Os espaços organizados pela população:
Espaço Urbano- área de grande concentração demográfica, com elevada acessibilidade
(devido à existência de inúmeras vias de comunicação e transportes), grande densidade de
edificações e onde predomina o setor secundário e terciário.
Espaço Rural e Espaço Urbano
Tem sido cada vez mais difícil fazer uma distinção entre estes dois espaços, principalmente
devido à expansão urbana. A deslocação da população e atividades económicas para a
periferia, foi maioritariamente causada pelo crescimento da população e o desenvolvimento
das redes de transportes. Esta expansão originou novas paisagens, que exigem diferentes
interpretações, mas onde as cidades continuam a destacar-se como polos mais privilegiados
de serviços e atividades.
Conceito de Cidade
As características geralmente atribuídas a uma cidade correspondem à forma de ocupação
do solo e a dimensão do aglomerado. Contudo, estas não podem ser consideradas
universais, sobretudo por causa da dimensão das cidades que variam de país para país.
No entanto existem, de um modo geral características comuns como:
– a forte densidade populacional;
– o elevado preço do solo;
– a população com um modo de vida urbano;
– a elevada oferta de equipamentos sociais, culturais e desportivos;
– a forte concentração de edifícios;
– a maior relevância de atividades económicas do setor secundário e terciário;
– a intensa mobilidade de pessoas e transportes
Como o conceito de cidade não gera muita conformidade, cada país criou critérios
quantitativos e qualitativos para delimitar as cidades:
Critério demográfico- define o número mínimo de habitantes ou eleitores e um número
total de habitantes por superfície. Limitações: não é um critério universal, pois varia de país
para país e até mesmo no próprio país.
Critério funcional- considera as funções executadas pela população e onde é que se inserem
as atividades que desempenham (setor secundário ou terciário). Limitações- não é um
critério universal, pois de acordo com a conferência Europeia de estatística algo pode ser
elevado a cidade se tiver mais de 10 mil habitantes ou no mínimo dois mil, desde que o
setor primário não ultrapassasse 25% da população ativa. Isto verifica-se em muitas cidades,
mas não em todos (devido às pessoas que trabalham fora da cidade onde residem e os
países subdesenvolvidos).
Critério Jurídico-Administrativo- atribui o estatuto de cidade por decisão legislativa ou
valorização histórica ou cultural de um espaço, mesmo que não cumpra os critérios
anteriores.
As Cidades em Portugal têm de ter mais de 8000 eleitores em aglomerado populacional e
um mínimo de infraestruturas e ou equipamentos com significado histórico, cultural ou
arquitetónico.
Centros Urbanos
São aglomerados com mais de 10 mil habitantes ou capitais de distrito. Normalmente
associa-se um centro urbano e uma cidade ao mesmo, no entanto não o são. Estes são
diferentes principalmente devido à diferença do número mínimo de habitantes mas também
aos critérios para eleger um sítio a cidade, que não são contemplados para algo ser um
centro urbano.
Urbanização- processo de desenvolvimento das cidades, caracterizado pelo aumento da
população e espaço geográfico, como resultado das alterações na atividade económica e no
estilo de vida da população.
Urbanização em Portugal
As áreas urbanas são polos atrativos para a população, em virtude da grande oferta de
serviços, de emprego, atividades económicas, entre outras. Nas últimas décadas tem havido
um aumento da população urbana, bastante significativo no Porto e Lisboa. Podemos
observar este crescimento através da taxa de urbanização (percentagem da população
urbana em relação à população total), que tem vindo a aumentar ao longo dos anos, porém
comparando com os países da União Europeia ainda se encontra inferior à média.
Novas Centralidades
Com o aparecimento de novas centralidades, o critério demográfico sofreu um decréscimo
no seu valor mínimo de habitantes (de 10 mil habitantes para 5000) devido a fatores como:
– a melhoria da qualidade de vida da população (que aumentou o consumo)
– maior difusão de infraestruturas e equipamentos de qualidade
– uma maior oferta de serviços nos centros urbanos de grande dimensão
No âmbito desta alteração surgiu também o conceito de lugar urbano, caracterizado como
aglomerado com mais de 2000 habitantes, segundo o INE.
Organização das áreas urbana:
As áreas urbanas estão organizadas de acordo com as suas funções:
– Residencial, permite a fixação da população
– Industrial, deu origem aos centros urbanos
– Comercial ou Serviços, é a atividade mais frequente
– Religiosa, lugares de culto e peregrinação
– Turística, ligada a atividades de lazer normalmente nas férias
– Defensiva, antigos castelos e muralhas para defender o território
– Político-Administrativa, sedes de poder e decisão estatal
– Cultural, monumentos históricos ou museus
Estas funções estão organizadas em áreas funcionais (área onde predomina determinada
função urbana) - Função Residencial, Terciária e Industrial.
Localização das áreas funcionais
Esta depende da renda locativa (preço do solo que determina o preço dos imóveis), que, por
sua vez, está condicionada pela:
Acessibilidade- facilidade com que se alcança o centro, tendo em conta o tempo e custo. O
centro da cidade é a área de maior acessibilidade
Distância ao centro- a renda locativa diminui enquanto nos afastamos do centro, pois
diminui a acessibilidade, o prestígio das áreas e consequentemente a procura.
O centro da cidade é mais atrativo para as atividades económicas (especialmente do setor
terciário), porque estas geram mais riqueza e suportam as rendas elevadas. Isto conduz à
especulação fundiária, ou seja, a sobrevalorização do preço do solo devido à elevada
procura e competição pelo espaço e à reduzida oferta.
Áreas terciárias
Centro da cidade
Todas as áreas têm uma área onde se destaca a terciarização (processo do crescimento
progressivo da importância do setor terciário na economia). No caso de Portugal esta área é
chamada de “baixa”, “centro” ou até CBD (Central Business District) como nos Estados
Unidos. Caracteriza-se por ser uma área central de negócios que pode ou não coincidir com
a história, é onde predominam atividades do setor terciário, é de fácil acessibilidade mas por
ser atrativa e ter muitas vezes população flutuante cria tráfego intenso.
Predomina a função comercial, onde o comércio pode ser:
Especializado- bens raros e artigos de luxo.
A retalho- bens acessíveis a toda a população em pequenas quantidades.
Grossista- bens transacionados entre o produtor e o retalhista em grandes quantidades.
E onde os serviços podem ser:
De nível superior- serviços especializados.
Vulgares- acessíveis à maioria da população.
A elevada concentração da atividade terciária tem sido acompanhada pela diminuição da
função residencial nas áreas centrais.
Diferenciação funcional das áreas centrais:
É causada pela distribuição das atividades terciárias em resultado do preço do solo e feita
através do:
Zonamento vertical- disposição das funções por andares nos edifícios. Os andares
superiores pertencem a funções que não requerem contacto com o público, enquanto que
os andares inferiores pertencem a atividades de maior prestígio que exigem contacto.
Zonamento horizontal- disposição das funções por diferentes ruas. As ruas principais com
atividades de maior prestígio e as ruas secundárias com funções menos atrativas.
Isto dá origem à segregação funcional, que acontece por haver uma distinção entre as
funções com mais e menos importância.
Novas Centralidades
Nos centros das cidades são exercidas diversas funções. As principais até à segunda metade
do século XX eram a residencial e industrial , posteriormente o comércio e serviços
começaram a ter uma maior importância. Hoje em dia está a assistir-se a uma
descentralização das atividades terciárias para outras áreas da cidade que têm na mesma
uma elevada acessibilidade. Isto deve-se: à especulação fundiária, escassez de espaço para a
expansão das atividades e o intenso tráfego de automóvel (dificuldade de estacionamento)
que diminui a acessibilidade. Assim surgiram novas centralidades por também exercerem
funções centrais (universidades, centros comerciais, espaços empresariais, etc…). Deu-se
então um declínio da influência das áreas centrais e uma alteração nas características
sociais, demográficas, económicas e funcionais.
Estratégias para a revitalização das áreas centrais:
– Criação de ruas e praças pedonais, para facilitar a livre circulação
– Criação de parques de estacionamento mais eficazes
– Melhoramento dos transportes públicos (urbanos e suburbanos)
– Implementação de programas de revitalização e requalificação urbana
– Renovação de edifícios para atrair população urbana.
Áreas residenciais
Desempenham um papel de grande importância nas cidades e encontram-se dispersas por
todo o espaço urbano. Isto varia diretamente com o preço do solo, logo depende do
estatuto económico dos moradores, individualizando-os. Assim cria-se uma segregação
espacial e consequentemente uma segregação social (separar ou isolar grupos de pessoas
inseridas em “categorias” diferentes, pode ser feito consciente ou inconscientemente), que
pode eventualmente originar momentos de conflito, violência ou criminalidade.
Classe Alta: São áreas planeadas com elevada acessibilidade e qualidade ambiental.
Predominam condomínios unifamiliares ou condomínios fechados com um estilo
arquitetónico cuidado. Dispõe de uma boa localização geográfica, localiza-se longe de
indústrias. Possui um elevado preço do solo.
Classe Média: As habitações são plurifamiliares (prédios) e detêm uma arquitetura uniforme.
O preço do solo é mais acessível, pertencendo então a maior parte da população a esta
classe. A elevada oferta de transportes aumenta a acessibilidade, que por sua vez reforça o
uso do automóvel.
Classe Baixa:
No Centro- Espaços mais degradados na companhia de habitações com uma baixa renda,
predominam os imigrantes e a população idosa.
Mais afastada do Centro- Habitações em bairros sociais, para alojar famílias com poucos
recursos, onde a arquitetura é uniforme de pequenas dimensões de baixa qualidade.
Nos Subúrbios- Localizam-se se em solos expectantes (terrenos urbanizados ou por
urbanizar sem aproveitamento) e são bairros ilegais, construídos de acordo com as
necessidades das famílias. Geralmente residem neles imigrantes com escolaridade mínima e
baixos níveis de qualificação, o que dificulta a entrada no mercado de trabalho. Estas
construções estão muitas vezes relacionadas com a segregação social e a prática de
atividades ilegais.
Gentrificação ou Nobilitação Urbana
Nas últimas décadas tem-se assistido a uma reabilitação das áreas dos centros das cidades,
com valor arquitetónico ou histórico. Isto deve-se a fatores como: as de políticas de
intervenção urbanística-arquitétonica, ao aumento no turismo e a reestruturação
económica. O uso do solo foi alterado e foi intensificada a especulação fundiária. Estas
mudanças atraíram população mais jovem e melhor posicionada socialmente, promovendo
a saída de ex-moradores (tradicionais) para a periferia, por não conseguirem pagar a renda.
Áreas Industriais
As cidades são áreas de grande atração para as atividades económicas, no entanto em
meados do século XVIII (sec. XX em Portugal) tornaram-se atrativas, também, para as
indústrias.
Fatores de localização Industrial:
– Abundância de mão de obra
– Desenvolvimento de vias de comunicação e transportes para o fácil acesso aos mercados e
matérias primas
– Acesso a capitais
– Proximidade a serviços de apoio (bancos, seguradoras, etc…)
–Elevado número de consumidores.
Contudo, a instalação das indústrias e a expansão das já existentes não tem sido compatível
com a dinâmica funcional e o desenvolvimento das cidades deu-se então uma deslocalização
das indústrias, devido a fatores como:
– Elevado preço do solo
– Intenso tráfego e falta de estacionamento no centro
– Necessidade de espaços de maiores dimensões para indústrias mais modernas
– Elevada acessibilidade à periferia, em consequência do desenvolvimento das vias de
comunicação e transportes
– Segmentação das indústrias (escritório- cidade; fábrica- periferia)
– Têm um caráter poluidor, ambiental e sonoro
– Criação de parques industriais que diminuem o preço do solo, entre outros
Vantagens da localização de unidades fabris nas periferias:
– Preço do solo menos elevado
– Espaços de dimensões maiores, para a expansão das indústrias
– Benefícios fiscais
– Criação de parques industriais (reduzem os custos e oferecem relações de
complementaridade)
– Surgimento de serviços de apoio
– Proximidade de mão de obra barata
Apesar disto, continuam a haver indústrias que se localizam no interior das cidades com as
seguintes características: pouco poluentes, não ocupam muito espaço, estão situadas
geralmente nas traseiras das respetivas lojas ou partes superiores dos edifícios, utilizam
matérias primas leves e exigem contato com o consumidor. A cidade atrai este tipo de
empresas, em consequência da especialização do mercado de trabalho, da presença de
clientes importantes e de universidades, laboratórios de I & D.
Cidade Fragmentada
A evolução dos meios de comunicação e transportes, promoveu a mistura funcional e social
atualmente evidenciada, porque com isto surgiram novos processos de organização urbana.
Uma cidade fragmentada tem as seguintes características:
– Policentrismo, a existência de novas centralidades
– Fragmentação social, devido à coexistência de grupos sociais distintos no mesmo espaço
quando não interagem necessariamente bem
– Enclaves, criação de espaços que contrastam com o espaço envolvente (ex: Um
condomínio num espaço degradado)
– São espaços com muitas funcionalidades.
A expansão urbana
Constitui o crescimento das cidades, e do estilo envolvido, para lá dos seus limites. A cidade
foi sempre um espaço de elevada atração para a população, por ter uma elevada oferta de
trabalho e funções relacionadas com o setor secundário e terciário. Em Portugal começou a
haver a expansão urbana na segunda metade do século XX (mais ou menos na década de
1970). Este crescimento teve duas fases distintas:
Fase Centrípeta: Caracteriza-se pela fase de concentração demográfica, em função do êxodo
rural e a chegada de imigrantes, e económica, pois começaram a surgir mais atividades
secundárias e terciárias, no perímetro urbano. Isto com o reduzido desenvolvimento dos
transportes, a cidade adquire uma configuração mais compacta, gerando a proximidade da
área de residência e do trabalho.
Consequências- O crescimento é muito acelerado e os rendimentos das famílias
aumentaram, o que levou à sobrelotação das infraestruturas e ao aumento do consumo.
Devido ao aumento da terceirização do centro, houve também um aumento da renda
locativa. Todos estes fatores diminuiram a qualidade de vida da população e fizeram com
que esta e as atividades económicas começassem a deslocar-se para a periferia.
Fase Centrífuga: Caracteriza-se pela deslocação da população e atividades económicas, do
centro para a periferia, ao longo dos principais eixos de acesso (expansão tentacular). Este
processo foi principalmente promovido pelo desenvolvimento de transportes e vias de
comunicação. Assim, a cidade passa a não ter limites.
Causas- Todas as consequências anteriores e fatores como: o preço do solo menos elevado
na periferia; desenvolvimento dos transportes e as suas respetivas infraestruturas;
terciarização do centro, afastando residentes; re-localização das atividades secundárias e
terciárias que criaram emprego nas periferias e a utilização de transportes individuais.
A suburbanização
É o processo de crescimento urbano da cidade para a periferia. Este fenómeno regista-se por
todo o território nacional, é mais evidenciado no litoral e começou no século XX, devido a
fatores como:
– o desenvolvimento dos transportes e vias de comunicação, que melhorou a acessibilidade
ao centro e reduziu o tempo e custo das deslocações;
– o aumento da taxa de motorização (relação entre o número de automóveis e habitantes),
que por sua vez aumentou a mobilidade da população e promoveu a capacidade de
percorrer distâncias maiores entre casa e o local de trabalho;
– a escassez de espaço para modernizar e expandir as empresas na cidade, combinada com
a disponibilidade de espaço na periferia e o baixo preço do solo;
– a carência de habitação, devido à elevada renda locativa que fez com que as famílias com
menos recursos monetários se deslocassem para a periferia.
Os subúrbios
São áreas periféricas de uma cidade, mais ou menos urbanizadas, muito dependentes do
centro. Numa fase inicial era uma área pouco planeada, que servia de cidade-dormitório (só
detinha a função residencial), constituída por habitações plurifamiliares de baixo custo,
localizadas nos principais eixos de acesso ao centro. Com o passar do tempo e com o
aumento da população que lá residia, começaram a aparecer atividades económicas, para
fazer face às variadas necessidades. Ao reduzirem a dependência ao centro, alguns destes
bairros foram elevados a cidades, estabelecendo relações de interdependência entre as
áreas urbanas e suburbanas. Existem casos onde os subúrbios se tornam novas
centralidades, devido ao planeamento urbano e por serem dotados de boas acessibilidades
e grande oferta de serviços.
Movimentos pendulares
Deslocação diária entre o local de residência e o local de trabalho ou de estudos, que deu
origem aos seguintes problemas:
– Congestionamento das vias de comunicação
– Mais gastos em despesas de transportes coletivos e/ou particulares
– Aumento do stress e nervosismo, provocado pela rotina de tráfego, filas de espera e
sobrelotação dos espaços públicos
– Destruição de solos agrícolas, por causa da urbanização
– Diminuição dos espaços verdes
– Destruição da paisagem urbanística, por ser mais desorganizada
– Aumento da poluição e produção de resíduos.
A periurbanização
O desenvolvimento das redes viárias, fez com que o processo de urbanização não parasse
nas áreas suburbanas. Surgiram então, áreas, para lá dos subúrbios, onde existe uma
mistura entre estruturas urbanas e outras de carácter rural, dificultando a capacidade de
estabelecer fronteiras entre as áreas rurais e urbanas, dando origem ao fenómeno da
periurbanização. Os seguintes fatores promoveram o aparecimento das áreas periurbanas: a
construção de vias de comunicação, que aumentaram a acessibilidade ao centro; a oferta de
atividades terciárias, atraindo outras atividades económicas e permitindo a fixação da
população; a qualidade paisagística e ambiental (terrenos maiores, mais baratos, com
habitações de qualidade e carácter histórico e a diminuição da pressão urbanística). Nestes
espaços assiste-se a uma coexistência entre população que se dedica às atividades agrícolas
e a população que vive um estilo de vida rural.
A rurbanização
É a descentralização da população e empregos, das cidades para pequenas povoações ou
áreas rurais fora dos limites das cidades. Maioritariamente, com a intenção de melhorar a
qualidade de vida ( - stress, + natureza), contudo podem continuar com alguns hábitos do
modo de vida urbano, trazidos por ex-citadinos.
As áreas Metropolitanas
Trata-se de uma área urbanizada de grande dimensão, constituída por uma cidade principal
(que exerce um efeito polarizador) e outras que estabelecem relações entre si e a metrópole
de interdependência traduzidas em fluxos diários de pessoas e bens. Estas áreas formam um
sistema urbano policêntrico ligado por funções de complementaridade e têm como objetivo
promover o desenvolvimento e competitividade dos seus municípios.
Características das Áreas Metropolitanas:
– Polarizador do território (atrai população e emprego, devido ao dinamismo económico e
funcional)
– Intensos fluxos de pessoas e bens
– Movimentos pendulares
– Decréscimo da população na área central
– Descentralização das atividades ligadas à indústria, comércio e serviços
Área Metropolitana de Lisboa
Localiza-se no centro-sul de Portugal, ocupa uma superfície de 3015Km² e é constituída por
18 concelhos (9 no distrito de Lisboa e 9 no distrito de Setúbal). Desenvolveu-se
principalmente devido à melhoria das acessibilidades, como a ponte Vasco da Gama e a rede
ferroviária da ponte 25 de abril.
Dinâmica demográfica- Concentra cerca de 26% da população portuguesa. Ao longo dos
anos a distribuição da população tem registrado algumas alterações. Lisboa tem vindo a
perder população (devido ao elevado preço do solo, ao tráfico e intenso, ao
congestionamento e degradação ambiental) e consequentemente as áreas periféricas como
Mafra, Palmela e Alcochete têm ganho mais população. Comparativamente com a Área
Metropolitana do Porto tem uma menor densidade populacional (5093 hab./Km²).
Dinâmica Económica- Na Área Metropolitana de Lisboa o setor que emprega mais mão de
obra é o terciário, isto decorre, em parte, devido à função administrativa exercida pela
capital. Concentra cerca de 25% da população ativa e 30% do emprego, contribuindo assim
para mais de 30% do PIB.
Características das indústrias:
– Localização industrial dispersa, nos concelhos periféricas em grandes eixos de circulação
rodoviária e ferroviária;
– Forte concentração de indústrias de bens de equipamento;
– Dominam indústrias de capital intensivo (reparação e construção naval e veículos de
transporte, siderúrgica, farmacêutica…) mas também alimentar, bebidas e tabaco;
– Maior produtividade do que na Área Metropolitana do Porto;
– Utilização de mão de obra muito qualificada;
– Presença de vários parques industriais.
Área Metropolitana do Porto
Desenvolveu-se devido a várias acessibilidades como: a rede metropolitana do Porto, a
estação ferroviária de Campanhã e a A41-CREP (autoestrada para diminuir o
congestionamento e facilitar ligações entre a região sul e a região leste). É composta por 17
concelhos e possui uma área de 2040Km².
Dinâmica demográfica- Concentra cerca de 15% da população portuguesa. Tem havido uma
diminuição de população no concelho do Porto e um aumento nos concelhos periféricos
(São João da Madeira, Vila do Conde e Varzim), mesmo com este ganho de população
registou-se, na Área Metropolitana do Porto, uma variação populacional negativa.
Dinâmica Económica- Predomina o setor terciário (especialmente no concelho do Porto),
embora a mão de obra empregue nas indústrias apresenta uma percentagem elevada e a
importância do setor primário aumenta nos concelhos periféricos. Tem-se assistido a
investimentos no ensino superior e I&D.
Características da indústria:
– Predomínio de pequenas e médias empresas;
– Crescente aposta na inovação científica e tecnológica;
– Predominam indústrias de bens de consumo (ramos tradicionais da indústria portuguesa-
de confeção, calçado, mobiliário e têxtil) associados à exportação e que requerem uma
utilização de mão de obra mais intensiva e menos qualificada;
– As unidades estão dispersas pela Área Metropolitana, intercaladas com espaços agrícolas e
localizam-se perto de eixos de acesso.
Problemas Urbanos
Com o elevado crescimento da população no centro e a expansão urbana para os subúrbios,
têm surgido inúmeros problemas, essencialmente relacionados com a falta de planeamento.
Isto põe em causa a sustentabilidade do espaço urbano e a qualidade de vida da população.
Problemas Urbanísticos
Degradação do parque habitacional
Mesmo com todos os programas de reabilitação continua a verificar-se que existem muitos
edifícios degradados, devido a fatores como:
– Predomina o arrendamento, o que faz com que os proprietários não façam obras de
recuperação (costumam ser de longa duração e baixo valor);
– Os proprietários por serem idosos e/ou terem menos capacidade financeira não efetuam
obras de conservação;
– O abandono da propriedade (por motivos de morte ou outros), que ao desocuparem os
imóveis passa a lá residir população de baixos rendimentos;
– Envelhecimento da população nos centros históricos;
– Saída da população para a periferia;
Outro fator importante é o aparecimento de bairros clandestinos nas cidades, nos anos 70 e
80 do século XX, pois esta tinha grande oferta de emprego e espaços insuficientes para o
alojamento. Assim surgiram construções degradadas, desprovidas de serviços e com fracas
acessibilidades. Esta situação foi alterada nos finais de 1980 com a construção de bairros
sociais, para a população com menores recursos- programa PER.
A saturação das vias de transportes e infraestruturas
O contínuo crescimento demográfico deu origem à saturação do espaço e à incapacidade
das infraestruturas de dar resposta às necessidades da população. As cidades depararam-se
com os seguintes problemas:
– Insuficiência das redes de transporte de água, energia e saneamento (existência de muitos
resíduos e a dificuldade do tratamento de todos);
– Falta de estacionamento, que origina o estacionamento desordenado e a construção de
parques subterrâneos que, por sua vez, alteram as linhas de água do subsolo;
– Ineficácia dos meios de transporte coletivos;
– Dificuldade de acesso a serviços como a justiça, a saúde, as finanças, entre outros;
– Aumento da emissão de gases poluentes, produzidos pela elevada utilização de automóvel
particular, o que também aumenta os movimentos pendulares.
Problemas ambientais
Poluição sonora
Os níveis de ruído, principalmente derivados dos transportes, indústrias, espaços de lazer e
atividades económicas, condicionam a saúde e qualidade de vida da população.
Poluição atmosférica
A qualidade do ar das grandes aglomerações urbanas é um fator de grande importância. A
poluição atmosférica produzida pelas atividades económicas, transportes e outros resíduos,
condiciona a saúde da população e como consequência a qualidade de vida e bem-estar.
Ocupação e impermeabilização do solo:
Para dar resposta à falta de habitação, a construção destas tem invadido solos de várias
aptidões (agrícolas, florestais…) sensíveis de um ponto de vista ambiental. O uso do alcatrão
(por exemplo para a construção de estradas) potencia a impermeabilização dos solos e
impede a infiltração.
Aumento da temperatura (“ilhas urbanas de calor”):
Resulta principalmente da redução dos espaços verdes e o aumento da emissão de gases
poluentes, mas também podem resultar da(s):
– Construção de edifícios altos e todos juntos, que não permitem a passagem do vento que
ameniza a cidade;
– Impermeabilização do solo;
– Utilização de materiais de construção que reduzem a refletividade (betão, alcatrão…),
contribuem para o aumento de radiação solar absorvida pelo solo;
– Poluição causada pela atividade humana;
– Utilização de iluminação artificial da cidade.
Problemas sociais
Fadiga e Stress:
Podem ser causadas por diversos fatores, nomeadamente: os movimentos pendulares (que
aumentam o tempo que se passa nas filas de trânsito), a falta de tempo para as refeições e a
demora no acesso a serviços contribuem para a diminuição da qualidade de vida da
população.
Despovoamento, envelhecimento e solidão:
A terciarização das áreas centrais provocou o aumento do preço do solo e
consequentemente a saída da população mais jovem para a periferia, bem como a
degradação do edificado (população mais envelhecida). O envelhecimento da população e
a diminuição dos espaços verdes aumentaram os casos de solidão (por abandono e/ou
exclusão social.
Medidas para a melhoria das condições de vida urbana
A principal causa de todos estes problemas e como resultado a diminuição da qualidade de
vida da população foi a falta de planeamento urbano. Assim, na década de 80 (século XX)
foram implementados planos de ordenamento do território, chamados de instrumentos de
gestão do território (IGT) que têm como objetivo retificar as situações antes descritas.
Instrumentos de gestão territorial
– PNPOT (Plano Nacional da Política do Ordenamento do Território)
- É o instrumento do topo do sistema da gestão territorial;
- Define os objetivos e estabelece a organização do território;
- Serve de guia para os planos e programas que se seguem.
– PROT (Programas Regionais de Ordenamento de território)
- Definem uma estratégia regional do ordenamento do território;
- Tem em conta as opções estabelecidas a nível nacional e considera as estratégias
sub-regionais e municipais de desenvolvimento.
–PIOT (Plano intermunicipal de Ordenamento do território)
- Visam a articulação estratégica entre áreas territoriais interdependentes ou que
procuram as mesmas finalidades;
- Tem em vista a cooperação intermunicipal e assegura uma articulação entre os PROT
e os planos municipais.
– PMOT (Planos Municipais de Ordenamento do Território)
- PDM (Plano Diretor Municipal)- Define o que se faz no território, ou seja, uma
estratégia de desenvolvimento ordenado para o município e serve como referência
para os planos que se seguem;
- PU (Plano de Urbanização)- Desenvolve e concretiza o PDM, vendo com mais
pormenor onde se vão situar as infraestruturas e o aproveitamento do solo;
- PP (Plano de Pormenor)- Desenvolve e concretiza as propostas de ocupação de
qualquer área do território, isto é, implementar as infraestruturas, desenhar os
espaços de utilização coletiva, localizar os equipamentos de utilização coletiva (todos
os outros planos, mas ao pormenor).
A revitalização urbana é feita através da:
Reabilitação- Processo de transformação urbana, ou seja, a execução de obras de
conservação e recuperação de um edificado, de modo a melhorar as suas condições sem
alterar a função (programas- PRAUD, RECRIA, URBAN I e II, Jéssica e IFRRU)
Requalificação- Procura melhorar as condições físicas do edifício e espaços urbanos,
contemplando a alteração funcional (Programa- POLIS)
Renovação- Constitui um processo de intervenção mais profunda, consiste na demolição ou
destruição de edifícios e infraestruturas degradados, substituindo por um padrão urbano
moderno, dotado de melhores equipamentos e acessibilidades e a re-ocupação com
população de classes sociais de estatuto mais elevado (programa- PER).
As características da rede urbana
As cidades constituem um fator de grande importância para a organização do território, pois
estabelecem relações de complementaridade (troca de bens e serviços) ou
interdependência.
Dependendo da sua dimensão, funções oferecidas e área de influência pode ser uma rede
monocêntrica (rede urbana desequilibrada, onde grande parte da população ativa pertence
à principal aglomeração) ou pode ser uma rede policêntrica (rede urbana mais equilibrada
com várias aglomerações urbanas.
A rede urbana portuguesa é macrocéfala, ou seja, muito desequilibrada, isto pode se
atenuar com o desenvolvimento das cidades.
Distribuição das cidades portuguesas no território
O sistema urbano portugues também apresenta várias assimetrias a nível regional:
– As áreas metropolitanas destacam-se pela dimensão demográfica e oferta de funções;
– Uma mancha litoral de Viana do Castelo a Setúbal onde se situam um maior número de
cidades (Braga, Aveiro, Coimbra…);
– Uma mancha linear ao longo da costa algarvia onde se destacam algumas cidades mais
dinâmicas devido ao turismo;
– Uma rede de pequenas cidades médias no interior do país (Bragança, Vila Real, Castelo
Branco…), cujo crescimento atrai as áreas envolventes.
O sistema urbano português reflete um acentuado processo de litoralização e bipolarização
(despovoamento do interior), uma maior relevância para as duas áreas metropolitanas, no
entanto tem havido um aumento populacional em algumas cidades do interior do país, bem
como o desenvolvimento de centros urbanos periféricos, devido à suburbanização.
Hierarquia dos lugares na rede
Como já tinha referido, as cidades desempenham um papel fulcral na organização do
território. A acessibilidade, dimensão, diversidade e qualidade das funções oferecidas
determina a sua área de influência ou hinterland (área à volta de uma cidade central que se
encontra por ela influenciada, por esta atrair população, bens e serviços e emprego)
Uma cidade pode se considerar um lugar central se for dotado com boas acessibilidades e
exercer pelo menos uma função central, ou seja, qualquer atividade económica que fornece
bens (vulgares- de utilização frequente; raros- só acessíveis em determinados lugares) ou
serviços centrais (educação, saúde, cultura…).
A importância de um lugar central depende da extensão da área de influência, quanto mais
rara a função maior é a área, pois os mais raros são prestados por um menor número de
centros. Ou seja, os lugares centrais hierarquizam-se de acordo com a sua centralidade
(relação entre a quantidade e a especialização de bens e serviços), a rede urbana portuguesa
evidencia uma hierarquia funcional:
– As áreas metropolitanas apresentam um elevado número de funções e um elevado nível
de acessibilidade, principalmente a área metropolitana de lisboa;
– Litoral norte, centro e algarve apresentam uma boa oferta de funções e acessibilidade
média alta;
– Interior norte, centro e alentejo apresentam uma menor oferta funcional e acessibilidade
média baixa (Bragança, Viseu, Guarda, Covilhã, Beja…);
– Regiões autónomas, fraca oferta funcional e acessibilidade.
A rede urbana nacional num contexto Europeu
Ao contrário da rede urbana portuguesa, vários países de Europa apresentam sistemas
urbanos policêntricos (constituídos por várias cidades médias), logo redes urbanas mais
equilibradas, pois a população distribui-se por várias aglomerações urbanas (território que
independentemente dos limites administrativos apresenta características urbanas- áreas
metropolitanas).
Atenuar os desequilíbrios da rede urbana nacional
Apresenta contrastes de vários domínios:
– Dimensão
- Duas grandes cidades
- Poucas cidades de média dimensão
- Muitas cidades de pequena dimensão
– Repartição espacial
- Concentração de aglomerações urbanas no litoral
- Despovoamento no interior
– Funcional
- Predomínio de funções de níveis superiores