Modulo de Hist de Moçambique Ate o Séc - Xv....
Modulo de Hist de Moçambique Ate o Séc - Xv....
XV
Índice
APRESENTAÇAO DO MÓDULO....................................................................................................4
Objectivos Gerais................................................................................................................................5
Habilidade de Estudo..........................................................................................................................5
Apoios Extras.....................................................................................................................................6
Avaliação............................................................................................................................................6
Capitulo I
A PROBLEMÁTICA DO ESTUDO DA HISTÓRIA DE MOÇAMBIQUE NO PERÍODO
ANTERIORÀ 1500 A.C........................................................................................................7
Introdução............................................................................................................................7
Objectivos:...........................................................................................................................7
1.1 A questão das fontes para o período...................................................................................7
1.2. Os tipos de fontes...........................................................................................................8
1.3 Fontes da História de Moçambiue....................................................................................10
Resumo..............................................................................................................................11
Actividades..........................................................................................................................11
Capítulo II
MOÇAMBIQUE NO PERÍODO DOS PRIMEIROS CAÇADORES.......................................13
Introdução.........................................................................................................................13
Objectivos:........................................................................................................................13
2.1 À volta da teoria sobre a origem do Homem.....................................................................13
O monogenismo e o poligenismo................................................................................13
2.2. Evolução do género humano na África Oriental e Austral.................................................14
2.3. Moçambique terá conhecido os primeiros homens?..........................................................14
2.3. Localização das estações arqueológicas em Moçambique..................................................16
Resumo..............................................................................................................................17
Actividades........................................................................................................................17
Capítulo III
ORGANIZAÇÃO SOCIAL DAS COMUNIDADES DE CAÇADORES E
RECOLECTORES.............................................................................................................18
Introdução........................................................................................................................18
Objectivos........................................................................................................................18
3.1 A caça como actividade dominante................................................................................18
3.2. As primeiras manifestações religiosas e culturais...........................................................20
3.3. Os paineis rupestres em Moçambique...........................................................................22
Resumo...........................................................................................................................22
Actividades.....................................................................................................................23
Capítulo IV
O POVOAMENTO DE MOÇAMBIQUE E OS PRIMEIROS ESTADOS BANTU (Séc. III/IV -
XV)............................................................................................................................24
Introdução...................................................................................................................24
Objectivos....................................................................................................................24
4.1. Fixação Bantu e as primeiras sociedades sedentárias em Moçambique até século
VII............................................................................................................................24
4.2 Teorias de expansão bantu e rotas na África Austral e Oriental...................................25
Rotas da expansão........................................................................................................27
4.3 O processo migratório e a fixação Bantu...................................................................28
4.4 Da economia de caça e recolecção à economia agrícola..............................................29
Resumo......................................................................................................................29
Actividades.................................................................................................................30
Capítulo V
CONSEQUÊNCIAS DO POVOAMENTO BANTU: SITUAÇÃO POLÍTICA, ECONÓMICA,
SOCIAL E CULTURAL............................................................................................31
Introdução...............................................................................................................31
Objectivos................................................................................................................31
5.1.Sistematização da agricultura em Moçambique.......................................................31
A natureza das células de produção............................................................................31
5.2 O impacto da agricultura sobre a organização social...............................................32
Capítulo VI
FORMAÇÃO DOS PRIMEIROS ESTADOS DE MOÇAMBIQUE E O COMÉRCIO COM OS
ÁRABES (Séc. IX a XV).................................................................................................37
Inntrodução....................................................................................................................37
Objectivos......................................................................................................................37
6.1. Impacto do comércio nas sociedades de agricultores…..................................................37
6.2 Os primeiros contactos mercantís em Moçambique.......................................................38
A Penetração mercantil Árabe, Persa e Indiana.......................................................38
Factores da penetraçao Árabe-Persa.......................................................................39
6.3 Comércio regional e de Longa Distância ....................................................................40
6.4Primeiros Estados de Moçambique.............................................................................41
6.4.1 O Estado do Zimbabwe.........................................................................................42
6.4.2 O Estado de Mweneputapa......................................................................................45
6.4.3 O Estado Marave...................................................................................................47
Resumo.........................................................................................................................51
Actividades...................................................................................................................51
Bibliografia...................................................................................................................53
APRESENTAÇAO DO MÓDULO
O módulo de História de Moçambique até ao século XV, abrange uma das etapas cursais da história
do país e visa procurar, de forma especial, apresentar os factos mais relevantes, desde as comunidades
primitivas (de caçadores-recolectores) até ao surgimento das comunidades de agricultores e pastores.
A história apresentada no módulo para o período em alusão aparece duma forma sequenciada,
procurando sempre estabelecer os factos desde os primórdios da humanidade, o surgimento do
Homem, os primeiros habitantes da região austral de África, incluindo Moçambique, a fixação bantu
e suas inovações até ao surgimento dos primeiros Estados.
Para facilitar a compreensão fácil e rápida, apresentamos uma linguam simples que poderá ser
complementada com as ilustrações que ao longo do módulo poderão ser encontradas. Outro sim,
aconselhamos ao caro estudante a consulta de outras obras que abordam a história do país no período
antes da chegada dos portugueses no século XV.
O Módulo está dividido em seis (6) capítulos, dos quais o primeiro faz referência a problemática do
estudo da história de Moçambique no período anterior à 1500 a.d,; o segundo diz respeito a
Moçambique no período dos primeiros caçadores. No terceiro capítulo aborda-se a organização social
das comunidades de caçadores e recolectores; no quarto, o povoamento de Moçambique e os
Primeiros Estados Bantu (séc. III/IV - XV).
No quinto capítulo são abordadas as consequências do povoamento bantu: situação política,
económica, social e cultural. E por fim, no sexto capítulo debruça-se a formação dos primeiros
estados de Moçambique e o comércio com os árabes (séc. IX a XV).
Objectivos Gerais
Pretende-se com o módulo de História de Moçambique até ao século XV, que o estudante seja
capaz de:
O presente módulo foi concebido para todos os estudantes dos cursos de licenciatura em
ensino de História, no centro de formação à distância do Instituto Superior Mutassa, bem
como para o público que o considere interessante.
Habilidade de Estudo
Caro estudante, o ensino à distância requer de si um grande interesse pelo estudo, porque é um
“Auto Didacta”. Neste sentido, terá de criar um horário de estudo que lhe dá possibilidade de
estudar o módulo pelo menos cinco horas por semana.
No fim de cada unidade será necessário que se elabore uma síntese da informação linda para a
compreensão dos conteúdos.
Apoios Extras
A base do estudo é este módulo, mas pode complementar as suas pesquisas com os materiais
que poderá encontrar em diversas bibliotecas e sites na internet.
Avaliação:
Capitulo I
A PROBLEMÁTICA DO ESTUDO DA HISTÓRIA DE MOÇAMBIQUE NO PERÍODO
ANTERIOR À 1500 A.D.
Introdução
Para o estudo da história de Moçambique recorre-se em várias fontes. Dependendo do período
específico de estudo da história do actual território (Moçambique), existe a predominância de
determinados tipos de fontes que devem ser conhecidos e os problemas com eles relacionados de
forma a aferir a autenticidade da verdade histórica do respectivo período.
A carência de fontes escritas, sobretudo no período antes da penetração portuguesa, influencia de
forma inevitavelmente ao aproveitamento de fontes arqueológicas, orais e de outra natureza.
Objectivos:
No final deste capítulo, o estudante deverá ser capaz de:
Definir fonte histórica;
Analisar criticamente a questão das fontes para o estudo da história de Moçambique no
período até ao século XV;
Descrever as fontes recorridas para o estudo deste período.
Descrever os estudos desenvolvidos em relação ao período.
A história nova alargou o campo do documento. Por exemplo, os historiadores positivistas usaram
essencialmente textos escritos (manuscritos) ou impressos, que lhes permitiam fazer uma história de
factos e de personalidades.
Porém, como tadas as fontes históricas, sejam elas orais, escritas arqueológicas ou de outra natureza,
elas nos mostram apenas uma parte da realidade do passado. Deste modo, a fonte oral acaba sendo
aquela que é mais disponível. A realidade do passado, no seu todo, só pode ser conhecida e/ou estar-
se próximo dela se se fizer confrontação de maior número possível de fontes.
A origem da escrita data do III milénio a.C. Somente a partir deste período se tornou possível recorrer
a esta fonte. A raridade desta representa o principal problema para a historiografia, principalmente a
africana.
Em relação a estas fontes, historiadores são divergentes no que tange à sua importância. Uns
defendem que a história é feita de fontes escritas, excluindo certas regiões e períodos, onde a escrita
apareceu com os primeiros povos estrangeiros, isto é, tudo aquilo que constituiu vestígio humano,
desde utensílios até aos desenhos. Cossa (2005:10).
As fontes escritas foram sempre as mais preferidas dos historiadores para o seu trabalho, sobretudo na
corrente positivista.
Segundo Nhapulo (2013:17), a pesquisa história requer o alargamento do seu campo de acção, isto é,
tudo aquilo que permanece do passado até ao presente capaz de ser assimilado pelo historiador deverá
ser comparado com outros vestígios ou indícios desse passado, num encadeamento lógico, capaz de
se incluir numa sucessão. Assim sendo, as fontes escritas não são o único tipo de fontes nem tão
pouco as preferenciais à partida.
Há vários tipos de fontes escritas: manuscritas, impressas e epigráficas. As primeiras são aquelas
quando são redigidas com letra manuscrita, as segundas, quando são redigidas em letra impressa, e, as
últimas quando são inscrições gravadas em pedra ou noutros suportes.
Fontes Orais
Os historiadores (feiticistas da escrita) negam a validade das fontes orais. Os funcionalistas
caracterizam-nas como mitos e os cronófilos defendem que a ausência da cronologia dificulta o
encadeamento dos factos. As fontes orais são a transmissão oral de acontecimentos. Podem assumir a
forma de lendas, contos, fábulas, etc.
Heródoto e outros historiadores da Antiguidade como, Homero, no desconhecimento dos meios e
modernos métodos de investigação histórica, utilizavam unicamente as fontes orais. Assim, a
perspectiva temporal destes historiadores era muito curta. Apoiados apenas de nos testemunhos
directos dos acontecimentos, não tinham um longo alcance dos acontecimentos ou factos na
reconstituição do passado histórico.
Para a reconstituição da História do nosso país, as fontes orais têm um papel relevante e dominante.
Contudo, é necessário certo cuidado na utilização destas fontes. A fonte oral deve ser submetida a um
tratamento apropriado com vista a apurar a verosimilhança histórica, por exemplo:
O questionamento a vários intervenientes de um mesmo acontecimento e posteriormente
confrontar os resultados;
Sobre o assunto transmitido pela via oral, tentar encontrar fontes escritas e/ou materiais;
Apesar da sua grande importância, existem divergências quanto ao seu posicionamento. Para Clark
Wissler e James Deetz, a antropologia é a ciencia do estudo do homem e a arqueologia o seu ramo.
Estas fontes têm dado uma valiosa contribuição aos historiadores, em especial, os africanos, devido a
carência de outros tipos de fontes. A sua existência não invalida a utilização de testemunhos, pois as
lacunas de uma podem ajudar a preencher as lacunas da outra e, também, porque cada uma das fontes
apresenta informações diferentes, complementando-se deste modo.
As fontes arqueológicas apresentam-se de diversas formas, desde os artefactos dos restos materiais
__nomenclatura (crenças, cultos, mitos) e tipologia (facas, raspadores, tigelas, etc.).
Os estudos dos testemunhos arqueológicos eram antes validados pela observação cuidadosa no lugar
e das camadas da terra em que eram encontrados. Nos últimos anos, esta situação melhorou graças ao
uso da técnica de datação pelo (Carbono 14). Trata-se de um método químico através do qual se
O carbono 14 é uma componente de dióxido de carbono que, aquando da morte de uma planta ou
animal, se desintegra a uma velocidade fixa. O método de datação pelo carbono 14 aplica-se a
amostras de ossos, plantas, madeiras, etc., em decomposição ou fossilizados (reduzidos a restos ou
vestígios).
O período anterior ao século XV,as fontes escritas são raras. Para o estudo da história de
Moçambique antes da chegada dos portugueses tem se limitado quase exclusivamente aos escritos
árabes que, na realidade, fazem referência a zona costeira que vai do norte de Moçambique até à
regiao de Sofala. Para este período, historiadores têm se socorrido de testemunhos arqueológicos que
precisam ser enriquecidos com mais trabalhos.
A História de Moçambique é feita com recurso a vários tipos de fontes, com maior destaque para as
fontes orais. Contudo, elas, tal como as outras, apresentam muitas limitações.
Após a chegada dos portugueses, começou a haver muita informação em documentos escritos. Esta
documentação é ricaem descrições etnográficas, epopeias dos militares e viajantes portugueses. A
descrição das suas audácias nas guerras com os reinos e estados então existentes na região de
Moçambique, com pouco registo sobre as lutas populares contra os portugueses.
Resumo
Heródoto e outros historiadores da Antiguidade como, Homero, no desconhecimento dos meios e
modernos métodos de investigaçao histórica, utilizavam unicamente as fontes orais. Assim, a
perspectiva temporal destes historiadores era muito curta. Apoiados apenas de nos testemunhos
directos dos acontecimentos, não tinham um longo alcance dos acontecimentos ou factos na
reconstituição do passado histórico.
Para a reconstituição da História do nosso país, as fontes orais têm um papel relevante e dominante.
Contudo, é necessário certo cuidado na utilização destas fontes.
Após a chegada dos portugueses, começou a haver muita informação em documentos escritos. Esta
documentação é ricaem descrições etnográficas, epopeias dos militares e viajantes portugueses.
Capítulo II
MOÇAMBIQUE NO PERÍODO DOS PRIMEIROS CAÇADORES
Introdução
Na perspectiva de compreender o surgimento e vida dos homens, várias são as teorias abordadas
pelos historiadores. Trata-se de teorias que, na sua abordagem sobre a origem do Homem, não
deverão ser encaradas de forma influenciada pelas concepções, pelo contrário, é de extrema
importância para o desenvolvimento de uma capacidade crítica sobre elas.Pretende-se com este
capítulo, descrever as teorias que explicam a origem do Homem (o monogenismo e o poligenismo).
Outro sim, pode se perceber outras interpretações sobre o surgimento do homem e o modo como este
ocorreu no que diz respeito às transformações sucessivas que levaram ao Homem separar-se dos
símios.
Objectivos:
Explicar a origem do Homem na perspectiva das teorias (monogenismo e politeismo);
Descrever o processo da evolução do Homem na África Oriental e Austral.
Localizar as estações arqueológicas em Moçambique
Os antepassados directos do homem eram os primatas, semelhantes aos actuais símios que habitavam
nas árvores das florestas tropicais da África Oriental. Há 8 milhões de anos, uma profunda mudança
do clima tranformou as florestas em savanas com pouca vegetação, o que obrigou os símios a
adaptarem-se à vida no solo: conseguiram erguer-se e correr, apoiados nas patas traseiras, a fim de se
defenderem melhor dos predadores. Foi assim que com eles iniciou-se o lento processo de
hominização, isto é, a evolução que havia de conduzir ao homem actual.
Poligenismo – é uma teoria que defende a existência de origem distinta para as diferentes raças
humanas. Do grego pólenes (de vários géneros + ismo). Segundo esta teoria, as actuais raças
humanas teriam sido originadas em função de várias espécias humanas.
De qualquer forma, importa analisar estas duas teorias de forma a apurar a verdade histórica sobre a
origem do homem. Associado a estas duas visões diferentes, encontram-se as teorias da criação e da
evolução da espécie humana.
Na visão criacionista, acredita-se literalmente no relato bíblico da criação não só da terra em seis
dias normais de 24 horas cada, como também do próprio homem feito à imagem e semelhança de
Deus, tendo sido dado o domínio sobre as outras criaturas da Terra, incluindo a própria Terra.
Segundo a teoria de evolução de Charles Drwin, sustentas-se a origem do homem a partir de matéria
abiótica, ou seja, sem vida, e que, ao reproduzir-se,se foi transformando em diferentes formas de vida,
inclusive a humanidade. De acordo com a teoria evolucionista, toda esta sucessão de coisas e
fenómenos aconteceu sem ter havido uma direccão inteligente ou sem ter havido uma intervenção
sobrenatural.
Segundo Reis (1999:25),"é difícil datar com precisão o aparecimento do ser humano. Porém, os
restos ósseos e outros vestígios encontrados na África, sobretudo em Tanzania, Quénia, Africa do
Sul, Etiópia, levou os historiadores a considerar essa região do planeta como sendo o berço da
humanidade e, admitirem que os mais antigos membros da família humana, os antigos hominídeos,
poderao ter vivido há cerca de 2 milhões ou mais de anos".
Antes do povoamento bantu, grande parte do actual Moçambique era habitado por povos nómados –
os Khoi-khoi e san. O primeiro grupo era constituído por pastores e o segundo, por caçadores e
recolectores. Estes dois grupos nómados juntaram-se e formaram um único grupo que se chamou
Khoisan.
Os Khoisan foram os primeiros povos que habitaram Moçambique há muitos e longos anos. Vestígios
da sua permanência no nosso território chegaram até nós sob a forma de pinturas rupestres e
artefactos de pedra lascada.
Os Khoisan eram excelentes caçadores, conhecedores dos diferentes métodos de caça e de pesca.
Viviam em pequenos grupos nómados, habitando próximo das rochas, nas cavernas ou em cabanas
feitas de capim.(Nhampulo, 2013:34).
Há cerca de 10.000 anos a costa de Moçambique já tinha o perfil aproximado do que apresenta hoje
em dia: uma costa baixa, cortada por planícies de aluvião e parcialmente separada do Oceano
Índico por um cordão de dunas. Esta configuração confere à região uma grande fertilidade,
ostentando ainda hoje grandes extensões de savana onde pululam muitos animais indígenas. Havia,
portanto condições para a fixação de povos caçadores-recolectores e até de agricultores.
Entre o primeiro e quarto século d.C, povos falantes da lingua Bantu migraram do norte através do
vale do Rio Zambeze passando gradualmente para os planaltos e as áreas costeiras. Os Bantu eram
agricultores e ferreiros.
Estudos arqueológicos continuam a trazer novos dados sobre a presença de povos falantes bantu de
diferentes tradições no território moçambicano. As estações arqueológicas são testemunho da
presença de vários grupos populacionais que ao longo das diversas épocas se estabeleceram em
Moçambique.
Durante o tempo colonial, o antropólogo R. dos Santos Júnior fez o primeiro relato sobre Manyikeni
depois da visita realizada em 1935. Em 1961, Lereno Barradas, membro da Comissão Nacional de
Monumentos e Relíquias de Moçambique, considerou as ruínas como sendo os vestígios de um
entreposto do comércio ligado ao Grande Zimbabwe que foi construído pelos portugueses. Durante
muitos anos, pensou-se que o Grande Zimbabwe tinha sido construído por estrangeiros. Hoje
existem provas inequívocas que foi uma obra da população local, os antepassados dos Shonas.
Resumo
Os Khoisan foram os primeiros povos que habitaram Moçambique há muitos e longos anos. Vestígios
da sua permanência no nosso território chegaram até nós sob a forma de pinturas rupestres e
artefactos de pedra lascada. Os Khoisan eram excelentes caçadores, conhecedores dos diferentes
métodos de caça e de pesca. Viviam em pequenos grupos nómados, habitando próximo das rochas,
nas cavernas ou em cabanas feitas de capim.
Entre o primeiro e quarto século d.C, povos falantes da lingua Bantu migraram do norte através do
vale do Rio Zambeze passando gradualmente para os planaltos e as áreas costeiras. Os Bantu eram
agricultores e ferreiros.
Capítulo III
ORGANIZAÇÃO SOCIAL DAS COMUNIDADES DE CAÇADORES E RECOLECTORES
Introdução
As comunidades cinegéticas e recolectoras de tecnologia lítica remotam cerca de 1200 anos as suas
presenças na África Austral e subsistiram em Moçambique, até ao primeiro milenio d.C. Ocupavam
as savanas dos rios Zambeze e Limpopo, chegando até ao Índico, a leste do rio Zambeze.
Objectivos
No final deste capítulo, o estudante deverá ser capaz de:
Explicar a organização social das comunidades de caçadores e recolectores.
Descrever as principais actividades nas comunidades de caçadores e recolectores.
Descrever as primeiras manifestações religiosas e culturais.
Comunidades cinegéticas e recolectoras de tecnologia lítica remotam cerca de 1200 anos as suas
presenças na África Austral e subsistiram em Moçambique, até ao primeiro milenio d.C. Ocupavam
as savanas dos rios Zambeze e Limpopo, chegando até ao Índico, a leste do rio Zambeze.Seus
vestígios foram encontrados em diversas estaçoes arqueológicas, das quais se destaca a de Massingir,
pois, apresenta uma sequencia de diversos estágios líticos.
A colecta era uma actividade que exigia um conhecimento de plantas comestíveis, do habitat dos
animais perigosos, dos meios de protecção contra o perigo dos animais e uma preparação física
para a caminhada. Era uma actividade praticada pelas mulheres. Dedicavam-se à apanha de bagos,
ervas, resina, raízes bulhosas, cáules subterrâneos.
_____________________________
Cultura e Sociedade, vol.1, p.23
A caça era uma actividade exclusivamente para os homens, pois exigia força, conhecimento técnico e
mágico. Caçavam toupeiras das dunas, coelhos, pássaros, lagartos, tartarugas, entre outros animais.
Usavam lanças envenenadas (veneno retirado de cobras e plantas), utensílios de corte, raspagem,
perfuraçao, tendo alguns deles sido adaptados com recurso a cabos, artefactos de arremesso e retalho.
Para o seu fabrico eram usados o osso, a pedra, a madeira, a fibra e o marfim.
As mulheres assumiam um papel importante no abastecimento alimentar do grupo. As crianças e os
velhos ficavam no acampamento e realizavam as tarefas mais leves.
À medida que os alimentos escasseavam, eram obrigados a fazer grandes caminhadas a mudar para
outros locais, daí dizr-se que eram nómados.
Como se pode notar, todos os membros da comunidade trabalhavam, por isso, no fim do dia, os
grupos reuniam-se pra proceder a divisao do produto de trabalho por igual. Assim sendo, nao havia
deferenciaçoao social.
Estes grupos estavam organizados em famílias alargadas. Os mais velhos eram os mais respeitados,
devido à sua experiencia. Porém, tinham as mesmas obrigaçoes e direitos que os outros membros da
cominidade. Dirigiam a caça, a divisão dos produtos, resolviam problemas e orientavam as
cerimónias religiosas.
As populações costeiras faziam o uso de objectos de baro. As conchas marinhas e os ovos de avestruz
perfurados serviam como objectos de adorno. São associadas a este grupo populacional as pinturas
repestres e gravações em rocha, localizadas na zona planáltica do interior (Manica, Tete, Namputa e
Niassa). Pintavam e gravavam a fauna selvagem local, caçadores com arcos e flechas. Estas pinturas,
entre a idade da pedra e a idade dp ferro, altura da penetração Bantu, eram feitas de ocre escuro,
laranja, castanho e vermelho. Esta arte prolongou-se até a chegada dos Bantu e ao aparecimento de
novos traços de cor branca e associados à agricultura.
Tais cultos eram assistidos por especialistas como os swikiros que deviam conhecer profundamente a
história genealógica dos Mwenemutapas (caso do centro de Moçambique); estes contavam a história
do império e memorizavam os acontecimentos relativos à história dos familiares dos chefes e a sua
sucesseção.
O ansião mais velho das mushas era conhecido por mukuru ou (mwenemusha). As residencias
desses chefes constituiam-se em centros com funçoes centrais; (mandlakazi ou manjacaze) entre os
ngunes. Estes centros resumiam-se em residencias dos chefes ou fortificados ou ainda capitais.
Grande parte dos conflitos sociais nestas comunidades era originada por crença na feitiçaria, a acção
dos feiticeiros e dos curandeiros contra feiticeiros, que resultavam nas coersões morais e políticas e
nas dependências familiares. As relações entre as pessoas no seu dia-a-dia, a forma como os homens
se relacionavam com a natureza e as incertezas às quais estavam sujeitos os membros destas
comunidades criavam tensões que encontravam expressão figurada na feitiçaria.
3.3. Os paineis rupestres em Moçambique
As grandes quantidades de gravuras e pinturas rupestres na região Austral, encontram-se no planalto
limitado pelos vales do Orange e Val. Milhares de pinturas rupestres encontraram-se nas paredes dos
abrigos dos montes do Drakensberg.
Em Moçambique, as pinturas repestres e gravações em rocha, localizadas na zona planáltica do
interior de Manica, Tete, Namputa e Niassa. Pintavam e gravavam a fauna selvagem local, caçadores
com arcos e flechas. Estas pinturas, entre a idade da pedra e a idade do ferro, altura da penetração
Bantu, eram feitas de ocre escuro, laranja, castanho e vermelho. Esta arte prolongou-se até a chegada
dos Bantu e ao aparecimento de novos traços de cor branca e associados à agricultura.
As pinturas mais recentes da região pensa-se terem pertencido aos Khoisan, povos que habitavam a
região antes da fixação bantu.
Resumo
As comunidades cinegéticas e recolectoras de tecnologia lítica remotam cerca de 1200 anos as suas
presenças na África Austral e subsistiram em Moçambique, até ao primeiro milenio d.C. Ocupavam
as savanas dos rios Zambeze e Limpopo, chegando até ao Índico, a leste do rio Zambeze.Seus
vestígios foram encontrados em diversas estaçoes arqueológicas, das quais se destaca a de Massingir,
pois, apresenta uma sequencia de diversos estágios líticos.
Capítulo IV
O POVOAMENTO DE MOÇAMBIQUE E OS PRIMEIROS ESTADOS BANTU (Séc. III/IV -
XV).
Introdução
Em Moçambique, a certeza que temos é que a expansão bantu ocorreu como resultado do
conhecimento da agricultura e do processo de fabrico de instrumentos com recurso ao ferro.
Evidências desse processo têm sido reveladas em diversas estações arqueológicas na Matola, em Xai-
Xai, Vilanculos (Chibuene e Bazaruto), Bajone (na Zambézia), Monapo e outras estações
arqueológicas da provícia de Nampula.
No nosso país, embora se realizem vários trabalhos arqueológicos, persistem lacunas nos diversos
estudos até aqui realizados. Mesmo assim, a nossa arqueologia assume um papel importante nas
novas descobertas e nos novos debates que se vao realizando.
Objectivos:
Até ao final deste capítulo, o estudante deverá ser capaz de:
Descrever o processo da fixação Bantu em Moçambique;
Explicar as causas da expansão Bantu;
Explicar as teorias sobre a expansão Bantu e rotas na África Austral e Oriental;
Descrever as actividades económicas dos Bantu;
Identificar a organização social destes povos.
Segundo Impuia, 2010:91, os Bantu constituem povos que utilizavam o mesmo vocábulo (bantu)
para designar homens (no plural), sendo muntu (o singular). Segundo o linguista alemao Bleek, entre
1856 a1869, estes povos falavam línguas aparentes (cerca de 300 línguas).
A palavra "bantu" tem uma conotação exclusivamente linguística e surgiu entre 1862, com o linguista
alemão Bleek, para assinalar o grau de parentesco de cerca de 300 linguas, as quais utilizavam esse
vocábulo para deignar homens (singular muntu). Não existe, pois uma raça bantu.
Entre o primeiro e o quinto séculos d.C., ondas migratórias de povos de línguas bantus vieram de
regiões do oeste e do norte de África através do vale do rio Zambeze e depois, gradualmente,
seguiram para o planalto e áreas costeiras do país. Esses povos estabeleceram comunidades
ou sociedades agrícolas baseadas na criação de gado. Trouxeram com eles a tecnologia para extração
e produção de utensílios de ferro, um metal que eles usaram para fazer armas para conquistar povos
vizinhos.
Foi assim que surgiu uma economia mista – agricultura, pastorícia e trabalho em ferro, tendo
levado as comunidades a fixarem-se em períodos relativamente longos, num determinado local,
originando as diferentes especializações em ramos de produção, o aumento da produção e a
necessidade de uma melhor organização da sociedade. Assim, nascia uma nova organização
política e económica, com tendencias para a centralização do novo tipo de podr político
emergente.
Rotas da expansão
O estudo arqueológico sobre o povoamento da regiao é limitado. Outras sim, algumas hipóteses têm
sido avançadas, em particular, a existência de duas rotas de penetração e de povoamento.
As populações Bantu teriam atravessado o rio Rovuma em direcção ao sul, ocupando
progressivamente as terras do interior até ao rio Zambeze.
A segunda via situava-se nos planaltos do interior africano, tendo um grupo de populações
contornado o lago Niassa, pelo sul e povoado as terras para o norte, iniciando pelos planaltos e,
posteriormente as planícies costeiras dos vales dos rios Lúrio e Lugenda.
Entre as causas que levaram os Bantu a abandonar a sua região de origem, encontramos as seguintes:
O alargamento do deserto de sahara,
O crescimento da população,
A difusão da tecnologia do ferro e,
A prática da agricultura e criação de gado.
Evidências da presença dos Bantu em Moçambique sao reveladas por diversas estações
arqueológicas de Chibuene, Bazaruto, Bajone e Monapa.
Os antepassados dos Bantu viveram a.n.e., numa região entre os rios Ubangui e Chari, na África
Ocidental.Dedicavam-se a recolecção, a caça, cultivo de inhamne e a criaçao do gado bovino e
caprino.
Como consequência do aumento da população na região, houve o deslocamento de parte desta para
outras regiões. O norte é árido, o leste e o oente encontravam-se ocupados por outros povos, restando-
lhes o sul. Porém encontravam uma grande barreira florestal, por isso, os Bantu tiveram que se dividir
As novas condições de vida exigiamutensílios diferentes dos udsados pelos caçadores nómados. O
aperfeiçoamento dos istrumentos de trabalho e da introdução do ferro, reflectiu–se igualmente no
aumento da produtividade e, por conseguinte, a acumulaçao de excedentes.
Nas sociedades moçambicanas, a economia era baseada na cultura de cereais (mapira e mexoeira) no
sul. Ao norte do rio Limpopo até ao rio Zambeze, cultivavam eleusina e naxemim, enquanto que no
norte do Zambeze, alé das vculturas já citadas, cultivavam o arroz e usavam instrumentos
rudimentares: enxada de cabo curto, catana e paus.
Resumo
A palavra "bantu" tem uma conotação exclusivamente linguística e surgiu entre 1862, com o linguista
alemão Bleek, para assinalar o grau de parentesco de cerca de 300 linguas, as quais utilizavam esse
vocábulo para designar homens (singular muntu). Não existe, pois uma raça bantu.Entre o primeiro e
o quinto séculos d.C., ondas migratórias de povos de línguas bantus vieram de regiões do oeste e do
norte de África através do vale do rio Zambeze e depois, gradualmente, seguiram para o planalto e
áreas costeiras do país. Esses povos estabeleceram comunidades ou sociedades agrícolas baseadas na
criação de gado. Trouxeram com eles a tecnologia para extração e produção de utensílios de ferro, um
metal que eles usaram para fazer armas para conquistar povos vizinhos.
Entre o primeiro e o quinto séculos d.C., ondas migratórias de povos de línguas bantus vieram de
regiões do oeste e do norte de África através do vale do rio Zambeze e depois, gradualmente,
seguiram para o planalto e áreas costeiras do país. Esses povos estabeleceram comunidades
ou sociedades agrícolas baseadas na criação de gado. Trouxeram com eles a tecnologia para extração
e produção de utensílios de ferro, um metal que eles usaram para fazer armas para conquistar povos
vizinhos. As cidades moçambicanas durante a Idade Média (século V ao XVI) não eram muito
robustas e pouco restou delas, como o porto de Sofala.
Objectivos:
No final deste capítulo, o estudante deverá ser capaz de:
Descrever as principais actividades económicas resultantes da fixação Bantu;
Descrever o impacto da fixação Bantu no que concerne a situação política, social e cultural.
Constatando de que se podia criar riqueza com a acumulação e posterior venda de excedentes, houve
uma tendência para o surgimento das sociedades de exploração. O exercício de tarefas nao
produtivas por umgrupo reduzido da população, sobretudo as chefias e o aparecimento de excedentes,
contribuiram para o surgimento da exploração do Homem pelo Homem. (Nhapulo, 2013:44).
É claro que a prática da agriculturta requeria relações de produção e práticas organizadas com certa
sistematização e permanência. Se por um lado o parentesco constituia um sistema das relações de
produção, por outro ele era o conjunto de laços que uniam geneticamente (por filiação ou
descendência ou ainda, voluntariamente por aliança ou pacto de sangue) certo número de indivíduos.
O parentesco é essencialmente uma relação e nunca coincide completamente com consanguinidade,
isto porque, com o parentesco biológico, cada indivíduo teria efectivamente um número muito
elevado de parentes.
No fundo desde que se rebuscassem de forma profunda, as raizes de cada um dos membros de uma
sociedade, em particular nas sociedades pequenas, chegar-se-ia a conclusão de que todas as pessoas
sao parentes, pois, na prática, o número de parentes de um indivíduo duplicaria em cada geraçao e
todos aqueles que descendem de um ramo ou de outro destes múltiplos pares de avós seriam parentes,
o que é verdade.
Para que o parentesco possa ser um princípio lógico de classificação quer de uns indivíduos em
relação aos outros, quer dentro de cada grupo de parentes e de um grupo de parentes em relaçao a
outro grupo no seio da sociedade, é necessário que nem todos os consangíneos sejam conhecidos
como tal.
Considera-se linhagem um grupo de parentes que descendem de um antepassado comum através de
uma filiação paterna ou materna. Nas sociedades moçambicanas, faziam parte de linhagem também
os parentes que entravam por casamento e que constituiam elementos indispensáveis para a
população e reprodução biológica.
A linhagem era conhecida como uma entidade autónoma na sociedade. Cada linhagem era dirigida
por um chefe com poderes político, jurídico e religioso. O chefe da linhagem era coadjuvado por um
conselho de anciãos. O conjunto dos chefes das linhagens e dos clãs formava a aristocracia
dominante, enquanto que as comunidades aldeãs (camponeses e artífices) constituiam a classe dos
subjugados e súbditos.Não obstante, a diferença de linhagem matrilinear ou patrilinear, em
ambas as comunidades aldeãs, as funções políticas eram exercidas pelos homens; daí que ambas
sao consideradas maxistas.
Verifica-se que dentro das linhagens e das famílias alargadas nas primeiras sociedades, cristalizavam-
se as políticas das relações de produção. À frente de cada linhagem ou famíla alargada estava um
chefe com poderes políticos, jurídicos e religiosos e com um conselho de anciãos. As funções
políticas eram exercidas pelos homens. Sendo a terra património da linhagem ou da família, cabia ao
chefe a sua distribuição e estabelecer relações e alianças de matrimónio (pelo lobolo no sul de
Moçambique).
Moçambique é um país com uma rica diversidade cultural. As unidades políticas que se formaram ao
longo dos tempos nesta região, bem como as atribuições etnolinguísticas que fazem parte do mosaico
etnolinguístico moçambicano, resultaram de um longo processo de mudanças que tiveram lugar há
séculos atraz. As mudanças de culturas e identidades começaram a ser notadas só no século XVI.
Ainda hoje, os grupos etnolinguísticos continuam a falar suas línguas nestas zonas, com a excepção
do Nguni. Os Nguni (minoria) foram sistematicamente perceguidos e por isso, adaptaram-se
facilmente à maioria, que geralmente era bilingue. Os Nguni do vale do Limpopo fundiram-se com os
Tsonga e os Nguni da Angónia, com os Chewa Nyanja. (Nhapulo, 2013:50).
Resumo
Nas comunidades primitivas a terra era património da comunidade, onde todos tinha acesso dela, mas
cabia aos membros seniores "chefias", a sua distribuiçao e o controlo pela correcta exploração.Aos
poucos, com o aumento da produção, houve o excedente, isto é, quando a produçao era maior do que
o necessário para o consumo. Muitas vezes esses excedendes eram trocados com outras comunidades
por outros produtos, ou por outros valores, como moedas, metais, etc.
Constatando de que se podia criar riqueza com a acumulaçao e posterior venda de excedentes, houve
uma tendência para o surgimento das sociedades de exploração. O exercício de tarefas nao produtivas
por um grupo reduzido da populaçao, sobretudo as chefias e o aparecimento de excedentes,
contribuiram para o surgimento da exploraçao do Homem pelo Homem.
Capítulo VI
FORMAÇÃO DOS PRIMEIROS ESTADOS DE MOÇAMBIQUE E O COMÉRCIO COM OS
ÁRABES(Séc. IX a XV).
Inntrodução
Nas comunidades primitivas onde os homens dependiam excusivamente da natureza para a sua
sobrevivência, nao existia a forma de organização de "Estado". As comunidades estavam organizadas
em clãs. Os membros do clã eram dirigidos com base nas normas consuetudinárias, onde os mais
velhos é que eram os guardiões dos costumes e autoridade.
Nas comunidades de agricultores, com o aparecimento do excedente e das classes sociais, começa a
surgir a necessidade de um aparelho de coacçao – o Estado, ao serviço dos mais privilegiados.
No presente capítulo, far-se há uma abordagem sobre o impacto do comércio nas sociedades de
agricultores e, o surimento dos primeiros Estados em Moçambique.
Objectivos:
Explicar o impacto do comércio nas sociedades de agricultores;
Muitos chefes começaram a apoderar-se dos excedentes de produção e, usavam-nos como moeda de
troca por outros bens. Foi nesta base que começam a surgir sinais de diferenciação social e, o
surgimento do comércio.
Por exemplo, na fase de penetração mercantil estrangeira, o contacto com os mercadores asiáticos,
contribuiu para o desenvolvimento de trasformações económicas, culturais, políticas e religiosas.
A nível cultural – a presença asiática pode ser notada na maneira de vestir, uso de brincos no
nariz, nas construções, nos casamentos, no enterramento dos mortos, na língua, na religião.
A partir do século XVII, novos povos chegaram a Sofala, dos quais os Persas, que trocavam
missangas da Índia e tecido de algodao por escravos, marfim, carapaças de tartaruga, ambar, ouro,
cera, resina e caurim. (Cossa & Mataruca, 2005:78).
Este comércio exigia o conhecimento dos ventos monçónicos, da bússola e permitia ligar a costa
africana, o Mar Vermelho e o Golfo Pérsico.
A intensificação da presença estrangeira de origem asiática e, no século XV, dos europeus, com
destaque para os portugueses, contribuiu para a fixação de um número significativo da população
indiana, a partir de 1686, quando o vice-rei português da Índia promoveu a migração dos primeiros
"baneanes" (mercadores hindus oriundos de Surrate e de Cambaia) da companhia comercial em DIU
e a fixação na Ilha de Moçambique, controlando o comércio a grosso e a retalho de fazendas da Ásia.
Factores económicos
Desde há vários tempos os árabes foram excelentes comerciantes. No século VIII, Moçambique
apresentou-se como um bom mercado tanto para a venda de produtos árabes como para a compra
de produtos africanos.
Factores ideológicos
O pressuposto da necessidade de expandir a fé islâmica com vista a converter mais fieis. Os
Árabes também se expandiram para Moçambique com motivações de difundirem o Islão.
Marcas de uma progressiva fixação de mercadores árabes ao longo da costa oriental maçambicana
datam do século IX, motivados por interesses comerciais. Populações vindas do Golfo Pérsico
estabeleceram-se em Quelimane e Ilha de Moçambique. A presença dos árabes em território
moçambicano teve repercursões que, numa primeira fase, tiveram uma expressão comercial.
Registou-se uma melhoria na arte de navegação, na criação de entrepostos comerciais, na definição
dos produtos a produzir e a comercializar, o aparecimento de outros povos prontos para o comércio.
Para além dos Árabes, em meados do século XII, desenvolveu-se o comércio com Indonésios. Os
produtos comercializados com estes povos eram a pele de leopardo, as carapaças de tartaruga e
alguns escravos.
De acordo com Al-Idrisi, comerciantes indianos e chineses também frequentaram a costa oriental
africana, comercializando com as ilhas Comores e atingindo pontos no interior, como Siuna, sede do
Sofala, porventura a Vila de Sena, situada no vale de
Zambeze._____________________________________
Aurélio Rocha, Moçambique, História e Cultura, p.28
No século XI, com o declínio do comércio do ouro, cresceu a procura do marfim em Manica, Quiteve
e Sofala. Esta nova procura de novos produtos criou novos ciclos de produçao. Se no primeiro
momento se vivia o ciclo do ouro, passou-se depois para o ciclo do marfim.
Para além dos produdos já mencionados, os outros que eram muito procurados como: instrumentos
de ferro, de ambar, de chifres de rinoceronte e de carapaças de tartaruga, cereais, carnes,
frutos e vegetais.
Estado é uma palavra de origem latina que significa status, modo de estar, uma determinada situação
ou condição. Segundo o dicionário Houaiss, o Estado é considerado "conjunto de instituiçoes
(governo, forças armadas, funcionalismo público, etc.) que controlam e administram uma naçao";
país soberano com uma estrutura própria e politicamente organizado.
O Estado pode ser visto como uma organização política, social e jurídica regida por uma lei mãe, a
constituição escrita representando um território definido, chefiado por um governo com uma
soberania reconhecida nacional e internacional.
O surgimento dos primeiros Estados em Moçambique, tal como em muitas outras partes, está
associado ao surgimento da diferenciação social resultante da sedentarização do homem, sobretudo
com a criação de excedentes. O Estado nasce como uma máquina da classe dominante, cujo objectivo
é garantir a manutenção do domínio desta sobre a sociedade.
Nas comunidades primitivas nao existia Estado. Todos trabalhavam e o produto final era distribuido
de forma mais ou menos igual por todos os membros da comunidade. Não havia diferenciação social,
sendo assim, não havia qualquer classe dominante como o Estado.
Com o surgimento do excedente de produção, muitos chefes ao apoderarem-se deste, usara-no como
moeda de troca por outros bens, iniciando deste modo os primeiros sinais de diferenciação social.
Para defenderem os seus interesses, os chefes criaram equipas de pessoas para administrar e organizar
a sociedade em seu próprio benefício. Foi assim que nasceia o Estado.
Origem
No que diz respeito ao Estado do Zimbabwe, arqueólogos estabeleceram que os povos de lingua
shonapodem ter sido os responsáveis pelas tradições da Idade Ferro recente surgidas entre rios
Zambeze e Limpopo.
O Estado do Zimbabwe notabilizou-se pela sua grandeza, onde para além das habitaçoes dos
soberanos nos madzimbabue, existiam cerca de 150 outras ruínas na regiao entre rios Zambeze e
Limpopo. É o caso de Manyikeni, no actual distrito de Vilanculos, Provincia de Inhambane.
O poder político e económico consentrava-se na capital conhecida por Grande Zimbabwe, onde vivia
o rei, ligado a diversas madzimbabuwe (pequenas casas de pedra) regionais onde viviam os chefes
provinciais.
Segundo Nhapulo, 2013:61,"Grande parte da literatura histórica refere que o Estado do Zimbabwe
existiu há aproximadamente entre 1250 e 1450. Tomou o nome de Zimbawe porque, na capital e
noutros centros de poder, os chefes faziam rodear as suas habitações de amuralhados de pedra
conhecidos por madzimbabwe - singular de zimbabwe".
Habitantes
Nos primeiros séculos da nossa era, o planalto do Zimbabwe era habitado pelos Karanga, grupo
bantu que falava shona. Foram os karanga que fundaram o reino do Zimbabwe, entre os rios Zambeze
e Limpopo.
Entre os karanga do planalto do Zimbabwe desenvolveu-se uma aristocracia no seio das famílias
alargadas, clãs e tribos. A população produzia os excedentes e os chefes armazenavam-nos e
organozavam as tarefas produtivas.
Actividades económicas
actividade que era praticada maioritariamente pelas mulheres. Na pastorícia, criava-se o gado bovino,
carneiros e cabras. Pensa-se que os camponeses pagavam seus tributos ou impostos em cabeças de
gado.
No comércio, faziam-se trocas de produtos entre populaçoes de várias aldeias. Entre as populaçoes
trocavam-se essencialmente cereais, gado, sal, objectos de adorno (missangas e conchas) e
intrumentos de ferro.
Organização Política
O Estado do Zimbabwe era liderado por um rei. Abaixo do rei se encontravam os velhos, fundadores
das famílias. A administração das minas era directamente controlada pelos funcionários do rei. A
administração das culturas e gado era feita localmente pelos respectivos anciãos.
Decadência
Das causas que estiveram por detrás da queda o Estado do Zimbabwe, se podem destacar as de ordem
político-militar, económica, naturail e social.
Causas político-militares
___ A implantação em Sofala de uma autoridade colonial político-militar por Portugal, em 1505;
___ Em 1507, Portugal instala na Ilha de Moçambique uma autoridade semelhante a de Sofala.
Causa económica
Causa natural
___ A seca. O rio Save, que atravessa a meio o Estado do Zimbabwe, começa a secar.
Causa Social
___ As lutas internas agudizaram-se pela ância de poder, o que conduziu a instabilidade social.
6.4.2 O Estado de Mweneputapa
Origem
O Estado Mwenemutapa foi formadoporNyantsimba Mutota entre 1440 e 1450, na sequência da
invasão e conquista do norte do planalto zimbabweano pelo seu exército. Este Estado desenvolveu-se
entre os rios Luia e Mazoe, tendo submetido os Tonga, não falantes da lingua shona. Teve uma
extensão máxima territorial que ia desde o deserto do Kalahari até ao Índico e do rio Zambeze ao
Limpopo.
Mutota, das tribos shona e do clã Rozwi, juntamente com seu guerreiros e familiares fixaram-se e
ocuparam a região de Dande, no vale do Zambeze. Da ocupação formaram um novo reino, mais
precisamente entre os rios Mazoé e Luia, tendo igualmente dominado as populações pré-existentes.
Actividades económicas
A principal actividade económica era a agricultura. As principais culturas produzidas eram cereiais
como a mapira, mexoeira e o naxenim. Ao longo dos rios e, sobretudo na zona costeira cultivava-se o
arroz. A pecuária, a pesca e a caça e actividades artesanais, surgiram como actividades
complementares da agricultura.
De acordo com relatos da época, o Império Mwenemutapa era muito rico em ouro. Desenvolveram-se
actividades de mineração e o comércio de metais preciosos.
OrganizaSócio – política
A aristocracia dominante (que se confundia com a família reinante e este com o Estado),
controlava o comércio a longa distância, dirigia a vida da sociedade e;
O chefe máximo do Império Mutapa era o Mwenemutapa, também designado por Mambo. Era o
soberano, representante supremo de todas as comunidades, cuja administraçao era apoiada por um
corpo de funcionários espalhados pelo vasto Estado. Esta estrutura, contava com o apoio das três
mulheres do soberano e com funcionários de corte – os mutumes ou ínfices.
O território estava dividido em unidades que se podem designar por provincias, sob a chefia de um
Fumo ou encosse. As provincias integravam por sua vez um conjunto de comunidades (musha), à
frente das quais se encontrava um Mukuru(Mwenemusha), que era um chefe natural.
O tributo podia ser cobrado em bens (produtos agrícolas, peles de leão e de leopardo, penas de
avestruz, caça de pequenos e grande porte, etc.), ou em trabalho.
O Mwenemutapa vivia no núcleo central que governava directamente entre os rio Luia e Mazoe. Este
era rodeado por vários estados vassalos (Sedanda, Quissanga, Quiteve, Manica, Bárue, Butua, além
de outros mais no interior), dirigidas por parentes dos mwenemutapas.
Origem
O Estado Marave formou-se entre 1200 – 1400, com a chegada de povos provenientes de Luba do
Congo, ligados pelo clã Phiri;ocupavam a região situada ao norte do rio Zambeze, entre o rio Chire e
Luangua.
Conflitos dinásticos levaram a desagregaçao dos Caronga, tendo Undi (irmão de Caronga) se
estabelecido a oeste e submetido os Cheua no norte de Tete e os Ngsenga, enquanto Kaphwiti e
Lundu dominaram o vale do Chire.
Limites
Norte: Malawi
Sul: rio Zambeze
Este: Rio Luangua
Oeste: Rio Chire
O Estado Marave possuia como estados satélites: Undi, Lundu, Kaphwiti e Biwi. Todos estes
estados onde o aparelho do Estado se confundia com a família reinante, eram governados por
membros oriundos do clã original Phiri. O termo Marave designa várias formações etnolinguísticas.
Uma característica importante é que todos os povos da região, embora apresentem hoje uma grande
diversidade de línguas (do grupo de Bantu sul-central, das famílias ciNyanja, ciYao e eMakuwa)
tem como forma de organização da sociedade a matrilineariedade, ou seja, a transmissão dos poderes
"mágicos" e da propriedade - do próprio "poder" - é feita por casamento com a mulher da linhagem
que o detém.
Actividades Económicas
A principal actividade económica dos povos Maraves era a agricultura e o comércio a longa
distância. Pode-se aceitar que a mapiraera era o cereal mais cultivado entre o Chire e Luangua.
Cultivava-se o milho, mexoeira, amendoim, leguminosas, etc.
A agricultura era itinerante sobre queimadas, sendo a enxada de cabo curto como único instrumento
utilizado. No estado Marave, para a produção agrícola havia uma forma de cooperação entre os
camponeses designada por Dima, que previa entre outros aspectos garantir maior produção e
productividade. É certo que os Maraves produziam e comercializavam as enxadas da metalurgia. Por
outro lado, havia uma produção considerável de tecidos de algodão para troca, designadas por
“Machiras”.
Um outro produto saído do território Marave era o Sal e há evidências de que ele era adquirido por
mercadores Ajauas e Bisa.
Tal como sucedia no império de Mwenemutapa e das linhagens satélites, as classes dominantes
dependiam para a sua reprodução de duas fontes: Tributos diversos como o comércio do marfim, o
qual representava para os soberanos Maraves o mesmo que o ouro para os soberanos Chona.
No caso do estado dos Undi, a classe dominante recebia tributos regulares e tributos rituais. Os
súbditos eram obrigados a trabalhar regularmente nas terras dos chefes, a construir casas para a
classe dominante e assegurar a manutenção da capital. Como tributos rituais, havia as primícias das
colheitas e as taxas devidas ao facto de os chefes orientarem as cerimónias mágico religiosas.
Recebiam igualmente tributos de vassalagem que incluíam penas vermelhas de certos pássaros,
marfim, peles de leão e de leopardo, partes comestíveis de outros animais, tributo de trânsito dos
comerciantes designado por Mororo e primícias das colheitas.
O aparelho político do Estado Marave era complexo. Porém, tomemos o exemplo do Estado Undi,
cujos territórios abrangiam a actual província de Tete.
Todavia, há que salientar que cada chefe era servido por um conjunto de conselheiros os mbili,
singular ambili. Havia igualmente um corpo de funcionários subalternos como mensageiros e guarda
do chefe.
Diferentemente dos Mwenemutapas a sul do Zambeze, os Maraves a norte dominaram o seu território
através da absorção e adaptação da ideologia local, acompanhado com o casamento com mulheres
nativas, promovendo o controlo sobre a esfera ideológica.
No Estado Marave, todos os chefes estavam ligados por laços de parentesco. Os membros da aldeia,
os Mwene Mudzi eral geralmente membros seniores das matrilinhagens locais, sendo o núcleo
matrilinear básico designado por bele, formado pela mulher, por suas irmãs casadas e ou solteiras,
filhos não casados, filhos das irmãs e por incorporação pelo marido da mulher e pelos maridos das
filhas da mulher.
Ideologia
As crenças mágico-religiosas do Estado Marave eram destinadas a evocação das chuvas, a fertilidade
das terras, ao controlo das cheias. Esses cultos eram dedicados a entidades supremas como era o culto
do Muári ou Muáli, o culto de Chissumpi, que era a veneração de espíritos naturais e o culto de
Makewana.
A penetração dos Caronga-Phiri não foi violenta de tipo militar. Foi, no entanto, seguida de absorção
gradual dos cultos nativos. O gradual domínio dos territórios através da absorção e adaptação da
ideologia local, foi acompanhado pela prática de casamentos com mulheres dos clãs nativos. Em
alguns casos, o Undi casava com a irmã do chefe local, dando-lhe em troca uma das suas irmãs para
ser esposa.
Assim, podemos concluir que enquanto a sul do Zambeze a ocupação territorial de Nhatsimba Mutota
foi essencialmente de natureza militar, a norte do Zambeze a ocupação territorial dos Maraves se fez
pela conquista da esfera ideológica expressa nos santuários e nos rituais. A aristocracia dominante
Caronga era obrigada a casar-se com as mulheres saídas do clã Banda (clã originário da região
ocupada pelos Caronga).
O declínio das rotas comerciais Marave que iam até à costa, substituídas desde fins do século XVI por
duas rotas controladas pelos mercadores Ajauas pode ter constituído um dos factores que minou o
poder das dinastias Phiri, juntamente com dissensões dinásticas e uma fragmentação linhageira
intensa.
Por outro lado a decadência dos Estados Marave, no século XVI foi intensificada pela penetração de
mercadores no fim do século XVIII. Alguns deles acabaram casando-se com a filha de Undi reinante
e começou a sua vida como prospector de Ouro, utilizando mulheres escravas.
Há que ter ainda em conta a invasão dos Nguni provenientes do movimento M`fecane, um extenso
movimento de migrações encetadas na Zululândia devido as lutas violentas interlinhagens.
Outro factor a ter em conta na decadência dos Estados Marave está certamente associado à penetração
mercantil portuguesa no vale do Zambeze a partir de 1530 e ao bloqueio feito á penetração Swahili-
Árabe.
Podemos ter ainda como causa da decadência deste Estado, os conflitos no seio da classe dominante
Marave pelo poder que acelerou a desintegração das linhagens dirigentes.
Resumo
O Estado pode ser visto como uma organizaçao política, social e jurídica regida por uma lei mae, a
constituiçao escrita representando um território definido, chefiado por um governo com uma
soberania reconhecida nacional e internacional. O surgimento dos primeiros Estados em
Moçambique, tal como em muitas outras partes, está associado ao surgimento da diferenciaçao social
resultante da sedentarizaçao do homem, sobretudo com a criaçao de excedentes.
O Estado nasce como uma máquina da classe dominante, cujo objectivo é garantir a manutençao do
domínio desta sobre a sociedade.
Nas comunidades primitivas nao existia Estado. Todos trabalhavam e o produto final era distribuido
de forma mais ou menos igual por todos os membros da comunidade. Nao havia diferenciação social,
sendo assim, nao havia qualquer classe dominante como o Estado. Com o surgimento do excedente
de produção, muitos chefes ao apoderarem-se deste, usara-no como moeda de troca por outros bens,
iniciando deste modo os primeiros sinais de diferenciação social. Para defenderem os seus interesses,
os chefes criaram equipas de pessoas para administrar e organizar a sociedade em seu próprio
benefício. Foi assim que nasceia o Estado.
Bibliografia
KI-ZERBO, J. (coord). História Geral de África. Vol.1. S. Paulo, Ática, Paris, Unesco, 1982.
MARTINS, Almeida. O antigo Zimbabwe e as minas do rei Salomão. História. n° 11, 1979.
MORAIS, João Manuel e FERRÃO, Lívia. Contribuição para uma bibliografia sobre arqueologia e
pré-história de Moçambique de 0 a 1500. Maputo, Universidade Eduardo Mondlane. IICM, 1978.
Morais, João. Tentativa de definição de algumas formações socioeconómicas em Moçambique de 0 a
1500. UEM, FL, IICM – Centro de Estudos Africanos, 1978.
OLIVEIRA, Octávio Roza de. Gravuras e Pinturas Rupestres de Moçambique (pré-história de
Moçambique), [Moçambique]: [s.n., s.d.].