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Pág.

88

1.
a) Lisboa, Quinta do Pinheiro;
b) 4 de julho de 1843;
c) Almada;
d) sala decorada com luxo e elegância; com vários adereços (uma mesa pequena com
livros, obras de tapeçaria e um vaso com flores; algumas cadeiras, tamboretes e
contadores); duas janelas largas ao fundo; um retrato de um cavaleiro; duas portas, uma
para o interior e outra para o exterior;
e) nobreza abastada (sala ampla e decorada de forma rica e luxuosa), culta (livros) e
religiosa;
f) retrato de um cavaleiro da Ordem de Malta;
g) embora a ação se situe em 1599 (21 anos após 1578), na didascália refere-se
«princípios do século dezassete» e «no fim da tarde».
1.1 Ambiente de conforto e de requinte; fim de tarde, há já pouca luz do dia, há liberdade
e abertura ao exterior (grandes janelas rasgadas e portas).
Nota – Espaço amplo e iluminado, de liberdade e felicidade; elevado estatuto social e
económico.
2. D. Madalena vive aterrorizada, o que não lhe permite desfrutar em pleno do seu amor.
Assim, a personagem revela uma forte instabilidade emocional, lamentando não poder,
como sucedia com Inês de Castro, viver a ilusão de uma felicidade, ainda que passageira.
3. As didascálias demonstram e reforçam o estado de inquietação, de desalento da
personagem («como quem descaiu», l. 12; «repetindo maquinalmente e devagar», l. 14),
num momento de introspeção («profunda meditação; silêncio breve», l. 24).
4. Os versos relativos ao episódio de Inês de Castro, inseridos no início da exposição, são
um presságio negativo para a ação dramática que agora principia.
5. A pontuação expressiva, recorrendo a exclamações, interrogações e reticências,
sugere a tensão emocional, a hesitação e a dor da personagem. Toda esta carga emotiva
vai ao encontro das características do drama romântico, pleno de sentimentos fortes.
Nota –
O destino é responsabilizado pela mudança no rumo dos acontecimentos e
consequentemente a passagem da felicidade para a infelicidade.
As interjeições reforçam os sentimentos antagónicos e disfóricos de D. Madalena. Por
sua vez, as frases da polaridade negativa refletem o estado de espírito pessimista e
angustiado da personagem; apresenta instabilidade emocional, um estado de espírito
agitado, atormentado e revela-se pensativa e receosa, mas apaixonada pelo marido.
Predomínio das reticências e das exclamações: o uso das reticências marca as pausas
silenciosas do discurso melancólico da personagem. É usado o ponto de exclamação, de
interrogação e a interjeição para transmitir o estado atormentado de D. Madalena. Esta
sente-se muito amada pelo marido, todavia não consegue usufruir da felicidade que esse
amor lhe proporciona, devido ao medo, aos horrores de que o Destino os venha a
separar. Por isso, vive num constante desassossego e, assim, amor e felicidade
identificam-se com desgraça.

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1. a) 3; b) 4; c) 1; d) 2.
1.1 Tópicos de resposta
– D. Madalena procurou D. João durante 7 anos (1578-1585).
– D. Madalena está casada com Manuel de Sousa Coutinho há 14 anos (1585-1599 – 2 x
7).
– Passaram 21 anos desde o desaparecimento de D. João na batalha de Alcácer Quibir e
o início da ação (1578-1599 – 3 x 7).
1.2 Estando o número 3 associado à perfeição, às três fases da existência – nascimento,
crescimento, morte –, e o 7 à conclusão de um ciclo (sete dias da semana, por exemplo),
o número 21 completa a tríade de 7, indiciando o fechar de um ciclo e o início de outro
ainda desconhecido.
2.1 Maria de Noronha, filha de D. Madalena e de D. Manuel de Sousa Coutinho, «Tem
treze anos feitos» (l. 22), é nobre («D. Maria é sangue de Vilhenas e de Sousas», l. 90),
bondosa («Um anjo como aquele... uma viveza, um espírito!... e então que coração!», ll.
25-26) e apresenta um desenvolvimento precoce física («tem crescido de mais», l. 21) e
psicologicamente («Maria tem uma compreensão...», l. 73; «Compreende tudo!», l. 74;
«tão perspicaz», l. 183), apesar de ser doente e débil («não é uma criança...muito...
muito forte», l. 54; «É...delgadinha, é», l. 55).
2.2 Telmo Pais, inicialmente, não aceita Maria por esta ser fruto do casamento entre D.
Madalena e Manuel de Sousa Coutinho, união que ele via como uma traição a D. João
de Portugal, cuja morte se recusa a aceitar. À medida que a menina foi crescendo, o
escudeiro foi-se aproximando dela, submetido à sua «meiguice», «formosura» e
«bondade», de tal modo que considera ter-lhe mais amor do que os seus próprios pais.
3. D. Madalena respeita Telmo como se este fosse seu familiar e amigo, reconhece a
autoridade que ele, por vezes, tem sobre ela e segue os seus conselhos, obedecendo-
lhe «como filha» (l. 113). Telmo, por sua vez, é dedicado à fidalga, respeita-a e aconselha-
a, apesar de considerar que nem sempre ela seguiu as suas orientações, referindo-se ao
seu segundo casamento.
4. Os apartes de Telmo deixam transparecer as suas dúvidas relativamente à morte de
D. João de Portugal e revelam a sua intenção de salvar Maria de uma desgraça que
considera iminente.
5. As informações presentes na última fala de D. Madalena permitem localizar a ação em
pleno domínio filipino (após 1578), ficando-se a saber que havia peste em Lisboa e que
reinava a discórdia entre castelhanos e portugueses.
6. A

Nota –
Telmo desempenha o papel do coro da tragédia clássica - uma das funções do coro da
tragédia clássica era incitar o herói ao comedimento - à semelhança deste, Telmo
condena D. Madalena por não ter seguido os seus conselhos e ter ousado casar-se com
Manuel de Sousa, sem haver a certeza absoluta da morte de D. João de Portugal.
Na primeira fala de dona Madalena e na segunda fala de Telmo há a utilização de
recursos paralinguísticos (didascálias), pausas silenciosas, repetições, hesitações,
marcadores discursivos, sintaxe pouco estruturada e uso de vários deíticos.
Telmo desempenha ao longo da peça o papel de confidente, companheiro de presença
amiga, mas, nesta cena, assume outras funções: provoca a revelação dos pensamentos
das outras personagens, comenta a ação dramática e antecipa o desfecho trágico com
seus presságios e agouros.
Maria é caracterizada pelas duas personagens (Telmo e a mãe, D. Madalena):
fisicamente, tem treze anos, é alta, magra, frágil e bela; psicologicamente, é precoce,
perspicaz, inteligente, sensível, curiosa, meiga e bondosa.
Para estas duas personagens, Maria é um “anjo”, nome que traz consigo valores como
pureza, inocência, bondade, que incutem à personagem uma dimensão supraterrena,
quase divina [poderá associar-se ideia a mulher-anjo do romantismo], protótipo do bem
e da perfeição.
Na frase “não, a senhora D. Maria já é mais alta.” Podemos inferir o imenso afeto e amor
paternal de Telmo para com D Maria.
A frase “Uma senhora, aquela... Pobre menina!” - indica um dos agouros de Telmo.
Telmo com a réplica em à parte “Terá...” O valor semântico de modo (o valor modal do
futuro do indicativo) nesta forma verbal revela que Telmo não assume como facto a
morte de D. João, mas como possibilidade, o que agrava a dúvida de D. Madalena.
D. Madalena tem terror de falar do seu passado, como que temendo que, ao falar dele,
possa voltar.
Telmo ao dizer “Pois não se lembra, minha Senhora, que ao princípio era uma criança
que eu não podia...” – era a prova viva da infidelidade de D. Madalena.
Telmo vive em constante conflito psicológico suscitado pelos dilemas perante os quais a
personagem é colocada.
Nesta cena, Telmo sente admiração e respeito por D. Manuel, mas não lhe tem grande
estima nem devoção, pois não o acha digno de ocupar o lugar de D. João.
Entre as linhas 135 e 141, Telmo põe em causa a certeza da morte de D. João de Portugal.
O aparte é uma forma de discurso dramático que consiste em uma personagem
expressar um pensamento, uma crítica, um comentário em voz alta, sendo ouvido
apenas pelo público. Nestes apartes, Telmo revela ao público a impossibilidade de
cumprir o que está a prometer a D. Madalena.
Linhas 164- 171 – D. Madalena apresenta Telmo como uma personagem romântica; ele
é sebastianista, acredita no aparecimento dos mortos e em agouros.
Linha 193 “Não é possível, mas eu hei de salvar meu anjo do Céu!” - Indício trágico da
morte de dona Maria - firme vontade ou mesmo compromisso de salvar Maria do que
parece inevitável.

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