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Ebook Liberte Se de Relacionamentos Narcisistas Carolina Mueller PDF

O documento discute relacionamentos tóxicos e personalidades narcisistas. Ele fornece informações sobre o Fator Dark de Personalidade, traços sombrios como egoísmo e narcisismo, e como identificar abuso emocional e narcisistas. O documento também oferece dicas sobre como lidar com relacionamentos tóxicos e se recuperar do abuso.

Enviado por

VanessaGoncalves
Direitos autorais
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Levamos muito a sério os direitos de conteúdo. Se você suspeita que este conteúdo é seu, reivindique-o aqui.
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O documento discute relacionamentos tóxicos e personalidades narcisistas. Ele fornece informações sobre o Fator Dark de Personalidade, traços sombrios como egoísmo e narcisismo, e como identificar abuso emocional e narcisistas. O documento também oferece dicas sobre como lidar com relacionamentos tóxicos e se recuperar do abuso.

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eBook

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Índice
Introdução......................................................................................03
Perfurando o Véu........................................................................07
O Fator Dark de Personalidade (FDP)................................11
FDPs ou Narcisistas?..................................................................12
Os 9 Traços Sombrios do Fator D.......................................14
Desengajamento moral.................................................................14
Egoísmo............................................................................................14
Narcisismo........................................................................................15
Privilégio psicológico.......................................................................15
Sadismo...........................................................................................16
Maquiavelismo................................................................................16
Egocentrismo...................................................................................17
Perversidade....................................................................................17
Psicopatia........................................................................................18
Ganância.........................................................................................18

3 Atitudes Tóxicas do FDP.......................................................19


D: utilidade pessoal a todo custo........................................20
A Personalidade pode mudar?...............................................21
Como identificar o FDP............................................................22
3 Regras ao Identificar o FDP................................................23
Os 4 Fatores de Vulnerabilidade.........................................24
O que é Abuso Emocional?.....................................................26

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Os Sinais de Abuso Emocional..............................................28
Bandeiras vermelhas no(a) abusador(a).......................................28
Sinais de abuso emocional na vítima............................................29

A Dinâmica Narcisista...............................................................30
Como Identificar Narcisistas.................................................34
Os 6 Principais Arquétipos Narcisistas.........................................35
1. O Narcisista Grandioso........................................................36
2. O Narcisista Encoberto, Enrustido ou Vulnerável.........37
3. O Narcisista Maligno.............................................................38
4. O Narcisista Comunitário....................................................39
5. O Narcisista Negligente.......................................................40
6. O Narcisista Presunçoso.....................................................41

Recuperação do Abuso Narcisista......................................42


As Sequelas do Abuso Narcisista.................................................42
Como regular as suas emoções....................................................43
Exercício: A Prática Diária..............................................................43
Cuidado com o Spiritual Bypass...................................................47
E se eu ficar no relacionamento FDP?.........................................48
E se eu terminar o relacionamento FDP?....................................50
Passo a Passo para Sair do Relacionamento Narcisista..........52
Passo 1: Reconhecimento.......................................................53
Passo 2: Recuperação..............................................................53
Passo 3: Reconexão..................................................................54
Passo 4: Ajuda Profissional.....................................................54

Palavras Finais...............................................................................55
Referências......................................................................................56

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Introdução
"Pessoas boas merecem coisas boas."
Você acredita na frase acima? Por muito tempo, relacionamentos tóxicos
passaram debaixo do meu radar. Eu achava que por ser honesta,
benevolente e sempre pronta a contribuir positivamente, o mundo me
retribuiria com a mesma generosidade. As pessoas não teriam motivos
para ter algo contra mim, nem me desejar mal, muito menos me explorar.
Eu descobri, de forma tardia, penosa e cruel, que isso não poderia estar
mais longe da verdade. Não é assim que o mundo funciona. Uma coisa é
merecer coisas boas, a outra é estar, de fato, rodeado de pessoas boas.

Para poder reconhecer e me proteger de personalidades tóxicas, eu


precisei me despedir de uma inocência tóxica. Nem todo mundo tem boas
intenções, nem todo mundo é justo e nem está preparado a se desenvolver
como pessoa consciente e pró-social. Mas, eu não contava com isso. Eu
assumia que, assim como eu, todo mundo estivesse interessado em
autoconhecimento e equidade. Achava que maldade, egoísmo e inveja
eram coisa de filme e não de pessoas que estavam à minha volta.

Eu terminei o meu Mestrado em Psicologia Clínica e Organizacional na


Faculdade de Viena, Áustria e me formei em Coaching de Programação
Neurolinguística. Já estava atuando na área, meus clientes estavam tendo
resultados positivos e eu estava crescendo. Eu tinha a carreira dos meus
sonhos, estava noiva, tinha amigos, um apartamento de revista e morava
em uma das cidades mais belas da Europa. De fora, a minha vida parecia
perfeita. O que mais eu poderia pedir? Eu não entendia porque
exatamente, mas, a verdade é que algo me corroía por dentro.

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Eu trabalhava o dia todo no meu home office, motivada e feliz. Mas, assim
que ia caindo a noite e era hora do meu então noivo terminar o trabalho no
escritório, uma ansiedade horrível começava a tomar conta de mim. Eu já
sabia que uma de duas opções estaria inevitavelmente prestes a acontecer:
1) ele não viria para casa direto do trabalho, mas não daria informação
alguma de quando viria e nem de onde estaria; ou

2) ele viria furioso, me dando o tratamento de silêncio, reclamando de


alguma incompetência minha no âmbito dos cuidados com o lar, ou
preparos inadequados para o jantar.

Era toda a noite a mesma coisa. Eu queria preparar o jantar para ele. Eu
sempre adorei cozinhar. Porém, nunca obtinha uma resposta além de: "Não
sei quando vou chegar". Então, eu tentava adivinhar se ele viria, quando ele
viria e o que ele gostaria de comer. Na maioria das vezes, eu errava.
Acabava com a janta fria e ele chegando tarde da noite, sem fome. Ou eu
acabava já tendo comido e ele chegava faminto, somente para se
decepcionar com os restos da janta fria e a minha má escolha do prato.

Essa era só a ponta do iceberg. Já tínhamos passado por fases muito


piores. Eu achava essa dinâmica insuportável. Eu não conseguia entender
por que era tão difícil coordenar uma simples janta em casa com ele. Ele
me fazia de incompetente, ciumenta e controladora por querer saber que
horas ele viria. Isso me frustrava e me enfurecia. Ele me fazia pisar em ovos,
desprezava tudo o que eu fazia e sabotava todas as minhas tentativas de
criar um ambiente harmônico e de conexão. E eu buscava coisas em mim
que eu pudesse, de fato, melhorar. Afinal, estávamos prestes a nos casar e
a (falta de) saúde do nosso relacionamento me preocupava muito. Se agora
era assim, imagine após casados? Me parecia uma receita para o desastre.

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Por muito tempo, eu considerei a ideia de que a incompetência
interpessoal fosse minha. Como era possível eu ter estudado tanto sobre
psicologia e desenvolvimento pessoal, mas ser incapaz de entender o meu
futuro marido? O que ele queria? O que ele precisava para ser feliz? Qual
era o real problema por trás dos nossos problemas? Eu estava perdida,
sem saber o que fazer.

O mais confuso era que ele, apesar de tudo, continuava jurando amor por
mim, frequentemente perguntava sobre os preparativos para o casamento,
me elogiava na frente dos amigos, postava inúmeras fotos nas redes,
declarando o nosso amor. Me celebrava publicamente e todo mundo
babava.

Mas, no dia a dia, em viagens, no passeio de fim de semana, em casa,


quando estávamos só nós dois, ele parecia desinteressado, impaciente,
enjaulado. Ficava grudado no celular, desesperadamente buscando contato
com outras pessoas, ou postando selfies com descrições como se estivesse
passando o melhor momento da vida dele, enquanto, offline, me ignorava.
Era como se ele tivesse um relacionamento imaginário comigo, enquanto a
minha versão ali, presente na realidade, parecia insuportável e falha.

Essas incongruências me deixavam muito confusa e deprimida. Não fazia


sentido para mim. Por que agia tão frio, distante e insatisfeito comigo e, ao
mesmo tempo, posava para os outros como se tivéssemos o melhor
relacionamento do mundo? E o pior: todo mundo acreditava. Amigas me
diziam que o meu relacionamento era uma meta para elas. Que eu tinha
sorte de ter encontrado ele. Mas, eu não me sentia sortuda. Me sentia só.
Achava que o defeito era meu e estava fazendo de tudo para melhorar as
coisas e me tornar a pessoa dos sonhos dele.

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Fato é que coisas nem sempre tinham sido assim. No começo do namoro,
ele era presente, parecia contente, apreciava cada momento e se esforçava
por ser encantador. Era detalhista, romântico, bem-humorado, carismático
e animado. Eu também tinha mudado. A minha autoestima estava por
terra, eu tinha me perdido. Eu não era mais eu. Era óbvio que ele não
gostava mais de mim. Eu também não gostava mais de mim.

Eu via que ele, muitas vezes, se comportava de uma forma que minava a
minha confiança nele. Mas, eu achava que a responsabilidade de melhorar
as coisas e ajudar ele a perceber o que estava acontecendo era minha. Eu
deveria ser mais assertiva e mostrar a ele como ter boa comunicação e
respeito mútuo. Eu acreditava que ele não agia de má fé ou por falta de
carinho por mim e, sim, por falta de consciência. Eu achava que se ele
entendesse que aquilo me machucava, ele pararia de agir daquela forma.
Só que ele nunca me escutava.

Tentei de tudo: livros, workshops de relacionamento, terapia de casal,


conversar, mas ele escapava. Não se abria, não se comunicava, não
permitia diálogo e o pior, não mudava. Rendida por fim, após 7 anos
lutando em vão e convencida de que não tínhamos futuro, tentei me
separar dele. Ele implorou que eu ficasse. Disse que mudaria, parecia
entender. Tentei ficar mais um tempo. Mas, o final da história você já deve
imaginar: absolutamente nada mudou, só piorou.

Na verdade, as coisas pioraram tanto que finalmente colapsei.


Desesperada, liguei para uma amiga e contei tudo. Em choque, pois ela não
imaginava o que eu estava vivendo, ela me disse: "Amiga, ele é um
narcisista". Ela tinha experiência com narcisistas e a dinâmica que descrevi
ficou óbvia para ela.

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Perfurando o Véu
Narcisista. Eu já tinha estudado o termo na psicologia clínica: Transtorno de
Personalidade Narcisista. No Manual Diagnóstico e Estatístico dos
Transtornos Mentais (DSM) consta que o transtorno é marcado por uma
crença persistente na própria grandiosidade, necessidade de admiração e
falta de empatia em pelo menos cinco dos seguintes contextos:

1. Tem uma noção grandiosa da própria importância (ex., exagera


conquistas, espera ser reconhecido como superior sem que tenha as
devidas conquistas).
2. Fica absorto em fantasias de sucesso ilimitado, poder, inteligência, beleza
ou amor ideal.
3. Acredita ser “especial”, que pode ser somente compreendido por, ou
associado a, outras pessoas (ou instituições) especiais.
4. Demanda admiração excessiva.
5. Apresenta uma noção de possuir direitos incontestáveis, como
expectativas irracionais de tratamento vantajoso ou submissão
inquestionável relativa às suas expectativas.
6. É explorador em relações interpessoais e tira vantagem dos outros para
atingir os próprios fins.
7. Tem falta de empatia e se recusa a reconhecer ou identificar-se com as
necessidades alheias.
8. Fica frequentemente com inveja dos outros ou acredita que os outros
sentem inveja sua.
9. Demonstra comportamentos e atitudes arrogantes e condescendentes.

Em retrospectiva, parece óbvio. Mas, nada me preparou para

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reconhecer a dinâmica narcisista e nem os sintomas de estar em um
relacionamento tóxico. Não ensinam isso na universidade. Nada me
preparou para ser bombardeada de amor e atenção no início do
relacionamento para que isso, depois, fosse alternado com desprezo e
punição em ciclos repetitivos, criando assim um vínculo traumático.
Uma espécie de vício ou dependência emocional extremamente resistente
e tóxica.

Nada me preparou para vivenciar o extremo desconforto, estresse e


ansiedade causados pela dissonância cognitiva de, por um lado,
acreditar que alguém me amava e, por outro, experienciar falta de
empatia e falta de respeito dessa pessoa. E o pior: ser manipulada para
acreditar que a responsabilidade e a culpa fossem minhas.

Nada me preparou para me tornar cada vez mais isolada de amigos e


familiares e começar a duvidar da minha realidade conforme eu a
experienciava. "Se era tudo tão perfeito como ele fazia parecer publicamente,
então por que eu me sentia tão sozinha, desolada, deprimida e desconfiada ao
lado dele?" Confusão mental.

Nada me preparou para me esquecer de quem eu era, me envergonhar


de quem eu tinha me tornado e perder tudo que achei que tivesse
construído. Nada. Eu estava perplexa.

Narcisista. Então, era isso? E eu me martirizando esse tempo todo?


Incrédula, eu falei com a minha terapeuta, a mesma da terapia de casal e,
sem confirmar abertamente por motivos éticos, ela confirmou: "A senhorita
é psicóloga clínica, não é? Então sabe do que está falando." O meu estômago
caiu. Em uma velocidade incrível, comecei a revirar a internet, devorar

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livros, vídeos, podcasts tudo que existisse sobre o tema. De fato. Estava
claro como a luz do dia: Narcisista.

Por um lado, eu sentia o horror da realidade que eu estava descobrindo.


Por outro, era fascinante: agora tudo fazia sentido! Óbvio que eu estava
deprimida, com a autoestima no lixo, desesperada, isolada e confusa.

É claro que o meu relacionamento não tinha futuro. Nunca teve. Os


tratamentos de gelo, as distorções, a manipulação, incapacidade de se
responsabilizar e de se comunicar de forma sincera e honesta, o futuro
fantasiado. Era tudo uma farsa, porque ele era uma farsa. Uma falsa
versão de si mesmo. Um narcisista. E, tristemente, durante aqueles anos, eu
me tornei uma falsa versão de mim mesma, também.

Após essa revelação, eu encerrei tudo com ele. Em poucos dias, ele já
estava fora do apartamento. Mas, esse foi só o começo de uma longa
jornada de autoconhecimento e retorno para mim mesma. Eu precisava
entender e processar tudo que tinha realmente acontecido e precisava me
reinventar. Não digo que foi um processo fácil, nem rápido. Mas, aqui
estou para contar a minha história de sobrevivência, para compartilhar o
conhecimento que me libertou de relacionamentos tóxicos e que para
sempre mudou a minha vida.

Existe uma vida plena após relacionamentos difíceis com pessoas


narcisistas ou antagônicas. Tudo começa com o conhecimento sobre as
dinâmicas e personalidades tóxicas, autoanálise e a coragem de renunciar
a uma fantasia falsa para se reencontrar no aqui e agora.

Por trás de atitudes tóxicas persistentes, resistentes à mudança, se

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encontra pelo menos um traço de personalidade sombrio. Se alguém
continua tendo comportamentos que te causam dor mesmo depois de
inúmeras tentativas de explicar e pedir para a pessoa corrigir estas atitudes
ou comportamentos, pode ter certeza: não é sem querer ou sem
consciência. É porque essa pessoa não se importa, ou, em alguns casos, até
gosta de causar dor aos outros.

Como veremos a seguir, algumas pessoas têm o Fator Dark de


Personalidade (FDP) e isso faz com que essas pessoas não tenham
interesse em corrigir seus comportamentos antagônicos, egoístas ou
abusivos. Elas sabem o que fazem e não se importam.

O conhecimento que você irá acessar ao longo deste eBook tem o


potencial de transformar e até salvar vidas. As informações aqui contidas
são fruto de muita pesquisa e reflexão das minhas próprias vivências em
não só um, mas em diversos relacionamentos tóxicos que eu já vivenciei
até me libertar definitivamente da atração desta dinâmica tóxica.

A primeira parte do eBook tem como foco um embasamento teórico que


explica personalidades tóxicas. Em seguida, eu te mostro como identificar
pessoas tóxicas e por fim, mostro como você pode se proteger desses
relacionamentos tóxicos.

Adicionalmente, eu incluí o passo a passo com uma das minhas


ferramentas favoritas para regulação emocional. Isto é, para você se
estabilizar e se fortalecer psicologicamente em preparo para a sua
libertação. Aja de forma cautelosa e preserve sempre a sua segurança. Este
eBook deve ser um guia, mas não substituto para psicoterapia ou ajuda
médica e legal.

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Fator Dark de Personalidade (FDP)
O Fator Dark de Personalidade (FDP), ou Fator D, é um novo modelo da
psicologia que explica os 9 traços sombrios (gráfico abaixo) que estão por
trás de comportamentos ética, moral e socialmente questionáveis.
(Moshagen, Hilbig, & Zettler, 2018)

psicopatia

o
ral ent
pe

mo ajam
rve
rsi

g
sen
da

D egoísmo
de
de

egocent
rismo

mo nar
e l i s cisi
aqu
iav smo
smo
psicol
privilé gico

m
sadi

ó
gio

O Fator D é um espectro de características fixas de personalidade que


podem ser mais ou menos pronunciadas em diferentes pessoas. Quanto
mais pronunciado for qualquer um desses traços, mais alto é o Fator D e
mais tóxica se torna a pessoa. Abreviaremos esse tipo de personalidade
de FDP.

FDPs tentam maximizar seus próprios ganhos sem se importar com as


possíveis consequências adversas para os outros. Tendem a desrespeitar,
tolerar ou provocar danos a outros. Ao mesmo tempo, desenvolvem
crenças que justificam isso (ex. "Eu mereço ter o que quero."), mesmo
tendo um impacto prejudicial nas pessoas.

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FDPs ou Narcisistas?
É comum chamarmos pessoas egoístas, exploradoras, egocêntricas e
tóxicas simplesmente de Narcisistas. E isso não está errado, pois
narcisismo não é necessariamente um diagnóstico, e sim, uma
característica de personalidade sombria que faz parte de um quadro
psicologicamente nocivo para quem convive com esse tipo de pessoa.

Começamos a perceber que existem muitos tipos de narcisistas. Por isso,


diversos arquétipos de suas variantes foram criados, os principais sendo: 1)
Narcisista Grandioso; 2) Narcisista Encoberto ou Enrustido; 3) Narcisista
Maligno; 4) Narcisista Comunitário; 5) Narcisista Negligente; e 6) Narcisista
Presunçoso. Mais adiante, iremos analisar cada um deles.

Falar dos diferentes tipos de narcisistas é importante, pois isso nos ajuda a
reconhecer pessoas tóxicas em suas diferentes apresentações. Afinal, nem
sempre são as pessoas mais exibidas, convencidas e barulhentas do
pedaço. Às vezes, se apresentam como vítimas fracas e inócuas, mas, nem
por isso, são menos manipuladoras, exploradoras e abusivas.

O perigo é nos apegarmos aos arquétipos narcisistas "Será que essa pessoa
é, ou não é, narcisista?". Torcemos para que não se encaixe exatamente no
perfil, pois, na nossa cabeça, isso significaria que o relacionamento ainda
poderia ser salvo. Poderia melhorar. Qualquer inconsistência pode trazer
esperanças falsas quando queremos o alívio de constatar que a pessoa não
é 100% narcisista. Só que, por menor que seja, uma gota de excremento na
sopa é mais do que suficiente para torná-la 100% tóxica.

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Os 9 traços sombrios do Fator D são mais facilmente reconhecíveis do
que os tipos de narcisismo e, por isso, ajudam na identificação de pessoas
tóxicas. Não é necessário encaixar alguém perfeitamente em um arquétipo
complexo. Basta que alguém demonstre, consistentemente,
comportamentos ou atitudes de pelo menos 1 dos 9 traços sombrios para
que um relacionamento com essa pessoa seja tóxico.

Outro motivo de eu recomendar que você use os 9 traços sombrios do


Fator Dark de Personalidade para se orientar, é que o Fator D tem como
foco comportamentos e atitudes tóxicas. Repito: não é preciso encaixar uma
pessoa em um modelo de estrutura de personalidade para ter certeza
se ela é tóxica ou não. Tanto faz se ela é mais narcisista e menos egoísta,
ou mais sádica e menos maquiavélica. Tanto faz se ela se apresenta como
rei ou miserável. Como salvador ou dominador. O que importa é o dano
que o FDP causa, ao longo prazo, à sua saúde mental, emocional e
física.

Qualquer um dos 9 traços sombrios, em qualquer quantidade, representa


o excremento na sopa. A sopa pode ser divina, cara, promissora e até ter
um cheiro delicioso. Mas, se você detectar qualquer quantidade minúscula
de excremento nela, é melhor não arriscar tomar. Concorda?

Em relacionamentos, deixar de tomar a sopa infectada nem sempre


significa cortar contato com a pessoa FDP. Às vezes, encerrar um
relacionamento tóxico não é possível por motivos financeiros, familiares,
de segurança, culturais, ou religiosos. Mas, existem formas de você se
proteger e se reerguer, independentemente de você sair ou não de um
relacionamento FDP. Para isso, o primeiro passo é conhecer os 9 traços
sombrios.

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Os 9 Traços Sombrios do Fator D
A seguir, você irá conhecer os 9 traços sombrios de personalidade que
podem aparecer em qualquer proporção. Basta um deles ser identificado
em alguém para que você considere essa pessoa como sendo tóxica.

1. Desengajamento moral
Pessoas que não consideram as implicações morais e éticas de suas ações.
A pessoa demonstra comportamentos antiéticos como mentir, roubar,
enganar, explorar, etc. sem sentir culpa.

2. Egoísmo
Preocupação excessiva com o próprio prazer ou vantagem em detrimento
do bem-estar da comunidade: "Tudo só para mim."

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3. Narcisismo
Um sentimento generalizado de superioridade e grandiosidade, com a
crença de que se tem o direito de usar ou até maltratar outras pessoas,
para conseguir o que se deseja. Pessoas narcisistas precisam de constante
reforço do ego em forma de adulação, bajulação e atenção.

4. Senso de direito psicológico


A crença de que se merece ter mais e ser tratado melhor do que as outras
pessoas. Uma sensação estável e generalizada de que se tem direito a mais
do que outros. Pessoas com um senso de direito psicológico exigem
tratamento especial e reconhecimento, mesmo sem terem feito nada para
merecer isso.

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5. Sadismo
Comportamento insensível, cruel ou degradante no qual as pessoas
infligem dor, sofrimento físico ou psicológico a outras pessoas para exercer
poder, por diversão ou prazer. Esse é um dos principais componentes
sombrios presentes em predadores sexuais e serial killers, mas não é
exclusivo deles. Uma pessoa pode ser sádica de outras formas, sem abusar
sexualmente e sem matar as vítimas.

6. Maquiavelismo
Uso deliberado de engano e manipulação para conseguir o que se quer.
Pessoas maquiavélicas são insensíveis, calculistas e estratégicas para
conseguirem o que desejam, ainda que isso cause desvantagens ou danos
a outras pessoas. Não sentem pena nem culpa por isso.

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7. Egocentrismo
Obsessão por ganhos e ascensão em domínios socialmente valorizados,
incluindo a aquisição de bens materiais, status social, reconhecimento,
realizações acadêmicas ou ocupacionais e felicidade. Pessoas egocêntricas
gostam de se exibir e ostentar. Isso faz com que essas pessoas se sintam
superiores ou pela sua beleza física, dinheiro, poder, posses, inteligência ou
até sofrimento, santidade e espiritualidade.

8. Perversidade
Pessoas perversas se comportam de forma a prejudicar outras pessoas,
muitas vezes com fins de vingança, mesmo quando isso fere os outros e/ou
também prejudica a si mesmas. Perversidade é um impulso de destruição
gratuita: "Se eu não posso ter algo que eu quero, ninguém mais pode."

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9. Psicopatia
Psicopatas sentem poucas emoções e de forma muito rasa. As suas
características principais são a falta de empatia e impulsividade. Isso
frequentemente resulta em um desvio antissocial persistente e
comportamento criminoso. Psicopatas têm um profundo desrespeito por
outras pessoas e se considerem superiores a todos.

+ Ganância
Ganância não está na lista original do Fator D estudado por Moshagen et. al
(2018) mas está frequentemente presente entre FDPs. Ambição, cobiça ou
desejo intenso, desproporcional por bens e riquezas vêm atrelados a
comportamentos amorais a antiéticos, com consequências negativas para
outras pessoas ou para a sociedade em geral.

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3 atitudes tóxicas centrais do FDP
1) Ter foco único na maximização da utilidade (ganho) pessoal, que
envolve fazer tudo o que for necessário para obter o que se deseja. O
desejo e necessidades dos outros não interessam.

2) Propositalmente fazem coisas que interferem nos objetivos de


outras pessoas, sabotam e causam-lhes sofrimento ou as machucam
fisicamente.

3) Têm crenças que justificam suas ações malévolas, como acreditar que
são superiores a outras pessoas ou que têm o direito de conseguir o que
desejam. (Moshagen et al., in press)

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D: utilidade pessoal a todo custo

Utilidade aqui refere-se à realização de objetivos. Para pessoas com fator


D alto, a maximização da utilidade é buscada, apesar de contrariar os
interesses dos outros ou trazer consequências negativas para os outros.

A utilidade nesta definição não se refere à maximização da utilidade inócua


para os outros – como praticar esportes para melhorar a saúde. Pessoas
com alto fator D são egoístas, mas nem sempre são pouco cooperativas,
pois podem ser muito estratégicas ao escolher quando cooperar.

Por se tratar de um espectro, existem diversas combinações e graus na


manifestação dos 9 traços sombrios. Cada traço pode ser mais ou menos
pronunciado em diferentes pessoas.

Por exemplo, é possível ser egoísta, narcisista e maquiavélico sem


apresentar um sadismo tão pronunciado. Essa pessoa é tóxica e não é
necessário um diagnóstico clínico para perceber ou categorizar
comportamentos antagônicos associados a esses traços. Quem tem um
traço sombrio pronunciado, geralmente tem os demais traços D elevados
também.

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A personalidade pode mudar?
Na psicologia, a personalidade é definida como “diferenças individuais nos
padrões característicos de pensamento, sensação e comportamento”. A
personalidade de uma pessoa se desenvolve na infância e se consolida
desde o final da adolescência até a chegada da vida adulta.

Alguns aspectos da nossa personalidade são mutáveis enquanto outros


permanecem estáveis durante a vida toda. É possível desenvolver certas
características que desejamos e alterar ou eliminar comportamentos que
julguemos indesejados. O meio ambiente também poderá causar
alterações na forma como nos comportamos. Quando há pequenas
mudanças de personalidade em uma pessoa, elas tendem a ocorrer de
forma consciente e intencional (Wagner, et al., 2020). Isto é, a nossa
disposição pode mudar dependendo das circunstâncias de vida ou atitude,
mas a nossa essência e temperamento permanecem iguais.
(Rubianes, 2020)

É importante saber que os traços de personalidade sombrios são


especialmente resistentes a mudança, pois as pessoas que possuem um
alto grau do fator D não percebem isso como sendo algo negativo. Elas
justificam seus comportamentos através de crenças que fazem elas se
convencerem de que têm o direito de agir de forma destrutiva e cruel.
Pessoas com fator D não mudam porque elas não vêm vantagem pessoal
em abandonar esses traços sombrios e comportamentos egoístas e
perversos.

Enquanto você acreditar que elas podem mudar, você permanecerá


vulnerável ao abuso delas.

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Como identificar o FDP
Alguns comportamentos do cotidiano podem parecer inofensivos, sem
querer ou situacionais. Porém, por baixo deles se encontra uma
estrutura psicológica sombria. Esses comportamentos são apenas a
ponta visível do iceberg da personalidade com fator D. Para identificar
o FDP, preste atenção em comportamentos e atitudes negativos,
destrutivos e consistentes (que não mudam).

Ex. Namorado que sempre elogia


fotos de outras mulheres nas redes
para causar ciúmes.

Ex. Sabotar colegas de Ex. Achar graça de uma


trabalho para ter cena de filme onde
alguma alguém inocente é
vantagem. comportamentos espancado.

estrutura psíquica

D
psicopatia privilégio
psicológico

egoísmo
maquiavelismo
narcisismo
egocentrismo
desengajamento
moral perversidade
sadismo
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3 regras ao identificar o FDP
Regra Nº 1
Observe o comportamento das pessoas mais do que aquilo que elas
dizem. Até a pessoa mais perversa e sádica tem seus motivos, ou
justificativas para seu comportamento maléfico. Porém, lembre-se: NADA
justifica manipulação, exploração e crueldade.

Se alguém acha graça na desgraça alheia, se comporta consistentemente


para manipular ou causar dano psicológico, ou físico a você (ou outras
pessoas) ou a sabotar as suas metas (ou de outros) isso já é sinal
suficiente para identificar essa pessoa como sendo do espectro de
personalidade de traços sombrios.

Regra Nº 2
Pessoas do espectro sombrio NÃO mudam. Essas pessoas percebem
vantagens em serem assim, não se importam com o sofrimento alheio e
possuem crenças fixas que justificam os seus comportamentos tóxicos.

Regra Nº 3
Se você identificar alguém como sendo do espectro D, não confronte essa
pessoa com isso, pois provavelmente essa pessoa irá tentar te fazer
acreditar que você se enganou, que a acusação é uma injustiça, que a culpa
é sua ou que o FDP é, na verdade, você.

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Os 4 Fatores de Vulnerabilidade
1. Honestidade
Pessoas que não sabem do Fator D, pessoas
boas, honestas e inocentes geralmente não
imaginam que pessoas à volta possam ter uma
estrutura de personalidade tão sombria. Isso
torna essas pessoas vulneráveis às
manipulações e exploração por FDPs.

2. Lealdade
Lealdade é uma virtude belíssima. Porém, o
problema de pessoas leais, sobreviventes de
abuso por FDPs, é que até o pensamento de
considerar uma pessoa querida como podendo
ser traiçoeira, mentirosa, manipuladora e
antiética soa como um ato desleal.

Por isso, pessoas leais evitam julgamentos e buscam alguma razão lógica
ou justificativa moralmente plausível pelo mau comportamento de FDPs do
seu suposto círculo de confiança.

Infelizmente, manter este nível de lealdade é um fator de vulnerabilidade,


pois faz com que você não enxergue o que está realmente acontecendo
debaixo do seu nariz: desrespeito, manipulação, exploração e/ou abuso por
FDPs.

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3. Justificação crônica
Justificação é um conjunto de argumentos em
defesa ou em favor de alguém. O problema de
justificar os comportamentos antagônicos de
uma pessoa sem boas intenções é que ela se
torna cada vez mais forte e você cada vez mais
vulnerável. É preciso reconhecer a
responsabilidade de pessoas adultas e autônomas pelos seus atos. Se você
deixar de reconhecer isso, as suas justificativas pelo mau comportamento
dos outros tornarão você incapaz de se defender ou de se remover de
situações tóxicas e injustas.

4. Traumas passados
Um dos fatores de maior vulnerabilidade em
relação ao abuso por FDPs é ter sido vítima de
abuso no passado. Se você cresceu em um
ambiente traumático, com pais ou cuidadores
com traços sombrios, você foi treinado(a) para
achar que manipulação e abuso são normais,
ou até mesmo que você merece sofrer.

Ninguém merece viver sob circunstâncias emocionalmente abusivas (ou


qualquer outra forma de abuso). Isso pode tornar situações tóxicas mais
difíceis de serem reconhecidas. Por isso, traumas passados representam o
maior fator de vulnerabilidade aos FDPs.

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O que é Abuso Emocional?

"A melhor forma de evitar que um prisioneiro escape é garantindo


que ele nunca descubra que está na prisão."
- Fyodor Dostoevsky

O abuso emocional é um mecanismo de defesa instintivo, porém tóxico,


em pessoas com fator D. É como FDPs controlam, exploram e treinam as
suas vítimas a agirem exatamente como eles querem, com a menor
probabilidade possível de escaparem. FDPs criam uma "bolha de fantasia"
que faz você acreditar que tudo é maravilhoso e que você tem muita sorte
de estar neste relacionamento. Tudo que é ruim é culpa sua. Para manter a
harmonia depende 100% de você se comportar da forma "correta".

O abuso emocional causa uma condição chamada vínculo traumático. O


vínculo traumático é uma poderosa atadura ao abusador. Ele faz você
somente lembrar as coisas boas e esquecer as partes doloridas de um
relacionamento. Conviver com uma pessoa FDP significa viver em uma
montanha-russa de emoções, com fases de bombardeio de amor
intercaladas com

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fases de punição. Esse é um mecanismo psicologicamente viciante que
condiciona o seu cérebro a antecipar as fases boas e fazer qualquer coisa
para tentar evitar as fases ruins na sequência.

Abuso emocional é uma das formas mais difíceis de se reconhecer,


principalmente porque a própria vítima nega para si e para os demais o
que está acontecendo. Esta forma de abuso é encoberta e sutil, pois
acontece em forma de atitudes e palavras. Pode ser por parte do cônjuge,
namorado(a), pais, cuidadores, chefes, colegas de trabalho ou amigos.

Pessoas FDP usam o abuso emocional para controlar alguém, usando as


emoções para causar vergonha, medo e para manipular. Também é uma
forma de rebaixar, isolar e silenciar a outra pessoa, pois esta muitas
vezes se sente presa, abandonada e indigna. Isso fortalece e mantém o
ciclo do abuso.

A vítima de abuso emocional frequentemente não sabe onde buscar ajuda


ou com quem falar. Por isso, ela acaba permanecendo na situação e
ficando cada vez mais fraca.

Existem duas principais formas de exercer abuso emocional:

1) Gaslighting é quando o(a) abusador(a) propositalmente nega e distorce


a realidade da vítima, frequentemente, fazendo-a de louca. Isso aumenta a
falta de autoconfiança, confunde a vítima e faz com que ela se questione e
tenha dificuldade em tomar decisões e ações de autoproteção.

2) Projeção ocorre quando alguém transfere a sua responsabilidade, culpa


ou vergonha para outra pessoa.

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Os Sinais de Abuso Emocional

O abuso emocional pode ser encoberto, porém, existem alguns sinais


clássicos de que você está em um relacionamento emocionalmente
abusivo, ou tóxico.

Bandeiras vermelhas no(a) abusador(a)

Controle e isolamento: cria caso ou proíbe a vítima de ir a certos


lugares e falar com certos amigos e/ou familiares;
Manipulação ou gaslighting: deixa a vítima insegura do que está
realmente acontecendo, mente, distorce os fatos;
Nunca se responsabiliza ou admite culpa: coloca a culpa de tudo
na vítima e projeta seus defeitos nela;
Parede de pedra (stonewalling): dá o tratamento do silêncio (ou de
gelo) na vítima, ignora ou demonstra desdém;
Retém emoções: quando alguém não demonstra reação emocional
alguma para punir e desestabilizar;
Bombardeio de amor: intercala o abuso com fases de atenção,
elogios, ou presentes e adoração intensos;
Sentimentos obsessivos ou possessivos: objetificação.

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Sinais de abuso emocional na vítima
Nega o que está acontecendo (para si e para outras pessoas) e finge
que está tudo bem no relacionamento;
Se sente confusa com relação ao que está acontecendo, não consegue
acreditar que a outra pessoa é tão má;
Tem medo de expor a situação ou contrariar a pessoa;
Se sente indefesa, presa e condenada a aceitar o que vem;
Tem pesadelos com frequência;
Dificuldade para se concentrar;
Tensão muscular, dores de cabeça;
Mudanças de humor;
Vergonha de admitir o abuso;
Ansiedade e/ou pânico;
Desregulação emocional;
Estresse Pós-Traumático Complexo;
Flashbacks (memórias negativas intrusivas);
Psicose;
Abuso de substâncias;
Ideação suicida;

Uma vez que percebem o abuso, vítimas levam em média 7 tentativas


de término de relacionamento até saírem de vez. Às vezes, largar a pessoa
FDP pode representar perigo de vida.

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A Dinâmica Narcisista
Através da intercalação entre fases de idealização e desvalorização,
pessoas FDP criam um vínculo traumático em suas vítimas. Isso faz com
que elas criem uma dependência emocional artificial, se submetam e
fiquem presas no ciclo do abuso.

IDEALIZAÇÃO
01 A vítima é encantada, aliciada
e bombardeada de amor e atenção.

DESVALORIZAÇÃO
02 Narcisistas mostram falta de empatia,
manipulação e abuso emocional.

5 ESTÁGIOS
DO ABUSO 03

NARCISISTA
DESCARTE (opcional)
04 Às vezes, narcisistas abandonam as
suas vítimas ou são abandonados.

HOOVERING (opcional)
05 Após o descarte, é comum narcisistas
"aspirarem" a vítima de volta.

Por que pessoas FDP fazem isso? O ciclo do abuso narcisista é uma forma
de pessoas FDP obterem suprimento narcisista (reforço do ego) e de
ganharem e manterem o controle sobre a outra pessoa. Outras formas
de abuso se tornam mais fáceis com menor resistência da vítima
psicologicamente enfraquecida. FDPs são predadores hábeis.

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Narcisistas (ou FDPs com alto grau do traço narcisismo) são, na verdade,
extremamente inseguros e se sentem facilmente ameaçado(a)s. Quando
isso acontece, eles sentem uma compulsão por se comportar de forma
abusiva para reestabelecer seu senso de controle. O abuso pode ser
físico, verbal, mental, sexual, financeiro, espiritual ou emocional.

O abuso é customizado para intimidar a vítima, atacando alguma área de


vulnerabilidade dela, especialmente se essa for uma área em que o(a)
narcisista se sente seguro(a). O abuso pode começar com desprezo
verbal para cansar a vítima. Isto é seguido por acusações falsas,
projeções das próprias deficiências de caráter até que a vítima se cansa e
morde a isca.

O que acontece em seguida é perturbador: assim que a vítima reage e se


defende das acusações, o(a) narcisista inverte papel com ela e se faz de
vítima desta reação de autodefesa. A pessoa FDP usa a reação de
autodefesa da vítima como falsa evidência de estar sendo abusada.

Neste ponto, o(a) narcisista relembra outros momentos no passado em


que a vítima reagiu (em defesa própria) e distorce essas ocasiões como
se a vítima tivesse iniciado o abuso. Isso é usado como justificativa para o
atual abuso narcisista em um jogo doentio de inversão de papéis e
manipulação de emoções.

Geralmente, a vítima do abuso narcisista é uma pessoa empática e


sensível. Por isso, ela acaba ficando com sentimentos de culpa e remorso,
acaba aceitando a percepção destorcida do que está acontecendo e tenta
resgatar o(a) narcisista. Isso inclui se submeter a fazer o que o(a) narcisista
quiser, assumir responsabilidade indevida, acalmar o(a) narcisista para

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manter a paz e concordar com as suas mentiras.

Quando a vítima desiste de lutar e se entrega, o(a) narcisista se sente


empoderado(a), superior e dono(a) da razão. O seu ego foi alimentado pela
vítima e agora está mais inflado do que nunca. Isto é, até a próxima
ameaça percebida. E desta forma, o ciclo do abuso volta a se repetir.

Por que as pessoas permanecem em um


relacionamento tóxico, se é tão ruim e
devastador?

Todos os relacionamentos narcisistas (FDPs) são uma seita de duas


pessoas. A fase inicial é caracterizada pela aliciação da vítima. A vítima é
encantada, bombardeada de amor, a ela é prometido um futuro
maravilhoso e, desta forma, ela é sugada para dentro de uma fantasia
manipulativa.

A seguir, ela é doutrinada, isto é, condicionada a se submeter através da


intercalação entre bombardeio de amor e abuso. Através da manipulação
dos seus pensamentos e sentimentos, a realidade da vítima é aniquilada e
substituída por uma fantasia compartilhada entre predador(a) e vítima.
Essa fantasia é o ideal narcisista e um futuro falso. A vítima começa a
enxergar o(a) narcisista como ele(a) se vê: perfeito(a) e acima do bem e do
mal.

Pouco a pouco, a vítima vai sendo propositalmente isolada. O(a) narcisista


começa a "criar caso" ou punir a vítima e manter o contato com outras
pessoas se torna tão complicado que a vítima desiste. Quanto mais isolada,
mais fraca e mais suscetível à manipulação e ao abuso.

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Assim como em uma seita religiosa, o relacionamento narcisista é "vendido"
para a vítima como se fosse algo muito raro, muito especial e sagrado.
Algo que ninguém mais seria capaz de entender e algo que a vítima nunca
mais irá encontrar em outro lugar com outra pessoa: "Ninguém jamais vai te
amar como eu."

Relacionamentos abusivos podem afetar a autoestima das vítimas


profundamente. Sobreviventes frequentemente se sentem inseguro(a)s e
incapazes de confiar tanto em outras pessoas quanto em si mesmo(a)s.

Para interromper o ciclo do abuso é necessário estourar a bolha da


fantasia compartilhada e se desfazer das crenças incutidas de que você
é inútil, incapaz, indigno(a) de amor e respeito.

Abuso emocional pode acontecer em qualquer lugar em qualquer tipo de


relacionamento interpessoal:
entre pais e filhos ou entre outros membros da família
entre pais idosos e seus filhos adultos, avós e netos
em relacionamentos amorosos
no trabalho
entre amigo(a)s
em equipes de esporte
em grupos e instituições espirituais ou religiosas

É comum as pessoas que vivem o abuso, sentirem que "tem algo errado
aqui", mas muitas vezes não sabem identificar o que é. O abuso pode estar
oculto em racionalizações como:
a pessoa diz que está ajudando você a atingir o seu potencial
é assim que as coisas funcionam / sempre foram
o(a) abusador(a) se faz de vítima

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Como Identificar Narcisistas

Na cultura popular, quando pensamos em narcisistas, imaginamos aquela


pessoa exibida, obcecada consigo mesma, que se acha. Quem só tomar
cuidado com esse tipo de pessoa pode facilmente tomar um tombo. Fato é
que todos os narcisistas têm uma autoestima variável e vulnerável e tentam
regulá-la por meio da busca de atenção e aprovação, além da
grandiosidade declarada ou encoberta (APA, 2014). Mas, isso nem sempre
é tão óbvio ou fácil de detectar, se você não conhecer os diferentes tipos.

O Narcisismo é expresso através de um padrão de comportamento em


reação ao mundo externo e interno da pessoa. É um padrão fixo e
previsível. Isso significa que não é necessário diagnosticar alguém para
determinar se essa pessoa é narcisista. A partir de certas bandeiras
vermelhas comportamentais, podemos identificar narcisistas e com isso, é
possível estabelecer limites para autoproteção.

A partir do momento que você entende os padrões dos diferentes tipos de


narcisistas, você consegue aprender a lidar com esses padrões da forma
mais segura possível, independentemente da sua decisão final de ficar ou
sair do relacionamento.

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É importante mencionar que se você estiver em uma situação de violência
doméstica ou familiar, você deve buscar ajuda e proteção. Se você
estiver sofrendo violência, denuncie e peça ajuda. A violência doméstica
tende a se repetir e se tornar cada vez mais grave e frequente, não espere
isso acontecer. Viver sem violência é um direito. Existem leis e políticas
públicas para proteger você.

Disque 180 ou 100 em casos de violações dos direitos humanos. Você


recebe atendimento gratuito, 24h por dia, todos os dias da semana,
inclusive domingos e feriados. A Lei Maria da Penha é a terceira maior lei do
mundo no combate à violência doméstica e determinou de forma definitiva
que a violência doméstica contra a mulher é crime. Saiba tudo que você
precisa aqui.

Os 6 Principais Arquétipos Narcisistas

Por mais que pareça contra-intuitivo, narcisismo é uma patologia da


autoestima. Tudo o que eles fazem é para parecerem extremamente
autoconfiantes, inteligentes e bem sucedidos quando, debaixo da
superfície, eles não conseguem regular as próprias emoções e vivem pela
aprovação alheia.

O narcisismo representa um profundo déficit de autoestima que leva os


narcisistas a quererem compensar com grandiosidade, superficialidade,
carência de empatia, exigências de receberem vantagens e a busca por
adulação.

A seguir, vamos explorar os 6 principais arquétipos narcisistas. Alguns são

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fáceis de detectar. Já outros são ocultos e perigosos, pois podem passar
anos debaixo do radar, explorando, tirando vantagens e causando dano às
pessoas em volta sem que as vítimas percebam. Para facilitar, vamos usar a
forma masculina "o narcisista", mas isso não exclui de forma alguma as
mulheres narcisistas.

1) O Narcisista Grandioso é superficial, arrogante, charmoso, aparenta


ser confiante e frequentemente tem sucesso e dinheiro. Esse é o típico
narcisista, barulhento e extrovertido. Ele se acha o máximo e o mundo
tende a concordar.

Ele bombardeia as suas vítimas de amor para aspirá-las para dentro da


fantasia compartilhada, mas dentro de 4-12 semanas começa a se entediar
e é aí que se torna indiferente e desvaloriza a outra pessoa.

A necessidade dos narcisistas grandiosos de parecerem superiores pode


levá-los a disfarçar sua falta de conhecimento, em qualquer área, com falsa
autoconfiança e charme. É importante resistir ao carisma natural do
narcisista grandioso para estabelecer limites saudáveis.

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2) O Narcisista Vulnerável (Encoberto) é especialmente vitimista,
vulnerável e ressentido com o mundo. Ele não é expansivo, mas tem uma
atitude de privilégio psicológico vitimizado: "Todo mundo está contra mim e
ninguém reconhece como sou especial."

Ele faz com que você queira ajudá-lo e salvá-lo da injustiça do mundo. Ele
se identifica com o martírio, o sofrimento, o sacrifício e, desta forma, recebe
atenção em forma de pena e caridade.

O narcisista vulnerável é a versão introvertida do narcisismo e tende a ser


criativo, inteligente e perfeccionista. Quando criticado por alguém que não
concorda com ele, ele pode se tornar hostil e defensivo, usando táticas
para culpar os outros e evitar responsabilidade. Ele usa gaslighting e
distorce a realidade; manipula os outros para conseguir o que quer; mostra
desprezo e dá o tratamento de silêncio; domina e controla pessoas
próximas; menospreza e humilha verbal e emocionalmente.

Ele tem baixa capacidade empática e tende a ser distante, frio e sem
emoção com os outros. Também pode parecer arrogante e egoísta devido
à sua confiança em sua própria inteligência e convicções. Em vez de exibir
arrogância, no entanto, costuma agir de forma retraída, ansiosa e, às vezes,
autocrítica.

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3) O Narcisista Maligno (Perverso) é grandioso, não tem empatia, sente
privilégio psicológico, é explorador e sádico. Ele é um narcisista com traços
psicopáticos. Ele gosta de infligir crueldade, abuso emocional e, às vezes,
também violência física. Ele tem a necessidade de exercer controle para se
sentir importante.

As principais características que o definem e o diferenciam das variedades


exibicionistas ou enrustidas mais comuns são que ele obtém a maioria de
seu suprimento narcisista, destruindo a autoestima e a felicidade de outras
pessoas. Em vez de se exibir para um público admirador, o narcisista
maligno obtém um prazer sádico em dominar outras pessoas e causar-lhes
danos.

O narcisista maligno geralmente é ótimo em identificar os pontos fracos


das pessoas e explorá-los. Ele pode parecer superficialmente charmoso e
sabe manipular as pessoas para obter elogios ou mentir sobre os outros
para dar uma boa impressão de si.

Para autoproteção, evite narcisistas malignos. Se você trabalha, cuida ou


compartilha direitos legais com um narcisista maligno, comunique-se por
escrito sempre que possível e documente as conversas. Isso evita que o
narcisista faça alegações falsas e aumente o abuso.

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4) O Narcisista Comunitário quer ser publicamente visto como o
salvador da pátria. Ele pousa de bonzinho e projeta uma falsa imagem
generosa e justiceira. Porém, termina por pregar aquilo que ele mesmo não
faz. Continua sendo egoísta e explorador e consegue o que quer através de
apoiadores e defensores que acreditam e se identificam com o seu (falso)
humanitarismo.

Ele deriva suprimento narcisista (reforço do ego) quando ajuda os outros e


faz atos grandiosos de caridade, é claro que, isso só funciona se tiver um
público para presenciar a sua bondade e elogiá-lo. Ele é capaz de doar
grandes somas de dinheiro para um vilarejo de crianças pobres, mas é
incapaz de dar atenção aos próprios filhos.

O narcisista comunitário sempre fala do quanto que ele é bondoso e ajuda


aos outros, mas nunca ajuda você. Ele justifica o seu privilégio psicológico e
egoísmo com a seguinte crença: “Eu mereço um tratamento especial porque
sou extraordinariamente caritativo, prestativo e em serviço da humanidade e do
planeta terra.”

Ele usa meios comunitários para satisfazer suas necessidades egocêntricas.


Mas, as suas reivindicações de pró-socialidade não correspondem a reais
ações pró-sociais, principalmente quando não tiver ninguém olhando.

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5) O Narcisista Negligente simplesmente não te enxerga. Ele é tão
preocupado consigo mesmo que negligência as necessidades dos outros.
Pode não ser a intenção dele machucar ou ignorar os outros, mas, o fato
de só olhar para o próprio umbigo faz com que ele não perceba como as
suas ações afetam os demais. Pessoas são meros objetos de conveniência
que ele busca, usa e descarta quando não precisa mais.

Sinais incluem charme e carisma. Ele, frequentemente, chega atrasado para


encontros ou cancela planos de última hora sem explicações. Isso faz com
que amigos e familiares se sintam frustrados e desvalorizados. Ele pode
ignorar pessoas íntimas por dias ou semanas e reaparece como se nada
tivesse acontecido.

Além disso, ele nunca presta atenção quando você está falando e acha que
sempre sabe mais do que você. Ele te interrompe, fala por cima ou
simplesmente ignora o que você está dizendo. É esperado que você faça
coisas por ele, mas ele nunca retribui os favores. E o pior de tudo: Não se
responsabiliza por nada e sempre culpa o mundo pelos seus problemas.

Não consegue demonstrar empatia ou compaixão, faz comentários


insensíveis e ofensivos e não se interessa por você. Ele está sempre
insatisfeito com tudo e exige perfeição.

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6) O Narcisista Presunçoso acredita ser moralmente superior aos
demais. Ele faz o papel da pessoa correta, honesta, humilde,
espiritualmente iluminada ou religiosa. Mas, na verdade, ele critica e zomba
de todo mundo. Ninguém faz nada certo e ninguém é tão bom e iluminado
quanto ele.

Ele se considera extremamente leal às pessoas próximas a ele, mas, ao


mesmo tempo, é abusivo e fica constantemente dando "dicas para
melhorarem" em algum aspecto: "É só para o seu bem."

Este narcisista pode ser oculto. Neste caso, ele não é percebido como
arrogante, pomposo ou superior e muito menos, perigoso. De todos os
tipos, este é o mais insidioso. Ele se considera moralmente inquestionável,
infalível e frequentemente se coloca no lugar do salvador, guia espiritual ou
religioso. Ele faz as pessoas em seu entorno acreditarem que está se
sacrificando pela humanidade e desta forma, consegue muitos defensores,
admiradores de suas virtudes e seguidores.

Ninguém acredita que alguém tão abnegado e puro faria as atrocidades


das quais muitas vezes é acusado, quando a verdade, finalmente, aparece.
Estes são os típicos líderes de seitas que acabam sendo denunciados por
abuso mais cedo ou mais tarde.

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Recuperação do Abuso Narcisista

As Sequelas do Abuso Narcisista

O abuso emocional é cíclico e previsível. Abuso físico pode, ou não, estar


presente, mas o abuso psicológico já é suficiente para deixar sequelas de
Estresse Pós-Traumático Complexo (EPT-C) em sobreviventes. Isso pode ser
uma condição debilitante, uma vez que a característica central é a
desregulação emocional.

A desregulação emocional pode incluir os seguintes sintomas:


⧫ Ansiedade;
⧫ Flashbacks (memórias intrusivas negativas);
⧫ Sono perturbado, insônia, pesadelos;
⧫ Instabilidade emocional, depressão;
⧫ Dificuldades em confiar nas pessoas;
⧫ Comportamentos autodestrutivos;
⧫ Abuso de substâncias alcoólicas e químicas;
⧫ Isolamento social;
⧫ Dificuldade de concentração;
⧫ Sintomas psicossomáticos (manifestações físicas).

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Como regular as suas emoções
Existem técnicas e exercícios poderosos que podem ajudar você a se
libertar destes sintomas, sentir alívio emocional e recuperar a sua
autoestima. O melhor de tudo: São exercícios simples e que você pode
aprender e aplicar sozinho(a) para voltar a se sentir estável. A seguir, vou
apresentar uma das técnicas que mais me ajudaram na minha própria
jornada de recuperação e que você pode fazer sozinho(a), em qualquer
lugar, a qualquer hora.

"A Prática Diária" de Anna Runkle

Esta técnica simples é uma das formas mais efetivas, seguras e rápidas de
regular as próprias emoções. Anna Runkle é uma norteamericana que
ensina pessoas a reconhecerem e se libertarem de sintomas de estresse
pós-traumático. "A Prática Diária" envolve anotar seus medos e
ressentimentos todos os dias para livrar a sua mente de gatilhos
emocionais e desregulação neurológica resultante de abuso ou negligência
emocional.

Enquanto você anota os seus sentimentos, você sente alívio e volta a si,
mesmo que esteja passando por um turbilhão de emoções. O
recomendado é fazer a prática de manhã e de noite, por 5-10 minutos cada
vez. Em uma folha de papel (precisa ser no papel), você irá anotar todos os
seus sentimentos negativos ou ressentimentos. A meta será despejar seus
pensamentos, sem filtro, para soltar e varrê-los para fora da sua mente.
Para isso existe uma fórmula específica que deve ser seguida e um ritual.

Na página a seguir, você encontrará um modelo e as instruções de como


fazer "A Prática Diária" e regular as suas emoções.

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Em uma folha, escreva os seus pensamentos no formato (abaixo). Despeje
todos os medos e ressentimentos aparecerem. A meta é acessar a sua
consciência e se liberar do que está lá. Não é necessário analisar nada,
apenas despejar.

1: Despeje os seus medos atuais no papel


"Eu tenho medo que/de ................................................................................................"

2: Anote os seus ressentimentos atuais


"Eu estou ressentido(a) com .............................................................................................
porque eu tenho medo que .............................................................................................
e agora (consequência) .................................................................................................."

3: Escreva a conclusão
Você pode concluir a prática a) com um pedido a um poder superior para
livrar você de tudo que anotou, ou b) declarando que você mesmo(a) se
livra de tudo isso. Escolha um dos modelos abaixo e escreva no papel, ao
final de cada sessão de limpeza emocional:

a) Poder superior: "Eu estou agora pronto(a) e peço, humildemente, que


(nome do seu Deus) remova estes medos e ressentimentos. Eu rezo para que o
Senhor faça isso por mim, hoje, se isso for da Sua vontade."

b) Você mesmo(a): "Eu estou agora pronto(a) e com isso eu me livro destes
medos e ressentimentos para que eu possa ter uma visão clara do que eu devo
fazer hoje e para que eu tenha o foco, a energia e a calma interna para fazer
isso da melhor forma possível."
Assinado, Seu Nome

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4: Destrua a folha de papel

Quando você terminar de escrever tudo e concluir pedindo para se livrar


dos medos e ressentimentos, DESTRUA e JOGUE FORA a folha de papel
com tudo escrito nela. Ninguém jamais deve ler o que estiver escrito.

É importante destruir e se desfazer dessa folha para que o seu


subconsciente confie no processo e para que você tenha um lugar seguro
onde despejar os seus pensamentos mais secretos. Desta forma, você
nunca precisa ter medo de ficar com vergonha se alguém ler, ou pior, que
alguém ficasse chateado(a) ao ler o que você escreveu.

5: Medite e mentalize para se libertar


Meditação. Após escrever os seus pensamentos e destruir a folha de papel,
medite da sua forma favorita pelo tempo que puder. Uma recomendação é
você usar um mantra como: "Eu libero" ou "Tudo bem" ou "Isso". Escolha um
mantra simples e repita várias vezes ou em voz alta para si, ou em silêncio
na sua mente.

Por que essa prática funciona?


Essa prática diária funciona como uma forma de higiene emocional. Ela traz
para a consciência todo o lixo emocional que estava poluindo o seu
subconsciente e te dá a oportunidade de se livrar. Muitas vezes não é
necessário entendermos e nem ficarmos analisando e revivendo certos
traumas. O importante é descobrir o que está ali e se dar permissão para
se livrar do peso.

A parte de escrever a conclusão pedindo para se livrar dos medos e

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ressentimentos, destruir o papel e meditar para se liberar são as partes
mais importantes da prática diária. É para isso que ela serve.

Quando há muitas folhas no para-brisa do carro que impedem você de ver


o caminho à frente, o que importa é remover as folhas e não entender de
onde elas vieram e por que caíram justo no seu para-brisa. Você pode até
entender por que caíram, mas sem removê-las, será impossível seguir
adiante. O mesmo acontece com os nossos medos e ressentimentos. O
que importa é reconhecer que eles estão ali para em seguida varrê-los da
sua consciência para que deixem de impedir a sua visão do caminho. Para
que eles deixem de estragar o seu dia. E o mais importante, para que você
esteja livre para ser a pessoa que você quer ser e viver a vida que você,
quer viver.

É importante fazer a prática todos os dias. Às vezes, você pode se pegar


escrevendo os mesmos medos e ressentimentos por muito tempo, por
semanas e até meses. Não tem problema. Isso não significa que a prática
não esteja funcionando. Pelo contrário. Você estará se tornando cada vez
mais consciente e cada vez mais livre. Os traumas são guardados em
camadas. Por isso, cada vez que você despejá-los no papel, estará
acessando novas camadas e se libertando delas. Demore o tempo que
demorar, saiba que você estará cada dia mais livre.

Outro motivo de os mesmos medos e ressentimentos estarem aparecendo


dia após dia é a presença de um possível gatilho na sua vida atual. Continue
a prática, pois ela te ajudará a se libertar dos gatilhos e a estabilizar as suas
emoções continuamente.

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Cuidado com o Spiritual Bypass

Spiritual Bypass é uma tendência de usar ideias e práticas espirituais para


contornar ou evitar enfrentar questões emocionais não resolvidas, feridas
psicológicas e desenvolvimento pessoal estancado.

Consequências negativas do Spiritual Bypass podem incluir a necessidade


de controlar excessivamente os outros e a si mesmo, vergonha, ansiedade,
confusão emocional, tolerância exagerada de comportamento inadequado,
co-dependência, bondade compulsiva, obsessão ou vício, fidelidade cega a
gurus ou mentores carismáticos e falta de responsabilidade pessoal.

Se você estiver atualmente em um relacionamento abusivo, cuidado para


não usar práticas de regulação emocional para psicologicamente se
"entorpecer" e se manter em uma situação tóxica. Exercícios como "A
Prática Diária" são ferramentas de regulação emocional para que você
possa tomar as devidas atitudes e ações para melhorar a sua qualidade de
vida e não permanecer uma vítima passiva que "resolve tudo sozinha no
papel".

Nem todo mundo que se encontra em um relacionamento tóxico poderá


ou optará por sair dele. Se, neste momento da sua vida, você tiver que se
manter em um relacionamento com uma pessoa tóxica, você ainda assim
pode usar "A Prática Diária" para se estabilizar emocionalmente e para
manter a sua sanidade. O importante é que você não crie falsas
expectativas da pessoa FDP ou narcisista. Pessoas com traços sombrios de
personalidade não mudam e não é a sua responsabilidade carregá-las.

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E se eu ficar no relacionamento FDP?

É possível você se curar e encontrar felicidade em um relacionamento com


uma pessoa FDP ou narcisista?

Sim e não.

Sim, se você entender que nunca poderá contar com essa pessoa para
contribuir para a sua felicidade. Quando você se divorcia da esperança
dessa pessoa se tornar mais empática e trazer harmonia para o
relacionamento, você se libera das algemas que te mantinham no ciclo do
abuso. Por isso, se você quiser ser feliz ao lado de um FDP, você precisa se
despedir da ideia de que a felicidade virá através desse relacionamento.

Você vai precisar buscar a sua felicidade apesar do relacionamento. Isso


significa construir uma vida paralela, só sua, com amigos só seus, atividades
só suas, pensamentos e sentimentos só seus e das pessoas que em quem
você confia. A pessoa FDP não pode fazer parte desse círculo de pessoas
de confiança, se não, ela vai encontrar uma forma de contaminar a sua
felicidade. É o que essas pessoas fazem.

Como driblar as tentativas de destruição da sua felicidade por parte da


pessoa FDP? A primeira condição é saber que isso vai acontecer. Quando
essa pessoa começar a perceber a sua independência e energia positiva,
isso vai incomodá-la. Para driblar as tentativas de sabotagem da sua
felicidade e independência emocional, use a técnica da pedra amarela.

A técnica da pedra amarela, inventada pela psicóloga clínica norte-


americana Dr. Ramani Durvasula, involve manter todas as

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comunicações com narcisistas envolta de temas superficiais e que não te
afetam. Não morda as iscas emocionais. Quando tentarem te provocar ou
desestabilizar:
não se defenda
não engaje
não explique
não personalize

Exemplo
Narcisista: "Nossa, vai sair com esse vestido? Tá parecendo um abajur!"
(tentativa de fazer você se sentir insegura)
Você: "Perfeito, era exatamente o look que eu queria!" (não mordeu a isca e se
blindou emocionalmente)
Erro: Se você se ofender (personalizar) ou se defender de alguma forma,
reclamar, mostrar que isso te afeta, ficar triste, trocar de roupa, ou, pior,
deixar de sair... PRONTO: mordeu a isca.

Essa atitude de "Nada que você diga ou faça me afeta e eu não espero nada de
você" é absolutamente necessária para sobreviver e encontrar felicidade ao
lado de um(a) narcisista. Lembre-se, a felicidade virá da sua vida e do seu
mundo emocional aparte dessa pessoa, mesmo que fisicamente ainda
estando ali ao lado dela. Você precisa se blindar emocionalmente.

Vale a pena uma vida ao lado de uma pessoa assim? Às vezes, não é
questão de valer a pena e, sim, uma questão de necessidade por diversos
motivos como medo, dependência financeira, motivos familiares (ex. filhos),
culturais ou religiosos. Se esse for o seu caso, use a prática diária para se
manter emocionalmente estável e a técnica da pedra amarela para se
blindar enquanto monta um plano de ação para o futuro, se for o caso.

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E se eu terminar o relacionamento FDP?

Se você resolver terminar o relacionamento com uma pessoa FDP


(narcisista) você precisa se preparar para o que vem. Você representa
suprimento narcisista para essas pessoas, o que significa que elas
extraem reforço para o ego delas através de você. Esse reforço para o ego
pode vir em forma de controle, desvalorização, favores, atenção, projeção,
manipulação, abuso, bajulação, imagem, poder e dinheiro, entre outras.

Narcisistas não têm a capacidade de regular as próprias emoções e


dependem desse suprimento narcisista para se sentirem emocionalmente
estáveis. Quando você se remove de um relacionamento com um FDP, essa
pessoa perde acesso ao suprimento narcisista que vinha de você. Se o FDP
não tiver fontes alternativas, equivalentes ou melhores de suprimento
narcisista, ele entra em desregulação emocional.

Desregulação emocional é um estado muito desagradável e pode ser


desesperador, até mesmo induzindo pânico em qualquer pessoa. Pessoas
saudáveis podem se autorregular emocionalmente, sem depender de
suprimento narcisista de outras pessoas. No capítulo de regulação
emocional eu ensino uma técnica simples e poderosa para isso com "A
Prática Diária". Caso ainda não tenha visto, recomendo que experimente.

Porém, FDPs não têm a capacidade, nem o interesse, em se responsabilizar


pelas próprias emoções ou ações. Por isso, quando você se afasta e eles
perdem acesso ao seu suprimento narcisista sem uma fonte alternativa,
eles irão fazer de tudo para de sugar para dentro do ciclo de abuso
narcisista novamente. Isso se chama Hoovering (aspirador de pó). Isso
pode acontecer em qualquer tipo de relacionamento: familiar, romântico,

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entre amigos e até mesmo no trabalho. É aí que mora o perigo.

Já é extremamente difícil tomar a decisão de se afastar e terminar um


relacionamento FDP, pois o ciclo do abuso narcisista cria em você um
fenômeno chamado vínculo traumático. O vínculo traumático ocorre
quando uma pessoa que sofre abuso desenvolve um apego doentio a uma
pessoa abusiva do seu círculo de convivência, uma espécie de vício.

O vínculo traumático faz com que você racionalize ou defenda os


comportamentos abusivos, tenha um senso de lealdade, se isole de
outras pessoas e espere que o comportamento do FDP mude. Essa
esperança tóxica faz você acreditar que a pessoa pode mudar. Quando
você imagina a sua vida com a versão "boazinha" da pessoa, assim como
você já viu ela atuar nas fases de bombardeio de amor do ciclo do abuso,
o seu futuro parece perfeito. Isso é tudo que você quer. Se a pessoa
somente resolvesse aquele "probleminha" que faz ela abusar de você nas
fases do desprezo, estaria tudo bem. Tudo seria perfeito.

A forma mais efetiva de superar o vínculo traumático é se distanciar do FDP


e manter contato zero. É o mesmo princípio de uma dependência
alcoólica ou química. Para superar um vício, é necessário parar de usar a
droga. Até mesmo um pouco da substância pode te jogar de volta para
dentro do poço daquele vício e fazer você se perder nele.

A princípio, no contato zero, você pode até sofrer de sintomas de


abstinência. É como pessoas que estão superando o vínculo traumático se
sentirem mal, sem energia, deprimidas e com pensamentos obsessivos e
impulsos compulsivos, ou desejo incontrolável, de voltar a entrar em
contato com o FDP.

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Eu não posso enfatizar isso o suficiente: você precisa resistir pelo tempo
que for para conseguir superar o vínculo traumático.

Enquanto você supera o vínculo traumático, você precisa, a todo custo,


resistir as tentativas de Hoovering por parte do FDP. Como se não bastasse
você ter que vencer a própria dependência emocional, a outra pessoa,
provavelmente, estará dizendo, fazendo, prometendo tudo que você
sempre quis para te conseguir de volta, pois ela também tem um vício
doentio em obter suprimento narcisista por meio do abuso ao qual ela te
submete.

A chave do sucesso para você se libertar de um relacionamento narcisista


está em superar o vínculo traumático e resistir ao Hoovering, mantendo o
contato zero a todo custo. Isso é tão difícil, que a maioria das pessoas
passa por pelo menos 7 tentativas até conseguirem terminar o
relacionamento definitivamente. Veremos a seguir como a sua próxima
tentativa de sair, pode ser a sua última, porque você vai conseguir.

Passo a Passo para Definitivamente Sair


de um Relacionamento Narcisista

Relacionamentos narcisistas afetam a sua autoestima e autoconfiança.


Sobreviventes frequentemente acabam se sentindo inseguro(a)s e
incapazes de confiarem em outras pessoas e em si mesmo(a)s.

Sair de um relacionamento narcisista significa quebrar esses padrões de


pensamento e desmantelar crenças tóxicas sobre você que foram incutidas
pelo FDP (ex. você é inútil, não merece respeito ou amor, felicidade, etc.).

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Por conta das dúvidas que você cria sobre si mesmo(a) e da dependência
emocional que você sente, pode ser um desafio enorme e muito
estressante sair de um relacionamento narcisista. Mas, não impossível.

Passo 1: Reconhecimento

O primeiro passo é deixar de se culpar pelo que aconteceu. Qualquer


pessoa pode cair vítima do abuso narcisista se não tiver o conhecimento
sobre a dinâmica e se não souber como se proteger. Se isso aconteceu
com você, não tem nada a ver com falta de caráter ou inteligência da sua
parte. Você foi vítima de algo que desconhecia.

Agora que você tem esse conhecimento, você tem o vocabulário para
descrever o que aconteceu. O primeiro passo é identificar o abuso
narcisista, os traços sombrios em quem te causou dor e entender o ciclo do
abuso no qual você estava preso(a).

Passo 2: Recuperação

O próximo passo, é aprender a estabilizar as suas emoções e acalmar o seu


sistema nervoso. Para isso, use o exercício de despejar a sua mente no
papel "A Prática Diária" (passo a passo na página 34).

Exercício físico (de qualquer tipo) também é uma excelente forma de gerar
endorfinas no corpo e aumentar o seu bem-estar. Escolha a sua forma de
movimento favorita e mantenha a constância. Traumas ficam arquivados no
corpo. Ao se mover, você, pouco a pouco, libera o seu corpo dessas
memórias traumáticas.

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Passo 3: Reconexão

Reconecte-se com amigos e familiares. Após muito tempo em um


relacionamento narcisista, é comum as vítimas se isolarem do mundo e de
pessoas queridas. Esse contato com pessoas em quem você confia será
crucial para a sua recuperação e superação do abuso narcisista.

Passo 4 (opcional): Ajuda Profissional

Adicionalmente, você pode buscar ajuda profissional de um(a) terapeuta


especialista em narcisismo, participar de grupos de apoio e entrar para
comunidades de sobreviventes online.

Se for fazer terapia, não tenha medo nem vergonha de perguntar se o


profissional em questão é especialista no tema e qual a experiência
trabalhando com sobreviventes de abuso narcisista. Por ser um tema
relativamente novo na psicologia, eu sei por experiência própria que
métodos terapêuticos para recuperação de abuso narcisista não são
ensinados nas universidades e nem no treinamento de psicoterapia.

Se o(a) terapeuta não tiver buscado se informar por conta própria, esse
profissional, provavelmente, não saberá identificar ou lidar com o quadro
psicológico e as necessidades de sobreviventes de abuso narcisista.

Trabalhar com alguém desinformado pode causar mais dano do que ajuda,
podendo resultar no que é conhecido como trauma terapêutico. Por isso,
para receber o apoio e acompanhamento psicológico que você precisa,
tenha certeza de que o(a) terapeuta é especialista no tema narcisismo.

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Palavras Finais

Nunca duvide da sua capacidade de sair e de se recuperar de um


relacionamento difícil, insatisfatório ou abusivo. Tudo começa com a sua
observação, reconhecimento do que está acontecendo e permissão interna
para imaginar uma vida melhor.

Você não depende de que as outras pessoas mudem para que você possa
ser feliz. Você não precisa se fazer responsável por pessoas adultas, com a
capacidade plena de cuidarem de si mesmas. Você tem todo o direito de
impor limites e se eles forem consistentemente desrespeitados, você tem
todo o direito de se remover de situações e relacionamentos onde isso
acontece.

Não é errado discordar de outras pessoas. Você não merece punição, nem
desrespeito por ter uma opinião diferente de outra pessoa. Ou por ter
preferências, desejos e necessidades individuais. Você é você e isso é mais
do que suficiente. Você merece ser tratado(a) com empatia, respeito e
carinho. Se alguém não te faz bem, isso basta para que você queira e tenha
o direito de se afastar emocionalmente e se blindar dessa pessoa.

Existe vida plena depois de um relacionamento tóxico. Você pode se


recuperar e se reencontrar e reconstruir a sua vida. Espero que este eBook
tenha sido informativo e que tenha te ajudado a sonhar uma vida nova,
plena e livre de FPDs.

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Referências
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Carolina Mueller
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