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AULA 6: O PERCURSO PELA COMPOSIÇÃO DO SERMÃO – Parte 1

Uma vez concluída a primeira etapa da jornada da pregação, que é o percurso


pelo estudo do texto bíblico, estamos prontos para iniciar o percurso da
composição do sermão. Neste trajeto da jornada faremos três paradas
estratégicas:

• A sexta parada, para esboçar a estrutura homilética do sermão, que


servirá como um guia para a seleção e organização do conteúdo a ser
pregado;

• A sétima parada, para a seleção e adaptação de ilustrações e


exemplos que visam tornar a aplicação das verdades bíblicas e
teológicas mais efetiva na vida dos ouvintes;

• E a oitava parada, para escrevermos o manuscrito completo do


sermão, usando uma linguagem adequada para a comunicação do
sermão.

6ª. PARADA: PREPARE UM ESBOÇO HOMILÉTICO

De forma prática, o esboço homilético é um recurso muito eficaz que auxilia o


pregador em duas direções:

(1) Na seleção do material que vai compor o sermão, pois como já


afirmei, nem tudo o que usamos na “cozinha” da exegese deve ser levado
para a “sala de jantar” da pregação;

(2) Na organização e composição do sermão, que precisa ser dinâmico e


atrativo do começo ao fim.

Para o pregador, preparar o esboço homilético antes de escrever o sermão


completo, é como para um engenheiro ter a planta arquitetônica antes de
construir uma casa.

E assim como no mundo da construção civil existem diferentes estilos


arquitetônicos, na pregação também verificamos estilos e formatos

1
homiléticos diferentes, como o estilo e os formatos da HOMILÉTICA
CLÁSSICA, próprio do Mundo Moderno, mais dedutivo e lógico, marcado por
pontos e argumentos;

E o estilo e os formatos da NOVA HOMILÉTICA, própria do mundo pós-


moderno, mais indutivos e que prioriza movimentos narrativos no sermão.

Seja qual for a sua opção, o mais importante é que a estrutura e o formato
escolhido facilitem os dois movimentos essenciais da pregação: A
EXPOSIÇÃO e a APLICAÇÃO das verdades bíblicas e teológicas do texto
bíblico, interpretadas e indicadas como o Problema, a Graça e a Missão, de
forma que os ouvintes tenham facilidade em acompanhar o desenvolvimento
do sermão e acolher a mensagem.

A seguir quero apresentar dois exemplos de Esboço Homilético. O primeiro


elaborado no estilo clássico. E o segundo no estilo contemporâneo. Mas ambos
levando em consideração o mesmo texto bíblico - Êxodo 17.1-7, e suas
respectivas interpretações e aplicações do Problema, Graça e Missão.

Consideremos que após a aplicação das cinco primeiras tarefas durante as


paradas da nossa Jornada da Pregação nós chegamos as seguintes conclusões
sobre a interpretação e aplicação do problema, graça e missão neste texto:

Êxodo 17.1-7

Interpretação das Verdades Bíblicas e Teológicas Aplicação das Verdades Bíblicas e Teológicas
do Texto no Sermão

Problema Problema

Israel põe Deus à prova. A Igreja coloca Deus à prova.

Graça Graça

Deus prova seu cuidado com Israel Deus prova seu cuidado com a igreja

Missão Missão

Fortalecer a confiança de Israel no cuidado de Deus. Fortalecer a confiança da igreja no cuidado de Deus.

2
Com estas verdades bíblicas e teológicas em mente podemos construir um...

ESBOÇO HOMILÉTICO NO ESTILO CLÁSSICO – MOVIMENTO DEDUTIVO

Na metodologia clássica, como falei, a maioria dos sermões são construídos


de forma dedutiva, didática e fortemente marcados por argumentações lógicas
e racionais. Neste estilo de estrutura homilética, a ideia central ou o tema do
sermão é geralmente declarado no início da mensagem, através de uma
proposição, e logo após uma explicação introdutória sobre o texto e o seu
contexto.

Vejamos um exemplo baseado na narrativa de Êxodo...

Êxodo 17.1-7

INTRODUÇÃO – Uma ilustração para apontar para o problema da falta de


confiança em Deus nos dias de hoje. Esta ilustração serve para cativar a
atenção dos ouvintes e despertar o interesse, bem como para fazer uma
transição suave entre a leitura bíblica e a pregação propriamente dita.

EXPLICAÇÃO/EXPOSIÇÃO – Explicação do contexto e tudo aquilo que for


necessário para demonstrar o PROBLEMA que envolve a passagem e a
necessidade da Graça, ou seja, o agir de Deus no texto ou no contexto, por
exemplo:

(1) O acampamento em Rifidim e a falta de água;

(2) O histórico anterior de conflitos e murmuração contra Deus;

(3) As Ameaças a Moises no próprio texto e como ISRAEL COLOCA


DEUS À PROVA (Problema)

TEMA: DEUS PROVA SEU CUIDADO PARA COM O SEU POVO (Graça)

O tema é a ideia principal do texto. A frase propositiva que revela a GRAÇA


e coloca o foco do sermão na presença e agir de Deus no texto.

3
ARGUMENTAÇÃO

É o desenvolvimento do sermão, no qual a Graça será demonstrada. Cada


argumento deve ser um desenvolvimento do tema. Ou seja, é a resposta a
pergunta que surge a partir do tema: Como Deus prova seu cuidado?

1. Deus ouve o clamor de seu servo Moisés, v.5

2. Deus mata a sede de seu povo Israel, v.6

3. Jesus é a Água da Vida que continua mantando a nossa sede

Este terceiro ponto é um movimento cristocêntrico, a partir do tema do


sermão.

Em cada argumento ou ponto deste sermão, devemos: (1) Afirmar o


enunciado do argumento; apresentar a base bíblica para ele; (3) explicar o
trecho; (4) Aplicar aos ouvintes; (5) ilustrar; e (6) concluir o argumento. Uma
vez concluído, use o tema como frase de transição para o argumento seguinte.
Nas aplicações de cada ponto a missão pode ser apresentada aos ouvintes.

CONCLUSÃO

Retomando o tema podemos concluir com um ouvinte para engajamento na


Missão: Confiar no cuidado permanente de Deus por nós.

Ou podemos elaborar um ESBOÇO HOMILÉTICO CONTEMPORÂNEO

INTRODUÇÃO – Uma ilustração para apontar para o problema da falta de


confiança em Deus nos dias de hoje. Esta ilustração serve para cativar a
atenção dos ouvintes e despertar o interesse, bem como para fazer uma
transição suave entre a leitura bíblica e a pregação propriamente dita.

1º. Movimento – ISRAEL PÕE DEUS A PROVA

Movimento de Exposição bíblica com foco na apresentação do problema:

4
• Toda a comunidade de Israel em Refidim e sem água para beber, v. 1

• O povo queixa-se a Moisés e exige: “Dê-nos água para beber”. v.2.

• Os conflitos anteriores durante a jornada – contexto histórico anterior

• Israel coloca o SENHOR à prova?” v. 2-3

• Israel ameaça Moisés, v.4

2º. Movimento – NÓS COLOCAMOS DEUS A PROVA

Um movimento de aplicação do problema ao contexto dos ouvintes:

• Ilustração do Problema

• Exemplos do Problema na vida dos ouvintes

• Aprofundar a aplicação do problema

• Explorar a Missão: atitudes corretivas relacionadas a confiança no


cuidado de Deus.

3º. Movimento – DEUS PROVA SEU CUIDADO POR ISRAEL

Um segundo movimento de exposição bíblica, mas agora com foco na graça


de Deus:

• Deus Responde a Moisés, v. 5 – 6b

• Deus mata a sede do povo e prova sua fidelidade e cuidado, v. 6c

• Refidim muda de nome para Massá e Meribá, porque ali os israelitas


reclamaram e puseram o SENHOR à prova, dizendo: “O SENHOR está
entre nós, ou não?” v.7

• Jesus continua matando a sede do povo de Deus – Movimento


Cristocêntrico.

4º. Movimento – DEUS PROVA SEU CUIDADO PARA COM SEU POVO

Um segundo movimento de aplicação, agora com foco na Graça:

• Ilustração da Graça

5
• Aprofundamento da aplicação da Graça

• Jesus continua matando a nossa sede e cuidando de nós

CONCLUSÃO: Terminar o sermão reafirmando a Graça de Deus e convidando


os ouvintes ao engajamento na missão: CONFIAR NO CUIDADO DE DEUS
POR NÓS.

6
AULA 7: O PERCURSO PELA COMPOSIÇÃO DO SERMÃO II

7ª PARADA: SELECIONE ILUSTRAÇÕES PARA O SERMÃO

Manter a atenção permanente dos ouvintes sempre foi um grande desafio para
os pregadores, principalmente nesta geração fortemente marcada pela
imagem e interatividade. É muito fácil perder a atenção dos ouvintes durante
o sermão, principalmente quando o conteúdo da mensagem é muito teórico e
abstrato.

As ilustrações e exemplos são recursos que despertam a atenção dos ouvintes,


e tornam o sermão menos abstratos e mais concretos, pois ajudam os
ouvintes a enxergarem aquilo que está sendo pregado. Entretanto, muitas
vezes, as ilustrações e os exemplos são utilizados de forma inadequada, sem
conexão com a mensagem, sem que o pregador tenha bem claro o objetivo
que quer alcançar com estes recursos, e sem explorá-los em todo o seu
potencial.

Assim como todos os elementos que compões o sermão, as ilustrações e


exemplos devem ter uma função clara e objetiva. Neste caso, além de serem
recursos para despertarem e manterem a atenção dos ouvintes, a função
principal é auxiliar o pregador na aplicação das verdades bíblicas e teológicas
na vida dos ouvintes, tornando-as mais claras.

Isso acontece quando uma boa ilustração ajuda os ouvintes a enxergarem e


a se identificarem com aquilo que está sendo aplicado. As ilustrações
fornecem imagens para os ouvintes, e estas imagens devem ser exploradas
na medida em que a aplicação se aprofunda, pois são estas imagens e os
significados que elas carregam que ajudam a tornar a aplicação mais concreta
e impactante.

Uma boa ilustração tem o potencial de mover os ouvintes de uma postura


mental mais cognitiva e racional para uma postura mais afetiva e emotiva em

7
relação ao que estão ouvindo, e assim, preparar o coração dos ouvintes para
acolherem o que do Espírito Santo está aplicando em suas vidas.

Não se trata de explorar um emocionalismo barato no sermão, mas de


considerar que os ouvintes são seres humanos, e as emoções fazem parte da
essência humana. Assim, a mensagem tem que falar a todos os aspectos da
vida humana, tanto ao aspecto racional quanto afetivo dos ouvintes.

As ilustrações podem ser elaboradas a partir de um fato histórico, uma


experiência pessoal ou de terceiros, uma parábola contemporânea, uma
notícia ou mesmo um evento local ou de conhecimento geral. Mas elas
precisam ser lapidadas de forma a servirem seu propósito de tornar a
aplicação do Problema, da Graça ou da Missão mais concreta. Para isso, o
pregador deve selecionar ilustrações que demonstrem o problema, ilustrações
que demonstrem a graça, e ilustrações que inspirem a missão.

Além disso, todas as vezes que usamos uma ilustração é necessário fazermos
a conexão delas com o que está sendo aplicado. Isso pode ser feito quando
concluirmos a ilustração com um destaque explícito ou implícito da moral de
sua história.

A moral da história deve deixar claro o problema ou a graça ou a missão.


Em seguida, uma frase de transição deve demonstrar que o problema a
graça ou a missão ressaltada na moral da história estão relacionados com a
aplicação pretendida.

Veja em meu livro, nas páginas 138 a 144, vários exemplos de como fazer
isso. Mas todas as vezes que formos selecionar e lapidar ilustrações e
exemplos para nosso sermão precisamos respeitar algumas regras.

Dicas para uso de ilustrações:

1. Evite usar mais de uma ilustração baseada em uma experiência


pessoal própria. Isso pode transmitir a ideia de que o pregador está
tentando se exaltar, principalmente quando a ilustração conta uma

8
história de sucesso pessoal. Além do que torna o sermão muito focado
na imagem do pregador.

2. Evite apresentar uma história fictícia como sendo real. Parábolas


contemporâneas e anedotas podem ser usadas para ilustrar o sermão,
mas não devem ser apresentadas como eventos históricos. Elas servem
para formar conceitos e criar imagens que serão exploradas na
aplicação.

3. Evite ilustrações muito gráficas, principalmente ao aplicar


problemas relacionados a violência ou comportamento sexual
reprovável. Algumas imagens criadas pelos pregadores na mente dos
ouvintes podem gerar mais distração do que concentração.

4. Antes de selecionar as ilustrações, tenha bem claro quais são as


verdades bíblicas e teológicas que deverão ser aplicadas no
sermão. São elas que devem nortear a busca, seleção e adaptação das
ilustrações.

5. Por fim, o bom senso é fundamental para a escolha e uso de cada


ilustração ou exemplo selecionado.

8ª PARADA: ESCREVA O MANUSCRITO COMPLETO DO SERMÃO

Uma vez que temos sobre a mesa todo o material produzido durante o
percurso do estudo do texto bíblico, um bom esboço homilético indicando a
estrutura e organização do sermão, e as ilustrações e exemplos selecionados
e lapidados para ajudar na aplicação das verdades bíblicas e teológicas que
serão pregadas, chegou de hora de escrever todo o manuscrito do sermão.

O objetivo desta tarefa, além de desenvolver o conteúdo a ser pregado, é o


preparo de uma mensagem que apresente uma linguagem clara, direta,
precisa, concreta e visual para que os ouvintes vivenciem a mensagem de tal
forma que consigam enxergar com os olhos do coração aquilo que está sendo

9
dito. Precisamos sempre lembrar que hoje pregamos para uma geração
fortemente marcada pela imagem e que escuta com os olhos.

Escrever todo o manuscrito do sermão me ajudou a organizar melhor as


minhas mensagens, evitar repetições, e a equilibrar o conteúdo de todas as
partes do sermão, articularem melhor as ideias, escolher bem as palavras
mais concretas e menos abstratas, revisar o que foi preparado, e a estudar
melhor o conteúdo a ser pregado.

Enfim, escrever o manuscrito todo do sermão é um exercício fantástico para


o desenvolvimento dos pregadores e de suas pregações, mesmo que no
momento da entrega do sermão prefiram pregar a partir de um esboço
homilético.

Por tudo isso, gostaria de oferecer agora aos leitores algumas orientações
simples e práticas der como escrever o manuscrito de um sermão.

Dicas para Escrever o Sermão

1. De preferência para frases curtas: Orações muito longas com muitas


ideias dificultam a compreensão dos ouvintes. Por isso, em nosso
manuscrito devemos dar preferência para as orações mais curtas que
contenham uma ou duas ideias bem claras e completas.

No caso da exposição de um texto narrativo, quando o pregador reconta a


história bíblica, o pregador deve focar na ação. A ação é marcada por
verbos e cada verbo forma uma oração. Assim, ao reescrevermos a
narrativa, devemos escrever frases curtas com poucas orações em cada
uma delas.

O exemplo a seguir é de um trecho de um sermão em Lucas 19.1-10, a


história de Zaqueu. Poderíamos descrever assim:

Zaqueu sai correndo da coletoria de impostos e segue na direção da


multidão. Ele tenta abrir espaço por entre as pessoas para ver Jesus. Mas

10
ele não consegue penetrar a parede humana formada à sua frente. Ele fica
na ponta dos pés, mas é muito baixinho para enxergar por cima dos
ombros das pessoas. Então Zaqueu deixa de lado a compostura, enrola a
túnica por cima dos joelhos, com as canelas a mostra ele corre à frente
buscando uma melhor posição...

2. Evite a voz passiva nas orações: E orações na voz passiva enfraquecem


os verbos e, consequentemente o poder e a contundência das declarações.
Veja como as declarações perdem o seu poder quando os verbos são
conjugados na voz passiva.

Uma coisa é dizer: “Os pecadores são salvos por Jesus”, outra é dizer
“Jesus salva os pecadores”.

No primeiro exemplo o sujeito passivo é “os pecadores”. No segundo


exemplo, o sujeito ativo é “Jesus”.

Ainda, é muito mais impactante ouvir: “Jesus restaura a nossa identidade


de filhos de Deus”, do que “A nossa identidade de filhos de Deus é
restaurada por Jesus”.

3. Use os verbos no tempo presente sempre que possível: Quando


recontamos uma história, conjugando os verbos no tempo passado, na
mente dos ouvintes a história continua aconteceu no passado. Mas quando
contamos uma história conjugando os verbos no presente, os ouvintes
ouvirão e vivenciarão uma história acontecendo diante deles.

É claro que em alguns momentos iremos usar verbos no passado,


especialmente quando em meio a história precisamos fazer uma inserção
como narradores e recorrer a um flashback para explicar melhor o
contexto. Nestes casos os verbos podem aparecer no passado.

Vejamos outro exemplo ainda em Lucas 19.1-10:

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Quando Jesus chega em Jericó, Zaqueu sente um profundo desejo de ver
de Jesus. Ele certamente ouviu falar de Mateus, que um ex-colega
cobrador de impostos que agora era um dos discípulos de Jesus. Zaqueu
sai correndo da coletoria de impostos e segue na direção da multidão. Ele
tenta abrir espaço por entre as pessoas para ver Jesus...

Neste exemplo acima, a história está acontecendo no tempo presente, mas


existe uma inserção do narrador que faz menção a algo ocorrido no
passado. Por isso o verbo surge no passado. Na sequência a história
continua sendo contada no tempo presente.

4. Use palavras concretas que estimulem imagens na mente dos


ouvintes: Para ajudarmos os ouvintes a enxergarem o que estamos
pregando, devemos evitar abstrações sempre que possível. É claro que em
algumas explicações teológicas isso é mais difícil, por isso que o Apóstolo
Paulo sempre recorreu a ilustrações com imagens concretas e de fácil
compreensão para explicar conceitos teológicos em suas cartas, como por
exemplo, a ideia da igreja como um corpo com muitos membros,
retratado em 1 Coríntios 12.12-30.

Para criar imagens vívidas na mente dos ouvintes precisamos de algumas


palavras concretas para descrever o que estamos dizendo. Não muitas,
pois não se trata de um livro, mas de um sermão. Se inundamos o texto
do sermão com longas descrições, acabamos por retardar o ritmo da
narrativa e do sermão, e assim, a história parece estar sendo contada em
câmera lenta.

O sermão precisa ser dinâmico, por isso, alguns detalhes concretos são
capazes de criar as imagens sem interromper o ritmo da mensagem.

5. Mostre aquilo que está sendo dito: Esta é uma regra fundamental para
a pregação de narrativas e recontar uma história no sermão de forma mais
visual.

12
Deixa-me dar um exemplo de como recontar uma história usando imagens
concretas que ajudam os ouvintes a enxergar a história.

Em Lucas 19.5-6 nós lemos: “Quando Jesus chegou àquele lugar, olhando
para cima, disse-lhe: Zaqueu, desce depressa, pois me convém ficar hoje
em tua casa. Ele desceu a toda a pressa e o recebeu com alegria”.

Neste texto, o autor diz que Zaqueu desceu depressa da árvore e que
recebeu Jesus com alegria. Nosso desafio é mostrar Zaqueu descendo
depressa da árvore, bem como a sua alegria em receber Jesus. Para isso
poderíamos reescrever o texto assim:

Ao se aproximar daquela árvore, Jesus para e olha para cima mirando


Zaqueu nos olhos. Após alguns segundos de silêncio congelante, tempo
suficiente para todos os olhos da multidão verem Zaqueu no alto da
árvore, Jesus diz: "Zaqueu! Desce rápido, porque hoje eu quero ficar em
sua casa". Zaqueu imediatamente despenca da árvore, feito uma fruta
madura, com um sorriso que vai de orelha a orelha.

Você conseguiu ver Zaqueu descendo depressa da árvore e recebendo


Jesus com alegria como se fosse um filme passando em sua mente? Espero
que sim. Somente quando escrevemos e reescrevemos o manuscrito do
sermão, escolhendo cuidadosamente as palavras que melhor evocam
imagens, é que conseguimos construir um texto para ser visto pelos
ouvintes.

6. Procure estimular todos os sentidos humanos. Todas as vezes que


criamos imagens que estimulam os sentidos humanos, criamos um cenário
bem concreto para o sermão.

A seguir, mais alguns exemplos de trechos de sermões preparados em estilo


narrativo e que se preocupam em construir um cenário bem concreto para os
ouvintes enxergarem o que estão ouvindo:

Trecho do sermão em Êxodo 16.1-10 por Thiago Candonga

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No dia seguinte, logo cedo, o povo se levanta e não acredita no que vê; o chão
coberto de finas fatias de pão. As crianças saem em disparada para encher os
bolsos com o que já́ não cabia dentro da boca. A alegria é imensa e as
mulheres pegam os seus cestos para recolherem a quantidade necessária para
sua família. “Podemos comer até passar mal”, dizem as crianças com as bocas
cheias de pão. E essa alegria se torna ainda maior no início da tarde, quando
um enorme grupo de codornizes invade o acampamento. "Está aberta a caça
as codornas!", gritam os homens que arrematam várias delas com um único
golpe de cajado. O povo se alimenta de pão e de carne à vontade e Deus é
gracioso apesar da reclamação e ingratidão do povo. 1

Neste exemplo o pregador mostra com clareza aquilo que está acontecendo
no texto bíblico ao mostrar as crianças com a boca cheia de pão, as mulheres
enchendo os seus cestos, e os homens caçando as codornizes. O pregador
ainda usa um recurso muito eficaz na construção de um texto narrativo e
visual. Ele coloca palavras na boca de alguns personagens através de diálogos
curtos que dão vida aos personagens.

Talvez você esteja pensando: Mas o texto diz isso mesmo? Onde no texto
bíblico fala que as crianças estão com as bocas cheias de pão? Não! O texto
não diz isso explicitamente, mas o texto diz que todos se fartaram. É papel
do pregador mostrar o povo se fartando de uma forma convincente e visual.
Eu costumo dizer que devemos sempre seguir uma regra básica quando
estamos explorando a criatividade para reescrever um texto bíblico para o
nosso sermão: “Seja criativo sem corromper o mundo do texto bíblico”. Ou
seja, desde que o nosso manuscrito não crie fatos falsos e improváveis, use a
sua imaginação para descreve e explicar o texto.

1 Sermão de prova pregado por Thiago Candonga, aluno no Seminário Presbiteriano do Sul.

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AULA 8: O PERCURSO DA ENTREGA DO SERMÃO

A esta altura em nosso roteiro da jornada da pregação, já teremos em mãos


o esboço e o manuscrito completo do sermão. Entretanto, como certa
vez ouvi de meu professor, “O sermão nunca está pronto, mas a hora de
pregá-lo sempre chega”. Ou seja, ficará sempre a sensação de que se
tivéssemos mais tempo, poderíamos melhorar o que já está bom. Essa
percepção, leva muitos pregadores a permanecerem no percurso da
composição do sermão até o momento da entrega e deixar de lado o preparo
pessoal para a pregação. Mas precisamos também dedicar um tempo para
nos preparar para a entrega do sermão. Esse preparo envolve o preparo da
apresentação do sermão e o preparo pessoal. Por isso, as próximas
tarefas de nosso roteiro são dedicadas a esse preparo pessoal dos pregadores,
a apresentação do sermão e ao momento da entrega.

9ª. PARADA: PREPARE A APRESENTAÇÃO DO SERMÃO

O manuscrito, até aqui preparado, já é uma boa ferramenta para a


apresentação do sermão. Principalmente se ele foi escrito em estilo narrativo
e preparado para estimular a imaginação dos ouvintes. Lembre-se, mais
importante do que projetar imagens em uma tela em frente dos ouvintes é
projetar imagens na mente deles e ajudá-los a percorrer a jornada da
pregação sem se perderem pelo caminho.

E a partir de um bom manuscrito e de um esboço homilético bem detalhado,


é possível prepararmos uma boa apresentação visual para servir de apoio
durante a entrega do sermão. Alguns pregadores e igrejas mais
contemporâneas preparam cenários decorativos e lúdicos no púlpito e ao redor
dos pregadores com o objetivo de criarem ambientes mais propícios para a
entrega das mensagens, proporcionando aos ouvintes uma experiência
marcante durante a entrega do sermão. Isso depende muito da capacidade
de investimento da igreja.

15
Artes gráficas para elaboração de convites eletrônicos, vinhetas, vídeos para
uso nas mídias sociais e panos de fundo para as projeções do conteúdo do
sermão também são recursos interessantes que podem contribuir com a
apresentação do sermão. E isso é algo que não custa caro. Basta um
computador e um pouco de criatividade. Além do que, em quase todas as
igrejas encontramos jovens talentosos que sabem usar muito bem estes
recursos e ferramentas tecnológicas e que podem nos ajudar com isso.

Mas nem sempre temos as pessoas e esses recursos à disposição para nos
ajudar nestas áreas e somos nós mesmos, os pregadores, que precisamos
preparar algum tipo de apresentação visual para o momento da entrega.

Pensando nisso, gostaria de oferecer aqui algumas dicas para o preparo de


slides para a projeção durante a entrega do sermão. Reafirmo, que isso não
é apenas um apoio ao sermão, pois o mais importante é o conteúdo da
mensagem e o preparo do pregador na hora da pregação.

Ideias para o preparo de slides

1. Evite os exageros. Não sobrecarregue o seu sermão com muitos slides e


nem os slides com muitas informações. Isso produzirá uma poluição visual
que em vez de contribuir com a compreensão da mensagem poderá distrair
os ouvintes.

2. Prefira o fundo branco nos slides. Isso facilita o contraste. Às vezes, os


fundos de outras cores até ficam bons em seu computador, mas quando
projetado em paredes ou mesmo em telas dificultam a visualização.

3. Utilize as fontes comuns. Para os textos use fontes comuns como Arial,
Verdana, Times New Roman ou Tahoma. Estas fontes são fáceis de
visualizar e no caso de você ter que trocar de computador na hora da
pregação, não terá problemas, pois elas estão presentes em todos os
aplicativos de apresentação.

16
4. Evite muito texto e explicações nos slides. Os slides devem ser apenas
um guia. Dê preferência a palavras chaves, frases curtas, citações ou texto
bíblico. Mas não sobrecarregue os slides com muito texto. Coloque as
palavras em um tamanho de letra que facilite a leitura a certa distância.

5. Prefira o uso de imagens com fundo branco. Imagens com fundo


branco dão um bom contraste nos slides. As imagens devem ilustrar o que
está sendo dito. Uma imagem fora do contexto atrapalha mais do que
ajuda. Lembre-se, é melhor criar imagens na mente dos ouvintes do que
simplesmente projetar imagens na parede.

6. Evite imagens gráficas de violência ou abuso. Algumas imagens são


tão gráficas que impactam negativamente os ouvintes. Especialmente as
imagens com teor violento. Elas podem fazer os ouvintes se distraírem ou
ficarem presos a elas durante toda a mensagem.

Essas são apenas algumas diretrizes para ajudar os pregadores no preparo de


slides. O bom senso deve sempre nortear as escolhas que fazemos e devemos
sempre perguntar: Estas imagens ajudam ou atrapalham?

Vc poderá encontrar exemplos do que estou falando nas páginas 154 a 159 e
183 a 188.

Este slide eu usei em um sermão baseado em Êxodos 17.1-7 ao falar da falta


de água e suas consequências na comunidade de israel...

10ª PARADA: PREPARE-SE PARA PREGAR COM CONVICÇÃO

O mais importante nesta tarefa é o pregador assimilar bem o conteúdo do


sermão, a ponto de se tornar um especialista naquilo que irá apresentar. Para
isso, antes da pregação, é fundamental que o pregador leia, releia e estude o
seu manuscrito até o ponto de ficar completamente familiarizado com a
mensagem. É fundamental que a mensagem fale primeiramente ao coração
do pregador, que ele ouça a voz de Deus falando consigo mesmo antes de
transmitir a Palavra para a congregação.

17
Para esta familiarização do conteúdo não existe uma fórmula única, que sirva
de igual modo para todos os pregadores. É necessário que cada pregador
identifique uma forma de preparo pessoal que melhor se adapte para que
esteja pronto na hora da entrega do sermão.

Alguns ensaiam a pregação no próprio local onde o sermão será pregado.


Outros preferem ensaiar diante de um espelho. Outros ainda gravam o
sermão e depois escutam a mensagem para perceber quais partes precisam
de ajustes.

Um bom recurso para uma pregação segura é o próprio manuscrito em mãos.


Podemos fazer marcações especiais no manuscrito que nos ajudem a dar as
ênfases certas nos momentos certos.

DICAS PARA SEGUIR O MANUSCRITO:

• Cores diferentes no texto para partes que serão lidas e partes que
não devem ser lidas;

• Letras maiores e em negrito para frases de efeito e que devem ser


repetidas;

• Marcações de pausas dramáticas ou de partes que devem ser


pregadas de forma mais veementes;

• Marcadores para mudanças de slides; e etc.

O manuscrito pode ser levado em mãos para o púlpito com o pregador ou


pode estar em formato virtual, sendo visualizado a partir de um computador
ou monitor a sua frente. O importante é o pregador se sentir o mais à vontade
possível na utilização deste recurso.

Outra sugestão que faço, para facilitar o preparo e a familiarização do


pregador com a mensagem, é dividir as tarefas do preparo do sermão ao longo
de alguns dias durante a semana, principalmente se a entrega do sermão será
feita no domingo.

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Os pregadores podem dedicar um dia para trabalharem o percurso no
texto; outro dia para o percurso da composição do sermão; e outro
para o percurso do preparo pessoal e preparo da apresentação da
mensagem.

Assim, antes da entrega, o pregador poderá ler e reler o seu sermão até se
familiarizar completamente com o conteúdo, até que a mensagem flua
facilmente de sua boca.

Quando preparamos o sermão ao longo de alguns dias, o sermão vai se


desenvolvendo e amadurecendo em nossas mentes e corações. Desta forma,
as ideias vão ficando mais claras na medida em que, ao longo dos dias,
executamos o nosso ministério, visitamos as pessoas, ouvimos as ovelhas, e
carregamos o sermão conosco onde quer que estejamos. E assim, também,
as possíveis aplicações vão ficando mais robustas em nossa mente; ilustrações
vão surgindo; mudanças necessárias podem ser feitas; e chegaremos ao final
da jornada bem mais preparados.

Enfim, seja qual for o método escolhido, o fundamental é que o pregador


tenha tempo para o preparo pessoal antes da entrega do sermão. O mais
importante é que no momento da entrega do sermão, pregador e mensagem
devem se tornar uma coisa só.

É fundamental que o pregador, além de demonstrar domínio de seu conteúdo


e boa fluência na comunicação, demonstre também que acredita e está
entusiasmado com aquilo que está pregando.

É claro que cada pregador tem seu estilo próprio de pregação. Alguns são
mais extrovertidos e outros mais introvertidos. Independente de seu estilo e
da linguagem corporal utilizada, pregue com paixão demonstrando que você
acredita no que está oferecendo para seus ouvintes e deixando claro que você
está falando daquilo que ouviu do próprio Deus durante seu tempo de estudo
e preparo.

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Cada pregador deve descobrir qual é a melhor maneira de pregar. Lendo ou
não é importante que a mensagem flua naturalmente e que o ouvinte tenha
condições de absorver a mensagem com facilidade.

Pense no momento da pregação como o trabalho de um jardineiro na hora


de regar o jardim. Se o Jardineiro usar um esguicho para regar o jardim
certamente irá jogar muita água com muita pressão. O resultado é que a terra
não terá tempo de absorver a água, formaram poças de água e o jardim ficará
encharcado. Por outro lado, se o jardineiro resolver usar um esborrifador de
água, provavelmente ele levará o dia todo para regar o jardim e na medida
que a pouca água cair no solo irá evaporar antes mesmo de ser absorvida. O
ideal é usar um regador de Jardim. Aquele baldezinho com um bico e uma
espécie de chuveirinho na ponta. Desta forma a quantidade e a intensidade
serão ideais para que a terra absorva a água. O sermão é o momento de
regarmos o jardim de Deus que é a sua igreja, na medida e na quantidade
certa.

A CONCLUSÃO DA JORNADA DA PREGAÇÃO

Com a aplicação de todas as dez tarefas sugeridas ao longo dos percursos


pelo texto, pela composição do sermão e pela entrega da mensagem, nós
completamos a Jornada da Pregação. O texto foi estudado, o sermão foi
preparado e a mensagem foi entregue aos ouvintes. Entretanto, devemos
procurar maximizar todos os esforços até então empregado.

Espero que este curso ajude você em seu ministério da pregação da Palavra.
Espero também que você leia o meu livro para revisar e se aprofundar em
tudo o que conversamos ao longo destas 8 aulas. Deus abençoe.

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