Causas de hipertensão arterial
A hipertensão possui duas categorias: hipertensão essencial e hipertensão
secundária.
A hipertensão essencial, também chamada de hipertensão primária, é aquela que
surge sem causa esclarecida, enquanto que a hipertensão secundária é aquela
que ocorre devido a uma doença identificável, como insuficiência renal, apneia do
sono,hipotireoidismo,etc...
PRIMÁRIA (HIPERTENSÃO ESSENCIAL)
A hipertensão primária é a causa da pressão alta em 95% dos pacientes. Sim, é
isso mesmo, praticamente todos os casos de pressão alta são causados pelo que
definimos como hipertensão essencial.
Não se sabe exatamente por que a hipertensão primária surge, mas sabe-se que
ela é causada por múltiplos fatores genéticos e de hábitos de vida. Sabe-se que
entre os mecanismos responsáveis pela elevação da pressão arterial na
hipertensão primária estão um aumento de absorção de sal pelos rins, uma
excessiva resposta dos vasos sanguíneos a estímulos nervosos mediados por
neurotransmissores, como a adrenalina, e uma perda de elasticidade das artérias,
tornando-as mais rígidas.
A hipertensão essencial geralmente surge gradativamente, piorando ao longo dos
anos. O porquê destas alterações surgirem em determinadas pessoas ainda é
desconhecido, mas já conseguimos identificar alguns fatores de risco para a
hipertensão essencial.
Fatores de risco para hipertensão arterial
Afrodescendência: ainda não se sabe bem por que negros têm uma incidência de
hipertensão essencial maior que outras etnias, mas o fato é que afrodescendentes
não só têm mais hipertensão, como ela inicia-se mais cedo e costuma causar mais
complicações. Acredita-se que haja uma interação de fatores genéticos e
econômicos por trás desta incidência maior. Negros costumam ter uma pressão
arterial mais sensível ao consumo de sal, e como na nossa desigual sociedade há
muitos negros pobres, a qualidade da alimentação destes costuma ser ruim,
havendo grande consumo de alimentos hipercalóricos e ricos em sal.
História familiar: a influência genética na hipertensão primária é muito conhecida.
Quanto mais parentes portadores de pressão alta você tiver, maiores são suas
chances de também desenvolver hipertensão arterial. Pessoas com pelo menos
um parente de primeiro grau hipertenso têm o dobro de chances de desenvolver
pressão alta quando comparado com pessoas sem história familiar.
Consumo de sal: a hipertensão arterial essencial é uma doença típica das
sociedades do mundo ocidental que habitualmente consomem muito sal. Pessoas
que ingerem mais de 6g de sal por dia (ou 2,3g de sódio) apresentam maior risco
de terem pressão alta. O sal aumenta a pressão arterial por induzir duas
alterações nos vasos sanguíneos. O sal (cloreto de sódio) aumenta o volume de
líquidos dentro dos vasos, pois para o sangue não ficar com níveis altos de sódio,
os rins absorvem mais água para dilui-lo. O sódio age diretamente nas paredes
das artérias causando um constrição das mesmas, levando a um aumento da
resistência (pressão) à passagem do sangue e uma menor capacidade de
vasodilatação.
Obesidade: o excesso de peso é outro importante fator de risco para a
hipertensão arterial. Pessoas obesas (IMC maior que 30) (leia: OBESIDADE |
SÍNDROME METABÓLICA para entender o conceito de IMC) apresentam até 6x
mais chances de apresentarem pressão alta do que indivíduos com IMC abaixo de
25. Além do excesso de peso, o tamanho da circunferência abdominal também é
um fator de risco importante. A barriguinha (barrigona em muitos casos) não é só
esteticamente indesejável, ela é também um fator de risco para diversas doenças,
entre elas a hipertensão.
Consumo de álcool: O consumo diário de mais de 2 copos de vinho ou 2 copos de
cerveja, ou o equivalente em álcool de qualquer outra bebida, aumenta em 2x o
risco de hipertensão. Quanto maior o volume regular de álcool ingerido, maior é o
risco. Por outro lado, o consumo moderado de álcool, isto é, consumo não diário e
não maior do que 2 drinks ao dia, não parece ter efeitos maléficos sobre a pressão
arterial.
Idade: quanto mais velha é a pessoa, maior o risco de desenvolver hipertensão.
Isto ocorre porque com o passar dos anos os vasos sanguíneos vão sofrendo um
processo chamado de arteriosclerose, que é o endurecimento da parede das
artérias, fazendo com que as mesmas percam elasticidade e capacidade de se
acomodar de acordo com as variações da pressão arterial. A hipertensão do idoso
é tipicamente sistólica, isto é, a pressão máxima (pressão sistólica) fica alta e a
pressão mínima (pressão diastólica) fica baixa.
Colesterol alto: o colesterol elevado aumenta a deposição de gordura nas
artérias, um processo chamado de aterosclerose. A aterosclerose é uma das
principais causas de arteriosclerose, explicada no tópico acima.
Sedentarismo: a falta de exercício físico também é outro importante fator de risco
para hipertensão arterial. A prática regular de exercícios diminui os níveis
circulantes de adrenalina, que causa constrição das artérias, e aumenta a
liberação de endorfinas e óxido nítrico, que causam vasodilatação. Além disso, o
sedentarismo contribui para o sobrepeso e aumento do colesterol.
Tabagismo: O cigarro não só causa aumento imediato da pressão arterial por ação
vasoconstritora da nicotina, mas também acelera o mecanismo de arteriosclerose,
deixando os vasos duros e rígidos. O fumo passivo também é fator de risco para
hipertensão arterial.
Anticoncepcionais orais (ACO): a pílula anticoncepcional costuma aumentar a
pressão arterial de modo discreto, porém, em algumas mulheres, principalmente
as fumantes com mais de 25 anos, os ACO podem levar à hipertensão.
O que foi listado acima são apenas fatores de risco para hipertensão, ou seja,
fatores que aumentam a chances de um indivíduo apresentar pressão alta.
Nenhum dos fatores acima sozinho é capaz de causar hipertensão arterial. Como
já dito, os mecanismos de desenvolvimento da hipertensão primária ainda não
são totalmente conclusivos.
2) HIPERTENSÃO ARTERIAL SECUNDÁRIA
Ao contrário da hipertensão essencial onde há fatores de risco identificados, mas
não há uma causa claramente estabelecida, a hipertensão secundária é por
definição aquela que tem uma causa bem definida. O paciente tem uma doença
que leva à hipertensão. São várias as doenças que podem causar hipertensão
secundária, mas todas juntas representam apenas 5% do total de casos de
hipertensão. Isto é importante frisar: 95% dos casos de hipertensão arterial são
primárias.
Ao contrário da hipertensão essencial que costuma piorar progressivamente, a
hipertensão secundária costuma ter inicio abrupto, iniciando-se já com níveis
pressóricos altos.
Como o rim é o principal controlador do volume de água e de sódio do organismo,
as doenças renais são causas comuns de hipertensão secundária.
Insuficiência renal crônica
Ainsuficiência renal é uma das principais causas de hipertensão secundária.
Quando os rins começam a falhar, o corpo passa a ter dificuldade em excretar o
excesso de sal e líquidos consumidos, levando a um aumento da pressão arterial.
Cerca de 85% dos pacientes com insuficiência renal crônica têm hipertensão.
É importante salientar que a insuficiência renal causa aumento da pressão
arterial, mas também pode ser causada pela hipertensão. Uma pressão
constantemente elevada durante anos costuma causar lesão dos vasos e dos
glomérulos dos rins, podendo levar à insuficiência renal. O paciente passa então a
apresentar um mecanismo de auto-alimentação: a hipertensão causa lesão nos
rins que por sua vez causa piora da pressão arterial. Quanto mais a insuficiência
renal progride, mais grave torna-se a hipertensão.
Glomerulonefrite
O glomérulo está para o rim como o neurônio está para o cérebro. São os
glomérulos que possuem os filtros responsáveis pela “limpeza” do sangue.
Chamamos de glomerulonefrite o grupo de doenças que causa inflamação dos
glomérulos. São várias as doenças que causam glomerulonefrite e quase todas
apresentam hipertensão como parte do seu quadro clínico.
Rins policísticos
A doença policística renal é outra causa de hipertensão secundária. A expansão
dos cistos provoca um aumento da liberação de um hormônio chamado renina,
que causa maior absorção de sódio nos túbulos renais, aumentando assim o risco
de hipertensão. Pacientes com rins policísticos podem ter hipertensão mesmo
quando ainda não apresentam alterações detectáveis da função renal.
Estenose
É o termo que usamos para indicar um estreitamento em uma artéria. A estenose
da artéria renal causa uma diminuição no aporte e sangue para o rim. Como a
pressão do sangue que chega ao rim está muito baixa, este imagina que a pressão
está baixa em todo corpo e passa a reter mais sal e líquidos para compensar esta
falsa hipotensão.
Feocromocitoma
O feocromocitoma é um tumor maligno da glândula supra-renal produtor de
adrenalina. Este excesso de adrenalina pode levar à hipertensão
Resumindo
.A pressão alta, também chamada de hipertensão arterial, é caracterizada pela
pressão acima de 14 por 9 (140 X 90 mmHg). É uma doença crônica que não tem
cura e, quando não é devidamente tratada, pode aumentar o risco de desenvolve
problemas de saúde graves, como infarto, derrame ou comprometimento renal.
– Aldosteronismo primário
Geralmente causado por tumor benigno da supra-renal ou por um crescimento anormal de toda a
glândula, causa hipertensão devido a uma maior produção de um hormônio chamado aldosterona, que
age no rim aumentando a absorção de sódio nos túbulos renais.
– Síndrome de Cushing
A síndrome de Cushing é uma doença causada por excesso de corticoides no organismo, seja por
produção exagerada da glândula supra-renal, seja por ingestão excessiva de corticoides sintéticos para
tratamento de algumas doenças (leia: PREDNISONA E CORTICOIDES | Indicações e efeitos colaterais).
– Apneia obstrutiva do sono
A apneia obstrutiva do sono é uma doença que ocorre principalmente em obesos e se caracteriza por
períodos de apneia (ausência de respiração) durante o sono. 50% dos pacientes apresentam hipertensão
que costuma estar mais elevada no período da manhã, ao contrário do que ocorre em outras causas de
hipertensão (leia: APNEIA DO SONO – Causas, Sintomas e Tratamento).
– Doenças da tireoide (leia: DOENÇAS E SINTOMAS DA TIREOIDE)
Tanto o hipotireoidismo (leia: HIPOTIREOIDISMO (TIREOIDITE DE HASHIMOTO)) quanto o
hipertireoidismo (leia: HIPERTIREOIDISMO | DOENÇA DE GRAVES | Sintomas e tratamento) podem
cursar com hipertersão arterial.
RESUMINDO:
A pressão alta, também chamada de hipertensão arterial, é caracterizada pela pressão acima de 14 por 9
(140 X 90 mmHg). É uma doença crônica que não tem cura e, quando não é devidamente tratada, pode
aumentar o risco de desenvolve problemas de saúde graves, como infarto, derrame ou
comprometimento renal.