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Acórdão - Improbidade - Dano Nacional - Competencia Do Foro Das Capitais

Improbidade Administrativa

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Walter Mathias
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Improbidade Administrativa

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(e-STJ Fl.

320)

Superior Tribunal de Justiça


CONFLITO DE COMPETÊNCIA Nº 186.206 - DF (2022/0049493-2)
RELATOR : MINISTRO SÉRGIO KUKINA
SUSCITANTE : JUÍZO FEDERAL DA 8A VARA CÍVEL DE BRASÍLIA -
SJ/DF
SUSCITADO : JUÍZO FEDERAL DA 3A VARA DE CURITIBA - SJ/PR
INTERES. : UNIÃO
INTERES. : JOSE SERGIO DE OLIVEIRA MACHADO
INTERES. : WILSON QUINTELLA FILHO
INTERES. : ANTONIO KANJI HOSHIKAWA
INTERES. : ELIO CHERUBINI BERGEMANN
INTERES. : MAURO DE MORAIS
INTERES. : ESTRE AMBIENTAL S/A
INTERES. : INFRANER MONTAGEM E CONSTRUCAO LTDA
INTERES. : ESTALEIRO RIO TIETE LTDA
ADVOGADOS : EDGARD HERMELINO LEITE JUNIOR E OUTRO(S) -
SP092114
MÁRIO ROSSI BARONE - SP203962
GABRIEL SANTIAGO HARAMOTO - SP404753

RELATÓRIO

O EXMO. SR. MINISTRO SÉRGIO KUKINA (Relator): Tratam os


autos de Conflito de Competência suscitado pelo juízo da 8ª Vara Federal de
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Brasília/SJDF em face da 3ª Vara Federal de Curitiba/SJPR, nos autos da Ação de


Improbidade Administrativa n. 1069451-80.2021.4.01.3400, ajuizada pela UNIÃO
contra JOSÉ SÉRGIO DE OLIVEIRA MACHADO e OUTROS, imputando-lhes
condutas previstas como ímprobas na Lei 8.429/92.
A ação foi proposta perante o juízo da 3ª Vara Federal de Curitiba, que,
inicialmente, declinou da competência para a 1ª Vara Federal de Araçatuba, em
razão da existência de ação de improbidade anterior, por força da continência (Proc.
0001773-82.2014.4.03.6107). O Juízo de Araçatuba, então, suscitou conflito de
competência a este STJ, no qual se proferiu decisão monocrática reconhecendo a
competência do juízo suscitado (Curitiba), mantida em sede de agravo regimental
assim ementado:

PROCESSUAL CIVIL. ADMINISTRATIVO. AGRAVO INTERNO NO


CONFLITO DE COMPETÊNCIA. AÇÕES CIVIS PÚBLICAS. REUNIÃO.
CONTINÊNCIA NÃO CARACTERIZADA. DIVERSIDADE DE PARTES
DE DE CAUSA DE PEDIR.

1. Trata-se de conflito negativo de competência suscitado nos autos da ação


de improbidade administrativa, com pedido de decretação de

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(e-STJ Fl.321)

Superior Tribunal de Justiça


indisponibilidade de bens, ajuizada pela União em face de José Sérgio de
Oliveira Machado e Outros, referente atos praticados pelo primeiro réu
enquanto Presidente da Petrobrás Transportes S/A - TRANSPETRO,
empresa subsidiária integral da Petrobrás, que, atuando em conluio com
empresas e seus dirigentes, teria fraudado a contratação e a execução de
serviços e obras relacionados contratos firmados com a TRANSPETRO.
2. Suscita-se em síntese, a eventual necessidade de reunião da subjacente
demanda com a Ação de Improbidade Administrativa n.
0001773-82.2014.4.03.6107, promovida pelo Ministério Público Federal em
face de Estaleiro Rio Tietê Ltda e Outros, que tramita perante o Juízo da 1ª
Vara Federal de Araraquara - SJ/SP.
3. Como consignado no parecer ministerial, conquanto a subjacente ação
civil pública ampare-se na suposta existência de fraudes na contratação e
na execução de serviços e obras relacionados a 46 (quarenta e seis)
contratos firmados com a TRANSPETRO, há se notar que as referidas
ações civis públicas possuem partes distintas. Além disso, apenas 20 (vinte)
daqueles contratos - os firmados com o Estaleiro Rio Tietê Ltda, também
são objeto da referida ACP n.º 0001773-82.2014.4.03.6107.
4. Desse modo, resta evidenciada a inaplicabilidade da regra prevista no
art. 56 do CPC ("Dá-se a continência entre 2 (duas) ou mais ações quando
houver identidade quanto às partes e à causa de pedir, mas o pedido de
uma, por ser mais amplo, abrange o das demais").
5. Agravo interno não provido.
(AgInt no CC n. 173.386/SP, relator Ministro Sérgio Kukina, Primeira
Seção, julgado em 28/9/2021, DJe de 1/10/2021.)

Daí que o subjacente processo volveu ao juízo originário – 3ª Vara


Federal de Curitiba –, onde retomou sua tramitação. Em 29/7/2021, contudo,
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sobreveio decisão desse mesmo juízo de Curitiba, reconhecendo, vez mais, não ser o
competente para a causa, determinando a remessa dos autos, desta feita, para a 8ª
Vara Federal de Brasília, ao nuclear fundamento de que fora reconhecida a
incompetência da Justiça Federal de Curitiba (13ª Vara Criminal) para processar e
julgar as correlatas ações penais, o que repercutiria na ação cível de improbidade
administrativa, especialmente porque “a razão única da distribuição desta
persecução cível em Curitiba foi a preexistência da referida instrução penal, a
doadora institucional da prova apontada à persecução do ímprobo.” (fl. 222).
Em reforço, o juízo cível declinante invocou a inocorrência de dano na
capital paranaense, bem como a conveniência da instrução probatória transcorrer em
um único foro, medida eficaz para a coleta de provas, porquanto já definida a
competência da 12ª Vara do DF para a ação criminal concernente aos mesmos fatos
relatados na ação de improbidade.

Distribuído, pois, o feito à 8ª Vara Federal do DF, sobreveio decisão


desse juízo cível, suscitando o presente Conflito de Competência (fls. 6/12), por

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(e-STJ Fl.322)

Superior Tribunal de Justiça


entender serem insubsistentes os fundamentos utilizados pela vara paranaense de
origem. Em síntese, argumenta o suscitante terem as sanções de improbidade
“caráter estritamente civil, à luz do entendimento consolidado pelo Supremo
Tribunal Federal” (fl. 7), o que teria “correlação com o princípio da autonomia ou
independência das instâncias, materializado no art. 935 do Código Civil e no art.
12 da Lei nº 8.429/1992 e fartamente utilizado pelos Tribunas Superiores” (fl. 7), a
revelar o desacerto da decisão de declínio.
Relaciona o juízo suscitante, em seguida, “alguns aspectos processuais
importantes que demonstram ser o juízo suscitado o competente para processar e
julgar o presente processo” (fl. 10), dizendo-o nos seguintes termos:

i) dos 8 (oito) réus indicados na inicial, 6 (seis) possuem residências e


domicílios fiscais na cidade de São Paulo/SP, 1 (um) na cidade de
Araçatuba/SP e 1 (um) em Fortaleza/CE, assim, não se vislumbra qualquer
prejuízo para a produção de provas, ainda que alterem os seus respectivos
endereços, pois poderão ser interrogados, as testemunhas serem ouvidas e
realizadas perícias por intermédio de cartas precatórias;

ii) desde o advento do processo eletrônico no âmbito dos Tribunais


Regionais Federais, após o CPC/2015, também não há prejuízos para a
juntada de documentos, manifestações e acessos das partes aos autos,
produção de provas e expedições de atos do juízo;
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iii) de igual modo, as audiências necessárias poderão ser realizadas por


intermédio de plataformas eletrônicas de cada Tribunal Regional Federal,
como tem ocorrido em virtude da pandemia da COVID 19;

iv) caso seja necessário, a União, o Ministério Público Federal e os réus


poderão se servir dos documentos inseridos na ação penal como prova
emprestada, juntando-os eletronicamente na ação cível;

v) em decorrência da inovação tecnológica não se exige mais a retirada do


processo físico das secretarias das varas federais; vi) em razão da
autonomia de instâncias, não há risco de decisões conflitantes porque as
causas de pedir e pedidos são distintas;

vii) reitero, ainda, que as causas de pedir e pedidos deste processo são
diferentes da ação penal que tramita na 12ª Vara Federal/SJDF, afastando,
portanto, a hipótese de conexão probatória por proximidade territorial.

viii) o denominado foro universal da Seção Judiciária do Distrito Federal,


competência prevista na parte final do § 2º do art. 109 da CF/1988, atrai
demandas de todo país, acrescentando vultosa quantidade de processos
para a SJDF (...).

A seu turno, o Ministério Público Federal, em parecer de lavra da nobre

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(e-STJ Fl.323)

Superior Tribunal de Justiça


Subprocuradora-Geral da República Denise Vinci Tulio (fls. 229/239),
manifestou-se pelo reconhecimento da competência da 8ª Vara de Brasília, ora
suscitante. Para o MPF, “em vista da jurisdição criminal anteriormente fixada
no Juízo Federal de Brasília e de precedente em decisão monocrática do
Eminente Presidente Ministro Humberto Martins [CC n. 185.127/DF
(2021/0401429-1)], proclama-se a fixação da competência na Vara da Capital
Federal” (fl. 232).
A requerimento de um dos réus, o juízo de Brasília foi designado por
este relator pra resolver as medidas urgentes, em caráter provisório (fls. 277/278),
vindo os autos, então, conclusos para julgamento.
É o relatório.
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(e-STJ Fl.324)

Superior Tribunal de Justiça


CONFLITO DE COMPETÊNCIA Nº 186.206 - DF (2022/0049493-2)
RELATOR : MINISTRO SÉRGIO KUKINA
SUSCITANTE : JUÍZO FEDERAL DA 8A VARA CÍVEL DE BRASÍLIA -
SJ/DF
SUSCITADO : JUÍZO FEDERAL DA 3A VARA DE CURITIBA - SJ/PR
INTERES. : UNIÃO
INTERES. : JOSE SERGIO DE OLIVEIRA MACHADO
INTERES. : WILSON QUINTELLA FILHO
INTERES. : ANTONIO KANJI HOSHIKAWA
INTERES. : ELIO CHERUBINI BERGEMANN
INTERES. : MAURO DE MORAIS
INTERES. : ESTRE AMBIENTAL S/A
INTERES. : INFRANER MONTAGEM E CONSTRUCAO LTDA
INTERES. : ESTALEIRO RIO TIETE LTDA
ADVOGADOS : EDGARD HERMELINO LEITE JUNIOR E OUTRO(S) -
SP092114
MÁRIO ROSSI BARONE - SP203962
GABRIEL SANTIAGO HARAMOTO - SP404753
EMENTA

PROCESSUAL CIVIL. ADMINISTRATIVO. CONFLITO DE


COMPETÊNCIA. IMPROBIDADE ADMINISTRATIVA.
AUTONOMIA ENTRE AS INSTÂNCIAS. DANO DE
ÂMBITO NACIONAL. FORO DE ELEIÇÃO. ESCOLHA DO
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AUTOR.
1. De acordo com a jurisprudência do STJ, conforme o art. 93,
II, do Código de Defesa do Consumidor, "sendo o suposto
dano nacional, a competência será concorrente da capital do
Estado ou do Distrito Federal, a critério do autor" (CC
126.601/MG, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES,
PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 27/11/2013, DJe 5/12/2013).
2. A circunstância de existir ação penal em curso noutro juízo,
relativa aos mesmos fatos objeto da ação de improbidade, não
justifica, só por si, o deslocamento da competência, uma vez
que “O Superior Tribunal de Justiça firmou a compreensão de
que as esferas cível, administrativa e penal são independentes,
com exceção dos casos de absolvição, no processo criminal,
por afirmada inexistência do fato ou inocorrência de autoria”
(REsp n. 1.186.787/MG, relator Ministro Sérgio Kukina,
Primeira Turma, julgado em 24/4/2014).
3. A doutrina do foro non conveniens não pode afastar, no caso
concreto, a prerrogativa legal de a parte autora escolher entre o
Distrito Federal e a capital de Estado federado, em foro de
eleição.
4. Conflito de competência conhecido, declarando-se
competente para processar e julgar a subjacente ação de
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(e-STJ Fl.325)

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improbidade o Juízo da 3ª Vara Cível de Curitiba/PR
(suscitado).
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(e-STJ Fl.326)

Superior Tribunal de Justiça

VOTO

O EXMO. SR. MINISTRO SÉRGIO KUKINA (Relator):


Inicialmente, anoto ser caso de conhecimento do presente conflito, por estarem
preenchidos os requisitos legais (CF, art. 105, I, “d” e CPC, art. 953), bem como
inexistir vinculação ou prejudicialidade quanto ao anteriormente decidido por esta
Corte nos autos do CC 173.386/SP, derivado da mesma ação de improbidade. Na
ocasião, deliberou-se pela competência da 3ª Vara Federal de Curitiba, devido à
ausência de continência entre a ação de origem e aquela que tramita perante a
Justiça Federal de Araçatuba/SP.
O presente conflito, por sua vez, instaura-se entre os juízos federais de
Curitiba e de Brasília, à luz de fundamentos distintos, notadamente da decisão que
assentou a competência da Justiça Federal do DF para o julgamento da Ação Penal
5009558-44.2019.4.04.7000, relativa, em princípio, aos mesmos fatos. Trata-se,
portanto, de novo conflito, a reclamar distinta solução por esta Corte de Justiça.
Feito esse prévio e necessário esclarecimento, verifico que a segunda e
nova decisão de declínio teve como fundamento o reconhecimento da incompetência
da Justiça Federal de Curitiba para processar e julgar a Ação Penal
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5009558-44.2019.4.04.7000, mediante decisão proferida pela 13ª Vara Federal,


datada de 5/3/2021 (fls. 219/222), cuja ação penal versaria, em tese, sobre os
mesmos fatos postos na subjacente ação de improbidade.
Registre-se que, um dia antes (em 4/3/2021), houve decisão do STF
nos autos da PET 8090, de lavra do Excelentíssimo Min. Gilmar Mendes, para
“determinar a extensão da ordem contida neste acórdão aos autos da ação penal
5009558-44.2019.4.04.7000, com a declaração da incompetência da 13ª Vara
Federal de Curitiba e a determinação de remessa imediata dos autos à Justiça
Federal no Distrito Federal”, conforme revela consulta à jurisprudência daquela
Corte Suprema.
Incontroverso, nessa medida, o reconhecimento da incompetência da
Justiça Federal de Curitiba para julgar a Ação Penal 5009558-44.2019.4.04.7000, já
remetida, aliás, à Seção Judiciária do DF (12ª Vara Criminal), onde atualmente
tramita.
Equivoca-se o juízo suscitado, contudo, ao afirmar que a distribuição
da ação de improbidade em Curitiba se deu, unicamente, em razão da existência da
referida ação penal. Ao contrário, a petição inicial da ação de origem evidencia ter a

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(e-STJ Fl.327)

Superior Tribunal de Justiça


União endereçado o feito à capital do Paraná ao argumento de que os fatos
imputados fariam parte de “um grande esquema de corrupção que atingiu não apenas
a PETROBRAS e suas subsidiárias, mas violou a moralidade pública no âmbito
nacional, porquanto repercutiu por toda a estrutura da República Federativa do
Brasil” (fl. 26, grifo original).
Ainda quanto à competência, afirma a autora da ação (União) tratar-se
de caso de dano difuso, uma vez que as empresas rés, dentre outros ilícitos,
“superfaturavam obras e lavavam dinheiro em diversos Estados do Brasil (São
Paulo, Rio de Janeiro, Pernambuco, Espírito Santo, Paraná, Bahia e etc.) e no
exterior” (fl. 27), a evidenciar dano de "amplitude nacional”. Em face disso, segundo
a União, “a prerrogativa de optar entre uma das Capitais dos Estados e o Distrito
Federal será do autor da demanda, conforme decidido pelo Superior Tribunal de
Justiça” (fl. 29).
Nessa perspectiva, ainda que a União tenha, em seguida, se referido à
Ação Penal 5009558-44.2019.4.04.7000 como fonte de “parte do conjunto
probatório que subsidia a presente ação” (fl. 30), essa não foi a única e nem sequer a
principal razão da definição da competência.
Ao contrário, restando incontroversa a imputação de dano de âmbito
nacional, deve-se adotar o entendimento assente na jurisprudência do STJ, no
sentido da possibilidade de escolha, pelo autor da ação, do foro da capital de
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estado ou do Distrito Federal. Nesse sentido:

CONFLITO DE COMPETÊNCIA. ADMINISTRATIVO. AÇÃO CIVIL


PÚBLICA. CONFECÇÃO DE CÉDULAS DE R$ 200,00 (DUZENTOS
REAIS). PREJUÍZO A PESSOAS COM DEFICIÊNCIA VISUAL.
ACESSIBILIDADE. DANO NACIONAL. FORO COMPETENTE. ART. 93,
INCISO II, DO CDC. COMPETÊNCIA CONCORRENTE. CAPITAL DOS
ESTADOS OU DISTRITO FEDERAL. ESCOLHA DO AUTOR.
[...]
III - No microssistema de tutela coletiva, a Lei n. 7.347/1985, que rege a
Ação Civil Pública, em seu art. 2º, estabelece a competência para
propositura no foro do local onde ocorrer o dano. Por sua vez, o Código de
Defesa do Consumidor, em seu art. 93, II, dispõe que, em caso de danos de
âmbito nacional ou regional, é competente para a causa o juízo do foro da
Capital do Estado ou do Distrito Federal. Trata-se de competências
territoriais concorrentes e a escolha fica a critério do autor, com o
objetivo de proporcionar comodidade na defesa dos interesses
transindividuais lesados e facilitar o acesso à Justiça, de modo que não há
que se falar em exclusividade do foro do Distrito Federal para o
julgamento de ação civil pública de âmbito nacional.
[...]
V - Precedentes deste STJ: AgInt no AREsp 944.829/DF, Rel. Ministro
Gurgel de Faria, Primeira Turma, julgado em 14/5/2019, DJe 12/6/2019;
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(e-STJ Fl.328)

Superior Tribunal de Justiça


CC 126.601/MG, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Primeira Seção,
julgado em 27/11/2013, DJe 5/12/2013; CC 112.235/DF, Rel. Ministra
Maria Isabel Gallotti, Segunda Seção, julgado em 09/02/2011, DJe
16/02/2011; REsp 712.006/DF, Rel. Ministro Luis Felipe Salomão, Quarta
Turma, julgado em 05/08/2010, DJe 24/08/2010.
VI - Conflito de competência conhecido para declarar competente o Juízo
Federal da 13ª Vara Cível de São Paulo - SJ/SP, o suscitado, cassando a
decisão precária.
(CC n. 187.601/DF, relator Ministro Francisco Falcão, Primeira Seção,
julgado em 10/8/2022, DJe de 16/8/2022.)

PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL. ART. 535 DO CPC/1973.


VIOLAÇÃO. INEXISTÊNCIA. AÇÃO CIVIL PÚBLICA. DANO DE
ÂMBITO NACIONAL. FORO COMPETENTE.
[...]
3. De acordo com a jurisprudência do STJ, a teor do 93, II, do Código de
Defesa do Consumidor, "sendo o suposto dano nacional, a competência
será concorrente da capital do Estado ou do Distrito Federal, a critério do
autor" (CC 126.601/MG, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES,
PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 27/11/2013, DJe 05/12/2013).
4. Na hipótese, em ação civil pública proposta pelo Ministério Público
Federal, visando à condenação da ré, ora agravante, ao pagamento de
indenização por danos morais coletivos, em razão do descumprimento das
regras de qualidade do Sistema de Atendimento ao Cliente - SAC, o
Tribunal a quo entendeu que "o dano objeto da ação ultrapassa o âmbito
local (Rio de Janeiro), acarretando prejuízos de âmbito nacional", razão
por que a demanda seria de competência de uma das varas do Distrito
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Federal ou da capital de um dos estados, à escolha do autor.


5. Agravo interno desprovido.
(AgInt no AREsp n. 944.829/DF, relator Ministro Gurgel de Faria,
Primeira Turma, julgado em 14/5/2019, DJe de 12/6/2019.)

CONFLITO POSITIVO DE COMPETÊNCIA. DEMANDAS COLETIVAS


PROMOVIDAS CONTRA A ANEEL. DISCUSSÃO ACERCA DA
METODOLOGIA DE REAJUSTE TARIFÁRIO. LEI Nº 7347/85.
DISTRIBUIÇÃO DE ENERGIA ELÉTRICA. CONEXÃO.
[...]
9. Não pode haver dúvidas de que a questão tratada no presente conflito
tem abrangência nacional. O reajuste tarifário aplicado pela ANEEL desde
2002 às concessionárias de distribuição de energia elétrica é único para
todo o país. Qualquer decisão proferida nos autos de uma das demandas
ora reunidas afetará, indistintamente, a todos os consumidores dos serviços
de energia, em todo o país, dada a abrangência nacional destes contratos.
10. Reconhecida a abrangência nacional do conflito, cumpre definir o juízo
competente, destacando-se que, ante o interesse da ANEEL no pólo passivo
de todas as demandas, a competência é, indubitavelmente, da Justiça
Federal (art. 109, I, da Constituição Federal).
11. Em razão do disposto no artigo 93, II, do Código de Defesa do
Consumidor, sendo o suposto dano nacional, a competência será
concorrente da capital do Estado ou do Distrito Federal, a critério do

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(e-STJ Fl.329)

Superior Tribunal de Justiça


autor, tendo em vista sua comodidade na defesa dos interesses
transidividuais lesados e o mais eficaz acesso à Justiça, uma vez que "não
há exclusividade do foro do Distrito Federal para o julgamento de ação
civil pública de âmbito nacional. Isto porque o referido artigo ao se referir
à Capital do Estado e ao Distrito Federal invoca competências territoriais
concorrentes, devendo ser analisada a questão estando a Capital do Estado
e o Distrito Federal em planos iguais, sem conotação específica para o
Distrito Federal" (CC 17533/DF, Rel. Ministro CARLOS ALBERTO
MENEZES DIREITO, SEGUNDA SEÇÃO, julgado em 13/09/2000, DJ
30/10/2000, p. 120).
[...]
(CC n. 126.601/MG, relator Ministro Mauro Campbell Marques, Primeira
Seção, julgado em 27/11/2013, DJe de 5/12/2013.)

O entendimento acima, salvo melhor compreensão, é aplicável ao


presente caso, em que ambos os juízos conflitantes reconhecem a imputação de
condutas que, em tese, geraram danos de alcance nacional (fl. 11, o suscitante; fls.
216/219, o suscitado), de forma que compete à autora a escolha do foro para
ajuizamento da ação, por se tratar de competência concorrente, nos termos dos arts.
2º da LACP e 93, II, do CDC.
A compreensão consolidada na jurisprudência desta Corte encontra-se
reforçada por recente alteração engendrada na lei de improbidade administrativa,
que passou a contar com dispositivo legal expresso sobre o tema. De fato, segundo a
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regra do art. 17, § 4º-A, da Lei 8.429/92, incluído pela Lei 14.230/21, a ação de
improbidade “deverá ser proposta perante o foro do local onde ocorrer o dano ou
da pessoa jurídica prejudicada”.
Nesse sentido, o critério legal da Lei 8.429/92 harmoniza-se com as
previsões do microssistema de tutela coletiva, em razão das quais se firmou a
jurisprudência desta Corte (art. 2º da LACP e 93, II, do CDC). Em se cuidando de
dano de alcance nacional, a competência é concorrente, como se dá na hipótese.
Deve-se ressaltar, ainda, ser pacífica a jurisprudência do STJ no
sentido da autonomia entre as instâncias penal e administrativa, o que também afasta
a pretensão de reunião dos feitos no mesmo foro. Nesse sentido:

PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO EM RECURSO ESPECIAL.


CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL DE 2015. APLICABILIDADE. AÇÃO
CIVIL PÚBLICA. IMPROBIDADE ADMINISTRATIVA. VIOLAÇÃO AOS
ARTS. 489 E 1.022 DO CPC. INOCORRÊNCIA. AUTONOMIA DA AÇÃO
CIVIL PÚBLICA COM RELAÇÃO ÀS INSTÂNCIAS PENAL E
ADMINISTRATIVA. RECEBIMENTO DA INICIAL. REVISÃO.
IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA N. 07/STJ. INCIDÊNCIA. ARGUMENTOS

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INSUFICIENTES PARA DESCONSTITUIR A DECISÃO ATACADA.
APLICAÇÃO DE MULTA. ART. 1.021, § 4º, DO CÓDIGO DE
PROCESSO CIVIL DE 2015. DESCABIMENTO.
[...]
III - O acórdão recorrido adotou entendimento consolidado nesta Corte,
segundo o qual, por não possuir natureza penal ou administrativa, a ação de
improbidade é autônoma em relação a tais instâncias, não configurando
óbice ao processamento da presente demanda a existência de processo
administrativo ou ação penal em trâmite, não havendo que se falar,
portanto, em ofensa aos apontados arts. 489, § 3º, 503, 505 e 927, V, do
Código de Processo Civil de 2015, tampouco ao art. 65 do Código de
Processo Penal.
[...]
(AgInt no REsp n. 1.879.576/MG, relatora Ministra Regina Helena Costa,
Primeira Turma, julgado em 9/8/2021, DJe de 12/8/2021.)

ADMINISTRATIVO. IMPROBIDADE ADMINISTRATIVA. RECURSO


ESPECIAL INTERPOSTO PELA RÉ. AÇÃO MOVIDA CONTRA TABELIÃ
DE OFÍCIO DE NOTAS, POR ALEGADA AUSÊNCIA DE REPASSE, A
TEMPO E MODO, DE QUANTIA REFERENTE À TAXA DE
FISCALIZAÇÃO JUDICIÁRIA DEVIDA À FAZENDA ESTADUAL.
PROCEDÊNCIA DO PEDIDO AUTORAL EM PRIMEIRA INSTÂNCIA E
CONFIRMAÇÃO EM GRAU DE APELAÇÃO. DIVERGÊNCIA
PRETORIANA INDEMONSTRADA. NOTÁRIOS E REGISTRADORES DE
SERVENTIAS NÃO OFICIALIZADAS. SUBMISSÃO À LEI Nº 8.429/1992.
SIMULTÂNEA CARACTERIZAÇÃO, NA ESPÉCIE, DAS CONDUTAS
ÍMPROBAS DE ENRIQUECIMENTO ILÍCITO, DE DANO AO ERÁRIO E
DE VIOLAÇÃO A PRINCÍPIOS DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA.
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FUNDAMENTO DO ACÓRDÃO NÃO IMPUGNADO NO RECURSO


ESPECIAL, O QUE ATRAI A SÚMULA 283/STF. INDEPENDÊNCIA DAS
ESFERAS CÍVEL, PENAL E ADMINISTRATIVA. DOSIMETRIA.
PROPORCIONALIDADE E RAZOABILIDADE. MANUTENÇÃO DAS
SANÇÕES IMPOSTAS EM PRIMEIRA INSTÂNCIA E CONFIRMADAS
EM APELAÇÃO. RECURSO DESPROVIDO.
[...]
9. O Superior Tribunal de Justiça firmou a compreensão de que as esferas
cível, administrativa e penal são independentes, com exceção dos casos de
absolvição, no processo criminal, por afirmada inexistência do fato ou
inocorrência de autoria.
[...]
(REsp n. 1.186.787/MG, relator Ministro Sérgio Kukina, Primeira Turma,
julgado em 24/4/2014, DJe de 5/5/2014.)

Diante desse cenário normativo e jurisprudencial, revelam-se, data


venia, impertinentes os demais fundamentos levantados pelo juízo suscitado,
inclusive a tese de mitigação do foro de eleição com base na doutrina do forum non
conveniens, que não pode afastar, no caso concreto, a prerrogativa legal de a parte
autora escolher entre o Distrito Federal e a capital de estado, em foro de eleição.
ANTE O EXPOSTO, conheço do conflito para declarar competente

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para processar e julgar a noticiada ação de improbidade administrativa o Juízo da 3ª
Vara Federal de Curitiba, ora suscitado, dando-se ciência aos Juízos envolvidos e
ao MPF.
É como voto.
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