Trilha de Aprendizagem. B1 UNIDADE 2 - As Ações Antrópicas Sobre o Meio Ambiente. APOSTILA
Trilha de Aprendizagem. B1 UNIDADE 2 - As Ações Antrópicas Sobre o Meio Ambiente. APOSTILA
Trilha de Aprendizagem
Módulo B - Políticas Públicas e Meio Ambiente
Goiânia, 2023
Trilha de Aprendizagem
2 Textos obrigatórios
3 Atividades
Atividade 1
Atividade 2
Formular por escrito pelo menos quatro sugestões que poderão minimizar os
impactos ambientais no Bioma Cerrado.
Fazer uma análise crítica dos dois textos em, no mínimo, 20 linhas para cada texto
obrigatório.
Atividade 3
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Bom estudo!!!
BORSATO, V. A.; SOUZA FILHO, E. E.
Ação antrópica, alterações nos geossistemas, variabilidade climática: contribuição ao problema.
AÇÃO ANTRÓPICA, ALTERAÇÕES NOS
GEOSSISTEMAS, VARIABILIDADE CLIMÁTICA:
CONTRIBUIÇÃO AO PROBLEMA∗.
Resumo: Este artigo aborda as preocupantes alterações nos atributos naturais dos geossistemas a partir
das intervenções mais intensas na busca dos recursos naturais para satisfazer a crescente demanda
comandada pelos sistemas socioeconômicos em curso. Procurou-se fazer uma comparação na velocidade
de ocupação e alterações comandadas pelo homem na zona temperada e na tropical da Terra e,
conseqüentemente, as alterações que esses geossistemas apresentam em função da posição astronômica e
do equilíbrio térmico. Assim como as respostas que possam desencadear na dinâmica geral da atmosfera
— a entropia e as suas conseqüências no clima. Propõe-se uma discussão que considera uma nova razão
para um novo conhecimento do fenômeno climático, frente as eminentes variabilidades desencadeadas a
partir das ações antropogenéticas.
Resumen: Este artículo aborda las preocupantes alteraciones en los atributos naturales de los geosistemas
a partir de las intervenciones mas intensas en la busca de los recursos naturales para satisfacer la creciente
demanda comandada por los sistemas socioeconómicos en curso. Se busca comparar la velocidad de
ocupación y alteraciones comandadas por el hombre en la zona templada y en la tropical de la tierra y
consecuentemente las alteraciones que esos geosistemas presentan en función de la posición astronómica
y del equilibrio térmico así como las respuestas que puedan desencadenar a la dinámica general de la
atmósfera – entropia, y las consecuencias en el clima. Se propone una discusión que considere una nueva
razón para un nuevo conocimiento del fenómeno climático, frente a las eminentes variabilidades
desencadenas a partir de las acciones antropogénicas.
1. Introdução.
∗
Texto publicado em 2004 (n.11 v. 2).
∗∗
Professor da FAFIMAN.
∗∗∗
Professor da Universidade Estadual de Maringá – PR.
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desejáveis. A evolução, ou seja, o tempo necessário para reestabelecer a nova dinâmica depende do grau
de intervenção e também do nível de fragilidade do geossistema.
Hoje, com todo o arsenal tecnológico disponível, não há como aumentar a produção de bens sem
explorar os recursos naturais. As intervenções nos componentes dos geossistemas são tanto maiores
quanto maior o potencial de recursos disponíveis. Há uma crescente taxa de transferência de recursos
entre as grandes regiões da Terra. Hoje, informações e mercadorias circulam o planeta, considerando-se
os fluxos de matéria e energia, ou seja, o input e output dentro de um geossistema como fator de
equilíbrio; considerando também os princípios da termodinâmica. Haverá, como conseqüência das trocas
desequilíbrios, principalmente, considerando os recursos provenientes da biomassa, tanto na área onde os
recursos foram explorados quanto onde estão sendo destinados. Questiona-se, também se o homem
poderá utilizar e desenvolver tecnologia capaz de controlar os inputs e outpus nos geossistemas?
A evolução da sociedade e as alterações nos ambientes evidenciam o jogo da estrutura social,
particular a cada momento histórico, que incide no espaço geográfico diferencialmente. Os estudos
climáticos têm, na grande maioria deles, priorizado o estudo de casos ou abordado uma escala local,
principalmente ao se tratar de alterações nos padrões habituais. Neste artigo, pretende-se a partir de um
enfoque local, analisar e questionar o comportamento climático regional e global; abordando os princípios
básicos dos geossistemas, frentes às alterações comandadas pela ação do homem, na cobertura vegetal.
A partir da Revolução Industrial, as alterações na paisagem aceleram-se em níveis cada vez mais
sofisticados e intensos. As indústrias ampliaram suas áreas de influências a partir da Europa e
atravessaram os oceanos. Hoje constituem o símbolo da paisagem antrópica.
A partir da produção em série, o desenvolvimento tecnológico, mais cedo ou mais tarde,
envolveu os mais diversos segmentos tecnológicos e permitiram, através dos meios científicos, não só o
aumento populacional, como também uma maior longevidade do homem. A tecnologia médica curativa e
preventiva reduziu drasticamente a mortalidade para depois conscientizar a população das necessidades
da redução da natalidade. Fatores que alteraram significativamente o ritmo demográfico humano.
A transição demográfica se caracteriza pelas três fases: na primeira, a natalidade e a mortalidade
são altas; na segunda, a mortalidade cai, e a natalidade permanece alta; e na terceira fase, a natalidade e
mortalidade são baixas. Os Países mais desenvolvidos alcançaram a terceira fase. Os demais, em sua
grande maioria ainda estão longe de completar a transição demográfica e, continuam registrando
crescimento acelerado de sua população.
O desenvolvimento tecnológico e o sistema capitalista possibilitaram, a cada ser humano, um
aumento no consumo de energia per capta. Embora seja sabido que as desigualdades entre os povos se
acentuaram com o advento da Revolução Industrial, seja em sua primeira fase (Capitalismo
Concorrencial), na Segunda (Capitalismo Monopolista), ou na atual, monopolista e globalizada.
Nos Países do Norte, a população adquiriu um padrão de consumo elevadíssimo, principalmente,
estadunidenses e europeus; enquanto a grande maioria da população dos Países do Sul vive com uma
baixa renda monetária e baixo de consumo de energia per capita. Mesmo não levando em consideração o
tamanho das desigualdades na distribuição da riqueza.
Dessa forma, percebe-se que os recursos naturais são cada vez mais intensamente explorados
para atender as necessidades consumistas da população do planeta. Seja em razão da elevação do
consumo, seja pelo aumento populacional. Hoje são mais de seis bilhões de seres humanos considerando-
se o que cada indivíduo estadunidense consome em média, os recursos naturais disponíveis,
principalmente os não renováveis, seriam exauridos em poucos anos, e as conseqüências ambientais
colocariam em risco a própria existência da vida humana no planeta. Embora o desejo de uma grande
parcela da população seja o estilo de vida norte-americano.
Por essa razão, o mundo começa a se organizar em defesa da qualidade de vida e de um meio
ambiente saudável com perspectiva de garantir meios de sobrevivência para as gerações futuras. E o
grupo dos que defendem o desenvolvimento sustentável para o planeta é cada vez maior.
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BORSATO, V. A.; SOUZA FILHO, E. E.
Ação antrópica, alterações nos geossistemas, variabilidade climática: contribuição ao problema.
Os Países do Norte desenvolveram a indústria clássica. De certa forma, ao longo do tempo,
puderam equilibrar o desenvolvimento tecnológico com o social e reduziram as desigualdades internas,
proporcionando melhores condições de vida à população. Enquanto nos Países do Sul há uma ampliação
das desigualdades sociais por conta do empobrecimento da população, consubstanciadas pelo modelo
desenvolvimentista adotado, que por sua vez, está fundamentado na importação de tecnologia
desenvolvida em países cujas necessidades de uso de mão-de-obra estão centradas no setor terciário da
economia.
O modelo desenvolvimentista promoveu a saída da população do campo que engrossou o
contingente de mão-de-obra, não qualificada, nos centros urbanos: fomentando a criação de cidades
informais e ampliando os cinturões de pobreza que caracterizam as grandes cidades em todos os países
subdesenvolvidos.
A explosão urbana é um fenômeno mundial, mas é nos países subdesenvolvidos que os
problemas de infra-estrutura se agravam. Embora seja ainda um processo em curso, verifica-se que as
maiores aglomerações urbanas do mundo crescem em ritmo acelerado nos países subdesenvolvidos.
O crescimento urbano é uma agressão ao meio ambiente por si. Visto que, além da remoção da
vegetação natural, modifica a superfície do terreno, impermeabiliza vastas áreas, contamina o solo,
subsolo, o ar, as água subterrâneas e superficiais, além de alterar o mesoclima. As “ilhas de calor”
verificadas, principalmente nas grandes metrópoles, são mais um exemplo de alterações ambientais que se
manifestam em função da metropolização da sociedade contemporânea.
O mesmo modelo desenvolvimentista fomentou a expansão de fronteiras agrícolas. A demanda
de madeira dizima áreas florestais e amplia o impacto ao meio ambiente. As práticas econômicas
predatórias mais agressivas se iniciaram pela Zona Temperada da Terra e hoje atuam principalmente nas
áreas de baixa latitude, provocando o desmatamento de vastas áreas de florestas equatoriais.
Considerando-se que na região tropical a energia absorvida é maior que a irradiada, a
transferência de calor que se dá entre as zonas da Terra, seja por condução, convecção ou advecção segue
a dinâmica da circulação geral da atmosfera terrestre. Alterações no balanço de energia, seja através da
irradiação terrestre ou da radiação solar, alterarão sua própria dinâmica.
A princípio, sabe-se que o desmatamento, além dos inúmeros “traumas” ao ecossistema,
modifica totalmente o balanço de energia local, o qual comanda a dinâmica atmosférica. A porcentagem
de energia refletida, em relação à incidente, é alterada. Assim como as condições de umidade atmosférica.
Se as considerações de Varejão-Silva (2000) forem levadas em conta, o desmatamento da Faixa
Equatorial poderá modificar por completo a dinâmica atmosférica.
Os mecanismos responsáveis pela transferência meridional de calor para áreas com balanço de radiação
negativo são as correntes aéreas (transporte de calor sensível e latente) e, em segundo plano, as oceânicas
(transporte de calor sensível). O transporte de calor latente, em direção aos pólos, está associado a mudanças
de fase de água, comprovando-se assim, mais uma vez, sua importância para a energia do sistema superfície-
atmosfera.
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O mesmo raciocínio pode ser feito para as diferenças entre uma área florestada em comparação
com o seu entorna agrícola. Por ora, não foi encontrado estudo que aborda as diferenças de
comportamento dos elementos climáticos entre área com vegetação natural e área ocupada pela
agricultura moderna em regiões tropicais. A sensibilidade humana, neste caso, pode dar-nos uma resposta,
pois é fácil perceber as diferenças de temperatura e umidade entre uma área florestada e a área vizinha em
dias quentes ou numa manhã fria.
Para diversos autores, o total de radiação solar que é interceptada pela Terra e a que retorna ao
espaço direta ou indiretamente se equivalem (VAREJÃO-SILVA, 2000). Contudo, mesmo considerando
que o balanço radiativo médio planetário se verifica um equilíbrio, as alterações antrópicas, em dadas
regiões do globo, implementarão a recepção das radiações solares, ou seja, um solo arado, uma via
pavimentada, as edificações urbanas, uma plantação em fileira, entre outros exemplos, absorvem a
energia solar em quantidade e intensidade diferentemente de uma região natural e coberta por uma
floresta tropical.
O acréscimo de energia pode vir a ser dissipado, mas até que as trocas se processam (sejam
através das convecções atmosféricas, sejam através das correntes marinhas ou outras). Este acréscimo
tenderá a dinamizar o sistema e flutuações climáticas poderão se manifestar em qualquer parte do
planeta, ou mesmo uma manifestação de tendência climática.
Como o clima é um dos componentes integrante de um geossistema, é muito dificil caracterizar
alterações nos padrões habituais. Sant’Anna Neto (1995) estudou as chuvas no Estado de São Paulo e
evidenciou que elas não sofreram grandes atterações em valores anuais, mas sofreram uma diminuição
nos dias com registros de precipitações. Isso caracteriza que as chuvas se tornaram mais intensas em cada
episódio.
Os fenômenos EL NIÑO e LA NIÑA têm se manifestado em intervalo de tempo cada vez menor
e intensidade maior. Embora o intervalo de tempo em que o fenômeno tem sido sistematicamente
acompanhado seja muito reduzido para conclusões definitivas. Para Monteiro (1999), o fenômeno EL
NIÑO é uma manifestação ou conseqüência direta da flutuação da energia solar e é conseqüência direta
da flutuação de nossa fonte primária de energia. A atividade solar é extremante variada, a partir das
manchas solares. Fenômeno esse que tem uma influência direta na emissão da radiação solar e, sobretudo
na recepção pelo planeta Terra. Como a circulação geral segue uma dinâmica ditada pela energia
proveniente da irradiação terrestre, é claro que alterações na intensidade de energia liberada pela
superfície da Terra alteram a dinâmica habitual.
Para Monteiro (1999), qualquer abordagem da atmosfera, seja ela meteorológica ou geográfica,
há que se partir dos fenômenos básicos. Assim, o ponto de partida é a compreensão dos mecanismos das
trocas de energia entre o Sol e a Terra. Por isso, é necessário compreender os mecanismos das formas de
transmissão de energia. Para Ross (1992), o entendimento do relevo e sua dinâmica passam
obrigatoriamente pela compreensão do funcionamento e da inter-relação entre os demais componentes
naturais (águas, solos, clima e cobertura vegetal). Observa-se que, para o entendimento do clima ou
qualquer outro componente natural, é necessária a compreensão do funcionamento da inter-relação entre
os componentes do meio, ou seja, uma investigação geossistêmica. Para melhor entender a concepção
geossistêmica e todo o debate dela provindo, deve destacar o que afirmou Sotchava (1978) sobre o
Geossistema. Em condições normais, deve-se estudar não os componentes da natureza, mas as conexões
entre eles; não se deve restringir à morfologia da paisagem e suas divisões, mas, de preferência, projetar-
se para o estudo de sua dinâmica, estrutura funcional, conexões, (SOTCHAVA, 1978).
O princípio básico do estudo de sistemas é o da conectividade. Pode-se compreender um sistema
como um conjunto de elementos com um circuito de ligações entre esses elementos; e um conjunto de
ligações entre o sistema e seu ambiente, isto é, cada sistema se compõe de subsistemas, e todos são partes
de um sistema maior, onde cada um deles é autônomo e ao mesmo tempo aberto e integrado ao meio, ou
seja, existe uma inter-relação direta com o meio.
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Ação antrópica, alterações nos geossistemas, variabilidade climática: contribuição ao problema.
Os sistemas Ambientais Físicos, ou Geossistemas seriam a representação da organização
espacial resultante da interação dos componentes físicos da natureza (sistemas). Aí, incluídos clima,
topografia, rochas, águas, vegetação e solos. Dentre outros, podendo ou não estar todos esses
componentes presentes. Bertrand (1971) dá ao Geossistema uma conotação uma pouco diferente de
Sotchava (1978). Para ele, o Geossistema é uma unidade, um nível taxonômico na categorização da
paisagem: zona, domínio, região, “geossistema”, geofaces, geótopo.
O geossistema é certamente um sistema natural, com dinâmica e mecanismos próprios,
interconectados ao sistema global. Mas o ser humano jamais pode ser apenas um figurante em sua análise.
O homem é parte integrante da natureza, de sua evolução e transformação e, portanto, faz parte do
geossistema.
A ação antrópica faz parte do geossistema, embora ela possa afetar seu equilíbrio ou até mesmo
sua dinâmica. Assim como o fazem as modificações naturais. A energia “consumida” e ou
“transformada” com a ação antrópica poderá ser liberada do meio em forma de calor, no clima, na erosão
dos solos, ventos ou mesmo nas geomorfogêneses ou podogêneses. A troca permanente de energia e
matéria adquire proporções e ritmo muito mais intenso que aquele que normalmente a natureza imprime.
Cada uma dessas formas de energia liberada ao meio desencadeará ações e reações, e a unidade
geossistêmica procurará restabelecer o equilíbrio.
Neste ponto, é oportuno empregar os conceitos de Unidades Ecodinâmicas preconizadas por
Tricart (1977), sobre o prisma da Teoria de Sistemas que parte do pressuposto de que, na natureza, as
trocas de energia e matéria se processam através de relações de equilíbrio dinâmico. A intervenção
humana tem alterado constantemente esse equilíbrio. Diante disto, Tricart (1977) definiu que os
ambientes, quando estão em equilíbrio dinâmico, são estáveis; quando em desequilíbrios, são instáveis.
Para que esses conceitos pudessem ser utilizados, ROSS (1990) ampliou-os, estabelecendo as
Unidades Ecodinâmicas Instáveis ou de Instabilidades Emergentes em vários graus, desde Instabilidade
Muito Fraca e Muito Forte. Ampliou-o para as Unidades Ecodinâmicas Estáveis; que, apesar de estarem
em equilíbrio dinâmico, apresentam instabilidade potencial em diferentes graus, tais como: as
Instabilidades Emergenciais, ou seja, de Muito fraca a Muito forte.
Claro que para o procedimento operacional, para a análise empírica da fragilidade dos ambientes
naturais, são necessários estudos básicos de todos os elementos e suas variáveis no espaço e no tempo
para se chegar a um diagnóstico das diferentes categorias hierárquicas da fragilidade dos ambientes
naturais.
Quanto à sua área (geossistema), ela deverá variar de acordo com o objetivo a alcançar. Nunca
poderá ser conceitualmente predeterminada. Cabe ao pesquisador encontrar seus limites sempre
lembrando que o espaço deve ser considerado como uma totalidade. A prática, porém, exige que ele seja
dividido em partes para sua melhor análise. Essas partes só terão sentido quando consideradas suas inter-
relações. Por um lado, é importante não esquecer que, em suas delimitação, deverão ser encontrados
aspectos homogêneos. Quanto maior a área menor a chance de encontrá-los. Por outro lado, geossisternas
muito pequenos correm o risco de ter um caráter muito significativamente verticalizado, mais afeito ao
estudo biológico, restringindo a inter-relação de seus componentes.
Bertrand (1971), ao estudar a paisagem, classificou-a em dois níveis: as unidades superiores
(zona domínio, região natural) e as unidades inferiores (geossistema, geofáces e geótopo). Veja as
considerações de Bertrand para a caracterização dos geossistemas:
Geossistema corresponde a dados ecológicos relativamente estáveis. Ele resulta da combinação de fatores
geomorfológicos (natureza das rochas e dos mantos superficiais, valor do declive, dinâmica das vertentes...),
climáticos (precipitações, temperatura...) e hidrológicos (lençóis freáticos epidérmicos e nascentes, pH das
águas, tempo de ressecamento dos solos...). E o potencial ecológico. Ele estuda por si mesmo e não sob
aspecto limitado de um simples lugar (...). Pode-se admitir que existe, na escala considerada, uma sorte de
“Contínuo” ecológico no interior dum mesmo geossistema, enquanto a passagem de um geossistema a outro
é marcada por uma descontinuidade de ordem ecológica.
Para ele, o geossistema está em estado de climax quando há um equilíbrio entre o potencial
ecológico e a exploração biológica. Como o potencial ecológico e a exploração biológica são dados
instáveis, que variam no tempo e no espaço, são comuns geossistemas em desequilíbrio bioclimáticos.
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BORSATO, V. A.; SOUZA FILHO, E. E.
Ação antrópica, alterações nos geossistemas, variabilidade climática: contribuição ao problema.
Para uma compreensão a respeito de Geossistema e seus componentes, é necessário voltar-se ao
objetivo, pois ele direcionará a resposta. Seus elementos devem ser considerados de acordo com o seu
valor num dado momento histórico, o clima, a hidrografia, o solo, a vegetação e, sobretudo, o
componente antrópico. Todos devem ser considerados na análise.
Os componentes necessariamente considerados deixam de ter características próprias. O que
fundamenta a análise é o caráter da inter-relação, causas e evolução dos componentes e dos fluxos de
energia que propulsionam os geossistemas. A energia liberada ou acrescida é uma resposta a qualquer
alteração que se processa extra ou intra geossitêmica.
As ações antrópicas modernas têm dinamizado os geossistema a tal ponto que as inter-relações
entre os componentes têm gerado fluxos de energia não assimilados pelos componentes; gerando, dessa
forma, desequilíbrios. Podem ser considerados também, que a energia excedente está sendo
disponihilizada ao meio ambiente global, e o aquecimento geral da atmosfera pode ser uma das
conseqüências.
Como o clima é o componente dos geossistemas que mais transcendem os seus limites, tem sido
o objeto de maior preocupação de inúmeras instituições ligadas ao meio ambiente. Os Propósitos da
Convenção Sobre Mudança do Clima (C&T Brasil 2003), exemplificam esta preocupaçao:
1. “Efeitos negativos da mudança do clima” significam as mudanças no meio ambiente físico ou biota
resultantes da mudança do clima que tenham efeitos deletérios significativos sobre a composição, resistência
ou produtividade de ecossistemas naturais e administrados, sobre o funcionamento de sistemas
socioeconômicos ou sobre a saúde e o bem-estar humano.
2. “Mudança do clima” significa uma mudança de clima que possa ser direta ou indiretamente atribuída à
atividade humana que altere a composição da atmosfera mundial e que se some áquela provocada pela
variabilidade climática natural observada ao longo de períodos comparáveis.
3. “Sistema climático” significa a totalidade da atmosfera, hidrosfera, biosfera e geosfera e suas interações.
4. “Emissões” significam a liberação de gases de efeito estufa e/ou seus precursores na atmosfera numa área
específica e num período determinado.
5. “Gases de efeito estufa” significam os constituintes gasosos da atmosfera, naturais e antrópicas, que
absorvem e reemitem radiação infravermclha.
6. “Organização regional de integração econômica” significa uma organização constituída de Estados
soberanos de uma determinada região que tem competência em relação a assuntos regidos por esta
Convenção ou seus protocolos, e que foi devidamente autorizada, em conformidade com seus procedimentos
internos, a assinar, ratificar, aceitar, aprovar os mesmos ou a eles aderir.
7. “Reservatórios” significam um componente ou componentes do sistema climático no qual fica
armazenado um gás de efeito estufa ou um precursor de um gás de efeito estufa.
8. “Sumidouro” significa qualquer processo, atividade ou mecanismo que remova um gás de efeito estufa,
um aerossol ou um precursor de um gás de efeito estufa da atmosfera.
9. “Fonte” significa qualquer processo ou atividade que libere um gás de efeito estufa, um aerossol ou um
precursor de gás de efeito estufa na atmosfera. (C&T Brasil 2003)
Os objetivos estabelecidos pela Convenção sobre Mudança do Clima também reforçam a idéia
de que o clima é um componente do sistema terrestre a responder às agressões antropogênicas e natural, e
que as eventuais modificações nos demais componentes são conseqüências.
Por essa razão, justifica-se a preocupação em abordar as idéias de Sotchava (1978), que
considera as conexões e não os componentes em si e por si. Ou seja, devem ser consideradas as inter-
relações assim como também as interações que, quando alteradas, poderão desencadear fluxos de energia
que, em condições dinâmicas habituais, eram potencialmente engendradas pelos próprios geossistemas.
A energia liberada e acumulada no sistema global comanda a dinâmica do sistema planetário, ou
seja, as trocas de energia (calor) entre as zonas da Terra. As correntes oceânicas, os ventos alísios e
contra-alísios, os ciclones extratropicais, as correntes convectivas. são exemplos, entre outros, de como a
energia disponibilizada no meio é consumida”.
A ação antrópica está acrescentando ou redirecionando a energia nos geossistemas que, por sua
vez, está liberando ao meio essa energia. Assim, as alterações climáticas globais, parecem ser as
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conseqüências mais significativas neste momento histórico. O objetivo principal da Convenção Sobre
Mudanças do Clima, além de reforçar a idéia de que o clima é o componente do sistema que, neste
momento, mais preocupa as autoridades governamentais (C&T Brasil 2003).
O objetivo final desta Convenção (Convenção Sobre Mudanças do Clima) e de quaisquer
instrumentos jurídicos com ela relacionados que adotem a Conferência das Partes é o de alcançar, em
conformidade com as disposições pertinentes desta Convenção, a estabilização das concentrações de
gases de efeito estufa na atmosfera num nível que impeça uma interferência antrópica perigosa no sistema
climático. Esse nível deverá ser alcançado num prazo suficiente que permita aos ecossistemas adaptarem-
se naturalmente à mudança do clima, que assegure que a produção de alimentos não seja ameaçada e que
permita ao desenvolvimento econômico prosseguir de maneira sustentável. (C&T Brasil 2003).
Há um grande questionamento a respeito de ser possível a redução da emissão de gases de efeito
estufa na atmosfera. E duvidoso que seja possível a produção de bens e alimentos em quantidade e
qualidade suficiente para garantir o mínimo de qualidade de vida para uma população crescente sem que
os geossistemas sejam modificados. E para finalizar, em uma utilização sustentável pode ser
implementada em um geossistema em resistásia.
O homem precisa, necessariamente, conhecer profundamente as interações que se processam no
interior dos geossistemas para, a partir de então, poder atuar de forma sustentável e sem agravar a
degradação do meio.
Diante das idéias expostas, um conceito que deverá ganhar corpo neste princípio deste século é o
da entropia, aplicado aos sistemas terrestre. Sem pretensões de aprofundar na questão, parece oportuno,
principalmente diante das intensas agressões que o meio ambiente vem sofrendo.
Ao se analisarem as degradações ambientais, como resultado do estado de energia disponível no
meio, ou seja, o estado de desordem em que a energia se encontra que é medida por uma quantidade
conhecida por entropia. Para a Física, quanto maior é o estado de desorganização, tanto maior é a
entropia, quanto menos intensa for a desorganização, menor é a entropia. É essa a preocupação: seis
bilhões de seres humanos “consumindo” energia e aumentando a energia, essa transformada a partir da
agropecuária, da queda d’água, da combustão dos combustíveis fósseis e da energia retirada do átomo.
Aparentemente a dissipação da energia tende a provocar um aumento da entropia. O componente
que responde quase que simultaneamente é o clima, que, por sua vez, causará “desordem” nos demais
componentes. Um exemplo disso é a possibilidade de mudanças climáticas derivadas do aumento de CO2
na atmosfera. A variabilidade climática, por se tratar de parâmetro possível de ser mensurado, é um dado
muito interessante e possível de ser investigado, inclusive à grandeza de um geossistema.
Se numa dada região for constatado que a amplitude térmica anual teve alterações, os dias com
registros de precipitações diminuíram, as chuvas se tornaram mais intensas em cada episódio, a
velocidade do vento aumentou em determinados meses, admite-se a ocorrência de tornado pela primeira
vez no sul do Brasil; a temperatura no verão está mais alta, a umidade relativa do ar também se mostra
alterada, é possível que tais modificações desencadeiam fluxos de energia que afetam outros elementos do
geossistema, e aumenta o estado de desorganização, ou seja, aumentam a entropia do sistema. Como
causa ou como conseqüência, as alterações no clima são cada vez mais evidentes e as alterações
manifestadas ou desencadeadas são motivos de preocupação de pesquisadores e autoridades.
Com todo o desenvolvimento tecnológico disponibilizado, a geografia não conseguiu dar conta
satisfatoriamente. Embora a climatologia brasileira se desenvolveu bastante a partir da rica e vasta
produção de Monteiro, que introduziu, no Brasil, a Climatologia Moderna.
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Ação antrópica, alterações nos geossistemas, variabilidade climática: contribuição ao problema.
Para Sant’Anna Neto (2002), por uma Geografia do Clima, considera-se que o paradigma
perseguido pela climatologia brasileira, a partir de Monteiro através da análise rítmica, em 40 anos no
Brasil, produziu um grande volume de trabalhos, agora, aliado ao desenvolvimento computacional entre
outras ferramentas tecnológicas, possibilitou, pela primeira vez na história, de se obter uma visão da Terra
em escala planetária, como um planeta orgânico. Começou-se a perceber que o clima, mais do que um
fato, é uma teoria, que, longe de funcionar de acordo com uma causalidade linear herdada da concepção
mecanicista de um universo regulado como um relógio, “... se expressa num quadro conjuntivo ou
sincrônico à escala planetária, num raciocínio ao qual ainda não estamos acostumados”. Sant’Anna Neto
(2002) considera que:
As concepções aceitas até hoje não são mais suficientemente esclarecedoras para a explicação de um
universo “caótico” e “desordenado”. As novas revelações a respeito das teorias do caos e da catástrofe
podem, ao que tudo indica, ser capazes de trazer à tona antigos problemas de ordem conceitual que foram
incapazes de explicar, em toda a sua magnitude, o complexo funcionamento dos fenômenos atmosféricos e
permitir, sob novas perspectivas, a compreensão da dinâmica climática completamente inimaginável sob as
amarras metodológicas de uma ciência que ainda procede de modo simplista e que anda tão necessitada de
reformulações teóricas condizentes com estes novos espíritos científicos. Neste final de século, acrescenta o
autor, nenhuma postura investigadora parece ser mais acertada do que a busca de uma nova razão para um
novo conhecimento. Todo o esforço realizado nas últimas décadas, nos vários campos da ciência, tem
provocado inevitáveis reformulações teóricas, que têm convergido em uma tendência universal de busca de
uma concepção transdisciplinar, que exige uma postura mais radical para a compreensão do que Monteiro
(1991) chama de “imensa desordem das verdades estabelecidas”.
Sant’Anna Neto (2002), ao considerar uma Geografia do Clima, propôs um novo paradigma,
Geografia do Clima, também preocupado com as respostas que poderão se desencadear com o avanço na
conquista e na ocupação do território. Veja as considerações do autor:
Neste contexto, à medida que o modo de produção capitalista avança na conquista e na ocupação do
território, primordialmente como um substrato para a produção agrícola e criação de rebanhos e,
posteriormente, erguendo cidades, expandindo o comércio, extraindo recursos naturais e instalando
indústrias, ou seja, ao se apropriar da superfície terrestre, este se constitui no principal agente produtor do
ambiente. Como este ambiente é “vivo” e regulado por processos e dinâmicas próprias, responde às
alterações impostas pelo sistema, resultando em níveis de produção dos ambientes, naturais e sociais, dos
mais variados.(...), a análise geográfica do clima que se tem praticado se sustenta a partir do tripé ritmo
climático — ação antrópica – impacto ambiental. A análise episódica comparece como fundamento básico
no desenvolvimento da Climatologia Geográfica que tenta dar conta da explicação, da gênese e dos
processos de natureza atmosférica intervenientes no espaço antropizado. Entretanto, esta análise não tem sido
suficientemente esclarecedora dos mecanismos de feedback, nem das projeções futuras que deveriam ser
incorporadas nas propostas de gestão e monitoramento dos fenômenos atmosféricos.
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resposta pode estar no geoprocessamento, ferramenta cuja aplicação se amplia a cada dia. Não é exclusiva
de uma determinada área, está disponível a todos os pesquisadores e planejadores do meio físico.
O número de pesquisadores que utilizam o Sistema de Informação Geográfica (SIG) é cada vez
maior, e o campo de atuação se amplia. Novas tecnologias são disponibilizadas. A parcela da população a
ter acesso às ferramentas computacionais também se amplia. Ao que parece imutável é a consciência de
uma parcela da população; de um lado os grandes empresários que na busca do lucro selvagem e
irracional e do outro os consumidores e não consumidores desprovidos de conhecimentos não se
conscientizam sobre as questões das alterações que se processam no meio natural em função dos
desequilíbrios causados pela ação antrópica.
8. Considerações finais.
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223
Desafios para Mitigação
de Impactos das Ações
Antrópicas no Cerrado
Eny Duboc
Rui Fonseca Veloso
Introdução
O Brasil é considerado um dos países de maior diversidade biológica,
pois abriga cerca de 10 % das formas viventes no planeta, de um total
de aproximadamente 15 milhões de espécies (MYERS et al., 2000). Ou
seja, 1,5 milhão de espécies, entre vertebrados, invertebrados, plantas
e microrganismos.
60 4.000
3.500
50
3.000
40
Produtividade (kg/ha)
Milhões de hectares
2.500
30 2.000
1.500
20
1.000
10
500
0 0
2000/01
1990/91
1980/81
2001/02
1991/92
1981/82
2003/04
1989/90
1993/94
2005/06
1979/80
1983/84
1995/96
1996/97
2002/03
1985/86
1986/87
1992/93
1997/98
1998/99
1976/77
1982/83
1987/88
1988/89
1977/78
1978/79
2004/05
1994/95
1984/85
1999/2000
2006/07*
2007/08*
Safra
C-Oeste - Área Sudeste - Área Sul - Área BRASIL - Área * Previsão
C-Oeste - Yield Sudeste - Yield Sul - Yield BRASIL - Yield CONAB
Fig. 1. Evolução da área plantada e da produtividade de grãos em algumas regiões e no
Brasil.
Fonte: Duboc e Veloso (2008).
7.000.000
2003/2004
6.000.000 2004/2005
2005/2006
5.000.000 2006/2007
2007/2008
Milhões de ha
4.000.000
3.000.000
2.000.000
1.000.000
0
Paraná São Minas Goiás Mato Mato Sub-total
Paulo Gerais Grosso Grosso
do Sul
Estado
8.000
Área (1000 ha) Produtividade (kg/ha) Produção (1000 toneladas)
7.000
6.000
5.000
4.000
3.000
2.000
1.000
0
2000/01
1990/91
1980/81
2001/02
1991/92
1981/82
2003/04
1993/94
1999/2000
2005/06
1979/80
1983/84
1989/90
1995/96
1996/97
2002/03
1985/86
1986/87
1992/93
1997/98
1998/99
1976/77
1982/83
1987/88
1988/89
1977/78
1978/79
2004/05
1994/95
1984/85
2006/07*
2007/08*
Vários fatores têm sido apontados como responsáveis pela alta mundial
nos preços dos alimentos. Entre eles, vale ressaltar os seguintes: o
impacto da alta do petróleo no agronegócio, em particular no transporte
e nos fertilizantes; a elevação dos preços de outras matérias-primas,
como o minério de ferro, usado na produção de aço, base para a
fabricação de tratores e outros bens; e o descompasso entre as
quantidades ofertadas e demandadas de produtos, que ocorreu no atual
ciclo de prosperidade global, situação geradora de problemas segundo
os analistas de mercado (FUCS, 2008) (Fig. 4).
(%) 250
213 220
193
200
150
92
100
50 39
0
Cereais Óleos e Carne Leite Açúcar
gorduras
Consideram que a alta dos preços dos alimentos abre uma oportunidade
para grandes países produtores como o Brasil, mas ao mesmo tempo
têm um efeito desastroso para dezenas de países importadores,
principalmente os menos desenvolvidos (FUCS, 2008).
1
MDC – Metro de Carvão: unidade de medida equivalente à quantidade de carvão que pode ser
contida em um metro cúbico.
Desafios para Mitigação de Impactos das Ações Antrópicas no Cerrado 17
4.000.000
3.000.000
2.500.000
Produção (t)
2.000.000
1.500.000
1.000.000
500.000
0
1991
2001
1992
2002
2004
1990
1994
2000
1993
1996
1997
2003
1998
1999
1995
Ano 2005
350 milhões de toneladas por ano para quase 700 milhões de toneladas
de minério de ferro (BRITO, 2008).
Meio ambiente
Embora dois terços da superfície da Terra sejam cobertos de água,
apenas 1 % é apropriada para beber ou ser usada na agricultura e na
indústria; o restante corresponde à água salgada dos mares (97 %) e
ao gelo nos pólos e no alto das montanhas. Uma em cada três pessoas
não dispõe desse líquido em quantidade suficiente para atender às
suas necessidades básicas. As maiores reservas de água subterrâneas
existentes no mundo distribuem-se entre vários países, o primeiro em
extensão, aqüífero Arenito Núbia, distribui-se pelo subsolo de quatro
países – Líbia, Egito, Chade e Sudão. O aqüífero Guarani, segundo em
extensão, é dividido entre Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai.
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