0% acharam este documento útil (0 voto)
15 visualizações24 páginas

Agenda 2030 ODS 3 Assegurar Uma Vida Saudavel

Direitos autorais
© © All Rights Reserved
Levamos muito a sério os direitos de conteúdo. Se você suspeita que este conteúdo é seu, reivindique-o aqui.
Formatos disponíveis
Baixe no formato PDF, TXT ou leia on-line no Scribd
0% acharam este documento útil (0 voto)
15 visualizações24 páginas

Agenda 2030 ODS 3 Assegurar Uma Vida Saudavel

Direitos autorais
© © All Rights Reserved
Levamos muito a sério os direitos de conteúdo. Se você suspeita que este conteúdo é seu, reivindique-o aqui.
Formatos disponíveis
Baixe no formato PDF, TXT ou leia on-line no Scribd
Você está na página 1/ 24

AGENDA 2030

Objetivos de Desenvolvimento Sustentável


Avaliação do progresso das principais metas globais para o Brasil

ASSEGURAR UMA VIDA


ODS
SAUDÁVEL E PROMOVER O
3 BEM-ESTAR PARA TODAS E
TODOS, EM TODAS AS IDADES
Governo Federal © Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada – ipea 2024

Ministério do Planejamento e Orçamento


Ministra Simone Nassar Tebet

Coordenação
Enid Rocha Andrade da Silva
José Eduardo Brandão
Equipe técnica
Fundação pública vinculada ao Ministério do Planejamento
Valeria Rezende de Oliveira
e Orçamento, o Ipea fornece suporte técnico e institucional Rubia Quintão
às ações governamentais – possibilitando a formulação de
inúmeras políticas públicas e programas de desenvolvimento
brasileiros – e disponibiliza, para a sociedade, pesquisas e
estudos realizados por seus técnicos.

Presidenta COLABORADORES EXTERNOS


Luciana Mendes Santos Servo
Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada
Diretor de Desenvolvimento Institucional Fabiola Sulpino Vieira
Fernando Gaiger Silveira Liliane Cristina Gonçalves Bernardes
Diretora de Estudos e Políticas do Estado, Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística
das Instituições e da Democracia Clician do Couto Oliveira
Luseni Maria Cordeiro de Aquino Gabriela Freitas da Cruz
Marco Antonio Ratzsch de Andreazzi
Diretor de Estudos e Políticas Macroeconômicas
Rosa Marina Soares Doria
Cláudio Roberto Amitrano
Tassia Gaze Holguin
Diretor de Estudos e Políticas Regionais, Thais de Oliveira Barbosa Mothe
Urbanas e Ambientais
Fundação Oswaldo Cruz
Aristides Monteiro Neto
Ana Luisa Jorge Martins
Diretora de Estudos e Políticas Setoriais, de Inovação, Fabricio Silveira
Regulação e Infraestrutura Gabriela Drummond Marques da Silva
Fernanda De Negri Leticia Lemos Jardim
Rômulo Paes de Sousa
Diretor de Estudos e Políticas Sociais Wanessa Debôrtoli de Miranda
Carlos Henrique Leite Corseuil
Ministério da Saúde
Diretor de Estudos Internacionais Aglaêr Alves da Nóbrega
Fábio Véras Soares Benilson Barreto
Chefe de Gabinete Denise Ribeiro Bueno
Alexandre dos Santos Cunha Inês Eugênia Ribeiro da Costa
Lúcia Regina Florentino Souto
Coordenadora-Geral de Imprensa e Maria de Fatima Pereira
Comunicação Social Maria Eufrásia de Oliveira
Gisele Amaral Marina Jorge de Miranda
Marli de Mesquita Silva Montenegro
Ouvidoria: http://www.ipea.gov.br/ouvidoria Raphael Curioso de Lima Silva
URL: http://www.ipea.gov.br Rodrigo Dantas da Silva
Selaide Rowe Camargo
Suetônio Queiroz
Valcler Rangel Fernandes
Vinicius de Araújo Oliveira

Como citar:
INSTITUTO DE PESQUISA ECONÔMICA APLICADA. Agenda 2030: objetivos de desenvolvimento sustentável: avaliação do progresso das principais
metas globais para o Brasil: ODS 3: assegurar uma vida saudável e promover o bem-estar para todas e todos, em todas as idades. Brasília: Ipea, 2024. 22 p.
(Cadernos ODS, 3). DOI: http://dx.doi.org/10.38116/ri2024ODS3

As publicações do Ipea estão disponíveis para download gratuito nos formatos PDF (todas) e ePUB (livros e periódicos). Acesse: https://www.ipea.gov.br/
portal/publicacoes
As opiniões emitidas nesta publicação são de exclusiva e inteira responsabilidade dos autores, não exprimindo, necessariamente, o ponto de vista do
Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada ou do Ministério do Planejamento e Orçamento.
É permitida a reprodução deste texto e dos dados nele contidos, desde que citada a fonte.Reproduções para fins comerciais são proibidas.
Apresentação

APRESENTAÇÃO

A iniciativa do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) em lançar os Cadernos ODS


em 2018 representou um passo significativo na divulgação de estudos e pesquisas que
visam fortalecer o compromisso nacional com os desafios delineados durante a Cúpula de
Desenvolvimento Sustentável da Assembleia Geral das Nações Unidas (AGNU), em 2015.
Nos últimos quatro anos, porém, o Brasil passou por mudanças significativas em sua
abordagem em relação a várias agendas internacionais, impulsionadas por fatores políticos,
econômicos e sociais. A mudança na liderança e na orientação política do governo, no período
2019-2022, resultou na definição de novas prioridades e estratégias, levando à redução do
envolvimento em fóruns e iniciativas globais. Ademais, questões internas, como crises eco-
nômicas e instabilidade política, desviaram a atenção do Brasil das agendas internacionais,
incluindo a retirada da Agenda 2030 da pauta de políticas públicas do governo federal.
O retorno do Brasil à Agenda 2030 foi marcado por eventos importantes. Primeiramente,
o retorno do projeto democrático participativo ao governo federal foi crucial, sendo o prin-
cipal impulsionador das mudanças. Em seguida, a recriação da Comissão Nacional para os
Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (CNODS) pelo presidente Lula da Silva em se-
tembro de 2023 foi outro ponto significativo, restaurando uma estrutura essencial que havia
sido extinta no governo anterior.
Durante a AGNU, o presidente Lula reafirmou o compromisso do Brasil com a Agenda 2030
e anunciou ao mundo que o Brasil apresentaria seu segundo Relatório Nacional Voluntário
(RNV) no High Level Political Forum de 2024. Nesse fórum, o presidente anunciou também
a criação de um 18o Objetivo de Desenvolvimento Sustentável (ODS) no Brasil, centrado na
igualdade racial, um desafio primordial no país.
Todos esses marcos revitalizaram o compromisso do Ipea com o acompanhamento e
a análise da Agenda 2030, levando-o a reassumir seu papel de assessoramento técnico à
nova CNODS ao lado do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e da Fundação
Oswaldo Cruz (Fiocruz).
Prosseguindo com seus esforços em apoio à nova CNODS, o Ipea lança agora a segunda
edição dos Cadernos ODS. Este conjunto de dezessete cadernos apresenta as contribuições
do Ipea para a elaboração do RNV 2024, concentrando-se especificamente na avaliação do
progresso das metas dos ODS pelo Brasil. A elaboração dessas análises contou com a valiosa
colaboração de pesquisadores do IBGE e da Fiocruz.
Para cada ODS, destacamos as principais metas em consonância com os desafios
enfrentados pelo país e sua integração com os eixos estratégicos de desenvolvimento de-
lineados no Plano Plurianual 2024-2027. Posteriormente, as metas foram minuciosamente
avaliadas e categorizadas em quatro conjuntos distintos: i) aquelas que foram alcançadas;
ii) as que demonstraram evolução positiva durante o período; iii) as que sofreram impacto
devido à pandemia de covid-19; e iv) aquelas que não puderam ser analisadas devido à falta
de indicadores ou à existência de séries de indicadores incompletas ou irregulares. Ademais,
as análises contemplam as principais políticas que contribuem para o alcance dos ODS pelo
país e uma seção sobre os avanços, os desafios e as dificuldades críticas para o alcance de
cada um dos ODS até 2030.

3
Cadernos ODS

Os Cadernos ODS não se limitam apenas à análise do progresso de cada indicador;


eles também oferecem uma análise elucidativa da trajetória de cada um desses indicadores
ao longo do período 2016-2022, reforçando o compromisso da transparência à sociedade.
Com esta publicação, o Ipea reitera sua firme adesão à agenda do desenvolvimento sus-
tentável, alinhada com os princípios fundamentais da “prosperidade compartilhada” e do
imperativo de “não deixar ninguém para trás”.
A Agenda 2030, ao destacar e priorizar a “prosperidade compartilhada”, reconhece a
necessidade de criar e sustentar um ambiente econômico e social onde todas as pessoas,
independentemente de sua origem, gênero, raça, etnia ou condição socioeconômica, te-
nham acesso igualitário às oportunidades e aos frutos do desenvolvimento. Isso requer a
implementação de políticas e medidas que não apenas gerem riqueza, mas também que
a distribuam de maneira justa e inclusiva, reduzindo as desigualdades sociais.
Além disso, o compromisso de “não deixar ninguém para trás” reforça a importância de
adotar uma abordagem holística e abrangente para o desenvolvimento, garantindo que as
políticas e os programas sejam implementados de forma a alcançar todas as pessoas. Isso
requer a implementação de estratégias específicas para abordar as desigualdades estrutu-
rais, fornecendo acesso igualitário a serviços essenciais, como educação, saúde, habitação
e emprego, e garantindo a proteção dos direitos humanos de todos os cidadãos.

Enid Rocha Andrade da Silva


Coordenadora do Comitê ODS Ipea

4
ODS 3: Assegurar uma vida saudável e promover o bem-estar para todas e todos, em todas as idades

Liliane Cristina Gonçalves Bernardes1


Fabiola Sulpino Vieira2

1 O BRASIL E O ODS 33
Em 2015, ao se tornar signatário da Agenda 2030, o Brasil assumiu o compromisso relacionado
ao ODS 3 de “assegurar uma vida saudável e promover o bem-estar para todas e todos, em
todas as idades”, o que envolve o cumprimento de treze metas, acompanhadas a partir de
28 indicadores globais, para monitoramento do alcance dessas metas.
O ODS 3 assume um papel fundamental no contexto brasileiro, face aos diversos obs-
táculos que o país enfrenta. Estes incluem disparidades no acesso aos serviços de saúde,
a propagação persistente de doenças infecciosas, o aumento das enfermidades crônicas
vinculadas a hábitos pouco saudáveis, além das ainda preocupantes taxas de mortalidade
materna e infantil, e por causas externas. A questão da saúde mental também figura como um
desafio premente, com índices elevados de depressão, ansiedade e suicídio. Diante disso, o
ODS 3 emerge como uma ferramenta crucial, ao direcionar políticas e ações voltadas para a
equidade nos sistemas de saúde, implementação de medidas preventivas eficazes, garantia
de acesso universal a serviços de qualidade e promoção de estilos de vida saudáveis. Assim,
contribui de forma significativa para o avanço do desenvolvimento sustentável do Brasil.
Em 2018, o processo de adequação das metas globais à realidade do país, conduzi-
do pelo Ipea em nome da Comissão Nacional dos ODS, contou, no caso do ODS 3, com a
participação de mais de oitenta servidores de vinte órgãos federais, e o produto obtido foi
submetido à consulta pública, resultando em uma proposta de readequação de doze me-
tas, que tiveram alteração de texto e/ou de parâmetro quantitativo, dando origem às metas
nacionais (Sá et al., 2020).
No entanto, no cenário federal, no período de 2019 a 2022, agravou-se o problema de
financiamento da saúde e houve interrupções de políticas efetivas relativas à Agenda 2030,
devido a medidas de austeridade fiscal e de despriorização dos ODS. Essas mudanças trou-
xeram desafios relacionados à disponibilidade de recursos para a saúde e para as políticas
que visam abordar os determinantes sociais da saúde. Esses fatores contribuíram para uma
estagnação ou mesmo retrocesso em diversos indicadores, o que coloca em risco o cum-
primento das metas estabelecidas.
Além disso, a pandemia da covid-19 revelou as fragilidades do governo e demais atores
em lidar com emergências sanitárias, ao mesmo tempo que demandou abordagens multidi-
mensionais para o manejo de problemas complexos. As desigualdades estruturais, eviden-
ciadas pela distribuição desigual dos determinantes sociais da saúde no Brasil, aumentaram
significativamente a probabilidade de infecção e morte durante a pandemia. O impacto social
e econômico da crise sanitária também reproduziu e acentuou antigas iniquidades em saúde.
Com a retomada da agenda dos ODS como uma prioridade de governo a partir de 2023,
diversas políticas vêm sendo impulsionadas e estão expressas no Plano Plurianual (PPA)
2024-2027, principal instrumento de planejamento estratégico das políticas públicas no país
(Brasil, 2023b). Vale destacar que o processo de elaboração do PPA 2024-2027 contou com
a participação popular, que vem sendo valorizada, assim como considerou as contribuições
de instituições não governamentais na avaliação das políticas públicas, a exemplo do Rela-
tório Luz, do Grupo de Trabalho da Sociedade Civil para a Agenda 2030.

1. Especialista em políticas públicas e gestão governamental na Diretoria de Estudos e Políticas Sociais do Instituto de Pesquisa
Econômica Aplicada (Disoc/Ipea). E-mail: [email protected].
2. Especialista em políticas públicas e gestão governamental na Disoc/Ipea. E-mail: [email protected].
3. Colaboraram com a produção deste texto técnicos do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), da Fundação Oswaldo
Cruz (Fiocruz) e do Ministério da Saúde. A relação de colaboradores encontra-se no expediente institucional.

5
Cadernos ODS

BOX 1
Diálogo entre as recomendações do Relatório Luz 2023 e as iniciativas do governo federal
A análise do Grupo de Trabalho da Sociedade Civil para a Agenda 2030 sobre o ODS 3 revelou que as restrições orçamentá-
rias impostas ao financiamento federal do Sistema Único de Saúde (SUS), devido à regra fiscal em vigor entre 2017 e 2022,
juntamente com os impactos da pandemia de covid-19, resultaram no retrocesso ou na ameaça à maioria das metas esta-
belecidas para esse objetivo. Diante desse cenário desafiador, o grupo propôs uma série de medidas ao governo, das quais
algumas se destacam. A seguir, apresentam-se as iniciativas que o governo tem adotado para enfrentá-las.
Recomendações
- Assegurar, no mínimo, sete consultas de pré-natal a todas as pessoas gestantes, para reduzir a mortalidade materna, e
aumentar o orçamento para atenção básica e serviços de saúde obstétrica.
- Fortalecer os programas de tratamento e diagnóstico precoce e ações de promoção à saúde, especialmente na aten-
ção primária.
- Assegurar e ampliar a cobertura vacinal da população brasileira, além de desmistificar fake news em relação à segurança
e eficácia de vacinas.
Iniciativas governamentais
- Reconstrução da Rede Cegonha, fortalecimento da Estratégia Saúde da Família (ESF), ampliação do Programa Mais
Médicos (PMM).
- Fortalecimento da ESF, ampliação do PMM, ampliação do financiamento das equipes de atenção primária nos municípios.
- Fortalecimento do Programa Nacional de Imunizações (PNI), Movimento Nacional pela Vacinação e Programa Saúde com Ciência.

Fonte: GTSC A2030 (2023).


Elaboração das autoras.

Como uma das principais prioridades do governo, o fortalecimento do SUS visa pro-
porcionar atendimento universal e de qualidade, com o objetivo de se reduzirem as desi-
gualdades geográficas e sociais no acesso aos serviços de saúde. No âmbito do SUS, por
exemplo, o PNI, um dos maiores programas de imunizações do mundo, oferece 45 diferentes
imunobiológicos para toda a população. Paralelamente, o PMM leva atendimento qualificado
para regiões remotas e carentes de profissionais da medicina. E a ESF, aliada a campanhas
educativas e estratégias de conscientização da população, reforça o enfoque preventivo
retomado no ano de 2023.
Ademais, a população privada de liberdade, em situação de rua, pessoas com deficiência,
ribeirinhos, indígenas e outros públicos têm sido incluídos, de forma específica, nas políticas
de saúde, com o objetivo de “não deixar ninguém para trás”.
O governo também tem feito esforços para aprimorar a infraestrutura e a capacidade de
resposta do sistema de saúde, por meio do Novo PAC da Saúde.4 Trata-se de um programa
estruturante, que destina investimentos em expansão das redes de atenção primária e espe-
cializada de saúde, com construção de novas unidades básicas de saúde (UBS), estendendo
os serviços para milhares de municípios e territórios indígenas, de forma integrada às equipes
de saúde da família. Além disso, direciona recursos para a rede de atenção especializada,
com construção de novas policlínicas, maternidades, hospitais, centros especializados, ofi-
cinas ortopédicas, ambulâncias e centrais de regulação. Também estão incluídas medidas
para o fortalecimento da saúde digital, preparação para emergências sanitárias e aumento
da capacidade produtiva nacional de fármacos, biofármacos, vacinas e hemoderivados.
O Plano Nacional de Saúde (PNS) 2024-2027 (Brasil, 2023a), que orienta estrategica-
mente as ações de saúde nos níveis federal, estadual, distrital e municipal, é também uma
ferramenta fundamental para balizar as escolhas orçamentárias para a melhoria do sistema
de saúde. Seus objetivos fundamentais incluem: fortalecer a atenção primária, ampliando

4. O Novo PAC é um programa de investimentos coordenado pelo governo federal, em parceria com o setor privado, os estados, os
municípios e movimentos sociais. Disponível em: https://www.gov.br/casacivil/pt-br/novopac/saude.

6
ODS 3: Assegurar uma vida saudável e promover o bem-estar para todas e todos, em todas as idades

a cobertura da ESF e do Programa de Saúde Bucal; expandir a oferta e o acesso à atenção


especializada, visando à integralidade do cuidado; reduzir e controlar doenças preveníveis,
superando desigualdades de acesso; promover o desenvolvimento científico e tecnológico,
para uma saúde equitativa e sustentável; ampliar o acesso a medicamentos e serviços far-
macêuticos; qualificar a oferta de serviços de saúde e saneamento ambiental, considerando
contextos étnico-culturais; aprimorar a gestão estratégica do SUS e incorporar inovação e
saúde digital, para o enfrentamento de discriminações e desigualdades.
O atual governo brasileiro reafirma o seu compromisso com essa agenda, e tem traba-
lhado para superar os obstáculos que impedem que o país tenha o maior sucesso possível
nesse intento.

2 ANÁLISE DO PROGRESSO DAS METAS


De forma geral, entre 2016 e 2022, período de análise deste relatório, houve avanço
positivo nos indicadores de mortalidade, com o alcance da meta global relacionada à
mortalidade materna em 2022, após um período de aumento substancial do indicador,
ocorrido nos anos pandêmicos. Além disso, registrou-se queda no número de nascimen-
tos entre mães adolescentes.
Destacam-se também progressos na redução da mortalidade em menores de 5 anos e
da mortalidade neonatal. Ambas as taxas de mortalidade apresentam valores abaixo da meta
global no período analisado, apesar do aumento da primeira nos anos de 2021 e 2022, possi-
velmente em decorrência da pandemia da covid-19. Houve ligeira melhora na probabilidade
de morte prematura por doenças cardiovasculares, cânceres, diabetes ou doenças respi-
ratórias crônicas; e oscilação na incidência de enfermidades transmissíveis, com destaque
para o aumento da incidência de tuberculose nos dois últimos anos analisados. Por sua vez,
as mortes causadas por acidentes de trânsito diminuíram, embora não em nível suficiente
para o alcance da meta global.
Por outro lado, a cobertura vacinal ficou abaixo do desejado, reflexo da interrupção, por
gestões passadas, de políticas sanitárias nacionais bem-sucedidas. Houve aumento no número
de pessoas que necessitam de intervenção contra doenças tropicais negligenciadas (DTNs) e
na mortalidade atribuída à intoxicação não intencional. A mortalidade por suicídio apresentou
tendência de crescimento desde o início do período analisado, com aceleração nos anos da
pandemia da covid-19, a qual, em conjunto com as restrições de financiamento das políticas de
atenção à saúde mental, pode ter contribuído para a deterioração das condições psíquicas e
psicológicas da população. O consumo de álcool per capita, por sua vez, permaneceu estável.
Apesar de alguns progressos, a melhoria nos indicadores tem sido lenta, e alguns deles
ainda estão muito aquém do que foi estabelecido para o ODS 3, especialmente quando se
consideram as metas nacionais. Nos próximos anos, será necessário um esforço intensificado
para se atingirem várias das metas propostas para 2030. Embora todas sejam cruciais para
o país, este relatório concentrará sua análise em seis delas, consideradas prioritárias neste
momento, devido à sua importância na superação das desigualdades de acesso à saúde, na
implementação de políticas para abordá-las e na sua interligação com algumas das medidas
sugeridas pelo Relatório Luz. Além disso, entre os 28 indicadores globais, onze estão em fase
de construção e avaliação, pois apresentam uma metodologia bastante complexa, às vezes
com parâmetros e fórmulas disponíveis apenas em bibliografia complementar, ou exigem a
produção de informações muito específicas para sua construção.

7
Cadernos ODS

O quadro 1 apresenta, de forma ilustrativa, a evolução dos indicadores das metas glo-
bais do ODS 3.

QUADRO 1
Evolução das metas globais do ODS 3
Progresso das metas
Objetivo 3 – Assegurar uma vida saudável e promover o bem-estar para todos, em todas as idades
Evolução
Avaliação
Meta Indicador global dos
das metas
indicadores
3.1 – Até 2030, reduzir a taxa de mortalidade 3.1.1 – Razão da mortalidade materna.
materna global para menos de 70 mortes 3.1.2 – Proporção de nascimentos assistidos
por 100.000 nascidos vivos. por pessoal de saúde qualificado.
3.2 – Até 2030, acabar com as mortes 3.2.1 – Taxa de mortalidade em menores
evitáveis de recém-nascidos e crianças de 5 anos.
menores de 5 anos, com todos os países
objetivando reduzir a mortalidade neonatal
para pelo menos até 12 por 1.000 nascidos
vivos e a mortalidade de crianças menores 3.2.2 – Taxa de mortalidade neonatal.
de 5 anos para pelo menos até 25 por 1.000
nascidos vivos.
3.3.1 – Número de novas infecções por
HIV por mil habitantes, por sexo, idade e
populações específicas.
3.3.2 – Taxa de Incidência de tuberculose
3.3 – Até 2030, acabar com as epidemias por 100 mil habitantes.
de AIDS, tuberculose, malária e doenças
3.3.3 – Taxa de incidência da malária por
tropicais negligenciadas, e combater a
mil habitantes.
hepatite, doenças transmitidas pela água,
e outras doenças transmissíveis. 3.3.4 – Taxa de incidência da hepatite B
por 100 mil habitantes.
3.3.5 – Número de pessoas que necessitam
de intervenção contra doenças tropicais
negligenciadas (DTN).
3.4 – Até 2030, reduzir em um terço a 3.4.1 – Taxa de mortalidade por doenças
mortalidade prematura por doenças não do aparelho circulatório, tumores malignos,
transmissíveis por meio de prevenção e diabetes mellitus e doenças crônicas
tratamento, e promover a saúde mental e respiratórias.
o bem-estar. 3.4.2 – Taxa de mortalidade por suicídio.
3.5.1 – Cobertura das intervenções
(farmacológicas, psicossociais, de reabilitação
3.5 – Reforçar a prevenção e o tratamento e de pós-tratamento) para o tratamento do
do abuso de substâncias, incluindo o abuso abuso de substâncias.
de drogas entorpecentes e uso nocivo
do álcool. 3.5.2 – Consumo de álcool em litros de
álcool puro per capita (com 15 anos ou
mais) por ano.
3.6 – Até 2020, reduzir pela metade as
3.6.1 – Taxa de mortalidade por acidentes
mortes e os ferimentos globais por acidentes
de trânsito.
em estradas.
3.7 – Até 2030, assegurar o acesso 3.7.1 – Proporção de mulheres em idade
universal aos serviços de saúde sexual reprodutiva (15 a 49 anos) que utilizam
e reprodutiva, incluindo o planejamento métodos modernos de planejamento familiar.
familiar, informação e educação, bem 3.7.2 – Número de nascidos vivos de mães
como a integração da saúde reprodutiva adolescentes (grupos etários 10-14 e 15-19)
em estratégias e programas nacionais. por 1 000 mulheres destes grupos etários.

8
ODS 3: Assegurar uma vida saudável e promover o bem-estar para todas e todos, em todas as idades

Progresso das metas


Objetivo 3 – Assegurar uma vida saudável e promover o bem-estar para todos, em todas as idades
Evolução
Avaliação
Meta Indicador global dos
das metas
indicadores
3.8.1 – Cobertura da Atenção Primária à
Saúde (definida como a cobertura média
dos cuidados de saúde primários aferida por
3.8 – Atingir a cobertura universal de saúde, indicadores relativos a saúde reprodutiva,
incluindo a proteção do risco financeiro, o materna, neonatal e infantil, doenças
acesso a serviços de saúde essenciais de infecciosas, doenças não transmissíveis, e
qualidade e o acesso a medicamentos e vacinas sobre o acesso e capacidade dos serviços,
essenciais seguros, eficazes, de qualidade e junto da população geral e das populações
a preços acessíveis para todos. mais desfavorecidas).
3.8.2 – Proporção de pessoas em famílias
com grandes gastos em saúde em relação
ao total de despesas familiares.
3.9.1 – Taxa de mortalidade por poluição
ambiental (externa e doméstica) do ar.
3.9 – Até 2030, reduzir substancialmente o
3.9.2 – Taxa de mortalidade atribuída a
número de mortes e doenças por produtos
fontes de água inseguras, saneamento
químicos perigosos e por contaminação e
inseguro e falta de higiene.
poluição do ar, da água e do solo.
3.9.3 – Taxa de mortalidade atribuída a
intoxicação não intencional.
3.a – Fortalecer a implementação da
Convenção-Quadro para o Controle do 3.a.1 – Prevalência de fumantes na população
Tabaco da Organização Mundial de Saúde de 15 ou mais anos.
em todos os países, conforme apropriado.
3.b – Apoiar a pesquisa e o desenvolvimento 3.b.1 – Taxa de cobertura vacinal da
de vacinas e medicamentos para as doenças população em relação às vacinas incluídas
transmissíveis e não transmissíveis, que no Programa Nacional de Vacinação.
afetam principalmente os países em 3.b.2 – Ajuda oficial ao desenvolvimento
desenvolvimento, proporcionar o acesso a total líquida para a investigação médica e
medicamentos e vacinas essenciais a preços para os setores básicos de saúde.
acessíveis, de acordo com a Declaração de
Doha, que afirma o direito dos países em 3.b.3 – Proporção de estabelecimentos de
desenvolvimento de utilizarem plenamente saúde que dispõem de um conjunto básico
as disposições do acordo TRIPS sobre de medicamentos essenciais e relevantes
flexibilidades para proteger a saúde pública disponíveis e a custo acessível numa base
e, em particular, proporcionar o acesso a sustentável.
medicamentos para todos.
3.c – Aumentar substancialmente o financiamento
da saúde e o recrutamento, desenvolvimento,
treinamento e retenção do pessoal de saúde
3.c.1 – Número de profissionais de saúde
nos países em desenvolvimento, especialmente
por habitante.
nos países de menor desenvolvimento
relativo e nos pequenos Estados insulares
em desenvolvimento.
3.d.1 – Capacidade para o Regulamento
3.d – Reforçar a capacidade de todos Sanitário Internacional (RSI) e preparação
os países, particularmente os países em para emergências de saúde.
desenvolvimento, para o alerta precoce,
a redução de riscos e o gerenciamento de 3.d.2 – Porcentagem de infecções da
riscos nacionais e globais à saúde. corrente sanguínea, devido a organismos
resistentes a antimicrobianos selecionados.

Evolução positiva Sem evolução Meta global atingida


Evolução negativa Impactado pela covid-19 Sem indicadores ou série curta ou irregular
Elaboração das autoras.
Obs.: TRIPS – Trade-Related Aspects of Intellectual Property Rights.

9
Cadernos ODS

3 METAS E DESTAQUE
Meta 3.1 (global) – Até 2030, reduzir a taxa de mortalidade materna global para menos
de 70 mortes por 100 mil nascidos vivos.
Meta 3.1 (nacional) – Até 2030, reduzir a razão de mortalidade materna para no máximo
30 mortes por 100 mil nascidos vivos.
No Brasil, algumas metas globais podem não se alinhar adequadamente com as questões
nacionais, muitas vezes sendo direcionadas a países menos desenvolvidos ou baseadas em
critérios que o Brasil já alcançou, permitindo, assim, a adoção de objetivos mais ambiciosos.
Esse é o caso da meta global 3.1 – Até 2030, reduzir a taxa de mortalidade materna global
para menos de 70 mortes por 100 mil nascidos vivos, prioritária para o Brasil, que atingiu, em
2015, a razão de mortalidade materna (RMM) de 62 óbitos por 100 mil nascidos vivos, resul-
tando na proposta de uma meta nacional de 30 mortes por 100 mil nascidos vivos. Entre 2016
e 2019, o Brasil apresentou uma sequência de reduções na RMM. No entanto, essa tendência
de queda foi interrompida pelo aumento expressivo da mortalidade nos anos pandêmicos,
tendo a taxa ultrapassado 117 mortes por 100 mil nascidos vivos em 2021 (gráfico 1).

GRÁFICO 1
Razão da mortalidade materna – Brasil (2016-2022)
(Em óbito materno por 100 mil nascidos vivos)
140,0

117,4
120,0

100,0

80,0 74,7
64,4 64,5
59,1 57,9 57,7
60,0

40,0

20,0

0,0
2016 2017 2018 2019 2020 2021 2022

Fontes: Sistema de Informações sobre Nascidos Vivos do Ministério da Saúde (Sinasc/MS) e Sistema de Informação sobre Mortalidade
(SIM/MS). Disponível em: https://odsbrasil.gov.br/objetivo3/indicador311. Acesso em: 28 fev. 2024.

A escassez de leitos para gestações de alto risco e a falta de terapia intensiva especiali-
zada para gestantes, além da interrupção de serviços essenciais de saúde sexual, reprodutiva
e materna, durante esse período, podem explicar essa piora. Como se observa pelos dados
contidos no gráfico 1, a tendência de redução da mortalidade materna foi retomada em 2022,
sendo alcançada uma taxa de 57,7 mortes por 100 mil nascidos vivos, inferior à meta global
determinada pela ONU de 70 óbitos por 100 mil nascidos vivos, mas ainda distante da meta
nacional, estipulada em 30 óbitos por 100 mil nascidos vivos.
Dessa forma, para o alcance da meta nacional até 2030, há desafios significativos a en-
frentar, considerando-se que seria necessária uma diminuição de 27,7 pontos nos próximos
seis anos, uma queda de cerca de 4,6 pontos por ano, o que seria muito superior ao ritmo
de redução observada entre os anos de 2016 e 2022 (queda de apenas 6,7 pontos em todo
o período). Esses dados evidenciam uma lacuna substancial entre os progressos realizados
até o momento e a trajetória necessária para alcançar o objetivo mais ambicioso estabelecido
pelo Brasil por meio da meta nacional.

10
ODS 3: Assegurar uma vida saudável e promover o bem-estar para todas e todos, em todas as idades

Outra questão relevante é a desagregação dos dados de mortalidade materna por raça/
cor da pele, uma vez que no Brasil existe uma desproporcionalidade da mortalidade materna
entre as mulheres pretas, cujo risco de óbito é de aproximadamente o dobro em comparação
com o das mulheres brancas (Leal et al., 2023). A RMM entre indígenas também supera a
média nacional, com menor realização de consultas pré-natais entre as mulheres indígenas
em comparação com as brancas (Garnelo et al., 2019). As diferenças regionais também
contribuem para variações na mortalidade materna, sendo os estados das regiões Norte,
Nordeste e Centro-Oeste mais afetados em comparação com os estados das regiões Sul e
Sudeste, que são mais ricos (Ferreira, Coutinho e Queiroz, 2023). Por essa razão, no Brasil, as
desagregações dos indicadores de mortalidade materna por raça/cor da pele, etnia e região
de moradia são fundamentais para sinalizar o maior esforço que o país precisa empreender
para avançar e “não deixar ninguém para trás”.
Meta 3.7 (global) – Até 2030, assegurar o acesso universal aos serviços de saúde sexual
e reprodutiva, incluindo o planejamento familiar, informação e educação, bem como a
integração da saúde reprodutiva em estratégias e programas nacionais.
Meta 3.7 (nacional) – Até 2030, assegurar o acesso universal aos serviços e insumos de
saúde sexual e reprodutiva, incluindo o planejamento reprodutivo, à informação e à educa-
ção, bem como a integração da saúde reprodutiva em estratégias e programas nacionais.
Entre 2016 e 2022, o indicador 3.7.2, que mede o número de nascidos vivos de mães
adolescentes (10 a 19 anos), registrou redução de 31,2 nascidos vivos por 1 mil mulheres
para 21,6 (gráfico 2), indicando um progresso considerável do Brasil nessa área. No entanto,
ainda não é possível fazer uma análise sobre o desempenho do indicador 3.7.1 – Proporção
de mulheres em idade reprodutiva (15 a 49 anos) que utilizam métodos modernos de pla-
nejamento familiar, que ainda está em construção.

GRÁFICO 2
Número de nascidos vivos de mães adolescentes (10 anos-19 anos), por 1 mil mulheres
destes grupos etários – Brasil (2016-2022)
(Em nascidos vivos por 1 mil mulheres)
35,0
31,2
30,5
29,4
30,0
27,5
25,5
24,7
25,0
21,6

20,0

15,0

10,0

5,0

0,0
2016 2017 2018 2019 2020 2021 2022

Fontes: Sinasc/MS; retroprojeção da população 2000/2010 (IBGE); e projeções da população do Brasil e Unidades da Federação por
sexo e idade: 2010-2060 – ano de referência 2018 (IBGE). Disponível em: https://odsbrasil.gov.br/objetivo3/indicador372. Acesso
em: 28 fev. 2024.

Meta 3.2 (global) – Até 2030, acabar com as mortes evitáveis de recém-nascidos e
crianças menores de 5 anos, com todos os países objetivando reduzir a mortalidade
neonatal para pelo menos até 12 por 1 mil nascidos vivos e a mortalidade de crianças
menores de 5 anos para pelo menos até 25 por 1 mil nascidos vivos.

11
Cadernos ODS

Meta 3.2 (nacional) – Até 2030, enfrentar as mortes evitáveis de recém-nascidos e


crianças menores de 5 anos, objetivando reduzir a mortalidade neonatal para no máxi-
mo 5 por 1 mil nascidos vivos e a mortalidade de crianças menores de 5 anos para no
máximo 8 por 1 mil nascidos vivos.
No que se refere à meta global 3.2, o indicador de mortalidade neonatal alcançou a meta
de 12 por 1 mil nascidos vivos, registrando valores de 9,6 em 2016 e diminuindo para 8,7 em
2022. Da mesma forma, o indicador de mortalidade de crianças menores de 5 anos está abaixo
de 25 por 1 mil nascidos vivos, com o valor de 15,5 óbitos por 1 mil nascidos vivos em 2022.
Em relação à meta 3.2 (nacional), houve progresso na redução da mortalidade de me-
nores de 5 anos e mortalidade neonatal entre 2016 e 2022. Contudo, conforme evidenciado
no gráfico 3, nos anos da pandemia da covid-19 ocorreu piora do indicador de mortalidade
de menores de 5 anos, que aumentou de 14,0 para 15,5 óbitos por 1 mil nascidos vivos, entre
2020 e 2022, contrastando com o comportamento decrescente do indicador de mortalidade
neonatal. Durante esse intervalo, houve uma queda de 6,2% no número de nascidos vivos,
enquanto os óbitos de menores de 5 anos aumentaram em 7,0%. Apesar da redução dos óbitos
neonatais (crianças de 0 a 27 dias, -3,8%), houve aumento dos óbitos infantis (menores de
1 ano, 2,6%) e nos óbitos de crianças entre 1 e 4 anos (37%). Esses resultados indicam que
a piora do indicador de mortalidade de menores de 5 anos foi principalmente impulsionada
pelo aumento do número de óbitos de crianças com idade entre 1 e 4 anos.

GRÁFICO 3
Taxas de mortalidade de menores de 5 anos e mortalidade neonatal – Brasil (2016-2022)
(Em óbitos por 1 mil nascidos vivos)
18,0
16,4
15,6 15,2 15,4 15,5
16,0
14,5
14,0
14,0

12,0
9,6 9,5 9,2
10,0 9,1 8,8 8,8 8,7
8,0

6,0

4,0

2,0

0,0
2016 2017 2018 2019 2020 2021 2022

Taxa de mortalidade em menores de 5 anos Taxa de mortalidade neonatal

Fontes: Coordenação Geral de Informações e Análises Epidemiológicas da Secretaria de Vigilância em Saúde do Ministério de Saúde
(CGIAE/SVS/MS).
Obs.: Dados estimados utilizando-se a metodologia do Busca Ativa. Disponível em: https://odsbrasil.gov.br/objetivo3/indicador321 e
https://odsbrasil.gov.br/objetivo3/indicador322. Acesso em: 28 fev. 2024.

O agravamento das vulnerabilidades socioeconômicas da população brasileira durante


a pandemia e a fragilização das políticas sociais existentes (cujo fortalecimento poderia mi-
nimizar os efeitos da crise econômica), e a própria covid-19, cuja vacina foi disponibilizada
mais tardiamente para o público infantil, são fatores que podem explicar, em grande parte,
o aumento observado no indicador de mortalidade de menores de 5 anos. Tratou-se da
combinação do crescimento dos óbitos (7,0%) com a queda do número de nascidos vivos
(-6,2%, na comparação 2022 e 2020). Não obstante, é importante reconhecer que persistem
expressivas desigualdades nos níveis de mortalidade em menores de 5 anos entre as regiões
do país (níveis mais elevados no Norte e menores no Sul e Sudeste).

12
ODS 3: Assegurar uma vida saudável e promover o bem-estar para todas e todos, em todas as idades

A meta 3.2 (nacional) somente será alcançada se o Brasil obtiver: i) taxa de diminuição
dos valores do indicador de mortalidade de menores de 5 anos seis vezes maior entre 2023
e 2030 (0,93 óbito por 1 mil nascidos vivos por ano) do que a observada entre 2016 e 2022
(0,15 óbito por 1 mil nascidos vivos por ano); e ii) taxa de diminuição dos valores do indicador
de mortalidade neonatal três vezes maior entre 2023 e 2030 (0,46 óbito por 1 mil nascidos
vivos por ano) do que a observada entre 2016 e 2022 (0,15 óbito por 1 mil nascidos vivos
por ano). Ainda que o governo esteja empreendendo esforços para melhorar as condições
de vida da população, por meio do reforço de políticas existentes e da implementação de
novas políticas econômicas, sociais e ambientais, parece pouco provável o alcance desta
meta em sete anos.
Meta 3.4 (global) – Até 2030, reduzir em um terço a mortalidade prematura por doenças
não transmissíveis por meio de prevenção e tratamento, e promover a saúde mental e
o bem-estar.
Meta 3.4 (nacional) – Até 2030, reduzir em um terço a mortalidade prematura por
doenças não transmissíveis via prevenção e tratamento, promover a saúde mental e o
bem-estar, a saúde do trabalhador e da trabalhadora, e prevenir o suicídio, alterando
significativamente a tendência de aumento.
Quanto à meta global 3.4, houve discreta melhora do indicador de óbitos por doenças
do aparelho circulatório, tumores malignos, diabetes mellitus e doenças crônicas respirató-
rias, e piora da taxa de mortalidade por suicídio, entre 2016 e 2022. A probabilidade de uma
pessoa na faixa etária entre 30 e 69 anos morrer em decorrência das doenças mencionadas
reduziu-se de 15,8% para 14,4%, enquanto a taxa de mortalidade por suicídio subiu de 6,0
para 8,2 por 100 mil habitantes (gráfico 4).

GRÁFICO 4
Probabilidade de morrer dos 30 aos 69 anos por algumas doenças crônicas e taxa de
mortalidade por suicídio – Brasil (2016-2022)
4A – Probabilidade de morrer atribuída a doenças cardiovasculares, câncer, diabetes ou doenças respiratórias
crônicas entre os 30 e 69 anos
(Em %)
24,0
22,0
20,0
18,0
15,8 15,4
16,0 15,1 15,0
14,5 14,4 14,4
14,0
12,0
10,0
8,0
6,0
4,0
2,0
0,0
2016 2017 2018 2019 2020 2021 2022

13
Cadernos ODS

4B – Taxa de mortalidade por suicídio


(Óbitos por 100 mil habitantes)
11,0
10,0
9,0 8,2
7,8
8,0
6,9 7,0
6,5 6,6
7,0
6,0
6,0
5,0
4,0
3,0
2,0
1,0
0,0
2016 2017 2018 2019 2020 2021 2022

Fontes: SIM/MS; e retroprojeção da população 2000/2010 (IBGE); e projeções da população do Brasil e Unidades da Federação por sexo
e idade: 2010-2060 – ano de referência 2018 (IBGE). Disponível em: https://odsbrasil.gov.br/objetivo3/indicador341 e https://
odsbrasil.gov.br/objetivo3/indicador342. Acesso em: 28 fev. 2024.

O cumprimento da meta 3.4 até 2030 está ameaçado, uma vez que requer a redução da
probabilidade de morrer prematuramente (30 a 69 anos) pelas doenças citadas de 15,8% para
10,5%. Para isso, seria necessário acelerar a diminuição da taxa de 0,23 ponto percentual
(p.p.) ao ano (2016 a 2022) para 0,5 p.p. ao ano a partir de 2023. Para a meta nacional, o
desafio se mostra ainda maior, porque nela se considera também a mortalidade por suicídio,
para a qual se almejava alterar significativamente a tendência de aumento de anos recentes.
Fatores como a recessão econômica brasileira de 2014 a 2016, que resultou em aumento
da taxa de desemprego e piora das condições de vida e de saúde de parte expressiva da
população, associada à implementação de uma agenda de austeridade fiscal de 2015 a 2022,
com impactos negativos sobre as políticas de proteção social, podem explicar, em grande
medida, esses resultados (Sá et al., 2019). Ademais, a pandemia da covid-19 foi um fator
importante para a deterioração da saúde mental da população, e esse efeito não pôde ser
adequadamente mitigado, em razão de uma série de reformas realizadas na política nacional
de saúde mental entre 2019 e 2022 (Sá et al., 2022).
Meta 3.9 (global) – Até 2030, reduzir substancialmente o número de mortes e doenças
por produtos químicos perigosos e por contaminação e poluição do ar, da água e do solo.
Meta 3.9 (nacional) – Meta mantida sem alteração.
Sobre a meta 3.9, igualmente prioritária, há muitas incertezas acerca da possibilidade
de o Brasil atingir o que se pretende alcançar até 2030. Entre 2016 e 2022, houve redução
da taxa de mortalidade atribuída a fontes de água inseguras, saneamento inseguro e falta
de higiene, ainda que, nos anos da pandemia, esse indicador tenha apresentado piora.
Entretanto, o maior empecilho para o cumprimento dessa meta está relacionado aos óbi-
tos por intoxicação não intencional, que não apresentaram redução expressiva no período
analisado (gráfico 5).

14
ODS 3: Assegurar uma vida saudável e promover o bem-estar para todas e todos, em todas as idades

GRÁFICO 5
Taxa de mortalidade atribuída a fontes de água inseguras, saneamento inseguro e falta
de higiene, e à intoxicação não intencional – Brasil (2016-2022)
(Em óbitos por 100 mil habitantes)
5A – Taxa de mortalidade atribuída a fontes de água inseguras, saneamento inseguro e falta de higiene
6,0
5,3
5,0
5,0 4,7 4,8
4,4
4,1 4,1
4,0

3,0

2,0

1,0

0,0
2016 2017 2018 2019 2020 2021 2022

5B – Taxa de mortalidade atribuída à intoxicação não intencional


0,25
0,22

0,19
0,20 0,18
0,17 0,17 0,17
0,16

0,15

0,10

0,05

0,00
2016 2017 2018 2019 2020 2021 2022

Fontes: SIM/MS; retroprojeção da população 2000/2010 (IBGE); e projeções da população do Brasil e Unidades da Federação por sexo
e idade: 2010-2060 – ano de referência 2018 (IBGE). Disponível em: https://odsbrasil.gov.br/objetivo3/indicador392 e https://
odsbrasil.gov.br/objetivo3/indicador393. Acesso em: 28 fev. 2024.

Produtos químicos são amplamente utilizados nos domicílios como materiais de lim-
peza. Entretanto, o maior risco atrelado a esses produtos é o de intoxicação no ambiente
de trabalho, em setores como agricultura e construção civil. Na agricultura, esse risco foi
intensificado, nos últimos anos, por causa da flexibilização da regulamentação sobre uso de
agrotóxicos no Brasil. O número de ingredientes ativos comercializados passou de 377, em
2016, para 416 em 2022, o que representa um aumento de 10,3% na oferta de substâncias
ativas. Em termos de quantidade vendida, o aumento foi mais expressivo, de 36,6% nesse
período, com ampliação da comercialização de 535,5 mil toneladas para 731,7 mil toneladas
desses produtos.5 Como é pouco provável que haja uma reversão da quantidade de agrotóxi-
cos consumidos no país no médio prazo, a despeito das ações que o governo vem adotando

5. Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama). Painel de informações sobre a comercialização de
agrotóxicos e afins (série 2009-2022). Disponível em: https://www.gov.br/ibama/pt-br/assuntos/quimicos-e-biologicos/agrotoxicos/
paineis-de-informacoes-de-agrotoxicos/paineis-de-informacoes-de-agrotoxicos#Painel-comercializacao. Acesso em: 15 fev. 2024.

15
Cadernos ODS

para regular o uso de tais produtos e para frear a liberação daqueles mais perigosos à saúde,
dificilmente se conseguirá reduzir substancialmente os óbitos por intoxicação não intencional.
Quanto ao saneamento básico, o Brasil ainda enfrenta grandes desafios para assegurar
o acesso a serviços de esgotamento sanitário a toda a população. Em 2017, 25,6 milhões de
domicílios brasileiros não tinham acesso a esgotamento sanitário por rede ou fossa séptica,6
havendo desigualdades significativas de acesso entre as regiões geográficas do país. Impor-
tante considerar, também, que nem todo esgoto coletado por rede é direcionado a estações
de tratamento. Dados de 2017 revelam que quase metade do volume de esgoto coletado
por rede não recebe tratamento antes de sua disposição final.7 A despeito da redução dos
investimentos diretos em saneamento básico e da concessão de empréstimos aos muni-
cípios e estados, pelo governo federal, para financiamento de projetos nessa área (Santos
e Mendes, 2024), houve diminuição da mortalidade atribuída a fontes inseguras de água,
saneamento inseguro e falta de higiene, de 2016 a 2021. Esse resultado pode estar relacio-
nado a um esforço maior dos estados e municípios para ampliação do acesso aos serviços
de saneamento básico nesse período. Contudo, entre 2021 e 2022, observa-se aumento
do indicador de mortalidade por essas causas, o que pode ser explicado pela ampliação do
número de pessoas vivendo em condições de maior vulnerabilidade socioeconômica, com
acesso mais precário aos serviços de saneamento básico, durante a pandemia da covid-19
(Silva et al., 2023).
Meta 3.b (global) – Apoiar a pesquisa e o desenvolvimento de vacinas e medicamentos
para as doenças transmissíveis e não transmissíveis, que afetam principalmente os países
em desenvolvimento, proporcionar o acesso a medicamentos e vacinas essenciais a
preços acessíveis, de acordo com a Declaração de Doha, que afirma o direito dos países
em desenvolvimento de utilizarem plenamente as disposições do acordo TRIPS sobre
flexibilidades para proteger a saúde pública e, em particular, proporcionar o acesso a
medicamentos para todos.
Meta 3.b (nacional) – Apoiar a pesquisa e o desenvolvimento de tecnologias e inova-
ções em saúde para as doenças transmissíveis e não transmissíveis, proporcionar o
acesso a essas tecnologias e inovações incorporadas ao SUS, incluindo medicamentos
e vacinas, a toda a população.
No que se refere à meta global 3.b, houve uma adaptação em sua redação para a meta
nacional. A mudança de “vacinas e medicamentos” para “tecnologias e inovações em saú-
de” foi realizada visando a uma abordagem mais abrangente. A inclusão de “incorporadas
ao SUS” se justifica pelo compromisso do governo brasileiro em garantir acesso apenas às
tecnologias incorporadas ao SUS. É importante destacar que o número das tecnologias
incorporadas ao SUS é superior ao número de vacinas e medicamentos essenciais consi-
derado na meta global.
O Brasil destaca-se como um país que disponibiliza acesso a medicamentos, de maneira
gratuita, por meio de sua rede pública de saúde, em diferentes linhas de cuidado, inclusive
tratamentos de custo elevado para as doenças raras, definidos em Protocolos Clínicos e
Diretrizes Terapêuticas (PCDT). Entretanto, a despeito da ampla oferta de imunizantes, a
cobertura vacinal, que alcançou mais de 90%, diminuiu nos últimos anos (gráfico 6).

6. IBGE. Censo Demográfico 2022. Disponível em https://sidra.ibge.gov.br/tabela/6805. Acesso em 6 mar. 2024.


7. IBGE. Pesquisa Nacional de Saneamento Básico 2017. Disponível em: https://www.ibge.gov.br/estatisticas/multidominio/meio-
-ambiente/9073-pesquisa-nacional-de-saneamento-basico.html. Acesso em: 5 mar. 2024.

16
ODS 3: Assegurar uma vida saudável e promover o bem-estar para todas e todos, em todas as idades

Há, contudo, sinais de recuperação, com o crescimento da cobertura vacinal infantil


entre 2021 e 2022 (Boccolini, 2023). Houve ampliação da imunização em crianças com 1
ano de idade contra hepatite A, poliomielite, pneumonia, meningite, DTP (difteria, tétano e
coqueluche) e tríplice viral 1a dose e 2a dose (sarampo, caxumba e rubéola) em 2023. A alta
foi registrada em todas as UFs do país.8

GRÁFICO 6
Cobertura vacinal, por vacina – Brasil (2016-2022)
(Em %)
81,5
Pneumocócica
95,0

71,5
Pneumocócica (1o reforço)
84,1

57,6
Tríplice viral (2a dose)
76,7

Tríplice bacteriana – 67,4


DTP (1o reforço) 64,3

76,4
HPV feminino (1a dose)
94,1

57,73
HPV feminino (2a dose)
59,3

HPV masculino (1a dose) 42,2

HPV masculino (2a dose) 27,4

0 20 40 60 80 100

2022 2016

Fontes: Sistema de Informação do Programa Nacional de Imunizações (SI-PNI) – número de doses aplicadas; Sinasc – menores de 1 ano
e 1 ano. IBGE – população de mulheres de 15 anos.
Obs.: HPV – Papilomavírus Humano.

Medidas que estão em curso para reverter o cenário de queda na vacinação incluem o
Movimento Nacional pela Vacinação, iniciativa que visa mobilizar a população para o alcance
de altas coberturas vacinais, com campanhas de vacinação abrangentes e direcionadas a
públicos específicos. O Programa Saúde com Ciência tenciona combater a desinformação
sobre vacinas. O microplanejamento, estratégia de regionalização por meio de oficinas com
secretarias de saúde estaduais e municipais para a busca de soluções com base na realida-
de local, também tem sido fundamental para que a estratégia de imunização seja adaptada
conforme a população e a estrutura de saúde local.
É importante destacar que o Brasil utiliza o conceito de saúde como direito universal.
Os cuidados de saúde primários, entendidos como acesso a saúde reprodutiva, materna,
infantil, assim como cuidados para doenças transmissíveis e não transmissíveis em geral,
são disponibilizados aos cidadãos por meio de um conjunto abrangente de políticas públicas,
todas de caráter universal. No período de 2019 a 2022, registrou-se aumento das equipes de
saúde da família e de Atenção Primária à Saúde (APS). São equipes compostas por médicos,
enfermeiros, técnicos em enfermagem e agentes comunitários de saúde, financiadas pelo
Ministério da Saúde, estados e municípios, atuando em todo o território nacional. Essas
equipes apresentaram um aumento expressivo (mais de 18%), passando de 44.447, em
2019, para 52.529 em 2022. O contingente de agentes comunitários de saúde em atuação

8. Disponível em: https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/noticias/2023/dezembro/arquivos/19-12-12_apresentacao_dados_va-


cinacao.pdf.

17
Cadernos ODS

no Brasil também foi ampliado, passando de 260.373, em 2019, para 278.209 em 2022, o
que representou um incremento de 6,9%.
O aumento significativo das equipes de saúde da família e de APS, assim como a ex-
pansão da quantidade de agentes comunitários de saúde, refletem o compromisso do país
em fortalecer seu sistema de saúde. Esses esforços estão alinhados com a meta 3.b, que
busca apoiar a pesquisa, o desenvolvimento e o acesso a tecnologias e inovações em saúde,
garantindo que medicamentos e vacinas essenciais estejam disponíveis para toda a popu-
lação, especialmente aqueles incorporados ao SUS.

4 PRINCIPAIS POLÍTICAS E AÇÕES GOVERNAMENTAIS QUE


CONTRIBUEM PARA O ALCANCE DO ODS 3
Desde 2023, o governo brasileiro tem reformulado políticas econômicas, reforçado políticas
sociais existentes e implementado novas políticas que atuam sobre determinantes sociais e
ambientais da saúde. A agenda governamental tem focado a promoção do desenvolvimento
social e a melhoria das condições de vida da população brasileira, promovendo assim o seu
bem-estar, com especial atenção para os grupos mais vulneráveis, sob diversas perspectivas,
como as de gênero, raça/cor da pele e renda.
No campo da saúde, o compromisso é o de fortalecimento do SUS, que busca garantir
acesso integral, universal e gratuito para toda a população, em observância aos princípios de
universalidade, equidade e integralidade, além de reverter retrocessos na política de saúde
ocorridos em período recente, e reforçar o orçamento do SUS. Nessa direção, o país está
implementando ações para resgatar a valorização da ciência e da tecnologia, dos direitos
sexuais e reprodutivos, da educação, da cultura, da cooperação federativa, da participação e
do controle social. A seguir, destacam-se as principais políticas que estão sendo priorizadas
no âmbito do governo federal, a partir de 2023, e que contribuem para o alcance do ODS 3.
A Política Nacional de Vigilância em Saúde Pública, por meio do processo contínuo e
sistemático de coleta, consolidação, análise de dados e disseminação de informações sobre
eventos relacionados à saúde, permite o planejamento e a implementação de medidas de
saúde pública, visando à proteção e promoção da saúde da população, prevenção e con-
trole de riscos, agravos e doenças. Adicionalmente são englobadas, entre outras, iniciativas
como a Política Nacional de Promoção da Saúde, de Segurança Alimentar e Nutricional,
de Atenção Integral à Saúde da Mulher, de Atenção à Saúde da Criança, de Saúde Integral
da População Negra, de Atenção à Saúde dos Povos Indígenas, de Saúde da Pessoa com
Deficiência. Estas políticas interagem de forma complementar, a fim de se promover saúde
para todos, levando-se em conta suas particularidades.
O país também vem trabalhando para fortalecer o PNI, com a ampliação e regularização da
oferta de imunizantes, bem como a intensificação das campanhas de vacinação, fundamentais
para a prevenção de doenças transmissíveis, tendo em vista os efeitos negativos de ondas
de desinformação sobre vacinas, disseminadas em redes sociais e impulsionadas durante a
pandemia. O Calendário Nacional de Vacinação do Brasil contempla não só as crianças, mas
também adolescentes, adultos, idosos, gestantes e povos indígenas. Há vacinas destinadas
a todas as faixas etárias e campanhas anuais para atualização da caderneta de vacinação.9
Como parte do esforço direcionado ao tratamento de doenças não transmissíveis, é
importante citar o Programa Farmácia Popular do Brasil (PFPB), que busca complementar
o acesso a medicamentos utilizados na APS, por meio de parcerias com farmácias da rede

9. PNI. Disponível em: https://www.gov.br/saude/pt-br/acesso-a-informacao/acoes-e-programas/programa-nacional-de-imunizacoes-


-vacinacao. Acesso em: 16 fev. 2024.

18
ODS 3: Assegurar uma vida saudável e promover o bem-estar para todas e todos, em todas as idades

privada. Esse programa disponibiliza gratuitamente medicamentos para o tratamento de


diabetes, asma, hipertensão, osteoporose e contraceptivos, além de medicamentos sub-
sidiados para dislipidemia, rinite, doença de Parkinson, glaucoma, bem como para fraldas
geriátricas. Ademais, o PFPB passou a dar acesso gratuito a todos os medicamentos nele
disponíveis10 aos 55 milhões de beneficiários do Programa Bolsa Família.

BOX 2
ESF e PMM
A ESF é um modelo de atenção básica à saúde que opera por meio de equipes multiprofissionais em áreas específicas. Essas
equipes são encarregadas de até 4 mil indivíduos, dependendo do nível de vulnerabilidade da população local. A equipe
inclui médicos, enfermeiros, auxiliares ou técnicos de enfermagem e agentes comunitários de saúde.
Um dos aspectos essenciais da ESF é a realização de visitas domiciliares pelos agentes comunitários de saúde, conforme as
necessidades das famílias e do território. Esses profissionais oferecem a primeira assistência e, quando necessário, agendam
consultas em UBS ou em instalações especializadas.
A ESF abrange aproximadamente 62,6% da população brasileira, e estudos indicam que municípios que a adotam expe-
rimentam benefícios, como a redução da mortalidade infantil e das hospitalizações, além de se observar uma melhoria na
qualidade de vida e na equidade em saúde.
No âmbito da APS, a ESF é o modelo estruturante de um conjunto de ações e iniciativas para o fortalecimento do acesso a
serviços de saúde, constituindo-se em ferramenta para concretizar o princípio dos ODS de “não deixar ninguém para trás”. Na
mesma direção, encontra-se o PMM, que busca melhorar o atendimento aos usuários do SUS, por meio da disponibilização
de médicos em regiões onde há escassez ou ausência desses profissionais. O governo vem reforçando o programa, com
a ampliação do número de médicos e a reorganização da oferta de novas vagas de graduação e residência médica, para
qualificar a formação desses profissionais.
Esses dois programas têm grande impacto na melhoria da saúde sexual e reprodutiva e na redução da mortalidade mater-
na e infantil. Ambos proporcionam o atendimento integral e longitudinal da população, além de estimularem a fixação dos
profissionais na rede de atenção à saúde.
Fontes: Estratégia Saúde da Família (disponível em https://www.gov.br/saude/pt-br/composicao/saps/estrategia-saude-da-familia) e
Programa Mais Médicos (disponível em http://maismedicos.gov.br/conheca-programa).
Elaboração das autoras.

Ainda com relação à saúde materna e da criança, a reconstrução da Rede Cegonha


contribui para a redução das mortes maternas e a garantia de acesso universal aos serviços
de saúde sexual e reprodutiva. Ela engloba um pacote de ações para assegurar atendimento
de qualidade, seguro e humanizado para todas as mulheres. Com essa rede, o Brasil busca
oferecer assistência à saúde durante o planejamento reprodutivo, a confirmação da gravidez,
o pré-natal, o parto e os 28 dias pós-parto (puerpério), cobrindo, inclusive, os dois primeiros
anos de vida da criança.11 As ações e serviços oferecidos levam em consideração as diferen-
tes conformações familiares, contribuindo para a eliminação das desigualdades no acesso
à saúde para públicos específicos.
Ademais, no que se refere à saúde sexual e reprodutiva da mulher, foi instituído o Programa
Dignidade Menstrual, que garante a distribuição gratuita e continuada de absorventes higiê-
nicos para cerca de 24 milhões de pessoas, que estão entre 10 e 49 anos e não têm acesso
a esse item fundamental durante o ciclo menstrual. O programa também desenvolve ações
de educação menstrual, para que elas sejam capazes de vivenciar seus ciclos menstruais
com segurança e dignidade, sem impactos de saúde e de exclusão social.12
Quanto ao enfrentamento das DTNs, as ações voltadas à redução da taxa de incidência
de arboviroses (dengue, chikungunya, zika e febre amarela) foram incluídas entre as de im-
plementação prioritária no médio prazo (2024-2027). As DTNs representam um grupo amplo
e diverso de mais de vinte doenças e agravos resultantes de processos de desigualdade e

10. Programa Farmácia Popular do Brasil. Disponível em: https://www.gov.br/saude/pt-br/composicao/sectics/farmacia-popular.


Acesso em: 5 mar. 2024.
11. Rede Cegonha. Disponível em: https://aps.saude.gov.br/smp/smprasredecegonha. Acesso em: 16 fev. 2024.
12. Programa Dignidade Menstrual. Disponível em: https://www.gov.br/saude/pt-br/campanhas-da-saude/2024/dignidade-menstrual.
Acesso em: 16 fev. 2024.

19
Cadernos ODS

vulnerabilização de territórios, comunidades e pessoas em contextos econômicos, sociais e


ambientais desfavoráveis, principalmente em áreas tropicais e subtropicais (Brasil, 2024a).
O Programa Brasil Saudável: Unir para Cuidar tem como objetivo eliminar e reduzir a
incidência de catorze doenças determinadas socialmente, como tuberculose, hepatite,
doença de Chagas e tracoma. Prevê a implementação de políticas públicas e programas de
saúde voltados para prevenção, controle e tratamento de doenças transmissíveis; o fortale-
cimento dos sistemas de vigilância epidemiológica; a promoção de ações educativas sobre
medidas preventivas e hábitos saudáveis; a ampliação do acesso aos serviços de saúde,
especialmente nas regiões vulneráveis; e o desenvolvimento de parcerias com instituições
públicas e privadas, organizações da sociedade civil e organismos internacionais, para po-
tencializar os esforços de combate às doenças determinadas socialmente (Brasil, 2024b).
As ações incluem ainda a distribuição gratuita de medicamentos para pessoas acometidas
de diversas enfermidades.
O empenho em promover a participação da população na construção das políticas de
saúde revelou-se por meio da realização das conferências municipais e estaduais, bem como
das conferências livres realizadas em todo o país, que contribuíram significativamente para
o sucesso da participação social na 17a Conferência Nacional de Saúde. Essa mobilização
também foi fundamental para a elaboração do PPA 2024-2027 e do PNS, ambos caracte-
rizados pela abordagem participativa. Além disso, houve uma retomada dos espaços de
participação dos movimentos sociais do campo, floresta e águas.
Outras iniciativas importantes incluem o lançamento do projeto de conselhos locais de
saúde pelo Conselho Nacional de Saúde (CNS), bem como a criação de assessorias es-
peciais voltadas para equidade étnico-racial, saúde territorial, participação e diversidade.
Essas medidas têm sido cruciais na elaboração de políticas públicas que visam combater o
racismo e outras formas de discriminação, abordando questões de gênero, orientação sexual
e outras formas de marginalização.
Em face da crise humanitária dos indígenas Yanomami na Amazônia, e para responder
aos graves problemas de saúde enfrentados por eles, o governo declarou Emergência Pública
de Importância Nacional em 2023. Além disso, foi criada a Casa de Governo, em 2024, com o
objetivo de facilitar a comunicação entre os níveis de governo, monitorar a implementação de
políticas públicas emergenciais e permanentes para os povos da Terra Indígena Yanomami,
e manter diálogo com lideranças indígenas. Essas medidas refletem o compromisso do país
em assegurar que nenhum brasileiro seja “deixado para trás”.

5 AVANÇOS, DESAFIOS E DIFICULDADES CRÍTICAS


Desde o estabelecimento da Agenda 2030 até 2022, o Brasil apresentou progressos em alguns
indicadores, como a redução da mortalidade materna, da maternidade na adolescência e da
mortalidade atribuída a fontes de água inseguras, saneamento inseguro e falta de higiene, por
exemplo; e retrocesso em outros. Entretanto, mesmo os progressos não se deram no ritmo
necessário para o atingimento de grande parte das metas em 2030, indicando a necessidade
de ações mais intensas nos próximos anos. Alguns avanços incluem os elencados a seguir.
• Redução na mortalidade materna: o Brasil retornou a valores de mortalidade materna
observados no período pré-pandemia, resultado de investimentos em saúde materno-
-infantil, acesso a serviços de saúde e melhoria das condições socioeconômicas.

• Redução nos nascidos vivos de mães adolescentes: os resultados alcançados até o


momento, na redução da natalidade das adolescentes de 10 a 19 anos, têm impacto
na promoção da saúde da mulher a médio e longo prazos.

20
ODS 3: Assegurar uma vida saudável e promover o bem-estar para todas e todos, em todas as idades

• Fortalecimento da APS: embora o indicador associado à cobertura universal de


saúde ainda esteja em construção, os investimentos na expansão e qualificação da
atenção primária têm contribuído para melhorar o acesso da população aos serviços
de saúde básicos, mesmo em um contexto de desmonte de políticas públicas de
saúde, na gestão federal de 2019 a 2022.

Para o Brasil, um país com um sistema federativo complexo e grande extensão territorial,
avançar no cumprimento das metas do ODS 3 implica superar vários obstáculos. As decisões,
políticas e ações voltadas à promoção da saúde precisam ser pactuadas nos diferentes níveis
de governo – municipal, estadual e federal. Essa estrutura descentralizada traz consigo uma
série de desafios, incluindo a necessidade de coordenação de esforços e alinhamento de
agendas entre os diversos entes federativos.
Além disso, a garantia de financiamento adequado e a efetiva implementação das políti-
cas, em todas as esferas governamentais, são cruciais para garantir o progresso sustentável
em direção às metas do ODS 3. O envolvimento ativo e colaborativo de todos os níveis de
governo, bem como da sociedade civil e outros atores relevantes, é essencial para a supe-
ração das dificuldades.
O acesso equitativo e universal aos serviços de saúde, especialmente em regiões remotas
e áreas periféricas das cidades, permanece como um desafio considerável. As disparidades
socioeconômicas e infraestruturais continuam a representar obstáculos significativos para
a realização do direito à saúde para todos. Diferenças raciais também são relevantes sob
esse aspecto, e povos indígenas e outras populações específicas, como ribeirinhos, pessoas
com deficiência e quilombolas, enfrentam mais barreiras para acessar os serviços de saúde.
Identificar populações vulneráveis, por meio da implementação de campos específicos
nos sistemas de coleta de dados, é crucial para possibilitar o monitoramento, a avaliação e
a formulação de políticas que respondam às suas necessidades. Aprimorar a qualidade e a
disponibilidade dessas informações é fundamental, especialmente quando já estão disponíveis.
Ademais, a pandemia da covid-19 trouxe à tona novos problemas e exacerbou as desi-
gualdades existentes. É urgente investir em pesquisa e desenvolvimento de medicamentos
acessíveis, incluindo vacinas, e fortalecer o SUS para o enfrentamento de ameaças à saúde
pública. Além disso, o aumento no indicador de mortalidade por suicídio evidencia a preca-
rização da saúde mental, decorrente da pandemia e do desmonte de políticas voltadas para
essa área nos últimos anos.
Outro desafio crítico é a persistente carga de doenças crônicas não transmissíveis –
como doenças cardiovasculares, respiratórias crônicas, cânceres e diabetes –, que, apesar
da pequena melhora, exige uma abordagem multifacetada que considere o envelhecimento
da população e a consequente ampliação da demanda por serviços de saúde, colocando
um fardo adicional sobre os recursos limitados disponíveis.
Avançar em estratégias de cuidados de saúde primários, como a ESF, e promover a
inovação em saúde são essenciais para enfrentar esses desafios em evolução. O cuidado
em relação a DTNs também requer avanços, demandando uma abordagem interdisciplinar
e multissetorial que considere dimensões ambientais e climáticas, aspectos econômicos,
sociais e migratórios. No caso brasileiro, destaca-se a predominância da dengue entre
tais enfermidades.
Diante dos enormes desafios que o Brasil deve enfrentar para alcançar as metas do ODS
3, é evidente que ainda há um longo caminho a percorrer para se garantir uma vida saudável
e se promover o bem-estar de todos até 2030. Portanto, é essencial redobrar os esforços e
adotar medidas decisivas com o intuito de assegurar o direito à saúde para todos os brasi-
leiros, independentemente de sua origem, gênero ou condição socioeconômica.

21
Cadernos ODS

REFERÊNCIAS
BOCCOLINI, P. de M. M. et al. Dataset on child vaccination in Brazil from 1996 to 2021. Scientific
Data, v. 10, n. 23, p. 1-9, 2023. Disponível em: https://doi.org/10.1038/s41597-023-01939-0.
BRASIL. Ministério da Saúde. Plano Nacional de Saúde: 2024-2027. Brasília: Ministério
da Saúde, 2023a. Disponível em: https://digisusgmp.saude.gov.br/storage/conteudo/
W2jOMcLWqx1wLMZMqx7Y6MMVFCjxGgR1WzGIcOqC.pdf.
BRASIL. Ministério do Planejamento e Orçamento. Plano Plurianual 2024-2027: mensagem
presidencial. Brasília: Secretaria Nacional de Planejamento/MPO, 2023b.
BRASIL. Doenças tropicais negligenciadas no Brasil: morbimortalidade e resposta nacional
no contexto dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável 2016-2020. Brasília: Ministério
da Saúde, jan. 2024a. (Boletim epidemiológico, número especial).
BRASIL. Decreto no 11.908, de 6 de fevereiro de 2024. Institui o Programa Brasil Saudável –
Unir para Cuidar, e altera o Decreto no 11.494, de 17 de abril de 2023, para dispor sobre o
Comitê Interministerial para a Eliminação da Tuberculose e de Outras Doenças Determinadas
Socialmente (CIEDDS). Diário Oficial da União, Brasília, 7 abr. 2024b. Seção 1.
FERREIRA, M. E. S.; COUTINHO, R. Z.; QUEIROZ, B. L. Morbimortalidade materna no Brasil e
a urgência de um sistema nacional de vigilância do near miss materno. Cadernos de Saúde
Pública, v. 39, n. 8, p. 1-13, 2023. Disponível em: https://www.scielo.br/j/csp/a/zkhZSJfQR
ygCcHpywLpKmGp/?lang=pt#. Acesso em: 17 fev. 2024.
GARNELO, L. et al. Avaliação da atenção pré-natal ofertada às mulheres indígenas no Brasil:
achados do Primeiro Inquérito Nacional de Saúde e Nutrição dos Povos Indígenas. Cadernos
de Saúde Pública, Rio de Janeiro, v. 35, p. 1-13, 2019.
GTSC A2030 – GRUPO DE TRABALHO DA SOCIEDADE CIVIL PARA A AGENDA 2030.
VII Relatório Luz da Sociedade Civil da Agenda 2030 de Desenvolvimento Sustentável –
Brasil. [s.l.]: GTSC A2030, 2023.
LEAL, M. do C. et al. Nascer no Brasil II: pesquisa nacional sobre aborto, parto e nascimento
2022-2023. Rio de Janeiro: Fiocruz, 2023. Disponível em: https://nascernobrasil.ensp.fiocruz.
br/wp-content/uploads/2023/11/Dados-preliminares-da-pesquisa-Nascer-no-Brasil-2.pdf.
Acesso em: 17 fev. 2023.
SÁ, E. B. de et al. Saúde. Políticas Sociais: Acompanhamento e Análise, Brasília, n. 26,
p. 85-127, 2019.
SÁ, E. B. de et al. Saúde. Políticas Sociais: Acompanhamento e Análise, Brasília, n. 27,
p. 91-123, 2020.
SÁ, E. B. de et al. Saúde. Políticas Sociais: Acompanhamento e Análise, Brasília n. 29,
p. 111-166, 2022.
SANTOS, G. R. dos; MENDES, A. T. Financiamento do saneamento básico no Brasil: a
opção de debêntures incentivadas. Brasília: Ipea, fev. 2024. (Texto para Discussão n. 2965).
SILVA, F. da C. da et al. Correlação entre saneamento básico e vulnerabilidade à pandemia
de covid-19 no Brasil. Engenharia Sanitária e Ambiental, v. 28, p. 1-8, 2023.

22
Ipea – Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada

EDITORIAL

Coordenação
Aeromilson Trajano de Mesquita

Assistentes da Coordenação
Rafael Augusto Ferreira Cardoso
Samuel Elias de Souza

Supervisão
Ana Clara Escórcio Xavier
Everson da Silva Moura

Revisão
Alice Souza Lopes
Amanda Ramos Marques Honorio
Barbara de Castro
Brena Rolim Peixoto da Silva
Cayo César Freire Feliciano
Cláudio Passos de Oliveira
Clícia Silveira Rodrigues
Nayane Santos Rodrigues
Olavo Mesquita de Carvalho
Reginaldo da Silva Domingos
Jennyfer Alves de Carvalho (estagiária)
Katarinne Fabrizzi Maciel do Couto (estagiária)

Editoração
Anderson Silva Reis
Augusto Lopes dos Santos Borges
Cristiano Ferreira de Araújo
Daniel Alves Tavares
Danielle de Oliveira Ayres
Leonardo Hideki Higa
Natália de Oliveira Ayres

Capa
Danilo Leite de Macedo Tavares

The manuscripts in languages other than Portuguese


published herein have not been proofread.

Ipea – Brasília
Setor de Edifícios Públicos Sul 702/902, Bloco C
Centro Empresarial Brasília 50, Torre B
CEP: 70390-025, Asa Sul, Brasília-DF
Missão do Ipea
Aprimorar as políticas públicas essenciais ao desenvolvimento brasileiro
por meio da produção e disseminação de conhecimentos e da assessoria
ao Estado nas suas decisões estratégicas.

Você também pode gostar