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Livro A Casa de Deus e Seus Obreiros Previa1 Completo

Boa Leitura

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marosandias
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folha de rosto

ficha catalográfica
sumário
Prefácio 00
Introdução 00
1. O ministério 00
2. O chamado 00
3. Pelo menos um dom deve fazer parte
da vida de um obreiro 00
4. Porque a igreja precisa de obreiros? 00
5. Hierarquia da Igreja 00
Evangelista 00
Presbítero 00
Diácono 00
Missionário (a) 00
Congregados 00
Cooperador na Igreja 00
6. A Participação das mulheres no Ministério de Jesus 00
A maior notícia do cristianismo veio dos lábios
de uma mulher 00
Participação das mulheres na política 00
Ministério Feminino na Bíblia (Romanos16) 00
7. Instituição dos Diáconos 00
8. Diaconiza: suas características e deveres 00
O que uma Diaconiza não deve fazer 00
9. Diácono 00
Natureza do diaconato 00
As qualificações do diácono 00
Os deveres eclesiásticos do diácono 00
Outras responsabilidades diaconais 00
Ética diaconal 00
10. Presbítero 00
A importância do presbitério 00
Os deveres do presbitério 00
11. Evangelista 00
O dom ministerial do Evangelista 00
O que é um evangelista? 00
12. O pastor auxiliar 00
Entenda seu chamado 00
Deveres do vice pastor 00
O ofício do vice pastor 00
Qualidades de um pastor auxiliar 00
13. Pastor 00
14. A origem do Círculo de Oração 00
O propósito do Círculo de Oração 00
Consagração solene de obreiros 00
15. Como deve ser o culto solene de consagração
de obreiros? 00
16. O óleo e sua utilidade na Bíblia 00
17. Lealdade e Deslealdade - Quem é fiel a Deus
é leal aos homens? 00
A importância de se ensinar sobre lealdade 00
Estágios da deslealdade - Aprenda a detectar
a deslealdade 00
Estágios da deslealdade - O estágio crítico 00
Estágios da deslealdade - Engano 00
Os benefícios da lealdade 00
Bibliografia 00
prefácio

O
Pr. Marosam Dias é um homem de Deus ad-
mirável, que atualmente serve a Deus como
vice-presidente na Igreja Assembleia de Deus,
ministério de Madureira, em Barra do Garças-MT.

Neste livro “A casa de Deus e seus Obreiros”, o


Pr. Marosam, de forma clara e objetiva, nos traz a lume
um texto prático e ao mesmo tempo muito esclarece-
dor, um verdadeiro manual de liturgia, de ética, honra,
principio, e lealdade de como cada obreiro pode servir
melhor o corpo de Cristo Jesus na face da terra.

É bem verdade que só dá o seu melhor aquele


que realmente tem consciência da sua chamada por
DEUS e não aceita uma vida de estagnação, letargia
Espiritual; mas como Paulo prossegue, sabendo que
sempre terá algo a mais para conquistar (Filipenses
3.13-14).

Obreiros quer dizer trabalhadores da obra de


Deus! E, a obra de Deus significa serviço de Deus.

É interessante se apontar que a grande diferen-


ça entre um membro da igreja e um obreiro está no
grau de comprometimento com o Reino de Deus, pois
um membro pode estar envolvido, mas o obreiro está
comprometido com o crescimento do Reino.

PREFÁCIO | 5
O membro contribui com a sua presença, mas o
obreiro contribui com seu trabalho. Jesus disse:


“A qualquer que muito foi dado,
muito se lhe pedirá...” (Lucas 12.48).

Logo, exige-se muito mais dos obreiros do que


dos membros.

E, por quê? Porque o obreiro serve de referen-


cial para os demais, uma vez que os membros e visi-
tantes tendem a se espelhar em quem está à frente.

Portanto, o obreiro deve ser padrão para os de-


mais. Uma coisa é estar em meio à multidão, sem ser
notado. Outra coisa é estar à frente, ou em pé na igreja
trabalhando (Tito 2.7-8).

Precisamos compreender definitivamente que


o obreiro é aquele que se dispõe a comprometer o seu
tempo, seus recursos e talentos na Obra de Deus. Ele
não se satisfaz apenas em entregar seu dízimo e dar
as suas ofertas. Ele quer dar-se a si mesmo a Deus (II
Coríntios 8.5) e para isso, está sempre disposto a ar-
regaçar as mangas e trabalhar em prol do Reino.

Quando somos chamados por Deus, temos que


estar dispostos e disponíveis, já que é fato dizermos
que um obreiro indisposto trabalhará com má vonta-
de, e por isso, não produzirá frutos conforme a vonta-
de de Deus (I Coríntios 9.16-17).

6 | A CASA DE DEUS E SEUS OBREIROS - MAROSAM DIAS DA SILVA


E, onde não há disposição, boa vontade, também
não há resultados, sendo o obreiro indisposto sempre
vagaroso, descuidado, negligente, e por isso até mes-
mo corre o risco de ser desqualificado por Deus (Ro-
manos 12.11).

Entenda que se não for pra fazer bem feito, é


melhor não fazer. Tudo o que fizermos para Deus deve
ter a marca da excelência, não da negligência (Jere-
mias 48.10).

Assim, deve haver no coração do obreiro a dis-


posição de gastar-se completamente na Obra de Deus
(II Coríntios 12.15).

Além desta disposição,


não pode faltar a disponibilidade.
Trabalhar para Deus
não pode ser um hobby,
um passatempo, uma distração,
mas deve ser uma prioridade.
O obreiro deve estar sempre disponível
pra Deus e buscar primeiramente
o reino de Deus.

A expressão “eis-me aqui”, significa “aqui estou


eu, pronto para atender”.

Com isso, a presença do obreiro no culto deve


ser encarada como um sacrifício oferecido a Deus; o

PREFÁCIO | 7
que não deve ser entendido como algo doloroso, pe-
noso, e sim como algo extremamente agradável.

O termo “sacrifício” é a junção de duas palavras:


sacro + ofício. Trata-se, portanto, de um ofício sagra-
do. É o nosso culto racional (Romanos 12.11).

Quando Paulo disse ao seu discípulo Timóteo:


“Procura apresentar-te a Deus aprovado” (II Timóteo
2.15), significa “procura estar sempre disponível pra
Deus”.

Meu querido leitor deste livro, leia este livro e


tenha o entendimento literal de que nenhuma ocupa-
ção terrena pode nos privar desta disponibilidade para
o Reino (II Timóteo 2.4).

É claro que há obreiros que têm suas atividades


profissionais e que delas depende sua sobrevivência.
Estes devem buscar se organizar de tal maneira seu
tempo, para que haja maior disponibilidade possível
para trabalhar na Obra de Deus. E, lembre-se sempre
que estar disponível para Deus implica pontualidade
nos compromissos da igreja.

É interessante notarmos que em muitos casos


vemos pessoas que querem que Deus trabalhe para
lhe abençoar, mas não trabalham para Deus. Às ve-
zes, muitos não têm “tempo” e aí só faz alguma coisa
na igreja quando “sobra algum tempo”. Deus não quer
isto; Deus quer o melhor do seu tempo; então, reserve
um tempo para Deus (I Coríntios 15:58).

8 | A CASA DE DEUS E SEUS OBREIROS - MAROSAM DIAS DA SILVA


O nosso trabalho no Senhor
não é em vão.

Desejo uma ótima leitura e que você seja edificado


com este livro.

Pr. Jose Fernandes C. Noleto


Pastor Presidente da Convenção Estadual dos Ministros
das Assembleia de Deus do Ministério de Madureira no
Estado de Mato Grosso (CONEMAD-MT); 7º Secretário
da Convenção Nacional dos Ministros das Assembleias
de Deus do Ministério de Madureira no Brasil;
Fundador da Fundação Amazônia Legal; e, Pastor
Presidente da Igreja Assembleia de Deus em Cuiabá-MT.

PREFÁCIO | 9
INTRODUÇÃO
A CHAMADA MINISTERIAL

E
ste livro “A Casa de Deus e Seus Obreiros” visa
destacar a função e a ocupação de cada um de
seus oficiais na casa de Deus. O maior pregador
segundo critério de Cristo é aquele que serve melhor
no lugar que ocupa, embora não tenha nenhuma das
qualidades da grandeza segundo os ideais do mundo,
na vida Cristã a palavra de ordem é servir.


“Procura apresentar-te a Deus, aprovado,
como obreiro que não tem de que se envergonhar
que maneja bem a Palavra da verdade.“
(II Tm 2:15)

Antes de Paulo mencionar sobre a postura de


obreiros, ele aborda duas situações fundamentais que
não podem ser, em hipótese alguma, negligenciadas.
Ele fala sobre “procurar” atender estas condições:
“Procura apresentar-te a Deus , O objetivo primário
de alguém que “procura” é simplesmente encontrar. A
questão é que algumas coisas estão mais escondidas
do que imaginamos. Também, pode-se levar um tem-
po maior que o esperado para serem obtidas. Como
veremos, só depois de vinte anos no deserto em Pa-
dãArã é que Jacó atingiu estas condições, restauran-

INTRODUÇÃO | 11
do seus relacionamentos e redimindo sua identidade.
Na verdade, indispensavelmente, antes de fazer qual-
quer coisa para Deus precisamos de um encontro com
estas realidades. Este processo vai até os porões da
alma eliminando a vergonha e todas as demais impu-
rezas que bloqueiam o fluir do Espírito Santo. Surge,
então, uma capacidade divina de manejar bem a pala-
vra da verdade que se expressa através de um estilo
de vida que prevaleceu sobre cada estado crônico de
reprovação. Sob esta perspectiva, a Palavra de Deus
não é a “espada do pregador”, porém, como Paulo afir-
ma, ao mencionar a armadura de Deus, é a “espada do
Espírito Santo”, que apenas corta através de nós na
mesma profundidade que cortou a nós mesmos: “Por-
que a palavra de Deus é viva e eficaz, e mais cortante
do que qualquer espada de dois gumes, e penetra até
a divisão de alma e espírito, e de juntas e medulas, e
é apta para discernir os pensamentos e intenções do
coração” (Hebreus 4:12).


“Ele mesmo concebeu uns para...” ( v.11 ).

Essa expressão destaca a necessidade de uma


conscientização da chamada. É usada pelo apóstolo
Paulo em Romanos 1:1. Paulo Doulos lesou Christou-
kletós apóstolos, aforisménos eis eangélionTheou”.
“Doulos”, traduzido como servo, é aquele que não tem
vontade própria, sua vontade é praticamente a vonta-
de do seu Senhor. A tradução normal para essa pala-
vra é “escravo” (kletòs), chamado, vocacionado, Kaléo
(chamar, convocar). Separado. Demarcar, separar por

12 | A CASA DE DEUS E SEUS OBREIROS - MAROSAM DIAS DA SILVA


uma fronteira. A ausência do artigo com as palavras
no primeiro verso indica natureza ou qualidade. Essa
separação indica que o obreiro não pode se autopro-
clamar. Deve haver um reconhecimento divino e hu-
mano. Porque é importante a chamada divina? Qual
a razão da chamada? Resumindo, podemos dizer que
a chamada divina tem alguns propósitos importan-
tes: Esclarecer que o ministério, seja qual for, nunca
foi uma profissão na antiga aliança, e muito menos na
atual dispensação. O ministério neotestamentário é
um dom e uma vocação de Deus.


“E Ele mesmo concebeu...” (Efésios 4:11).

A partir desta premissa básica, o homem cha-


mado pelo Senhor deve estar consciente de que: Do
Senhor vem a recompensa (I Pedro 5.2-4) e pelo Se-
nhor ele será julgado (I Coríntios 4:3-5).

A palavra “Ministro”, usada por Paulo em I Co-


ríntios 4:1, vem do termo grego: Hyperetas, que pode
ser traduzida por: ministro, auxiliar, alguém que presta
serviço à outra pessoa ou oficial de justiça. Original-
mente, essa palavra era traduzida por “remadores do
banco inferior”.

Havia três fileiras de remadores: a primeira, dos


bancos, superiores, a segunda, dos bancos mais es-
condidos e a terceira, dos remos inferiores. Estes re-
madores estavam sujeitos até desmaiarem de calor.

INTRODUÇÃO | 13
Posteriormente, esse vocábulo passou a ser
usado em sentido técnico no vocabulário eclesiástico.
O Apóstolo dos gentios assume sua correta posição,
como servo de Jesus Cristo, em sua menção ao ter-
mo: “Ministro de Cristo”, pois os ministros do “mar”,
isto é, os “remadores”, eram escravos acorrentados
aos seus remos, e o Apóstolo Paulo estava dominado
pelo seu Senhor; pois sua identificação nas epístolas
segue sempre essa ordem de servo, de ministro de Je-
sus Cristo.

Como o Senhor é nosso legítimo proprietário, e


a igreja foi edificada nEle, dentre Seus servos, Ele fez
a sua escolha mais seleta, e deu os obreiros para Sua
Igreja, como dádiva do Seu próprio amor com um ob-
jetivo específico.

Para aperfeiçoamento dos santos (Efésios 4:12).


O termo grego para aperfeiçoamento é: “Katartismós”
( preparação, treinamento, equipamento. A palavra
era um termo técnico para “consertar um osso que-
brado”). “Correção de ossos partidos e restauração
de algo ao seu estado primitivo. A raíz dessa palavra
é “Artios”, que significa perfeito, completo, totalmen-
te adaptado”, conf. Russel Norman Champlim. Ele nos
chamou para aperfeiçoar santos.

A certeza da chamada de Deus faz o servo do


Senhor superar obstáculos considerados, pelo ho-
mem comum, insuperáveis ou além de qualquer pos-
sibilidade humana, pelo contrário, como poderíamos
compreender a posição de Moisés diante das rebeliões

14 | A CASA DE DEUS E SEUS OBREIROS - MAROSAM DIAS DA SILVA


e tumultos que ele enfrentou no deserto? (Números
12:1-16; 14:1-9; 16:1-19). Como entender a fervorosa
oração intercessora quando Deus quis destruir o povo
israelita e fazer dele um novo e grande povo? (Núme-
ros 14:10-19). Só um homem vocacionado por Deus po-
deria ter a capacidade, calma e equilíbrio para vencer
nesses momentos críticos. Moisés não era um super-
-homem, mas era um homem chamado pelo Senhor.
Como entender a perseverança de Paulo, que foi dado
por morto, depois de ser apedrejado pelos judeus opo-
sitores do Evangelho da graça, em continuar na sua
missão de pregar essas boas-novas? (Atos 14: 19-22).

INTRODUÇÃO | 15
1 O ministério


“Olhai, pois, por nós,
e por todo o rebanho”.
(Atos 20:28)

A
Bíblia ensina que Deus deu à igreja a respon-
sabilidade de escolher irmãos fiéis dentre os
seus membros para dirigir a obra. A esses ir-
mãos é dado um cargo de servir em ministérios espe-
cíficos, cada um é ordenado para determinada função.
O irmão que é ordenado recebe um ministério que ele
deve cumprir.

Os líderes da Igreja Cristã são servos da igreja,


não os senhores dela. Eles não recebem o cargo para
o seu proveito pessoal, mas para o proveito da igreja.
Eles devem cumprir o seu ministério com mansidão (II
Timóteo 2:24-26). Eles seguem o exemplo do seu Se-
nhor e Mestre, que “não veio para ser servido mas para
servir” (Marcos 10:45). Mas ao mesmo tempo, levam
a responsabilidade de dirigir a obra da igreja e têm a
autoridade para cumprir a sua obra.

CAPÍTULO 1 - O MINISTÉRIO | 17
A Bíblia fala de dois aspectos da obra dos minis-
tros da igreja:

Seu serviço
As Escrituras referem-se aos ministros como
servos (Tiago 1:1), obreiros (Timóteo 5:18) e coopera-
dores (II Coríntios 1:24). Os ministros têm que praticar
a abnegação para servir à igreja.

Sua autoridade
Deus concede ao ministério a autoridade que é
necessária para cumprir a Sua obra. Eles têm a respon-
sabilidade de governar a igreja (I Timóteo 5:17). Paulo
escreveu a Tito, um líder da igreja em Creta: “Fala dis-
to, e exorta e repreende com toda a autoridade” (Tito
2:15). Os que governam bem exercem a sua autorida-
de humildemente no temor de Deus e sempre estão
dispostos a receber os conselhos de seus irmãos fiéis.
Eles têm muito cuidado em usar a sua autoridade so-
mente para promover a vontade de Deus e não a sua
própria.

O trabalho principal do ministério


Para que a igreja ordena ministros? Para que
possam trazer as almas a Cristo e para cuidarem do
rebanho. Essa obra é a continuação da obra que Cristo
iniciou enquanto estava fisicamente na terra.

18 | A CASA DE DEUS E SEUS OBREIROS - MAROSAM DIAS DA SILVA


1. Trazer os homens
a Cristo
Os ministros estão encarregados da responsa-
bilidade de pregar o evangelho aos incrédulos. “Porque
todo aquele que invocar o nome do Senhor será salvo.
Como, pois, invocarão aquele em quem não creram? E
como crerão naquele de quem não ouviram? E como
ouvirão, se não há quem pregue? E como pregarão, se
não forem enviados? ” (Romanos 10:13-15). Deus quer
que a igreja envie irmãos fiéis para a obra de pregar o
evangelho aos não convertidos, seja na própria comu-
nidade ou em lugares distantes. Mesmo que algumas
pessoas considerem a pregação da Palavra uma tolice,
ela é uma das maneiras mais eficazes de evangelizar. A
Bíblia diz que aprouve a “Deus salvar os crentes pela
loucura da pregação” (I Coríntios1:21).

2. Cuidar
do rebanho
A Bíblia manda aos ministros: “Apascentai o
rebanho de Deus, que está entre vós, tendo cuidado
dele” (I Pedro 5:2). A saúde do rebanho depende da fi-
delidade com a qual os seus ministros cumprem o seu
ministério. Segundo a Bíblia, o seu ministério inclui: ser
um bom exemplo (Tito 2:7-8), pregar a Palavra, corri-
gir, repreender, exortar com paciência e doutrina (II
Timóteo 4:2), corrigir com mansidão aos que caem no
laço do diabo (II Timóteo 2:24) e tirar os perversos de
dentro da igreja (I Coríntios 5:11-13).

CAPÍTULO 1 - O MINISTÉRIO | 19
Qualificações para o ministério
É Deus quem chama, capacita, sustenta e re-
compensa os ministros. No entanto, Ele dá à igreja a
faculdade de escolher, ordenar e enviá-los. A Bíblia
fala claramente como deve ser o caráter dos homens
que estão capacitados para essa obra importante a
fim de que a igreja não se engane ao escolhê-los. A se-
guir apresentaremos uma lista das qualidades de um
cristão que é digno de ser ministro.

1. Cheio do Espírito Santo


(Lucas 4:1; 24:19; Atos 1:8; 6:3)
O ministro desempenha uma obra espiritual.
Essa obra lida diretamente com os espíritos dos ho-
mens. Ela só pode ser realizada pela direção e o poder
do Espírito Santo. Se fosse possível que alguém cum-
prisse com todos os outros requisitos da Bíblia sem
estar cheio do Espírito Santo, ainda seria totalmente
incapacitado como ministro. Somente o ministro que
estiver cheio do Espírito Santo, pode ter êxito na sua
obra.

2. Irrepreensível na sua vida


(I Timóteo 3:2; Tito 1:5-6)
Deus requer que Seus servos sejam de caráter
irrepreensível. Para que o ministro tenha êxito no ser-
viço do Senhor, é necessário que possua caráter irre-
preensível, que esteja disposto a reconhecer os erros

20 | A CASA DE DEUS E SEUS OBREIROS - MAROSAM DIAS DA SILVA


que tiver e corrigi-los. Pode ser que outros critiquem
a sua vida, mas ele tem que ser inculpável e livre de
manchas mundanas.

3. Que tem bom testemunho


(I Timóteo 3:7)
Os incrédulos da comunidade conhecem o ca-
ráter dos irmãos. É necessário que o ministro tenha
um bom testemunho entre eles “para que não caia em
afronta, e no laço do diabo” (I Timóteo 3:7). “Vale mais
ter um bom nome [testemunho] do que muitas rique-
zas” (Provérbios 22:1). O ministro não conseguirá ga-
nhar para Cristo aqueles que não tiverem confiança
nele; e a confiança nasce do bom testemunho. Sem
um bom testemunho dos de fora, o ministro é ineficaz
na sua obra e isso o desanimará.

4. Humilde
(Atos 20:19; I Pedro 5:5)
Todo ministro que é humilde será bem-sucedi-
do. Possivelmente os dois “ministros” mais notáveis
antes da época cristã foram Moisés e João o Batista.
O primeiro foi mais manso do “que todos os homens
que havia sobre a terra” (Números 12:3). O segundo
viveu e se vestiu com humildade durante toda a sua
vida. Falando de João, Jesus disse que: “Entre os que
de mulher têm nascido, não apareceu alguém maior do
que João o Batista” (Mateus 11:11). O fundamento da
verdadeira grandeza é a verdadeira humildade. Não há
nada mais repugnante em um ministro do que um es-

CAPÍTULO 1 - O MINISTÉRIO | 21
pírito orgulhoso, vanglorioso, altivo e arrogante. Deus
exalta os humildes e humilha os orgulhosos.

5. Altruísta
(Romanos 15:1-3)
Há uma relação estreita entre a humildade e o
altruísmo. O orgulho e o egoísmo são irmãos gême-
os que destroem o ministério de qualquer pastor. Mas
a humildade, unida com a generosidade, traz êxito a
qualquer função na igreja. O ministro cristão deve
aprender de seu Mestre como servir aos outros sem
egoísmo!

6. Paciente
(II Coríntios 6:4; Tiago 1:4)
A Bíblia diz: “Tenha, porém, a paciência a sua obra
perfeita” (Tiago 1:4). Um homem impaciente não está
capacitado para suportar as provações que acom-
panham o ministério. A paciência é muito importante
para o ministro. Na igreja há todo tipo de problemas.
E caso o ministro seja impaciente, os problemas pio-
rarão. A paciência e a calma ajudam muito a resolver
dificuldades e problemas. “Tenha, porém, a paciência a
sua obra perfeita...” no ministério.

7. Firme
(I Coríntios 15:58; Efésios 4:14-16; Tiago 1:8)
A firmeza na fé é uma qualidade necessária na
obra do ministro. A Escritura condena o coração do-

22 | A CASA DE DEUS E SEUS OBREIROS - MAROSAM DIAS DA SILVA


bre. Tal homem “é inconstante em todos os seus ca-
minhos” (Tiago 1:8). É necessário que o ministro tenha
muito cuidado ao posicionar-se, especialmente em
pontos pouco definidos na Bíblia. Mas quando encon-
tra a verdade bíblica, deve manter-se firme nela sem
mover-se. O ministro instável, levado pra lá e pra cá,
não é digno de confiança e nem de liderar os assuntos
sérios da igreja.

8. Não iracundo
(Tito 1:7)
A Bíblia diz que o ministro não deve ser iracundo.
Não se ganha nada com a ira, mas pelo contrário, há
muito a perder por causa desta falta. O mau-caráter
repele e destrói. Um irmão que não pode controlar a
sua ira, certamente não pode cuidar e ensinar outros.

9. Não soberbo
(Tito 1:7)
O irmão soberbo não consegue sujeitar-se a
outros (I Pedro 5:5), pois confia demais em suas pró-
prias opiniões. Ele não quer reconhecer os seus erros
ou confessar as suas ofensas (Tiago 5:16). Caso tal ir-
mão for ministro, ele produzirá muita discórdia e divi-
são na igreja. Deve-se ter cuidado para não eleger um
irmão soberbo ao ministério.

CAPÍTULO 1 - O MINISTÉRIO | 23
10. Sóbrio
(I Timóteo 3:2 e 8)
Não é necessário que o ministro seja um homem
triste, austero e excessivamente sério, mas deve ser
sossegado, sóbrio e prudente. Quando tem que tomar
uma decisão, ele deve considerá-la razoavelmente. A
frivolidade, imprudência e falta de autodomínio são
características que destroem a obra do ministro.

11. Vigilante
(Atos 20:28-31)
Os ministros são as sentinelas nos muros de
Sião. É sua responsabilidade vigiar cuidadosamente e
advertir do perigo que se aproxima. Eles têm que es-
tar acordados e bem alertas para as necessidades da
sua própria vida e da igreja. O ministro sonolento, ne-
gligente e indiferente permite que o inimigo entre no
rebanho e disperse o mesmo. “Portanto, vigiai” (Atos
20:31).

12. Estudioso
(I Timóteo 4:13)
Paulo admoestou o jovem ministro Timóteo,
dizendo-lhe: “Persiste em ler”. A Bíblia deve ser a bi-
blioteca principal do ministro e as demais coisas que
ele lê devem estar de acordo com ela. Na atualidade,
o mundo pode sutilmente nos influenciar por meio da
sua literatura. O ministro deve se aplicar ao estudo da
Bíblia e de outros livros saudáveis.

24 | A CASA DE DEUS E SEUS OBREIROS - MAROSAM DIAS DA SILVA


13. São na fé
(Tito 2:1-2)
A sanidade da fé de um irmão deve ser compro-
vada antes de considerá-lo como candidato ao mi-
nistério. Os ministros que creem em doutrinas falsas
perdem a sua utilidade e levam outros consigo para o
naufrágio. Um carpinteiro não constrói uma casa com
madeira podre. Da mesma forma, a igreja não deve
colocar homens fracos como ministros porque deles
muito depende a obra da igreja. Como pode um mi-
nistro falar “o que convém à sã doutrina” quando ele
mesmo não é são na fé? Como pode convencer os
contradizentes quando ele mesmo não aprova a sã
doutrina? É muito importante que o ministro seja são
na fé nesses últimos tempos em que os homens não
toleram a sã doutrina. Se quisermos guardar-nos da
apostasia que nos ameaça, temos que eleger como
ministros somente irmãos que sejam sãos na fé.

14. “Não neófito”


(I Timóteo 3:6)
Um homem recém-convertido na fé não teve
nem tempo, nem oportunidade para comprovar se
realmente é são na fé. Portanto, o que a Bíblia diz a
respeito dos requisitos para os ministros impediria or-
denar a um recém-convertido. A Bíblia não proíbe que
se ordene um irmão jovem. Contudo, requer que um
candidato ao ministério tenha sido cristão por tempo
suficiente para comprovar-se apto para esta vocação

CAPÍTULO 1 - O MINISTÉRIO | 25
sagrada. Seria melhor que a igreja esperasse um pou-
co em vez de ordenar precipitadamente um homem
inteligente, mas ainda novo na fé. Tais passos apressa-
dos muitas vezes conduzem ao remorso e geram da-
nos irreparáveis.

15. Livre de ligações matrimoniais indevidas


(I Timóteo 3:2 e 11-12)
Nesta era em que muitos aceitam o divórcio e
as segundas núpcias, é importante que o ministro se
mantenha firme quanto ao que a Bíblia ensina sobre o
matrimônio. Se o ministro não pode estar diante dos
irmãos como um exemplo neste ponto, então a sua in-
fluência para o bem da igreja será destruída. A esposa
do ministro tem muito a ver com o êxito ou o fracas-
so da congregação. Uma esposa não será como uma
“ajudadora idônea para ele” na obra do ministro se ela
for fofoqueira, intrometida ou deixar de cumprir fiel-
mente o seu papel no lar. Tal esposa será um obstáculo
para a obra da igreja.

16. “Apto para ensinar”


(I Timóteo 3:2; 4:11; II Timóteo 2:2 e 24)
Apenas ter conhecimento não o tornará um
mestre. A capacidade de ensinar é um dom. É uma ap-
tidão que não se adquire somente por acumular mui-
tos conhecimentos. Jesus Cristo, a cabeça da igreja,
“deu uns para... doutores (na língua original “instruto-
res”)”. O dom de ensinar vem de cima. A maior parte
da obra do ministro se relaciona com o ensino. Jesus

26 | A CASA DE DEUS E SEUS OBREIROS - MAROSAM DIAS DA SILVA


mandou que ensinássemos “todas as coisas” que Ele
havia mandado. A Bíblia requer que o ministro seja
“apto para ensinar” e idôneo para ensinar também a
outros. A igreja tem a obrigação de eleger ministros
que sejam fiéis e idôneos e que tenham o dom de ensi-
nar e guiar outros na verdade.

17. Bom governador


(I Timóteo 3:4-5)
Visto que os ministros têm a responsabilidade
de manter a ordem de Deus na igreja e também dirigí-
-la, então é preciso que demonstrem a habilidade de
guiar e de governar antes de serem ordenados. A Bí-
blia ensina que um bispo tem que administrar bem a
sua casa, e faz a pergunta: “se alguém não sabe gover-
nar a sua própria casa, como terá cuidado da igreja de
Deus?” (I Timóteo 3:5). Quando há ordem no lar, isso
indica que o pai governa bem e que fará o mesmo se
receber responsabilidades na igreja.

18. Livre dos envolvimentos mundanos


(I Timóteo 3:3; II Timóteo 2:4)
A Bíblia menciona várias coisas que impedem a
obra do ministro. Entre elas está o desejo pelo poder
mundano, cobiçar ganhos desonestos e estar envol-
vido demais nos negócios da vida. Sabemos que é ne-
cessário ocupar-se com as coisas materiais. O próprio
Paulo ganhava a vida trabalhando, e instruía os outros
a fazerem o mesmo. O trabalho é recomendável e sau-
dável para o ministro. Mas ele tem que manter-se livre

CAPÍTULO 1 - O MINISTÉRIO | 27
de envolvimentos mundanos nos negócios e nas ati-
vidades sociais. Ele tem que estimar mais a graça de
Deus do que as riquezas do mundo. Além disso, o mi-
nistro deve desejar mais ganhar almas, do que ganhar
dinheiro e o prestígio do mundo. Ele espera a coroa da
vida que receberá depois de terminar a boa batalha.
Isto significa que ele não estima a honra e a aprovação
do mundo. O ministro deve ser um exemplo de como
os cristãos devem manter-se separados do mundo.

19. Consagrado à sua vocação


(I Coríntios 9:16-18; II Coríntios 12:15)
Paulo estava disposto a gastar tudo que tinha e
até entregar-se a si mesmo pela responsabilidade que
ele tinha. Paulo fazia tudo isso com amor e fé, mes-
mo quando aparentemente não era valorizado pelas
pessoas a quem ele servia. Ele estava tão desejoso de
cumprir o seu chamado que não deixou que a rejei-
ção e o desprezo das pessoas o desanimassem. Paulo
sacrificava-se muito para que o evangelho de Cristo
fosse pregado gratuitamente e para que de nenhuma
forma ele abusasse da sua autoridade no evangelho. O
zelo verdadeiro pela obra faz com que o sacrifício seja
um prazer em vez de uma carga.

20. Um exemplo vivo


(I Timóteo 4:12; Tito 2:7-8)
Timóteo podia repreender com toda autorida-
de e não permitir que ninguém desprezasse a sua ju-
ventude, contando que ele fosse “exemplo dos fiéis”.

28 | A CASA DE DEUS E SEUS OBREIROS - MAROSAM DIAS DA SILVA


Tito, outro ministro jovem, foi exortado a ser “exemplo
de boas obras” (Tito 2:7). O ministro que leva uma vida
exemplar prega um sermão eficaz sem a necessida-
de de muitas palavras. Enquanto fala, um orador elo-
quente pode convencer uma congregação por meio
das suas palavras. No entanto, se a sua vida não cor-
responder com a sua pregação, ele estará pregando
um sermão sem sentido, e a sua vida diária anulará o
que pregou. Como diz o ditado: “Uma coisa é falar, mas
outra é fazer”. Enfim, o exemplo pessoal do ministro é
muito importante.

Neste capítulo não fizemos nenhuma aplicação


específica destes requisitos a determinada função
ou cargo na igreja. Alguns desses requisitos são mais
aplicáveis a uma função do que a outra. A natureza do
cargo determina os requisitos que precisam de mais
ênfase.

Dependamos da sabedoria de Deus ao eleger ir-


mãos para as responsabilidades do ministério!

O ministério plural
Segundo o Novo Testamento, várias congrega-
ções na igreja primitiva tinham mais que um ministro.
As Escrituras indicam que havia mais do que apenas
um bispo ou um diácono em uma igreja: Paulo dirigiu a
sua carta aos Filipenses a: “todos os Santos em Cristo
Jesus, que estão em Filipos, com os bispos e diáconos”
(Filipenses 1:1). E Atos 14:23 diz que Paulo e Barnabé
constituíram “anciãos em cada igreja”. Paulo, “de Mi-

CAPÍTULO 1 - O MINISTÉRIO | 29
leto mandou a Éfeso, a chamar os anciãos da igreja”
(Atos 20:17). Ele encarregou Tito de suprir a falta de
ministros em Creta, dizendo que deveria “de cidade em
cidade estabelecer presbíteros” (Tito 1:5).

O ministério plural tem muitas vantagens. A car-


ga é mais leve quando é levada por vários indivíduos.
Quando há mais de um pastor, até mesmo os pastores
passam a ter um pastor que vigia pelas suas almas. A
contribuição de vários irmãos com seus diversos ta-
lentos, perspectivas e personalidades proporciona um
equilíbrio à liderança da congregação. Dessa forma,
não será tão provável que a obra da igreja se torne um
projeto pessoal de determinado indivíduo.

Quantos ministros devem ter em uma congre-


gação? Pelo menos o suficiente para que possam pre-
gar a Palavra e cuidar bem das almas que têm sobre
sua responsabilidade. Sempre que possível, deve-se
ordenar irmãos a mais para facilitar a obra evangeliza-
dora, suprindo as necessidades que surgirem.

Quais são as funções e cargos do ministério? O


capítulo 3 de l Timóteo contém uma lista de requisitos
para os bispos e outra lista de requisitos para os diá-
conos. Tito capítulo 1 também apresenta uma lista de
requisitos para os bispos. Efésios 4:11 menciona após-
tolos, profetas, evangelistas, pastores e doutores.

Os apóstolos foram homens escolhidos e envia-


dos por Cristo para pregar o Evangelho e estabelecer
igrejas em seu nome. Eles conheciam pessoalmente

30 | A CASA DE DEUS E SEUS OBREIROS - MAROSAM DIAS DA SILVA


a Cristo e o tinham visto depois da sua ressureição
(Atos 1:20-22; I Corintios 15:7-9). Jesus outorgou-lhes
a autoridade de estabelecer a doutrina da igreja e as-
sim formarem o fundamento dela (leia Efésios 2:20).
Quando nós aceitamos as suas epístolas no Novo Tes-
tamento como sendo a Palavra de Deus, estamos edi-
ficando sobre esse fundamento. Hoje não existe mais
a função de apóstolo na igreja.

Segundo a Bíblia, a função de maior responsabi-


lidade na congregação é a dos bispos. A palavra bispo
é derivada de uma palavra grega que significa “super-
visor e superintendente”. É muito provável que as pa-
lavras ancião e presbítero (I Timóteo 4:14) refiram-se
à função do bispo. A palavra ancião vem do costume
de colocar como chefes das pessoas os mais idosos
dentre eles. Talvez em alguns casos esteja falando de
qualquer ministro e não apenas dos bispos. Leia Atos
20:17; Tiago 5:14; I Pedro 5:1.

Aparentemente a função de diácono foi institu-


ída nos primeiros dias da igreja cristã. Sentiu-se uma
necessidade de irmãos especificamente escolhidos
e encarregados para cuidar dos necessitados e dos
assuntos materiais da igreja, então os apóstolos en-
comendaram a escolha de sete irmãos que foram or-
denados para essa função (Atos 6:1-7). A Bíblia ensina
claramente os requisitos para os diáconos (I Timóteo
3:8-13) e mostra que é uma função importante na igre-
ja de Cristo.

CAPÍTULO 1 - O MINISTÉRIO | 31
Pouco se sabe sobre o restante das funções
em tempos bíblicos. Por exemplo, não sabemos se or-
denavam irmãos para a função de evangelista ou se
os diáconos e os bispos que apresentavam o dom de
evangelizar serviam neste ministério.

32 | A CASA DE DEUS E SEUS OBREIROS - MAROSAM DIAS DA SILVA


O chamado
2 para o ministério

C
omo é que alguém é chamado ao ministério?
Isso requer um chamado especial, ou qualquer
um pode tornar-se ministro, tal como se esco-
lhe qualquer outra profissão de acordo com a prefe-
rência ou a aptidão da pessoa? Hoje ainda é necessário
receber um chamado divino para ser ministro?

Vejamos de maneira resumida o que a Bíblia en-


sina:

1. O chamado
é do Senhor
Ser ministro na igreja de Cristo é uma vocação
sagrada. Não é uma simples profissão ou carreira; um
comércio ou negócio; algo que se escolhe ou se deixa
conforme a pessoa quer. Os líderes do povo de Deus
sempre foram escolhidos por Deus. Ele chamou Moi-
sés de forma inequívoca. Também aos profetas foram
dadas “palavras de Deus”, e Ele os chamou do seu tra-
balho comum para a função sagrada de profeta. Esses
homens foram chamados por Deus, e falaram confor-
me o Espírito Santo lhes dava as palavras. O primeiro
sumo sacerdote, Arão, foi escolhido e chamado direta-
mente pelo Senhor. O Novo Testamento fala do sumo
sacerdócio: “ninguém toma para si esta honra, senão

CAPÍTULO 2 - O CHAMADO PARA O MINISTÉRIO | 33


o que é chamado por Deus, como Arão” (Hebreus 5:4).
Paulo encarregou Timóteo e Tito de dirigirem a obra
de chamar os ministros (II Timóteo 2:2; Tito 1:5).

2. A voz
da igreja
O livro de Atos relata duas ocasiões em que ir-
mãos da congregação foram escolhidos e ordenados
para um cargo específico (Atos 1:15-26; 6:1-7). Nas
duas ordenações, os irmãos trouxeram aos apóstolos
os nomes dos que a seu parecer cumpriram os requi-
sitos. Mas em Antioquia foi o Espírito Santo quem dis-
se: “Apartai-me a Barnabé e a Saulo para a obra a que
os tenho chamado” (Atos 13:2). Não existe contradi-
ção entre as ocasiões quando os membros da igreja
falaram e quando o Espírito Santo fez isto, porque o
Espírito Santo fala através de uma irmandade espiri-
tual e bíblica. Se os irmãos crucificam as suas próprias
opiniões e dependem do Espírito Santo para discernir
qual irmão cumpre os requisitos para a função, deve-
mos aceitar a voz da igreja como sendo a voz do Espí-
rito Santo. Quando se solicita a voz da congregação
em uma ordenação é prudente requerer que um irmão
seja nomeado por (pelo menos) dois irmãos antes de
considerá-lo para a função.

Às vezes os irmãos com unanimidade elegem


determinado irmão para que seja ministro. Quando
isso acontece, é sinal de que Deus está falando, e in-
dica que estamos em uma posição que Deus pode nos
revelar a sua vontade. Isso pressupõe que não houve

34 | A CASA DE DEUS E SEUS OBREIROS - MAROSAM DIAS DA SILVA


nenhuma influência ou ação que desagradaria a Deus,
como um irmão fazer campanha para o ministério. Fa-
zer campanha para o ministério é um sacrilégio.

O apóstolo Paulo não entrou na obra do apos-


tolado até quando Ananias lhe impôs as mãos, dando-
-lhe a sua comissão (Atos 9:17; 22:12-15). É claro que
Deus chama os ministros e que sempre confirma o seu
chamado por intermédio da igreja.

3. Lançando
sortes
O primeiro irmão escolhido pela igreja depois
que Jesus partiu fisicamente da terra, foi escolhido
por meio do lançamento de sortes. A irmandade ha-
via escolhido dois irmãos e ambos cumpriram os re-
quisitos, mas havia necessidade de apenas um. Como
poderiam saber qual deles deviam ordenar? Como
poderiam deixar que Deus escolhesse? Para isso eles
lançaram sortes (Atos 1:26).

Lançar sortes era um método utilizado com fre-


quência no tempo do Antigo Testamento para determi-
nar a vontade de Deus. Atualmente há alguns cristãos
que se opõem à prática de lançar sortes para esco-
lher ministros. Possivelmente se opõem porque têm
observado o mau uso dessa ordem sagrada. Jamais se
deve lançar sortes de forma precipitada e muito me-
nos para evitar a responsabilidade de comprovar que
os irmãos nomeados preenchem os requisitos. O lan-
çamento de sortes é utilizado apenas quando há mais

CAPÍTULO 2 - O CHAMADO PARA O MINISTÉRIO | 35


que um nomeado que preenche todos os requisitos bí-
blicos para a função. Com o lançamento de sortes po-
demos confiar a decisão final a Deus, que vê e conhece
o que o homem não é capaz de ver nem saber. Quando
Deus escolhe um irmão por meio do lançamento de
sortes, isso não quer dizer que os outros nomeados
não são qualificados. Pode indicar que Ele não os cha-
mou para esta obra, mas para outra.

A preparação do sermão
A Bíblia diz que Deus é quem chama os ministros.
Leia Efésios 3:7 e Timóteo 1:12. Deus prepara os que
Ele chama. O pastor que quer ser útil a Deus tem que
conhecer a Deus e entender o Seu modo de trabalhar.

Ninguém pode usar uma ferramenta cujo uso


desconhece. Ninguém consegue ensinar gramática
sem ter conhecimento da matéria. Ninguém pode usar
a Bíblia com eficácia sem conhecê-la. O Espírito Santo
nos ajuda a recordar as escrituras que precisamos e
nos guia no uso delas, mas temos que nos preparar
primeiro por meio dos três exercícios que mostrare-
mos a seguir.

1. A leitura
da Palavra
Paulo aconselhou ao jovem ministro Timóteo:
“Persiste em ler” (I Timóteo 4:13). Esse conselho é bom
e válido para os ministros de hoje em dia. O pastor que
quer fazer uma obra eficaz tem que conhecer a Bíblia

36 | A CASA DE DEUS E SEUS OBREIROS - MAROSAM DIAS DA SILVA


e deve ler uma porção dela a cada dia com dedicação
e devoção. Deus lhe falará por meio da sua Palavra e
pelo Espírito Santo.

2. O estudo
da Palavra
A Bíblia diz: “Examinais as Escrituras” (João
5:39). A Bíblia é uma fonte inesgotável de conhecimen-
to. Para encontrar os tesouros escondidos nas suas
profundezas, o pastor tem que fazer mais do que lê-la,
tem que estudá-la. O estudo da Palavra inclui buscar o
significado das palavras não conhecidas, fazer compa-
rações entre passagens relacionadas e considerar um
assunto à luz das Escrituras que tratam dele. Outra
forma é procurar as escrituras que tem a ver com al-
gum acontecimento, problema ou decisão atual. É evi-
dente que o pastor deve passar muito tempo no estu-
do da Palavra e na meditação. “Procura apresentar-se
a Deus aprovado, como obreiro que não tem de que se
envergonhar, que maneja bem a palavra da verdade”
(II Timóteo 2:15).

3. A
oração
A oração prepara o ministro para obra. Por meio
da oração o ministro fala com Deus e Deus fala com
ele. Assim o ministro se comunica diretamente com
Deus. Antes de iniciar a sua palestra maravilhosa so-
bre o pão da vida, Jesus passou a noite a sós com o Pai
em oração (Marcos 6:46; João 6:22). Se para Jesus era
necessário orar, quanto mais para o ministro!

CAPÍTULO 2 - O CHAMADO PARA O MINISTÉRIO | 37


Pregar sem estudar e orar, é um erro. O sermão
que se prepara sem oração, não tem vida e nem bom
efeito espiritual. É um insulto ao Autor da pregação
do Evangelho que um ministro suba ao púlpito e diga à
congregação: “não abri a minha Bíblia por uma sema-
na, não pensei em nenhum texto, nem procurei medi-
tar em nenhum tema. Mas agora abrirei a minha boca
e deixarei que Deus me dê palavras”. É responsabilida-
de do ministro conhecer a Bíblia e escolher um texto,
tema ou pensamento para apresentar para a congre-
gação. Ele deve colocar em ordem (de cor ou por es-
crito) os pontos que quer apresentar e deve preparar
algumas ilustrações apropriadas por meio da direção
do Espírito Santo. Deus ajuda o ministro que se esfor-
ça em preparar o sermão. Pode ser necessário utilizar
outro texto ou deixar de lado o assunto que havia pre-
parado, apresentando uma mensagem completamen-
te diferente da que pensava em pregar. O ministro fiel
prepara-se com diligência e submete-se à direção do
Espírito Santo, tanto na preparação como na prega-
ção.

A obra dos ministros

1. Pregar
a Palavra
O primeiro dever do ministro cristão é pregar o
evangelho eterno de Jesus Cristo a um mundo perdi-
do e arruinado. O que quer dizer pregar? Significa de-
clarar e esclarecer as verdades sagradas da Palavra de
Deus e mostrar como se aplicam na vida dos ouvintes.

38 | A CASA DE DEUS E SEUS OBREIROS - MAROSAM DIAS DA SILVA


É uma obra divina que é realizada sob o controle do Es-
pirito Santo. Deus escolheu esse meio para que o Seu
povo ouça a Sua Palavra e conheça a Sua vontade (leia
Tito 1:3).

João o Batista pregou “o batismo de arrependi-


mento” (Marcos 1:4). Jesus, ao começar o seu ministé-
rio, “começou... a pregar” (Mateus 4:17). Os doze foram
ordenados para que “os mandasse a pregar” (Marcos
3:14). Os líderes da igreja no tempo dos apóstolos pre-
gavam o evangelho (Atos 5:42; 8:35; 17:3). “Visto que na
sabedoria de Deus o mundo não conheceu a Deus pela
sua sabedoria, aprouve a Deus salvar os crentes pela
loucura da pregação” (I Coríntios 1:21).

2. Dirigir as cerimônias
da igreja
Conduzir as cerimônias da igreja é responsabi-
lidade dos ministros. Algumas destas cerimônias são:
batizar os novos crentes, partir o pão da santa ceia,
ungir os enfermos, solenizar casamentos, dirigir os
serviços fúnebres e ordenar os líderes. Leia Mateus
28:19-20; Atos 19:1-6; Tito 1:5; Tiago 5:14.

3. Cuidar
do rebanho
Os ministros são os pastores do rebanho de
Deus (Atos 20:28). Eles trabalham na alimentação es-
piritual dos fiéis. Também cuidam dos necessitados,
excomungam os que persistem em andar desordeira-

CAPÍTULO 2 - O CHAMADO PARA O MINISTÉRIO | 39


mente, visitam os enfermos e apascentam o rebanho.
Os diáconos têm uma grande responsabilidade no cui-
dado do rebanho, especialmente quando surgem ne-
cessidades materiais.

4. Governar

Os ministros devem trabalhar unidos para man-


ter a ordem, governando na igreja, “não por força, mas
voluntariamente; nem por torpe ganância, mas de âni-
mo pronto; nem como tendo domínio sobre a heran-
ça de Deus, mas servindo de exemplo ao rebanho” (I
Pedro 5:2-3). O fato que os pastores têm a autoridade
de governar e a responsabilidade da superintendên-
cia do rebanho é ensinado claramente na Palavra: “Os
presbíteros que governam bem sejam estimados por
dignos de duplicada honra” (I Timóteo 5:17). Os que go-
vernam bem reconhecem a obra do Espírito Santo nos
membros e recebem os seus conselhos e críticas. Em
muitas ocasiões eles pedem que os irmãos deem o seu
parecer nas questões que a igreja enfrenta.

O sustento dos ministros


Ao considerarmos este assunto percebemos que no
mundo religioso há dois extremos de pensamento

Visto que o evangelho é gratuito, seria contra as


Escrituras oferecer sustento econômico ao pastor.

40 | A CASA DE DEUS E SEUS OBREIROS - MAROSAM DIAS DA SILVA


O pastor deve receber e viver de um salário es-
tipulado como em qualquer outra profissão.

Nos ensinamentos da Bíblia há um caminho do


meio entre estes dois extremos. Primeiro vamos con-
siderar a forma bíblica de sustentar e depois a forma
que não é bíblica.

1. O sustento
bíblico
A Bíblia ensina claramente que é necessário
sustentar o obreiro cristão: “Digno é o operário do seu
alimento” (Mateus 10:10). “Digno é o obreiro do seu sa-
lário” (Lucas 10:7). “Não ligarás a boca ao boi que debu-
lha. E: Digno é o obreiro do seu salário” (I Timóteo 5:18).
“Assim ordenou também o Senhor aos que anunciam o
evangelho, que vivam do evangelho” (I Coríntios 9:14).
Vemos que é bíblico que os que trabalham no evange-
lho recebam ajuda quando necessitarem dela. Existem
várias formas em que devemos ajudar os ministros:

Orar. Paulo jamais pediu um salário para po-


der ensinar melhor o evangelho, mas repetidas vezes
pediu as orações do povo de Deus (Colossenses 4:2-3;
I Tessalonicenses 5:25; II Tessalonicenses 3:1). Deus,
por meio das orações da igreja, tirou Pedro de uma si-
tuação difícil (Atos 12:5). As orações dos santos aju-
dam os ministros a serem bem-sucedidos na obra (II
Coríntios 1:11).

CAPÍTULO 2 - O CHAMADO PARA O MINISTÉRIO | 41


Obedecer. A Bíblia admoesta a congregação
dizendo: “Obedecei a vossos pastores, e sujeitai-vos
a eles; porque velam por vossas almas, como aque-
les que hão de dar conta delas; para que o façam com
alegria e não gemendo, porque isso não vos seria útil”
(Hebreus 13:17). Devemos apoiar os nossos pastores,
obedecendo-os e sujeitando-nos a eles. Isto aliviará a
sua carga e será proveitoso para nós também.

Animar. Não bajular. Bajular não ajuda nin-


guém, mas pelo contrário, prejudica a muitos. Mas,
uma palavra de ânimo ajuda o pastor a pregar sem te-
mor e a governar de acordo com a Palavra sem desa-
nimar-se.

Ajudar na obra. Há muitas maneiras em


que os membros podem ajudar os pastores: visitar os
enfermos, conversar com os negligentes e indiferen-
tes, animar os abatidos, instar os incrédulos a receber
a Cristo, admoestar os rebeldes, participar ativamen-
te na obra da igreja e assistir regularmente aos cultos.
Não procure tomar o lugar do pastor, mas seja um aju-
dante fiel na obra.

Ajudar materialmente. O pastor procura


ganhar vida ao mesmo tempo em que cumpre os deve-
res da sua função. Os seus deveres requerem tempo,
dinheiro e energia. Além disso, pode ser que ele passe
muito tempo fora de casa e do seu trabalho por causa
da obra. Os membros da igreja também devem cuidar
para que o pastor não tenha que sofrer por causa dis-
so. Nós devemos ajudá-lo em seu trabalho quando isto

42 | A CASA DE DEUS E SEUS OBREIROS - MAROSAM DIAS DA SILVA


ocorrer. Compartilhe o seu tempo com ele e ajude-o,
compartilhando com ele no que você puder. Não deixe
que a obra do Senhor sofra porque o pastor tem que
dedicar-se também ao trabalho de sustentar a família.
“Levai as cargas uns dos outros, e assim cumprireis a
lei de Cristo” (Gálatas 6:2).

CAPÍTULO 2 - O CHAMADO PARA O MINISTÉRIO | 43


Pelo menos um dom
deve fazer parte
3 da vida de um obreiro

E
u que faço a escolha do nível de intimidade que
quero ter com Deus. A intimidade com Deus é
adquirida através da dedicação ao seu reino com
oração e amor ao próximo para que tenham vida abun-
dante e alcance a salvação em Cristo Jesus.

Durante o longo caminho do evangelho, Jesus


tem levantado muitos discípulos e feito obreiros para
dar continuidade ao seu propósito na terra.

Ser obreiro é ser executor de uma obra. É rea-


lizar uma atividade, executar um trabalho uma tarefa.
Ser obreiro é ser servo. O obreiro tem por finalidade
servir no reino de Deus e não espera recompensa de
homens, mas do próprio Deus:


“E aquele que der até mesmo um copo
de água fresca a um destes pequeninos,
na qualidade de discípulo, em verdade vos digo
que de modo algum perderá a sua recompensa”
(Mateus 10:42).

Servindo através da minha igreja posso desen-


volver os dons de Deus que há em mim, pois a Bíblia
assim me garante: “Porque quereria que todos os ho-

CAPÍTULO 3 - PELO MENOS UM DOM DEVE FAZER PARTE DA VIDA DE UM OBREIRO | 45


mens fossem como eu mesmo; mas cada um tem de
Deus o seu próprio dom, um de uma maneira e outro
de outra” (I Coríntios 7:7). Todos os dons são dados
para ajudar a igreja a cumprir os seus propósitos. Os
dons espirituais exaltam e manifestam a glória de Je-
sus Cristo através da igreja, pois quando subiu aos
céus concedeu tais dons sobrenaturais pelo Espírito
Santo, para que o Seu nome seja exaltado pela sua
manifestação. Os dons citados em I Coríntios 12, es-
tão destinados a desaparecer por ocasião da segunda
vinda de Jesus, no entanto, até que venha, Ele há de
usá-lo, para a edificação mútua do cristão, para o de-
sempenho do serviço do ministério, e para a glória do
seu santo nome. Os dons são efeitos da operação do
Espírito nos homens, mas não são graças que esta-
rão ligadas para sempre à sua natureza. Como os dons
são também designados por diakonian, no grego, isto
é, ministrações (I Coríntios 12:5), são, portanto, habi-
lidades por meio das quais é possível ministrar coisas
espirituais para o benefício e edificação de outros.

Daí a importância de se ter na igreja o empenho


pela busca de dons, de modo que havendo, como havia
na igreja primitiva, mestres e profetas, que não tinham
apenas o dom de profetizar e ensinar, mas também
que jejuavam e oravam, e por isso puderam receber a
ordem do Espírito Santo de imporem as mãos sobre
Paulo e Barnabé para serem enviados aos gentios.

O próprio Timóteo recebeu o seu dom de evan-


gelista por profecia (I Timóteo 4:14; II Timóteo 1:6; 4:5)
com imposição de mãos de Paulo e dos presbíteros,

46 | A CASA DE DEUS E SEUS OBREIROS - MAROSAM DIAS DA SILVA


de modo que houve um reconhecimento da igreja em
relação à sua chamada.

Se alguém, portanto, se autoproclama pastor,


evangelista, profeta, mestre ou qualquer outra função
sem esta chamada de Deus pelo reconhecimento da
igreja, por outros dons que confirmem tal chamada,
tal pessoa é um impostor na obra de Deus, porque a
igreja é um corpo onde nenhum membro atua isolada-
mente.

Sejamos, portanto, obreiros do que não tem do


que se envergonhar, mas que o nome do Senhor Jesus
seja louvado e glorificado através do nosso serviço
com excelência no seu reino.

Porque poucos são os ceifeiros na seara do Se-


nhor?


“A seara, na verdade, é grande,
mas os trabalhadores são poucos”
(Mateus 9:37).

Nesta passagem bíblica contém a afirmação


preocupada do Senhor Jesus, ao ver as multidões afli-
tas e desamparadas, como ovelhas sem pastor.

Uma multidão que precisa do pão da vida que é


Jesus, bem como da água que jorra da fonte da qual
se beberem nunca mais terão sede. Então Jesus disse:
“Rogai, pois ao Senhor da seara que mande trabalha-
dores para a sua seara” (Mateus 9:38).

CAPÍTULO 3 - PELO MENOS UM DOM DEVE FAZER PARTE DA VIDA DE UM OBREIRO | 47


Muitos pensam que é fácil encontrar trabalha-
dores comprometidos com o reino de Deus. Na obra
de Deus, é grande a dificuldade de se encontrar fiéis
trabalhadores para o reino. A seara do mestre Jesus
é grande! Encontra-se muitos que querem mais uma
garantia de retorno financeiro, cujo coração está lon-
ge do propósito que Jesus precisa. Muitos acham que
só pode contribuir com o reino, pessoas que possuem
dom ou chamado. Enquanto na verdade, o chamado de
Jesus foi para todos os que o servem. Todos os seus
seguidores para contribuir de alguma forma para a
pregação do evangelho. Seja indo, orando ou contri-
buindo. Qual é o seu chamado? É para ir, é para orar
pelos que vão ou contribuir com oferta missionária
para com os que vão?

Quando se fala no ide de Jesus, muitos pensam


que é para ir para a África, Bolívia, Rússia e por aí vai.
Não estão errados por pensarem assim, mas seu cam-
po missionário começa com quem está próximo de
você: seu parente, amigo, vizinho, colega de trabalho
que ainda não são cristãos.

A dificuldade está no discernimento quanto às


nossas prioridades aqui nesta vida que passa tão rápi-
do com relação à eternidade. Já sou crente e não vou
mais me preocupar com mais ninguém. Esta tem sido
a afirmação de muitos cristãos, infelizmente.

Muitas são as ocupações que possuímos natu-


ralmente na vida: família, estudar, trabalhar, lazer, ir
à igreja, são algumas das nossas prioridades. Poucos

48 | A CASA DE DEUS E SEUS OBREIROS - MAROSAM DIAS DA SILVA


colocam em seu projeto de vida ser obreiro para a se-
ara do Senhor. Imagine a terra e sua pomposa popula-
ção. Mais de sete bilhões de habitantes que povoam os
seis continentes. É inacreditável que em pleno século
XXI ainda exista seres humanos que nunca ouviram
a Palavra de Deus. Não sabem ou nunca ouviram fa-
lar em Jesus. Pois é, o reino de Deus precisa de você.
Quais são as suas prioridades na vida? O reino de Deus
deveria ser nossa prioridade, infelizmente não é. Tal-
vez por falta de organização do nosso tempo, de forma
que trabalhar para Deus seja um compromisso inadiá-
vel e diário. Falar do amor de Deus hoje pode ser mais
fácil do que nos dias de Jesus. Naquela época não ti-
nha redes sociais como temos hoje. Mas muitos não a
utilizam para o bem da seara do Senhor. Em um minu-
to você pode evangelizar um amigo com uma simples
mensagem ou texto bíblico. Não fazemos isso, pois
não colocamos prioridade em nossas vidas. Repito, o
reino de Deus tem que ser prioridade para todos nós.

Foi por esse motivo que Jesus se entristeceu ao


percorrer as cidades e povoados e ver quanta gente
estava enfermas, aflitas e exaustas, e assim expressou
seu sentimento “A seara, na verdade, é grande, mas
poucos os trabalhadores” (Mateus 9:37).

Não são poucas as pessoas que precisam ser


alimentadas com a Palavra de Deus. Somente o pastor
não dar conta de tanta gente. Deus precisa de você
para auxiliar. O pastor precisa de ajuda e apoio. Bem
como de pessoas dispostas a abrirem mão de suas
ocupações para priorizar o reino de Deus.

CAPÍTULO 3 - PELO MENOS UM DOM DEVE FAZER PARTE DA VIDA DE UM OBREIRO | 49


Nos dias de hoje, é muito difícil! A corrida por
enriquecimento e prosperidade financeira, tem fei-
to de muitos cristãos se esquecerem do que é mais
importante. Tudo nesta terra passará. Veja o que diz a
Palavra do Senhor em Mateus 6:19-21:


“Não acumuleis para vós outros tesouros
sobre a terra, onde a traça e a ferrugem corroem
e onde ladrões escavam e roubam; mas ajuntai
para vós outros, tesouros no céu, onde traça
nem ferrugem corrói, e onde ladrões não escavam,
nem roubam; porque, onde está o teu tesouro,
aí estará também o teu coração.”

Onde está a prioridade da sua vida?

Precisamos trabalhar e estudar, cuidar da nossa


família sim. Isto é bíblico. O pecado estar em amar o
dinheiro, o deus deste século.

Se nunca nos contentarmos com o que temos,


nunca poderemos ser gratos e realizados com o que
Deus nos deu. Estaremos sempre querendo mais e
mais e mais. Dessa forma, nunca teremos tempo para
dedicar ao reino de Deus.

Basta se disponibilizar que o Senhor Deus te


dará forças e sabedoria para fazer a Sua obra. Há sem-
pre alguma coisa para se fazer no reino de Deus. Ele
quer apenas ouvir você dizer “Eis me aqui, usa-me Se-
nhor”.

50 | A CASA DE DEUS E SEUS OBREIROS - MAROSAM DIAS DA SILVA


De ninguém será cobrado algo além do que você
possa fazer. É importante entender também que uma
vida dedicada ao reino precisa ser feita com responsa-
bilidade em todas as áreas.

Tenha discernimento e trabalhe para o Senhor


Deus com sabedoria e dedicação. O Senhor precisa de
ceifeiros para a Sua obra.

Pessoas dedicadas, responsáveis e que exer-


çam com sabedoria e temor do Senhor, tem a garantia
da parte do próprio Deus que enquanto você cuida das
coisas de Deus, Deus cuida de você e dos seus.

CAPÍTULO 3 - PELO MENOS UM DOM DEVE FAZER PARTE DA VIDA DE UM OBREIRO | 51


Porque a igreja
4 precisa de obreiros?

V
ez por outra temos a seguinte informação: “A
igreja apresenta para consagração mais algu-
mas dezenas, de novos obreiros para servir no
Reino de Deus”. A notícia seria boa, se preservasse a
essência dos requisitos bíblicos exigidos para novos
obreiros e conservassem o propósito divino na sepa-
ração de novos chamados.

Porque a igreja precisa de porteiros?


Óbvio. Para guardar as portas. Porteiro era
considerado Levita, desenvolvia, também, a tarefa
de arrecadador de ofertas (II Crônicas 31:14) e vigia
(Marcos 13:34); Jesus menciona o porteiro como res-
ponsável pela guarda da porta do aprisco das ovelhas
(João 10:3; ver também Esdras 7:24). É improdutiva,
uma igreja de porta única, com uma quantidade exage-
rada de porteiros para servir. Quem são os porteiros
da igreja? São exatamente os Auxiliares ou Coopera-
dores, Diáconos e Diaconisas.

Veja algumas orientações relevantes para os


porteiros da igreja:

Efésios 6:7 “Sirva plenamente, como se você es-


tivesse servindo ao senhor, não a homens”. Cumpri-

CAPÍTULO 4 - PORQUE A IGREJA PRECISA DE OBREIROS? | 53


mente as pessoas de forma calorosa, os faça sentir
bem sobre sua presença na igreja. Seja um grande an-
fitrião para a casa de Deus.

O porteiro deve vestir-se


apropriadamente para o serviço.

Seja profissional, mas confortável. Você é parte


de uma equipe. Comunique-se com os outros.

Lembre-se você está na “linha de frente”, por-


tanto você será uma das primeiras impressões deste
Ministério. Dê boas-vindas calorosamente aos convi-
dados e membros regulares.

Quando solicitado seja cortês ao dar indicações


dos ambientes da igreja onde se encontra os banhei-
ros, secretaria, tesouraria, fraldário, porta-capacetes,
estacionamento, gabinete do pastor, bebedouro etc.
Dê indicações para salas de descanso e outras facili-
dades, quando for necessário. Procure conhecer sua
igreja antes de assumir seu posto.

Auxilie os visitantes a chegarem aos seus luga-


res. Nunca os deixe à procura de um lugar para sentar.
Atenda às necessidades especiais para entrar e sair da
igreja.

Quando perceber que alguém é uma pessoa


com deficiência para entrar no templo e sair dele, ofe-
reça ajuda para entrar e sair do templo e outras de-
mandas.

54 | A CASA DE DEUS E SEUS OBREIROS - MAROSAM DIAS DA SILVA


O porteiro deve ter uma estreita relação com
Deus. Deixe transparecer em você a imagem de Jesus
no contato com as pessoas.

Esteja na igreja local, pelo menos 30 minutos


antes do evento, para verificar se o local está pronto
para receber os membros e convidados. Também para
permitir que as equipes escaladas tenham tempo para
as orações antes de iniciar o serviço.

Para que a igreja precisa de auxiliares?


Há pessoas mencionadas na Bíblia como “coo-
peradores”, no entanto, sem evidência de se referir a
um cargo. Eram pessoas que haviam prestado algum
tipo de auxílio à alguém, em algum momento específi-
co (Filipenses 2:25; Atos 20:35). Pode ser até o mesmo
que levitas (Esdras 7:24). De todo modo, são pessoas
escolhidas para servir no templo no Antigo Testamen-
to, confundindo-se com a função do diácono no Novo
Testamento, porém, com atuação limitada. Numa me-
lhor ordem, são ajudantes dos diáconos nas atividades
seculares da igreja.

Para que a igreja precisa de diáconos?


Na igreja primitiva, eram responsáveis pelo so-
corro aos necessitados (viúvas, órfãos e estrangeiros),
pelo servir as mesas e manter a boa ordem na casa de
Deus (Atos 6:1-6). Eles existem para atender a deman-
da social da igreja e as necessidades inerentes a vida
terrena. Quando há gente desassistida ou abandona-

CAPÍTULO 4 - PORQUE A IGREJA PRECISA DE OBREIROS? | 55


da na igreja e os diáconos existentes não conseguem
atender a demanda, reconhecemos novos diáconos
para suprir a necessidade.

Para que a igreja precisa de presbíteros?


Presbítero era o líder da igreja. Os presbíteros
se dedicavam à direção das igrejas (Tito 1:5) e ao ensi-
no da doutrina cristã (II Timóteo 2:2). A palavra grega
presbyteros quer dizer “ancião”, mas era usada para os
líderes cristãos sem referência à sua idade. Nos tem-
pos do NT os presbíteros também eram chamados de
“bispos” (Atos 20:17-28; 1Timóteo 3:1-7; Tito 1:5-9). O
mais adequado é assemelhá-lo a mestre ou doutores.
Pessoas aptas a ensinar as doutrinas e verdades bíbli-
cas (I Timóteo 3:2; I Coríntios 12:28,29).

Um presbítero deve velar pelo rebanho. Ele deve


instruir todas as ovelhas, fortalecer as fracas, prote-
ger as vulneráveis, repreender as obstinadas, e lidar
com as trabalhosas (II Timóteo 2:24-25; Atos 20:28; I
Tessalonicences 5:14). Um presbítero vela pelos mem-
bros de sua igreja como alguém que haverá de prestar
contas a Deus (Hebreus 13:17).

Para que a igreja precisa de pastor?


Há, pelo menos, duas definições clássicas na Bí-
blia sobre essa função:

Primeiro, o pastor é um apascentador de gado e


ovelhas - Genêsis 13:7; 29:9 - Era, literalmente, alguém
responsável pela guarda de animais.

56 | A CASA DE DEUS E SEUS OBREIROS - MAROSAM DIAS DA SILVA


Segundo, o pastor é um cuidador espiritual de
gente, também conhecido como Ministro de Deus
- Jeremias 3:15; Hebreus 13:17; I Pedro 5:2 - Alguém
designado por Deus para edificar, cuidar apascentar e
proteger seu povo. Jesus esclarece, em João 10, que
o alvo do pastor é o zelo pelas ovelhas, buscando-as,
cuidando de suas feridas, ajudando-as na condução da
cruz existencial e abrigando-as num ambiente cristão.
Semelhantemente ao dito acima sobre presbíteros,
quando o cuidado com os irmãos é prejudicado pela
escassez de pessoas consagradas para este labor,
consagra-se novos obreiros para a tarefa pastoral. O
pastor tem sobre si a responsabilidade espiritual de
prestar contas a Deus de cada ovelha do seu rebanho.
Um pastor deve ser um conselheiro eficaz. Deve ou-
vir mais e falar menos. Deve ser seguro no seu acon-
selhamento, sempre observando o que faria Jesus. O
pastor como conselheiro deve ter discernimento que
é um dos dons mais importantes no seu ministério.

Para que a igreja precisa de evangelistas?


Nem todo pastor é um evangelista. Embora que,
alguns em especial, são e exercem as duas funções.

São funções completamente diferentes, tanto é


que, o apóstolo Paulo quando escreve aos Efésios 4:11,
nos faz saber que são funções diferentes. Ou seja, dis-
se ele: “E Ele mesmo (Cristo) deu uns para apóstolos,
outros para profetas, outros para evangelistas e ou-
tros para pastores e doutores...” Por que não podemos
entender que tudo não é a mesma coisa? Porque são

CAPÍTULO 4 - PORQUE A IGREJA PRECISA DE OBREIROS? | 57


“dons diferentes”, ou melhor, evangelista é dom, e não
função no sentido lato da palavra.

O evangelista é o semeador da Palavra. Sua tare-


fa é, exclusivamente, disseminar o evangelho de Cris-
to, com propósito de conceder às pessoas a oportuni-
dade de ouvir a boa mensagem de salvação em Cristo
Jesus (Romanos 10: 14,15; Mateus 13:1-9). A quantida-
de de evangelistas de uma igreja é proporcional ao seu
envolvimento com sua missão principal. Pela Bíblia, a
função de um evangelista é “ser um arauto do reino
dos céus”, pregar nas praças, nos becos e valados, é
abrir novos trabalhos, para então, o pastor exercer o
ministério pastoral. O que também podemos enten-
der que a função de um evangelista se configura como
um ajudador do pastor. Assim, é por meio do traba-
lho do evangelista que as almas (pessoas) se entregam
a Cristo e, portanto, tudo flui para o crescimento da
obra de Cristo. Não carregue apenas o título, mas seja
um verdadeiro evangelista no reino de Deus. A seara é
grande e precisa de ceifeiros.

Durante muitos anos, os evangélicos se manti-


nham enquadrados apenas nas funções acima relacio-
nadas. Com o passar dos anos foram surgindo outras
designações que, a priori, já se encontram conditas
nas relacionadas acima. Citamos: Missionária / Missio-
nário – O Evangelho de João é notável por suas quase
quarenta referências de Jesus falando:


“Aquele que me enviou”
(João 4:34; 5:24; 6:38 etc.).

58 | A CASA DE DEUS E SEUS OBREIROS - MAROSAM DIAS DA SILVA


No dicionário da língua portuguesa, missionário
significa “pregador de missão cristã”. É uma palavra
que designa, em geral, uma pessoa comissionada e en-
viada com alguns encargos, especialmente religioso.
Equivale ao mesmo que mensageiro.

A palavra “missionário”, deriva do latim, tem o


mesmo sentido básico do termo grego “apóstolo”, en-
viado. Em termos bíblicos, “é ser chamado, escolhido,
separado e preparado por Deus para levar a mensa-
gem do Evangelho”. É ter o privilégio de poder levar
“pão” aos que têm fome e “água” aos que têm sede de
ouvir a Palavra de Deus (Amós 8:11). Missionário é toda
pessoa que está empenhada com o anúncio do Evan-
gelho. É o agente autorizado da Igreja e por ela envia-
do a proclamar a mensagem do Evangelho.

Apóstolo
É Jesus, em Lucas 6:13, que atribui aos seus doze
discípulos o título de apóstolos. Era atribuído, no início
da igreja cristã, apenas àqueles que tiveram contato
pessoal com o Senhor Jesus. Depois, os onze apósto-
los entenderam que deveriam preservar a quantidade
escolhida por Cristo (doze). Para isto, realizaram a es-
colha do substituto de Judas (que traiu Jesus), sendo
escolhido Matias (Atos 1:26). Além deles, Paulo é reco-
nhecido como membro do colégio apostólico, mesmo
tendo se autointitulado (II Timóteo 1:11). A razão do
reconhecimento foram o testemunho de sua chamada
pelo Cristo ressurreto (Atos 9), as virtudes espirituais
vistas em seu ministério (Atos 15:12) e os argumentos

CAPÍTULO 4 - PORQUE A IGREJA PRECISA DE OBREIROS? | 59


que ele mesmo apresenta na defesa deste reconheci-
mento (II Coríntios 11:23-31). O significado da palavra
grega apóstolos é “enviado”. Por esta razão, apóstolo é
o mesmo que evangelista. Poder-se-ia alegar diferen-
ça no fato do apóstolo implantar igrejas e cuidar das
bases para sua sustentação doutrinária. No entan-
to, estas atividades também são desenvolvidas pelos
evangelistas, enquanto cumprindo sua missão (Atos
8:26-40).

Bispo
No grego, episkopos, donde se deriva a pala-
vra episcopal. Antes de ser aplicado este termo a um
pastor da igreja cristã, empregava-se geralmente para
designar o cargo de superintendente. E, assim, os ope-
rários empregados pelo rei Josias nos templos tinham
os seus superintendentes (II Coríntios 34:12). Na par-
te judaica da igreja cristã havia anciãos ou presbíte-
ros (Atos 11:30 e 15:2 – veja também Atos 14:23). Os
presbíteros a que se faz referência em Atos 20:17, são
chamados, em At 20.28, bispos ou superintendentes
em razão do seu cargo. Em 1 Timóteo 3:2 a 7, o apósto-
lo Paulo particulariza as qualidades que devem reves-
tir os que têm de desempenhar essa missão na igreja.
Oração e imposição das mãos eram funções caracte-
rísticas da sua ordenação. Os bispos desempenhavam
funções que compreendiam também o múnus pasto-
ral (1 Timóteo 5:17). Quando a organização das igrejas
cristãs nas cidades gentílicas envolvia a constituição
de uma ordem distinta na superintendência pastoral, o
título de ‘epískopos’ apresentava-se logo conveniente

60 | A CASA DE DEUS E SEUS OBREIROS - MAROSAM DIAS DA SILVA


e familiar e foi tão prontamente adotado pelos gregos,
como tinha sido o termo ‘ancião’ (presbítero) na igreja-
-mãe de Jerusalém. Por consequência, não há dúvida
de que as palavras ancião e bispo eram primitivamente
consideradas equivalentes.

No dicionário informal o bispo é o governador


da classe sacerdotal. Fico com essa definição, que é
a que mais se aproxima do que vivenciamos de que os
bispos são os sacerdotes que compõem o alto clero
da igreja.

Se referindo ao bispo Paulo escreve a Tito 1:7-9


dizendo: “Porque é indispensável que o bispo seja irre-
preensível como despenseiro de Deus, não arrogante,
não irascível, não dado ao vinho, nem violento, nem
cobiçoso de torpe ganância; antes hospitaleiro, amigo
do bem, sóbrio, justo, piedoso, que tenha domínio de
si, apegado à palavra fiel, que é segundo a doutrina,
de modo que tenha poder tanto para exortar pelo reto
ensino como para convencer os que contradizem. ”
Note bem que no texto de Paulo a Tito ele está dizendo
que o bispo é “despenseiro”, ou seja, é o que adminis-
tra, é o que governa. É a alta liderança que governa a
igreja do Senhor.

CAPÍTULO 4 - PORQUE A IGREJA PRECISA DE OBREIROS? | 61


Hierarquia
5 da Igreja

A
igreja como organização tem seus elementos
que contribuem para o andamento da mesma.
Sendo assim quero expor os cargos ou hierar-
quia nas igrejas no Brasil, e explicando cada um de
acordo com nosso conhecimento acerca de cada fun-
ção. Acompanhe.

Hierarquia da Igreja:

Pastor (Presidente ou dirigente)


Pastor auxiliar
Evangelista
Presbítero
Diácono
Missionário (a)
Auxiliares
Membros
Congregados
Acima está inserida a hierarquia onde várias
igrejas possuem. Adicionei congregados, pois acredito
que estes também são responsáveis pelo andamento
da igreja.

CAPÍTULO 5 - HIERARQUIA DA IGREJA | 63


Pastor (presidente, dirigente)
Esta é a função máxima dentro do ministério. O pas-
tor é o agente de ação da igreja, ele é o norteador da
obra, sobretudo mais um servo do Senhor na jornada
cristã. Dependendo da denominação, o ministro pode
ser chamado de pastor, reverendo, padre, apóstolo,
missionário e bispos (em igrejas luteranas, anglicanas,
presbiterianas e pentecostais), anciãos (Congregação
Cristã). No novo testamento, a igreja primitiva tinha
como “pastor” os diáconos.

A função do pastor é puramente espiritual, de


modo geral é dever do pastor dirigir a igreja local e
cuidar de suas necessidades espirituais, as atribui-
ções especificas de um pastor segundo Atos 20. 28-
31, apascentar a igreja, refutar heresias doutrinárias e
exercer vigilância espiritual sobre a vida dos membros.

A figura do pastor é primordial para que a igreja


alcance seus propósitos, devendo o mesmo ter como
modelo próprio o Senhor Jesus Cristo, que é o Sumo
Pastor.

Pastor auxiliar
Não é possível desenvolver um ministério sólido
sozinho. Por esta razão o pastor presidente ou dirigen-
te, deve estar rodeado de pastores que o auxilie nos
trabalhos eclesiásticos. A função do pastor auxiliar é
prover ao pastor responsável pelo rebanho um auxílio

64 | A CASA DE DEUS E SEUS OBREIROS - MAROSAM DIAS DA SILVA


que propicie ao pastor soluções e ações concernentes
a obra do Senhor, em várias igrejas estes são vistos
como membros da diretoria, co-pastores e vices, mas
podem também formar uma equipe de apoio.

Evangelista
Este é um ministério abençoado, não que os ou-
tros não sejam, mas o evangelista desempenha uma
função maravilhosa que é a proclamação da Palavra de
Deus. Por isto muitas vezes esse ministério é relacio-
nado com aquele que evangeliza. Porém, não é somen-
te isso, todos têm que evangelizar, mas o evangelista
quando é relacionado ao ministério de missões, este
tem um amor sobrenatural pelas almas, e conforme
vai crescendo neste amor, o Senhor vai usando este
como um canal de bênçãos, não só na vida da igreja,
mas em relação às pessoas que ainda não conhece-
ram o evangelho impactante do Senhor Jesus. Acre-
dito que nos dias de hoje, os avivalistas se configuram
mais no ministério do evangelista do que propriamen-
te no ministério pastoral.

Este ministério é tido na igreja como um ponto


expansivo, e seus agentes devem ser conscientizados
disto, sobretudo a maior conscientização que deve ha-
ver na igreja é de um evangelismo em massa, e não
limitado à um grupo.

CAPÍTULO 5 - HIERARQUIA DA IGREJA | 65


Presbítero
Bom é esclarecer que este ministério na igreja
primitiva, era equivalente ao cargo pastoral hoje. Pois
eram a eles confiados o governo da igreja. Hoje suas
funções variam de acordo com as denominações, mas
basicamente é ainda uma forte característica a expe-
riência e conhecimento acerca da Palavra de Deus.

Em várias denominações o cargo de presbítero


é tido como um cargo de nível alfa, pois uma de suas
características é justamente a experiência, e a igreja
primitiva usava o termo ancião para designar os pres-
bíteros, ainda hoje as igrejas reformadas e presbiteria-
nas (ambas de matriz calvinista), o presbítero é o líder
espiritual de uma comunidade.

O presbítero tem um cargo muito semelhante


ao pastor, desde as funções e a autoridade que pos-
suem diante da igreja. Um presbítero tem a função de
supervisionar o trabalho do pastor, bem como ofere-
cer suporte a este. Voltando ao uso da autoridade do
presbítero deve-se salientar sobre a sua limitação na
obra, pois este estará submetido a um pastor, o pres-
bítero por sua vez deve sempre andar vigiante e sem-
pre em constante leitura da Palavra.

Diácono
A origem do nome diácono, sugere muito bem
o seu caráter diante da igreja. Diakonew e Diakonia é

66 | A CASA DE DEUS E SEUS OBREIROS - MAROSAM DIAS DA SILVA


usado muitas vezes no novo testamento e é traduzido
como Ministrar ou Servir, a palavra que pode resumir o
ministério do diácono é mesmo a palavra servir, desde
antigamente, quando os primeiros diáconos da igre-
ja eram responsáveis pelo serviço cristão primitivo. O
diácono biblicamente falando, é o oficial eleito para
dedicar-se prioritariamente ao serviço social na igreja
conforme Atos 6: 1-7.

O diácono na igreja representa sinal de orga-


nização, o apóstolo Paulo, que como sempre preocu-
pado com a obra, elenca uma série de qualificações
que deve ter um diácono, como em I Timotéo 3: 8-13,
onde o apostolo relata as qualificações de um diáco-
no, como:

Ser honesto
Não ser de língua dobre ou maldizente.
Não ser dado ao vinho.
Não ser cobiçoso.
Saber guardar a fé e conhecer a doutrina.
Ser casado com uma só mulher.
Governe bem a própria casa.

O ministério do diácono tem um caráter mais


levado ao lado material da obra, mas o diácono DEVE
ser espiritual. Digo isto pois, as atribuições do diaco-
nato é levado para o serviço cristão, como o auxílio
na obra, no cuidado com o templo, o zelo pelo tem-
plo, cuidar das viúvas entre outros. Ou seja, é servo da

CAPÍTULO 5 - HIERARQUIA DA IGREJA | 67


igreja, e todos que entrarem neste ministério deve ter
isto em mente. Que Deus levante homens que façam
este trabalho e os abençoe.

Missionário (a)
Este ministério em si mesmo não é relatado na
Bíblia, porém não é errado a igreja atual constituir esta
titularidade, não vamos longe, na própria Bíblia encon-
tramos o maior modelo de missionário que é o apósto-
lo Paulo.

A função do missionário é expressiva na própria


nomenclatura, MISSÕES e é isto mesmo que faz um
missionário, levar a Palavra de Deus, mas você pode
estar me perguntando: Porque um missionário, se a
igreja tem evangelistas? Lembre se que o campo de
atuação do evangelista é limitado, cabendo somente
na área da atuação da igreja, testemunha o dia a dia.
Já o missionário é de caráter mais expressivo, é a fun-
ção da pregação em um campo transcultural, ele pre-
ga o evangelho visando estabelecer ou fundar novas
igrejas, onde a Palavra de Cristo não foi pregada, e é
sem dúvida alguma, um dos ministérios mais doloro-
sos que se vê! Pois a sua tarefa é voltada para pessoas
que nunca se quer entrou em uma igreja ou conhece
o nome Jesus Cristo, isto acontece e os desafios que
se enfrenta torna o ministério ainda mais árduo, po-
rém para quem têm a chamada para este ministério
faz com intenso amor no coração, oremos para que o
Senhor possa continuar levantado homens e mulheres
para a proclamação da Palavra em terras estrangeiras.

68 | A CASA DE DEUS E SEUS OBREIROS - MAROSAM DIAS DA SILVA


É preciso fazer uma distinção de dom e res-
ponsabilidade. Todos os crentes, independente se são
pastores, evangelistas, presbíteros, diáconos ou um
simples membro tem a responsabilidade de pregar o
evangelho Marcos 16:15. Já os dons cabe ao missioná-
rio, mas lembre-se que cada um de nós temos a res-
ponsabilidade de proclamar o evangelho.

Devemos fazer uma distinção, sobre dom e res-


ponsabilidade. Cada um de nós temos a responsabili-
dade em levar a Palavra do Senhor (Marcos 16:15), já o
dom o Senhor distribui como Lhe bem apraz, sabemos
que o dom que os missionários têm. Entretanto é de
nosso dever também anunciar as boas novas.

Auxiliares
Esta função é o momento de preparo para o fu-
turo obreiro, aqui é o momento da provação e aprova-
ção do obreiro que quer crescer no ministério. As fun-
ções dos auxiliares são diversas, e muito se assemelha
aos diáconos. Ou seja, seu lema também é servir a
obra do Senhor e buscar suprí-la da melhor maneira
possível.

Os auxiliares geralmente têm como caracte-


rísticas as mesmas dos diáconos, porém com menos
exigibilidade. Não é porque é menos exigido tem que
fazer o serviço de qualquer forma, é dever do auxiliar
desempenhar as funções com total dedicação e amor.

CAPÍTULO 5 - HIERARQUIA DA IGREJA | 69


Membros
Entende-se que membros são os indivíduos
participantes do corpo de Cristo vinculado à um mi-
nistério. Os membros são as pessoas que fazem parte
da Comunidade Cristã, que juntamente com os ou-
tros ministérios tomam a forma de igreja do Senhor. A
membrezia de uma igreja é variável, depende da região,
há igrejas com milhares de membros, outras com cen-
tenas e algumas com dezenas, mas a obra do Senhor
não é resumida a isto. Devemos entender que membro
é uma pessoa que necessita de cuidados espirituais,
e os responsáveis por estes cuidados tanto espiritu-
ais como materiais são os agentes que desempenham
as funções acima citadas, como o pastor, evangelista,
presbítero, diácono, missionários e auxiliares.

Observamos que cada uma das funções visa so-


mente o bem-estar e crescimento dos membros, com
isto, dá a entender a importância destes nas configu-
rações da igreja. Conscientize que a razão da existência
do seu ministério é justamente para oferecer cuidados
aos membros, estes são as ovelhas, que estão à procu-
ra da palavra fiel e verdadeira, em busca de salvação.

Congregados
Entende-se que congregados são as pessoas
que estão na igreja porém não estão vinculadas com
o corpo de Cristo, ou seja, não foram batizadas. Os
congregados têm um lugar especial na organização da
igreja, estes precisam de muito cuidado, devem cons-

70 | A CASA DE DEUS E SEUS OBREIROS - MAROSAM DIAS DA SILVA


tantemente ser ajudados e supervisionados. Na maio-
ria das igrejas, os congregados passam por um período
de aprendizado, que é o famoso “Discipulado Cristão”,
onde é o momento da igreja influir na pessoa todas as
vertentes do evangelho.

Como é um sistema hierarquizado, os congre-


gados estão abaixo dos membros, estes membros de-
vem ser os auxiliadores espirituais dos congregados,
não basta deixar sobre encargo de um só departamen-
to, como o discipulado. É dever de cada pastor, cada
evangelista, cada presbítero, cada diácono, cada mis-
sionário, cada auxiliar e cada membro guiar, segundo
os princípios da Palavra do Senhor, a vida destes que
estão em fase de crescimento. É preciso não somente
investimentos espirituais, mas também ter paciência
com cada um, sabendo que o Senhor Jesus abençoa a
cada um, e no tempo certo, o crescimento e a maturi-
dade espiritual virá.

Cooperador na Igreja
Quem são os cooperadores da igreja?
O que fazem?

1. Cooperadores também chamados de auxilia-


res são aqueles membros da igreja de bom testemu-
nho e ativos nos trabalhos do templo central e con-
gregações;

2. São membros aprovados por Deus, pelo pas-


tor presidente e ministério geral da igreja;

CAPÍTULO 5 - HIERARQUIA DA IGREJA | 71


3. Muitos atuam próximo ao púlpito e a adminis-
tração da igreja como auxiliares do pastor ou dirigente
de congregação ajudando na realização dos trabalhos
da igreja;

4. Irmãos que tem vocação ao crescimento mi-


nisterial na igreja que serve;

O papel social do cooperador da igreja:

1. Auxiliam em funções diversas na igreja como


porteiros, secretários, regentes, assistentes de moci-
dade, dirigentes do círculo de oração, zeladores, etc;

2. O cooperador da igreja é um forte candida-


to ao diaconato quando, principalmente, exerce essa
função sem ter o título de diácono;

O diácono é o cooperador da igreja que são vo-


cacionados e chamados por Deus devem ter um es-
pírito de servo, de prontidão e voluntariado para, a
qualquer momento, servir a igreja no que for preciso,
sabendo que a sua recompensa virá do Senhor.

Um serviço abençoado por Deus que culmina, se


apresentado por bom procedimento, com a ocupação
de outras funções ministeriais. Cabe a cada coopera-
dor desempenhar a sua função com amor, responsa-
bilidade e dedicação evitando o esfriamento espiritual,
a murmuração, os comentários prejudiciais ao seu mi-
nistério e a problemas pessoais com a igreja.

72 | A CASA DE DEUS E SEUS OBREIROS - MAROSAM DIAS DA SILVA


Participação
das mulheres no
6 Ministério de Jesus

O
evangelho de Lucas, mais do que os outros
evangelhos, menciona de maneira especial o
envolvimento das mulheres no ministério de
Jesus.

Nos dias de Jesus, como em outras culturas


nos dias de hoje, as mulheres eram consideradas de
pouco valor. Alguns judeus da época davam graças a
Deus por não terem nascido escravos, nem gentios e
nem mulheres. As sociedades romana e grega, às ve-
zes, tratavam as mulheres de forma ainda pior. Na cul-
tura romana, um homem frequentemente tinha uma
esposa apenas para gerar filhos legítimos como her-
deiros de suas propriedades, e mantinham concubinas
para seu deleite e prazer pecaminoso.

Jesus quebrou esse paradigma da desvalori-


zação da mulher. Jesus trouxe as boas-novas de que
elas são filhas de Abraão (Lucas 13.16). Como devem
ter ficado as mulheres daquela época, ao ouvir dos lá-
bios de Jesus que elas eram filhas de Deus e, aos Seus
olhos, tinham o mesmo valor dos homens! A mensa-
gem para as mulheres de todas as nações continua
sendo a mesma: homens e mulheres são um em Cristo
Jesus.

CAPÍTULO 6 - PARTICIPAÇÃO DAS MULHERES NO MINISTÉRIO DE JESUS | 73


A maior notícia do cristianismo veio
dos lábios de uma mulher


“E estavam ali, olhando de longe, muitas
mulheres que tinham seguido Jesus desde a Galileia
para o servir, entre as quais estavam Maria
Madalena, e Maria, mãe de Tiago e de José,
e a mãe dos filhos de Zebedeu.”
(Mateus 27.55-56).


“E no fim do sábado, quando já despontava
o primeiro dia da semana, Maria Madalena
e a outra Maria foram ver o sepulcro.”
(Mateus 28.1).

A curta aparição de Maria Madalena não a isen-


tou de ser reconhecida na história. Maria Madalena
teve sua vida mudada por Jesus ao expulsar sete de-
mônios que lhe atormentavam conforme registra Lu-
cas 8.2. Deste dia em diante, Maria Madalena passou a
seguir o ministério de Jesus, a ponto de esta mulher
estar presente na crucificação e ressurreição de Je-
sus.

Nos registros bíblicos sobre a vida de Maria Ma-


dalena, descobrimos que ela se dedicou inteiramente,
em seguir ao Senhor Jesus mostrando que sua vida
havia sido integralmente transformada pelo seu po-
der.

74 | A CASA DE DEUS E SEUS OBREIROS - MAROSAM DIAS DA SILVA


Esta mulher chamada Maria Madalena, não que
Madalena fosse seu sobrenome, mas pelo fato de que
esta mulher morava numa pacata cidade que ficava a
oeste da Galileia, chamada Magdala, vivia uma vida mi-
serável nesta cidade. A sua entrega ao ministério de
Jesus mostra a fé que esta mulher obteve em Jesus.

Maria Madalena esteve presente em cinco mo-


mentos específicos de Jesus:

Esteve ao pé da cruz no momento da morte de


Jesus. Maria Madalena foi uma das várias pessoas que
seguiram Jesus até o calvário, esta jornada de sofri-
mento que passou Jesus. Essa mulher viveu momen-
tos angustiantes ao ver seu Salvador neste ato de in-
tensa dor e sofrimento. Sem poder fazer nada, Maria
Madalena apenas assistiu esse momento que parecia
interminável. Ela acompanha de perto, todos os fatos
que acontecerem com Jesus até seu último suspiro na
cruz.

Observou o sepultamento de Jesus. Este é mais


um momento que Maria Madalena passou em vida: ver
o corpo de Jesus sendo posto num túmulo. Para ela,
ali estava a morte, o fim de tudo. Esta cena ficou mar-
cada em sua mente, por ver pela última vez a Jesus
antes de ser sepultado naquele túmulo, escavado na
rocha, e depois colocaram uma pedra grande sobre a
porta da entrada. Contudo este fato não tirou a fé que
ela tinha em Jesus.

CAPÍTULO 6 - PARTICIPAÇÃO DAS MULHERES NO MINISTÉRIO DE JESUS | 75


Chegou cedo ao sepulcro. O sábado terminava
oficialmente com o pôr do sol. Neste momento mulhe-
res fizeram perfume aromático para irem ao sepulcro
de Jesus para banharem o corpo do Senhor com es-
peciarias aromáticas. Mas o que elas não imaginavam,
é que estava para acontecer uma grande surpresa em
suas vidas.

Viu Jesus ressuscitado. “E Maria Madalena fora,


junto ao sepulcro. Estando ela, pois, chorando, desceu
para o sepulcro. E viu dois anjos vestidos de branco,
assentados onde estava o corpo de Jesus, um à ca-
beceira e outro aos pés. E disseram-lhe eles: Mulher,
por que choras? Ela lhes disse: Porque levaram o meu
Senhor, e não sei onde o puseram. E, tendo dito isto,
voltou-se para trás, e viu Jesus em pé, mas não sabia
que era Jesus. Disse-lhe Jesus: Mulher, por que cho-
ras? Quem buscais? Ela, supondo que era o jardinei-
ro, disse-lhe: Senhor, se tu o levaste, dize-me onde
o puseste, e eu o levarei. Disse-lhe Jesus: Maria! Ela,
voltando-se disse-lhe em hebraico: Raboni (que quer
dizer mestre). Disse-lhe Jesus:


“Não me detenhas, porque ainda não subi
para meu Pai, mas vai para meus irmãos,
e dize-lhes que eu subo para meu Pai e vosso Pai,
meu Deus e vosso Deus.”
(João 20.11-17).

76 | A CASA DE DEUS E SEUS OBREIROS - MAROSAM DIAS DA SILVA


Ao ver o sepulcro aberto e não encontrando o
corpo de Jesus, essas mulheres foram tomadas pelo
desespero, já que não sabiam o que havia sido feito
com o corpo de Jesus. Mal sabiam que Jesus já havia
ressuscitado dos mortos, vencendo a morte e o diabo.

Anunciou a boa notícia aos discípulos. Sua res-


surreição não foi lembrada por seus discípulos que
ouviram dEle que ressuscitaria no terceiro dia, a ponto
de serem avisados por algumas mulheres que estavam
na manhã de domingo no sepulcro, foram surpreendi-
das pelo anúncio de dois anjos e depois pelo próprio
Jesus ressuscitado. “E, voltando do sepulcro, anuncia-
ram todas estas coisas aos onze e a todos os demais. E
eram Maria Madalena, e Joana, e Maria, mãe de Tiago,
e as outrasque com elas estavam, as que diziam estas
coisas aos apóstolos.” Lucas 24.9-10

Este momento radiante vivido por estas mulhe-


res, e por Maria Madalena, foi algo impactante para
aqueles discípulos que sabiam que Jesus ressuscitaria
ao terceiro dia, mas estavam todos chocados com sua
morte e não se lembravam destas palavras de Jesus, e
agora ouviam estas boas novas pelos lábios de mulhe-
res e de Maria Madalena.

A dor que ela sentia em seu coração foi arran-


cada com a ressurreição de Jesus, Maria Madalena foi
a primeira a ver Jesus ressuscitado, e isto marcou sua
história para sempre.

CAPÍTULO 6 - PARTICIPAÇÃO DAS MULHERES NO MINISTÉRIO DE JESUS | 77


Participação das mulheres na política
A Agência Brasil publicou no dia 11/06/2018,
uma matéria que nos mostra a evolução tímida da par-
ticipação da mulher na política discutida num Seminá-
rio promovido pela ONU Mulheres Brasil.

“O Brasil ocupa a 32ª posição em um ranking


de 33 países latino-americanos e caribenhos sobre
a participação feminina em Parlamentos. Segundo a
ONU Mulheres, no Brasil, 10% do total de parlamen-
tares eleitos são mulheres. Apenas Belize tem menor
representação parlamentar feminina, com percentual
de 3,1%.

O desafio do Brasil para superar esse cenário de


desigualdade é o centro do debate do Seminário In-
ternacional Equidade de Gênero: Representação Po-
lítica de Mulheres – Diálogo Países Nórdicos, Brasil e
América Latina, realizado em Brasília.

A permanência da cultura machista, inclusive


nos partidos políticos, a falta de visibilidade e de inves-
timento em candidaturas femininas e mesmo questões
do cotidiano familiar, como a falta de corresponsabili-
dade entre homens e mulheres na distribuição de ta-
refas da vida privada, foram apontados como motivos
para a presença pouco expressiva delas na política.

Na América Latina, o país com maior represen-


tatividade política feminina é a Bolívia, que hoje tem,

78 | A CASA DE DEUS E SEUS OBREIROS - MAROSAM DIAS DA SILVA


em média, mais de 50% de parlamentares mulheres
em suas casas legislativas. O percentual dá à Bolívia
o segundo lugar na lista de países com forte presença
feminina no Congresso.

Um país africano, Ruanda, está em primeiro lu-


gar, com 61,3% de mulheres atuando na Câmara e 38,5%
no Senado, conforme dados da ONU do ano passado.
Em termos regionais, destacam-se os países nórdi-
cos. A Suécia, por exemplo, tem 52,2% de parlamen-
tares mulheres”. (Fonte: http://agenciabrasil.ebc.com.br)

Ministério Feminino na Bíblia (Romanos 16)


”Recomendo-vos, pois Febe nossa irmã, a qual
serve na igreja que está em Cencréia” (vs.1)

Febe era uma servidora, ou seja, a que fazia o


trabalho de diaconisa na igreja em Cencréia, próximo
a Corinto. A construção linguística do versículo em
apreço no original indica que ela desempenhava a fun-
ção de diácono, talvez porque no momento havia fal-
ta ali do elemento masculino para o serviço diaconal.
Febe ministrava aos pobres, aos enfermos e aos ne-
cessitados, além de prestar assistência a missionários
tais como Paulo.

”Saudai a Maria que muito trabalhou por vós” (vs


6). ”Saudai a Trifena e Trifosa as quais trabalharam no
Senhor. Saudai a amada Persida a qual muito traba-
lhou no Senhor (vs 12)”.

CAPÍTULO 6 - PARTICIPAÇÃO DAS MULHERES NO MINISTÉRIO DE JESUS | 79


As saudações de Paulo as mulheres neste capí-
tulo, indicam que elas prestavam serviços relevantes
nas igrejas.

Quem trabalha é reconhecida.

Do versículo 13 ao 15, Paulo também se refere


às mulheres, porém não da mesma maneira dos versí-
culos anteriores.

80 | A CASA DE DEUS E SEUS OBREIROS - MAROSAM DIAS DA SILVA


Instituição
7 dos Diáconos
Qualificações e funções (Atos 6:1-6)

A palavra diácono vem do grego DIÁKONOS,


que significa “aquele que ser serve, servidor ”. Suas
qualificações era que fossem bons cristãos “de boa
reputação, cheios do Espírito Santo e de sabedoria“.
Uma de suas funções na igreja do NT é vista em Atos
6:1-6. Deviam ajudar os Pastores cuidando dos as-
suntos temporais e materias da igreja de tal maneira
que os pastores pudessem dedicar-se a oração e ao
ministério da Palavra (Atos 6:4). No contexto do Novo
Testamento eles eram pessoas espirituais considera-
das aptas para o ministério de auxiliar (junto a lideran-
ça maior), com o propósito de abençoar, tanto aos de
dentro, como aos de fora do rebanho.

Suas principais Funções:

Assistência social aos necessitados,


pobres, órfãos, viúvos (as), etc.

Apoio aos enfermos (visitação,


consolo, locomoção).

CAPÍTULO 7 - INSTITUIÇÃO DOS DIÁCONOS | 81


Cooperação litúrgica (na preparação
e distribuirão da ceia, auxiliando
nos preparativos do batismo,
mantendo a ordem nas reuniões).

É interessante que hoje a palavra diácono ou


diaconisa, está ligada a palavra porta, até parece que
ser um diácono ou diaconisa é apenas ficar em pé na
porta. O fato de a diaconisa ficar em pé na porta de-
ve-se ao fato de ser um local estratégico, por onde
as pessoas entram e saem. Normalmente também os
púlpitos ficam em frente à porta e de lá a diaconisa
tem uma visão melhor do pastor e de todo o movimen-
to da igreja. Porém, ser um diácono ou diaconisa é bem
mais do que ficar na porta.

82 | A CASA DE DEUS E SEUS OBREIROS - MAROSAM DIAS DA SILVA


DiaconiSa:
suas características
8 e deveres


“Da mesma sorte os diáconos sejam honestos,
não de língua dobre, não dados a muito vinho,
não cobiçosos de torpe ganancia, guardando
o mistério da fé em uma pura consciência. E também
estes sejam primeiro provados e depois sirvam-se
forem irrepreensíveis. Da mesma sorte as mulheres
sejam honestas, não maldizente, sóbrias e fiéis em
tudo. Os diáconos sejam maridos de uma mulher e
governem bem seus filhos e suas próprias casas”.
(I Timóteo 3: 8-12 ).

Características da Diaconisa
- Obediente (I Pedro 1:14 – Romanos 16:19);
- Submissa (I Pedro 3:1);
- Sábia (Provérbios14:1);
- Prudente (Provérbios 19:14;14:15);
- Língua controlada (Salmos 34:13, Provérbios 15:4,
Tiago 1:26);
- Conselheira (I Samuel 25:33);
- Vigilante;
- Ágil, Intercessora;
- Cheia do Espírito Santo.

CAPÍTULO 8 - DIACONISA: SUAS CARACTERÍSTICAS E DEVERES | 83


Diaconisa
Uma mulher com um chamado
específico para atender
as necessidades materiais
e espirituais do templo.
Como mulher tem uma sensibilidade espiritual
aguçada e por isso percebem coisas erradas no âm-
bito espiritual acontecendo e apesar do trabalho dia-
conal ser mais forte a nível material, são espirituais e
conhecedoras da Palavra e como diaconisas podem
também enquanto servem, interceder e repreender
toda cilada, seta e astúcia do inimigo para desestrutu-
rar e bagunçar o culto ao Senhor nosso Deus.

Diaconisa
Uma mulher promovendo
o bem-estar e a organização
do templo.
A mulher tem uma maior percepção. Questão
de segundos ela entra em um ambiente e percebe de-
talhes que os homens deixam passar despercebidos.
Por este motivo as diaconisas têm uma participação
maior na organização do templo e do culto.

84 | A CASA DE DEUS E SEUS OBREIROS - MAROSAM DIAS DA SILVA


Deveres da Diaconisa
- Estar atenta a escala de trabalho.
- Chegar cedo na igreja, principalmente se estiver
escalada.
- Observar se tem algo fora do lugar.
- Ser simpática (a primeira impressão é a que fica).
- Através da maneira como as pessoas são recebidas,
é como elas vão passar a ver a igreja e isto vai
influenciar até mesmo na sua vida espiritual.
- Desempenhar bem o seu papel
(querer sempre fazer o melhor para Deus).
- Cuidar do templo como se fosse sua casa.
- Durante o culto estar atenta às necessidades do
pastor e da igreja.
- Dar apoio em todos os trabalhos da igreja
principalmente o espiritual.
- Estar sempre pronta esteja escalada ou não.

O que uma diaconisa não deve fazer


Ficar conversando sobre assuntos desnecessá-
rios na hora do culto.

Chegar atrasada ou faltar à escala de trabalho


sem dar nenhuma satisfação. Levar ao Pastor proble-
mas antes do culto, principalmente se ele o é prega-
dor isso pode ser uma cilada para perturbar a mente
do Pastor.

CAPÍTULO 8 - DIACONISA: SUAS CARACTERÍSTICAS E DEVERES | 85


Ser áspera com as crianças. Fazer acepção de
pessoas. Usar roupas que chamem atenção pela sen-
sualidade ou relaxo.

Recomendações
Se você usa calça comprida, tenha cuidado com
calças apertadas. Recomendamos o uso de uma blusa
comprida.

Cuidado com roupas curtas, transparentes e


colo do seio de fora.

Mantenham-se sempre bem vestida nos dias de


culto, pois como obreira você é representante da igre-
ja.

Nos dias de Ceia do Senhor, como é um culto


solene, é importante que as diaconisas, principalmen-
te as escaladas para o serviço estejam usando uma
roupa social. Sugerimos um blazer, já que os diáconos
estão de terno.

“Tudo com ordem e decência”.


Entendendo o chamado
Ser serva de Deus é um grande privilégio. Poder
de alguma forma ser útil na obra de Deus realmente é
uma benção e o Senhor tem te chamado para servir.
Porém, para desempenhar a função de diaconisa você
precisa entender e estar consciente de algumas coisas:

86 | A CASA DE DEUS E SEUS OBREIROS - MAROSAM DIAS DA SILVA


Você foi escolhida por Deus para
desempenhar esta função.
Este fato não te torna uma pessoa mais impor-
tante na igreja.

Não é um título que vai te dar destaque, pelo con-


trário, você passou a ter uma responsabilidade maior.

Por este motivo, tenha esta função como um


ministério que te foi dado pelo Senhor, uma capacida-
de concedida pelo Espírito Santo de Deus. Faça o teu
trabalho com amor, dedicação e fé. Desempenhe bem
a tarefa a qual Deus te confiou por que certamente
você prestará contas a Ele.

Qual a recompensa?


“Por que os que servirem bem como diáconos,
adquirirão para si uma boa posição
e muita confiança na fé que há em Cristo Jesus”.
(I Timóteo 3:13).

Para que o diácono e diaconisa exerçam seu mi-


nistério dentro da ética diaconal, estes devem obser-
var os seguintes pontos:

a) O conhecimento pleno de seu ofício.

b) A lealdade para com seu pastor

CAPÍTULO 8 - DIACONISA: SUAS CARACTERÍSTICAS E DEVERES | 87


c) Extremo cuidado quanto as críticas. Nunca
faça críticas e ao ouvir o desabafo das pessoas
nunca conte para outros. Seja discreto, saiba
controlar a língua, caso presencie casos extre-
mamente graves procure seu pastor.

d) Seja prudente quanto a visita ao lar, prin-


cipalmente a pessoas do sexo oposto, quando
ambos estiverem desacompanhados. Fugir da
aparência do mal.

e) Quanto ao dinheiro, se alguém lhe quiser en-


tregar ofertas ou dízimos, peça gentilmente
que o faça na salva ou na tesouraria da igreja.

f) Exerça o seu ministério no poder do Espírito


Santo, você não precisa lembrar a ninguém que
é diácono. Cuidado com as arbitrariedades e
ameaças, as pessoas devem vê-lo como homem
e mulher de Deus.

g) Seja pontual, chegue antes de o culto come-


çar e não se apresse em sair, seu pastor e anci-
ãos estarão sempre necessitando de sua ajuda.

h) Seja obediente às ordens de Jesus. Não mur-


mure nem resmungue, e lembre-se, obedecer é
melhor do que sacrificar.

i) Nunca se esqueça de exercer seu ministério


com amor, pois assim você estará cumprindo
a Lei, os profetas e todo o Novo Testamento; e

88 | A CASA DE DEUS E SEUS OBREIROS - MAROSAM DIAS DA SILVA


será, em todas as coisas, bíblica e eticamente
correto. Portanto não se esqueça de estudar
diariamente a Palavra de Deus.

Lembre-se que o trabalho é para


Deus e não para os homens.
Você pode exercer um diaconato irrepreensível
ao agir de acordo com a Palavra de Deus e observar as
normas do manual da igreja e primar pela ética. Não
deixe que nada macule o seu ministério, não basta ser
eficiente, é preciso que façamos tudo de acordo com
a Palavra de Deus.

CAPÍTULO 8 - DIACONISA: SUAS CARACTERÍSTICAS E DEVERES | 89


9 Diácono

Qual é a função de um Diácono?


Você sente o chamado de Deus para o diacona-
to, gostaria de saber mais sobre esse “importante ne-
gócio”? (Atos 6:2-3), então você deseja excelente obra.
Vamos entender o papel do diaconato.

Se estudarmos profundamente os atos dos


apóstolos constataremos que a diaconia não é outra
coisa senão a prestação de um serviço incondicional e
amoroso a Deus e à igreja a qual pertence. O diácono
que não vive para servir a igreja do Senhor, não serve
para viver como ministro de Cristo.

A palavra diácono é originária do vocábulo Gre-


go diákonos e significa, etimologicamente, ajudante,
servidor. Já que o diácono é um servidor, pode ele
também ser visto como um ministro. A essência do
ministério cristão é justamente o serviço.

Natureza do diaconato
O que é o diaconato? Um ofício? Ou um minis-
tério? Tendo em vista a análise das leituras propostas,
podemos observar que o diaconato é tanto um ofício

CAPÍTULO 9 - DIÁCONO | 91
quanto um ministério. Um ofício porque sua função é
claramente limitada: suprir as necessidades dos san-
tos; daí pode afirmar que o ofício básico do diácono é
a assistência social. Um ministério, pois é uma função
eclesiástica exercida por aqueles biblicamente orde-
nados.


“E os apresentaram perante os apóstolos
e estes orando, lhes impuseram as mãos”
(Atos 6:6).

As qualificações do diácono
As qualificações diaconais são os requisitos
imprescindíveis que tornam o obreiro cristão apto a
exercer esse ministério. Tais qualificações acham-se
compreendidas em Atos 6:3 e na primeira epístola de
Paulo a Timóteo 3:8-13 e são: boa reputação, plenitu-
de do Espírito Santo, sabedoria espiritual, honestida-
de, não de língua dobre, abstinência às bebidas alco-
ólicas, incorrupta e integridade, pura consciência na
observância do ministério da fé, fidelidade conjugal,
educação e governo dos filhos, e, por fim, o governo
eficiente de sua casa.

Os deveres eclesiásticos do diácono


O diácono é o auxiliar mais direto que dispõe o
pastor, ou, pelo menos, deveria ser. Diante disso, deve
o diácono estar sempre atento às necessidades de seu

92 | A CASA DE DEUS E SEUS OBREIROS - MAROSAM DIAS DA SILVA


pastor. Jamais se permitirá que este venha a negligen-
ciar o espiritual a fim de envolver-se com o material,
isto porque, o material cabe ao diácono e, pelo lado
espiritual consumir-se-á o pastor. Um problema mui-
to grave recorrente nas igrejas, vem sendo observado
com relação aos deveres diaconais, alguns diáconos
tão absorvidos em pregar, acham-se tão entretidos
em disputar os primeiros lugares, que acabam por se
esquecer de seu pastor. Isso não quer dizer que o diá-
cono deva privar-se do púlpito, se houver oportunida-
de aproveite-a, porém jamais se esquecendo de todas
as suas responsabilidades.

Cabe também ao diácono a perfeita identifi-


cação, a defesa dos pontos de vista, o conhecimen-
to da história e cultura de sua igreja, o conhecimento
da profissão de fé, bem como o conhecimento de sua
doutrina.

Outras responsabilidades diaconais


Cabe também ao diácono, preparar e servir a
santa ceia do Senhor, de acordo com os costumes
praticados por sua igreja; praticar a filantropia: cam-
panha de alimentos, agasalho, material escolher, cam-
panhas de ajuda aos missionários, promoção de em-
pregos, recolher as ofertas, trabalhar na portaria da
igreja, evangelizar entre outras tarefas que possam
ser determinadas por seu pastor.

CAPÍTULO 9 - DIÁCONO | 93
Ética diaconal.

Além das qualificações que cada diácono deve


observar em seu ministério, todos precisam observar
a ética diaconal.

A ética diaconal é a norma de conduta que o di-


ácono deve observar no desempenho de seu ministé-
rio.

A ética diaconal procede principalmente da Bí-


blia, dos regulamentos da igreja, a qual exerce o diaco-
nato e a consciência do próprio diácono.

94 | A CASA DE DEUS E SEUS OBREIROS - MAROSAM DIAS DA SILVA


10 Presbítero

A
s qualificações necessárias para os presbíte-
ros e diáconos em I Pedro 5:1-3, vemos que os
presbíteros devem ser modelos do rebanho.
Os diáconos, conforme observamos em Atos 6:3-5,
devem ser “homens cheios do Espírito Santo e de sa-
bedoria… e de fé”. Também, Paulo, em II Timóteo 2:2,
fala de “homens fiéis e idôneos”. O mesmo apóstolo,
nas duas passagens mais conhecidas sobre presbíte-
ros e diáconos, enumera cerca de vinte qualificações
que esses oficiais precisam ter (I Timóteo 3:1-12 e Tito
1:5-9). São elas:

- Irrepreensível
- Esposo de uma só mulher
- Bom chefe de família
- Hospitaleiro
- Temperante
- Sóbrio
- Modesto
- Não dado ao vinho
- Não violento
- Cordato
- Inimigo de contendas

CAPÍTULO 10 - PRESBÍTERO | 95
- Não avarento
- Apto para ensinar
- Não seja neófito
(novo na fé e sem maturidade espiritual)
- Bom testemunho dos de fora
- Piedoso

Dessa maneira, a fim de nos prepararmos como


igreja para a eleição vindoura de presbíteros e diáco-
nos, vamos estudar cada uma destas virtudes, consi-
deremos os nomes dos irmãos que mais se qualificam
para o exercício desses oficialatos, oremos por eles e
pela igreja e votemos com a consciência clara de es-
tarmos cumprindo as exigências da Palavra do Senhor.
Consideremos ainda que as virtudes necessárias aos
presbíteros e diáconos não se restringem aos líderes,
mas a cada membro da igreja que deseja glorificar o
Senhor Jesus por meio do testemunho cristão.

A importância do presbitério

1. Significado
do termo


“Não desprezes o dom que há em ti,
o qual te foi dado por profecia,
com a imposição das mãos do presbitério”
(I Timóteo 4:14).

Foi dessa forma que o apóstolo Paulo lembrou

96 | A CASA DE DEUS E SEUS OBREIROS - MAROSAM DIAS DA SILVA


Timóteo, aconselhando-o acerca do reconhecimen-
to do ministério do jovem pastor pelo conselho de
obreiros. O Novo Testamento classifica esse corpo de
obreiro de “presbitério” (do gr. presbyterion, substan-
tivo de presbítero, um conselho formado por anciãos
da igreja cristã).

2. A atuação
do presbitério
No Concílio de Jerusalém, em relação às sérias
questões étnicas e eclesiásticas que podiam compro-
meter a expansão da igreja, os apóstolos e os anciãos
(presbíteros) foram chamados para debater e legislar
sobre o assunto (Atos 15:2,6,9 e 11). Em seguida, os
presbíteros foram enviados à Antioquia para orientar
os irmãos sobre a resolução dos problemas que per-
turbavam os novos convertidos: “E, quando iam pas-
sando pelas cidades, lhes entregavam, para serem ob-
servados, os decretos que haviam sido estabelecidos
pelos apóstolos e anciãos em Jerusalém” (Atos 16:4).

3. A valorização
do presbitério
O presbitério deve ser valorizado, pois desde os
primórdios da Igreja cristã, a sua existência tem fun-
damento na Palavra de Deus. O rebanho do Senhor
será ainda mais bem atendido se o presbitério das
nossas igrejas for preparado para uma atuação mais
efetiva no governo da igreja e no ministério de ensi-
no, tal como instruiu o apóstolo Paulo: “Os presbíte-

CAPÍTULO 10 - PRESBÍTERO | 97
ros que governam bem sejam estimados por dignos de
duplicada honra, principalmente os que trabalham na
palavra e na doutrina” (I Timóteo 5:17). O Novo Testa-
mento mostra que, apesar de haver um pastor titular,
o governo de uma igreja não era exercido por um úni-
co líder, mas pelo conselho de obreiros (Atos 20:17-37;
Efésios 4:11; I Pedro 5:1). O presbitério é de vital impor-
tância ao desenvolvimento das igrejas locais e ao bom
ordenamento do Corpo de Cristo.

Fundamentado na Palavra
de Deus desde os primórdios
cristãos, o presbitério atua
no governo da igreja local junto
ao pastor titular.

Os deveres do presbitério

1. Apascentar
a igreja
Os presbíteros têm o dever de alimentar o re-
banho de Deus com a exposição da Santa Palavra. O
apóstolo Pedro bem exortou aos presbíteros da sua
época acerca desta tarefa: (I Pedro 5:2a). O apascen-
tar as ovelhas do Senhor se dá com cuidado pastoral,
não pela força ou violência, como se os obreiros tives-
sem domínio sobre o Corpo de Cristo. Esse ato ocorre
voluntariamente, sem interesse financeiro, servindo

98 | A CASA DE DEUS E SEUS OBREIROS - MAROSAM DIAS DA SILVA


de exemplo ao rebanho em tudo (I Pedro 5:2-3). Os
presbíteros formam o conselho da igreja local cujo
objetivo maior é atuar na formação espiritual, social,
moral e familiar do povo de Deus.

2. Liderar
a igreja local
A liderança da igreja local tem duas esferas prin-
cipais de atuação: o governo e o ensino. O presbítero,
quando designado para essas tarefas, tem o dever de
exercê-las na “Igreja de Deus” (I Timóteo 3:5). Para
isso, ele precisa saber “governar a sua própria casa” e
ser “apto a ensinar” (I Timóteo 3:2-4). Liderar o reba-
nho de Deus, segundo o Novo Testamento, é estar dis-
ponível “para servir” e “não para ser servido” (Mateus
20:25-28; Marcos 10:42-45). Com o objetivo de exercer
competentemente esta função, o presbítero deve ser
uma pessoa experiente, idônea e pronta a ser exem-
plo na igreja local. Ensinar e governar com equidade e
seriedade é o maior compromisso de todo homem de
Deus chamado para tão nobre tarefa.

3. Ungir
os enfermos


“Está alguém entre vós doente?
Chame os presbíteros da igreja, e orem sobre ele,
ungindo-o com azeite em nome do Senhor”
(Tiago 5:14).

CAPÍTULO 10 - PRESBÍTERO | 99
O ato da unção dos enfermos não pode ser ba-
nalizado na igreja local. Ele revela a proximidade que
o presbítero deve ter com as pessoas. O membro da
igreja local tem de se sentir à vontade para procurar
qualquer um dos presbíteros e receber oração ou uma
palavra pastoral. Tal obreiro foi separado pelo Pai e
pela igreja para atender a essas demandas. Apascen-
tar a igreja de Cristo, liderar uma igreja local e ungir os
enfermos são algumas das muitas responsabilidades
do presbítero.

Vimos que os termos presbítero, bispo e pastor


são sinônimos. Os presbíteros, ou bispos, sempre for-
maram um corpo de obreiros com a finalidade de con-
tribuir para a edificação da igreja local. Eles exercem
uma função pastoral. Nas Assembleias de Deus no
Brasil, os presbíteros exercem este serviço, pastore-
ando as congregações. Eles ainda cuidam da execução
das principais tarefas da Igreja: a evangelização e o
ensino da Palavra. Portanto, esses obreiros precisam
ser bem selecionados e valorizados pela igreja local.

“As qualificações dos Presbíteros (Tito 1.6-9) no


verso 6, de acordo com o idioma original, são condi-
ções ou questões indiretas relativas aos candidatos
que estão sendo consagrados para o ministério. O
grego traduz literalmente: ‘Aquele que for irrepreensí-
vel, marido de uma mulher, que tenha filhos fiéis, que
não possam ser acusados de dissolução [desperdício
de dinheiro] nem são desobedientes’ - este pode ser
considerado como um candidato ao presbitério.

100 | A CASA DE DEUS E SEUS OBREIROS - MAROSAM DIAS DA SILVA


Paulo parece estar usando as palavras ‘ancião/
presbítero’ (presbyteros, v.5) e ‘líder/bispo’ (episkopos,
v.7) de modo intercambiável. Neste primeiro período
da história da Igreja, os ofícios ministeriais eram vari-
áveis e indistintos.

“PRESBÍTEROS”. As Assembleias de Deus, espe-


cialmente no Brasil, certamente em razão de se cons-
tituírem inicialmente de crentes de diversos grupos
evangélicos, atraídos pela crença bíblica do batismo
no Espírito Santo, do ponto de vista administrativo,
ministerial, adotaram uma posição intermediária mais
aproximada do sistema presbiteriano. Não admitem
hierarquia. Não aceitam o episcopado formal, senão
o conceito bíblico de que o pastor é o mesmo bispo
mencionado no Novo Testamento. Admitem, entretan-
to, o cargo separado de presbítero. O presbítero (an-
teriormente chamado ‘ancião’) é o auxiliar do pastor.
Porém, em algumas regiões, em campo de evangeli-
zação das Assembleias de Deus, de certo modo, é-lhe
dado cargo correspondente ao de pastor, onde, na au-
sência deste, ele desempenha todas as funções pas-
torais: unge, ministra a Ceia e batiza. Entre esses, há
os que possuem a dignidade, capacidade e verdadeiro
dom de pastor.

Porém, na Convenção Geral de 1937, na AD de


São Paulo (SP), foi debatida a questão sobre se os
(presbíteros) não poderiam ser considerados pasto-
res. Os convencionais compreenderam, citando textos
como I Pedro 5:1, Atos 20:28 e I Timóteo 5:17, que, em
alguns casos, parece haver uma diferença entre anci-

CAPÍTULO 10 - PRESBÍTERO | 101


ãos e anciãos com chamada ao ministério, e estabe-
leceram, assim, a hierarquia eclesiástica que até hoje
existe nas Assembleias de Deus: diáconos, presbíteros
e ministros do evangelho (pastores e evangelistas).
Nas Assembleias de Deus, embora o trabalho do pres-
bítero tenha a sua definição, passou a ser também vis-
to como o penúltimo cargo a ser exercido pelo obreiro,
na sucessão das ordenações, antes de ser consagrado
a evangelista ou pastor.

Nas Assembleias de Deus no Brasil constituiu-


-se pelas funções de Pastor, Evangelista, Presbítero,
Diácono e Cooperador — a função de Cooperador sub-
mete-se à de diácono; esta à de presbítero; esta à de
evangelista; e esta à de pastor; mas todas, por sua vez,
à de Pastor-Presidente.

Constituída por diversos campos de trabalhos,


onde uma igreja matriz exerce a liderança em rela-
ção às igrejas e as demais congregações, e de seto-
res eclesiásticos regionais, a função do presbítero tem
uma importância singular na liderança local da igreja.
O presbítero da Assembleia de Deus é um pastor local,
pois ele pastoreia as congregações sob a supervisão
do pastor de campo, isto é, responsável pela super-
visão de várias congregações em uma região daquele
campo de trabalho. Por isso, uma grande e extraordi-
nária tarefa pesa sobre os ombros dos presbíteros.

102 | A CASA DE DEUS E SEUS OBREIROS - MAROSAM DIAS DA SILVA


11 Evangelista

Obreiro especialmente vocacionado,


a fim de proclamar o Evangelho
de nosso Senhor Jesus Cristo.

O
ministério de evangelista é dado por Deus à
Igreja como um dom valioso. Por isso, o estu-
daremos procurando vislumbrar como o Se-
nhor Jesus o considerou, e como esse dom ministerial
por Deus concedido é tratado em o Novo Testamento,
bem como sua destacada operação nas igrejas de Co-
rinto e Éfeso. Temos de Jesus a ordem para pregar o
Evangelho, e em sua multiforme sabedoria Deus dis-
põe para a igreja o poder necessário para proclamar o
Evangelho com ousadia.

O dom ministerial do Evangelista

1. O conceito
de evangelista
O termo “evangelista” deriva do verbo grego
euangelizo, isto é, transmitir boas novas (do evange-
lho). Como dom, refere-se àquele que é chamado para
pregar o Evangelho. Foi concedido pelo Pai através de

CAPÍTULO 11 - EVANGELISTA | 103


uma capacitação ministerial objetivando propagar o
Evangelho de Cristo para toda a humanidade. O evan-
gelista tem paixão pela salvação dos perdidos. Esme-
ra-se por buscar da parte de Deus mensagens inspi-
radas para tocar os corações e quebrantar a alma dos
pecadores.

2. O papel
do evangelista
O evangelista é, por excelência, o pregador das
boas-novas de salvação. Através da sua mensagem,
vidas são alcançadas e conduzidas a Deus. Muitas
vezes, o evangelista torna-se um plantador de igre-
jas, como tem ocorrido em diversos lugares do Bra-
sil e pelo mundo afora. Um evangelista cheio da graça
de Deus poderá tocar corações com a mensagem do
Evangelho de modo tão convincente que leva o povo a
crer e acatar as boas-novas da salvação e ao Salvador
Jesus.

3. A finalidade do ministério
do evangelista
Da mesma forma que o ministério do apóstolo
e do profeta, o do evangelista tem por finalidade pre-
parar os santos do Senhor para uma vida de serviço
cristão, bem como à edificação do Corpo de Cristo
(Efésios 2:20-22). Por isso, espera-se desse obreiro
que o fundamento do seu ministério seja Jesus Cristo,
o nosso Senhor. Não pode haver outro fundamento,
senão Cristo!

104 | A CASA DE DEUS E SEUS OBREIROS - MAROSAM DIAS DA SILVA


O evangelista deve também, em tudo, ser sen-
sível à voz do Espírito Santo. O exemplo de Filipe, o
obreiro deve ser obediente ao Senhor, seja para pregar
a multidões, seja para falar a uma única pessoa (Atos
8:6;26-40). Outro aspecto importante desse ministé-
rio é a habilidade que o evangelista deve ter na trans-
missão das boas-novas. O arauto de Deus precisa ser
capaz de responder à seguinte pergunta dirigida ao
pecador: “Entendes o que lês?” (Atos 8:30). O papel do
evangelista é exercer o ministério dado pelo Altíssimo
como arauto de Deus.

A palavra evangelista é encontrada três vezes


no Novo Testamento. Os evangelistas estão relaciona-
dos junto com os apóstolos, profetas, pastores e dou-
tores, como aqueles que são chamados para compar-
tilhar a construção da igreja (Efésios 4:11ss). Filipe foi
chamado de ‘o evangelista’ (Atos 21:8). Embora fosse
um dos sete escolhidos para aliviar os apóstolos da
tarefa de distribuir alimentos (Atos 6:5), ele foi espe-
cialmente notado por sua atividade evangelizadora. De
Jerusalém, ele foi até Samaria e pregou com grande
sucesso (Atos 8:4ss). Dali, foi enviado para evangeli-
zar um oficial da corte etíope, que estava viajando para
casa depois de visitar Jerusalém (Atos 8:26ss). Então
pregou o Evangelho desde Azoto até Cesareia, onde
tinha sua casa (Atos 8:40; 21:8)”.

O que é um evangelista?
Um evangelista é uma pessoa que tem o dom
de pregar o evangelho, trazendo pessoas para Jesus.

CAPÍTULO 11 - EVANGELISTA | 105


Deus usa o evangelista para convencer as pessoas do
pecado e da necessidade de salvação. O trabalho do
evangelista é muito importante, mas também precisa
da cooperação dos outros membros da igreja.

Deus distribui vários dons entre as pessoas,


para a edificação da igreja. Um desses dons é o dom de
evangelista (Efésios 4:11-12). A pessoa que tem o dom
de evangelista tem uma capacidade especial para ex-
plicar o evangelho de maneira convincente para quem
ainda não conhece.

Evangelho significa “boa notícia”. O evangelis-


ta é a pessoa que leva a boa notícia sobre a salvação
em Jesus para outras pessoas. No entanto, esse não
é trabalho exclusivo do evangelista. Todo crente tem
o dever de pregar o evangelho a quem ainda não crê
(Marcos 16:15). O evangelista tem apenas um talento
maior para evangelizar.

O que um evangelista faz?


A função principal do evangelista é apresentar
Jesus às pessoas, mostrando o caminho da salvação.
Através de conversas ou pregações, o evangelista
explica sobre o pecado, a necessidade de salvação e
como Jesus veio para nos salvar. O evangelista ajuda
as pessoas a tomarem um passo de fé e entregarem
suas vidas a Jesus.

O trabalho do evangelista deve ser apoiado pelo


resto da igreja. A conversão é apenas o primeiro pas-

106 | A CASA DE DEUS E SEUS OBREIROS - MAROSAM DIAS DA SILVA


so. Cada pessoa que se converte precisa ser integrada
na comunidade cristã e ser ensinada a viver para Je-
sus (Mateus 28:19-20). E isso não é responsabilidade
do evangelista, é responsabilidade de todos.

Um evangelista também pode ter outros dons.


No Novo Testamento, um seguidor de Jesus chamado
Filipe era conhecido como evangelista. Além de levar
muitas pessoas a se converterem, Filipe também ti-
nha o dom de servir, realizar milagres e curar doentes
(Atos 8:5-7).

O Que é Um Evangelista?
De maneira geral, o evangelista é a pessoa que
foi chamada para anunciar o Evangelho por todos os
lugares. Para entendermos melhor o que é um evan-
gelista, precisamos estudar também o significado da
palavra evangelista e pontuar algumas questões im-
portantes sobre ela.

O que significa evangelista?


A palavra “evangelista” é um substantivo pre-
sente no Novo Testamento derivado do verbo gre-
go euangelizomai, que significa “trazer boas-novas”,
“anunciar boas-novas” ou, basicamente, “evangelizar”,
“pregar o evangelho”. No Antigo Testamento, o termo
equivalente seria o hebraico mebasser, utilizado, por
exemplo, no livro do profeta Isaías 40:9; 41:27; 52:7),
denotando o mensageiro portador de boas-novas. Já
no Novo Testamento, esse verbo é bastante comum,

CAPÍTULO 11 - EVANGELISTA | 107


sendo aplicado a Deus (Galátas 3:8), a nosso Senhor
(Lucas 20:1), aos Apóstolos em suas viagens missio-
nárias, bem como aos cristãos comuns da Igreja (Atos
8:4).

Focando agora apenas no substantivo “evan-


gelista“, podemos encontrá-lo apenas três vezes em
todo o Novo Testamento:

Em Atos 21:8, o substantivo evangelista é atri-


buído a Filipe, chamado de “Filipe, o Evangelista”.
Na epístola de Paulo aos Efésios (4:11), a palavra é cita-
da na lista de oficiais fornecida por Paulo.

Na segunda epístola de Paulo à Timóteo (4:5),


onde Timóteo é exortado a desempenhar a obra de um
evangelista.

Com base nos textos apresentados acima, po-


demos perceber algumas questões interessantes so-
bre o que é um evangelista. No caso de Filipe, sabemos
que ele foi separado para ser um dos sete diáconos
que serviam a Igreja no auxílio aos Apóstolos, e tor-
nou-se um grande pregador do Evangelho em regiões
que ainda não haviam sido evangelizadas (Atos 8:5-
40). Timóteo, por sua vez, pelas epístolas que Pau-
lo lhes escreveu, podemos claramente perceber que
suas atribuições eram explicitamente pastorais, mas
Paulo o exorta para que ele fizesse o trabalho de um
evangelista (II Timóteo 4:5). Nos dois casos aprende-
mos que o evangelista pode desempenhar outra fun-
ção na igreja local e, ainda assim, exercer a função de

108 | A CASA DE DEUS E SEUS OBREIROS - MAROSAM DIAS DA SILVA


evangelista, ou seja, no exemplo de Filipe, o diácono
podia ser um evangelista, e, no exemplo de Timóteo, o
pastor e mestre também podia desempenhar a função
de evangelista.

Outro ponto que os textos bíblicos do novo tes-


tamento deixam bem claro é que, embora os apósto-
los essencialmente fossem evangelistas, ou seja, en-
viados como mensageiros para pregar o evangelho,
nem todos os evangelistas eram apóstolos. Isso fica
evidente nos textos apresentados, onde Filipe e Ti-
móteo não são incluídos entre os apóstolos. Em re-
lação a Timóteo, tal distinção é feita nitidamente em
Coríntios 1:1 e em Colossenses 1:1. Embora em alguns
aspectos a obra do evangelista se assemelhava bas-
tante à obra do apóstolo, para o evangelista faltava as
qualificações necessárias para ocupar o apostolado,
ou seja, essa distinção está de acordo com as quali-
ficações exigidas para o apostolado no livro de Atos
dos Apóstolos, os quais necessariamente precisavam
ter sido testemunhas oculares do ministério terreno
de Cristo, principalmente de Sua ressurreição, e, além
disso, ter sido, de alguma forma, comissionado pelo
próprio Cristo para tal autoridade (Atos 1:21-22; 9:15).
Essa diferença é confirmada na passagem em Efésios
4:11, onde o oficio de evangelista é mencionado sepa-
radamente ao de apóstolo.

Pelos relatos bíblicos aprendemos que, tanto


os apóstolos quanto os outros membros que haviam
sido separados para o ministério em ofícios específi-
cos, desempenhavam também a obra de evangelista.

CAPÍTULO 11 - EVANGELISTA | 109


Na verdade, em diversos textos no novo testamento
podemos notar que muitos cristãos realizavam essa
tarefa sagrada, de acordo com a oportunidade que
lhes era conferida. O mesmo serve hoje para nós, pois
temos o dever de anunciar as obras daquele que nos
chamou das trevas para a Sua maravilhosa luz (I Pedro
2:9). Entretanto, embora num sentido geral todo cris-
tão verdadeiro seja um evangelista, o texto citado na
epístola aos Efésios deixa claro que havia pessoas que
eram chamadas e capacitadas pelo Espírito Santo es-
pecialmente para essa tarefa, ou seja, era um dom dis-
tinto dentro da Igreja para o serviço da própria Igreja,
já que é um dom de Cristo para ela.

Depois, ao longo da história da Igreja, o termo


“evangelista” também passou a ser aplicado para de-
signar os escritores dos quatro evangelhos (Mateus,
Marcos, Lucas e João), pois registraram o evangelho
de Cristo.

Existem evangelistas ainda hoje?


Há duas interpretações acerca desse assunto.
Para alguns, o dom/ofício de evangelista é de cará-
ter extraordinário, ou seja, serviu para um propósito
específico em um determinado momento da História,
e, juntamente com apóstolos e profetas, ele cessou.
Para outros, esse dom/oficio é de caráter ordinário,
isto é, continua até os dias atuais. De fato, essa não é
uma questão tão simples de resolver, pois estudiosos
extremamente preparados discordam sobre o assun-
to.

110 | A CASA DE DEUS E SEUS OBREIROS - MAROSAM DIAS DA SILVA


É bem verdade que, num certo sentido, não te-
mos mais evangelistas como Filipe, Timóteo e Tito, que
claramente serviam como auxiliares e representantes
dos apóstolos naquele momento histórico e singular
de expansão da Igreja descrito em Atos dos Apósto-
los e nas epístolas do novo testamento. Esse enten-
dimento é óbvio pelo simples fato de que não temos
mais apóstolos como Pedro, João e Paulo nos dias de
hoje. Também, o ministério dos evangelistas estava di-
retamente ligado à operação de ações sobrenaturais
como uma forma de autenticidade da mensagem do
Evangelho que anunciavam. Por último, nas listas dos
oficiais da Igreja, Paulo sempre cita o evangelista em
maior grau de autoridade em relação ao pastor. Isso
é explicado quando entendemos que, evangelistas
como Timóteo e Tito, eram enviados para supervisio-
nar as igrejas, além de serem responsáveis por desig-
nar presbíteros para as comunidades locais.

Entretanto, também devemos nos atentar que,


embora o evangelista fosse um enviado, ele não lança-
va as bases da Igreja, pois essa incumbência, segundo
Paulo, foi exclusiva aos apóstolos e profetas (Efésios
2:20), ou seja, o evangelista desempenhava seu tra-
balho sob o fundamento já lançado pelos apóstolos e
profetas. Considerando tudo isso, somado ao exemplo
de grandes homens piedosos ao longo da história da
Igreja que, indiscutivelmente, foram vocacionados e
capacitados pelo Espírito Santo para dedicarem suas
vidas a pregação do Evangelho nos lugares mais re-
motos do mundo, penso que os evangelistas servem
a Igreja de Cristo em qualquer época, inclusive atual-

CAPÍTULO 11 - EVANGELISTA | 111


mente, desde que sejam compreendidas as caracte-
rísticas que não se podem repetir presentes na Igreja
Primitiva.

As características de um evangelista
Utilizando os textos bíblicos, podemos notar as
características que um evangelista necessariamente
precisa ter. São vários os exemplos, porém iremos uti-
lizar o perfil do evangelista Filipe descrito no livro de
Atos dos Apóstolos.

O evangelista é comprometido com


sua igreja local: Filipe foi um dos escolhidos para
servir a igreja de Jerusalém cuidando das obras sociais
e auxiliando os apóstolos (Atos 6:5). Mesmo depois da
dispersão que houve após o martírio de Estêvão, Filipe
continuou em contato com a sua liderança (Atos 8:14),
pois em Samaria os apóstolos foram supervisionar o
seu trabalho. Mesmo o Apóstolo Paulo, quando saia
em suas viagens missionárias, procurava estar ampa-
rado por igrejas locais, como a igreja em Antioquia e,
mais tarde, sua pretensão com a igreja em Roma. Hoje
em dia vemos muitas pessoas que apenas querem ser
“evangelistas itinerantes”, sem compromisso algum
com uma comunidade cristã local.

O evangelista é um homem de cará-


ter: o livro de Atos nos informa que Filipe, quando
foi escolhido como diácono da Igreja, necessariamen-
te precisava ser um homem de boa reputação (Atos
6:3). A responsabilidade de um evangelista é muito

112 | A CASA DE DEUS E SEUS OBREIROS - MAROSAM DIAS DA SILVA


grande ao ser o mensageiro que anuncia as boas-no-
vas da salvação. Infelizmente muitos que se intitulam
evangelistas servem apenas como escândalo para o
Evangelho, com uma conduta de vida completamente
imoral e reprovada.

O evangelista é repleto do Espírito


Santo e de sabedoria: mais um pré-requisito
que Filipe possuía quando foi escolhido como diácono
da Igreja (Atos 6:3). O fato de tais características se-
rem pertinentes à sua escolha para a tarefa de servir
a igreja nas obras sociais no capítulo 6 de Atos, não
anula a importância delas no desempenho da função
de evangelista. Mais tarde, no capítulo 8 do mesmo li-
vro, vemos que todas essas características estavam
presentes em Filipe quando este pregava o evangelho
em diversos lugares. Filipe era alguém pleno do Espí-
rito Santo e repleto de sabedoria, tanto servindo as
viúvas e no cuidado aos pobres como desempenhando
a tarefa de anunciar o evangelho de Cristo.

O evangelista é corajoso: mesmo diante


do assassinato de seu companheiro de diaconato, o
evangelista Filipe não se calou (Atos 8:5). A possibi-
lidade de que talvez fosse o próximo a ser apedreja-
do não fez com que Filipe abandonasse seu desejo de
anunciar a Palavra de Deus.

O evangelista não desiste nas adver-


sidades e aproveita as oportunidades im-
prováveis: como dissemos, após a morte de Estê-
vão houve uma grande perseguição contra a Igreja, de

CAPÍTULO 11 - EVANGELISTA | 113


modo que, com exceção dos apóstolos, todos se dis-
persaram. Filipe estava entre os que se dispersaram,
mas, ao invés de se esconder, ele exerceu ainda mais a
sua vocação. É exatamente nesse ponto de grande ad-
versidade que temos, pela primeira vez, a descrição do
Filipe Evangelista ao invés do diácono Filipe. Diante da
ocasião que exigia que ele saísse de Jerusalém, Filipe
aproveitou o momento para pregar o Evangelho pelos
lugares em que passava.

O evangelista prega a Cristo: a mensa-


gem do evangelista é cristocêntrica. Para o verdadeiro
evangelista não há outra mensagem mais importante
do que o Cristo ressuscitado. Se a pregação de alguém
que se diz evangelista não apontar para Cristo, então
esse alguém não passa de um enganador. Filipe prega-
va a Cristo (Atos 8:5). É triste como hoje em dia qual-
quer coisa se tornou mais importante nos temas de
pregações do que a verdade sobre o pecado e a obra
de Cristo na cruz. Os ditos “evangelistas” estão mais
preocupados em pregar bens e prosperidades, auto-
-ajuda, restituição e um monte de outras besteiras, do
que de pregar sobre o arrependimento e a justificação
mediante a fé em Cristo Jesus.

O evangelista tem seu ministério fo-


cado na pregação do Evangelho: esse é um
ponto extremamente importante de se compreender.
O livro de Atos descreve que grandes sinais acompa-
nhavam o ministério de Filipe, de modo que pessoas
eram libertas da opressão de demônios e doentes

114 | A CASA DE DEUS E SEUS OBREIROS - MAROSAM DIAS DA SILVA


eram curados. Entretanto, o mesmo texto deixa cla-
ro que esse não era o objetivo principal do ministério
de Filipe, ao contrário, o foco estava sob a pregação
do Evangelho de Cristo, e essas coisas eram apenas
a consequência de tal pregação, de modo que ser-
viam de evidência da autoridade que havia na mensa-
gem pregada pelo evangelista. Com isso, aprendemos
que curas e libertações só podem acontecer em de-
corrência da pregação do evangelho verdadeiro que
liberta o homem. Não existe milagre sem a pregação
da Palavra genuína. Se houver qualquer milagre onde
o evangelho legítimo não está sendo pregado, então
esse milagre não vem da parte de Deus. Ultimamente
falsos evangelistas estão enganando muitas pessoas
com espetáculos de demônios. Os verdadeiros sinais,
aqueles que de fato são frutos do poder sobrenatural
de Deus, sempre apontarão para o evangelho da graça
e nunca para o perfil “milagroso” do evangelista. Lute-
ro definiu muito bem esse ponto ao dizer: “Qualquer
ensinamento que não se enquadre nas Escrituras deve
ser rejeitado, mesmo que faça chover milagres todos
os dias”.

A grande satisfação do Evangelista é


ver um pecador regenerado: esse certamen-
te é o maior milagre que pode existir. Filipe pregava as
boas-novas da salvação, e, conforme a soberana von-
tade de Deus, pessoas eram regeneradas pelo Espíri-
to Santo, sendo batizadas em seguida como evidência
de que, agora, eram novas criaturas em Cristo Jesus
(Atos 8:12).

CAPÍTULO 11 - EVANGELISTA | 115


O evangelista é disposto e está sem-
pre atento a voz de Deus: Filipe não agia se-
gundo a sua própria vontade, antes, ele se atentava
em obedecer às ordens de Deus (Atos 8:26; 8:39). Com
grande disposição, Filipe pregou em Samaria, Azoto,
e em todas as cidades até chegar a Cesaréia (Atos
8:5,40).

O evangelista sabe ensinar as Escrituras: Fili-


pe, obedecendo à ordem do Senhor, foi para a estrada
que desce de Jerusalém para Gaza. Ali, ele encontrou
um eunuco que lia o livro do profeta Isaías, porém
não conseguia compreender o que estava lendo. Fi-
lipe, como um autêntico evangelista, ensinou-lhe as
Escrituras mostrando ao eunuco que elas testificam
de Cristo. Essa é uma verdade indivisível na tarefa da
evangelização. Qualquer um que pretende desempe-
nhar o evangelismo, obrigatoriamente precisa saber
expor as Escrituras.

Portanto, o dom ministerial de evangelista é


concedido por Deus a algumas pessoas conforme o
propósito do Espírito Santo para o fortalecimento e
a edificação das igrejas locais. Isto, porém, não sig-
nifica desobrigar os crentes individualmente do labor
da evangelização. Todo seguidor de Cristo, isto é, todo
aquele que se acha discípulo de Jesus, tem em sua
caminhada cristã o firme compromisso de propagar
a mensagem do Evangelho. E deste compromisso não
pode se apartar um único milímetro. Que Deus levante
mais evangelistas para a sua grande seara!

116 | A CASA DE DEUS E SEUS OBREIROS - MAROSAM DIAS DA SILVA


O pastor
12 auxiliar


“Falava o Senhor a Moisés face a face, como
qualquer fala a seu amigo; então, voltava Moisés
para o arraial, porém o moço Josué, seu servidor,
filho de Num, não se apartava da tenda.”
(Êxodo 33:11).

O
nome de Josué significa Deus é a nossa salva-
ção. Ele fazia parte de uma geração que esta-
va na escravidão e que almejava a libertação
e, quando Moisés chegou ao Egito trazendo as boas
novas da libertação, Josué logo se apaixonou por ele,
porque viu a oportunidade da liberdade e passou a an-
dar com Moisés. Aonde Moisés ia, Josué junto.

A 1ª coisa que o pastor auxiliar deve


saber é que ele está como auxiliar, como
escudeiro, para servir e auxiliar.

O pastor auxiliar deve ser submisso, mesmo que


à primeira vista pareça ter mais conhecimento de de-
terminado assunto do que seu pastor, sua função não
é tentar sobrepujá-lo, mas honrá-lo em tudo no minis-
tério.
A 2ª coisa: O pastor auxiliar deve re-
conhecer seus limites.

CAPÍTULO 12 - O PASTOR AUXILIAR | 117


O pastor auxiliar precisa aprender que não pode
confundir a amizade de seu líder com libertinagem. É
preciso ter cuidado com as brincadeiras, piadas, e sa-
ber o horário de parar diante do líder.

O pastor auxiliar deve saber agir, falar e como se


portar. Ele deve ter discernimento para saber entrar
e sair. Deve ser uma pessoa que respeita. O limite é o
marco entre o reconhecimento e a honra.

A 3ª coisa: O pastor auxiliar deve de-


fender o seu pastor.

O pastor auxiliar não pode aceitar que pessoas


falem mal do seu pastor, ele deve ser o primeiro a ex-
terminar focos maliciosos contra a imagem do líder.
Vemos um exemplo de rebelião em Números 16:1-3. A
mão de Deus pesou contra Corá, Datã e Abirão – eles
e suas famílias foram engolidos vivos pela terra. Deve-
mos nos distanciar das rebeliões e honrar e respeitar
o líder.

Davi foi perseguido por Saul porque aceitou o


elogio das mulheres que disseram: “Saul matou mi-
lhares, porém Davi seus dez milhares.” Davi gostou do
elogio, não creditou honra a Saul e a partir daquele dia
Saul passou a suspeitar e perseguir Davi.

A 4ª coisa: Procure compreender a


visão ministerial do seu pastor.

118 | A CASA DE DEUS E SEUS OBREIROS - MAROSAM DIAS DA SILVA


Esmere-se em entender o que seu pastor dese-
ja, para onde a nuvem está indo, do contrário existirá
uma igreja dentro da igreja. A Bíblia diz que Josué fi-
cava grudado em Moisés, aprendendo com ele.

A 5ª coisa: O cajado está nas mãos


de Moisés e não nas mãos de Josué.

Se não compreendermos isso a igreja fica divi-


dida. Cajado é sinônimo de condução, de direção. Te-
mos que reconhecer a autoridade na vida do líder e se
ele errar temos a liberdade para mostrar o erro, nunca
afrontá-lo, ou desrespeitá-lo.

Saul mesmo perseguindo Davi era ungido de


Deus. O coração de Davi se entristeceu por cortar um
pedacinho da roupa de Saul, ele sabia que não poderia
tocar no ungido de Deus.

A 6ª coisa: As ovelhas que cuidamos


não são nossas, são do pastor titular.

Existem pastores auxiliares que pensam que as


ovelhas são deles, as ovelhas são do Senhor e estão
debaixo da autoridade, da responsabilidade do pastor
da igreja.

A 7ª coisa: Reconheça a unção espe-


cial na vida do seu pastor.

Existe uma unção especifica para o líder. É di-


ferente da unção do pastor auxiliar. O pastor auxiliar

CAPÍTULO 12 - O PASTOR AUXILIAR | 119


deve pedir oração ao seu líder, deve pedir conselho,
ele é o seu mentor.

Que entendamos o princípio da autoridade na


vida dos nossos líderes, que sejamos submissos, ser-
vos que militam com excelência no ministério como
pastores auxiliares.

Como ser um obreiro auxiliar eficaz


no ministério cristão
A obra de Deus tem seu início em nossas vidas
a partir do momento que ouvimos, cremos, aceitamos
e praticamos o evangelho de Jesus Cristo. A salvação
é consumada em nossas vidas a partir deste momen-
to, tornando cada pessoa salva um obreiro em poten-
cial. Para que isto se torne uma realidade basta tão
somente se colocar à disposição de Deus, deixá-lo
trabalhar a sua vida e logo se tornará útil na obra do
Mestre. Nunca devemos nos esquecer de que nunca
seremos totalmente independentes na obra de Deus,
sempre teremos pessoas que administrarão alguma
área de nossa vida, por isso, devemos nos submeter
aos nossos líderes como ao próprio Deus, tendo em
vista Deus escolher e chamar homens como verda-
deiros presentes para Igreja que hão tomar contar de
nossa vida espiritual, e com certeza um dia prestarão
conta dela diante de Deus. Seja o melhor líder auxiliar
que você puder ser. Sirva com humildade, com since-
ridade, com paciência, com fidelidade, com diligência
e com voluntariedade, não se esqueça de que o Deus
Todo-Poderoso está olhando para você, e no momen-

120 | A CASA DE DEUS E SEUS OBREIROS - MAROSAM DIAS DA SILVA


to determinado por Ele, você será exaltado para glória
e louvor do seu nome.

Entenda seu chamado


Abrindo a Bíblia nos Evangelhos, vamos encon-
trar três chamadas de Jesus Cristo para o crente, as
quais se constituem a base da vocação e chamada de
todo aquele que se dispuser a seguir a Cristo, passo a
passo. São elas:

1.1. Chamada para a salvação (Mateus 11:28)

Este solene convite de Cristo aos cansados e


sobrecarregados, ou oprimidos, vem acompanhado da
promessa: “e Eu vos aliviarei”. Cansados e oprimidos!
Esta era a triste situação de todos nós antes de fazer-
mos parte da família de Deus. Hoje, porém, é diferente.
Ao darmos ouvido ao apelo de Cristo, o nosso peso
se foi. Fomos mudados em novas criaturas e consti-
tuídos Seus servos, dispostos a ficar aqui ou ir ali e
além, comunicando ao mundo os benditos favores do
evangelho. Todos os discípulos de Cristo em todas as
épocas começaram a sua jornada espiritual aceitando
este convite; por isso vieram a ser aquilo que todos
nós hoje esperamos ser: fiéis testemunhas de Jesus
Cristo.

1.2. A chamada para o discipulado (Mateus 11:29; 16:24)

A Bíblia se refere a Cristo mais vezes como


mestre do que como salvador. Ele mesmo disse: “Vós

CAPÍTULO 12 - O PASTOR AUXILIAR | 121


me chamais o Mestre e o Senhor, e dizeis bem; porque
o sou” (João 13:13). Aqueles que aprenderam de Cristo
são úteis no cumprimento de todo o desígnio de Deus.
Devemos aprender de Cristo, pois segundo Paulo, nEle
estão escondidos todos os tesouros da sabedoria e do
conhecimento (Colossenses 2:3). Sendo verdadeiros
discípulos de Cristo podemos ser para a nossa época
aquilo que Paulo e os outros apóstolos foram para a
sua própria época – testemunhas capazes para anun-
ciar todo o desígnio de Deus (Atos 20:27). Vale salien-
tar que o resultado do genuíno discipulado é tríplice:

1.3. A chamada geral (Mateus 28:18-20; Marcos 16:15-20).

No processo do discipulado cristão é necessá-


rio que o crente se disponha a ficar na cidade, pois é
na cidade onde ele vai aprender, vai orar, e buscar o
revestimento de poder (Lucas 24:49; Atos 1:8). Somen-
te depois que o crente tiver passado por este proces-
so estará preparado para cumprir a grande comissão,
onde todos de uma maneira especial podem ser co-
operadores de Deus (II Coríntios 3:9), no ministério
da reconciliação (II Coríntios 5:21), verdadeiros teste-
munhas de Jesus Cristo em qualquer lugar do mundo
(Atos 1:8). Ir quando deve ficar não é menos perigoso
do que ficar quando se deve ir. Davi ficou em Jerusa-
lém quando devia estar com os seus soldados lutan-
do contra os filhos de Amon, e como resultado disso
pecou gravemente contra Deus (II Samuel 11: 1- 4). A
experiência dos filhos do Sacerdote Ceva, nos ensina
que é muito perigoso tentar fazer a obra de Deus sem
a devida preparação (Atos 19:13-17).

122 | A CASA DE DEUS E SEUS OBREIROS - MAROSAM DIAS DA SILVA


1.4. A chamada específica ou ministerial (Atos 13:1-3; Efésios
4:8-16)

Observemos que a chamada de Paulo e Barna-


bé foi uma chamada específica, onde Deus mesmo se
manifesta através da palavra profética e separa alguns
dos seus fiéis para realizar um trabalho específico no
reino de Deus. Através desta chamada Deus separa
homens para presenteá-los à Igreja, isto é, dons em
forma de homens. A fim de estarem na frente da Igreja
como verdadeiro porta vozes de Deus, trabalhando no
aperfeiçoamento dos santos.

2. Líderes/auxiliares chamados por Deus (I Reis 10:1-10)

Uma Igreja no seu conceito administrativo enri-


quece com os auxiliares que tem. Nesse texto temos a
experiência do rei Salomão que as condições que de-
monstraram seus auxiliares, eram realmente autênti-
cas, e a rainha de Sabá atentou para:

a) A comida de sua mesa;


b) O lugar e o assentar de seus oficiais;
c) O serviço dos seus criados;
d) As condições dos trajes que eles usavam;
e) A maneira de ação de seus copeiros;
f) Como eles se comportaram na subida à casa
do Senhor.

A atuação excepcional dos servos de Salomão


impactou de uma maneira extraordinária a rainha de
Sabá ao ponto de a Bíblia afirmar que “não houve es-

CAPÍTULO 12 - O PASTOR AUXILIAR | 123


pírito nela” (I Reis 10:4-5). Ela disse: “ Foi verdade a
palavra que ouvi na minha terra, das tuas coisas e da
tua sabedoria. E eu não cria naquelas palavras, até que
vim, e os meus olhos o viram; eis que me não disseram
metade; sobrepujaste em sabedoria e bens a fama que
ouvi” (I Reis 10:6-7).

Quando alguém visita uma Igreja e vê no seu


pastor um líder eficaz, e nos seus auxiliares uma au-
tenticidade no serviço da Igreja, terá que usar as pa-
lavras da rainha de Sabá: “Bem-aventurado os teus
homens, bem-aventurados os teus servos, que estão
sempre diante de ti, que ouve a tua sabedoria! Bendito
seja o Senhor teu Deus, que teve agrado de ti, para te
por como pastor desta Igreja” (I Reis 10:8-9).

2.1. Características do Líder/auxiliar (Êxodo 18:21-22)

Encontramos nesse texto a base para qualquer


administração. Tomando por base a vida de Moisés, do
povo de Israel e dos conselheiros. Temos que consi-
derar primeiramente que, com o grande crescimento
do povo de Israel, o grande número de problemas que
envolvia o povo, Moisés começou a sentir a grande
necessidade de distribuição de liderança no meio do
povo. Chegando ele a seu sogro, contando-lhe o que
estava acontecendo, o mesmo aconselhou que cons-
tituísse entre os seus liderados: Líder de mil, líder de
cem, líder de cinquenta e líder de dez.

124 | A CASA DE DEUS E SEUS OBREIROS - MAROSAM DIAS DA SILVA


Nesta distribuição já encontramos as três pala-
vras: liderança, líder e liderados. É comum acontecer
em atividade sufocada distorção na tomada de deci-
são. Isto acontece quando o líder não reconhece a sua
situação limitada conforme a própria Bíblia afirma. Se
Moisés não reconhecesse e não ouvisse o conselho de
seu sogro, poderia ter perdido o título de líder eficaz,
por ser sufocada a sua posição e não ter condição de
tomada de decisão acertada.

2.1.1. Conceito de líder

Líder: indivíduo que alia prestígio e autorida-


de para dirigir um grupo com participação espontânea
dos seus membros.

Liderar é saber aonde ir e ser capaz de levar os


outros após si. Liderar é delegar tarefas. Delegação é
a transferência do poder do líder para outro membro
do grupo que passa a exercê-lo em nome do primeiro.

Forme um grupo autêntico ao seu lado, de ho-


mens capazes e sinceros, cujos lábios não falam en-
ganosamente e não mintam cujos corações estão na
obra de Deus e não na vil moeda perecível. Homens
dentro do contexto de Êxodo 18:21-22: “ homens de
capacidade, tementes a Deus, homens verazes, que
aborreçam a avareza” que a Igreja seja para eles tida
como a Noiva de Cristo e não como um ponto de en-
contro ou considerada como qualquer firma comer-
cial.

CAPÍTULO 12 - O PASTOR AUXILIAR | 125


2.1.2. São basicamente três os tipos de liderança:

a) Liderança Democrática: É competitivo; há


decisão em grupo. Isso faz com que diminua a
ansiedade dos indivíduos e o grupo geralmente
se mantém por mais tempo. Existe maior pro-
dutividade.

b) Liderança Autocrática: É competitivo; o líder


manda no grupo e toma as decisões. Isto gera
agressividade dos indivíduos e o grupo pode se
desfazer. Diminui a produtividade.

c) Liderança Laissez-Faire: grupo sem líder, ou


pseudo liderança. Isto gera confusões, ninguém
entende ninguém. “ Deixar como está para ver
como é que fica”; diminui a produtividade.

2.1.3. Quatro diferentes estilos de liderança:

1º O Maquiavélico – jamais reúne o grupo para


trocar ideias, mas conversa com cada membro em par-
ticular, é mestre em intrigas. Joga um membro contra
o outro, os usa como quer. “ Divide para governar”.

2º O Vaidoso e Ambicioso – favorece os mem-


bros do grupo que o bajulam, não consegue ser impar-
cial, torna-se líder por causa de títulos ou prestígios
profissionais.

3º O Instável – muda de ideia como troca de ca-


misa. Por isso, os membros do grupo não conseguem

126 | A CASA DE DEUS E SEUS OBREIROS - MAROSAM DIAS DA SILVA


seguir suas instruções. Inicia muitas tarefas e não
conclui nenhuma.

4º O paternalista – é bondoso, trata os mem-


bros do grupo como seus filhos, procura lhes dar pre-
sentes, prêmios e conforto. Mas exige retribuição com
mais trabalho.

Entre os diferentes estilos de liderança que ba-


sicamente são quatro, qual deles poderia ser funda-
mentado na Bíblia como o melhor? Registrado no livro
de Provérbios no capítulo 6:16-19 tem resposta con-
creta que nenhum desses tópicos está de acordo com
a Palavra de Deus. Na Bíblia fala da imparcialidade que
devemos ter com o nosso companheiro. Não seja ma-
quiavélico e nem tão pouco vaidoso, pois Deus rejeita
os soberbos, mas dá graça aos humildes.

2.2. A harmonia na liderança (Salmos 133: 1-3)

Existe um ditado popular muito famoso que diz:


“quando a cabeça não pensa, o corpo é quem padece”.
Podemos observar a vida de uma pessoa que tem uma
deficiência mental, que apesar de não ter problemas
de ordem física, no entanto, seu corpo sofre muitas
lesões por causa do problema em sua mente. A lide-
rança é a parte pensante da administração de uma
igreja. Quando os líderes não caminham pelos mes-
mos caminhos, não pensam a mesma coisa e não têm
os mesmos objetivos, como afirma o apóstolo Paulo:
“ Fiel é Deus, pelo qual fostes chamados à comunhão
de seu filho Jesus Cristo nosso Senhor. Rogo-vos, ir-

CAPÍTULO 12 - O PASTOR AUXILIAR | 127


mãos, pelo nome de nosso Senhor Jesus Cristo, que
faleis todos a mesma coisa, e que não haja entre vós
divisões; antes sejais inteiramente unidos, na mesma
disposição mental e no mesmo parecer ” (I Coríntios
1:9-10). Vai suceder semelhante ao provérbio do lou-
co, o corpo vai sofrer muitos danos como divisões,
rebeldia, murmurações etc, sendo tudo fruto de um
problema relacionado a uma liderança desorganizada
e doentia.

O Senhor está dizendo através do salmista Davi


no versículo 1 que é muito (...) “bom e agradável os ir-
mãos viverem em união”. Como afirma o apóstolo Pau-
lo: “Rogo-vos, pois, eu, o prisioneiro do Senhor, que an-
deis de modo digno da vocação a que fostes chamados,
com toda humildade e mansidão, com longanimidade,
suportando-vos uns aos outros em amor, esforçando-
-vos diligentemente por manter preservar a unidade
do Espírito no vínculo da paz: há somente um corpo e
um Espírito, como também fostes chamados numa só
esperança da vossa vocação; há um só Senhor, uma só
fé, um só batismo; um só Deus e pai de todos, o qual é
sobre todos, age por meio de todos e está em toldos”
( Efésios 4:1-50). Observamos que através deste texto
o apóstolo oferece diversas razões para vivermos em
união e nos exorta a esforçamo-nos diligentemente
para mantermos está união, através da paz e do amor
que deve reinar entre os filhos de Deus.

O versículo 2 do Salmos 133 afirma que a união


deve ser semelhante ao (...) “óleo precioso sobre a ca-
beça, o qual desce sobre a barba, a barba de Arão e

128 | A CASA DE DEUS E SEUS OBREIROS - MAROSAM DIAS DA SILVA


desce sobre a orla de suas vestes”. Quero salientar
nesse texto três expressões: o óleo precioso, a cabeça
e a barba de Arão e a orla de suas vestes. Tipologica-
mente o óleo é símbolo da unção do Espírito Santo,
Arão é símbolo do sacerdócio, isto é, da liderança e
a orla de suas vestes, ou seja, o corpo, é símbolo da
Igreja. Isso quer dizer que a união na igreja é promo-
vida pelo Espírito Santo quando o mesmo encontra
liberdade na igreja. A união deve começar pela lide-
rança, isto é, entre o dirigente e os líderes auxiliares e
consequentemente contagiará todo o corpo da Igreja.
Este é um ambiente propício para o Senhor manifestar
a Sua glória e promover vida e crescimento contínuo
na igreja local.

3. Humildade o caminho da grandeza (Marcos 10:35-45)

Sabemos que crescer faz parte da natureza fi-


siológica do ser humano, no texto em análise o Senhor
Jesus nos dá o norte de como devemos agir para de-
senvolvermos o ministério cristão. O único caminho
revelado na Bíblia que leva o obreiro ao desenvolvi-
mento espiritual é a humildade I Pedro 5:5-6).

3.1. Deus não trabalha com grandes, mas com aqueles que se
humilham e lhe devotam toda a glória (I Coríntios 1: 25-30).

3.2. Devemos seguir a doutrina de João Batista – que ele


cresça e eu diminua (João 3:30).

3.3. Ninguém começa um ministério de cima para baixo,


mas de baixo para cima (Jeremias 18:1-3).

CAPÍTULO 12 - O PASTOR AUXILIAR | 129


4. O que fazer para realizar o nosso ministério com êxito

1º Devemos ter consciência da responsabilida-


de ministerial (I Coríntios 9:16).

2º Devemos colocar o ministério em primeiro


lugar (Atos 20:24).

3º Devemos manter a nossa vida cheia do Espí-


rito Santo (Efésios 5:18; Lucas 24:49; Atos 1:8;
Atos 2:1-4).

Obreiros, sabemos que o Senhor quer nos usar


para realizar a Sua obra, agora precisamos entender
que o Senhor não vai nos usar de qualquer maneira.
Primeiramente Ele trabalha as nossas vidas, pois Ele é
o carpinteiro de Nazaré, e com certeza é competente
o suficiente para nos aperfeiçoar de acordo com o Seu
caráter. Depois de trabalhar as nossas vidas, Deus vai
nos usar para a glória do Seu nome.

Deveres do vice pastor


1- Está sempre ao lado do seu pastor, jamais ser
oposição, pelo contrário ser amigo do seu pas-
tor.

2- Sempre defender o seu pastor, quando al-


guém dele falar mal.

3- Comparecer em todas as reuniões quando


pelo seu pastor for convocado.

130 | A CASA DE DEUS E SEUS OBREIROS - MAROSAM DIAS DA SILVA


4- Está sempre à disposição do seu pastor evi-
tando dizer o não quando o pastor precisaria
ouvir o sim.

5- Na ausência do seu pastor, o vice pastor


em exercício, deve estar apto pra para resol-
ver qualquer problema que porventura venha a
surgir no seio da igreja, caso seja grave comu-
nicar imediatamente ao seu pastor.

6- Nunca tomar decisões precipitadas, isola-


das, ou seja, sem consultar primeiro o seu pas-
tor.

7- O vice pastor e a esposa devem trabalhar


sempre em acordo e harmonia com seu pastor,
para que o ministério do vice pastor seja per-
feito.

8- O vice pastor deve ter uma conduta exem-


plar de um bom testemunho dentro e fora da
Igreja: obreiro aprovado que não tem de que se
envergonhar.

9- Irrepreensível e inimigo de contendas.

O ofício do vice pastor


O vice pastor carrega e deve exercer todos os
direitos do pastor em sua ausência. Para conduzir os
cultos de acordo com a doutrina criada e praticada
pela igreja Assembléia de Deus Ministério de Madu-

CAPÍTULO 12 - O PASTOR AUXILIAR | 131


reira. Ele deverá ser investido do mesmo poder como
o pastor e assumindo assim toda a responsabilidade
da igreja e agindo com total autoridade para manter
a igreja em sua devida ordem. Ele deverá demonstrar
profunda compaixão para com todas as cargas dos
santos e cumprir completamente para com a comissão
para qual Deus o chamou, como um verdadeiro pastor.
Conta-se com ele para o bom andamento e progresso
da igreja tanto em assuntos espirituais como em as-
suntos presentes que possam suceder para o pastor.
Ele não deverá entrar em nenhuma transação de ne-
gócios sem primeiro apresentar o caso para o pastor,
exatamente o pretendido.

Qualidades de um pastor auxiliar


Todos devem ser transparentes

Pois a transparência nos traz a confiança que


sou irrepreensível na Presença de Deus (I Coríntios 1:8
; Lucas 1:6 ; Efésios 1:4).

Todos devem ser ensináveis

Homens e mulheres arrogantes e sabichões


nunca aprendem nada.

Todos devem ser submissos

Submissão não é prisão, é liberdade. Submissão


é um dos segredos de uma vida longa e cheia de vitó-
rias, porque foi escrito pelo Espírito Santo através de

132 | A CASA DE DEUS E SEUS OBREIROS - MAROSAM DIAS DA SILVA


seus profetas que devemos ser submissos às autori-
dades constituídas por Deus em suas igrejas, não sen-
do nós submissos à liderança estamos fora do agrado
de Deus. (Tito 2:9 ; Hebreus 13:17).

Todos devem ser tratáveis

Homens e mulheres intratáveis nunca erram,


estão sempre com a razão, justificam-se sempre e fi-
nalmente, nunca terão o caráter transformado.

Todos devem ser humildes

Qualidade marcante de quem possui uma vida


rendida diante do Senhor Jesus. Para estes não há lu-
gar para o orgulho ou a soberba.

Todos devem ser mansos

A humildade e a mansidão nos fazem ser seme-


lhantes a Jesus, e traz descanso a nossa alma.

Todos devem ser cheios do Espírito Santo

Assim, homens e mulheres devem ser reconhe-


cidos: cheios de alegria e cheios de muita vida de Deus,
este é o nosso combustível.

Todos devem ser determinados

A determinação é um fator predominante na


vida daqueles que querem vencer. Determinação é um
ato da nossa vontade.

CAPÍTULO 12 - O PASTOR AUXILIAR | 133


Todos devem ser fervorosos

Este é o ingrediente que dá brilho ao ministério


do homem de Deus.

Todos devem ser motivados

Na verdade, a motivação do homem e da mulher


é responsável por 50% do êxito de seu ministério. Ho-
mens e mulheres motivados têm o seu crescimento
desobstruído.

Todos devem ser dispostos

Disposição é uma qualidade importante na igre-


ja e todo homem e mulher que fazem a obra do Senhor
com disposição, mostra um desempenho muito me-
lhor e agrada o coração de Deus porque a disposição
mostra voluntariedade e isto é de agrado ao Senhor.

Todos devem ser ousados

O homem e mulher de Deus que desenvolve esta


qualidade, avança, prosperam e superam suas próprias
limitações e ultrapassam qualquer obstáculo sem de-
sanimar porque o homem e mulher ousados não te-
mem a luta, mas reconhece que Deus os chamou para
a batalha e como toda batalha, terá luta, mas através
de sua ousadia toda luta é vencida.

134 | A CASA DE DEUS E SEUS OBREIROS - MAROSAM DIAS DA SILVA


13 Pastor

O que é um pastor?
Qual é a função de um pastor?
Na Bíblia, um pastor é uma pessoa que cuida
dos outros membros da igreja, exercendo liderança. O
pastor ajuda os outros membros a crescer, exortando,
corrigindo, aconselhando e ensinando a viver de acor-
do com a Palavra de Deus em amor. Os pastores me-
recem nosso respeito.

Deus distribui diferentes dons para as pessoas,


para edificar a igreja. Um desses dons é a capacidade
para ser pastor. De acordo com a Bíblia, os pastores
fazem parte da liderança da igreja, junto com aqueles
que têm os dons de ensino e evangelização (I Coríntios
12:28). Essa liderança torna toda a igreja mais forte e
capaz de cumprir sua missão.

Jesus é nosso grande pastor. Assim como um


pastor de ovelhas cuida delas, Jesus cuida de cada um
de nós, nos guiando e protegendo. Jesus é o bom pas-
tor. Ele nos ama tanto que deu sua vida por nós! Toda
liderança precisa ser baseada no amor (João 10:14-15).

CAPÍTULO 13 - PASTOR | 135


Ser pastor é uma grande responsabilidade! A
Bíblia diz que os pastores (e outros líderes) terão de
prestar contas a Deus por seu serviço (I Pedro 5:3-4).
O trabalho não é fácil e tem grandes desafios. Por isso,
cada pastor precisa muito da graça de Deus.

Nas igrejas, entre as responsabilidades de um


pastor estão: o aconselhamento de membros (quan-
do solicitado); leitura da Bíblia e reflexão da Palavra
durante as celebrações; autoridade espiritual para
ministrar a bênção apostólica no término dos cultos;
realização de visitas em hospitais, penitenciárias e ou-
tros lugares onde estejam pessoas sem condições de
se dirigir as igrejas e que queiram receber orações e
ouvir sobre as escrituras; orações de cura e libertação;
realização de casamentos; ministração de cultos nos
lares; oração pelas de crianças nascidas em famílias
evangélicas quando são ainda pequeninas as “apre-
sentando” a Cristo (parece haver um entendimento de
que o batismo somente é realizado quando a criança/
pessoa já possui capacidade de decidir sobre a religião
que pretende seguir e quando expressa vontade pró-
pria de entregar a vida a Cristo no meio evangélico);
Batismo por imersão em água.

Além disso, o pastor também é o responsável


por coordenar as atividades de administração e fun-
cionamento da igreja, por meio de contratação de ser-
viços. Por exemplo, contratar para fazer a limpeza, o
concerto de objetos e reparos técnicos, pagamento de
contas como água, luz, telefone ou mesmo a liberação
ou determinação de quais membros da igreja serão lí-

136 | A CASA DE DEUS E SEUS OBREIROS - MAROSAM DIAS DA SILVA


deres dos ministérios – o que geralmente é expresso
por meio de convite ou manifestação da vontade da
pessoa em realizar aquela atividade.

É o pastor quem tem autoridade para atribuir ou


destituir um cargo na igreja. Isso não significa que ele
tenha alguma soberania ou esteja isento de avaliações
ou perda de sua função. É natural que como figura
humana, o pastor também esteja suscetível a erros (e
sempre disposto a repará-los). Entretanto, caso não
proceda de acordo com os princípios bíblicos e orien-
te ou conduza a igreja fora daquilo que pregou Jesus
Cristo, a membresia da igreja pode reivindicar a troca
de pastor. Ou ainda, quando há um grupo de pasto-
res em uma mesma igreja, há uma organização onde
um deles é eleito o pastor presidente (em geral o mais
antigo), que possui autoridade para orientar e corrigir
quando necessário, os outros pastores.

Nos dias atuais o curso de teologia tem sido uma


exigência de muitas igrejas para o exercício do pasto-
rado e é comum o pastor receber algum salário para
exercer o seu ministério, mas isso não é determinante
(há pastores de dedicação exclusiva e há pastores que
exercem uma profissão secular trabalhando em seus
ministérios em um tempo mais restrito). Porém, o cur-
so de teologia não é obrigatório, pois se trata de um
exercício vocacional, um “chamado” da parte de Deus,
manifestado por uma unção que, sendo identificada
na vida do indivíduo, vem a ser reconhecida por um
pastor que o consagra. Ou seja, um indivíduo somente
se torna pastor quando um deles o reconhece como
tal, e passa a ele o título.

CAPÍTULO 13 - PASTOR | 137


Por se realizar numa atmosfera abstrata, base-
ada na fé e no que há no coração do homem - um ter-
reno que somente Deus pode sondar - esse contexto
acaba abrindo precedente para o engano, e a existên-
cia de alguns pastores sem unção divina. Sobre isso, o
próprio Deus teria alertado aos profetas de que have-
ria falsos pastores, e estes prestarão contas a Ele, a
exemplo a passagem reproduzida a seguir:


”Portanto”, ó pastores, ouvi a palavra do Senhor:
Vivo eu, diz o Senhor Deus, que, porquanto a
s minhas ovelhas foram entregues à rapina,
e as minhas ovelhas vieram a servir de pasto
a todas as feras do campo, por falta de pastor,
e os meus pastores não procuraram as minhas
ovelhas; e os pastores apascentaram a si mesmos,
e não apascentaram as minhas ovelhas;
Portanto, ó pastores, ouvi a palavra do Senhor:
Assim diz o Senhor Deus: Eis que eu estou contra os
pastores; das suas mãos demandarei as minhas
ovelhas, e eles deixarão de apascentar as ovelhas;
os pastores não se apascentarão mais a si mesmos;
e livrarei as minhas ovelhas da sua boca,
e não lhes servirão mais de pasto. Porque “assim
diz o Senhor Deus: Eis que eu, eu mesmo, procurarei
pelas minhas ovelhas, e as buscarei”
(Ezequiel 34:7-11)

O que um pastor faz?


O pastor pode ter várias funções. Assim como
o pastor de ovelhas, o pastor pastoreia as ovelhas de

138 | A CASA DE DEUS E SEUS OBREIROS - MAROSAM DIAS DA SILVA


Jesus. Na Bíblia, as funções de pastor, bispo e presbí-
tero são mais ou menos os mesmos. O pastor:

Ensina

O pastor é alguém que ensina outras pessoas a


seguir a Bíblia, explicando o que ela significa. Isso pode
ser feito através da pregação, de estudos bíblicos ou
conversas pessoais. Assim, os trabalhos de pastor e
de professor muitas vezes se cruzam.

Lidera

Quando a igreja precisa de liderança e orienta-


ção, o pastor tem essa responsabilidade, junto com
quaisquer outros líderes da igreja. Liderar significa
orientar e resolver questões mais problemáticas, pro-
movendo a paz e a união. O pastor tem autoridade es-
piritual sobre a igreja.

Cuida

Esse é o grande trabalho do pastor – cuidar da


vida espiritual dos outros membros da igreja. O pastor
dá aconselhamento e ajuda a resolver problemas na
vida espiritual, através da verdade da Bíblia. O pastor é
como um “médico” da saúde espiritual das pessoas.

Quem pode ser pastor?


O primeiro requisito para ser pastor é ter o cha-
mado para ser pastor. Nem todos têm esse dom, mas

CAPÍTULO 13 - PASTOR | 139


aqueles que têm devem desenvolver o dom e usá-lo
para o bem da igreja.

A Bíblia tem algumas recomendações sobre


quem deve ser pastor ou líder na igreja:

Não deve ser novo na fé


Porque ainda tem muito para aprender
e pode se tornar orgulhoso
I Timóteo 3:6

Precisa ser bom cristão


Sua vida deve ser um exemplo
de moderação, sensatez
e domínio próprio
I Timóteo 3:2-3

Deve ter boa reputação


Não ter fama de fazer coisas erradas
I Timóteo 3:7

Deve amar a Bíblia


Entendendo o que diz e se apegando
à verdade
Tito 1:8-9

Se for pai de família, a forma como educa os fi-


lhos mostrará se tem capacidade para liderar a igreja.

140 | A CASA DE DEUS E SEUS OBREIROS - MAROSAM DIAS DA SILVA


Se alguém não consegue liderar bem os filhos, prova-
velmente não conseguirá liderar bem uma igreja (I Ti-
móteo 3:4-5). Essas orientações ajudam a entender se
alguém está pronto para assumir a responsabilidade
de ser pastor.

Como devemos tratar os pastores?


A Bíblia ensina que devemos tratar os pastores
com todo respeito (Hebreus 13:17). O trabalho de pas-
tor é muito importante para a igreja, mas não é fácil.
Devemos fazer tudo para ajudar e encorajar os pasto-
res, tornando seu trabalho mais proveitoso.
Nenhum pastor é perfeito. Mas ninguém é perfeito.
Por isso, os pastores precisam de graça e perdão. An-
tes de criticarmos, devemos procurar entender a si-
tuação. Assim, poderemos tentar resolver o problema
com amor e respeito.

O pastor é um cargo de suma importância para


a igreja de Cristo, é fundamental que os pastores se-
jam pessoas preparadas, integras e idôneas para esse
fim, infelizmente hoje muitos desqualificados tem se
colocado esse título e aberto “igrejas” e dirigindo pes-
soas como o próprio Cristo falou um cego guiando ou-
tro cego. “ E propôs-lhes também uma parábola: Pode
porventura um cego guiar outro cego? Não cairão am-
bos no barranco? ” Lucas 6:39.

Muito cuidado e que Deus coloque em nossas


igrejas pastores de verdade, e também que a igreja
possa provar os pastores que são verdadeiros.

CAPÍTULO 13 - PASTOR | 141



“Conheço as tuas obras, e o teu trabalho,
e a tua perseverança; sei que não podes suportar
os maus, e que puseste à prova os que se dizem
apóstolos e não o são, e os achaste mentirosos”.
(Apocalipse 2:2).

Que o Espírito de Deus nos dê o discernimento


para conhecer os verdadeiros pastores e na qualidade
de ovelhas venhamos a ser obedientes e orar pela vida
e ministério de nossos pastores.

142 | A CASA DE DEUS E SEUS OBREIROS - MAROSAM DIAS DA SILVA


A origem do
14 Círculo de Oração

F
undado em Recife pela
irmã Albertina Bezerra
Ribeiro. Através da en-
fermidade de sua filha Zulei-
de, Deus utilizou para chamá-
-la a esta obra tão grande. E
ela falava “Vamos circular os
céus com nossas orações?

Uma das maiores marcas


das Assembleias de Deus no
Irmã Albertina Bezerra Brasil comemorou 70 anos de
fundação. Foi em 6 de março
de 1942 que tudo começou, quando a irmã Albertina
Bezerra Barreto, membro da Assembleia de Deus em
Recife (PE), convidou algumas crentes para a ajuda-
rem em oração na congregação do bairro da Casa
Amarela, em favor de sua filha Zuleide (Ledinha), que
se encontrava enferma.

A menina não andava, nem falava e os médicos


diziam que ela iria viver apenas oito anos. Sete mulhe-
res se prontificaram: Cecita Colaço, Malphara Bezerra,
Maria do Carmo, Antônia Viegas, Ana de Souza, Otávia
Pessoa e Maria José. Durante a campanha de oração,
houve uma profecia sobre a enfermidade de Zuleide:

CAPÍTULO 14 - A ORIGEM DO CÍRCULO DE ORAÇÃO | 143


“Essa enfermidade não é para a morte,
mas para glória do meu nome.
Fui eu quem gerou essa criança
para que, por meio dela,
fosse aberto esse trabalho”.

Zuleide cresceu, andou e viveu 49 anos. O nome


“Círculo de Oração”, segundo a fundadora Albertina
Bezerra Barreto, foi inspirado num folheto que havia
lido cujo texto explicava que a oração era como um
círculo nos céus: “Quando estávamos orando, lem-
brei-me da mensagem e disse: – Vamos circular os
céus com as nossas orações”.

Reuniões de oração sob a direção de mulhe-


res nas Assembleias de Deus ocorrem provavelmente
desde o dia 2 de junho de 1911 em Belém do Pará, quan-
do as crentes batistas Celina Albuquerque e Maria de
Nazaré, convictas da promessa bíblica do batismo no
Espírito Santo pregada pelos pioneiros Daniel Berg e
Gunnar Vingren, decidiram se reunir na Rua Siqueira
Mendes 67, residência de Celina, e buscar o revesti-
mento de poder para suas próprias vidas.

Desde então, essas reuniões de oração não ces-


saram. Porém, tanto o nome “Círculo de Oração” como
esse formato com o qual tradicionalmente o Círculo
de Oração acontece, com reuniões de 8hs às 16hs e
uma vez por semana, surgiram em Recife.

Desde o início, as reuniões de oração receberam

144 | A CASA DE DEUS E SEUS OBREIROS - MAROSAM DIAS DA SILVA


todo o apoio, tanto do pastor da igreja pernambucana
na época, José Bezerra da Silva, como de sua esposa,
Malfara Bezerra, além de vários outros crentes. Logo,
o Círculo de Oração com mulheres, um dia da sema-
na, normalmente das 8h às 16h da tarde, passaram a
ocorrer em todas as igrejas da capital e do interior do
estado de Pernambuco e tornou-se um dos maiores
trabalhos da história da Assembleia de Deus.

Hoje, há quase mil círculos de oração só na


Grande Recife, com reuniões de oração concorridas
e fervorosas. Também no pastorado de José Bezerra
da Silva à frente da AD em Pernambuco, foi fundado
o Círculo de Oração de crianças, na mesma época do
início do Círculo de Oração com mulheres.

As reuniões de Círculo de Oração foram difun-


didas em todas as igrejas Assembleias de Deus no Bra-
sil. Em 5 de março de 1961, o então líder da AD em Be-
lém do Pará, pastor Alcebíades Pereira Vasconcelos,
seguindo o modelo pernambucano, determinou que
as congregações dessem apoio ao trabalho de ora-
ção das mulheres em Belém e o incluíssem na progra-
mação semanal da igreja. Tal decisão foi plenamente
apoiada pelo Ministério e, a partir de então, as mulhe-
res passaram a se reunir nas igrejas, e passaram a usar
o nome Círculo de Oração.

Para exercer com o carinho que merece tão ex-


celente atividade na Igreja do Senhor, a líder do Círcu-
lo de Oração deve ser exemplo nos quesitos a seguir:

CAPÍTULO 14 - A ORIGEM DO CÍRCULO DE ORAÇÃO | 145


Vida de Oração
Ser piedosa
Leitora assídua da Bíblia
Ter frequência aos cultos na igreja
Bom testemunho
Exemplo de obediência
Lealdade e fidelidade

A escolha das líderes do Círculo de oração deve


ser criteriosa e sob oração. Esta função é de mui-
ta responsabilidade dentro da igreja. Líderes que não
possuem a idoneidade necessária para ocupar tal car-
go têm causado até mesmo divisão no meio da igreja.

Aquela que é escolhida como líder do Círculo de


oração é indispensável:

a) Que seja batizada com o Espírito Santo,


e membro da igreja.
b) Que tenha convicção daquilo em que crê,
baseado em conhecimentos bíblicos;
c) Que tenha amor, e sede do conhecimento
da Palavra de Deus;
d) Que seja humilde diante de Deus, e diante
dos homens;
e) Que não seja precipitada ao ponto de
impedir a operação de Deus;
f) Que tenha discernimento vindo do Espírito
de Deus.

146 | A CASA DE DEUS E SEUS OBREIROS - MAROSAM DIAS DA SILVA


Em conformidade com as recomendações de
Paulo a I Timóteo 3:3-13, os mesmos critérios ado-
tados para a separação dos demais obreiros para o
santo labor, devem ser aplicados às líderes do Círculo
de Oração. A função da irmã que lidera o Círculo de
Oração requer responsabilidade absoluta. Para que
esse ministério seja desenvolvido segundo a vontade
de Deus, é necessário que ela seja idônea, que goze do
respeito das demais, da confiança do seu pastor, que
seja batizada com o Espírito Santo, que tenha pleno
conhecimento dos dons espirituais, que tenha discer-
nimento, que nunca aja com precipitação. Que nun-
ca tenha sido disciplinada na Igreja, que priorize em
sua vida, o estudo da Palavra de Deus, que tenha ple-
no conhecimento do que requer sua função, que seja
convertida do misticismo e que não seja supersticiosa.
Líderes que não possuem as qualificações necessárias
para ocupar tal cargo têm causado grandes transtor-
nos e até mesmo divisão na Igreja do Senhor.

O propósito do círculo de oração


O principal propósito do círculo de oração é
manter uma unidade espiritual de evangelização, visi-
tação, intercessão, clamor e louvor dentro da Igreja.
Através da oração, o trono da graça é alcançado e mui-
tas bênçãos são derramadas. É a oração que mantém
viva a chama do fogo pentecostal dentro da Igreja. A
oração, aliada ao conhecimento da Palavra, produz um
crescimento profundo, e dentro dos moldes bíblicos.

CAPÍTULO 14 - A ORIGEM DO CÍRCULO DE ORAÇÃO | 147


Consagração solene de obreiros


“Tudo, porém, seja feito com decência e ordem.”
(I Coríntios 14:40).

Você se lembra quando as consagrações de


obreiros eram feitas no final da festa, de qualquer jei-
to, às pressas. O candidato a consagração às vezes
nem sabia que ia ser consagrado naquele dia. Era pego
de surpresa. Não estava vestido adequadamente, bar-
ba por fazer, cabelo a ser cortado, ou seja, para ele era
apenas mais uma reunião de obreiros.

As coisas para dar certo há de ser feito com


decência e ordem conforme Paulo escreveu em I Co-
ríntios 14:40. Precisamos entender o sentido das duas
palavras principais do versículo:

Decência = quer dizer com dignidade, de


maneira respeitosa, com nobreza.

Ordem = quer dizer além da organização, a


palavra tem o sentido de bom caráter, boa qualidade e
estilo.

A orientação de Paulo é que nada aconteça no


culto em confusão, que não se faça de qualquer jeito e
sem amor o que deve subir como aroma suave e agra-
dável ao Senhor. Temos que pensar e repensar no que
estamos fazendo nos cultos e celebrações. A possi-

148 | A CASA DE DEUS E SEUS OBREIROS - MAROSAM DIAS DA SILVA


bilidade de se fazer as coisas de forma mecânica e se
tornar insignificante é muito grande.

Quando fazemos as coisas para Deus de forma


solene e organizada veja o que acontece:

- Aproxima-nos de Deus pois Ele gosta


de organização;

- Mexe com nossas emoções mais


profundas e marca o momento
em nossas vidas;

- Oferece-nos oportunidade para


testemunhar de Cristo, pois o momento
é inesquecível;

- Proporciona oportunidade de convidar


amigos e parentes para o culto solene;

- O dia da consagração de um obreiro


deve ser solene e inesquecível no seu
ministério. É o dia que Deus nos permite
tornar embaixadores do seu reino aqui
na terra.

CAPÍTULO 14 - A ORIGEM DO CÍRCULO DE ORAÇÃO | 149


150 | A CASA DE DEUS E SEUS OBREIROS - MAROSAM DIAS DA SILVA
Como deve ser o culto
solene de consagração
15 de obreiros?

O
culto solene para consagração de obreiros
deve ser exclusivo para esse fim. O culto so-
lene de consagração deve ser enfático, majes-
toso, autêntico e válido. Com isso, valoriza-se o mo-
mento. A data fica marcada na memória do obreiro, da
sua família, dos amigos e na igreja. A solenidade deve
dar todo um ar especial da consagração. Há momen-
tos solenes para formaturas, posse de autoridades,
posse de pastores. Porque não um ato solene na con-
sagração dos obreiros que farão um trabalho para o
reino de Deus?

No culto solene de consagração requer muita


atenção dos organizadores, para que tudo saia bem. O
cerimonial é a base para uma festa que pretende mar-
car história. Tudo deve ser pensado e planejado com
atenção e carinho.

O pastor da igreja deve formar uma comissão


organizadora para organizar a solenidade de consa-
gração dos novos obreiros. Essa comissão detalhará
o passo a passo de todo o cerimonial, iniciando pela
indicação de uma pessoa da igreja que tenha um bom
tom de voz e leitura desembaraçada para conduzir o
ato da cerimônia.

CAPÍTULO 15 - COMO DEVE SER O CULTO SOLENE DE CONSAGRAÇÃO DE OBREIROS? | 151


A organização deve ser a regra, a fim de que a
cerimônia saia perfeita. Veja alguns detalhes que não
podem faltar:

- Escolha do juramentista, para


proferir o juramento junto com os colegas
consagrandos, com a mão direita sobre
o peito;
- Determinar o vestuário diferente
para cada grupo de obreiros: cooperadores,
diáconos, diaconisas, presbíteros,
evangelistas, missionárias e pastores;
- Separar uma ala de bancos na igreja
que comporte o número de consagrandos;
- Colocar tapete no corredor principal da
igreja por onde passará os candidatos
à consagração;
- O mestre de cerimônia lerá um texto
alusivo ao ato, dando expressividade
e levando ao conhecimento do público
a responsabilidade de cada obreiro
a partir daquele momento.

O mestre de cerimônia lerá o nome de cada


obreiro no momento da chamada para a consagração
por bloco: cooperadores, diáconos, diaconisas, pres-
bíteros, evangelistas, missionárias e pastores;

Com os candidatos postados no altar, de joe-


lhos o pastor presidente fará a oração com a imposi-
ção de mãos junto com os demais pastores presentes

152 | A CASA DE DEUS E SEUS OBREIROS - MAROSAM DIAS DA SILVA


na solenidade, imposição de mãos exceto aos coope-
radores.

Exceto aos cooperadores, no final da oração de


consagração o pastor presidente declarará consagra-
dos em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Nes-
se momento o ministério de louvor da igreja cantará
um hino de júbilo de consagração dos novos obreiros,
enquanto se levantam e tomam o seu lugar.

Os cumprimentos e fotos com parentes e ami-


gos, devem ser feitos apenas no final da solenidade
para não tumultuar e haver perda de tempo.

Havendo terminado todas as consagrações, o


pastor presidente faz os agradecimentos e considera-
ções finais e termina a solenidade com a benção apos-
tólica.

A igreja deve estar devidamente ornamentada


para esse fim com tapetes, flores e arranjos da melhor
maneira possível.

CAPÍTULO 15 - COMO DEVE SER O CULTO SOLENE DE CONSAGRAÇÃO DE OBREIROS? | 153


154 | A CASA DE DEUS E SEUS OBREIROS - MAROSAM DIAS DA SILVA
O óleo e sua utilidade
16 na Bíblia

O
óleo comumente chamado de azeite ou bálsa-
mo na Bíblia eram os tipos principais usados
nas ofertas, na alimentação, medicamento,
cosmético, combustível para iluminação, usado na
unção dos enfermos, como especiaria para o incenso,
nas consagrações de utensílios no Templo e consa-
gração de pessoas.

Encontramos a palavra óleo na Bíblia no mínimo


em 119 versículos, veja alguns:


“Jacó levantou uma coluna de pedra no lugar
em que Deus lhe falara, e derramou sobre ela uma
oferta de bebidas e a ungiu com óleo.”
(Gênesis 28:14).


“Azeite para a luz, especiarias para o óleo da unção,
e especiarias para o incenso”.
(Êxôdo 25:6).


“Fez ainda o óleo sagrado para as unções e o incenso
puro e aromático, obra de perfumista”.
(Êxodo 37:29).

CAPÍTULO 16 - O ÓLEO E SUA UTILIDADE NA BÍBLIA | 155



“Preparas uma mesa perante mim na presença
dos meus inimigos, unges a minha cabeça
com óleo, o meu cálice transborda ”.
(Salmos 23:5).


“Achei a Davi, meu servo; com santo óleo o ungi”.
(Salmos 89.20).


“Unja com o óleo da unção o tabernáculo e tudo
o que nele há; consagre-o, e com ele tudo
o que lhe pertence, e ele será sagrado”.
(Êxodo 40:9).


“Está doente algum de vós? Chame os anciãos da
igreja,e estes orem sobre ele, ungindo-o com óleo
em nome do Senhor, receberás o óleo que te cura
todas as feridas da alma e do físico”.
(Tiago 5:14).


“Não me ungiste a cabeça com óleo,
mas esta com bálsamo ungiu meus pés”.
(Lucas 7:46).

Unção significa “ato ou efeito de ungir”. Ungir


quer dizer: untar com óleo ou com unguento, aplicar
óleos consagrados ”.

156 | A CASA DE DEUS E SEUS OBREIROS - MAROSAM DIAS DA SILVA


Biblicamente, unção vem do substantivo gre-
go, chrisma; daí vem o verbo chrío, ungir; e o adjetivo
christós, que significa “ungido”. No hebraico, o termo
ungido é Messias, aplicado a Cristo. A unção, na Bíblia,
pode ser entendida de modo espiritual e literal, com
a aplicação do azeite ou óleo sobre alguém ou sobre
algum objeto.

Unção espiritual é a capacitação dada por Deus


a alguma pessoa, credenciando-a para cumprir uma
missão específica, especial, dentro de propósitos divi-
nos.

Os crentes fiéis são ungidos: “Mas o que nos


confirma convosco em Cristo, e o que nos ungiu é
Deus, o qual também nos selou e deu o penhor do Es-
pírito em nossos corações” (II Coríntios 1:21- 22).

Unção com óleo é o ato de derramar óleo sobre


alguém ou sobre algum objeto, com o sentido de tor-
ná-lo consagrado a Deus, ou de buscar a cura divina
sobre o enfermo.

No Antigo Testamento ungia os Sacerdotes com


óleo da unção que após ungidos, eram considerados
santos, devendo dedicar-se exclusivamente ao servi-
ço do Senhor, conforme lemos em Êxodo 30:30; 29:7;
Levíticos 8:12.

Era santo, com utilização definida (Êxodo 30:31-


33). Muitos que são ungidos para o ministério têm saí-
do do seu lugar, misturando-se com o mundo, a políti-
ca iníqua e outras coisas que não agradam a Deus.

CAPÍTULO 16 - O ÓLEO E SUA UTILIDADE NA BÍBLIA | 157


Hoje, no Cristianismo, todos somos sacerdotes
reais (I Pedro 2:9), pela unção espiritual. Por isso não
se usa o óleo da unção na consagração de obreiros,
pois era uma especificidade da consagração de Sacer-
dotes no Antigo Testamento.

A consagração de obreiros hoje se faz através


da oração e imposição de mãos sobre a cabeça do
consagrando.

A unção espiritual deve fazer parte da vida dos


crentes e em especial da vida dos obreiros. A oração
pelos enfermos deve ser prática comum em todas as
igrejas cristãs, se possível, em todos os cultos. Sem-
pre há pessoas necessitadas de receber a oração da
fé, com o recurso da unção com óleo. Esta deve ser
feita não apenas como mero ritual, mas como um ges-
to de fé no poder do Nome de Jesus.

158 | A CASA DE DEUS E SEUS OBREIROS - MAROSAM DIAS DA SILVA


Lealdade e Deslealdade
- Quem é fiel a Deus
17 é leal aos homens?

O
obreiro ou a obreira leal é uma pessoa de ca-
ráter e uma pessoa de caráter é um exemplo
de vida. Mas uma pessoa que só tem carisma e
não tem caráter é um mal para a igreja e a sociedade.
Um obreiro que não se sustenta no alicerce da integri-
dade, não tem sustentabilidade: sempre vai entrar em
colapso. Toda grande instituição é a sombra projetada
de um grupo de pessoas sérias. O caráter das pessoas
determina o caráter de sua organização. É isso o que
temos aprendido com o nosso líder maior, Bispo.Dr.
Manoel Ferreira , CONAMAD.

Para fazer parte de sua equipe de liderança, os


candidatos devem ter os três pilares da liderança, os
quais são: caráter, competência e cobinação.

As pessoas terão que demonstrar lealdade (ca-


ráter), capacidade (competência) e terão que combi-
nar com seu líder (abraçando sua visão de ministério e
vestindo, literalmente, sua camisa).

Quando o apóstolo Paulo escreveu para o jovem


Timóteo – aquele que assumiria o seu lugar no minis-
tério, tendo em vista que o tempo da sua partida havia
chegado – sua grande preocupação era com a profun-
didade do caráter do seu sucessor. No capítulo dois,

CAPÍTULO 17 - LEALDADE E DESLEALDADE – QUEM É FIEL A DEUS É LEAL AOS HOMENS? | 159
da segunda carta a Timóteo, Paulo deixa claro o ca-
minho que seu substituto deveria seguir, em busca da
excelência e do sucesso como obreiro. O obreiro ou a
obreira deve disciplinar a sua própria vida, fugindo das
coisas que não convêm, e seguindo as que o tornam
útil para o serviço na casa de Deus. Com a sua pró-
pria vida em ordem, o obreiro então deve ensinar a ou-
tros, transmitindo-lhes a pura Palavra de Deus. Afinal
de contas, o obreiro aprovado é aquele que sabe que
foi escolhido, chamado e eleito pelo próprio Deus, de
quem recebeu o selo das primícias espirituais quando,
pela unção do Espírito Santo e através da autoridade
do ministério ao qual está subordinado, conscienti-
za-se de que servir a Deus e batalhar pela defesa do
Evangelho significa submeter-se, obedecer e fazer não
aquilo que pensa ou acha, mas tudo o que for neces-
sário para a continuação da vitória de Cristo. O obrei-
ro aprovado é um operário qualificado, que trabalha
a serviço do Reino de Deus. Esse trabalho é contínuo
e, muitas vezes, sem descanso. Ele nunca se despe de
sua farda de soldado de Cristo.


“Não defraudando; antes, mostrando toda
a boa lealdade, para que, em tudo, sejam ornamento
da doutrina de Deus, nosso Salvador”
(Tito 2:10).

Temos a incumbência de trazer uma palavra


de alerta e de auto-exame. Uma palavra que venha a
promover crescimento e edificação, levando-nos ao
aperfeiçoamento de nosso caráter cristão. Isto tem a
ver com o “Princípio da Lealdade”.

160 | A CASA DE DEUS E SEUS OBREIROS - MAROSAM DIAS DA SILVA


Lealdade significa: Sinceridade; Franqueza; Re-
tidão ou Integridade de Caráter; Honestidade; Honra.

A lealdade compreende postura ética, honesta,


franca, de boa-fé, prova que se exige em um estado de
direito; ser leal é ser digno, proceder de forma correta,
lisa, sem se valer de artimanhas, embustes ou artifí-
cios.

Vivemos uma crise de valores sem precedentes.


Nunca em todas as gerações houve tantas falhas de
comportamento e testemunho, cujo resultado que se
evidencia entre elas é a deslealdade.

Hoje no mundo há falta de pessoas leais e fiéis


que honrem sua palavra e seus compromissos.

Para que a fidelidade aconteça no mundo é ne-


cessário assinar um contrato de fidelidade, obrigan-
do a pessoa a honrar seu compromisso e sua palavra.
Isso é falta de lealdade! Hoje, se não assinou não vale,
quer dizer, a palavra não vale nada!

Vivemos em uma geração que carece de fide-


lidade ou lealdade. E isso está se refletindo na igreja
dos nossos dias, e, por conseguinte, tem gerado mau
testemunho acerca do bom nome de Cristo.

Mas, precisamos detectar e eliminar de nosso


meio este câncer que está corroendo o Corpo de Cris-
to: a falta de lealdade, ou seja, a deslealdade.

CAPÍTULO 17 - LEALDADE E DESLEALDADE – QUEM É FIEL A DEUS É LEAL AOS HOMENS? | 161
E, infelizmente, temos visto isso refletido nas
famílias, nas empresas, nas pessoas que não são leais
a Deus, a seus cônjuges (a cada cinco anos trocam de
cônjuge), aos seus empregos e até à igreja (a cada ano
trocam de igreja).

A IMPORTÂNCIA DE SE ENSINAR SOBRE LEALDADE


O Senhor colocou esse assunto prático e rele-
vante no coração de nosso presidente, pastor Manoel
Ferreira, por várias razões. Em primeiro lugar, tem-se
notado a relevância desse tema na Palavra de Deus.
As Escrituras estão repletas de relatos tanto de pes-
soas leais quanto de pessoas desleais. Há muito que
se aprender desses relatos na Bíblia. Temos visto, ao
longo dos anos de jornada ministerial, pessoas leais
e desleais. Em Lealdade e Deslealdade, obra do Bispo
Dag Heward-Mills, presidente da Igreja Internacional
Capela do Farol na África, o autor nos mostra que to-
dos nós, cedo ou tarde, deparamos com pessoas leais
e traiçoeiras, que influenciam o comportamento da
sociedade e da igreja. As escrituras estão repletas de
histórias que ilustram a lealdade e a deslealdade, e há
muito que se aprender com esses relatos bíblicos. A
reflexão que se segue gira em torno dos escritos e ex-
periências do referido autor.

Para Dag Heward-Mills, tornar-se desleal é um


processo. A deslealdade não ocorre simplesmente
da noite para o dia. Tornar-se desleal é um processo
silencioso. Muitas pessoas não sabem que estão se
tornando desleais. Muitos líderes nem percebem a

162 | A CASA DE DEUS E SEUS OBREIROS - MAROSAM DIAS DA SILVA


deslealdade em seus colegas. Nesta revista da EBOM,
delinearemos os estágios que uma pessoa percorre
quando está gradualmente se tornando um rebelde,
um desleal no ministério. Observamos, atentamente,
o impacto que estes comportamentos – a lealdade e a
deslealdade – tiveram e têm em igrejas e ministérios.
Estudaremos nesta revista vários motivos pelos quais
o assunto lealdade é importante.

1. Lealdade é a principal qualificação


para se ter um ministério duradouro
Qualquer líder pode ter apenas por alguns anos
um ministério prático e efetivo. Porém, para um minis-
tério duradouro, é necessário ter lealdade.

O ministério de Jesus durou três anos e meio,


mas Ele estendeu sua influência por todo o mundo
através de uma equipe leal e eficaz.

Esta igreja não depende apenas de sua lideran-


ça para continuar, não somos eternos, mas depende
imprescindivelmente de uma equipe de líderes e obrei-
ros leais e capazes.

Muitos se levantaram no meio da igreja de Cristo


com grande carisma e habilidade, mas alguns demons-
traram ser desleais e com graves falhas de caráter.

Minha pequena experiência pessoal, porém com


grande no convívio com homens leais em nosso mi-
nistério, tem me mostrado que são as pessoas leais as

CAPÍTULO 17 - LEALDADE E DESLEALDADE – QUEM É FIEL A DEUS É LEAL AOS HOMENS? | 163
mais bem qualificadas para serem obreiras ou líderes
na igreja.

Quando não temos essa referência, podemos


facilmente ser enganados por aparências ou por com-
portamentos carismáticos, como os “simpáticos” e
“amáveis”. Outro engano que pode ocorrer: uma pes-
soa inexperiente costuma pensar que quanto mais
dons você possuir, tanto mais qualificado você está
para o ministério; ou que um amável irmão poderia
ser um bom obreiro. Também pode pensar que alguém
com uma boa oratória estará mais qualificado para ser
o melhor obreiro da igreja. No entanto, a Bíblia nos en-
sina que o requisito principal para liderança é a fideli-
dade, e nada além disso: “(…) requer-se nos despensei-
ros que cada um se ache fiel.” (I Coríntios 4:2).

A Bíblia Ensina O Que Fazer


“Lança fora o escarnecedor, e se irá à contenda,
e cessará a questão e a vergonha” (Provérbios 22:10).
Jesus disse: “Quem não é comigo, é contra mim (...)”
(Mateus 12:30).

2. Para Lutar
na “Quinta Coluna”
Cedo em meu ministério percebi que o diabo é
um especialista em destruir a igreja, trabalhando no
lado de dentro dela. Se você for um bom cristão, cha-
mado por Deus e que faz as coisas certas, o diabo terá

164 | A CASA DE DEUS E SEUS OBREIROS - MAROSAM DIAS DA SILVA


muito pouca oportunidade de lutar contra você do
lado de fora.

Jesus disse: “(…) porque se aproxima o príncipe


deste mundo, e nada tem em mim.” (João 14:30).

Você irá perceber que Satanás normalmente não


tem oportunidade de disparar ataques mortais contra
você do lado de fora. Jesus estava dizendo que, embora
o inimigo se aproximasse Dele, ele não tinha base para
destruí-Lo. Há muitos pregadores ungidos na mesma
categoria. Satanás não tem base para vencê-los, en-
tão ele tem de usar alguém do lado de dentro. No caso
de Jesus, foi um traidor (Judas) que Satanás usou.

Lembro-me da história que li sobre um general


do exército que sitiou uma grande cidade com o ob-
jetivo de conquistá-la. A cidade era fortemente pro-
tegida por muros e portão imponentes. O exército do
general cercou a cidade pronta para o ataque.

“Quinta coluna é um termo militar, usado para


se referir a grupos clandestinos que trabalham den-
tro de um país ou região, ajudando na invasão armada
promovida por outro país em caso de guerra interna-
cional, ou facção rival no caso de uma guerra civil. Por
extensão, o termo é usado para designar todo aquele
que auxilia a ação de forasteiros, mesmo quando não
há previsão de invasão.

O diabo tornou-se em um especialista em des-


truir igrejas, trabalhando do lado de dentro delas.

CAPÍTULO 17 - LEALDADE E DESLEALDADE – QUEM É FIEL A DEUS É LEAL AOS HOMENS? | 165
Quando um líder é fiel, Satanás sabe que terá
poucas chances de destruir um ministério trabalhan-
do do lado de fora. Então ele precisa usar alguém que
está dentro. Sua tática hoje é enfraquecer o cristão e
desviá-lo da fé cristã, fazendo com que ele permaneça
dentro da igreja com o objetivo de usá-lo na hora cer-
ta. Esses se tornam seus agentes infiltrados.

Ele sempre usará alguém que está dentro da


igreja. Essas pessoas usadas por Satanás são de ca-
ráter duvidoso, que há muito tempo se desviaram e se
tornaram desleais, que têm duas caras, ou seja, são
falsas, mentirosas, invejosas, frustradas, incoerentes,
desobedientes, descontentes.

E todos esses descontentes da igreja normal-


mente se encontram e reclamam do líder, semeando
contenda, ódio e murmuração. Esses sentimentos são
como uma fumaça que enche toda a casa; e a única
maneira de se livrar da fumaça é se livrar do fogo.
Quero lembrar que essas conversas sempre chegam
aos ouvidos da liderança.

3. Rebeldia
e deslealdade
A Bíblia está repleta de histórias de pessoas
que foram leais e de outras que foram traiçoeiras; e
há muito do que se aprender com esses relatos. Um
exemplo clássico é de Arão e Miriã. Uma pessoa desle-
al se torna crítica e murmuradora. Olha as falhas com
lente de aumento. Miriã tornou-se crítica de seu irmão
Moisés (Números 12:1).

166 | A CASA DE DEUS E SEUS OBREIROS - MAROSAM DIAS DA SILVA


Miriã foi rebelde, levantou-se contra uma lide-
rança, mas Arão foi desleal, pois não defendeu Moisés
e ainda ficou do lado de Miriã (Números 12:1-2).

Devemos olhar as coisas com olhos espirituais.


Quando alguém começa a criticar demais sua lideran-
ça, está sendo desleal.

Nós somos testados o tempo todo em nossa


lealdade e fidelidade. Quando o chefe sai da sala, o
trabalho continua ou paramos para conversar? Nossa
lealdade está sendo testada. O chefe não está, mas o
chefe maior, Jesus, está. Se não somos fiéis aos nos-
sos líderes, sejam chefes, pais, pastores ou qualquer
outra autoridade a quem vemos e com quem falamos,
não seremos leais a Deus a quem não vemos.

Muitos não têm chegado a ponto de ser rebel-


des, mas tornam-se desleais, pois ouvem falar mal
ou criticar sua liderança e se calam consentindo, não
são rebeldes porque não participam, mas são desleais
porque consentem.

4. Um grande estrago
na igreja
Certo pastor tinha um colaborador desleal.
Quando começou seu ministério, experimentou o efei-
to de ter esse colaborador desleal ao seu lado. Essa
pessoa, embora oficialmente postada à sua direita,
não confiava no líder o tempo todo e murmurava con-
tra ele.

CAPÍTULO 17 - LEALDADE E DESLEALDADE – QUEM É FIEL A DEUS É LEAL AOS HOMENS? | 167
Sua casa era o local de encontro de todos os
descontentes na igreja. Toda vez que eles se reuniam,
falavam a respeito de seu pastor e o criticavam. Algu-
mas vezes, eles falavam sobre a maneira como prega-
va. Outras vezes, era sobre a maneira como bebia água
durante os sermões. Ainda mais, alguns acreditavam
que o líder não era amigável o suficiente. Porém, o Se-
nhor revelou todas essas coisas ao pastor. Ele orou a
respeito e perguntou ao Senhor o que deveria fazer.
Deus disse: “Livre-se deste homem”.

O pastor disse: “Senhor, tu dissestes que ele


deve deixar a igreja?” E o Senhor disse: “Estou dizendo
exatamente isso! Demita-o. Do contrário você nunca
terá paz e sua igreja nunca crescerá”. Assim, o pastor
convocou uma reunião com os líderes da igreja. Na
reunião ele disse: “Percebo que o irmão “tal” não me
apoia mais. Ele está constantemente cheio de críticas
amargas contra mim”.

O pastor disse ao irmão “tal”:


– Eu sei que você não confia mais na minha
liderança. Eu o treinei. Eu o ajudei a crescer.
E hoje, você está muito grande para ficar sob
minha autoridade.
E perguntou a ele:
– O que você acha que devemos fazer?
Então ele disse:
– Vamos resolver as coisas.
Mas a escritura que o Senhor havia mostrado
ao pastor veio à tona em sua mente.
“Lança fora ao escarnecedor, e se irá

168 | A CASA DE DEUS E SEUS OBREIROS - MAROSAM DIAS DA SILVA


a contenda; e cessará a questão e a vergonha”
(Provérbios 22:10).
Então o pastor ergueu a voz, apontou para o
seu colaborador e disse:
– Você sabe tão bem quanto eu que isso não vai
funcionar. Você não confia mais em mim.
E prosseguiu:
– De hoje em diante, eu o libero de todas as
suas atribuições nesta igreja.
Ele vociferou:
– O quê?
E disse:
– Eu continuarei a vir à igreja embora eu possa
não ter certas responsabilidades.
Porém, o pastor disse a ele:
– Não! Você deve sair! Você não é parte
de nós. Sua presença nesta igreja será
apenas destrutiva.

Não é fácil demitir um amigo e colega de mui-


tos anos. Porém, tinha de ser feito. A Bíblia nos conta
que quando Abraão estava em conflito com Ló, ele o
encaminhou para outro lugar! Abraão estava dizendo:
“Se nós ficarmos separados haverá paz e o trabalho de
Deus poderá prosseguir”.

Uma pessoa desleal semeia contenda, ódio e


murmuração. Esses sentimentos desleais são seme-
lhantes à fumaça que enche toda a casa. Lembre-se de
que a única maneira de livrar-se da fumaça é livrar-se
do fogo.

CAPÍTULO 17 - LEALDADE E DESLEALDADE – QUEM É FIEL A DEUS É LEAL AOS HOMENS? | 169
Se quisermos ter uma igreja grande, nós temos
de ministrar com amor e unidade. Se nós não conse-
guimos ser uma, vamos parar de fingir (Mateus 12:30).
Não podemos ser cristãos e desleais. Contudo, há
muitos fingidos nas igrejas. Eles fingem que amam e
apoiam, mas em seus corações eles o desprezam.

ESTÁGIOS DA DESLEALDADE
Aprenda a detectar a deslealdade

Há dois motivos por que você tem de conhecer


esses estágios da deslealdade. Primeiramente, isso
irá ajudá-lo a identificar e a eliminar qualquer dessas
tendências dentro de você. Em segundo lugar, isso irá
ajudá-lo a detectar deslealdade em qualquer pessoa
com quem você trabalha. Isso se aplica ao ministério
e mesmo nos negócios, especialmente empresas me-
nores. O Senhor tem me mostrado oito estágios im-
portantes que uma pessoa passa quando ela está se
tornando desleal. O primeiro estágio é quando ela de-
senvolve o que eu chamo de um espírito independen-
te.

O Espírito independente

O estágio da independência é tão sutil que a


maioria das pessoas não o reconhece pelo que ele
verdadeiramente é: deslealdade. Quando uma pessoa
pertencente a um grupo, ministério ou empresa de-
senvolve uma atitude independente; ela quase se tor-
na autônoma naquele contexto. As regras da organi-

170 | A CASA DE DEUS E SEUS OBREIROS - MAROSAM DIAS DA SILVA


zação não mais a controlam. Essa pessoa ainda é parte
da igreja, mas faz o que ela quer fazer, a despeito das
instruções contrárias.

Por exemplo, o pastor poderia dizer: “Nós todos


estaremos jejuando na sexta-feira”. Mas a pessoa com
o espírito independente pensaria: “Eu já havia decidido
jejuar na quarta-feira. Portanto, é isso que eu farei”.

Cuidado com os independentes

Pastores, cuidado com diáconos e líderes que


têm espíritos independentes. Você poderia convocar
várias reuniões, mas a pessoa com um espírito inde-
pendente decide apenas ir àquelas que ela considera
importante. Essa pessoa obedece apenas a certas ins-
truções – aquelas que ela pensa serem as realmente
importantes.

Se você for desfavorecido o bastante para ter


coralistas que têm espírito independente, você poderá
experimentar algo assim. Você poderia convocar reu-
niões de oração, ensaios, e campanhas, mas o cora-
lista independente decidiria: “Acho que vou participar
apenas dos ensaios”.

Mais uma vez, essa pessoa está fazendo exata-


mente o que ela pensa que deve fazer. Não há nada
errado em ser independente. Eu creio na independên-
cia e nós agradecemos a Deus por pessoas indepen-
dentes. Todavia, se você é parte de uma denominação,
grupo ou empresa, você não é independente.

CAPÍTULO 17 - LEALDADE E DESLEALDADE – QUEM É FIEL A DEUS É LEAL AOS HOMENS? | 171
Quando você começa a exibir um espírito de
independência dentro de uma organização, saiba que
você está se tornando desleal.

Obreiro tipo Joabe – O assassino independente

Havia pessoas independentes na Bíblia? A res-


posta é sim. Ao longo do segundo livro de Samuel,
Joabe é tido como alguém que fazia o que queria fa-
zer. Ele era parte do exército de Davi. Ele era parte da
equipe ministerial de Davi, por assim dizer. Ele era um
dos gerentes de Davi. Você poderia dizer que ele era o
primeiro-ministro ou o “braço direito” de Davi. Joabe
era muito poderoso, no entanto, ele tinha um espírito
independente. Esse espírito independente se manifes-
tou muitas vezes.

O primeiro exemplo da independência de Jo-


abe foi o assassinato de Abner. Abner era o coman-
dante-chefe de outra seção dos exércitos de Israel.
Davi, como chefe do governo, decidiu fazer as pazes
com Abner depois de muitos anos de conflito. O rei até
convocou celebrações desse acordo de paz ao come-
morar com ele.


“E veio Abner a Davi (…) e Davi fez um banquete
a Abner (…) e foi-se ele em paz ”
(II Samuel 3:20-21).

Mas quando Joabe ouviu que esse homem foi


recebido com festa no palácio, ficou furioso. Ele o per-

172 | A CASA DE DEUS E SEUS OBREIROS - MAROSAM DIAS DA SILVA


seguiu, o alcançou e pediu para falar com Abner em
particular. Mas Joabe o enganou e o matou.


“E Joabe (…) enviou mensageiros
atrás de Abner, e o fizeram voltar (…)
Joabe o tomou à parte (…) e feriu-o ali (…)”
(II Samuel 3:26-27).

Quando o rei optou pela paz, o seu “braço direi-


to” decidiu fazer o contrário. Embora ele devesse se
submeter aos desejos do rei, ele foi adiante com seu
plano. Pessoas assim são perigosas. Joabe poderia ter
atirado uma nação inteira em uma guerra por meio de
suas ações independentes.

Há pessoas assim na igreja. O pastor-presiden-


te é o portador da visão. Ele lidera o caminho porque
ele é a cabeça. Todos os pastores assistentes e líderes
na igreja devem seguir no fluxo de sua visão. Um “pas-
tor Joabe” independente irá apenas trazer confusão
e contenda à igreja. Observe essas pessoas na igreja
porque elas estão somente a poucos estágios da re-
belião escancarada.

O segundo incidente que eu quero que vocês


observem é a forma como Joabe lida com o golpe de
Estado de Absalão.

Joabe novamente age independentemente

Absalão se rebelou e tirou seu pai Davi do trono.

CAPÍTULO 17 - LEALDADE E DESLEALDADE – QUEM É FIEL A DEUS É LEAL AOS HOMENS? | 173
Absalão estava agora no poder e Davi estava diante da
circunstância bizarra de ter de lutar contra o próprio
filho. Em meio a essas circunstâncias extraordinárias,
Davi instruiu, especificamente, seu exército que não
matasse seu filho Absalão. Ele queria poupar a vida de
seu filho.


“E o rei deu ordem a Joabe (…) brandamente
tratai por amor de mim (…) Absalão”
(II Samuel 18:5).

Felizmente, porém, a batalha virou a favor do


rei Davi e Absalão teve de fugir. Certo homem relatou
que tinha visto Absalão pendurado pelos cabelos em
uma árvore. Joabe imediatamente vociferou: “Por que
o não feriste? E forçoso seria eu dar-te dez moedas
de prata e um cinto. Mas o homem disse: Ainda que eu
pudesse pesar em minhas mãos mil moedas de prata,
não estenderia a minha mão contra o filho do rei, pois
bem ouvimos que o rei te deu ordem a ti (…) Guardai-
-vos, cada um, de tocar no mancebo, em Absalão” (II
Samuel 18:12) (grifo meu).

Essa pessoa desconhecida era parte do povo do


rei Davi e obviamente leal a ele. Mas aqui vem um “ho-
mem com um espírito independente” e veja o que ele fez.

Para o amor de Deus encher a igreja

O ministério deve operar com o poder do amor,


unidade e trabalho em equipe.

174 | A CASA DE DEUS E SEUS OBREIROS - MAROSAM DIAS DA SILVA



“Nisto todos conhecerão que sois meus discípulos,
se vos amardes uns aos outros”
(João 13:35).

Para ministrar como líderes eficazes, vocês pre-


cisam exibir o amor sobre o qual Jesus falou. As pes-
soas são atraídas pelo amor. Quando elas vêem os lí-
deres andando no verdadeiro amor, elas se aproximam
confiantes. Você nunca deve esquecer que os mem-
bros da sua igreja não são cegos. Tampouco são sur-
dos. Eles podem ver e sentir a desunião e a discórdia
quando ela existe.

Ovelhas só bebem em águas tranquilas

Uma coisa que todo pastor deve saber sobre


ovelhas é que elas bebem em águas tranquilas. Se a
água for turva e agitada, a ovelha permanece longe.
Veja: elas não têm certeza de que não há um crocodilo
na água!


“(…) guia-me mansamente a águas tranquilas.”
(Salmos 23:2).

Toda vez que houver deslealdade e desconfian-


ça, os membros da sua igreja ficarão atemorizados e
alertas, e permanecerão distantes.

CAPÍTULO 17 - LEALDADE E DESLEALDADE – QUEM É FIEL A DEUS É LEAL AOS HOMENS? | 175
Para ter uma equipe ministerial grande e bem-sucedida

Um homem pode somente fazer um pouco. Um


pastor só pode estar em um lugar em cada momento.
Ele pode somente ministrar até o ponto de sua for-
ça (que é limitada) se exaurir. Por causa disso, qual-
quer um que desejar expandir seu ministério e produzir
muito fruto tem de aprender a trabalhar com muitas
outras pessoas. Essas pessoas são a equipe da qual
estou falando.

Contudo, seria melhor trabalhar sozinho do que


com uma equipe de pessoas desleais, descontentes,
desunidas e sem amor. De fato, não é possível ter uma
equipe eficaz com tais pessoas. Acredito que só pude
fazer o que tenho feito por causa da equipe com a qual
eu trabalho.

Para ter uma mega igreja

Veja, grande parte do sistema depende de le-


aldade. As igrejas são pastoreadas por ministros que
são leais ao Senhor, e à visão do pastor e do ministério.
Sem lealdade, toda rede de igrejas constantemente
se dirige para a desintegração. De modo geral, elas
se dividem em grupos dissidentes e em pequenas
subigrejas.

A igreja deles se desintegrou

Lembro-me da história de uma igreja que se de-


sintegrou por causa da desunião. Algumas antigas se-

176 | A CASA DE DEUS E SEUS OBREIROS - MAROSAM DIAS DA SILVA


mentes de deslealdade se manifestaram logo após um
evento de captação de recursos na igreja local. Como
resultado dessa desavença, o pastor decidiu renunciar
e começar outra igreja. Ele estava tão bravo que devol-
veu todo o dinheiro que ele havia levantado. Os mem-
bros da igreja, naturalmente, ficaram muito surpresos
que o dinheiro que eles haviam dado à igreja estivesse
sendo devolvido.

Esse pastor espalhou muitas histórias ruins


a respeito da sua denominação e dos ministros. Na-
turalmente, essa igreja praticamente se desintegrou
após as ações daquele pastor.

Posso te contar história após história sobre o


porquê igrejas (especialmente as ramificações das que
estão em cidades grandes) constantemente se divi-
dem e se desligam. O que posso dizer, com certeza, é
que sem pastores leais imbuídos de princípios, o mi-
nistério do nosso Senhor sempre será limitado.

Para ter um ministério duradouro

Uma pessoa tem apenas alguns anos de minis-


tério prático e efetivo. Jesus ministrou apenas três
anos e meio, mas ele estendeu Seu ministério e Sua
influência por meio de uma equipe leal e eficaz. Obser-
ve que o ministério de Jesus se ramificou por todo o
mundo e o mesmo já tem durado dois mil anos.

Nós precisamos construir uma igreja no Senhor


que não dependa de nós somente. Para ir em frente,

CAPÍTULO 17 - LEALDADE E DESLEALDADE – QUEM É FIEL A DEUS É LEAL AOS HOMENS? | 177
ela não poder ser construída em torno de nossa per-
sonalidade; se não estivermos presentes, as coisas
precisam continuar iguais ou melhores.

Nenhum de nós é indispensável. Deus pode


fazer sem nós. Esse é o motivo por que precisamos
construir uma equipe de sucessores leais.

Para colher nossa plena recompensa

Aqueles que se beneficiam das bênçãos do su-


cesso são fiéis e leais. Um dia, todos nós esperamos
ouvir aquelas famosas palavras: “Bem está, servo bom
e fiel” (Mateus 25:21). Aqueles que permanecem com
você nos tempos difíceis são diferentes daqueles que
chegam quando tudo está indo bem.

Bem está

Jesus disse aos Seus doze discípulos que eles


seriam tratados diferentemente de qualquer ministro
famoso. Eles teriam um reino especial e seus nomes
até seriam escritos nas fundações da Nova Jerusalém.
“E o muro da cidade tinha doze fundamentos e, neles,
os nomes dos doze apóstolos (…) ” (Apocalipse 21:14).
Mesmo os grandes homens de Deus que conhecemos
hoje não teriam as qualificações necessárias para re-
ceberem essa recompensa especial. Jesus justificou
o motivo para essa recompensa especial – eles foram
leais a Ele durante a parte mais difícil de Seu ministé-
rio.

178 | A CASA DE DEUS E SEUS OBREIROS - MAROSAM DIAS DA SILVA



“E vós sois os que tendes permanecido comigo nas
minhas tentações. E eu vos destino o reino (…)”
(Lucas 22:28-29).

Veja: lealdade é mais apreciada nos momentos


difíceis. Nos momentos bons, todos parecem leais.

Poucos permaneceram

Eu tenho grande apreço pelos pastores que


permaneceram fiéis ao longo do meu ministério. Eles
me viram crescer desde a adolescência, apoiaram-me
e corrigiram-me em meus erros. Para mim, eles são
diferentes dos outros. Semelhante ao que Jesus disse,
eles têm uma recompensa especial.

Estágios da lealdade
Pessoas independentes fazem o que elas que-
rem fazer “(…) E tomou [Joabe] três dardos, e traspas-
sou com eles o coração de Absalão (…) ” (II Samuel
18:14).

Pessoas independentes fazem o que querem fa-


zer a despeito das instruções que estão recebendo de
sua autoridade Espiritual.

Ironicamente, pessoas independentes não vão embora

Observe que Joabe nunca realmente deixou o


acampamento de Davi. Essas pessoas não decidem

CAPÍTULO 17 - LEALDADE E DESLEALDADE – QUEM É FIEL A DEUS É LEAL AOS HOMENS? | 179
sair. Elas permanecerão nas imediações, mas farão o
que querem fazer. Esse é o espírito independente e é
um grau de deslealdade.

Nós sempre perceberemos pessoas independen-


tes na congregação. Algumas delas são líderes poten-
ciais, mas pelo fato de serem independentes fica muito
difícil trabalhar com elas. Geralmente, quando pedimos
para fazerem algo na igreja, elas respondem: “Vou orar,
se Deus falar comigo, então eu assumo o que você está
me pedindo”, outras então dizem não ter compromisso
com homem algum: “Meu compromisso é com Deus”.
Parece santidade, mas é espírito de independência.

Ele era espiritual, mas independente

Certa vez, convidei um membro independente


da igreja, em quem eu via um potencial de liderança,
para participar da nossa escola bíblica. De maneira
característica de uma pessoa independente, ele dis-
se: “Eu tenho estado na igreja desde que ela iniciou há
muitos anos. Eu já ouvi todas as suas mensagens”.
Ele prosseguiu: “Pastor, o que mais eu irei aprender
nesta escola bíblica? ”. Isso foi o fim do assunto. Ele
não participou. Em outro momento, pedi-lhe que se
tornasse líder de um determinado grupo na igreja. Ele
me disse: “Pastor, eu já estou trabalhando com umas
coisas que acho importante”. Eu perguntei: “Quais são
essas coisas ?”

“Oh, não!”, ele respondeu. “Eles são as pessoas


que precisam de ajuda (descontentes)”. Esse irmão não

180 | A CASA DE DEUS E SEUS OBREIROS - MAROSAM DIAS DA SILVA


poderia ser um líder dentro da igreja porque ele esta-
va construindo seu grupo pessoal de descontes como
ele. Ele não tinha a intenção de abandonar a igreja. Ele
estava dentro da igreja, mas agia e vivia de forma inde-
pendente de tudo o que acontecia ao seu redor.

O pastor de congregação (Joabe) ameaça assumir o controle

O exemplo seguinte da independência de Joabe


foi quando ele lutou contra a cidade real de Rabá em
nome do rei Davi. Quando a vitória estava à vista, ele
enviou uma mensagem de alerta: “É melhor você vir e
participar da guerra, do contrário eu receberei todo o
crédito”.

Ele queria que Davi estivesse lá pessoalmente! O


que ele estava dizendo em outras palavras era: “Eu não
sou tolo de fazer todo o trabalho difícil só para você
receber a glória”. Há pessoas na igreja que são bênçãos
para trabalhar e realizar qualquer evento, desde que
elas apareçam mais que seu pastor, e se esquecem de
fazer para glória de Deus.


“É necessário que Ele cresça e que eu diminua”
(João 3:30).

Pastor ameaça mudar o nome da igreja

Joabe passou a ameaçar: se o rei não se envol-


vesse como ele, estava sugerindo, a cidade receberia
o seu nome, em vez do nome de Davi.

CAPÍTULO 17 - LEALDADE E DESLEALDADE – QUEM É FIEL A DEUS É LEAL AOS HOMENS? | 181

“(…) para que, tomando eu a cidade, não se aclame
sobre ela o meu [Joabe] nome.”
(II Samuel 12:28).

Como você pode enviar esta mensagem: “Venha


rapidamente ou então eu mudarei o nome da igreja? ”.
Esse pastor pode tomar uma congregação e dar-lhe
outro nome. Essa pessoa pode converter uma igreja
em algo pessoal. Essa é a razão pela qual os pastores
não podem dar direção de igreja para neófito dirigir
ou até mesmo algum departamento na igreja; eles vão
achar que pertence a eles. Eles temem que tenham
“Joabes” como líderes. O último exemplo do espírito
independente de Joabe vem no final da vida do rei.
Davi deixou muito claro que ele queria que Salomão
fosse o próximo rei, o seu sucessor.

Pastor independente ajuda a oposição

Havia outro filho chamado Adonias, que queria


ser rei no lugar de Salomão. Para isso ele precisava da
ajuda de alguns sujeitos pérfidos. Mais uma vez, Joabe,
que sabia o desejo de Davi, foi contrário a ele e ajudou
Adonias.


“Então Adonias (…) se levantou, dizendo:
Eu reinarei (…) E Adonias tinha inteligência
com Joabe (…) que o ajudava (…)”
(I Reis 1:5-7).

182 | A CASA DE DEUS E SEUS OBREIROS - MAROSAM DIAS DA SILVA


Segundo estágio - ofensa

O segundo estágio da deslealdade é a ofensa.


Jesus disse:


“Nesse tempo, muitos serão escandalizados,
e trair-se-ão uns aos outros,
e uns aos outros se aborrecerão”.
(Mateus 24:10).

A partir desse versículo bíblico, você pode ver


que as pessoas começam a trair e a odiar umas às ou-
tras quando são ofendidas. A Bíblia diz que as pessoas
irão traí-lo quando forem ofendidas. Eu tenho sempre
sido cauteloso com pessoas machucadas, porque eu
sei que elas podem se voltar contra mim. O espírito da
ofensa abre a porta para o espírito da traição.

Está alguém ferido?

Querido líder, olhe ao seu redor e observe aque-


les que foram machucados por um acontecimento ou
outro. Se essas pessoas não tiverem realmente sara-
do suas feridas, ouça a voz do Espírito hoje. Elas são
separatistas em potencial, e podem facilmente se tor-
nar suas inimigas (Provérbios 18:19).

Acredito que Absalão foi profundamente ma-


chucado por dois eventos importantes. O primeiro foi
o estupro de sua irmã pelo seu meio-irmão. Ele prova-
velmente decidiu matar seu irmão desde o dia em que
isso aconteceu.

CAPÍTULO 17 - LEALDADE E DESLEALDADE – QUEM É FIEL A DEUS É LEAL AOS HOMENS? | 183
Segundo, seu pai, o rei Davi, não agiu de forma
apropriada contra Amnom por ter estuprado Tamar. A
Bíblia diz que o rei Davi ficou muito zangado com Am-
nom. Porém, ele estava debaixo da obrigação de fazer
mais do que ficar apenas zangado. Se ele tivesse feito
sua obrigação, ele teria cumprido a lei de Moisés (Leví-
tico 20:17).

A penalidade pelo incesto naqueles dias era a


morte. Mas Davi falhou em executá-la. Nunca se es-
queça disso, feridas e ofensas conduzem pessoas à
estrada da deslealdade.

Terceiro estágio - passividade

Depois de serem ofendidas por uma coisa ou


outra, as pessoas se tornam passivas. Quando uma
pessoa está no estágio da passividade do processo
da deslealdade, ela não se envolve em muita coisa. Ela
senta e olha despreocupada (e não envolvida). Pasto-
res, por favor, procurem as pessoas da congregação
que são indiferentes e despreocupadas. Elas são po-
tenciais “fora do barco”.

Cuidado com membros “não envolvidos”

Por exemplo, eu considero membros como sen-


do passivos se eles não se envolvem em reuniões de
oração ou quaisquer atividades na igreja. Se todos os
empresários fossem chamados para uma reunião, o
membro passivo provavelmente não iria, apesar de ser

184 | A CASA DE DEUS E SEUS OBREIROS - MAROSAM DIAS DA SILVA


um empresário. Essas pessoas podem ter sido feridas
no passado recente. Elas dizem coisas como: “Eu não
quero mais problema nesta igreja. Deixe-me ficar em
meu canto”, “Não vai mudar nada mesmo, por que eu
deveria me envolver? ”, “Só me machuquei até hoje”.


“Maldito aquele que fizer a obra do Senhor
fraudulentamente, e maldito aquele
que preserva a sua espada do sangue”.
(Jeremias 48:10).

Você pode ver, a partir do versículo acima cita-


do, que Deus espera que você se envolva quando você
tem algo para contribuir. Esse versículo está realmen-
te nos ensinando que é uma maldição ser “não envol-
vido”, quando você tem algo a dar.

A passividade é perigosa porque você passa ra-


pidamente para o estágio crítico da deslealdade. Para
se tornar crítico, você deve ser “não envolvido”. Você
deve ter tempo suficiente para examinar minuciosa-
mente, e menosprezar a igreja e seus líderes. Você não
sabe que uma pessoa “não envolvida” mais pronta-
mente vê as falhas ao seu redor?

Como dizem, é o espectador que vê que o tra-


balhador está cavando uma trincheira torta. Todos os
líderes devem aprender a procurar esse sinal impor-
tante de passividade entre seus trabalhadores. O líder
desinteressado é “não envolvido” por uma razão.

CAPÍTULO 17 - LEALDADE E DESLEALDADE – QUEM É FIEL A DEUS É LEAL AOS HOMENS? | 185
Por que ele é tão quieto

Lembre-se da história de Absalão, que passou


por esse estágio de passividade. Amnom havia estu-
prado e desgraçado a irmã de Absalão, Tamar. Absalão
estava, sem dúvida, com raiva de seu meio-irmão, mas
não falou nada por dois anos inteiros. Isso é passivida-
de! Fazer nada e dizer nada! Eu não ignoro as pessoas
silenciosas e desvinculadas que não têm nada a dizer
ou a contribuir.


“Porém Absalão não falou com Amnom,
nem mal nem bem (…)”
( II Samuel 13:22).

Observe que novamente essa pessoa indiferen-


te, Absalão, rapidamente se degenerou, tornando-se
um assassino e um renegado quando a oportunidade
se apresentou.


“E Absalão deu ordem aos seus moços (…)
quando o coração de Amnom estiver alegre
do vinho (…) Então o matareis (...)”
(II Samuel 13:28).

Você está feliz?

Quando eu falo sobre estar calado, eu não es-


tou falando a respeito de alguém que tem naturalmen-

186 | A CASA DE DEUS E SEUS OBREIROS - MAROSAM DIAS DA SILVA


te uma personalidade controlada. Eu estou falando a
respeito de alguém que normalmente é extrovertido,
mas está intencionalmente neutralizado e desvincula-
do.

Uma das perguntas usuais que eu faço àqueles


ao meu redor é: “Você está feliz? ”. Eu quero que todos
ao meu redor estejam felizes. Eu me preocupo quando
alguém está inusitadamente calmo e tranquilo. Todo
bom líder deve assegurar-se de que aqueles ao seu re-
dor estão seguros e contentes. Se o rei Davi houvesse
notado a atitude desinteressada de Absalão, ele pode-
ria ter sido capaz de evitar que seu filho se tornasse
um anarquista pleno.

ESTÁGIO DA DESLEALDADE
O estágio crítico

Uma pessoa desleal não fica passiva para sem-


pre; ela avança para o próximo estágio de se tornar
crítica. Esse é o estágio de observar e ampliar as fa-
lhas. Na igreja, ela encontra falhas na pregação da Pa-
lavra e na ordem do culto. Ela analisa o prédio e obser-
va todas as deficiências das imediações.

Miriã se tornou crítica de Moisés. Ela acompa-


nhou sua liderança desde a saída do Egito, mas agora
ela começou a enxergar as falhas e a natureza humana
de Moisés. E ela falou sobre os problemas conjugais
dele.

CAPÍTULO 17 - LEALDADE E DESLEALDADE – QUEM É FIEL A DEUS É LEAL AOS HOMENS? | 187

“E falaram Miriã e Arão contra Moisés (…)”
(Números 12:1).

Lembro-me que, no começo do meu ministé-


rio, um espírito de deslealdade entrou na igreja. Mui-
tos dos membros da igreja se tornaram críticos a meu
respeito. Com olhos de águia, eles estavam em alerta
para encontrarem as minhas falhas. Não me aceitaram
como pastor naquele local.

É muito difícil quando isso acontece.

Eu era um pastor sem treinamento. Ali estava


eu, sujeito ao exame minucioso e crítico dessas pes-
soas. “Ele realmente tem um chamado? ”, eles pergun-
tavam. Tudo isso que estão falando é verdade.

Eu temia as noites de culto

Eu ficava muito preocupado porque tinha que


pregar aos domingos. Por isso, perguntava para a mi-
nha amada (esposa): “O que você achou da palavra
hoje?” Ela respondia: “É, foi boa, mas você não deveria
ter dito tal coisa”. Aí começavam as críticas de toda
família. Eu não falava nada, mas pensava: meu Deus,
até a minha família! Já não bastam aqueles irmãos que
ficam me reprovando quando eu prego?

Eu sabia, dentro de mim, que eles nunca iriam


encontrar algo de bom no que eu iria pregar. Essa at-

188 | A CASA DE DEUS E SEUS OBREIROS - MAROSAM DIAS DA SILVA


mosfera crítica quase dividiu as pessoas dentro da
congregação.

Naturalmente, uma atmosfera supercrítica não


ajuda ninguém a pregar bem. Alguns podem perguntar
por que eu ensino tanto a respeito do assunto lealda-
de. É porque eu tenho experimentado o impacto de-
vastador que a deslealdade pode ter no ministério.

Ponto de vista ou perspectiva

Alguém me disse uma vez que o seu ponto de


vista depende de sua perspectiva. O valor da coisa de-
pende do olhar com que você olha para ela. Se você
olha para alguma coisa com olhos críticos, irá ver ape-
nas as imperfeições. Todavia, se você olha para ela
com olhos de amor, verá algo bom e esperança para o
futuro.

Absalão também começou a ver falhas no estilo


de liderança do rei. Ele estava muito absorvido pelas
deficiências do ministério de Davi. Ele não podia ver
algo bom em nenhum lugar. Isso apenas o levou a ou-
tro estágio de deslealdade – a dissimulação.


“Então Absalão lhe dizia: Olha, os teus negócios
são bons e retos, porém não tens
quem te ouça da parte do rei.”
(II Samuel 15:3).

CAPÍTULO 17 - LEALDADE E DESLEALDADE – QUEM É FIEL A DEUS É LEAL AOS HOMENS? | 189
Quinto estágio – o estágio político

Quando uma pessoa se torna política, ela tenta


envolver outras em suas ideias e filosofias. Políticos
operam a partir do poder da opinião das pessoas. Mui-
tos políticos não conseguem falar a verdade porque
eles querem agradar as pessoas. O que as pessoas
pensam e dizem é o que mais lhes interessa.

Quando uma pessoa está se tornando desleal,


ela procura envolver outras pessoas em suas ideias
traiçoeiras. Ela quer reunir seguidores e fazer as pes-
soas acreditarem que ela tem identificado um proble-
ma real que deve ser tratado. Foi exatamente isso que
Absalão fez.

Absalão foi ferido (estágio da ofensa), então ele


não falou nada por dois anos (estágio da passividade).
Ele então se tornou indevidamente analítico das políti-
cas de Davi (estágio crítico). Agora ele começou a en-
volver outras pessoas em seus pensamentos desleais.


“Então Absalão lhe dizia: Olha, os teus negócios
são bons e retos, porém não tens
quem te ouça da parte do rei.”
( II Samuel 15:3).

A Bíblia nos diz que Absalão sentou-se no por-


tão da cidade. Quando qualquer um vinha para ver o
rei, ele perguntava se eles tinham algum problema. Ele

190 | A CASA DE DEUS E SEUS OBREIROS - MAROSAM DIAS DA SILVA


então escutava atentamente e demonstrava simpatia
por eles.

Ele explicava às pessoas: “É uma pena que o rei


não tem tempo para você hoje”. Ele lamentava: “Infe-
lizmente, ele nem se importou em designar alguém
para cuidar dos seus problemas” (Os desleais sempre
dizem: “Pode contar comigo”.).

Vamos orar pelo nosso pastor

Absalão prosseguiu: “Vamos orar pelo nosso


querido rei. Ele está ficando velho e provavelmente
está achando difícil dar conta do trabalho”. Esse é o
erro que alguns pastores assistentes cometem. De-
vido à sua agenda de trabalho, eles podem ter mais
oportunidade de interagir com as pessoas. A congre-
gação começa a sentir que o assistente é mais aces-
sível e amistoso do que o pastor (o rei). O assistente
equivocado irá sugerir que o pastor é incompetente e
realmente apenas um figurão.

O povo de Israel estava muito impressionado


com o filho do rei, por duas razões. Número um, ele era
muito lindo e fisicamente atraente. Dois, ele parecia
sinceramente importar-se com eles. Após impressio-
ná-los por um tempo, Absalão conquistou o coração
do povo.


“(…) assim furtava Absalão o coração
dos homens de Israel.”
(II Samuel 15:6).

CAPÍTULO 17 - LEALDADE E DESLEALDADE – QUEM É FIEL A DEUS É LEAL AOS HOMENS? | 191
Quando alguém se torna político, ele quer en-
volver outros em sua linha de pensamento. Veja que,
quanto mais pessoas você consegue envolver em al-
guma controvérsia, tanto mais confiança você irá ga-
nhar. Pessoas desleais têm uma maneira insidiosa de
discutir as falhas de seus líderes.

Elas fazem perguntas como: “O que você achou


do culto hoje? Eu achei que estava um pouco desani-
mado”. Elas até buscam as Escrituras. “Visto que somos
uma igreja fiel à Bíblia, você não acha que deveríamos
ter alguns milagres ?”, “Você acha que nosso pastor
é tão ungido quanto ele era no ano passado?”, “Você
observou que muitas pessoas estão saindo da igreja?”,
“Eu acho que o nosso pastor viaja muito. E você?”.

Essas perguntas são usadas como isca para


cristãos ingênuos. Elas arrastam membros inocentes
para o interior de análises de assuntos que estão “aci-
ma” deles.


“(…) não me exercito em grandes assuntos,
nem em coisas muito elevadas para mim.”
(Salmos 131:1).

Gradualmente, são capazes de espalhar suas


dissensões para um grupo de cristãos crédulos.

Muitas pessoas estão dizendo

A próxima coisa é que eles abordam você com


relatos de descontentamento dentro da congregação.
Tenho aprendido, por meio da experiência, que quando

192 | A CASA DE DEUS E SEUS OBREIROS - MAROSAM DIAS DA SILVA


uma pessoa está no estágio político da deslealdade,
ela tem três frases favoritas:

Várias pessoas estão dizendo “isso e aquilo”. To-


dos estão dizendo “isso e aquilo”. Muitas pessoas estão
dizendo “isso e aquilo”.

Elas dizem: “Muitas pessoas estão dizendo:


‘Você viaja muito’”. “Todos estão dizendo que o projeto
de construção da igreja está demorando demais”. Elas
explicam: “Eu estou falando em nome de muitos que
não estão contentes na igreja”.

Sua casa era o centro da discussão

Alguns anos atrás, eu conheci gente que era


desse jeito! Ele parecia mais amistoso que o seu pas-
tor era, e também parecia mais acessível. As pessoas
levavam seus problemas para ele. Sua casa era o cen-
tro para a análise dos problemas da igreja. Eles ana-
lisavam todas as reclamações e falhas em sua casa.
Os membros da igreja ficaram mais e mais desconten-
tes com tudo que acontecia. “A pregação do pastor é
muito longa, você não acha?” “Ele bebe água enquanto
prega.”, “Ele anda demais para cima e para baixo”. Com
o tempo, ele passa a dizer: “Muitas pessoas estão di-
zendo… Muitas pessoas estão dizendo…”.

Há alegria e liberdade quando ele viaja

Lembro-me de um dia que eu estava em um


centro de retiros para um período de jejum e oração.
Eu encontrei o pastor assistente de uma grande igreja

CAPÍTULO 17 - LEALDADE E DESLEALDADE – QUEM É FIEL A DEUS É LEAL AOS HOMENS? | 193
na minha cidade. Após a troca de amenidades, pergun-
tei: “Como vai seu pastor sênior?”. “Oh! Ele está por aí”,
disse ele. Eu continuei: “Como vai a igreja?”. Ele res-
pondeu: “Nós temos alguns problemas, mas estamos
atentos. Sabe, quando ele viaja, todos ficam felizes”.
Confuso, eu perguntei: “Quem viaja?”. Ele sorriu e dis-
se: “O pastor”. “Por que é assim? ”, indaguei. Ele res-
pondeu: “ Porque quando ele está fora, há liberdade
e alegria, e o Espírito Santo flui. O fato é que muitas
pessoas não são mais abençoadas quando ele prega”,
e ele enfatizou: “Ah! Muitas pessoas não estão conten-
tes quando ele está aqui! Há alegria e liberdade quan-
do ele está fora! ”.

Conforme eu o ouvia, concluía que esse homem


estava bem adiante na estrada da deslealdade. E eu
não estava enganado! Logo essas pessoas vão embora
e geralmente leva alguns adeptos com eles para for-
mar uma nova igreja, dizendo: “Agora sim vamos ter
uma igreja correta”, mas infelizmente a ideia é outra.

Livre-se dele!

Quando uma pessoa chega a esse estágio políti-


co da deslealdade, ela se torna perigosa para a unida-
de e estabilidade da igreja. Esse indivíduo é uma ame-
aça à segurança da sua liderança.

É perigoso manter essa personalidade “absalô-


mica” em meio às suas tropas. Em minha opinião, você
tem base mais que suficiente para se livrar dela.

194 | A CASA DE DEUS E SEUS OBREIROS - MAROSAM DIAS DA SILVA


ESTÁGIOS DA DESLEALDADE
Estágio - Engano
Perda da direção de Deus

Muitos alegam que estão sendo dirigidos pelo


“espírito” de Deus quando rompem e se rebelam no
ministério. Muitas pessoas estão seguindo seu próprio
coração.

Infelizmente, quando algumas pessoas se frus-


tram ou se decepcionam, ou imaginam algo em seu
coração e isso não acontece, tornam-se desleais, se
escondendo atrás da frase: “Deus me falou que meu
tempo aqui acabou”. Para eles é mais fácil colocar a
culpa na igreja, no pastor ou no irmão “tal”, do que ad-
mitirem de que eles precisam de cura, de crescimento
ou de liberação de perdão. Por serem desleais, não fir-
mam raízes em lugar algum, não crescem e não reali-
zam a vontade de Deus.

Ou quando a pessoa vem quebrada ao Evange-


lho, cheia de problemas, os pastores a acompanham,
oram por sua libertação, jejuam, sobem ao monte para
orar por ela, mas quando está limpa, instruída, com a
vida já encaminhada, ela acha que é alguém. Então sai
sem ao menos dizer: “ Obrigado, pastor, pelas orações,
pelo cuidado, pelo alimento da palavra”. Simplesmente
vai embora e nós ficamos sabendo, por terceiros, que
está em outro lugar. Não leva em consideração o tra-
balho e dedicação do pastor por ela.

CAPÍTULO 17 - LEALDADE E DESLEALDADE – QUEM É FIEL A DEUS É LEAL AOS HOMENS? | 195
Razão Financeira


“ (...) o amor ao dinheiro é a raiz
de todos os males (...)”
( I Timóteo 6:10).

Os dois males ativados pelo amor ao dinheiro


são deslealdade e rebelião. A ganância faz com que a
pessoa saia de um emprego que lhe proporciona bene-
fícios ou probabilidade de crescimento, que talvez te-
nha lhe dado esta específica qualificação, para outro
só porque paga R$ 100,00 a mais! Tornou-se desleal-
dade por ganância.

Uma personalidade instável

Há pessoas que têm disposição para tomar de-


cisões precipitadas. Elas podem alterar o plano de suas
vidas em minutos. Essa é uma característica muito
perigosa. Essa pessoa pode estar com você hoje, mas
pode não estar mais amanhã. Essas pessoas normal-
mente tendem a se esconderem atrás de ministério
itinerante; são conferencistas e oradoras talentosas,
mas elas mudam de direção sem aviso prévio.

Mau caráter

Existem também pessoas de mau caráter; são


desleais por conveniência; o seu deus é a si próprio.
Não honram a Deus, nem liderança ou qualquer um
que seja, mas procuram ser honrados.

196 | A CASA DE DEUS E SEUS OBREIROS - MAROSAM DIAS DA SILVA


Um exemplo bíblico é Judas, que esteve com
Jesus, como um de seus discípulos, mas o seu deus
era ele mesmo. Revelou-se desleal pelo mau-caratis-
mo.


“Esconderei deles o rosto, verei qual será o seu fim;
porque são raça de perversidade,
filhos em quem não há lealdade”.
(Deuteronômio 32:20).

Uma coisa que tenho certeza é que as pessoas


que se rebelam estão grosseiramente enganadas. Se
elas não estivessem enganadas, não iriam fazer algu-
mas das coisas que fizeram. Muitas das pessoas que se
rebelaram acabaram em destruição. E eu sei que nin-
guém tem a intenção de destruir a própria vida.

Eu quero demonstrar alguns dos enganos co-


muns que os ministros encontram à medida que avan-
çam na estrada da deslealdade. Você deve perceber,
no entanto, que todo ministro é tentado com esses
pensamentos.

Muitas pessoas rebeldes se enganam ao pensar


que são maiores que seus superiores. Às vezes, um fi-
lho no ministério pode se levantar para fazer coisas
maiores que seu líder. Jesus não ficou preocupado
com o fato de que alguns de seus discípulos fariam
mais milagres. Ele, de fato, predisse que Seus trainees
iriam fazer coisas maiores do que Ele tinha feito, e Ele
estava feliz por isso: “(...) também fará as obras que eu
faço, e as fará maiores do que estas (...)” (João 14:12).

CAPÍTULO 17 - LEALDADE E DESLEALDADE – QUEM É FIEL A DEUS É LEAL AOS HOMENS? | 197
A História prova que isso é verdade. Atualmen-
te, os evangelistas ministram a multidões maiores do
que Jesus ministrou. Há ministros que têm escolas bí-
blicas maiores do que Jesus teve (Jesus tinha apenas
doze discípulos em sua escola bíblica). Jesus nunca
viajou mais de 300 quilômetros a partir do lugar onde
nasceu. Talvez você tenha viajado milhares de quilô-
metros do lugar onde nasceu. Jesus nunca escreveu
um livro, mas você já leu muitos livros que vários mi-
nistros com muita graça escreveram. Jesus nunca
teve um escritório para o Seu ministério, mas a maio-
ria das igrejas tem.

Jesus ressuscitou apenas duas pessoas da mor-


te, mas dizem que alguém como Smith Wigglesworth
ressuscitou 21 pessoas da morte. Ao final de sua vida,
Jesus foi brutalmente assassinado por Seus inimigos
e condenado entre ladrões. A maioria dos pastores re-
cebe uma saída honrosa deste mundo. Mas Jesus não
teve isso.

Enquanto Ele estava morrendo, os soldados


sortearam uma das poucas coisas que Ele tinha nes-
ta terra – sua capa. Contudo, muitos ministros atual-
mente têm mais propriedades nesta terra do que Je-
sus teve; hoje temos empresários que são ministros do
evangelho.

Esses fatos não tornam nenhum de nós maior


que Cristo. Cristo ainda é Cristo, o Rei. E você e eu so-
mos ainda mortais. Sem Jesus não somos nada. Não
se engane com sua recente promoção no ministério.

198 | A CASA DE DEUS E SEUS OBREIROS - MAROSAM DIAS DA SILVA


Você ainda é você. Jesus disse:


“ (...) não é o servo maior do que o seu senhor,
nem o enviado maior do que aquele que o enviou ”
(João 13:16).

Infelizmente, quando progredimos um pouco no


ministério, nós começamos a pensar que somos maio-
res do que alguém que tenha estado antes de nós.

Não despreze seu professor

Ministros desprezam seus professores, só pelo


fato de ter conseguido um pequeno grupo de segui-
dores e um carro novo. Nós precisamos respeitar as
pessoas que nos ensinaram (professores). Você deve
lembrar que você foi ajudado por alguém para chegar
onde você está. Você não deve esquecer isso: de certo
modo, você foi colocado onde está por, ou por meio de
outrem.

Lúcifer foi designado por Deus, mas parece que


ele esqueceu o fato mais importante:


“Tu eras querubim ungido e te estabeleci (...)”
(Ezequiel 28:14).

Lúcifer esqueceu que sua perfeição, sabedoria


e beleza vieram de algum lugar. Elas foram, de fato,
criadas. Você aprendeu o que você sabe de algum lu-

CAPÍTULO 17 - LEALDADE E DESLEALDADE – QUEM É FIEL A DEUS É LEAL AOS HOMENS? | 199
gar. Oitenta por cento do que pregamos e ensinamos
é aprendido. Lúcifer é um ser criado. Ele não criou a si
mesmo. “Cheio de sabedoria (…) perfeito em formosu-
ra (…) foste criado (...)” (Ezequiel 28:12-13).

Algumas pessoas têm uma pequena visão e se


sentem com “o rei na barriga”. Alguns pastores têm al-
guns milagres em suas igrejas e a partir de então não
respeitam ninguém. Eles impõem mãos sobre uma ou
duas pessoas que “caem sob o poder do Espírito” e seus
corações são corrompidos por causa de seu suces-
so no ministério. Muitos cantam em seu ministério de
louvor e as pessoas o veem com olhos de admiração.

Enganado por seu recente sucesso


“Elevou-se o teu coração por causa
da tua formosura (...) ”
(Ezequiel 28:17).

Obreiros que estão começando no ministério


precisam tomar cuidado para não cair na conversa de
Lúcifer, achando que podem andar e tomar decisões
sozinhas. Lembrem-se de que alguém investiu em você
e te colocou onde está. Um obreiro que havia estado
em treinamento foi enviado para pastorear uma con-
gregação pela primeira vez em seu ministério. Após
seis meses, retornou completamente transformado
em um rebelde. Ele disse: “Dê-me seis meses e verá o
que vai acontecer naquela igreja. Crescimento de igre-
ja não é mérito humano (I Coríntios 3:6).

200 | A CASA DE DEUS E SEUS OBREIROS - MAROSAM DIAS DA SILVA


Ninguém podia controlá-lo ou aconselhá-lo.
Ele tinha repreensões afiadas para seus líderes, acu-
sando-os de não estarem sempre certos. Essa pessoa
havia se enganado, ao crer que ela era tão talentosa
quanto qualquer outra. Geralmente, pessoas assim
acabam ficando frustradas e precisam de tratamento
espiritual que vai consumir o tempo precioso de seu
pastor.

Para enfatizar: a atitude do “eu sou tão bom


quanto você”, é muito perigosa.

Entretanto, essas revoltas separatistas e desa-


fiadoras, o levá-lo-ão desaparecer na obscuridade.

Esse insurgente obstinado pensou que dentro


de seis meses ele poderia conseguir coisas que le-
vam muitos anos de experiência para se alcançar. “Um
planta e o outro colhe, mas é Deus quem dá o cresci-
mento. ” (I Coríntios 3:6).

Eu creio que uma das razões por que Jesus ins-


tituiu a ceia do Senhor era para evitar o engano. Ela
é para lembrar a todos que não importa o que você
alcançar ou obtiver, você não é Cristo! Nós precisa-
mos nos lembrar de nossas origens. Nós precisamos
nos lembrar como nos tornamos e o que somos hoje.
Jesus disse: “(...) fazei isto em memória de mim.” (Lucas
22:19).

Muitas pessoas são enganadas porque elas são


talentosas e ungidas. Absalão era muito talentoso,

CAPÍTULO 17 - LEALDADE E DESLEALDADE – QUEM É FIEL A DEUS É LEAL AOS HOMENS? | 201
mas queria ser o rei. Muitos insurgentes pensam que
eles têm adquirido todo o conhecimento de que irão
precisar.

A mãe de todo o engano

A mãe de todo engano é quando uma pessoa


pensa que pode destruir seu professor e pai espiritu-
al. Ela pensa que tem entulho suficiente para bloquear
aqueles que têm sido uma bênção para ela. O espíri-
to de desobediência não só leva líderes assistentes a
fugirem, mas também os inspira a lutarem contra as
autoridades que foram colocadas sobre eles: “(...) toda
autoridade é constituída por Deus (...)” (Romanos 13:1).

Absalão lutou contra o próprio pai e fracas-


sou. Judas tentou destruir seu professor e Senhor
Jesus, mas esta é a mãe de todo engano. Você não
pode destruir o Senhor por meio de sua insurreição.
Lúcifer pensou que ele poderia destronar a Deus, mas
isso tampouco era possível. Que tolice! Que loucura
e insanidade; esta é a mãe de todo o engano. Esse é
o espírito de Absalão que luta contra o próprio pai. O
espírito de Lúcifer é o espírito que tenta substituir e
tomar a autoridade constituída. O espírito de Judas é
o espírito ardiloso que trai e se volta contra o próprio
professor.

Aprendamos aqui mesmo que todas essas coi-


sas são impossíveis. Você não pode substituir Deus. E
você não pode ser bem-sucedido lutando contra seu
pai. Deus não irá ajudá-lo e, de fato, Ele irá lutar contra

202 | A CASA DE DEUS E SEUS OBREIROS - MAROSAM DIAS DA SILVA


você. Toda a natureza, inclusive os animais selvagens e
as águias, lutarão contra você. A Bíblia diz:


“Os olhos que zombam do pai (…) corvos do ribeiro
os arrancarão e os filhotes da águia os comerão”
(Provérbios 30:17).

Estágio rebelião escancarada

Este é o estágio em que insurgentes engana-


dos lutam abertamente contra a autoridade. Essa luta
aberta ocorre devido à confiança que o rebelde desen-
volve ao longo dos anos. Ele adquiriu apoio psicológico
ao obter apoio de algumas das pessoas com quem ele
conversou, e confiança em si mesmo. Lembre-se que
Lúcifer ganhou apoio de mais de um terço dos anjos.
Ele havia tido tempo para analisar os méritos e demé-
ritos da pessoa contra quem ele estava se rebelando.
Então, de repente, ele expõe o que está em seu cora-
ção.

Lúcifer fez isso: “E houve batalha no céu (…) e


batalhavam o dragão [o diabo] e seus anjos”. (Apocalip-
se 12:7).

Absalão lutou contra seu pai: “E disse Davi (…)


Eis que meu filho [Absalão], que saiu das minhas en-
tranhas, procura a minha morte (...)” ( II Samuel 16:11).
Lembre-se que somos filhos, e há mandamento com
promessa de vida longa para filho ( Êxodo 20:12).

CAPÍTULO 17 - LEALDADE E DESLEALDADE – QUEM É FIEL A DEUS É LEAL AOS HOMENS? | 203
Lembre-se do apóstolo Paulo escrevendo para
Filemom a respeito de Onésimo (Filemom v.10).

Absalão tentou tornar-se seu pai em todos os


aspectos, inclusive no quarto. “(...) e entrou Absalão às
concubinas de seu pai, perante os olhos de todo Isra-
el.” (II Samuel 16:22).

Judas traiu e lutou contra Seu Senhor e patrão.


“Chegou Judas (…) e com ele, grande multidão com
espadas (...) E o que traía tinha-lhes dado um sinal, di-
zendo: O que eu beijar, é esse, prendei-o.” (Mateus 26:
47-48).

Judas havia lhes dito que agarrassem bem a


Cristo e não O deixassem ir. Essa é a luta aberta con-
tra seu patrão, professor ou seu pai. É o que eu chamo
de estágio da rebelião às claras da deslealdade. Isso
nos leva ao estágio final deste drama. É o que chamo
de estágio da pena da morte.

Estágio – pena de morte

O fim de todos os rebeldes é sempre um e o


mesmo: pena de morte. A rebelião é essencialmente
uma coisa diabólica. A Bíblia nos ensina que rebelião é
como bruxaria:


“Porque a rebelião é como o pecado de feitiçaria (...)”
(I Samuel 15:23).

204 | A CASA DE DEUS E SEUS OBREIROS - MAROSAM DIAS DA SILVA


Deus não suporta a rebelião em qualquer forma,
seja ela às claras ou apenas ideologia. Não se envolva
em nenhum tipo de rebelião. As pessoas que se envol-
vem em revoltas são, muitas vezes, símplices. Muitas
delas não sabem o que está adiante.


“E de Jerusalém foram com Absalão duzentos
homens convidados, porém, eles iam na sua
simplicidade, porque nada sabiam daquele negócio”.
( II Samuel 15:11).

Muitas pessoas correm para a rebelião devido à


sua inocência e ignorância. Se os seguidores de Absa-
lão tivessem sabido exatamente o que estavam fazen-
do, creio que eles não o teriam seguido. Foram enga-
nados, mas isso não os isentou da responsabilidade.

O fruto da rebelião em toda Bíblia é muito claro:


pena de morte. Deus irá divinamente remover e subs-
tituir você por outro. Seu lugar será tomado por outro
que é mais digno que você. Você será banido para a
obscuridade e o esquecimento; haverá uma maldição
sobre você e sua família. Apenas estude a lista de pe-
nas de morte.

Lúcifer: “E foi precipitado o grande dragão,


a antiga serpente, chamada o diabo e Satanás,
que engana todo o mundo; ele foi
precipitado na terra, e os seus anjos foram
lançados com ele”.
(Apocalipse 12:9).

CAPÍTULO 17 - LEALDADE E DESLEALDADE – QUEM É FIEL A DEUS É LEAL AOS HOMENS? | 205
Absalão: “E o cercaram dez mancebos (…)
E feriram a Absalão, e o mataram.”
(II Samuel 18:15).
Aitofel: “Aitofel se enforcou (…) e morreu (...)”
(II Samuel 17:23 ).

Simei: “E o rei mandou Benaías, filho


de Jeoiada; o qual saiu, e deu sobre ele [Simei],
e morreu (…)” (I Reis 2:46).

Adonias: “E enviou o rei Salomão pela mão


de Benaías, filho de Jeoiada, o qual deu
sobre ele [Adonias], e morreu”.
(I Reis 2:25).

Judas: “E ele [Judas] (…) foi enforcar-se”.


(Mateus 27:5).

O obreiro leal e os benefícios da lealdade


É imprescindível que o obreiro assistente ou ad-
junto, líder de adoração, pastor de um departamento,
pastor de jovens, pastor de congregação, ministro de
música etc, sejam leais, confiáveis, íntegros.

Os deveres de um obreiro assistente podem pa-


recer óbvios. Pode até parecer supérfluo escrever so-
bre o que é esperado de um assistente. Mas eu tenho
descoberto que o assistente é uma das pessoas mais
importantes na equipe ministerial. Ele pode edificar
ou destruir o ministério por intermédio de suas ações,
palavras ou até atitudes. Eu tenho aprendido por expe-

206 | A CASA DE DEUS E SEUS OBREIROS - MAROSAM DIAS DA SILVA


riência própria que é melhor não ter assistente do que
ter um mau assistente.

1. Um bom
embaixador

Um bom obreiro assistente pode ser compara-


do a um bom embaixador. Ele não reflete suas ideias
e visões, mas somente aquelas de seu país de origem
(pastor). Um bom obreiro assistente pode também ser
comparado a uma boa esposa. Ela sabe das necessida-
des da família e também deve apoiar genuinamente o
seu marido. Ela não deve ser uma pessoa independen-
te e difícil.

Se você não é fiel ao ministério de outro homem,


jamais espere ter alguma coisa sua. “Se, portanto, não
vos tornastes de confiança em relação ao que é dos
outros, quem vos dará o que é vosso? ” (Lucas 16:12).
Há uma proliferação de auxiliares Absalões, Adonias,
Aitoféis, Simeis, Joabes e Lucíferes na igreja. Esses
são os maiores rebeldes da Bíblia. Qualquer ministro
experiente já teve sua justa porção desses obreiros.
Eu sou contra essas pessoas e eu estou sempre ensi-
nando sobre tais atitudes malignas. Decida nunca se
tornar um rebelde.

2. Não é fácil ser um


pastor presidente ou titular

Não é fácil ser o responsável pela igreja do Se-


nhor. Toda a responsabilidade recai sobre ele. Sempre

CAPÍTULO 17 - LEALDADE E DESLEALDADE – QUEM É FIEL A DEUS É LEAL AOS HOMENS? | 207
será acusado por tudo o que acontecer de errado, por-
que ele é a autoridade em última instância. Em certo
sentido, é mais fácil ser um assistente do que um pas-
tor titular. Porém, em outro sentido, é difícil sempre
submeter-se, seguir e apoiar, é necessário ter espírito
de servo e sempre lembrar que o auxiliar não está no
controle.

3. Você deve ser chamado


para assistir

Eu creio que é muito importante termos bons


assistentes. Se Deus não te chamou para o ofício de
ser um líder assistente, não tome para si essa tarefa
frustrante e difícil. Mas se você for o titular, você deve
assegurar-se de que tem, ao seu lado, assistentes leais.

Eu irei partilhar com você algumas lições que


irão ajudá-lo na sua função no papel de assistente. Se
você irá fazê-lo, então você deve fazê-lo bem feito!. Eu
creio que essas são instruções perspicazes e impor-
tantes.

4. Maneiras de tornar-se
um bom assistente

1. Refira-se a seu pastor frequentemente,


e sob uma luz favorável: faça isso sempre que
você estiver falando, pregando ou aconselhando.

2. Use citações de seu pastor-presidente


tanto quanto possível: como disse anterior-

208 | A CASA DE DEUS E SEUS OBREIROS - MAROSAM DIAS DA SILVA


mente, você é, na verdade, um embaixador, represen-
tando-o. Jesus deve ser a pessoa mais importante na
igreja e, em seguida, o seu pastor (a). Ele deve ser hon-
rado e respeitado.

Jesus disse: “Quando for levantado da terra, to-


dos atrairei a mim”. (João 12:32).

Contudo, há certo respeito e admiração que


você deve ter pelo pastor e honrá-lo quando possível.
Não use seu pastor como ilustração de um mau exem-
plo. Você deve falar dele como alguém a ser admirado
e seguido, pois ele é a sua autoridade espiritual. Em
cada instituição, uma pessoa em particular deve ser
mais proeminente, na igreja é o seu pastor e pasto-
ra (presidente). Na sequência, a diretoria e os demais
pastores, obreiros, líderes.

Qualquer coisa que tenha duas cabeças é uma


aberração: se mais de uma pessoa é proeminente, você
terá uma situação onde há duas cabeças, ou seja, uma
aberração. Mencione o fato de que o que você estará
fazendo, estará sendo feito em nome do seu líder. Isso
torna claro que não há duas cabeças, mas apenas uma
liderança.

3. Admire seu pastor genuinamente e


elogie-o frequentemente: em primeiro lugar,
se você não o admira você não deveria estar traba-
lhando com ele! Se você for um bom assistente, você
verá a sabedoria nas decisões tomadas por seu pastor.
Você irá admirar a forma dele pregar e a revelação que

CAPÍTULO 17 - LEALDADE E DESLEALDADE – QUEM É FIEL A DEUS É LEAL AOS HOMENS? | 209
ele trouxer. Um assistente desleal é cheio de desprezo
por tudo que o seu líder faz.

Aprendi, há algum tempo, que você recebe me-


lhor das pessoas que você admira. Esse é um segredo
para captar a unção. Se você admira outras pessoas e
não tem admiração por seu próprio pastor, eu humil-
demente declaro que você está no lugar errado.

Apresente seu pastor de forma entusiástica e


faça comentários positivos ou elogiosos sobre tudo o
que ele pregou.

Faça declarações como: “Eu fui realmente


abençoado hoje por meio desta mensagem”, ou “esta
mensagem veio na hora certa”. Um assistente leal é
cheio de elogios públicos genuínos sobre o sermão de
seu pastor. Quando o assistente faz esses comentá-
rios abertamente, a igreja inteira aprecia ainda mais a
mensagem de seu pastor!

4. Anuncie a visita ou chegada de seu


pastor com entusiasmo: todos nós ficamos
empolgados quando vemos alguém que amamos. Um
bom assistente irá anunciar com alegria a chegada de
seu pastor e o apresentará com orgulho. Certamente
o fato de você não ficar feliz ao vê-lo significa que há
alguma coisa errada.

Não o deixe entrar! Lembro-me de uma igreja


que tinha um pastor rebelde. Quando o supervisor ge-

210 | A CASA DE DEUS E SEUS OBREIROS - MAROSAM DIAS DA SILVA


ral chegou para uma visita, o pastor instruiu os por-
teiros a não o deixarem entrar no prédio. Você pode
acreditar nisso? O pastor foi fisicamente impedido de
entrar na igreja que ele havia fundado! Uma pessoa re-
belde não fica feliz ao ver seu pastor. Mas uma pessoa
leal dá boas-vindas à sua autoridade espiritual com
muita alegria, porque sabe que é apenas o seu repre-
sentante naquele lugar.

OS BENEFÍCIOS DA LEALDADE


“Disse-lhe o senhor: Muito bem, servo bom e fiel;
foste fiel no pouco, sobre o muito te colocarei;
entra no gozo do teu Senhor”.
(Mateus 25:21).

Este texto traz quatro bênçãos importantes que


acompanham a pessoal leal e fiel.

A pessoa leal recebe a graça de Deus para o crescimento

A lealdade traz crescimento profissional. Veja


pessoas que mudam de empregos a cada seis meses.
Como podem crescer e prosperar profissionalmente
se elas são desleais? Quem vai investir em alguém que
murmura do emprego, da empresa, do chefe, do salá-
rio? Se você quer crescer em uma empresa, seja leal a
ela. Não critique, não murmure; trabalhe, e faça com
excelência como se fizesse para Jesus.

CAPÍTULO 17 - LEALDADE E DESLEALDADE – QUEM É FIEL A DEUS É LEAL AOS HOMENS? | 211
A lealdade traz crescimento ministerial

Ninguém investe em gente desleal. O irmão que


a cada ano troca de igreja, fala contra o pastor ou
a liderança, não é leal à visão que Deus deu à igreja,
achando sempre que ele tem a visão do momento. Seu
coração não está conosco, quer apenas uma igreja
que dê o título a ele.

Quem é desleal não cresce ministerialmente e


não é culpa da igreja e do pastor. Todo aquele que vem
com a historinha que “a igreja não me reconhece” ou
“o pastor só consagra quem ele quer”, este é desleal e
por isso não cresce. Muitos culpam a igreja ou minis-
tério por suas frustrações pessoais, por uma razão ou
outra não prospera na vida e no ministério, então pre-
ferem culpar mais ou outros a reconhecer suas pró-
prias debilidades.

Ninguém pode proibir Deus de exaltar alguém;


como podemos crer em um Deus que qualquer lide-
rança atrapalhe seus planos?

A lealdade traz prosperidade

Deus prospera pessoas que são fiéis e leais aos


seus compromissos, honrando os pagamentos em dia.
Tem gente que espera vencer para pagar, isto é desleal-
dade, porque você se comprometeu a pagar até aque-
la data. Deus não pode abençoar o desleal, não apenas
aquele que é desleal nos dízimos e nas ofertas, mas
também porque é desleal com seus compromissos.

212 | A CASA DE DEUS E SEUS OBREIROS - MAROSAM DIAS DA SILVA


A lealdade traz confiança

Melhor coisa é ter alguém para confiar. A leal-


dade traz paz e segurança no casamento. Deixe-me
exemplificar o que é lealdade no casamento. O marido,
por exemplo, pode ser fiel, mas não leal. Pode ser fiel
por suas convicções, mas no seu pensamento ser des-
leal. Sabe o homem ventilador? Aquele que olha para
todos os lados na rua? É desleal, não é infiel porque
não traiu, mas desleal porque não honrou a esposa.

Amados, precisamos ser


leais em nosso casamento.
Seja uma pessoa leal e terá grande crescimento
em seus negócios e ministério.

Seja uma pessoa leal para poder ter o favor de


Deus sobre tudo o que você colocar a mão para fazer.

Precisamos de lealdade para colher


nossa plena recompensa

No fim, os que serão abençoados serão os fi-


éis e leais. Um líder de visão e inteligente sabe honrar
aqueles que permanecem com ele nos tempos difíceis;
estes são diferentes daqueles que chegam quando
tudo está bem, e ficam somente quando as coisas es-
tão boas. Jesus justificou a razão dessa recompensa
especial, dizendo: “E vós sois os que tendes permane-
cido comigo nas minhas tentações. E eu vos destino
o Reino, como meu Pai me destinou, para que comais

CAPÍTULO 17 - LEALDADE E DESLEALDADE – QUEM É FIEL A DEUS É LEAL AOS HOMENS? | 213
e bebais a minha mesa no meu reino, e vos assenteis
sobre tronos, julgando as doze tribos de Israel ”. (Lucas
22:28-30).

Em tempos bons, todos parecem leais. Os leais


são reconhecidos em tempos difíceis. Somos gratos
a Deus pelos líderes que permanecem fiéis ao longo
deste ministério. Tem pessoas que são leais aos times
de futebol, a uma loja, a uma marca, mas não conse-
guem ser leais à igreja que pertencem ou à liderança
que seguem.

Exemplo: quando seu time perde, faz questão de


sair com sua camiseta, mas, quando sua igreja passa
por dificuldade, é o primeiro a sair, não levando em
consideração que sua saída só aumenta o problema. E
esta falha no caráter faz com que eles sejam também
desleais a Deus, honrando a si mesmos e não ao Se-
nhor.

214 | A CASA DE DEUS E SEUS OBREIROS - MAROSAM DIAS DA SILVA


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Curso para Obreiros – Ed. Talmidim, 2019, GO

216 | A CASA DE DEUS E SEUS OBREIROS - MAROSAM DIAS DA SILVA

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