GRUPO 1
FERNANDO MAYER FUNARI FILHO
GABRIEL JOB SILVEIRA
GABRIEL ORSINI MAZIERO
GEAN LUCAS MARCON BATISTA
GUILHERME DIAS GOMES
GUILHERME DA SILVA FREITAS
CIRCUNSTÂNCIAS HISTÓRICAS DO SURGIMENTO DOS DOCUMENTOS
Convenção Internacional sobre a Eliminação de todas as Formas de
Discriminação Racial:
- Pós segunda guerra mundial – aberta a assinatura em 1966
- O ingresso de 17 novos países africanos na ONU, em 1960;
- A realização da Primeira Conferência de Cúpula dos Países Não-Alinhados,
em Belgrado, em 1961;
- O ressurgimento de atividades nazifascistas na Europa;
- Movimento dos Direitos civis, que ocorria na época.
- Foi elaborada em um momento histórico no qual existiam ainda Estados com
políticas internas oficiais de segregação racial, com a finalidade de promover e
encorajar o respeito universal e efetivo pelos direitos humanos, sem qualquer
tipo de discriminação, em especial a liberdade e a igualdade em direitos, tendo
em vista que a discriminação entre seres humanos constitui ameaça à paz e à
segurança entre os povos. Possui, em 2020, 182 Estados partes.
Convenção Interamericana contra Toda Forma de Discriminação e
Intolerância
- Foi adotada junto com outra a Convenção Interamericana contra o Racismo,
Discriminação Racial e Formas Conexas de Intolerância.
- Tratado assinado, mas não ratificado ainda pelo Brasil.
-Essas convenções tratam de atualizar e fazer avançar o acervo
antidiscriminatório do Direito Internacional dos Direitos Humanos, que tem seu
marco inicial na edição da Convenção da ONU sobre a Eliminação de Todas as
Formas de Discriminação Racial de 1965.
- Em junho de 2013, na Assembleia ordinária da Organização dos Estados
Americanos, realizada em Antígua, foram aprovadas duas importantes
convenções contra a intolerância e discriminação: a Convenção Interamericana
contra o Racismo, Discriminação Racial e Formas Conexas de Intolerância
(numerada como A-68) e a Convenção Interamericana contra Toda Forma de
Discriminação e Intolerância (numerada como A-69). A elaboração dessas
convenções teve início com a iniciativa, em 2000, da Assembleia Geral da
OEA, que recomendou ao Conselho Permanente que estudasse a
possibilidade de elaborar projeto de convenção interamericana para prevenir,
sancionar e erradicar o racismo e toda forma de discriminação e intolerância.
Em 2011, o Grupo de Trabalho encarregado da redação da minuta do texto
entendeu ser necessário dividir o projeto original, abandonando-se a ideia de
uma grande convenção antidiscriminação, uma vez que alguns Estados não
ratificariam uma convenção que abarcasse temas envolvendo identidade de
gênero e orientação sexual.
Princípios de Yogyakarta
- Nos anos 2000 se começa uma discussão sobre gênero
- Em 2005, as organizações de direitos Humanos fazem um levantamento
acerca da violência de gênero.
- Diferente das outras possui texto protetivo contra a discriminação de gênero.
- Em 2006, especialistas em direitos humanos (em nome próprio, sem
representarem os seus Estados de origem ou mesmo os órgãos internacionais
nos quais trabalhavam), reunidos em Yogyakarta, na Indonésia, elaboraram os
Princípios sobre a aplicação do direito internacional dos direitos humanos em
relação à orientação sexual e identidade de gênero (Princípios de Yogyakarta).
- Não é vinculante.
- Soft Law
EIXO TEMÁTICO
Grupos vulneráveis e minorias. Diversidades.
1- Universalidade dos direitos humanos: todos são sujeitos de direitos
2-Igualdade: não deve haver distinção de qualquer tipo no exercício e proteção
de direitos humanos
Explicar conceitos de Minoria, Vulneráveis e Interseccionalidade.
PNDH 3: Eixo orientador 3: universalizar direitos em um contexto de
desigualdades
Diretriz 10, objetivos estratégicos I: Garantia da igualdade na diversidade;
3- Responsabilização: dever dos Estados prevenir, combater, punir e eliminar
qualquer forma de discriminação.
Explicar conceitos de Racismo, Discriminação, Discriminação Múltipla,
Intolerância, Homofobia, Transfobia e Preconceito.
4- Medidas afirmativas: necessidade de adotar políticas de inclusão, evitando
a marginalização.
Explicar conceito de ações afirmativas.
5. Políticas Públicas:
Exemplificar algumas políticas públicas trazidas pelo Programa Estadual.
6. Educação e Sensibilização:
7. Mecanismos de Fiscalização e Implementação:
Mencionar as formas de fiscalização, especialmente as comissões e
mecanismos de proteção previstos nos documentos.
RELEVÂNCIA PARA A DEFESA DOS DIREITOS HUMANOS
1. A relevância da temática pode ser sintetizada sob 02 (dois) enfoques: I)
Reconhecimento das diferenças para a promoção da igualdade e dos Direitos
Humanos; II) Influência política, jurídica e social, em nível global e regional,
para a promoção dos Direitos Humanos.
I) Reconhecimento das diferenças para a promoção da igualdade e dos
Direitos Humanos
2. A DUDH reconhece que a “dignidade é inerente a todos os membros da
família humana” e que dessa igualdade “fundamenta-se a liberdade, a justiça e
a paz no mundo”.
3. Em razão de variadas circunstâncias (cite-se, por exemplo, o racismo
estrutural e institucional, por exemplo), identificou-se a necessidade de se ir
além, de se reconhecer as diversidades e diferenças entre os indivíduos e os
grupos sociais para concretizar verdadeiramente o princípio da igualdade, em
sua vertente material, substancial (aquela que se preocupa em promover
igualdade com políticas de equalização social a depender do discrime em
análise).
4. Nesse sentido, tanto a Convenção Internacional sobre a Eliminação de
todas as Formas de Discriminação Racial (DECRETO Nº 65.810, DE 8 DE
DEZEMBRO DE 1969) quanto a Convenção Interamericana contra o Racismo,
a Discriminação Racial e Formas Correlatas de Intolerância (DECRETO Nº
1.932, DE 10 DE JANEIRO DE 2022), preocupam-se com a eficácia na
implementação dos Direitos Humanos, ao preverem o compromisso dos
Estados signatários na adoção de medidas afirmativas, criação de leis penais
de combate ao racismo, conscientização por meio da educação, criação do
Comitê especial para fiscalizar a implementação de políticas públicas,
confecção de relatório (bianual) pelos Estados-partes, recebimento de
denúncias individual ou de grupos pelo Comitê e a possibilidade dele criar
Comissão de especialistas etc.
5. Dessa mesma forma, e com esse mesmo objetivo surgem os Princípios
de Yogyakarta (Indonésia, 2006), visando o estabelecimento de parâmetros de
concretização de respeito à diversidade sexual.
II) Influência política, jurídica e social, em nível global e regional, para a
promoção dos Direitos Humanos
6. No cenário global a doutrina cita que a Convenção Internacional sobre a
Eliminação de todas as Formas de Discriminação Racial de 1965 (internalizada
pelo BR em 1968) possui três relevantes fatores históricos que o
impulsionaram: 1) ingresso de dezessete novos países africanos na ONU em
1960; 2) a realização da Primeira Conferência de Cúpula dos Países Não-
Aliados em Belgrado em 1961; 3) o ressurgimento de atividades nazifascistas
na Europa.1
7. Nos EUA, por exemplo, leis de segregação racial, amparadas pela
doutrina do “separados, mas iguais” (“separate, but equal”), ratificada pela
1Artigo: CONVENÇÃO SOBRE A ELIMINAÇÃO DE TODAS AS FORMAS DE DISCRIMINAÇÃO
RACIAL. Disponível em https://www.pge.sp.gov.br/centrodeestudos/bibliotecavirtual/ - Flávia
Piovesan e Luis Carlos Rocha Guimarães.
Suprema Corte daquele país, também se insere como um antecedente
histórico importante.
8. Em contrapartida, por meio dessa Convenção Internacional, buscou-se
influenciar (política e juridicamente) toda a comunidade internacional em prol
da promoção dos Direitos Humanos e repressão a discriminação racial e a
intolerância a outras formas de discriminação.
9. No cenário interno, é importante consignar que o documento influenciou
a Constituição Federal de 1988. O Brasil, país em que por mais tempo, e em
maior escala, admitiu o sistema escravagista, de submissão dos negros a
pequena elite econômica branca, rompeu o silêncio e estabeleceu como um
dos objetivos fundamentais da República a promoção do bem de todos, sem
preconceitos origem, raça, sexo, cor, idade e quaisquer outras formas de
discriminação (art. 3º, IV), além de enunciar como princípio norteador do ente
soberano em suas relações internacionais o repúdio ao terrorismo e ao racismo
(art. 4º, VIII). O texto constitucional trouxe ainda mandamento de incriminação
de condutas racistas, como inafiançáveis e imprescritíveis. (HC 154.248) - ADO
26, rel. min. Celso de Mello, j. 13-6-2019, P, DJE de 6-10-2020. = MI 4.733, rel.
min. Edson Fachin, j. 13-6-2019.
10. Para combater o racismo estrutural (o racismo é uma decorrência da
própria estrutura social, ou seja, do modo “normal” com que se constituem as
relações políticas, econômicas, jurídicas e até familiares) o Brasil passou a
adotar ações afirmativas baseadas, sobretudo, em estudos históricos,
sociológicos e antropológicos sobre as relações raciais em nosso país.
Exemplo emblemático: as cotas nas universidades e em concursos públicos,
proporcionais (ADC 41 - refere-se ao respeito às diferenças e o acautelamento
das minorias no seu modo de viver e de, também, de ver o mundo; e ADPF 186
– partido político DEM questionou se os critérios utilizados pela UNB estariam
de acordo com o estabelecido pela Constituição Federal de 1988. Ao fim do
julgamento o STF decidiu pela constitucionalidade da política de cotas na
Universidade, sendo que o relatório final contribuiu para a elaboração da Lei nº
12.711/2012, também conhecida como a Lei de Cotas).
11. Como a CRFB adota o objetivo de erradicação da marginalização
(eficácia normativa) as instituições não podem optar por políticas públicas
universais, pois os processos de exclusão social incidem sobre pessoas que
fazem parte de grupos específicos. Defender apenas a igualdade formal e
neutralidade racial no Brasil é perpetuar práticas informais de exclusão que
preservam o privilégio branco, impedindo a construção de uma sociedade
racialmente igualitária. As ações afirmativas possibilitam a realização da
cidadania racial porque podem contribuir para a promoção da igualdade entre
negros e brancos em diferentes instâncias da vida social.
12. Como influência jurídica, pode-se citar, no âmbito do Estado de São
Paulo, a LEI Nº 14.187/2010, que dispõe sobre as penalidades administrativas
a serem aplicadas pela prática de atos de discriminação racial
13. Sobre o combate a outras formas de intolerância adotadas pelo Estado
Brasileiro, vale destacar a contribuição do documento, assim como a
Convenção interamericana de combate ao racismo e os princípios de
Yogyakarta, para se buscar conferir igualdade a população LGBTQIA+
(objetivo de produzir standards específicos para o tratamento dessa população
LGBTI), cabendo citar: a) PONTO 09: caso encarceradas, essas pessoas
possam participar das decisões relacionadas ao local de detenção adequado à
sua orientação sexual e identidade de gênero. INFORMATIVOS STF 2. ADPF
527: presas transexuais e travestis com identidade de gênero feminino possam
optar por cumprir penas em estabelecimento prisional feminino ou masculino.
Nesse último caso, elas devem ser mantidas em área reservada, como garantia
de segurança; b) PONTO 24 DIREITO DE CONSTITUIR FAMÍLIA - Toda
pessoa tem o direito de constituir uma família, independente de sua orientação
sexual ou identidade de gênero. As famílias existem em diversas formas.
Nenhuma família pode ser sujeita à discriminação com base na orientação
sexual ou identidade de gênero de qualquer de seus membros (ADPF 132).
14. Urge destacar, como influência jurídica desses documentos
internacionais na esfera estadual do Estado de São Paulo, a LEI Nº
10.948/2001 - Dispõe sobre as penalidades a serem aplicadas à prática de
discriminação em razão de orientação sexual.
SITUAÇÃO DOS DOCUMENTOS NA ORDEM JURÍDICA:
CONVENÇÃO INTERNACIONAL SOBRE A ELIMINAÇÃO DE TODAS AS
FORMAS DE DISCRIMINAÇÃO RACIAL
-182 Estados partes.
-Umas das convenções sobre direitos humanos mais antigas do Brasil
-Ratificada em 1968
-Promulgada pelo decreto 65.810, de 8 de dezembro de 1969
-Recepcionada pela CF com força de norma supralegal
Arcabouço jurídico interno relacionado:
-CF, artigo 3°, inciso 4: Objetivo de promover o bem de todos, sem
preconceitos de origem, raça, sexo, cor, idade e quaisquer outras formas de
discriminação
-CF reafirmou o comprometimento brasileiro de combate à discriminação racial
ao dispor, no seu art. 4º, VIII, o repúdio ao racismo como um dos princípios que
regem as relações internacionais brasileiras.
-CF: art. 5º, inciso 41, mandado de criminalização: a lei punirá qualquer
discriminação atentatória dos direitos e liberdades fundamentais;
- Estatuto da Igualdade Racial - Lei 12.288/2010
-Lei de crimes raciais, n° 7.716/89
- Lei n. 12.990/2014. Em 2017, o Supremo Tribunal Federal (STF), por
unanimidade na ADC n. 41, decidiu ser constitucional a Lei n. 12.990/2014,
pela qual ficam reservadas aos negros 20% das vagas oferecidas em
concursos públicos para provimento de cargos efetivos e empregos públicos
no âmbito da administração pública federal direta e indireta
-Em junho de 2024 STF prorrogou a validade desta lei
CONVENÇÃO INTERAMERICANA CONTRA O RACISMO, DISCRIMINAÇÃO
RACIAL E FORMAS CONEXAS DE INTOLERÂNCIA
-Ratificada por 6 países: Brasil, Costa Rica, Uruguai, Equador, México e
Antígua e Barbuda
-Promulgada pelo decreto nº 10.932, de 10 de janeiro de 2022
-Integra o bloco de constitucionalidade brasileiro (ao lado da Convenção de
Nova York e do Tratado de Marraqueche)
- Rito do artigo 5§, 3, da CF: aprovada pelas duas casas do congresso, em
dois turnos de votação por 3/5 dos votos dos respectivos membros.
Arcabouço jurídico interno relacionado: idem à convenção internacional.
Bem vinda a adesão por ser posterior a CF de 1988, reafirmando o
compromisso do Brasil ao combate da discriminação racial, vez que a
convenção internacional era anterior a 88.
PINCIPIOS DE YOGYAKARTA
-Normas de soft law derivada: origem privada
-Natureza não vinculante
-Importante função interpretativa e persuasiva.
-Não foram internalizadas formalmente
Arcabouço jurídico interno relacionado:
-CF, artigo 3°, inciso 4: Objetivo de promover o bem de todos, sem
preconceitos de origem, raça, sexo, cor, idade e quaisquer outras formas de
discriminação.
-Superior Tribunal de Justiça no qual ficou estabelecido ser possível a
alteração do sexo constante no registro civil de transexual que comprove
judicialmente a mudança de gênero, independentemente da realização de
cirurgia de adequação sexual.
O Mininstro Luis Felipe Salomão mencionou expressamente os princípios de
Yogyakarta.
- O STF foi além e estabeleceu no Recurso Extraordinário n. 670.422 e na ADI
n. 4.275:
1) A alteração poderá ser feita tanto pela via judicial como diretamente pela
via administrativa
2) Essa alteração deve ser averbada à margem do assento de nascimento,
vedada a inclusão do termo ‘transgênero’;
3) Nas certidões do registro não constará nenhuma observação sobre a
origem do ato, vedada a expedição de certidão de inteiro teor, salvo a
requerimento do próprio interessado ou por determinação judicial;
- O Supremo Tribunal Federal também inseriu a homotransfobia como forma de
racismo, criminalizando a conduta à luz da Lei n. 7.716/89 (Mandado de
Injunção n. 4.733 e ADO 26).
Citação do relator, Min. Fachin do Princípio n. 1 de Yogyakarta,
(i) foi reconhecida a intensidade da mora do Congresso Nacional e a
ausência de perspectiva de proteção criminal da homotransfobia,
mais de 30 anos após a edição da CF/88;
(ii) o uso temporário dos tipos penais da Lei n. 7.716/89, até que o
Congresso Nacional legisle, combate a proteção deficiente dos
direitos humanos e se cumpre o mandado de criminalização da
CF/88 (art. 5º, inciso 41) é proporcional e respeita a proteção a
grupos vulneráveis que se espera do Estado Democrático de Direito
INFLUÊNCIA NA AÇÃO DA POLÍCIA CIVIL
Objetivo Comum:
● Documentos internacionais e nacionais visam promover a igualdade e
eliminar todas as formas de discriminação.
Políticas Internas
● Implementação de políticas que promovam a igualdade e combatam a
discriminação, seguindo o PNDH-3 e o Programa Estadual de Direitos
Humanos.
● Policiais negros são minoria nas polícias do Brasil: 150 mil dos 385 mil
PMs e menos de 24 mil dos 94 mil policiais civis.
● A pesquisa de Livio Rocha aborda o racismo organizacional na polícia,
destacando a estratificação racial nas hierarquias policiais.
Treinamento e Capacitação
● Necessidade de treinamento para lidar com discriminação racial, de
gênero e outras intolerâncias, conforme as convenções internacionais e
os Princípios de Yogyakarta.
● Desenvolvimento de programas de formação em direitos humanos para
policiais e lideranças comunitárias.
Ações de Sensibilização
● Promoção de campanhas de educação sobre direitos humanos e
discriminação.
● Lançamento da Delegacia da Diversidade Online para registrar
ocorrências de intolerância e preconceito por diversidade sexual e de
gênero.
● Atualização do Decreto Nº 57.537, prevendo a repressão de crimes
raciais e de intolerância.
Portaria DGP 44/2021
● Define atribuições para atendimento de ocorrências relacionadas à
discriminação e preconceito.
● Distribuição das atribuições de investigação entre diferentes delegacias
conforme a autoria e localidade dos crimes.
Portaria DGP nº 19, de 22 de agosto de 2023
● Normas sobre o uso de redes sociais pelos policiais civis, proibindo a
publicação de conteúdos discriminatórios.
Seminário Polícia Judiciária e Lei 14.532/2023
● Realizado pela ACADEPOL, enfatiza a independência dos delegados na
interpretação da lei sobre injúria racial.
Monitoramento e Fiscalização
● Criação de mecanismos para garantir que a atuação da Polícia Civil
esteja conforme os princípios de direitos humanos.
● Proposta de fortalecer a Ouvidoria da Polícia e as corregedorias
administrativas.
Atendimento às Vítimas
● Desenvolvimento de protocolos de atendimento e proteção para vítimas
de discriminação e violência, conforme os Princípios de Yogyakarta e
convenções internacionais.
CONCLUSÃO:
● A Polícia Civil deve ser guiada por esses documentos para promover
igualdade, combater discriminação e proteger efetivamente os direitos
de todas as pessoas.
● - A Convenção Interamericana contra o Racismo dispõe expressamente
sobre a interseccionalidade;
● - a Convenção Internacional sobre a Eliminação de todas as Formas de
Discriminação Racial não aborda expressamente a temática de
interseccionalidade e nem cita que os indivíduos vítimas de
discriminação racial também estão expostos a outros critérios de
discriminação. Apenas diz em seus considerandos que “[...] todos os
homens são iguais perante a lei e têm o direito à igual proteção contra
qualquer discriminação e contra qualquer incitamento à discriminação,”
● - a Declaração e Plano de Ação de Durban, refere expressamente as
vítimas de racismo “[...] podem sofrer múltiplas ou agravadas formas de
discriminação calcadas em outros aspectos correlatos como sexo,
língua, religião, opinião política ou de qualquer outro tipo, origem social,
propriedade, nascimento e outros.”
● - Não há no sistema global e interamericano tratados específicos sobre a
matéria LGBTQIA+
● - Os Princípios de Yogyakarta foram elaborados por um grupo de
especialistas e nenhum estado esteve presente na elaboração do texto
internacional. O documento não está vinculado a nenhum sistema de
proteção de direitos humanos.
● - o documento trata da interseccionalidade ao mencionar que “A
discriminação baseada na orientação sexual ou identidade de gênero
pode ser, e comumente é, agravada por discriminação decorrente de
outras circunstâncias, inclusive aquelas relacionadas ao gênero, raça,
idade, religião, necessidades especiais, situação de saúde e status
econômico.”
● - o PNDH-3, no eixo orientador III (universalizar direitos em um contexto
de desigualdades), dentro da diretriz 9 (Combate às desigualdades
estruturais) destina ações programáticas específicas para as populações
negras; e na diretriz 10 (Garantia da igualdade na diversidade) traça de
ações programáticas para Garantia do respeito à livre orientação sexual
e identidade de gênero.
● - o Programa Estadual de Direitos Humanos, ao propor ações para o
governo e sociedade, no Capítulo dos Direitos Civis e Políticos, destina
ações específicas para a população negra e homossexuais e
transexuais.
● - opinião do grupo: tanto o sistema ONU, quanto o sistema
interamericano, poderiam adotar um tratado temático da população
LGBTQIA+. Até agora só temos uma normativa soft law (Princípios de
Yogyakarta). Eventual convenção seria muito bem vinda, uma vez que
os tribunais superiores usualmente se ocorrem dessa norma
internacional para fundamentar suas decisões.