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BiocombustiVeis Como Fonte de Energia Renovavel 1704733575

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Informativo

Técnico

Número 10 Janeiro de 2024


Biocombustíveis como
fonte de energia renovável
Os biocombustíveis têm surgido como uma fonte alternativa de energia
para reduzir a emissão dos gases do efeito estufa na atmosfera e combater o
aquecimento global. Tais efeitos negativos ao ambiente são associados em
grande parte à queima de combustíveis fósseis – que representam 88% da
produção de energia global.

Mas afinal, o que são biocombustíveis?

Biocombustíveis são combustíveis produzidos a partir de fontes biológicas


renováveis (vegetais ou animais), que podem substituir total ou
parcialmente os combustíveis derivados do petróleo e gás natural, que são
fontes finitas e geram impactos ambientais negativos.

Os biocombustíveis podem ser usados desde em motores de combustão


interna, como os encontrados em carros e caminhões, como também em
turbinas a gás e em usinas de energia.

Os biocombustíveis podem ser classificados como de primeira, segunda,


terceira e quarta geração, de acordo com o tipo de matéria-prima e o
processo produtivo empregados (Figura 1).

Figura 1. Tipos de biocombustíveis presentes no cenário global. Fonte: International


Energy Agency (IEA). Elaboração própria da autora.

01
Classificação dos biocombustíveis
por geração
Vejamos como ocorre a classificação dos biocombustíveis por geração:

Primeira geração (1G)


Origem: são biocombustíveis derivados de açúcares, amidos ou gorduras.

Exemplos: etanol, biodiesel, biogás e diesel verde.

Segunda geração (2G)

Origem: são biocombustíveis produzidos a partir da biomassa que contém


celulose ou resíduos agrícolas e industriais.
Exemplos: etanol 2G, biometano e biohidrogênio.

Terceira geração (3G)


Origem: são biocombustíveis produzidos a partir de algas.
Exemplos: biocombustíveis de algas.

Quarta geração (3G)


Origem: são biocombustíveis originados a partir de alterações genéticas da
cultura a ser empregada na produção do biocombustível, como as microalgas
geneticamente modificadas.
Exemplos: biocombustíveis sintéticos.

02
Como os biocombustíveis são
produzidos?

Os biocombustíveis são produzidos a partir da fermentação de matéria-


prima biológica, contendo açúcares, lipídios ou carboidratos.

Isso é feito convertendo a biomassa das matérias-primas em diferentes


formas de energia, como:

❖ calor,

❖ eletricidade,

❖ biogás,

❖ combustíveis líquidos.

O processo de produção de biocombustíveis depende de cada matéria-


prima, conforme ilustrado na Figura 2.

Figura 2. Processo de produção de combustíveis de cada geração. Fonte: adaptado


de Aron et al. 2020.

03
Conversão das matérias-primas em biocombustíveis

A produção de biocombustíveis a partir de biomassa lignocelulósica depende


da bioconversão microbiana de açúcares e componentes da parede celular
em combustíveis e produtos (Figura 3).

A Biomassa lignocelulósica para biocombustíveis Fotossíntese direta em micróbios B

Lignocelulose CO2

Pré-tratamento
Cianobactérias
Microalgas
Açúcar
ATP NAPDH Captura de luz
Glicólise
CO2
Aromáticos Armazenamento
de lipídio
Produção de Ciclo de
biocombustíveis Calvin
C Carboidratos
D
Beta
oxidação
NAPDH
Lipídeos
Outras vias de
Celulase
Proteínas degradação e- Litotróficos

e-, H 2 ou mediação
Monômeros de plástico
Resíduos alimentares eletrônica de formato e-

Cátodo

O2
Ânodo
Resíduos de plásticos H 2O

Conversão de matéria-prima residual Fixação eletroquímica de carbono

Figura 3. Conversão de diversas fontes de matéria-prima para produzir biocombustíveis.


Fonte: adaptado de Liu et al. (2021).

Quadrantes A e C da figura 3: Após o pré-tratamento, açúcares e moléculas


aromáticas podem ser extraídos da biomassa lignocelulósica; juntamente com
carboidratos, lipídios, proteínas e monômeros de resíduos plásticos, essas
moléculas podem ser usadas como fontes de carbono para a produção
microbiana através das vias de glicólise e beta oxidação para produzir
biocombustíveis e biogás.

Quadrante B da figura 3: Em vez de alimentar micróbios com biomassa, a


fotossíntese e a síntese direta de biocombustíveis podem ser alcançadas em
uma única célula em cianobactérias e microalgas.

Quadrante D da figura 3: Os litotróficos podem ser acoplados ao cátodo de uma


célula eletroquímica, com a entrega de elétrons do eletrodo conduzindo a
redução de CO2 e a fixação de carbono.

04
Situação atual e perspectivas de
cada geração de biocombustível
Agora que já conhecemos cada um das quatro gerações de biocombustíveis,
vejamos a situação atual, vantagens e desvantagens, além de desafios
específicos para produção de biocombustíveis dentro de cada geração
(Tabela 1).

Tabela 1. Situação atual, vantagens, desvantagens e principais desafios da produção


de biocombustíveis de primeira, segunda, terceira e quarta geração

Biocombustível Situação atual 1 Vantagens 2 Desvantagens 2 Desafios 3

-
- Competição Desenvolvimento
- Uso de
Primeira com produção de matérias-
recursos
geração de alimentos primas
Amplamente disponíveis
(ex: etanol de alternativas
utilizada
cana e de milho -Impactos
- Infraestrutura
e biodiesel) ambientais (ex: - Melhoria na
estabelecida
desmatamento) eficiência dos
processos
- Utilização de
- Custos - Aprimoramento
resíduos
elevados de da eficiência de
Crescendo, agrícolas e
Segunda conversão conversão
principalmente florestais
geração
em Projetos
(ex: etanol 2G) - Desafios no - Escalabilidade
Piloto - Menor
Pré-tratamento em nível
competição
da biomassa comercial
com alimentos
- Melhoria na
- Produção e eficiência de
- Alta taxa de
Terceira extração extração de
crescimento
geração Em fase de lipídios
das microalgas
(ex: Pesquisa e - Requer
biocombustíveis desenvolvimento tecnologias de -
- Baixo uso de
de microalgas) cultivo Desenvolvimento
terras agrícolas
avançadas de sistemas
sustentáveis
- Riscos
- Pesquisa
- Captação ambientais da
intensiva sobre
aprimorada de modificação
Quarta Impactos
CO2. genética
geração Ambientais
Estágio inicial de
(ex: microalgas
Pesquisa -Potencial para - Custos
geneticamente -
produção elevados de
modificadas) Desenvolvimento
aumentada de operação em
de tecnologias
biocombustíveis Sistemas
mais seguras
fechados

1 A situação atual refere-se ao estado de adoção e implementação do biocombustível.


2 Vantagens e desvantagens são listadas de maneira geral e podem variar conforme a
aplicação específica.
3 Os desafios destacam áreas que requerem atenção e avanços para aprimorar a

viabilidade e sustentabilidade dos biocombustíveis.

Fonte: elaborado a partir de Aron et al. (2020)

05
Principais matérias-primas para
a produção de biocombustíveis
A agricultura desempenha importante papel na produção de biocombustíveis

O milho, a cana-de-açúcar e as sementes oleaginosas são as principais


matérias-primas para a produção de biocombustíveis (Figura 4).

A OCDE-FAO estima que entre 2019 e 2021, foram utilizadas para a produção de
biocombustíveis cerca de:

✓ 21% da produção mundial de cana-de-açúcar,

✓ 15% da produção mundial de milho e

✓ 12% da produção de oleaginosas

Outras matérias-primas para biocombustíveis incluem arroz, cereais


secundários e biomassa celulósica (como palha de cevada) para etanol,
enquanto gorduras animais podem ser utilizadas para biodiesel.

ETANOL
BIODIESEL Trigo
Melaço…
2%

Outros
10% Outros
Óleo de Óleo de 15%
canola palma
14% 31%

Óleo de Cana-de-açúcar Milho


cozinha 22% 59%
usado Óleo de
21% soja
24%

Figura 4. Culturas utilizadas mundialmente como matéria-prima para a produção de


biocombustíveis. Fonte: OECD-FAO Agricultural Outlook 2021-2031

06
Principais biocombustíveis
produzidos e utilizados
Como vimos, os biocombustíveis podem vir de diferentes matérias-primas, a
partir de processos produtivos com algumas particularidades.

Vejamos a seguir, os principais biocombustíveis produzidos atualmente, com


suas respectivas matérias-primas (Tabela 2).

Tabela 2. Modo de obtenção e principais matérias primas dos biocombustíveis.

Biocombustível Modo de obtenção Principais matérias-primas

Cana-de-açúcar, milho, trigo, aveia,


Fermentação de açúcares e
Etanol 1G cevada, beterraba, sorgo, entre
amidos
outros.
Quebra de cadeias de
Biomassa lignocelulósica como
celulose por meio de
Etanol 2G palha e bagaço de cana, resíduos
tecnologias como hidrólise
agrícolas, entre outros
enzimática.
Óleos vegetais (soja, canola,
Transesterificação de óleos
girassol), gordura bovina, óleos
Biodiesel vegetais ou gorduras
reutilizáveis e outros materiais
animais.
graxos, óleos de algas.
Produção a partir da
conversão de celulose em Biomassa lignocelulósica, como
Biodiesel de
hidrocarbonetos por meio de resíduos agrícolas, madeira, entre
celulose
processos termoquímicos ou outros.
bioquímicos.
Resíduos agrícolas (como dejetos
sólidos de atividades
Digestão anaeróbica de
agropecuárias), esterco animal,
matéria orgânica, como
Biogás lodo de esgoto, resíduos das
resíduos agrícolas, esterco
indústrias de alimentos, resíduos
animal lodo de esgoto
agroindustriais como vinhaça.

Purificação do biogás para


atingir padrões de qualidade
Biometano Biogás purificado
semelhantes aos do gás
natural
Hidrotratamento de óleos
vegetais, síntese de Óleos vegetais, gorduras animais,
Diesel Verde moléculas a partir de gás de óleos residuais e outros materiais
síntese oriundo de resíduos graxos.
orgânicos, entre outros
Reforma de vapor de gás
natural, biodigestão
anaeróbica de biomassa,
Álcoois, resíduos e biomassa
Biohidrogênio gaseificação de plásticos
diversa
residuais e eletrólise da
água, reforma de álcoois

Fonte: IEA, elaboração Agroadvance

07
Vantagens da utilização de
biocombustíveis
A utilização dos biocombustíveis traz uma série de benefícios ambientais e
sociais dentre os quais estão o potencial de reduzir as emissões de gases de
efeito estufa e melhorar a segurança energética mundial , uma vez que a
maioria dos países depende de combustíveis fósseis importados. Vejamos
abaixo os principais benefícios:

Redução das emissões de Gases do Efeito Estufa (GEE)

Os biocombustíveis tem uma emissão líquida de CO 2 menor do que


combustíveis fósseis como a gasolina (Tabela 3) .

Isso ocorre porque as plantas absorvem dióxido de carbono (CO 2) da


atmosfera durante o seu crescimento, e esse CO 2 é liberado de volta para a
atmosfera quando os biocombustíveis são queimados.

No entanto, a quantidade total de CO 2 emitida pelos biocombustíveis é


menor do que a quantidade emitida pelos combustíveis fósseis, porque as
plantas absorvem mais CO 2 do que é liberado durante a queima dos
biocombustíveis.

A utilização do etanol da cana-de-açúcar, por exemplo, promove


redução de 59-82% nas emissões de CO2 comparado com a gasolina!

Tabela 3. Emissão de dióxido de carbono de matérias primas de primeira geração.

Redução da
Emissão líquida Emissão de carbono
emissão de GEE
Tipo de matéria-prima de carbono de combustível de
comparado à
(g CO2eq/MJ) avião (g CO2eq/MJ)
gasolina (%)

Milho 43-78 - 20-50

Cana-de-açúcar 16-45 - 59-82

Trigo 45-68 - 45-75

Beterraba sacarina 37 -

Colza - 50 20-85

Etanol de celulose 63-118

Semente de girassol - 42 35-110

Óleo de palma 16% turfa - 42-61 31

Óleo de palma 100% turfa - 80-100 31

Soja - - 45-110

Fonte: adaptado de Aron et al. (2020)

08
Menor Dependência de Combustíveis Fósseis

Os biocombustíveis podem ajudar a reduzir a dependência de combustíveis


fósseis, que são finitos e cada vez mais caros. Como os biocombustíveis são
produzidos a partir de fontes renováveis, eles podem ser produzidos de forma
sustentável e a preços mais estáveis do que os combustíveis fósseis.

A demanda global por biocombustíveis (principalmente etanol e


biodiesel) deve crescer de 41 a 53 bilhões de litros, ou 28%, ao longo de
2021 a 2026 (IEA, 2021).

O aumento na demanda por bicombustíveis segue o mesmo cenário global


energético de outras fontes de energias renováveis.

Até 2040, aproximadamente metade do fornecimento de energia da


população mundial provirá de energias renováveis, de acordo com o
Conselho Europeu das Energias Renováveis em 2006 (Tabela 4).

Tabela 4. Cenário global de energias renováveis em 2040.

2001 2010 2020 2030 2040


Consumo total (milhões de
10.038 10.549 11.425 12.352 13.310
ton. de óleo equivalente)
Biomassa 1.080 1.313 1.791 2.483 3.271

Grande hidroelétrica 22,7 266 309 341 358

Geotérmica 43,2 86 186 333 493

Pequena hidroelétrica 9,5 19 49 106 189

Eólica 4,7 44 266 542 688

Solar termal 4,1 15 66 244 480

Fotovoltaica 0,2 2 24 221 784

Eletricidade solar termal 0,1 0,4 3 16 68


Marinho (maré / onda /
0,05 0,1 0,4 3 20
oceano)
Fontes de Energia
1.365.5 1.745,5 2.694,4 4.289 6.351
renovável Total
Contribuição das fontes de
13,6 16,6 23,6 34,7 47,7
energias renováveis (%)
Fonte: Kralova & Sjöblom (2010).

Redução da poluição do ar

Os biocombustíveis produzem menos poluentes do ar do que os


combustíveis fósseis, uma vez que eles contêm menos enxofre e outros
compostos químicos prejudiciais à saúde humana e ao meio ambiente.

09
Estímulo à economia local
A produção de biocombustíveis pode estimular a economia local, criando
empregos e oportunidades de negócios em áreas rurais.

Os biocombustíveis podem ser produzidos a partir de culturas locais, o que


pode ajudar a diversificar a agricultura e a reduzir a dependência de
importações de combustíveis fósseis.

Um exemplo promissor no Brasil é o projeto BRAVE (Brazil Agave


Development), uma parceria entre a Universidade de Campinas (UNICAMP),
a Shell e o Senai Cimatec. Este projeto visa explorar o potencial do agave
como matéria-prima para a produção de biocombustíveis.

O agave é uma planta que demonstra um notável desenvolvimento em


ambientes com restrições de disponibilidade hídrica, como o semiárido
brasileiro.

Essa iniciativa não apenas contribui para a sustentabilidade energética,


mas também destaca a importância de adaptar as soluções de
biocombustíveis às condições específicas do Brasil, promovendo o
crescimento econômico e a resiliência ambiental, além de estímulo à
economia local.

Desvantagens da utilização
de biocombustíveis
Apesar de todos os benefícios, também há desvantagens da utilização de
biocombustívies. A produção de biocombustíveis também pode ter impactos
ambientais e sociais negativos, como:

✓ Emissões de Gases de Efeito Estufa na Produção: O processo de


produção de biocombustíveis pode, em alguns casos, gerar emissões
significativas de gases de efeito estufa, especialmente se houver
desmatamento associado ou práticas agrícolas intensivas.

✓ Concorrência com a produção de alimentos: a produção em larga


escala de biocombustíveis, especialmente os de primeira geração
(como etanol de milho), pode competir diretamente com a produção
de alimentos, resultando em aumento dos preços e impactos na
segurança alimentar.

✓ Uso de recursos (como água fertilizantes e energia) na produção: A


produção de biocombustíveis muitas vezes requer grandes
quantidades de recursos (água, fertilizantes e energia), o que pode
resultar em impactos ambientais significativos.

✓ Perda da biodiversidade: O uso intensivo das terras para produção de


culturas destinadas à produção de biocombustíveis pode levar a
perda da biodiversidade nos ecossistemas.

✓ Custo de Produção e Competitividade com Combustíveis Fósseis: Em


muitos casos, os biocombustíveis ainda são mais caros de produzir
em comparação com os combustíveis fósseis, tornando-os menos
competitivos no mercado.

10
Produção de biocombustíveis
no mundo
A produção mundial de biocombustíveis cresceu muito desde o ano 2.000,
atingindo um nível recorde de 154 bilhões de L em 2018, sendo o bioetanol o
grande destaque deste cenário (Figura 5 e 6).
Produção de biocombustíveis no mundo em bilhões de litros

Bioetanol Biodiesel Todos os outros biocombustíveis


Figura 5. Produção
mundial de
biocombustíveis do ano
2000 à 2018.
Fonte: Datta (2022).

Fonte: Itaú BBA, 2023.

A produção de biocombustíveis aumentou de 1,2 milhão de barris por dia


em 2011 para 1,8 milhão de barris por dia em 2021 (um aumento de 46%).

Produção mundial de biocombustíveis* (bilhões de litros)

Figura 6. Produção mundial de biocombustíveis de 2010 a 2022. Fonte: Itaú BBA, 2023.

11
E quais são os países que mais produzem biocombustíveis?

Os Estados Unidos foram o principal produtor de biocombustíveis do mundo


em 2022, com produção de 1.627 petajoules – 38% da produção mundial de
biocombustíveis (Figura 7).

Brasil e Indonésia ficaram em segundo e terceiro lugar, com números de


cerca de 915 e 390 petajoules, respectivamente.

Em comparação, a produção de biocombustíveis da Alemanha atingiu


cerca de 138 petajoules em 2022, colocando o país entre os cinco principais
países na produção de biocombustíveis e o principal produtor da Europa.

Fonte: Itaú BBA, 2023.

Figura 7. Países líderes com base na produção de biocombustíveis em todo o


mundo em 2022 (em petajoules). Fonte: Statista (2023).

12
Produção de biocombustíveis
no Brasil
A produção de biocombustíveis no Brasil é significativa, com destaque para:

▪ Etanol de cana-de-açúcar: principal biocombustível do país,


amplamente utilizado como combustível veicular. Em 2022 foram
produzidos cerca de 31,5 bilhões de litros (Figura 8).

▪ Etanol de milho: vêm ganhando destaque nos últimos anos. Em 2022


foram produzidos 4,5 bilhões de litros (os dados não estão inclusos na
Figura 8). As projeções indicam que até 2030 serão 10 bilhões de litros
produzidos no país.

▪ Biodiesel: produzido principalmente a partir de óleo de soja, é outro


componente importante na matriz energética brasileira, utilizado em
veículos e como aditivo ao diesel. No ano de 2022 foram produzidos
6,25 bilhões de litros, segundo dados da Agência Nacional do Petróleo,
Gás Natural e Biocombustíveis.

45,000,000

40,000,000

35,000,000
Produção total (m3)

30,000,000

25,000,000

20,000,000

15,000,000

10,000,000

5,000,000

0
2012 2013 2014 2015 2016 2017 2018 2019 2020 2021 2022

Biodiesel Etanol de cana-de-açúcar

Figura 8. Produção de biocombustíveis no Brasil de 2012 a 2022. Fonte: ANP, 2023.

O Brasil tem investido em tecnologias sustentáveis, práticas


agrícolas e incentivos políticos para garantir a viabilidade
ambiental e econômica da produção de biocombustíveis.

13
Consumo de biocombustíveis
no mundo
Em 2021, os EUA, Brasil, Europa e Indonésia foram os maiores consumidores
mundiais de biocombustíveis, representando 84% do consumo global de
biocombustíveis (Figura 9).
Mil barris de óleo equivalente
por dia

Figura 9. Consumo mundial de biocombustíveis. Fonte: Departament of Agriculture,


Fisheries and Foresty, Australian Governament, 2022.

Nos próximos cinco anos, os EUA e o Brasil continuarão a liderar a demanda e


a produção globais de biocombustíveis. A Ásia, particularmente a Indonésia,
a Malásia e a Índia, deverão ter o maior crescimento na procura.

➢ A Agência Internacional de Energia (AIE) espera que a procura por


biocombustíveis cresça de 146 bilhões de litros/ano em 2020 para entre
186 e 342 bilhões de litros/ano em 2026 (um aumento de 27%-134%).

➢ A magnitude do aumento dependerá:

➢ de os países cumprirem os seus objetivos políticos expressos de


aumentar a utilização de biocombustíveis e

➢ do preço relativo dos biocombustíveis em comparação com o


petróleo.

➢ > A OCDE-FAO prevê um crescimento do consumo de biocombustíveis


mais modesto do que a AIE (134 bilhões de litros de biocombustíveis em
2026).

Fonte: Departament of Agriculture, Fisheries and Foresty, Australian Governament. (2022).

13
Em diversos países existe normas regulatórias que obriga a presença de
biocombustíveis na matriz de transportes baseada em combustíveis fósseis,
de acordo com particularidades de cada país. Assim, ocorre a adição de
etanol na gasolina, por exemplo.

A figura 10 fornece uma representação visual dos principais países


envolvidos na produção e consumo de biocombustíveis e mostra a situação
dos mandatos de mistura em relação aos combustíveis fósseis.

Figura 10. Visão global dos biocombustíveis: produção, consumo e mandatos de mistura
na matriz de transportes. Fonte: Itaú BBA (2023).

Conclusões
Os biocombustíveis representam uma resposta crucial aos desafios ambientais
e energéticos enfrentados pelo mundo contemporâneo.

No cenário global, a demanda por biocombustíveis está em ascensão,


refletindo uma crescente conscientização sobre a necessidade de transição
para fontes mais sustentáveis de energia.

Diante das metas de redução de emissões e da busca por uma transição


energética mais verde, a diversificação e a otimização na produção de
biocombustíveis representam um passo significativo na direção de um futuro
mais sustentável. Portanto, investir em inovação, políticas regulatórias
favoráveis e práticas agrícolas sustentáveis são cruciais para garantir que os
biocombustíveis desempenhem um papel fundamental na construção de um
ambiente mais limpo e resiliente para as gerações futuras.

14
Referências
ARON, N.S.M.; KHOO, K.S.; CHEWM K.W.; SHOW, P.L.; CHEN, W.-H.; NGUYEN, T.H.P.
Sustainability of the four generations of biofuels – a review. International
Journal of Energy Research, p. 1-17, 2020. DOI: 10.1002/er.5557.

DATTA, B. An economic analysis of biofuels: policies, trade, and employment


Opportunities. In: SAHAY, S. (ed). Handbook of Biofuels. Academic Press. 2021. p.
3-29. DOI: 10.1016/C2019-0-04999-0.

Departament of Agriculture, Fisheries and Foresty, Australian Governament.


Snapshot of world biofuels. 2022. Disponível em:
https://www.agriculture.gov.au/sites/default/files/documents/december-
2022-snapshot-of-global-biofuel-market.pdf/. Data de acesso: 13 de
dezembro de 2023.

IEA. Renováveis 2021. Paris: IEA; 2021.

ITAU BBA. Biocombustíveis: aspectos básicos e a indústria norte-americana.


Consultoria Agro itaú BBA. Julho 2023. Disponível em:
https://www.itau.com.br/media/dam/m/69fe8d92cb2df138/original/Biocombu
stiveis-aspectos-basicos.pdf. Acesso: 12 dezembro 2023.

KRALOVA, I.; SJÖBLOM, J. Biofuel – Renewable energy sources: a review. Journal of


Dispersion Science and Technology. v. 31, p. 409-425, 2010. DOI:
10.1080/01932690903119674.

LIU, Y.; CRUZ-MORALES, P.; ZARGAR, A.; BELCHER, M.S.; PANG, B.; ENGLUND, E.; DAN, Q.;
YIN, K.; KEASLING, J.D. Biofuels for a sustainable future. Cell, v. 184, p. 1636-1647,
2021. DOI: 10.1016/j.cell.2021.01.052.

Autoria
Beatriz Nastaro Boschiero
Editora-chefe na Agroadvance

Engenheira Agrônoma, pela UNESP Botucatu (2010)

Mestra e Doutora e Solos em Nutrição de Plantas


pela ESALQ/USP (2013 e 2016).

Possui dois pós-doutorados (CNPEM e CENA/USP)

Atuou por mais de dois anos como tutora


presencial do curso de Agronomia EAD.

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