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Cenários de Resposta Unidade 2 - Pag.115 A 143

Esta proposta de correção fornece resumos detalhados de cenas e diálogos do Ato II da peça "O Retrato de D. João de Portugal" de Eça de Queirós. Analisa as reações e pressentimentos das personagens diante de eventos passados e iminentes, sugerindo um desfecho trágico.

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Cenários de Resposta Unidade 2 - Pag.115 A 143

Esta proposta de correção fornece resumos detalhados de cenas e diálogos do Ato II da peça "O Retrato de D. João de Portugal" de Eça de Queirós. Analisa as reações e pressentimentos das personagens diante de eventos passados e iminentes, sugerindo um desfecho trágico.

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Proposta de

correção:
Unidade
2_exercícios
_Pág.115 a 143
Pág. 115

Educação Literária

1.1 a) Almada, no palácio que fora de D. João de Portugal contíguo à igreja de S. Paulo dos Domínicos.
b) Um salão antigo, com uma decoração melancólica e pesada (retratos, armas de família, reposteiros
longos); portas, cobertas por reposteiros, para o exterior do lado direito e para o interior do lado esquerdo;
um reposteiro pesado a cobrir as portadas da tribuna que se encontra sobre a capela da Senhora da
Piedade.
c) Alta nobreza (brasão: as armas antigas da casa de Bragança).
d) Sugestão de melancolia, tristeza: fechamento para o exterior (ausência de janelas, reposteiros a tapar as
portas a indiciar a limitação dos movimentos das personagens). Destaque para os retratos representativos
de um passado de infortúnios.
1.2 A didascália do Ato I transmite a felicidade e a liberdade de movimentos das personagens, pela luz, pelas
sugestões cromáticas e pela abertura ao exterior, enquanto a do Ato II sugere tristeza, melancolia e a
coartação dos movimentos das personagens, pelo ambiente austero, pela ausência de luz natural e pelo
fechamento ao exterior.
Pág. 116

2.1 A adaptação da citação, proferida por Maria, justifica-se pela mudança para o palácio de D. João de
Portugal, por causa do incêndio da casa de seu pai. Além deste sentido, poderá indiciar uma separação
trágica da família pelo paralelo que se pode estabelecer entre Maria e o destino infeliz da heroína desta
novela.
3. A Cena I permite uma ligação harmoniosa entre os dois atos, pois através das palavras de Maria fica-se a
saber o tempo decorrido desde o incêndio («oito dias») e como foram vivenciados os acontecimentos
naquela noite, incluindo a mudança de palácio. Deste modo, sem ser necessária a representação dos
acontecimentos em cena, o leitor/ espectador é elucidado quanto ao mal-estar de D. Madalena, que ainda
não saiu do seu quarto por causa do terror sentido ao ver o retrato de D. João de Portugal; quanto ao facto
de Manuel de Sousa Coutinho se encontrar escondido durante todo esse tempo, por recear represálias; e
quanto à intenção dos governadores de esquecerem a atitude do mesmo.
Pág. 117

4.1 O destaque assumido pelos três retratos remete para a importância destas três figuras na ação, por
representarem o peso de um passado associado ao infortúnio, o qual poderá significar, também, a desgraça
do presente. As três figuras pertencem à história de Portugal, estando interligadas: Camões viveu no
reinado de D. Sebastião, tendo- -lhe dedicado a sua epopeia, na qual o glorifica e incita à empresa no Norte
de África (Dedicatória; episódio do Velho do Restelo); D. João de Portugal esteve ao serviço de D. Sebastião,
desaparecendo na mesma batalha, em Alcácer Quibir.
4.2 D. Madalena, segundo Maria, fugiu aterrorizada quando deparou com o retrato de D. João de Portugal,
não lhe saindo do pensamento os dois retratos: o de Manuel de Sousa a arder e o de D. João que não
nomeia. D. Madalena considera que «a perda do retrato é prognóstico fatal de outra perda maior que está
perto, de alguma desgraça inesperada, mas certa, que a tem de separar de [Manuel de Sousa]» (ll. 25-26),
como se a figura do seu primeiro marido surgisse como elemento destruidor da felicidade vivida no segundo
casamento.
5.1 Maria, nestas duas falas, demonstra, uma vez mais, a sua capacidade intuitiva e dedutiva, a sua
perspicácia, neste caso relativamente ao retrato de D. João de Portugal. Pela reação de sua mãe, o pavor
que tal retrato lhe causava, e pela relutância de Telmo em revelar a identidade do cavaleiro, Maria deduziu
de quem se tratava.
6. Cena II: alude-se à faceta de escritor de Manuel de Sousa Coutinho («Poetas e trovadores padecem todos
da cabeça…», l. 183; «E então para que fazeis vós como eles?… eu bem sei que fazeis», l. 184); Cena III: a
referência à religiosidade, indiciando-se a futura tomada do hábito («Esses são os pontos sublimes e
incompreensíveis da nossa fé!», l. 196; «Para frades de S. Domingos não nos falta senão o hábito…», l. 199)
Pág. 118

7.1 Maria, após lamentar a morte de D. João de Portugal e a consequente chamada de atenção do pai, toma
consciência da sua situação, pois se D. João de Portugal não tivesse morrido na batalha, ela não teria
nascido e, associando o seu regresso ao de D. Sebastião, no qual ela crê, isso poderá significar a sua morte.
Assim, «escondendo a cabeça no peito de seu pai», Maria tenta esconder o pressentimento de desgraça
(«Creio, oh, se creio! que são avisos que Deus nos manda para nos preparar. – E há… oh! há grande
desgraça a cair sobre meu pai… decerto! e sobre minha mãe também, que é o mesmo»).

Gramática

1. a) «português às direitas», «alma de português velho», «sincero», «leal», «verdadeiro», «grandeza»,


«valentia»;
b) «chamas», «devorar», «fúria infernal», «prognóstico fatal», «desgraça», «terror», «mortos», «morrer»,
«morte», «temor», «fatal»;
2. a) em que: «o retrato»; ele: «meu pai»; b) nele: «Luís de Camões»; c) -lo: «o templo»; d) que: «um temor
santo»; lhe: «D. João de Portugal».
Pág. 118

Oralidade

Sugestão:
• Características do Sebastianismo: crença mística, propagada em Portugal logo após o desaparecimento de
D. Sebastião (1554-1578), segundo a qual este rei, como um novo messias, retornaria para levar o país a
outros apogeus de glórias e conquistas.
• Simbolismo de D. Sebastião: século XVI – D. Sebastião, ainda vivo, simboliza o garante da liberdade e da
independência nacional; representa a vontade de expansão do Império e o espírito de cruzada no Norte de
África – Camões apresenta-o como herói de uma futura epopeia; século XIX – a figura de D. Sebastião surge
evocada nas artes como símbolo da decadência de Portugal, sendo missão da poesia a devolução da
dignidade perdida à pátria; século XX – as fraquezas do passado, o «fim da ditadura», «de um império
agonizante há décadas».
• O desejo de mudança: pretende- -se um Portugal caracterizado pela Liberdade, pela mudança política e
estética, quer no século XIX quer no século XX.
Pág. 120

Consolida

a) «[…] a ruína dum povo que, havia pouco, deslumbrara o mundo com os Descobrimentos e a criação dum
grande Império.» (Texto 1, ll. 6-7)
b) «Foi então que surgiu, como instintiva reação, o Sebastianismo. […] O rei não tinha morrido, era o
Encoberto que esperava a hora própria para voltar e dar ao reino a grandeza perdida.» (Texto 1, ll. 8-10)
c) «O Sebastianismo enraizou-se no espírito nacional, como traço característico, poderoso fermento de
reação em momentos agudos de crise.» (Texto 1, ll. 16-19)
d) «O mito de D. Sebastião percorre a literatura do século XIX […]» (Texto 2, l. 1); «[…] a figura do rei é,
quase sempre, inseparável do poeta que o cantou e aí reside a especificidade do tratamento do tema.»
(Texto 2, ll. 4-5); «[…] D. Sebastião é a sombra de uma sombra, o fantasma de si próprio, dado que apenas
existe para morrer e para voltar sob a forma de um poema que o canta postumamente.» (Texto 2; ll. 14-16)
e) «[…] sentiu o palpitar das entranhas portuguesas. […] Um choro de aflições tristes, uma resignação
heroicamente passiva, uma esperança vaga, etérea […]» (Texto 3, ll. 4-6)
Pág. 121

Ponto de partida

1. Ponto de vista: tudo pode acontecer numa sexta-feira 13.


Pág. 125

Educação literária

1. Nas Cenas IV e V, Frei Jorge confirma a Manuel de Sousa já não haver perigo de retaliações por parte dos
governadores. D. Madalena, já restabelecida e bem-disposta, junta-se aos demais. No entanto, a sua boa- -
disposição é passageira, pois fica apreensiva ao saber que Manuel de Sousa tem de ir a Lisboa, para
agradecer ao arcebispo, e que Maria tenciona ir com o pai, para conhecer Soror Joana. As apreensões
aumentam por ser sexta-feira, dia que ela considera fatídico.
2. D. Madalena receia a repetição das acusações feitas por Telmo no diálogo da Cena II do Ato I, não
querendo relembrar as razões da sua angústia: as dúvidas que a assaltam relativamente a D. João de
Portugal.
3. D. Madalena revela-se zelosa pelo bem-estar da filha, procurando que nada lhe aconteça. Revela
simultaneamente uma atitude de extremo carinho. Maria, por sua vez, tenta acalmar a sua mãe; no
entanto, sente-se profundamente abalada com a tristeza que esta revela.
4. A evocação de D. Joana de Castro surge a propósito da intenção de Maria de a querer conhecer. D.
Madalena admira-a pela força e virtude demonstradas na abdicação dos bens e amor terrenos. Não se vê
capaz de tais «perfeições», considerando a atitude dos condes como uma assunção de morte. Poder-se-á
deduzir, das suas palavras, um pressentimento da sua própria desgraça, o estabelecimento de um paralelo
entre a sua situação e a de Soror Joana: a separação do homem que ama.
5. O monólogo de Frei Jorge é mais um indício de um final trágico. As suas palavras indicam que a sua
racionalidade e rejeição de agouros são postas em causa pelo ambiente de desgraça que envolve a sua
família, vendo-se ele próprio invadido pelo mesmo espírito.
Pág. 126

6. D. Madalena alude à instabilidade do tempo, referindo-se aos ventos e às marés. Esta instabilidade
poderá ser interpretada como indício de instabilidade também da própria vida (até ao momento,
aparentemente calma e harmoniosa) e das mudanças que se aproximam.
7.1 D. Madalena esclarece que faz anos, precisamente naquele dia, que se casou pela primeira vez, que se
deu a derrota em Alcácer Quibir, na qual desapareceram D. Sebastião e D. João de Portugal, e que viu pela
primeira vez Manuel de Sousa Coutinho.
7.2 A ação localiza-se no dia 4 de agosto de 1599. O dia e o mês são os da batalha de Alcácer Quibir; o ano, a
soma de 21 anos: a batalha deu-se em 1578, procurou-se D. João durante 7 anos, D. Madalena e Manuel de
Sousa Coutinho estão casados há 14 anos.
7.3 Sexta-feira é um «dia fatal» para D. Madalena por ter sido nesse dia da semana que se apaixonou por
Manuel de Sousa, ainda casada com D. João de Portugal («Este amor […] começou com um crime, porque eu
amei-o assim que o vi», ll. 166- -168), facto que a atormentou até à batalha, ao sentir-se numa situação
adúltera («O pecado estava- -me no coração […] dentro da alma eu já não tinha outra imagem senão a do
amante…», ll. 169-170). Apesar de estar casada há 14 anos com o homem que ama, tendo sido este amor
«santificado e bendito no Céu» (l. 166), sempre sentiu um conflito psicológico pela culpa deste «crime», o
que nunca a permitiu viver em plena felicidade, como se pode verificar logo no monólogo inicial da obra e
pelos constantes sobressaltos em que vive, vendo em tudo um indício de desgraça.
Pág. 126

Gramática

1. a) 3; b) 6; c) 8; d) 5; e) 7; f) 4.
2. a) «ai» (l. 46); «adeus!» (l. 149); «Deus o queira!» (l. 105); «Até logo» (l. 149); b) «Logo hoje!… Este dia de
hoje é o pior […] se fosse passado hoje!…» (ll. 66-67); c) «que as minhas…» (l. 32); «e entra-me com cismas
que…» (l. 109); d) «Porque… Maria… Maria não está bem sem ele – e ele também… em estando sem Maria –
que é a sua segunda vida, diz o pobre do velho, – sabes? já treslê muito… já está muito… e entra-me com
cismas que…» (ll. 107-109); e) «Querida Madalena!» (l. 30); «Que dizes tu?» (l.74).
Pág. 128

Consolida

1. a) 10; b) 8; c) 5; d) 1; e) 3; f) 4; g) 6; h) 9.
2. a) «levais»: Doroteia e os outros criados; b) «Meu»: Maria; c) «daqui»: a tribuna; d) «já»: o momento do
ato enunciativo; e) «filha»: Maria; «aqui»: Almada, palácio de D. João de Portugal; f) «minha»: Frei Jorge; g)
«connosco»: Frei Jorge, Manuel de Sousa, D. Madalena e Maria.
2.1 a) dêixis pessoal, temporal e espacial;
b) dêixis pessoal;
c) dêixis espacial;
d) dêixis temporal;
e) dêixis pessoal e espacial;
f) dêixis pessoal;
g) dêixis pessoal.
Pág. 131

Educação literária

1. Miranda caracteriza o Romeiro, inicialmente, como «um pobre velho» (ll. 11-12), e, depois, demonstra
um certo deslumbramento pelas suas barbas, muito «formosas» (l. 20) e «alvas» (l. 21). Este facto sugere
que se trata de alguém de condição nobre. A nobreza de sangue e de caráter encontram pararelo na
nobreza de elementos físicos que apresenta.
2. As Cenas XIV e XV localizam-se no conflito de Frei Luís de Sousa, correspondendo ao desenlace do Ato II,
momento em que D. Madalena fica a saber pelo Romeiro que o primeiro marido se encontra vivo, e em que
o Romeiro, depois de questionado por Frei Jorge, se identifica como «Ninguém», apontando para o retrato
de D. João de Portugal.
3.1 Primeiro momento: desde o início da cena até à linha 85; segundo momento: desde a linha 86 até ao
final da cena. No primeiro momento, o Romeiro revela o local onde viveu durante vinte anos, os
padecimentos passados, a perda da família e a certeza de só ter um amigo.
Pág. 132

3.2 Os vinte anos de ausência; a referência às recordações da família e, depois, a contradição da afirmação
de já não ter família, por esta ter refeito a sua vida, certa da sua morte; o ter somente um amigo.
3.3 «Hoje» é o deítico temporal introdutor do segundo momento, cujo referente é «4 de agosto de 1599», o
qual, associado ao complexo verbal «há de ser» com valor de obrigatoriedade, indica a determinação do
Romeiro em transmitir o recado naquele preciso dia, por corresponder a um juramento feito um ano antes.
Esta determinação é reforçada pelo uso do número 3 em «Há três dias que não durmo, nem descanso», que
simboliza as três fases da existência e a perfeição, indiciando ser aquele o dia em que o recado terá de ser
transmitido.
4. A partir do momento em que o Romeiro refere ter jurado a alguém que um ano depois estaria diante de
D. Madalena para lhe transmitir algo, esta começa a questionar a identidade do mandatário, sentindo-se
«aterrada» (l. 96). À medida que o Romeiro vai confirmando a identidade do mesmo, respondendo aos
sucessivos pedidos de confirmação de D. Madalena, o pavor vai tomando conta dela, como se pode verificar
nas didascálias «na maior ansiedade» (l. 110), «espavorida» (l. 118). As marcas da linguagem da
personagem indicam, igualmente, esse crescendo de emoções, como se pode verificar na utilização de falas
curtas («Cativo?», l. 114;«Português?…», l. 116), frases inacabadas («esse homem era… esse homem tinha
sido…», l. 111; «cativo da batalha de?…», l. 116), exclamações e reticências, interjeições e locuções
interjetivas («Jesus!», l. 111; «Meu Deus, meu Deus!», l. 118).
5.1 D. Madalena sai precipitadamente da sala, revelando-se profundamente aterrada ao tomar consciência
da sua situação de pecado e da ilegitimidade da sua filha, cuja debilidade física a preocupa. A sua saída de
cena é anterior à identificação da personagem do Romeiro com o retrato de D. João de Portugal,
impossibilitando-a de um reconhecimento completo acerca de quem é de facto o Romeiro.
Pág. 133

Educação Literária

6.1 Sendo «ninguém» um pronome indefinido, D. João de Portugal, ao identificar-se com este vocábulo,
anula-se enquanto pessoa com identidade própria, por não ter existência para os outros, por não ter a vida
a que tinha direito, uma vez que a sua própria família construiu, a partir da sua «morte», uma nova vida que
se sobrepõe à sua.

Gramática

1. a) vocativo; b) modificador (com valor de tempo); c) complemento indireto; d) predicativo do sujeito; e)


complemento oblíquo; f) predicativo do sujeito.
Pág. 133

Oralidade

Sugestão de resposta: Descrição sucinta: trata-se de uma curta-metragem realizada em parceria por
Salvador Dalí e Walt Disney, com a banda sonora dos Pink Floyd, «Time». As personagens (uma mulher e um
homem) encontram-se num deserto, rodeados de objetos simbólicos (pirâmide – ligação terra/céu; relógios
– passagem do tempo; aves – liberdade; olhos – presença de outros; dedos apontadores – o destino…), num
cenário surrealista e inesperado. Relação entre a temática do destino no filme e nas cenas analisadas de Frei
Luís de Sousa: em ambos, a temática do destino está presente. Tal como os dois amantes na curta-
metragem, também Madalena e Manuel estavam destinados a relacionar-se. Também foi o destino que
traçou a sobrevivência de D. João, na batalha de Alcácer Quibir, e o seu consequente regresso, contrariando
todas as evidências que conduziram ao casamento de D. Madalena com Manuel de Sousa Coutinho.
Comentário crítico da curta-metragem: representa a luta humana pela felicidade, com momentos de alegria
e de tristeza, limitada por forças superiores, que vão controlando os seus passos, e pelo fator implacável do
tempo. A música confere a ambiência perfeita ao documento, já que traduz, através do ritmo e das
palavras, o conflito homem/tempo (note-se o tiquetaque inicial) na procura da sua felicidade.
Pág. 134

Consolida

1. Almeida Garrett considerava os conceitos de progresso e de liberdade inseparáveis: «A falta de liberdade


viola e destrói a ordem natural do mundo e a imposição autocrática duma Ordem inflexível e despótica
conduz à destruição do Homem e da sociedade.» (ll. 9-11)
2. Em Frei Luís de Sousa, são-nos apresentadas as consequências do passadismo português, representado
na figura de D. João de Portugal, o «velho Portugal», o passado heroico da pátria: a catástrofe, o arrastar de
todos aqueles que continuam a olhar para esse passado e não para o futuro. Assim, é imperiosa a morte do
«Portugal velho», o Portugal sem identidade, para que a ordem natural do mundo se restabeleça e se torne
possível o progresso do país.
Pág. 135

Ponto de Partida

1. Podemos observar dois rostos – um feminino, atrás, e um masculino, à frente –, construídos com
madeira, no caso masculino, e com tecido no caso feminino. Simbolicamente e em termos de
expressividade, estão «vazios», ocos – por exemplo, o homem, sem olhos (sem capacidade de enfrentar/ver
o mundo) e a mulher, cosida (sem a capacidade de falar/protestar).
Pág. 137

1.1 Localização espacial: Almada (parte baixa do palácio de D. João de Portugal);


espaço cénico: casarão vasto sem ornamentos, objetos utilizados na igreja dispostos em diversos locais;
duas portas, uma à esquerda para a capela da Senhora da Piedade, na igreja de S. Paulo dos Domínicos,
outra ao fundo para as oficinas e aposentos dos baixos do palácio; de um lado um esquife do outro uma
grande cruz; uma banca velha com tamboretes, tendo num dos lados uma tocheira baixa e sobre a mesa um
castiçal baixo e um hábito completo de domínico;
localização temporal: alta noite;
atmosfera sugerida: sugestão de morte, queda, isolamento; o último espaço a ser percorrido pelas
personagens, do qual não há saída; a ausência de ornamentos sugere o abandono de bens materiais, a cruz,
a morte.
1.2 A didascália do Ato I sugeria a felicidade e a liberdade de movimentos das personagens; a do Ato II,
tristeza, melancolia e a coartação dos movimentos das personagens; a do Ato III, o confinamento a um
espaço fechado, escuro, que indicia morte. Verifica-se, assim, um afunilamento dos espaços, ficando estes
cada vez mais limitados, cercando as personagens até um ponto do qual não há qualquer saída.
Pág. 137

2. O recurso à repetição, numa outra voz, da expressão «Oh minha filha, minha filha!» estabelece a ligação
com o final do Ato II, quando D. Madalena sai de cena espavorida a gritar, pondo em primeiro plano Maria,
por esta ser a principal vítima da desgraça que se abateu sobre a família.
3.1 Manuel de Sousa Coutinho sente- -se mortificado pela situação da filha, pela qual se sente responsável:
preocupam-no os efeitos da desgraça na sua frágil saúde e as consequências sociais da sua ilegitimidade.
Pág. 138

3.2 A personagem assume ter errado por se casar com D. Madalena sem a prova cabal da morte do primeiro
marido e apesar de este ter sido procurado durante sete anos. Não assume ter cometido um crime, pois as
suas ações foram praticadas sem consciência do crime de adultério que, involuntariamente, perpetrava.
3.3 O recurso a metáforas e a hipérboles, conotadas com dor, morte e santidade, tais como «bebeu até às
fezes o cálice das amarguras humanas…» (ll. 15-16) «testa branca e pura de um anjo» (ll. 30-31) conferem
uma grande emotividade e intensidade dramática ao discurso de Manuel de Sousa, além de sugerirem
erudição, remetendo para a figura histórica, que foi um grande prosador.
4. A angústia de Manuel de Sousa perante a situação trágica da filha condu-lo, por um lado, a desejar que
ela viva («Peço-te vida, meu Deus, peço-te vida, vida… vida para ela», ll. 68-69), pois é uma vítima inocente,
e, por outro, pedir a sua morte («meu Deus! eu queria pedir-te que a levasses já», l. 64; «Se Deus quisera
que não acordasse!», l. 83, dado ter consciência das consequências que se irão abater sobre a filha ao ser
marginalizada pela sociedade («vai cair toda essa desonra, toda a ignomínia, todo o opróbrio», ll. 28-29).
Pág. 139

5. Frei Jorge, quando o irmão se diz o homem mais infeliz da Terra, lembra- -lhe a situação de D. João de
Portugal, que perdeu tudo quanto tinha. Diz-lhe também que não se faça mais infeliz do que já é e tenta
consolá-lo, afirmando que encontrará a paz e a redenção na religião.
6. Manuel de Sousa refere-se a D. Madalena como uma «infeliz» (l. 17) e «desgraçada» (l. 102) por ter sido
arrastada por ele para a vergonha e para a infâmia.
7. A Cena I apresenta informações que permitem ao leitor/espectador saber o que se passou desde o final
do Ato II, constituindo um momento de exposição: o casal decide entrar na vida religiosa como solução; o
estado de saúde de Maria agrava-se desde a chegada de Lisboa; somente Manuel de Sousa e Jorge
conhecem a identidade do Romeiro; Maria não sabe da desgraça que se abateu sobre a família; e Telmo irá
encontrar-se com o Romeiro, a pedido deste último.
Pág. 139

Escrita

Sugestão de tópicos:
• Introdução: O regresso após «a morte» – temática comum entre o trailer do filme e Frei Luís de Sousa,
pois ambos abordam as consequências funestas de um regresso: do irmão dado como morto em combate
(trailer) e de D. João de Portugal, dado como morto na batalha de Alcácer Quibir.
• Desenvolvimento: Por um lado, no trailer verifica-se uma aproximação (amorosa) entre a mulher do irmão
desaparecido e o seu irmão gémeo; em Frei Luís de Sousa, o casamento de D. Madalena de Vilhena com
Manuel de Sousa Coutinho, após o primeiro marido daquela ter sido dado como morto; a destruição de uma
harmonia restabelecida após a «morte», envolvendo crianças inocentes; por outro lado, a cumplicidade
entre irmãos sugerida no trailer do filme e na obra, entre Manuel de Sousa Coutinho e Frei Jorge Coutinho,
verificando-se um afastamento no primeiro e uma aproximação no segundo.
• Conclusão: A procura da harmonia após uma «morte» e as consequências funestas de um regresso na vida
de todos.
Pág. 143

Educação Literária

1.1 O conflito de Telmo é visível logo no início do monólogo, na Cena IV, quando diz: «Virou-se-me a alma
toda com isto: não sou já o mesmo homem» (ll. 27-28). A personagem sempre desejou o regresso de D.
João de Portugal, não crendo na sua morte; contudo, agora que sabe que o seu amo se encontra vivo,
constata que o seu amor por Maria é superior, chegando a oferecer a sua vida em sacrifício pela vida de
Maria, pois pressente próxima a morte desta.
2.1 O Romeiro sente uma profunda mágoa por D. Madalena ter entregado o seu coração a outro, juízo que
Telmo alega ser injusto. Procura, então, a confirmação de Telmo quanto às diligências tomadas por D.
Madalena no sentido de o encontrar. Após confirmação dessas diligências e da virtude e honra de sua
esposa, comunica ao escudeiro a sua «resolução» (l. 77) de tentar solucionar a situação pedindo-lhe que
diga a todos que «o peregrino era um impostor» (l. 89), e que tudo fora um embuste. Esta decisão afigurou-
se a mais correta para o Romeiro, que, ao saber que o casal tinha uma filha, se sentiu responsável pelo «mal
feito». (l. 118).
3.1 O Romeiro, ao ouvir D. Madalena a chamar pelo seu «esposo» (l. 135), por um breve instante pensa que
é por si que ela chama e sente-se tentado a abrir-lhe a porta. Porém, quando D. Madalena nomeia
«Manuel», chamando-lhe «meu amor» (l. 143), fica furioso e dirige-se para a porta; contudo, cai em si e
reafirma a sua decisão, saindo violentamente de cena.
Pág. 143

4. D. João de Portugal encerra em si as virtudes do cavaleiro cristão: amor pelo seu rei e pela sua pátria,
combate contra os inimigos da fé, pela qual expõe a sua vida, sujeitando-se a maus-tratos, privações,
distância, ausência de notícias e saudade da esposa durante vinte anos. Revela generosidade e grandeza de
alma ao não querer «desonrar a sua viúva» (ll. 125-126), preferindo, apesar de sentir frustração e mágoa
pela perda da sua esposa, passar por «impostor», apagando-se voluntariamente, para tentar remediar o
problema que o seu regresso gerou.

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