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2022 - Ensino Fundamental - Orientações para Sondagem Diagnóstica

O documento fornece orientações sobre a realização de uma sondagem diagnóstica para compreender os processos de aprendizagem dos estudantes durante a alfabetização. Ele descreve as diferentes hipóteses de escrita que os alunos desenvolvem à medida que aprendem o sistema de escrita alfabética, além de recomendações para a aplicação da sondagem e atividades de intervenção.
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2022 - Ensino Fundamental - Orientações para Sondagem Diagnóstica

O documento fornece orientações sobre a realização de uma sondagem diagnóstica para compreender os processos de aprendizagem dos estudantes durante a alfabetização. Ele descreve as diferentes hipóteses de escrita que os alunos desenvolvem à medida que aprendem o sistema de escrita alfabética, além de recomendações para a aplicação da sondagem e atividades de intervenção.
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ORIENTAÇÕES GERAIS PARA A REALIZAÇÃO DA


SONDAGEM DIAGNÓSTICA
Ensino Fundamental e Educação de Jovens e Adultos
Ao iniciarmos as ações pedagógicas junto às crianças, jovens, adolescentes e/ou
adultos faz-se necessário compreender os processos de aprendizagens dos estudantes
para a construção dos planejamentos didáticos.
Os estudos psicogenéticos realizados por Ferreiro e Teberosky (1986) revelam
que durante o processo de alfabetização os sujeitos constroem hipóteses de leitura e
escrita ao corresponder o escrito ao falado, realizando progressões nas aprendizagens.
Assim, para planejar as práticas pedagógicas junto às turmas de alfabetização, é
preciso compreender como os sujeitos aprendem colocando-os no centro de todo o
processo de alfabetização. Mais do que uma tomada de decisão sobre o “método” mais
adequado para a alfabetização, trata de traçar uma reflexão sobre o que os estudantes
já sabem e o que precisam aprender.
Diante disso a sondagem diagnóstica se apresenta como um instrumento
essencial para o reconhecimento das aprendizagens dos sujeitos para o
acompanhamento dos avanços das aprendizagens dos estudantes nos processos de
alfabetização e as tomadas de decisões na construção dos planejamentos didáticos,
direcionando a intervenção para os avanços nas aprendizagens e consolidação do
processo de aquisição do sistema de escrita alfabética.
O quadro a seguir apresenta as hipóteses de escrita que os sujeitos constroem
no processo de aquisição da compreensão do Sistema de Escrita Alfabético - SEA.

Pré-Silábica
Conhece algumas letras do alfabeto, mas ao observarmos a
forma como as usa demonstra que ainda não entende a
escrita como representação gráfica da fala.
Nesse momento alguns acreditam que, para escrever uma
palavra, são necessárias pelo menos três letras (critério da
quantidade mínima de caracteres). Além disso, pensam que
não podem repetir letras na mesma palavra (critério da
variedade interna de caracteres).
Alguns não acham possível ler apenas duas letras juntas,

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como pá ou só.
Em alguns casos, observa-se o que se entende por realismo
nominal, pois relaciona o tamanho das palavras a
características visuais ou funcionais dos objetos que
nomeiam.
Hipótese Silábica sem valor sonoro
Como já entende que a escrita está relacionada à fala, em
sua escrita, registra com uma letra cada sílaba oral sem
correspondência sonora. (ou seja, faz registros toda vez que
pronuncia um som da língua). A leitura silabada nesta fase
está associada a esse entendimento, o que representa uma
descoberta importante do sujeito: a de que a palavra é
fragmentável, ou seja, constituída por partes sonoras.
Hipótese silábica com valor sonoro
Para escrever usa uma letra que tem correspondência com
cada sílaba da palavra, geralmente a vogal. No entanto, em
palavras pequenas formadas por três letras ou menos, muitas
crianças duvidam de sua hipótese silábica e usam mais letras
para “corrigir” essa “falta”.

Hipótese Silábica Alfabética


Começa a perceber que uma única letra não é suficiente para
registrar as sílabas e recorre, simultaneamente, às hipóteses
silábica e alfabética, isto é, ora usa apenas uma letra para
notar as sílabas orais das palavras, ora utiliza mais de uma
letra, estabelecendo relação entre fonema e grafema.

Alfabética
Compreende o sistema de escrita alfabético mesmo sem se
apropriar das convenções ortográficas da escrita. Nessa fase
o sujeito da aprendizagem já respondeu aos dois “enigmas”:
O que as letras representam? E Como elas criam
representações?

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Alfabética – Ortográfica
Nesse momento, as convenções de correspondência
grafema-fonema estão compreendidas de modo que ler e
escrever com mais autonomia e fluência.

RECOMENDAÇÕES PARA O MOMENTO DE SONDAGEM


 As hipóteses de escrita dos estudantes jamais devem ser explicitadas a eles
(entonação das sílabas das palavras ditas pelo professor);
 As escritas dos estudantes não devem ser corrigidas. A sondagem é o momento
para que escrevam, da melhor maneira possível, as palavras e revelem sua
compreensão sobre o Sistema de Escrita Alfabética - SEA.
 As marcações do professor, em relação à leitura que o estudante faz das
palavras, devem ser suficientes a sua posterior análise.
 Realizar a sondagem em um papel sem pauta;
 Lista de palavras, do mesmo campo semântico, ditada pelo professor aos
estudantes;
 Ditar palavras que variam na quantidade de letras e sílabas (evitando a repetição
de vogais numa mesma palavra) iniciando-se pela polissílaba, depois a trissílaba,
a dissílaba e a monossílaba, sempre nesta ordem;
 Ao ditar, não escandir as palavras na pronúncia, evitando destacar as sílabas
separadamente. Diga as palavras normalmente;
 Após a lista de palavras, ditar uma frase que envolva pelo menos uma delas,
para verificar se a escrita permanece estável;
 Solicitar que os estudantes, imediatamente após a escrita de cada palavra,
leiam o que escreveram, para verificar a relação que estabelecem entre a escrita
e a leitura (procedimento importante à confirmação da hipótese);
 Oferecer letras móveis aos estudantes que se mostrarem resistentes quanto à
produção escrita (nestes casos, o professor faz o registro de como ficou a
escrita).

RECOMENDAÇÕES PARA A REALIZAÇÃO DA SONDAGEM DE PRODUÇÃO DE


TEXTO
A proposta de produção textual precisa estar num contexto de uma sequência de

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abordagens a respeito trabalho desenvolvido, não devendo ser uma atividade


disparadora, pois desta maneira, o escritor (estudante) não terá repertório o suficiente
para discorrer sobre o assunto proposto.
Repertoriar o estudante sobre o assunto, com abordagens diferenciadas, é
essencialmente para um bom resultado na produção textual.

NÍVEL I - Escreve pequenas frases sem coerência, sem coesão e com hiper ou
hipossegmentação.
NÍVEL II - Escreve pequenos textos com segmentação, sem coerência e sem coesão.
Apresenta dificuldade ortográfica.
NÍVEL III - Escreve pequenos textos com coerência, organiza sua escrita sem recuperar
informações anteriores presentes no texto, apresenta dificuldades ortográficas, não
apresenta recursos coesivos.
NÍVEL IV - Escreve textos com coerência, começa a organizar suas partes com alguma
sequência, apresenta repetições e redundâncias, começa a apresentar alguns recursos
coesivos.
NÍVEL V - Escreve textos com alguma dificuldade ortográfica e organiza suas partes,
apresenta coerência na escrita e na utilização de recursos coesivos.
NÍVEL VI - Escreve textos elaborados e organiza suas partes, interpreta com facilidade,
faz distinção entre gêneros textuais realizando intertextualidade. Apresenta elementos
gramaticais, ortográficos, pontuação e acentuação convencionais entendidos dentro de
um processo ainda não finalizado.

SUGESTÕES DE ATIVIDADES INTERVENTIVAS QUE FAVORECEM O


AVANÇO ENTRE AS HIPÓTESES
HIPÓTESE SUGESTÕES
 Usar o nome em situações significativas: explorar a escrita do
nome no crachá, letra inicial, letra final, quantidade de letras,
nomes com letra inicial igual.
Pré-silábica
 Confeccionar gráficos de colunas com os nomes de um mesmo
campo semântico seriados em ordem de acordo com o número
de letras. Classificar os nomes pelo número de letras, pela letra
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inicial ou final.
 Reconhecer e ler o nome próprio em situações significativas:
chamadas, jogos, etc.
 Utilizar letras móveis para escrever nomes, reproduzir o próprio
nome ou dos amigos;
 Bingo de letras;
 Produção oral de histórias;
 Textos coletivos tendo o professor como escriba;
 Atividades que seja preciso reconhecer a letra inicial e final de
palavras do repertório da criança;
 Atividades que apontem para a variação da quantidade de
letras;
 Completar palavras usando a letra inicial e final;
Ligar palavras ao número de letras, ou a letra inicial;
 Escrever listas de: desenho preferido, o que usamos na hora do
lanche, o que tem na festa de aniversário, etc.
 Jogos, como: trilhas, alfabeto móvel, forca na lousa, etc.
 Completar palavras com letras para evidenciar seu som:
 Comparar e relacionar escritas de palavras diversas;
 Cruzadinhas (com imagens);
 Relacionar palavras (nome escrito) a imagem;
 Localizar letras/palavras no texto trabalhado;
 Completar lacunas em texto e palavra;
 Evidenciar rimas entre as palavras;
Silábica
 Usar o alfabeto móvel para escritas significativas;
 Contar a quantidade de palavras de uma frase;
 Análise oral e escrita do número de sílaba, sílaba inicial e final
das palavras do texto;
 Jogos: caça rima, bingo dos sons, quem escreve sou eu, a letra
inicial, forca, outros (confeccionados com os estudantes ou
distribuídos pelo MEC/ U.E.)
Silábica  Encontrar palavra dentro de palavras;

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Alfabética  Produção de listas;


 Associação sons de palavras conhecidas com novas palavras;
 Separar as palavras de um texto;
 Formação de frases;
 Cruzadinhas;
 Caça-palavras
 Divisão das palavras em sílabas;
 Escrita de textos de memória.
 Propor atividades em que o estudante possa perceber que no
português, há fonemas representados por mais de uma letra,
como o /s, que pode ser grafado por s, SS, SC ou ç, e letras
que representam mais de um fonema, com o x em táxi e em
reflexo ou mais de uma letra representando um único fonema,
Alfabética
como nos dígrafos (RR, SS, SC, nh, ch etc.).
Nesta hipótese a aquisição da condição de alfabetizado depende
de um trabalho sistemático com as convenções ortográficas da língua,
não apenas para atender a essas regras, mas para compreender
melhor os textos escritos e redigir de forma compreensível.
 Propor reflexões durante as intervenções realizadas nas
produções textuais que favoreçam a percepção das formas
sonoras que as letras podem representar suas variações
dialetais, a ordem das letras na palavra, a linearidade da fala e
Alfabética
da escrita, a segmentação entre as palavras, a representação
Ortográfica
do ritmo da fala e da tonicidade das palavras por meio dos
sinais de pontuação e acentos gráficos, etc.
 Propor a reescrita de textos produzidos pelos estudantes
chamando a atenção para correção de palavras grifadas.
 Ter clareza quanto ao objetivo da proposta e da
intencionalidade de produção textual é fundamental para a
Produção
realização de intervenções (Coesão? Coerência? Estrutura
de Texto
textual de acordo com o gênero proposto? Pontuação?
Ortografia? Acentuação?);

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 Para produzir textos, primeiramente, o estudante precisa ter


acesso aos mais variados gêneros textuais que circulam na
sociedade e que a intervenção docente se volte às situações
nas quais façam uso legítimo do texto como prática social,
visando ampliar seu repertório;
 Para repertoriar o estudante, é necessário fazer uso dos mais
variados gêneros textuais como, bilhetes, convites, cartas,
receitas, poemas, contos, fábulas, parlendas, cantigas, artigos,
propagandas, músicas dentre outros;
 Levar o estudante a perceber que um mesmo assunto pode ser
abordado nos mais diversos gêneros.

ORIENTAÇÕES PARA REALIZAÇÃO DA SONDAGEM DIAGNÓSTICA INICIAL 2022


Campo semântico: Material escolar
APONTADOR
CADERNO
LÁPIS
GIZ
Frase: Eu gosto de lápis colorido.

*A sondagem diagnóstica de hipótese de escrita inicial, deverá ser proposta a todos os


estudantes do 1º ao 5º Ano do Ensino Fundamental e dos Termos 1, 2, 3 e 4 da
Educação de Jovens e Adultos. A partir da 2ª sondagem, apenas para os estudantes
que se apresentaram nas hipóteses (pré-silábica, silábica sem valor sonoro, silábica
com valor sonoro e silábico-alfabética);
**A partir do 2º Ano do Ensino Fundamental e da Educação de Jovens e Adultos, os
estudantes alfabéticos realizarão a sondagem de produção textual.

Proposta para produção textual:


ENSINO FUNDAMENTAL
2º ano: Texto de memória: Orientação para sondagem inicial – Parlenda “Suco
gelado”.
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3º ano: Reescrita: Orientação para sondagem inicial – Conto “João e Maria”.


4º ano: Bilhete autoral: Orientação para sondagem inicial – bilhete para o responsável
(ou para outro estudante) sobre a importância do uso do uniforme ou do uso de
máscaras;
5º ano: Relato de experiência: Orientações para sondagem inicial – como foi participar
das aulas em sistema remoto.

EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS


Termo 1 e 2: Texto de memória – Orientação para sondagem inicial – Música:
Parabéns pra você.
Termo 3: Orientação para sondagem inicial – Escrita de legenda para uma imagem.
Termo 4: Bilhete autoral: Orientação para sondagem inicial – bilhete para o
responsável (ou para outro estudante) sobre a importância do uso do uniforme ou do
uso de máscaras;

Os campos são preenchidos com um “X” da mesma forma que no campo das
Hipóteses:

Os gráficos gerados ao lado da tabela com os dados dos alunos são para um
melhor controle e acompanhamento da escola, e são preenchidos automaticamente. A
aba “Total de Hipótese” também não necessita preenchimento, pois é preenchida
automaticamente com as informações lançadas nas abas dos Anos escolares.

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Referências
FERREIRO, Emília; TEBEROSKY, Ana. A Psicogênese da língua escrita. Porto
Alegre: Artes Médicas, 1986.
LERNER, Délia. Ler e escrever na escola: o real, o possível e o necessário. Porto
Alegre: Artmed, 2002.

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