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A Formação Do Estado Relações Entre Política e Poder

sociologia

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Sociologia

Professora Edinete Maria

A formação do Estado:
relações entre política e
poder
Introdução
O poder na
Sociologia
Max Weber (1864-1920), a Sociologia define o
poder como uma capacidade de controlar
pessoas, situações, eventos e o destino de si
próprio e dos demais da maneira que melhor
convém. Poder é, simultaneamente, uma
capacidade e um objeto de dominação humana.
A socialização humana é marcada e forjada por
diversas formas e exercícios de poder. Guerras,
revoluções, atos heroicos, traições, conflitos, todos
os movimentos humanos têm como pano de
fundo uma disputa por poder.
Weber propõe três tipos de
poder:
Legal: fundado na Ordem Jurídica, este poder depende de leis e
estruturas judiciais que visam ordenar burocraticamente as ações
dos(as) cidadãos(cidadãs).

Tradicional: a base do poder tradicional se dá por costumes e


hábitos sociais que perduram e passam por gerações sem muitos
questionamentos, pois se tornam naturais para o funcionamento
daquela sociedade.

Carismático: sua base é o afeto pelo líder, que normalmente tem


o dom da palavra ou algum poder espiritual, tendo, portanto,
qualidades vistas como sagradas ou heroicas pelos seus
comandados.
A formação do
Estado

Estado, instituição social que detém o poder do


Governo e o monopólio do uso da força sobre o
povo
Com o esfacelamento do mundo feudal,
começamos a ter um novo tipo de Estado na
Europa. Lembremos que, nesse período, houve
revoltas sociais dos camponeses, crescimento das
cidades e dos burgos, gerando um consequente
enfraquecimento dos feudos.
Um novo modelo econômico, ainda mais centrado
no capital, começou a surgir e, desta forma, a
partir do século XIV, houve a centralização, por
parte dos governos, de instituições como Forças
Armadas, estrutura política, sistema
tributário/econômico, burocracia governamental
para administrar os setores públicos (educação,
transporte, saúde etc.) e todo um aparato de
convencimento das pessoas para aceitarem seus
governantes, seja de forma coagida ou não.
Vários pensadores teorizaram acerca do que
seria o Estado
Nicolau Maquiavel (1469-1527) Estado era
exercício de poder e que o governante tinha de fazer
tudo que estivesse ao seu alcance para manter-se no
poder.
Jean Bodin (1530-96), pensador francês
soberania do Estado não tem limites, pois não são
fronteiras ou populações que definem o Estado, mas
sim a ideia de poder.
Thomas Hobbes (1588-1679) Leviatã era
formado pelo corpo dos cidadãos que se
movimentavam em conjunto para satisfazer os
interesses do povo, mas sempre comandados pela
cabeça do rei.
John Locke (1632-1704), Caberia ao Estado
proteger a propriedade, a liberdade de expressão
e a livre iniciativa econômica. Enquanto a
propriedade seria passada por gerações através de
heranças, o poder político deveria ser democrático,
em um parlamento eleito pelo povo.
Montesquieu, como era conhecido o filósofo Charles-Louis
de Secondat (1689-1755) Montesquieu propõe dividir
esse poder em três: Legislativo (proporia as leis),
Executivo (executaria as leis) e Judiciário (fiscalizaria a
aplicação das leis). Com essa proposta, o filósofo visava
harmonizar as relações entre a monarquia, a nobreza e o
povo. Essa estabilidade entre os poderes, proposta por
Montesquieu, é praticada até hoje em diversos países
Jean-Jacques Rousseau (1712-78) achava que o
absolutismo do Leviatã de Hobbes e a liberalidade
de Locke eram grandes equívocos. Para ele, a
propriedade privada seria um pecado original da
sociedade, uma vez que, a partir da propriedade
privada, temos conflitos diversos por posse e
riqueza. Portanto, o ser humano, nascido bom,
fora corrompido pela sociedade.
Benja min Consta nt explicitou a o má ximo a
separação entre Estado e sociedade civil. Para ele,
desde os primórdios do ser humano, nas
sociedades havia uma maior liberdade política do
que privada e a liberdade estava condicionada ao
social, não à consciência.
É crítico voraz de Rousseau, pois acredita que a
igualdade seja uma intimidação à liberdade, uma
vez que, para esse pensador, liberdade se apoia
em diferença de classes e propriedade privada.
Georg Wilhelm Friedrich Hegel (1770-1831)
há uma diferenciação entre sociedade civil e
Estado, mas a sociedade civil não poderia existir
sem o Estado, uma vez que ele é seu
fundamento. O pensamento de Hegel diz que
não existiria povo sem Estado, pois é o Estado
que constrói e dá bases à sociedade,
personificado pelo monarca, ou seja, é o alicerce
social sobre o qual se constrói a sociedade civil.
O Estado absolutista
No Estado absolutista, não havia espaço para
menos favorecidos. A aliança de poder se dava
entre interesses de nobres dominantes (clero e
nobreza) e burguesia (comerciantes e industriais),
com concentração total de poder nas mãos do
soberano.
Para aumentar o comércio e a fabricação de
bens de consumo manufaturados, o Estado
intervinha fortemente na economia e se
expandia territorialmente por meio de colônias
marítimas, garantindo lucros e riquezas à
burguesia emergente.
O Estado liberal
No século XVII, como forte reação ao
absolutismo, surgiu o liberalismo, corrente que
propunha a valorização do individualismo, da
liberdade e da propriedade privada. Essa
corrente de pensamento era contrária à
participação do Estado na economia. O
Estado deveria ser laico, ou seja, não tomar
partido por religião alguma, deixando a cargo
do indivíduo a crença que lhe conviesse.
Para os liberais, o Estado deveria participar
apenas de movimentações políticas e não
econômicas.
Podemos destacar como impulsos para o
regime liberal

• Revolução Puritana Inglesa (1642-49)

• Revolução Gloriosa (1688)

• Revolução Francesa (1789-99),


As formas de Estado no século XX
Embora ainda tenha continuado existindo, o Estado
liberal viu surgir no início do século XX duas novas
concepções de Estado: o Estado soviético e o Estado
nazista. Posteriormente, após a Segunda Grande
Guerra, o mundo viu o surgimento de duas
variações do Estado liberal, a saber: o Estado de
bem-estar social e o neoliberalismo
O Estado
soviético
Em 1917, o mundo
assistiu ao início da
Revolução Russa, que
m u d o u
drasticamente os
arranjos de poder no
gigante país do leste.
Resultante da Revolução Russa, surgiu o Estado
soviético, um Estado socialista que propôs o fim
da propriedade privada para dar lugar a
propriedades socializadas ou coletivas, que,
teoricamente, buscariam atender às demandas
da população e não a lucros individuais,
privados
O Estado cresceu e ampliou sua abrangência. Em
1922, a constituição da URSS (União das
Repúblicas Socialistas Soviéticas) contava com
quatro repúblicas, mas, já em 1956, o Estado
soviético continha 15 repúblicas unidas sobre um
único comando.
Como uma das nações vencedoras da Segunda
Guerra Mundial, a URSS liderava o bloco chamado
de comunista. No entanto, em 1985, o modelo
soviético apresentava grandes sinais de desgastes, o
que foi acentuado em 1989 com a queda do muro
de Berlim e a posterior dissolução da URSS.

Mesmo com o final da gigante potência soviética,


há países que ainda usam o modelo de organização
estatal e centralização da economia com o poder
aglutinado em um partido único, como Cuba,
Vietnã, China e Coreia do Norte.
O Estado fascista
Entre as décadas de
1920 e 1940, uma
outra forma de Estado
surgiu
Politicamente, pertencer a um
Estado fascista significa ter total
adesão ao líder supremo, no caso,
Benito Mussolini na Itália e Adolf
Hitler na Alemanha. Portanto,
ninguém poderia criticar ou se
opor ao governo.
Inicialmente na Itália e posteriormente na
Alemanha, emergiu um modelo de Estado com
fortíssimo viés nacionalista, que glorificava as
cores pátrias e os heróis nacionais, além de,
economicamente, manter o capitalismo e a
propriedade privada. Esse modelo é o fascismo.
Nesse modelo, há uma forte identidade nacional,
todos os(as) cidadãos(cidadãs) compartilham a
mesma história épica e o mesmo destino glorioso.
Ademais, aqueles(as) que não fazem parte dessa
comunidade, seja por razões históricas, raciais ou
ideológicas, são considerados(as) inimigos da
nação, seja interna ou externamente.
No Estado fascista, a ordem e a obediência são a
base de um rígido princípio de autoridade, como
uma hierarquia militar

O nazifascismo teve forte expansão territorial,


principalmente por parte alemã. Vários países
europeus e também nações do norte da África
renderam-se diante do poderio militar nazista, o
que gerou a Segunda Guerra Mundial entre os
anos de 1939 e 1945
Após a Guerra, com Alemanha e Itália
derrotadas, o Estado nazifascista dissolveu-se,
mas podemos encontrar ainda ecos de suas
ideias nos dias atuais. O neonazismo se faz
presente em discursos de políticos em diversos
locais da Europa e é facilmente encontrado em
sites pela internet.
Estado
totalitário
a expressão Estado totalitário designa todas as
ditaduras com um só partido, sejam de viés
fascista ou comunista. O regime totalitário é
caracterizado por forte concentração de poder e
uso de técnicas modernas de propaganda para
sustentação das massas, além de violência extrema
para manter o poder e calar opositores.
O ditador, portanto, é fundamental. Toda a
organização partidária tem como objetivo
realizar a vontade do ditador, visto como ser
especial, dotado de capacidades únicas para levar
a nação ao seu futuro glorioso. É o ditador que
representa a ideologia e somente ele pode
interpretá-la ou corrigi-la
O Estado de bem-estar
social
Com uma característica de intervenção estatal na
economia, o Estado de bem-estar social, ou
simplesmente Estado social, regulava as atividades
econômicas, seja subsidiando, regulando e/ou
construindo grandes obras que gerariam empregos
e, teoricamente, garantiriam o bem-estar da
maioria da população.
Educação básica de qualidade, saúde, transporte,
lazer, moradia, trabalho e seguro-desemprego
faziam parte do pensamento do Estado social. Na
dinâmica keynesiana, de bem-estar social, a
maioria da população teria o mínimo de capital
para se tornar consumidora, trabalhando com
tranquilidade, sem depender exclusivamente da
bondade dos patrões e sem que estes se
preocupassem com a vida de seus empregados.
O Estado
neoliberal
O Estado seria
mínimo, assim
como defendia o
liberalismo, com o
mínimo possível
de intervenção
estatal na vida
dos(as)
cidadãos(cidadãs)
Os serviços públicos deveriam ser privatizados
para que fossem custeados por quem precisasse
deles.
Com o neoliberalismo, o que se vê é a presença
de grandes corporações financeiras e produtivas
ditando atos do Estado e questões políticas
dominadas pela economia. O que era público
agora é determinado por interesses privados e o
poder financeiro exclui aqueles que não se
enquadram na nova estrutura, marginalizando-
os.
A formação do Estado
brasileiro
No início da colonização, em 1534, a Coroa
Portuguesa dividiu o território brasileiro em 15
capitanias hereditárias, atribuídas a donatários
nomeados por D. João III.
Em 1548, foi instalado na Bahia, mais
especificamente em Salvador, o Governo-Geral,
cujo objetivo era centralizar a administração da
Colônia. Com extenso território, dificuldades de
transporte e comunicações, a Corte desenvolve um
sistema de Câmaras Municipais, que organizava
localmente cidades e vilas que surgiam no país,
tendo funcionado durante todo o Período Colonial.
Com a Independência do Brasil em 1822, foi
instalada uma monarquia constitucional, com
centralização de poder e um executivo forte,
personalizado na figura do imperador, que
nomeava os presidentes das províncias, cargo que
poderia ser comparado aos atuais governadores de
Estado. O poder político, entretanto, concentrava-
se nas mãos imperiais e, por volta do século XIX,
várias revoltas sacudiram o país, reivindicando
mais poderes para as províncias.
A Constituição de 1824, dividiu o poder em quatro
instâncias:

Poder Executivo (exercido pelo Imperador)

Poder Legislativo (Assembleia Nacional)

Poder Judiciário (Supremo Tribunal de Justiça)

Poder Moderador (prerrogativa única do


Imperador)
Com a república, em 1889, o Brasil começou a
viver o federalismo, primeiro com os Estados
Unidos do Brasil e depois com a República
Federativa do Brasil.
Também com o caráter republicano, o Brasil
adotou o modelo clássico dos três poderes:

Poder Executivo (exercido pelo Presidente da


República)

Poder Legislativo (Congresso Nacional)

Poder Judiciário (Supremo Tribunal Federal)


A república no
Brasil
Um ano e meio após a abolição da escravatura
no Brasil, os militares deram um golpe de
Estado e derrubaram o Império, instalando
um governo provisório que seria comandado
pelo Marechal Deodoro da Fonseca, em 1889.
Já em 1891, foi promulgada aquela que seria a
primeira constituição federativa e presidencialista do
País, que seguia o modelo de constituição
estadunidense.

Até o ano de 1930, prevaleceu em terras brasileiras a


chamada política do café com leite, na qual as
oligarquias paulista e mineira se alternavam no poder.
Para isso, os políticos usavam seu poder local para
manipular eleições com o chamado voto de cabresto,
que dava base ao poder latifundiário. A consequência
dessa configuração política era que a participação
efetiva nas decisões do Estado era privilégio apenas das
Uma revolução armada tomou o poder no país em
1930 e levou ao Governo Getúlio Vargas. Durante
15 anos, Getúlio eliminou partidos políticos e
proibiu eleições, ao mesmo tempo em que deu
ênfase ao setor industrial, colocou o trabalhismo
como projeto social, criou sindicatos de
trabalhadores e deu impulso à vasta propaganda
nacionalista
Getúlio cometeu suicídio em 1954 devido a crises
político-militares e, em 1955, Juscelino Kubitschek
assume o país. Em seu governo (1956-61), o Brasil
viveu um frenético crescimento econômico. Nessa
época, Brasília, a capital federal, foi construída. Em
1961, o presidente eleito Jânio Quadros renunciou
à presidência e o Brasil viveu um curto período de
parlamentarismo, entre 1961 e 1963
O golpe civil-militar de 1964, o qual implantou
uma ditadura no Brasil que perdurou até 1985.

Marcada por forte repressão, a Ditadura Militar


governou por atos autoritários e teve uma política
econômica desenvolvimentista, que estava atrelada
a grandes capitais estrangeiros.
Nessa época houve o "milagre brasileiro", período
marcado por rápido crescimento econômico seguido
de profunda crise financeira. Com alta de inflação,
índices de pobreza elevados e desemprego
galopante, a ditadura não conseguiu conter o
chamado processo de abertura democrática que
culminou na Campanha das Diretas Já, levando
milhares de pessoas às ruas para pedir o fim da
ditadura e eleições diretas para presidente.
Com o fim da ditadura no Brasil, a volta de
eleições diretas e a maior abertura para
participação política dos(as) cidadãos(cidadãs), o
Brasil promulgou, em 1988, sua Constituição,
conhecida como Constituição Cidadã, que está em
vigor até os dias atuais.
FIM

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