERRENO Pfr (Fragmento de platô)

O relevo desta unidade é composto por pequenos fragmentos de platôs, localizados


isoladamente ao longo das encostas se configurando em uma porção mais rebaixada dos
platôs, correspondendo a 17,80 km², aproximadamente 5,02 % da área de estudo. Em sua
grande maioria está distribuído na faixa hipsométrica que vai de 40 a 60 metros, e apresenta
declividade do seu topo variando entre 5 e 10%, que o caracteriza com uma superfície
levemente ondulada a ondulada. A análise do perfil geotécnico representado nas sondagens
permitiu a delimitação de 3 horizontes de solo correspondente ao argiloso, transicional e
impenetrável, não havendo representações dos horizontes superficial e crosta, principalmente
devido a sua posição no relevo (Figura 6.22). Em alguns locais contidos nesta unidade, ocorre
o afloramento do horizonte transicional devido principalmente à variação da amplitude de
relevo, como é o caso na avenida Constantino Nery.

Nspt
0 10 20 30
0 0

HORIZONTE 3.A
Horizonte composto por argila arenosa, amarela a
vermelha, com espessura média maior que 6,0m,
pouco permeável e consistência variando de mole a
5 média.
6

10 HORIZONTE 3.B
Horizonte composto por areia média a areia argilosa,
vermelha a branca, com espessura média de 9,0 m,
permeável e compacidade fofa a medianamente
compacta.
Z(m)

15 HORIZONTE 3.C
15
Horizonte composto pelo arenito argiloso vermelho,
M éd io M ínimo M áximo impermeável e impenetrável.

Figura 6.22 – Caracterização do perfil geotécnico da unidade de terreno Pfr.

101
Em relação à suscetibilidade aos riscos geológicos, a unidade mostra-se suscetível em relação
à erosão dos solos, principalmente devido à textura e a fraca consistência do material
inconsolidado de superfície. Desta forma, apresenta um baixo potencial para uso na
engenharia e para a exploração de recursos naturais. Estas informações encontram-se
condensadas na Tabela 6.5.

Tabela 6.5 – Tabela com os resultados de adequabilidade da unidade Pfr

Erosão Susceptível 0,57


Riscos Geológicos Inundação Pouco Suscept. 0,43
Movimentos de Massa Pouco Suscept. 0,46
Loteamento Má 0,45
Adequabilidade para
Estradas Má 0,39
uso na engenharia
Disposição de Resíduos Má 0,49
Argila Pouco Favorável 0,43
Exploração dos
Areia Pouco Favorável 0,43
Recursos Naturais
Cascalho Não Favorável 0,08

6.3.4 – UNIDADE DE TERRENO Sp (Superfície de ligação entre platôs)

Esta unidade representa as áreas correspondentes às superfícies rebaixadas caracterizadas pela


irregularidade de seu topo, que fazem a ligação entre os platôs e correspondem a 3,4 km² da
área de estudo, menos de 1% da área total de trabalho. Em sua grande maioria configuram-se
na faixa hipsométrica entre os 40 e 80 metros, com declividades variando entre 5 a 10%.
Foram identificados cinco horizontes de solo de acordo com o perfil típico adotado, ou seja, o
horizonte de solo superficial, crosta, argiloso, transicional e impenetrável (Figura 6.23). A
análise estatística dos relatórios de sondagens em conjunto com a análise geotécnica dos
atributos disponibilizados na tabela de caracterização da unidade, permitiu estabelecer as
condições geotécnicas da mesma para o uso na engenharia, conforme o descrito na Tabela 6.6.

De acordo com a Tabela 6.4 a unidade apresenta-se pouco susceptível aos riscos geológicos e,
portanto se mostra favorável à implantação de loteamentos e estradas, devido principalmente
a grande profundidade do lençol freático o que reduz substancialmente o risco ambiental.

102
Apresenta potencial para a exploração de material argiloso para a utilização como material de
construção (cerâmica), graças à disponibilidade desse material no horizonte superficial.
Nspt
0 10 20 30
0 0
HORIZONTE 4.A
Horizonte composto por argilas amarelas a vermelhas,
com espessura média em torno de 5,0 m, impermeável
e consistência variando de média a rija.

5 HORIZONTE 4.B
5
Horizonte composto por argila laterizada amarela,
6,5 com espessura média de 1,5 m, pouco permeável e
consistência rija.
HORIZONTE 4.C
Horizonte composto por argila arenosa vermelha a
branca, com espessura média de 5,5 m, pouco
10 permeável e consistência média a rija.

12

HORIZONTE 4.D
15 Horizonte composto por areia argilosa vermelha a
branca, com espessura média em torno de 7,0 m,
permeável e medianamente compacta.
Z(m)

19 HORIZONTE 4.E
Horizonte composto pelo arenito argiloso vermelho,
M édio minimo M aximo impermeável e impenetrável.

Figura 6.23 - Caracterização do perfil geotécnico da unidade de terreno Sp.

Tabela 6.6 – Tabela com os resultados de adequabilidade da unidade Sp

Erosão Pouco Suscept. 0,38


Riscos Geológicos Inundação Pouco Suscept. 0,40
Movimentos de Massa Pouco Suscept. 0,47
Loteamento Média 0,51
Adequabilidade para
Estradas Média 0,53
uso na engenharia
Disposição de Resíduos Má 0,48
Argila Favorável 0,59
Exploração dos
Areia Não Favorável 0,08
Recursos Naturais
Cascalho Pouco Favorável 0,33

103
6.3.5 – UNIDADE DE TERRENO Ta (Terraço aluvionar)

Esta unidade é constituída por terraços aluvionares resultado do basculamento da região para
nordeste, formando uma região em nível mais alto do que a planície inundação atual. Ocupa
aproximadamente 7,9 km², cerca de 2,2% da área total de trabalho, sendo caracterizada pela
superfície plana com declividades menores que 2% e baixas amplitudes de relevo, variando de
5 a 10 metros. Em sua grande maioria, encontra-se em cotas intermediárias entre 25 a 40
metros. As análises geotécnica e estatística realizadas com bases nos dados dos relatórios de
sondagem permitiu definir três horizontes de solo correspondentes às últimas camadas, sendo
eles o argiloso, o transicional e o impenetrável. Ainda sim, foi possível estabelecer uma
tendência para o andamento do Nspt em relação à profundidade, de acordo com o
demonstrado na Figura 6.24.

Nspt
0 10 20 30 40
0 0

HORIZONTE 5.A
Horizonte composto por argila arenosa, vermelha a
amarela, com espessura média de 6,0m, pouco
permeável e consistência variando de muito mole a
média.
5
6

HORIZONTE 5.B
Horizonte composto por areia média a areia argilosa,
vermelha, com espessura média de 9,0 m, permeável e
10
compacidade fofa a compacta.
Z (m)

HORIZONTE 5.C
Horizonte composto pelo arenito argiloso vermelho,
15 15
impermeável e impenetrável.
M éd io minimo maximo

Figura 6.24 - Caracterização do perfil geotécnico da unidade de terreno Ta.

104
Caracteriza-se pela alta suscetibilidade a inundação, devido principalmente a condição plana
de sua superfície e pela baixa altitude em relação aos cursos de drenagem. Não é adequada a
implantação de loteamentos, estradas e a disposição de resíduos, principalmente pela baixa
consistência do material inconsolidado e pela proximidade do lençol freático da superfície.
Tem potencial para a exploração de material argiloso e arenoso, sendo que esse último fica
condicionado as áreas onde há exposição desse material (Tabela 6.7).

Tabela 6.7 – Tabela com os resultados de adequabilidade da unidade Ta

Erosão Pouco Suscept. 0,47


Riscos Geológicos Inundação Muito Suscept. 0,83
Movimentos de Massa Pouco Suscept. 0,26
Loteamento Má 0,48
Adequabilidade para
Estradas Má 0,44
uso na engenharia
Disposição de Resíduos Má 0,45
Argila Favorável 0,50
Exploração dos
Areia Favorável 0,54
Recursos Naturais
Cascalho Não Favorável 0,15

6.3.6 – UNIDADE DE TERRENO Hcx (Encosta convexa)

As feições geomorfológicas predominantes nesta unidade são as encostas convexas, que de


uma forma geral, tendem a perder maiores volumes de solo durante a ação dos processos
erosivos. Ocupa 44,5 km², correspondendo a 12,55% da área de estudo e caracteriza-se pela
elevada amplitude de relevo variando entre 20 a 40 metros e pela alta declividade, que pode
atingir valores maiores que 20% próximo a base destas encostas. Em sua grande maioria
configuram-se na faixa hipsométrica entre os 40 e 80 metros.

A análise geotécnica dos relatórios de sondagem resultou na caracterização dos cinco


horizontes de solo: solo superficial, crosta, argiloso, transicional e impenetrável (Figura 6.25).
Vale ressaltar que em regiões de cotas menores existe a maior probabilidade da exposição do
horizonte argiloso, devido principalmente a erosão dos horizontes mais superficiais. A análise
estatística realizada com os Nspt referentes às camadas de solo deu origem ao perfil típico de
SPT da unidade. A partir desse perfil pode-se observar que ao longo do horizonte 6.A

105
ocorrem incrementos positivos do Nspt em relação a profundidade. Nos horizontes 6.C e 6.D
são verificadas poucas variações nos valores de SPT, sendo que neste último são vistos os
incrementos positivos mais substanciais entre essas duas camadas.

A unidade apresenta baixa erodibilidade dos solos, principalmente devido à elevada


consistência da camada superficial. Apresenta baixo potencial para uso na engenharia,
condição estabelecida pela declividade acentuada desta encosta. Apresenta restrições em
relação à exploração de recursos naturais devido ao elevado custo de sua exploração,
condicionado pela declividade acentuada, somando-se a pequena espessura do material
inconsolidado (Tabela 6.8).

Nspt
0 10 20 30 40
0 0 HORIZONTE 6.A
Horizonte composto por argilas vermelhas a
amarelas, com espessura média em torno de 4,5 m,
impermeável e consistência variando de rija a dura.
4,5 HORIZONTE 6.B
5 5,5 Horizonte composto por argila laterizada vermelha,
com espessura média de 1,0 m, pouco permeável e
consistência média.

10
HORIZONTE 6.C
Horizonte composto por argila arenosa vermelha a
branca, com espessura média de 10,5 m, pouco
permeável e consistência média.
15
16

20 HORIZONTE 6.D
Horizonte composto por areia argilosa vermelha a
branca, com espessura média em torno de 11,0 m,
permeável e medianamente compacta.
25
HORIZONTE 6.E
Z (m)

27
Horizonte composto pelo arenito argiloso vermelho,
impermeável e impenetrável.
M édio M inimo M aximo

Figura 6.25 - Caracterização do perfil geotécnico da unidade de terreno Hcx.

106
Tabela 6.8 – Tabela com os resultados de adequabilidade da unidade Hcx

Erosão Pouco Suscept. 0,48


Riscos Geológicos Inundação Não Susceptível 0,23
Movimentos de Massa Susceptível 0,62
Loteamento Má 0,39
Adequabilidade para
Estradas Má 0,38
uso na engenharia
Disposição de Resíduos Má 0,45
Argila Pouco Favorável 0,49
Exploração dos
Areia Não Favorável 0,08
Recursos Naturais
Cascalho Não Favorável 0,24

6.3.7 – UNIDADE DE TERRENO Hp (Encosta plana)

É constituída por encostas planas formadas a partir de processos atuantes nos solos argilosos,
constituintes dos horizontes de solo superficial e argiloso. Ocupa cerca de 28,54 km²,
aproximadamente 8% da área de trabalho, sendo caracterizada por declividades variando entre
10 a 20% e amplitude de relevo variando entre 20 e 40 metros, dentro da faixa hipsométrica
de 40 a 80 metros. A análise geotécnica dos relatórios de sondagem e estatística dos Nspt
referentes aos horizontes resultou na caracterização do perfil geotécnico e na elaboração da
curva de tendência de Nspt em relação à profundidade, conforme mostra a Figura 6.26. A
curva apresenta substanciais crescimentos de Nspt até a cota -3,0m, a partir da qual revelam-
se pequenas variações desse atributo nesta camada. Ao longo dos horizontes argiloso e
transicional são observadas pequenas variações no valor de Nspt.

Esta unidade é pouco influenciada pela erodibilidade dos solos e pela inundação, mas está
sujeita aos movimentos de massa principalmente devido a amplitude de relevo e a
declividade. Apresenta baixa potencialidade para a implantação de loteamentos e estradas,
além de inadequadas à disposição de resíduos, devido a fatores como o alto nível freático e a
possibilidade de inundação. Em locais onde há a exposição do material argiloso e com
condições ambientais favoráveis é possível a exploração desse recurso, sem custos
dispendiosos (Tabela 6.9).

107
Nspt
0 10 20 30
0 0

HORIZONTE 7.A
Horizonte composto por argilas amarelas a vermelhas,
com espessura média em torno de 6,0 m, impermeável e
consistência variando de média a rija.
5
6 HORIZONTE 7.B
Horizonte composto por argila laterizada amarela a
7 vermelha, com espessura média de 1,0 m, pouco
permeável e consistência média.
HORIZONTE 7.C
10
Horizonte composto por argila arenosa amarela a
branca, com espessura média de 7,0 m, pouco
permeável e consistência média.

14
15
HORIZONTE 7.D
Horizonte composto por areia argilosa vermelha a
branca, com espessura média em torno de 8,0 m,
permeável e compacidade fofa a medianamente
20
compacta.
Z ( m)

22 HORIZONTE 7.E
Horizonte composto pelo arenito argiloso vermelho,
M édio M inimo M aximo impermeável e impenetrável.

Figura 6.26 - Caracterização do perfil geotécnico da unidade de terreno Hp.

Tabela 6.9 – Tabela com os resultados de adequabilidade da unidade Hp

Erosão Pouco Suscept. 0,38


Riscos Geológicos Inundação Pouco Suscept. 0,25
Movimentos de Massa Susceptível 0,55
Loteamento Má 0,43
Adequabilidade para
Estradas Má 0,42
uso na engenharia
Disposição de Resíduos Má 0,34
Argila Favorável 0,63
Exploração dos
Areia Não Favorável 0,04
Recursos Naturais
Cascalho Pouco Favorável 0,29

108
6.3.8 – UNIDADE DE TERRENO Hcv (Encosta côncava)

Esta unidade é representada pelas encostas côncavas ocupando aproximadamente 22,56 km²,
cerca de 6,3% da área de estudo, apresentando-se em variadas cotas, com valores entre 25 e
80 metros, tendo como características gerais a elevada amplitude de relevo, variando entre 20
e 40m e acentuadas declividades, com valores maiores que 20%. A análise dos relatórios de
sondagem permitiu a verificação de três horizontes de solo na unidade, não sendo encontrado
referências do horizonte transicional e impenetrável (Figura 6.27). A curva de tendência
elaborada a partir da análise estatística permitiu verificar um aumento substancial no valor do
Nspt ao longo do horizonte 8.B, proporcionado pelo processo de laterização da argila. A partir
da cota -6m essa curva apresenta relativa constância nos valores de Nspt, atingindo os
menores índices para esse atributo na transição para o horizonte mais profundo.
Nspt
0 10 20 30 40
0 0

HORIZONTE 8.A
Horizonte composto por argilas amarelas a vermelhas,
com espessura média em torno de 4,0 m, impermeável
e consistência média.

4 HORIZONTE 8.B
Horizonte composto por argila laterizada amarela a
5 vermelha, com espessura média de 1,0 m, pouco
5
permeável e consistência dura.

HORIZONTE 8.C
Horizonte composto por argila arenosa vermelha a
branca, com espessura média de 6,0 m, pouco
permeável e consistência mole a dura.
10
Z (m)

12
M édio minimo maximo

Figura 6.27 - Caracterização do perfil geotécnico da unidade de terreno Hcv.

Na Tabela 6.10 estão sintetizadas as principais características relacionadas à avaliação do


terreno. De acordo com esta tabela, a unidade é susceptível à erosão e aos movimentos de
109
massa devido principalmente à alta declividade de sua superfície e elevada amplitude de
relevo, sendo que, desta forma, se configura com baixo potencial para as obras de engenharia
e para a disposição de resíduos. Devido à pequena espessura do horizonte de argila, apresenta-
se pouco favorável à exploração desse material.

Tabela 6.10 – Tabela com os resultados de adequabilidade da unidade Hcv

Erosão Susceptível 0,55


Riscos Geológicos Inundação Não Susceptível 0,25
Movimentos de Massa Susceptível 0,72
Loteamento Má 0,29
Adequabilidade para
Estradas Má 0,28
uso na engenharia
Disposição de Resíduos Não Adequada 0,20
Argila Pouco Favorável 0,48
Exploração dos
Areia Não Favorável 0,08
Recursos Naturais
Cascalho Pouco Favorável 0,25

6.3.9 – UNIDADE DE TERRENO HcxBcv (Encosta convexa com base côncava)

Esta unidade é representada pelas encostas convexas e suas porções média e alta com base
côncava, sendo que essa forma é originada devido à transição entre materiais com
características diferentes. Ocupam cerca de 22,36 km², aproximadamente 6,31% da área de
estudo, apresentando-se normalmente entre as cotas 40 e 60 metros, tendo como
características gerais à amplitude de relevo variando entre 15 e 20m e o relevo acidentado
com valores de declividade variando entre 10 e 20%. A partir da análise dos relatórios de
sondagem foi possível caracterizar os horizontes geotécnicos da unidade, sendo identificados
três camadas: horizonte argiloso, horizonte transicional e impenetrável (Figura 6.28). Nesta
unidade os horizontes mais superficiais não ocorrem, provavelmente devido a atuação dos
processos erosivos sobre essas camadas em conseqüência da sua posição no relevo. O perfil
típico de SPT obtido por análise estatística das sondagens realizadas dentro desta unidade,
apresentou uma tendência quase linear de crescimento do valor Nspt de acordo com a
profundidade.

De uma forma geral, a unidade é suscetível aos processos erosivos e aos movimentos de
massa principalmente devido aos altos valores de declividade e amplitude de relevo, e pelos
110
mesmos motivos não é adequada para implantação de obras civis. A exploração dos recursos
naturais não é recomendada, devido às peculiaridades do relevo e pela inexistência de um
material mais adequado para utilização como material de construção. Na Tabela 6.11
encontra-se sintetizada a avaliação do terreno da unidade.
Nspt
0 10 20 30 40
0 0

HORIZONTE 9.A
Horizonte composto por argila arenosa vermelha a
branca, com espessura média de 8,0 m, pouco
5 permeável e consistência mole a rija.

10

HORIZONTE 9.B
Horizonte composto por areia argilosa vermelha, com
espessura média em torno de 9,0 m, permeável e
compacidade média a compacta.

15
Z (m)

17 HORIZONTE 9.C
Horizonte composto pelo arenito argiloso vermelho,
M édio minimo maximo impermeável e impenetrável.

Figura 6.28 - Caracterização do perfil geotécnico da unidade de terreno HcxBcv.

Tabela 6.11 – Tabela com os resultados de adequabilidade da unidade HcxBcv

Erosão Susceptível 0,54


Riscos Geológicos Inundação Não Susceptível 0,23
Movimentos de Massa Susceptível 0,54
Loteamento Má 0,43
Adequabilidade para
Estradas Má 0,42
uso na engenharia
Disposição de Resíduos Má 0,46
Argila Pouco Favorável 0,43
Exploração dos
Areia Pouco Favorável 0,43
Recursos Naturais
Cascalho Não Favorável 0,04

111
6.3.10 – UNIDADE DE TERRENO HpTcx (Encosta plana com topo convexo)

É constituída pelas encostas planas de topo convexo, ocupando aproximadamente 35,83 km²
cerca de 10,1% da área total de trabalho. De uma forma geral a unidade pode ser caracterizada
pela moderada amplitude de relevo, variando entre 15 e 20 metros e com valores de
declividades variando entre 10 e 20%. Em sua grande maioria apresenta-se entre as faixas
hipsométricas de 40 a 80 metros.

A análise dos relatórios de sondagem permitiu a caracterização dos cinco horizontes de solo,
mas vale ressaltar que em algumas áreas de ocorrência observa-se a exposição do horizonte
argiloso devido a sua posição no relevo (Figura 6.29). O perfil típico de SPT apresenta nos
primeiros metros consistências variando de média a rija, atingindo discretas reduções entre os
horizontes crosta e argiloso e alcançando pequenos incrementos positivos no horizonte
transicional.

Nspt
0 10 20 30
0 0 HORIZONTE 10.A
Horizonte composto por argilas amarelas a
vermelhas, com espessura média em torno de 4,0 m,
impermeável e consistência variando de média a rija.

4 HORIZONTE 10.B
5 5 Horizonte composto por argila laterizada amarela a
vermelha, com espessura média de 1,0 m, pouco
permeável e consistência média.

HORIZONTE 10.C
10 Horizonte composto por argila arenosa vermelha a
branca, com espessura média de 10,0 m, pouco
permeável e consistência mole a média.

15 15

HORIZONTE 10.D
Horizonte composto por areia argilosa vermelha,
com espessura média em torno de 6,0 m, permeável e
medianamente compacta.
20
HORIZONTE 10.E
Z (m)

21
Horizonte composto pelo arenito argiloso vermelho,
impermeável e impenetrável.
M édio minimo maximo

Figura 6.29 - Caracterização do perfil geotécnico da unidade de terreno HpTcx.


112
De acordo com a avaliação do terreno da unidade, essa se caracteriza como pouco susceptível
a erosão e aos movimentos de massa, fato este condicionado pela pequena espessura do
material inconsolidado de superfície e pelos altos índices de declividade. Apresenta-se
favorável à implantação de loteamentos e pouco favorável a estradas e a disposição de
resíduos, conseqüência dos fatores anteriormente citados (Tabela 6.12).

Tabela 6.12 – Tabela com os resultados de adequabilidade da unidade HpTcx

Erosão Pouco Suscept. 0,43


Riscos Geológicos Inundação Não Susceptível 0,20
Movimentos de Massa Susceptível 0,55
Loteamento Média 0,52
Adequabilidade para
Estradas Má 0,46
uso na engenharia
Disposição de Resíduos Má 0,38
Argila Favorável 0,55
Exploração dos
Areia Não Favorável 0,04
Recursos Naturais
Cascalho Pouco Favorável 0,29

6.3.11 – UNIDADE DE TERRENO HcvBcx (Encosta côncava com base convexa)

Formada por encostas de topo côncavo e base convexa com altimetria variando entre 40 a 80
metros, ocupando cerca de 27,95 km² aproximadamente 7,89% da área de trabalho, se
concentrando principalmente na região central da área de estudo. Caracteriza-se pela
amplitude de relevo elevada, variando entre 20 e 40 metros e por declividades moderadas com
valores entre 10 e 20%. A unidade teve os cinco horizontes de solo caracterizados de acordo
com textura, grau de consistência ou compacidade e cor. A análise do perfil típico de SPT
revela o acréscimo de resistência ao longo do horizonte 11.B, reflexo da laterização da argila,
que ao atingir o horizonte argiloso é marcado pela constância no valor de Nspt. Ao longo do
horizonte transicional se observa pequenos incrementos nos valores de Nspt até a cota -15m e
pequenas reduções entre as cotas -19 e 23m (Figura 6.30).

A unidade apresenta-se susceptível aos movimentos de massa, devido principalmente a


grande amplitude de relevo e as grandes declividades. Susceptível a formação de erosões, fato
este condicionado pela pequena espessura do material inconsolidado de superfície e pelos
113
altos índices de declividade, sendo que desta forma se mostra pouco favorável à instalação de
obras civis. Favorável a exploração de recursos naturais, sendo a argila e o cascalho os
materiais mais representativos (Tabela 6.13).
Nspt
0 10 20 30 40 HORIZONTE 11.A
0 0 Horizonte composto por argilas amarelas a
vermelhas, com espessura média em torno de 2,0 m,
impermeável e consistência média.
2
3 HORIZONTE 11.B
Horizonte composto por argila laterizada vermelha,
com espessura média de 1,0 m, pouco permeável e
5 consistência rija.
HORIZONTE 11.C
Horizonte composto por argila arenosa vermelha a
branca, com espessura média de 10,0 m, pouco
permeável e consistência média a rija.
10

13

15
HORIZONTE 11.D
Horizonte composto por areia argilosa vermelha a
branca, com espessura média em torno de 10,0 m,
permeável e pouco a medianamente compacta.
20
Z (m)

23 HORIZONTE 11.E
Horizonte composto pelo arenito argiloso vermelho,
M éd io M inimo M aximo impermeável e impenetrável.

Figura 6.30 - Caracterização do perfil geotécnico da unidade de terreno HcvBcx.

Tabela 6.13 – Tabela com os resultados de adequabilidade da unidade HcvBcx

Erosão Susceptível 0,50


Riscos Geológicos Inundação Não Susceptível 0,23
Movimentos de Massa Susceptível 0,65
Loteamento Má 0,38
Adequabilidade para
Estradas Má 0,36
uso na engenharia
Disposição de Resíduos Má 0,30
Argila Favorável 0,51
Exploração dos
Areia Não Favorável 0,19
Recursos Naturais
Cascalho Pouco Favorável 0,29

114
6.3.12 – UNIDADE DE TERRENO Hdr (Cabeceiras de drenagens e anfiteatros)

Unidade composta pelas cabeceiras de drenagens e anfiteatros caracterizadas por serem áreas
muito favoráveis à instalação de processos erosivos, por se tratarem de setores que
naturalmente apresentam elevados gradientes hidráulicos subterrâneos e superficiais, onde se
enquadram solos que permitam um escoamento subsuperficial. Ocupam cerca de 9,41 km²,
aproximadamente 2,65% da área de estudo, situando-se principalmente entre as cotas
hipsométricas de 25 a 40 metros. Apresenta moderada amplitude de relevo com valores
variando entre 15 e 20 metros e declividades entre 5 e 10%. A análise dos relatórios de
sondagem resultou na caracterização de 3 horizontes de solos, sendo eles o horizonte argiloso,
transicional e impenetrável (Figura 6.31). O perfil típico de SPT reflete a baixa consistência
desses solos, principalmente no que se refere ao horizonte argiloso apresentando perdas
substanciais com a presença do lençol freático. No horizonte transicional observa-se
incrementos positivos no Nspt, com relativa queda nos 4,0 metros sobrejacentes ao horizonte
impenetrável.
Nspt
0 5 10 15 20 25 30
0 0

HORIZONTE 12.A
Horizonte composto por argila arenosa amarela a branca
com a ocorrência de camadas de areia fina a média
branca, espessura média de 4,0 m, pouco permeável e
consistência muito mole a mole.

HORIZONTE 12.B
Horizonte composto por areia argilosa vermelha a
branca, com espessura média em torno de 5,0 m,
permeável e pouco a medianamente compacta.
Z (m)

HORIZONTE 12.C
9 Horizonte composto pelo arenito argiloso vermelho,
impermeável e impenetrável.
M éd io M inimo M aximo

Figura 6.31 - Caracterização do perfil geotécnico da unidade de terreno Hdr.


115
Esta unidade ainda apresenta como característica a susceptibilidade à erosão, a inundação e
aos movimentos de massa, principalmente ao escorregamento, sendo estas condições
condicionadas pela baixa consistência e espessura da camada superficial. Além desses fatores,
o elevado nível freático reflete na sua condição desfavorável a implantação de obras civis e
instalação de áreas para a disposição de resíduos. Existe a possibilidade de exploração de
material arenoso e de cascalho nos locais onde estes se encontram expostos (Tabela 6.14).

Tabela 6.14 – Tabela com os resultados de adequabilidade da unidade Hdr

Erosão Susceptível 0,69


Riscos Geológicos Inundação Susceptível 0,58
Movimentos de Massa Susceptível 0,56
Loteamento Má 0,27
Adequabilidade para
Estradas Má 0,26
uso na engenharia
Disposição de Resíduos Não Adequada -
Argila Pouco Favorável 0,32
Exploração dos
Areia Pouco Favorável 0,35
Recursos Naturais
Cascalho Pouco Favorável 0,33

A caracterização do solo superficial resultou na classificação desse material no grupo NA’


para a metodologia MCT, sendo composto pelas areias argilosas e siltosas não lateríticas, e no
grupo CL para a metodologia SUCS e referente às argilas pouco plásticas.

6.3.13 – UNIDADE DE TERRENO Pfl (Planície de inundação)

Esta unidade representa as planícies de inundação, compreendendo as áreas sujeitas a


inundações nos períodos de ocorrência de grandes cheias. Ocupam cerca de 56,41 km²,
aproximadamente 15,93% da área total de trabalho, sendo que sua extensão em área reflete a
elevada densidade de drenagem da região. Está inserida na faixa hipsométrica de 25 a 40
metros e, de uma forma geral, é caracterizada pelo relevo levemente ondulado, com
declividades variando entre 2 e 5% e pela discreta amplitude de relevo, variando entre 10 e 15
metros. A análise dos relatórios de sondagens possibilitou a caracterização das 3 últimas
camadas de solo, sendo que para o horizonte argiloso se observou a ocorrência de camadas
intermediárias de material predominantemente arenoso (Figura 6.32). O perfil típico de SPT
apresenta no horizonte 13.A um crescimento linear do valor do Nspt em relação a

116
profunididade, sendo que já no horizonte transicional os valores de Nspt são muito variáveis,
com substancial elevação próximo do horizonte impenetrável.
Nspt
0 10 20 30
0 0

HORIZONTE 13.A
Horizonte composto por argila arenosa amarela a
vermelha com a ocorrência de camadas de areia fina a
média branca, espessura média de 8,0 m, pouco
5
permeável e consistência muito mole a média.

10
HORIZONTE 13.B
Horizonte composto por areia argilosa vermelha a
branca, com espessura média em torno de 8,0 m,
permeável e pouco a medianamente compacta.

15
16 HORIZONTE 13.C
Z (m)

Horizonte composto pelo arenito argiloso vermelho,


M éd io M inimo M aximo
impermeável e impenetrável.

Figura 6.32 - Caracterização do perfil geotécnico da unidade de terreno Pfl.

A caracterização do solo superficial resultou na sua classificação no grupo LA’ (areias


argilosas lateríticas) pela metodologia MCT, e no grupo CL (argilas pouco plásticas) de
acordo com a metodologia SUCS.

A unidade apresenta-se susceptível à erosão e a inundação, visto a proximidade dos cursos


d’água e o elevado nível freático. Devido aos fatores anteriores, essa é pouco favorável ao
estabelecimento de loteamentos, implantação de rodovias e disposição de resíduos. A
exploração de recursos naturais como argila e areia deve ser evitada, principalmente devido às
restrições ambientais (Tabela 6.15).

117
Tabela 6.15 – Tabela com os resultados de adequabilidade da unidade Pfl

Erosão Susceptível 0,52


Riscos Geológicos Inundação Susceptível 0,68
Movimentos de Massa Pouco Suscept. 0,39
Loteamento Má 0,46
Adequabilidade para
Estradas Má 0,43
uso na engenharia
Disposição de Resíduos Não Adequada -
Argila Pouco Favorável 0,47
Exploração dos
Areia Pouco Favorável 0,47
Recursos Naturais
Cascalho Não Favorável 0,20

6.3.14 – UNIDADE DE TERRENO Dva (Fundo de vale)

É representada pelos fundos de vale, sendo influenciada pelo regime hidrológico, ou seja,
permanecem inundadas no período de cheia sendo novamente exibida na vazante.
Corresponde a 16,25 km² aproximadamente 4,6% da área de estudo e em sua grande maioria
encontra-se em cotas menores ou iguais a 25 metros, sendo caracterizada pelo relevo plano
com declividades menores que 2% e de baixa amplitude (valores menores que 5 metros).

A análise dos relatórios de sondagem resultou na caracterização de 3 horizontes de solo,


correspondentes as 3 últimas camadas do perfil típico adotado nesta pesquisa (Figura 6.33), da
mesma forma como na unidade Pfl. O perfil típico de SPT, obtido a partir da análise
estatística dos valores de Nspt para cada camada, apresenta no horizonte 14.A uma constância
nos valores de Nspt. No horizonte 14.B apresentam-se incrementos positivos ao longo da
profundidade, com pequena redução nas proximidades do horizonte impenetrável.

A unidade apresentou-se pouco susceptível a erosão e não susceptível aos movimentos de


massa, mas altamente favorável à inundação graças aos aspectos geomorfológicos desta
unidade. Da mesma forma não é considerada favorável para a implantação das obras civis e a
implantação de áreas para a disposição de resíduos. A exploração dos recursos naturais para
uso como materiais de construção pode ser realizada desde que seja levado em conta o fator
econômico e ambiental (Tabela 6.16).

118
Nspt
0 10 20 30 40 50
0 0

HORIZONTE 14.A
Horizonte composto por argila arenosa amarela a
vermelha com a ocorrência de camadas de areia fina a
média, branca, espessura média de 6,0 m, pouco
permeável e consistência muito mole a rija.

HORIZONTE 14.B
Horizonte composto por areia argilosa vermelha a
branca, com espessura média em torno de 5,0 m,
permeável e pouco a compacta.

10
Z (m)

11 HORIZONTE 14.C
Horizonte composto pelo arenito argiloso vermelho,
M ed io M inimo M aximo impermeável e impenetrável.

Figura 6.33 - Caracterização do perfil geotécnico da unidade de terreno Dva.

Como na unidade Pfl, a caracterização do solo superficial obteve como resultado a


classificação do material no grupo LA’ (areias argilosas lateríticas) pela a metodologia MCT e
no grupo CL (argilas pouco plásticas) pela a metodologia SUCS.

Tabela 6.16 – Tabela com os resultados de adequabilidade da unidade Dva

Erosão Pouco Suscept. 0,47


Riscos Geológicos Inundação Muito Suscept. 0,98
Movimentos de Massa Não Susceptível 0,21
Loteamento Má 0,48
Adequabilidade para
Estradas Má 0,47
uso na engenharia
Disposição de Resíduos Não Adequada -
Argila Pouco Favorável 0,47
Exploração dos
Areia Pouco Favorável 0,47
Recursos Naturais
Cascalho Pouco Favorável 0,40

119
6.4 – CARTA DE ÁREAS POTENCIAIS PARA A DISPOSIÇÃO DE RESÍDUOS

A carta de áreas potenciais a disposição de resíduos (Figura 6.34) hierarquiza as áreas que
podem ser utilizadas para este fim, em função das características geotécnicas e ambientais.
Essas áreas são indicativas e se configuram como opções para estudos mais detalhados dentro
de um processo de discussão para a escolha de áreas para a disposição de resíduos.

Dentro deste contexto, foram selecionadas as áreas de acordo com o potencial a disposição de
resíduos segundo a classificação adotada pela NBR-10004 (ABNT, 1987). A classe 1 é
composta pelas áreas indicadas a destinação final a todos os tipos de resíduos; a classe 2 é a
indicada a disposição de resíduos não-inertes, como o lixo doméstico, e inertes, como os
entulhos de construção; a classe 3 é indicada aos resíduos inertes. Vale destacar que, em
virtude de o estudo aqui apresentado ter sido desenvolvido na área urbana de Manaus, grande
parte da região foi considerada não favorável à disposição de qualquer tipo de resíduo.

Com base na Tabela 5.13 foi criada uma rotina na linguagem LEGAL (Apêndice B), de tal
forma que foram gerados três mapas referentes às classes, adotando-se para os mapas
ponderados os valores maiores ou iguais a 0,5 como favoráveis. A partir de então foi realizado
o mosaico desses mapas obtendo a carta de zoneamento específico. Vale ressaltar que a classe
“não favoráveis a nenhum tipo de resíduo” corresponde às áreas não classificadas em nenhum
dos mapas gerados. A Tabela 6.17 apresenta a quantificação das áreas potencias a disposição
de resíduos obtidas na área de estudo.

Tabela 6.17 – Quantificação das áreas obtidas por classes de resíduos

CLASSES ÁREAS % DA ÁREA DE


km² ESTUDO
Classe 1 1,92 0,54
Classe 2 2,11 0,59
Classe 3 9,50 3,31
Não favoráveis a 189,70 53,60
nenhum tipo de resíduo
Área Urbana Densa 150,77 41,96
TOTAL 354,00 100,00

120
Figura 6.34 – Carta de áreas potenciais para a disposição de resíduos.

121
6.5 – CARTA ORIENTATIVA PARA A EXPLORAÇÃO DE RECURSOS NATURAIS

A carta orientativa para a exploração de recursos naturais aqui apresentada (Figura 6.35)
indica possíveis reservas de recursos naturais utilizados como material de construção, a partir
das características das unidades geotécnicas e dos limites ambientais e econômicos restritivos
a sua exploração. Dentro desse contexto, foram obtidas as áreas favoráveis à exploração de
recursos naturais, como a argila, areia e cascalho.

Da mesma forma que a carta de áreas potenciais para a disposição de resíduos, esta carta foi
obtida pela elaboração de uma rotina na linguagem LEGAL (Apêndice B), com base na
Tabela 5.14, para posterior execução no programa Spring. Desta forma foram obtidos três
mapas ponderados referentes aos materiais de construção pesquisados, sendo que valores
acima de 0,5 foram considerados favoráveis à exploração, sendo que a carta final foi obtida
pelo mosaico desses mapas parciais.

De uma forma geral, o material argiloso disponível encontra-se distribuído ao longo de toda a
área de estudo, sendo o principal constituinte do solo da região. As reservas de areia e
cascalho são principalmente observados próximos às drenagens onde o horizonte transicional
e impenetrável encontram-se expostos. O material arenoso nessas áreas também pode ser
encontrado intercalado com o horizonte argiloso. Como na carta de áreas potenciais para a
disposição de resíduos, grande parte da região foi classificada como não favorável a qualquer
tipo de exploração por o estudo ter sido desenvolvido em área urbana. Na Tabela 6.18
apresenta a quantificação das áreas obtidas de acordo com o tipo de material a ser explorado.

Tabela 6.18 – Quantificação das áreas obtidas por material a ser explorado

CLASSES ÁREAS % DA ÁREA DE


km² ESTUDO
Argila 33,51 9,48
Areia 10,00 2,82
Cascalho 6,37 1,80
Não favoráveis à 153,51 43,36
exploração
Área Urbana Densa 150,61 42,54
TOTAL 354,00 100,00

122
Figura 6.35 – Carta orientativa para a exploração de recursos naturais.

123
7 – CONCLUSÕES E RECOMENDAÇÕES
7
7.1 – CONCLUSÕES

- Quanto aos aspectos metodológicos gerais:

• De uma forma geral, observa-se que o uso de metodologias que possibilitem a visão
integrada dos diversos atributos do meio físico frente ao uso e à ocupação é mais
adequado aos trabalhos de mapeamento geotécnico desenvolvidos em áreas que
apresentem múltiplas características geológico-geotécnicas, sendo que estas devem ser
aplicáveis aos solos residuais tropicais e passíveis de sistematização.
• Observa-se a importância da metodologia a ser utilizada apresentar a
compartimentação com base na identificação dos landforms, pois esses representam
áreas consideradas geotecnicamente homogêneas, o que se traduz em comportamentos
geotécnicos potenciais comuns.
• A metodologia utilizada para o mapeamento geotécnico deve considerar a análise de
relatórios de ensaios de campo desenvolvidos no dia a dia da construção civil, visto
que esse tipo de análise reduz custos e possibilita caracterização do perfil típico de
alteração e de sua variação ao longo do relevo, assim como a caracterização da
evolução genética do material inconsolidado e dos processos de alteração.
• A utilização de dados de sensoriamento remoto de alta resolução espacial, como é o
caso das imagens Quickbird, só é justificado para mapeamentos de grande escala e
desenvolvidos preferencialmente em áreas urbanas, pois essas possibilitam a
identificação em detalhe das características da área mapeada e do uso e ocupação que
ali se desenvolve.
• O ambiente de sistemas de informações geográficas têm se mostrado imprescindível
ao mapeamento geotécnico, principalmente devido a sua capacidade de tratar um
grande volume de dados e possibilitar, em conjunto com sistema gerenciador de banco
de dados, o armazenamento coerente, a recuperação e a atualização desses dados.

124
• Ainda, deve-se procurar interagir os diversos segmentos da sociedade de forma a
possibilitar a troca de informações e a capacitação de profissionais, procurando
universalizar as vantagens na adoção dos princípios básicos de cartografia na execução
dos diversos trabalhos de campo e de laboratório, realçando a importância dessas
informações ao planejamento regional sendo que, desta forma, o principal beneficiado
é a própria sociedade.

- Quanto à metodologia utilizada:

• Com relação aos relatórios técnicos de ensaios de campo conseguidos, observa-se a


falta de uma política voltada ao uso dos princípios básicos de cartografia por parte dos
executores, o que poderia ter agilizado o desenvolvimento da pesquisa caso ocorresse.
• As informações pré-existentes utilizadas nesta pesquisa encontram-se disponíveis e
são de fácil aquisição, graças à relação de cooperação existente entre os órgãos
públicos do município e as instituições de pesquisa.
• Os recursos oferecidos pelo software SPRING versão 4.2 apresentaram desempenhos
satisfatórios durante a correção das imagens e na elaboração dos documentos
cartográficos.
• Com base na experiência de outros trabalhos desenvolvidos na área e na escala
proposta para o desenvolvimento desta pesquisa, pareceu coerente a utilização de uma
metodologia baseada na análise integrada procedendo a compartimentação do terreno
segundo a identificação dos landforms.
• A consideração do plano de informação de cobertura e uso do solo implica na
aceitação de mudanças na configuração das cartas de uso específico de acordo com o
tempo.
• A metodologia utilizada para a obtenção das unidades de terreno, no que diz respeito
ao perfil típico de solo, mostrou-se bastante satisfatória quando confrontada com
resultados obtidos em outras pesquisas.
• Para a área de estudo, como já visto no trabalho de Lima (1999), observa-se a
existência de perfil de solo comum, sendo a variabilidade de ocorrência dos horizontes
condicionados apenas pela sua posição no relevo.

125
- Quanto aos documentos cartográficos obtidos:

• A elaboração do mapa de documentação é de fundamental importância no processo de


mapeamento geotécnico, pois permite uma avaliação da densidade de informações e
auxilia no planejamento das etapas seguintes do trabalho.
• O MDE e o mapa de declividade foram de fundamental importância para o
desenvolvimento da pesquisa, pois além de subsidiarem a elaboração da
fotointerpretação, revelaram-se importantes na avaliação das unidades para fins
geotécnicos.
• O mapa hipsométrico permitiu a caracterização preliminar das áreas de planalto, onde
os perfis lateríticos apresentam-se bem desenvolvidos, e das áreas de planície onde o
perfil laterítico encontra-se imaturo.
• O mapa de cobertura e uso do solo propiciou uma visão detalhada da área de estudo
em 2003. Sua atualização periódica pode constituir uma importante ferramenta para a
gestão urbana e regional.
• A carta geotécnica da área urbana de Manaus é o principal documento cartográfico
desta pesquisa, sendo elaborada com vistas à avaliação do terreno quanto aos riscos
geológicos, adequabilidade a implantação de obras civis e potencial de exploração de
recursos naturais. As informações fornecidas por essa carta em conjunto com as fichas
de caracterização da unidade servem de instrumento ao usuário no que se refere a um
atributo específico.
• A carta de áreas para a disposição de resíduos reflete o grau de urbanização que vem
se desenvolvendo na região, sendo que na atualidade pouco se resta para uso como
destinação final de resíduos.
• A carta orientativa para a exploração de materiais de construção ressalta a existência
de grandes áreas que podem ser utilizadas para a exploração de material argiloso a ser
utilizado na construção civil, visto que este é o principal constituinte dos perfis de solo
que se desenvolvem na região. Em compensação reflete a escassez de outros materiais
como a areia e principalmente o cascalho, com a ocorrência sujeita a áreas onde há a
exposição dos horizontes mais profundos de solo.
• Os documentos cartográficos resultantes deste trabalho são de finalidade orientativa,
não devendo substituir a investigação local.

126
7.2 – RECOMENDAÇÕES

• Criação de um sistema de coleta, uniformização e armazenamento de informações de


interesse geotécnico produzidas no município, com o apoio das instituições públicas e
privadas com atividades afins, de modo a reduzir os esforços e o tempo na aquisição
para a elaboração dos documentos cartográficos.
• Proceder a atualização anual do mapa de cobertura e uso do solo, de modo a
possibilitar a o monitoramento e a fiscalização das atividades humanas que se
desenvolvendo na região.
• Sempre que possível constituir uma equipe multidisciplinar para a elaboração das
cartas de zoneamento geotécnico específico, com a inclusão de profissionais dos
diversos ramos da sociedade (instituições públicas, instituições de pesquisa e empresas
privadas).
• Elaborar, a partir das informações da carta geotécnica, cartas de zoneamento
específico, como a de susceptibilidade a erosão.
• Estender os estudos de áreas de disposição de resíduos e de áreas potenciais para a
exploração de materiais de construção a todo o município, onde influência da presença
da urbanização não seja tão grande.

127
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132
APÊNDICE A
- TABELAS DE CARACTERIZAÇÃO DAS UNIDADES –
- GEOTÉCNICAS DA ÁREA URBANA DE MANAUS -

133
MAPEAMENTO GEOAMBIENTAL DE MANAUS - AM
Autor: Wallace Vargas Roque Orientador: Dr. Newton Moreira de Souza Data: Março/2006

MAPA DE UNIDADES GEOTÉCNICAS


MORFO-ESTRUTURA: Bacia do Rio Amazonas
UNID. 1 - Pps MORFO-ESCULTURA: Planalto Dissecado do Rio Trombetas - Negro Perfil típico da forma de
Áreas de ocorrência FORMAÇÃO: Altér do Chão relevo

CARACTERIZAÇÃO GEOTÉCNICA Nspt


0 10 20 30
Formas de Relevo Material Inconsolidado Outras Informações
0,0

Expressão em Amplitude de Espessura média Comport. Prof. Média do


Tipo de Forma Declividade Horizontes Textura Lençol Freático
Área Relevo Geotécnico Impenetrável
Mín.* Máx.**

7,0m Impermeável
Argila Amarela
Horizonte 1.A Consistência
a Vermelha 1º Camada
2,0 m 11,0 m Média a Rija

Pouco
Platô com Argila 1,5 m
Permeável
superfície 5,45 km² < 5,0 m 0 a 2% Horizonte 1.B Laterizada > 20m > 20m 5,0
Consistência
plana Vermelha 1,0 m 3,0 m Média a Rija
Pouco
Argila Arenosa > 4,0 m
Permeável
Horizonte 1.C Vermelha a
Consistência
Branca
Média

AVALIAÇÃO DO TERRENO 2º Camada

Associação
Riscos Geológicos Engenharia - Adequabilidade Exploração de Recursos Naturais - Aptidão Pedológica do 10,0
Solo Superficial

Movimentos Disposição de 3º Camada


Erosão Inundação Loteamento Estradas Argila Areia Cascalho MCT /SUCS
de Massa Resíduos
Ñ Suscept. Susceptível Ñ Suscept. Média Média Média Favorável Ñ Favorável Pouco Fav. LG' / CH

Z (m)
* Espessuras mínimas encontradas dentro do acervo de sondagens disponível
** Espessuras máximas encontradas dentro do acervo de sondagens disponível
Médio Mínimo Máximo
OBS: As informações aqui contidas não devem substituir a investigação local.

134
MAPEAMENTO GEOAMBIENTAL DE MANAUS - AM
Autor: Wallace Vargas Roque Orientador: Dr. Newton Moreira de Souza Data: Março/2006

MAPA DE UNIDADES GEOTÉCNICAS


MORFO-ESTRUTURA: Bacia do Rio Amazonas
UNID. 2 - Plw MORFO-ESCULTURA: Planalto Dissecado do Rio Trombetas - Negro Perfil típico da forma de
Áreas de ocorrência FORMAÇÃO: Altér do Chão relevo

CARACTERIZAÇÃO GEOTÉCNICA Nspt


0 10 20 30 40 50
Formas de Relevo Material Inconsolidado Outras Informações
0
Expressão em Amplitude de Espessura média Comport. Niv. Lençol Prof. Média do
Tipo de Forma Declividade Horizontes Textura
Área Relevo Mín.* Máx.** Geotécnico Freático Médio Impenetrável

7,5 m Impermeável
Argila Amarela a
Horizonte 2.A Consistência Média a
Vermelha 1º Camada
1,0 m 20,0 m Rija
5
1,5 m
Argila Laterizada Pouco Permeável
Horizonte 2.B
Vermelha Consistência Rija
1,0 m 3,0 m

Platô com 5,5 m P. Permeável


Argila Arenosa
superfície 50,63 km² 10 a 15 m 2 a 5% Horizonte 2.C Consist. Muito Mole 10 a 15m > 15m
Vermelha a Branca 2º Camada
levemente ondulada 1,0 m 13,0 m a Média

9,5 m 10
Areia Argilosa Permeável Pouco a
Horizonte 2.D
Vermelha a Branca Median. Compacta
2,0 m 20,0 m
3º Camada
Arenito Argiloso Impermeável
Horizonte 2.E
Vermelho Impenetrável

15
AVALIAÇÃO DO TERRENO
Associação
Riscos Geológicos Engenharia - Adequabilidade Exploração de Recursos Naturais - Aptidão Pedológica do
Solo Superficial
4º Camada
20
Movimentos Disposição de
Erosão Inundação Loteamento Estradas Argila Areia Cascalho MCT /SUCS
de Massa Resíduos
Pouco Susc. Pouco Susc. Pouco Susc. Média Média Média Favorável Ñ Favorável Pouco Fav. LG' / CH

Z (m)
* Espessuras mínimas encontradas dentro do acervo de sondagens disponível
** Espessuras máximas encontradas dentro do acervo de sondagens disponível
Médio Minimo Maximo
OBS: As informações aqui contidas não devem substituir a investigação local.

135
MAPEAMENTO GEOAMBIENTAL DE MANAUS - AM
Autor: Wallace Vargas Roque Orientador: Dr. Newton Moreira de Souza Data: Março/2006

MAPA DE UNIDADES GEOTÉCNICAS


MORFO-ESTRUTURA: Bacia do Rio Amazonas
UNID. 3 - Pfr MORFO-ESCULTURA: Planalto Dissecado do Rio Trombetas - Negro Perfil típico da forma de
Áreas de ocorrência FORMAÇÃO: Altér do Chão relevo

CARACTERIZAÇÃO GEOTÉCNICA Nspt


0 10 20 30
Formas de Relevo Material Inconsolidado Outras Informações 0
Expressão em Amplitude de Espessura média Comport. Niv. Lençol Prof. Média do
Tipo de Forma Declividade Horizontes Textura
Área Relevo Mín.* Máx.** Geotécnico Freático Médio Impenetrável

Argila Arenosa 6,0 m P. Permeável


Horizonte 3.A Amarela a Consistência
Vermelha 3,0 m 10,0 m Mole a Média

Fragmento de 1º Camada
Platô com Areia Média a 9,0 m
Permeável Fofa 5
Superfície Areia Argilosa
17,86 km² 10 a 15 m 5 a 10 % Horizonte 3.B a Medianam. 5 a 10 m >5m
Levemente Vermelha a
5,0 m 15,0 m Compacta
Ondulada a Branca
Ondulada

Arenito
Impermeável
Horizonte 3.C Argiloso
Impenetrável
Vermelho

AVALIAÇÃO DO TERRENO 10
2º Camada

Associação
Riscos Geológicos Engenharia - Adequabilidade Exploração de Recursos Naturais - Aptidão Pedológica do
Solo Superficial

Movimentos Disposição de
Erosão Inundação Loteamento Estradas Argila Areia Cascalho MCT /SUCS
de Massa Resíduos

Z(m)
Susceptível Pouco Susc. Pouco Susc. Má Má Má Pouco Fav. Pouco Fav. Ñ Favorável NG' / CH
* Espessuras mínimas encontradas dentro do acervo de sondagens disponível 15
** Espessuras máximas encontradas dentro do acervo de sondagens disponível
Médio Mínimo Máximo
OBS: As informações aqui contidas não devem substituir a investigação local.

136
MAPEAMENTO GEOAMBIENTAL DE MANAUS - AM
Autor: Wallace Vargas Roque Orientador: Dr. Newton Moreira de Souza Data: Março/2006

MAPA DE UNIDADES GEOTÉCNICAS


MORFO-ESTRUTURA: Bacia do Rio Amazonas
UNID. 4 - Sp MORFO-ESCULTURA: Planalto Dissecado do Rio Trombetas - Negro Perfil típico da forma de
Áreas de ocorrência FORMAÇÃO: Altér do Chão relevo

CARACTERIZAÇÃO GEOTÉCNICA Nspt

Formas de Relevo Material Inconsolidado Outras Informações 0 10 20 30


0
Expressão em Amplitude de Espessura média Comport. Niv. Lençol Prof. Média do
Tipo de Forma Declividade Horizontes Textura 1º Camada
Área Relevo Mín.* Máx.** Geotécnico Freático Médio Impenetrável

5,0 m Impermeável
Argila Amarela a
Horizonte 4.A Consistência Média a
Vermelha
3,0 m 10,0 m Rija

1,5 m
Argila Laterizada Pouco Permeável
Horizonte 4.B
Amarela Consistência Rija 5
1,0 m 2,0 m 2º Camada
5,5 m
Superfície de Argila Arenosa P. Permeável
3,47 km² 15 a 20 m < 10% Horizonte 4.C > 20m > 20m
Ligação entre Platôs Vermelha a Branca Consist. Média a Rija
5,0 m 6,0 m

7,0 m
Areia Argilosa Permeável Median.
Horizonte 4.D
Vermelha a Branca Compacta 3º Camada
7,0 m 7,0 m

10
Arenito Argiloso Impermeável
Horizonte 4.E
Vermelho Impenetrável

AVALIAÇÃO DO TERRENO
Associação
Riscos Geológicos Engenharia - Adequabilidade Exploração de Recursos Naturais - Aptidão Pedológica do
15 4º Camada
Solo Superficial

Movimentos Disposição de
Erosão Inundação Loteamento Estradas Argila Areia Cascalho MCT /SUCS
de Massa Resíduos
Pouco Susc. Pouco Susc. Pouco Susc. Média Média Má Favorável Ñ Favorável Pouco Fav. LG' / CH

Z(m)
* Espessuras mínimas encontradas dentro do acervo de sondagens disponível
** Espessuras máximas encontradas dentro do acervo de sondagens disponível
Médio minimo Maximo
OBS: As informações aqui contidas não devem substituir a investigação local.

137
MAPEAMENTO GEOAMBIENTAL DE MANAUS - AM
Autor: Wallace Vargas Roque Orientador: Dr. Newton Moreira de Souza Data: Março/2006

MAPA DE UNIDADES GEOTÉCNICAS


MORFO-ESTRUTURA: Bacia do Rio Amazonas
UNID. 5 - Ta MORFO-ESCULTURA: Planalto Dissecado do Rio Trombetas - Negro Perfil típico da forma de
Áreas de ocorrência FORMAÇÃO: Altér do Chão relevo

CARACTERIZAÇÃO GEOTÉCNICA Nspt

Formas de Relevo Material Inconsolidado Outras Informações 0 10 20 30 40


0
Expressão em Amplitude de Espessura média Comport. Niv. Lençol Prof. Média do
Tipo de Forma Declividade Horizontes Textura
Área Relevo Mín.* Máx.** Geotécnico Freático Médio Impenetrável

6,0 m Pouco
Argila Arenosa
Permeável
Horizonte 5.A Vermelha a
Muiro Mole a
Amarela 6,0 m 8,0 m Média 1º Camada

Terraço 9,0 m 5
7,93 km² 5 a 10 m 0 a 2% Areia Argilosa Permeável Fofa 5 a 10m > 15m
Aluvionar Horizonte 5.B
Vermelha a Compacta
9,0 m 10,0 m

Arenito
Impermeável
Horizonte 5.C Argiloso
Impenetrável
Vermelho

AVALIAÇÃO DO TERRENO 10
2º Camada
Associação
Riscos Geológicos Engenharia - Adequabilidade Exploração de Recursos Naturais - Aptidão Pedológica do
Solo Superficial

Movimentos Disposição de
Erosão Inundação Loteamento Estradas Argila Areia Cascalho MCT /SUCS
de Massa Resíduos

Z (m)
Pouco Susc. Muito Susc. Pouco Susc. Má Má Má Favorável Favorável Ñ Favorável NG' / CH
* Espessuras mínimas encontradas dentro do acervo de sondagens disponível
15
** Espessuras máximas encontradas dentro do acervo de sondagens disponível
Médio minimo maximo
OBS: As informações aqui contidas não devem substituir a investigação local.

138
MAPEAMENTO GEOAMBIENTAL DE MANAUS - AM
Autor: Wallace Vargas Roque Orientador: Dr. Newton Moreira de Souza Data: Março/2006

MAPA DE UNIDADES GEOTÉCNICAS


MORFO-ESTRUTURA: Bacia do Rio Amazonas
UNID. 6 - Hcx MORFO-ESCULTURA: Planalto Dissecado do Rio Trombetas - Negro Perfil típico da forma de
Áreas de ocorrência FORMAÇÃO: Altér do Chão relevo

CARACTERIZAÇÃO GEOTÉCNICA Nspt


0 10 20 30 40
Formas de Relevo Material Inconsolidado Outras Informações
0
Expressão em Amplitude de Espessura média Comport. Niv. Lençol Prof. Média do
Tipo de Forma Declividade Horizontes Textura
Área Relevo Mín.* Máx.** Geotécnico Freático Médio Impenetrável
1º Camada
4,5 m
Argila Vermelha a Impermeável
Horizonte 6.A
Amarela Consist. Rija a Dura 5 2º Camada
3,0 m 8,0 m

1,0 m
Argila Laterizada Pouco Permeável
Horizonte 6.B
Vermelha Consist. Média
1,0 m 1,0 m

10,5 m
Encosta Convexa Argila Arenosa Pouco Permeável
47,18 km² 20 a 40 m > 20% Horizonte 6.C 10 a 15 m > 20 m 10
com Base Abrupta Vermelha a Branca Consist. Média 3º Camada
5,0 m 19,0 m

11,0 m
Areia Argilosa Permeável Median.
Horizonte 6.D
Vermelha a Branca Compacta
6,0 m 15,0 m

Arenito Argiloso Impermeável 15


Horizonte 6.E
Vermelho Impenetrável

AVALIAÇÃO DO TERRENO
20 4º Camada
Associação
Riscos Geológicos Engenharia - Adequabilidade Exploração de Recursos Naturais - Aptidão Pedológica do
Solo Superficial

Movimentos Disposição de
Erosão Inundação Loteamento Estradas Argila Areia Cascalho MCT /SUCS
de Massa Resíduos 25
Pouco Susc. Ñ Suscept. Susceptível Má Má Má Pouco Fav. Ñ Favorável Ñ Favorável LG' / CH

Z (m)
* Espessuras mínimas encontradas dentro do acervo de sondagens disponível
** Espessuras máximas encontradas dentro do acervo de sondagens disponível
Médio Minimo Maximo
OBS: As informações aqui contidas não devem substituir a investigação local.

139
MAPEAMENTO GEOAMBIENTAL DE MANAUS - AM
Autor: Wallace Vargas Roque Orientador: Dr. Newton Moreira de Souza Data: Março/2006

MAPA DE UNIDADES GEOTÉCNICAS


MORFO-ESTRUTURA: Bacia do Rio Amazonas
UNID. 7 - Hp MORFO-ESCULTURA: Planalto Dissecado do Rio Trombetas - Negro Perfil típico da forma de
Áreas de ocorrência FORMAÇÃO: Altér do Chão relevo

CARACTERIZAÇÃO GEOTÉCNICA Nspt


0 10 20 30
Formas de Relevo Material Inconsolidado Outras Informações
0
Expressão em Amplitude de Espessura média Comport. Niv. Lençol Prof. Média do
Tipo de Forma Declividade Horizontes Textura
Área Relevo Mín.* Máx.** Geotécnico Freático Médio Impenetrável

6,0 m
Argila Amarelo a Impermeável Consit.
Horizonte 7.A
Vermelha Média a Rija
2,0 m 11,0 m

1,0 m 5 1º Camada
Argila Laterizada Pouco Permeável
Horizonte 7.B
Amarela a Vermelha Consist Média
1,0 m 1,0 m
2º Camada
7,0 m
Argila Arenosa Pouco Permeável
Encosta Plana 29,82 km² 15 a 20 m 10 a 20% Horizonte 7.C 5 a 10 m > 20m
Amarelo a Branco Consist Média
4,0 m 10,0 m

8,0 m
Areia Argilosa Permeável Fofa a 10
Horizonte 7.D
Vermelha a Branca Median. Compacta
4,0 m 13,0 m

Arenito Argiloso Impermeável


Horizonte 7.E
Vermelho Impenetrável
3º Camada

AVALIAÇÃO DO TERRENO 15

Associação
Riscos Geológicos Engenharia - Adequabilidade Exploração de Recursos Naturais - Aptidão Pedológica do
Solo Superficial 4º Camada

Movimentos Disposição de
Erosão Inundação Loteamento Estradas Argila Areia Cascalho MCT /SUCS 20
de Massa Resíduos
Pouco Susc. Pouco Susc. Susceptível Má Má Má Favorável Ñ Favorável Pouco Fav. LG' / CH

Z (m)
* Espessuras mínimas encontradas dentro do acervo de sondagens disponível
** Espessuras máximas encontradas dentro do acervo de sondagens disponível Médio Minimo Maximo
OBS: As informações aqui contidas não devem substituir a investigação local.

140
MAPEAMENTO GEOAMBIENTAL DE MANAUS - AM
Autor: Wallace Vargas Roque Orientador: Dr. Newton Moreira de Souza Data: Março/2006

MAPA DE UNIDADES GEOTÉCNICAS


MORFO-ESTRUTURA: Bacia do Rio Amazonas
UNID. 8 - Hcv MORFO-ESCULTURA: Planalto Dissecado do Rio Trombetas - Negro Perfil típico da forma de
Áreas de ocorrência FORMAÇÃO: Altér do Chão relevo

CARACTERIZAÇÃO GEOTÉCNICA Nspt

Formas de Relevo Material Inconsolidado Outras Informações 0 10 20 30 40


Expressão em Amplitude de Espessura média Comport. Niv. Lençol Prof. Média do
0
Tipo de Forma Declividade Horizontes Textura
Área Relevo Mín.* Máx.** Geotécnico Freático Médio Impenetrável

4,0 m 1º Camada
Argila Amarela Impermeável
Horizonte 8.A
a Vermelha Consist. Média
1,0 m 6,0 m

Argila 1,0 m Pouco


Encosta Laterizada
22,56 km² 20 a 40 m > 20 % Horizonte 8.B Permeável 5 a 10 m > 30 m
Côncava Amarela a
0,6 m 2,4 m Consist. Dura
Vermelha 2º Camada
5
6,0 m Pouco
Argila Arenosa
Permeável
Horizonte 8.C Vermelha a
Cons. Muito
Branca 3,0 m 12,0 m Mole a Dura

AVALIAÇÃO DO TERRENO
Associação
Riscos Geológicos Engenharia - Adequabilidade Exploração de Recursos Naturais - Aptidão 3º Camada
Pedológica do
Solo Superficial

Movimentos Disposição de
Erosão Inundação Loteamento Estradas Argila Areia Cascalho MCT /SUCS
de Massa Resíduos 10
Susceptível Pouco Susc. Susceptível Má Má Ñ Adequada Pouco Fav. Ñ Favorável Pouco Fav. LG' / CH

Z (m)
* Espessuras mínimas encontradas dentro do acervo de sondagens disponível
** Espessuras máximas encontradas dentro do acervo de sondagens disponível Médio minimo maximo
OBS: As informações aqui contidas não devem substituir a investigação local.

141
MAPEAMENTO GEOAMBIENTAL DE MANAUS - AM
Autor: Wallace Vargas Roque Orientador: Dr. Newton Moreira de Souza Data: Março/2006

MAPA DE UNIDADES GEOTÉCNICAS


MORFO-ESTRUTURA: Bacia do Rio Amazonas
UNID. 9 - HcxBcv MORFO-ESCULTURA: Planalto Dissecado do Rio Trombetas - Negro Perfil típico da forma de
Áreas de ocorrência FORMAÇÃO: Altér do Chão relevo

CARACTERIZAÇÃO GEOTÉCNICA Nspt


0 10 20 30 40
Formas de Relevo Material Inconsolidado Outras Informações
0
Expressão em Amplitude de Espessura média Comport. Niv. Lençol Prof. Média do
Tipo de Forma Declividade Horizontes Textura
Área Relevo Mín.* Máx.** Geotécnico Freático Médio Impenetrável

8,0 m Pouco
Argila Arenosa
Permeável
Horizonte 9.A Vermelha a
Consist. Mole a 1º Camada
Branca 5,0 m 10,0 m Rija
5
Encosta 9,0 m Permeável
Convexa com 22,36 km² 15 a 20 m 10 a 20 % Areia Argilosa Compac. 5 a 10 m 15 a 30 m
Horizonte 9.B
Base Côncava Vermelha Median. a
4,0 m 20,0 m Compacta

Arenito
Impermeável
Horizonte 9.E Argiloso
Impenetrável
Vermelho
10
2º Camada
AVALIAÇÃO DO TERRENO
Associação
Riscos Geológicos Engenharia - Adequabilidade Exploração de Recursos Naturais - Aptidão Pedológica do
Solo Superficial

Movimentos Disposição de 15
Erosão Inundação Loteamento Estradas Argila Areia Cascalho MCT /SUCS
de Massa Resíduos

Z (m)
Susceptível Ñ Suscept. Susceptível Má Má Má Pouco Fav. Pouco Fav. Ñ Favorável NG' / CH
* Espessuras mínimas encontradas dentro do acervo de sondagens disponível
** Espessuras máximas encontradas dentro do acervo de sondagens disponível Médio minimo maximo
OBS: As informações aqui contidas não devem substituir a investigação local.

142
MAPEAMENTO GEOAMBIENTAL DE MANAUS - AM
Autor: Wallace Vargas Roque Orientador: Dr. Newton Moreira de Souza Data: Março/2006

MAPA DE UNIDADES GEOTÉCNICAS


MORFO-ESTRUTURA: Bacia do Rio Amazonas
UNID. 10 - HpTcx MORFO-ESCULTURA: Planalto Dissecado do Rio Trombetas - Negro Perfil típico da forma de
Áreas de ocorrência FORMAÇÃO: Altér do Chão relevo

CARACTERIZAÇÃO GEOTÉCNICA Nspt


0 10 20 30
Formas de Relevo Material Inconsolidado Outras Informações
0
Expressão em Amplitude de Espessura média Comport. Niv. Lençol Prof. Média do
Tipo de Forma Declividade Horizontes Textura
Área Relevo Mín.* Máx.** Geotécnico Freático Médio Impenetrável

4,0 m
1º Camada
Argila Amarela a Impermeável
Horizonte 10.A
Vermelha Consist. Média a Rija
1,0 m 9,0 m

1,0 m 5 2º Camada
Argila Laterizada Pouco Permeável
Horizonte 10.B
Amarela a Vermelha Consist. Média
1,0 m 2,0 m

10,0 m Pouco Permeável


Encosta Plana com Argila Arenosa
36,74 km² 15 a 20 m 10 a 20 % Horizonte 10.C Consist. Mole a 15 a 20 m > 20 m
Topo Convexo Vermelha a Branca
6,0 m 15,0 m Média

6,0 m
Areia Argilosa Permeável Compac. 3º Camada
Horizonte 10.D 10
Vermelha Median. Compacta
6,0 m 8,0 m

Arenito Argiloso Impermeável


Horizonte 10.E
Vermelho Impenetrável

AVALIAÇÃO DO TERRENO
15
Associação
Riscos Geológicos Engenharia - Adequabilidade Exploração de Recursos Naturais - Aptidão Pedológica do
Solo Superficial 4º Camada

Movimentos Disposição de
Erosão Inundação Loteamento Estradas Argila Areia Cascalho MCT /SUCS
de Massa Resíduos
20
Pouco Susc. Ñ Suscept. Susceptível Média Má Má Favorável Ñ Favorável Pouco Fav. LG' / CH

Z (m)
* Espessuras mínimas encontradas dentro do acervo de sondagens disponível
** Espessuras máximas encontradas dentro do acervo de sondagens disponível
Médio minimo maximo
OBS: As informações aqui contidas não devem substituir a investigação local.

143
MAPEAMENTO GEOAMBIENTAL DE MANAUS - AM
Autor: Wallace Vargas Roque Orientador: Dr. Newton Moreira de Souza Data: Março/2006

MAPA DE UNIDADES GEOTÉCNICAS


MORFO-ESTRUTURA: Bacia do Rio Amazonas
UNID. 11 - HcvBcx MORFO-ESCULTURA: Planalto Dissecado do Rio Trombetas - Negro Perfil típico da forma de
Áreas de ocorrência FORMAÇÃO: Altér do Chão relevo

CARACTERIZAÇÃO GEOTÉCNICA Nspt


0 10 20 30 40
Formas de Relevo Material Inconsolidado Outras Informações
0
Expressão em Amplitude de Espessura média Comport. Niv. Lençol Prof. Média do
Tipo de Forma Declividade Horizontes Textura
Área Relevo Geotécnico Freático Médio Impenetrável 1º Camada
Mín.* Máx.**
2,0 m
2º Camada
Argila Amarela a Impermeável
Horizonte 12.A
Vermelha Consist. Média
1,0 m 3,0 m
5
1,0 m
Argila Laterizada Pouco Permeável
Horizonte 12.B
Vermelha Consist. Rija
1,0 m 2,0 m

10,0 m
Encosta Côncava Argila Arenosa Pouco Permeável
27,95 km² 20 a 40 m 10 a 20% Horizonte 12.C 10 a 15 m > 20 m
com Base Convexa Vermelha Consist. Média a Rija
7,0 m 15,0 m
3º Camada
10,0 m 10
Areia Argilosa Permeável Pouco a
Horizonte 12.D
Vermelha a Branca Median. Compacta
3,0 m 18,0 m

Arenito Argiloso Impermeável


Horizonte 12.E
Vermelho Impenetrável

15
AVALIAÇÃO DO TERRENO
Associação
Riscos Geológicos Engenharia - Adequabilidade Exploração de Recursos Naturais - Aptidão Pedológica do
Solo Superficial 4º Camada

Movimentos Disposição de 20
Erosão Inundação Loteamento Estradas Argila Areia Cascalho MCT /SUCS
de Massa Resíduos
Favorável

Z (m)
Susceptível Ñ Suscept. Susceptível Má Má Má Ñ Favorável Pouco Fav. LG' / CH
* Espessuras mínimas encontradas dentro do acervo de sondagens disponível
** Espessuras máximas encontradas dentro do acervo de sondagens disponível Médio Minimo Maximo
OBS: As informações aqui contidas não devem substituir a investigação local.

144
MAPEAMENTO GEOAMBIENTAL DE MANAUS - AM
Autor: Wallace Vargas Roque Orientador: Dr. Newton Moreira de Souza Data: Março/2006

MAPA DE UNIDADES GEOTÉCNICAS


MORFO-ESTRUTURA: Bacia do Rio Amazonas
UNID. 12 - Hdr MORFO-ESCULTURA: Planalto Dissecado do Rio Trombetas - Negro Perfil típico da forma de
Áreas de ocorrência FORMAÇÃO: Altér do Chão relevo

CARACTERIZAÇÃO GEOTÉCNICA Nspt

Formas de Relevo Material Inconsolidado Outras Informações 0 5 10 15 20 25 30


Espessura média 0
Expressão em Amplitude de Comport. Niv. Lençol Prof. Média do
Tipo de Forma Declividade Horizontes Textura
Área Relevo Mín.* Máx.** Geotécnico Freático Médio Impenetrável

4,0 m Pouco
Argila Arenosa
Horizonte Permeável
Branca a
13.A Consist. Muito
Vermelha
2,0 m 9,0 m Mole a Mole
1º Camada
Cabeceira de
5,0 m Permeável
Drenagem e 9,41 km² 15 a 20 m 5 a 10 % <5m 10 a 20 m
Horizonte Areia Argilosa Pouco a
Anfiteatro
13.B Vermelha Median.
2,0 m 8,0 m Compacta

Arenito
Horizonte Impermeável
Argiloso 5
13.C Impenetrável
Vermelho

AVALIAÇÃO DO TERRENO
Associação 2º Camada
Riscos Geológicos Engenharia - Adequabilidade Exploração de Recursos Naturais - Aptidão Pedológica do
Solo Superficial

Movimentos Disposição de
Erosão Inundação Loteamento Estradas Argila Areia Cascalho MCT /SUCS
de Massa Resíduos

Z (m)
Susceptível Susceptível Susceptível Má Má Má Pouco Fav. Pouco Fav. Pouco Fav. NA' / CL
* Espessuras mínimas encontradas dentro do acervo de sondagens disponível
** Espessuras máximas encontradas dentro do acervo de sondagens disponível
Médio Minimo Maximo
OBS: As informações aqui contidas não devem substituir a investigação local.

145
MAPEAMENTO GEOAMBIENTAL DE MANAUS - AM
Autor: Wallace Vargas Roque Orientador: Dr. Newton Moreira de Souza Data: Março/2006

MAPA DE UNIDADES GEOTÉCNICAS


MORFO-ESTRUTURA: Bacia do Rio Amazonas
UNID. 13 - PFL MORFO-ESCULTURA: Planalto Dissecado do Rio Trombetas - Negro Perfil típico da forma de
Áreas de ocorrência FORMAÇÃO: Altér do Chão relevo

CARACTERIZAÇÃO GEOTÉCNICA Nspt


0 10 20 30
Formas de Relevo Material Inconsolidado Outras Informações
0
Expressão em Amplitude de Espessura média Comport. Niv. Lençol Prof. Média do
Tipo de Forma Declividade Horizontes Textura
Área Relevo Mín.* Máx.** Geotécnico Freático Médio Impenetrável

8,0 m Pouco
Argila Arenosa
Horizonte Permeável
Amarela a
14.A Consist. Mole a
Vermelha 3,0 m 13,0 m Média
1º Camada
5
Planície de Areia Argilosa 8,0 m Permeável
56,41 km² 10 a 15 m 2a5% Horizonte <5m > 20 m
Inundação Vermelha a Pouco a Median
14.B
Branca 2,0 m 14,0 m Compacta

Arenito
Horizonte Impermeável
Argiloso
14.C Impenetrável
Vermelho
10
AVALIAÇÃO DO TERRENO
Associação 2º Camada
Riscos Geológicos Engenharia - Adequabilidade Exploração de Recursos Naturais - Aptidão Pedológica do
Solo Superficial

Movimentos Disposição de
Erosão Inundação Loteamento Estradas Argila Areia Cascalho MCT /SUCS
de Massa Resíduos
15
Susceptível Susceptível Pouco Susc. Má Má Ñ Adequada Pouco Fav. Pouco Fav. Ñ Favorável LA' / CL

Z (m)
* Espessuras mínimas encontradas dentro do acervo de sondagens disponível
** Espessuras máximas encontradas dentro do acervo de sondagens disponível
Médio Minimo Maximo
OBS: As informações aqui contidas não devem substituir a investigação local.

146
MAPEAMENTO GEOAMBIENTAL DE MANAUS - AM
Autor: Wallace Vargas Roque Orientador: Dr. Newton Moreira de Souza Data: Março/2006

MAPA DE UNIDADES GEOTÉCNICAS


MORFO-ESTRUTURA: Bacia do Rio Amazonas
UNID. 14 - Dva MORFO-ESCULTURA: Planalto Dissecado do Rio Trombetas - Negro Perfil típico da forma de
Áreas de ocorrência FORMAÇÃO: Altér do Chão relevo

CARACTERIZAÇÃO GEOTÉCNICA Nspt


0 10 20 30 40 50
Formas de Relevo Material Inconsolidado Outras Informações
0
Expressão em Amplitude de Espessura média Comport. Niv. Lençol Prof. Média do
Tipo de Forma Declividade Horizontes Textura
Área Relevo Mín.* Máx.** Geotécnico Freático Médio Impenetrável

6,0 m Pouco
Argila Arenosa
Horizonte Permeável
Amarela a
15.A Consist. Mole a 1º Camada
Vermelha 2,0 m 10,0 m Rija

Areia Argilosa 5,0 m Permeável


Fundo de Vale 16,25 km² <5m 0a2% Horizonte <5m 10 a 20 m
Vermelha a Pouco a
15.B
Branca 3,0 m 8,0 m Compacta
5

Arenito
Horizonte Impermeável
Argiloso
15.C Impenetrável
Vermelho

2º Camada
AVALIAÇÃO DO TERRENO
Associação
Riscos Geológicos Engenharia - Adequabilidade Exploração de Recursos Naturais - Aptidão Pedológica do
Solo Superficial

Movimentos Disposição de
Erosão Inundação Loteamento Estradas Argila Areia Cascalho MCT /SUCS 10
de Massa Resíduos

Z (m)
Pouco Susc. Muito Susc. Ñ Suscept. Má Má Ñ Adequada Pouco Fav. Pouco Fav. Pouco Fav. LA' / CL
* Espessuras mínimas encontradas dentro do acervo de sondagens disponível
** Espessuras máximas encontradas dentro do acervo de sondagens disponível
Medio Minimo Maximo
OBS: As informações aqui contidas não devem substituir a investigação local.

147
APÊNDICE B
- LISTAGENS DOS PROGRAMAS ELABORADOS EM LEGAL –

148
// Programa em Legal para gerar a carta para áreas favoráveis a disposição de resíduos
- CLASSE 1.
{
// DECLARAÇÃO DAS VARIÁVEIS

//Temáticos

Tematico Geotecnico ("Interpretação");


Tematico UsoSolo ("UsoSolo");
Tematico DistDrenagem ("Dist_drenagem");
Tematico DistRodovias ("Dist_rodovias");
Tematico DistUrbana ("Dist_urbana");
Tematico ResiduosTema ("Disp_Residuos_classes");

//Numéricos

Numerico GeotPonde ("Mapas_Ponderados");


Numerico UsosoloPonde ("Mapas_Ponderados");
Numerico DrenagemPonde ("Mapas_Ponderados");
Numerico RodoviasPonde ("Mapas_Ponderados");
Numerico UrbanoPonde ("Mapas_Ponderados");
Numerico Residuos ("Mapas_Ponderados");

//Tabelas de Ponderação

Tabela TabGeot (Ponderacao);


Tabela TabUsosolo (Ponderacao);
Tabela TabDrenagem (Ponderacao);
Tabela TabRodovias (Ponderacao);
Tabela TabUrbana (Ponderacao);
Tabela TabResiduos (Fatiamento);

// DEFINIÇAO DA TABELA DE PESOS

//Carta Geotécnica

TabGeot = Novo (CategoriaIni = "Interpretação",


"Pps" : 0.80,
"Plw" : 1.00,
"Pfr" : 0.00,
"Sp" : 0.40,
"Ta" : 0.00,
"Hcx" : 0.30,
"Hp" : 0.20,
"Hcv" : 0.00,
"HcxBcv" : 0.00,
"HcxBp" : 0.20,
"HcvBcx" : 0.10,
"Hdr" : 0.00,

149
"Pfl" : 0.00,
"Dva" : 0.00);

//Uso do Solo

TabUsosolo = Novo (CategoriaIni = "UsoSolo",


"Agricultura" : 0.30,
"CampoLimpo" : 0.70,
"CampoSujo" : 0.80,
"CampoUmido" : 0.00,
"Capoeira" : 0.40,
"LoteamRecente" : 0.00,
"OcupPeriUrbana" : 0.00,
"OcupUrbana" : 0.00,
"Ombrof_Aberta" : 0.00,
"Ombrof_Densa" : 0.00,
"SedeRural" : 0.00,
"SoloExposto" : 0.80,
"Varzea" : 0.00,
"Rios" : 0.00);

//Distancia_Drenagens

TabDrenagem = Novo (CategoriaIni = "Dist_drenagem",


"< 100 m" : 0.00,
"100 a 400 m" : 0.00,
"400 a 800 m" : 0.20,
"800 a 1000m" : 0.50,
"> 1000m" : 1.00);

//Distancia_Rodovias

TabRodovias = Novo (CategoriaIni = "Dist_rodovias",


"< 1 km" : 1.00,
"1 a 2,5 km" : 0.80,
"2,5 a 5 km" : 0.40,
"5 a 10 km" : 0.20,
"> 10 km" : 0.00);

//Distancia areas urbanas

TabUrbana = Novo (CategoriaIni = "Dist_urbana",


"< 1 km" : 0.00,
"1 a 2 km" : 0.00,
"2 a 3 km" : 0.20,
"3 a 5 km" : 0.50,
"> 5 km" : 1.00);

//Tabela para fatias do mapa temático

150
TabResiduos = Novo (CategoriaFim = "Disp_Residuos_classes",
[0.5,1.00] : "Classe1");

// INSTANCIAÇÃO

Geotecnico = Recupere (Nome = "Interp_classes_5m");


UsoSolo = Recupere (Nome = "Uso do Solo_5m");
DistDrenagem = Recupere (Nome = "Dist_Drenagem_5m");
DistRodovias = Recupere (Nome = "Dist_Rodovias_5m");
DistUrbana = Recupere (Nome = "Dist_Urbana_5m");

GeotPonde = Novo (Nome = "Geotecnico_Ponderado1", ResX = 5, ResY = 5, Min = 0, Max


= 1 );
UsosoloPonde = Novo (Nome = "UsoSolo_Ponderado1", ResX = 5, ResY = 5, Min = 0, Max
= 1 );
DrenagemPonde = Novo (Nome = "DistDrenagem_Ponderado1", ResX = 5, ResY = 5, Min =
0, Max = 1 );
RodoviasPonde = Novo (Nome = "DistRodovias_Ponderado1", ResX = 5, ResY = 5, Min = 0,
Max = 1 );
UrbanoPonde = Novo (Nome = "DistUrbana_Ponderado1", ResX = 5, ResY = 5, Min = 0,
Max = 1 );
Residuos = Novo (Nome = "DispResiduos_Ponderado1", ResX = 5, ResY = 5, Min = 0, Max
= 1 );
ResiduosTema = Novo (Nome = "Disp_Residuos_classe1", ResX = 5, ResY = 5, Escala =
25000);

// OPERAÇÃO DE PONDERAÇÃO

GeotPonde = Pondere (Geotecnico, TabGeot);


UsosoloPonde = Pondere (UsoSolo, TabUsosolo);
DrenagemPonde = Pondere (DistDrenagem, TabDrenagem);
RodoviasPonde = Pondere (DistRodovias, TabRodovias);
UrbanoPonde = Pondere (DistUrbana, TabUrbana);

// ELABORAÇÃO DO MAPA DE RESÍDUOS

Residuos = 0.25*GeotPonde + 0.25*UsosoloPonde + 0.15*DrenagemPonde +


0.15*RodoviasPonde + 0.2*UrbanoPonde;

// FATIAMENTO DO MAPA NUMERICO

ResiduosTema = Fatie (Residuos, TabResiduos);

151
// Programa em Legal para gerar a carta para áreas favoráveis a disposição de resíduos
- CLASSE 2.
{
// DECLARAÇÃO DAS VARIÁVEIS

//Temáticos

Tematico Geotecnico ("Interpretação");


Tematico UsoSolo ("UsoSolo");
Tematico DistDrenagem ("Dist_drenagem");
Tematico DistRodovias ("Dist_rodovias");
Tematico DistUrbana ("Dist_urbana");
Tematico ResiduosTema ("Disp_Residuos_classes");

//Numéricos

Numerico GeotPonde ("Mapas_Ponderados");


Numerico UsosoloPonde ("Mapas_Ponderados");
Numerico DrenagemPonde ("Mapas_Ponderados");
Numerico RodoviasPonde ("Mapas_Ponderados");
Numerico UrbanoPonde ("Mapas_Ponderados");
Numerico Residuos ("Mapas_Ponderados");

//Tabelas de Ponderação

Tabela TabGeot (Ponderacao);


Tabela TabUsosolo (Ponderacao);
Tabela TabDrenagem (Ponderacao);
Tabela TabRodovias (Ponderacao);
Tabela TabUrbana (Ponderacao);
Tabela TabResiduos (Fatiamento);

// DEFINIÇAO DA TABELA DE PESOS

//Carta Geotécnica

TabGeot = Novo (CategoriaIni = "Interpretação",


"Pps" : 0.80,
"Plw" : 1.00,
"Pfr" : 0.30,
"Sp" : 0.60,
"Ta" : 0.40,
"Hcx" : 0.50,
"Hp" : 0.40,
"Hcv" : 0.20,
"HcxBcv" : 0.20,
"HcxBp" : 0.40,
"HcvBcx" : 0.30,
"Hdr" : 0.20,

152
"Pfl" : 0.10,
"Dva" : 0.00);

//Uso do Solo

TabUsosolo = Novo (CategoriaIni = "UsoSolo",


"Agricultura" : 0.50,
"CampoLimpo" : 0.70,
"CampoSujo" : 0.80,
"CampoUmido" : 0.10,
"Capoeira" : 0.50,
"LoteamRecente" : 0.00,
"OcupPeriUrbana" : 0.00,
"OcupUrbana" : 0.00,
"Ombrof_Aberta" : 0.20,
"Ombrof_Densa" : 0.10,
"SedeRural" : 0.20,
"SoloExposto" : 0.8,
"Varzea" : 0.00,
"Rios" : 0.00);

//Distancia_Drenagens

TabDrenagem = Novo (CategoriaIni = "Dist_drenagem",


"< 100 m" : 0.00,
"100 a 400 m" : 0.20,
"400 a 800 m" : 0.40,
"800 a 1000m" : 0.80,
"> 1000m" : 1.00);

//Distancia_Rodovias

TabRodovias = Novo (CategoriaIni = "Dist_rodovias",


"< 1 km" : 1.00,
"1 a 2,5 km" : 0.80,
"2,5 a 5 km" : 0.40,
"5 a 10 km" : 0.20,
"> 10 km" : 0.00);

//Distancia areas urbanas

TabUrbana = Novo (CategoriaIni = "Dist_urbana",


"< 1 km" : 0.00,
"1 a 2 km" : 0.20,
"2 a 3 km" : 0.40,
"3 a 5 km" : 0.80,
"> 5 km" : 1.00);

//Tabela para fatias do mapa temático

153
TabResiduos = Novo (CategoriaFim = "Disp_Residuos_classes",
[0.5,1.00] : "Classe2");

// INSTANCIAÇÃO

Geotecnico = Recupere (Nome = "Interp_classes_5m");


UsoSolo = Recupere (Nome = "Uso do Solo_5m");
DistDrenagem = Recupere (Nome = "Dist_Drenagem_5m");
DistRodovias = Recupere (Nome = "Dist_Rodovias_5m");
DistUrbana = Recupere (Nome = "Dist_Urbana_5m");

GeotPonde = Novo (Nome = "Geotecnico_Ponderado2", ResX = 5, ResY = 5, Min = 0, Max


= 1 );
UsosoloPonde = Novo (Nome = "UsoSolo_Ponderado2", ResX = 5, ResY = 5, Min = 0, Max
= 1 );
DrenagemPonde = Novo (Nome = "DistDrenagem_Ponderado2", ResX = 5, ResY = 5, Min =
0, Max = 1 );
RodoviasPonde = Novo (Nome = "DistRodovias_Ponderado2", ResX = 5, ResY = 5, Min = 0,
Max = 1 );
UrbanoPonde = Novo (Nome = "DistUrbana_Ponderado2", ResX = 5, ResY = 5, Min = 0,
Max = 1 );
Residuos = Novo (Nome = "DispResiduos_Ponderado2", ResX = 5, ResY = 5, Min = 0, Max
= 1 );
ResiduosTema = Novo (Nome = "Disp_Residuos_classe2", ResX = 5, ResY = 5, Escala =
25000);

// OPERAÇÃO DE PONDERAÇÃO

GeotPonde = Pondere (Geotecnico, TabGeot);


UsosoloPonde = Pondere (UsoSolo, TabUsosolo);
DrenagemPonde = Pondere (DistDrenagem, TabDrenagem);
RodoviasPonde = Pondere (DistRodovias, TabRodovias);
UrbanoPonde = Pondere (DistUrbana, TabUrbana);

// ELABORAÇÃO DO MAPA DE RESÍDUOS

Residuos = 0.25*GeotPonde + 0.25*UsosoloPonde + 0.15*DrenagemPonde +


0.15*RodoviasPonde + 0.2*UrbanoPonde;

// FATIAMENTO DO MAPA NUMERICO

ResiduosTema = Fatie (Residuos, TabResiduos);

154
// Programa em Legal para gerar a carta para áreas favoráveis a disposição de resíduos
- CLASSE 3.
{
// DECLARAÇÃO DAS VARIÁVEIS

//Temáticos

Tematico Geotecnico ("Interpretação");


Tematico UsoSolo ("UsoSolo");
Tematico DistDrenagem ("Dist_drenagem");
Tematico DistRodovias ("Dist_rodovias");
Tematico DistUrbana ("Dist_urbana");
Tematico ResiduosTema ("Disp_Residuos_classes");

//Numéricos

Numerico GeotPonde ("Mapas_Ponderados");


Numerico UsosoloPonde ("Mapas_Ponderados");
Numerico DrenagemPonde ("Mapas_Ponderados");
Numerico RodoviasPonde ("Mapas_Ponderados");
Numerico UrbanoPonde ("Mapas_Ponderados");
Numerico Residuos ("Mapas_Ponderados");

//Tabelas de Ponderação

Tabela TabGeot (Ponderacao);


Tabela TabUsosolo (Ponderacao);
Tabela TabDrenagem (Ponderacao);
Tabela TabRodovias (Ponderacao);
Tabela TabUrbana (Ponderacao);
Tabela TabResiduos (Fatiamento);

// DEFINIÇAO DA TABELA DE PESOS

//Carta Geotécnica

TabGeot = Novo (CategoriaIni = "Interpretação",


"Pps" : 1.00,
"Plw" : 1.00,
"Pfr" : 0.60,
"Sp" : 0.80,
"Ta" : 0.50,
"Hcx" : 0.50,
"Hp" : 0.40,
"Hcv" : 0.20,
"HcxBcv" : 0.20,
"HcxBp" : 0.40,
"HcvBcx" : 0.30,
"Hdr" : 0.20,

155
"Pfl" : 0.10,
"Dva" : 0.00);

//Uso do Solo

TabUsosolo = Novo (CategoriaIni = "UsoSolo",


"Agricultura" : 0.50,
"CampoLimpo" : 0.80,
"CampoSujo" : 1.00,
"CampoUmido" : 0.10,
"Capoeira" : 0.70,
"LoteamRecente" : 0.00,
"OcupPeriUrbana" : 0.00,
"OcupUrbana" : 0.00,
"Ombrof_Aberta" : 0.20,
"Ombrof_Densa" : 0.10,
"SedeRural" : 0.20,
"SoloExposto" : 1.00,
"Varzea" : 0.00,
"Rios" : 0.00);

//Distancia_Drenagens

TabDrenagem = Novo (CategoriaIni = "Dist_drenagem",


"< 100 m" : 0.00,
"100 a 400 m" : 0.20,
"400 a 800 m" : 0.40,
"800 a 1000m" : 0.80,
"> 1000m" : 1.00);

//Distancia_Rodovias

TabRodovias = Novo (CategoriaIni = "Dist_rodovias",


"< 1 km" : 1.00,
"1 a 2,5 km" : 0.80,
"2,5 a 5 km" : 0.40,
"5 a 10 km" : 0.20,
"> 10 km" : 0.00);

//Distancia areas urbanas

TabUrbana = Novo (CategoriaIni = "Dist_urbana",


"< 1 km" : 0.00,
"1 a 2 km" : 0.50,
"2 a 3 km" : 1.00,
"3 a 5 km" : 0.20,
"> 5 km" : 0.00);

//Tabela para fatias do mapa temático

156
TabResiduos = Novo (CategoriaFim = "Disp_Residuos_classes",
[0.5,1.00] : "Classe3");

// INSTANCIAÇÃO

Geotecnico = Recupere (Nome = "Interp_classes_5m");


UsoSolo = Recupere (Nome = "Uso do Solo_5m");
DistDrenagem = Recupere (Nome = "Dist_Drenagem_5m");
DistRodovias = Recupere (Nome = "Dist_Rodovias_5m");
DistUrbana = Recupere (Nome = "Dist_Urbana_5m");

GeotPonde = Novo (Nome = "Geotecnico_Ponderado3", ResX = 5, ResY = 5, Min = 0, Max


= 1 );
UsosoloPonde = Novo (Nome = "UsoSolo_Ponderado3", ResX = 5, ResY = 5, Min = 0, Max
= 1 );
DrenagemPonde = Novo (Nome = "DistDrenagem_Ponderado3", ResX = 5, ResY = 5, Min =
0, Max = 1 );
RodoviasPonde = Novo (Nome = "DistRodovias_Ponderado3", ResX = 5, ResY = 5, Min = 0,
Max = 1 );
UrbanoPonde = Novo (Nome = "DistUrbana_Ponderado3", ResX = 5, ResY = 5, Min = 0,
Max = 1 );
Residuos = Novo (Nome = "DispResiduos_Ponderado3", ResX = 5, ResY = 5, Min = 0, Max
= 1 );
ResiduosTema = Novo (Nome = "Disp_Residuos_classe3", ResX = 5, ResY = 5, Escala =
25000);

// OPERAÇÃO DE PONDERAÇÃO

GeotPonde = Pondere (Geotecnico, TabGeot);


UsosoloPonde = Pondere (UsoSolo, TabUsosolo);
DrenagemPonde = Pondere (DistDrenagem, TabDrenagem);
RodoviasPonde = Pondere (DistRodovias, TabRodovias);
UrbanoPonde = Pondere (DistUrbana, TabUrbana);

// ELABORAÇÃO DO MAPA DE RESÍDUOS

Residuos = 0.25*GeotPonde + 0.25*UsosoloPonde + 0.15*DrenagemPonde +


0.15*RodoviasPonde + 0.2*UrbanoPonde;

// FATIAMENTO DO MAPA NUMERICO

ResiduosTema = Fatie (Residuos, TabResiduos);

157
// Programa em Legal para gerar a carta de áreas para a exploração de recursos
naturais
{
// DECLARAÇÃO DAS VARIÁVEIS

//Temáticos

Tematico AreiaTema ("Mat_Construcao");


Tematico ArgilaTema ("Mat_Construcao");
Tematico CascalhoTema ("Mat_Construcao");
Tematico Geotecnico ("Interpretação");
Tematico UsoSolo ("UsoSolo");
Tematico DistDrenagem ("Dist_drenagem");
Tematico DistRodovias ("Dist_rodovias");
Tematico DistUrbana ("Dist_urbana");

//Numéricos

Numerico GeotAreiaPonde ("Mapas_Ponderados");


Numerico GeotArgilaPonde ("Mapas_Ponderados");
Numerico GeotCascalhoPonde ("Mapas_Ponderados");
Numerico UsosoloPonde ("Mapas_Ponderados");
Numerico DrenagemPonde ("Mapas_Ponderados");
Numerico RodoviasPonde ("Mapas_Ponderados");
Numerico UrbanoPonde ("Mapas_Ponderados");
Numerico ConstAreia ("Mapas_Ponderados");
Numerico ConstArgila ("Mapas_Ponderados");
Numerico ConstCascalho ("Mapas_Ponderados");

//Tabelas de Ponderação

Tabela TabAreia (Ponderacao);


Tabela TabArgila (Ponderacao);
Tabela TabCascalho (Ponderacao);
Tabela TabUsosolo (Ponderacao);
Tabela TabDrenagem (Ponderacao);
Tabela TabRodovias (Ponderacao);
Tabela TabUrbano (Ponderacao);
Tabela TabConstAreia (Fatiamento);
Tabela TabConstArgila (Fatiamento);
Tabela TabConstCascalho (Fatiamento);

// DEFINIÇAO DA TABELA DE PESOS

//Carta Geotécnica

TabAreia = Novo (CategoriaIni = "Interpretação",


"Pps" : 0.00,
"Plw" : 0.00,

158
"Pfr" : 0.00,
"Sp" : 0.00,
"Ta" : 0.20,
"Hcx" : 0.20,
"Hp" : 0.00,
"Hcv" : 0.00,
"HcxBcv" : 0.00,
"HcxBp" : 0.00,
"HcvBcx" : 0.00,
"Hdr" : 0.80,
"Pfl" : 0.40,
"Dva" : 1.00);

TabArgila = Novo (CategoriaIni = "Interpretação",


"Pps" : 0.80,
"Plw" : 1.00,
"Pfr" : 0.30,
"Sp" : 0.50,
"Ta" : 0.40,
"Hcx" : 0.20,
"Hp" : 0.40,
"Hcv" : 0.20,
"HcxBcv" : 0.20,
"HcxBp" : 0.20,
"HcvBcx" : 0.20,
"Hdr" : 0.30,
"Pfl" : 0.40,
"Dva" : 0.30);

TabCascalho = Novo (CategoriaIni = "Interpretação",


"Pps" : 0.00,
"Plw" : 0.00,
"Pfr" : 0.00,
"Sp" : 0.00,
"Ta" : 0.00,
"Hcx" : 0.00,
"Hp" : 0.00,
"Hcv" : 0.00,
"HcxBcv" : 0.00,
"HcxBp" : 0.00,
"HcvBcx" : 0.40,
"Hdr" : 0.40,
"Pfl" : 0.00,
"Dva" : 0.80);

//Uso do Solo

TabUsosolo = Novo (CategoriaIni = "UsoSolo",


"Agricultura" : 0.30,
"CampoLimpo" : 0.50,

159
"CampoSujo" : 0.60,
"CampoUmido" : 0.10,
"Capoeira" : 0.50,
"LoteamRecente" : 0.00,
"OcupPeriUrbana" : 0.00,
"OcupUrbana" : 0.00,
"Ombrof_Aberta" : 0.20,
"Ombrof_Densa" : 0.00,
"SedeRural" : 0.20,
"SoloExposto" : 0.80,
"Varzea" : 0.00,
"Rios" : 0.00);

//Distancia_Drenagens

TabDrenagem = Novo (CategoriaIni = "Dist_drenagem",


"< 100 m" : 0.00,
"100 a 400 m" : 0.20,
"400 a 800 m" : 0.40,
"800 a 1000m" : 0.80,
"> 1000m" : 1.00);

//Distancia_Rodovias

TabRodovias = Novo (CategoriaIni = "Dist_rodovias",


"< 1 km" : 0.00,
"1 a 2,5 km" : 0.20,
"2,5 a 5 km" : 0.60,
"5 a 10 km" : 1.00,
"> 10 km" : 0.60);

//Distancia areas urbanas

TabUrbano = Novo (CategoriaIni = "Dist_urbana",


"< 1 km" : 1.00,
"1 a 2 km" : 0.80,
"2 a 3 km" : 0.40,
"3 a 5 km" : 0.20,
"> 5 km" : 0.00);

//Tabela para fatias do mapa temático

TabConstAreia = Novo (CategoriaFim = "Mat_Construcao",


[0.50,1.00] : "Areia");

TabConstArgila = Novo (CategoriaFim = "Mat_Construcao",


[0.50,1.00] : "Argila");

TabConstCascalho = Novo (CategoriaFim = "Mat_Construcao",


[0.50,1.00] : "Cascalho");

160
// INSTANCIAÇÃO

Geotecnico = Recupere (Nome = "Interp_classes_5m");


UsoSolo = Recupere (Nome = "Uso do Solo_5m");
DistUrbana = Recupere (Nome = "Dist_Urbana_5m");
DistDrenagem = Recupere (Nome = "Dist_Drenagem_5m");
DistRodovias = Recupere (Nome = "Dist_Rodovias_5m");

GeotAreiaPonde = Novo (Nome = "Geotec_Areia_Ponderado", ResX = 5, ResY = 5, Min = 0,


Max = 1 );
GeotArgilaPonde = Novo (Nome = "Geotec_Argila_Ponderado", ResX = 5, ResY = 5, Min =
0, Max = 1 );
GeotCascalhoPonde = Novo (Nome = "Geotec_Cascalho_Ponderado", ResX = 5, ResY = 5,
Min = 0, Max = 1 );
UsosoloPonde = Novo (Nome = "UsoSolo_Const_Ponderado", ResX = 5, ResY = 5, Min = 0,
Max = 1 );
UrbanoPonde = Novo (Nome = "DistUrbana_Const_Ponderado", ResX = 5, ResY = 5, Min =
0, Max = 1 );
DrenagemPonde = Novo (Nome = "DistDrenagem_Ponderado", ResX = 5, ResY = 5, Min =
0, Max = 1 );
RodoviasPonde = Novo (Nome = "DistRodovias_Ponderado", ResX = 5, ResY = 5, Min = 0,
Max = 1 );

ConstAreia = Novo (Nome = "Areia_Ponderado", ResX = 5, ResY = 5, Min = 0, Max = 1 );


ConstArgila = Novo (Nome = "Argila_Ponderado", ResX = 5, ResY = 5, Min = 0, Max = 1 );
ConstCascalho = Novo (Nome = "Cascalho_Ponderado", ResX = 5, ResY = 5, Min = 0, Max
= 1 );

AreiaTema = Novo (Nome = "Areia_Construcao", ResX = 5, ResY = 5, Escala = 25000);


ArgilaTema = Novo (Nome = "Argila_Construcao", ResX = 5, ResY = 5, Escala = 25000);
CascalhoTema = Novo (Nome = "Cascalho_Construcao", ResX = 5, ResY = 5, Escala =
25000);

// OPERAÇÃO DE PONDERAÇÃO

GeotAreiaPonde = Pondere (Geotecnico, TabAreia);


GeotArgilaPonde = Pondere (Geotecnico, TabArgila);
GeotCascalhoPonde = Pondere (Geotecnico, TabCascalho);
UsosoloPonde = Pondere (UsoSolo, TabUsosolo);
UrbanoPonde = Pondere (DistUrbana, TabUrbano);
DrenagemPonde = Pondere (DistDrenagem, TabDrenagem);
RodoviasPonde = Pondere (DistRodovias, TabRodovias);

// ELABORAÇÃO DO CARTA PARA EXPLOÇAO DE RECURSOS

ConstAreia = 0.30*GeotAreiaPonde + 0.25*UsosoloPonde + 0.15*DrenagemPonde +


0.15*RodoviasPonde + 0.15*UrbanoPonde;

161
ConstArgila= 0.30*GeotArgilaPonde + 0.25*UsosoloPonde + 0.15*DrenagemPonde +
0.15*RodoviasPonde + 0.15*UrbanoPonde;
ConstCascalho = 0.30*GeotCascalhoPonde + 0.25*UsosoloPonde + 0.15*DrenagemPonde +
0.15*RodoviasPonde + 0.15*UrbanoPonde;

// FATIAMENTO DO MAPA NUMERICO

AreiaTema = Fatie (ConstAreia, TabConstAreia);


ArgilaTema = Fatie (ConstArgila, TabConstArgila);
CascalhoTema = Fatie (ConstCascalho, TabConstCascalho);

162

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