0% acharam este documento útil (0 voto)
30 visualizações3 páginas

Atividade Avaliativa 1 - Educação Das Relações Étnico-Raciais

Relação racismo e o conceito de epistemicídio. Questão 1: Aponte como a educação anti-racista se contrapõe à violência racial na infância, a partir de dois trechos encontrados nas bibliografias KIMURA, Verônica, Untó Yawô! Educação nos Terreiros de Candomblé. Tese de doutorado. Programa de Pós-Graduação em Educação. Universidade do Estado de Santa Catarina – UDESC, 2021.; FILIZOLA, Gustavo. As crianças de Candomblé e a escola: pensando sobre o racismo religioso. Dissertação de mestrado.

Enviado por

Jessica
Direitos autorais
© © All Rights Reserved
Levamos muito a sério os direitos de conteúdo. Se você suspeita que este conteúdo é seu, reivindique-o aqui.
Formatos disponíveis
Baixe no formato PDF, TXT ou leia on-line no Scribd
0% acharam este documento útil (0 voto)
30 visualizações3 páginas

Atividade Avaliativa 1 - Educação Das Relações Étnico-Raciais

Relação racismo e o conceito de epistemicídio. Questão 1: Aponte como a educação anti-racista se contrapõe à violência racial na infância, a partir de dois trechos encontrados nas bibliografias KIMURA, Verônica, Untó Yawô! Educação nos Terreiros de Candomblé. Tese de doutorado. Programa de Pós-Graduação em Educação. Universidade do Estado de Santa Catarina – UDESC, 2021.; FILIZOLA, Gustavo. As crianças de Candomblé e a escola: pensando sobre o racismo religioso. Dissertação de mestrado.

Enviado por

Jessica
Direitos autorais
© © All Rights Reserved
Levamos muito a sério os direitos de conteúdo. Se você suspeita que este conteúdo é seu, reivindique-o aqui.
Formatos disponíveis
Baixe no formato PDF, TXT ou leia on-line no Scribd
Você está na página 1/ 3

Universidade de Brasília

Faculdade de Educação
Departamento de Teoria e Fundamentos – TEF
Educação das relações étnico-raciais 2/2023
Prof. Dr. Saulo Pequeno Nogueira Florencio

Atividade avaliativa 1

Nome: Jessica Andreina García Sodoma Fonseca

Curso de graduação: Pedagogia


Matrícula: 180076108

Nº da questão escolhida: Questão nº1

Resposta:

A concepção de raça como a conhecemos hoje aparece na história só após a


colonização da América. De acordo com Quijano (2005), O processo de constituição da
Europa como uma identidade distinta após a colonização das Américas e a expansão do
colonialismo europeu mundialmente foi crucial na formulação da perspectiva
eurocêntrica do conhecimento, marginalizando ou subestimando outras culturas e
sociedades. Isso levou à elaboração teórica da ideia de raça, que naturalizou e justificou
as relações coloniais de dominação entre europeus e não-europeus classificando e
hierarquizando grupos humanos com base em características físicas percebidas, criando
uma narrativa de superioridade europeia e inferioridade de outras populações. Esse
conceito foi fundamental para legitimar e perpetuar o sistema colonial e suas práticas
discriminatórias. Assim, a noção de raça foi um mecanismo fundamental para a
classificação social universal da população, resultando em uma hierarquia social que
legitimava as relações de dominação entre diferentes grupos étnicos e culturais.

A reprodução até hoje do processo de racialização e suas transformações através


dos séculos, resulta no racismo impregnado na estrutura do Estado brasileiro,
desumanizando a pessoa negra e negando formas de cultura e conhecimentos ancestrais
impactando na constituição da sua identidade pois, é imposto formas de ser e viver
estereotipados das classes hegemônica.
Sueli Carneiro, alicerçada em princípio, no pensamento de Boaventura Sousa
Santos (1997), explana o epistemicídio como o mecanismo mais eficiente e perdurável da
dominação étnico/racial “pela negação que empreende da legitimidade das formas de
conhecimento produzidos pelos grupos dominados e, consequentemente, de seus
membros enquanto sujeitos de conhecimentos” (p. 96; 2005); privando-se com isso,
formas pensamento, de cultura e a “civilização do Outro”. Nesse sentido, o Brasil assim
como o restante do continente Americano, sofreu o aculturamento decorrente da
colonização europeia com fortes traços do cristianismo trazidos pela Igreja Católica, e
que ainda encontramos fortes resquícios nas celebrações escolares, apesar da laicidade da
educação pública (a exemplo as festas juninas promovidas amplamente nas escolas, ou
professoras ensinando a oração do estudante sem sequer ter a delicadeza em saber qual a
religião dos seus alunos, entre outros exemplos).
Trazendo esse raciocínio num primeiro momento à questão colocada, sobre as
estratégias das crianças do candomblé no momento da iniciação ao terem suas cabeças
rapadas e o fato de preferirem mentir na escola do que reconhecer a fé que professam,
demostra-se as consequências do racismo e discriminação religiosa que é sofrida nas
escolas nas relações entre os pares e com os adultos, e a influência destes, afetando na
autoestima dessas crianças pois como Sueli Carneiro nos expõe ao vincular a teoria de
Sousa Santos ao estatuto do Outro:
...essa tradição integra e exclui a diversidade; e o destino que está reservado ao
Outro nessa integração ou exclusão, o contrato racial que a destinação do Outro
encerra, e o modelo racial de sociedade que ele projeta: integração subordinada
minoritária e/ou profecia autorrealizadora da ideologia do racismo.

Assim, a criança vai sendo moldada numa sociedade que a despreza pela cor da
sua pele e suas crenças; pois vai internalizando que ela e sua fé, não são aceitas, levando-
a à negação daquilo que faz parte da sua cultura, sua ancestralidade; constituindo sua
subjetividade e provocando mal-estar por não pertencer de verdade naqueles ambientes e
na sociedade em geral, já que está enraizado nela; afetando então seu desenvolvimento
psicossocial.
Da mesma maneira, a autora supracitada amplia o conceito de epistemicídio
descrevendo-o como um sequestro da razão, tanto pela negação da racionalidade do
"Outro" quanto pela imposição de assimilação cultural. Esse processo não se destina
apenas ao corpo individual, mas também ao controle das mentes e dos corações;
destacando ainda, a relação entre o epistemicídio e as questões raciais, argumentando que
esse fenômeno contribui para a produção da inferioridade intelectual e para a negação das
capacidades intelectuais das pessoas racializadas, incorporando características de
disciplina, normalização e controle da vida, formando um instrumento de poder que opera
na produção de subjetividades subalternizadas.

Uma educação antirracista que vise promover políticas educacionais e práticas


pedagógicas que auxiliem no combate ao racismo no sistema educativo e na sociedade
em geral é fundamental. A escola deve fomentar a procura por conhecimentos que
representem a diversidade étnica existentes, abordando as desigualdades estruturais,
desconstruindo estereótipos e preconceitos enraizados; propiciando a igualdade de
oportunidades para todos os estudantes independentemente de sua origem étnica ou racial,
reconhecendo e valorizando as diversidades dentro da sala de aula e nos currículos
escolares incorporando materiais e recursos representativos; dar voz aos diferentes grupos
sociais, promovendo o diálogo aberto ao respeito dos temas relacionados a raça e etnia
em busca da sensibilização e conscientização de todos os membros da comunidade
escolar sobre as questões vinculadas a preconceito racial e discriminação, fomentando
um ambiente inclusivo e acolhedor. As Orientações e Ações para a Educação das Relações
Étnico-Raciais (2010) destaca a necessidade de um vínculo estreito das instituições de
Educação Infantil (na minha perspectiva estendendo-se em toda Educação Básica) com
as famílias orientando-se primeiramente pelo entendimento das diferentes configurações
das famílias brasileiras, e tudo o que isso implica como valores, tradições, crenças que as
constituem e que devem ser respeitadas e valorizadas.
A educação antirracista então é fundamental para promover a justiça social, a
igualdade e o respeito mútuo, construindo uma sociedade mais inclusiva e equitativa. É
um passo crucial para combater a perpetuação de estereótipos e preconceitos e para criar
um ambiente educacional que promova a valorização da diversidade e o respeito à
dignidade de todas as pessoas.
Com referente à ao item 2 da mesma questão, penso que sim, a criança se
posicionou com referente ao tema; provavelmente por ter experienciado essas questões e
comportamentos preconceituosos e/ou discriminatórios no âmbito escolar. Além disso,
me permito inferir que a educação familiar nesse respeito tenha sido importante para a
formação da criança, pois o pai demostro preocupação ao saber de crianças que foram
hostilizadas em suas escolas querendo se posicionar também ao respeito na instituição
onde a sua filha estuda; sendo talvez temas discutidos em casa e em comunidade,
facilitando a compreensão da situação e levando a menina a tomar a iniciativa de expor
para as amigas sobre o acontecimento por vir naquele momento e que é de grande
relevância na sua vida; então acredito sim, que a menina tem plena consciência de como
se dão as dinâmicas sociais.

Referências Bibliográficas:
CARNEIRO, Aparecida Sueli. A construção do outro como não-ser como fundamento
do ser. Tese de doutorado. Programa de Pós-Graduação em Educação. São Paulo - USP,
2005.
MEC. Capítulo 2: Construindo referenciais para abordagem da temática étnico-racial na
Educação Infantil. In: Orientações e Ações para a Educação das Relações Étnico-
Raciais. Brasília: SECAD, 2010.
QUIJANO, Aníbal. Colonialidade do poder, eurocentrismo e América Latina. In: Lander,
Edgardo. A colonialidade do saber: eurocentrismo e ciências sociais. CLACSO, 2005.

Você também pode gostar