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5 Pontos para Entender o Pensamento de Maquiavel

1. O documento apresenta 5 pontos sobre o pensamento político de Nicolau Maquiavel, filósofo italiano do século 15. 2. Maquiavel defendia que os fins justificam os meios na política e que a virtude de um governante é mais importante que a sorte. 3. Ele também sugeria que os governantes devem saber usar a crueldade e é preferível ser temido do que amado pelo povo.
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5 Pontos para Entender o Pensamento de Maquiavel

1. O documento apresenta 5 pontos sobre o pensamento político de Nicolau Maquiavel, filósofo italiano do século 15. 2. Maquiavel defendia que os fins justificam os meios na política e que a virtude de um governante é mais importante que a sorte. 3. Ele também sugeria que os governantes devem saber usar a crueldade e é preferível ser temido do que amado pelo povo.
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5 pontos para entender o pensamento de Maquiavel

O filósofo italiano Nicolau Maquiavel revolucionou o pensamento da ciência política ao buscar


entendê-la como realmente é

Nascido em Florença no dia 3 de maio de 1469, o filósofo Nicolau Maquiavel ficou conhecido
principalmente por descrever as dinâmicas do poder. Em vez de formular teorias sobre como o
estado ou o governante ideal deveria ser, dedicou-se a dissecar a realidade. Ao fazê-lo, há
quem diga que criou um manual com estratégias e métodos sobre como os governantes
deveriam se comportar para manter e expandir o poder. Mas há também quem considere que
ele, na realidade, alertou o povo sobre os perigos da tirania.

Atualmente, o mais aceito é que as reflexões de Maquiavel formaram as bases do pensamento


realista da ciência política moderna, e a imoralidade atribuída a elas na verdade provém de
uma interpretação descontextualizada. Mesmo assim, o termo “maquiavélico” se tornou um
adjetivo usado para qualificar pessoas sem escrúpulos, traiçoeiras e sem respeito pelas leis
morais.

Entenda melhor o pensamento de Maquiavel em 5 pontos:

1. Os fins justificam os meios

À primeira vista, a frase erroneamente atribuída a Maquiavel (ela não aparece em O Príncipe e
em nenhum outro texto do filósofo) é a que melhor parece resumir seus pensamentos. Afinal,
em sua obra mais conhecida o filósofo dissecou a política sem escrúpulos, mostrando que o
que a move é a luta pela conquista e manutenção do poder. Não importa se para isso for
necessário romper com valores morais impostos pela Igreja e pela sociedade, que não
deveriam restringir a ação do rei ou do governante.

O que ele defendida, na realidade, é que na política a ética é utilitária e a moralidade deveria
ser medida com base em atos que sejam úteis à coletividade, mesmo que com isso acabe
ferindo valores individuais.

2. Virtude é mais importante que sorte

Um dos pontos mais centrais do pensamento de Maquiavel é a dicotomia entre virtude e


sorte, ou “fortuna”. Um príncipe, ou governante, virtuoso é aquele que não necessariamente é
pérfido, mas sabe conquistar seus favores para manter o poder e expandir o domínio sem
depender do acaso. Na visão o filósofo, ser virtuoso é saber o momento certo de agir e de não
fazer nada, sem deixar margem para a fortuna. Algumas interpretações enxergaram isso como
ser diabólico ou ardiloso.

3. Crueldade bem usada

Sobrepor a virtude à sorte pode significar também ter sabedoria para ser mau quando
necessário: Maquiavel defendia que, para salvar o Estado, um governante deveria saber “não
ser bom”, mentindo ou parecendo piedoso se a situação exigisse, de modo a manter a
segurança e o bem-estar de seu povo. A crueldade, nesses casos, seria justificável e bem
usada.
4. É preferível ser temido que amado

O amor é um sentimento inconstante, visto que as pessoas são naturalmente egoístas e


podem alterar sua lealdade quando bem entenderem — ou, nas palavras do próprio
Maquiavel, o amor é mantido por vínculos de gratidão que se rompem quando deixam de ser
necessários. Já o temor em ser castigado não pode ser ignorado com tanta facilidade e,
portanto, não falha.

5. Razão de Estado

Todas as observações de Maquiavel tinham, no fundo, a intenção de mostrar que o objetivo da


política era manter a estabilidade social e do governo a todo custo. Cabe lembrar que o
contexto em que vivia era de guerras e disputas, em uma Itália fragmentada e com o poder
muito ditado pela Igreja.

Nicolau Maquiavel (1469 - 1527)

1. INTRODUÇÃO

a - Sugestão de leituras

Isaiah Berlin (Estudo sobre a Humanidade; A Originalidadee de Maquiavel)

“...em seu A Originalidade de Maquiavel, Berlin sustenta que Maquiavel não teria sido
defensor de uma política independente da moralidade, como sustentavam Croce e Strauss.
Pelo contrário, a originalidade de Maquiavel foi ter demonstrado a existência de uma
incompatibilidade entre a moralidade própria da política e a moralidade própria do
cristianismo, o que se traduziria no dilema do príncipe entre “salvar a alma” ou “salvar a
cidade”. Não existe um parâmetro absoluto do que é “certo” e do que é “errado”: se
quisermos ser governantes bem-sucedidos ou cristão bem-sucedidos, os meios e os fins são
divergentes. Se pretendo ser um bom príncipe, precisarei violar a bondade no sentido cristão;
se pretendo manter a total integridade no sentido cristão, por conseguinte farei coisas que
podem prejudicar um bom governo. Berlin afirma, com incomparável beleza, que Maquiavel
abriu uma chaga no peito da humanidade, e ela “continua a sangrar”; com isso, ele sustenta
não somente a atualidade do dilema maquiaveliano, mas também e principalmente sua
insolubilidade.”

Estudiosos de Cambridge: Quentin Skinner (brit.) obra Maquiavel; John G. A. Pocock (neo.) The
Machiavellian Moment (1975)

b. Maquiavelico ou Maquiavelano

'Maquiavélico é o adjectivo que os dicionários consultados mostram; não há registo de


"maquiaveliano", embora haja forma alternativa atestada, maquiavelista (cf. Dicionário
Houaiss). Mas atenção: maquiavélico não deriva de mal, como diz o consulente; tem é origem
no nome próprio Maquiavel, para qualificar aquilo ou aquele que é falso, enganador, pérfido.
Quanto à boa formação de "maquiaveliano", parece um adjectivo possível e até adequado em
certos contextos, quando o que se pretende é não referir alguém como pérfido (maquiavélico)
nem como adepto (maquiavelista) da doutrina de Maquiavel, o maquiavelismo, mas
mencionar algo relativo ao estilo ou ao pensamento de Maquiavel. Esta nova palavra surge a
propósito da obra Discursos sobre a Primeira Década de Tito Lívio, de Maquiavel.

c. Contexto italiano

A Itália de Maquiavel

Esse texto procura elucidar alguns aspectos da Itália durante a época de Maquiavel, entre os
séculos XV e XVI em pleno período renascentista, uma época do florescimento artístico e
intelectual; a Itália vivenciava um período conturbado, marcado por guerras, conspirações,
traições e assassinatos. E fora nesse conturbado mais genioso período que Maquiavel viveu e
trabalhou, e de fato este tivera participação direta nestes conflitos que se acirraram por mais
de trinta anos.

Vida e Obra

Nicolau de Bernardo Maquiavel (Niccolò di Bernardo Machiavelli), historiador, diplomata,


filósofo, artista, assumiu vários cargos públicos e também é considerado um dos primeiros
cientistas políticos modernos. Nasceu em 3 de maio de 1469 na cidade de Florença. Filho de
Bernardo Maquiavel, um legislador, desde cedo Nicolau tivera contanto com a vida pública e
política da República Florentina, a qual pelos anos seguintes seria governada por Lourenço de
Médici, alcunhado o, Magnífico. Maquiavel entrou para a vida política em 1498, sendo
nomeado Segundo Secretário da Senhoria, ainda no mesmo ano assumiu o cargo de Chefe da
Segunda Chancelaria e posteriormente se tornou Secretário dos Dez, importante cargo do
Estado. Em 1499 escreveu Discursos sobre negócios em Pisa, no mesmo ano realizou duas
missões diplomáticas.

Entre junho e julho de 1500, Maquiavel se encontrava em meio ao cerco francês a cidade de
Pisa, lá ele passou a defender os direitos dos soldados contratados como mercenários pelo Rei
de França, Luís XII. Viajou para a França para defender os direitos destes soldados. Em 1501
participou de novas missões diplomáticas. Maquiavel entrou em meio ao jogo político dos
Bórgia, liderado especialmente por Cesare Bórgia (1475-1507), homem de grande ambição e
filho do papa Alexandre VI. Maquiavel tentou ganhar a libertação das cidades italianas que se
rebelaram contra a conquista francesa, contudo em outubro, fora enviado pelo governo
florentino para prestar seus serviços a Cesare Bórgia até o começo do ano seguinte. Em 1503,
escreveu mais dois livros e continuou com suas missões diplomáticas. Em 22 de fevereiro fora
enviado pela República de Florença para a França, retornando em março. Os florentinos se
tornaram aliados dos franceses. Em outubro começou a escrever o Decenal, narração da
história florentina desde 1494 em tercetos. Em 1505, fora enviado em missões diplomáticas a
fim de conseguir aliados para a causa florentina, em 1506 cansado de não conseguir recrutar
tropas mercenárias, decidiu formar uma milícia florentina, escreveu posteriormente acerca
disso.
Entre agosto e outubro de 1506, Maquiavel passou a trabalhar com o papa Júlio II o
acompanhando em suas viagens e missões. No mesmo ano, ele decretou a criação dos Nove
da Ordem e da Milícia onde assumiu o cargo de chefia. Em 1508, regressou para Florença,
onde escreveu Relatos sobre os Fatos na Alemanha e continuou com a campanha de
recrutamento pelos dois anos seguintes. Em 1510, escreveu após retornar de mais uma viagem
a França, Retrato das coisas da França. Fora incumbido pelo Estado florentino de convocar
uma cavalaria, prosseguiu com as convocações pelo ano seguinte.

Em 1512 os Médicis retornaram para Florença e tomaram o poder, abolindo a Constituição


republicana. Nicolau Maquiavel teve seu mandato cassado e fora preso. Na prisão fora
torturado a fim de que confessa-se supostas conspirações nas quais estava envolvido.

Em 1513, fora libertado de sua prisão e se refugiou em sua casa de campo em Sant’Andrea-in-
Percussina, de onde passou a manter em segredo correspondência com seu amigo Vettori,
Embaixador de Florença em Roma. Nesse período começou a escrever Discursos sobre a
primeira década de Tito Lívio e o Príncipe.

Em 1518 escreveu A Mandrágora. Ainda afastado de suas atividades diplomáticas e políticas,


mas dispunha de certa liberdade. No ano seguinte começou a escrever a Arte da Guerra. Em
1520 começou a escrever novos livros, inclusive a História de Florença. Cinco anos depois ele
concluiu o livro e o apresentou ao papa Clemente VII. Voltou a atuar como diplomata, tendo
viajado para Veneza a fim de defender algumas causas de mercadores florentinos. Nesse
tempo continuou a escrever ao papa a fim de despertá-lo para ameaças de uma nova guerra,
acabou convencendo o papa de criar uma Comissão de Fortificações, sendo nomeado
chanceler da comissão. Os anos que se seguem, a Itália se encontrava em conflitos contra os
espanhóis os quais tentavam conquistar terras na península.

Em 6 de maio de 1527 Roma fora tomada e saqueada, Maquiavel em viagem decidiu retornar
à Florença, no caminho recebeu a noticia de um possível golpe de Estado em Florença. Acabou
morrendo em 27 de junho aos 58 anos, deixando sua esposa Marietta Corsini e mais quatro
filhos. Seu corpo fora sepultado na Basílica de Santa Cruz de Jerusalém. Sua obra mais famosa
o Príncipe fora publicada em 1532.

Fachada da Basílica de Santa Cruz de Jerusálém, Itália. Local do sepulcro de Nicolau Maquiavel.

As Itálias da Itália

A Itália por vários séculos fora uma nação de pequenos Estados. Com a queda do Império
Romano em 476, a península Itálica passou a ser governada pelos seus invasores bárbaros, os
chamados Reis Bárbaros governaram por algumas décadas, mesmo assim o domínio destes
povos não garantiu uma identidade unificada a Itália. Se antes os habitantes da Itália se viam
como romanos, eles passaram a se ver como romanos, florentinos, milaneses, genoveses,
lombardos, venezianos, sicilianos, napolitanos, etc.

Enquanto a Europa adentrava a época feudal por volta do século IX, à Itália vivenciava uma
disparidade a respeito de que tipo de governo adotaria. O feudalismo diferente do que alguns
pensam, não fora algo que ocorreu por toda a Europa, algumas nações na Europa Oriental e no
norte do continente não vivenciara este sistema, no caso da Itália, mesmo em pleno período
medieval existiam repúblicas (claro que a república daquela época possuía uma identidade
própria, contudo era baseada na república romana e em parte na democracia grega). Assim,
cidades como Florença, Pisa e Veneza era repúblicas, enquanto, Nápoles era um reino e Milão
um ducado, que de certa forma adotavam o feudalismo. Contudo além de haver repúblicas e
ducados na Itália, existiam os chamados Estados Papais, os quais eram cidades e terras
governadas e administradas diretamente pela Igreja, e o papa possuía autoridade direta sobre
tais regiões.

Ao longo da Idade Média, as nações italianas vivenciaram a influência e em alguns períodos a


autoridade do Império Bizantino, além de vivenciar conflitos com os franceses, sérvios,
húngaros, bizantinos, turcos, árabes, espanhóis, etc. Até chegarmos ao século XV quando
ocorrerá o fim do período medieval e o inicio do Renascimento na Itália, algumas nações
europeias não viviam sob a condição de uma pátria unida. Dentre as principais nações
europeias, a Inglaterra e Portugal já eram estados unificados, a França criaria uma identidade
“francesa” após o fim da Guerra dos Cem anos em 1453. A Alemanha era na realidade o Sacro
Império Romano-Germânico, o qual consistia na realidade, um aglomerado de pequenos
Estados. A Rússia também vivenciava um período feudal e se estruturava em Estados, a região
central da Europa vivenciava as lutas de pequenos reinos, e o outrora Império Bizantino havia
caído nas mãos dos turcos-otomanos, os quais expandiam seus domínios para o interior do
continente. A Grécia era província otomana. Sendo assim, a Itália não representava uma
singularidade neste período.

Como fora visto anteriormente acerca do resumo sobre a vida e obra de Maquiavel, nota-se
que este passou vários anos de sua vida em viagens diplomáticas a fim de apaziguar os
conflitos que corroíam os Estados italianos. Uma das criticas que Maquiavel faz em o Príncipe é
essa falta de união e hegemonia política, algo que enfraquecia a Itália como um todo, e isso a
deixou fraca as ameaças estrangeiras, como vieram a ser a dos franceses e espanhóis, além de
vivenciar conflitos internos. Por isso, que Maquiavel em o Príncipe falará acerca das melhores
formas que um príncipe deve governar e também apontará os caminhos que ele deve evitar
para não cair na ruína.

Antes de Maquiavel entrar na vida política em 1498, em 1492 a Ibéria, se encontrava antes
dividida em pequenos reinos que digladiavam entre si e ao mesmo tempo lutavam para
expulsar de suas terras os mouros, que já residiam ali há alguns séculos. Em 1492 o último
reduto mouro, a cidade de Granada caíra perante os exércitos dos chamados Reis Católicos,
referência ao casal Fernando de Aragão e Isabel de Castela, os quais unificaram os estados
ibéricos (com exceção de Portugal que já era unificada) e formaram a Espanha. No mesmo ano,
os Reis Católicos enviaram Cristóvão Colombo em sua ousada jornada para descobrir uma
nova rota para as Índias. Colombo retornaria ano seguinte com a noticia de ter descoberto de
fato novas terras.

Na Itália, o papa Inocêncio III havia falecido e fora eleito para sucedê-lo Rodrigo Bórgia,
homem de uma respeitada e influente família espanhola. Os Bórgia já possuíam ligação e
influência com o papado desde a época de Afonso Bórgia o qual havia sido o papa Calisto III
(1455-1458). Assim, em 1492 Rodrigo Bórgia, passou a adotar o nome de Alexandre e se torna
o papa Alexandre VI. Será com sua autoridade a frente do pontificado que seu filho Cesare
Bórgia deterá grande autoridade e prestigio afim de poder realizar suas ambições. Cesare
Bórgia pretendia expandir seus domínios, e usaria a ligação com Roma para conseguir isso. Em
1494, o rei de França, Carlos VIII declarou guerra ao Reino de Nápoles, suas tropas
atravessaram os Alpes em setembro. A declaração de guerra dada pelo rei francês daria inicio
ao período histórico chamado de Guerras Italianas ou Guerras Itálicas, um período de
constantes conflitos que vai de 1494 a 1559.

No caminho, o exército francês destruiu, pilhou e massacrou a população da cidade de Lucca e


libertou a cidade de Pisa do domínio florentino. Ainda no mesmo ano os Médicis, então família
governante de Florença foram perseguidos e expulsos pelo monge franciscano Jerônimo de
Savonarola (1452-1498), o qual governou a cidade de 1494 a 1498. Savonarola, ordenou a
queima pública de livros, pinturas, mobílias, e outros objetos considerados como ostentadores
da soberba e do paganismo (já que muitas obras de arte da época eram baseadas em figuras
mitológicas greco-romanas). Ao mesmo tempo, ele profetizava a vinda do Apocalipse, defendia
a abolição do uso do dinheiro, alegando que os banqueiro de Florença enriqueceram através
da usura, além de atacar a própria corrupção no Vaticano. Acabou sendo excomungado pelo
papa Alexandre VI, destituído de seu "governo", considerado como uma usurpação e heresia, e
fora queimado vivo na fogueira.

Em 1495, Carlos VIII, embora tenha conquistado o Reino de Nápoles e se proclamado rei do
mesmo, acabou abandonando a campanha em Nápoles, depois de encontrar a cidade
infestada pela peste e ter contraído a "nova doença" sífilis. Então retornou para a França
sendo atacado pelos exércitos de alguns Estados italianos no caminho. Com a retirada dos
franceses de Nápoles, os espanhóis posteriormente aproveitariam para atacar o reino
napolitano.

Em 8 de abril de 1498, Carlos VIII morreu e fora sucedido por Luís XII, o qual demonstrou
interesse em se aproximar do papado, e formar aliança com os Bórgia. No mesmo ano,
Savonarola fora executado em 23 de maio em Florença pelos seus crimes. O papa Alexandre VI
concedeu a anulação do casamento de Luís XII e enviou seu filho Cesare Bórgia como
representante seu na futura aliança com os franceses. Luís XII em 13 de agosto nomeiou
Cesare Bórgia, Duque de Valência, Cesare ainda no mesmo ano renunciou ao cargo de cardeal
e seus votos. No ano seguinte, Luis XII iniciou suas campanhas militares na Itália, entre agosto
e outubro os franceses conquistaram o Ducado de Milão, então governado por Ludovico
Sforza. Leonardo da Vinci, o qual na época morava em Milão, sendo protegido dos Sforza,
abandonou a cidade e passou a viajar por outras cidades até voltar a se estabelecer em
Florença, anos depois. No final do ano, Cesare conquistou Ímola e Forli, derrotando as tropas
da duquesa Catarina Sforza, senhora de ambas as cidades.

Em 1500, Pisa passou a ser atacada, Maquiavel fora enviado para resolver os problemas
diplomáticos, posteriormente viajou a França. Cesare Bórgia conquistou Pesaro e Rimini. Em
11 de novembro, Luis XII firmou um acordo secreto com o rei de Espanha, o acordo propunha
a divisão das terras do Reino de Nápoles se os espanhóis cooperassem para a sua conquista.
Em 25 de abril de 1501, Cesare conquistou Faenza, e fora proclamado Duque da Romanha pelo
seu pai. No mesmo ano, pretendeu atacar a Bolonha, mas Luis XII o proibiu. Em junho, Cesare
e os franceses adentraram Nápoles, Maquiavel fora enviado afim de conversar com os
senhores derrotados por Cesare, na tentativa de ganhar apoio destes num contra-golpe.

Vitellozzo Vitelli, trabalhando para os Bórgia suscitou revoltas nos domínios de Florença, os
florentinos tentaram pedir ajuda aos franceses, os quais eram seus aliados. Ainda no ano de
1502, o acordo entre franceses e espanhóis pelos domínios em Nápoles ficou mais tenso,
tropas de ambos os lados começaram a entrar em conflito, Cesare aproveitou e conquistou
Urbino. Em 24 de junho o bispo Francesco Soderini e Maquiavel chegaram a Urbino afim de
negociar questões diplomáticas, contudo Maquiavel teve que retornar as pressas para
Florença sob um possível ataque das tropas de Cesare. Em 5 de outubro, Cesare solicitou de
Florença que lhe enviassem um emissário, Maquiavel fora o escolhido, este ficou trabalhando
com Cesare até janeiro do ano seguinte.

Ainda em outubro, os senhores dominados por Cesare se rebelaram, Orsini atacou suas tropas,
Cesare recorreu a ajuda dos franceses. Em dezembro ele atacou os traidores e ordenou a
execução de vários destes. Em janeiro de 1503, Cesare conquistou Cittá di Castello, Perúgia e
Siena. Os domínios dos Bórgia, englobavam quase toda a região central da península, se
limitando ao sul com o Reino de Nápoles e ao Norte com Florença, Milão, Veneza e Gênova.

Maquiavel fora enviado posteriormente a Siena para resolver alguns assuntos. Em 18 de


agosto o papa Alexandre VI morreu, este fora sucedido por Pio III o qual governaria por menos
de um mês, quando veio também a falecer. Em outubro e dezembro, Maquiavel viajou á Roma
para realizar novos acordos diplomáticos, lá ele se encontrou a última vez com Cesare Bórgia.

Em 1 de novembro Juliano Della Novere com o apoio de Cesare Bórgia fora eleito papa, se
tornando o papa Júlio II. No final do ano, os franceses perderam a Batalha de Garigliano e
deixaram Nápoles. Os florentinos preocupados com a retirada dos franceses, enviaram
Maquiavel para a Corte francesa em janeiro de 1504, lá ele assinou um novo acordo de aliança.
No mesmo ano, França e Espanha fizeram uma trégua. Ao longo de 1505, Florença participou
de conflitos para evitar perder seus territórios e reconquistar o domínio sobre Pisa, ao final do
ano, Maquiavel decidiu não mais recrutar mercenários e passou a formar uma milícia. Ele
passou o ano seguinte recrutando membros para a milícia e viajou a serviço fazendo parte da
comitiva do papa Júlio II o qual fora visitar as regiões em conflito. Em 1507, Maximiliano,
imperador do Sacro Império, demonstrou interesse nos conflitos italianos, ele se aproximou
dos florentinos e lhe ofereceu dinheiro.

Em 1504, traído por seus subordinados, Cesare fora capturado e preso por ordem do papa
Júlio II. Fora enviado para o Castelo de La Mota, na Espanha, onde ficou preso até 1506,
quando conseguiu fugir com a ajuda de seus cúmplices. Nessa época, derrotado e sem
recursos, Cesare Bórgia fora morto em uma emboscada em Viana em 1507 aos trinta e um
anos.
Em 10 de dezembro de 1508, Maximiliano se uniu aos franceses e espanhóis, formando a Liga
de Cambria afim de enfrentar os venezianos. No ano seguinte, o papa Júlio II se tornou
membro da liga e enviou tropas para o campo de batalha, a República de Veneza sofreu duras
perdas militares e territoriais. Maximiliano enviou recursos para ajudar os florentinos a
reconquistar Pisa, Maquiavel fora incumbido de supervisionar tudo.

Em 24 de fevereiro de 1510, o papa assinou um tratado de paz com os venezianos. Em março,


os suíços declararam apoio ao papa (Júlio II criou posteriormente a Guarda Suíça). Por volta de
outubro do mesmo ano, boatos sugerem desavenças entre o papa e o rei de França, Florença
teme que as tropas papais ataquem seus domínios, então o Estado enviou novamente
Maquiavel para a corte francesa afim de solicitar ajuda.

No ano seguinte ficou praticamente declarado a guerra entre o rei Luis XII e o papa Júlio II,
contudo para se evitar um conflito imediato, o clero francês solicitou em 1 de março de 1511
um Concilio Geral para debater tal assunto. Júlio II, fora um dos poucos papas dos quais fora
ao campo de batalha supervisionar as tropas e marcar presença, o próprio fazia questão de
montar seu cavalo e vesti-se com armadura. Os franceses suspeitavam que o papa pretendia
expandir seus domínios sobre as terras conquistadas a partir da Liga de Cambria.

O concilio fora marcado para 1 de setembro, mas em maio houvera ataques das milícias papais
aos domínios florentinos, em junho o papa convocou o Concilio de Latrão, ameaçando de
realizar um Interdito e confiscar todos os bens dos mercadores de Florença. Os florentinos
temendo que o papa piora-se após o Concilio Geral, enviaram Maquiavel afim de persuadir os
franceses em adiar o concilio. Ainda no mesmo ano em 4 de outubro, o papa firmou acordo
com o rei de Espanha e os venezianos, formando a “Santa Aliança”, afim de declarar guerra à
França. No final do ano, Maquiavel redige seu testamento, temendo que uma guerra não
tardasse a ocorrer e ele próprio viesse a ser assassinado.

Em 11 de abril de 1512 ocorreu a Batalha de Ravena, os franceses são duramente derrotados


pelos suíços. O exército francês retirou-se da luta. Maquiavel fora incumbido de organizar uma
cavalaria. Júlio II vendo que os florentinos representavam um forte obstáculo decidiu tomar
uma medida mais engenhosa, ele enviou o cardeal Giovanni de Médici afim de que recupera-
se o controle sobre a república, algo que sua família já fizera. Em 16 de setembro, os
partidários dos Médicis invadiram o Palácio da Senhoria realizando um golpe de Estado, a
república fora tomada. Maquiavel em novembro fora destituído de seu cargo, tivera o
mandato cassado e fora preso. Em 21 de fevereiro, Júlio II morreu e fora sucedido por
Giovanni de Médici, o qual se tornou o papa Leão X. Maquiavel passou a residir em exílio, mas
manteve correspondência com um amigo em Roma.

Em 1 de janeiro de 1515 o rei de França, Luis XII morreu e fora sucedido por Francisco I. Em
1516 o rei de Espanha, Fernando II de Aragão morreu e fora sucedido por Carlos V. O papa
Leão X nomeiou seu sobrinho Lourenço II de Médici, “Capitão Geral“ de Florença e
posteriormente Duque de Urbino. Maquiavel dedicaria o Príncipe a Lourenço II, neto de
Lourenço, o Magnífico. Em 12 de janeiro de 1519 o sacro imperador Maximiliano morreu. Em
4 de maio, Lourenço II veio a falecer e fora sucedido por Júlio de Médici o qual passou a
governar Florença. Em junho, Carlos V, rei de Espanha e neto de Maximiliano se tornou
imperador do Sacro Império. Maquiavel voltou a trabalhar como diplomata em 1520. Em 1522
o papa Leão X morreu e fora sucedido por Adriano VI. Em 1523, as tropas francesas são
derrotadas, e os franceses perdem os territórios em Gênova e Milão. Em 14 de setembro,
Adriano VI faleceu, Júlio de Médici então governante de Florença é eleito papa, tornando-se
Clemente VII.

Na Batalha de Pávia em 24 de fevereiro de 1525, o rei francês Francisco I fora feito prisioneiro
pelo exército espanhol. Em 1 de abril, o papa firmou um acordo com o vice-rei de Nápoles, o
qual será retificado por Carlos V. O nome de Maquiavel fora cogitado para participar da missão
diplomática em Madrid, mas no fim o papa suspendeu a autorização de Maquiavel.

Em 14 de janeiro de 1526 fora assinado o Tratado de Madrid, Carlos V libertou Francisco I, em


troca de algumas solicitações, entre estas a entrega dos domínios franceses na Borgonha.
Maquiavel tentou solicitar ao papa algumas questões de ordem política, o papa recusou todas.
Contudo, o papa acabou aceitando criar a Comissão de Fortificações a pedido de Maquiavel.
Em maio fora assinado o Tratado de Cognac entre Francisco I, o papa, Florença e Veneza.

Em setembro a situação se complicou, o papa havia firmado uma trégua com os espanhóis em
Nápoles e Colonna, porém os espanhóis quebram a trégua e atacaram as tropas papai, fazendo
prisioneiros e exigindo a retirada das tropas da Lombardia. Maquiavel participou de missões
diplomáticas afim de impedir que uma nova guerra se alastra-se pela Itália. No ano seguinte,
em maio Roma é fora cercada e tomada, sendo saqueada. Maquiavel retornou para Florença,
mas acabou morrendo em 21 de junho.

Os confrontos ainda perdurariam até 1530, passando posteriormente por um período de


trégua, contudo as guerras perdurariam até 1599. O sonho de Maquiavel de ver uma Itália
unificada só iria se concretizar quatro séculos depois.

2. A Obra: O Principe

- características: 26 capítulos, claro e objetivo

- Isaiah Berlin: 20 interpretações diferentes

- gênero: espelho de príncipe

- ideia central

ETICA CRISTÃ X ETICA POLITICA


IGREJA MAQUIAVEL
SALVAR A ALMA SALVAR A CIDADE
SER SEMPRE BOM SER MAU QUANDO NECESSARIO

- crueldade bem usadas

- máscaras

- ser amado e ser temido

- o tempo e as boas ações


- a vírtu e a fortuna

- ciência politica

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