ISSN 1980-5098
Ci. Fl., Santa Maria, v. 33, n. 1, e67579, p. 1-24, jan./mar. 2023 • https://doi.org/10.5902/1980509867579
Submissão: 06/09/2021 • Aprovação: 1º/12/2022 • Publicação: 03/04/2023
Artigos
Efeitos de fatores ambientais sobre as assembleias de
formigas arborícolas e epigéicas na Floresta Estacional
Semidecidual
Effects of environmental factors on assemblages of arboreal and epigeic
ants in Seasonal Semideciduous Forest
Nathália Couto Romanelli LoboI , Larissa Miranda RibeiroI ,
Joabe Rodrigues PereiraI , Ângela Alves de AlmeidaI ,
Fábio Souto AlmeidaI
I
Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro, Seropédica, RJ, Brasil
RESUMO
O objetivo deste trabalho foi estudar os fatores que influenciam as assembleias de formigas arborícolas
e epigéicas em fragmentos da Floresta Estacional Semidecidual do Estado do Rio de Janeiro. A
amostragem das assembleias de formigas foi realizada em três fragmentos florestais no Município de
Paraíba do Sul e quatro no Município de Três Rios. Em cada remanescente florestal, 20 iscas de sardinha
e mel foram alocadas sobre o solo e a mesma quantidade foi pincelada sobre o tronco de árvores,
com as formigas sendo coletadas manualmente. Foram obtidas variáveis ambientais para verificar a
sua associação com a riqueza e a diversidade de espécies de formigas e com o número de guildas
nos remanescentes florestais. Foram coletadas 55 espécies de formigas, pertencentes a 20 gêneros.
A variável que mais influenciou a riqueza e a diversidade de espécies de formigas epigéicas foi o nível
de isolamento dos fragmentos florestais, explicando significativamente cerca de 68% da variação da
riqueza e aproximadamente 80% da variação da diversidade. O modelo matemático com as variáveis
nível de isolamento dos fragmentos, profundidade de serapilheira, circunferência do tronco de árvores
a altura do peito (CAP), luminosidade e área do fragmento, explicou mais de 99% da variação da riqueza
de espécies de formigas epigéicas (R²= 99,94%; F= 339,06; P= 0,04). A riqueza de formigas arborícolas
foi influenciada pela CAP (R²= 67,98%; F= 10,62; P= 0,02) e a diversidade de formigas arborícolas foi
afetada pela CAP e pelo tamanho dos remanescentes florestais (R²= 81,90%; F= 9,05; P= 0,03). Foram
observadas sete guildas de formigas, sendo a riqueza de guildas influenciada pela profundidade de
serapilheira e pela luminosidade (R²= 77,87%; F= 7,04; P= 0,05). A mirmecofauna da Floresta Estacional
Semidecidual é afetada pelas características da paisagem e da vegetação, relacionadas com o estágio
sucessional da floresta e a heterogeneidade ambiental.
Palavras-chave: Biodiversidade; Indicador biológico; Conservação da natureza
Artigo publicado por Ciência Florestal sob uma licença CC BY-NC 4.0.
2 | Efeitos de fatores ambientais sobre as assembleias de formigas ...
ABSTRACT
The present work aimed to study the factors that influence the assemblages of arboreal and epigeic
ants in fragments of the Seasonal Semideciduous Forest in the Rio de Janeiro State. The sampling of the
ant assemblages was carried out in three forest fragments located in the municipality of Paraiba do Sul
and four in the municipality of Três Rios. The sampling has carried out in each forest remnant with 20
baits (sardine and honey) allocated on the ground and brushed on the trunk of 20 trees, and the ants
being collected manually. Environmental variables were obtained to verify its association with the ant
species richness and diversity and with the number of guilds per forest remnant. In total, 55 ant species
were collected, belonging to 20 genera. The variable that most influenced the richness and diversity of
epigenic ant species was the level of isolation of forest fragments, which significantly explained about
68% of the richness variation and about 80% of the diversity variation. The mathematical model with
the variables level of isolation of the forest fragments, litter leaf depth, circumference of the tree trunk
at breast height (CBH), luminosity and forest fragment area, explained more than 99% of the epigenic
ant species richness variation (R²= 99.94%; F= 339.06; P= 0.04). The arboreal ant species richness was
significantly influenced by CBH (R²= 67.98%; F= 10.62; P= 0.02), and the arboreal ant diversity was affected
by CBH and the size of forest (R²= 81.90%; F= 9.05; P= 0.03). Seven ant guilds were observed, and the
number of guilds was influenced by litter leaf depth and luminosity (R²= 77.87%; F= 7.04; P= 0.05).
The myrmecofauna of the Seasonal Semideciduous Forest is affected by the landscape and vegetation
characteristics related to the successional stage of the forest and with environmental heterogeneity.
Keywords: Biodiversity; Biological indicator; Nature conservation
1 INTRODUÇÃO
À medida que a população humana cresceu, ocorreu o aumento da extração
de matérias-primas originadas da natureza, tendo triplicado a quantidade extraída
no mundo de 1970 a 2010 (ONU, 2016). Também houve o acréscimo da demanda
por áreas para a construção de habitações, para a produção agropecuária e demais
atividades antrópicas, afetando negativamente os ecossistemas naturais (ARRAES
et al., 2012; ALMEIDA et al., 2017). A supressão das florestas nativas resulta em uma
série de alterações negativas no meio ambiente, entre elas estão a redução dos
habitats e o isolamento de populações, consequentemente, ocorre a diminuição
do fluxo gênico, a perda de diversidade genética, o aumento da endogamia e a
redução do tamanho de populações, podendo levar espécies à extinção e ocorrer
a redução da biodiversidade (ALMEIDA et al., 2011; ALMEIDA; VARGAS, 2017).
Ci. Fl., Santa Maria, v. 33, n. 1, e67579, p. 2, jan./mar. 2023
Lobo, N. C. R.; Ribeiro, L. M.; Pereira, J. R.; Almeida, Â. A.; Almeida, F. S. | 3
No Brasil, um dos biomas mais afetados pelo avanço do desmatamento, oriundo
principalmente das atividades agropecuárias e da expansão das áreas urbanas, é a
Mata Atlântica, pois restam apenas 12,4% da floresta original (INPE, 2019). A faixa da
bacia hidrográfica do rio Paraíba no Estado do Rio de Janeiro teve a porcentagem do
território coberto pela Floresta Estacional Semidecidual reduzida e expressiva parcela
dos fragmentos de floresta remanescentes apresenta relevante nível de isolamento,
pequeno tamanho e considerável efeito de borda, contexto que ameaça a sua rica
diversidade biológica (SILVÉRIO NETO, 2014; SILVÉRIO NETO et al., 2015; LIMA, 2019).
Os efeitos causados pela supressão das florestas nativas e a sua fragmentação
sobre os fatores ambientais são diversos. A modificação da paisagem leva geralmente
à redução da complexidade estrutural do ambiente, afeta as comunidades de
plantas e gera alterações em fatores abióticos no interior das florestas, incluindo
alterações na radiação solar, temperatura e umidade relativa do ar (APOLINÁRIO et
al., 2019; MENDONÇA; VOLTOLINI, 2019).
As formigas (Hymenoptera: Formicidae) são sensíveis às alterações ambientais,
sendo indicadoras de qualidade ambiental (DANTAS et al., 2011; MARTINS et al.,
2011). Além disso, por serem indicadoras de diversidade biológica, são utilizadas
como organismos modelo para entender a influência de variáveis bióticas e
abióticas e das atividades antrópicas sobre a biodiversidade (APOLINÁRIO et al.,
2019; ESTRADA et al., 2019). Cabe ressaltar que os fatores ambientais podem afetar
as diferentes espécies de formigas de maneira variada, em função da diversidade
de hábitos alimentares, de nidificação e de locais de forrageamento observados
na família Formicidae. Assim, os fatores que influenciam de forma relevante as
formigas epigéicas podem ser diferentes daqueles que afetam a mirmecofauna
arborícola. Nesse sentido, a composição das guildas de formigas também pode ser
influenciada pelas variações ambientais (APOLINÁRIO et al., 2019).
A composição de espécies de formigas da Floresta Estacional Semidecidual do
Rio de Janeiro ainda é pouco conhecida, assim como são escassas as informações
Ci. Fl., Santa Maria, v. 33, n. 1, e67579, p. 3, jan./mar. 2023
4 | Efeitos de fatores ambientais sobre as assembleias de formigas ...
sobre os fatores que influenciam as comunidades de formigas arborícolas e epigéicas
nessas florestas. Tais informações podem auxiliar na compreensão das mudanças
que ocorrem na biodiversidade a partir das alterações ambientais provocadas pelo
ser humano e são úteis para a criação de estratégias que visam proteger a diversidade
biológica. Assim, o objetivo do presente trabalho foi estudar a influência de fatores
ambientais sobre as assembleias de formigas arborícolas e epigéicas em fragmentos
da Floresta Estacional Semidecidual representativos da região de estudo. Além disso,
foi avaliada a influência dos fatores ambientais sobre a riqueza de guildas de formigas.
2 MATERIAIS E MÉTODOS
O levantamento de dados foi realizado em fragmentos florestais localizados
nos municípios de Paraíba do Sul e Três Rios, pertencentes à Mesorregião Centro
Sul-Fluminense do Estado do Rio de Janeiro. No Município de Três Rios o clima é
classificado como mesotérmico, com verão quente e chuvoso, apresentando em
média 1.300 mm de chuva por ano, com temperatura máxima de 37,4ºC e mínima
de 14,4ºC (GOMES et al., 2013). O município de Paraíba do Sul apresenta o clima
subtropical úmido a subtropical subúmido, com média de 1.264,7 mm de chuva por
ano, com o período de maior ocorrência de chuvas sendo de dezembro a março
(MATOS, 2017). Nestes municípios as altitudes variam de 100 a 400 m (O ESTADO
DO AMBIENTE, 2011). A vegetação natural mais frequente no território de ambos os
municípios é a Floresta Estacional Semidecidual do Bioma Mata Atlântica (IBGE, 2019).
Entretanto, Paraíba do Sul e Três Rios apresentam respectivamente 27,56% e 25,54%
do território coberto por florestas nativas e a maior parcela de seus fragmentos
florestais apresenta entre 0,5 ha e 5,0 ha (SILVÉRIO NETO, 2014).
Com a ajuda de imagens aéreas, o tamanho e o nível de isolamento dos fragmentos
florestais utilizados para a coleta da fauna de formigas arborícolas e epigéicas foram
obtidos. O nível de isolamento foi obtido pela média aritmética das distâncias dos
três fragmentos florestais mais próximos dos remanescentes utilizados neste estudo.
Ci. Fl., Santa Maria, v. 33, n. 1, e67579, p. 4, jan./mar. 2023
Lobo, N. C. R.; Ribeiro, L. M.; Pereira, J. R.; Almeida, Â. A.; Almeida, F. S. | 5
Para a análise das imagens aéreas, foi utilizado o programa Google Earth Pro (2020),
utilizando-se o comando “régua” para medir as distâncias entre os fragmentos florestais.
Com o mesmo programa, o comando “adicionar polígono” foi utilizado para demarcar
cada fragmento florestal e obter a sua área. Foram escolhidos sete remanescentes
florestais representativos para realizar a coleta e análise das formigas arborícolas e
epigéicas: F1 (22º07’ S; 43º12’ O; 18.874 m2; 136,9 m de isolamento); F2 (22º10’ S; 43º16’
O; 62.453 m2; 131,2 m de isolamento); F3 (22º10’ S; 43º17’ O; 351.500 m²; 139,3 m de
isolamento ); (F4 (22º10’ S; 43º16’ O; 174.444 m2; 106,0 m de isolamento ); F5 (22º07’
S; 43º12’ O; 5.058 m2; 148,6 m de isolamento); F6 (22º07’ S; 43º09’ O; 40.568 m2; 87,2
m de isolamento); F7 (22º06’ S; 43º09’ O; 253.089 m2; 102,8 m de isolamento). Sendo
três remanescentes localizados no município de Paraíba do Sul (F2, F3 e F4), e quatro
localizados no município de Três Rios (F1, F5, F6 e F7). Esses remanescentes florestais
apresentam tamanho, nível de isolamento e forma que os tornam representativos
dos fragmentos florestais da região de estudo (SILVÉRIO NETO, 2014; SILVÉRIO NETO
et al., 2015). Além disso, no geral, os remanescentes escolhidos apresentam em seus
arredores expressivas áreas ocupadas por pastagens e, em menor parcela, por áreas
urbanas, além de apresentarem outros remanescentes florestais em seu entorno.
Nos remanescentes escolhidos, as comunidades de formigas arborícolas e
epigéicas foram coletadas na estação da primavera de 2018. Para a amostragem da
mirmecofauna epigéica, em cada remanescente florestal foram utilizadas 20 iscas de
sardinha e mel oferecidas sobre papel branco com 10 cm x 10 cm, que foram alocadas
sobre o solo. E para a amostragem das formigas arborícolas foram alocadas 20 iscas
de sardinha e mel sobre o tronco de 20 árvores, que se encontravam próximas às iscas
do solo. A distância entre as repetições foi de cerca de 10 metros e as iscas ficaram
expostas durante uma hora, sendo realizada a coleta manual das formigas operárias
após esse tempo, metodologia semelhante à utilizada por Estrada et al. (2014).
As formigas coletadas foram armazenadas em recipientes plásticos, contendo
álcool 70% e devidamente etiquetados, para em seguida serem transportadas para o
Ci. Fl., Santa Maria, v. 33, n. 1, e67579, p. 5, jan./mar. 2023
6 | Efeitos de fatores ambientais sobre as assembleias de formigas ...
laboratório do Instituto Três Rios, Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro, onde
foi realizada a triagem, fixação em via seca e identificação das formigas coletadas,
com o auxílio de um microscópio estereoscópico. As formigas foram identificadas
ao nível de gênero, com base na chave de Baccaro et al. (2015), e posteriormente
foram morfoespeciadas, sendo as morfoespécies identificadas ao nível de espécie
quando não existiram impedimentos taxonômicos. A identificação das espécies de
formigas foi realizada com base em chaves de identificação encontradas na literatura
e também a partir da comparação com formigas previamente identificadas, assim
como Martins et al. (2011). A classificação das formigas em guildas foi baseada
em Apolinário et al. (2019), que consideraram classificações propostas por outros
autores, como Groc et al. (2014) e Pereira et al. (2016).
Em cada local de amostragem foram obtidas a temperatura do ar, a circunferência
do tronco à altura do peito (CAP), a luminosidade à altura do solo e a profundidade da
serapilheira. Estas foram obtidas com um termohigrômetro digital, uma fita métrica,
um luxímetro e uma régua graduada, respectivamente.
A regressão linear múltipla passo a passo (Stepwise) foi utilizada para analisar
se a riqueza e a diversidade de espécies de formigas arborícolas e epigéicas, assim
como a riqueza de guildas, foram influenciadas pelos fatores ambientais internos
aos fragmentos florestais (temperatura do ar, CAP, luminosidade e profundidade de
serrapilheira) e pelas características da paisagem (isolamento e área dos fragmentos
florestais). A regressão linear múltipla passo a passo foi realizada com o programa
Bioestat. O Índice de Diversidade de Shannon foi obtido com o programa PAST. Para
considerar que houve influência dos fatores ambientais estudados sobre a riqueza e
diversidade de espécies da mirmecofauna arborícola e epigéica e sobre a riqueza de
guildas, foi utilizada a probabilidade de 5%.
A relação das variáveis ambientais com a composição da mirmecofauna dos
remanescentes florestais foi avaliada pelo Escalonamento Multidimensional Não
Métrico (NMDS) com o índice de similaridade de Jaccard, sendo realizada tal análise
com o programa PAST.
Ci. Fl., Santa Maria, v. 33, n. 1, e67579, p. 6, jan./mar. 2023
Lobo, N. C. R.; Ribeiro, L. M.; Pereira, J. R.; Almeida, Â. A.; Almeida, F. S. | 7
3 RESULTADOS E DISCUSSÃO
Foram coletadas no total 55 espécies de formigas, pertencentes a 20
gêneros (Tabela 1 e 2). Desse total, 46 espécies foram coletadas sobre o solo e
32 espécies foram obtidas sobre plantas. Esse resultado corrobora o observado
por outros autores em florestas nativas, constatando maior riqueza de espécies
da mirmecofauna sobre o solo que sobre plantas (MIRANDA et al., 2013). Destaca-
se que em todos os fragmentos florestais avaliados, a diversidade de espécies de
formigas epigéicas foi maior que a de arborícolas.
Os gêneros Camponotus (oito espécies), Pheidole (oito espécies), Solenopsis
(seis espécies), Pseudomyrmex (quatro espécies) e Crematogaster (três espécies)
apresentaram maior riqueza de espécies no solo. Os gêneros Crematogaster, Pheidole
e Solenopsis são pertencentes à subfamília Myrmicinae, a mais diversa subfamília
de formigas (CANTARELLI et al., 2015), que se destaca também por ocupar variados
habitats, por apresentar espécies que exploram vasta gama de alimentos e recursos
de nidificação (BACCARO et al., 2015). As espécies mais frequentes no solo foram
Wasmannia auropunctata (ROGER, 1863) e Ectatomma permagnum (FOREL, 1908). A
espécie Wasmannia auropunctata é considerada agressiva e quando foi introduzida
pelo ser humano em outros habitats provocou a redução da diversidade biológica
local (MASSE et al., 2017).
Os gêneros que apresentaram maior riqueza de espécies sobre plantas
foram Camponotus (oito espécies), Pseudomyrmex (cinco espécies) e Crematogaster
(quatro espécies). O gênero Camponotus abrange diversas espécies que forrageiam
ou nidificam sobre árvores (BACCARO et al., 2015). Além disso, diversos estudos da
fauna de formigas arborícolas no Brasil apontam que esse gênero possui grande
representatividade (APOLINÁRIO et al., 2019; ESTRADA et al., 2019; PEREIRA, 2021).
Formigas do gênero Crematogaster também são frequentemente observadas sobre
plantas, embora também explorem a interface solo-serapilheira (BACCARO et al.,
2015; PEREIRA, 2021). As espécies mais frequentes sobre as plantas foram Wasmannia
auropunctata e a Camponotus crassus (MAYR, 1862).
Ci. Fl., Santa Maria, v. 33, n. 1, e67579, p. 7, jan./mar. 2023
8 | Efeitos de fatores ambientais sobre as assembleias de formigas ...
Algumas espécies de formigas podem ser encontradas tanto no solo quanto nas
plantas, mas existem espécies tipicamente arborícolas, que raramente são observadas
sobre o solo (BACCARO et al., 2015). Treze espécies somente foram coletadas com as
iscas no solo (23,6% do total) e dez espécies foram amostradas apenas sobre plantas
(18,2% do total).
Tabela 1 – Frequência de ocorrência de espécies de formigas arborícolas (A) e epigéicas
(E) coletadas em fragmentos de Floresta Estacional Semidecidual e guildas (G), nos
municípios de Paraíba do Sul e Três Rios, Estado do Rio de Janeiro
F1 F2 F3 F4 F5 F6 F7
Espécies
E A E A E A E A E A E A E A G
Acromyrmex sp1 1 1 CO
Atta sexdens (Linnaeus, 1758) 6 CO
Azteca sp1 1 AO
Brachymyrmex sp1 1 1 OVD
Brachymyrmex sp2 2 OVD
Camponotus crassus Mayr, 1862 2 6 1 2 2 2 4 1 3 OVD
Camponotus fastigatus Roger, 1863 1 1 1 1 OVD
Camponotus rufipes (Fabricius, 1775) 1 OVD
Camponotus sericeiventris (Guérin-Méneville, 1838) 2 2 1 1 1 1 1 1 OVD
Camponotus prox. brettesi Forel, 1899 1 OVD
Camponotus sp1 1 1 1 OVD
Camponotus sp2 1 1 1 OVD
Camponotus sp3 2 1 2 1 1 OVD
Camponotus sp4 1 1 1 2 OVD
Cephalotes pusillus (Klug, 1824) 1 AO
Cephalotes sp1 1 AO
Cephalotes sp2 1 1 2 1 AO
Cephalotes sp4 2 AO
Crematogaster crinosa Mayr, 1862 2 4 1 AO
Crematogaster sp2 2 2 2 AO
Crematogaster sp3 1 AO
Crematogaster sp4 1 2 1 AO
Ectatomma permagnum Forel, 1908 1 3 2 3 1 DSS
Gnamptogenys sp1 1 PGS
Gnamptogenys sp2 2 PGS
Linepithema sp2 1 1 1 ODS
Continua ...
Ci. Fl., Santa Maria, v. 33, n. 1, e67579, p. 8, jan./mar. 2023
Lobo, N. C. R.; Ribeiro, L. M.; Pereira, J. R.; Almeida, Â. A.; Almeida, F. S. | 9
Tabela 1 – Conclusão
F1 F2 F3 F4 F5 F6 F7
Espécies
E A E A E A E A E A E A E A G
Linepithema sp3 1 ODS
Neoponera sp1 1 PGS
Mycocepurus goeldii (Forel, 1893) 1 CF
Monomorium floricola (Jerdon, 1851) 1 1 1 2 OVD
Odontomachus bauri Emery, 1892 1 1 DSS
Pheidole sp1 1 5 3 ODS
Pheidole sp2 1 3 5 ODS
Pheidole sp3 1 2 1 ODS
Pheidole sp5 3 2 3 ODS
Pheidole sp6 1 ODS
Pheidole sp7 3 ODS
Pheidole sp8 2 2 ODS
Pheidole sp9 1 ODS
Pogonomyrmex sp1 2 ODS
Pseudomyrmex termitarius (Smith, 1855) 1 1 1 ODS
Pseudomyrmex sp1 1 2 1 1 2 2 AO
Pseudomyrmex sp2 1 2 1 AO
Pseudomyrmex sp3 1 2 AO
Pseudomyrmex sp4 1 AO
Pseudomyrmex sp5 3 1 AO
Pseudomyrmex sp6 1 AO
Solenopsis sp1 1 1 1 ODS
Solenopsis sp2 1 ODS
Solenopsis sp3 1 2 ODS
Solenopsis sp4 3 ODS
Solenopsis sp5 1 ODS
Solenopsis sp6 2 1 ODS
Wasmannia auropunctata (Roger, 1863) 8 1 3 6 3 2 7 10 4 6 2 5 OVD
Wasmannia sp1 1 1 1 1 2 1 2 OVD
Fonte: Autores (2020)
Em que: arborícolas onívoras (AO); cortadeiras (CO); cultivadoras de fungos (exceto cortadeiras) (CF);
dominantes de solo ou serapilheira (DSS); onívoras verdadeiras dominantes de solo ou serapilheira
(OVD); onívoras e detritívoras de serapilheira (ODS); predadoras generalistas de serapilheira (PGS).
Ci. Fl., Santa Maria, v. 33, n. 1, e67579, p. 9, jan./mar. 2023
10 | Efeitos de fatores ambientais sobre as assembleias de formigas ...
Tabela 2 – Riqueza, diversidade e o número de espécies de formigas exclusivas
arborícolas (A) e epigéicas (E) em fragmentos florestais nos municípios de Três Rios e
Paraíba do Sul, Estado do Rio de Janeiro
Fragmentos florestais
F1 F2 F3 F4 F5 F6 F7
Parâmetros
E A E A E A E A E A E A E A
Riqueza de espécies 11 8 11 9 10 10 11 8 10 10 14 8 15 11
Índice de Diversidade 2,0 1,8 2,2 2,0 2,2 2,1 2,3 2,0 2,0 1,9 2,4 1,8 2,6 2,2
Número de espécies exclusivas 2 3 1 2 1 0 6 1 1 1 4 1 3 0
Fonte: Autores (2020)
A variável que mais influenciou a riqueza e a diversidade de espécies de
formigas epigéicas foi o nível de isolamento dos fragmentos florestais, que explicou
significativamente cerca de 68% da variação na riqueza de espécies de formigas
epigéicas (R² = 67,79%; F = 10,524; P = 0,02), e cerca de 80% da variação na diversidade
de espécies de formigas epigéicas (R² = 80,37%; F = 20,472; P = 0,01) (Tabela 3 e 4).
Foi observada relação negativa entre a riqueza e diversidade de espécies de formigas
epigéicas e o nível de isolamento dos fragmentos florestais (Figuras 1 e 2). O modelo
matemático com as variáveis nível de isolamento, profundidade de serapilheira, CAP,
luminosidade e área do fragmento, explicou mais de 99% da variação da riqueza de
espécies de formigas epigéicas (R² = 99,94%; F = 339,06; P = 0,04).
O aumento do isolamento dos fragmentos florestais acarreta o acréscimo do
isolamento de populações de formigas, reduzindo o fluxo gênico e aumentando a
perda de diversidade genética, o que pode precipitar a extinção local das espécies
da mirmecofauna. O aumento do isolamento também dificulta a recolonização
das áreas por espécies extintas localmente. Além disso, estudos apontam que os
fragmentos florestais menos isolados de outros remanescentes, com maior área e
com características que proporcionem maior heterogeneidade ambiental apresentam
maior riqueza e diversidade de espécies (MARTINS et al., 2011; SANTOS et al., 2012;
ALMEIDA; VARGAS, 2017; FERNANDES et al., 2021).
Ci. Fl., Santa Maria, v. 33, n. 1, e67579, p. 10, jan./mar. 2023
Lobo, N. C. R.; Ribeiro, L. M.; Pereira, J. R.; Almeida, Â. A.; Almeida, F. S. | 11
A riqueza e a diversidade de espécies de formigas diminuem com a redução
da complexidade estrutural dos ecossistemas, como mostram estudos realizados por
Gomes et al. (2013), Martins et al. (2011) e Apolinário et al. (2019). A abundância e a
diversidade de recursos são apontadas como fatores que afetam a riqueza e diversidade
de espécies, sendo assim, algumas espécies de formigas apresentam limitações para
colonizar ambientes simplificados (MARTINS et al., 2011; FERNANDES et al., 2021).
Uma grande diversidade de espécies vegetais reflete em uma serapilheira mais
heterogênea, possibilitando maior disponibilidade de recursos para as formigas. Logo,
o aumento da complexidade estrutural do ambiente está relacionado com uma maior
riqueza e diversidade de formigas e, por serem indicadoras de diversidade biológica,
também está associado a uma maior biodiversidade como um todo (MARTINS et al.,
2011; ESTRADA et al., 2014). As florestas possuem maior heterogeneidade estrutural
e diversidade de nichos ecológicos e apresentam maior riqueza de espécies vegetais
que ambientes simplificados, como as pastagens, sendo importantes para a proteção
da biodiversidade (MARTINS et al., 2011; FERNANDES et al., 2021).
Tabela 3 – Regressão linear múltipla passo a passo (stepwise) com a riqueza de
espécies de formigas epigéicas (variável dependente) e as variáveis independentes*
em fragmentos da Floresta Estacional Semidecidual nos municípios de Paraíba do Sul
e Três Rios, Estado do Rio de Janeiro
Var. Independente R² F P
I 67,79% 10,52 0,02
I, P 91,95% 22,84 0,008
I, P, CAP 99,13% 113,72 0,002
I, P, CAP, L 99,55% 109,64 0,008
I, P, CAP, L, A 99,94% 339,06 0,04
I, P, CAP, L, A, T 0,16% 0,008 0,92
Fonte: Autores (2020)
Em que: * A – área dos remanescentes florestais; CAP – circunferência
do tronco de árvores à altura do peito; P – profundidade de
serapilheira; T – temperatura do ar; L – luminosidade; I – isolamento
dos remanescentes florestais.
Ci. Fl., Santa Maria, v. 33, n. 1, e67579, p. 11, jan./mar. 2023
12 | Efeitos de fatores ambientais sobre as assembleias de formigas ...
Tabela 4 – Regressão linear múltipla passo a passo (stepwise) com a diversidade de espécies
de formigas epigéicas (variável dependente) e as variáveis independentes* em fragmentos
da Floresta Estacional Semidecidual nos municípios de Paraíba do Sul e Três Rios, Estado
do Rio de Janeiro
Var. Independente R² F P
I 80,37% 20,47 0,01
I, CAP 95,20% 39,67 0,004
I, CAP, T 96,52% 27,76 0,01
I, CAP, T, A 97,02% 16,26 0,05
I, CAP, T, A, P 99,08% 21,57 0,16
I, CAP, T, A, P, L 1,28% 0,06 0,80
Fonte: Autores (2020)
Em que: * A – área dos remanescentes florestais; CAP – circunferência
do tronco de árvores à altura do peito; P – profundidade de
serapilheira; T – temperatura do ar; L – luminosidade; I – isolamento
dos remanescentes florestais.
Figura 1 – Relação entre a riqueza de espécies de formigas epigéicas e variáveis
ambientais em fragmentos de Floresta Estacional Semidecidual nos municípios de
Paraíba do Sul e Três Rios, Estado do Rio de Janeiro
Continua ...
Ci. Fl., Santa Maria, v. 33, n. 1, e67579, p. 12, jan./mar. 2023
Lobo, N. C. R.; Ribeiro, L. M.; Pereira, J. R.; Almeida, Â. A.; Almeida, F. S. | 13
Figura 1 – Conclusão
Fonte: Autores (2020)
Figura 2 – Relação entre a diversidade (Shannon) de espécies de formigas epigéicas
e variáveis ambientais em fragmentos de Floresta Estacional Semidecidual nos
municípios de Paraíba do Sul e Três Rios, Estado do Rio de Janeiro
Fonte: Autores (2020)
Em relação à riqueza de espécies de formigas arborícolas, esta foi influenciada
significativamente pela variável CAP (R² = 67,98%; F = 10,62; P = 0,02; Tabela 5; Figura
Ci. Fl., Santa Maria, v. 33, n. 1, e67579, p. 13, jan./mar. 2023
14 | Efeitos de fatores ambientais sobre as assembleias de formigas ...
3). As demais variáveis não afetaram a riqueza de espécies de formigas arborícolas.
A diversidade de espécies de formigas arborícolas foi influenciada significativamente
pela CAP (R² = 57,77%; F = 6,84; P = 0,05; Tabela 6), mas também houve efeito conjunto
da CAP e do tamanho dos fragmentos florestais (Figura 4), que explicaram mais de
81% da variação da diversidade de espécies (R² = 81,90%; F = 9,05; P = 0,03).
Tabela 5 – Regressão linear múltipla passo a passo (stepwise) com a riqueza de
espécies de formigas arborícolas (variável dependente) e as variáveis independentes*
em fragmentos da Floresta Estacional Semidecidual nos municípios de Paraíba do Sul
e Três Rios, Estado do Rio de Janeiro
Var. Independente R² F P
CAP 67,98% 10,62 0,02
CAP, A 71,75% 5,08 0,08
CAP, A, L 80,94% 4,25 0,13
CAP, A, L, I 88,83% 3,98 0,21
CAP, A, L, I, T 89,16% 1,64 0,48
Fonte: Autores (2020)
Em que: * A – área dos remanescentes florestais; CAP – circunferência
do tronco de árvores à altura do peito; P – profundidade de
serapilheira; T – temperatura do ar; L – luminosidade; I – isolamento
dos remanescentes florestais.
A profundidade de serapilheira e a CAP estão associados ao estágio
sucessional das florestas e à complexidade estrutural do ambiente (MARTINS et
al., 2011). Além disso, espécies arbóreas com maiores tamanhos também podem
representar maior disponibilidade de recursos para as formigas (PAULA; LOPES,
2013). Sendo assim, fragmentos florestais que apresentam maiores valores de
CAP possivelmente estão em estágio sucessional mais avançado e apresentam
condições ambientais propícias para a manutenção de um maior número de
espécies, incluindo a existência de uma maior heterogeneidade ambiental. Os
fragmentos florestais de maior tamanho possivelmente também estão em estágio
sucessional mais avançado e, além disso, apresentam proporcionalmente menor
efeito de borda e podem suportar populações maiores (ALMEIDA; VARGAS, 2017).
Ci. Fl., Santa Maria, v. 33, n. 1, e67579, p. 14, jan./mar. 2023
Lobo, N. C. R.; Ribeiro, L. M.; Pereira, J. R.; Almeida, Â. A.; Almeida, F. S. | 15
Cabe mencionar que a circunferência à altura do peito de árvores é uma
variável relativamente fácil e de baixo custo para ser obtida. Assim, os resultados
apontam para a possível utilização da CAP como indicador da biodiversidade
associada às florestas da região.
Figura 3 – Relação entre a riqueza de espécies de formigas arborícolas e a circunferência
do tronco de árvores à altura do peito, em fragmentos de Floresta Estacional
Semidecidual nos municípios de Paraíba do Sul e Três Rios, Estado do Rio de Janeiro
Fonte: Autores (2020)
Tabela 6 – Regressão linear múltipla passo a passo (stepwise) com a diversidade de
espécies de formigas arborícolas (variável dependente) e as variáveis independentes*
em fragmentos florestais da Floresta Estacional Semidecidual nos municípios de
Paraíba do Sul e Três Rios, Estado do Rio de Janeiro
Var. Independente R² F P
CAP 57,77% 6,84 0,05
CAP, A 81,90% 9,05 0,03
CAP, A, T 86,50% 6,41 0,08
CAP, A, T, I, 87,75% 3,58 0,23
CAP, A, T, I, L 89,88% 1,78 0,49
Fonte: Autores (2020)
Em que: * A – área dos remanescentes florestais; CAP – circunferência
do tronco de árvores à altura do peito; P – profundidade de
serapilheira; T – temperatura do ar; L – luminosidade; I – isolamento
dos remanescentes florestais.
Ci. Fl., Santa Maria, v. 33, n. 1, e67579, p. 15, jan./mar. 2023
16 | Efeitos de fatores ambientais sobre as assembleias de formigas ...
Figura 4 – Relação entre a diversidade (Shannon) de espécies de formigas arborícolas e a
circunferência do tronco de árvores à altura do peito (CAP) e a área de fragmentos de Floresta
Estacional Semidecidual nos municípios de Paraíba do Sul e Três Rios, Estado do Rio de Janeiro
Fonte: Autores (2020)
A análise da composição de espécies de formigas epigéicas indicou maior
similaridade entre os fragmentos florestais 6 e 7. Os demais fragmentos não
apresentaram semelhança expressiva na composição de espécies de formigas
epigéicas. Maiores profundidades de serapilheira estiveram relacionadas com a
composição de espécies de formigas epigéicas do fragmento 5 (Figura 5).
Além da profundidade de serapilheira, a luminosidade, o nível de isolamento
e o CAP foram as variáveis ambientais com maior correlação com a composição
de espécies, o que pode ser observado pelo comprimento das retas indicativas
destas variáveis. A análise da composição de espécies de formigas arborícolas
indicou maior similaridade entre os fragmentos florestais 4, 6 e 7, e também houve
semelhança entre os fragmentos 3 e 5 (Figura 6).
O nível de isolamento relacionou-se principalmente à composição da fauna de
formigas arborícolas do fragmento 1. Pode-se mencionar que, em geral, houve baixa
similaridade na composição de espécies de formigas entre os fragmentos florestais,
tanto em relação às formigas epigéicas quanto arborícolas. Assim, evidenciou-se
expressiva dissimilaridade entre vários remanescentes florestais, mesmo entre
alguns remanescentes que estão próximos e possuem tamanho semelhante. Isso
acarreta a necessidade de proteger diversos fragmentos florestais da região para a
manutenção da totalidade das espécies existentes.
Ci. Fl., Santa Maria, v. 33, n. 1, e67579, p. 16, jan./mar. 2023
Lobo, N. C. R.; Ribeiro, L. M.; Pereira, J. R.; Almeida, Â. A.; Almeida, F. S. | 17
Figura 5 – Ordenação Multidimensional Não-Métrica com o índice de Jaccard (stress = 0,1545)
com a mirmecofauna epigéica em fragmentos da Floresta Estacional Semidecidual nos
municípios de Paraíba do Sul e Três Rios, Estado do Rio de Janeiro
Fonte: Autores (2020)
Em que: Variáveis ambientais: área dos remanescentes
florestais (A); circunferência do tronco de árvores à
altura do peito (CAP); profundidade de serapilheira (P);
temperatura do ar (T), luminosidade (L); isolamento dos
remanescentes florestais (I).
Figura 6 – Ordenação Multidimensional Não-Métrica com o índice de Jaccard (stress = 0,1974)
para a fauna de formigas arborícolas em diferentes fragmentos florestais da Floresta Estacional
Semidecidual nos municípios de Paraíba do Sul e Três Rios, Estado do Rio de Janeiro
Fonte: Autores (2020)
Em que: Variáveis ambientais: área dos remanescentes
florestais (A); circunferência do tronco de árvores à altura
do peito (CAP); temperatura do ar (T), luminosidade (L);
isolamento dos remanescentes florestais (I).
Ci. Fl., Santa Maria, v. 33, n. 1, e67579, p. 17, jan./mar. 2023
18 | Efeitos de fatores ambientais sobre as assembleias de formigas ...
As espécies de formigas coletadas foram divididas em sete guildas (Tabela 7). A
guilda Onívoras e Detritívoras de Serapilheira apresentou a maior riqueza de espécie
(dezoito espécies), seguida de Arborícolas Onívoras (quinze espécies), Onívoras
Verdadeiras Dominantes de Solo ou Serapilheira (quatorze espécies), Predadoras
Generalistas de Serapilheira (três espécies), Dominantes de Solo ou Serapilheira
(duas espécies), Cortadeiras (duas espécies) e Cultivadoras de Fungos (uma espécie).
Cabe ressaltar que a utilização de outras técnicas de coleta poderia acrescentar
espécies de outras guildas, como as guildas de espécies crípticas. Além disso, outras
espécies de formigas cultivadoras de fungos, incluindo as cortadeiras, poderiam ser
coletadas, visto que as iscas utilizadas não são adequadas para atrair formigas desse
grupo. A riqueza de guildas por fragmento variou de três a seis, assim, em nenhum
dos fragmentos foram coletadas formigas de todas as sete guildas.
Tabela 7 – Riqueza de espécies de formigas nas diferentes guildas em fragmentos de
Floresta Estacional Semidecidual nos municípios de Paraíba do Sul e Três Rios, Estado
do Rio de Janeiro
Fragmentos Florestais
Guildas
F1 F2 F3 F4 F5 F6 F7
Arborícolas onívoras 6 5 4 3 3 2 4
Cultivadoras de fungos 1
Cortadeiras 2 1
Dominantes de solo ou serapilheira 1 1 2 1 2
Onívoras e detritívoras de serapilheira 3 6 5 7 4 4 3
Onívoras verdadeiras dominantes de solo ou
5 6 6 6 8 9 10
serapilheira
Predadoras generalistas de serapilheira 1 1 1
Número de guildas 5 4 3 4 5 5 6
Fonte: Autores (2020)
Ci. Fl., Santa Maria, v. 33, n. 1, e67579, p. 18, jan./mar. 2023
Lobo, N. C. R.; Ribeiro, L. M.; Pereira, J. R.; Almeida, Â. A.; Almeida, F. S. | 19
A riqueza de guildas foi influenciada pela profundidade de serapilheira e pela
luminosidade (Tabela 8). A relação com a profundidade de serapilheira foi positiva
e com a luminosidade foi negativa (Figura 7). Estudos apontaram a influência da
profundidade de serapilheira na riqueza de espécies de formigas, pois a serapilheira
está positivamente relacionada com a diversidade e abundância de recursos
alimentares e de nidificação para as formigas (MIRANDA et al., 2013). A luminosidade ao
nível do solo está relacionada com a cobertura do dossel e a densidade da vegetação,
consequentemente, é associada ao estágio sucessional da vegetação. Assim, florestas
com maior diversidade de recursos para as espécies de formigas e em estágio
sucessional mais avançado possibilitam a existência de maior número de guildas
de formigas, consequentemente a mirmecofauna apresenta maior variabilidade de
funções ecológicas nesses remanescentes florestais.
Tabela 8 – Regressão múltipla passo-a-passo (stepwise) com a riqueza de guildas de
formigas (variável dependente) e as variáveis independentes* em fragmentos da
Floresta Estacional Semidecidual nos municípios de Paraíba do Sul e Três Rios, Estado
do Rio de Janeiro
Var. Independente R² F P
P 60,79% 7,75 0,04
P, L 77,87% 7,04 0,05
P, L, T 83,35% 5,01 0,11
P, L, T, CAP, 86,03% 3,08 0,26
P, L, T, CAP, I 98,41% 12,36 0,22
P, L, T, CAP, I, A 15,10% 0,89 0,61
Fonte: Autores (2020)
Em que: * A – área dos remanescentes florestais; CAP – circunferência
do tronco de árvores à altura do peito; P – profundidade de
serapilheira; T – temperatura do ar; L – luminosidade; I – isolamento
dos remanescentes florestais.
Ci. Fl., Santa Maria, v. 33, n. 1, e67579, p. 19, jan./mar. 2023
20 | Efeitos de fatores ambientais sobre as assembleias de formigas ...
Figura 7 – Relação entre a riqueza de guildas de formigas e a profundidade de
serapilheira e a luminosidade em fragmentos de Floresta Estacional Semidecidual nos
municípios de Paraíba do Sul e Três Rios, Estado do Rio de Janeiro
Fonte: Autores (2020)
4 CONCLUSÕES
A mirmecofauna da Floresta Estacional Semidecidual é afetada pelas
características da paisagem, mas também é influenciada por características da
vegetação relacionadas ao estágio sucessional da floresta e por fatores associados à
heterogeneidade ambiental. Os resultados apontam para a importância de proteger,
prioritariamente, os remanescentes florestais menos isolados e em estágio sucessional
mais avançado com vistas à conservação da diversidade biológica da região do estudo.
AGRADECIMENTOS
Ao Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e à
Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro pelas bolsas de estudo concedidas. “O
presente trabalho foi realizado com o apoio da Coordenação de Aperfeiçoamento de
Pessoal de Nível Superior – Brasil (CAPES) - Código de Financiamento 001”.
Ci. Fl., Santa Maria, v. 33, n. 1, e67579, p. 20, jan./mar. 2023
21 | Efeitos de fatores ambientais sobre as assembleias de formigas ...
REFERÊNCIAS
ALMEIDA, F.S.; GOMES, D.S.; QUEIROZ, J.M. Estratégias para a conservação da biodiversidade
biológica em florestas fragmentadas. Ambiência, Guarapuava, v.7, n.2, p. 367-382, ago. 2011.
ALMEIDA, F.S.; GARRIDO, F.S.R.G.; ALMEIDA, A.A. Avaliação de impactos ambientais: uma
introdução ao tema com ênfase na atuação do gestor ambiental. Diversidade e Gestão, Três
Rios, v.1, n.1, p. 70-87, jul. 2017.
ALMEIDA, F.S.; VARGAS, A.B. Bases para a gestão da biodiversidade e o papel do gestor
ambiental. Diversidade e Gestão, Três Rios, v.1, n.1, p. 10-32, jul. 2017.
APOLINÁRIO, L.C.M.H.; ALMEIDA, A.A.; QUEIROZ, J.M.; VARGAS, A.B.; ALMEIDA, F.S. Diversity
and guilds of ants in different land-use systems in Rio de Janeiro State, Brazil. Floresta e
Ambiente, Seropédica, v.26, n.4, p. e20171152, set. 2019.
ARRAES, R.A.; MARIANO, F.Z.; SIMONASSI, A.G. Causas do desmatamento no Brasil e seu
ordenamento no contexto mundial. Revista de Economia e Sociologia Rural, Piracicaba,
v.50, n.1, p. 119-140, mar. 2012.
BACCARO, F.B.; FEITOSA, R.M.; FERNANDEZ, F.; FERNANDES, I.O.; IZZO, T.J.; SOUZA, J.L.P.;
SOLAR, R. Guia para os gêneros de formigas do Brasil. Manaus: INPA, 2015. 388p.
CANTARELLI, E.B.; FLECK, M.D.; GRANZOTTO, F.; CORASSA, J.D.N.; D’AVILA, M. Diversidade de
formigas (Hymenoptera: Formicidae) da serapilheira em diferentes sistemas de uso do solo.
Ciência Florestal, Santa Maria, v.25, n.3, p. 607-616, jul.-set. 2015.
ESTRADA, M.A.; CORIOLANO, R.E.; SANTOS, N.T.; CAIXEIRO, L.R.; VARGAS, A.B.; ALMEIDA, F.S.
Influência de Áreas Verdes Urbanas sobre a Mirmecofauna. Floresta e Ambiente, Seropédica,
v. 21, p. 162-169, jun. 2014.
ESTRADA, M.A.; ALMEIDA, A.A.; VARGAS, A.B.; ALMEIDA. F.S. Diversidade, riqueza e abundância
da mirmecofauna em áreas sob cultivo orgânico e convencional. Acta Biológica Catarinense,
[s.l], v.6, n.2, p. 87-103, abr.-jun. 2019.
FERNANDES, G.W.; LANA, T.C.; RIBAS, C.R.; SCHOEREDER, J.H.; SOLAR. R.; MAJER, J.D.; CORDEIRO,
E.G.; DELABIE, J.H.C.; VILELA, E.F. Changes in epigaeic ant assemblage structure in the amazon
during successional processes after bauxite mining. Sociobiology, [s.l], v.68, n.1, e4973, mar.
2021.
GOMES, O.V.O.; MARQUES, E.D.; SOUZA, M.D.C.; SILVA-FILHO, E.V. Influência antrópica nas
águas superficiais da cidade de Três Rios, (RJ). Geochimica Brasiliensis, [s.l], v.27, p.77-86,
set. 2013.
GOMES, D.S.; ALMEIDA, F.S.; VARGAS, A.B.; QUEIROZ, J.M. Resposta da assembleia de formigas
na interface solo-serapilheira a um gradiente de alteração ambiental. Iheringia. Série Zoologia,
Porto Alegre, v. 103, p.104-109, jun. 2013.
GROC, S.; DELABIE, J.H.C.; FERNÁNDEZ, F.; LEPONCE, M.; ORIVEL, J.; SILVESTRE, R.; VASCONCELOS,
H.L.; DEJEAN, A. Leaf-litter ant communities (Hymenoptera: Formicidae) in a pristine Guianese
rainforest: stable functional structure versus high species turnover. Myrmecological News,
Vienna, v.19, p. 43-51, jan. 2014.
Ci. Fl., Santa Maria, v. 33, n. 1, e67579, p. 21, jan./mar. 2023
22 | Efeitos de fatores ambientais sobre as assembleias de formigas ...
IBGE. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. (1º de julho de 2019) População Estimada:
Três Rios. Disponível em: https://www.ibge.gov.br/cidades-e-estados/rj/tres-rios.html. Acesso
em 18 de fevereiro de 2020.
IBGE. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. (1º de julho de 2019) População Estimada:
Paraíba do Sul. Disponível em: https://www.ibge.gov.br/cidades-e-estados/rj/paraiba-do-sul.
html. Acesso em 18 de fevereiro de 2020.
INPE. Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais. (24 de maio de 2019) SOS Mata Atlântica e
INPE lançam novos dados do Atlas do bioma. Disponível em: http://www.obt.inpe.br/OBT/
noticias/sos-mata-atlantica-e-inpe-lancam-novos-dados-do-atlas-do-bioma. Acesso em 13 de
janeiro, 2020.
LIMA, M.C. Área de Proteção Ambiental Rainha das Águas do Município de Paraíba do Sul:
diagnóstico ambiental e atividades de manejo. 2019. Monografia (Graduação em Gestão
Ambiental), Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro, 49p. 2019.
MARTINS, L.; ALMEIDA, F.S.; MAYHÉ-NUNES, A.J.; VARGAS, A.B. Efeito da complexidade
estrutural do ambiente sobre as comunidades de formigas (Hymenoptera: Formicidae) no
município de Resende, RJ, Brasil. Revista Brasileira de Biociência, Porto Alegre, v.9, n.2, p.
174-179, abr.-jun. 2011.
MASSE, P.S.M.; TINDO, M.; KENNE, M.; TADU, Z.; MONY, R.; DJIETO-LORDON, C. Impact of
the invasive ant Wasmannia auropunctata (Formicidae: Myrmicinae) on local ant diversity in
southern Cameroon. African Journal of Ecology, [s.l], v.55, p.423-432, fev. 2017.
MATOS, A.A.S. Abundância de artrópodes em áreas agrícolas sob cultivo orgânico e
convencional no município de Paraíba do Sul, RJ. 2017. 39p. Monografia (Graduação em
Gestão Ambiental) - Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro. Três Rios, 2017.
MENDONÇA, A.R.; VOLTOLINI, J.C. Efeito de borda sobre o microclima em diferentes estágios
de sucessão em Floresta Atlântica. Revista Biociências, Taubaté, v.25, n.2, p. 1-9, jun. 2019.
MIRANDA, T.A.; SANTANNA, A.S.; VARGAS, A.B.; ALMEIDA. F.S. Aspectos estruturais do ambiente
e seus efeitos nas assembleias de formigas em ambientes de floresta e bosque. Cadernos
UniFOA, Volta Redonda, v.21, p. 63-72, abr. 2013.
O ESTADO DO AMBIENTE. Indicadores Ambientais do Rio de Janeiro. 1.ed. Rio de Janeiro:
Sea/ Inea, 160p. 2011.
ONU. Organização das Nações Unidas. 2016. Extração mundial de matérias-primas triplicou
em quatro décadas, diz PNUMA. Disponível em: https://nacoesunidas.org/extracao-mundial-
de-materias-primas-triplicou-em-quatro-decadas-pnuma/. Acesso em: 10 de abril de 2020.
PAULA, J.D.; LOPES A. Jardins de formigas na Amazônia Central: um experimento de campo
utilizando cupins vivos como iscas. Acta Amazonica, [s.l], v.43, p. 447-454, dez. 2013.
PEREIRA, J. R. Diversidade, composição e guildas de formigas epigéicas e arborícolas em
áreas cultivadas no município de Bom Despacho Estado de Minas Gerais. 2021. 64p.
Dissertação (Mestrado em Fitossanidade e Biotecnologia Aplicada) - Universidade Federal
Rural do Rio de Janeiro. Seropédica, 2021.
Ci. Fl., Santa Maria, v. 33, n. 1, e67579, p. 22, jan./mar. 2023
23 | Efeitos de fatores ambientais sobre as assembleias de formigas ...
PEREIRA, L.P.C.; ALMEIDA, F.S.; VARGAS, A.B.; ARAÚJO, M.S.; MAYHÉ-NUNES, A.J.; QUEIROZ, J.M.
Seasonal analysis of taxonomicand functional diversity of poneromorph ant assemblages in
the Amazon Forest. Sociobiology, [s.l], v.63, n.3, p. 941-949, set. 2016.
SANTOS, S.R.Q.; VITORINO, M.I.; HARADA, A.Y.; SOUZA, A.M.L. A riqueza das formigas
relacionada aos períodos sazonais em Caxiuanã durante os anos de 2006 e 2007. Revista
Brasileira de Meteorologia, São Paulo, v. 27, p. 307-314, set. 2012.
SILVERIO NETO, R. Caracterização espacial da cobertura florestal dos municípios da
microrregião de Três Rios, RJ. 2014. 48p. Monografia (Graduação em Gestão Ambiental) -
Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro. Três Rios, 2014.
SILVERIO NETO, R.; BENTO, M.C.; MENEZES, S.J.M.C.; ALMEIDA, F.S. Caracterização da cobertura
florestal de unidades de conservação da Mata Atlântica. Floresta e Ambiente, Seropédica,
v.22, n.1, p.32-41, jan-mar. 2015.
Contribuição de Autoria
1 Nathália Couto Romanelli Lobo
Graduação em Gestão Ambiental
https://orcid.org/0009-0007-4074-7669 •
[email protected]Contribuição: Curadoria de dados, Análise Formal, Investigação, Metodologia, Software,
Visualização de dados (tabela, gráfico), Escrita – primeira redação, Escrita – revisão e
edição
2 Larissa Miranda Ribeiro
Graduação em Gestão Ambiental
https://orcid.org/0009-0001-5100-7275 •
[email protected]Contribuição: Curadoria de dados, Análise Formal, Investigação, Metodologia, Software,
Visualização de dados (tabela, gráfico), Escrita – primeira redação, Escrita – revisão e
edição
3 Joabe Rodrigues Pereira
Mestrado em Fitossanidade e Biotecnologia Aplicada
https://orcid.org/0000-0001-7267-8679 •
[email protected]Contribuição: Análise Formal, Investigação, Metodologia, Visualização de dados (tabela,
gráfico), Escrita – primeira redação, Escrita – revisão e edição
Ci. Fl., Santa Maria, v. 33, n. 1, e67579, p. 23, jan./mar. 2023
24 | Efeitos de fatores ambientais sobre as assembleias de formigas ...
4 Ângela Alves de Almeida
Doutorado em Entomologia
https://orcid.org/0000-0003-4382-7086 • [email protected]
Contribuição: Análise Formal, Investigação, Metodologia, Visualização de dados (tabela,
gráfico), Escrita – primeira redação, Escrita – revisão e edição
5 Fábio Souto Almeida
Doutorado em Ciências Ambientais e Florestais
https://orcid.org/0000-0001-6214-397X •
[email protected]Contribuição: Conceituação, Curadoria de dados, Análise Formal, Obtenção de
financiamento, Investigação, Metodologia, Administração do projeto, Recursos,
Software, Supervisão, Validação, Visualização de dados (tabela, gráfico), Escrita –
primeira redação, Escrita – revisão e edição
Como citar este artigo
Lobo, N. C. R.; Ribeiro, L. M.; Pereira, J. R.; Almeida, Â. A.; Almeida, F. S. Efeitos de fatores ambientais
sobre as assembleias de formigas arborícolas e epigéicas na Floresta Estacional Semidecidual.
Ciência Florestal, Santa Maria, v. 33, n. 1, e67579, p. 1-24, 2023. DOI 10.5902/1980509867579.
Disponível em: https://doi.org/10.5902/1980509867579.
Ci. Fl., Santa Maria, v. 33, n. 1, e67579, p. 24, jan./mar. 2023