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Processo de industrialização
Características da industrialização
A produção de mercadorias impõe determinadas características de uso, ocupação e
organização no espaço geográfico. Esse processo também concentra recursos e energia para
suprir as necessidades da população dos países, principalmente espaço urbano. O setor
secundário está diretamente ligado ao processo de industrialização. As indústrias são
classificadas em extrativas, de construção e de transformação, conforme a atividade
desenvolvida. A extração de recursos minerais, por exemplo, é de responsabilidade das
indústrias extrativas, cujos produtos podem ser utilizados por outras indústrias; as indústrias
de construção estão relacionadas à construção civil e à construção naval.
Além dos modelos apresentados, existem empresas que podem ser classificadas em indústrias
de transformação. Essas empresas transformam a matéria-prima em:
bens de produção: abrangem mercadorias como matérias-primas e equipamentos, os
quais serão utilizados em outras indústrias;
bens intermediários ou de capital: consistem em equipamentos, máquinas e matéria-
prima necessários para a produção de outras mercadorias, como motores e ferramentas;
bens de consumo: podem ser duráveis (eletrodomésticos, automóveis e móveis), não
duráveis (alimentos e bebidas) ou semi duráveis (vestuário e calçados).
A primeira fase do desenvolvimento é denominada artesanato, pois apenas uma pessoa, o
artesão, realiza o trabalho utilizando instrumentos manuais. A segunda fase é a manufatura,
técnica de produção também artesanal em que o trabalho é realizado por mais operários por
meio da divisão de tarefas, em que cada um pratica uma operação. A terceira fase, a
maquinofatura, possibilita a produção em menor tempo e maior volume, necessita menos
operários e demanda mais capital. A evolução de formas de produção do artesanato até a
maquinofatura ocorreu por meio das revoluções industriais.
O processo de industrialização ocorreu de três formas ou modelos diferentes, denominados
industrialização clássica, industrialização planificada e industrialização tardia. A
industrialização clássica ou tradicional ocorreu nos primeiros países que se industrializaram,
classificados, portanto, como desenvolvidos; Principais países de industrialização clássica são
Reino Unido, França, Estados Unidos da América, Alemanha, Itália e Japão. A industrialização
planificada foi implantada na União Soviética, no início do século XX, e aplicada em todos os
países que adotaram o modelo socialista soviético..
Reino Unido
A primeira revolução industrial teve origem no Reino Unido (Inglaterra, País de Gales, Escócia e
Irlanda do Norte), que apresenta as condições naturais e socioeconômicas ideais para o
processo de industrialização, como reservas de carvão mineral, predomínio do parlamento nas
decisões do governo, capital acumulado no período das Grandes Navegações, mão de obra
disponível, entre outras. No início desse processo, as indústrias se localizavam o mais
próximo possível das reservas de carvão mineral. De maneira geral, o setor industrial
inglês está relacionado à petroquímica (Mar do Norte), à química fina (com destaque para a
farmacêutica), a energia nuclear, à industria aeroespacial, aos equipamentos eletrônicos, aos
alimentos e às bebidas, à indústria automobilística, entre outros segmentos. A região de Londes
é a principal área industrial, contendo indústrias de tecnologia de ponta. A modernização é o
constante investimento em determinados fatores (vias de transporte, portos, aeroportos,
mão de obra, mercado consumidor etc.) contribuem para o processo de industrialização.
França
A França foi o segundo país a se industrializar, em decorrência de mudanças políticas que
consistiram na participação da burguesia nas decisões governamentais. A produção industrial é
diversificada, englobando tecnologia de ponta, indústrias automobilísticas, indústria
aeroespacial, siderúrgicas, petroquímicas e extração de ferro e principalmente carvão. A França
possui empresas de importação mundial no setor automobilístico, como a Renault, a Peugeot e
a Citroën, além de indústrias aeroespaciais, como a Airbus.
Estados Unidos da América
O processo de industrialização dos Estados Unidos da América está diretamente
relacionado à chegada de imigrantes ingleses que já haviam trabalhado com a produção
industrial e passaram a desenvolver essas atividades, principalmente na porção das Treze
Colônias. A riquesa de seus recursos mineirais contribuiu para que o setor se desenvolvesse,
possibilitando os EUA que figurassem entre as principais economias mundiais. Com o término
da Segunda Guerra Mundial e com a desestruturação socioeconômica da Europa, os EUA
despontaram no mundo capitalista e o setor industrial aumentou significativamente, o
mercado consumidor europeu necessitava de produtos. O governo investiu
significativamente nos setores econômicos relacionados ao setor industrial. A existência de
expressivas reservas de petróleo (principalmente no Texas), chumbo, cobre e níquel contribuiu
para que o setor Secundário estadunidensr de desenvolvesse e se mantivesse em destaque
mundial.
Alemanha
O processo de industrialização da Alemanha ocorre desde o século XIX, tendo passado por
diversas fases. As reservas de carvão fundamentaram a fase inicial, rios navegáveis
impulsionaram a segunda fase. Após a Segunda Guerra Mundial, Alemanha foi dividida em
dois territórios: República Federal da Alemanha (RFA) e República Democrática Alemã (RDA).
Tanto a República Federal da Alemanha como a parte Ocidental de Berlim foram
administradas por EUA, França e Reino Unido, recebendo investimentos para sua
reconstrução, incluindo setor industrial. Com o fim da Guerra Fria, simbolizado pela queda
do Muro de Berlim, os alemães e a comunidade internacional perceberam que as
realidades socioeconômicas entre esses dois territórios eram extremamente diferentes. O
Setor Secundário foi equiparado e a produção industrial alemã se destacou no comércio
internacional, tanto em relação à produção quanto no que diz respeito à tecnologia utilizada. A
produção industrial se destaca no setor automobilístico (Volkswagen, Mercedes-Benz, BMW,
etc) siderúrgicas e extração de petróleo, gás natural, ferro e carvão. A Alemanha importa
energia para alguns países, principalmente Rússia.
Itália
A industrialização na Itália ocorreu após sua unificação política, pois a falta de matéria-
prima e mercado consumidor, aliada à instabilidade político-administrativa, foi um fator que
atrasou esse processo. Após a Segunda Guerra Mundial, a Itália, com a reconstrução de suas
atividades (financiada pelo Plano Marshall), teve seu setor industrial intensificado. A
produção industrial está concentrada na região norte do país, com as indústrias
automobilísticas (Fiat, Ferrari e Pirelli), siderúrgicas, alimentícia ( Parmalat) e têxtil (Diesel e
Diadora). A Lombardia é região mais expressiva do setor industrial, tendo Turim, Milão e
Gênova como os principais centros.
Japão
A industrialização do Japão, iniciada na Era Meiji, foi caracterizada pela mordenização por
meio de investimentos no setor educacional e na infraestrutura. Destaca-se a implantação
de características do capitalismo, o que estimulou o desenvolvimento do setor industrial do
país. A estrada do Japão na Segunda Guerra Mundial paralisou seu desenvolvimento, pois seu
território foi parcialmente destruído. Com o final desse conflito, o país recebeu auxílio do Plano
Colombo (equivalente ao Plano Marshall na Europa), tinha como objetivo auxiliar os países-
membros na recuperação dos estragos da guerra. O Japão foi proibido de reorganizar suas
forças armadas e realizar qualquer investimento nesse setor. Ocorreu uma reforma política
em que os investimentos da área da educação e dos setores econômicos possibilitaram um
desenvolvimento rápido. Isso tornou o país uma das principais economias mundiais. As
características naturais desse arquipélago, como deficiência em recursos naturais,
atividades vulcânicas e instabilidade tectônicas (devido ao encontro de três placas
tectônicas: Euroasiática, Pacífica e Filipinas), não favorecem o setor industrial. As atividades
indústrias estão distribuídas em todo o território, com produção nas áreas de metalúrgica,
siderurgia, petroquímica, química, eletrônica (Canon, Panasonic, Sony), aeronáutica, naval,
automobilísticas (Toyota, Mitsubishi), mineração, entre outras. A robótica é uma indústria que
caracteriza a tecnologia de ponta japonesa. O Japão investe bastante na robótica, buscando
também soluções para a falta de mão de obra e o envelhecimento da população. Setor que
desenvolveu alta tecnologia para minimizar os problemas decorrentes da instabilidade
tectônica é o da construção civil, tanto em relação às residências quanto aos prédios comerciais
e industriais. Recebeu nome de engenharia antissísmica. O governo japonês investe muito no
desenvolvimento de tecnologias que minimizem as consequências dos terremotos.
Questões socioambientais e industrialização
O processo de industrialização ocorreu conforme as características naturais e político-
administrativas de cada país. A Revolução Industrial é considerada um marco na forma de
uso e ocupação do espaço geográfico, pois transformou as relações das sociedades com a
natureza, além de reorganizar as relações socioeconômicas entre os países. À medida que essa
revolução foi ocorrendo em cada país, eles tiveram de reorganizar estruturalmente o
próprio território, pois a população que residia no campo migrou para as cidades em
busca de trabalho assalariado. As cidades não tinham estrutura para receber uma
quantidade tão significativa de habitantes em pouco tempo. Em muitas cidades, a situação
sanitária de tornou um problema de grandes porções, agravadas pela poluição do ar devido
às atividades indústriais. Também tiveram de se reorganizar e melhorar os serviços
urbanos oferecidos à população. Parte da população não tinha condições financeiras para
morar nas regiões com melhor infraestrutura urbana, formando, assim, periferias. . As
questões ambientais foram ministradas em cada país, mas, de fato, as primeiras atividades
indústrias causaram problemas significativos no meio ambiente. A Revolução industrial
transformou a forma que o trabalho era realizado, de modo que passou a ser assalariado,
isto é, o trabalhador passou a receber financeiramente em troca do trabalho desenvolvido. No
início da industrialização, as condições de trabalho eram precárias, com jornadas diárias
superiores a 15 horas e salários baixos. Além disso, mulheres e crianças recebiam menos. Não
haviam leis trabalhistas, portanto os trabalhadores não tinham direitos além do início e do final
da jornada diária. Devido a essas características, diversos conflitos surgiram em diferentes
países. A partir de então, os trabalhadores se organizaram e passaram a reivindicar melhorias.