Agenda 2030 ODS 3 Assegurar Uma Vida Saudavel
Agenda 2030 ODS 3 Assegurar Uma Vida Saudavel
Coordenação
Enid Rocha Andrade da Silva
José Eduardo Brandão
Equipe técnica
Fundação pública vinculada ao Ministério do Planejamento
Valeria Rezende de Oliveira
e Orçamento, o Ipea fornece suporte técnico e institucional Rubia Quintão
às ações governamentais – possibilitando a formulação de
inúmeras políticas públicas e programas de desenvolvimento
brasileiros – e disponibiliza, para a sociedade, pesquisas e
estudos realizados por seus técnicos.
Como citar:
INSTITUTO DE PESQUISA ECONÔMICA APLICADA. Agenda 2030: objetivos de desenvolvimento sustentável: avaliação do progresso das principais
metas globais para o Brasil: ODS 3: assegurar uma vida saudável e promover o bem-estar para todas e todos, em todas as idades. Brasília: Ipea, 2024. 22 p.
(Cadernos ODS, 3). DOI: http://dx.doi.org/10.38116/ri2024ODS3
As publicações do Ipea estão disponíveis para download gratuito nos formatos PDF (todas) e ePUB (livros e periódicos). Acesse: https://www.ipea.gov.br/
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As opiniões emitidas nesta publicação são de exclusiva e inteira responsabilidade dos autores, não exprimindo, necessariamente, o ponto de vista do
Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada ou do Ministério do Planejamento e Orçamento.
É permitida a reprodução deste texto e dos dados nele contidos, desde que citada a fonte.Reproduções para fins comerciais são proibidas.
Apresentação
APRESENTAÇÃO
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Cadernos ODS
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ODS 3: Assegurar uma vida saudável e promover o bem-estar para todas e todos, em todas as idades
1 O BRASIL E O ODS 33
Em 2015, ao se tornar signatário da Agenda 2030, o Brasil assumiu o compromisso relacionado
ao ODS 3 de “assegurar uma vida saudável e promover o bem-estar para todas e todos, em
todas as idades”, o que envolve o cumprimento de treze metas, acompanhadas a partir de
28 indicadores globais, para monitoramento do alcance dessas metas.
O ODS 3 assume um papel fundamental no contexto brasileiro, face aos diversos obs-
táculos que o país enfrenta. Estes incluem disparidades no acesso aos serviços de saúde,
a propagação persistente de doenças infecciosas, o aumento das enfermidades crônicas
vinculadas a hábitos pouco saudáveis, além das ainda preocupantes taxas de mortalidade
materna e infantil, e por causas externas. A questão da saúde mental também figura como um
desafio premente, com índices elevados de depressão, ansiedade e suicídio. Diante disso, o
ODS 3 emerge como uma ferramenta crucial, ao direcionar políticas e ações voltadas para a
equidade nos sistemas de saúde, implementação de medidas preventivas eficazes, garantia
de acesso universal a serviços de qualidade e promoção de estilos de vida saudáveis. Assim,
contribui de forma significativa para o avanço do desenvolvimento sustentável do Brasil.
Em 2018, o processo de adequação das metas globais à realidade do país, conduzi-
do pelo Ipea em nome da Comissão Nacional dos ODS, contou, no caso do ODS 3, com a
participação de mais de oitenta servidores de vinte órgãos federais, e o produto obtido foi
submetido à consulta pública, resultando em uma proposta de readequação de doze me-
tas, que tiveram alteração de texto e/ou de parâmetro quantitativo, dando origem às metas
nacionais (Sá et al., 2020).
No entanto, no cenário federal, no período de 2019 a 2022, agravou-se o problema de
financiamento da saúde e houve interrupções de políticas efetivas relativas à Agenda 2030,
devido a medidas de austeridade fiscal e de despriorização dos ODS. Essas mudanças trou-
xeram desafios relacionados à disponibilidade de recursos para a saúde e para as políticas
que visam abordar os determinantes sociais da saúde. Esses fatores contribuíram para uma
estagnação ou mesmo retrocesso em diversos indicadores, o que coloca em risco o cum-
primento das metas estabelecidas.
Além disso, a pandemia da covid-19 revelou as fragilidades do governo e demais atores
em lidar com emergências sanitárias, ao mesmo tempo que demandou abordagens multidi-
mensionais para o manejo de problemas complexos. As desigualdades estruturais, eviden-
ciadas pela distribuição desigual dos determinantes sociais da saúde no Brasil, aumentaram
significativamente a probabilidade de infecção e morte durante a pandemia. O impacto social
e econômico da crise sanitária também reproduziu e acentuou antigas iniquidades em saúde.
Com a retomada da agenda dos ODS como uma prioridade de governo a partir de 2023,
diversas políticas vêm sendo impulsionadas e estão expressas no Plano Plurianual (PPA)
2024-2027, principal instrumento de planejamento estratégico das políticas públicas no país
(Brasil, 2023b). Vale destacar que o processo de elaboração do PPA 2024-2027 contou com
a participação popular, que vem sendo valorizada, assim como considerou as contribuições
de instituições não governamentais na avaliação das políticas públicas, a exemplo do Rela-
tório Luz, do Grupo de Trabalho da Sociedade Civil para a Agenda 2030.
1. Especialista em políticas públicas e gestão governamental na Diretoria de Estudos e Políticas Sociais do Instituto de Pesquisa
Econômica Aplicada (Disoc/Ipea). E-mail: [email protected].
2. Especialista em políticas públicas e gestão governamental na Disoc/Ipea. E-mail: [email protected].
3. Colaboraram com a produção deste texto técnicos do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), da Fundação Oswaldo
Cruz (Fiocruz) e do Ministério da Saúde. A relação de colaboradores encontra-se no expediente institucional.
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Cadernos ODS
BOX 1
Diálogo entre as recomendações do Relatório Luz 2023 e as iniciativas do governo federal
A análise do Grupo de Trabalho da Sociedade Civil para a Agenda 2030 sobre o ODS 3 revelou que as restrições orçamentá-
rias impostas ao financiamento federal do Sistema Único de Saúde (SUS), devido à regra fiscal em vigor entre 2017 e 2022,
juntamente com os impactos da pandemia de covid-19, resultaram no retrocesso ou na ameaça à maioria das metas esta-
belecidas para esse objetivo. Diante desse cenário desafiador, o grupo propôs uma série de medidas ao governo, das quais
algumas se destacam. A seguir, apresentam-se as iniciativas que o governo tem adotado para enfrentá-las.
Recomendações
- Assegurar, no mínimo, sete consultas de pré-natal a todas as pessoas gestantes, para reduzir a mortalidade materna, e
aumentar o orçamento para atenção básica e serviços de saúde obstétrica.
- Fortalecer os programas de tratamento e diagnóstico precoce e ações de promoção à saúde, especialmente na aten-
ção primária.
- Assegurar e ampliar a cobertura vacinal da população brasileira, além de desmistificar fake news em relação à segurança
e eficácia de vacinas.
Iniciativas governamentais
- Reconstrução da Rede Cegonha, fortalecimento da Estratégia Saúde da Família (ESF), ampliação do Programa Mais
Médicos (PMM).
- Fortalecimento da ESF, ampliação do PMM, ampliação do financiamento das equipes de atenção primária nos municípios.
- Fortalecimento do Programa Nacional de Imunizações (PNI), Movimento Nacional pela Vacinação e Programa Saúde com Ciência.
Como uma das principais prioridades do governo, o fortalecimento do SUS visa pro-
porcionar atendimento universal e de qualidade, com o objetivo de se reduzirem as desi-
gualdades geográficas e sociais no acesso aos serviços de saúde. No âmbito do SUS, por
exemplo, o PNI, um dos maiores programas de imunizações do mundo, oferece 45 diferentes
imunobiológicos para toda a população. Paralelamente, o PMM leva atendimento qualificado
para regiões remotas e carentes de profissionais da medicina. E a ESF, aliada a campanhas
educativas e estratégias de conscientização da população, reforça o enfoque preventivo
retomado no ano de 2023.
Ademais, a população privada de liberdade, em situação de rua, pessoas com deficiência,
ribeirinhos, indígenas e outros públicos têm sido incluídos, de forma específica, nas políticas
de saúde, com o objetivo de “não deixar ninguém para trás”.
O governo também tem feito esforços para aprimorar a infraestrutura e a capacidade de
resposta do sistema de saúde, por meio do Novo PAC da Saúde.4 Trata-se de um programa
estruturante, que destina investimentos em expansão das redes de atenção primária e espe-
cializada de saúde, com construção de novas unidades básicas de saúde (UBS), estendendo
os serviços para milhares de municípios e territórios indígenas, de forma integrada às equipes
de saúde da família. Além disso, direciona recursos para a rede de atenção especializada,
com construção de novas policlínicas, maternidades, hospitais, centros especializados, ofi-
cinas ortopédicas, ambulâncias e centrais de regulação. Também estão incluídas medidas
para o fortalecimento da saúde digital, preparação para emergências sanitárias e aumento
da capacidade produtiva nacional de fármacos, biofármacos, vacinas e hemoderivados.
O Plano Nacional de Saúde (PNS) 2024-2027 (Brasil, 2023a), que orienta estrategica-
mente as ações de saúde nos níveis federal, estadual, distrital e municipal, é também uma
ferramenta fundamental para balizar as escolhas orçamentárias para a melhoria do sistema
de saúde. Seus objetivos fundamentais incluem: fortalecer a atenção primária, ampliando
4. O Novo PAC é um programa de investimentos coordenado pelo governo federal, em parceria com o setor privado, os estados, os
municípios e movimentos sociais. Disponível em: https://www.gov.br/casacivil/pt-br/novopac/saude.
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ODS 3: Assegurar uma vida saudável e promover o bem-estar para todas e todos, em todas as idades
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Cadernos ODS
O quadro 1 apresenta, de forma ilustrativa, a evolução dos indicadores das metas glo-
bais do ODS 3.
QUADRO 1
Evolução das metas globais do ODS 3
Progresso das metas
Objetivo 3 – Assegurar uma vida saudável e promover o bem-estar para todos, em todas as idades
Evolução
Avaliação
Meta Indicador global dos
das metas
indicadores
3.1 – Até 2030, reduzir a taxa de mortalidade 3.1.1 – Razão da mortalidade materna.
materna global para menos de 70 mortes 3.1.2 – Proporção de nascimentos assistidos
por 100.000 nascidos vivos. por pessoal de saúde qualificado.
3.2 – Até 2030, acabar com as mortes 3.2.1 – Taxa de mortalidade em menores
evitáveis de recém-nascidos e crianças de 5 anos.
menores de 5 anos, com todos os países
objetivando reduzir a mortalidade neonatal
para pelo menos até 12 por 1.000 nascidos
vivos e a mortalidade de crianças menores 3.2.2 – Taxa de mortalidade neonatal.
de 5 anos para pelo menos até 25 por 1.000
nascidos vivos.
3.3.1 – Número de novas infecções por
HIV por mil habitantes, por sexo, idade e
populações específicas.
3.3.2 – Taxa de Incidência de tuberculose
3.3 – Até 2030, acabar com as epidemias por 100 mil habitantes.
de AIDS, tuberculose, malária e doenças
3.3.3 – Taxa de incidência da malária por
tropicais negligenciadas, e combater a
mil habitantes.
hepatite, doenças transmitidas pela água,
e outras doenças transmissíveis. 3.3.4 – Taxa de incidência da hepatite B
por 100 mil habitantes.
3.3.5 – Número de pessoas que necessitam
de intervenção contra doenças tropicais
negligenciadas (DTN).
3.4 – Até 2030, reduzir em um terço a 3.4.1 – Taxa de mortalidade por doenças
mortalidade prematura por doenças não do aparelho circulatório, tumores malignos,
transmissíveis por meio de prevenção e diabetes mellitus e doenças crônicas
tratamento, e promover a saúde mental e respiratórias.
o bem-estar. 3.4.2 – Taxa de mortalidade por suicídio.
3.5.1 – Cobertura das intervenções
(farmacológicas, psicossociais, de reabilitação
3.5 – Reforçar a prevenção e o tratamento e de pós-tratamento) para o tratamento do
do abuso de substâncias, incluindo o abuso abuso de substâncias.
de drogas entorpecentes e uso nocivo
do álcool. 3.5.2 – Consumo de álcool em litros de
álcool puro per capita (com 15 anos ou
mais) por ano.
3.6 – Até 2020, reduzir pela metade as
3.6.1 – Taxa de mortalidade por acidentes
mortes e os ferimentos globais por acidentes
de trânsito.
em estradas.
3.7 – Até 2030, assegurar o acesso 3.7.1 – Proporção de mulheres em idade
universal aos serviços de saúde sexual reprodutiva (15 a 49 anos) que utilizam
e reprodutiva, incluindo o planejamento métodos modernos de planejamento familiar.
familiar, informação e educação, bem 3.7.2 – Número de nascidos vivos de mães
como a integração da saúde reprodutiva adolescentes (grupos etários 10-14 e 15-19)
em estratégias e programas nacionais. por 1 000 mulheres destes grupos etários.
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ODS 3: Assegurar uma vida saudável e promover o bem-estar para todas e todos, em todas as idades
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Cadernos ODS
3 METAS E DESTAQUE
Meta 3.1 (global) – Até 2030, reduzir a taxa de mortalidade materna global para menos
de 70 mortes por 100 mil nascidos vivos.
Meta 3.1 (nacional) – Até 2030, reduzir a razão de mortalidade materna para no máximo
30 mortes por 100 mil nascidos vivos.
No Brasil, algumas metas globais podem não se alinhar adequadamente com as questões
nacionais, muitas vezes sendo direcionadas a países menos desenvolvidos ou baseadas em
critérios que o Brasil já alcançou, permitindo, assim, a adoção de objetivos mais ambiciosos.
Esse é o caso da meta global 3.1 – Até 2030, reduzir a taxa de mortalidade materna global
para menos de 70 mortes por 100 mil nascidos vivos, prioritária para o Brasil, que atingiu, em
2015, a razão de mortalidade materna (RMM) de 62 óbitos por 100 mil nascidos vivos, resul-
tando na proposta de uma meta nacional de 30 mortes por 100 mil nascidos vivos. Entre 2016
e 2019, o Brasil apresentou uma sequência de reduções na RMM. No entanto, essa tendência
de queda foi interrompida pelo aumento expressivo da mortalidade nos anos pandêmicos,
tendo a taxa ultrapassado 117 mortes por 100 mil nascidos vivos em 2021 (gráfico 1).
GRÁFICO 1
Razão da mortalidade materna – Brasil (2016-2022)
(Em óbito materno por 100 mil nascidos vivos)
140,0
117,4
120,0
100,0
80,0 74,7
64,4 64,5
59,1 57,9 57,7
60,0
40,0
20,0
0,0
2016 2017 2018 2019 2020 2021 2022
Fontes: Sistema de Informações sobre Nascidos Vivos do Ministério da Saúde (Sinasc/MS) e Sistema de Informação sobre Mortalidade
(SIM/MS). Disponível em: https://odsbrasil.gov.br/objetivo3/indicador311. Acesso em: 28 fev. 2024.
A escassez de leitos para gestações de alto risco e a falta de terapia intensiva especiali-
zada para gestantes, além da interrupção de serviços essenciais de saúde sexual, reprodutiva
e materna, durante esse período, podem explicar essa piora. Como se observa pelos dados
contidos no gráfico 1, a tendência de redução da mortalidade materna foi retomada em 2022,
sendo alcançada uma taxa de 57,7 mortes por 100 mil nascidos vivos, inferior à meta global
determinada pela ONU de 70 óbitos por 100 mil nascidos vivos, mas ainda distante da meta
nacional, estipulada em 30 óbitos por 100 mil nascidos vivos.
Dessa forma, para o alcance da meta nacional até 2030, há desafios significativos a en-
frentar, considerando-se que seria necessária uma diminuição de 27,7 pontos nos próximos
seis anos, uma queda de cerca de 4,6 pontos por ano, o que seria muito superior ao ritmo
de redução observada entre os anos de 2016 e 2022 (queda de apenas 6,7 pontos em todo
o período). Esses dados evidenciam uma lacuna substancial entre os progressos realizados
até o momento e a trajetória necessária para alcançar o objetivo mais ambicioso estabelecido
pelo Brasil por meio da meta nacional.
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ODS 3: Assegurar uma vida saudável e promover o bem-estar para todas e todos, em todas as idades
Outra questão relevante é a desagregação dos dados de mortalidade materna por raça/
cor da pele, uma vez que no Brasil existe uma desproporcionalidade da mortalidade materna
entre as mulheres pretas, cujo risco de óbito é de aproximadamente o dobro em comparação
com o das mulheres brancas (Leal et al., 2023). A RMM entre indígenas também supera a
média nacional, com menor realização de consultas pré-natais entre as mulheres indígenas
em comparação com as brancas (Garnelo et al., 2019). As diferenças regionais também
contribuem para variações na mortalidade materna, sendo os estados das regiões Norte,
Nordeste e Centro-Oeste mais afetados em comparação com os estados das regiões Sul e
Sudeste, que são mais ricos (Ferreira, Coutinho e Queiroz, 2023). Por essa razão, no Brasil, as
desagregações dos indicadores de mortalidade materna por raça/cor da pele, etnia e região
de moradia são fundamentais para sinalizar o maior esforço que o país precisa empreender
para avançar e “não deixar ninguém para trás”.
Meta 3.7 (global) – Até 2030, assegurar o acesso universal aos serviços de saúde sexual
e reprodutiva, incluindo o planejamento familiar, informação e educação, bem como a
integração da saúde reprodutiva em estratégias e programas nacionais.
Meta 3.7 (nacional) – Até 2030, assegurar o acesso universal aos serviços e insumos de
saúde sexual e reprodutiva, incluindo o planejamento reprodutivo, à informação e à educa-
ção, bem como a integração da saúde reprodutiva em estratégias e programas nacionais.
Entre 2016 e 2022, o indicador 3.7.2, que mede o número de nascidos vivos de mães
adolescentes (10 a 19 anos), registrou redução de 31,2 nascidos vivos por 1 mil mulheres
para 21,6 (gráfico 2), indicando um progresso considerável do Brasil nessa área. No entanto,
ainda não é possível fazer uma análise sobre o desempenho do indicador 3.7.1 – Proporção
de mulheres em idade reprodutiva (15 a 49 anos) que utilizam métodos modernos de pla-
nejamento familiar, que ainda está em construção.
GRÁFICO 2
Número de nascidos vivos de mães adolescentes (10 anos-19 anos), por 1 mil mulheres
destes grupos etários – Brasil (2016-2022)
(Em nascidos vivos por 1 mil mulheres)
35,0
31,2
30,5
29,4
30,0
27,5
25,5
24,7
25,0
21,6
20,0
15,0
10,0
5,0
0,0
2016 2017 2018 2019 2020 2021 2022
Fontes: Sinasc/MS; retroprojeção da população 2000/2010 (IBGE); e projeções da população do Brasil e Unidades da Federação por
sexo e idade: 2010-2060 – ano de referência 2018 (IBGE). Disponível em: https://odsbrasil.gov.br/objetivo3/indicador372. Acesso
em: 28 fev. 2024.
Meta 3.2 (global) – Até 2030, acabar com as mortes evitáveis de recém-nascidos e
crianças menores de 5 anos, com todos os países objetivando reduzir a mortalidade
neonatal para pelo menos até 12 por 1 mil nascidos vivos e a mortalidade de crianças
menores de 5 anos para pelo menos até 25 por 1 mil nascidos vivos.
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Cadernos ODS
GRÁFICO 3
Taxas de mortalidade de menores de 5 anos e mortalidade neonatal – Brasil (2016-2022)
(Em óbitos por 1 mil nascidos vivos)
18,0
16,4
15,6 15,2 15,4 15,5
16,0
14,5
14,0
14,0
12,0
9,6 9,5 9,2
10,0 9,1 8,8 8,8 8,7
8,0
6,0
4,0
2,0
0,0
2016 2017 2018 2019 2020 2021 2022
Fontes: Coordenação Geral de Informações e Análises Epidemiológicas da Secretaria de Vigilância em Saúde do Ministério de Saúde
(CGIAE/SVS/MS).
Obs.: Dados estimados utilizando-se a metodologia do Busca Ativa. Disponível em: https://odsbrasil.gov.br/objetivo3/indicador321 e
https://odsbrasil.gov.br/objetivo3/indicador322. Acesso em: 28 fev. 2024.
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ODS 3: Assegurar uma vida saudável e promover o bem-estar para todas e todos, em todas as idades
A meta 3.2 (nacional) somente será alcançada se o Brasil obtiver: i) taxa de diminuição
dos valores do indicador de mortalidade de menores de 5 anos seis vezes maior entre 2023
e 2030 (0,93 óbito por 1 mil nascidos vivos por ano) do que a observada entre 2016 e 2022
(0,15 óbito por 1 mil nascidos vivos por ano); e ii) taxa de diminuição dos valores do indicador
de mortalidade neonatal três vezes maior entre 2023 e 2030 (0,46 óbito por 1 mil nascidos
vivos por ano) do que a observada entre 2016 e 2022 (0,15 óbito por 1 mil nascidos vivos
por ano). Ainda que o governo esteja empreendendo esforços para melhorar as condições
de vida da população, por meio do reforço de políticas existentes e da implementação de
novas políticas econômicas, sociais e ambientais, parece pouco provável o alcance desta
meta em sete anos.
Meta 3.4 (global) – Até 2030, reduzir em um terço a mortalidade prematura por doenças
não transmissíveis por meio de prevenção e tratamento, e promover a saúde mental e
o bem-estar.
Meta 3.4 (nacional) – Até 2030, reduzir em um terço a mortalidade prematura por
doenças não transmissíveis via prevenção e tratamento, promover a saúde mental e o
bem-estar, a saúde do trabalhador e da trabalhadora, e prevenir o suicídio, alterando
significativamente a tendência de aumento.
Quanto à meta global 3.4, houve discreta melhora do indicador de óbitos por doenças
do aparelho circulatório, tumores malignos, diabetes mellitus e doenças crônicas respirató-
rias, e piora da taxa de mortalidade por suicídio, entre 2016 e 2022. A probabilidade de uma
pessoa na faixa etária entre 30 e 69 anos morrer em decorrência das doenças mencionadas
reduziu-se de 15,8% para 14,4%, enquanto a taxa de mortalidade por suicídio subiu de 6,0
para 8,2 por 100 mil habitantes (gráfico 4).
GRÁFICO 4
Probabilidade de morrer dos 30 aos 69 anos por algumas doenças crônicas e taxa de
mortalidade por suicídio – Brasil (2016-2022)
4A – Probabilidade de morrer atribuída a doenças cardiovasculares, câncer, diabetes ou doenças respiratórias
crônicas entre os 30 e 69 anos
(Em %)
24,0
22,0
20,0
18,0
15,8 15,4
16,0 15,1 15,0
14,5 14,4 14,4
14,0
12,0
10,0
8,0
6,0
4,0
2,0
0,0
2016 2017 2018 2019 2020 2021 2022
13
Cadernos ODS
Fontes: SIM/MS; e retroprojeção da população 2000/2010 (IBGE); e projeções da população do Brasil e Unidades da Federação por sexo
e idade: 2010-2060 – ano de referência 2018 (IBGE). Disponível em: https://odsbrasil.gov.br/objetivo3/indicador341 e https://
odsbrasil.gov.br/objetivo3/indicador342. Acesso em: 28 fev. 2024.
O cumprimento da meta 3.4 até 2030 está ameaçado, uma vez que requer a redução da
probabilidade de morrer prematuramente (30 a 69 anos) pelas doenças citadas de 15,8% para
10,5%. Para isso, seria necessário acelerar a diminuição da taxa de 0,23 ponto percentual
(p.p.) ao ano (2016 a 2022) para 0,5 p.p. ao ano a partir de 2023. Para a meta nacional, o
desafio se mostra ainda maior, porque nela se considera também a mortalidade por suicídio,
para a qual se almejava alterar significativamente a tendência de aumento de anos recentes.
Fatores como a recessão econômica brasileira de 2014 a 2016, que resultou em aumento
da taxa de desemprego e piora das condições de vida e de saúde de parte expressiva da
população, associada à implementação de uma agenda de austeridade fiscal de 2015 a 2022,
com impactos negativos sobre as políticas de proteção social, podem explicar, em grande
medida, esses resultados (Sá et al., 2019). Ademais, a pandemia da covid-19 foi um fator
importante para a deterioração da saúde mental da população, e esse efeito não pôde ser
adequadamente mitigado, em razão de uma série de reformas realizadas na política nacional
de saúde mental entre 2019 e 2022 (Sá et al., 2022).
Meta 3.9 (global) – Até 2030, reduzir substancialmente o número de mortes e doenças
por produtos químicos perigosos e por contaminação e poluição do ar, da água e do solo.
Meta 3.9 (nacional) – Meta mantida sem alteração.
Sobre a meta 3.9, igualmente prioritária, há muitas incertezas acerca da possibilidade
de o Brasil atingir o que se pretende alcançar até 2030. Entre 2016 e 2022, houve redução
da taxa de mortalidade atribuída a fontes de água inseguras, saneamento inseguro e falta
de higiene, ainda que, nos anos da pandemia, esse indicador tenha apresentado piora.
Entretanto, o maior empecilho para o cumprimento dessa meta está relacionado aos óbi-
tos por intoxicação não intencional, que não apresentaram redução expressiva no período
analisado (gráfico 5).
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ODS 3: Assegurar uma vida saudável e promover o bem-estar para todas e todos, em todas as idades
GRÁFICO 5
Taxa de mortalidade atribuída a fontes de água inseguras, saneamento inseguro e falta
de higiene, e à intoxicação não intencional – Brasil (2016-2022)
(Em óbitos por 100 mil habitantes)
5A – Taxa de mortalidade atribuída a fontes de água inseguras, saneamento inseguro e falta de higiene
6,0
5,3
5,0
5,0 4,7 4,8
4,4
4,1 4,1
4,0
3,0
2,0
1,0
0,0
2016 2017 2018 2019 2020 2021 2022
0,19
0,20 0,18
0,17 0,17 0,17
0,16
0,15
0,10
0,05
0,00
2016 2017 2018 2019 2020 2021 2022
Fontes: SIM/MS; retroprojeção da população 2000/2010 (IBGE); e projeções da população do Brasil e Unidades da Federação por sexo
e idade: 2010-2060 – ano de referência 2018 (IBGE). Disponível em: https://odsbrasil.gov.br/objetivo3/indicador392 e https://
odsbrasil.gov.br/objetivo3/indicador393. Acesso em: 28 fev. 2024.
Produtos químicos são amplamente utilizados nos domicílios como materiais de lim-
peza. Entretanto, o maior risco atrelado a esses produtos é o de intoxicação no ambiente
de trabalho, em setores como agricultura e construção civil. Na agricultura, esse risco foi
intensificado, nos últimos anos, por causa da flexibilização da regulamentação sobre uso de
agrotóxicos no Brasil. O número de ingredientes ativos comercializados passou de 377, em
2016, para 416 em 2022, o que representa um aumento de 10,3% na oferta de substâncias
ativas. Em termos de quantidade vendida, o aumento foi mais expressivo, de 36,6% nesse
período, com ampliação da comercialização de 535,5 mil toneladas para 731,7 mil toneladas
desses produtos.5 Como é pouco provável que haja uma reversão da quantidade de agrotóxi-
cos consumidos no país no médio prazo, a despeito das ações que o governo vem adotando
5. Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama). Painel de informações sobre a comercialização de
agrotóxicos e afins (série 2009-2022). Disponível em: https://www.gov.br/ibama/pt-br/assuntos/quimicos-e-biologicos/agrotoxicos/
paineis-de-informacoes-de-agrotoxicos/paineis-de-informacoes-de-agrotoxicos#Painel-comercializacao. Acesso em: 15 fev. 2024.
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Cadernos ODS
para regular o uso de tais produtos e para frear a liberação daqueles mais perigosos à saúde,
dificilmente se conseguirá reduzir substancialmente os óbitos por intoxicação não intencional.
Quanto ao saneamento básico, o Brasil ainda enfrenta grandes desafios para assegurar
o acesso a serviços de esgotamento sanitário a toda a população. Em 2017, 25,6 milhões de
domicílios brasileiros não tinham acesso a esgotamento sanitário por rede ou fossa séptica,6
havendo desigualdades significativas de acesso entre as regiões geográficas do país. Impor-
tante considerar, também, que nem todo esgoto coletado por rede é direcionado a estações
de tratamento. Dados de 2017 revelam que quase metade do volume de esgoto coletado
por rede não recebe tratamento antes de sua disposição final.7 A despeito da redução dos
investimentos diretos em saneamento básico e da concessão de empréstimos aos muni-
cípios e estados, pelo governo federal, para financiamento de projetos nessa área (Santos
e Mendes, 2024), houve diminuição da mortalidade atribuída a fontes inseguras de água,
saneamento inseguro e falta de higiene, de 2016 a 2021. Esse resultado pode estar relacio-
nado a um esforço maior dos estados e municípios para ampliação do acesso aos serviços
de saneamento básico nesse período. Contudo, entre 2021 e 2022, observa-se aumento
do indicador de mortalidade por essas causas, o que pode ser explicado pela ampliação do
número de pessoas vivendo em condições de maior vulnerabilidade socioeconômica, com
acesso mais precário aos serviços de saneamento básico, durante a pandemia da covid-19
(Silva et al., 2023).
Meta 3.b (global) – Apoiar a pesquisa e o desenvolvimento de vacinas e medicamentos
para as doenças transmissíveis e não transmissíveis, que afetam principalmente os países
em desenvolvimento, proporcionar o acesso a medicamentos e vacinas essenciais a
preços acessíveis, de acordo com a Declaração de Doha, que afirma o direito dos países
em desenvolvimento de utilizarem plenamente as disposições do acordo TRIPS sobre
flexibilidades para proteger a saúde pública e, em particular, proporcionar o acesso a
medicamentos para todos.
Meta 3.b (nacional) – Apoiar a pesquisa e o desenvolvimento de tecnologias e inova-
ções em saúde para as doenças transmissíveis e não transmissíveis, proporcionar o
acesso a essas tecnologias e inovações incorporadas ao SUS, incluindo medicamentos
e vacinas, a toda a população.
No que se refere à meta global 3.b, houve uma adaptação em sua redação para a meta
nacional. A mudança de “vacinas e medicamentos” para “tecnologias e inovações em saú-
de” foi realizada visando a uma abordagem mais abrangente. A inclusão de “incorporadas
ao SUS” se justifica pelo compromisso do governo brasileiro em garantir acesso apenas às
tecnologias incorporadas ao SUS. É importante destacar que o número das tecnologias
incorporadas ao SUS é superior ao número de vacinas e medicamentos essenciais consi-
derado na meta global.
O Brasil destaca-se como um país que disponibiliza acesso a medicamentos, de maneira
gratuita, por meio de sua rede pública de saúde, em diferentes linhas de cuidado, inclusive
tratamentos de custo elevado para as doenças raras, definidos em Protocolos Clínicos e
Diretrizes Terapêuticas (PCDT). Entretanto, a despeito da ampla oferta de imunizantes, a
cobertura vacinal, que alcançou mais de 90%, diminuiu nos últimos anos (gráfico 6).
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ODS 3: Assegurar uma vida saudável e promover o bem-estar para todas e todos, em todas as idades
GRÁFICO 6
Cobertura vacinal, por vacina – Brasil (2016-2022)
(Em %)
81,5
Pneumocócica
95,0
71,5
Pneumocócica (1o reforço)
84,1
57,6
Tríplice viral (2a dose)
76,7
76,4
HPV feminino (1a dose)
94,1
57,73
HPV feminino (2a dose)
59,3
0 20 40 60 80 100
2022 2016
Fontes: Sistema de Informação do Programa Nacional de Imunizações (SI-PNI) – número de doses aplicadas; Sinasc – menores de 1 ano
e 1 ano. IBGE – população de mulheres de 15 anos.
Obs.: HPV – Papilomavírus Humano.
Medidas que estão em curso para reverter o cenário de queda na vacinação incluem o
Movimento Nacional pela Vacinação, iniciativa que visa mobilizar a população para o alcance
de altas coberturas vacinais, com campanhas de vacinação abrangentes e direcionadas a
públicos específicos. O Programa Saúde com Ciência tenciona combater a desinformação
sobre vacinas. O microplanejamento, estratégia de regionalização por meio de oficinas com
secretarias de saúde estaduais e municipais para a busca de soluções com base na realida-
de local, também tem sido fundamental para que a estratégia de imunização seja adaptada
conforme a população e a estrutura de saúde local.
É importante destacar que o Brasil utiliza o conceito de saúde como direito universal.
Os cuidados de saúde primários, entendidos como acesso a saúde reprodutiva, materna,
infantil, assim como cuidados para doenças transmissíveis e não transmissíveis em geral,
são disponibilizados aos cidadãos por meio de um conjunto abrangente de políticas públicas,
todas de caráter universal. No período de 2019 a 2022, registrou-se aumento das equipes de
saúde da família e de Atenção Primária à Saúde (APS). São equipes compostas por médicos,
enfermeiros, técnicos em enfermagem e agentes comunitários de saúde, financiadas pelo
Ministério da Saúde, estados e municípios, atuando em todo o território nacional. Essas
equipes apresentaram um aumento expressivo (mais de 18%), passando de 44.447, em
2019, para 52.529 em 2022. O contingente de agentes comunitários de saúde em atuação
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Cadernos ODS
no Brasil também foi ampliado, passando de 260.373, em 2019, para 278.209 em 2022, o
que representou um incremento de 6,9%.
O aumento significativo das equipes de saúde da família e de APS, assim como a ex-
pansão da quantidade de agentes comunitários de saúde, refletem o compromisso do país
em fortalecer seu sistema de saúde. Esses esforços estão alinhados com a meta 3.b, que
busca apoiar a pesquisa, o desenvolvimento e o acesso a tecnologias e inovações em saúde,
garantindo que medicamentos e vacinas essenciais estejam disponíveis para toda a popu-
lação, especialmente aqueles incorporados ao SUS.
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ODS 3: Assegurar uma vida saudável e promover o bem-estar para todas e todos, em todas as idades
BOX 2
ESF e PMM
A ESF é um modelo de atenção básica à saúde que opera por meio de equipes multiprofissionais em áreas específicas. Essas
equipes são encarregadas de até 4 mil indivíduos, dependendo do nível de vulnerabilidade da população local. A equipe
inclui médicos, enfermeiros, auxiliares ou técnicos de enfermagem e agentes comunitários de saúde.
Um dos aspectos essenciais da ESF é a realização de visitas domiciliares pelos agentes comunitários de saúde, conforme as
necessidades das famílias e do território. Esses profissionais oferecem a primeira assistência e, quando necessário, agendam
consultas em UBS ou em instalações especializadas.
A ESF abrange aproximadamente 62,6% da população brasileira, e estudos indicam que municípios que a adotam expe-
rimentam benefícios, como a redução da mortalidade infantil e das hospitalizações, além de se observar uma melhoria na
qualidade de vida e na equidade em saúde.
No âmbito da APS, a ESF é o modelo estruturante de um conjunto de ações e iniciativas para o fortalecimento do acesso a
serviços de saúde, constituindo-se em ferramenta para concretizar o princípio dos ODS de “não deixar ninguém para trás”. Na
mesma direção, encontra-se o PMM, que busca melhorar o atendimento aos usuários do SUS, por meio da disponibilização
de médicos em regiões onde há escassez ou ausência desses profissionais. O governo vem reforçando o programa, com
a ampliação do número de médicos e a reorganização da oferta de novas vagas de graduação e residência médica, para
qualificar a formação desses profissionais.
Esses dois programas têm grande impacto na melhoria da saúde sexual e reprodutiva e na redução da mortalidade mater-
na e infantil. Ambos proporcionam o atendimento integral e longitudinal da população, além de estimularem a fixação dos
profissionais na rede de atenção à saúde.
Fontes: Estratégia Saúde da Família (disponível em https://www.gov.br/saude/pt-br/composicao/saps/estrategia-saude-da-familia) e
Programa Mais Médicos (disponível em http://maismedicos.gov.br/conheca-programa).
Elaboração das autoras.
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Cadernos ODS
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ODS 3: Assegurar uma vida saudável e promover o bem-estar para todas e todos, em todas as idades
Para o Brasil, um país com um sistema federativo complexo e grande extensão territorial,
avançar no cumprimento das metas do ODS 3 implica superar vários obstáculos. As decisões,
políticas e ações voltadas à promoção da saúde precisam ser pactuadas nos diferentes níveis
de governo – municipal, estadual e federal. Essa estrutura descentralizada traz consigo uma
série de desafios, incluindo a necessidade de coordenação de esforços e alinhamento de
agendas entre os diversos entes federativos.
Além disso, a garantia de financiamento adequado e a efetiva implementação das políti-
cas, em todas as esferas governamentais, são cruciais para garantir o progresso sustentável
em direção às metas do ODS 3. O envolvimento ativo e colaborativo de todos os níveis de
governo, bem como da sociedade civil e outros atores relevantes, é essencial para a supe-
ração das dificuldades.
O acesso equitativo e universal aos serviços de saúde, especialmente em regiões remotas
e áreas periféricas das cidades, permanece como um desafio considerável. As disparidades
socioeconômicas e infraestruturais continuam a representar obstáculos significativos para
a realização do direito à saúde para todos. Diferenças raciais também são relevantes sob
esse aspecto, e povos indígenas e outras populações específicas, como ribeirinhos, pessoas
com deficiência e quilombolas, enfrentam mais barreiras para acessar os serviços de saúde.
Identificar populações vulneráveis, por meio da implementação de campos específicos
nos sistemas de coleta de dados, é crucial para possibilitar o monitoramento, a avaliação e
a formulação de políticas que respondam às suas necessidades. Aprimorar a qualidade e a
disponibilidade dessas informações é fundamental, especialmente quando já estão disponíveis.
Ademais, a pandemia da covid-19 trouxe à tona novos problemas e exacerbou as desi-
gualdades existentes. É urgente investir em pesquisa e desenvolvimento de medicamentos
acessíveis, incluindo vacinas, e fortalecer o SUS para o enfrentamento de ameaças à saúde
pública. Além disso, o aumento no indicador de mortalidade por suicídio evidencia a preca-
rização da saúde mental, decorrente da pandemia e do desmonte de políticas voltadas para
essa área nos últimos anos.
Outro desafio crítico é a persistente carga de doenças crônicas não transmissíveis –
como doenças cardiovasculares, respiratórias crônicas, cânceres e diabetes –, que, apesar
da pequena melhora, exige uma abordagem multifacetada que considere o envelhecimento
da população e a consequente ampliação da demanda por serviços de saúde, colocando
um fardo adicional sobre os recursos limitados disponíveis.
Avançar em estratégias de cuidados de saúde primários, como a ESF, e promover a
inovação em saúde são essenciais para enfrentar esses desafios em evolução. O cuidado
em relação a DTNs também requer avanços, demandando uma abordagem interdisciplinar
e multissetorial que considere dimensões ambientais e climáticas, aspectos econômicos,
sociais e migratórios. No caso brasileiro, destaca-se a predominância da dengue entre
tais enfermidades.
Diante dos enormes desafios que o Brasil deve enfrentar para alcançar as metas do ODS
3, é evidente que ainda há um longo caminho a percorrer para se garantir uma vida saudável
e se promover o bem-estar de todos até 2030. Portanto, é essencial redobrar os esforços e
adotar medidas decisivas com o intuito de assegurar o direito à saúde para todos os brasi-
leiros, independentemente de sua origem, gênero ou condição socioeconômica.
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Cadernos ODS
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