0 notas 0% acharam este documento útil (0 voto) 103 visualizações 12 páginas Mary-Douglas - Pureza e Perigo - Fronteiras Externas Exteriores
Mary-Douglas- Pureza e Perigo - Fronteiras Externas Exteriores
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MARY DOUGLAS
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‘rade e Sis Feri de Siva
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Dios rcrados pra ian poruets por Bags 70, Léa
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‘0 todo ou om part, qualquer que tno modo wliaado,
faclundofetetpia © sercipi, sea prévis sutriagto do Bair,
Ouuguer wonigresito 8 Let dos Divctos de Avior tert passive
de provement Jail
_PUREZA
E PERIGO
MARY DOUGLAS
ENSAIO SOBRE AS NOCOES DE POLUICAO E TABU
edic6es 70‘CAPfrULO VIE
FRONTEIRAS EXTERIORES
A ideia de soviedade 6 uma imagem poderosa e eapaz, x6 por
si, de dominar os homens, de incité-os & acco. Esta imagem tem
uma forma: tem as suas fronteiras exteriores, as suas regibes
rmarginais © a sua estrutura interna. Nos seus contomos, est 0
poder de recompensar o conformismo e de repelir a agressio. Nas
Suas margens © nas suas regides nfo estruturadas existe energia
Todas as experigncias que. os homens ttm de estruturas, de
margens ou de fronteiras so um reservatdrio de simbotos da
sociedade.
‘Van Gennep mostrou como 0s limiares simbolizam o infcio de
novos estatutos. Porque € que 0 noivo toma a noiva nes bragos
Para tanspor a porta de casa? Porque o degrau, a trave © as
‘ombreiras da porta constituem um quadro que condigio ne-
cesséria © quotidiana da entrada em casa. Passar por uma porta é
‘um acto banal, mas que pode significar muitas maneiras diferentes
de entrar. O mesmo € vélido para os cruzamentos dos eaminhos, a8
areadas, as novas estagdes, 28 novas roupas, etc. Nenhama expe-
ritncia 6 demasiado banal para ser integrada num rito ou possic
uma significago que a ultrapassa. Quanto mais pessoal e intima
for a fonte do simbolismo ritual, mais eloguente serd a sua men-
sagem. Quanto mais 0 s{mbolo for colhido no fundo comum da
cexperigncia humaia, melhor serd recebido e mais conhecido serd.
‘A estrutura dos organismos vives reflecte methor as formas
sociais complexas que as ombreiras ¢ os linteis das portas. Verzos
137crea s resolve quando um individuo dscobrerepentinamente
ue @ Sorte extd com ele ou que, pelo contro, 0 sbandonou CV,
”. I. Gronbech, vol. I, capftulo Iv). .
‘Uma outra'carsterstica do
ines Ny ae pe m4 Sot come
um pre samt = fa
Ftp nei nat he
elses me pe ene ee
eum erg ue anew um poe
no ree oP ci!
tragos dominantes da estrutura social. Sem diivida que existem
Chegou 6 momento de defini a
i a polis, Se admitiemos gu
os 0s poderes expirtuasfazem pare integrante Wo newts
134
social, entlo exprimem-no e, 20 mesmo tempo proporcionam as
instituigBes capazes de o manipular. Em suma, isto quer dizer que
‘© poder no universo vai a reboque da sociedade, pois muitas sio
as vezes em que se atzibui o revés da sorte Aqueles que. ocupam
tum dado lugar na bierarqui social. Mas também € preciso levar
em conta outros perigos que os indiv{duos emanam consciente ou
inconscientemente. Que nio fazem parte éa sua psique e que no
so impostos nem ensinados por iniciagfo nem por nenhuma outra
forma de aprendizagem, ‘Trats-re cos poderes da poluigSo ineren-
tes 8 propria estrutura das ideias e que sancionam toda a desobe-
ditnela simbélica A regra segundo a qual estas coisas devem estar
reanidas e aquelas separadas. A poluiglo 6, pois, um tipo de pe-
igo que se manifesta com mais probabilidade Onde a estrtura,
ésmica ov social, estver claramente definida,
‘Os «poluentes» nunca tém raz. Nfo estio no seu lugar ou
atravessaram uma linha que no deveriam ter stravessado © este
eslocamento resultou num perigo para alguém. Contrariamente &
magia ¢ a feiticaria, a poluigéo nem sempre & obra dos homens:
tuma eapacidade que eles parilhan com os animais. Pode cometer-
fe deliberadamente um acto de potiglo; masa intengto do agente
‘Mo tem nada a ver com os resultados obtides. A poluigto ¢, na
maioria das vezes, froto da inadvertBneia,
Eis a melhor definigSo que temos a propor desta categoria bem
particular de perigos que, nfo estindo reservados a0 ser humano,
Ee podem libertar pela sun acgdo. E um perigo que espreita os,
‘aturdidos. E & evidentemente um poder inerente & estrutura das
‘deias, um poder gragas an qual a estrtura procura protegerse &
si prOpria,
135assim que 0s rituais de sacriffcio especificam a natureza do animal
nove ou velho, macho, fémea ou sexuado—que deve ser sacri-
fcado e que estas simbolizam os diversos aspectos da situaglo que
exige um sacrificio. Indica-se igualmente a maneira de abaier 0
animal. Os Dinka cortam-no a0 comprido, passando pelos drgios
Ssexuais, quando o sacrificio se destina a reparar a ofensa de um
incesto; se se trata de celebrar uma trégua, corta-se o animal trans.
‘Yersalmente; em certas ocasides € asfixindo, noutras 6 espezinhado
até 4 morte, O corpo humano, mais directamente que o do animal,
¢ matéria de simbolismo. E © modelo por exceléncia de todo ¢
ameagadas ov precérias. Como 0 corpo tem uma esirutura comple,
34, a8 fungbes cas relagbes entre as suas diferentes partes posews
servi de stimbalos a outras estruturas complexas, & impoesiee
intepretar correctamente os ritos que utlizam excrementos lee
matemo, saliva ete, se ignoraramos que 0 corpo é um simbole de
Sociedade, ¢ que o corpo humano reproduz, a uma pequena essen
05 poderes ¢ os perigos atribuidos a estrutura social.
© corpo de um bol sacrificial representa, de forma
esquemdtica, uma dada situagto social, Mas quando interpretamos
4a mesma mancira os ritos que dizem respeto ao corpo humane
furgem dificuldades; a tradigdo psicoldgica, que no quer ove:
falar de sociedade, recambia-nos para 0 individuo. Os nites pebl
0s exprimem preocupagdes gerais quando recomem aos lintels de
Portas inanimados ou 20 sscriticio de animais, ma of rity pubic
0s que tiram partido do corpo humano respondem apenas pres.
Supagdes pessosis, fmimas a6. Ndo existe nenhuma jutificerto
para interpreta de mancira diferente os tos comportis eos outa,
‘Que eu saiba, ninguém enunciou de forma metédica os fundamen-
tos de uma tal dstingfo. Os seus defensores apoiararyse nex hy
teaes munca constadss que thes inspirava a semelhanga. alte
furpreendente —entre certas formas rituais ¢ 0 compramerts
dos psicopatas. Afirmam que a cultura primitiva coresponde, op
‘muitos aspectes, aos estédios infantis do desenvolvimento palguice
Ihumano e, por isso, consideram estes ritos como a exprevade dee
Drépris desassousegos que percorrem o espirto das parcepatas oe
Tomemos como exemplo duas tentativas modemas de firmar
andlises psicol6gicas por meio das culturas primitivas, Estas tenta.
tivas t8m por origem uma tradi¢So j4 antiga ¢ ambas levam a
‘confusBes, pois os Seus adeptos no définem com clareza a relagto
centre cultura © psiquismo individual.
138
B. Bettelheim, na sua obra sae Woes, smalien ct
eae
ee ter
ee ree ee eer es
Sees
sun shih an ated a ooat w one een
Xe cam tcanos cn Sutra
en "
So pateiens Daan ose es
poss tes euseueaiecianen
ete, May mde a oti ew eee
Bee Sar ae srt fe bem ecriem 3 ee
seein sos ommane ln ce te
tos, ove pee Tl ime fm nen ¢
esculpe na came humana ¢ uma imagem da sociedade. Quanto as
tribos que menciona — os Murngin e oe Ara elt cata ev
es ge mem oy Meri 9 Armia te it
Seca pe aes Mae at le
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fe ee ftom nen ag Dea de
ep ape awe ae De
Spree er
cic pin ey en nbs eee
seine ent Beno ga
a qual cultura primitiva é suoplica © a poss 6 sepsis
a come me ei (en
tie ree auc ae en
ef ein ees oe ae oe
ste penn aa rn can on
agindo directamente sobre 0 meio ambiente; € assim que obtém
soaps dre ee ee
cultura moderna da cultura primitive. Bettelheim faz sua esta,
iso ea pie, Hey om
rire eae lost ere at rae
4 personalidades inadequadas, imaturas, ¢ vai ao ponto de afirmar
que © fraco nfvel de realizagdes técnicas dos selvagens se explica
pela suas insuficiéncias psicolégicas:
i dotada de
Se a personalidade dos povos iletrados fosse
estruturas to elaboradas como as do homem modemo, s¢ 0
seu sistema de defesa fosse tio complicado, as suas cons-
citncias tho refinadas e exigentes, se a interacgo dintmica
139entre © eg0, o superego € 0 id fosse to complexa € se 0 seu
eg0 estivesse tdo bem equipado para enfrentar e transformar a
Fealidade exterior, eles teriam constru{do sociedades tfo com
plexes como as nossas, apesar de provavelmente diferentes,
‘Mas, na realidade, as suas sociedades sempre foram de
Pequenas dimensies © mal equipadas para enfreatar o meio
Hisico, Este fenémeno explica-se em parte, tlver, pela,
tendéncia dessas culturas para resolver os seus problemas
por meio de manipulates atoplisicas © no sloplstica
Recordemos aqui o que jf mumeroos anopSigoe subi
shar: nfo ht qualquer rrdo arn supor que a clus pines
enqoaio tal sejn'o produto de um tipo de ndividua pon a
esonaidade sera somcthante 8 das ctianas ou dor newnes
Pergontemos antes 10s psicSlogos sobre que sloplames asenees
2 suns bioteses, Segundo eles, os problemas que ss nee
destinam a resolver sto problemas pessouis de ards jcldgin
Beuelheim vai ao ponto de compar o ritualist pnsive see
rian que bate na sua propria eabega quando se nnte Ustad
Esta suposigdo esta subjacent em tea sun obras
Brown pare do mesmo pressuposto, mas 0 seu ricioctnio 6
mals sb” Nfo ert que 0 caer primitive de wa calcas
depend de tragos individuals e pessoas: eva cm cou cow a
'azio efeito do condiciones cll! sobre panoneionns
do inviuo. V8 "el como st nts tte ee
vel uma cianga ou a am adulto retedada 8
faster os seus dssjon ax cultures pimivas rocoto mee
Corpor 6, diz Brown, porgue miagitam tm esa Se evan
caltarlcompartvel ao do erotismo anal na tinge,
A sexualidade infantil é uma compensagio autopléstica da
perda do Outro; a sublimaco
seas Sot ilimesto 6 uma compensasdosopistica
Brown afirma de seguita que a cahura careicm tem os
sesmo fis que a sexalidae tnfaniecepr te das aloe
2 pera A spurato.e A more: Os epgrimas sow seen
Gosia €osoaecer or eas nda mumbo
Gorare oe conhese Os mma Brow
=o fur ¢ntos, mas Brown nfo os
140
«0 homem arcaico», diz ele, «esté preocupado com 0 con-
plexo de castragto, os tabis do incesto e a dessexualizacio do
pénis, noutras palavras, com a transferéncia dos impulsos
genitais para esia Ifbido sublimada que perpetua os sistemas
de parentesco sobre os quais repousa toda a vida arcaica
© baixo grau de sublimacio, tal como o baixo nivel
tecnolégico, implica, segundo as nossas definigBes preceden-
tes, um eu mais fraco, um eu que ainda nflo venceu (negan-
do-o8) os seus prOprios impulsos pré-genitais. Nf sublimando
‘0s fantasmas do narcisismo infantil, o homem arcaico con-
serva, durante toda a vida, 0 corpo mégico da meninice.»
(pp. 298-299)
Estes fantasmas suptem que o préprio corpo da crianga satis-
faz 0 seu desejo de um prazer infindével e que se renova a si
mesmo. Correspondem 2 uma fuga ao real, a uma recusa de en-
frentar a perda, a separaco, e a morte. O ego desenvolve-se sub-
Timando estes fantasmas. Mortifica o corpo € nega a magia do ex-
cremento; neste sentido, afronta 0 real. Mas a sublimacio, intro-
duzindo outros desejos, outros objectives irreais, propde ao eu um
‘outro tipo de evasiva & perda, & separagflo, e & morte. Pelo menos
€ assim que interpreto a test de Brown. A sublimacto torna-se
mais activa & medida que uma tecnologia complexa introduz
matéria entre nés ¢ a satisfagio dos nossos desejos infantis. Mas
invertamos a questio. Podemos afirmar que quanto menos desen-
‘volvida for a civilizagfo material, menos haverd sublimag%o? Seré
vAlido supor a existéncia de uma analogia precisa entre o fantasma
infantil ea cultura primitiva baseada numa tecnologia primitiva?
Porque & que um nivel tecnol6gico insuficiente implica necessaria~
‘mente eum eu que ainda no venceu os seus prOprios impulsos pré-
-genitais»? Como decidir que uma cultura & mais sublimada que
outra?
‘Trata-se, por certo, de questies técnicas nas quais 0 an-
‘op6logo niio tem de empenhar-se, embora tenha alguma coisa a
dizer sobre dois dos problemas levantades. Primeiro, serd verdade
‘que as culturas primitivas se deliciam com a magia excrementicia?
Seguramente que nfo. Segundo, seré verdade que as culturas
primitivas procuram evadir-se do real? Recorferdo & magia—
‘excrementicia oa outra— para compensar os seus desaires noutros
dom{nios? Mais uma vez, a resposia € negativ
Consideremos, antes de mais, a magia excrementicia. Também
aqui a informacfo é deformada por aqueles que dio demasiada
M41importincia a0 simbolo do corpo, que isolam erradamente de todos
08 outros temas simbdlicos, e que interpretam mal as atitudes
(positivas ou negativas) face aos residuos corporsis observadas nos
rituais primitivos.
Comecemos pelo segundo ponto: 0 uso que as culturas primi-
tivas fazem dos excrementos e de outros restduoe corporais nko a6
‘Ajusta geralmemte aos temas da fantasia erética infantil, Os primi-
tivos nilo vem os excrementos, etc, como fontes de gratificaglo;
condenam o seu uso, Também no os véem como instrumentor de
esejo: pelo contrério, evitam quase sempre recorrer a0. poder
oriundo das partes marginais do corpo. A leitura demasiado rpida
de materiais etnogréficos dé uma impressio errada e isto por duas
razbes: 0 informador tem os seus preconceitos © 0 observador tem,
também os seus preconceitos.
Costuma dizer-se que, para realizar os seus descjos nefastos,
8 adeptos da magia recorrem aos res{duos corporais. Neste sem
tido, para o usuério, a magia excrementicia & de facto um insirus
mento de desejo; mas as nossas informagSes sobre a magia provem
© mais das vezes das suas supostas vitimas e s6 nos do o seu
pponto de vista. Estas supostas vitimas do-nos sempre informagBes
cloquentes sobre 0s materia medica da magia. Mas € raro os
préprios mégicos divulgarem as suas receitas, Uma coisa 6 um
individuo desconfiar que alguém anda a usar ilegalmente residuos
corporais com a intenglo de prejudicé-lo; outra, € um informador
dizer que estes res{duos estfo a0 seu dispor. assim que, por uma
cespécie de ilusto éptica, aquilo que € negative pode parecer posi-
tivo.
© observador também tem preconceitos que o fazem jerar
a importincia do uso dos restduos corporais na magia primitiva.
Por todo o tipo de razdes bem conhecidas pelos psicélogos, o leitor
fica fascinado pela mais pequena alusdo & magia excremenicia. Daf
uma segunda deformagfo: tende a negligenciar-se a riqueza © a
extensfo do simbolismo reduzindo-o a alguns principios esca-
1ol6gicos. O préprio Brown é vitima deste preconceito: lembro &
interpretagdo do mito do Trapaceiro dos fndios winnebago de que
falémos no capitulo II: na longa série de aventuras do Trapaceiro
encontram-se apenss duas ou tts alusées ao nus. Evoquei 0
episédio em que 0 Trapaceiro. ve 0 seu nus como uma pessoa
aut6noma, A interpretaglo que Brown propde deste mito € de tal
modo diferente da minha, que de princfpio supus que Brown se
referia, como grande erudito que 6, a uma fonte mais antiga que &
e Radin, Para ele:
142
Os mitos primitivos do Trapaceiro estio impregnados de
antlidade ndo disfarcada néo sublimada.
Segundo Brow, 0 Trapaceiro. grande her6i cultural winne-
bago, «cria o mundo pregando alguma das suas partidas obscenas
com excrementos, lama © argilan. Tiustrando a gua tora, clta um
‘epis6dio do mito em que 0 Trapaceiro, ignorando os avisos prédi-
{gos de quem o rodeia, engole um certo bolbo que lhe enche 0
Yenite doar fazendo-o saltar um pouco mais alto a cada erupsto.
Pede aos seres humanos para que 0 segurem em terra, 0 que eles
se esforgam por fazer, © como agradecimento liberta os seus gases
com tanta forga que of dispersa para longe. Em vlo se-procura
nesta histéri, tal como a conta Radin, a mais pequens referéncia
40 poder criador da defecagto. Els € sobretudo destrutiva. O glos-
Sitio e a introdugto de Radin ensinam-nos, além disso, que 0 Tra-
paceiro nunca criou 0 mundo ¢ que nio é de maneira nenhuma um
herdi cultural, Radin pensa que a moral do episédio em causa é
completamente negative, o qu: se ajusta bom 20 tema do desen-
volvimento progressivo do Trapaceiro enquanto ser social. [sto no
aque respeita aqueles que veer demasiada magia excrementicia nas
culturas primitivas.
‘Mas continuemos o nosso exume das analogs posveisenze
cultura primitiva e o erotismo anal e fagamos a pergonia seguinte:
fem que sentido 6 que as culturas primitivas se recusam a enfrentar
48 realidades da separagto e da perda? Tgnorardo elas a unidade da
vida e da morte? Penso que ndo. Parece-me que os rtuais que
airibuem da mancira mais explicita um poder & matéria corrom-
pida sto precisamente aqueles que mais se esforgam por afirmar a
Plenitude fisica da realidade. Longe de verem a magia corporal
Como um) meio de evasKo do eal, as culturas onde se desenvolveu
realmente o simbolismo corporal recorreram a ela para enfrentar a
experiéncia humana, com todas as suas dores ¢ as suas perdas,
por meio de tais temas que elas enfrentam os grandes peradoxos
da exisifncia, como tentarei mostrar no dhimo capitulo, Se refiro
aqui esta questdo € porque ela diz respeto & psicologia infantil: se
ftnografia confirma que at culturas primitivas consideram a
impureza como um poder criative, ela revoga, contudo, a ese
Segundo a qual estes temas culturais sf compardveis as fantasias
da sexualidade infantil,
‘Vimos que este assunto se presta a duas deformagBes dos
factos, Para pOr at coisas no seu devido lugar, temos de inventa~
Har cuidadosamente 0$ conlextos em que determinados poderes
3,sto atribufdos & impureza corporal. Quem tem o poder de abengoar
recorre por vezes A impureza nos ritos que cumpre para o bem da
sociedade. Na religito dos Hebreus, o sangue é considerado uma
{onte de vida: nfo se deve tocar-Ihe a nfo ser em algumas circuns-
tncias sagradas, como as do sacrificio. As vezes, atribui-se um
ler de bengto a0 cuspo emitido pelot detentores da autoridade,
8 vezes, 0 caddver do detentor precedente fomece a materia que
‘ungird 0 Seu sucestor real. Com 0 eadéver decomposto da dltima
ainha dos Lovedu, nas montanhas de Drakensberg, fazem-se un.
{guentos grages aos quais a nova rainha controlaré a chuva (E. J. ¢
J.D. Ktige, pp. 273-274). Poderfamos rultiplicar os exemplos que
onfirmam a nossa andlise dos poderes atribuides } estrutura so.
Cal ou religiosa e que esta usa para se defender (ver capitulo Vb.
© mesmo ¢ valido para a impureza corporal quando serve de ine:
{rumento ritual para fins maléficos. Pot vezes 6 airibufda aos de.
tentores da autoridade que dela se servem para defender a esiru.
tra, Outras vezes aos mégicos que abusam da sua posigdo no seio
4a estrutur ou ainda aos estrangeiros que atacam os portos fracos
da estruture,
Abordaremas agora a questto decisiva: por que hfo-de os
residuos corporais ser simbolos de perigo e de poder? Por que
razio, para serem iniciados, os mégicos devem derramar sangue,
‘que emanam das partes marginais do
Corpo humano? Por que motivo se atribuem estes poderes ¢ estes
Perigos as partes marginais nfo a outras?
Em primeiro lugar, abandonemos teoria segundo a qual os
‘inuais pAblicos so a expresso de fantasas infantis. Estes desejos
eréticos que a crianga sonha satisfezer dentro dos limites do seu
Corpo slo, sem divide, universais. Por coasequéncia, o simbolismo:
corporal faz parte do fundo comum de simbolos — sfmbolos per
turbadores porque derivam da experiéncia individual. Mas se os
ritos colhem 0s seus simbolos neste fundo comom, também os
Seleccionam. Certos simbolos desenvolvem-se aqui, outros ali
Pola sua propria natureza, 2s andlises psicolégicas no podem
explicar aquilo que distingue as culturas.
‘Em segundo lugar, todas as mergens so perigosas. Tragando-
as de uma maneira ou de outra, modifca-se a forma da expe.
‘tocia fundamental. Qualquer estratura do ideias 6 vulnerdvel nos
Seus limites. B l6gico que os orificios do corpo simbolizem os
Pontos mais vulneriveis. A matéria que sai por estes orificios &,
144
een mC ne vito
has, ultrapassimn of limites do corpo pelo simples facto de serom
pc cecsena te ene
pele, as unhas, os cabelos cortados € 0 suor. O erro seria consi
=e
piper ne eece aerate
ae eae sate ake aaa
Sieh eeeieearmcteee Perm
ete rai ce ne ee,
se ce aan Se
Sor pm ec a a ea
eo
eee tae ee ere
‘escérnio. Na india, os alimemos cozinhados ¢ a saliva facitmente
Se coma cae see
ech Son ore
pee fficos.
vo rs + pent eps
pet cen om «rt i
Se ae
set oar oar nee Tee caer
Becca eee ae
Sai one tas Tian nae
Sects teree arrears
Querendo reduzir todos os comportamentos possfveis
=e eee
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azo, ns ln a
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Pennie fem eee reo
Spee es
Face ea Pen ae
poolontintins rectetioteieh
45,Paves te angst Ce, No a
Pc pa ae ni,
igo ningtimos quatro tipos de poluiglo social: primeiro, 0 per
x "39 due vaguela nas redondezas das fronteiras exteriores e que as
Fae ceund, © perigo de transgredir as divisdes internas do
Cacia © yee as nea sa
A avaliar pelos seus ritos, Cor it
at Cor ext yrs
xi ure Sap ea tin po Sn
Patra ncaa. es ia
coisa que uma vez no extero, tla inch
‘ sia reinvodurda, et poled
fais alo grau. Os Coorg ttm wim poquno mio hae
Segundo alguns extios, masque lesen de uns oa
it 0 Seu compontmeno eo seu modo de penta gorge
146
era mais vermelho que 0 deles. E eis que els 0 pos de novo,
esquecendo-se de que estava jf poluido pela sua saliva. Quando
compreendeu 0 que fizera, e deusa solugou © lamentou-se, mas
aceitou a sua derrota como justa. Este erro anulava todas as suas
vitdrias precedentes e, doravante, os seus irmifos exerceriam sobre
cla, Iegitimamente, uma dominagdo eterna
Os Coorg t#m o seu lugar no sistema de castas hindu. Na {ndia,
fo sfo nom uma excepsfo nem uma aberragso (Dumont ¢
Pocock). Concebem 0 estaluto social em termos de pureza ¢ de
‘mpurezai tal como ¢ concebido em todo o regime de casias. As
casias inferiores sfo as mais impuras. Cumprindo as tarefas mais
hhumildes, 06 seus membros libertam os das castas superiores de
toda a impureza corporal. Lavam a roupa, cortam 08. cabelos,
vestem 0s cadéveres, etc. Todo o sistema pode ser representado
Por um corpo que funciona gracas & divisto do trabalho, a cabeca
encarregando-se do pensamento e da oraglo, as partes tiais des-
prezfveis da remogio dos dejectos. Ao nivel local, qualquer
Comunidade duma subcasta esté consciente do seu lugar na hierar-
quia da pureza. Do ponto de vista do ego, todo o sistema esté
estruturado no sentido ascendente. Aqueles que se encontram
acima dele so mais puros. Aqueles que se encontram abaixo slo
agentes de poluigdo, sejam quais forem as distingdes subtis esta-
Delecidas entre as castas inferiores. Assim, todo 0 individuo dentro
do sistema 6 ameacado pela nfo-estrutura contra a qual deve erigir
barreiras e esta néo-estrutura situa-se sempre abaixo de si. Com 0
seu humor triste © 0 sea comentério 4s fungbes corporais, a
poluicdo simboliza a descida na estrutura das eastas, pelo contacto
‘Com os excrementos, 0 sangue, os cadéveres.
‘Tal como as outras castas, os Coorg temem o que é exterior ©
cestf abaixo deles. Mas, vivendo nas montanhas, formam uma
comunidade isolada, com comtactos ocasionais © facilente con-
twoléveis com 0 mundo exterior. © seu modelo das entradas ¢ das
safdas do corpo humano duplamente capaz de simbolizar 0 seu
redo, 0 de uma comunidade no seio de uma sociedade mais vasa.
Em geral, quando 0s rtos traduzem uma ansiedade por causa dos
corifcios corporais, a contrapartida sociol6gica desta ansiedade é 0
ccuidado de defender a unidade politica ¢ cultural de um grupo
‘minoritério. Ao longo da sua historia, os Isreelitas foram sempre
rinortérios e objecto de fortes pressdes. Segundo as suas rengas,
todas as secregées corporais eram fontes de poluigio— sengue,
us, esperma, etc. A sua preocupacio com a integridade, a
uunidade, a pureza do corpo humano reflecte exactamente 0s
187reeios que sentem a propito dos i opis
‘sin que stem & propio dos nites do seu rprio capo
O sistema de cata hindu bare, 6 nora,
: barca, 6 cert, todas as mi
mas sue que cada uma dls 6 una subunidade cuter Teena
vel Toeal, assests so. quase sone cara isin
casts mais pares, qe se ntam ni cm da aca as AS
Elobaln anciedase poweeas
: a elas mergent Go compe € 2 oe
Presto do perigo gue aneaau sobrevivdnca do rare ° 8
mui MEEPEUGEO socolopca Ga Poligto relate tease &
tito mais corvincente do. que a intepreusto peace,
eeio i ainda melhor observando a atitude do hindu face & dete:
eagle, Sabemos que os excrementon sto agentes de polaae oe
& de a Timpeza das latinas ei rescrvade 4 casas ma oh
0 Tadianos defecam em to 0 ldo. Delcam prac
Palmente perto das linhas-férreas, omens 2
Se far also sees nos ton, ean noe
ne 208 romances © aos cue
tos, nom ma longas metages ou not documentics, Pos
Bears que eta acane expe pelo dejo te cates
rea: este desejo sera comprecnsivel, Mas © seeenes
out of Hindus nfo véemexas formas Atcerada, Pers
¢ com toda sino
Gf Som fo cre, nga next 8
‘A otigho de casta x6 exrime 0 gue rine
‘unca um gualqureroismo, om ou anal'E um ses ss
‘que assema na imagem do cc im essencie -
Sato de ma hierar seca ene 6 0 ede
Wale a peas pergunar porque & que os Hinds acham
saline as secrete genie agentes de pola maa poles,
Aue as Igrimts. «Se eu bebo as sum linas com tne
ug
fervor», escreve Jean Genet, «porque nto beberei o pingo impido
ra ponta do seu nariz?> Ao que poderfamos responder que as
secregties nasais no so Ifmpidas como as Iggrimas. Parecem mais
‘um melago do que 4gus. Um reuma espesso escorrendo dos olhos
nfo € mais poético que 0 do nariz, mas, geralmente, reconhece-se
que as Iégrimas abundantes ¢ transperentes sfo romAnticas © que
‘Mio poluem. As légrimas esto naturalmente associadas 20 sim-
dotiama da lavagem. Assemelham-se A Agua corrente Jos i
Parificam, limpam e banham os olhos: como poderiam polut-los?
‘Mas o que ainda ¢ mais significativo é que as légrimas no estfo
associadas &s fungdes corporais de digestio da procriagdo,.Por
isso, a sua capacidade de simbolizar relagies sociais © processos
sociais menor. Basta examinar a estrutura das castas. Cada in-
ividuo wansmite biologicamente aos seus descendentes a sua
posigdo na hierarquia da poreza. O comportamento sexual asse-
{gura, portanto, a preservacio da pureza da casta. Por este motivo,
nas castas superiores, a poluigdo dos limites concentra-se na sexus-
lidade. A pertenga de um individuo a uma dada casta 6 deter-
rminada pela sua mie; mesmo que tenha desposado um homem de
‘casta superior, os seus filhos pertencem a casta materna. As miles
sMo, assim, as portas de entrada na caste. A sua pureza € objecto
de uma grande vigilincia; uma mulher que tenha praticado re-
lngées sexuais com um membro de uma casta inferior € severa-
mente punida. A pureza sexual dos homens no requer tantas
responsabilidades. Atribui-se menos importincia & promiscuidade
masculina, Um simples banho ritual basta para purificar um
thomem que tenha praticado relagdes sexuais com uma mulber de
uma casta inferior. Mas a sua sexualidade também Ihe causa in-
‘uietagdes no que toca a poluicto dos limites do corpo. Os Hindus
ceréem que o esperma tem qualquer coisa de sagrado © que, neste
sentido, no deve desperdigar-se. Num ensaio penetrante sobre a
pureza feminina na fndia (1963), Yalman refere:
verdade que a pureza da casta depende das molheres €
«que, portanto, hé que protegé-Ies, enquanto os honiens gozam
de uma liberdade maior. Mas é prefeivel que um homem nfo
desperdice a qualidade sagrada contida no seu sémen. Sabe-se
como ele é-persuadido @ evita, nfo s6 as mulheres de casas
inferiores, mas todas as mulheres (Carsiars, 1956-1957;
Gough, 1956), Perder o s&men ¢ perder esta substincia vital.
(2)'0 melhor 6 munca dormir com mulheres.
49Wasa gesearen
wa SG ete pana
eats © cozinhar. O cozinheir
serhemts cane Strona
igerido colectivamenie. Son
Pelo Conia’ ‘Naas
Faria 0 aliments. rears pelos snnoe en eee
cSt, eto 2 mttne ds poigt nia
oe vatece oer tas, apear ue
Drsender se explicaiva,€ puns denon, Ge ieee
Sidra 0 cozinar como’ pine
de coxiar itso pontges Ee
acto de comer. Mas
comer? Penso que 08 alimentos s6 so agentes de poluigo quando
as fronteiras do sistema social esto sob fortes pressbes. Podemos
‘mesmo ir mais longe ¢ explicar por que razlo, na India, a
preparagio dos alimentos deve ser um acto rituslmente puro.
Existe uma correlagio entre a pureza das castas © a divisio
hereditéria, e muito complexa, do trabalho entre as castas. Em cada
asta, o trabalho cumprido tem uma carge simbélica: 6 um indica-
dor.do gran de pureza da casin em questo. Vimos que certas
Profissdes corfespondem as fung6es excretérias do corpo: a de
lavadeiro, © barbeiro, de varredor, por exemplo. Em algumas
profissdes, derrama-se’sangue, noutras lida-se com licores alco6li-
Cos. Sfo as profissies de curtidor, de guerrciro, de sangrador de
palmeiras. Na escala de pareza, elas ocupam um lugar inferior
porque sio incompativeis com os idetis bramfnicos. Mas 6 no
‘momento em que se preparam os alimentos que a interacglo entre
a estrutura da pureza e a das profissSes se deve compreender, pois
estes alimentos sto 0 produto dos esforcos combinados de vérias
castas © profissées com um grau de pureza variével: 0 ferreito, 0
carpimteiro, 0 fabricante de corda, 0 camponés. Antes de entrarem
‘no corpo, 08 alimentos devem ser isolados dos contactos ne-
‘eessérios, embora impuros, que tiveram com os membros destas
castas, E esta separagdo deve exprimir-se por um nitido corte
simbélico, © cozinhar, confiado mfos puras, proporciona esta
ruptura ritual. Por toda a parte onde a produ¢do dos alimentos
_passar por mAos relativamente impuras encontraremos uma ruptura
deste género
Bis um resumo das relagoes necessirias entre os rituais primi-
tivos, a ordem social e a cultura onde se observam estes rituais,
Estes exemplos, elementares, ilustram apenas uma objec¢io de
cordem geral a certas interpretagdes correntes dos temas rituais.
Acrescento outro exemplo, sinda mais elementar, para firmer 2
nossa hipétese. Existe uma abundante literatura psicolégica sobre
‘08 conceitos de poluigto entre os Yurok (Erikson, Posinsky). Estes
{ndios da California do Norte, que vivem da pesca do salmto no
rio Klamath, estariam obcecados (se € que se pode dizer que as
suas regras de polui¢fo exprimem uma obsessto) pelo compor-
tamento dos liquidos. Tém cuidado pera nfo misturar a dgua do
‘mar com 4gua doce, etc. Penso que esias regras no implicam de
‘modo algum a existéncia de neuroses obscssivas ¢ que nfo €
possfvel interpreté-las correctamente sem levar em linha de conta
a fluidez, a austncia de forma que caracteriza a sua vida social
altamente competitiva (Dubois).
151Resumindo, existe indiscutivelmente uma relago entre as
Proocupacdes individuais ¢ os ri
que ndo deriva de uma necessidade de resolver problemas indivi.
Gusis comuns & raga humana ¢ que a pesquisa médica no soube
explicar. Os primitivos nfo procuram, pelos seus rituais pdbticoy,
utar ou evitar as suas neuroses pessoais. Os psicblogos poder
dizer-nos se exprimindo publicamente as suas angistias indivi,
duais 0 homem
A andlise do simbolismo ritual ndo poderd comecar enquanto nfo
Feconhecermos que os homens se esforpam, por meio dos seu,
‘tos, por eriar ou perpetuar uma certa forma de cultura, um certo
‘mimero de postulados que thes permitem controlar a experiéncia,
Qualquer cultura 6 constitufda por uma série de estraturas
ligadas entre si, entre as quais esto as formas sociais, os valores,
& cosmogonia, © conjumto dos conhecimentos, Estas estraturay
medem toda a experidncia, Alguns temas culturais esto expressos
‘os ritos de manipulagto corporal. S6 neste sentido muito genérico
‘e pode dizer que a cultura primitiva € autopléstica. Mas estes ritos
ado tém por fim a fuga, negativa, a realidade. De nada serve
‘comparé-los com a viragem sobre si propria da crianga que chucha
© polegar © se masturba. Os rituais incorporam a forma das ro-
lagbes sociais e, dando uma expressdo vistvel a estas relagdes,
Pennitem aos homens conhecer a sua prépria sociedade, Os rituals
agem sobre © corpo politico pelo melo termo simbélico do corpo
fsico,
CAPITULO VIII
LINHAS INTERNAS
No comego século defendia-se que as ideias dos
ee et te, tesa Sen (aie
‘tice. Foi assim que se isolou uma categoria especial de rituals a
{que se deu 0 nome de magia © que foi objecto de eruditas dis-
eussbes. Se of rit relatives & poluigto ivessem alguma relagto
com a moral, pertenceriam com certeza 20 dominio da regio.
Para completar © nosso esbogo sobre a antropologia nos. seus
incios e a sorte que ela reservava & primeiras religies, rest-nos
mostrar que 4 poluigdo, tem, na realidade, muito a ver com a
moral.
jerdade que as regras relativas & poluigS0 no correspon-
se ae nore me we cee
sem, conto, 0 associaros 2 police, otros sto consdeads
ontagiosos, perigosos, mas no verdadeiramente repreensives.
As vezes aquilo que esté errado também & poluente. AS regras
relativas a impureza esclarecem apenas um pequeno aspecto das
condutas moralmente desaprovedss, Falta ainda saber se a pol
‘lo diz respeito & moral de uma maneira arbitréria ou nfo arbi-
Antes de responder ena questo, tems de examinar mis de
4s situagdes moras e reflectr na relesfo entre constiéncia ©
Csr sca No conan, soni inioa 0 cigs
a moral pblica influenciam-se métua constantemente.. Como
diz, Davia Pole,
153