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Sexualidade e Erotismo Na Biblia Sagrada

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FICHA TÉCNICA

Título : Sexualidade e Erotismo na Bíblia Sagrada


Autor : Victor Correia
© Autor e Guerra e Paz, Editores, Lda., 2024
Reservados todos os direitos
Acompanhamento editorial : Ana Antunes Anunciada
Revisão : Joana Ambulate
Design de capa e paginação :
Ilídio J.B. Vasco
ISBN : 978-989-576-094-7
1.ª edição: Agosto de 2024
GUERRA E PAZ, EDITORES, LDA.
R. Conde de Redondo, 8–5.º Esq. 1150 -105 Lisboa Tel.: 213 144
488 E -mail: [email protected] www.guerraepaz.pt

Está aqui apenas o prefácio, a bibliografia e o índice, como


amostra do livro. Para o ler integralmente, pode adquiri-lo através
da editora Guerra e Paz, ou nas principais livrarias de Portugal.
PREFÁCIO

A Bíblia é um livro de temática religiosa, mas contém muitos outros temas,


mesmo que esse temas não tenham sido o seu objetivo principal. Ora, entre os muitos
temas presentes na Bíblia, está também o sexo e o erotismo. Ao contrário do que
algumas pessoas pensam, a Bíblia não é contra a sexualidade, a Bíblia apresenta a
sexualidade humana como um dom de Deus, como uma bênção. Muitas pessoas pensam
que sabem o que a Bíblia diz sobre a sexualidade, e pensam que a Bíblia defende que
o sexo é apenas para a procriação, mas conforme veremos ao longo desta investigação,
o sexo não é utilizado apenas para a procriação. Por outro lado, há pessoas que afirmam
que a masturbação, o aborto e a contracepção estão errados, invocando a Bíblia, mas a
Bíblia nada diz sobre isso.
Há mandamentos sexuais na Bíblia, mas na prática quase todos esses
mandamentos são quebrados. Heróis bíblicos como Abraão, Moisés, David, Sansão,
entre muitos outros, violam os mandamentos dos livros do Êxodo, do Deuteronómio e
do Levítico, sobre sexualidade. Cada livro da Bíblia mostra uma coisa diferente, um
livro proíbe, mas outro consente. Jesus reinterpreta radicalmente os ensinamentos
bíblicos anteriores, incluindo mandamentos sobre o divórcio, pois o divórcio é
permitido no Antigo Testamento, mas é proibido nos Evangelhos. A Bíblia não oferece
uma mensagem consistente e única no que diz respeito à moral sexual e às prioridades
de Deus, por isso não se deve definir a ética sexual tendo como fundamento a Bíblia,
pois a Bíblia tem muitas e diferentes versões de ética sexual, contraditórias entre si.
Na verdade, o sexo e a Bíblia estão muito relacionados, a Bíblia está repleta de
referências sexuais : por exemplo, existem mais de trinta e cinco histórias com temas
sexuais apenas no livro de Génesis. Ao longo da Bíblia há muitas outras histórias de
sexo, e algumas delas “escândalos sexuais” : a mentira de Abraão ao Faraó do Egipto,
sobre a sua mulher, dizendo que era sua irmã, deixando-a no harém do Faraó (Gn. 20.2);
o adultério do rei David (2 Sm. 11.1-5); os homens de Sodoma, “tanto os moços como
os velhos”, cercaram a casa de Ló, para terem relações sexuais com os dois anjos nela
hospedados (Gn. 19.1-11); pouco depois da destruição de Sodoma e Gomorra, as duas
filhas de Ló embriagaram-no e tiveram relações sexuais com o seu próprio pai (Gn.
19.30-38); uma das filhas de Jacob foi violada por um príncipe palestiniano, e os seus
irmãos em vingança, mataram todos os homens de Siquém (Gn.34.1-31); um dos filhos
de Jacob, Rúben, o mais velho, aproveitou-se da ausência do seu pai e deitou-se com
uma das suas quatro esposas (Gn. 35.22; 49.4); Judá deitou-se com a sua própria nora,
pensando que ela era uma prostituta (Gn. 38.1-31); mulher de Potifar, oficial de Faraó,
assediou sexualmente José, o jovem administrador do marido (Gn. 39.7-23).
A Bíblia comenta frequentemente a beleza física de algumas da suas grandes
personagens : Rebeca "era muito justa de se olhar"; Raquel era "graciosa e bonita"; José
era "bem construído e bonito". Jacob e Raquel são o primeiro exemplo de amor à
primeira vista, e isso acontece fortemente devido à sua beleza física. Jacob, conforme
está escrito na Bíblia, esperou por ela durante sete anos, o que "lhe pareceu apenas
alguns dias por causa do amor que tinha por ela" (Gn., 29,20). Da mesma forma, os
amantes no Cântico dos Cânticos são descritos como sendo muito belos fisicamente, e
cada parte do seu corpo é exaltada, como por exemplo no seguinte versículo : "quão
bela e agradável você é, ó amada, deliciosa donzela. Você é imponente como uma
palmeira e seus seios são como seus cachos" (Cântico 5:4-5).
Em vários textos da Bíblia pode-se encontrar a mensagem de que o prazer
sexual é bom. O desejo sexual acontece muitas vezes no Livro do Génesis e noutros
livros da Bíblia. O Livro do Génesis diz que os seres divinos desejam belas mulheres
(Gén., 6, 2); Sara descreve o prazer da intimidade sexual; Isaque é apresentado
“acariciando a sua esposa Rebeca”. Lia e Raquel combinam entre si quem vai dormir
com Jacob; Dalila subjuga Sansão, após o seu relacionamento sexual com ele; Sansão
teve também relações sexuais com uma prostituta; o Livro dos Provérbios diz em
relação aos prazeres sexuais que o homem usufrui da mulher : “que a sua fonte seja
abençoada e alegre-se com a esposa da sua juventude, um cervo adorável uma corça
graciosa. Que os seus seios o satisfaçam em todos os momentos, que o homem seja
sempre embriagado pelo seu amor” (Prov., 5, 18-19).
Há vários tipos de relacionamento amoroso e sexual na Bíblia, aceites e
abençoados por Deus, não apenas o casamento monogâmico, e portanto na Bíblia o
"casamento tradicional" não existe como o modelo a seguir. Por exemplo, Adão e Eva
não eram casados, Rute e Booz não eram casados, o homem e a mulher do erótico
Cântico dos Cânticos não eram casados, assim como outras grandes personagens da
Bíblia, no entanto tiveram relações sexuais fora do casamento, e a Bíblia não critica esse
facto. Não há proibição explícita no Antigo Testamento do sexo pré-marital cometido
por homens, exceto o adultério, que significava ter relações sexuais com a esposa de
outro homem, mas mesmo assim algumas figuras importantes da Bíblia, como por
exemplo o rei David, cometerem adultério. As relações sexuais extraconjugais não eram
proibidas, pois por exemplo se um casal era incapaz de ter filhos, o homem podia ter um
filho de uma concubina (Gn., 16). Também, por exemplo, se um homem casado
falecesse antes de ter dado filhos à sua esposa, o irmão do homem falecido devia ter
relações sexuais com a viúva, para ter um filho, e que teria o nome do irmão (Dt., 25, 5-
10).
Mas há vários casos na Bíblia em que o objetivo das relações sexuais
extraconjugais não era ter filhos. Dois dos antepassados de Jesus (Rute e Betsabé),
tiveram filhos fora do casamento, e nem essas mulheres nem os seus parceiros sexuais
foram punidos. Aliá, nesses casos a própria relação sexual extraconjugal leva à bênção

de Deus, não à maldição. Nessas passagens bíblicas, conforme se pode ver nesta
investigação, está bem explicito que o desejo sexual e a sua concretização não se
limitam ao amor entre marido e esposa.
Ao longo da Bíblia a poligamia é frequente, e é praticada por homens de Deus
(patriarcas, profetas, reis de Israel, etc.). Isaque é o único patriarca que não é
monogâmico. Abraão e Sara, assim como Jacob e Raquel, são casados, mas Abrão e
Jacob têm outras parceiras, com quem aliás têm filhos. Jacob casa-se com Raquel e a
sua irmã Lia, e tem relações sexuais com as suas servas Bila e Zilpa .O rei David teve
várias esposas e concubinas, descritas ao longo de diversos livros e versículos da Bíblia,
e quando está deprimido na sua velhice, uma jovem mulher vem-lhe fazer companhia.
Note-se que foi escolhida uma mulher jovem e bela, e não uma mulher da sua idade (I
Reis, 1, 1-4). Por seu turno, o filho do rei David, o rei Salomão, teve setecentas esposas
e trezentas concubinas (I Reis, 13, 3). Há mais exemplos de poligamia ao longo da
Bíblia, além dos do rei David e Salomão, conforme veremos neste livro, mas estes são
os mais importantes, por serem de grandes figuras da Bíblia.
Por outro lado, há famílias como a retratada no livro de Rute, em que uma
mulher e a sua uma sogra (Rute e Noemi) criam um bebé que é concebido por iniciativa
própria (portanto, foi uma família formada por duas mães, e não uma família
convencional formada por um homem, uma mulher e os seus filhos, conforme seria de
esperar para os defensores da família tradicional que se fundamentam na Bíblia).
Temos também o caso do rei David e o seu relacionamento homossexual com
Jónatas, o filho do rei Saul, que chora de amor por Jónatas, que o abraça e lhe dá beijos,
e perante quem Jónatas tira a roupa. Há mais casos de homossexualidade ao longo da
Bíblia, como por exemplo no Novo Testamento, na referência de Jesus aos eunucos de
nascença, e a própria relação entre Jesus e “o discípulo que ele amava” (frase da própria
Bíblia), ou o episódio do jovem que foge nu, ao ter sido surpreendido pelos guardas
romanos, depois de ter estado sozinho com Jesus, ou o caso do centurião romano e o seu
“servo”, têm sido interpretados como sendo de teor homossexual.
A Bíblia critica a prostituição, mas conforme se vê no Livro do Génesis Judá não
tem problemas em ter relações sexuais com uma prostituta, que é afinal a sua nora, que
o enganou (Gén., 38, 12-26). O herói bíblico Sansão teve relações sexuais com uma
prostituta (Juízes, 16, 1-6). É precisamente uma prostituta que acolhe na sua casa dois
espiões israelitas, Jos., 2, 1-7). A Bíblia diz também que o que uma prostituta quer
essencialmente é um pedaço de pão (Prov., 6,26).
A prostituição consiste no facto de uma pessoa relacionar-se sexualmente com
outras, por interesses económicos. Ora, David, Salomão, e outros homens importantes
descritos na Bíblia, tinham muitas concubinas, o que vem praticamente a dar no mesmo,
pois elas também se relacionavam com eles essencialmente por interesses económicos.
Em princípio, as mulheres deviam ter um comportamento sexual diferente, isto
é, serem mais “bem comportadas”, mas isso não acontece em alguns casos. Na própria
genealogia de Jesus Cristo, todas as quatro mulheres que antecedem Nossa Senhora,
tiveram comportamentos sexuais desviantes : Tamar, que engravidou de Judá, seu
sogro; Raabe, a prostituta cananeia; Rute, que seduziu Booz; Betsabé, a mulher de
Urias, que antes de se tornar esposa do rei David, teve sexo com ele. Foram mulheres
sexualmente transgressoras, mas que mesmo assim fazem parte da linhagem de Jesus
Cristo.
Há sexo em muitas páginas da Bíblia, também de forma implícita, se a lermos
com atenção. Para a sexualidade a Bíblia é rica em palavras, mas raras são as palavras
tomadas no seu sentido explícito. A virilidade é descrita como “força” (Gen., 49,3),
como “vigor” (Dt., 21,17). A intimidade masculina é descrita como “a carne” (Lev., 6,3),
“a carne da nudez” (Ex.,28,42), “as partes” (Dt., 25,11). A intimidade feminina é
mencionada como ‘”fonte do sangue” (Lev., 12,7), “fenda” (Os.,13,13) e “ventre” (Jer.,
1,5). As relações sexuais entre homem e mulher são expressas através das palavras
“conhecer” (Gen., 4 1,17; Num 31,17), “descobrir a nudez” (Levítico, 18, 6-19),
“aproximar” (Ex., 19,15; Is 8,3), “ir para” (2 Sam., 12,24), “ser com” (Gen., 39,10),
“tocar” (Prov., 6,29), “descobrir” (Dt., 23,1), “deixar-se prender pela beleza”, (Sal.,
45,12), etc., etc.
Ao longo desta investigação mostraremos a prática do sexo em textos onde
algumas pessoas geralmente não a veem, ou não a querem ver, ou fingem que não a
veem. A Igreja geralmente não fala nestes textos, nem os lê durante as celebrações
religiosas. Ao falar da Bíblia e ao passar por determinados textos, ignora-os, ou
contorna-os, ou disfarça-os, como acontece por exemplo com o episódio de sexo entre
Rute e Booz, que a Bíblia da versão da editora Difusora Bíblica intitula simplesmente
assim : “Perspicácia de Rute”.
No entanto, as histórias sexuais fazem parte da Bíblia, e uma das razões pelas
quais a Bíblia ao longo dos séculos não foi traduzida, e não foi mais difundida, dever-
se-á ao facto de conter histórias de sexo, que originariam incompreensão, surpresa e
escândalo. Hoje a Bíblia está largamente traduzida, e o nosso tempo é menos
preconceituoso, mas mesmo assim ainda hoje há quem se choque com essas histórias da
Bíblia. Assim, por exemplo nos Estados Unidos da América, nos últimos anos a Bíblia
foi banida de bibliotecas das Escolas primárias e secundárias, devido a queixas e
reclamações de pais, que consideraram que a Bíblia “é um dos livros mais cheios de
sexo que existe”. Tal aconteceu em 2022 e em 2023 em escolas dos estados do Texas, do
Kansas, e de Utah.
A Bíblia relata o aparecimento da espécie humana, desde Adão, onde os seres
humanos e a sua sexualidade eram indivisíveis, e em que o sexo era uma parte vital da
existência humana, por isso é normal que sejam narradas histórias sexuais. A Bíblia é
um livro de História do povo judeu, no sentido historiográfico do termo (embora
contenha erros históricos). Ora, não há forma de se relatar realmente a história do povo
judeu, se não se incluir também os seus grandes casos sexuais. Apesar de em alguns
capítulos da Bíblia haver alguns interditos sexuais, também há capítulos da Bíblia que
os desmentem, e que apoiam ou fazem o oposto do que se diz noutros capítulos, senda
essa uma das muitas contradições da Bíblia Sagrada. Assim, por exemplo, a regra para
os reis israelitas é que não deveriam acumular para si mulheres, eles não deveriam
imitar o hábito da poligamia dos reis pagãos (Livro do Deuteronómio 17,17). Porém,
essa regra não foi cumprida por praticamente todos os reis israelitas, pois a Bíblia diz-
nos que eles tinham haréns. David e Salomão, com as suas diversas esposas e
concubinas são os melhores exemplos, mas há muitos mais, conforme veremos nesta
investigação, e não há desaprovação por parte de Deus, por eles terem tantas mulheres.
Ao longo desta investigação mostraremos as visões dos escritores bíblicos,
consideramo-los apenas como escritores, e não como homens inspirados por Deus. A
Bíblia é um livro que foi escrito por seres humanos, com as suas fraquezas, os seus
desejos, as suas visões e as suas formas de ver o mundo, condicionadas pelo seu tempo
e pelo seu país, e que mantêm toda a atualidade.
Não pretendemos com esta investigação fazer uma leitura e interpretação como
faz a Igreja, os padres pastores e teólogos, mas sim lê-la como se lê Homero, Virgílio,
Ovídio, Camões, Shakespeare, etc., isto é, como literatura. Neste livro não discutiremos
as doutrinas e os dogmas, não colocaremos problemas de índole religiosa. Esta
investigação não é uma leitura espiritual. A Bíblia é um livro cheio de histórias, e foi
que tivemos em consideração, independentemente do seu significado religioso, se é que
o tem, pois Deus é muitas vezes utilizado nessas histórias como uma justificação, por
exemplo quando determinadas personagens justificam a sua atuação sexual como uma
armadilha para salvar o povo israelita. Na verdade, o sexo é por vezes utilizado como
instrumento de poder, de conquista e defesa dos judeus perante outros povos. Para
conseguirem alguma proeza, algumas personagens recorrem ao sexo para seduzirem
outras personagens, em prol da vitória do povo israelita (Livro de Judite, 12, 10-19).
Neste livro falaremos da Bíblia como produto literário de uma cultura num espaço
geográfico e histórico determinado. Falaremos da Bíblia como um livro de História, que
contém muitas histórias.
Não estão aqui incluídas todas as histórias da Bíblia que falam de sexualidade ou
que estão relacionadas com ela, mas estão quase todas as histórias. Deixámos algumas
histórias de fora, por não termos dados suficientes. Por exemplo, segundo alguns
intérpretes, Jessé, o pai do futuro Messias-rei Davi, foi o primeiro assediador sexual.
Raramente citado, este relato, é atestado por muitos comentários sobre os salmos 51 e
69, salmos esses em que o rei David lamenta ter nascido de uma mulher pecadora,
aparecendo em várias antologias e comentários de textos judaicos antigos. Jesse teria
tido relações sexuais com Nazbeth, relações sexuais ilícitas, e dessas relações teria
nascido o rei David, mas dado isso que não está explícito na Bíblia, não o incluímos.
Não estão aqui reunidos todos os textos, capítulos e versículos, que falam de
sexualidade e de erotismo, mas está aqui uma amostra muito significativa. Outros
investigadores certamente acrescentariam outros textos, mas cremos que o que
selecionamos é o mais representativo de que a sexualidade é importante, necessária e
desejável, segundo a Bíblia. Por outro lado, provavelmente outros investigadores
também não incluiriam certos textos e versículos que aqui incluímos, que dependem da
interpretação de cada leitor, pois em certos casos o tema da sexualidade não está
explícito. No entanto, consideramos que estão implícitos.
Assim, na sequência de cada passagem citada da Bíblia, fazemos comentários
para chamar a atenção para determinados pormenores, tendo como objetivo a sua
compreensão. No entanto, esses comentários não são exegese bíblica propriamente dita,
isto é, não são uma reflexão teológica. O autor deste livro não é um teólogo, mas sim
um leitor da Bíblia. Certamente que há mais coisas a serem ditas, sobre cada um dos
textos aqui citados, mas deixamos isso para os teólogos e historiadores. Há sempre algo
mais a acrescentar, a comentar e a explicar, mas pretendemos focar-nos no essencial.
Esta investigação consiste em centrarmo-nos nos próprios factos relatados pela Bíblia,
dizendo quais são esses factos, citando-os, e dizermos em que livro da Bíblia, capítulo e
versículos se encontram. Depois disso, acrescentaremos comentários para chamar a
atenção para o seu conteúdo sexual e erótico, e para os explicar, sem no entanto
cansarmos o leitor com demasiadas explicações e interpretações.
Muitos dos textos reunidos nesta investigação, e muitos dos seus comentários,
devem-se principalmente aos conhecimentos pessoais do autor deste livro, sobre a
Bíblia, devido ao percurso biográfico do seu autor e à sua experiência religiosa católica:
acólito numa Igreja durante muitos anos; catequista numa paróquia da Igreja católica;
escuteiro numa paróquia; seminarista em Roma; participação em coros religiosos;
frequência de mosteiros; aluno de duas Escolas de Evangelização, uma em França e
outra em Portugal; a realização de um cursilho de Cristandade no Movimento dos
Focolares, etc. Tudo isso permitiu ao autor da presente investigação uma forte ligação à
Igreja católica, e o seu conhecimento da Bíblia.
No entanto, foi também importante a bibliografia. A bibliografia central desta
investigação, como não podia deixar de ser, é a Bíblia Sagrada. Utilizámos diferentes
versões da Bíblia, para confrontar, e reunir em texto a sua síntese, que nos pareceu a
mais correta, e usámos diferentes traduções, mas a principal foi a da edição portuguesa
da Editora Difusora Bíblica, dos padres capuchinhos. Esta investigação foi também
possível graças a informações obtidas nos livros que estão citados na bibliografia deste
livro. Procurámos essas informações em textos e em livros que falam de assuntos
relacionados com o tema da presente investigação. Como recurso bibliográfico, a
Wikipédia teve também utilidade, sobretudo no que diz respeito a dados biográficos
sobre os grandes personagens da Bíblia (por exemplo as mulheres que eles tiverem, os
filhos que eles tiveram, os nomes das mulheres e dos filhos).
No que diz respeito à metodologia dentro de cada um desses capítulos fizemos
uma ordenação pormenorizada conforme a sequência que está nos livros da Bíblia. Em
alguns capítulos não citamos apenas um texto ou um versículo, mas mais, para
completarem o tema do capítulo. Cada um dos capítulo deste livro vale por si próprio, e
geralmente não é necessário um fio condutor para que um capítulo necessite da leitura
de outros capítulos, de modo a ser entendido. Portanto, esta investigação não obedece a
uma sequência lógica, como num romance ou num ensaio, embora em alguns casos seja
importante ter conhecimento de outros textos da Bíblia. Em alguns casos, devido à
extensão dos textos, colocámos apenas uma parte desses textos, mas que consideramos
suficiente para nos focarmos no essencial. Demos um título a cada um dos capítulos,
tendo em conta o seu conteúdo, e no final de cada texto ou versículo da Bíblia
colocámos as referências dos livros da Bíblia, dos capítulos e dos versículos onde se
encontram esses excertos.
Este livro contém também uma investigação iconográfica, tendo como objetivo
ilustrar melhor as histórias e os temas. Introduzimos em cada capítulo ou versículo
comentados, uma gravura antiga, e em alguns casos uma pintura, por não termos
encontrado uma gravura. Existem muitas pinturas sobre estas histórias da Bíblia, mas
escolhemos as gravuras, devido ao facto de serem ilustrações a preto e branco, para não
encarecerem financeiramente o custo deste livro. As gravuras vão desde a Idade Média
até ao século XIX, mas a maior parte das gravuras são dos séculos XVI, XVII e XVIII.
Ao investigarmos gravuras antigas sobre estes temas, surpreendeu-nos a riqueza
histórica e a qualidade artística dessas gravuras, na sua maioria produzidas por grandes
artistas, muitos deles desconhecidos do grande público.
A revelação dos textos da Bíblia aqui apresentados, certamente surpreenderá
muita gente, pois nas celebrações dos templos não se lê nem se fala neles. Nas
celebrações litúrgicas apenas se lê uma série de textos selecionados pelos padres e pelos
pastores, e que são praticamente sempre os mesmos, ao longo dos anos, principalmente
nas missas dos templos católicos, e onde por outro lado a Bíblia permaneceu durante
muitos séculos escrita em latim, apenas acessível ao clero. Mas mesmo nos tempos de
hoje, em que a Bíblia está escrita na nossa língua, e em que a sua publicação em livro
está acessível a todos, há muita coisa da Bíblia que continua desconhecida do grande
público, e dos próprios crentes. Atualmente a Bíblia está traduzida para todas a línguas,
mas na verdade poucas pessoas leram esse enorme livro, e quem o leu, apenas leu uma
pequena parte. Temos portanto, nesta pormenorizada investigação sobre a Bíblia, muitas
coisas que são desconhecidos do grande público, ou que passam despercebidas no que
diz respeito ao sexo e ao erotismo, que convidamos o leitor a descobrir.

BIBLIOGRAFIA

BÍBLIA E EVANGELHOS APÓCRIFOS

- Bíblia Sagrada, Fátima, Ed. Difusora Bíblica, 1998


- Bíblia Sagrada, Cucujães, Ed. Editorial Missões, 1998
- Bíblia Sagrada, edição pastoral, São Paulo, Ed. Paulus, 1990
- The Holy Bible – new international version , Colorado (EUA), Ed. Biblica,
2011
- La Bible de Jérusalem, Paris, Ed. Desclée de Brouwer, 1975
- Evangelhos apócrifos gregos e latinos, Lisboa, Ed. Quetzal, 2022
- O Evangelho de Tomé, Petrópolis, Ed. Vozes, 2012
- Evangelho secreto de Tiago, Ed. Peterson do Nascimento, 2020
- The Gospel of Philip, Trad. de Wesley W. Isenberg, São Francisco, Ed. Harper
Collins

AUTORES

- COMFORT, Philip, e ELWELL, Walter A., The Complete Who’s Who in the
Bible, London, Ed. Castle Books, 2014
- DRANE, John, Enciclopédia da Bíblia, São Paulo, Ed. Loyola, 2011
- EILBERG, Schwartz, God's Phallus and other problems for men and
monotheism, Boston, Ed. Beacon Press, 1995
- HUBRIS, Lisando, Desmascarando a Bíblia, vol. I e II, Editora
t.calameo.com/upload 2010 e 2011
- KLINCK, Arthur W., Everyday life in Bible times, Moorhead, Ed. Concordia
College, 2006
- KUGEL, James L, Traditions of the Bible, Harvard, Ed. University of Harvard,
1998
- LABRE, Chantal, Dictionnaire biblique, culturel et littéraire, Paris, Ed.
Armand Collin, 2002
- MCKENZIE, John, Dicionário bíblico, Apelação, Ed. Paulus, 1984
- MOREIRA, Rogério, Bíblia do cético, texto on-line, 2018
- PORTER, J.R., The Illustrated Guide to the Bible, New York, Ed. Chartwell
Books, 2016
- VV., (não referem o autor), Wikipédia, enciclopédia online, algumas biografias
das personagens bíblicas

ÍNDICE

Prefácio

ANTIGO TESTAMENTO

LIVRO DO GÉNESIS
- Adão e Eva
- Caim, a sua mulher e as mulheres dos seus descendentes
- Lameque e as suas mulheres, e outros homens com muitas mulheres
- A nudez de Noé
- Naor, a sua sobrinha Milca, e a sua amante Reuma
- Abraão, Sara e o Faraó
- A circuncisão masculina
- Os homens de Sodoma e a sua suposta homossexualidade
- Lot tem relações sexuais com as suas duas filhas
- Abraão e as suas esposas e concubinas
- Abrão, Sara e Agar
- Isaque e Rebeca
- Esaú, as suas esposas e as suas aventuras sexuais
- Jacob e as suas mulheres
- O rapto e a violação de Dina
- Ruben e as suas relações sexuais com a concubina do seu pai
- Onan e o coito interrompido
- Tamar finge-se de prostituta e tem relações sexuais com o seu sogro
- José é assediado sexualmente pela esposa de Potifar

LIVRO DOS NÚMEROS


- Raparigas virgens como espólio de guerra

LIVRO DO DEUTERONÓMIO
- O saque de uma mulher formosa
- A importância dos testículos e do pénis

LIVRO DE JOSUÉ
- A prostituta Raabe e os dois espiões

LIVRO DOS JUÍZES


- Sansão, a prostituta, e Dalila
- O levita e a violação da sua concubina
- A busca de donzelas e o rapto de mulheres virgens

LIVRO DE RUTE
- Rute dormiu com Booz

LIVRO DE SAMUEL I
- Elcana e as suas duas mulheres
- Hofni e Fineias tinham relações sexuais com as mulheres do templo

LIVRO DE SAMUEL II
- David e as suas esposas e concubinas
- David e o seu adultério com Betsabé
- David e a sua relação homossexual com Jónatas
- Amnon e a sua relação sexual com a sua meia irmã Tamar
- Absalão e as suas relações sexuais com as concubinas do seu pai

LIVRO DOS REIS


- David e a sua donzela Abisag
- Salomão e as suas esposas e concubinas
- Acabe e Jezael, e outras mulheres

LIVRO DAS CRÓNICAS


- Roboão e outros homens com muitas mulheres

- LIVRO DE JUDITE
- Judite seduz sexualmente Holofernes

LIVRO DE ESTER
- A escolha de uma donzela virgem

LIVRO DOS SALMOS


- Poema de amor para o rei

LIVRO DOS PROVÉRBIOS


- Os prazeres da companheira de juventude
- O caminho de um homem com uma donzela

LIVRO DO ECLESIASTES
- Gozar da vida com a mulher que se ama

CÂNTICO DOS CÂNTICOS


- Excertos

LIVRO DO ECLESIÁSTICO
- A beleza da mulher
LIVRO DE ISAÍAS
- A infidelidade de Israel

LIVRO DE JEREMIAS
- Deus ameaça desnudar e exibir a nudez

LIVRO DE EZEQUIEL
- A duas irmãs infiéis

LIVRO DE DANIEL
- Susana é assediada sexualmente por dois anciãos
- Baltasar, as suas concubinas e bailarinas

LIVRO DE OSEIAS
- Oseias e a prostituta

NOVO TESTAMENTO

EVANGELHO DE MATEUS
- Os eunucos
- As dez virgens e o seu noivo

EVANGELHO DE MARCOS
- Jesus e o jovem nu

EVANGELHO DE LUCAS
- O centurião romano e o seu servo
- A prostituta beijando os pés de Jesus

EVANGELHO DE JOÃO
- Jesus e Maria Madalena
- Jesus e o seu discípulo amado

CARTAS DO APÓSTOLO PAULO AOS CORÍNTIOS E AOS EFÉSIOS


- A importância das relações sexuais entre o casal

BIBLIOGRAFIA
- Bíblia e evangelhos apócrifos
- Autores

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