Biografia de Vincent van Gogh
Vincent van Gogh (1853-1890) foi um importante pintor holandês, um
dos maiores representantes da pintura pós-impressionista e pré-impressionista.
Com uma trajetória difícil, cheia de percalços e questões de ordem
emocional e psicológica, Van Gogh deixou uma obra comovente e vigorosa,
que se constitui em um dos maiores legados artísticos da humanidade
Juventude
Vincent Willem van Gogh (1853-1890) nasceu em Groot Zundert, uma
pequena aldeia holandesa, no dia 30 de março de 1853. Filho de um pastor
calvinista, era o primogênito de seis filhos. Gostava muito de ler, sobretudo
histórias sobre os oprimidos, o que posteriormente justifica seu interesse pelo
sofrimento e injustiças sociais. Em 1869 ingressou em um internato
provinciano.
Com 16 anos, Van Gogh vai para Haia trabalhar com o tio que abriu a
filial da Galeria Goupil, uma importante empresa que comerciava obras e livros.
Depois de três anos é mandado para Bruxelas, onde passa dois anos. Depois
vai para Londres, sempre a serviço da galeria.
Em 1875, Van Gogh consegue sua transferência para Paris, onde
julgava poder libertar-se de todas as suas frustrações. Em abril de 1876,
demonstrando apatia e atitudes imprevisíveis, é demitido do grupo Goupil.
Vai para Inglaterra onde aceita o cargo de professor em uma escola
primária de uma pequena cidade. No mesmo ano, em dezembro, vai para
Etten, onde encontra sua família, mas suas relações familiares são difíceis, só
sente-se compreendido por Theo, seu irmão mais novo.
Van Gogh torna-se depressivo e sofre seguidas crises nervosas, passa
longos períodos de solidão. Em 1877 consegue emprego em uma livraria em
Dordrecht, até que decide seguir a carreira do pai. Ingressa no Seminário
Teológico da Universidade de Amsterdã.
Reprovado por falta de base entra na Escola Evangélica, em Bruxelas.
Consegue o lugar de pregador missionário nas minas de carvão de Borinage,
na Bélgica.
Se relacionou de forma visceral com os mineiros do local. Ele passou a
viver nas mesmas condições que aquelas pessoas, o que incomodou seus
superiores. Assim, foi obrigado a fé afastar do cargo, sendo demitido em 1879.
Início de carreira
Em 1880, Van Gogh vai para Bruxelas, e com o dinheiro que o irmão lhe
manda, estuda anatomia e perspectiva. Passa os dias desenhando. Em 1881
muda-se para Haia, onde é acolhido pelo pintor Mauve. Pinta aquarelas, onde
aparecem marinheiros, pescadores e camponeses.
Escreve para o irmão “Eu não quero pintar quadros, eu quero pintar a
vida”. Realiza numerosos desenhos e pinturas a óleo. No ano seguinte volta
para a casa dos pais, onde passa os dias lendo e pintando.
Em março de 1885 seu pai morre repentinamente. Em abril do mesmo
ano, Van Gogh pinta Os Comedores de Batata, caracterizado pelas tonalidades
escuras. Sobre essa tela, o artista disse: "Poderíamos dizer que se trata de
uma verdadeira pintura de camponeses. Eu sei que é".
Esse trabalho, um dos mais importantes de Vincent, pertence à fase em
que ele está se profissionalizando e dominando as técnicas de claro-escuro.
Nele também vemos a influência de Millet, um dos artistas realistas mais
admirados de van Gogh.
No final de 1885 Vincent viaja para Antuérpia, onde inicia estudos na
Academia local. Em fevereiro é acolhido em Paris por seu irmão Theo. Essa é
a época mais sociável do pintor. Familiariza-se com os impressionistas, Monet,
Renoir e Pissarro. Mais tarde, fica amigo de Gauguin.
Pós-Impressionista
A influência dos artistas impressionistas e a crescente admiração pela
arte oriental levou Van Gogh a desenvolver um estilo próprio.
O artista toma de uns a prática de construir a figura por meio de
pinceladas separadas, e de outros as cores fortes e definidas. Em dois anos,
Van Gogh pintou 200 quadros, entre eles, o Autorretrato (1887) e Retrato de
Père Tanguy (1887-1888).
O termo Pós-Impressionismo só surgiu em 1910 quando o crítico e
artista Roger Fry organizou uma exposição intitulada “Manet e os Pós-
impressionistas”, onde os principais artistas eram Cézanne, Gauguin e Van
Gogh.
Últimos anos
Em 1888, Van Gogh encontra-se com a saúde precária e segue os
conselhos de Toulouse-Lautrec, vai para o campo e em fevereiro está em
Arles, pintando ao ar livre.
Na época, Van Gogh pinta suas obras mais importantes, foram mais de
100 quadros, entre eles: Vista de Arles com Lírios (1888), Girassóis (1888),
onde o amarelo é valorizado através das modulações de luz e Quarto em Arles
(1888).
Morte
Van Gogh morreu sem o reconhecimento que seu talento e sua
dedicação mereciam. Depois de uma vida atormentada que o levou ao
isolamento, a versão mais aceita da história é de que cometeu suicídio.
No dia 27 de julho, Van Gogh teria saído para o campo de trigo com um
revólver na mão e no meio do campo disparado um tiro no peito, sendo
socorrido, mas não resistiu.
Alguns historiadores afirmam, entretanto, que o artista teria sido
assassinado.
A fama só veio após sua morte. Grande parte de sua história está
descrita nas 750 cartas que escreveu para seu irmão Theo, e que evidenciava
a forte ligação entre os dois.
Vincent van Gogh morreu em Auvers, França, em 29 de julho de 1890.
No dia de sua morte, no sótão da Galeria Goupil, em Paris, 700 quadros
amontoavam-se sem comprador.
Seis meses depois, o irmão Theo também falece, sendo enterrado ao
lado de Vincent.
Obras de Vincent van Gogh
A produção de Van Gogh foi intensa. Mas podemos destacar algumas
obras importantes:
A Igreja em Nuenen, 1884
Os Comedores de Batata, 1885
A Casa Paroquial de Nuenen, 1885
Caveira com Cigarro Aceso, 1886
Guinguette de Montmartre, 1886
A Italiana, 1887
A Ponte Debaixo da Chuva, 1887
Natureza Morta com Absinto, 1887
Dois Girassóis Cortados, 1887
Auto-Retrato com Chapéu de Palha, 1887
Pai Tanguy, 1887-1888
Auto-Retrato Dedicado a Gauguin, 1888
Terraço do Café na Praça do Fórum, 1888
A Casa Amarela, 1888
Barcos de Saintes-Maries, 1888
O Velho Moinho, 1888
La Mousmé, 1888
A Vinha Vermelha, 1888