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Artigo Bovinocultura de Corte Frente Ao PIB Do Agronegocio Pronto

Atualmente, o agronegócio brasileiro representa 23% do PIB, permanecendo em crescimento enquanto o PIB nacional está em queda desde 2013. Dentro do agronegócio, a bovinocultura de corte é importante economicamente, respondendo por 30% do PIB em 2016, e o Brasil é o segundo maior produtor mundial de carne bovina.

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Artigo Bovinocultura de Corte Frente Ao PIB Do Agronegocio Pronto

Atualmente, o agronegócio brasileiro representa 23% do PIB, permanecendo em crescimento enquanto o PIB nacional está em queda desde 2013. Dentro do agronegócio, a bovinocultura de corte é importante economicamente, respondendo por 30% do PIB em 2016, e o Brasil é o segundo maior produtor mundial de carne bovina.

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ADMINISTRAÇÃO

A Bovinocultura de Corte e Sua Importância


Econômica Frente ao PIB do Agronegócio
Cutting beef cattle and its economic importance in relation to agrobusiness GDP

Isabela Nubiato da Costa1


Lirislei Boraschi Lopes 2
Marcelo Gilberti Vuolo3
Cleide Henrique Avelino4

RESUMO
Atualmente, o agronegócio brasileiro aumentou sua participação no Produto
Interno Bruto (PIB), atingindo a marca de 23%, permanecendo assim em constante
crescimento, enquanto o PIB nacional encontra-se em constante retração desde
2013. O agronegócio é considerado a locomotiva da economia brasileira e dentro
deste setor destaca-se a bovinocultura de corte, a qual, devido sua importante
participação econômica, a mesma foi responsável por 30% do PIB total do país em
2016. No ranking mundial, o Brasil classifica-se em segunda colocação dentre os
maiores rebanhos bovinos mundiais e maiores produtores de carne bovina. O país é
forte concorrente quando se trata de bovinocultura e ainda possui grande potencial
de exploração para que os resultados sejam cada vez mais satisfatórios com o passar
dos anos. O objetivo do estudo foi destacar a importância da bovinocultura de corte
frente ao agronegócio brasileiro. A metodologia adotada foi a revisão bibliográfica e
um estudo de caso com os dados divulgados pela empresa Galu Agropecuária, de
Juscimeira-MT.
Palavras-Chave: Agronegócio, Bovinocultura de Corte, PIB.

ABSTRACT
Currently, Brazilian agribusiness has increased its share of the national product
(GDP), reaching the mark of 23%, thus remaining in constant growth while the
national GDP has been in constant decline since 2013. Agribusiness is considered
the locomotive of the Brazilian economy and within this sector, it is important to
mention beef cattle because of its important economic participation, which was
responsible for 30% of the country's total GDP in 2016. In the world ranking, Brazil
ranks second among the largest cattle herds in the world and major producers of
beef, the country is a strong competitor when it comes to beef and veal and still has
great potential for exploitation so that the results are increasingly satisfactory over
the years.
Keywords: Agribusiness, Beef Cattle, GDP.

Introdução

1 Acadêmica do 8° têrmo do curso dê Administraçao no Cêntro Univêrsitario Catolico Salêsiano Auxilium – UniSalêsiano
Campus Araçatuba.
2 Acadêmica do 8° termo do curso de Administração no Centro Universitário Católico Salesiano Auxilium – UniSalesiano

Campus Araçatuba.
3 Zootêcnista, Mêstrê êm Produçao, Espêcialista êm Gêstao Agroindustrial, Docêntê do Cêntro Univêrsitario Catolico Salêsiano

Auxilium – UniSalêsiano Campus Araçatuba.


4 Contadora; Espêcializaçao êm Contabilidadê, Administraçao ê Finanças; Docêntê do Cêntro Univêrsitario Catolico Salêsiano

Auxilium – UniSalêsiano Campus Araçatuba.


Neste artigo foram abordados os principais aspectos envolvidos na
bovinocultura de corte e sua importância econômica frente ao PIB do agronegócio,
uma vez que o setor é considerado a locomotiva da economia, sendo o maior gerador
de empregos e responde por mais de 40% das exportações totais brasileiras, é
considerado moderno, eficiente e competitivo, e próspero, que movimenta
significativamente a economia do país.
O artigo teve como objetivo geral analisar a importância da bovinocultura de
corte frente ao agronegócio. E como objetivos específicos, traçar um perfil histórico
da pecuária de corte brasileira e de seus arranjos setoriais e aportar as principais
tendências para o agronegócio com ênfase na pecuária de corte.
O pressuposto teórico da pesquisa é de que a pecuária de corte somada às
demais cadeias do agronegócio tem importante função na geração de divisas e na
formação no produto interno bruto, uma vez que além de proverem o mercado
interno são líderes mundiais em diversos segmentos exportadores. O Brasil possui
vocação natural para o agronegócio devido às suas características e diversidades,
com isso detém o segundo maior rebanho bovino mundial ficando atrás apenas da
Índia. O artigo tratou do contexto e importância do agronegócio aliado à
bovinocultura de corte, fundamentando todo seu perfil histórico e principais
tendências futuras.
Realizou-se o estudo de caso através de dados divulgados pela empresa Galu
Agropecuária sobre a viabilidade de confinamento de bovinos nos anos de 2014 e
2016.

Agronegócio: Definição
John Davis e Ray Goldberg professores da Universidade Harvard nos Estados
Unidos da América lançaram um novo conceito para que fosse possível entender a
nova realidade da agricultura, criando assim o termo Agribusiness e o definindo
como:
[...] o conjunto de todas as operações e transações envolvidas desde a
fabricação dos insumos agropecuários, das operações de produção nas
unidades agropecuárias, até o processamento e distribuição e consumo dos
produtos agropecuários ¨in natura¨ ou ¨ industrializados. (ARAÚJO, 2013, p.
5)

Sendo assim, o agronegócio se responsabiliza pela integração de diversos


setores da economia brasileira que estão diretamente ligados aos produtos e
subprodutos decorrentes da atividade agrícola ou pecuária desde a montante da
cadeia representada pelas empresas de insumos necessários à produção, setor de
produção e jusante; processadora, beneficiadora e distribuidora, possibilitando a
confecção de roupas, a elaboração de produtos de higiene pessoal, e principalmente
o produto in natura que chega a mesa dos brasileiros diariamente.
Todos esses elos são acolhidos por uma infraestrutura de apoio a qual
possibilita que a operação seja normatizada, tenha infraestrutura básica necessária
e principalmente que possua instituições governamentais ou não, ligadas à pesquisa
e consequentemente à melhoria dos indicadores de produtividade e melhoramento.
As cadeias do agronegócio possuem grande representatividade para o
mercado nacional seja ele interno ou externo e eleva o Brasil às posições superiores
no ranking de fornecedores de matéria-prima ou produtos acabados em escala
mundial, consequentemente essa participação eleva os indicadores relacionados à
geração de riquezas e divisas como o Produto Interno Bruto - PIB e atividade
econômica, investimentos e geração de empregos.
Quanto a esse último, observa-se que dados da Confederação Nacional da
Agricultura – CNA e do Centro de Pesquisas Econômicas e Agropecuária - CEPEA
(2017) que o agronegócio foi responsável por mais de dezenove milhões de
empregos diretos e indiretos em 2016 gerando um acréscimo de setenta e cinco mil
vagas, ou seja, um crescimento de 0,39%. Irrisório se analisado fora de um contexto
geral (macroeconômico) visto que em igual período o Brasil extinguiu mais de
seiscentos e oitenta e três (683) mil vagas.
Segundo dados divulgados pela Perfarm (2017), o Agronegócio brasileiro
aumentou sua participação no Produto Interno Bruto - PIB, alcançando a marca de
23%. O fato é também reflexo do constante crescimento do PIB do agronegócio,
frente à retração do PIB nacional desde 2013. A uma estimativa de que, ao final do
ano de 2016, o agronegócio tenha crescido cerca de 3%, frente a 3,3% negativos do
PIB nacional no mesmo período (CNA, 2017). Assim sendo, o agronegócio sustenta
a economia do país, representando atualmente 48% (quarenta e oito) das
exportações brasileiras, cujos destaques são o complexo de soja, setor de carnes e o
setor sucroalcooleiro (CONFEDERAÇÃO NACIONAL DA AGRICULTURA - CNA, 2016).

Importância da Bovinocultura de Corte


Segundo Formigoni (2017), cinco países são responsáveis por
aproximadamente 70% do rebanho bovino do planeta, os quais, em ordem
decrescente, são: Índia, Brasil, China, Estados Unidos e União Europeia, conforme
mostra a Tabela 1 e Gráfico 1.

Tabela 1 e Gráfico 1 – Distribuição dos maiores rebanhos de bovinos – Mundo

Rebanho bovino em milhões de cabeça Outros; 18,64%


Índia; 30,39%
(Mundo 998,31)
RANKING País 2017 % União
1º Índia 303,35 30,39% Europeia
2º Brasil 226,03 22,64% 8,94%
3º China 100,08 10,02%
4º Estados Unidos 93,50 9,37% Estados
5º União Europeia 89,25 8,94% Unidos; 9,37%
OUTROS Outros 186,10 18,64%
Mundial 998,31 100,00% China; 10,02% Brasil; 22,64%
Fonte: Formigoni (2017).

De acordo com Formigoni (2017), com relação à produção e processamento


comercial de carne bovina, tem-se que 40% (quarenta) da produção mundial é
distribuída somente em 05 países (tabela 2 e gráfico 2) sendo em ordem
decrescente: Estados Unidos, Brasil, União Europeia, China e Índia
O Brasil é um forte concorrente quando se trata de bovinocultura e ainda
possui grande potencial de exploração para que os resultados sejam cada vez mais
satisfatórios com o passar dos anos. Segundo informações divulgadas pela
Conferência da Cadeia da Carne Bovina (2009, p.1), a importância de tal segmento
da cadeia produtiva de carne bovina é explicada pelo seu diferenciado poder de
negociação dos preços, eis que está em maior proximidade com o consumidor de carnes
em relação aos demais integrantes da cadeia. Desta forma, toda a cadeia se organiza
sob influência direta das decisões da indústria frigorífica, e é remunerada em
conformidade com a valorização do mercado consumidor.

Tabela 2 e Gráfico 2– Distribuição dos maiores produtores de bovinos – Mundo


Estados
Produção de carne bovina em milhões de Unidos;
toneladas 18,82%
(Mundo 60,48) Outros; 34,42%
RANKING País 2017 % Brasil; 15,34%
1º Estados Unidos 11,38 18,82%
2º Brasil 9,28 15,34%
3º União Europeia 7,85 12,98%
4º China 6,90 11,41%
5º Índia 4,25 7,03%
OUTROS Outros 20,82 34,42% Índia
Mundial 60,48 100,00% 7,03% União
Europeia;
China; 11,41%
12,98%

Fonte: Formigoni (2017)


A cadeia da carne bovina tem importante participação na economia
brasileira. Do PIB total do agronegócio em 2016, de cerca de R$1,425 trilhões
(BEEFWORLD, 2017) onde a cadeia da pecuária de corte representou 30%
(CONFEDERAÇÃO NACIONAL DA AGRICULTURA – CNA, 2017).
Aponta-se que a carne bovina é um dos itens mais importantes da dieta
alimentar da população brasileira e apresenta um dos maiores potenciais de
crescimento, de acordo com a Conferência da Cadeia da Carne Bovina (2009). Esta
afirmação depende, num primeiro momento, da melhora do poder de compra dos
consumidores brasileiros e da capacidade da cadeia de produção se adequar ao
aumento do consumo. A produção dos animais e a indústria estão passando por um
processo de evolução, consequência da necessidade de tornar-se competitiva e
agressiva frente aos seus concorrentes diretos, principalmente no mercado.
O consumo tem como estímulo o aumento de renda das famílias, ou em
contrapartida de algum movimento paralelo que aumente a oferta e com isso gere
uma deflação, propiciando preços mais acessíveis e gerando aumento de consumo
per capta (ZEN, 2004). Assim como o inverso também é verdadeiro, ou seja, a baixa
oferta de produtos ou a redução da empregabilidade da População Economicamente
Ativa - PEA faz com que se tenha um menor consumo per capta e com isso prejuízos
para todo o segmento. Atualmente o consumo per capta no Brasil é de 45,5 kg de
carne bovina/habitante/ano, e para suprir a demanda foram abatidos cerca de 39,5
milhões de animais (IBGE, 2016).
Cadeia da Bovinocultura de Corte
Segundo a Conferência da Cadeia da Carne Bovina (2009), a cadeia produtiva
de carne bovina pode ser conceituada como um conjunto de Componentes
interativos, tais como diferentes sistemas produtivos, fornecedores de serviços e
insumos, indústrias de processamento e transformação, distribuição e
comercialização de produtos e subprodutos, e seus respectivos consumidores finais.

Figura 1 – Cadeia da Bovinocultura de corte

ATIVIDADE DE APOIO
INDÚSTRIA DE
DEFENSIVOS
SISTEMA FINANCEIRO
ALIMENTAÇÃO
POLÍTICAS GOVERNAMENTAIS INSUMOS
ANIMAL

EMBALAGENS
PRODUÇÃO GENÉTICA
ANIMAL ANIMAL
ADITIVOS
SUBPRODUTOS
SISTEMA DE INSPEÇÃO COMESTÍVEIS
SANITÁRIA (DIPOV/DIPOA)
FRIGORÍFICOS
SUBPRODUTOS
TRANSPORTE NÃO
ENTREPOSTOS COMESTÍVEIS
REVENDEDORES
SISTEMA DE P&D ATACADISTAS
SUPERMERCADOS
ASSOCIAÇÕES DE CLASSE/RAÇA
CONSUMIDOR
POLÍTICAS DE COMÉRCIO VAREJO FINAL (MERCADO AÇOUGUES
EXTERIOR INTERNO)

POLÍTICAS DE RENDA CONSUMIDOR


BOUTIQUES
INSTITUCIONAL

FOOD SERVICE

Fonte: EMBRAPA (2014)

Esta cadeia enfrenta constantemente limitações do sistema produtivo, em


termos de sustentabilidade, e oscilações no preço da arroba do boi. Segundo
Beefworld (2017), os investimentos em genética, sanidade, bem-estar animal,
nutrição, rastreabilidade, pastagens, maquinário e gestão seguem em bom ritmo. Em
contrapartida problemas relacionados com limitações de natureza sanitária do
rebanho dificultam alcançar melhores preços no mercado internacional, um
exemplo claro disso foi à operação carne fraca que ocorreu no Brasil e fez com que
o país perdesse ganhos imensuráveis quanto à exportação de carne.
Segundo a Conferência da Cadeia da Carne Bovina (2009), a centralização dos
abates em poucas plantas processadoras, concentração do varejo e a falta de
coordenação na cadeia produtiva, podem ser apontados como as principais causas
da baixa remuneração ao quilo do boi.

História da Pecuária de Corte


De acordo com dados obtidos no portal Serviço de Informação da Carne – SIC
(2005) as primeiras cabeças de gado foram introduzidas no Brasil colonial por volta
do século XVI, período dedicado às expedições de exploração do atual território
nacional, os animais foram originários de Cabo Verde e esta introdução foi realizada
onde hoje se localiza o estado da Bahia.
Entre os séculos XVII e XIX, como resultado da própria colonização,
desembarcaram no Sul do país, bovinos com origem europeia mais resistentes ao o
clima frio, desenvolvendo-se a pecuária baseada na alimentação de pasto nativo.
Nesta mesma época, houve um imenso crescimento do rebanho nacional, com a
introdução do gado zebuíno nas regiões sudeste e centro-oeste devido sua alta
adaptação nestas localidades. A introdução de outras raças possibilitou o
melhoramento genético do gado existente no Brasil, proporcionando assim
produção de carnes com melhor qualidade no mercado.
Segundo Herrera (2005), devido à alimentação do gado bovino brasileiro ser
fundamentada na pastagem, a utilização das gramíneas do gênero das braquiárias
surgiu como alternativa para os solos relativamente fracos, como os dos estados de
Minas Gerais, São Paulo e Goiás, revolucionando todo o sistema além de permitir
uma exploração intensiva desenvolvendo a pecuária nestas regiões. A partir do
século XX, muitos programas de incentivos, inclusive financeiros, culminaram na
expansão da pecuária nas regiões norte e centro-oeste, valorizando estas áreas e
beneficiando o crescimento regional das cidades.

Distribuição Geográfica
O número de rebanho bovino em fazendas brasileiras atingiu recorde de
215,2 milhões de cabeças em 2015, obtendo crescimento de 1,3% em relação a 2014.
A última queda foi em 2012 devido a grande seca prolongada que atingiu o país
aquele ano, desde então se observa crescimento do rebanho (IBGE, 2016).
O Centro-Oeste apresenta o maior número de bovinos entre as grandes
regiões, com 33,8% da participação nacional principalmente por ser uma região com
grandes propriedades e produtores especializados, possuindo clima, relevo e solo
favoráveis à atividade, assim como também grandes plantas frigoríficas que têm
impulsionado o abate de bovinos em larga escala.
Os Estados de Mato Grosso, Minas Gerais, Goiás, Mato Grosso do Sul e Pará
registraram os maiores efetivos de bovinos do Brasil: 13,6%; 11,0%; 10,2%; 9,9% e
9,4%, respectivamente, do total nacional, sendo que nos últimos anos, é possível
observar um deslocamento da produção de bovinos para o Norte do País, o que se
deve, em parte, aos baixos preços das terras, disponibilidade hídrica, clima
favorável, incentivos governamentais e abertura de grandes plantas frigoríficas.
Observa-se que dentre os 20 municípios com os maiores efetivos, 13
situavam-se no Centro-Oeste; cinco, no Norte; e dois, no Sul do país.

Econômicos
Em 2016 segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística
(IBGE) foram abatidas 29,67 milhões de cabeças de bovinos sob algum tipo de
serviço de inspeção sanitária Federal, Estadual ou Municipal, representando queda
de 3,2% em relação ao ano anterior, sendo essa a terceira queda consecutiva na fase
histórica anual do abate de bovinos.
De acordo com o IBGE (2016), quando se trata de abate de bovinos há uma
preferência por machos com foco na exportação. Como demonstrado graficamente,
verifica-se que em 2016 ocorreu a terceira queda consecutiva da participação de
fêmeas no abate total de bovino, enquanto a participação de machos no abate
aumentou nos últimos três anos.
Observa-se também que quando instalado um cenário mais pessimista na
economia nacional, é natural que se tenha um aumento no abate de fêmeas uma vez
que o segmento de cria e recria antecipa a venda de matrizes no intuito de estruturar
caixa para sustentar a atividade.

Figura 2 – Evolução anual da participação de machos e fêmeas no abate total de bovinos –


em milhões de cabeças.
70
63,9
62,6 61,4
65 60,9 61,1
59,6 59,8
58,1 58 58,2
60 56,6 56,6

55
50
45
40 43,4 43,4
41,9 42 41,8
35 40,4 40,2
39,1 38,9 38,6
37,4
36,1
30
2005 2006 2007 2008 2009 2010 2011 2012 2013 2014 2015 2016

MACHO FÊMEA

Fonte: IBGE (2016)

De acordo com IBGE (2017 apud BEEFPOINT, 2017) no 1º trimestre de 2017,


foram abatidas 7,37 milhões de cabeças de bovinos, menor que a quantidade
registrada no trimestre anterior, em que foram abatidas 7,41 milhões de cabeças de
bovinos, todavia foi 0,7% maior que a quantidade registrada no 1º trimestre de
2016. O Estado de Mato Grosso lidera o abate de bovinos, com 15,6% da participação
nacional, seguido ainda por Mato Grosso do Sul (11,5%) e Goiás (10,1%), no
comparativo do primeiro trimestres de 2016/2017.
Mesmo com a crise econômica brasileira, e o aumento da procura por carne
suína e frango em decorrência do alto índice de desemprego, houve um crescimento
na comercialização da carne bovina de 9,8% em junho deste ano, com embarque de
7.866 toneladas, e aumento no faturamento de 12,35% (IBGE, 2016).

Importação e Exportação
Segundo Secretaria de Comércio Exterior – Secex (2017 apud BEEFPOINT,
2017), o 1º trimestre de 2017 apresentou aumento no faturamento e também no
volume das exportações brasileiras, em comparação com o trimestre anterior.
Contudo, no mesmo período do ano anterior, observou-se queda das exportações,
sendo que as maiores quedas ocorreram no Egito, e por sua vez a China teve um
aumento significativo, adquirindo 48% da carne bovina, ou seja, quase metade da
carne exportada. Ficando o Brasil em quarto lugar com 6.833 toneladas.

Figura 3 – Evolução das exportações de carne brasileira


Fonte: ABIEC (2016 apud BEEFPOINT, 2017)

De acordo com United States Department of Agriculture – USDA (apud


BEEFPOINT, 2016), o Brasil deteve o segundo maior efetivo de bovinos, sendo
responsável por 22,5% do rebanho mundial, atrás apenas da Índia. O País foi
também o segundo maior produtor de carne bovina, participando com 16,3% da
produção global. Os Estados Unidos (maior produtor mundial), o Brasil e a União
Europeia, juntos, abarcaram cerca de 48,5% da carne produzida mundialmente. Em
relação à exportação de carne bovina, o Brasil ocupou a terceira posição
do ranking internacional em 2015, sendo Índia e Austrália, respectivamente, os
maiores exportadores.
Segundo dados divulgados pelo Beefpoint (2017) as exportações de carne
bovina obtiveram aumento de 10% em junho deste ano, em comparação ao mês
anterior, Já em volume o resultado foi de 123.287 toneladas, crescimento de 9% em
comparação com o mês de maio.

Mecanismos de Comercialização
Há diversos mecanismos de comercialização que envolvem a cadeia de
pecuária de corte, os quais fazem parte das mais variadas estratégias tanto para o
setor de produção quanto para a jusante, garantindo preço e segurança de oferta do
produto. Cita-se:
a) Mercado Spot: O mercado Spot, também chamado de mercado disponível,
físico ou pronto são transações em que a entrega da mercadoria geralmente
é feita imediatamente ou possui um prazo limite de retirada não superior a
30 dias e o pagamento à vista com prazos relativamente pequenos inferior a
30 dias, sendo a formação de preços neste mercado influenciada pela oferta
e demandas atuais (BATALHA et al. 2012).
b) Mercado a Termo: Em meio às incertezas do setor pecuário no ano de
2017, qualquer garantia se torna vantajosa e a venda do boi a termo é umas
das formas de conceder esse seguro. Mercado a termo são contratos que
podem ser definidos pela venda do produto com entrega futura, com preço e
prazos previamente definidos, antes mesmo da produção iniciada. As
quantidades são influenciadas pela expectativa das duas partes, conforme
Batalhas et al. (2012). Segundo Freitas (2016) dessa forma o pecuarista
consegue garantir o valor que receberá na data acordada, sem se preocupar
com as oscilações de preços nesse período, desde que tenha todos os dados
de seus custos de produção. De acordo com Freitas (2016), a modalidade foi
lançada no Brasil em 2004 pelo JBS e estima-se que os contratos a termo
sejam responsáveis pelo abate de 2,2 milhões de cabeças por ano, ou seja,
15% do abate nacional, o que equivale a 1,3 milhões de contratos.
c) Mercado Futuro: Como o próprio nome indica, é um mercado onde se
transacionam produtos para uma data futura, cujo objetivo principal não é a
troca efetiva de produto entre as partes do negócio, mas sim negociar
variações de preços (GUIMARÃES; STEFANELLO, 2003 apud SOARES 2010).
De acordo com Batalha et al. (2012) o período de entrega obedece ao
cronograma padrão das instituições responsáveis pela comercialização. O
mercado futuro assegura fixação de preços frente a oscilações futuras no
mercado físico (Hedge), sendo influenciado por uma gama de informações
que podem ou não se confirmar na data de vencimento havendo
convergência dos preços do contrato futuro com relação aos do mercado a
vista na data de liquidação (LOZARDO, 1998, apud, SOARES 2010).

Tendências
Os cenários de instabilidade econômica na situação atual do país deixam
alguns pontos sombrios quando se avaliam as tendências para a pecuária nacional.
Mesmo com números apontando um crescimento nas exportações, o mercado
interno encontra-se retraído em busca de opções de consumo com menor valor
agregado, como frangos e suínos. Esse comportamento promove um
desaquecimento de preços alongando escalas de abate e pressionando os preços na
origem (produção).

Estudo de Caso

O Estudo de Caso foi realizado através dos dados de um confinamento da


empresa Galu Agropecuária, localizada no município de Juscimeira-MT e visou
avaliar a viabilidade de confinamento no ano de 2016 de gado de cruzamento
industrial através de análise comparativa da mesma operação realizada
anteriormente pela empresa em 2014, sendo utilizadas 150 cabeças de gado
confinados da raça Angus com permanência média de 160 dias.
Ao realizar a análise comparativa dos resultados do confinamento verificou-
se que o cenário microeconômico e macroeconômico não possibilitará a viabilidade
de efetivar uma nova operação, uma vez que o setor sofreu um efeito tesoura, ou
seja, os gastos diretos, insumos e folha tiveram aumentos significativos enquanto
que a receita teve uma redução de seu valor final, o que consequentemente reduz a
margem operacional, quando comparado ao ano de 2014 (Figura 4).

Figura 4 – Análise da variação de preços – Gastos e Receitas (2014 x 2016)

ANÁLISE COMPARATIVA - CONFINAMENTO - ANO 2014 X ANO 2016


47,12%
36,92%
27,73% 26,47%
12,61%
-3,59%
FOLHA PREÇO DO PREÇO NÚCLEO DIETA TOTAL PREÇO DE CPV LUCRO BRUTO
MILHO (CIF) (CIF) (CIF) VENDA (R$/@) (AV% - RB)

-128,99%

Fonte: Galu Agropecuária (2016)

Os gastos com folha de pagamento aumentaram 27,73%, isso decorrente do


aumento do salário rural em 2016. Houve também elevação de 47,12% no preço da
saca do milho (60kg) em 2016 e, em relação ao preço do núcleo, o aumento foi de
26,47% no mesmo período, o que afeta significativamente os custos com
alimentação do gado, resultando em um aumento de 36,92% na dieta total dos
animais, e consequentemente, um aumento direto frente a 2014 no conjunto dos
gastos necessários à operação de 12,61% (CPV) (Tabela 3).

Tabela 3 – Análise Comparativa Realizado 2014 x Projeção 2016


2.014 2.016 AH (%)
Nº ANIMAIS 150,00 150,00 0,00%
P. ENTRADA 240,13 240,00 -0,05% 2.014 2.016 AH (%)
P. SAÍDA 456,92 456,92 0,00% PREÇO NÚCLEO 1,70 2,15 26,47%
GANHO DIÁRIO 1,35 1,35 0,00% NÚCLEO (KG) 24.692,08 24.692,08 0,00%
PERÍODO CONFINAMENTO 160,59 160,68 0,06% TOTAL 41.976,54 53.087,97 26,47% PREÇO NÚCLEO (CIF)

FOLHA - PERÍODO 16.121,63 20.592,75 DIETA TOTAL


27,73% FOLHA 164.613,88 164.613,88 0,00%
R$/KG 0,52 0,71 36,54%
PREÇO MERCADO (AQUISIÇÃO) 1.220,00 1.220,00 0,00%
TOTAL (R$) 84.932,53 116.285,98 36,92% DIETA TOTAL (CIF)
PREÇO AQUISIÇÃO MILHO 18,42 27,10 47,12% PREÇO DE VENDA (R$/@) 135,00 130,15 -3,59% PREÇO DE VENDA (R$/@)
MILHO 15,50 24,00 54,84% REC. BRUTA 320.760,00 309.236,40 -3,59%
FRETE 2,02 2,20 8,91% CPV 284.054,16 319.878,73 12,61% CPV
ENSAQUE 0,90 0,90 0,00% LUCRO BRUTO 36.705,84 - 10.642,33 -128,99% LUCRO BRUTO (AV% - RB)
MILHO (SCS) 2.332,03 2.332,03 0,00% LB (AP%) 11,44 - 3,44 -130,07%
TOTAL 42.955,99 63.198,01 47,12% PREÇO DO MILHO (CIF)
LB (AM%) 2,04 - 0,65 -131,86%
PREÇO NÚCLEO 1,70 2,15 26,47%
Fonte: Galu Agropecuária (2016)
NÚCLEO (KG) 24.692,08 24.692,08 0,00%
TOTAL 41.976,54 53.087,97 26,47% PREÇO NÚCLEO (CIF)
DIETA TOTALEm síntese, todos os custos
164.613,88 de produção
164.613,88 0,00% obtiveram aumento sendo que o
R$/KG 0,52 0,71 36,54%
preço
TOTAL (R$)da arroba não seguiu mesmo
84.932,53 padrão,
116.285,98 36,92%acumulando
DIETA TOTAL (CIF) perda de 3,59% em 2016

comparado a 2014, desta135,00


PREÇO DE VENDA (R$/@)
forma 130,15
o confinamento se torna insustentável, pois seu
-3,59% PREÇO DE VENDA (R$/@)
REC. BRUTA 320.760,00 309.236,40 -3,59%
lucro
CPV
bruto caiu drasticamente em 2016 (-128,99%),
284.054,16 319.878,73 12,61% CPV
ou seja, geraria um prejuízo de
LUCRO BRUTO 36.705,84 - 10.642,33 -128,99% LUCRO BRUTO (AV% - RB)
0,65%
LB (AP%)
ao mês. 11,44 - 3,44 -130,07%
LB (AM%) 2,04 - 0,65 -131,86%
Dessa forma, verificou-se a importância para o setor de produção, analisar
seus dados e as oportunidades de mercado de forma antecipatória favorecendo o
uso estratégico dos recursos disponíveis de forma a maximizá-los melhorando a
rentabilidade da operação produtiva.
A estrutura de custos diretos deve ser detalhada ao máximo e levada a um
cenário de stress que possa dar direcionamento para o investimento de como
ampliar o seu Valor Presente Líquido - VPL e a Taxa Interna de Retorno - TIR , os
quais foram claramente alcançados em 2014 (gerando um ganho de 11,44% ap ou
2,04% am) e que dificilmente se repetiriam em 2016 com os cenários descritos.
Observou-se que há uma sensibilidade muito grande na composição do
resultado nas operações de confinamento devido grande parte ao fato dos gastos
serem variáveis (94,32%), sendo assim, há necessidade de considerar os seguintes
fatores: planejamento prévio de compra para manter as margens somando isso
também à utilização conjunta de mercado spot com mercado futuro através do
mecanismo de Hedge - transação compensatória que visa proteger um operador
financeiro contra prejuízos na oscilação de preços – e a proteção cambia, fixando a
lucratividade.

Conclusão
Concluiu-se que a cadeia da bovinocultura de corte possui suma importância
frente ao PIB do agronegócio sendo o maior segmento exportador do Brasil e
também o maior gerador de empregos, aproximadamente 37% de todos os
empregos diretos e indiretos do País, reflexo de sua posição como segundo maior
rebanho comercial do mundo e também o segundo maior produtor de carne bovina.
A bovinocultura de corte possui importância socioeconômica visto que sua
cadeia agroindustrial movimenta um grande número de agentes e de estruturas, da
fazenda à indústria, da distribuição ao comércio, gerando renda e criando empregos
em seus diversos segmentos.
Dessa forma, os objetivos deste trabalho foram alcançados, confirmando o
pressuposto teórico, mostrando que a pecuária de corte somada as demais cadeias
do agronegócio tem importante função na geração de divisas e na formação no
produto interno bruto, uma vez que além de proverem o mercado interno são
líderes mundiais em diversos segmentos exportadores.

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