Introducao A Burocracia - Ludwig Von Mises 741-Article Text-1467-1-10-20180621
Introducao A Burocracia - Ludwig Von Mises 741-Article Text-1467-1-10-20180621
ISSN 2318-0811
Volume III, Número 1 (Edição 5) Janeiro-Junho 2015: 251-262
Introdução à Burocracia*
Ludwig von Mises**
Resumo: Neste artigo, o autor critica o burocratismo, mostra como ele é rejeitado
pelos cidadãos dos Estados Unidos e faz uma correlação lógica entre o burocratismo
e os regimes totalitários que dele se nutrem. Argumenta sobre a unanimidade no que
diz respeito à distinção entre dois métodos contrários de fazer as coisas: a maneira
dos cidadãos e a forma como são geridos os órgãos governamentais e os municípios.
Finalmente, sustenta que a burocracia só pode ser compreendida por contraste com o
funcionamento do motivo do lucro, tal como este funciona na sociedade de mercado
capitalista.
Palavras-Chave: Burocracia, Crítica à Burocracia, Progressismo, Burocratismo, Tota-
litarismo, Gestão de Lucro.
Introduction to Bureaucracy
Abstract: In this article, the author criticizes bureaucratism, then shows how it is re-
jected by the citizens of the United States and makes a logical correlation between
bureaucracy and the totalitarian regimes that it nourishes. He argues on unanimity
with regard to the distinction between two contrary methods of doing things: the way
of the citizens and the manner how government agencies and municipalities are ma-
naged. Finally, he sustains that bureaucracy can only be understood by contrasting it
with the operation of the profit motive as it functions in the capitalist market society.
*
Texto publicado pela primeira vez em inglês no ano de 1944 como introdução do livro Bureaucracy. A presente
tradução foi feita a partir da seguinte edição: MISES, Ludwig von. The Social and Political Implications of
Bureaucratization. In: Bureaucracy. New Haven: Yale University Press, 1944. p. 1-19.
Traduzido do original em inglês para o português por Heloisa Gonçalves Barbosa
**
Ludwig von Mises nasceu em 29 de setembro de 1881 na cidade de Lviv, atualmente na Ucrânia e na época
parte do território do Império Austro-Húngaro. Estudou, a partir de 1900, na Universidade de Viena, e recebeu
o título de Doutor em Direito por essa mesma instituição em 1906. Lecionou na Universidade de Viena de 1913
a 1934, no Instituto Universitário de Altos Estudos Internacionais em Genebra de 1934 a 1940 e na New York
University de 1945 a 1969. É autor de centenas de artigos acadêmicos e de mais de vinte livros dentre os quais
se destaca o tratado de economia Ação Humana (Instituto Ludwig von Mises Brasil, 2010). Faleceu no dia 10 de
outubro de 1973 em Nova York, nos Estados Unidos.
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pelo regime tirânico de uma burocracia irres- cratas como responsáveis por uma evolução
ponsável e arbitrária. O burocrata não é eleito cujas causas devem ser procuradas alhures. A
para ocupar seu cargo, mas é nomeação por burocracia é apenas uma consequência e um
outro burocrata. Ele se apropria de uma boa sintoma de fatos e transformações com raízes
parte do poder legislativo. Comissões gover- muito mais profundas.
namentais e repartições públicas emitem de- A principal característica das políticas
cretos e regulamentos que visam a gerir e di- atuais é a tendência em direção a uma subs-
rigir todos os aspectos da vida dos cidadãos. tituição do controle do governo pela livre ini-
Não só regulam questões que até então eram ciativa. Poderosos partidos políticos e grupos
deixadas ao critério do indivíduo, como não de pressão imploram, com fervor, pelo con-
se furtam a decretar algo que, na prática, cons- trole público de todas as atividades econômi-
titui uma revogação de leis devidamente pro- cas, pelo total planejamento pelo governo, e
mulgadas. Por meio desta quase legislação, para a nacionalização das empresas. Visam ao
as repartições usurpam o poder de decidir total controle pelo governo da educação e à
muitos assuntos importantes de acordo com socialização da profissão médica. Não há ne-
seu próprio julgamento dos méritos de cada nhuma esfera da atividade humana que não
caso, ou seja, de modo bastante arbitrário. As estariam dispostos a subordinar à arregimen-
sentenças e acórdãos das repartições são exe- tação pelas autoridades. Em seus olhos, o con-
cutados por autoridades federais. As supos- trole pelo Estado é a panaceia para todos os
tas revisões judiciais são, na verdade, ilusões. males.
Todos os dias os burocratas abocanham mais Estes entusiásticos defensores da onipo-
poder; muito em breve, estarão dominando o tência do governo são muito modestos quan-
país inteiro. do avaliam o papel que eles próprios desem-
Não pode haver qualquer dúvida de que, penham na evolução em direção ao totalitaris-
em essência, este sistema burocrático é antili- mo. É inevitável, alegam, a tendência em dire-
beral, antidemocrático e antiamericano, que é ção ao socialismo. Trata-se de uma tendência
contrário ao espírito e à letra da Constituição, necessária e inevitável da evolução histórica.
e que é uma réplica dos métodos totalitários Com Karl Marx (1818-1883), sustentam que
de Joseph Stalin (1878-1953) e Adolf Hitler o socialismo decerto virá “com a inexorabili-
(1889-1945). Está imbuído de uma hostilidade dade de uma lei da natureza”. A proprieda-
fanática à livre iniciativa e à propriedade pri- de privada dos meios de produção, a livre
vada. Leva à paralisia a condução dos negó- iniciativa, o capitalismo e o sistema de lucro
cios e reduz a produtividade do trabalho. Ao estão condenados. A “onda do futuro” leva os
gastar desenfreadamente, dilapida a riqueza homens em direção a um paraíso terrestre de
da nação. É ineficiente e perdulário. Embora total controle pelo governo. Os defensores do
qualifique o que faz como planejamento, não totalitarismo se autodenominam “progressis-
tem planos definidos e objetivos. Carece de tas” exatamente porque fingem ter compreen-
unidade e uniformidade; as diversas reparti- dido o significado dos presságios. E ridicula-
ções e órgãos trabalham com objetivos opos- rizam e menosprezam como “reacionários”
tos. O resultado é uma desintegração de todo todos aqueles que tentam resistir a forças que,
o aparelho social de produção e distribuição. como se diz, nenhum esforço humano é forte
Seguramente advirão pobreza e angústia. o suficiente para deter.
De modo geral, esta veemente acusação Devido a estas políticas “progressistas”,
da burocracia consiste em uma descrição ade- novos órgãos e repartições governamentais
quada, embora emocional, das atuais tendên- crescem como cogumelos. Os burocratas se
cias do governo norte-americano. Todavia, multiplicam e estão ansiosos para restringir,
passa ao largo de questões relevantes na me- paulatinamente, a liberdade de agir do cida-
dida em que aponta a burocracia e os buro- dão. Muitos cidadãos, ou seja, aqueles a quem
254 Introdução à Burocracia
passam de assembleias de indivíduos que di- Finalmente, é verdade que a nova po-
zem sim. lítica, embora não seja inconstitucional do
Tampouco se justifica reclamar do fato ponto de vista meramente formal, é contrá-
de que os cargos administrativos burocráticos ria ao espírito da Constituição, que equivale
não são eletivos. Só é sensato eleger executi- a uma derrocada de tudo o que era precioso
vos no caso do alto escalão. Aqui, os eleitores para as gerações anteriores dos norte-ameri-
devem escolher entre os candidatos cujo cará- canos, que deverá resultar em um abandono
ter político e convicções conhecem. Seria ab- daquilo que se costumava chamar de demo-
surdo usar o mesmo método para a nomeação cracia e que, nesse sentido, é antiamericana.
de incontáveis indivíduos desconhecidos. Faz No entanto, nem estas acusações são capazes
sentido os cidadãos votarem no presidente, de desacreditar as tendências “progressistas”
no governador ou no prefeito. Seria absurdo aos olhos dos que as apoiam, pois olham para
deixá-los votar em centenas de milhares de o passado com olhos diversos de seus críticos.
funcionários subalternos. Nessas eleições, os Para eles, a história de todas as sociedades
eleitores não têm escolha senão aprovar a lista existentes até agora é um registro da degra-
proposta por seu partido. Não faz diferença dação e da miséria humanas e da exploração
relevante saber se o Presidente ou o Governa- impiedosa das massas pelas classes dominan-
dor eleitos nomeiam todos seus assessores ou tes. Aquilo a que se denomina “individualis-
se os eleitores votam em uma lista contendo mo” na língua americana é, dizem, “um altis-
os nomes de todos aqueles a quem seu candi- sonante título para a ganância transfigurada
dato preferido escolheu como assessores. que se pavoneia como uma virtude”. A ideia
É muito correto, tal como afirmam com era “dar liberdade para fazedores de dinhei-
frequência os adversários da tendência para ro, malandros perspicazes, manipuladores de
o totalitarismo, que os burocratas tenham li- ações e outros bandidos que se sustentavam
berdade de decidir questões de importância por meio de ataques à receita nacional”2. O
vital para a vida do cidadão individual se- sistema americano é desprezado como uma
gundo seus próprios critérios. É verdade que espúria “democracia dos direitos do cida-
aqueles que ocupam os cargos não são mais dão”, e o sistema russo de Stalin é elogiado
servidores dos cidadãos, mas amos e tiranos com extravagância como o único verdadeira-
irresponsáveis e arbitrários. Todavia, não é a mente democrático.
burocracia a culpada. Trata-se do resultado A principal questão nas lutas políticas
do novo sistema de governo que restringe a atuais é se a sociedade deve ser organizada
liberdade do indivíduo para gerir seus pró- com base na propriedade privada dos meios de
prios negócios e atribui cada vez mais tarefas produção (capitalismo, o sistema de mercado)
ao governo. O culpado não é o burocrata, mas ou com base no controle público dos meios de
o sistema político. E o povo soberano ainda produção (socialismo, comunismo, economia
tem liberdade para descartar este sistema. planejada). O capitalismo é sinônimo da livre
Além disso, é verdade que a burocracia iniciativa, da soberania dos consumidores em
se imbui de um ódio implacável da empresa questões de economia e soberania dos eleito-
privada e da livre iniciativa. Contudo, os par- res em questões políticas. Socialismo significa
tidários do sistema consideram esta, precisa-
mente, a característica mais louvável de sua 2
W. E. Woodward. A New American History. New
atitude. Longe de se envergonharem de suas York, 1938. p. 808. Na sobrecapa deste livro, lê-se:
políticas antiempresariais, orgulham-se delas. “Qualquer pai sensato, hoje, conhecedor de todos os
Têm como meta o controle total dos negócios fatos, provavelmente iria julgar Benedict Arnold, de
por parte do governo e enxergam um inimigo maneira geral, muito mais satisfatório do que Lincoln
como modelo para o seu filho.” É óbvio que aqueles
público em todo empresário que deseje esca- que têm essas opiniões não irão encontrar nenhuma
par desse controle. problema em com o antiamericanismo da burocracia.
MISES: Revista Interdisciplinar de Filosofia, Direito e Economia
Ludwig von Mises 257
controle completo por parte do governo de to- “Porém, com a inexorável tendência
das as esferas da vida do indivíduo e a supre- rumo à concentração econômica, a situação
macia irrestrita do governo na sua qualidade mudou de forma radical. Hoje, o cenário é do-
de órgão central de gestão da produção. Não minado pelas grandes empresas corporativas.
existe solução conciliatória possível entre es- Têm-se um proprietário ausente; os proprie-
tes dois sistemas. Contradizendo uma popu- tários legais, os acionistas, não têm real voz
lar falácia, não há nenhum caminho do meio, na gestão. Esta tarefa fica a cargo de adminis-
não existe um terceiro sistema possível como tradores profissionais. As empresas são tão
modelo permanente de ordem social3. Os ci- grandes que as funções e as atividades preci-
dadãos têm de escolher entre o capitalismo e sam ser distribuídas a departamentos e subdi-
o socialismo ou, como dizem muitos norte-a- visões administrativas. A gestão dos negócios
mericanos, entre o modo de vida americano e se torna necessariamente burocrática”.
o modo de vida russo. “Os atuais defensores da livre iniciativa
Neste antagonismo, quem ficar do lado são tão românticos quanto os que louvam as
do capitalismo deve fazê-lo de maneira franca artes e ofícios medievais. Equivocam-se total-
e direta. Deve apoiar de modo positivo a pro- mente ao atribuir a gigantescas corporações
priedade privada e a livre iniciativa. É inútil as qualidades que, outrora, representavam a
contentar-se com ataques a algumas medidas excelência de negócios de pequeno ou médio
destinadas a preparar o caminho para o socia- porte. Não há qualquer hipótese de se dividir
lismo. É inútil lutar contra meros fenômenos os grandes agregados em unidades menores.
concomitantes e não contra a tendência para o Pelo contrário, vai prevalecer a tendência a
totalitarismo como tal. É inútil insistir apenas uma maior concentração do poder econô-
na crítica ao burocratismo. mico. As grandes empresas monopolizadas
irão cristalizar-se em um rígido burocratis-
mo. Seus gestores, que não são responsáveis
III - A Visão “Progressista” diante de ninguém, irão tornar-se uma aris-
do Burocratismo tocracia hereditária; os governos se tornarão
meros fantoches de uma onipotente camari-
Os críticos “progressistas” do burocratis- lha de empresários”.
mo voltam seus ataques principalmente contra “É indispensável conter o poder desta
a burocratização das grandes empresas corpo- oligarquia gerencial por meios de atos do
rativas. Raciocinam da seguinte forma: governo. São infundadas as reclamações so-
“No passado, as empresas de negócios bre a arregimentação do governo. Do modo
eram relativamente pequenas. O empresário como estão as coisas, só se pode optar pelo
tinha condições de examinar todos os seto- controle por parte de uma burocracia geren-
res de sua empresa e tomar todas as decisões cial irresponsável ou pelo governo eleito da
importantes pessoalmente. Possuía todo o ca- nação”.
pital investido ou, pelo menos, a maior parte É evidente o caráter apologético de tal
dele. Ele próprio tinha um interesse vital no raciocínio. Os “progressistas” e defensores
sucesso da empresa. Assim sendo, devotava do New Deal respondem às críticas gerais
o melhor de si para fazer sua empresa tão efi- feitas à propagação do burocratismo gover-
ciente quanto possível e para evitar o desper- namental argumentando que a burocracia
dício”. não se limita apenas ao governo, mas que
se trata de um fenômeno universal presen-
te tanto nos negócios como no governo. Seu
3
Ver: MISES, Ludwig von. The Psychological principal motivo é “o tamanho avantajado
Consequences of Bureaucratization. In: Bureaucracy.
New Haven: Yale University Press, 1944. p. 93-108.
Esp. p. 96-97.
258 Introdução à Burocracia
te contra esses perigosos inovadores. Se não mitiriam utilizar seus dons. As modernas po-
conseguissem encontrar um homem capaz líticas atam as mãos dos inovadores de forma
de rivalizar com o recém-chegado para gerir tão completa quanto o sistema de guildas da
suas próprias empresas, teriam de fundi-las Idade Média.
com a dele e se renderem à sua liderança.
Hoje, porém, o imposto de renda ab-
sorve oitenta por cento ou mais dos lucros IV - O Burocratismo
iniciais do recém-chegado. Ele não consegue e o Totalitarismo
acumular capital; não consegue expandir seus
negócios; sua empresa nunca se tornará um Será demonstrado, neste livro, que são
grande negócio. Não é capaz de competir com muito antigos a burocracia e os métodos bu-
os antigos grupos de interesse. As empresas e rocráticos e que sua presença é obrigatória no
corporações mais antigas já possuem um ca- aparato administrativo de todo governo cuja
pital considerável. O imposto de renda e os soberania se estende por uma grande área.
impostos empresariais os impedem de acu- Os faraós do antigo Egito e os imperadores
mular mais capital, ao mesmo tempo em que da China construíram uma enorme máqui-
impedem o recém-chegado de acumular al- na burocrática do mesmo modo que todos os
gum capital. Ele é condenado a permanecer demais governantes. O feudalismo medieval
para sempre como uma pequena empresa. foi uma tentativa de organizar o governo de
As empresas já existentes estão resguardadas grandes territórios sem burocratas e méto-
contra os perigos que representam um re- dos burocráticos. Esses esforços fracassaram
cém-chegado de talento. Não são ameaçados redondamente, o que resultou em uma com-
por sua concorrência. Na prática, usufruem pleta desintegração da unidade política e na
de privilégios desde que se contentem com anarquia. Os senhores feudais, originalmen-
a manutenção de suas empresas nos ramos te apenas funcionários, e, como tal, sujeitos à
e no tamanho tradicionais6. Obviamente, seu autoridade do governo central, tornaram-se
desenvolvimento fica cerceado. O contínuo príncipes praticamente independentes, lutan-
sugar de seus lucros pelos impostos faz com do entre si de maneira quase contínua e desa-
que lhes seja impossível expandir seus negó- fiando o rei, os tribunais e as leis. A partir do
cios com seu próprio capital. É assim que se século XV, a repressão da arrogância dos vas-
origina a tendência para a rigidez. salos era a principal tarefa dos diversos reis
Em todos os países, todas as leis fiscais europeus. O Estado moderno foi construído
são hoje estabelecidas como se o principal sobre as ruínas do feudalismo. Substituiu a
objetivo dos impostos fosse impedir a acu- supremacia de uma multidão de pequenos
mulação de capital novo, bem como os apri- príncipes e condes pela gestão burocrática
moramentos que poderia obter. Esta mesma dos assuntos públicos.
tendência se verifica em diversas outras áreas Muito à frente nessa evolução, estavam
das políticas públicas. Os “progressistas” es- os reis de França. Alexis de Tocqueville (1805-
tão completamente equivocados quando se 1859) demonstrou como os reis Bourbon ina-
queixam da falta de liderança empresarial balavelmente visavam à abolição da auto-
criativa. Não são os indivíduos que escas- nomia dos vassalos poderosos e dos grupos
seiam, mas, sim, as instituições que lhes per- oligárquicos de aristocratas7. Neste sentido, a
Revolução Francesa só realizou aquilo que os
6
Este não é um ensaio sobre as consequências sociais e
econômicas da tributação. Assim, não há necessidade
de examinar os efeitos dos impostos sobre as heranças, 7
TOCQUEVILLE, Alexis de. The Old Regime and the
cujo impacto já é perceptível neste país há muitos anos, Revolution. Ed. François Furet e Françoise Mélonio;
enquanto os efeitos acima descritos do imposto de Trad. Alan S. Kahan. Chicago: University of Chicago
renda são um fenômeno recente. Press, 1998. [N. do E.].
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