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O Fascínio Pela Arte - Sarah Kofman

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sobre Aladonma, le sobre tea, de Leonardo Da Vine bra publicada com 0 apoio ‘do Ministério da Cultura da Panga ‘C1P-Beisi, Catalogacdo radu Maria lgnez Due Estrada revisiotecnt- iia Moraes Rego, — Rio de Janeito: Rekime:Dumara, 1996 96-0229 ‘Tedos os direitos reservados. A reprodugio nio-autorizada desta publicagto, Por qualquer meio, ses cla otal ou pare, consti oligo da lei 5.988, ~ a oa SUMARIO ‘A FASCINAGKO PELA ARTE A.arte como modelo de conhecimento dos processos psiquicos . ‘Aate, modelo de compreensio do psiquismo - Awtrernemcio br Soxtos Obra ce arte e sonhos tipi Procedimentosaréicos e procdimentos do sono AGRON ees eeee f O comhectmento endopsiguico do poeta © MEropo be Lerrura pe Freup A obra de arte como texto a decifrar .. © sonho, paradigma da obra de arte sentantes uma metafisica, a uma ideologia, aos interesses que pertencem, apesar de tudo". ida por caust da adesto de seus repre O FASCINIO PELA ARTE A arte como modelo de conhecimento dos processos psiquicos proporcionado pela ciéneia (a icologia tradicional) motiva essa fascinacao. ‘A interpretacdo dos sonhose em Delirose de Jensen. Nessas obras, 0 conhecimento dos art izado por Freud como con- traprova de sua primeira t6pica, © corrobora em particular a descoberta do tico do Edipo es mente, pois elas s6 revelam. numa deformagao: cariter circul que nos remeterd necessari mais especifica- mente dos processos do sonho, os procedimentos das obras de . O Ghiste conduz. ao segundo momento do encaminh: :no, que se encontra encetado na Gradiva, verd Aarte, modelo de compreensio do psiquismo A INTERPRETAGAO DOS SONHOS: Obra de arte e sonhos tipicos Nessa obra, a aproxi intervém quando Freud aborda a anilise dos sonhos tipicos, que sto caracterizados por sua relacao com uma fantasia univ dda a desejos infantis comuns a todos os homens. Sua exp: ddos graus de recalque, segundo 0 primeiro exemplo 0 sonho de nudex ¢ a £ um sonho mareado pelo contras- do sonhador e a indiferenga dos espectado- res. Sua explicacio final se encontra no desejo infantil de exibi- yadora trai uma ie do sonho desejos Na base do sonho, portanto, existe u ibranca (ou uma ) da nossa infincia: * sal. A especificidade dos mesmo se € um significado agao, Sao dadlos to de um para parece, que ele alude a um mito Mas em seu Prefdicio a 3* edigdo de 1911, Freud as préximas edigdes devertio acentuar mais os lagos liferentes producdes psiquicas e culturais ~ [AINFANCIA DA ARTE: -xistirem, dl buscar um conta uso da ling precissrio, do outro lado, estudar cor ros Mot (Dichtungsstoffen) certamente nao sio nem isoladas O poeta um sonho, do qual Segunda contraprova da analise ritico, Keller, diz que Homero captou ess: ‘mais profunda e mais permanente da dade, Para Freud, mas essa esséncia ndo € de natureza “A esséncia profunda e eterna do homem simples * do segundo exemplo de sonh exposicao ipo rei, de S6fock radigmatico que nos oferece quase sem disfarce revelador desta “essét - al antes: "A Antigilidade nos um tema legendario cujo 86 pode ser compreendido se da nos comovemos com a tragédia d » contraste entre o destino © a do mat porque ele teria podido ser © nosso, porque no nosso nasci- mento © oriculo pronunciou contra nés a mesm imeiro édio. Nossos sonhos 0 te Edipo, que mata seu pai e casi-se com sua mai desejos da nossa infiincia", © final do texto fecha 0 circulo: ele comecara por um test que é etior da pega a chave para a tagédia de , em altima andilise, © que permite interpretar a tragédia 1 pelo proprio text consola Edipo, a quem 0 oracul um sonho que quase todos os homens nao pode ter qualquer significagai *Muitas pessoas, em seus sonhos, parti Segue-se uma segunda contraprov: ee 0 se comporta, por assim dizer, c como um neurético histérico. Tau Epocas e que progresso secul iva da humanidade, Em jos subjacentes na crianga sdo expos Hamlet, elas permanecem recaleadas , como acontece com luc eles desencadeiam’. erpretagdo dos so de modelos de compreensio ‘O FASCINIO PELA ArerE a para estahelecer a significagao de m outro elemento. A ambigilidade dos diferentes elemen- afinal de contas, a servir a [AINFANCIA DA ANTE ico € que as indeterminagdes, que quiscram usar como Argumento contra 0 cariiter concludente de nossas interpretagd- es de sonhos, so normalmente inerentes a todos esses sistemas de expressio pri A obra de arte & it areaica. Gomo 0 sonho, ela nao fala e seu objetivo tltimo nao & 4 comunicacto, Como ele, em certa medica, ela busca dissimu- seu sentido. Mas, como a eserita, ela deve petmanecer com- preensivel, embora a natureza do material que usa deva forgil a inventar um sistema de expressividade proprio, produzindo a significincia dos seus significantes. ‘0 sonho niio tem nenhum meio para representar as re des légicas entre os pensamentos que o compdem (...) Esse defeito de expressio esti ligado a natureza da matéria psiquica de que o sonho dispoe. As artes plisticas, pintura ¢ escu comparadas poesia que, ela, pode encon- impossi cessas duas artes, em seu esforgo para exprim Antigamente, quando a ‘este handicapr o pintor colocava diante da boca dos individuos que ele representava umas bandeirolas nas quais € s Palavras que niio conseguia fazer compreender”.!* Esse texto permite compreender melhor o que Freud enten- de por “expressividade” da arte no Moisés de Michelangelo por que é impossivel separara “forma” do “fundo”. Se com esses termos Freud ainda parece prisioneiro da logica da repre- sentago, de fato ele nfo 0 € mais: a arte, como o sonho da qual ela € © paradigma, se rege por processos dotados de uma expressividade propria, engendrando um texto especifico que nilo é a tradugdo de um texto preexistente; no sonho como na ico texto, que desvela seu sentido em nho, a expres- da censura, mas da arte, como o do sonho, “representa” muito mais no sentido de Darstellung do que de Vorstellung, isto 6, muito mais no ‘OFASCINIO PELA ARTE “8 sentido de uma figuragao do que de uma representaco referen- te a uma presenga © a um significado externos. Entretanto, mesmo regendo-se por € a ate no silo menos dependentes d: neles nem da que os censura. 86 que, e1 de representagio, mas de conflitos de forcas que se encontram ' pelo texto da arte assim como pelo do sonho. sim que, no sonho como na arte, as relagdes logicas se m por meio de procedimentos figurativos especificos. variagao na figuracdo transforma o sentido das 1 Goes estabelecida mesma forma como a pintura acabou encontrando o meio de exprimir (Zum Ausdruck zu bringen) que nao fosse com bandeir intengdes dos personagens que representava © sonho consegue extrair algui . 262). m todo © seu capitulo sobre o trabalho Particular no subtitulo consagrado ao trabalho de Freud sempre tome a pintura ou a escultura se declara simples profano ¢ atribui estetas de profissio 0 conhecimento formal \G40 de seu valor estético! £ assim que, Se associam a0 contetido rep: Psiquica, Freud compara as fontes Daratos, dos quais uma pessoa pode se s quanto um material. precioso t Quando u indicagdes para seu uso. com uma pedra rara, seu Cor, suas manchas determinam a figuracdo, en- simples © abundante ele pode mente representadlo, 2. ssrutira gral do sono com freqignelacomparada a uma o modern ea arte como tradugbes dk nova estrutura que tem suas proj 0 escttor politico, -O que de melhor vocé sabe no pode ser ssses meninos", diz Goethe. A deformagao da expr varia conforme a suscetibilidade da censura: deveriam ser evi- im a importincia dos personagens por ‘Os reis cram figurados duas ou tes vez S que as pessoas da corte ou que os inimigos vencidos ferior diante de seu superior recorda esse antigo jento de figuracao”.2* ‘A figuracio de imagens compostas, yento que parece extraordinirio Apesar disso, “ele encontra seu equivalente los uns dos outros. Entretanto, 0 pro- o de claboragio tem a particu- 1r, nessa se sirva do proced mento de fusio ou de c n geral, em levar contriirio, se esforga em cond indo, como se faz com uma ch sentidos na qual possam se encontrar as du: mo no do sonho, € 0 mesmo, mi intengio que preside a sua formagao. As criagdes fantisticas da vigilia so determina destinam a causar, as imagens com permanece exterior sua forma: aquilo que ha de comum no pensamento do sonho. Apesar disso, 0 sonho nao negligencia as caracteristicas me- ramente formais da figuragto: € nisso o paradigma da obra de arte cabe ainda melhor do que nos outros casos é que Freud se interroga sobre a expressividade de set rengas de intensi- wens, as diferencas de nitidez das diferen- artes do sonho ou de sonhos inteiros comparados uns com utros remetem a diferencas no trabalho de condensacio e, portanto, a diferenas de investimento nas diferentes repre~ sentagdes. ‘A obscuridade do sonho era um pedago do material que o provocara. Uma parte deste contedido havia sido representad sob a forma do sonho. A forma do sonho ou a forma pela qu eleéso éempregada com uma frequéncia espantosa para representar (Darstellung) seu contetdo oculto (verdeckren)"? A expresso de um pe 10 do sonho pode até bre as possibilidades de expressiio de um outro pensa- mento, comandar a escolha de uma expressio em lugar de uma ocasidio sobre as pos nckando-os © oper . Os melhores poemas sio aqueles busca da rima, mas ond io se percebe Depois de Freud, Saussure € Jakobson também indicardo que todo texto postico é comandado por um pretexto que 0 a (que € feita de palavra) nao ras precedentes, e que elas ndo sao escothidas diretamen- te pela consciéncia formadora, Sendo a pergunt imediatamente por tris do v a palavra indutora, ponto de anular © papel da su entretanto, que esta 86 pode produrir seu textc i is de Saussure. na arte, a consideragio da figurabilidade € fundamen- representadas por meio de : *Exatamente como 0 pintor que ret i$ ou em um Parnaso todos os fil6sofos ou todos embora eles nunca tenham estado juntos nessas condigdes: elas formam, pelo pensamento, uma comunidade desta espécie”.% De uma maneira geral, o sonho repete em seus procedimen- tos de figuragao os modos do pensamento arcaico. [assim que, representando a freqiiéncia pela acumulagi0,0 sonho lavra a sua concepedo primitiva. O terme Jes temporais em rekicdes bem como 0 emprego de ares, a0 fol- sonho transforma, assim, as rel .81 Este modo de pensar, as representagdes coletivas po} 10 mito, as lendas, aos ditados, aos proves dilhos correntes, permitem qualificar tanto a escrita do sonho ‘em que ela desempenhou © papel por seus leitores do que uma escrita requer ser decifrada, mas oferece a este trabalho 0 ob Ora, ¢ € este o quinto ponto da compa através do mesmo contraste que se métodos da pintura e da escultura, conforme os di nardo da Vinci: “per via di porré’ e “per via di levare’S® resistencia 2 interpretagaio dos sonhos encontra seu modelo cle ller compara o artista a quem sonha: “Parece-me igencia impoe a tudo se passa como se o artista tivesse retirado vigia as por idéias se precipitam todas junt: LU encany rea aneh » inciastes cedo dem: por culpa da vossa esteri Assim, seja para a fonte do sonho, para sua estrutura geral e nterpretagio, o modelo d € sempre a arte. Modelo ar se juntam na arte os processos secundirios; a arte a comunicavel a escrita narcisica do sonho. 1, A arte, como 0 sonho, tem procedimentos de expresso prios ¢ é fundamental levar em consideragao a figurabilida- le; ambos sio intraduziveis para a linguagem da raza0. Cada tem sua propria lingua de sonho, e mesmo cada sonha- 6pri assim como cada artista tem seu ). Mas 08 pensamentos inconscientes niio so tra- idos nem mesmo transcritos em linguagem cle sonho ou em igem da arte: no existe um texto prelimin: texto.35 O texto do contetido latente obra, detalhes que parecem insignificantes e inexpressi ie a deformagio do texto implica a presenca de origindrio transformado, e sim de sentido que, como tal, é exigéncia de substituto ¢ de “suple: le", Esta € origindria se faz repeticlo € na arte, secundarios ‘cm um outro texto é querer fazer a economia da economia, A cscrita psiquica é um Gnico sistema energético. O sonho econo- miza a palavra, que el ndo se pode transformar a escrita em palavra.36 2. 0 sonho como a arte é um enigma figurativo, As analogias estabelecidas por Freud entre o sonho e a arte, longe de convi 43, Mas se a arte é, por sua vez, um enigma, € que os processos primarios devem estar na obra ndo s6 de uma maneira dl eles perderi conhece ou doneurético, que é comandado pore ‘0s comanda. O paradigma repetido da obra de arte na Traum- deutung convida a passar ao segundo momento: analisar a ol de arte para nela descobrir os processos semethantes aos que ‘em seu ensaio sobre a Gradiva de Jensen que se opera mais claramente a conversio: a obra de arte, de modelo te6rico, torna-se por sua vez, objeto de investigacio, AGRADIVA O comhecimento endopsiquico do poeta Nesse texto, Freud manifesta uma admiragao declarada pelos escritores e poetas que, sem empregar qualquer esforco, pos- suiem um conhecimento mais acertado dos processos psiquicos, mérbidos ou normais, do que a psiquiatria e a psicologia cionais. Mas aos poucos o objetivo polemico da obra se revela: © romance serve de suporte a psicanilise para impor ao grande piiblico © a psiquiatria sua nova visio a respeito do psiquismo. Ao mesmo tempo, Freud se espanta com este “saber” das r0- maneistas; sua interrogagao o conduz ao segundo momento da cia entre estes © 0s E assim que Freud conduta dos hetéis, como faria com os. isa do her6i ao proprio autor, do qu: -xos. A obra engendra aquele que é seu devem ser compreendidos como du- © proprio Freud apresenta fre- © proceso, 0 soterramento de 8.” Na Gradiva, ele * “Os po sao aliados preciosos e seu testemunho deve ser muito aprecia- do, pois eles conhecem entre 0 céu e a terra muitas coisas que iéncia” (p. 33). A quem objetasse que o ponto de Vista do autor é sempre subjetivo, Freud responde propondo acrescentar ao método ge! étodo Yo, 0 que permitiria, através da com! renciais, ler o universal parece muito superior, talvez a Gnica que se justifique seguir, pois ela nos evita de saida o prejuizo a que nos expde a concepcio unicista da arte ce um poeta. Este ponto de vista unilateral desaparece quando nossas pesquisas se es- tendem a um conjunto de indlividualidades poétieas, eada uma diferente da outra, may que devem se ombrear com os 1 profundos conhecedores , que estamos acostu- mados a honrar nos poetas” (p. 34). Mais adiante, Freud reconhece a superioridade do conheci- mento dos pintores sobre o da ciéncia; uma gravura de Félicien Rops sugere methor que qualquer explicag.io racional o proces- so de recaleamento: “O artista figurou 0 caso tipico do recalque ‘nos santos € nos penitentes. Um monge asceta fugiu sem dtivida nenhuma das tentagdes do mundo ao pé da cruz que carrega 0 Salvador. Bis que a cruz se desfaz como uma sombra ¢ que em seu lugar, como se fosse seu intérprete, se ergue radiosa a rem de uma mulher magnifica € nua, na mesma pose da crucificagao. Outros pintores, com sentido psicolégico menos agudlo, em tais figuracdes da tentagao representaram 0 pecado numa atitude de desafio para com a cruz (...) Rops parece ter sabido que 0 recalcamento, em seus meandros, emerge da stdncia recalcante” (pp. 60-61). Depois, ele alca a “fantasia” de Jensen a dignidade de um cestudo psiquistrico: “Nés, leitores, certamente ficamos estupe- fatos de nos ver lidando com Norbert Hanold ¢ Zoé Bertgang em todas as expressdes de seus psiquismos, em seus atos € _gestos, como personagens reais € nilo criagdes posticas, assim como se 0 espitito do romancista fosse um meio absolutamente 205 raios do real e sob nenhum aspecto refratario ou mais estranha porque de estudo psiquidtrico” (p. 67) dois pontos parecem inverossimeis ¢ arbitrtios, mas 0 conhecimento das fontes do autor permitiria exp! icas: tudo na obra € explicavel e conforme 3 ‘O poeta fez um estudo psiquit podemos comparar nossa compreen: P. 69). Entretanto, Freud parece surpreso com este “saber espantoso que © po podido compreender aquilo! Considerar a obra do romancista como um estudo psiqui la do ponto de vista da verdade, nao seri ‘dade da obra de arte e ser enre do signo? Nao se deve deixar a ciéncia (a psiquiatria, no o) a preocupacio de fazer seus proprios estudos? A essas Freud responde irem uma especifi- ico perfeitamente correto, p da vida psiq bem beleza, poi mente como tal: “Na verdade, nenhum verdadeiro poeta ver obedeceu a esta ordem. A descrigio (Schilderung), »gica humana € de fato seu dominio proprio. Ele ‘e mesmo ‘© poeta nio cedeu 0 passo ao psiquiatra nem 0 psiquiatra 0 pocta, ¢ 0 tratamento postico de um tema psiquiitrico pode ser correto sem que a beleza seja perdida”.*t profundidade no romance de Jensen. A relagio entre os dois Personagens, Norbert e Zoé, representa em profundidade aque- laexistente entre ista €a psicanilise. Certo, Norbert arquedlogo. Mas ele que ele comeca artista, € entendido de uma Norbert, como oai studo da Gradiva de Jensen, podemos tirar um certo ro de conclusoes: 1, O artista tem um conhecimento superior ao da psicologia nal € da psiquiatria que vemos ser preenchida pelo poeta. A ciéncia inda nao suspeita da importincia do recalcamento, ela no reconhece que tem necessidade absoluta do inconsciente para cexplicar 0 universo das manifestacdes psicopatol6gicas. Ela nio ‘0s sintomas como formagdes de compromissos” (p. 79).. fa confirma os resultados da psican: abe deples petaide sama mesigtion de adeatecao-rshesaagcle bee do artista, Freud acaba por se perguntar (p. 81) como o poeta podia ter chegado ao mesmo saber que © médico, ou pelo wenos como podia ter chegado a fazer como se soubesse a3 yesmas coisas; mais do que um saber, trata-se do jogo de um ud fala desse saber como de um “conhecimento Mas © que isso quer dizer € qual verdade de um tal saber? Este conhecimento é o pri poetas, dos homens 10s, de certos doentes, dos s exterior, Assim, este conhecimento oscuro “naturalmente nada surpreendente que o poeta saiba sem saber ‘© que ndo possa situar 0 lugar da verdade de seu discurso. O conhecimento endopsiquico € um conhecimento na sombra: 0 que se encontra projetado no mundo exterior é o testemunho do que foi apagado da consciéncia. Na parandia sdo projetadas como que uma to, forca que compare percepedo endopsiquica (4 psicopatologia da vida cotidiana), dle modo que 0 doente introduz as relagde: dade exterior por meio da projegio, ¢ que foi omitido no psiquismo"." © mesmo processo interfere no hi animist it a respeito da concepeio mitolé- ica do mundo nao é senao “uma psicolo, do exterior" 45 © supensticioso procede de acordo com 0 mesmo desloca- mento: "E porque o supersticioso nad sabe da motivagio de seus préprios atos acidentais e porque esta motivacio proc se impor a consciéncia que ele & obrigado a destoca do-a no mundo exterior" 46 Imente, em O poeta e a imaginagao (1908), Freud mos- ta que o poeta retira seu material do tesouro popular constitul- do pelos mitos, as lendas ¢ os contos, ¢ que “tudo lev: que 0s mitos, por exemplo, stio muito provavelmente ves deformados de fantasmas de desejos comuns a nagoes int © representam sonhos seculares da jovem humanidade”. E verdade que, nesse texto, Freud toma como exemplo so- bretudlo obras sem grande originalidade ¢ autores sem preten- . Quanto aos outros, podemos dizer que eles proj suas obras os seus fantasmas individuais, que devem, contudo, terum fundo de verdade universal para poder interessar o leitor Seja 0 conhecimento obscuro do paranéico, o do homem pr tivo na fase animista, 0 do supersticioso e do pot apesar de superioridade do poeta sobre os outros ho- mens € ser mais “introvertido’ das relagdes recaleadas, 0 que Ihe permite ficar a escuta ja © sentido literal, seja o sentido lig que parte de detalhes negligenciados por qualquer outro méto- seu tenha sua importincia © que (p. 95). Que 0 proprio autor ignore ber. Jensen foi interrogado a spretacdo dos sonhos ma negativa e de mau humor: apenas fera muito prazer com isso. estudo sobre 24 horas na vida , este também niio reconhe- intencdes na interpretacio proposta. Esse desacordo declaradas do a que fala “de verdad + buscado no exterior, embora nao seja independiente do mo do escritor, Mas 0 que pode ser 0 psiquismo, ele PrOprio, sendo um texto, para poder ser “representado” por um texto? Como se articulam 0 texto da obra ¢ 6 texto 5 0 text 0 estruturar 0s seus fantasmas? Seja como for, Freud, tanto no seu estuclo sobre Jensen c sobre Stephan Zu nente nas expresses do romancista: "Nos deixamos que ele fornecesse 0 tex io da Gradiva, ele mos que o poeta pode perfeitamente ignorar essas regras € essas intengdes, a ponto de negar de boa-fé ter conhe: cimento delas-e, entretanto, nada encontramos em sta ol no esteja vex da mesma fonte, tral sobre © mesmo objeto, cada um com seus métodos préprios, € a conformidade dos resultados parece testemunhar que ambos trabalhamos bastante. Nosso enc: servagio consciente dos processos psiquicos anormais em al- ‘guém, a fim de poder adivinhar e enunciar as suas leis. O poeta, decerto, faz. iss0 de outro modo; ele concentra sua atencio no inconsciente de sua propria alma, aguga o ouvido para todas as suas virtualidades e Ihes confere expresso artistica, 20 invés de recalcic-las pela eritica consciente. Ele aprende pelo interior de simesmo 0 que nés aprendemos pelos outros: quais so as leis que regem a vida do inconsciente; mas ele nao tem a menor necessidade de exprimi-las ou de percebé-las claramente; gra Freud ao a rompe. Mas convida, Freud pass as para uma certa de: ‘modelo paradigmitico confirmador do conhe o: ela propria se torna objeto de investigagio. O do que da mesma maneira que as desenredamos dos casos m 0 poeta € o médico, compreenderam mal n6s dois 0 compreendemos muito bem’. (P. ‘A proposito de 24 horas na vida de uma mulher, ele opoe intengbes confessas do artista aquilo que seu texto diz “De uma maneira declarada, esta pequena mostrar que uma mulher € um ser irresponsivel e a tal ponto surpreendendo a si propria conduzida a uma inesperada, Mas a is clo que isso. ‘uma interpretagao analitica, € porque representa coisa completamente diferente”. As intengoes declara- das sio apenas uma fachada dada pelo nificagio analitica. O texto 6, assim, urn esconde, que mascara seu sentido: apenas certos detalhes di mulidos na trama do tecido fornecem 0 fio que permite desco- brit Caujilecken) o segreclo do texto. “Isso € tio caracteristico natureza da criagdo artistica que autor, um amigo meu, po assegurar que a interpretagio que eu the cava era perfeitamente verdade de seu discurso. Fi pertencente 4 ideologi processo printirio. Mais que do do neurético, do h ia em seu estudo sobre sm si algo de infantil. A obra de arte, que divis6ria. No Apéndice a segunda edicdo da Gradiva (1912), ‘reud escreve: "Nos cinco anos que decorreram desde que dente daquilo que tem a idade de produzir um prazer vida ea pequena Jensen, que os sonhos inventados por veis as mesmas interpretagdes que 0s sonhos re: que na produgio do poeta estio A Maneira que Os so% p.76). A partir da Gradiva efetwa- ‘de 1969 (retomado em 10 de sedluzit, de proporcionar ao piblico certos efeitos, de afeto. Quer dizer que a arte se submete ao principio do as poem as saginacdes em harmonia com a realidade. (0 dispor de certas qual Proprio inconsciente. Mas ha uma circunstinci Ihidem, p. 223. le decifragao ea impos smo certos sabats de Goya, certas Ressurrelgbes e transfiguragoes de “Constructions en analyse’ 261 e sex. A Interpretagao dos sonhos, 237. feréncta para todo, {que mostra com que exalt gem em. 1p. 231-232, Em francés, em Cing psychanalyse ratos') 44, Totem e tabu, E.S.B., XI, ed. bolso alema, p. 103, Cf, também Carta a Flless 78, de 12 de dezembro de 1897, 45. A Psicopatologia da vida cotidiana, p. 217, 46. tbidem, 47. CE. A Interpretagiio de sonhos, E.8.B,,1V e V, p.99, nota 1 acrescentadks em 1909. 48. Em Dostoitesht e o parrictdto, BS.B. XX1, GW., XIV, p. 145 e seg Literary history, volume XN , Grades au pled deta lettre, PALF, 1983. 51. Beitrage zur Psychologie des Liebeslebens, ‘sicologia do amor! (1910) (inicio), BS.B, O METODO DE LEITURA DE FREUD A obra de arte como texto a decifrar © sonho, paradigma da obra de arte faz & por assim sscobrir (anfilec bruta (Rofistoff) que

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