0 notas0% acharam este documento útil (0 voto) 80 visualizações14 páginas15H - 10.06 NOVAES, Adauto. Crepúsculo de Uma Civilização
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NEWTON BIGNOTTO EUGENIO BUCC| — MARILENA CHAUL — MARCELO COELHO
GABRIEL COHN EUGENEENRIQUEZ LUIZ FERNANDO FRANKLIN DE MATTOS MARIA
RITAKEHL OLGARIA MATOS ABDELWAHAB MEDDEB ADAUTO NOVAES LUIZ ALBERTO
OLIVEIRA RENATO JANINE RIBEIRO MARC RICHI EMIR SADER FRANCIS WOLFF
Civilizacao e B
ORGANIZAGAO ADAUTO NOVAES.
Das LETRAS
77149Compre/StBt
Prego O41
ORTI2 RS68.62
Copyrighn © 2004 by Ov Autores
caps
Morma Candtcanh
Proparagie:
Carlos Abert baa
roragao.
Piigina Vea
Revist:
onato Potenza Rodrigues
Otacttio Nunes
Indice onomsties
Dandie idee
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swe comipantuadastets con ir
yur 23203 62CREPUSCULO DE UMA CIVILIZAGAO
Adquto Noraes
Nenbum testamenta
precedes nissa heranca
René Char
O titulo deste hero, Cinlizagdo ¢ harharte, dois ermos que jamais
estivertn distantes uni clo outeo, € laborieso © sujeito a warkis especu
ligdes. Os aconteeimentas recentes apenas 0 confirma: poucas vezes,
0 longo dla histiria, o Ocklente viveu de forma to trigica © explicita
contlugncia cht eivilizagao © «kt barbie
1880, prometicle a0 Caos
dle um mando que pao € inteimmente bumano © de um tempo que
esqtiecet o pussade © perden dle vist © horizonte hanuo, © pensamen,
to carminha mustas vezes a deriva, Mas, se os ensaios aqui reunklos pelo
menos apontiren algunas origens «la crise, hi € o bastante, Tudo pare
ce irremediivel dividunos nora exist@ncia entre unr naturalisme © un
Arificiahsme extremos; vivemos © desercdito dt politica, 0 despreze.
clas norinas Glicas © MOKA, & opacidate das relagdes socials, a obscu
hddule na cullure © nas strtes, *verdades” estabelecidas pelt ciénekt ©
pelt tecnica, A astie
do poder produz guerra em nome dt paz, subs
ini oO medo pelo terror &, ay mesmo tempo, crit st mais nov configu
racic «ki relacao chissicit entre paixito © eavitw, Se, como nos diz, Jacques
Ka
propunha a dissipar ea politica, a
intelwénci positive dos perigos © obsticulos’, © terror
sompe essa cuniplicidade. A *voz
Sem, pAHECE ENE na delensivt, Conus nomeae agile que. apenas na
Were, o medo cra uma paixay etimplice Ut razdo, que a filosotia s¢
nstorinutr su sracionalickicle em
4 parsio que
4 nara", prometicht desde 0 séculoEuropa. entre 1914 © 1945, produaiy, com guerras, deportagoes, limpe
zis dinicas, Auschwitz © Gulag, em torne de 100 milhdes de mone
apenas de tama crise, mas «lt
Onze de setembro seria © emblem 30
more, ou passagem, para outro po de civili7agao?
que define nossi situa
ago. KE cent que a civiliza
Ora, niais que barbie
séncia de ini sentido para © termo citi
al sempre vivew em crise e das.
rises, Cada vez que surgia
om grinde conto:
ro, Imaginar © futuro tornou se impossivel © passamos a ser dominatlos.
nits definem como vida "ve
por aquilo que il © et@mera”. curs
qualquer "sentido de cominuidide © se exon
expencncia desconhece
nenhuma
1 unt presente: vivid Como instante fugaz”. Sabese que
Im presente etemo © Contuso, As
civilizagio se estrutura apenas en at
sem passado © sem futuro,
Part traduzirse ony aulvento de
» pensamento © dha
propria histOria. A passagem da “erise” part si “more da civilizagae” for
pensada em Wes célebres textos de Paul ValGry C1
nosso supremo hem © Odi
Hlésoto Martin Heideyyger, mostram que a
avang:tda que Os pavos estic
politica do espiritc
lecaclencis espiritual da terra esti
<4 spiritual, aqrielt que hes perint
A crise nition
ameacados de perder a Gillin fi
ria pelo menos ver € estimar como
portanto, da pesptia impossibilidacle «
mo homem “para fora «lo ser sen
al essa decadéncia’
surge fe ver a crise, provoctd
por "grandes maquinagdes” que jos
que cle mesme o saiba
Lembremos Valery e sunt frise tants vezes cits mas que
NOs, civilizagdes, sabemos agort que Somos morttis
Ninive © Babilonia
nace: para t
impressions: De
pois de evocar a grandeza ea decadéncia de Flam
iciemtemente
Valery conclu: “O abismo da historia € su
le uma evvitizagio tent a mesa braygibiccle ce
doo mundo, Sentunos «
uma vid
Mas, antes de apontarmos os signos e sintomas ligados 2 historia
dos acontecimentos, pref
imentos. prefermos comegar este livro com allgguns Cassis
sobre it hist6ria das idéias. Segnimos os caminhos proposos por
nuvi 0 Hany
que, “dhinte de milhoes de espectros", pref
ss verthactes, Eas 10
fet intelectual que medita sobre 4 vide 4 more dajidam a definir quais foram as nogdes centrais que moverim ou foram
afetadas por essa passagem — qae & também uma crise. A “ense da
civilizagio” dominou boa parte dos debates intelectuais depois do 11
de setembro — do kro de Samuel Huntington (O choque de ewiliza
bes) AS Jickkas respostas que este recebew de orientalista Edward Said
(0 choque de tgnordncias) & aos ensaios dle Umberto Feo, Jacques Ran
ciére © outros. Quase todos relacionam a crise da civil,
ranga da moderankide.
a uma he
Givilizagae © modemidade convicm-nos. pois, a teflexae Mas.
40 primeie movimento do pensamento, essay duis nogdes tornam-se
Vagas © iniprecisis, © passumos a sentir @ peso, os Gbsticulos © as re
sisténeias any entendimento imediato, Talvez a incerteza seja um de
seus elementos constinitives, porque, desde que foraet formuladas pe.
La prinwira vez até hoje, elas nag cessam de nos interrogar sobre 0 pro.
tividlacke do espirito — flosofia, Ineratura, moral
politica, estética — que nao se pergun
ent conseyuénest, quem © birbaro), o que € ser moderno, Ha até
mesmo aqueles que levantunt a dlivicht: "Esiste aaa civiliza
fio sentido: nao ha
hoje © que € ser eivilizado Le,
LUmn hivro sobre eivilizagao cont
do, a diseutir também as amplicagdes do que se convencionon chant
civilizagac techolgica” nuindial, Camo nos lembra Abdlebwahab Med:
debs em seu ensiio, 40 evidenciar unt dos efeitos cht unis Wer cha
tecnica, em pariculir sus intrexiugio nt cultura de alguns paises: do
oipurings obrigs-nos, antes de uw
Oriente. devemios insistir mais em stia utilizagho do que no desenvolv
mento di ciéncia, "O aumde sstinmico”, escreve Medde, no cria €ién-
oii ons pade, em certs Camas, domsnira teenie que implica, antes
die tudo, © conttule do fincionamento «kt axiquina mais do que de suit
invengie, menos ainda de sual produgao’
A palaves cieiiesagelo aparece, pois, ale formar variad
Alas a palavne deixeenios uma incomec sensaghe de que, os poucos.
pene sew vigor Ki que ne pxus pocemos snterrogste nossa EXpeTén-
chr come eivitizatlos, muitos de nés vamos tos dicionaiios para "eone
cero sentido debi, Mas mesmo seu cleclinio pode nes ensinar algo: "O
proprig desuse confere stunt terme moribunde unat especie dle Supre-
ina signifieagao”, escreve Vath
Fy. O declinia nos ensina, por exemple.
que o-uso pobticu cht palavea degeeda a idéia de ewvilizaglo, tansor
mando-a en “arma deplorivel” ¢ instrumento de guerre permanente,
sentide oto pensinvate contide despregi-se ct palivra, erkinde aut
Jo que pode ser designade como palavre-idolo que cartes em si vio:
C
mints vezes WOlEACS SAngrentas como a que se ve hoe
9ONS
A simples evocacao di palavea cinilizacdo remete, necessarianienle
seul OULTO. que € a barbyirie, Pel menos for assim ao longo dt historet
Lemos, por exemplo, no ensiio de Francis Woiti, que, au responder 28
dutis questées postas pe Bi foi "
2 organizacio de livro. “O que € ser ewvilizade?
"Quem € 0 bitbaro”, 0 autor apresentan date vadies consentes 4-018
ingénua”. a mais difundide & nds somos os civilizados, os «uttos C15
ANLiBOS. EXGIICOS F distantes) sie batbuin sabemon 4
bia sabemos que
sla Antiguidade, biirbaro era todo povo que no tala ave
especies, o Bent 50>
Hoye, ess
visflo traduz-se assim: nas guerras santas de toreis as
mos nés, civilizados — contra © Mal, os outros Baran
Walt! lembra também outrs resposta, “mais solisticailt
te, di ele. em negar o problema, relativizar as nogdes: “Nenlum pore
€ mitis civilizado que © outro, nenbuny costume € Iiirbaru", Fm sintest
todas as culturas se equivalem, Duas conseqticneias eticas « pobiicas
40 cokonialismo edo
humano universal, alem de levar ao ceticismo sobre suas. propria
crencas. O que fazer. pergunta Wolff, quando julgamos, segundo nos
S08 proprios critérios culturais, que outras culiunas, consileralas |o
civilizadas” quanto a nossa. sao produtoras de humilhac
exploracao? Para sair do impasse posto pelts dusas cancepcoes. Woltl
por
uma allernativa, detininda quem & barbaro ¢
ewvilizade “Seria birbara tole cul
le possibiliclides «que
da, em seu ensaio.
Tanto, ao mesmo tempa, o que & s«
tura que nao disponha, em seu proprio interior
Ihe permitam admitir, assimilar ou reconbecer uma outes
Notamos, pois, que a civilizago vive a inversao em seu proprio
imterior, isto €, tra7 em si mesma a possibilidade de retorne da barbs
Fie, Que elementos tidos so estes, sempre ameagadores, que hati
tam o nucleo da civilizagao? Fssa maneint de pensar eivilizacao & una
7 ar Nia que ve st humankdicle em uma Weesistivel
Ea critica que se pote ler em at dialetice da re
resposta a certa tende
9 ilizatoriat
Kheimer: o Huminismo, no sentido nes ample do
cvohigao ¢
Wo. de Adorno e Hor
Lorn Tos oer gcckes nhs en at
50D OO Siar Gociedades democriticas modems, pelo menos em seus
A sageranise ma clefesst do direko 3 deren pase atin
postulados gerais. bas
eeno, teve por lain hiderar 6s horiens do miedo «
inteiramente “esclarecichr’, resplanclece
ead fundamental da vila em sociedade. Par
comers er (a toleeineia torn a dite
Michael Waltzer Ct t Feng
erancks necessiria”), Newton Hignotie
mar a tole
tindo do 4
sivel, a diferencs
nes postos
nas Himiles TF
questiona
hoje por alguns pensidores © governantes
10at essay das virtudes. nimi mundo no qual “subjtamente as diferengas
lente grupos Etnicos, nagdes © crengas religiosis Vvollaram a estar no
centro das discusses’. O que se discute, em ulimit anilise, € a nature:
21 clas instituigdes politicas contemporineas, Essa naturezat mua essen-
cialmente quando se vé 0 relorne do teolégica-politico, ist &, uma
lusto de crengas © religides & politica, Esse retorne remete-nos aos en
satos de dois outros tilésofos aqui reunidos: para Marilena Chau, 0 que
hoje se chama de fivrdamentalismo religiose foi denominalo no secu
lo xua de poder teologico-politico, por Espinosa
esse poiler na superstigao. A causa da supe:
eleito & a
que encontsa a origem
Lugo Eo medo, ©
20, escreve Chauii: "E, partanto, no contexte de uma pa
xo — o medo —, de una
we de uma tnstitu
relagao com a realidade —
supersti¢aa —
social — a religito — que Fspinosa analisara as
duas grincles manilestagdes da teologia politica: o jucaisio © @ cristia
nismo". J Abdelwahab Meddeb mostra que, ao hide ckt conotacae reli-
giowt, © ISK crow uekt cts maiores civilizagdes det humeinidade, que
feve seu apoy
entte © inicio do século 1x € 0 fim do século si, For
uma revolucta que cobra tades os campos do saber, ct poesia a ei@n-
cia resultado do cruzamento de varias lradigoes & Waclugdes — a grega,
Janina, a perst, a indiana, a chinesa —, tule confluinde part a lingua
Jrabe, Para Meddeb crise da civilizagao iskimica le
parte, do descompusso
erse a partir do momento
ore, em grande
nocientilico. Seguncla ele, “o funesto insti
que os meios cht teenica do st ilusio dt
possibificlicle cle restaurar sua soberanit sem proceder a trabalho
avcessiiy sobre si mesmo que venba por em acorclo os espicitos com
© estado dha metafisica © das eieneias’
Inipossivel, pois, circunscrever, em todos os aspectos. um tent
umplo Como esse dkt crise da eivihzagao, Eur um ¢clebre © antecipador
ensitio, politica da espinta, Pant Val to tec
nico como um dos elementos essencitis, certimente aquele que con
ny aponta o desenvolvin
center © deline o panto de partida «lt crise, Ele esereve:
sons todla a sua porencia, de posse de um capital Wenen,
prodiginso, tateiramente penctiade de métotlos positives, no soube,
eniretanto, estabelecer uma politica, una moral, um ideal. nem Jers cvs
fou petits que estivessent em h
ioe cont os niodos de wis gute eno &
mesmo con os modes de pensamente que a difussto universal € 0 keseri=
volvimento de corta espisite ckentifice mpoens Pouce a Pouco todos or
omens
Ainda que em outeos testos sobre a crise cht civilizacao Valery nos:
India a pensar qiie eshivesse Linentanda aim patssacle perdido, 3t cit
uGio acima aponta para questdes do presente. Valery milo est sozinho
ho diagndstico dessa ceise, F certo que os métodos cle anitlise © &s con.
clusoes sto dilerentes (basta lembrar a ciferenga entre as idéias de
declinio, que precomisam nos debates do momento. © a de morte da
civilizagao apontada por Valery), mas impossivel ndo citar obras essen,
ciais como O dectinio do Ocidente, de Spengler, € os escritos de Witt
genstem, Em um ensaio que acaba de publiear — Witggenstetn: cult
ra ¢ valor — Bento Prado Rinior mostra de gue manein, para c
Flosofo, € a civilizagao tecnocientifica, filha do espirite das Larzes. que
Et origem dos descombros da culura, das artes e da religiao, Duas cits
oes de Witgenstein ilustram a crise: "Disse um dia, e talvez.t justo tite
Jo: da antiga cultura s6 estar um amontoado de descombros e, part
ferminar, um amontoalo de cinzas, mas haverd espiritos que futiarao,
entre cultura ¢ civ
lizcio. E evidente também que. pira Whigenstein, A erise & da cull
0 que o diferencia de Valery nn cingnéstico deste sobre a morte du
Civlizagdo. Mas ambos falam da crise do espitito, fim das aytes. dese
Sintetizado na frase “fonemente aytessiva” de Wiensiein —- “ue eu
seit compreendido ont aprecindo pelo eentista veidental pico, so me
Eindiferente, Porque ele nao compreende v espitito sexunddo 0 «ul ea
escrevor —, par Valery, a erise intelectual
aera as or a no reino da dissimulagao}, dificilmente
zusém sabe tinda quats ulgiay
tos na lista das perdas, qite novidades serio prockamacks
ME chegar a crise atual, a idéia de eivilizagao paysou por sitios
FOpEU sO CelicisM1o, ComeCE MoS. POIs,
caminhos, do etnocentrisme.
frase emblemitica de Victor Hugo
maneirt, traduz « visie dos historiadores Fernand
Le Goll, part quem as civilizagdes sao espacos. © 0
uma Europa eri
pela Paris expressa mundo”, «
que, de slgum
Braudel ¢ Jacque
espaco ocidental confunde-se com a Europa Patti,
quecicia com ay contribuigoes externas, ‘expandida’ pekt Colonizacao ¢
nigOs, EconOMIAs © socieds
| pela emigragio", Se as civilizagdes sto esy
| des (Braudel), elas a0 tambéni “mentalidides” &
problema consiste, entao, en saber como essis mentalihides © &
12wente diferentes em cada socied
Je, sto transfor
mados em um todo homogénes, até se chamar Civitizagao ocidental
— apesar do om geagas ao “enniquecimento” (© ao esquecimentay de
culluras diterentes, inclusive e, em: alguns casos, prncipalmente do.
Onente. Talvez 0 que ps
mite transformar a civilizagao do Oeidente em
um conceito homogenco seja o deslocamento dhs coatradigoes para ©
exterior ao proprio “Ocidente-Enropa”: "Os ocidlentais $6 sao defin
como tais opondo-se a um Outta: o Barbaro, o Intiel, o Selvaget
principalmene, a0 Oriental que acumuki todas as diferengas
Goff), A relagao estibelecicks pelo Ocidente (inicials
los,
ente a Europa
ont os Estatlos Unidos) sempre foi desiguil, nite sé com © Oriente
nas tambon cont texdkis as outzas cult
‘Cientes de sunt superionida
de, os ocidentais eslorgarantse por exportar seus. valores: ‘cristiani
zacun’ ‘eivilizacin © depois ‘colonizaram os povos do Orieate, Mas 0
anita: do “bom seleagem’, as
agens ao Oriente ou a mod do primiti-
vismo atesiann ao niesmo tempo que o exotismoe oriental sempre os Bis:
cinow” Mais ainda: a histéria ocidental € feita em boa pane gragas a0
Ofente, Como nos lembrt atnda Le Goll, 6 proprio cristianismo, que
ia fazer clo Ocilente a “eivihzagae crista por exceléncka © assegurir
durante séculos a unitade curopeia, & unt religite nascida 6 Onten
te meditereineo!
Fssit cisto entre Onente © Ocidente nao daria a palavea civilizacdo
uns canter UnbEINIO © KdeokOgico? Em. seu livre Le renee deans te mall
ho qual dedica ur ensaio & palaert ei
Tala de “tals civ
wie bsibaro e eivilizade, denunciando “a barbarie
agdio, Jeav) Stirobinssi nos
lembra «ie Miabeas aco", cheganulo até mesmo st
Anular a oposicte «1
dle nossis civikizaghes”, Enconiramos tambeny nesse ensatio algunas tn
dicagdes preeisas. “poli
nde.
cao © progresso, civilizigho decorrente dh sociedade indus
2 por Hannlehtire como uma “getnde bur
nck uma priticn absolutamente modern
to" & policiane
polidez & micialmente, quase sinduime dle civikdacles telagdes estre
sntee civil
tral © democritica, present
sities ihunninatche a ts"; «
nua barlvirie declaract, as eivilizagdes contemporineas
esercent uma woléneis dissinutacd
Um dos caminhas para entencher © conceito de eivilizagao esta a
bra findamental de Montesquieu, ay Cétrtas persas, em que temos
Celebre pegginii: “Come se pode ser persa?”. Con toni, taut Valery
chi como resposta outrt perginta; “Como se pode sero que se €°. Tal
iz ele — nus ta sair de nos mesmos, mengutharmos de
Fepente em un Gutta Mundo fins de que possamos perceber “todo
ho Hagar «le
abet que nos & mperceptivel, « estranhezs dos costumes, ax leis
13=
Bee MR imeem ats rrr ey co 3 Oo
1s nas quiais fodos os homens se acomo
concertar suas idéias, fazerthe a surpresa de ser sur-
outre “pan d
preendido com o que faz, 0 que pensa, © mostrar que cle janiais cor
meio de waver A liz toda a rela
cebet pensar de forma diferente... &
io, de uma contianga hi
pitual na orekem,
tividade de uma civilz
estabelecid
de civilizagao tem como um de sens fundamientos os
zagio, Eo que liz Voltaire em
mais relative que a civ
seu Ensaio sobre os costumes & 0 espirito
intimamente igado 2 natureza humana & parceicle de um
y tra do universo; tudo «
Hm Se parece com © outro. O imperia do costume €
as nagors, “Tuclo © que esti
IO a O1F
bem mais vasto do que o da natureza®. Ou, em outras paltveas, se
para Nietasche, cultura © civil
Fias, separadas “por um antagonismo prokundo como um abismo", pat
ele, civilizagao nao € senio dominio & repressio sobre o individua, &
cultura, ao contririe, pode caminhar ao lade da propria «lecadéncia
das sociedacles
A idéia de decadéncia da civilizagao leva-nos a reper
de Spengler Por mais problentitica que seja a
te tenha
Declinio do Ocidente
dia de “declinio” — que
snige” —, © atinda que, coma nos lembra Jacques
on poléunitea, como
se, 6 livro nao suscite hoje nenhunsa controvers
Spengler jamais seria “tio presente © tio.
Bouveresse
aconteceu na década de 19,
influente nos debates sobre o funuro «ia civilizagao antl
do duplo cariter do Atelcavag: na
Nao poderimos pensar de outs ma:
sama de Spengler: “O
cita Adorno: “Spengler percebe a
epoca da dominagio universal
neira se levassemos as tiltimas conseqtiGncias 0 a
que @ a politica civihewds de aunt ens oporigay a polices cllavacla
de onten? Na Antiguidade, a retrica: no Ocidemte, 0 jomalismo, © tudo
resenia a poréncia cha civilizacae
© dinheira”?
Fis um bom caminho para entenier oH de setembre
avaliarmos as contibuigdes que 0 Ociclen
len
AOS para entearmos em nos
te excluido e 0 Oriente deram para a constituigaa cla civilizagho oc
©. por fim, conhecermos cuins
tal: esclareverinos quem & o barbs
civilizagoes, inclusive ay orientais: € apenas através de um espellanien
to, de um reflexo, que podemos ver a nossa ims
Os twéricos di civilizugao tendem & relaciona-la com os ConcEIIOS
1, pelt ma
Miheira de and
Jf. pela critica dos maus costumes (cuspir, urinar e fazer
‘outras necessidadles em publicos, a proscrigao da poligamia, do cone
binato e a0 elogio dos ideais cristios da temperanca ¢ la moderacio,
Mas, part tlar dos funcamentos da civilizagaio no Ocidente, 18s nomes.
sto absolutimente indispens.iveis: Erasmo, Montaig res. Em
1530, Frasmo escreve Cirifidade pucril, una especie de manual de boss
mineicas destinado no apenas as criangas nele, Erasmo procura “hin
chiro lame social sobre a aprendizageny de un céxligo comum de ‘bons
ido. para todos”, No capitulo vu, diz:
ee Des
F vergonhoso para aqueles que sin de alta extragan nao ter costumes cor
respondentes 3 sta nobreza. Aqueles cua forint os fe” plebeus, pessoas
de condigio humilde, camponeses mesa, devem esforcar-se para car
ss cecusour Nin,
gucm escolheu seu pais nem seus pais: todo mundo pode adustir qual.
dacles © costumes,
Montaigne vai bem mais lon
We: pe em evideneis a univers
Iradigho entre instituicdes, leis © costimes, tornando-os relatives no
espace eno Tempo. Assim, chil aus usos € Costumes UMA CONOLICAE POH
acureza
Leon:
tie. Mais: consider os costumes “uma segunda
A nawireza exige muito pouice para nossa conservagae [| permitame-nos
aalgiomais e chamemos de n
1073s Costus €a SiTUAEAD pessoal HSE
ims ssn os Inites Ue nossa aspiragoes, levande ert Conta 6 que KL Pos-
ms. Parece-me desculpavel agin desse modo, pots os costumes so
uma seginda natureza, tae pocterosa quanto 4 primeira, Se falta aquilo a
que estou avostumado, Sinton protundanente.
Assim, torma-se vhificil falar de etbilizaceio octental se esquecemos.
esses és autores: Entsmo e seu cédigo de boas maneinis, Mortaigne ©
seu ceticismo © Descartes e sua idléia de liberdade individual ©. cons
Hinigho dey Ssuyjelto". Livre clas antorich
Jos «la imadigao, “praticandler
dhivida metidica, o inclividuo consiti pessoalmente sti relago com o.
mundo © com as OUtFOS. Misturado aos oUttOS, 0 individue & cake ver
mais abandonado a si mesmo". Est € pois, a condigio do individuo,
ocidental moderne, cheia de paracdoxos: ele & priblico mas procura pre
Servar Seu anoniNATO, tem _USOS € CostuMES PrOprios Mts precisa sub:
meterse a leis gertis cht sociedkide, & livre mas tem que se submeter as
leis, «os usos © Costumes, reconhecer, enfin, os linites dt propria hber
| patra st retlexsio sobre a civ
lacie ocidental, que & 0 tluminismo, O século xem e suas revolugoes
passim a Sera nkesmo tempo ponto de chegada € ponte «le patil
para e que entendemos hoe «
dale... ‘Tudo isso leva at um ponte cent
1 “eivilizacaes moderna ocilen— TT
Se.6 que define 4 Europa é a submissio « ts influéneias — Koma,
com suas normas. leis, 0 cits romans e a criagio de um nove homem
politico; 0 crstianssmo e a conquista que empreendeu. que "Vist © atin
ge © profunde da consciéneia”; e. por tim, a Grecia, a que devemos
asso iodo de pensar © boa parte «ka constituiglo da ciéncit
somos tambem “europeus
denie —, enki podemos consice
Nem © EUrOPEU, Mas que so tides tambem
So trés conceitos que det
como os pilates da edeia de “eivilizagao ocidental
Rest a questi da modernidade Ow civilizacco moderna. Muitos
pelecem uma rekigio jotima entie ewilrzagio © modernicla
de. a0 definirem © homem modemno camo aquele que coexist ¢
coniradigdes € com uma desordem permanente, isto €, “conteadigoes
hos pensamentos e incanseqiléncias nox atos’. © espirito do home
moxiero, define Valiry
test repleto de tendéneias © pensamentas que se ignoram, Se a idee da
civihzagoes deve ser medida pelo numero de contradighes gue elas acu
mulim, pelo numero de costumes e crencas incompativels que nels se
reencontram ¢ se temperam ums a outta pela pliralickide das filosolias &
ds estéticas que coexistem © coabitam nas Mesias eabecas, € precise
reconhecer que nossa civilizacao é das nmais antigis. Nao se enconteam, &
cada instante, em uma mesma Famili, mvitas relygides peaticuelas, muitas
ragas juntas, diversas apinides politicas e, em um mesmo meividivo, todo
tum tesoute de discéindias Sarentes?
Valery esti definindo o que se eatende por bomen moderna, nas
sua definiglo serve, centamente, pari a idéia de cirifizagde moderna
Ela nos ajuda a esclarecer 0 11 de setembro, © nos ajuda tambem
entender © que acontece hoje com a civilizagao ocidental moder «
crista
E evidente que a modernidade chegou avy limites de sus tedo. pe
nando uma crise sem precedentes © sem exemplus nit hist6rit: 0 nix
mo de intensidade © de velocidade pelo uso ila cicneia € da tecnicn
Fm todos os lugares dominados pelo Espirito Europeu, veem-se apa
recer o maximo de necessidadtes, 0 mxixime de trabalho, 0 mvixine de
capital, © maximo de rendimenta, o miximo de ambigdo, 0
de poténeta, © maxim de modificagdn dea naturez exterior
mo de relagdes © de trocas’ Waléry, A crise do esprit)
Somus levidos a concorciar com Peter Sloterilik, que ilentitiea
modernidade a vontade de pos
fads intervencie da tecnocien
dizer que a modernidade
rncia de poder fazer, isto &, a wrnet ini
nnetido fazer « histéria humana 2 par
16tur de agora seria minimizatr os fatos, escreve Sloterdijk: “No mais pro-
fundo de si mesina, ela quer nao apenas fazer
hist6ria, mas igualmen
tea natureza. |.) A idéia de fazer hist6ria no passava de um pretexto.
CO objetivo decisive da modernidace & fa2
F isso que define a crise da civilizagio ocidental crista, ¢ Sloterdigk
sponta alguns sintomas, dois dleles muito evidentes: 6 primeito € 6 que
cle chama de era pos-crista, jl dignesticada pelo “jovem conservador
Otto Petras", que dizia com pertinéncia, em 1935; "O cristianismo, esse
movimento Impressionante que marcou a historia e que for o mais
paderoso formador do nosso pl esgotou sua forga criadora. Vive
mos fost Christian em urn sentide nis forte do que 6 do ealendrio”
Sloterdiji: aponta como uma dis consegiitacias do pos-c
mo a busca de um nove “renascimento” ocilental, vollado, desta vez
indo sintonia apontascke por Slotendiik & 0.
idle, "ineapaz de liberar a partir de si
miestiia Contralorcas que barren a deriva tital
Conter essa mobilizagho desentread da modernidade, Sloterdljk
indie, a0 hide
12, O sey
para 0 antigo Orie
esgotamento moral da mod
*virtades terapeuticas dos maclos de pensamento do
Innge Onente™, ums ect alternuva da “boa mobilizugao”, ama espe
civ de negugao ativa © eriadora
Por fim, 2 novidade que nos leva a pensar nas inticoes geniais de
Valery, Witgenstein © outtos sobre a erise dt cultura © a morte dt civ
lizacau esi no apenas nas grandes ternstormacdes trazidas na idéia de
espace, cheurtilo pels Novas techologss, 213 i
mente. na addi de tempo, Valery vai bem mitis longe e torna-se bem
mais richcal ae dizer que o mundo modermo aboliu ay duas muiores
invenches dit hunianiciade, @ pasado © o futuro, © que representa part
© homem viver em um presente eterno? O que significa a perda de sen:
também, ou prinesp
ido elo Hatta & do passade? Se isso € verdade, perdemos a memoria,
a histéna © a possibiidade de projetos. No munde de dominio tenice,
ho qual predominans a “pecersio”, at ripidez dos atos © a Muidez dos.
pensamentos, existe a permanente producto do exquecitiento, decor
s. principalmente,
Aquile que, ain naw pensade, participa ca constnuigho do pensamen-
to lembra
inpensico A mais eficiente «Las restrigdes esta no dominio absolute do
interesse amediato, pa conqussit imediaikt dos bens materials e, 00.
phine das idéits. nt repetigaio de fi pensalo © nagunlo que se define
© incorporido A viet funcional, Wt
doo que est no reine do impreciso, do mars ou menos, do indeterm
ado, do esquccinents parcial cas coisas e dlis adéias (esquecimento
Fente de restrigoes ocults B40 $6 a0 peasamento
Kes, percepcoes. sentidus, peojetos, o inclizivel, o invisivel,
como “razoavelmente®, “eficazmeique fiz pute do pensamento) tendle a ser apagade pela mictonalidade
4 metafisica no homem", Merleaw
fécnica. Fm ume nota 80 ensiio
Hundidade que a ciéncia
Ponty observa que Bergson mostro com
deve ser considera nao apenas em suas fSrmulas acabadas, mas tam
bem com st margem de indeverm:
conhecer. Esse esforco ess tensio do conhecido e do que € dado a
mgho que separa estas dos dados a
todas as ativilacdes humans, orga esteanha, com:
20 espinio a voltar se para o macessivel
conbecer valem par
pleta Jean Starobinski, que le
para uma espera sem nome
E
tre de atravessar meus limites provi
Todo ato de criagio de obras ¢
ado pelo imperiase apelo da ausencit
obms de pens
meu apeute de ver mais. de recu
Por em questo o ja vi
sorios, que me incita
Ora, fi se disse que pensar e ser dilerente do qu
© que somos pelas contradigoes © Licunits do pensament ou, come
escreve Valery nos Cahiers, "pelt presenga de coisits que, aint que
vindo wo pensamento, no Sto pensamento”, No mundo dominado pele
A repetico das mesinas imagens e fas, as “coisas
silo abolidas. 0 diilogo “mado” do pensamento com ¢
apagade da mesma marcia come & apagada a relagie necessiria om
isto €, © mundo social, cultural © pokinca Ou seja
1 possibilidacle de expor as idéias segundo a Hitencdo, expressat
ides, jamais existe retomacht do pen
ido das coisis. No mundo tecnici
samento, mas sempre comego do mesmio E ceno que todo recomecc
€ mais dificil do que qualquer comego. "Sem st membri, sen a presen
escreve Valéry, “sem a nogio contusa € iminente
¢a do ndo-presente
de ser outra cols, sem a recuse meio implieita de delinir-se inteirimen
nomento e pelos estados atuais — sem a espera que se liga at
sem a impossibilidade dle escrever uina equacae
te pelo n
essa propriedade
acabada — # consciéncia seri um caos, uma dor inexplicivel, um eer
ase tanabsdan & abode &
planemde, @
no comego” Como tile &
luta do wm, que € sempre apresentade pelo munclo tecnico como nica
ahermativa, 0 fa pensado, 0 ji sabido, © jd daulo, contra o nuiltiplo, que
E constitutivo do aeaso, © que abre a pluralidacle de expressaa de cada
coisa © de cada pensamento e do jamais pensadlo.
Que outro nome dar a civilizagio wenoldgica que condus & clan:
lo outro em
destiniclade ay artes, a politica, a vic viviekt, a experiene
nos (germe de uma civilizagio universal), senav ode batbsirie?
Ws