03 - Direitos e Deveres Individuais e Coletivos (Direitos em Espécie - Finalização)
03 - Direitos e Deveres Individuais e Coletivos (Direitos em Espécie - Finalização)
Nathalia Masson
Noções de Direito Constitucional – Soldado – PM CE Aula 03
Aula 03
Noções de Direito Constitucional – Direitos e
Deveres Individuais e Coletivos– 2ª Parte (análise
dos incisos XXII a LXXVIII do art. 5°, CF/88)
Soldado – PM CE
Prof. Nathalia Masson
1 de 108| www.direcaoconcursos.com.br
(Atualizada conforme edital de agosto/2021)
José Edson de Oliveira Filho - 11494582406
Prof. Nathalia Masson
Noções de Direito Constitucional – Soldado – PM CE Aula 03
Sumário
SUMÁRIO .................................................................................................................................. 2
DIREITOS E DEVERES INDIVIDUAIS E COLETIVOS – 2ª PARTE (ANÁLISE DOS INCISOS
XXII A LXXVIII DO ART. 5°, CF/88).................................................................................................. 4
(1) RECADO INICIAL ..............................................................................................................................................4
(2) ART. 5º, XXII, XXIII E XXIV - PROPRIEDADE .........................................................................................4
(A) INTRODUÇÃO ..................................................................................................................................................4
(B) FUNÇÃO SOCIAL DA PROPRIEDADE ............................................................................................................... 5
(C) LIMITAÇÕES AO DIREITO DE PROPRIEDADE................................................................................................ 8
(C.1) DESAPROPRIAÇÃO .......................................................................................................................................9
(C.2) REQUISIÇÃO .............................................................................................................................................. 12
(C.3) EXPROPRIAÇÃO (OU CONFISCO).............................................................................................................. 15
(3) ART. 5º, XXVI .............................................................................................................................................. 16
(4) ART. 5º, XXVII E XXVIII .......................................................................................................................... 17
(5) ART. 5º, XXIX .............................................................................................................................................. 18
(6) ART. 5º, XXX E XXXI - HERANÇA E SUCESSÃO ....................................................................................... 19
(7) ART. 5º, XXXII – DEFESA DO CONSUMIDOR ........................................................................................... 20
(8) ART. 5º, XXXIII – DIREITO GENÉRICO À INFORMAÇÃO ......................................................................... 21
(9) ART. 5º, XXXIV – DIREITO DE PETIÇÃO E DIREITO À OBTENÇÃO DE CERTIDÕES ................................. 21
(10) ART. 5º, XXXV – INAFASTABILIDADE DO JUDICIÁRIO ......................................................................... 21
(11) ART. 5º, XXXVI – LIMITAÇÃO A RETROATIVIDADE DA LEI .................................................................. 24
(12) ART. 5º, XXXVII E LIII – JUIZ NATURAL.............................................................................................. 28
(13) ART. 5º, XXXVIII – TRIBUNAL DO JÚRI ................................................................................................ 31
(14) ART. 5º, XXXIX E XL – LEGALIDADE PENAL E IRRETROATIVIDADE DA LEI PENAL ......................... 34
(15) ART. 5º, XLI, XLII, XLIII E XLIV - PRÁTICAS DISCRIMINATÓRIAS E CRIMES INAFIANÇÁVEIS ....... 37
(16) ART. 5º, XLV – INTRANSCENDÊNCIA DA PENA ...................................................................................... 42
(17) ART. 5º, XLVI – INDIVIDUALIZAÇÃO DA PENA ...................................................................................... 44
(18) ART. 5º, XLVII – VEDAÇÃO DE PENAS ................................................................................................... 44
(19) ART. 5º, XLVIII, XLIX, L, LXI, LXII, LXIII, LXIV, LXV, LXVI, LXXV – DIREITOS
ASSEGURADOS AOS PRESOS .......................................................................................................................................... 47
(20) ART. 5º, LI – EXTRADIÇÃO (BRASILEIRO NATO E NATURALIZADO) ..................................................... 51
(21) ART. 5º, LII – EXTRADIÇÃO (ESTRANGEIRO) ......................................................................................... 51
(22) ART. 5º, LIII – JUIZ NATURAL .................................................................................................................52
(23) ART. 5º, LIV – DEVIDO PROCESSO LEGAL...............................................................................................52
(24) ART. 5º, LV – CONTRADITÓRIO E AMPLA DEFESA ..................................................................................54
(25) ART. 5º, LVI - PROVAS ILÍCITAS ............................................................................................................... 55
(26) ART. 5º, LVII - PRINCÍPIO DA PRESUNÇÃO DE INOCÊNCIA OU DA NÃO CULPABILIDADE ................... 57
(27) ART. 5º, LVIII - IDENTIFICAÇÃO CRIMINAL ........................................................................................... 60
(28) ART. 5º, LIX - AÇÃO PENAL PRIVADA SUBSIDIÁRIA DA PÚBLICA.......................................................... 61
(29) ART. 5º, LX – PUBLICIDADE DOS ATOS PROCESSUAIS .......................................................................... 62
(30) ART. 5º, LXVII – PRISÃO CIVIL POR DÍVIDA ......................................................................................... 64
(31) ART. 5º, LXVIII – HABEAS CORPUS ........................................................................................................ 67
(32) ART. 5º, LXIX – MANDADO DE SEGURANÇA .......................................................................................... 67
(33) ART. 5º, LXX – MANDADO DE SEGURANÇA COLETIVO .......................................................................... 67
(34) ART. 5º, LXXI – MANDADO DE INJUNÇÃO ............................................................................................ 68
(35) ART. 5º, LXXII – HABEAS DATA............................................................................................................. 68
(36) ART. 5º, LXXIII – AÇÃO POPULAR......................................................................................................... 68
(37) ART. 5º, LXXIV – ASSISTÊNCIA JURÍDICA ESTATAL ............................................................................ 68
(38) ART. 5º, LXXV – ERRO JUDICIÁRIO ...................................................................................................... 70
2 de 108| www.direcaoconcursos.com.br
José Edson de Oliveira Filho - 11494582406
Prof. Nathalia Masson
Noções de Direito Constitucional – Soldado – PM CE Aula 03
3 de 108| www.direcaoconcursos.com.br
José Edson de Oliveira Filho - 11494582406
Prof. Nathalia Masson
Noções de Direito Constitucional – Soldado – PM CE Aula 03
(A) Introdução
Abarcando as prerrogativas de usar, gozar, dispor e possuir um bem (material ou não), bem
como a de reavê-la diante de detenção indevida por outrem, o direito de propriedade é assegurado pela
Constituição Federal em seu art. 5º, em variados incisos (XXII, XXIII, XXIV, XXV, XXVI, XXVII, XXVIII,
XXIX, XXX e XXXI).
Note, caro aluno, que nossa Constituição protege a propriedade de forma muito ampla,
englobando quaisquer direitos de conteúdo patrimonial, sejam eles materiais ou mesmo imateriais,
como os direitos autorais, a propriedade industrial (marcas) e o direito à herança.
4 de 108| www.direcaoconcursos.com.br
José Edson de Oliveira Filho - 11494582406
Prof. Nathalia Masson
Noções de Direito Constitucional – Soldado – PM CE Aula 03
Mas, como o direito de propriedade não poderá, por óbvio, ser considerado absoluto, as
relativizações trazidas pela Constituição Federal serão apresentadas nos itens a seguir, por intermédio
de comentários referentes à função social da propriedade (art. 5°, XXIII), à desapropriação (art. 5º,
XXIV), à requisição (art. 5º, XXV, da CF/88), e à expropriação (art. 243, CF/88).
Portanto, vamos trabalhar, pois temos muitos incisos a enfrentar!
(B) Função social da propriedade
Quando garantiu o direito à propriedade, nosso texto constitucional explicitamente
determinou que ela deveria atender a sua função social (art. 5º, XXIII).
Esse inciso divide a opinião dos autores. Na percepção de alguns12, a função social é uma
limitação ao exercício da prerrogativa; para outros, todavia, ela é parte integrante da própria estrutura
do direito, não havendo que se falar, no texto constitucional, de tutela à propriedade que não atenda à
sua função social. Partidário dessa segunda acepção, José Afonso da Silva preceitua que “a função
social da propriedade não se confunde com os sistemas de limitação da propriedade. Estes dizem
respeito ao exercício do direito ao proprietário; aquela, à estrutura do direito mesmo, à propriedade”.3
Nosso entendimento, todavia, é a de que a primeira visão referente à função social é a mais
correta. Isso porque, ainda que o cumprimento da função social seja essencial para que o proprietário
usufrua plenamente de todas as faculdades que o direito lhe confere, sua eventual inobservância não
poderá subtrair do proprietário inadimplente todos os seus direitos referentes ao bem. Desta forma,
confundir a propriedade com sua função social “daria margem até para justificar a expropriação sem o
pagamento de indenização”.4
Sugiro, portanto, que você entenda a função social como uma exigência constitucional que, se
efetivada, culmina no reconhecimento de que o direito de propriedade estará resguardado na sua
plenitude.
E o que é que justifica essa imposição constitucional de respeito à função social? É uma releitura
contemporânea, que defende que a noção individualista de propriedade cedeu e deu lugar à uma
concepção que não nega o direito individual, mas o ajusta aos interesses sociais. A função social tem por
objetivo impulsionar o indivíduo a contribuir com o bem-estar da coletividade em detrimento de
1
. NOVELINO, Marcelo. Direito Constitucional. 9ª ed. São Paulo: Método, 2014, p. 535.
2
. BERNARDES, Juliano Taveira; FERREIRA, Olavo Augusto Vianna Alves. Sinopses para Concursos: v. 17 - Direito
Constitucional - Tomo II. 3ª ed. Salvador: Juspodivm, 2014, p. 107.
3
. SILVA, José Afonso da. Curso de Direito Constitucional positivo. 33ª ed. Malheiros, 2010. p. 281 e 282.
4
. BERNARDES, Juliano Taveira; FERREIRA, Olavo Augusto Vianna Alves. Sinopses para Concursos: v. 17 - Direito
Constitucional - Tomo II. 3ª ed. Salvador: Juspodivm, 2014, p. 107.
5 de 108| www.direcaoconcursos.com.br
José Edson de Oliveira Filho - 11494582406
Prof. Nathalia Masson
Noções de Direito Constitucional – Soldado – PM CE Aula 03
interesses egoísticos e unicamente individuais. Não por outra razão, a propriedade privada e sua função
social foram listadas como princípios da ordem econômica (art. 170, II e III, CF/88).
Para reforçar nossa ideia, trago as precisas palavras do STF:
o direito de propriedade não se reveste de caráter absoluto, eis que, sobre ele, pesa grave
hipoteca social, a significar que, descumprida a função social que lhe é inerente (CF, art. 5º,
XXIII), legitimar-se-á a intervenção estatal na esfera dominial privada, observados, contudo,
para esse efeito, os limites, as formas e os procedimentos fixados na própria CR. O acesso à
terra, a solução dos conflitos sociais, o aproveitamento racional e adequado do imóvel rural, a
utilização apropriada dos recursos naturais disponíveis e a preservação do meio ambiente
constituem elementos de realização da função social da propriedade5.
No que se refere à função social dos imóveis rurais, a Constituição Federal preceituou, em seu
art. 186, que será cumprida quando a propriedade rural atender, simultaneamente, segundo critérios e
graus de exigência estabelecidos em lei, os seguintes requisitos:
(i) aproveitamento racional e adequado;
(ii) utilização adequada dos recursos naturais disponíveis e preservação do meio ambiente;
(iii) observância das disposições que regulam as relações de trabalho;
(iv) exploração que favoreça o bem-estar dos proprietários e dos trabalhadores.
Repare, caro aluno, que a efetivação da função social por imóveis rurais dependerá da
obediência a três ordens de condições6:
(i) econômica: relacionada à produtividade do imóvel (que deve ser aproveitado racionalmente e
adequadamente);
(ii) social: ótica que implica na obediência das normas referentes às relações de trabalho, visando
essencialmente o bem-estar dos envolvidos na atividade;
(iii) ecológica: utilização responsável do imóvel, com vistas a assegurar a proteção ao direito
fundamental ao meio ambiente.
Se o imóvel rural descumprir sua função social, poderemos ter a desapropriação, pois nos
termos do art. 184, CF/88, “compete à União desapropriar por interesse social, para fins de reforma
agrária, o imóvel rural que não esteja cumprindo sua função social, mediante prévia e justa indenização
em títulos da dívida agrária, com cláusula de preservação do valor real, resgatáveis no prazo de até
vinte anos, a partir do segundo ano de sua emissão, e cuja utilização será definida em lei”.
Por outro lado, a propriedade urbana cumprirá sua função social quando atender às
5
. Na ADI 2.213-MC, relatada pelo Min. Celso de Mello e noticiada no Informativo 301, STF.
6
. BERNARDES, Juliano Taveira; FERREIRA, Olavo Augusto Vianna Alves. Sinopses para Concursos: v. 17 - Direito
Constitucional - Tomo II. 3ª ed. Salvador: Juspodivm, 2014, p. 108.
6 de 108| www.direcaoconcursos.com.br
José Edson de Oliveira Filho - 11494582406
Prof. Nathalia Masson
Noções de Direito Constitucional – Soldado – PM CE Aula 03
exigências fundamentais de ordenação da cidade expressas no plano diretor (art. 182, § 2º, CF/88). A
propósito, o plano diretor – aprovado pela Câmara Municipal e obrigatório em cidades com mais de
vinte mil habitantes –, é o instrumento básico da política de desenvolvimento e de expansão urbana,
conforme enuncia o art. 182, § 1º, CF/88.
A Constituição, em seu art. 182, § 4º, CF/88, faculta ao Poder Público municipal, mediante lei
específica para área incluída no plano diretor, exigir, nos termos da lei federal, do proprietário do solo
urbano não edificado, subutilizado ou não utilizado, que promova seu adequado aproveitamento, sob
pena, sucessivamente, de: I – parcelamento ou edificação compulsórios; II – imposto sobre a
propriedade predial e territorial urbana progressivo no tempo; III – desapropriação com pagamento
mediante títulos da dívida pública de emissão previamente aprovada pelo Senado Federal, com prazo
de resgate de até dez anos, em parcelas anuais, iguais e sucessivas, assegurados o valor real da
indenização e os juros legais.
Por fim, vale deixar firmado que, nada obstante a importância da função social da propriedade,
o seu descumprimento não justifica invasões clandestinas, revestidas de caráter ilícito, que nada mais
são do que atos atentatórios ao Estado de Direito. Assim, não é admissível que nenhum agrupamento
de pessoas resolva ‘substituir’ o Estado na definição das consequências da desobediência à exigência
constitucional do atendimento à função social.
Comentário:
Em razão da previsão dos incisos XXII e XXIII do art. 5º, pode marcar este item como correto.
Gabarito: Certo
[CESGRANRIO - 2018 - Petrobras - Advogado Júnior] Nos termos da Constituição de 1988, o direito de
propriedade é um direito:
A) social, cabendo ao proprietário respeitar os limites da função social.
B) social, pois não possibilita ao proprietário dispor conforme o seu próprio e exclusivo interesse.
C) individual, que impede qualquer tipo de intervenção do Estado.
D) individual absoluto, que possibilita ao proprietário sempre dispor conforme o seu próprio e exclusivo
7 de 108| www.direcaoconcursos.com.br
José Edson de Oliveira Filho - 11494582406
Prof. Nathalia Masson
Noções de Direito Constitucional – Soldado – PM CE Aula 03
interesse.
E) individual relativo, cabendo ao proprietário respeitar os limites da função social.
Comentário:
Você bem sabe, caro aluno, que a propriedade representa um direito individual. Todavia, não é absoluto,
aliás, como costuma acontecer com os demais direitos e garantias individuais. A relatividade de tal direito
fica evidente quando nos lembramos do inciso XXII do art. 5º, que determina ao proprietário o necessário
respeito à função social.
Gabarito: E
Trataremos de cada uma dessas restrições nos itens seguintes, demonstrando de que forma
elas limitam o exercício do direito.
7
. MASSON, Nathalia. Manual de Direito Constitucional. Salvador: Juspodivm, 2021.
8 de 108| www.direcaoconcursos.com.br
José Edson de Oliveira Filho - 11494582406
Prof. Nathalia Masson
Noções de Direito Constitucional – Soldado – PM CE Aula 03
(C.1) Desapropriação
Como o direito de propriedade perdura ao longo de toda a vida do proprietário e, com sua
morte, é transmitido aos seus sucessores, a princípio, podemos considerá-lo um direito de duração
ilimitada, vale dizer, perpétuo.
Todavia, o Poder Público pode determinar a desapropriação da propriedade particular por
meio de uma transferência compulsória, em que toma para si (ou transfere para terceiros) bens
particulares, mediante o pagamento de justa e prévia indenização (em regra, em dinheiro).
Não há dúvida, futuro Soldado da PM CE, que a desapropriação é uma maneira bastante
agressiva de o Estado intervir no direito de propriedade. No entanto, é a forma que o Poder Público tem
para vencer eventuais obstáculos à efetivação de obras e serviços de interesse da coletividade, como,
por exemplo, a construção de um viaduto, de uma rodovia, ou até mesmo a criação de uma reserva
ambiental.
Uma vez que não há nenhum título anterior (ou seja, adquire-se o bem independentemente de
qualquer situação jurídica prévia), a desapropriação é considerada uma forma originária de aquisição
da propriedade. Assim, “o bem expropriado ingressa no domínio público livre de ônus, gravames ou
relações jurídicas, de natureza real ou pessoal, que eventualmente o atinjam”.8
O inciso XXIV do art. 5º da CF/88 prevê que a desapropriação depende de prévia declaração do
Poder Público de que o bem é de (i) necessidade pública, (ii) utilidade pública ou (iii) interesse social.
Vejamos o significado de cada uma dessas expressões:
(i) Na necessidade pública, a Administração Pública precisa realizar, em caráter emergencial, uma
atividade essencial e indispensável ao Estado e, por isso, deve promover a transferência urgente de
bens particulares para o domínio público – pois desapropriar foi a única solução administrativa
encontrada para resolver uma adversidade. A doutrina9 entende que as situações descritas no art. 5º,
do Decreto-lei 3.365/1941 (Lei Geral de Desapropriações), alíneas “a”, “b” e “c” (segurança nacional,
defesa do Estado e socorro público em caso de calamidade) são hipóteses de necessidade pública (em
que pese o decreto listá-las como situações de utilidade pública).
(ii) Na utilidade pública, a realização de uma atividade estatal não é urgente ou imprescindível, mas é
conveniente para o Estado. Destarte, a desapropriação não é a única, mas sim a melhor solução
existente para superar o problema. O art. 5º do Decreto-lei 3.365/1941 (Lei Geral de Desapropriações),
8
. MAZZA, Alexandre. Manual de Direito Administrativo. 4ª ed. São Paulo: Saraiva, 2014, p. 718.
9
. MEIRELLES, Hely Lopes. Direito Administrativo Brasileiro. 23ª ed. São Paulo: Malheiros Editores, 1998, p. 494 e 495.
9 de 108| www.direcaoconcursos.com.br
José Edson de Oliveira Filho - 11494582406
Prof. Nathalia Masson
Noções de Direito Constitucional – Soldado – PM CE Aula 03
excetuando suas alíneas “a”, “b” e “c”, enuncia as hipóteses que autorizam essa modalidade de
restrição.
(iii) Já o interesse social objetiva promover justa distribuição da propriedade para que esta seja mais
bem aproveitada, em benefício da coletividade ou de segmentos sociais que mereçam amparo especial
por parte do Estado. Essa modalidade tem caráter sancionatório (que fica evidente em razão de o
pagamento não ser realizado em dinheiro, mas sim mediante títulos da dívida pública), destinando-se
aos proprietários de imóveis que descumpram a função social constitucionalmente exigida. Como
exemplos de desapropriação por interesse social, podemos listar as desapropriações para política
urbana e as desapropriações para reforma agrária. Falemos de cada uma delas:
(a) Desapropriações para política urbana (art. 182, §4º, III, CF/88): se o imóvel urbano não cumprir sua
função social, poderá o Município exigir o parcelamento ou edificação compulsórios e, não sendo tal
medida satisfatória, poderá o ente federado determinar a cobrança de IPTU progressivo no tempo.
Todavia, se nenhum dos dois procedimentos for suficiente para desembaraçar o problema, a
Constituição autoriza que o Município adote a medida enunciada no inciso III, a saber: a desapropriação
mediante pagamento por meio de títulos da dívida pública de emissão previamente aprovada pelo
Senado Federal, com prazo de resgate de até dez anos, em parcelas anuais, iguais e sucessivas,
assegurados o valor real da indenização e os juros legais.
(b) Desapropriações para reforma agrária (art. 184, CF/88): nesse caso, é de competência exclusiva da
União desapropriar o imóvel rural que não esteja cumprindo sua função social, mediante prévia e justa
indenização em títulos da dívida agrária, com cláusula de preservação do valor real, resgatáveis no
prazo de até vinte anos, a partir do segundo ano de sua emissão. Diga-se, ainda, que as benfeitorias
úteis e necessárias serão indenizadas em dinheiro (art. 184, § 1º, CF/88), enquanto as voluptuárias
integrarão os títulos da dívida agrária.
Obs.: Um detalhe importante: a competência da União só é exclusiva para promover a desapropriação
do imóvel rural por interesse público para fins de reforma agrária. As outras entidades federadas
também podem promover a desapropriação de imóvel rural, desde que com fundamento na
necessidade ou utilidade pública.
10 de 108| www.direcaoconcursos.com.br
José Edson de Oliveira Filho - 11494582406
Prof. Nathalia Masson
Noções de Direito Constitucional – Soldado – PM CE Aula 03
A lei estabelecerá o procedimento para desapropriação por utilidade pública, mediante justa e posterior
indenização.
Comentário:
Notou que o item é falso? Isso em razão da previsão do inciso XXIV do art. 5º, que determina que a
indenização deverá ser justa e prévia e paga em dinheiro.
Gabarito: Errado
[FUNDATEC - 2018 - SPGG - RS - Analista de Planejamento, Orçamento e Gestão - Adaptada] No que diz
respeito aos direitos e garantias fundamentais previstos na Constituição Federal, analise a seguinte
afirmação:
A propriedade atenderá a sua função social, admitindo-se a desapropriação por necessidade ou utilidade
pública, ou por interesse social, mediante justa e prévia indenização em dinheiro, ressalvados os casos
previstos em lei.
Comentário:
O item caminhava muito bem... no entanto, será considerado falso em razão da parte final. Isso porque o
inciso XXIV do art. 5º determina que tais ressalvas deverão estar previstas na Constituição, e não em lei.
Gabarito: Errado
D) precatórios judiciais.
E) ordens de pagamento do Tesouro.
Comentário:
Conforme determina o art. 5º, XXIV, CF/88, a lei estabelecerá o procedimento para desapropriação por
necessidade ou utilidade pública, ou por interesse social, mediante justa e prévia indenização em dinheiro,
ressalvados os casos previstos na Constituição Federal. Desta forma, nossa resposta está na letra ‘b’.
Lembre-se que quando a desapropriação ocorre por interesse social o pagamento não será realizado em
dinheiro, mas sim mediante títulos da dívida pública, visto que essa modalidade de desapropriação tem
caráter sancionatório.
11 de 108| www.direcaoconcursos.com.br
José Edson de Oliveira Filho - 11494582406
Prof. Nathalia Masson
Noções de Direito Constitucional – Soldado – PM CE Aula 03
Gabarito: B
[IBFC - 2017 - EBSERH - Advogado (HUGG-UNIRIO)] Analise os itens a seguir e considere as normas da
Constituição Federal sobre a garantia de sigilo para assinalar a alternativa correta:
A) A lei estabelecerá o procedimento para desapropriação por necessidade ou utilidade pública, mediante
justa e prévia indenização em dinheiro, ressalvados os casos previstos na própria Constituição, sendo vedado
tal ato por interesse social
B) A lei estabelecerá o procedimento para desapropriação por necessidade ou utilidade pública, ou por
interesse social, mediante justa e posterior indenização em dinheiro, ressalvados os casos previstos na
própria Constituição
C) A lei estabelecerá o procedimento para desapropriação por necessidade ou utilidade pública, ou por
interesse social, mediante justa e posterior indenização em dinheiro ou isenções, ressalvados os casos
previstos na própria Constituição
D) A lei estabelecerá o procedimento para desapropriação por necessidade ou utilidade pública, ou por
interesse social, mediante justa e prévia indenização em dinheiro ou títulos, ressalvados os casos previstos na
própria Constituição
E) A lei estabelecerá o procedimento para desapropriação por necessidade ou utilidade pública, ou por
interesse social, mediante justa e prévia indenização em dinheiro, ressalvados os casos previstos na própria
Constituição
Comentário:
A letra ‘e’ é a tradução exata do inciso XXIV do art. 5º, sendo, portanto, nossa resposta.
Gabarito: E
(C.2) Requisição
Podemos considerar a requisição como sendo uma forma de intervenção pública no direito de
propriedade em situações emergenciais, em que há iminente perigo público e a autoridade
competente precisa usar temporariamente uma propriedade particular (art. 5º, XXV).
Existem duas modalidades de requisição: a civil (art. 5º, XXV, CF/88) e a militar (art. 139, VII, da
CF/88). Em nenhuma delas teremos a perda da propriedade (supressão de domínio), mas, tão somente,
o uso do bem pelo Estado no intuito de atender o interesse público.
A requisição terá lugar em situações de urgência, nas quais o Poder Público não tem tempo
suficiente para a adotar outras providências alternativas que não dependam da interferência nos bens
particulares.
O fato é: o Estado precisa da propriedade privada, a utiliza e a devolve ao proprietário logo após
a ação. Se por acaso, com tal postura, o Estado gerar danos, terá que pagar uma indenização. Do
12 de 108| www.direcaoconcursos.com.br
José Edson de Oliveira Filho - 11494582406
Prof. Nathalia Masson
Noções de Direito Constitucional – Soldado – PM CE Aula 03
contrário, não tendo ocorrido qualquer avaria ao bem utilizado, a indenização não será necessária.
Assim, caro aluno, repare que é justamente em razão da necessária comprovação de existência
de dano, que a indenização será sempre posterior.
Importante destacar que a requisição só atinge bens particulares, não bens de outros entes
federados. Partindo dessa premissa, o Min. Celso de Mello (aposentado em outubro de 2020), em abril
de 2020 (durante o combate à pandemia decorrente da Covid-19), determinou que a União não poderia
requisitar respiradores que tinham sido adquiridos pelo governo do Maranhão (Ação Cível Originária -
ACO 3385). O Estado do Maranhão, ao pedir a suspensão da medida que houvera sido determinada
pela União, argumentou que a autonomia dos entes federados impediria que um deles (no caso, a
União) assumisse, mediante simples requisição administrativa, o patrimônio, o quadro de pessoal e os
serviços de outro ente público. A única ressalva seria a excepcional circunstância de se tratar de
requisição federal de bens públicos na vigência do estado de defesa (CF, art. 136, § 1º, II) ou do estado
de sítio (CF, art. 139, inciso VII). Ademais, por se tratar de conflito federativo, o STF era a instância
adequada para decidir o tema (art. 102, I, ‘f’, CF/88).
Note, estimado aluno, que o instituto da requisição administrativa foi bastante debatido no
ano de 2020, durante o combate à pandemia da Covid-19. O STF se pronunciou sobre o tema na ADI
6362 (julgada em setembro/2020), determinando que os Estados-membros, o Distrito Federal e os
Municípios podem, no exercício de suas competências constitucionais, decretar a requisição
administrativa prevista na Lei nº 13.979/202010. Assim, restou firmado pela nossa Corte Suprema que os
gestores locais de saúde (secretarias estaduais e municipais, por exemplo) façam as requisições de bens
e serviços (como a utilização de leitos de UTIs de hospitais privados, dentre outros recursos) mesmo
sem autorização do Ministério da Saúde (do governo federal). Um dos fundamentos centrais utilizados
pelo STF foi o de que constitui competência comum da União, Estados, DF e Municípios “cuidar da
saúde e assistência pública” (art. 23, II) – o que significa que a defesa da saúde é atribuição de todas as
unidades federadas, que será efetivada sem que os entes dependam da autorização de outros níveis
governamentais para levá-las a efeito, cumprindo-lhes, tão somente, consultar o interesse público que,
por obrigação constitucional, os entes têm de preservar.
10
. Lei federal editada em fevereiro de 2020, estabelecendo medidas para o enfrentamento do coronavírus.
13 de 108| www.direcaoconcursos.com.br
José Edson de Oliveira Filho - 11494582406
Prof. Nathalia Masson
Noções de Direito Constitucional – Soldado – PM CE Aula 03
Por fim, para lhe ajudar a confrontar a desapropriação e a requisição, veja a seguir um quadro
comparativo entre as duas modalidades de restrição à propriedade já estudadas:
Requisição Desapropriação
Aquisição da propriedade –
Visa o uso da propriedade
há transferência compulsória
No caso de iminente perigo público, a autoridade competente poderá utilizar-se de propriedade particular,
assegurada ao proprietário indenização ulterior.
Comentário:
O inciso XXV do art. 5º é expresso em dizer que a indenização somente será paga se houver dano. Estamos,
portanto, diante de um item falso.
Gabarito: Errado
[FCC - 2015 - TRE-AP - Analista Judiciário - Administrativa] Francisco reside em um imóvel de sua
propriedade. Em caso de iminente perigo público, a autoridade competente poderá:
B) usar da propriedade particular de Francisco, assegurada a ele indenização ulterior, se houver dano.
14 de 108| www.direcaoconcursos.com.br
José Edson de Oliveira Filho - 11494582406
Prof. Nathalia Masson
Noções de Direito Constitucional – Soldado – PM CE Aula 03
Francisco, sem direito à indenização, já que há necessidade pública e que a propriedade não atende a sua
função social.
Comentário:
A autoridade competente poderá usar da propriedade particular de Francisco e, se ocasionar algum dano,
deverá posteriormente indenizá-lo. Assim, nos termos do art. 5º, XXV, a letra ‘d’ é nossa resposta.
Gabarito: B
[Quadrix - 2020 - CREFONO - 1ª Região - Profissional Administrativo] A Constituição Federal de 1988 traz,
em seu Título II, denominado “Dos Direitos e das Garantias Fundamentais”, disposições relacionadas aos
direitos e aos deveres individuais e coletivos, aos direitos sociais, à nacionalidade, à cidadania, aos direitos
políticos, entre outras. Com base no ordenamento constitucional, julgue o item:
É garantido o direito de propriedade, porém a autoridade competente poderá usar de propriedade particular
em caso de iminente perigo público, estando assegurada indenização ulterior em caso de dano.
Comentário:
Nos termos do art. 5º, XXII e XXV, da CF/88, o item é verdadeiro. O direito de propriedade, de fato, é
garantido pela Constituição Federal. Mas, no caso de iminente perigo público, a autoridade competente
poderá usar de propriedade particular, assegurada ao proprietário indenização ulterior, se houver dano.
Gabarito: Certo
15 de 108| www.direcaoconcursos.com.br
José Edson de Oliveira Filho - 11494582406
Prof. Nathalia Masson
Noções de Direito Constitucional – Soldado – PM CE Aula 03
[FUNCAB - 2014 - MDA - Técnico em Agrimensura - Adaptada] Sobre os direitos e garantias fundamentais,
julgue a assertiva:
É permitida a penhora da pequena propriedade rural trabalhada pela família para pagamento de débitos
decorrentes da atividade produtiva.
Comentário:
Os dois itens devem ser marcados como falsos. Afinal, a Constituição determina que a pequena propriedade
rural, assim definida em lei e desde que seja trabalhada pela família, não será objeto de penhora para
pagamento de débitos decorrentes de sua atividade produtiva.
Gabarito: Errado/Errado
16 de 108| www.direcaoconcursos.com.br
José Edson de Oliveira Filho - 11494582406
Prof. Nathalia Masson
Noções de Direito Constitucional – Soldado – PM CE Aula 03
Aos autores, pertence o direito exclusivo de utilização, publicação ou reprodução de suas obras, vedada a
transmissão a herdeiros.
[CESPE - 2013 - TRT - 8ª Região (PA e AP) - Técnico Judiciário - Adaptada] Analise a assertiva acerca de
direitos e deveres individuais e coletivos previstos na CF:
Aos autores pertence o direito exclusivo de utilização, publicação ou reprodução de suas obras. Esse direito é
intransmissível aos herdeiros.
Comentário:
O inciso XXVII do art. 5º permite que os autores transmitam o direito exclusivo de utilização, publicação ou
reprodução de suas obras aos seus herdeiros, pelo tempo que a lei fixar. Portanto, os dois itens são falsos.
Gabarito: Errado/Errado
[FCC - 2015 - TRT - 9ª REGIÃO (PR) - Analista Judiciário - Área Apoio Especializado - Tecnologia da
Informação - Adaptada] Sobre os Direitos e Deveres Individuais e Coletivos previstos na Constituição Federal,
julgue a assertiva:
São asseguradas, nos termos da lei, a proteção às participações individuais em obras coletivas e à reprodução
da imagem e voz humanas, exceto nas atividades desportivas.
Comentário:
O item é falso, uma vez que o inciso XXVIII não exclui as atividades desportivas, ao contrário, as menciona.
Gabarito: Errado
17 de 108| www.direcaoconcursos.com.br
José Edson de Oliveira Filho - 11494582406
Prof. Nathalia Masson
Noções de Direito Constitucional – Soldado – PM CE Aula 03
A lei assegurará aos autores de inventos industriais privilégio temporário para sua utilização, bem como
proteção às criações industriais, à propriedade das marcas, aos nomes de empresas e a outros signos
distintivos, tendo em vista o interesse social e o desenvolvimento tecnológico e econômico do País.
[CESPE - 2011 - CNPQ - Assistente] Julgue o item subsequente, no que concerne aos direitos e às garantias
fundamentais, segundo a CF:
A CF garante o direito de propriedade intelectual e assegura aos autores de inventos industriais privilégio
permanente para a sua utilização, além de proteção às criações industriais, à propriedade das marcas, aos
nomes de empresas e outros signos distintivos, considerando o interesse social e o desenvolvimento
tecnológico e econômico do Brasil.
Comentário:
Como a Constituição garante aos autores dos inventos industriais o privilégio temporário para a sua utilização,
o primeiro item é verdadeiro e o segundo é falso.
Gabarito: Certo/Errado
18 de 108| www.direcaoconcursos.com.br
José Edson de Oliveira Filho - 11494582406
Prof. Nathalia Masson
Noções de Direito Constitucional – Soldado – PM CE Aula 03
Gabarito: Errado
[INSTITUTO AOCP - 2018 - TRT - 1ª REGIÃO (RJ) - Analista Judiciário - Engenharia Civil - Adaptada] De
acordo com o que dispõe a Constituição Federal acerca dos direitos e deveres individuais e coletivos, julgue a
assertiva:
A sucessão de bens de estrangeiros situados no País será regulada pela lei brasileira em benefício do cônjuge
ou dos filhos brasileiros, sempre que não lhes seja mais favorável a lei pessoal do "de cujus".
[CESPE - 2013 - TJ-BA - Titular de Serviços de Notas e de Registros - Adaptada] Ainda com relação aos
direitos e garantias fundamentais, julgue a assertiva:
A sucessão de bens de estrangeiros situados no país será regulada pela lei brasileira em benefício do cônjuge
ou dos filhos brasileiros, ainda que lhes seja mais favorável a lei pessoal do de cujus.
[FUMARC - 2016 - CBTU - Técnico Industrial - TIN -Edificações - Adaptada] A respeito dos direitos e das
19 de 108| www.direcaoconcursos.com.br
José Edson de Oliveira Filho - 11494582406
Prof. Nathalia Masson
Noções de Direito Constitucional – Soldado – PM CE Aula 03
A sucessão de bens de estrangeiros situados no País será sempre regulada pela lei brasileira em benefício do
cônjuge ou dos filhos brasileiros.
Comentário:
Em razão do art. 5º, em seu inciso XXXI, determinar que a sucessão de bens estrangeiros situados em nosso
país será regulada pela lei brasileira em benefício do cônjuge ou dos filhos brasileiros, desde que a lei pessoal
do falecido não seja mais favorável, poderemos marcar o primeiro item como verdadeiro e os dois últimos
como falsos.
Gabarito: Certo/Errado/Errado
Comentário:
Em seu art. 5º, inciso XXXII, a Constituição delimitou que o Estado vai promover a defesa do consumidor, na
forma da lei. Como o poder originário não exigiu que tal lei fosse complementar, estamos diante da matéria
residual que poderá ser regulamentada via lei ordinária. Por essa razão, o primeiro item é falso. No mais,
como o Estado é responsável pela promoção de tal defesa, o segundo item também é falso.
Em conclusão: os dois itens são falsos, uma vez que caberá ao Estado promover, na forma da lei (e não na
forma de lei complementar), a defesa do consumidor, conforme dispõe o art. 5º, XXXII da CF/88.
20 de 108| www.direcaoconcursos.com.br
José Edson de Oliveira Filho - 11494582406
Prof. Nathalia Masson
Noções de Direito Constitucional – Soldado – PM CE Aula 03
21 de 108| www.direcaoconcursos.com.br
José Edson de Oliveira Filho - 11494582406
Prof. Nathalia Masson
Noções de Direito Constitucional – Soldado – PM CE Aula 03
contencioso administrativo), permite que tanto a Administração quanto o Judiciário decidam questões
em caráter definitivo.
Como trabalhamos com o sistema de jurisdição una, ainda que uma questão esteja sendo
discutida no âmbito administrativo, depois essa mesma demanda poderá ser levada ao conhecimento
do Poder Judiciário.
Não sendo um princípio absoluto, a doutrina aponta algumas exceções à regra geral da
inafastabilidade da jurisdição. São casos nos quais o acionamento do Poder Judiciário somente se dará
após o prévio esgotamento da via administrativa. Em outras palavras: em determinados casos, a lesão
ou ameaça de lesão a direito somente poderá ser levada ao conhecimento do Poder Judiciário após o
sujeito já ter tentado resolver a questão na via administrativa.
Dois bons exemplos são os seguintes:
(i) Art. 217, § 1º CF/88: O Poder Judiciário somente admitirá ações relativas à disciplina e às
competições desportivas após esgotarem-se as instâncias da justiça desportiva, regulada em lei.
(ii) O Habeas Data somente será admitido após esgotamento prévio da via administrativa.
(entendimento do STF – HD 22/DF, entre outros – e do STJ, na Súmula nº2). Isso significa, que o sujeito
somente poderá impetrar o HD se na petição inicial ele for capaz de demonstrar que já tentou ter
acesso ou retificar as informações próprias na via administrativa e não conseguiu (ou obteve uma
recusa como resposta ou então a autoridade administrativa foi omissa e não o respondeu no prazo
estabelecido na Lei do HD – art. 8° da Lei 9.507/1997 –, que é de 10 ou 15 dias, a depender do caso).
(iii) Contra ato ou omissão da Administração Pública (que contraria o teor de súmula vinculante ou a
aplique indevidamente), o uso da reclamação no STF só será admitido após prévio esgotamento das
vias administrativas.
c) da legalidade.
22 de 108| www.direcaoconcursos.com.br
José Edson de Oliveira Filho - 11494582406
Prof. Nathalia Masson
Noções de Direito Constitucional – Soldado – PM CE Aula 03
Consoante determinar o art. 5º, em seu inciso XXXV, estamos a tratar do princípio da inafastabilidade da
jurisdição. Pode assinalar a letra ‘d’.
Gabarito: D
[FCC - 2013 - TRT 1ªR - TJAA] Dentre os direitos assegurados na Constituição Federal que regem os processos
judiciais está o direito:
A) à produção de quaisquer provas, em qualquer tempo e procedimento, ainda que obtidas por meios ilícitos,
em decorrência do princípio constitucional da ampla defesa.
B) de deduzir pedido e apresentar defesa, por via oral, independentemente do tipo de procedimento aplicado
ao caso.
C) a juízo ou tribunal de exceção.
D) à inafastabilidade do controle jurisdicional de lesão ou ameaça a direito.
E) de a parte formular pedido e deduzir defesa independentemente de constituir advogado.
Comentário:
A resposta correta é o princípio da inafastabilidade do controle judicial, disposto no art. 5º, XXXV da CF/88.
Sendo assim, a letra ‘d’ é nossa resposta! Sobre os erros das demais assertivas:
(b) Normalmente, a dedução do pedido e a apresentação de defesa são feitos na forma escrita. No entanto,
em procedimentos excepcionamos essa regra. É o que se passa, por exemplo, nos procedimentos dos
juizados Especiais, orientados pelo critério da oralidade.
(c) Nos termos do art.5°, XXXVII, CF/88, não haverá juízo ou tribunal de exceção
(e) Consoante determina o art. 133, CF/88, o advogado é indispensável à administração da justiça. Assim, em
nosso país, a presença de advogado não é obrigatória em situações excepcionais (como, por exemplo, nos
juizados especiais, na impetração de um habeas corpus, em processos trabalhistas e em alguns
procedimentos administrativos).
Gabarito: D
Gabarito: Errado
[Quadrix - 2017 - COFECI - Serviços Operacionais] De acordo com o disposto na Constituição Federal de 1988
(CF), julgue o item seguinte a respeito dos direitos e das garantias fundamentais:
23 de 108| www.direcaoconcursos.com.br
José Edson de Oliveira Filho - 11494582406
Prof. Nathalia Masson
Noções de Direito Constitucional – Soldado – PM CE Aula 03
A previsão constitucional de que a lei não excluirá da apreciação do Poder Judiciário lesão ou ameaça a
direito reporta ao princípio da inafastabilidade de jurisdição, sendo correto afirmar que somente o Poder
Judiciário poderá decidir definitivamente, com força de coisa julgada.
Comentário:
O item é verdadeiro, pois no art. 5°, XXXV, CF/88, temos a adoção do princípio da inafastabilidade (ou
universalidade) da jurisdição (também chamado de princípio da inafastabilidade do controle judicial ou
jurisdicional). A adoção de tal princípio nos mostra que o nosso sistema de jurisdição é o inglês, de jurisdição
una, no qual somente o Poder Judiciário pode decidir as questões de forma definitiva, gerando a ‘coisa
julgada’ (a impossibilidade de rediscussão).
Gabarito: Certo
O texto constitucional garante expressamente (art. 5º, XXXVI, CF/88) a estabilidade das
relações jurídicas ao amparar o “direito adquirido”, o “ato jurídico perfeito” e a “coisa julgada”.
Note, prezado aluno, que este inciso resguarda a segurança jurídica, ao determinar que certos
atos, quando consolidados, se tornam definitivos e impassíveis de nova discussão. É importante que
tenhamos previsões desse tipo em nosso texto constitucional, pois uma possibilidade ampla e infinita
de discutir e rediscutir qualquer tema em qualquer tempo nos deixaria em um estado de constante
incerteza e perplexidade! Nunca poderíamos entender que uma situação se firmou e que não é mais
passível de nova discussão.
Corroborando o teor do dispositivo constitucional e explicitando o significado de cada um dos
mencionados institutos, temos o art. 6º da LINDB (Lei de Introdução das Normas do Direito Brasileiro –
Decreto-Lei nº 4.657/1942, com redação dada pela Lei nº 12.376, de 2010), que nos diz:
“§ 1º Reputa-se ato jurídico perfeito o já consumado segundo a lei vigente ao tempo em que
se efetuou.
§ 2º Consideram-se adquiridos assim os direitos que o seu titular, ou alguém por ele, possa
exercer, como aqueles cujo começo do exercício tenha termo pré-fixo, ou condição pré-
estabelecida inalterável, a arbítrio de outrem.
§ 3º Chama-se coisa julgada ou caso julgado a decisão judicial de que já não caiba recurso”.
Entender o ato jurídico perfeito é simples: é aquele que já se consumou, já se efetivou, não
mais podendo ser modificado (já aconteceu).
24 de 108| www.direcaoconcursos.com.br
José Edson de Oliveira Filho - 11494582406
Prof. Nathalia Masson
Noções de Direito Constitucional – Soldado – PM CE Aula 03
Coisa julgada igualmente é simples de compreender: já não cabe mais recurso para seguir no
Poder Judiciário discutindo aquele tema, a possibilidade de recorrer à justiça para contestar algo
chegou ao fim. Assim, quando ouvimos falar que algo ‘transitou em julgado’ isso significa que o assunto
(‘a coisa’) foi julgada e já não há mais a possibilidade de recurso, seja porque quem queria recorrer
deixou transcorrer muito tempo e o prazo para apresentar o recurso já foi encerrado, seja porque a
pessoa já apresentou todos os recursos que poderia apresentar. Com a coisa julgada, a justiça está
dizendo à sociedade (e às partes do processo) qual é a sua decisão final.
Para entender o direito adquirido, pense o seguinte comigo: vemos e ouvimos todos os dias
que nossos legisladores estão sempre aprovando novas leis. Mas muitas dessas novas normas dizem
respeito a assuntos que já são regulados por outras normas anteriores. Ou seja, essas novas normas
estão modificando as antigas normas. Assim, imagine que amanhã o legislativo resolva aprovar uma lei
que modifique a lei atual que hoje concede um benefício a você. Essa nova lei criaria instabilidade para
as pessoas que já têm ou já usufruem do direito que a lei anterior estabeleceu. E isso geraria uma
grande confusão na sociedade, pois ninguém poderia planejar sua vida, já que estaríamos o tempo todo
com medo das futuras leis que poderiam ser aprovadas cancelando direitos que já temos. É por isso que
existe o instituto do direito adquirido: para impedir que a lei nova atinja essa situação na qual o sujeito
já tem o direito, já o adquiriu (mesmo que ainda não esteja gozando daquele direito).
E para avançar na compreensão, acompanhe o seguinte cenário: (i) existe um direito ao qual o
sujeito faz jus, mas ele ainda não fruiu; (ii) já poderia tê-lo feito, mas ainda não o fez; (iii) seria,
portanto, uma vantagem jurídica, líquida, lícita e concreta que alguém adquiriu de acordo com a lei
vigente na ocasião e incorporou definitivamente, e sem contestação, ao seu patrimônio; (iv) aí surge
uma normatização ulterior que é incompatível com aquele direito. Eis o direito adquirido: como o
sujeito já adquiriu o direito (tem o direito, apesar de não ter ainda usufruído dele) a lei nova revogadora
ou modificadora daquela situação não vai atingi-lo.
Assim, quando alguém, na vigência de uma lei determinada, adquire um direito relacionado a
esta, referido direito se incorpora ao patrimônio do titular, mesmo que este não o exercite, de tal modo
que o advento de uma nova lei, revogadora da anterior relacionada ao direito, não ofende o status
conquistado, embora não tenha este sido exercido ou utilizado. Isso porque o não exercício do direito
não implica a perda do direito adquirido na vigência da lei anterior, mesmo que ele não seja exercitado.
O direito torna-se adquirido, portanto, quando uma lei nova surge e torna inviável um direito ainda não
desfrutado pelo indivíduo, mas já passível de fruição desde antes da modificação. Mesmo com essa lei
nova, o direito está ‘garantido’, pois foi adquirido.
25 de 108| www.direcaoconcursos.com.br
José Edson de Oliveira Filho - 11494582406
Prof. Nathalia Masson
Noções de Direito Constitucional – Soldado – PM CE Aula 03
Questão interessante é saber se o direito adquirido pode ser invocado diante de manifestação
do poder constituinte originário, isto é, diante do surgimento de uma nova Constituição. Veja que
estamos tratando de outro tema agora, pois não é uma simples lei nova que apareceu, mas sim uma
Constituição nova! Em outras palavras: imagine que alguém tenha uma prerrogativa adquirida na
ordem jurídica anterior, mas ela não foi exercida e é incompatível com a nova Constituição que surgiu.
A pessoa cumpriu todos os requisitos determinados constitucionalmente para realizar determinado
direito, todavia, antes mesmo de exercê-lo, uma nova Constituição, que o rechaça, entrou em vigor. E
aí? Como resolver este caso?
Como sabemos, o poder constituinte originário (que cria a Constituição) é inicial, pois ele
começa (inicia) o ordenamento jurídico ‘do zero’. Assim, somente será direito o que a nova
Constituição disser que é, aquilo que por ela for aceito como tal. De acordo com Gilmar, “o que é
repudiado pelo novo sistema constitucional não há de receber status próprio de um direito, mesmo que
na vigência da Constituição anterior o detivesse”.
Desta forma, outra não pode ser a nossa conclusão senão a de que não há alegação de
“direitos adquiridos” perante a nova Constituição, perante o trabalho do poder originário. Portanto, se
o sujeito adquiriu um direito durante a vigência da Constituição anterior, mas não o exerceu e, com a
chegada da nova Constituição, aquele direito deixou de existir, o indivíduo não mais poderá usufruí-lo,
pois ele não pode alegar, perante a Constituição nova, que ele adquiriu um direito. Com a entrada em
vigor da nova Constituição, é como se ‘zerássemos’ o ordenamento. Só será direito o que ela disser que
é. Nada vindo de antes.
Para ilustrar, pensemos no art. 17 do ADCT, que assim determinou: “os vencimentos, a
remuneração, as vantagens e os adicionais, bem como os proventos de aposentadoria que estejam
sendo percebidos em desacordo com a Constituição serão imediatamente reduzidos aos limites dela
decorrentes, não se admitindo, neste caso, invocação de direito adquirido ou percepção de excesso a
qualquer título”.
Ressalte-se, ainda, que se o direito que foi adquirido segundo o regramento jurídico anterior
não contrariar a nova Constituição ele poderá ser normalmente exercido, pois o documento
constitucional o reconhece e aceita, dada sua compatibilidade.
Outro detalhe importante é lembrarmos que não existe direito adquirido a regime jurídico.
Segundo nossa Corte Suprema, alterações nas relações institucionais entre o Estado e seus servidores
não podem ser impugnadas ao argumento de que os servidores teriam direito adquirido à
normatização em vigor no momento em que ingressaram no serviço público. O Estado pode alterar o
26 de 108| www.direcaoconcursos.com.br
José Edson de Oliveira Filho - 11494582406
Prof. Nathalia Masson
Noções de Direito Constitucional – Soldado – PM CE Aula 03
regime jurídico (por exemplo, as regras previdenciárias), sem que isso afronte o chamado ‘direito
adquirido’).
a) é a expectativa de direito.
b) é a situação fática consumada independentemente de previsão na legislação.
Comentário:
Apesar de essa questão não ter sido muito precisa na definição, vamos marcar como resposta a da letra ‘c’,
pois o direito adquirido não se confunde, nem com a expectativa de direito, tampouco com um direito já
consumado ou já integrado ao patrimônio e exercido pelo particular.
Gabarito: C
Gabarito: Certo
Gabarito: Errado
27 de 108| www.direcaoconcursos.com.br
José Edson de Oliveira Filho - 11494582406
Prof. Nathalia Masson
Noções de Direito Constitucional – Soldado – PM CE Aula 03
direito adquirido à irredutibilidade de vencimento, não havendo direito adquirido à forma de calcular esse
vencimento. Pois não há direito adquirido a regime jurídico.
Gabarito: Certo
28 de 108| www.direcaoconcursos.com.br
José Edson de Oliveira Filho - 11494582406
Prof. Nathalia Masson
Noções de Direito Constitucional – Soldado – PM CE Aula 03
29 de 108| www.direcaoconcursos.com.br
José Edson de Oliveira Filho - 11494582406
Prof. Nathalia Masson
Noções de Direito Constitucional – Soldado – PM CE Aula 03
[UEM - 2018 - UEM - Técnico Administrativo - Adaptada] No que se refere aos direitos individuais e coletivos,
julgue a assertiva:
Ambos os itens são falsos, afinal, nos termos do art. 5º, XXXVII da CF/88.
[VUNESP - 2019 - Câmara de Serrana - SP - Analista Legislativo] O dispositivo constitucional que assegura
que ninguém será processado nem sentenciado senão pela autoridade competente, aplicável ao processo
administrativo, é representado pelo princípio:
A) do juiz natural.
B) do amplo acesso ao Poder Judiciário.
C) da dignidade humana.
D) da inafastabilidade da jurisdição.
E) da legitimidade.
Comentário:
Estamos falando do princípio contido no art. 5º, inciso LIII, intitulado princípio do juiz natural. Pode assinalar
a letra ‘a’.
Gabarito: A
Gabarito: Errado
30 de 108| www.direcaoconcursos.com.br
José Edson de Oliveira Filho - 11494582406
Prof. Nathalia Masson
Noções de Direito Constitucional – Soldado – PM CE Aula 03
Comentário:
Pode assinalar este item como verdadeiro, sendo o reconhecimento do chamado Princípio do Promotor
Natural, uma derivação do disposto no art. 5º, inciso LIII. O intuito é evitar o chamado “promotor de
exceção”.
Gabarito: Certo
Gabarito: Errado
Nossa Constituição institui o júri popular no intuito de oportunizar aos cidadãos que julguem
seus pares quando estes cometam crimes dolosos contra a vida.
O júri terá competência, portanto, para o julgamento dos crimes dolosos contra a vida. Mas
você sabe o que é um crime doloso? É aquele no qual o agente (indivíduo que pratica o crime) prevê o
resultado lesivo de sua conduta e, ainda assim, pratica a ação, produzindo o resultado. Porque ele
deseja o resultado. Age com dolo, isto é, com vontade de que o resultado seja efetivado, se concretize.
Para ilustrar: suponha que um empregador descubra que está sendo furtado há anos por um
funcionário antigo e que ele considerava de sua extrema confiança. Com a intenção de causar o
resultado morte, o empregador dispara tiros de uma arma de fogo para matar o funcionário e consegue
obter o resultado. Trata‐se do crime de homicídio doloso, que é, sem dúvida, um crime doloso contra a
vida. O julgamento realizar-se-á, portanto, perante o tribunal do júri.
31 de 108| www.direcaoconcursos.com.br
José Edson de Oliveira Filho - 11494582406
Prof. Nathalia Masson
Noções de Direito Constitucional – Soldado – PM CE Aula 03
O crime doloso contra a vida somente não será de competência do Tribunal do Júri se a
Constituição Federal tiver determinado outro foro para o caso. Pensemos, por exemplo, no caso do
Presidente da República. De forma expressa (no art. 102, I, ‘b’), a Constituição determinou que o
Presidente será julgado pelo STF quando praticar qualquer crime na função (inclusive os dolosos contra
a vida). Neste caso, ao invés de aplicarmos a regra genérica do art. 5°, XXXVIII, aplicaremos a do art.
102, que é mais específica (válida só para o Presidente). Outro exemplo: no art. 105, I, ‘a’, nossa
Constituição determina que um Governador de Estado será processado e julgado no STJ se cometer
crimes na função, inclusive se for um crime doloso contra a vida. Imaginemos que o Governador do
Estado X, intencionalmente, coloque veneno na comida de um desafeto político, com o indiscutível
intuito de matá-lo e alcance esse resultado. Claro que o processo e julgamento, neste caso, irá se
desenvolver no STJ (e não no Júri). Afinal, no confronto entre essas duas normas constitucionais (art.
5°, XXXVIII vs. art. 105, I, ‘a’) prevalecerá a última, mais específica.
Muito cuidado, todavia, caro aluno, se o foro especial da autoridade estiver previsto não na
Constituição Federal, mas sim em outro documento inferior. Neste caso, a competência do Júri vai
prevalecer. Para exemplificar: nossa Constituição Federal não previu foro especial para Vereadores.
Todavia autorizou que as Constituições estaduais prevejam tal foro. Pois bem. Imagine que a
Constituição do Estado ‘A’ estabeleça foro especial no Tribunal de Justiça (TJ) para os Vereadores dos
Municípios daquele Estado. Se um Vereador praticar um crime de furto, ele será processado no TJ do
Estado. Se praticar um crime de lesão, também. No entanto, se ele praticar um crime doloso contra a
vida, o que você acha que deve prevalecer? A competência do Júri, descrita na Constituição Federal (art.
5°, XXXVIII), ou a competência do TJ, descrita na Constituição Estadual? Fácil responder, certo? Em um
confronto entre a Constituição Federal e a Constituição Estadual é claro que a primeira prevalece!
Portanto, o Vereador será julgado no TJ pela prática de variados crimes, mas não do crime doloso
contra a vida, pois neste último caso ele irá a Júri.
Para corroborar esse entendimento, o STF editou a súmula Vinculante nº 45: “A competência
constitucional do Tribunal do Júri prevalece sobre o foro por prerrogativa de função estabelecido
exclusivamente pela Constituição Estadual”.
No mais, a Constituição Federal ainda prevê três importantes regras válidas para o Tribunal Do
Júri:
(i) a plenitude de defesa
- Como derivação do princípio da ampla defesa e do contraditório (inscrito no art. 5º, LV) temos
plenitude de defesa que permite ao acusado se defender do crime do qual é acusado com todos os
32 de 108| www.direcaoconcursos.com.br
José Edson de Oliveira Filho - 11494582406
Prof. Nathalia Masson
Noções de Direito Constitucional – Soldado – PM CE Aula 03
meios lícitos. Poderão, inclusive, ser utilizados argumentos não jurídicos, tais como os sentimentais
sociológicos e emocionais (apelativos aos sentimentos dos jurados).
(ii) a soberania dos veredictos
- Tal previsão tem o intuito de impedir que a decisão final dos jurados, pela absolvição ou condenação,
seja alterada por decisão judicial.
- Não sendo absoluta tal regra, segundo o STF é possível recorrer da decisão prolatada pelo Júri quando
ela for manifestamente contrária à prova dos autos.
(iii) o sigilo das votações
- De forma que os votos dos jurados sejam indevassáveis.
É reconhecida a instituição do júri, com a organização que lhe der a lei, assegurada sua competência para o
julgamento dos crimes dolosos e culposos contra a vida.
Comentário:
Item falso! A instituição do júri é reconhecida e tem competência para o julgamento dos crimes dolosos
contra a vida (e não culposos), conforme art. 5º, XXXVIII, alínea ‘d’, da CF/88.
Gabarito: Errado
[FUNCAB - 2014 - PC-RO - Delegado de Polícia Civil] Com relação ao tema “direitos individuais e coletivos”
na Constituição Federal de 1988, julgue a assertiva:
Ao júri é assegurado a competência para julgamento de todos os crimes contra a vida.
[VUNESP - 2015 - UNESP - Assistente de Suporte Acadêmico I - Adaptada] Assinale a alternativa que está em
conformidade com o texto da Constituição Federal.
O tribunal do júri tem competência para processar e julgar todos os crimes hediondos.
[CESPE - 2016 - PC-PE - Escrivão de Polícia Civil] No que se refere aos direitos e às garantias fundamentais,
julgue a assertiva:
O tribunal do júri tem competência para o julgamento dos crimes culposos e dolosos contra a vida.
Comentário:
Em razão de o art. 5º, em seu inciso XXXVIII, alínea ‘d’, determinar a competência da instituição do júri para o
julgamento dos crimes dolosos contra a vida, podemos marcar estes três itens como falsos.
33 de 108| www.direcaoconcursos.com.br
José Edson de Oliveira Filho - 11494582406
Prof. Nathalia Masson
Noções de Direito Constitucional – Soldado – PM CE Aula 03
estadual que praticar crime doloso contra vida deverá ser julgada pelo tribunal do júri.
Comentário:
O item é correto, representando o exato teor da SV nº 45: “A competência constitucional do Tribunal do Júri
prevalece sobre o foro por prerrogativa de função estabelecido exclusivamente pela Constituição Estadual”.
Gabarito: Certo
[IDECAN - 2019 - AGU - Técnico em Comunicação Social] Nos termos da Constituição Federal, é reconhecida
a instituição do júri, com a organização que lhe der a lei, assegurados:
I. a legítima de defesa;
II. a competência para o julgamento dos crimes dolosos contra a vida e os definidos como crimes hediondos;
III. a soberania dos veredictos e o sigilo das votações.
Analisando os itens acima, é correto afirmar que:
A) somente o item I está correto.
B) somente o item II está correto.
C) somente o item III está correto.
D) somente os itens I e II estão corretos.
E) somente os itens II e III estão corretos.
Comentário:
Por força do art. 5º, XXXVIII da CF/88, é reconhecida a instituição do júri, com a organização que lhe der a lei,
assegurada a plenitude de defesa, o sigilo das votações, a soberania dos veredictos e a competência para o
julgamento dos crimes dolosos contra a vida. Sendo assim, apenas o item III é verdadeiro e,
consequentemente, nossa alternativa correta é a da letra ‘c’.
Gabarito: C
O art. 5º, XXXIX, prevê a regra do nullum crimen nulla poena sine praevia lege, consagrando, a
um só tempo, dois princípios centrais do Direito Penal:
(i) o princípio da legalidade (ou reserva legal), vez que não há crime sem lei que o defina, nem pena
sem cominação legal;
34 de 108| www.direcaoconcursos.com.br
José Edson de Oliveira Filho - 11494582406
Prof. Nathalia Masson
Noções de Direito Constitucional – Soldado – PM CE Aula 03
(ii) o princípio da anterioridade, visto que não há crime sem lei anterior que o defina, nem pena sem
prévia cominação legal.
Consoante nos informa a doutrina penalista, o princípio da legalidade exige que seja editada lei
em sentido estrito (isto é, elaborada pelo Poder Legislativo, segundo os trâmites estabelecidos na
Constituição para o processo legislativo) para que seja feita a definição de um crime e cominada sua
respectiva pena. Destarte, nem mesmo uma Medida Provisória (ato normativo que tem força de lei)
poderá prever crimes e definir penas, pois o princípio da reserva legal não permite. Não por outra razão,
nossa Constituição vedou de forma expressa que MP trate do tema ‘Direito Penal’ – veja o art.62, § 1º, I,
“b”).
Nos parece muito adequada essa exigência de que a previsão de crimes derive de lei elaborada
pelo legislador. Permitir que o Presidente crie um crime ou aumente penas via Medida Provisória (que é
um ato normativo monocrático e unipessoal, vale dizer, que o Presidente elabora e edita sozinho), seria
um personalismo exacerbado e inaceitável, pois ficaríamos reféns do arbítrio de uma única pessoa. Daí
a exigência de que os crimes e suas respectivas penas sejam estabelecidos pelo legislador, por meio de
lei que, para ser confeccionada, passou por todo o processo legislativo (isto é, foi amplamente discutida
no Congresso Nacional antes de ser votada e aprovada).
Por seu turno, a ideia de anterioridade da lei penal valoriza o ideal de segurança jurídica e evita
a ‘surpresa’ na definição do crime ou da pena a ele correspondente. Portanto, uma conduta somente
poderá ser considerada criminosa se, antes de praticada, já houver uma lei que a preveja como crime.
Se assim não fosse, estaríamos reféns de uma prática detestável e antidemocrática que é a de
estabelecer como crime determinada conduta depois que ela já foi praticada por um sujeito que
pensava agir dentro dos limites da lei. Para ilustrar: hoje é permitido aos maiores de 18 anos comprar e
consumir bebidas alcóolicas. Imagine que depois que você tenha comprado algumas garrafas de
cerveja e as consumido em sua casa, alguém venha lhe prender ao argumento de que uma lei nova foi
editada proibindo tal comércio e consumo?! Quando você comprou e consumiu, era permitido. Mas
uma proibição posterior foi editada e pretende lhe punir. Não lhe parece injusto e inconstitucional? Daí
porque nossa Constituição se ocupou em vedar essa possibilidade.
Em conclusão: leis penais estabelecem crimes e penas para o futuro e não para o passado.
Ademais, nossa Constituição reforçou essa ideia ao prever no inciso XL do art. 5º os princípios
da retroatividade da lei penal mais benéfica e da irretroatividade da lei penal in pejus (prejudicial).
35 de 108| www.direcaoconcursos.com.br
José Edson de Oliveira Filho - 11494582406
Prof. Nathalia Masson
Noções de Direito Constitucional – Soldado – PM CE Aula 03
Tais princípios indicam que a lei penal não pode se voltar para o passado e alcançar fatos
pretéritos. A lei penal vale ‘dali para frente’, salvo se essa lei nova for melhor para o réu (for uma
“novatio legis in mellius”), pois aí ela terá retroatividade, ela poderá atingir fatos passados.
Para exemplificar: imagine que alguém esteja cumprindo pena por ter cometido o crime de
aborto sem o consentimento da gestante. Tempos depois, uma nova lei é editada e extingue esse crime
(esse tipo de lei que descriminaliza certas condutas é chamado de “abolitio criminis”, porque acaba com
certo crime que existia). Ora, temos uma lei nova em matéria penal e ela é mais benéfica ao réu. Logo,
poderá retroagir e impedirá que ele siga cumprindo pena por um fato que, agora, já não é mais
criminoso.
A Constituição Federal assegura que a lei penal não retroagirá, ainda que para beneficiar o réu.
[MPE-RS - 2015 - MPE-RS - Assessor Bacharel em História - Adaptada] Considerando o previsto na
Constituição Federal, no capítulo dos Direitos e Deveres Individuais e Coletivos, julgue a assertiva:
A lei penal não retroagirá em hipótese alguma.
[MPE-RS - 2015 - MPE-RS - Assessor- Contabilidade - Adaptada] Considerando o que dispõe a Constituição
Federal acerca dos “Direitos e Deveres Individuais e Coletivos”, assinale com V (verdadeiro) ou com F (falso) a
seguinte afirmação:
A lei penal sempre retroagirá para melhor julgamento da lide, conforme interpretação do julgador.
Comentário:
Como nossa Constituição determina, em seu art. 5º, inciso LX, que a lei penal não retroagirá, salvo se ela for
mais benéfica para o réu, podemos marcar os três itens como sendo falsos.
[UFRR - 2018 - UFRR - Assistente Social - Adaptada - Adaptada] Quanto aos princípios e direitos
fundamentais, julgue a assertiva:
Há crime sem lei anterior que o defina e pena sem prévia cominação legal.
Comentário:
Por estar em absoluta contradição com o que determina o art. 5º, XXXIX, este item deve ser considerado
falso. Afinal, não há crime sem lei anterior que o defina, nem pena sem prévia cominação legal.
Gabarito: Errado
[Quadrix - 2020 - CREFONO - 1ª Região - Profissional Administrativo] A Constituição Federal de 1988 traz,
em seu Título II, denominado “Dos Direitos e das Garantias Fundamentais”, disposições relacionadas aos
direitos e aos deveres individuais e coletivos, aos direitos sociais, à nacionalidade, à cidadania, aos direitos
36 de 108| www.direcaoconcursos.com.br
José Edson de Oliveira Filho - 11494582406
Prof. Nathalia Masson
Noções de Direito Constitucional – Soldado – PM CE Aula 03
Gabarito: Errado
Sendo um dos objetivos da República Federativa do Brasil, posto no art. 3°, IV, o de promover
o bem de todos, sem preconceito de origem, sexo, cor, raça e quaisquer outras formas de
discriminação, é natural que tenhamos a previsão do inciso XLI, no sentido de determinar que a lei
punirá qualquer discriminação atentatória dos direitos e liberdades fundamentais.
Já os incisos XLII a XLIV enunciam os crimes que, em razão de sua gravidade, não admitem
fiança (são os inafiançáveis), isto é, não admitem o pagamento em dinheiro para que seja determinada
a soltura do indivíduo preso. Costumamos usar uma frase para memorizar os crimes inafiançáveis: Ra
Ação He TTT (Racismos, Ação, Hediondos, Tráfico, Tortura, Terrorismo).
Ademais, note que nos incisos XLII e XLIV temos crimes que, além de inafiançáveis, são
também imprescritíveis, isto é, não prescrevem, pois a pretensão punitiva do Estado não tem prazo
para se efetivar. Mesmo que o crime tenha sido cometido há muitos anos, ele ainda pode ser punido
pelo Estado.
37 de 108| www.direcaoconcursos.com.br
José Edson de Oliveira Filho - 11494582406
Prof. Nathalia Masson
Noções de Direito Constitucional – Soldado – PM CE Aula 03
Outro detalhe relevante sobre o racismo, é o de que o crime será apenado com reclusão (e não
detenção, como, por vezes, as bancas informam para lhe confundir) – a diferença entre elas refere-se
ao regime inicial de cumprimento de pena: na reclusão, é o fechado (que progride para o semiaberto ou
aberto); na detenção, o cumprimento da pena já começa no regime semiaberto ou no aberto).
Importante mencionar ainda, que o STF (em junho de 2019), no julgamento da ADO nº 2611,
enquadrou homofobia e transfobia como crimes de racismo. Por maioria, a Corte reconheceu a mora
do Congresso Nacional para incriminar atos atentatórios a direitos fundamentais dos integrantes da
comunidade LGBT. Os Ministros votaram pelo enquadramento da homofobia e da transfobia como tipo
penal definido na Lei do Racismo (Lei 7.716/1989) até que o Congresso Nacional edite uma lei específica
sobre a matéria. Por maioria, o Plenário aprovou a tese proposta pelo relator da ADO, ministro Celso de
Mello, formulada em três pontos:
(i) O primeiro prevê que, até que o Congresso Nacional edite lei específica, as condutas homofóbicas e
transfóbicas, reais ou supostas, se enquadram nos crimes previstos na Lei 7.716/1989 e, no caso de
homicídio doloso, constitui circunstância que o qualifica, por configurar motivo torpe;
(ii) No segundo ponto, a tese prevê que a repressão penal à prática da homotransfobia não alcança nem
restringe o exercício da liberdade religiosa, desde que tais manifestações não configurem discurso de
ódio;
(iii) Finalmente, a tese estabelece que o conceito de racismo ultrapassa aspectos estritamente
biológicos ou fenotípicos e alcança a negação da dignidade e da humanidade de grupos vulneráveis.
Já no inciso XLIII, temos a informação de que os crimes de tráfico, tortura e terrorismo (TTT),
assim como os hediondos, além de serem inafiançáveis, são também insuscetíveis de graça e anistia.
Mas veja bem: são crimes que prescrevem! Apenas o racismo e ação de grupos armados (do inciso
XLIV) são crimes imprescritíveis. Portanto, se sua banca examinadora tentar confundi-lo dizendo que o
tráfico, a tortura, o terrorismo (TTT) ou os crimes hediondos são imprescritíveis, marque a assertiva
como falsa.
Ainda temos o inciso XLIV, que traz a ação de grupos armados, civis ou militares, contra a
ordem constitucional e o Estado democrático. Assim como o racismo, é um crime inafiançável e
também imprescritível.
11
Relatada pelo Min. Celso de Mello.
38 de 108| www.direcaoconcursos.com.br
José Edson de Oliveira Filho - 11494582406
Prof. Nathalia Masson
Noções de Direito Constitucional – Soldado – PM CE Aula 03
Aliás, veja se o esquema posto abaixo lhe ajuda a memorizar esses pontos:
O terrorismo, o racismo, a tortura e o tráfico ilícito de entorpecentes são crimes hediondos, inafiançáveis e
insuscetíveis de graça e anistia.
Comentário:
O item pode ser marcado como falso, afinal, a prática de racismo representa um crime inafiançável a
imprescritível, sujeito a pena de reclusão (art. 5º, XLII).
39 de 108| www.direcaoconcursos.com.br
José Edson de Oliveira Filho - 11494582406
Prof. Nathalia Masson
Noções de Direito Constitucional – Soldado – PM CE Aula 03
Gabarito: Errado
Gabarito: Errado
[UERR - 2018 - SETRABES - Agente Sócio-Geriátrico] A prática do racismo constitui crime inafiançável e
imprescritível, sujeito à pena de:
A) dez anos de reclusão.
B) prisão perpétua.
C) reclusão, nos termos da lei.
D) detenção, nos termos da lei.
E) trinta anos de detenção.
Comentário:
Nossa alternativa correta é a da letra ‘c’! Em conformidade com art. 5º, XLII da CF/88.
Gabarito: C
[FCC - 2017 - TRT 24ªR - AJOA] Marinete ficou extremamente chateada ao chegar na sua empregadora, a
empresa H, para mais um dia normal de trabalho e encontrar seu computador com uma nova tela de
descanso. Esta tela possuía diversos macacos segurando placas com dizeres racistas. Inconformada com o
fato, resolveu descobrir tudo a respeito do racismo do qual foi vítima. Assim, começando pela Constituição
Federal, Marinete descobriu que a prática do racismo
a) constitui crime inafiançável e imprescritível, previsto no capítulo inerente aos direitos e deveres individuais
e coletivos.
b) constitui crime inafiançável com prazo prescricional de dez anos, previsto no capítulo inerente aos direitos
e deveres individuais e coletivos.
c) constitui crime inafiançável com prazo prescricional de vinte anos, previsto no capítulo inerente aos
direitos e deveres individuais e coletivos.
d) não está prevista na Carga Magna.
e) constitui crime imprescritível, mas afiançável mediante condições prevista no capítulo inerente aos
direitos e deveres individuais e coletivos.
Comentário:
Questão simples! Basta se recordar daquilo que diz o art. 5º, inciso XLII, para assinalar a letra ‘a’.
Gabarito: A
40 de 108| www.direcaoconcursos.com.br
José Edson de Oliveira Filho - 11494582406
Prof. Nathalia Masson
Noções de Direito Constitucional – Soldado – PM CE Aula 03
[Quadrix - 2020 - CREFONO-5ª Região - Assistente Administrativo] O artigo 5.º da Constituição Federal de
1988 dispõe que todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo‐se aos
brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à
segurança e à propriedade. De acordo com o que prevê o texto constitucional pátrio sobre direitos e
garantias fundamentais, julgue o item:
A prática do racismo constitui crime inafiançável e prescritível, sujeito à pena de detenção, nos termos da lei.
Comentário:
Conforme preceitua o art. 5º, XLII, CF//88, a prática do racismo constitui crime inafiançável e imprescritível (e
não prescritível), sujeito à pena de reclusão (e não detenção), nos termos da lei. Pode marcar o item como
falso.
Gabarito: Errado
[CESPE - 2021 - Polícia Federal - Agente de Polícia Federal] A polícia foi acionada para atender a um
chamado de suspeita de ocorrência de tráfico ilícito de entorpecentes no interior de determinada sociedade
de economia mista federal. Ao chegar ao local, os policiais verificaram que um dos traficantes era um
brasileiro naturalizado.
O tráfico ilícito de entorpecentes é crime inafiançável.
Comentário:
A assertiva é verdadeira. Conforme dispõe o art. 5º, XLIII, CF/88, “a lei considerará crimes inafiançáveis e
insuscetíveis de graça ou anistia a prática da tortura, o tráfico ilícito de entorpecentes e drogas afins, o
terrorismo e os definidos como crimes hediondos, por eles respondendo os mandantes, os executores e os
que, podendo evitá-los, se omitirem”.
Gabarito: Certo
[CESPE / CEBRASPE - 2021 - DEPEN - Agente Federal de Execução Penal] Agente penitenciário iniciou
procedimento visando apurar suposta prática de ato racista, ocorrido dentro do estabelecimento prisional,
cometido por um fornecedor contra um detento.
A prática do racismo constitui crime afiançável, sujeito a pena de detenção.
Comentário:
A prática do racismo constitui crime inafiançável e imprescritível, sujeito à pena de reclusão (Art. 5º, XLII,
CF/88). O item é falso.
Gabarito: Errado
41 de 108| www.direcaoconcursos.com.br
José Edson de Oliveira Filho - 11494582406
Prof. Nathalia Masson
Noções de Direito Constitucional – Soldado – PM CE Aula 03
Esse inciso traz o princípio da intranscendência (ou personalização) da pena, assegurando que
ninguém sofrerá os efeitos da condenação de outrem.
É este dispositivo que garante que ninguém cumprirá a pena no lugar de outra pessoa. Para
ilustrar, pense que ‘A’ é um empresário criminoso muito rico que, ao ser condenado à pena de reclusão
em regime inicial fechado por 5 anos, faça uma oferta milionária a quem se dispuser a ir para a cadeia
em seu lugar. Seria possível ‘A’ pagar para que alguém cumpra sua própria pena? Evidente que não. Da
mesma forma, suponha que ‘B’ tenha sido condenado por um gravíssimo crime a pena de 10 anos de
reclusão. Logo no início do cumprimento, ele vem a falecer. Seria possível exigirmos que algum familiar
complete essa pena de ‘B’, sendo encarcerado no lugar dele? A reposta também é negativa. E nos dois
casos, a impossibilidade deriva desse princípio da intranscendência da pena.
Por outro lado, no que se refere à obrigação de reparar o dano e à decretação do perdimento
de bens, a regra é distinta, pois os herdeiros, no limite do patrimônio por eles herdado, terão que arcar
com essas obrigações (com essas penas que tem consequências patrimoniais – tais como as multas, as
indenizações e etc.) Assim, se ‘C’ faleceu deixando 100 contos de réis de patrimônio e um dever de
reparar o dano no valor de 80 contos, os filhos somente herdarão 20. Se o dever de reparar for de 120
contos, os filhos nada herdarão (mas também não terão que tirar do patrimônio próprio os 20 contos
faltantes, pois o montante a ser pago é de responsabilidade do pai falecido e, pelo princípio, em estudo,
não pode ser transferido a eles; eles só são responsáveis no limite do patrimônio transferido).
Ainda sobre este princípio, vale mencionar a ADI 3092, julgada pelo STF em junho de 2020.
Nesta ação, a Corte declarou inconstitucional uma lei estadual que proibia que a Administração Pública
contratasse empresa cujo diretor, gerente ou empregado tivesse sido condenado por crime ou
contravenção relacionados com a prática de atos discriminatórios. Segundo entenderam os Ministros, a
situação imposta pela lei impugnada resultava em ofensa ao princípio da intransmissibilidade da pena,
princípio que preconiza que as restrições jurídicas decorrentes de processo judicial ou administrativo
não podem transbordar a dimensão estritamente pessoal do infrator, para atingir direitos de terceiros.
Como esse tema pode vir a ser cobrado em prova? Eis a pergunta certa a se fazer logo depois
de concluir o estudo de algum assunto! Vamos verificar juntos?
42 de 108| www.direcaoconcursos.com.br
José Edson de Oliveira Filho - 11494582406
Prof. Nathalia Masson
Noções de Direito Constitucional – Soldado – PM CE Aula 03
Nenhuma pena passará da pessoa do condenado e a obrigação de reparar o dano não pode ser estendida aos
sucessores, tampouco contra eles executada.
[INSTITUTO AOCP - 2018 - TRT - 1ª REGIÃO (RJ) - Analista Judiciário - Engenharia Civil - Adaptada] De
acordo com o que dispõe a Constituição Federal acerca dos direitos e deveres individuais e coletivos, julgue a
assertiva:
Nenhuma pena passará da pessoa do condenado, não podendo a obrigação de reparar o dano e a decretação
do perdimento de bens ser estendidas aos sucessores ou contra eles executadas.
Comentário:
Esses dois itens versam sobre o princípio da intranscendência da pena, também intitulado ‘personalização da
pena’ ou ‘princípio da instransmissibiliade da pena’ (art. 5º, XLV da CF/88). Segundo este dispositivo,
nenhuma pena passará da pessoa do condenado. Entretanto, a obrigação de reparar o dano e a decretação
do perdimento de bens podem ser estendidas aos sucessores e contra eles executadas, até o limite do valor
do patrimônio transferido.
[VUNESP - 2015 - PC - CE - Inspetor] Constituição da República, artigo 5º, inciso XLV: “nenhuma pena
passará da pessoa do condenado, podendo a obrigação de reparar o dano e a decretação do perdimento de
bens ser, nos termos da lei, estendidas aos sucessores e contra eles executadas, até o limite do valor do
patrimônio transferido”. O dispositivo constitucional ora transcrito refere-se a um dos princípios denominado
A) Princípio da intranscendência.
B) Princípio do privilégio contra a autoincriminação.
C) Princípio do devido processo legal.
D) Princípio da correlação.
E) Princípio da oficiosidade ou do impulso oficial.
Comentário:
Trata-se do princípio da intranscendência das penas, apresentado na letra ‘a’, que deverá ser marcada.
Gabarito: A
43 de 108| www.direcaoconcursos.com.br
José Edson de Oliveira Filho - 11494582406
Prof. Nathalia Masson
Noções de Direito Constitucional – Soldado – PM CE Aula 03
Individualizar a pena significa impor uma sanção condizente com a gravidade do fato e as
características pessoais do infrator. Quanto mais censurável for a conduta, mais gravosa será a pena
imposta. Acaso o crime seja menos grave, a pena poderá ser mais branda.
Nossa Constituição Federal estabelece (em rol exemplificativo) as penas que podem ser
aplicadas, quais sejam:
(i) privação ou restrição de liberdade;
(ii) perda de bens;
(iii) multa;
(iv) prestação social alternativa; e, por fim,
(v) suspensão ou interdição de direitos.
44 de 108| www.direcaoconcursos.com.br
José Edson de Oliveira Filho - 11494582406
Prof. Nathalia Masson
Noções de Direito Constitucional – Soldado – PM CE Aula 03
O ponto mais cobrado referente a esse inciso é relativo à pena de morte. Nem mesmo a vida,
pressuposto básico e elementar para a fruição de todos os demais direitos, é absoluto. Portanto, nossa
Constituição previu a gravosa pena de morte, mas admitindo-a, tão‐somente, na hipótese de guerra
formalmente declarada.
Quanto à vedação da pena de caráter perpétuo, cumpre informar que nosso Código Penal, no
art. 75, sintonizado com essa determinação constitucional, prevê que o tempo de cumprimento das
penas privativas de liberdade não pode ser superior a 40 (quarenta) anos. Cumpre informar que, até
2019, tal prazo era de 30 anos. Foi a Lei 13.964/2019 (“Pacote Anticrime”) que ampliou o tempo máximo
de cumprimento de pena para 40 anos.
Comentário:
A relatividade dos direitos fundamentais se torna evidente quando lembramos que até mesmo o direito à
vida é passível e restrição. Nossa CF, no art. 5º, inciso XLVII, alínea ‘a’, permite a pena de morte em caso de
guerra formalmente declarada. A letra ‘c’ é a nossa resposta.
Gabarito: C
[IDECAN - 2017 - SEJUC-RN - Agente Penitenciário] Quanto aos Direitos Fundamentais, na visão do
ordenamento jurídico constitucional brasileiro, analise a afirmativa a seguir:
A lei regulará a individualização da pena e adotará, entre outras, a de trabalhos forçados.
Comentário:
Nos termos do art. 5º, inciso XLVII, alínea ‘c’, não haverá penas de trabalhos forçados. O item, portanto, é
falso.
Gabarito: Errado
[IDECAN - 2017 - SEJUC-RN - Agente Penitenciário] Nos termos da Constituição Federal de 1988, a pena de
banimento:
A) é vedada no Brasil.
45 de 108| www.direcaoconcursos.com.br
José Edson de Oliveira Filho - 11494582406
Prof. Nathalia Masson
Noções de Direito Constitucional – Soldado – PM CE Aula 03
Gabarito: A
[UFCG - 2016 - UFCG - Assistente em Administração] De acordo com o que se encontra previsto na
Constituição da República Federativa do Brasil de 1988, assinale a alternativa correta:
A) A pena de morte não pode ser aplicada no Brasil, em nenhuma hipótese.
B) A pena de morte pode ser introduzida no Brasil por meio de emenda constitucional.
C) A pena de morte pode ser aplicada em caso de guerra declarada;
D) A pena de morte pode ser introduzida em processo de revisão constitucional.
E) A pena de morte pode ser aplicada no Brasil, em qualquer circunstância.
Comentário:
A letra ‘c’ é a nossa resposta.
Gabarito: C
[VUNESP - 2015 - PC-CE - Delegado de Polícia Civil de 1a Classe] A Constituição da República de 1988 (art. 5º,
XLVII) veda expressamente a existência de pena de morte (salvo em caso de guerra declarada), além de vedar
as penas:
A) de caráter perpétuo; de trabalhos forçados; infamantes e cruéis.
B) de caráter perpétuo; de trabalhos forçados; de banimento e cruéis.
C) de banimento e cruéis.
D) de caráter perpétuo; de trabalhos forçados; de banimento; infamantes e cruéis.
E) de trabalhos forçados; infamantes e cruéis.
Comentário:
As penas vedadas pelo inciso XLVII do art. 5º estão na letra ‘b’.
Gabarito: B
46 de 108| www.direcaoconcursos.com.br
José Edson de Oliveira Filho - 11494582406
Prof. Nathalia Masson
Noções de Direito Constitucional – Soldado – PM CE Aula 03
(19) Art. 5º, XLVIII, XLIX, L, LXI, LXII, LXIII, LXIV, LXV, LXVI, LXXV
– Direitos assegurados aos presos
Art. 5º:
XLVIII - a pena será cumprida em estabelecimentos distintos, de acordo com a natureza do delito, a idade e
o sexo do apenado;
XLIX - é assegurado aos presos o respeito à integridade física e moral;
L - às presidiárias serão asseguradas condições para que possam permanecer com seus filhos durante o
período de amamentação;
LXI - ninguém será preso senão em flagrante delito ou por ordem escrita e fundamentada de autoridade
judiciária competente, salvo nos casos de transgressão militar ou crime propriamente militar, definidos em
lei;
LXII - a prisão de qualquer pessoa e o local onde se encontre serão comunicados imediatamente ao juiz
competente e à família do preso ou à pessoa por ele indicada;
LXIII - o preso será informado de seus direitos, entre os quais o de permanecer calado, sendo-lhe assegurada
a assistência da família e de advogado;
LXIV - o preso tem direito à identificação dos responsáveis por sua prisão ou por seu interrogatório policial;
LXV - a prisão ilegal será imediatamente relaxada pela autoridade judiciária;
LXVI - ninguém será levado à prisão ou nela mantido, quando a lei admitir a liberdade provisória, com ou
sem fiança;
LXXV - o Estado indenizará o condenado por erro judiciário, assim como o que ficar preso além do tempo
fixado na sentença.
Repare, estimado aluno, que reunimos 10 diferentes incisos, todos eles relacionados aos
direitos que os presos possuem. Leia todos com atenção e cuidado, pois são usualmente cobrados em
provas em questões que exigem, tão somente, a literalidade do que está posto no texto constitucional.
Ademais, lembre-se que em sendo o direito à liberdade um dos valores mais centrais do ordenamento
pátrio, o encarceramento é excepcional e somente será possível nos casos estabelecidos na legislação
penal.
Por isso, ninguém poderá ser preso ou mantido preso se a lei admitir a liberdade provisória,
com ou sem fiança. Também a eventual prisão ilegal deverá ser imediatamente relaxada pela
autoridade judiciária. E se alguém for erroneamente preso ou ficar preso por mais tempo do que o
permitido em lei, o Estado estará obrigado a indenizar o sujeito por esse cárcere indevido.
47 de 108| www.direcaoconcursos.com.br
José Edson de Oliveira Filho - 11494582406
Prof. Nathalia Masson
Noções de Direito Constitucional – Soldado – PM CE Aula 03
Ademais, o indivíduo preso é privado da sua liberdade de locomoção, mas não de sua
dignidade, sendo merecedor de absoluto respeito quanto à sua integridade física e moral.
É válido, por fim, registrar duas coisas importantes:
(i) Primeiramente, a decisão monocrática proferida pelo Ministro Luís Roberto Barroso, determinando
que as mulheres transexuais e transgêneros, que estejam cumprindo pena em presídios
masculinos, sejam transferidas para presídios femininos. A decisão, de caráter cautelar, foi tomada,
em junho de 2019, na ADPF 527, na qual a Associação Brasileira de Gays, Lésbicas e Transgêneros
(ABGLT) questionou decisões judiciais contraditórias na aplicação da Resolução Conjunta da
Presidência da República e do Conselho de Combate à Discriminação 1/2014. A liminar, todavia, não
alcançou as travestis, pois, segundo o ministro, ainda não há informações que permitam reconhecer,
com segurança, à luz da Constituição Federal, qual é o tratamento adequado a ser conferido a este
grupo.
No âmbito do direito constitucional brasileiro, o ministro enfatizou que o direito à não
discriminação e à proteção física e mental das pessoas LGBTI tem amparo no princípio da dignidade
humana, no direito à não discriminação em razão da identidade de gênero ou em razão da orientação
sexual, no direito à vida e à integridade física, no direito à saúde, na vedação à tortura e ao tratamento
desumano ou cruel.
A esta decisão, some-se a resolução 34812 editada pelo CNJ em outubro de 2020, na qual o
Conselho determinou que pessoas condenadas devem ser levadas a presídios e cadeias compatíveis
com a autoidentificação de gênero que apresentam. Essa resolução permite, pois, que lésbicas, gays,
bissexuais, transexuais, travestis ou intersexo (LGBTI) privados de liberdade possam cumprir suas penas
em locais adequados.
(ii) A previsão trazida pelo inciso LXIII (“O preso será informado de seus direitos, entre os quais o de
permanecer calado, sendo-lhe assegurada a assistência da família e de advogado”) parece ter sido
ferida por um dispositivo (§ 8° do art. 9°-A) introduzido na Lei de Execução Penal (Lei 7.210/1984) pelo
“Pacote Anticrime”, legislação aprovada em nosso ordenamento no final do ano de 2019 (Lei
13.964/2019). Entenda o caso:
- Desde a edição da Lei 12.654 de 2012, aqueles que são condenados por crime praticado,
dolosamente, com violência de natureza grave contra pessoa, ou por qualquer dos crimes
12. Veja a ementa da resolução do CNJ: “Estabelece diretrizes e procedimentos a serem observados pelo Poder Judiciário, no âmbito criminal, com relação
ao tratamento da população lésbica, gay, bissexual, transexual, travesti ou intersexo que seja custodiada, acusada, ré, condenada, privada de liberdade,
em cumprimento de alternativas penais ou monitorada eletronicamente”.
48 de 108| www.direcaoconcursos.com.br
José Edson de Oliveira Filho - 11494582406
Prof. Nathalia Masson
Noções de Direito Constitucional – Soldado – PM CE Aula 03
A pena será cumprida em estabelecimentos distintos, de acordo com a natureza do delito, a idade, o sexo e o
nível de escolaridade do apenado.
Comentário:
De acordo com o disposto pelo art. 5º, XLVIII da CF/88, a pena realmente será cumprida em
estabelecimentos distintos, de acordo com a natureza do delito, a idade e o sexo do apenado (mas não o seu
nível se escolaridade) O item deverá ser marcado como falso!
Gabarito: Errado
[CESPE - 2013 - DEPEN - Agente Penitenciário] Julgue o próximo item, acerca dos direitos e das garantias
fundamentais:
Entre os direitos constitucionais garantidos às presidiárias incluem-se o respeito à integridade física e moral;
as condições para que possam permanecer com seus filhos durante o período de amamentação; e o
cumprimento da pena em estabelecimento distinto ao dos apenados do sexo masculino.
Comentário:
49 de 108| www.direcaoconcursos.com.br
José Edson de Oliveira Filho - 11494582406
Prof. Nathalia Masson
Noções de Direito Constitucional – Soldado – PM CE Aula 03
O item combina corretamente os incisos XLIX e L do art. 5º. Pode marcá-lo como verdadeiro.
Gabarito: Certo
Gabarito: Errado
[FUMARC - 2013 - PC-MG - Técnico Assistente da Polícia Civil - Administrativa] Nos termos do art. 5º da
Constituição Federal de 1988, julgue a assertiva:
A prisão ilegal será imediatamente relaxada pelo Delegado de Polícia.
Comentário:
A prisão ilegal deverá ser imediatamente relaxada pela autoridade judiciária (e não pelo delegado de polícia),
conforme art. 5º, LXV da CF/88. Item falso.
Gabarito: Errado
[VUNESP - 2014 - PC-SP - Delegado de Polícia - Adaptada] Quanto às garantias constitucionais e à privação
da liberdade, assinale a alternativa correta:
A) O preso será informado de seus direitos, dentre os quais o de permanecer calado, sendo-lhe assegurada a
remoção para estabelecimento perto de sua família.
B) O preso tem direito à identificação dos responsáveis por sua prisão ou por seu interrogatório policial,
exceto nos crimes inafiançáveis.
C) A prisão de qualquer pessoa e o local onde se encontre serão comunicados no primeiro dia útil ao juiz
competente e à família do preso ou à pessoa por ele indicada.
D) Ninguém será levado à prisão ou nela mantido quando a lei admitir a liberdade provisória, com ou sem
fiança.
Comentário:
Pode assinalar a letra ‘d’ como resposta, por ser a única harmônica com o art. 5º, inciso LXVI.
Gabarito: D
[CESPE / CEBRASPE - 2021 - DEPEN - Agente Federal de Execução Penal] Agente penitenciário iniciou
procedimento visando apurar suposta prática de ato racista, ocorrido dentro do estabelecimento prisional,
cometido por um fornecedor contra um detento.
Sem ordem escrita e fundamentada de autoridade judiciária competente, o fornecedor mencionado apenas
poderá ser preso em caso de flagrante delito.
50 de 108| www.direcaoconcursos.com.br
José Edson de Oliveira Filho - 11494582406
Prof. Nathalia Masson
Noções de Direito Constitucional – Soldado – PM CE Aula 03
Comentário:
Conforme determina o art. 5º, LXI, CF/88, ninguém será preso senão em flagrante delito ou por ordem escrita
e fundamentada de autoridade judiciária competente, salvo nos casos de transgressão militar ou crime
propriamente militar, definidos em lei. A assertiva é verdadeira.
Gabarito: Certo
[CESPE / CEBRASPE - 2021 - DEPEN - Agente Federal de Execução Penal] Julgue o item que se segue,
relativo a disposições constitucionais:
A Constituição Federal garante expressamente que a pena deve ser cumprida em estabelecimento prisional
destinado a pessoas do mesmo sexo do apenado.
Comentário:
Conforme determina o art. 5º, XLVIII, CF/88, a pena será cumprida em estabelecimentos distintos, de acordo
com a natureza do delito, a idade e o sexo do apenado. Nesse sentido, a assertiva está correta.
Gabarito: Certo
Este inciso foi estudado na aula referente ao tema “Nacionalidade”. No entanto, confira as
informações postas abaixo que sintetizam algumas relevantes informações que, na ocasião, foram por
nós estudadas:
51 de 108| www.direcaoconcursos.com.br
José Edson de Oliveira Filho - 11494582406
Prof. Nathalia Masson
Noções de Direito Constitucional – Soldado – PM CE Aula 03
Este inciso foi estudado juntamente com o inciso XXXVII – Juiz natural.
Uma das mais amplas e relevantes garantias que temos no art. 5° é a do princípio do devido
processo legal (due process of law), que se traduz na ideia de que um conjunto de garantias processuais,
formais e materiais, deverão ser observadas para que esta norma constitucional seja satisfeita. Quando
falamos em direito ao contraditório ou à ampla defesa, em inadmissibilidade de provas ilícitas, no
direito ao juiz e ao promotor natural etc., estamos a noticiar normas que devem ser estritamente
obedecidas para que o processo transcorra dentro do previsto pela Constituição.
52 de 108| www.direcaoconcursos.com.br
José Edson de Oliveira Filho - 11494582406
Prof. Nathalia Masson
Noções de Direito Constitucional – Soldado – PM CE Aula 03
Consoante entendeu o Ministro do STF Celso de Mello (em decisão de 2008, no HC 94.601
MC/CE), os elementos da garantia constitucional do “due process of law” seriam:
- direito ao processo (garantia de acesso ao Judiciário);
- direito à citação e ao conhecimento prévio do teor da acusação;
- direito a um julgamento público e célere, sem dilações indevidas;
- direito ao contraditório e a ampla defesa (direito à autodefesa e à defesa técnica – advogado);
- direito de não ser processado com fundamento em provas revestidas de ilicitude;
- direito de igualdade entre as partes;
- direito ao benefício da gratuidade;
- direito à observância do princípio do juiz natural;
- direito ao silêncio (privilégio contra a autoincriminação);
- direito à prova;
- direito de presença e de participação ativa nos atos de interrogatório judicial dos demais litisconsortes
penais passivos, quando existentes.
Em outras ocasiões, já foi demonstrado que este princípio constitucional também é o
responsável por trazer implicitamente o princípio da razoabilidade e proporcionalidade, muito cobrado
em concurso, pois é essencial para uma administração pública eficiente, célere e que respeita o Estado
Democrático.
No entendimento do STF, a garantia do devido processo legal não torna obrigatória a defesa técnica por
advogado no âmbito dos processos administrativos disciplinares que envolvam servidores públicos.
Comentário:
De fato, nossa Corte Suprema entende que a garantia do devido processo legal, inscrita no art. 5º, LIV, não
torna obrigatória a defesa técnica por advogado no âmbito dos processos administrativos e disciplinares que
envolvam servidores públicos. Inclusive, tal entendimento está sumulado (SV nº 5).
Gabarito: Certo
53 de 108| www.direcaoconcursos.com.br
José Edson de Oliveira Filho - 11494582406
Prof. Nathalia Masson
Noções de Direito Constitucional – Soldado – PM CE Aula 03
Gabarito: Certo
Como consequência direta do princípio do devido processo legal, temos a previsão de duas
importantíssimas garantias constitucionais: o contraditório e a ampla defesa.
Ampla defesa significa o direito de apresentar no curso do processo todos os meios lícitos que
permitam ao sujeito provar seu ponto de vista. Se defender amplamente significa, até!, manter-se em
silêncio e se omitir – se esta postura lhe parecer mais favorável (lembre-se que nossa Constituição
garante o direito à não‐autoincriminação, no art. 5°, LXIII).
Por seu turno, o contraditório representa o direito constitucional que o sujeito possui de
contradizer tudo aquilo que for apresentado no processo pela parte adversa.
Não se esqueça, por fim, que não aplicamos o contraditório e a ampla defesa no âmbito dos
inquéritos policiais.
Aos litigantes, em inquérito policial e processo judicial ou administrativo, e aos acusados em geral são
assegurados o contraditório e a ampla defesa, com os meios e recursos a ela inerentes.
54 de 108| www.direcaoconcursos.com.br
José Edson de Oliveira Filho - 11494582406
Prof. Nathalia Masson
Noções de Direito Constitucional – Soldado – PM CE Aula 03
Comentário:
Gabarito: Errado
Gabarito: Errado
Gabarito: Errado
Como derivação do princípio do “Devido processo legal”, estudado no inciso LIV, temos a
inadmissibilidade das provas ilícitas, que serão completamente rechaçadas nos processos judiciais e,
também, nos administrativos.
Ilícita é a prova obtida por meio de afronta à direitos, às regras e princípios constitucionais. É
ilícita porque não encontra amparo na ordem jurídica. Ao contrário, a viola, a desrespeita. Claro é que
não poderá integrar o processo e servir de meio para comprovar algo. Sendo ilícita, não admitida, terá
que ser extirpada tão logo seja detectada. Assim determina o art. 157 do CPP: “São inadmissíveis,
devendo ser desentranhadas do processo, as provas ilícitas, assim entendidas as obtidas em violação a
normas constitucionais ou legais”.
Ademais, as provas que dela forem derivadas terão o mesmo destino: serão também extraídas
do processo. É a teoria da “Árvore dos frutos” (fruits of the poisoned tree), segundo a qual, a admissão
55 de 108| www.direcaoconcursos.com.br
José Edson de Oliveira Filho - 11494582406
Prof. Nathalia Masson
Noções de Direito Constitucional – Soldado – PM CE Aula 03
no processo de uma prova ilícita irá contaminar, tornando igualmente nulo todos os atos processuais
que decorrerem dela (art. 157, § 1°, CPP: “São também inadmissíveis as provas derivadas das ilícitas,
salvo quando não evidenciado o nexo de causalidade entre umas e outras, ou quando as derivadas
puderem ser obtidas por uma fonte independente das primeiras”).
Para ilustrar, imagine que em um crime de homicídio, o local em que o corpo da vítima está
enterrado tenha sido obtido mediante confissão, sendo que esta confissão foi conseguida mediante
tortura. Ora, se a própria confissão é ilícita, tudo o que dela derivar (como por exemplo, a prova que
indica o local do corpo da vítima) será também ilícito e não poderá ser considerado [pelo juiz] no
momento de prolatar sua decisão. Outras provas, que não tenham conexão com a ilícita, isto é, que não
tenham sido contaminadas, podem permanecer no processo.
Outrossim, lembremos que a Lei 13.964/2019 (“Pacote Anticrime”) inseriu no art. 157 do CPP o
§ 5°, determinando que “§ 5º O juiz que conhecer do conteúdo da prova declarada inadmissível não
poderá proferir a sentença ou acórdão”. Isso significa que não basta a simples extração física das provas
que foram obtidas ilicitamente, pois tal postura é insuficiente para preservar os valores constitucionais.
A autoridade judiciária que conheceu o conteúdo da prova considerada ilícita, não mais poderá proferir
decisão (sentença ou acórdão), haja vista já estar psicologicamente contaminada pelo acesso à prova
inadmissível.
Ainda sobre esta novidade, estamos afinados com a posição de Rogério Sanches (na obra
“Pacote Anticrime”, lançada pela editora Juspodivm em janeiro de 2020), no sentido de que não é
suficiente, para que haja o afastamento da autoridade judiciária, ter havido o acesso formal à prova
ilícita, sendo essencial que ela tenha contribuído para a produção daquela evidência ou, ainda, a
considerado admissível. Desta forma, se o juiz refutou a prova (justamente por considerá-la ilícita) ele
deve ser prestigiado e sua competência mantida. Entendimento em sentido contrário nos levaria ao
absurdo cenário no qual o réu poderia manipular regras de competência. Imagine que o acusado queira
afastar determinado magistrado do seu processo: bastaria apresentar uma prova ilícita, pois a
autoridade judiciária, mesmo a refutando, pelo simples fato de ter tido contato com aquela evidência,
estaria comprometida e seria afastada do feito. Não nos parece um posicionamento adequado.
56 de 108| www.direcaoconcursos.com.br
José Edson de Oliveira Filho - 11494582406
Prof. Nathalia Masson
Noções de Direito Constitucional – Soldado – PM CE Aula 03
Comentário:
As provas obtidas por meios ilícitos são inadmissíveis no processo. Por essa razão, o item é falso.
Gabarito: Errado
[CESPE - 2009 - TRT - 17ª Região (ES) - Analista Judiciário - Área Judiciária] Julgue o item que se segue,
relativo aos direitos e às garantias fundamentais:
Caso um escritório de advocacia seja invadido, durante a noite, por policiais, para nele se instalar escutas
ambientais, ordenadas pela justiça, já que o advogado que ali trabalha estaria envolvido em organização
criminosa, a prova obtida será ilícita, já que a referida diligência não foi feita durante o dia.
Comentário:
Este é o caso clássico do INQ 2424, no qual o STF autorizou que uma ordem judicial fosse cumprida num local
considerado casa (escritório de advocacia), durante a noite, para a instalação de escuta ambiental. Destarte,
a prova obtida não foi considerada ilícita, razão pela qual não violou o art. 5º, inciso LXVI. O item é falso.
Gabarito: Errado
57 de 108| www.direcaoconcursos.com.br
José Edson de Oliveira Filho - 11494582406
Prof. Nathalia Masson
Noções de Direito Constitucional – Soldado – PM CE Aula 03
13.Art. 283, CPP: "Ninguém poderá ser preso senão em flagrante delito ou por ordem escrita e fundamentada da autoridade judiciária
competente, em decorrência de sentença condenatória transitada em julgado ou, no curso da investigação ou do processo, em virtude de
prisão temporária ou prisão preventiva".
58 de 108| www.direcaoconcursos.com.br
José Edson de Oliveira Filho - 11494582406
Prof. Nathalia Masson
Noções de Direito Constitucional – Soldado – PM CE Aula 03
No mais, lembre-se, estimado aluno, que o princípio da presunção de inocência também pode
ser visto sob um outro prisma: “ninguém precisa provar que não fez algo”, pois o dever de provar (o
ônus da prova) é do acusador.
(vii) Ainda sobre essa discussão acerca da possibilidade de prisão após a condenação em segunda
instância, cumpre informar que o CPP, no capítulo atinente ao procedimento relativo aos processos da
competência do tribunal do júri, determina, no art. 492, I, ‘e’ (com redação dada pela Lei 13.964/2019 -
“Pacote Anticrime”) que o presidente do júri proferirá sentença que, no caso de condenação, mandará o
acusado recolher-se ou recomendá-lo-á à prisão em que se encontra, se presentes os requisitos da
prisão preventiva, ou, no caso de condenação a uma pena igual ou superior a 15 (quinze) anos de
reclusão, determinará a execução provisória das penas, com expedição do mandado de prisão, se for o
caso, sem prejuízo do conhecimento de recursos que vierem a ser interpostos. Note, caro leitor, que a
nova lei positivou um entendimento que já havia sido exarado pelo STF, por maioria, no julgamento de
mérito das ADCs 43, 44 e 54, em novembro de 2019. Na ocasião, o Min. Dias Toffoli (na função de
Presidente da Corte), ao proferir o voto que desempatou o julgamento disse que a prisão com
fundamento unicamente em condenação penal só pode ser decretada após esgotadas todas as
possibilidades de recurso. Esse entendimento, explicou, decorre da opção expressa do legislador e se
mostra compatível com o princípio constitucional da presunção de inocência (mas claro que o
Parlamento tem autonomia para alterar esse dispositivo e definir o momento da prisão). Para o
Ministro, ademais, a única exceção é a sentença proferida pelo Tribunal do Júri, que, de acordo com
a Constituição, é soberano em suas decisões.
Quanto aos direitos e garantias fundamentais, é correto afirmar que ninguém será considerado culpado até o
trânsito em julgado de sentença penal condenatória, salvo o preso em flagrante delito.
Comentário:
O inciso LXVII do art. 5º determina que ninguém será considerado culpado até o trânsito em julgado de
sentença penal condenatória. Por isso, os dois itens são falsos.
59 de 108| www.direcaoconcursos.com.br
José Edson de Oliveira Filho - 11494582406
Prof. Nathalia Masson
Noções de Direito Constitucional – Soldado – PM CE Aula 03
O início de execução da pena criminal condenatória após a confirmação da sentença em segundo grau
ofende o princípio constitucional de presunção da inocência.
Comentário:
Eis um tema bastante controverso, não só na doutrina, como também na própria jurisprudência do STF. A
assertiva foi considerada falsa pela banca, pois no ano em que foi elaborada, nossa Corte admitia o
cumprimento da pena antes do trânsito em julgado da sentença condenatória, considerando que isso não
ofenderia o princípio constitucional da presunção de inocência. No entanto, em novembro de 2019 a
Suprema Corte promoveu nova virada paradigmática sobre o assunto. No julgamento de mérito das ADCs
43, 44 e 54, o STF confirmou a constitucionalidade do artigo 283 do CPP, à luz do artigo 5º, LVII, da
Constituição da República, o que significou, segundo a maioria dos Ministros, que o cumprimento da pena de
prisão somente pode ocorrer após o trânsito em julgado da sentença condenatória.
Gabarito: Certo
60 de 108| www.direcaoconcursos.com.br
José Edson de Oliveira Filho - 11494582406
Prof. Nathalia Masson
Noções de Direito Constitucional – Soldado – PM CE Aula 03
Comentário:
Como o inciso LVIII do art. 5º determina que civilmente identificado não será submetido a identificação
criminal, salvo nas hipóteses previstas em lei, podemos assinalar a letra ‘e’ como resposta.
Gabarito: E
[IBADE - 2016 - Prefeitura de Rio Branco - AC - Administrador] Acerca dos direitos e deveres individuais e
coletivos, de acordo com a Constituição Federal de 1988, julgue a assertiva:
O civilmente identificado não será submetido à identificação criminal em nenhuma hipótese.
[CESPE - 2016 - PC-PE - Delegado de Polícia - Adaptada] Acerca dos direitos e garantias fundamentais
previstos na CF, julgue a assertiva:
Conforme o texto constitucional, o civilmente identificado somente será submetido à identificação criminal
se a autoridade policial, a seu critério, julgar que ela é essencial à investigação policial.
Comentário:
Ambos os itens são falsos, por estarem desarmônicos com o inciso LVIII do art. 5º.
61 de 108| www.direcaoconcursos.com.br
José Edson de Oliveira Filho - 11494582406
Prof. Nathalia Masson
Noções de Direito Constitucional – Soldado – PM CE Aula 03
Não se admite ação privada nos crimes de ação pública, ainda que esta não seja intentada no prazo legal.
[IDECAN - 2017 - SEJUC-RN - Agente Penitenciário - Adaptada] Quanto à Constituição Federal de 1988,
analise a afirmativa a seguir:
Será vedada ação privada nos crimes de ação pública, mesmo se esta não for intentada no prazo legal.
Comentário:
Os dois itens falsos, uma vez que o inciso LIX do art. 5º admite a ação privada nos crimes de ação pública
quando esta última não é intentada no prazo legal.
Gabarito: Errado
Estamos diante de um inciso simples, mas bastante cobrado em provas. Repare que a regra é a
publicidade dos atos processuais. No entanto, e muito excepcionalmente, tal publicidade poderá ser
restringida, nos casos em que a defesa da intimidade ou do interesse social exigirem. A regra é a
publicidade dos atos processuais.
62 de 108| www.direcaoconcursos.com.br
José Edson de Oliveira Filho - 11494582406
Prof. Nathalia Masson
Noções de Direito Constitucional – Soldado – PM CE Aula 03
Comentário:
A restrição é possível quando a defesa da intimidade ou do interesse social exigirem. Item falso.
Gabarito: Errado
Gabarito: Errado
[VUNESP - 2013 - UNESP - Motorista - Adaptada] A lei só poderá restringir a publicidade dos atos processuais
quando
A) houver acordo entre as partes litigantes.
B) o crime for hediondo ou afiançável.
C) o crime for de grande repercussão internacional.
D) o crime for julgado perante o Tribunal do Júri.
E) a defesa da intimidade ou o interesse social o exigirem.
Comentário:
63 de 108| www.direcaoconcursos.com.br
José Edson de Oliveira Filho - 11494582406
Prof. Nathalia Masson
Noções de Direito Constitucional – Soldado – PM CE Aula 03
Gabarito: E
Qual é a regra que podemos extrair do inciso LXVII? A de que não cabe prisão civil por dívida.
No entanto, essa proibição pode ser relativizada caso haja alguma lei que estabeleça a prisão
por inadimplemento voluntário e inescusável de obrigação alimentícia e a do depositário infiel. Acaso
haja lei prevendo a prisão nestes casos, estará restringindo a proibição de prisão da norma
constitucional.
Saiba, todavia, que em 2008, o Supremo passou a entender não ser mais possível no Brasil a
prisão civil por dívida do depositário infiel, o que motivou inclusive a edição da súmula vinculante 25,
cujo teor é o seguinte: “É ilícita a prisão civil de depositário infiel, qualquer que seja a modalidade do
depósito”.
Por que nossa Corte Suprema, passou a entender que, mesmo expressa na Constituição, tal
prisão não seria factível? Em razão da previsão em um tratado internacional (pacto de São José da
Costa Rica) do qual somos signatários (ou seja, o Brasil assinou tal tratado). Mas este tratado teve força
para revogar a Constituição? Não. Quando este Tratado, que versa sobre direitos humanos, foi
internalizado, nem existia ainda a previsão constitucional do art. 5º §3º (que permite que tratados e
convenções internacionais sobre direitos humanos ingressem em nosso ordenamento com status de
emendas constitucionais caso sejam aprovados nas duas Casas do Congresso Nacional, em dois turnos,
com maioria de 3/5 dos membros).
Lá no ano de 2008, nossa Corte passou a entender que os tratados internacionais sobre direitos
humanos, caso não passem pelo rito de votação de uma emenda constitucional, não terão o status de
norma constitucional (de emenda constitucional), porém, possuirão o status de norma “supralegal”,
isto é, estarão acima das leis, mas abaixo da Constituição. Por estarem acima das leis (por terem status
64 de 108| www.direcaoconcursos.com.br
José Edson de Oliveira Filho - 11494582406
Prof. Nathalia Masson
Noções de Direito Constitucional – Soldado – PM CE Aula 03
de norma supralegal), tais tratados poderão paralisar a eficácia de leis que lhe sejam contrárias. Esse
entendimento foi a partir do final de 2008. Veja o julgado:
“... Prevaleceu, no julgamento, por fim, a tese do status de supralegalidade da referida convenção,
inicialmente defendida pelo Ministro Gilmar Mendes no julgamento do RE 466.343/SP, (...).
Vencidos, no ponto, os Ministros Celso de Mello, Cezar Peluso, Ellen Gracie e Eros Grau, que a ela
davam a qualificação constitucional, perfilhando o entendimento expendido pelo primeiro no voto
que proferira nesse recurso. O Min. Marco Aurélio, relativamente a essa questão, se absteve de
pronunciamento” (HC 87585/TO, Rel. Min. Marco Aurélio, 3.12.2008).
Ora, como vimos que a prisão do depositário infiel ou do inadimplente de alimentos só seria
possível através de uma previsão legal, esta lei que porventura esteja prevendo a prisão do depositário
infiel ficaria sem efeitos, pois tornou-se inaplicável diante do pacto de São José, o qual tem status de
norma supralegal (acima das leis).
Resumindo:
- Atualmente, é possível a prisão civil do depositário infiel? Não. Pois com base na tese da norma
supralegal dos tratados internacionais de direitos humanos que não passaram pelo rito previsto no art.
5º, § 3º da CF, como ocorreu com o Pacto de São José da Costa Rica, a legislação infraconstitucional que
previa tal prisão e estava em posição de contrariedade com o Pacto ficou com a eficácia paralisada. Tal
entendimento deu origem a súmula vinculante 25.
- A Constituição segue prevendo a prisão civil do depositário infiel em seu texto? Sim, o texto
constitucional não foi modificado pelo pacto (pois ele está abaixo da Constituição), porém, esta prisão é
inaplicável já que não há lei que a efetive (todas as leis que tratavam do tema ficaram inaplicáveis em
razão do Pacto, que está acima delas, e não autoriza a prisão civil do depositário infiel).
Esquematizando:
- Prisão civil por dívida:
(i) Regra: não prisão
(ii) Exceção: determinação de prisão do responsável por inadimplemento voluntário e inescusável de
obrigação alimentícia.
(iii) E o depositário infiel? Não pode mais ser preso. Súmula vinculante nº 25: “É ilícita a prisão civil de
depositário infiel, qualquer que seja a modalidade do depósito”.
65 de 108| www.direcaoconcursos.com.br
José Edson de Oliveira Filho - 11494582406
Prof. Nathalia Masson
Noções de Direito Constitucional – Soldado – PM CE Aula 03
Comentário:
Gabarito: D
[FCC - 2018 - TRT - 15ª Região (SP) - Analista Judiciário - Área Judiciária - Oficial de Justiça Avaliador Federal]
A Constituição Federal VEDA, como regra geral, a prisão civil por dívida,
A) proibindo, expressamente, a prisão do depositário infiel, qualquer que seja a natureza do depósito, ainda
que permita a prisão civil do responsável pelo inadimplemento voluntário e inescusável de obrigação
alimentícia.
B) ressalvando, expressamente, a prisão civil do responsável pelo inadimplemento voluntário e inescusável
de obrigação alimentícia e a do depositário infiel, mas o Supremo Tribunal Federal firmou tese jurídica, em
sede de julgamento de recurso extraordinário com repercussão geral reconhecida, no sentido de que todos
os pactos internacionais em matéria de direitos humanos internalizados pelo País, inclusive os que proíbem a
prisão civil por dívida, ingressam no direito brasileiro com hierarquia de norma constitucional e, por isso, a
hipótese de prisão do depositário infiel é inaplicável segundo o direito vigente.
C) ressalvando, expressamente, a prisão do responsável pelo inadimplemento voluntário e inescusável de
obrigação alimentícia e a do depositário infiel, mas, de outro lado, o Supremo Tribunal Federal editou súmula
vinculante segundo a qual é ilícita a prisão civil do depositário infiel, qualquer que seja a modalidade do
depósito.
D) ressalvando, expressamente, a prisão do responsável pelo inadimplemento voluntário e inescusável de
obrigação alimentícia e a do depositário infiel, mas a jurisprudência vigente do Supremo Tribunal Federal
entende que os pactos internacionais em matéria de direitos humanos internalizados pelo País, inclusive os
que proíbem a prisão civil por dívida, ingressam no direito brasileiro com hierarquia de norma constitucional
e, por isso, todas as hipóteses de prisão civil previstas na Constituição Federal são inaplicáveis segundo o
direito vigente.
E) ressalvando, expressamente, a prisão do responsável pelo inadimplemento voluntário e inescusável de
obrigação alimentícia e a do depositário infiel, mas, segundo jurisprudência vigente do Supremo Tribunal
Federal, é vedada a prisão civil do depositário infiel apenas quando o depósito for fruto de ordem judicial.
66 de 108| www.direcaoconcursos.com.br
José Edson de Oliveira Filho - 11494582406
Prof. Nathalia Masson
Noções de Direito Constitucional – Soldado – PM CE Aula 03
Comentário:
A letra ‘c’ pode ser assinalada como resposta, nos termos do art. 5º, inciso LXVII, em associação com o teor
da SV nº 25.
Gabarito: C
[FUNCAB - 2014 - PC-RO - Delegado de Polícia Civil - Adaptada] Com relação ao tema “direitos individuais e
coletivos” na Constituição Federal de 1988, julgue a assertiva:
É ilícita a prisão civil de depositário infiel, qualquer que seja a modalidade do depósito.
[IADES - 2017 - CREMEB - Advogado] Com relação aos direitos e às garantias individuais, julgue a assertiva:
É lícita a prisão civil de depositário infiel, qualquer que seja a modalidade do depósito.
Comentário:
Por ser ilícita a prisão civil do depositário infiel, qualquer que seja a modalidade do depósito, o primeiro item
é verdadeiro e o segundo é falso.
67 de 108| www.direcaoconcursos.com.br
José Edson de Oliveira Filho - 11494582406
Prof. Nathalia Masson
Noções de Direito Constitucional – Soldado – PM CE Aula 03
68 de 108| www.direcaoconcursos.com.br
José Edson de Oliveira Filho - 11494582406
Prof. Nathalia Masson
Noções de Direito Constitucional – Soldado – PM CE Aula 03
Vale destacar que foi exatamente para dar concretude a este inciso que nossa Constituição, em
seu art. 134, edificou a Defensoria Pública, na condição de instituição essencial à função jurisdicional
do Estado, incumbindo-lhe a orientação jurídica e a defesa, em todos os graus, dos necessitados.
O Estado prestará assistência jurídica integral e gratuita a todos os litigantes em processo judicial ou
administrativo.
[FMP Concursos - 2014 - TJ-MT - Provimento - Adaptada] A respeito dos direitos fundamentais elencados no
art. 5º da CF/88, julgue a assertiva:
Os dois itens deverão ser marcados como falsos pois o Estado se comprometeu, constitucionalmente, a
prestar assistência jurídica integral e gratuita aos que comprovarem insuficiência de recursos (art. 5º, LXXIV).
Gabarito: Errado
[IADES - 2019 - AL-GO - Policial Legislativo - Adaptada] Acerca dos direitos fundamentais estabelecidos na
Constituição Federal, julgue a assertiva:
O Estado não poderá prestar assistência jurídica gratuita aos que comprovarem insuficiência de recursos.
Comentário:
Tal assertiva contraria o disposto no inciso LXXIV do art. 5º, sendo falsa.
Gabarito: Errado
69 de 108| www.direcaoconcursos.com.br
José Edson de Oliveira Filho - 11494582406
Prof. Nathalia Masson
Noções de Direito Constitucional – Soldado – PM CE Aula 03
A) vulneráreis.
B) hipossuficientes.
C) pobres.
D) hipersuficientes.
E) desempregados.
Comentário:
70 de 108| www.direcaoconcursos.com.br
José Edson de Oliveira Filho - 11494582406
Prof. Nathalia Masson
Noções de Direito Constitucional – Soldado – PM CE Aula 03
É a redação exata do art. 5º do inciso LXXVI, razão pela qual devemos assinalar a letra ‘c’.
Gabarito: C
[IMA - 2017 - Prefeitura de Piracuruca - PI - Agente de Trânsito] Com base no Art. 5º da Constituição Federal
de 1988, responda á questão.
São gratuitos para os reconhecidamente pobres, na forma da lei:
A) O registro civil de nascimento e a certidão de óbito
B) O registro civil de nascimento e o registro geral
C) O registro civil de nascimento e o cadastro de pessoa física
D) O registro geral e a certidão de óbito
Comentário:
Letra ‘a’, consoante determina o art. 5º, inciso LXXVI.
Gabarito: A
Eis um inciso que não foi inserido no art. 5° pelo poder constituinte originário no momento em
que este elaborou a Constituição. Foi introduzido somente no ano de 2004, pelo poder reformador, por
meio da EC nº 45.
Pela leitura, podemos notar que esse dispositivo traz o princípio da celeridade processual,
assegurando a todas as pessoas, tanto no âmbito judicial quando no âmbito administrativo, a razoável
duração do processo e os meios que garantam a celeridade de sua tramitação.
71 de 108| www.direcaoconcursos.com.br
José Edson de Oliveira Filho - 11494582406
Prof. Nathalia Masson
Noções de Direito Constitucional – Soldado – PM CE Aula 03
Caso você se pergunte o porquê de o poder reformador ter incorporado este inciso à nossa
Carta Magna, eu lhe digo que foi com o objetivo de garantir aos cidadãos o direito de terem julgados e
solucionados os seus processos dentro de um lapso temporal razoável. Afinal, nunca se esqueça: justiça
que tarda é justiça que falha!
Por fim, lembre-se que estamos diante de um desdobramento de um direito que já está
constitucionalmente assegurado desde a promulgação da CF/88, que é o direito ao acesso à justiça, do
inciso XXXV.
A) é garantia fundamental prevista na Constituição Federal, aplica-se no âmbito judicial e administrativo, e tem
aplicação imediata.
B) é garantia fundamental prevista na Constituição Federal, aplica-se apenas no âmbito judicial, e tem aplicação
imediata.
C) não é garantia fundamental prevista na Constituição Federal, aplica-se no âmbito judicial e administrativo, e tem
aplicação imediata.
D) é garantia fundamental prevista na Constituição Federal, aplica-se apenas no âmbito judicial, e não tem aplicação
imediata.
[IESES - 2017 - TJ-RO - Titular de Serviços de Notas e de Registros - Provimento - Adaptada] Sobre os direitos e
garantias fundamentais previstos pela Constituição Federal, julgue a assertiva:
A todos os litigantes, exceto no âmbito administrativo, são assegurados a razoável duração do processo e os meios que
garantam a celeridade de sua tramitação.
A todos, no âmbito judicial e administrativo, são assegurados a razoável duração do processo e os meios que garantam
a celeridade de sua tramitação.
Comentário:
O inciso LXXVIII do art. 5º foi inserido em nossa CF/88 por meio da EC nº 45/04 que fez a reforma do Judiciário. Tal
dispositivo assegura a todas as pessoas, tanto em âmbito judicial quanto administrativo, a razoável duração do processo
e a celeridade de sua tramitação. Com essas informações podemos marcar a letra ‘a’ na primeira função e considerar o
primeiro item como falso e o segundo como verdadeiro.
72 de 108| www.direcaoconcursos.com.br
José Edson de Oliveira Filho - 11494582406
Prof. Nathalia Masson
Noções de Direito Constitucional – Soldado – PM CE Aula 03
73 de 108| www.direcaoconcursos.com.br
José Edson de Oliveira Filho - 11494582406
Prof. Nathalia Masson
Noções de Direito Constitucional – Soldado – PM CE Aula 03
QUESTÃO 05
[VUNESP - 2017 - UNESP - Assistente Administrativo] Ressalvados os casos previstos na Constituição
Federal, a lei estabelecerá o procedimento para desapropriação por necessidade ou utilidade pública,
ou por interesse social, mediante:
A) títulos da dívida pública.
B) justa e prévia indenização em dinheiro.
C) títulos da dívida agrária.
D) precatórios judiciais.
E) ordens de pagamento do Tesouro.
QUESTÃO 06
[IBFC - 2017 - EBSERH - Advogado (HUGG-UNIRIO)] Analise os itens a seguir e considere as normas da
Constituição Federal sobre a garantia de sigilo para assinalar a alternativa correta:
A) A lei estabelecerá o procedimento para desapropriação por necessidade ou utilidade pública,
mediante justa e prévia indenização em dinheiro, ressalvados os casos previstos na própria
Constituição, sendo vedado tal ato por interesse social
B) A lei estabelecerá o procedimento para desapropriação por necessidade ou utilidade pública, ou por
interesse social, mediante justa e posterior indenização em dinheiro, ressalvados os casos previstos na
própria Constituição
C) A lei estabelecerá o procedimento para desapropriação por necessidade ou utilidade pública, ou por
interesse social, mediante justa e posterior indenização em dinheiro ou isenções, ressalvados os casos
previstos na própria Constituição
D) A lei estabelecerá o procedimento para desapropriação por necessidade ou utilidade pública, ou por
interesse social, mediante justa e prévia indenização em dinheiro ou títulos, ressalvados os casos
previstos na própria Constituição
E) A lei estabelecerá o procedimento para desapropriação por necessidade ou utilidade pública, ou por
interesse social, mediante justa e prévia indenização em dinheiro, ressalvados os casos previstos na
própria Constituição
QUESTÃO 07
[CESPE - 2014 - TJ-DFT - Adaptada] Acerca do direito de propriedade, analise a assertiva.
No caso de iminente perigo público, a autoridade competente poderá utilizar-se de propriedade
particular, assegurada ao proprietário indenização ulterior.
74 de 108| www.direcaoconcursos.com.br
José Edson de Oliveira Filho - 11494582406
Prof. Nathalia Masson
Noções de Direito Constitucional – Soldado – PM CE Aula 03
QUESTÃO 08
[FCC - 2015 - TRE-AP - Analista Judiciário - Administrativa] Francisco reside em um imóvel de sua
propriedade. Em caso de iminente perigo público, a autoridade competente poderá:
A) usar da propriedade particular de Francisco, mediante justa e prévia indenização em dinheiro.
B) usar da propriedade particular de Francisco, assegurada a ele indenização ulterior, se houver dano.
C) usar da propriedade particular de Francisco, assegurada a ele indenização ulterior,
independentemente de dano.
D) realizar o procedimento de desapropriação, assegurada a Francisco indenização ulterior, se houver
dano.
E) realizar o procedimento de desapropriação e, após a sua conclusão, usar da propriedade particular de
Francisco, sem direito à indenização, já que há necessidade pública e que a propriedade não atende a
sua função social.
QUESTÃO 09
[Quadrix - 2020 - CREFONO - 1ª Região - Profissional Administrativo] A Constituição Federal de 1988
traz, em seu Título II, denominado “Dos Direitos e das Garantias Fundamentais”, disposições
relacionadas aos direitos e aos deveres individuais e coletivos, aos direitos sociais, à nacionalidade, à
cidadania, aos direitos políticos, entre outras. Com base no ordenamento constitucional, julgue o item:
É garantido o direito de propriedade, porém a autoridade competente poderá usar de propriedade
particular em caso de iminente perigo público, estando assegurada indenização ulterior em caso de
dano.
QUESTÃO 10
[CESPE - 2013 TJ-BA - Titular de Serviços de Notas e de Registros] Considerando as normas
constitucionais sobre direitos e garantias fundamentais, analise a assertiva:
A pequena propriedade rural, assim definida em lei, desde que trabalhada pela família, não será objeto
de penhora, salvo se para pagamento de débitos decorrentes de sua atividade produtiva.
QUESTÃO 11
[FUNCAB - 2014 - MDA - Técnico em Agrimensura - Adaptada] Sobre os direitos e garantias
fundamentais, julgue a assertiva:
É permitida a penhora da pequena propriedade rural para pagamento de débitos decorrentes da
atividade produtiva.
QUESTÃO 12
[FUNDEP - 2016 - IFN-MG - Assistente Administração - Adaptada] Julgue a assertiva:
75 de 108| www.direcaoconcursos.com.br
José Edson de Oliveira Filho - 11494582406
Prof. Nathalia Masson
Noções de Direito Constitucional – Soldado – PM CE Aula 03
Aos autores, pertence o direito exclusivo de utilização, publicação ou reprodução de suas obras, vedada
a transmissão a herdeiros.
QUESTÃO 13
[CESPE - 2013 - TRT - 8ª Região (PA e AP) - Técnico Judiciário - Adaptada] Analise a assertiva acerca de
direitos e deveres individuais e coletivos previstos na CF:
Aos autores pertence o direito exclusivo de utilização, publicação ou reprodução de suas obras. Esse
direito é intransmissível aos herdeiros.
QUESTÃO 14
[FCC - 2015 - TRT - 9ª REGIÃO (PR) - Analista Judiciário - Área Apoio Especializado - Tecnologia da
Informação - Adaptada] Sobre os Direitos e Deveres Individuais e Coletivos previstos na Constituição
Federal, julgue a assertiva:
São asseguradas, nos termos da lei, a proteção às participações individuais em obras coletivas e à
reprodução da imagem e voz humanas, exceto nas atividades desportivas.
QUESTÃO 15
[FUNDATEC - 2018 - SPGG - RS - Analista de Planejamento, Orçamento e Gestão - Adaptada] No que
diz respeito aos direitos e garantias fundamentais previstos na Constituição Federal, analise a seguinte
afirmação:
A lei assegurará aos autores de inventos industriais privilégio temporário para sua utilização, bem como
proteção às criações industriais, à propriedade das marcas, aos nomes de empresas e a outros signos
distintivos, tendo em vista o interesse social e o desenvolvimento tecnológico e econômico do País.
QUESTÃO 16
[CESPE - 2011 - CNPQ - Assistente] Julgue o item subsequente, no que concerne aos direitos e às
garantias fundamentais, segundo a CF:
A CF garante o direito de propriedade intelectual e assegura aos autores de inventos industriais
privilégio permanente para a sua utilização, além de proteção às criações industriais, à propriedade das
marcas, aos nomes de empresas e outros signos distintivos, considerando o interesse social e o
desenvolvimento tecnológico e econômico do Brasil.
QUESTÃO 17
[VUNESP - 2016 - IPSMI - Procurador- Adaptada] De acordo com a Constituição Federal de 1988, julgue
a assertiva:
É garantido o direito à herança, desde que respeitada a função social da propriedade.
76 de 108| www.direcaoconcursos.com.br
José Edson de Oliveira Filho - 11494582406
Prof. Nathalia Masson
Noções de Direito Constitucional – Soldado – PM CE Aula 03
QUESTÃO 18
[INSTITUTO AOCP - 2018 - TRT - 1ª REGIÃO (RJ) - Analista Judiciário - Engenharia Civil - Adaptada] De
acordo com o que dispõe a Constituição Federal acerca dos direitos e deveres individuais e coletivos,
julgue a assertiva:
A sucessão de bens de estrangeiros situados no País será regulada pela lei brasileira em benefício do
cônjuge ou dos filhos brasileiros, sempre que não lhes seja mais favorável a lei pessoal do "de cujus".
QUESTÃO 19
[CESPE - 2013 - TJ-BA - Titular de Serviços de Notas e de Registros - Adaptada] Ainda com relação aos
direitos e garantias fundamentais, julgue a assertiva:
A sucessão de bens de estrangeiros situados no país será regulada pela lei brasileira em benefício do
cônjuge ou dos filhos brasileiros, ainda que lhes seja mais favorável a lei pessoal do de cujus.
QUESTÃO 20
[FUMARC - 2016 - CBTU - Técnico Industrial - TIN -Edificações - Adaptada] A respeito dos direitos e das
garantias fundamentais previstos na Constituição de 1988, julgue a assertiva:
A sucessão de bens de estrangeiros situados no País será sempre regulada pela lei brasileira em
benefício do cônjuge ou dos filhos brasileiros.
QUESTÃO 21
[FUNDATEC - 2018 - SPGG - RS - Analista de Planejamento, Orçamento e Gestão - Adaptada] No que
diz respeito aos direitos e garantias fundamentais previstos na Constituição Federal, analise a seguinte
afirmação:
O Estado promoverá, na forma definida em Lei Complementar, a defesa do consumidor.
QUESTÃO 22
[IADES - 2018 - IGEPREV-PA - Técnico Previdenciário B - Adaptada] Os direitos e deveres individuais e
coletivos previstos na Constituição Federal de 1988 estabelecem que:
A defesa dos direitos do consumidor é de responsabilidade individual de cada cidadão brasileiro.
QUESTÃO 23
[FCC - 2013 - PGE - BA - Analista] O princípio segundo o qual a lei não excluirá da apreciação do Poder
Judiciário lesão ou ameaça a direito, denomina-se:
a) da proteção à coisa julgada e ao ato jurídico perfeito.
b) da exclusiva proteção de bens jurídicos.
c) da legalidade.
d) da inafastabilidade do controle jurisdicional.
77 de 108| www.direcaoconcursos.com.br
José Edson de Oliveira Filho - 11494582406
Prof. Nathalia Masson
Noções de Direito Constitucional – Soldado – PM CE Aula 03
e) da legitimidade popular.
QUESTÃO 24
[FCC - 2013 - TRT 1ªR - TJAA] Dentre os direitos assegurados na Constituição Federal que regem os
processos judiciais está o direito:
A) à produção de quaisquer provas, em qualquer tempo e procedimento, ainda que obtidas por meios
ilícitos, em decorrência do princípio constitucional da ampla defesa.
B) de deduzir pedido e apresentar defesa, por via oral, independentemente do tipo de procedimento
aplicado ao caso.
C) a juízo ou tribunal de exceção.
D) à inafastabilidade do controle jurisdicional de lesão ou ameaça a direito.
E) de a parte formular pedido e deduzir defesa independentemente de constituir advogado.
QUESTÃO 25
[CESPE - 2015 - Procurador- Salvador/2015] Julgue a assertiva:
O princípio da inafastabilidade da jurisdição impede o estabelecimento, no ordenamento jurídico
brasileiro, de cláusulas compromissórias de arbitragem em contratos, ainda que estes sejam relativos a
direito disponível.
QUESTÃO 26
[FCC - 2011 - TRT 20ª - AJEM - Adaptada] No tocante aos Direitos e Deveres Individuais e Coletivos, o
direito adquirido:
a) é a expectativa de direito.
b) é a situação fática consumada independentemente de previsão na legislação.
c) emana diretamente da lei em favor de um titular.
d) é o direito que já se integrou ao patrimônio e que já foi exercido.
e) é o ato jurídico stricto sensu.
QUESTÃO 27
[FCC - 2010 - TJ - PA - Auxiliar - Adaptada] Julgue o item:
A lei não prejudicará o direito adquirido, o ato jurídico perfeito e a coisa julgada.
QUESTÃO 28
[CESPE - 2015 - TJAA] Julgue a assertiva:
A superveniência de nova Constituição não afetará o direito adquirido na ordem constitucional anterior.
QUESTÃO 29
[ESAF - 2010 - MPOG - APO - Adaptada] Julgue a assertiva:
78 de 108| www.direcaoconcursos.com.br
José Edson de Oliveira Filho - 11494582406
Prof. Nathalia Masson
Noções de Direito Constitucional – Soldado – PM CE Aula 03
79 de 108| www.direcaoconcursos.com.br
José Edson de Oliveira Filho - 11494582406
Prof. Nathalia Masson
Noções de Direito Constitucional – Soldado – PM CE Aula 03
Apesar do direito de não ser processado nem sentenciado senão pela autoridade competente, não se
admite a figura do promotor natural, tendo em vista a unidade do MP.
QUESTÃO 36
[VUNESP - 2018 - Prefeitura de Bauru - SP - Procurador Jurídico - Adaptada] Julgue o item:
É reconhecida a instituição do júri, com a organização que lhe der a lei, assegurada sua competência
para o julgamento dos crimes dolosos e culposos contra a vida.
QUESTÃO 37
[FUNCAB - 2014 - PC-RO - Delegado de Polícia Civil] Com relação ao tema “direitos individuais e
coletivos” na Constituição Federal de 1988, julgue a assertiva:
Ao júri é assegurado a competência para julgamento de todos os crimes contra a vida.
QUESTÃO 38
[VUNESP - 2015 - UNESP - Assistente de Suporte Acadêmico I - Adaptada] Assinale a alternativa que
está em conformidade com o texto da Constituição Federal.
O tribunal do júri tem competência para processar e julgar todos os crimes hediondos.
QUESTÃO 39
[CESPE - 2016 - PC-PE - Escrivão de Polícia Civil] No que se refere aos direitos e às garantias
fundamentais, julgue a assertiva:
O tribunal do júri tem competência para o julgamento dos crimes culposos e dolosos contra a vida.
QUESTÃO 40
[CESPE - 2014 - MPE - AC - Promotor] Julgue a assertiva:
Autoridade detentora de foro por prerrogativa de função estabelecido exclusivamente na constituição
estadual que praticar crime doloso contra vida deverá ser julgada pelo tribunal do júri.
QUESTÃO 41
[IDECAN - 2019 - AGU - Técnico em Comunicação Social] Nos termos da Constituição Federal, é
reconhecida a instituição do júri, com a organização que lhe der a lei, assegurados:
I. a legítima de defesa;
II. a competência para o julgamento dos crimes dolosos contra a vida e os definidos como crimes
hediondos;
III. a soberania dos veredictos e o sigilo das votações.
Analisando os itens acima, é correto afirmar que:
A) somente o item I está correto.
B) somente o item II está correto.
80 de 108| www.direcaoconcursos.com.br
José Edson de Oliveira Filho - 11494582406
Prof. Nathalia Masson
Noções de Direito Constitucional – Soldado – PM CE Aula 03
81 de 108| www.direcaoconcursos.com.br
José Edson de Oliveira Filho - 11494582406
Prof. Nathalia Masson
Noções de Direito Constitucional – Soldado – PM CE Aula 03
82 de 108| www.direcaoconcursos.com.br
José Edson de Oliveira Filho - 11494582406
Prof. Nathalia Masson
Noções de Direito Constitucional – Soldado – PM CE Aula 03
QUESTÃO 52
[CESPE - 2021 - Polícia Federal - Agente de Polícia Federal] A polícia foi acionada para atender a um
chamado de suspeita de ocorrência de tráfico ilícito de entorpecentes no interior de determinada
sociedade de economia mista federal. Ao chegar ao local, os policiais verificaram que um dos
traficantes era um brasileiro naturalizado.
O tráfico ilícito de entorpecentes é crime inafiançável.
QUESTÃO 53
[CESPE / CEBRASPE - 2021 - DEPEN - Agente Federal de Execução Penal] Agente penitenciário iniciou
procedimento visando apurar suposta prática de ato racista, ocorrido dentro do estabelecimento
prisional, cometido por um fornecedor contra um detento.
A prática do racismo constitui crime afiançável, sujeito a pena de detenção.
QUESTÃO 54
[PR-4 UFRJ - 2017 - UFRJ - Assistente em Administração - Adaptada] Sobre os direitos e garantias
fundamentais, consagrados na Constituição Federal de 1988, julgue a assertiva:
Nenhuma pena passará da pessoa do condenado e a obrigação de reparar o dano não pode ser
estendida aos sucessores, tampouco contra eles executada.
QUESTÃO 55
[INSTITUTO AOCP - 2018 - TRT - 1ª REGIÃO (RJ) - Analista Judiciário - Engenharia Civil - Adaptada] De
acordo com o que dispõe a Constituição Federal acerca dos direitos e deveres individuais e coletivos,
julgue a assertiva:
Nenhuma pena passará da pessoa do condenado, não podendo a obrigação de reparar o dano e a
decretação do perdimento de bens ser estendidas aos sucessores ou contra eles executadas.
QUESTÃO 56
[VUNESP - 2015 - PC - CE - Inspetor] Constituição da República, artigo 5º, inciso XLV: “nenhuma pena
passará da pessoa do condenado, podendo a obrigação de reparar o dano e a decretação do
perdimento de bens ser, nos termos da lei, estendidas aos sucessores e contra eles executadas, até o
limite do valor do patrimônio transferido”. O dispositivo constitucional ora transcrito refere-se a um dos
princípios denominado
A) Princípio da intranscendência.
B) Princípio do privilégio contra a autoincriminação.
C) Princípio do devido processo legal.
D) Princípio da correlação.
83 de 108| www.direcaoconcursos.com.br
José Edson de Oliveira Filho - 11494582406
Prof. Nathalia Masson
Noções de Direito Constitucional – Soldado – PM CE Aula 03
84 de 108| www.direcaoconcursos.com.br
José Edson de Oliveira Filho - 11494582406
Prof. Nathalia Masson
Noções de Direito Constitucional – Soldado – PM CE Aula 03
85 de 108| www.direcaoconcursos.com.br
José Edson de Oliveira Filho - 11494582406
Prof. Nathalia Masson
Noções de Direito Constitucional – Soldado – PM CE Aula 03
C) A prisão de qualquer pessoa e o local onde se encontre serão comunicados no primeiro dia útil ao juiz
competente e à família do preso ou à pessoa por ele indicada.
D) Ninguém será levado à prisão ou nela mantido quando a lei admitir a liberdade provisória, com ou
sem fiança.
QUESTÃO 67
[CESPE / CEBRASPE - 2021 - DEPEN - Agente Federal de Execução Penal] Agente penitenciário iniciou
procedimento visando apurar suposta prática de ato racista, ocorrido dentro do estabelecimento
prisional, cometido por um fornecedor contra um detento.
Sem ordem escrita e fundamentada de autoridade judiciária competente, o fornecedor mencionado
apenas poderá ser preso em caso de flagrante delito.
QUESTÃO 68
[CESPE / CEBRASPE - 2021 - DEPEN - Agente Federal de Execução Penal] Julgue o item que se segue,
relativo a disposições constitucionais:
A Constituição Federal garante expressamente que a pena deve ser cumprida em estabelecimento
prisional destinado a pessoas do mesmo sexo do apenado.
QUESTÃO 69
[CESPE - 2015 - TRF 5ªR - Juiz] Julgue o item:
No entendimento do STF, a garantia do devido processo legal não torna obrigatória a defesa técnica
por advogado no âmbito dos processos administrativos disciplinares que envolvam servidores públicos.
QUESTÃO 70
[CESPE- 2012 - TFCE-TCU] Julgue o item:
O princípio da proporcionalidade ou da razoabilidade é um princípio constitucional não positivado.
QUESTÃO 71
[VUNESP - 2018 - PC-SP - Auxiliar de Papiloscopista Policial - Adaptada] Assinale a alternativa correta
nos termos da Constituição Federal:
Aos litigantes, em inquérito policial e processo judicial ou administrativo, e aos acusados em geral são
assegurados o contraditório e a ampla defesa, com os meios e recursos a ela inerentes.
QUESTÃO 72
[CESPE - 2015 - TRF 5ªR - Juiz] Julgue o item:
O direito a ampla defesa não engloba o acesso aos documentos em procedimento investigatório
realizado por órgão com competência de polícia judiciária.
86 de 108| www.direcaoconcursos.com.br
José Edson de Oliveira Filho - 11494582406
Prof. Nathalia Masson
Noções de Direito Constitucional – Soldado – PM CE Aula 03
QUESTÃO 73
[ESAF - 2012 - ATRFB - Adaptada] Julgue a assertiva:
A garantia constitucional da ampla defesa não afasta a exigência do depósito como pressuposto de
admissibilidade de recurso administrativo.
QUESTÃO 74
[IADES - 2019 - CRF-TO - Assistente Administrativo] Conforme dispõe a Constituição Federal, no que
tange ao artigo 5° , julgue a assertiva:
A prova ilícita no processo penal é permitida.
QUESTÃO 75
[CESPE - 2009 - TRT - 17ª Região (ES) - Analista Judiciário - Área Judiciária] Julgue o item que se segue,
relativo aos direitos e às garantias fundamentais:
Caso um escritório de advocacia seja invadido, durante a noite, por policiais, para nele se instalar
escutas ambientais, ordenadas pela justiça, já que o advogado que ali trabalha estaria envolvido em
organização criminosa, a prova obtida será ilícita, já que a referida diligência não foi feita durante o dia.
QUESTÃO 76
[ESAF - 2012 - ATRFB - Adaptada] Julgue a assertiva:
Ninguém será considerado culpado até a prolação da sentença penal condenatória.
QUESTÃO 77
[VUNESP - 2015 - PC - SP - Inspetor - Adaptada] Julgue o item:
Quanto aos direitos e garantias fundamentais, é correto afirmar que ninguém será considerado culpado
até o trânsito em julgado de sentença penal condenatória, salvo o preso em flagrante delito.
QUESTÃO 78
[CESPE - 2016 - PC - CE - Escrivão] Julgue o item:
O início de execução da pena criminal condenatória após a confirmação da sentença em segundo grau
ofende o princípio constitucional de presunção da inocência.
QUESTÃO 79
[UERR - 2018 - SETRABES - Agente Sócio-Geriátrico] O civilmente identificado não será submetido a
identificação criminal, salvo:
A) após decisão de tribunal superior.
B) após o trânsito em julgado de decisão judicial.
C) em caso de decisão de órgão judicial internacional.
D) após o trânsito em julgado de decisão administrativa.
87 de 108| www.direcaoconcursos.com.br
José Edson de Oliveira Filho - 11494582406
Prof. Nathalia Masson
Noções de Direito Constitucional – Soldado – PM CE Aula 03
88 de 108| www.direcaoconcursos.com.br
José Edson de Oliveira Filho - 11494582406
Prof. Nathalia Masson
Noções de Direito Constitucional – Soldado – PM CE Aula 03
QUESTÃO 86
[FCC - 2013 - DPE - AM - Defensor - Adaptada] Julgue o item:
A lei não poderá restringir a publicidade dos atos processuais.
QUESTÃO 87
[ESAF - 2016 - FUNAI - Adaptada] Julgue a assertiva:
A lei não pode restringir a publicidade dos atos processuais.
QUESTÃO 88
[CESPE - 2014 - TJ - CE - TJAA] Julgue a assertiva:
A publicidade dos atos processuais é restrita às partes e aos seus advogados.
QUESTÃO 89
[VUNESP - 2013 - UNESP - Motorista - Adaptada] A lei só poderá restringir a publicidade dos atos
processuais quando
A) houver acordo entre as partes litigantes.
B) o crime for hediondo ou afiançável.
C) o crime for de grande repercussão internacional.
D) o crime for julgado perante o Tribunal do Júri.
E) a defesa da intimidade ou o interesse social o exigirem.
QUESTÃO 90
[VUNESP - 2015 - PC-CE - Escrivão] Assinale a alternativa que contempla hipótese de exceção à regra
de que a Constituição Federal não admite a prisão civil por dívidas:
(A) Devedor de obrigação monetária por dívida de jogo.
(B) Inadimplemento de dívida de fiador de contrato de locação.
(C) Descumprimento de obrigação pecuniária de contrato de financiamento bancário.
(D) Inadimplemento voluntário e inescusável de obrigação alimentícia.
(E) Responsável civil por obrigação derivada de acidente automobilístico.
QUESTÃO 91
[FCC - 2018 - TRT - 15ª Região (SP) - Analista Judiciário - Área Judiciária - Oficial de Justiça Avaliador
Federal] A Constituição Federal VEDA, como regra geral, a prisão civil por dívida,
A) proibindo, expressamente, a prisão do depositário infiel, qualquer que seja a natureza do depósito,
ainda que permita a prisão civil do responsável pelo inadimplemento voluntário e inescusável de
obrigação alimentícia.
89 de 108| www.direcaoconcursos.com.br
José Edson de Oliveira Filho - 11494582406
Prof. Nathalia Masson
Noções de Direito Constitucional – Soldado – PM CE Aula 03
90 de 108| www.direcaoconcursos.com.br
José Edson de Oliveira Filho - 11494582406
Prof. Nathalia Masson
Noções de Direito Constitucional – Soldado – PM CE Aula 03
O Estado prestará assistência jurídica integral e gratuita a todos os litigantes em processo judicial ou
administrativo.
QUESTÃO 95
[FMP Concursos - 2014 - TJ-MT - Provimento - Adaptada] A respeito dos direitos fundamentais
elencados no art. 5º da CF/88, julgue a assertiva:
O Estado prestará assistência jurídica gratuita a todos.
QUESTÃO 96
[VUNESP - 2013 - SEFAZ - SP - Analista - Adaptada] Julgue o item:
Estado prestará assistência jurídica integral e gratuita aos que declararem insuficiência de recursos,
independentemente de comprovação.
QUESTÃO 97
[IADES - 2019 - AL-GO - Policial Legislativo - Adaptada] Acerca dos direitos fundamentais
estabelecidos na Constituição Federal, julgue a assertiva:
O Estado não poderá prestar assistência jurídica gratuita aos que comprovarem insuficiência de
recursos.
QUESTÃO 98
[UERR - 2018 - SETRABES - Agente Sócio-Geriátrico] O registro civil de nascimento e a certidão de
óbito, na forma da lei, são gratuitos para os reconhecidamente:
A) vulneráreis.
B) hipossuficientes.
C) pobres.
D) hipersuficientes.
E) desempregados.
QUESTÃO 99
[IMA - 2017 - Prefeitura de Piracuruca - PI - Agente de Trânsito] Com base no Art. 5º da Constituição
Federal de 1988, responda á questão.
São gratuitos para os reconhecidamente pobres, na forma da lei:
A) O registro civil de nascimento e a certidão de óbito
B) O registro civil de nascimento e o registro geral
C) O registro civil de nascimento e o cadastro de pessoa física
D) O registro geral e a certidão de óbito
91 de 108| www.direcaoconcursos.com.br
José Edson de Oliveira Filho - 11494582406
Prof. Nathalia Masson
Noções de Direito Constitucional – Soldado – PM CE Aula 03
QUESTÃO 100
[VUNESP - 2016 - TJ-SP - Titular de Serviços de Notas e de Registros - Provimento] A duração razoável
do processo:
A) é garantia fundamental prevista na Constituição Federal, aplica-se no âmbito judicial e
administrativo, e tem aplicação imediata.
B) é garantia fundamental prevista na Constituição Federal, aplica-se apenas no âmbito judicial, e tem
aplicação imediata.
C) não é garantia fundamental prevista na Constituição Federal, aplica-se no âmbito judicial e
administrativo, e tem aplicação imediata.
D) é garantia fundamental prevista na Constituição Federal, aplica-se apenas no âmbito judicial, e não
tem aplicação imediata.
QUESTÃO 101
[IESES - 2017 - TJ-RO - Titular de Serviços de Notas e de Registros - Provimento - Adaptada] Sobre os
direitos e garantias fundamentais previstos pela Constituição Federal, julgue a assertiva:
A todos os litigantes, exceto no âmbito administrativo, são assegurados a razoável duração do processo
e os meios que garantam a celeridade de sua tramitação.
QUESTÃO 102
[FUMARC - 2018 - PC-MG - Escrivão de Polícia Civil - Adaptada] Julgue o item:
A todos, no âmbito judicial e administrativo, são assegurados a razoável duração do processo e os
meios que garantam a celeridade de sua tramitação.
92 de 108| www.direcaoconcursos.com.br
José Edson de Oliveira Filho - 11494582406
Prof. Nathalia Masson
Noções de Direito Constitucional – Soldado – PM CE Aula 03
Gabarito
1–V 27 – V 53 – F 79 – E
2–E 28 – F 54 – F 80 – F
3–F 29 – V 55 – F 81 – F
4–F 30 – F 56 – A 82 – F
5–B 31 – F 57 – C 83 – F
6–E 32 – A 58 – F 84 – F
7–F 33 – F 59 – A 85 – F
8–B 34 – V 60 – C 86 – F
9–V 35 – F 61 – B 87 – F
10 – F 36 – F 62 – F 88 – F
11 – F 37 – F 63 – V 89 – E
12 – F 38 – F 64 – F 90 – D
13 – F 39 – F 65 – F 91 – C
14 – F 40 – V 66 – D 92 – V
15 – V 41 – C 67 – V 93 – F
16 – F 42 – F 68 – V 94 – F
17 – F 43 – F 69 – V 95 – F
18 – V 44 – F 70 – V 96 – F
19 – F 45 – F 71 – F 97 – F
20 – F 46 – F 72 – F 98 – C
21 – F 47 – F 73 – F 99 – A
22 – F 48 – F 74 – F 100 – A
23 – D 49 – C 75 – F 101 – F
24 – D 50 – A 76 –F 102 – V
25 – F 51 – F 77 – F
26 – D 52 – V 78 – F
93 de 108| www.direcaoconcursos.com.br
José Edson de Oliveira Filho - 11494582406
Prof. Nathalia Masson
Noções de Direito Constitucional – Soldado – PM CE Aula 03
94 de 108| www.direcaoconcursos.com.br
José Edson de Oliveira Filho - 11494582406
Prof. Nathalia Masson
Noções de Direito Constitucional – Soldado – PM CE Aula 03
A propriedade imaterial dos autores de inventos industriais garante-lhes privilégio vitalício para sua
utilização.
QUESTÃO 05
[FGV - 2011 - TRE-PA - Técnico Judiciário - Área Administrativa - Adaptada] Em relação aos direitos e
garantias fundamentais dispostos no artigo 5º da Constituição da República, julgue o item:
Ninguém será processado nem sentenciado senão pela autoridade competente.
QUESTÃO 06
[FGV - 2015 - OAB - Exame de Ordem Unificado - XVIII - Primeira Fase] Luiz é proprietário de uma
grande fazenda localizada na zona rural do Estado X. Lá, cultiva café de excelente qualidade – e com
grande produtividade - para fins de exportação. Porém, uma fiscalização realizada por agentes do
Ministério do Trabalho e do Emprego constatou a exploração de mão de obra escrava.
Independentemente das sanções previstas em lei, caso tal prática seja devidamente comprovada, de
forma definitiva, pelos órgãos jurisdicionais competentes, a Constituição Federal dispõe que:
A) a propriedade deve ser objeto de desapropriação, respeitado o direito à justa e prévia indenização a
que faz jus o proprietário.
B) a propriedade deve ser objeto de expropriação, sem qualquer indenização, e, no caso em tela,
destinada à reforma agrária.
C) o direito de propriedade de Luiz deve ser respeitado, tendo em vista serem as terras em comento
produtivas.
D) o direito da propriedade de Luiz deve ser respeitado, pois a expropriação é instituto cabível somente
nos casos de cultura ilegal de plantas psicotrópicas.
QUESTÃO 07
[FGV - 2013 - TJ-AM - Analista Judiciário - Direito - Adaptada] Sobre o direito à propriedade, a
Constituição consagra diversos dispositivos. Com relação às previsões da Lei Maior, julgue o item:
A proteção constitucional ao direito de herança não abrange a sucessão de estrangeiros.
QUESTÃO 08
[FGV - 2011 - TRE-PA - Técnico Judiciário - Área Administrativa - Adaptada] Em relação aos direitos e
garantias fundamentais dispostos no artigo 5º da Constituição da República, julgue o item:
Jamais, em tempo algum, haverá pena de morte, de degredo e de castigos corporais.
QUESTÃO 09
[FGV - 2014 - FUNARTE - Contador - Adaptada] Julgue o item:
95 de 108| www.direcaoconcursos.com.br
José Edson de Oliveira Filho - 11494582406
Prof. Nathalia Masson
Noções de Direito Constitucional – Soldado – PM CE Aula 03
Pertence aos autores o direito exclusivo de utilização, publicação ou reprodução de suas obras,
transmissível aos herdeiros pelo tempo que a lei fixar.
QUESTÃO 10
[FGV - 2011 - TRE-PA - Técnico Judiciário - Área Administrativa - Adaptada] Em relação aos direitos e
garantias fundamentais dispostos no artigo 5º da Constituição da República, julgue o item:
A pequena propriedade rural, desde que trabalhada pela família, não será objeto de penhora, salvo para
pagamento de débitos decorrentes de sua atividade produtiva.
96 de 108| www.direcaoconcursos.com.br
José Edson de Oliveira Filho - 11494582406
Prof. Nathalia Masson
Noções de Direito Constitucional – Soldado – PM CE Aula 03
GABARITO COMENTADO
QUESTÃO 01
[FGV - 2018 - Prefeitura de Niterói - RJ - Auditor Municipal de Controle Interno - Controladoria] Peter,
cidadão alemão casado com Maria, cidadã brasileira, veio a falecer deixando diversos bens no território
brasileiro. Tão logo ocorreu o óbito, Maria, cônjuge sobrevivente, procurou um advogado e solicitou
informações a respeito da lei que regularia a sucessão, se seria a brasileira ou a alemã. À luz da
sistemática constitucional, o advogado deve responder que a sucessão será regulada:
A) pela lei brasileira em benefício de Maria, salvo se a lei pessoal do de cujus lhe for mais favorável.
B) necessariamente pela lei brasileira.
C) pela lei brasileira em benefício de Maria, desde que da união tenha resultado filho brasileiro.
D) necessariamente pela lei alemã.
E) pela lei alemã em benefício de Maria, desde que da união tenha resultado filho alemão.
Comentário:
Por força do que dispõe o art. 5, XXXI do texto constitucional, a sucessão de bens de estrangeiros
situados no País será regulada pela lei brasileira em benefício do cônjuge ou dos filhos brasileiros, sempre
que não lhes seja mais favorável a lei pessoal do "de cujus". Deste modo, após a leitura do dispositivo,
estou certa de que você marcou como correta a alternativa ‘a’.
QUESTÃO 02
[FGV - 2014 - FUNARTE - Contador - Adaptada] Julgue a assertiva a seguir:
A Constituição da República Federativa do Brasil de 1988, em tema de direitos fundamentais,
individuais e coletivos, prevê que no caso de iminente perigo público, a autoridade competente poderá
usar de propriedade particular, exigindo a lei prévia indenização e autorização do proprietário.
Comentário:
Estamos diante de um item falso! Conforme preceitua o art. 5º, XXV do texto constitucional (que trata
da chamada ‘requisição adiminstrativa’), no caso de iminente perigo público, a autoridade competente
poderá, de fato, usar de propriedade particular, assegurada ao proprietário indenização ulterior, se
houver dano. Sendo assim, não há que se falar em indenização prévia, tampouco em autorização do
proprietário.
QUESTÃO 03
[FGV - 2013 - FUNDAÇÃO PRÓ-SANGUE - Advogado] Maria, em tempos de paz, ingressa nos quadros
do Exército brasileiro, onde galga os postos adequados à sua carreira. Em determinado momento, o
Brasil declara guerra ao Estado W, ocorrendo a obediência dos trâmites constitucionais necessários ao
97 de 108| www.direcaoconcursos.com.br
José Edson de Oliveira Filho - 11494582406
Prof. Nathalia Masson
Noções de Direito Constitucional – Soldado – PM CE Aula 03
ato. Por força de infringência da legislação militar, Maria vem a ser condenada à morte, por traição à
pátria. Nos termos da Constituição Federal de 1988, a pena de morte foi:
A) banida do direito brasileiro.
B) admitida na situação de guerra externa
C) autorizada em crimes hediondos.
D) proibida salvo crime de terrorismo.
E) permitida em caso de guerra interna
Comentário:
De acordo com o art. 5º, XLVII, ‘a’, da CF/88, não haverá pena de morte, salvo em caso de guerra
declarada, nos termos do art. 84, XIX. Deste modo, podemos assinalar a letra ‘b’ como correta!
QUESTÃO 04
[FGV - 2013 - TJ-AM - Analista Judiciário - Direito - Adaptada] Sobre o direito à propriedade, a
Constituição consagra diversos dispositivos. Com relação às previsões da Lei Maior, julgue o item:
A propriedade imaterial dos autores de inventos industriais garante-lhes privilégio vitalício para sua
utilização.
Comentário:
O item vai muito bem até mencionar a palavra “vitalício”. O texto constitucional prevê, em seu art. 5º,
XXIX, que tais privilégios serão temporários. Nesse sentido, o item apresentado pela FGV deverá ser
marcado como falso.
QUESTÃO 05
[FGV - 2011 - TRE-PA - Técnico Judiciário - Área Administrativa - Adaptada] Em relação aos direitos e
garantias fundamentais dispostos no artigo 5º da Constituição da República, julgue o item:
Ninguém será processado nem sentenciado senão pela autoridade competente.
Comentário:
Eis um item correto, caro aluno! Trata-se do princípio do juiz natural apresentado pelo art. 5º, LIII do
texto constitucional.
QUESTÃO 06
[FGV - 2015 - OAB - Exame de Ordem Unificado - XVIII - Primeira Fase] Luiz é proprietário de uma
grande fazenda localizada na zona rural do Estado X. Lá, cultiva café de excelente qualidade - e com
grande produtividade - para fins de exportação. Porém, uma fiscalização realizada por agentes do
Ministério do Trabalho e do Emprego constatou a exploração de mão de obra escrava.
98 de 108| www.direcaoconcursos.com.br
José Edson de Oliveira Filho - 11494582406
Prof. Nathalia Masson
Noções de Direito Constitucional – Soldado – PM CE Aula 03
Independentemente das sanções previstas em lei, caso tal prática seja devidamente comprovada, de
forma definitiva, pelos órgãos jurisdicionais competentes, a Constituição Federal dispõe que:
A) a propriedade deve ser objeto de desapropriação, respeitado o direito à justa e prévia indenização a
que faz jus o proprietário.
B) a propriedade deve ser objeto de expropriação, sem qualquer indenização, e, no caso em tela,
destinada à reforma agrária.
C) o direito de propriedade de Luiz deve ser respeitado, tendo em vista serem as terras em comento
produtivas.
D) o direito da propriedade de Luiz deve ser respeitado, pois a expropriação é instituto cabível somente
nos casos de cultura ilegal de plantas psicotrópicas.
Comentário:
A hipótese trazida pela questão é passível de expropriação por parte do Poder Público, de modo que
não há que se falar em respeito pela propriedade de Luiz e, tampouco, desapropriação, vez que a
propriedade estava sendo produtiva. Desta forma, devemos assinalar como nossa resposta a letra ‘b’,
pois está de acordo com o art. 243 do texto constitucional, que nos informa que: “As propriedades
rurais e urbanas de qualquer região do País onde forem localizadas culturas ilegais de plantas
psicotrópicas ou a exploração de trabalho escravo na forma da lei serão expropriadas e destinadas à
reforma agrária e a programas de habitação popular, sem qualquer indenização ao proprietário e sem
prejuízo de outras sanções previstas em lei, observado, no que couber, o disposto no art. 5º.”
QUESTÃO 07
[FGV - 2013 - TJ-AM - Analista Judiciário - Direito - Adaptada] Sobre o direito à propriedade, a
Constituição consagra diversos dispositivos. Com relação às previsões da Lei Maior, julgue o item:
A proteção constitucional ao direito de herança não abrange a sucessão de estrangeiros.
Comentário:
O item é claramente falso. A proteção constitucional ao direito de herança, constante do art. 5° no
inciso XXX, deve ser associada à previsão do inciso seguinte, o XXXI, que prevê que a sucessão de bens
de estrangeiros situados no País será regulada pela lei brasileira em benefício do cônjuge ou dos filhos
brasileiros, sempre que não lhes seja mais favorável a lei pessoal do "de cujus".
QUESTÃO 08
[FGV - 2011 - TRE-PA - Técnico Judiciário - Área Administrativa - Adaptada] Em relação aos direitos e
garantias fundamentais dispostos no artigo 5º da Constituição da República, julgue o item:
Jamais, em tempo algum, haverá pena de morte, de degredo e de castigos corporais.
99 de 108| www.direcaoconcursos.com.br
José Edson de Oliveira Filho - 11494582406
Prof. Nathalia Masson
Noções de Direito Constitucional – Soldado – PM CE Aula 03
Comentário:
A pena de morte é admitida em caso de guerra declarada, conforme dispõe o art. 5º, XLVII da CF/88.
Desta forma, a assertiva é falsa. Castigos corporais e degredo (pena de exílio imposta judicialmente em
caráter excepcional como punição de um crime grave, constituindo uma forma de banimento), por seu
turno, não são admitidas.
QUESTÃO 09
[FGV - 2014 - FUNARTE - Contador - Adaptada] Julgue o item:
Pertence aos autores o direito exclusivo de utilização, publicação ou reprodução de suas obras,
transmissível aos herdeiros pelo tempo que a lei fixar.
Comentário:
Tenho certeza que você, sem dúvidas, marcou este item como verdadeiro, caro aluno! Estamos diante
da redação do inciso XXVII do art. 5º do texto constitucional.
QUESTÃO 10
[FGV - 2011 - TRE-PA - Técnico Judiciário - Área Administrativa - Adaptada] Em relação aos direitos e
garantias fundamentais dispostos no artigo 5º da Constituição da República, julgue o item:
A pequena propriedade rural, desde que trabalhada pela família, não será objeto de penhora, salvo para
pagamento de débitos decorrentes de sua atividade produtiva.
Comentário:
Mais um item que, sem dúvidas, você marcou como falso! Já sabemos que, conforme determina o art.
5º, XXVI da CF/88, a pequena propriedade rural, assim definida em lei, desde que trabalhada pela
família, não será objeto de penhora para pagamento de débitos decorrentes de sua atividade produtiva,
dispondo a lei sobre os meios de financiar o seu desenvolvimento.
- Tal direito reúne as prerrogativas de usar, gozar, dispor e possuir um bem, material ou
Art. 5º, XXII, não, além de reavê-lo diante de detenção indevida por outrem. Abarca qualquer direito
XXIII e XXIV - de conteúdo patrimonial.
Direito de
- Encontra limites no atendimento da função social.
Propriedade
Desapropriação
Requisição
Expropriação ou confisco
- Supressão punitiva.
Impenhorabilidade
da pequena - Deverá ser trabalhada pela família.
propriedade rural - - A dívida causadora deverá ter sido originada na atividade produtiva.
Art. 5º, XXVI
Propriedade - Trata-se de privilégio temporário para que o inventor possua sobre seus inventos o
industrial - Art. direito de utilização, proteção às criações e propriedade das marcas, aos nomes de
5º, XXIX empresas e outros signos distintivos.
Direito de - Em se tratando de estrangeiro que faleça deixando bens no Brasil, a lei brasileira
herança - Art. 5º, regulará o procedimento de recebimento da herança, desde que a lei do país do
XXX e XXXI falecido não seja mais benéfica.
Defesa do
- Tornou-se princípio geral da ordem econômica (art. 170, V).
consumidor - Art.
5º, XXXII - A tutela se efetiva por meio de lei ordinária (o CDC).
- Condão de impedir que o órgão julgador seja estabelecido após a ocorrência do fato,
de maneira arbitrária.
Juiz natural - Art. - Promotor natural - decorre do princípio do juiz natural e garante que ninguém será
5º, XXXVII, LII e processado, nem sentenciado, senão pela autoridade competente. Trata-se de fator
LIII impeditivo de que um membro do Ministério Público venha a ser arbitrariamente
afastado do desempenho de suas atribuições nos procedimentos em que
ordinariamente oficie (ou em que deva oficiar), exceto se houver relevante motivo de
interesse público, por impedimento ou suspeição ou, ainda, por razões decorrentes de
férias ou de licença
- Finalidade: oportunizar aos cidadãos que julguem seus pares quando estes
cometam crimes dolosos contra a vida.
- O crime doloso contra a vida somente não será de competência do Tribunal do Júri
se a Constituição Federal tiver determinado outro foro para o caso (se outro
documento prever, a competência do júri prevalece).
Tribunal do Júri –
Art. 5º, XXXVIII - Além da competência para processar os crimes dolosos contra a vida, também
temos no júri:
- O princípio da legalidade exige que seja editada lei em sentido estrito, segundo os
Legalidade penal trâmites estabelecidos na Constituição para que seja feita a definição de um crime e
e irretroatividade para que seja cominada sua respectiva pena.
da lei penal - Art.
5º, XXXIX e XL - A ideia de anterioridade da lei penal valoriza o ideal de segurança jurídica e evita a
‘surpresa’ na definição do crime ou da pena a ele correspondente.
- O inciso XLI tem o sentido de determinar que a lei punirá qualquer discriminação
Práticas atentatória dos direitos e liberdades fundamentais, enquanto o XLII a XLIV enunciam
discriminatórias e os crimes que, em razão de sua gravidade, não admitem fiança. São eles: Ra Ação He
crimes TTT (Racismos, Ação, Hediondos, Tráfico, Tortura, Terrorismo).
inafiançáveis - - Os crimes dos incisos XLII e XLIV (racismo e Ação), além de inafiançáveis, são
Art. 5º, XLI, XLII, imprescritíveis
XLIII e XLIV
- O racismo é crime será apenado com reclusão.
(d) de banimento;
(e) cruéis.
* direito à prova;
* direito de presença e de participação ativa nos atos de interrogatório judicial dos demais
litisconsortes penais passivos, quando existentes.
- Completa inadimissibilidade.
Provas ilícitas -
- Ilícita é a prova obtida por meio de afronta à direitos, às regras e princípios
Art. 5º LVI
constitucionais. As provas que dela forem derivadas também serão.
Ação penal
- É função institucional do MP promover a ação penal, porém, se esta não for
privada
apresentada pelo MP no prazo legal, oportuniza-se ao particular a ação penal privada
subsidiária da
subsidiária da pública, ou seja, o próprio particular apresentará a ação penal perante o
pública - Art. 5º,
LIX Poder Judiciário.
Publicidade dos
- A regra é a publicidade.
atos processuais -
Art. 5º, LX - A exceção são os casos de defesa da intimidade ou interesse social.
Prisão civil por - A regra é a de que não cabe prisão civil por dívida. A exceção se encontra nos casos
dívida - Art. 5º, de inadimplemento voluntário e inescusável de prestação alimentícia.
LXVII - No que se refere ao depositário infiel, o STF passou a entender, em 2008, que não
será mais possível, acatando o disposto no Pacto de San Jose da Costa Rica.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
CANOTILHO, J. J. Gomes; SARLET, Ingo Wolfgang; STRECK, Lenio Luiz; MENDES, Gilmar Ferreira.
Comentários a Constituição do Brasil. São Paulo: Saraiva/Almedina, 2013.
CANOTILHO, J. J. Gomes. Direito constitucional e teoria da constituição. 7. Ed. – Coimbra: Almedina,
2013.
DALLARI, Dalmo de Abreu. Elementos de teoria geral do Estado. 24. Ed. – São Paulo: Saraiva, 2003.
KELSEN, Hans. Teoria geral do direito e do Estado. 4ª ed. São Paulo: Martins Fontes, 2005.
LOEWENSTEIN, Karl. Teoría de la Constitución. Barcelona: Ed. Ariel, 1965.
HAURIOU, André. Droit Constitutionnel et Intitutions Politiques. Paris: Éd. Montchrétien, 1966.
MASSON, Nathalia. Manual de Direito Constitucional. 9ª. ed. Salvador: Juspodivm, 2021.
MENDES, Gilmar Ferreira; BRANCO, Paulo Gustavo Gonet. Curso de Direito Constitucional. 10ª ed. São
Paulo: Saraiva, 2015.
MORAES, Alexandre de. Direito Constitucional. 21ª ed. São Paulo: Atlas, 2006.
RAMOS TAVARES, André. Curso de Direito Constitucional. 14. Ed — São Paulo: Saraiva, 2016.
REALE, Miguel. Lições preliminares de direito. 27. ed. — São Paulo: Saraiva, 2002.
SILVA, José Afonso da. Curso de Direito Constitucional positivo. 33ª ed. atual. São Paulo: Malheiros,
2010.
SILVA, José Afonso da. Comentário contextual à Constituição. São Paulo: Malheiros, 2005.
VELOSO, Zeno. O controle jurisdicional de constitucionalidade. 2ª ed. Belo Horizonte: Del Rey, 2000.