Pedagogia Como Ciência Da Educação Franco
Pedagogia Como Ciência Da Educação Franco
PEIIIGOGIAGOilIO
GrÊilGrA lrA HruGAon0
08-00490 CDD-370
@É8$ffi
M/IRIA AMíI IA \ANToRo FRANco
@8flffi
Pação dos sujeitos, a busca de condições que pcrnriturn rt.tlirecionar
as estrufuras que perpetuam a desigualdade, parr.
c,nrliçr)t,s t1ue, pelo
menos, invencionem a superação das excrusões, p.is
a lrtrnrarrização
só se fará pela transformação das condições quc pr,cluzt,rn
esstr reari-
dade opressora, discriminatória.
Dessa forma, minha opção é por uma ciência ptclagtil;ica
que,
em seu fazer social, assuma-se como instrumento poiítico'.1c
cmanci-
pação dos homens, na direção de reorganizar condiçõcs
clt, i.r digni-
dade e igualdade entre os homens. Àssim, reafirmo qr,rc 'r,
a pccra gJgia,
na qualidade de ciência, há que ser formativa, de modo a CNPíTULO 2
podã, ser
emancipatória. Nas páginas seguintes, minha preocupaçã.
será a de
fundamentar o caminho necessário para a estruturação
cic.tífica das Ê Padogogio como ciôncio do oducoçÕo
bases que deverão fundamentar o exercício científicà
da lredagogia.
72 ['1Alll^,\l\ll I I^ \lllillir
. ) | IIANCO
Não é nova a questão de se reconhecer a A educação é um objeto de estudo que se modifica parcial-
educação como um mente quando se tenta conhecê-la, assim como, à medida em
de estudo bastante complexo. Diferentes
'bjeto
rt's, professores constataram e discutiram
filósofos, educado_ que é apropriada, produz alterações naquele que dela se apro-
essa Mas, priou. Aqui realça-se a necessidade do caráter dialético pres-
irpcsar desse reconhecimento e dos "rp".irr.raade.
muitos estudos na área, ainda suposto a essa ciência, no sentido de considerar como priori-
P() rmanece a questão das possibiliclades científicas
de uma ciência da târia a incorporação da subjetividade construindo a realidade
('rl
UCaÇao.
da educação dentro da perspectiva da interpretação coletiva.
Diversas disciplinas têm a educação como
seu objeto de estudo e Será fundamental que o método dessa ciência permita a cap-
t'.,r.rc.rda-se que esse-objeto, a educação,
reveste-se de mil faces para tação dos significados que os sujeitos vão construindo em
s. fazer inteligível a diversos aportes teóricos,
que referendam varia_
tias metodologias para sua compreensão. Processo.
NoLntanto, há algumas
('()llvcrgôncias e considerações A educação permite sempre uma polissemia em sua função
quase consensuais ao se referir à edu-
('il('il()' Assim, estabelecerei semiótica, ou seja, nunca existe uma relação direta entre o sig-
alguns pontos de partida, q.r" ftrr-r_
"rtura,r nifir-ante observável e o significado. Assim, a ciência da cdr"r-
l,l lrAr,(XrlA ( oM() lí [l( lA l'A
( llrlir
MARA AMI I tA ,,Ar,J
tr rlli ) I ti^l ^r'Ao
quer uma atitude de multirreferencialidade (Ardoino) e exige náo devem sofrerreduções nem frag-
rem apreendidas ti"'lmitu^ente' digo
que o método dessa ciência tenha a possibilidade de adentrar descaracterrzaçáo' Por isso'
mentações, ,ou p"^' á"ãpta"ir
i
na esfera de valores e que seus dados, quer quantitativos ou pressupostos à ciência tradicional
que os critérios de cientificidade
de'uÁ' de estudar a educação' A
qualitativos, sejam analisados a partir dos valores implícitos, educa-
náo podem dr, .o^Ü" "uo interpretaÇão no
dos valores declarados e dos valores não explícitos mas pre- de estudo' sofreu prejuízos "T-t"1
como objeto de
procedimentos e ações dentro
sentes nas concepções sociais, ideológicas, culturais. çáo,
decorrer da história e hoje requer
As situações de educação estão semPre sujeitas às circunstân- uma racionalidade que lhe é
pressuposta'
cias imprevistas, não planejadas e, dessa forma, os imprevis- toda
Sabe-se qr" u como fenômeno global que P€rmeia
tos acabam redirecionando o Processo muitas vezes permitin- "á"ação' ser objeto de uma única ciência'
sociedade hr-"'ul '''ã;;"á"
do uma reconfiguração da situação educativa. Portanto, um à pedagogia ser a ciência
método científico, ao estudar a educação, precisa dar espaço Assim, quando pretendo reivindicar
de ação e de análise ao não planejado, ao imprevisto, à desor- da educação, tenho que considerar:
estudo' ou sela/
A necessidade de delimitação do objeto de
dem aparente, e isso deve pressuPor a açáo coletiva, dialógica ' deverá ser objeto de estudo
da
e emancipatória entre sujeitos da prática e o pesquisador, tam- que dimensão da educação
bém sujeito da prática. Pedagogia?
A educação, tendo por finalidade a humanização do homem, .Aampliaçãodosentidodeciência,considerandonovospres-do
epistêmico''- com a essencialidade
integra sempre um sentido emancipatório às suas ações; as- suPostos ::'ofutíveis
como objeto'
sim, o método científico que a estudará deverá ter como pres- fenômeno àducativo d'elimitado
suposto a necessidade de sua produção a partir do coletivo, .Aorgan\zaçáodepressupostosmetodológicosquepermitam
utilizando-se de procedimentos que possam desencadear ações aanáiised.ialéticadoreal,facilitandooacessoaossignificados
que os suleitos construíram
e estão construindo em seu fazer
formadoras e incentivadoras dessa emancipação, produzindo
de reinterpretação desse real'
a transformação democrática da realidade. ,o.iut, p'3iotáo"urrao condições
significados com vistas
Toda ação educativa carrega em seu fazer :um.a carga de inten-
,".o,tfig'át'ao " ampliando ""de de
a uma ação cada vez mais
emancipatória'
cionalidade que integra e organiza sua práxis, confh-rindo para
a esfera do Íazer as características do contexto sclciocultural, 101)' ao
Esses aspectos são enfatizados
as necessidades e possibilidades do momento, as conccpções
ciências natutais' o obietivo da in-
^PotPéte7-"::":11'98:
teóricas e a consciência das ações cotidianas, num amtllgamar afirmar qrr", dift'ãntemente das de conheci-
vestigação "não pode reduzir-se à produção
provisório que não permite que uma parte seja analisrtda sem "a"tuii"u teórico do saber pedagógico,,,
ÍÍ]tas
referência ao todo, nem que este seja visto como síntesc provi- mento para incrementar o óo,po
tí
Nl^tlt^ I tA
.,ANloRo TRANCO PEDAGOGIA COMO CIÊNCIA DA EDUCAçÃO
^À41
que eSSe conhecimento deverá incorpror'.tl s(' nu I,r.lr,,,un(.nl() t' rra ação r Dessa forma, há que se realçar o papel da pesquisa comlo fe-
dos envolvidos no processo/ uma vez (lr l(' ",1 rr r lr.r rr r.r r, rl r, l, rt lt' c o sen- cundadora das próprias práticas, assumindo, o caráter emanci-
tido de toda investigação educativa é a tr.ur;lt)r nr,r(.,ro r,o ,1p1';fglç6n- patório, um papel ProPriamente pedagógico, no sentido de
mento da prátrca". difusão de seus próprios saberes, ao mesmo tempo em que
Apostar na pedagogia como ciência tl.r t'. lrr,,r,,,r,r r,lirrilica pres- esses saberes se fazem e se reorganizam pela própria ação da
supor a necessária intercomunicação entl'() [)(,s(Irrir,,I t. It,rrrsÍorrnaçào, pesquisa. A pesquisa pedagógica deverá assumir compromis-
entre teoria e prática, entre consciência c irrlt,rrt'iorr,rlitl.rtlr'. Significa sos com a autoformação dos sujeitos da prática'
acreditar que todo processo de investigt'rç;io tlt'r,t,r,r r;r, lliursformar o A intencionalidade das práticas educativas, tealizadas quer
em processo de aprendizagern que criará à pt'.i tir,r rror,r:r l)()c,cibilida- na escola, quer em outros esPaços educativos, deve ser elabo-
des de superar dificuldades, de se recriar c('rnsl.rrrlt'nrr.rrlt,, tlc se auto- rada no coletivo, pelos educadores, e mediatizada pela refle-
avaliar e assim modificar e aprofundar sell prtiPf ily olrjt'lo tlt' cstudo. xão científica, emancipatória e crítica de profissionais forma-
Para a construção de um específico à ciôncia Pctl.rl',ogit'ir, acredi- dos para esse fim (os Pedagogos)'
tcr que valha fazer otttras apostas e nelas invtstir; lrrr:;r,.urtlo consen- . A pedagogia deve ter como um dos focos essenciais de seu
sualidade, rigor científico e transgressões ao jtí r,islo. Assirrr rcafirmo trataho o fazer educacional não só das escolas e de seus pro-
que, para reorganizar hoje as possibilidades da pcrlrrgogi.r r.onro ciên- fessores, mas das diversas instituições com possibilidades edu-
cia da educação, haverá que se levar em consiclt'rrrr,..ro ,rs scguintes cativas. Deve organizatse na PercPectiva de uma ação cientí-
perspectivas: fica, essencialmente educativa, numa relação de humaniza-
educacionais,
o Partir de uma nova dimensionaiidade à r1r-rcstito clc sentido ção, orientação, leituras das diferentes práticas
ao mesmo tempo em que otgariza esPaços e condições Para
do científico; será preciso superar os limites inr;rostos pela ra-
que tais práticai possam ir se transformando e se adequando
cionalidade moderna e adentrar em pÍessLtpostos clue contem-
plem a dialeticidade e a complexidade inerentcs ao objeto de às novas condições que vão sendo construídas'
estudo em questão (a educação).
. Considerar a relatividade de abrangência dessa ciência: ela de-
11 Pedogogio como ciêncio do oducoçoo
verá se reestruturar tendo por base as principais demandas
postas a uma sociedade, sem deixar de considerar sua essen-
cialidade, qual seja, a produção da humanidade nos homens. Parafraseando Libâneo, podemos perguntar: que destino dare-
Essa relatividade histórica será uma das referências a indicar mos à pedagogia como ciência da educação?
raciocínios e reflexões a respeito de respostas ao dilema: o que Começarei do incontestável, ao considerar que o objeto de esfu-
pode e deae ser essa ciência hoje? do da ciência pedagógica é a educação.
. Considerar que pensamento pedagógico e saberes pedagógi- sabe-se da enorme complexidade desse objeto, e sabe-se tam-
cos são indissociáveis: a prática deverá fecundar as teorias e bém que a educação configura-se, estabelece-se, estrutura-se em di-
estas iluminarem as práticas, buscando uma nova lógica que versas dimensões. sua dimensão privilegiada é a prática educativa,
pcrmita ao cientista adentrar as portas da prática e aos práti- vista como prática social intencionada, na qual confluem as intencio-
cos particil-rirr clos proccssos de pesquisa e construção rle co- nalicli'rclcs e as expecttrtivas sociais, em que se determinam os cotrtex-
n ht'r'irrrt'n to. tos rlir t,xistôncia hlu-ttitttat trtttn tltttcrtllinatl«l grLlPo sOcial, nir tlttill st'
/\! lItlO ÊllANCO PEDAGOGIA COMO CIÊNCIA DA EDUCAçÃo
('()ltct'('IiZil a rt'a Iidaclt, strbjr,l ir,,.tt l,r, rIIIIr r i1 ,, lti l,,t tr rr .,(,, ilfl ciedade: uma tarefa a ser empreendida por toda a sociedade, mas
1
1,1
1
ClUe
s(' rcn()v.t c()lttinUantcnt(,.
referenciada e mediada por pedagogos.
Assim, considero 11t-tc a rlirtrr,n:,,r() (1,r,., lrr,,r.,r,,lrr.,,(.r,r
p gbjeto Pimenta (1997c) afirma que a atividade docente é sempre práxis,
cla pedagogia como cjência si(.t..i ,1
l)r,rrr,, t., lrr,.rtrr.r \ 1,r.1". 1,,1.r edu_ uma vez que essa ação envolve necessariamente:
caÇão será assim apreenclicia ,.,,,,,,,,r rt,,rlrrl,r,ir,
1,,,;,,,1,,,,
No entanto, há que se c()rsi(l(,r,,,.(Jlr(., r,rrl,r r r,..
;,,., . o estabelecimento de uma intencionalidade, que dirige e dá
,r.rr,, ,,tltrcaldo_ sentido à açào;
rcstêmpresenciadoaamplii-rÇitorlo(.{)n((.rllilr.
1,r.rlr,,r r., llr.rliva. . o conhecimento do objeto que se quer transformaÍ, na direção
Sabe-se, observa-se/ constirti) s(,, (lu(,.r r.,,, r,l,r
. lr,)r (.r,1,,r,,.,9 plrivi_ de sua intencionalidade, que já é determinada em função des-
lcgiado do exercício da ação cclttt,irlir,,r,,r,,
l,r,l,,,l,.rrr1rl.r ,,qtr()s es_ se conhecimento;
paços/ que Concorlem, Confluent, ittnlrli;nll
olr r orll,lr.l,rrrr l lpt,trs edu_
cativo escolar. Todos os outros csl]il(;()s, ,rllnr ,l,r . a intervenção planejada e científica sobre o objeto com vistas à
,,,., ,,1,r,
irrfluências formativas-sobre os sujcir,s, l,r.orJuzem transformação da realidade social.
I)l,rrrr,,r,rrr ,,,rrr.rt.: ;, rrrrrpoem
c()mportamentos e valores, estimulattt il(,,()(.r, (,
l,r.rr:,,,ir.rrl.:.;. No en_
trrnto, nem sempre estão explícitas us irrlt,n(.r()n,rlr,l,r,lt.:; No limite, pode-se afirmar que a atividade docente que se orga-
n(,'ssas práticas. l)r.r,sentes niza de modo mecânico, casual, espontâneo, sem explicitação das in-
Costumo dizer que todas as pr;ític.rs s,t r,rrr, (.\(,r.( tencionalidades, deixa de ser práxis educativa, deixa de ser atividade
r(l,rs, r;r_rer pe_ docente. Freire (1,997:32)1 afirma qtte: "Íaz parte da rtatureza daprâti-
Itls diversos meios de comuniauçào, cllrcr
[)()r. tlrvt.r.:,,r, irrstituições ca docente a indagação, a busca, a pesquisa. O que se precisa é que,
cullturais, políticas, sociais o, po. diferentt,s
illlr.ul).un(,rrlos, organi_ em sua formação permanente, o professor se perceba e se assuma,
zações, associações curturais, recreativas
c dt,rrr,ris rrrt,i,s t.cnológi_ porque professor, porque pesquisador".
c()s/ possuem potencial educativo.
No entarrto, s(, lri)() r.r1,rrr pcdago_
gizadas, permanecem na esfera de serem
infr r-ri,rrr,i.rs t,trrr.acionais,
nruitas vezes poderosas influências, deixand.
cl. rstirr.t.lrr t...tribuin- fr quastc,o dct proxrs aducativa
do para uma formação ética e emancipatória
dos srrjt,ilos_
Assim, quero discernir o mero exercício
de infrrrôrrcias cciucacio- Para a filosofia marxista, a práxis é entendida como a relação
,.'ris de um exercício comprometido, intencionar
c ótic,. cla prática dialética entre homem e natureza,Í1a qual o homem, ao transformar a
t'ducativa. A este último dónomino de
práxis educativa. natureza com seu trabalho, transforma-se a si mesmo. Marx e Engels
Passo a partir disso a considerar
que toda práticn cducatiua deve (1994) afirmam, na oitava tese sobre Feuerbach, "que toda vida social
itcrrporar o mesmo sentido de praxis àucatiua,alertanclo é essencialmente prática. Todos os mistérios que dirigem a teoria para
,.'são educativa, prática deve ser vista sempre no sentidoc1ue, na di- o misticismo encontram sua solução na práxis humana e na compreen-
de práxis.
No-entanto, proponho que nossa sociedade são dessa prâxis".
.
sr rcieclade eminentemente
se transforme numa
pedag óglca,conforme expressão de Beillerot Kosik (7995:222) afirma que a práxis é inerente ao ser humano e
( l9ti5). Para assim se4, não
basta considerar o potencial que, portanto, não é uma atividade prática contraposta à teoria, mas
I, p1'1115 mais contemporâneos meios de comunicação,educativo aber_ práxis "é determinação da existência como elaboração da realidade".
mas há que se
'rr'ticrrlirr r,ci.s e fins, numa dimensão ética, pararlalmente educar
e
Irrr)ri)r
"rir .ovár geração de cidadãos. Há que ." p"augÇizar a so- l. I rrt rrot,t tlt'trtlitlrli
MAlllA AMI llA',/\lllill(o lltAN( o l,l l)A(ín'lA ( oM() ( lÍ Nt t^ lrA |,rJr Ar Ao
(.ntai(), olrjc:to clc cstr"rclo cia pc.dagogia, apesar de estarem ilrcluírl.ts rro I'rlclcrcrnrls r.sl.rlrt'lt.ccr qLle o objekr da peclagog5ía, cottttt ctíjnct0
anrprkr contexto da educação. da ctlucação, st'r"ri o rsclnrccimatúo reJlcxiuo a transformador dessa práxis.
A práxis educativa ocorre prioritariamente em lócus formais, es- Conforme pode-se observar no quadro abaixo:
pecialmente na escola, mas não exclusivamente, pois ocorre na famí-
[ia, pode acontecer no trabalho, nos processos de comunicação social,
c-lentre muitos, ou seja, onde houver uma intencionalidade a se con-
cretizar, permeada por um processo reflexivo de fins e meios.
pedagogico
l1 prc,xis padagogico
rt's1-rt'it'ttltlo'
p()stos tctiricos LlLrc as or1;anizam e clils concliçot's tl.rtl,rs ltis- rla Artrt. Cla[rt. lltt,t tt'ttlilizllt'CSSil Sitltaç:tttl, tlsClat't'Ct'tltltl,
clcsst' ttttit't't'str
torica men Ie; rlcsvclalrciO, clatltlo opttrtutricladeS para tl:trtrsftlrmirç:lles
. considerar também que a prática, como atividade sócio-histó-
da prática eductr tivtr.
rica e intencional, precisa estar em constante processo de redi- Nessesentido,cabe-lheoesPaçodesuaautonomiactlmoci['rr_
cia, pois, para rcalizar essa tarefa, eia terá que possuir
um sistemi-t
recionamento, com vistas a se assumir em sua responsabilida-
e ações pró-
de social crítica; único, mai não estático, de fundamentos, metodologias
o portanto, caberá à pedagogia, como ciência da educação, ser a prias, no qual estarão incluídos saberes de diversas ciências'
interlocutora interpretativa das teorias implícitas na práxis, e Disse anteriormente que seria preciso inverter a epistemologia'
da peda-
ser também a mediadora de sua transformação, para fins cada pois sabe-se que, historicamente, os grandes descaminhos
e teorias e
vez mais emancipatórios. gogia ocorreram pela dissociação crescente entre práxis
articulação desses pólos foi sempre a
["ã o caminho piocurado de"cons
busca de novas teorias para eÍtar" a ptâttca' adequá-la a novos
Assim, caberá à pedagogia ser a ciência que transforma o senso
razões impli
comum pedagógico, a arte intuitiva presente na práxis, em atos cien- fins ou objetivos, num Processo crescente de ignorar as
tíficos, sob a luz de valores educacionais, garantidos como relevantes citasdapráticacotidiana.Observa-seaindaque'historicamente'a
em seu Íazer' teo-
socialmente, em uma comunidade social. Seu campo de conhecimen- prática eàucacior-tal esteve semPre tentando aplicar'
no 8e-
tos será formado pela interseção entre os saberes interrogantes das rias de outros, com outros significados, que nào conseguiam'
práticas, os saberes dialogantes das intencionalidades da práxis e os ral, invadi-la, fecundá-la, persuadi-la à mudança'
o real'
saberes que respondem às indagações reflexivas formuladas por es- Invertendo-se essa epistemologia de aplicar o novo sobre
"caminha rr|âl" pte-
sas práxis. de infundir as novas idéias para arrumaÍ o que '
a pedagogia órganize fundamentos' métodos e ações
Portanto, a pedagogia, assim constituída, supera a dualidade tende-se que
a posteriori,ytn-
inicial entre ser arte ou ciência da educação para ser a ciência que para retirar da práxis a teoria implícita e cientificá-la
tamente com seus protagonistas,àentro de uma ação
crítica' pautada
transforma a arte da educaçã saber-Íazer prático intuitivo em
ação educativa científica, planejada, intencional.
- na responsabilidaáe social de uma prática pedagógica'
Essa ação re-
u autonomia do olhar pedagógico, mas caÍece de
todos os sabe-
Há de se notar que a realidade da prática educativa se faz por qr",
res "explicativos" de outras ciências'
meio de ações artesanais, espontâneas, intuitivas, criativats, que vão
se amalgamando, em cada momento de decisão, em ações refletidas, Emvezdeaplicaraigonovosobreoreal,seráretiraromaisan-
de seus
apoiadas em teorias, organizadas por meio de críticas, r'rutocríticas, tigo que fundamãnta o rãal, com base numa análise crítica
novo e suporte
de expectativas de papel. Nesse sentido, no exercício cla prática edu- ftlndamentos e de seus resultados, para assim fazê-lo
cativa, convivem dimensões artísticas e científicas, express(ls pela di- para outros novos...
nâmica entre o ser e o fazer; entre o pensar e o realizar; t'r'rtrc opoder Dessa forma, resgatar-se-á à pedagogia não apenas
seu espaço
j e principalmente carâtet essencial de
e o querer realizar. de autonomia, mas
Digo que a pedagogia supera a dualidade inicial cntrt' scr arte e ciênciacrítico-reflexiva,que,considero,foilhetiradoquandodaemer-
ciência, uma vez que, como ciência, deverá se exerccr scnr clcscaracte- gênciadacientificidademoderna,queimpregnouoÍazereducativo-
pedagógico com estratégias que visavam a um
"modo correto de fa-
rizar seu objeto de estudo, portanto sem deixar de cor-rsidt'r'ir r, na práxis
técnica, distan-
educativa, a presença concomitante, atávica, imancnlt', tlir ciôncia e zet as coisas,, ou, maislatde, a busca de competência
T
MAIiIA AMIIIA sANTORO FRANCO
PEDAGOGIA COI\4O CIÊNCIA DA EDUCAçÀO
será o de
ciando dela sua possibilidade de se fazer ciência c'lrr priixis, pirril a práxis, leis de constituição desse real' O desafio do pensamento
por meio de um processo contínuo de reflexão transÍi»rrraclora. trazerParaoplanodoconhecimentoessadialéticadosmovimentos
A prática foi se transformando em aplicação c1t. rnorlos de fazeg constituintes do real.
cativa da teoria, cabendo à pedagogia, historicamentr', r'scolher culpa- por olhar fenomenológico estamos aqui considerando que o úje--
se mostra a princi
dos de um processo educativo fracassado e sobre clcs clirborar teorias... to de estudo da pedagogiu,"a práxis educaliva, não
dinâmica, nos signifi-
Acredito que uma decorrência também importrrrrtc clessa pro- pio ao observador. Se"rá"preciJo adentrar na sua
que o coletivo vai
posta será a de retomar aos professores, educadores, o cirriitc.r da res- cados que compõ"rr, ,rà realidade, nos sentidos
encontrar dados para
ponsabilidade social daprâtica. Toda prática caÍrega unra intenciona- constn-rindo. o olhar fenomenológico permite
da realidade' Kosik
lidade, uma concepção de homem, de sociedade, de fius, c estes pre- compor a compreensão da realidaáe, dà concreto
se chegar à
cisam estar claros para os que exercem a prática educativo-pedagógi- (1g95),ao analisar a dialética como método' diz que Para
um détour: partir
ca, e também aos que são a ela submetidos, dentro dc uma postura realidade concreta dos fenômenos é preciso realizar
e ascender a
ética, essencial ao ato educativo. dos fatos empíricos, superar as impressões primeiras
seu âmago, às leis fundamentais' Considero
que o olhar' que a postu-
Esse movimento de reapropriação da responsabilidade social do- superar as
cente, do compromisso político da profissão, produzirtí um processo .a fenorierrológica são fundamentais nesse Processo de
das leis que antecedem
crescente de conscientizaçáo dosfazedores da prática educativa, essen- impressões primeiras e ir à busca da essência
cialmente os professores, e dos fazedores da prática pedagógica, essen- à constituição dos fenômenos'
na explicitação
cialmente os pedagogos, em relação à responsabilidade social e políti- É também fundamental o olhar fenomenológico
bem como para des-
ca da prática exercida cotidianamente. das ideologias subjacentes às práticas cotidianas,
discursos, nos textos
À medida que as teorias implícitas vão sendo decifradas, outros vendar e decifrar os pressupoitos implícitos nos
se pretende a
saberes, de diversas áreas, se fazem necessários, emprestando à ciên- da existência, nas .o*,'-tiàções' Além disso' quando
as práticas/ essa me-
cia pedagógica suas contribuições. transformação das condições em que se exercem
uma finalidade ética'
todologia do olhar fenomenológico passa a ter
Como requeremos ações científicas sobre a práxis, por meio de e, a partir
de no coletivo apropriar-se doã significados construídos
interpretação e de análise crítica das mesmas e de reconstrução de que precisa ser tecida e
deles, empreender a tarefa de transformação
novas ações, ao pesquisador serão necessários um pensamento es- essa
organizada em movimentos que construam intersubjetivamente
sencialmente dialético, um olhar fenomenoiógico e um fazer crítico-
proposta.
dialético. a postura científi-
Por fazer crítico-dialético estou considerando
Pensamento dialético significa, nesta minha afirmação, uma con- carrega em sua raciona-
ca que denomino/o rmatiao-emancipatória' que
cepção a respeito da constituição do homem e do mundo oposta à como a lógica dialí'-
lidade o caráter dialético da realidade sociãl, bem
concepção metafísica, que pressupõe que os fenômenos sociais são ticanaorganizaçãodoconhecimento.Essaaçãodeveimplicaratittt'
regidos por leis naturais, mecânicas, e portanto passíveis de serem cla circunstâncias
c.les problematizadoras e contextualizadoras das
previstos e controlados. Já o pensamento dialético deve pressupor as ideologiirs prt'-
pr,ltica; trtrbalhtrr com a perspectiva crítica sobre
que a realidade se constitui de modo histórico-social, numa dialética e a fornração clos
sentes r-ra prática; tcr por obictivos a cmirncipação
de múltiplas determinações e que, dessa forma, o concreto que su- c]â intcrstthictivitlatlt'
srrjcitos tla práticit; tra[-rall-rar tlo.'olt'tiVo it P.trtir
postamente vemos é uma totalidade articulada, construída e em cons- ('l)r('sstl[)()r, c()lll() Ítittr tlt'stta
t..rrslrtrítla, t, t,rtr r..rrtítrtra ctlrrslru(..1(),
trução histórica, dcvcnclo o pensamcnto dialético, assin-r, brrscrrr irs ()l)l(':':i()l'i)s'
;lt.'.itt, .t lt'itttslrlt'ttt.t','.trl tl'ls t'ottrlit tx':'
',At I lr )lÍ )I li^N( o l'l l,^(,r ),,14 r r )l\,1í ) r lÍ N( lA I,A I !,r Ir /\r A' r
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c.rvirriirr rcsp()llsavcrnrentt,.r v('l'cr)t()s (lr.r('s('r'ir .r lcori.r rlu('preccLlc a priitica c cstar devertí sc ade-
lr.rst' ltas [t,orias rrr..rxi*, t,rlrtt
c1r_rc clcl tcm itrcorporaclo. (luar pirr.r cli.rr t'orrlir cla tcoria. Essas três concepções assumem a pe-
A pr,pr.star cre schreiermacher fundamenta clagogirr com() ciôncia clar prática, mas de forma totalmente divergen-
a consicleração da pe-
clagogia como ciência que tem por
objeto a práxis educativa, bem como tc. C)r-r seja, a teolia organiza a prática? Emana da prâtica? Ou confor-
;rr1;nmenta que essa ciência precisará
ter preocupações emancipató_ mar a prática?
ritrs e formativas, pois só o educador
pode condu )ir e avariar sua prá_ Schmied-Kowarzik (1983) comenta a oposição básica entre Hegel
tica, portanto, só cabe a ele transformá_la.
e Marx no que diz respeito ao papel da teoria na práxis, ou seja, para
Schleiermacher diz que a teoria procede
da prática, pois, ,,en_ Hegel, a filosofia tem o papel de recuperar à compreensão um proces-
quanto a teoria precisa garantir seu
espaço, a práxis já estáse reali- so dialético já concluído; Marx atribui à teoria o papel de se incluir na
z:'.do" ' E quando a.teoria consegue esse
espaço é porque foi absorvi- dialética de um pÍocesso histórico inconcluso.
da por aqueles que ,,manipulam-a
práxis," rr"rr" *"., f.r.rs e teoria Minha proposta aqui vislumbrada à pedagogia pressupõe essa
se entendem e a práxis se transformará
por si mesma,, (Schreiermacher concomitância idealizada por Marx, na direção de adentrar no senti-
apud Schmied-Kowarzlk, 19g3: 60).
do da práxis em processo, apreender a dinâmica coletiva desse pro-
Portanto, schleiermacher acredita que cesso e transformar as compreensões decorrentest para criar possibi-
teoria algLrma é capaz de
transformar aprática, ela pode apenas,
mediatizada il; homens na lidades de transformações na práxis.
prática, atuar através destes, na configuração
e na'avariação desta. Acredito, conforme Hegel, que é preciso recupeÍar à consciência
Para esse autor, a teoria funciona mais
como elemcnt. c.nscientiza_ o sentido da práxis, pois só assim, suponho, será possível a transfor-
dor da práxis do que transformador, considerancr.
(rr.r(, a práxis se mação em processo. Ou seja, acredito que procedimentos fenomeno-
autotransforma, ponto de vista coerente
com seu prcssrrprsto de que lógicos permitem a compreensão do espaço atual da prática e isso
na práxis, e nos homens, uma tendência
narrrrri i r.,...,uiao permite adentrar em sua dinâmica coletiva, antepasso para sua trans-
ã:tj"
formação.
schmied-Kowarzik (1983: 70) analisa a prop.sr,
trt, r,..ro Freire, Para atingir as finalidades formativas do sujeito da práxis, será
no sentido de considerá-la,,tmadireção
para a auto«,onrPn,r,nsão dia_ preciso resgatar, conforme a proposta dos teóricos da Escola de Frank-
lética de toda teoria da educação,,, destacando
o trirlrirllro tlt, Iireire na futt, a tazáo emancipatória como processo de esclarecimento e eman-
construção de uma práxis revolucionária,
que p.trt, *,,rrizirr-sc no diá_ cipação, no sentido vislumbrado em Kant, a fim de que essa razáo,
logo crítico entre educador e educando,
mas (rrr(, rrrrst,ir ir strperação opondo-se à instrumentalidade da razáo do mundo, possa dar condi-
das condições opressoras e alienantes
quc ir.rrPl,tl(,nr il()ri srrjeitos a ções de autonomia e autodeterminação aos sujeitos da práxis, confi-
conquista de sua humanidade.
gurando o processo formativo.
A forma como a relação entre teoria t,,,r.,i1it.,r l lr,,rlacla pela Para atingir essas possibilidades, os métodos de investigação pc-
ciência da educação diferencia diversas
t.l ,r:;lr.rrrol(rgicas. dagógica precisam ser reconfigurados, sem perder a perspectiva dt'
Assim, para Schleiermacher, a teoria dcu.,1-rosir..or,:,
1rr.,.,,. 1,,,'.1,, 1,,..i*is, da._ que a ciência da educação precisa constantemente ser alimentada pclir
lhe compreensão, conscientizar seus
pxltitgorrisl,r, ,r r(.:,1)(,il() tlo sen_ perspectiva do novo, do pressentido, da transgressão, de forma a niio
tido dessa prática. Para paulo Freirá, a tcori.r
r,r.l,r rr,r 1rr.,iris, tanto se aprisionar a modelos que engessam e limitam seu necessário po
quanto aí estando a transforma e juntas
[.rorlt,rrr lr,,rn:,Ír)nu,rr as con_ der de proietizar mudanças e organizar ações transformadoras, c'orr
dições que a geraram. Se formos uírhr.r.
r)S P11,5,1;1rl r,:,1.., lrt,r.hatianos, forme se expressa Dias de Carvalho (1996:206):
94 MARIA AMÍI IA sANTORO FRANCO
PEDAGoGIA CoMO CIÊNCIA DA EDUCAÇÃo
o ,'jt,tirz, [.rrrrativ, r, t,r.,.ncipattlri. o professor em um novo círculo compreensiao, o qrrc facilitará a constru-
aos sujcit.s rlir ,r.,íric
çiio clc r-lovas "dinâmicas de autoformação participada" (Nóvoa, 1992).
M^lll^ AMIIIA SANTORO FRANCO pEDAGoGtA coMo clÊNCIA DA EDUCAçÂo
Esse objetivo formativo cstii n(l r',lil tlo', 1",1u,los tlu(', cada vez TronsformaçÓo colativa da pratico
mais, se aProfundam sobre a qLl('sl.l() tl.r lor nr,r(,,ro rlo Pllvfsggor críti-
co-reflexivo. Apesquisacientíficadevebuscarmeiosdetrabalharemparcella
Parece ponto pacífico, entre t'tlrrt,rtlorr':,, (lu(',r lorrrração contí- Comosmestres,nointuitodefavorecermútuasfecundaçõesquetra-
nua do professor haverá que ser í'citu [rrr:;t'.rrrtlr,:;r'o P.1P1'l ativo do rãobenefíciosnãosóapesquisadoreseprofessores/comoàestrutu-
e à sociedade em seu
professor que/ por meio da reflexão, atltltrilir',r r'orrl11'. i1',,'rrto crítico ração do campo de conheciÃentos da educação
de sua ação docente, podendo, a patrlir tlirí, rr.r'orr:rlltrir os condicio- pràj",o de trÀsformação na busca de condições mais humanas'
com a
nantes de sua ação, os pressupostos clt'srr.rs r':.,ollr,r:- t'otidianas, as- Assim, sugiro que a base epistemológica da pesquisa
sim como reconstruir-se como pessorl, c()nl() irlcnlirlirtlt.. de condi-
práxis, na práxis, purà u práxis, deva permitir a emergência
docente e assim con-
iO", in"."r,tes ao desenvolvimento profissional
siderar que:
Conpraansao crítico -raflaxMa dos contoxtos a dc):, r t )r tl k I rt t tt,,r x',,, ne-
a prática reflexiva, como uma ProPosta político-pedagógica'
cássita, para se efetivar, de uma cultura que assuma
do prc,tica a
histórica;
dialeticidàde como forma de construção da realidade
Como já me referi, a mediação entre pesc1uisa t'rltrcacional e ação
a prâtica reflexiva, PaÍa se exercer em sua integralidade' ne-
reflexiva docente é a base da nova epistemologitr tla priitica. burocra-
cessita de espaços institucionais não excessivamente
de espa-
E, quando se incorpora à concepção de praitica cloccnte o sentido tizados nem de excessivo controle, mas, ao contrário'
da reflexividade, supera-se a representação de umir Srrritica que se faz
ços onde exista uma cultura do diálogo, da intercomunicação'
de modo rotineiro,linear, mecânico e passa-se a consic:lerá-la fruto da ondesevalorizemoscomPortamentoscolaborativos'solidá-
contextualidade do homem que, na interação com sLli,l existência, ela- rios, críticos, intersubjetivos;
bora os significados de sua ação, dialoga com as contradições e luta .aPráticareflexiva,paraproduzirastransÍormaçõesdecorren-
por compreender e supeÍar as opressões impostas à sua existência. tesdeseuexercíciocotidiano,precisaseconsolidarnosentidtl
Ou, como escreve Habermas (1982: 232): "Um ato de auto-reflexão,
danão-aceitaçãodeverdadesprontas'desoluçõesdefiniti-
que altera a vida, é um movimento de emancipação". das síntescs
vas; há que se trabalhar na construção constante
Incorporar a reflexão como inerência à prática é muito mais que provisórias;
adicionar um novo componente à prática instrumental. É uma nova .aPráticareflexivaéumacapacidadehistóricae,portanto,devc
forma de conceber o mundo/ as relações sociais, o processo de apreen- ,"i d"r".,rro1vida e attalízad,a,necessitandotpata isso, de par-
der e compreender a realidade sócio-histórica. É uma postura políti- ceiros com diferentes olhares'
ca, epistemológica e existencial.
contítlttrr'
Assim, há muito a se compreender sobre a construção do conhe- O exercício de uma prática reflexiva requer a PresenÇa
que reconheço c()l'Ilo
cimento dos professores como práticos reflexivos. Será preciso que crítica e construtiva do pásquisador educacional,
a constrttçãtr
um trabalho rigoroso, metódico, científico acompanhe, reflita e o pedagogo. Essa p."rá.tçu-," faz necessária tanto para
incremente os novos saberes que estão sendo agora vislumbrados. É deumambienteinvestigativo-quepermitaefavoreçaumacultltra
da pesquisa, de formaã produzir conhecimentos e
nesse sentido que considero pertinente a proposta da metodologia proccclinletttos
formativo-emancipatória. ciCt-rtíficos rlrrc r.stciam contintramcr-rtc fcrtilizatrclo e rt'fCrt'trciatrtltr
I
MAI]IA AIVII I IA SANTORO FRANCO PEDAGOGIA COMO CIÊNCIA DA EDUTAÇAO
essas pÍáticas como também na reconstrução c na coustrução de o EsSe PÍoCeSSo farai oprofessor tomar consciência de Scus t:tlttt
-,
novas e atualizadas concepções da prática educativa. p.o*irro, com a prática; perceberá que a atividade doccl]tt'e'
Considero que todos os envolvidos na prática reflexiva precisam carregada de significado e compromisso e assim estará a ca-
minho de buscar articulações entre fins e meios educacionais;
constituir-se em investigadores no contexto da prática. Como investi-
gadores da práxis deverão desenvolver habilidades no sentido de:
. O professor deverá perceber-se capaz de retirar do coletivo as
fontes de aperfeiçoamento pessoal; será fundamental que
()
. estranhar o que é tão familiar em sua prática docente, na prâ-
professor, perdendo o medo de romper com o familiar e en-
tica dos colegas ou nas práticas presentes na memória de suas
irentando o estranho, busque, reflita, pesquise e se envolvtr
representações. Somente assim poderão começar a pensar num processo de autoformação, de autodesenvolvimento, de-
novas alternativas de ação, para, então, dar andamento a ou- corrente de sua crescente necessidade de pensar a si, sobre si e:
tras ações, como as descritas a seguir; sobre o se.u fazer;
. elaborar novas hipóteses sobre o Íazer docente e também o Nesse processo, o professor irá se envolvendo com a possitri-
propor hipóteses explicativas ao Íazer docente, rotineiro e lidade de familiarrza?se com o que é estranho à primeira vis-
habitual; ta, descobrirá o sabor de enfrentar mudanças, pois terá desco-
. conviver criativamente na divergência; isso thes permitirá re- berto a ensinar-se a si próprio, na concepção de que sua tarefrr
fletir sobre outros meios de procedeÍ, tÍocaÍ e socializar desco- é complexa e requer transformações contínuas;
bertas, testar hipóteses não concebidas, pesquisar novas alter- . O professor vai perceber que nada é linear na relação entrt'
nativas de ação. Para tanto, o coletivo é fundamental para sus- apiender e ensinar, entre objeto e sujeito do conheciment., t'
tentar as hipóteses, oferecer respaldo de experimentação e começar a compreender a relação dialética entre sujeito e obic-
olhar científico para as mudanças; to, teoria e prâtica, formação e autoformação;
o o Assim, começa a perseguir atitudes contextualizadoras, prtr
encontrar novas respostas para novos desafios e, mais do que
blematizadoras, e a estabelecer articulações entre o fato c il
isso, encontrar desafios onde não se suspeitava ser possível
totalidade;
agir diferente; romper com procedimentos rotineiros, desafiar-
se a encontrar novas alternativas de ação;
. Envolve-se em reafirmar que a transformação é o princípio dtr
desenvolvimento, adquirindo a capacidade de criar novas vi-
. reconhecer e utilizar as teorias implícitas de sua prâtica, renová- sões, de entender os problemas de outras formas, para alón-r
las, adequá-las. Esse procedimento requer uma orientação cien- de seu rePertório atual;
tíÍica, presente, que reivindico ao pedagogo escolar. É funda- . Aos poucos, começa a descobrir o significado concreto nas
mental que o professor reflita sobre o significado conceitual situações conflitivas e complexas, o que the permite ver qtr('
de sua maneira cotidiana de agir, é fundamental que a compa- a prática é um processo investigativo de experimentar cotrt
re com outros procedimentos dos colegas, que visualize a arti' as situações, visando buscar novas e mais adequadas conl-
culação entre suas crenÇas e seu fazer docente; preensões.
o Quando o professor estabelece significados entre sua con-
cepção de aprendizagem, de ensino e sua forma de agil ele Esses elementos citados servem para referendar as duits posttt
pode começar a reinterpretar as hipótcscs inicirtis: t'strirrthan- ras biisicas que deverão nortear o trabalho de capacitarr prroft'ssort's
tl o-as, 11 iscu ti ntl o-AS, r('c()nstrrr i rrd o-as; para irem se fazendo pesqtrisadores da própria práticit:
tu1Al1 A AÍVll l/\'All r rir rIllA[]( o l,l l)A(,O(,lA( ()ÍVlo( Íl\l( lA lr/\ l,lll Ar /\rr
vrivcl, o não-linear;
. estranhamento a tudo o que é muito familiar, rotineiro, con- Sugircr duas abordalgens a essa metodologta reconhecinrcnto e in-
sensual, o perceptível. teracnção.
A abordagem de reconhecimento tetta a finalidade de recons-
Esses dois pólos
-
o estranhamento e a familiarizaçáo
-
preci- trução das compreensões sobre a realidade educativa. Já a aborda-
sam referendar o necessário caminho de uma prática, aprâtíca educa- gem de interuenção (dentro de uma linha de pesquisa-ação) teria a
tiva, no geral e a docente, em particular, que se realiza dentro de con- iinalidade de pianejar e acompanhar transformações no ambiente
dições de complexidade e que não pode ser exercida de modo mecâ- educativo, a partir de solicitações demandadas PoI um coletivo ins-
nico, linear, previsto. Nessas condições, sô a "prática em pesquisa" e titucional.
a pesquisa sobre a prática podem dar conta de fundamentar a práxis
Assim, para reconhecimento utilizarei procedimentos de obser-
necessária.
vação, de esiudo d.e caso, de história de vida, dentre outros, desde
que contemplados os princípios fundantes da metodologia em ques-
fiutodatornnaçao dos su1attos dct prótrco
tão. Para a finaiidade de intervenção, o procedimento que mais se
aproxima dessa proposta é a pesquisa-ação e suas variações como
pesquisa-ação crítica, pesquisa colaborativa, dentre outtas, desde que
Um indivíduo não nasce membro de uma sociedade, torna-se
contemplem os princípios dessa metodologia'
membro, impelido pela dialética do social. Convivendo no mundo,
imerso na inevitabilidade da dialética social, o sujeito vai construindo Como princípios fundantes, pode-se estabelecer que a metodo-
significados aos acontecimentos objetivos de seu mundo. A constru- logia formativo-emancipatória deverá se reahzat:
ção dos significados garante-lhe participar desse proccsso. na ação conjunta pesquisador-pesquisados;
O sentido compartilhado permite ao sujeito estubclecer relações no ambiente onde acontecem as próprias práticas;
com o mundo, mundo de outros, mundo que já existia e que agora
no intuito de produzir condições de autoformação e emanci-
também the pertence. Sujeito e mundo passam a estalrclccer entre si
pação aos sujeitos da ação;
uma integração criativa e criadora, por meio de um "ncxr) de motiva-
ções", que vai permitindo, a ambos, uma contínua iclentificação mú- priorizando a formação e o desenvolvimento de procedimen-
tua. AssimtpaÍa se autodeterminar, o su;'eito precisir a;rropriar-se do tos crítico-reflexivos sobre a realidade;
processo de construção de sua identidade. com referências contínuas e evolutivas com o coletivo, no sen-
Proporcionar ao professor as condições para conl'rontar-se com a tido de apreensão dos significados construídos;
construção de sua identidade é uma maneira de aprol'urrrlar as refle- buscando a superação das condições de opressão, alienação'
xões sobre sua formação docente; é captar, em sua histtiriir cle vida, os de massacre da rotina;
anseios produzidos; os projetos pressentidos; os sabcrt's t'lúorados.
contextualrzand,o as compreensões com as condições sócio-
É focar não apenas o professor, seu discurso/ mas sua rt'irlirlade inter-
históricas;
pretada. E este é um dos fundamentos que dão relevârtr'il rr essa nova
proposta metodológica. . por meio do desenvolvimento cultural dos sujeitos da açào'
r04 l\,r^t1tA AMlt t^ SANTORO FRANCO
'105
pEDAGoGTA cotllo ctÊnctn DA EDUCAÇÃo
Assim, para esclarcccr,i) rrliliz,rt..ro.lo rrrr.lo, lo,r lr.rrtir de seus . esse prepalo, ou capacitação para ser pesquisador, deverá in-
Princípios Íundantes, vou ('x(.ntPlili.,rr r) ll:,(l ,l.r ol r:,t'tvi.lção em di- cluir estudos de formação à observação, leituras, reflexões so-
versos contextos epistemokigit'os.
bre os objetivos da pesquisa, negociação de caminhos a serem
Numa possibilidade de pos(lris,r ( ,l() .l r;r.rr'. r,sst' () conheci- pesquisados e compromissos com o Processoi
mento da prática educativa clnt un).1 tlt'lcrrrrrrr,rtl,r r'r,r'olir, a observa- . os processos parciais de observação deverão ser semPre se-
ção assumiria diferentes contornos. guidos de processos de reflexão na ação observada, nas con-
Apenas Para nos atermos a Lmrir irlrorrl,rlqr,nr tlt' t'rrrrho qualitati- clusões provisórias, de forma coletiva, dialógica, interativa,
vo, há pelo menos quatro possibiliclatlt,s tlt,:;:,,r ol r:.r'1.1,.1ç.i,, ocorrer, orientada pelo pesquisador;
em relação ao papel assumido pelo 1'rt'st;urs,rtl.r', (()nr()r'nre Buford . o pesquisador como membro do grupo, mas orientador dos
Junker (1971): processos e da condução da pesquisa, deverá estar atento para
o participante total, onde sua idcntitl.rrlt' tlr' Pt'5,1111i<itdor não é colocar em relevo as contradições que emanam das discus-
revelada; sões, os sentidos que vão sendo construídos, as modificações
o participante como observador, oncle . pt'st;trisirrlor não oculta em processo que vão ocorrendo, configurando o próprio pro-
sua função, mas revela apenas partc clt'st.trs ohictivos; cesso formativo;
t observador como participante, onde , itlt'rrtitlircl. tlo pesqui- . o pesquisador deverá conduzir e redirecionar as reflexões do
sador e seus objetivos são revelados ato gru[)(); local para a totalidade, do particular para o mais universal;
. observador total, onde o pesquisador não intt,ritge com o gru- . os relatórios de cada reflexão coletiva deverão ser elaborados
po observado. por todos e produzir Processos de trocas interativas/ na cons-
trução de sínteses cada vez mais consensuais;
Mesmo considerando que é possível, em proccsso, a mudança . as produções de conhecimento e significado que vão emer-
no papel inicial do observador, percebe-se que em qurrlquer dos casos gindo devem ser evidenciadas, concretizadas, publicadas e Por
não se atende aos pressupostos da metodologia formativo-emancipa- certo passariam a modificar a cultura do grupo;
tória. Note-se ainda que, em quaisquer dos casos, os daclos são cole- . os suieitos da práxis devem ser sucessivamente instigados à
tados, organizados, interpretados e concluídos pelo próprio pesqui-
pesquisa de meios auxiliares à reflexão, à composição de da-
sador.
dos, à divulgação e à crítica dos mesmos;
Se fôssemos nos utilizar do mesmo procedimento (observação)
. os Processos de aprendtzagem seriam, Por certo, desenca-
para essa mesma pesquisa, dentro da proposta formativo-emancipa-
deados.
tória, seria preciso que:
. os sujeitos do grupo observado estivessem participando des-
Mesmo não sendo este um exemplo de pesquisa de interven-
de o planejamento da pesquisa até suas conclusões finais e
estivessem de acordo e cientes da proposta de pesquisa; ção, pressente-se que mudanças irão ocorrer nas percePções dos
sujeitos, as quais thes induzirão a mudanças de práticas, principal-
. os sujeitos fossem convidados a participar das observações, mente naqueles aspectos em que houve críticas consensuais ott
da sua própria atividade educativa, da ação dos colegas e acei-
dissonâncias nas ações. Esses conhecimentos decorrentes estarão p«lr
tassem se preparar para realizar essa pesquisa;
ccrto incorporando-se aos sujeitos como ferramentas dc açõ1l, c1t'
\
1. O Parecer n. 251. / 62, que adequou a formação do pedagogo à Lei n. 4.024/ 61,, como o
Parecer n. 252/ 69, que regulamentou a mesma segundo a prescrição da Reforma Universitária,