DIREITO
CONSTITUCIONAL
Organização Político-Administrativa do Estado.
Parte 1.
Prof.ª Liz Rodrigues
Organização Político-Administrativa do Estado
- "A República Federativa do Brasil, formada pela união indissolúvel dos
Estados, Municípios e do Distrito Federal, constitui-se em Estado Democrático
de Direito".
- Forma federativa de Estado: para Lenza, é caracterizada pela descentralização
política, repartição de competências, pela existência de uma constituição
rígida que garanta a distribuição de competências entre os entes autônomos,
pela inexistência do direito de secessão (indissolubilidade do vínculo
federativo), pela soberania do Estado federal (e possibilidade de intervenção
para assegurar o equilíbrio federativo), pela repartição de receitas, pela
existência de órgão representativo dos Estados-membros (Senado) e por um
guardião da Constituição da República (STF).
- Soberania: apenas a República Federativa do Brasil tem.
- Federalismo organizado em três níveis: União, Estados e Municípios. Além
destes, há o Distrito Federal, que é um ente que acumula competências de
Estados e Municípios. Não há hierarquia entre os entes.
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- Territórios: não fazem parte da federação e não têm autonomia.
- Integram a União e são considerados autarquias federais.
- São criados por lei complementar federal (após a aprovação das populações
diretamente envolvidas, via plebiscito); este procedimento também pode ser
usado para a sua transformação em Estado ou para a sua reintegração ao
Estado de origem.
- Seus governadores são nomeados pelo Presidente da República (após
aprovação pelo Senado Federal).
- Não têm representantes no Senado, mas elegem quatro deputados federais.
- Podem ser divididos em Municípios e, se tiverem mais de 100.000 habitantes,
possuirão Poder Judiciário próprio (e membros do Ministério Público e
Defensores Públicos Federais).
- Câmara Territorial: as eleições e suas competências deliberativas serão
definidas em lei.
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- Poderes dos entes federados:
- Auto-organização: poder de fazer as normas de organização (Constituições
Estaduais e Leis Orgânicas);
- Autolegislação: poder de criar leis (Assembleias Legislativas e Câmaras de
Vereadores);
- Autogoverno: o povo elege seus governantes e representantes (Poderes
Executivo e Legislativo);
- Auto-administração: cada ente cria a sua própria máquina administrativa para
prestar os serviços públicos.
- Autonomia: governo próprio dentro do círculo de competências traçadas pela
Constituição Federal. Dois elementos: existência de órgãos governamentais
próprios (que não dependem dos órgãos federais) e posse de competências
exclusivas (legislativas e administrativas) (Silva).
- Brasília é a capital federal. Note que o Distrito Federal é um ente federativo, e
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- Estados: estes entes podem incorporar-se entre si, subdividir-se,
desmembrar-se para se anexar a outros ou formar novos Estados ou
Territórios Federais.
- Requisitos: plebiscito (aprovação da população diretamente interessada – o
STF entendeu que é a de todo o Estado, e não apenas a do território que
receberia a alteração) + aprovação do Congresso Nacional, por lei
complementar.
- Municípios: é permitida a criação, a incorporação, a fusão e o
desmembramento de municípios, desde que atendidos os seguintes
requisitos:
- Divulgação dos Estudos de Viabilidade Municipal (apresentados e publicados
na forma da lei);
- Plebiscito (consulta prévia às populações dos municípios envolvidos);
- Lei Complementar Federal (estabelece um prazo para a lei estadual)
- Lei Estadual (publicada dentro do prazo da LC – é o que realiza, de fato, o ato
em questão).
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- Vedações: a União, Estados, Distrito Federal e Municípios não podem:
- Estabelecer cultos religiosos ou igrejas, subvencioná-los, embaraçar-lhes o
funcionamento ou manter com eles ou seus representantes relações de
dependência ou aliança, ressalvada, na forma da lei, a colaboração de
interesse público (ex.: art. 213 da CF).
- Recusar fé aos documentos públicos;
- Criar distinções entre brasileiros ou preferências entre si.
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- Repartição de competências: a Constituição adotou o critério da
predominância do interesse. Inclui questões administrativas, tributárias e
legislativas.
- Competências administrativas (ou materiais): preveem ações que devem ser
realizadas pelos entes.
- Competências legislativas: temas sobre os quais o ente pode criar normas
jurídicas.
- União: competências de interesse geral (art. 21 a 24 da CF);
- Municípios: competências de interesse local (art. 30);
- Estados: compete tudo o que não for vedado ou não tiver sido atribuído a
outro ente (interesse regional, competência residual ou remanescente - art.
25).
- Distrito Federal: acumula as competências legislativas e administrativas dos
Estados e dos Municípios.
- Note que o DF possui uma Câmara Legislativa e não pode ser dividido em
municípios.
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- Em relação às competências do DF, há algumas exceções, que competem à
União::
- Organizar e manter o Poder Judiciário, o Ministério Público do Distrito Federal
e dos Territórios e a Defensoria Pública dos Territórios;
- Organizar e manter a polícia civil, a polícia militar e o corpo de bombeiros
militar do Distrito Federal, bem como prestar assistência financeira ao Distrito
Federal para a execução de serviços públicos, por meio de fundo próprio;
- Legislar sobre a organização judiciária, do Ministério Público do Distrito
Federal e dos Territórios e da Defensoria Pública dos Territórios, bem como
organização administrativa destes.
- Observe que a Defensoria Pública do DF é organizada por ele mesmo.
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- Municípios: entes federados regidos por lei orgânica, que deve ser votada em
dois turnos, com o intervalo mínimo de dez dias. A LO precisa ser aprovada
por dois terços dos membros da Câmara Municipal, que a promulgará,
atendidos os princípios estabelecidos nesta Constituição e na Constituição do
respectivo Estado.
- Mandato do Prefeito, Vice e Vereadores: quatro anos (o pleito é realizado
simultaneamente em todo o país, no primeiro domingo de outubro do ano
anterior ao término do mandato). Pode haver eleição em segundo turno, nos
municípios de mais de 200.000 eleitores.
- Posse: 1º de janeiro do ano seguinte ao da eleição.
- Câmaras Municipais: o número máximo de vereadores é estabelecido pela
Constituição, levando-se em conta o n. de habitantes do local.
- Subsídio do Prefeito, Vice e Vereadores: também é limitado pela Constituição.
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- Vereadores: são invioláveis por suas opiniões, palavras e votos no exercício do
mandato - mas apenas na circunscrição do município.
- Lei de Iniciativa Popular Municipal: para questões de interesse específico do
Município, da cidade ou de bairros. Pelo menos 5% do eleitorado deve se
manifestar a respeito.
- Fiscalização: é exercida pelo Poder Legislativo Municipal (controle externo,
feito com o auxílio dos Tribunais de Contas dos Estados ou do Município) e
pelos sistemas de controle interno do Poder Executivo Municipal.
- Bens dos Municípios: não são mencionados na CF.
- Competências legislativas dos Municípios (art. 30): legislar sobre assuntos de
interesse local, suplementar a legislação federal e a estadual no que couber e
instituir os tributos de sua competência.
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- Competências administrativas: arrecadar tributos, aplicar suas rendas, sem
prejuízo da obrigatoriedade de prestar contas e publicar balancetes nos
prazos fixados em lei; criar, organizar e suprimir distritos, observada a
legislação estadual; organizar e prestar, diretamente ou sob regime de
concessão ou permissão, os serviços públicos de interesse local, incluído o de
transporte coletivo, que tem caráter essencial; (transporte local, não
interestadual ou internacional – esses são de competência da União); manter,
com a cooperação técnica e financeira da União e do Estado, programas de
educação infantil e de ensino fundamental; prestar, com a cooperação técnica
e financeira da União e do Estado, serviços de atendimento à saúde da
população; promover, no que couber, adequado ordenamento territorial,
mediante planejamento e controle do uso, do parcelamento e da ocupação do
solo urbano; promover a proteção do patrimônio histórico-cultural local,
observada a legislação e a ação fiscalizadora federal e estadual.
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- Estados: entes federados que se organizam e se regem por suas Constituições
e pelas leis que adotarem, observados os princípios da Constituição Federal.
- Competências: a CF não menciona diretamente ("são reservadas aos Estados
as competências que não lhes sejam vedadas por esta Constituição"), mas há
duas exceções, previstas no art. 25:
• "Cabe aos Estados explorar diretamente, ou mediante concessão, os serviços
locais de gás canalizado, na forma da lei, vedada a edição de medida
provisória para a sua regulamentação".
• "Os Estados poderão, mediante lei complementar, instituir regiões
metropolitanas, aglomerações urbanas e microrregiões, constituídas por
agrupamentos de municípios limítrofes, para integrar a organização, o
planejamento e a execução de funções públicas de interesse comum".
- Cabe aos Estados organizar a própria justiça e o sistema de transporte
intermunicipal.
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- Deputados Estaduais: quantidade correspondente ao triplo da representação
do Estado na Câmara dos Deputados. Há uma regra limitadora: se, com esta
conta, se atingir o n. 36, o total de deputados estaduais será acrescido de
tantos quantos forem os deputados federais acima de doze.
- Lei de Iniciativa Popular: o processo legislativo estadual será regulado por lei.
- Observação: se o Governador assumir outro cargo ou função na administração
pública direta ou indireta, perderá o mandato. A exceção é a posse em virtude
de concurso público, mas ele se afastará do cargo concursado.
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- Bens dos Estados:
Art. 26. Incluem-se entre os bens dos Estados:
I - as águas superficiais ou subterrâneas, fluentes, emergentes e em depósito,
ressalvadas, neste caso, na forma da lei, as decorrentes de obras da União;
II - as áreas, nas ilhas oceânicas e costeiras, que estiverem no seu domínio,
excluídas aquelas sob domínio da União, Municípios ou terceiros;
III - as ilhas fluviais e lacustres não pertencentes à União;
IV - as terras devolutas não compreendidas entre as da União.